Datafolha: Redução da maioridade penal tem aprovação de 87% dos brasileiros

(Infográfico da Folhapress - clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico da Folhapress – clique na imagem para ampliá-la)

Por Reynaldo Turollo Jr.

 

Se houvesse uma consulta nacional à população, 87% dos brasileiros seriam a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, revela pesquisa Datafolha realizada na semana passada.

O percentual é o maior já registrado pelo instituto desde a primeira pesquisa sobre o tema, em 2003. Naquele ano e também em 2006, quando ocorreu um segundo levantamento, 84% disseram ser a favor da redução da idade.

Contrários à mudança são 11% (mesmo índice de 2006), indiferentes, 1%, e não souberam responder, 1%.

O tema, objeto de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), está em discussão em uma comissão especial na Câmara, que tem cerca de três meses para analisá-lo.

Em seguida, será votado na Casa e, se for aprovado, seguirá para o Senado.

Segundo o Datafolha, a maior aprovação à proposta de reduzir a maioridade está nas regiões Centro-Oeste (93%) e Norte (91%) do país.

Já a maior rejeição à mudança está entre os mais escolarizados (23%), que têm ensino superior, e entre os mais ricos (25%), com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos –a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O percentual dos favoráveis à redução da maioridade para todos os tipos de crime também é o maior já registrado pelo Datafolha: 74%.

Na comissão da Câmara que analisa o tema, 14 dos 27 deputados defendem a mudança somente para jovens de 16 e 17 anos que cometerem crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio, estupro e sequestro.

 

Tempo de internação

Uma outra proposta tem sido encabeçada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

O tucano não quer a redução da maioridade penal, mas propõe a ampliação do tempo máximo de internação para os jovens que praticarem crimes hediondos —dos atuais três para oito anos.

A presidente Dilma Rousseff (PT) também já se manifestou contra a redução da idade penal. Mas, nesta semana, afirmou que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), de 1990, “sempre pode ser aperfeiçoado”.

À Folha, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) também disse que o governo federal está “aberto” para discutir “alternativas polêmicas” à redução da maioridade, como a proposta paulista.

O tema tem dividido estudiosos, políticos e entidades da sociedade civil.

Em linhas gerais, os contrários à mudança na maioridade dizem que o sistema prisional comum vai ser uma escola do crime para os jovens.

Os que a defendem dizem que jovens de 16 anos já têm discernimento para entender o que é crime e estão sendo aliciados por adultos para praticar delitos, já que sofrem punições mais brandas.

 

(Infográfico da Folhapress - clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico da Folhapress – clique na imagem para ampliá-la)

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Petrolão — Mantido tesoureiro do PT mesmo após denúncias, Vaccari é preso hoje pela PF

José Vaccari Neto quando foi ouvido na PF, antes de ser preso na manhã de hoje (foto de Felipe Rau - Estadão)
José Vaccari Neto quando foi ouvido na PF, antes de ser preso na manhã de hoje (foto de Felipe Rau – Estadão)

 

 

Por Natuza Nery e Flávio Ferreira

 

O Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal em sua casa, em São Paulo. Secretário de Finanças do partido, o petista nega envolvimento no esquema de corrupção que atingiu a Petrobras nos últimos anos.

Vaccari vai ser deslocado pela polícia para Curitiba, que conduz as investigações. Segundo a Folha apurou, Vaccari estava tranquilo no momento da prisão.

A nova etapa da operação Lava Jato cumpre também mais um mandado de prisão, um de condução coercitiva e outro de busca e apreensão. A mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, foi conduzida para prestar depoimento.

No último dia 9, Vaccari foi ouvido (aqui) pela CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados em Brasília. No depoimento, ele defendeu as doações que o partido recebeu de empresas investigadas pela Operação Lava Jato e admitiu ter se encontrado com operadores do esquema de corrupção descoberto na estatal, mas evitou explicar os contatos.

Ele havia obtido uma liminar na Justiça que o desobrigava de falar a verdade, para não produzir provas contra si.

As doações ao PT estão sob suspeita porque, segundo o Ministério Público Federal, foram uma forma de pagamento da propina que empresas deviam ao PT para manter contratos com a Petrobras.

Delatores da Lava Jato afirmaram que Vaccari era encarregado de recolher propina cobrada pela diretoria de Serviços da Petrobras. O diretor na época era Renato Duque, que tinha o ex-gerente Pedro Barusco como subordinado.

