Por sua autofagia, a crise do Petrolão é única na história do Brasil

atrás do próprio rabo

 

Jornalista e escritor Zuenir Ventura
Jornalista e escritor Zuenir Ventura

Uma crise autofágica

Por Zuenir Ventura

 

Uma leitora reclama dos jornalistas atenção maior ao que acontece de bom no país. “Vocês nem se esforçam para isso, preferem o pior”. A questão é que nem sempre somos nós que procuramos as más notícias, muitas vezes elas é que se oferecem, sem serem chamadas. O exemplo mais recente é o do escândalo da Petrobras. A imprensa divulgou e está divulgando o que se passa ali, mas quem denunciou e continua denunciando os malfeitos são e foram os próprios atores do degradante espetáculo. Se não fossem as delações premiadas, ou seja, as acusações de dentro da empresa — gerentes e diretores confessando seus desvios e dedurando os de seus colegas — não teríamos o “propinoduto”, esse festival de corrupção numa escala como nunca houve igual.

É difícil estabelecer uma olimpíada de crises para saber qual foi a pior, mesmo para quem, como eu, assistiu como observador a várias delas — a de 1954, com o suicídio de Getúlio Vargas; a de 1961, com a renúncia de Jânio Quadros; a de 1964, com o golpe militar; a de 1968, com o golpe dentro do golpe; a de 1992, com o impeachment de Fernando Collor. O que talvez diferencie todas elas da atual é o processo autofágico, de autocorrosão, que caracteriza a de agora, quando as maiores dificuldades não são criadas pela oposição, mas pelos aliados. A última é a entrada na Justiça de Eduardo Paes contra a presidente para fazer valer a lei que reduz a dívida da prefeitura. Com isso, a briga vai para o terreno judicial, e é possível que ganhe a adesão do petista Fernando Haddad. Outro motivo interno de irritação da presidente é a insistência de João Vaccari Neto em não largar a tesouraria do PT, mesmo agora que passou (aqui) à condição de réu na Lava-Jato. Teme-se que isso possa arrastá-la para o centro da crise.

Até a relação Lula-Dilma, de criador e criatura, atingiu seu ponto crítico de desgaste. Pressionada pela maioria do PT no Congresso para rever medidas do ajuste fiscal, ela tem ainda que enfrentar o fogo amigo de dois perigosos aliados: os presidentes da Câmara e do Senado, ambos investigados no processo que será aberto no Supremo Tribunal Federal por causa da Operação Lava-Jato. Incluídos na lista do procurador-geral da República por seus próprios “méritos”, eles atribuem (aqui) a inclusão a Dilma, ou pelo menos acham que ela deveria tê-los livrado do vexame. Daí desafiá-la publicamente com afrontas e pirraças. Um, o deputado Eduardo Cunha, não sossegou enquanto não se consumou (aqui) a demissão do ministro que o xingou de “achacador” em plena Câmara. O outro, Renan Calheiros, não compareceu a jantar de senadores do PMDB com a presidente e, para contrariá-la, devolveu a medida provisória sobre a desoneração da folha de pagamento das empresas.

Com aliados assim, o governo não precisa de oposição.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Toda vez que Renan e Cunha armam uma jogada, Dilma busca a bola no fundo das redes

 

 

Jornalista Bernardo Mello Franco
Jornalista Bernardo Mello Franco

PMDB 7 x 1 Dilma

Por Bernardo Mello Franco

 

O jogo político em Brasília tem lembrado a semifinal da Copa: a cada vez que os alemães Renan Calheiros e Eduardo Cunha armam uma jogada, Dilma Rousseff encarna o goleiro canarinho e vai buscar a bola no fundo da rede.

A dupla de ataque do PMDB está prestes a marcar mais um gol, ao tirar da oposição oficial a bandeira do corte no número de ministérios.

A tabelinha começou na semana passada, quando a bancada do partido na Câmara desarquivou uma proposta de emenda constitucional apresentada por Cunha. O texto estabelece um teto de 20 ministérios na Esplanada. Se aprovado, obrigará Dilma a fazer um corte brusco em sua equipe, hoje com 39 pastas.

Em um lance ensaiado, Renan saiu ontem (aqui) em defesa da ideia: “Está na hora do programa Menos Ministérios. Vinte, no máximo. Menos cargos comissionados, menos desperdício e menos aparelhamento”.