Barusco, que decidiu colaborar com as investigações, disse (aqui) que parte da propina ficava com ele e outra parte ia para o PT. Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-gerente disse que ele e Duque se reuniam com Vaccari em hotéis para tratar da propina.

Logo após depoimento de Barusco, a secretaria de Finanças do PT divulgou nota contestando as acusações do ex-gerente da Petrobras. Na nota, o PT afirmou que “Barusco não apresentou nenhuma prova ou mesmo indício (apresentou aqui) que ligavam secretário João Vaccari Neto ao recebimento de propinas”. Dizia ainda que Barusco é um delator que “busca agora o perdão judicial envolvendo outras pessoas em seus malfeitos”.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Petrolão — Investigações revelam romaria de políticos na Petrobras

Info políticos visitam Petrobras
(Infográfico de O Globo – clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Eduardo Bresciani

 

Registros da Petrobras mostram que 26 de 48 políticos que agora são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava-Jato estiveram na estatal entre 2004 e 2014. Nesse período, foram 202 as visitas feitas por eles ao edifício-sede, no Rio. O mais requisitado pelos políticos foi o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, agora delator do esquema. Ele recebeu 17 políticos em 82 oportunidades até 2012, quando deixou o cargo. Há registros também de visitas de políticos ao ex-gerente Pedro Barusco e a mais dois ex-diretores denunciados: Renato Duque e Nestor Cerveró. A informação sobre o entra e sai na Petrobras consta de uma das diligências requeridas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os dados foram obtidos GLOBO com base na Lei de Acesso à Informação. Eles foram solicitados quando o 49º nome, do senador Fernando Bezerra ainda não havia sido citado pelo STF.

O pedido da PGR dos dados sobre a movimentação na Petrobras tem o objetivo de reforçar o teor das acusações feitas nas delações premiadas, principalmente a de Paulo Roberto. Na lista há parlamentares sem atuação direta na área de energia, o que poderia dar maior peso às acusações do ex-diretor de que era buscado por políticos interessados em receber propina. A utilização de dados sobre movimentações de políticos foi um dos eixos da denúncia do mensalão. Naquele caso, os dados do Banco Rural revelaram parlamentares que sacavam recursos do esquema na boca do caixa.

O deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) foi quem mais esteve com Paulo Roberto Costa. Pelos registros da companhia, foi recebido 30 vezes pelo ex-diretor. Na sua delação, Costa qualificou Gomes como “representante” do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os encontros aconteceram de forma mais frequente a partir de 2008. Naquele ano, Gomes foi quatro vezes à Petrobras se encontrar com Costa. No ano seguinte, foram 12 visitas. Em 2010, oito. Em 2011, o deputado fez as últimas duas visitas a Costa, que deixou o cargo no ano seguinte.

Em seus depoimentos, Costa conta que só conseguiu permanecer na função depois de 2007 por ter recebido o apoio político do grupo liderado por Renan. Há registros ainda de quatro visitas de Gomes a Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras.

O deputado Vander Loubet (PT-MS) foi quem fez o maior número de visitas à Petrobras. É o único dos 26 políticos que esteve com os quatro dirigentes denunciados da Lava-Jato. Ao todo, ele esteve na estatal 37 vezes entre 2004 e 2014. Com Costa foi apenas uma visita, em 2010. Em três oportunidades, foi recebido por Duque; em duas, reuniu-se com Cerveró; e uma vez com Barusco. Nas outras visitas, foi recebido por servidores, entre eles um assessor do ex-diretor Guilherme Estrella, da área de Exploração.

Loubet é ligado ao senador Delcídio Amaral (PT-MS), que teve a citação feita a ele arquivada. Na Lava-Jato, a atuação de Loubet é vinculada à do ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que fez 11 visitas à estatal, uma delas a Costa, em 2012, e outra a Duque, em 2010. As demais foram aos ex-presidentes José Eduardo Dutra e Graça Foster, e a funcionários de escalões inferiores.

 

PP, o partido com mais visitantes

Partido responsável pela indicação de Costa em 2004, o PP tem o maior número de políticos que visitaram a Petrobras: 14. Onze deles se encontraram diretamente com o ex-diretor, inclusive o presidente do partido, Ciro Nogueira (PI). Das seis visitas de Nogueira, quatro foram a Costa. Ciro comanda o grupo do PP que venceu a batalha interna deflagrada após a morte do ex-deputado José Janene (PP-PR). Segundo o doleiro Alberto Youssef, Nogueira foi quem passou a decidir quem receberia propina na legenda.

O atual líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PE), esteve 16 vezes na Petrobras e, em 12 oportunidades, foi recebido por Costa. Fonte esteve ainda com Pedro Barusco, em 2008. O parlamentar é apontado como um dos que recebia “mesada” do esquema de corrupção.

Costa recebeu também visitas de caciques peemedebistas. O senador Valdir Raupp (RO), presidente interino do PMDB, esteve com ele em 2011. Nas outras quatro visitas à Petrobras, Raupp se reuniu com José Eduardo Dutra e Graça Foster e com o ex-gerente de Comunicação Wilson Santarosa. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi outro cacique do partido que esteve com Costa (em 2010).

O deputado José Mentor (PT-SP) teve três encontros com Costa, um em 2007 e outros dois em 2009. Mentor é o terceiro parlamentar mais presente na companhia, com 19 visitas, e esteve também quatro vezes com Renato Duque. As demais visitas de Mentor foram a Estrella, Dutra, Graça e outros funcionários de escalões inferiores. Os petistas foram os únicos políticos, entre os investigados, que foram recebidos por Duque, suposto operador do partido no esquema de corrupção. Além de Loubet, Mentor e Vaccarezza, o líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), esteve com Costa em 2007, quando era secretário estadual em Pernambuco.

Dois ex-deputados presos na semana passada — Pedro Corrêa e Luiz Argôlo (SD-BA) — também fizeram visitas à Petrobras. Há nos registros da companhia dados sobre políticos que não se encontraram com nenhum dos dirigentes sob suspeita. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esteve na Petrobras somente uma vez, em 2004. Na ocasião, encontrou-se com o ex-presidente José Eduardo Dutra. Segundo sua assessoria, o encontro foi para tratar de assuntos de interesse do Rio.

 

Publicado aqui, em oglobo.com

 

0

Petrolão — Delator britânico revela que CGU esperou reeleição de Dilma para investigar

Ex-diretor da SBM, o delator britânico Jonathan David Taylor (foto de Leandro Colon - Folhapress)
Ex-diretor da SBM, o delator britânico Jonathan David Taylor (foto de Leandro Colon – Folhapress)

 

 

Por Leandro Colon

 

O principal órgão de controle interno do governo federal recebeu durante a campanha eleitoral do ano passado provas de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina para fazer negócios com a Petrobras, mas só abriu processo contra a empresa em novembro, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Em entrevista à Folha, o ex-diretor da SBM Jonathan David Taylor disse que prestou depoimento e entregou mil páginas de documentos internos da empresa à CGU (Controladoria-Geral da União) entre agosto e outubro de 2014.

O órgão só anunciou a abertura de processo contra a SBM em 12 de novembro, 17 dias após o segundo turno da eleição presidencial.

Taylor trabalhou durante oito anos e meio para a SBM na Europa e é apontado pela empresa como responsável pelo vazamento de documentos e informações sobre o caso publicadas na Wikipedia em outubro de 2013.

O vazamento levou a investigações sobre a SBM no Brasil e na África. Os documentos indicam que ela pagou US$ 139 milhões ao lobista brasileiro Julio Faerman para obter contratos na Petrobras.

Entre abril e junho do ano passado, Taylor depôs e entregou documentos ao Ministério Público da Holanda. Segundo a própria SBM, ele participara de um grupo que conduzira uma investigação interna sobre o caso em 2012.

Na entrevista à Folha, a primeira a um veículo brasileiro, o delator disse que foi sua a iniciativa de procurar a CGU, que abrira uma sindicância para apurar o caso no Brasil.

Em 27 de agosto, ele repassou ao órgão o relatório de uma auditoria interna da SBM, mensagens eletrônicas, contratos com o lobista, extratos de depósitos em paraísos fiscais, a gravação de uma reunião da empresa e uma lista com nomes da Petrobras.

O material foi enviado por email ao diretor de Acordos e Cooperação Internacional da CGU, Hamilton Cruz, que no dia seguinte atestou o recebimento e informou que passaria as informações para o chefe da investigação.

No dia 3 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, Taylor recebeu no Reino Unido a visita de três funcionários da controladoria, entre eles Hamilton Cruz. “Contei tudo o que sabia”, afirma o delator.

A CGU nunca divulgou dados sobre a viagem e o depoimento. Para Taylor, a demora do órgão em anunciar o processo contra a empresa holandesa teve motivação política.