Foi o suficiente para jogar Dilma de volta na defensiva. Horas depois, ela anunciou que o governo vai “fazer profundos cortes” e “buscar ineficiência” (sic) em todos os ministérios, mas sem falar em enxugamento.

Mais uma vez, a presidente deve ser atropelada pelo Congresso. A proposta de Cunha pode ser votada hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Se aprovada, causará forte desgaste político ao governo.

Os 39 ministérios de Dilma são um claro absurdo. O curioso é ver o PMDB em campanha por sua redução. O partido se notabilizou por pressionar todos os governos, inclusive o atual, para obter mais cargos e orçamentos na Esplanada. Neste momento, atua nos bastidores para arrancar a Integração Nacional do PP.

Se seu time estivesse forte, Dilma poderia instar os peemedebistas a dar o exemplo, devolvendo as sete pastas que controla: Minas e Energia, Agricultura, Turismo, Pesca, Portos, Aviação Civil e Assuntos Estratégicos. Na partida atual, é mais provável que a presidente acabe assistindo a mais um gol da Alemanha.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

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Ponto final — No absurdo entre o Planalto e a Planície, adivinha quem é o palhaço?

Ponto final

 

 

Teatro do absurdo

Contrário à razão e à lógica como instrumentos de entendimento das ações humanas, o teatro do absurdo produziu grandes dramaturgos, de várias nacionalidades. O romeno Eugène Ionesco, o irlandês Samuel Beckett, o russo Arthur Adamov, o inglês Harold Pinter, o espanhol Fernando Arrabal, o francês Jean Genet e o estadunidense Edward Albee certamente estão entre eles. Mas talvez nenhum fosse capaz de imaginar o que ocorre hoje em Campos, no reflexo seletivo e surreal do cenário nacional.

 

Humilhação e Petrolão

Egresso do teatro, nos tempos psicodélicos da juventude hippie, o ex-governador, ex-prefeito e ex-deputado Anthony Garotinho (PR) é hoje, a partir do seu blog, um dos principais denunciantes dos escândalos do Petrolão na blogosfera goitacá. Bem verdade que sua produção diária de postagens sobre o assunto é motivada pelo envolvimento do ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB) e do atual, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que juntos impuseram ao político da Lapa a derrota mais humilhante da carreira deste, barrado do segundo turno da eleição ao Palácio Guanabara, para nele reforçar a perda em cinco das sete zonas eleitorais do seu próprio município (aqui).

 

Reeleitas e reféns

E se há lógica nessa postura revanchista de péssimo perdedor, o absurdo reside no fato de que Garotinho, ao mirar no Petrolão, atinge em cheio o governo Dilma Rousseff (PT). Além de ser teoricamente seu aliado, o político da Lapa não demonstra o menor pudor ao atacar uma administração federal que atravessa sua pior fase, mas por erros muito semelhantes àqueles que fazem da gestão municipal de sua esposa, Rosinha (PR), da qual é secretário de Governo e eminência parda, também encarar seu pior momento. Tanto uma, como a outra, tão reeleitas, quanto reféns.

 

Diferença: Moro e Cunha

No populismo assistencialista dos seus currais eleitorais, nas denúncias de corrupção, na incompetência administrativa, na promiscuidade entre público e privado, no fanatismo acéfalo dos seus defensores bancados pelo contribuinte, na mulher eleita para governar e movida como títere pela figura masculina atrás dos panos, as poucas diferenças parecem ser pró-Rosinha. Para sorte dela, o Ministério Público e Justiça de Campos, independente da esfera, nem sonham com o empenho e a competência da comarca federal de Curitiba (aqui). Ademais, caráter pessoal à parte, a Câmara de Campos não tem nada parecido com um Eduardo Cunha (PMDB), ex-aliado dos Garotinho.

 

Esquerda ou direita do quê?

Saída de cena a razão, o absurdo domina novamente o palco quando constatado que quase nenhum dos críticos mais contumazes do garotismo em Campos demonstram o menor pudor ao ignorar solenemente os sucessivos escândalos do lulopetismo no Brasil. Alguns, por nada além de anacronismo dogmático, mesmo jornalistas profissionais, foram incapazes até de escrever uma mísera linha sobre as manifestações populares de 15 de março (aqui e aqui), inclusive em Campos (aqui), na maior mobilização política da história do Brasil desde as “Diretas Já”, em 1984. No absurdo refletido ao espelho, difícil é saber quem fica à esquerda ou à direita do quê.