“A única conclusão que posso tirar é que queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar impacto negativo nas eleições”, diz.

Os valores pagos ao lobista Julio Faerman, segundo Taylor, são bem maiores do que os divulgados até aqui: “Era muito mais. O comprometimento [da SBM] era de pelo menos US$ 225 milhões”.

Em 12 de novembro, a SBM fechou acordo com as autoridades holandesas e aceitou pagar US$ 240 milhões para se livrar de punições na Holanda. Na tarde do mesmo dia, a CGU anunciou a abertura de processo contra a empresa no Brasil. “Todas as partes esperaram cinicamente até o fim das eleições”, afirma Taylor.

No momento, a SBM negocia com a Controladoria um acordo de leniência, em que poderá colaborar com as investigações sobre corrupção na Petrobras para se livrar de punições e continuar fazendo negócios com o setor público.

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse que a SBM doou US$ 300 mil à campanha de Dilma nas eleições de 2010 e apontou Faerman como o operador que fez o dinheiro chegar ao PT.

 

Outro lado

A CGU afirma que abriu o processo contra a SBM Offsshore em novembro porque foi quando encontrou “indícios mínimos de autoria e materialidade” sobre o caso. A controladoria diz que isso ocorreu após a aprovação de relatório preliminar da comissão de sindicância interna.

A controladoria confirma a versão do ex-funcionário da SBM Jonathan Taylor de que o órgão recebeu informações dele por e-mail e servidores estiveram no Reino Unido para ouvi-lo.

A CGU diz que não usou seu material para embasar as conclusões dos trabalhos e afirma que Taylor questionou sobre possível recompensa financeira, semelhante, segundo a controladoria, ao que ocorre nos EUA, o que foi negado.

Em entrevista à Folha, o chefe jurídico da SBM, Alessandro Rigutto, reafirmou a acusação da empresa de que Taylor tentou chantageá-la. “Ele pediu algo em torno de 3,5 milhões de euros pelo silêncio”, afirmou.

Segundo Rigutto, Taylor teve acesso a informações sigilosas porque integrou investigações internas em 2012 e teria deixado a empresa por divergências com o chefe da auditoria, Sietze Hepkema.

Ele negou as acusações de que a SBM tentou acobertar a apuração em relação à Petrobras.

Rigutto manteve a versão de que a empresa foi informada pelo Ministério Público da Holanda da descoberta do pagamento de propina no Brasil. A procuradoria holandesa disse que Taylor foi ouvido como testemunha, mas destacou que também usou outras fontes de informação. O órgão não respondeu à acusação dele de que houve “conluio” com a SBM para chegar a um acordo.

 

(Infográfico da Folhapress - clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico da Folhapress – clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Morre Eduardo Galeano, autor de “Futebol ao sol e à sombra”

Jornalista e escritor Eduardo Galeano
Jornalista e escritor Eduardo Galeano

Morreu na manhã de hoje, aos 74 anos, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Ele teve complicações decorrentes de um câncer de pulmão, diagnosticado em 2007, e estava internado no Centro de Assistência do Sindicato Médico do Uruguai, em Montevidéu, desde sexta-feira. Autor de mais de 50 livros, se notabilizou como referência da esquerda latino-americana e mundial com o livro “As veias abertas da América Latina”, considerado um clássico da literatura política do continente e publicado pela primeira vez em 1971.

Sua obra, no entanto, que mais me marcou, foi “Futebol ao sol e à sombra”. É o melhor livro que já li sobre futebol, escrito na tabela entre pesquisa e paixão profundas pelo esporte. Enquanto seu ideário político se tornou anacrônico com o passar dos anos, sobretudo após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e da falência mais recente do bolivarismo na América Latina, incluindo seu congênere lulopetista no Brasil, “Futebol ao sol e à sombra” não envelheceu nem do primeiro ao segundo tempo de jogo, permanecendo atualíssimo. Nele, seu autor sobreviverá enquanto houver neste planetinha em forma de bola alguém apaixonado por futebol, capaz de encará-lo como arte e representação, no sentido grego, da tragédia humana. Por apenas R$ 19,90 pode ser adquirido aqui.

Abaixo, na definição de Galeano sobre futebol, uma pequena mostra do livro:

 

Futebol ao sol e à sombra“A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se tornou indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar só pelo prazer de jogar. Neste mundo do fim de século, o futebol profissional condena o que é inútil, e é inútil o que não é rentável. Ninguém ganha nada com essa loucura que faz com que o homem seja menino por um momento, jogando como o menino que brinca com o balão de gás e como o gato brinca com o novelo de lã: bailarino que dança com uma bola leve como o balão que sobe ao ar e o novelo que roda, jogando sem saber que joga, sem motivo, sem relógio e sem juiz.

O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.

Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade”.

 

Exemplo esculpido por Fídias desse “corpo que se lança na proibida aventura da liberdade”, o gol mais lindo entre todos os que vi em meu tempo de vida, bem como antes dela registrados em vídeo, foi marcado por Zico, já aos 40 anos, para selar a vitória do seu Kashima Antlers, time no qual o eterno camisa 10 do Flamengo introduziu o futebol no Japão, contra o Tokoku Sendai, na disputa da Copa do Imperador de 1993. Em seu livro, Galeano definiu o “gol escorpião”, como o lance ficou conhecido, de maneira tão genial quanto o craque dos campos:

— Contem-me como foi esse gol — pediam os cegos. 

Quem tem a sorte de enxergar, confira abaixo a incapacidade de explicá-lo a quem tem vistas deitadas à sombra:

 

 

Atualizado às 13h08

 

0

Crítica de cinema — Mais da Gata Borralheira

Colyseu

 

 

Cinderela

 

Mateusinho 4Cinderela — Nos contos de fadas, que muitas vezes começam pelo “Era uma vez”, para mostrar que os temas não se referem apenas ao presente tempo e espaço, o leitor encontra personagens e situações que fazem parte do seu cotidiano e do seu universo individual, com conflitos, medos e sonhos. A rivalidade de gerações, a convivência de crianças e adultos, as etapas da vida (nascimento, amadurecimento, velhice e morte), bem como sentimentos que fazem parte de cada um (amor, ódio, inveja e amizade) são apresentados para oferecer uma explicação do mundo que nos rodeia e nos permite criar formas de lidar com isso.

Existem inúmeros mitos e histórias antigas semelhantes a Cinderela, como um conto egípcio datado do primeiro século antes de Cristo. A versão de Cinderela como a conhecemos hoje foi criada pelo autor francês Charles Perrault, que foi publicado pela primeira vez em 1697. Ele tem sido a base e inspiração por trás de inúmeras óperas, balés, peças de teatro e filmes. A primeira versão do filme foi de sete minutos de duração, dirigido por Georges Méliès, na França em 1899. A primeira adaptação de Hollywood foi no cinema mudo em 1914, feita pela Paramount Pictures, estrelada por Maryu Pickford no papel-título. A versão animada do clássico da Disney, Cinderela, estreou em 1950, e foi um enorme sucesso de bilheteria. Em 2008 foi nomeado o nono maior filme de animação de todos os tempos pelo American Film Institute. Outros filmes recentes baseados no conceito de Cinderela incluem “Ever After” (1998) e a “A Cinderela Story” (2004).

Após o sucesso de bilheteria de “Alice no País das Maravilhas”, que foi a segunda maior bilheteria de 2010 e lucrou US$ 1 bilhão nas bilheterias ao redor do mundo, a Walt Disney Pictures começou a desenvolver uma nova adaptação para o cinema de Cinderela

Repete o sucesso com Cinderela, um filme de fantasia romântica dirigido por Kenneth Branagh — “Hamlet” (1996) e “Thor” (2011) — a partir do roteiro de Chris Weitz. Produzido por David Barron, Simon Kinberg e Allison Shearmur, a história é inspirada no conto de fadas de Charles Perrault e na animação de 1950 da Walt Disney de mesmo nome.

A estrela do  elenco é  a premiada atriz e diretora teatral australiana — 2 Oscar: atriz coadjuvante em “O Aviador”(2005) e  atriz em “Blue Jasmine”(2014) — Cate Blanchett como Lady Tremaine  (madrasta má). A atriz, intérprete de rainhas em “Elizabeth” e “O Senhor dos Anéis”, cumpre seu papel como a madrasta má na maior elegância, mas não entra para o rol da fama de vilania cinematográfica.  Como o casal de protagonistas  Ella (Cinderela) e Kit (Príncipe), a belíssima loira Lily James — “Fúria de Titãs” (2012),  “Downton Abbey“ (2012/2013/2014), “War & Peace” (2015) —, que também interpreta o  tema musical oficial do filme “A Dream Is A Wish Your Heart Makes” (Patrick Doyle) e o ator escocês Richard Madden, que ficou mundialmente conhecido pela sua atuação na série “Game of Trones”. A magia protetora da fada madrinha encenada por Helena Bonham Carter, tranquila e  acolhedora. A afetação das invejosas  e mesquinhas irmãs postiças, Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera) ficou em boa medida. A rápida participação nas cenas iniciais de Harley Atwell (mãe de Cinderela) e Ben Chaplin (pai de Cinderela), nos revela a ascendência e como se deu a orfandade de Ella.