 

Hipocrisias

Enquanto os absurdos reais se acumulam do Planalto Central à Planície Goitacá, o que domina a democracia irrefreável das redes sociais é o beijo lésbico de ficção na nova novela das 21h da Globo, “Babilônia”, entre as personagens das veteranas Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Evangélico, Garotinho, por exemplo, foi contra o beijo e aproveitou sua saliva, como o poeta Augusto dos Anjos, para cuspir na linha editorial da Globo. Preconceitos à parte, foi menos hipócrita do que quem teve orgasmos com a ousadia na dramaturgia da emissora, enquanto acusa de golpista o seu jornalismo.

 

O palhaço

Enquanto isso, naquilo que realmente interessa, ou deveria, Campos terá depositado hoje em sua conta exatos R$ 25.798.323,57, relativos ao repasse de março dos royalties, como a jornalista Joseli Matias adiantou aqui, em primeira mão, na Folha Online. É uma queda de 29% se comparado com o mês anterior, de fevereiro; e 54,2% a menos do que março do ano passado. Segundo o secretário campista de Petróleo, Marcelo Neves, contando a participação especial do último trimestre de 2014, o município já perdeu em 2015 mais de R$ 140 milhões nos repasses. Após anos de vacas gordas com o preço alto do barril de petróleo, ele só não explicou como ficamos sem caixa. Nesse palco, não há nenhum absurdo, leitor: o palhaço é você!

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, publicado hoje na capa da Folha
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, publicado hoje na capa da Folha

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Crítica de cinema — American pai

Bagdá Café

 

 

supepai

 

Mateusinho 2Superpai — No Brasil, entre janeiro de 2014 e março de 2015, foram produzidos 112 filmes, divididos entre drama, comédia, documentário, comédia romântica, ação, aventura, animação, musical, comédia musical, suspense, romance, policial e terror. De acordo com os dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), de todas as produções brasileiras, os longas-metragens de drama estão na primeira posição do ranking, no total de 45 histórias. Mas, apesar da estatística, prevalece a ideia errônea de que o Brasil produz somente comédias, que, a partir dos registros da Ancine, contabilizam apenas 21 do número total de lançamentos no último ano.

No entanto, em Campos, apenas parte desses filmes é apresentada à população. Nomes relevantes para a cinematografia brasileira — tais como “O lobo atrás da porta” (2013), dirigido por Fernando Coimbra e premiado no 35º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em Cuba; e “Hoje eu quero voltar sozinho” (2014), de Daniel Ribeiro, que conquistou o segundo lugar no Festival de Berlim — não chegaram aos cinemas da cidade. Por aqui, em relação aos filmes brasileiros, figuram nas telas as comédias, desde as que possuem abordagens engraçadas e interessantes, casos de “Se eu fosse você 2” (2009), de Daniel Filho, e “A mulher invisível” (2009), de Cláudio Torres, até as menos atraentes, como “Superpai” (2014), de Pedro Amorim.

Danton Mello interpreta, em “Superpai”, o descompromissado Diogo. O homem espera ansiosamente o reencontro de sua turma, vinte anos após a formatura. Mas os planos mudam quando a Mariana (Monica Iozzi) lhe pede que cuide do filho do casal. Para não deixar de participar da confraternização, ele deixa o menino em uma creche. Na hora de buscá-lo, Diogo confunde o menino, devido a uma máscara, e leva outro garoto em seu lugar. A trama, que retrata uma noite da vida do protagonista, se desenrola a partir do desencontro, sem surpresas e novidades.

O brasileiro “Superpai” foi baseado em um roteiro dos norte-americanos Benji Crosgrove e Corey Palme, que não foi filmado por ser considerado politicamente incorreto e pesado. Reescrito por Pedro Amorim e Ricardo Tiezzi, o enredo não foge, em certos momentos, aos traços da comédia besteirol estadunidense e tropeça em filmes típicos do estilo, como os da franquia American Pie, cujo último lançamento — “American Pie: o reencontro”,de Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg —  aconteceu no ano de 2012. “Superpai” e “O reencontro” apresentam personagens com características e histórias semelhantes. Alguns pontos em comum são a reunião da turma da escola anos depois da formatura e a irresponsabilidade característica dos homens que não amadureceram e têm dificuldades para lidar com a fase adulta.