A caprichada produção, que conta com efeitos digitais magníficos, cenários e figurinos maravilhosos, foi feita em Pinewood Studios, em Buckinghamshire (mesmo de “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” e “Malévola”), e as filmagens por toda a Inglaterra, em locais incluindo Blenheim Palace, Windsor Castle, Old Royal Naval College e Black Park, garantiram um  ambiente realmente de conto de fadas com seus castelos e mágicas paisagens. O vestido azul de Ella (como o da animação), a carruagem de ouro e o famoso sapatinho de cristal ficaram mágicos.

A exibição na maioria das salas é na versão dublada. Seguro que se perde a qualidade do som original e da interpretação original dos atores. Porém, mesmo não contando com nenhum artista famoso na dublagem, o estúdio DelartRJ contou com dubladores experientes, como Carla Denise Ponpílio (Wanda Maximoff em “X-Man:Evolution”, Ellie em “A Era do Gelo” e Nala em “O Rei Leão”) que dublando Lady Tremaine (Cate Blanchett) não compromete muito.

Sou sempre pelo som original com legenda, mas liberdade da atenção da criançada para o encantamento visual proporcionado pelo mágico universo dos contos de fada de Cinderela, vale.

Vale pra caramba, príncipes e princesas.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

0

Se os mais pobres saírem às ruas, é possível que a turma deste domingo chame a polícia

Protesto contra o governo Dilma Rousseff, ontem, em Copacabana (foto de Pablo Jacob - Ag. O Globo)
Protesto contra o governo Dilma Rousseff, ontem, em Copacabana (foto de Pablo Jacob – Ag. O Globo)

 

 

Jornalista e escritor Luiz Fernando Vianna
Jornalista e escritor Luiz Fernando Vianna

Vitória parcial

Por Luiz Fernando Vianna

 

Apesar do empurrão da pesquisa Datafolha (aqui), divulgada na véspera, os atos contra Dilma perderam um tanto de sua força. Mas não é o caso de desqualificá-los. Pelo contrário. Comprovou-se que há gente engajada no que acredita ser o melhor para o país. Isso é relevante num movimento com marcas de despolitização, como desconhecimento da história brasileira — parecendo crer que a corrupção começou há 12 anos — e apreço pequeno pela democracia duramente conquistada.

No jogo de especulações sobre por que a revolta retraiu, talvez valha pensar em dois pontos, dentre outros. Um é que, mesmo sendo o impeachment o tesouro procurado, parte dos anseios dos descontentes já vem sendo atendida: esfacelamento do PT, que virou uma coisa invertebrada, e triunfo de uma agenda conservadora — redução da maioridade penal, leis para estimular a violência das polícias, bloqueio da ampliação dos direitos de mulheres e gays.

É significativo que, em protestos que têm a corrupção como inimiga, seja difícil ver cartazes contra Eduardo Cunha. Ao emparedar o PT e devolver ao reacionarismo um vigor político que não tinha desde a ditadura, o presidente da Câmara dos Deputados realiza muito do que desejam os manifestantes.

O segundo ponto é que o movimento ainda está sendo guiado mais pelo fígado (ódio ao PT) do que pelo estômago (desemprego, perda de renda); mais por vontade do que por necessidade. Para quem conhece o Rio, foi fácil perceber que não havia em Copacabana gente em situação financeira precária. Eram 10 mil pessoas de uma classe média que segue a pauta dos grupos de comunicação, claramente favoráveis aos protestos.