O longa-metragem tem em seu elenco, além de Danton Mello e Monica Iozzi (que deveria ter prosseguido na carreira de repórter do programa CQC), Dani Calabresa, Antonio Tabet, Thogun Teixeira, Rafinha Bastos e Danilo Gentili.  Apesar do renomado grupo de atores, “Superpai” deixa a desejar no quesito humor, principalmente por misturar à comédia brasileira aspectos típicos e recorrentes da norte-americana.

Ao filme, falta originalidade, característica encontrada em outros longas do gênero produzidos no país, como o já citado “Se eu fosse você 2”no qual a troca de corpos entre marido e mulher é hilariamente representada, e “Deus é brasileiro” (2003), de Cacá Diegues, que apresenta um deus altivo e cansado, que deseja encontrar alguém para substituí-lo por estar farto das burradas cometidas pelo homem. Nestes, o roteiro não usa saídas apelativas para trazer risadas ao público, que, apesar de decifrar os rumos dos personagens, se entrega plenamente a histórias divertidas e totalmente brasileiras.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Réu no Petrolão, Vaccari vai encarnar Leão da Montanha e pedir para sair do Tesouro do PT

Sucessor de Delúbio Soraes como tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (foto de Felipe Rau - Estadão)
Sucessor de Delúbio Soraes como tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (foto de Felipe Rau – Estadão)

 

 

Denunciado (aqui) por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, irá se licenciar do partido, segundo informou nesta quarta-feira a coluna do GLOBO “Panorama Político”, de Ilimar Franco.

De acordo com o colunista, Vaccari vai alegar que precisa se concentrar na sua defesa depois que virou réu. Deputados que integram a coordenação da bancada do PT na Câmara já tinham defendido, há uma semana, em reunião com o presidente do partido, Rui Falcão, o afastamento do tesoureiro para tentar aplacar o desgaste político decorrente da Operação Lava-Jato.

Embora muitos petistas sejam contra a medida, ela evitaria um desgaste na reunião do Diretório Nacional do PT, na próxima segunda-feira. O comando petista espera que, sem Vaccari no cargo, haverá uma redução da pressão política contra a presidente Dilma.

A Justiça Federal aceitou na última segunda-feira a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Vaccari e o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato Duque, além de outras 25 pessoas. O tesoureiro, segundo o MPF e o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, teria recebido propina do clube de empreiteiras que se organizou para ganhar licitações da Petrobras por meio de acordos criminosos. Ainda segundo a acusação, Vaccari teria sido responsável pela negociação de doações oficiais de campanha para o PT oriundas de pagamento de propina.

 

Denúncia: Vaccari ‘comandava’ ações

Em depoimento à Força-Tarefa da Lava-Jato, o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, disse que Vaccari exigiu uma doação de mais de R$ 10 milhões ao PT a título de propinas atrasadas da Diretoria de Serviços. Leite fechou um acordo de delação premiada com MPF.

“Não apenas o conhecia (o esquema de corrupção), mas o comandava, direta ou indiretamente”, disse a denúncia do MPF.

Em 2010, Vaccari teria procurado Leite para acertar “as contas” da Camargo Corrêa. A empresa estaria devendo parte do pagamento de propina acertado com o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco e o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque. O trecho está na denúncia apresentada contra Vaccari, Duque e outras 25 pessoas.

“Dentro desse contexto relatado e com base nos depoimentos, confissões e documentos, não há qualquer dúvida de que João Vaccari tinha plena ciência, na qualidade de tesoureiro e representante do Partido dos Trabalhadores, do esquema ilícito e, portanto, da origem espúria dos valores”, afirma a denúncia.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

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Presidente nacional do PT: “É um governo de merda, mas é meu governo”

Jornalista Vera Magalhães
Jornalista Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

 

É coisa nossa 

O presidente do PT, Rui Falcão, citou a queda de Salvador Allende no Chile, em 1973, para pedir na noite de segunda-feira apoio do partido a Dilma Rousseff. “Como diziam os chilenos pré-queda do Allende: ‘É um governo de merda, mas é o meu governo’”, discursou. Em seguida, emendou: “[O governo] não é de merda, mas é o nosso governo, e temos de defendê-lo”. Na reunião, com cerca de 150 pessoas, o PT decidiu apoiar ato da CUT no dia 31 em defesa da democracia e da Petrobras.

 

Contexto 

Em 1973, meses antes do golpe do general Augusto Pinochet no Chile, um cartaz ficou famoso numa passeata pró-Allende com os dizeres: “Este é um governo de merda. Mas é o meu governo, merda!”

 

Saia-justa 

O prefeito de Bragança Paulista, Fernão Dias, fez o discurso mais duro da reunião. Disse que apoiou os condenados no mensalão, mas que “não dá mais para defender José Dirceu” depois que sua consultoria recebeu R$ 29,3 milhões em oito anos.

 

Publicado aqui, na coluna Painel, na folhadesaopaulo.com

 

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Renan ironiza o “Mais Médicos” e cobra publicamente a Dilma o “Menos Ministérios”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (foto de Ueslei Marcelino - Reuters)
O presidente do Senado, Renan Calheiros (foto de Ueslei Marcelino – Reuters)

 

 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a alfinetar o Palácio do Planalto nesta terça-feira ao defender a redução do ministério da presidente Dilma Rousseff. Em tom irônico, ele afirmou que o governo precisa lançar o programa ‘menos ministérios’. “Se nós aplaudimos o Mais Médicos, está na hora do ‘menos ministérios’. Nada mais justo, em tempo de sacrifícios para a sociedade, que o governo dê o exemplo”, afirmou durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O discurso reforça o posicionamento da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, que propôs na semana passada uma emenda à Constituição (PEC) para enxugar o número de ministérios de 39 para 20.

O senador pediu humildade do governo federal para reconhecer as dificuldades. “O momento é difícil, o momento é grave. Só os aliados divergem da magnitude desse diagnóstico. O problema é complexo e não será resolvido com uma visão simplista”, disse, frisando que o pacote de ajuste fiscal enviado ao Congresso dificilmente será aprovado no formato em que foi encaminhado. “O fim da desoneração, como quer o governo, será um colapso no aumento da produtividade e do emprego no Brasil. O ajuste é necessário, mas não pode ser um fim em si mesmo”, completou.

Segundo Renan, o trâmite das medidas provisórias (MPs) que alteram regras trabalhistas e previdenciárias ocorrerá de forma semelhante ao do reajuste na tabela do Imposto de Renda (IR): com negociação. O senador também afirmou que definirá uma pauta comum entre o Senado e a Câmara que priorize as “urgências nacionais” na economia.

 

Publicado aqui, na veja.com

 

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Câmara impõe outra derrota a Dilma na renegociação da dívida de Estados e municípios

Renan Calheiros e Eduardo Cunha se reuniram para discutor votação do projeto com novas regras de cálculo de dívidas com a União (foto de Ailton de Freitas - Agência O Globo)
Renan Calheiros e Eduardo Cunha se reuniram para discutor votação do projeto com novas regras de cálculo de dívidas com a União (foto de Ailton de Freitas – Agência O Globo)

 

 

Por Júnia Gama

 

Em uma demonstração de força contra o governo, a Câmara aprovou nesta terça-feira, por 389 votos e duas abstenções, o Projeto de Lei Complementar 37/15, do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que permite a renegociação do índice de correção das dívidas estaduais e municipais com a União, independentemente de regulamentação. A matéria ainda deve ser analisada pelo Senado.

Na tarde desta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo federal não tem condições, neste momento, de negociar as dívidas dos estados, conforme prevê a lei aprovada no ano passado. O governo vem adiando a aplicação da nova regra, que mudou o indexador das dívidas, negociada com governadores e prefeitos. Segundo Dilma, em um momento de ajuste fiscal, a União não pode bancar essa despesa.

Renan e Cunha se reuniram na tarde de hoje para definir os termos do projeto e fechar as brechas para o texto aprovado e sancionado no final do ano passado, que autoriza o governo a rever os contratos. No final da tarde, a Câmara aprovou a urgência para votar o projeto e, horas depois, o plenário aprovou, inclusive com voto de deputados petistas, preocupados com a situação de governos do PT, como a cidade de São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad (PT) enfrenta dificuldades para honrar a dívida do município.

Na opinião de técnicos da equipe econômica, o texto sancionado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado não obriga automaticamente a aplicação do novo indexador, que aliviaria os pagamentos mensais de estados e municípios com o serviço da dívida. Para os parlamentares, a lei deve ser aplicada já.