Se a crise se instalar com a força que se espera e os mais pobres saírem às ruas, é possível que a turma deste domingo corra para seus apartamentos. E chame a polícia.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Hillary Clinton dá nova largada para tentar ser a primeira mulher presidente dos EUA

“Estou concorrendo à Presidência”, diz Hillary em vídeo de campanha (Uncredited / AP)
“Estou concorrendo à Presidência”, diz Hillary em vídeo de campanha (Uncredited / AP)

 

Hillary Clinton vai tentar concorrer à presidência pela segunda vez, anunciou um de seus principais assessores neste domingo, encerrando dois anos de especulações e desmentidos sobre uma provável candidatura democrata em 2016. O anúncio, segundo o jornal “New York Times”, foi feito via e-mails de John Podesta, presidente da campanha de Hillary, a doadores e outros.

“Eu queria ter certeza que você ouviu primeiro de mim — é oficial: Hillary está concorrendo para presidente”, diz o e-mail. Ele continua a dizer que a senhora Clinton em breve se encontrará com os eleitores em Iowa e sediará um evento formal de lançamento da candidatura em algum momento no próximo mês.

O anúncio iniciou efetivamente o que pode ser uma das corridas menos controvertidas, sem um titular, para a indicação democrata à presidência na história recente — um contraste gritante com as primárias de 2008, quando Hillary, favorita inicialmente, acabou em um batalha longa e cara vencida por Barack Obama.

Em um vídeo de anúncio da campanha, publicado em sua página oficial, a democrata afirma que está “concorrendo à presidência” e diz: “Os americanos comuns precisam de um defensor. Eu quero ser esse defensor”.Na filmagem, a democrata afirma que irá “pegar a estrada” para conquistar o votos dos americanos. Em uma publicação no twitter, a ex-secretária de estado repetiu a afirmação e disse que está se dirigindo ao estado americano de Iowa.

Também no microblog, a filha de Hillary, Chelsea Clinton, parabenizou a mãe pelo anúncio. “Estou muito orgulhosa de você mamãe”, disse.

Independentemente do resultado de 2016, a campanha de Hillary Clinton vai abrir um novo capítulo na vida extraordinária de uma figura pública que tem cativado e polarizado o país desde que seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, declarou sua intenção de concorrer à presidência em 1991. Hillary foi coestrela da administração Clinton, a única primeira-dama já eleita para o Senado dos Estados Unidos e uma diplomata itinerante que surpreendeu seu partido, servindo obedientemente o presidente que a derrotou.

 

Publicado aqui, no em oglobo.com

 

0

Uma aventura jornalística de camisa vermelha no protesto verde e amarelo

Jornalista Felipe Betim
Jornalista Felipe Betim

Por Felipe Betim

 

Os atos que vem reunindo milhares de pessoas no país contra o Governo de Dilma Rousseff contaram com vários relatos de pessoas que, por resolverem vestir uma camiseta vermelha, foram insultadas e até agredidas por manifestantes. Para as manifestações deste domingo na praia de Copacabana, este jornalista, movido pela curiosidade e o espírito de aventura — mas sem nenhuma intenção de arranjar confusão, melhor ir dizendo logo — decidiu fazer o mesmo. Apesar dos protestos maternais antes de sair de casa, às 11h da manhã eu era apenas um ponto vermelho no meio de um mar verde e amarelo que gritava, justamente, contra a cor vermelha que representam o PT e o socialismo.

Não, já adianto que não fui espancado e, em um primeiro momento, nem insultado. Mas enquanto caminhava tranquilamente entre os manifestantes, me sentindo um repórter de guerra com meu bloco de anotações em mãos e minha câmera pendurada no pescoço, eram muitos os que viravam o pescoço e arregalavam seus olhos ao reparar em minha camiseta — velha, desbotada, e sem nenhuma mensagem ideológica ou partidária — e tênis vermelhos. “Meu jovem, por que você está vestindo isso? Não viu a confusão que já deu lá atrás?”, indagou um bem intencionado senhor. “Cuidado com essa camiseta, garoto. Vão achar que você é comunista”, afirmou um homem que deixava a praia acompanhado de sua esposa. Um conhecido que protestava, talvez preocupado com minha integridade física, foi direto ao ponto: “Você é mongol? Ficou maluco?!”.

Não, tampouco fiquei maluco, apenas queria testar a reação das pessoas, lhe expliquei. Enfim, provocar, mesmo sem fazer nenhuma provocação explícita. E quanto mais me aproximava do carro de som, de onde a turma do Cariocas Direitos comandava um espetáculo de pérolas -“Nós somos um povo verde e amarelo, não vermelho!”, gritavam—, mais intimidado ficava. Juro que vi um dos organizadores se dirigindo a mim quando disse que havia “vários infiltrados” no ato. Não era o caso — em tempos tão estranhos, tão confusos como estes, sempre melhor insistir neste ponto.