— Está havendo um equívoco de interpretação de burocracia do governo que acha que a lei depende de regulamentação para ser aplicada. Não dá agora para ela ser interpretada. Tem que ser executada. Fizemos a lei, o governo poderia ter vetado, mas não vetou. Se sancionou, queremos que seja cumprida — disse Cunha.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, obteve decisão liminar na Justiça para garantir a aplicação da lei. Ontem, em reunião no Palácio do Jaburu, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse à cúpula peemedebista que o governo continuará a briga na Justiça. Levy argumentou que o governo precisa de um prazo para corrigir esses valores, sem que isso signifique comprometer o ajuste fiscal.

Segundo Leonardo Picciani, que participou da reunião, Eduardo Paes fez uma proposta conciliatória, que foi recusada por Levy. O prefeito do Rio ofereceu que o município fizesse em juízo os depósitos até o final do ano, com o valor do serviço atual, até que o governo regulamentasse a cobrança pelo novo indexador. Mas Levy, por discordar “conceitualmente” da lei sancionada por Dilma, não aceitou.

— Levy foi intransigente. De forma ilegítima, sentou em uma lei que foi aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente. É uma questão institucional, não dá para escolher qual ele gosta para aplicar, tem que cumprir — disse o líder do PMDB.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Primeiro delator do Petrolão: “Eu era o dono do orçamento”

Nos tempos em que “era o orçamento” na Petrobras, Paulo Roberto Costa assinava por Dilma, que assinava por Sergio Gabrilelli, enquanto Graça Foster observava tudo
Nos tempos em que “era o dono do orçamento” na Petrobras, Paulo Roberto Costa assinava por Dilma, que assinava por Sergio Gabrilelli, enquanto Graça Foster observava tudo

 

 

Por Julia Affonso, Beatriz Bulla, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

 

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Operação Lava Jato, disse à força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal que chegou à unidade estratégica da estatal para substituir um diretor indicado pelo PSDB no cargo. De acordo com Costa, a primeira reunião que teve com o ex-deputado José Janene (PP) — morto em 2010 — , foi em 2004 no Aeroporto Santos Dumont. Desse encontro, afirmou o delator, teria participado também o ex-deputado federal Pedro Correa (PP-PE).

O relato foi gravado em vídeo pela força-tarefa da Lava Jato em 11 de fevereiro deste ano. O ex-diretor é o primeiro delator do esquema de corrupção e propina instalado na estatal petrolífera e desbaratado pela força-tarefa da Lava Jato.

Segundo Costa, o processo de cartelização das empreiteiras no setor de Abastecimento começou em 2006. Isto porque não havia obras sendo feitas por sua diretoria.

“Esse processo de cartelização começou não foi na minha área, porque eu não tinha obra. Esse processo de cartelização começou na área de plataformas, navios, sondas de perfuração, que tinham os recursos. Eu não ia fazer processo de cartelização de uma obra de R$ 20 milhões. O cara ia fazer processo de cartelização numa obra que custava R$ 500 milhões, R$ 1 bilhão”, disse.

O delator afirmou que entre 2004 e 2006, a interação entre ele e os ex-parlamentares foi ‘mínima’. Sem obras, não haveria como receber propina. O PP, com PT e PMDB, são suspeitos de lotear diretorias da Petrobras para arrecadar entre 1% e 3% de propina em grandes contratos, mediante fraudes em licitações e conluio de agentes públicos com empreiteiras organizadas em cartel.

“Fiquei lá esse período, pouca coisa a ser feita. Obviamente que os políticos chegavam: ‘E aí, Paulo, quando vai ter (obra)?’. (Ele dizia) ‘Está fazendo projetos, deve ter licitação, possivelmente em 2006 pode começar a ter os projetos maiores e tal’”, afirmou. “Nesse meio de tempo, estava ocorrendo Mensalão, então, tinha recursos de outras fontes. O Mensalão estava em vigor, tinha outros recursos. De 2006 para frente começaram a aparecer outros projetos na minha área.”

À força-tarefa da Lava Jato, Costa disse que nenhuma empreiteira o procurou até 2006 para falar de cartel. Segundo o delator, ele ‘não tinha importância’.

“Você faz o que na área de Abastecimento? Eu era o dono do orçamento. Eu sou o responsável pelo orçamento, mas eu não sou o responsável pela contratação, pela execução, pelos aditivos”, afirmou. “A importância que o cara tem é orçamento, é dinheiro. Eu não tinha dinheiro, por que eles iam me procurar?”