Pouco a pouco as pessoas começaram a se soltar. “Ei, você! Por que está vestindo esta camiseta? Petista! Comunista! Vai pra Cuba!”, falaram alguns. Devido ao trabalho jornalístico que me foi incumbido, tive que me aproximar de alguns manifestantes para fazer algumas perguntas. E confesso que fiquei surpreso que duas senhoras, que defendiam uma intervenção militar, não tenham falado nada sobre minha camiseta. Ao contrário, foram super educadas e atenciosas. Outra mulher, que também defendia a ditadura, me explicou com tooooooda a paciência do mundo sobre a necessidade de tirar “esses comunistas” do poder e fazer uma limpeza ética no Brasil.

Finalmente alguns começaram a se mostrar incômodos quando me dirigia até eles:

— Boa tarde, sou jornalista do El País, estou cobrindo o ato e gostaria de…

— Ok, mas por que esta camiseta?

Todos no final das contas se convenceram das minhas boas intenções e, ainda que um pouco desconfiados e sem tirar os olhos da maldita camiseta, me deixaram fazer perguntas e tirar fotos. Bom, quase todos. Um casal que caminhava na praia até chegou a iniciar uma conversa: ele se manifestava contra a corrupção, pedia mais ética e dizia que um impeachment não ia adiantar muita coisa; ela sim exigia o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e o fim “da ditadura comunista” do PT. Mas quando repararam no meu figurino vermelho-militante, ele se afastou imediatamente. Já ela…

— Você é um infiltrado do PT!

— Não, sou apenas um jornalista.

— Mentira! Eu percebi as perguntas maliciosas que você fez! Você faz parte do exército do Stédile!!!!!

— Não…

— Sim! E essa cor vermelha, representa o quê?!

— Sou livre para escolher a camiseta que quero usar.

— Não é não! Isso aqui não é ambiente para você! Melhor você ir embora!

Foi divertido. Talvez pela cara de um bom moço de 14 anos que ainda conservo -em modéstia parte-, voltei para a casa inteiro. Segundo o G1, outras três pessoas tiveram a mesma ideia, mas não tiveram a mesma sorte – ou a mesma cara de bom moço. Mas depois desta última reação, confesso que voltei para casa satisfeito.

 

Publicado aqui, no elpais.com

 

0

O PSDB não quer o povo ao seu lado. Prefere que ele vá a reboque

O senador Aécio Neves na janela da sua casa em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ (foto de Pablo Jacob - Ag. O Globo)
O senador Aécio Neves na janela da sua casa em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ (foto de Pablo Jacob – Ag. O Globo)

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Por Ricardo Noblat

 

Para efeito do público externo, e para não provocá-lo, o governo adotou a postura humilde de dizer que as manifestações de ontem foram importantes e que serão levadas em conta.

Para consumo interno, o governo celebra, eufórico o número bem menor de pessoas que saíram às ruas para pedir “Fora, Dilma”, “Fora, o PT” e fora outras coisas.

A situação do governo teria se agravado caso o protesto superasse o de 15 de março, que atraiu mais de dois milhões de pessoas. Basta o que a mais recente pesquisa Datafolha constatou.

Apenas 13% dos brasileiros consideram o governo Dilma ótimo ou bom. Algo como 60% deles o reprova. 75% apoiam as manifestações de ruas. 63%, o impeachment da presidente.

Embora menor o número de manifestantes, o protesto atingiu dessa vez um maior número de cidades. Isso significa que a indignação contra Dilma se espalha por todo o país.

Salvo a ocorrência de um imprevisto que se volte contra o governo, a tendência é que os protestos arrefeçam. A maioria das pessoas já disse o que pensa sobre Dilma e seu governo. Para quê repetir?

De resto, a omissão da oposição deixa as multidões órfãs. Movimento algum se mantém aceso à falta de quem o dirija. Nem aqui nem em parte alguma.

O PSDB lançou notas e postou vídeos nas redes sociais convocando o povo para o protesto. Mas ele não deu o ar de sua graça. Os chefes do partido parecem ter medo do povo.

Ao cheiro do povo, o general João Batista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar de 64, disse que preferia o cheiro de cavalo. Ele era um oficial de cavalaria. Gostava de montar.

O PSDB quer o povo a reboque. A seu lado, não. Dá urticaria. No máximo, admite cavalgá-lo.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

 

0