Costa decidiu firmar um acordo de delação premiada em agosto do ano passado. Ele considerou que não tinha a menor chance de sair da carceragem de Polícia Federal, em Curitiba, onde ficou detido, tão cedo. Após contar o que sabia, ele deixou a prisão em setembro. Hoje, cumpre prisão domiciliar.

 

Confira a íntegra do depoimento do delator:

 

 

Publicado aqui, no Blog do Fausto Macedo

 

 

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Após pregar porrada e ver o PT apanhar, Quaquá joga a toalha: “Ou governo Dilma muda, ou cai”

Quem se lembra do polêmico e boquirroto Washington Quaquá, prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense? Depois do ex-presidente Lula ter ameaçado (aqui) colocar na rua o “exército de Stédile”, em manifestação pró-Dilma dentro da sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, em 25 de fevereiro, enquanto do lado de fora militantes do PT e CUT agrediam covardemente, a socos e pontapés, qualquer passante que ousasse criticar o governo federal e cobrar a apuração do Petrolão, no dia seguinte (26/02) foi Quaquá quem usou a democracia irrefreável das redes sociais na condenável tentativa de apoiar com mais violência física os delírios do mestre:

 

Quaquá

 

Pois é, depois das históricas (e pacíficas) passeatas de 15 de março por todo o país (aqui, aqui e aqui), além da divulgação das últimas pesquisas Datafolha (aqui), no dia 18, e CNT/MDA (aqui e aqui), liberada ontem, segundo a jornalista Berenice Seara divulgou hoje em sua coluna no jornal Extra, Quaquá, quem diria, resolveu reaparecer mansinho, mansinho. No fundo, confirma que todo “aloprado” petista, alcunha dada pelo próprio Lula aos militantes mais inconsequentes do seu partido, pode ser resumido naquilo que Pezão — o lutador de MMA, não o governador do Rio — disse sobre o holandês Alistair Owereem, após nocauteá-lo: “Batendo é um leão, apanhando é um gatinho”.

Confira abaixo:

 

Berenice Seara - Quaquá

 

 

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Ponto final — Dilma e Lula sangram sua popularidade nos idos de março. E em abril?

Ponto final

 

Idos de março

Segundo Shakespeare, com base em Plutarco e Suetêonio, fontes da Antiguidade, Júlio César desdenhou dos adivinhos e não conseguiu sobreviver aos idos de março. Com uma semana para terminar o mês, ninguém espera que Dilma Rousseff (PT) chegue ao 1º de abril sem continuar na presidência da República. Mas, ao menos metaforicamente, seu governo tem deixando publicamente um rastro de sangue tão abundante quanto aquele que correu das 23 facadas desferidas contra César dentro do Senado de Roma.

 

Recordes de impopularidade

Segundo pesquisa CNT/MDA divulgada ontem (aqui), Dilma vem quebrando recordes de impopularidade. Se na Datafolha liberada dia 18 (aqui), 62% dos brasileiros consideravam o governo da presidente ruim ou péssimo, no pior desempenho amargado desde Fernando Collor de Mello (então PRN, atual PTB), em 1992, antes deste sofrer o impeachment, Dilma cresceu mais 2,8 pontos percentuais de rejeição na consulta mais recente. Agora, 64,8% acharam o governo do Brasil ruim ou péssimo, próximo do pior índice registrado pelo instituto, em 1999, no segundo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

 

Queda abissal

É uma queda abissal, sobretudo se lembrado que, na última pesquisa CNT/MDA, feita em setembro, antes das eleições de outubro, só 24% dos brasileiros desaprovavam o governo federal que seria reeleito. O mais espantoso, porém, vem de outras consultas feitas na mesma pesquisa. Ela mostrou, por exemplo, que 77% dos brasileiros desaprovam pessoalmente a presidente.

 

Aécio 55,7% x 16,6% Dilma

Nessa queda de popularidade de quase 200% nos seis últimos meses entre uma pesquisa e outra, se o segundo turno de 2014 entre Dilma e Aécio Neves (PSDB) fosse hoje, a presidente levaria uma coça eleitoral como “nunca na história deste país”: 16,6% contra 55,7% do tucano. Tanto pior quando constatado que, entre os 2002 entrevistados pelo instituto, de 16 a 19 de março, em 137 municípios de 25 Estados, 41,6% deles votaram na reeleição da presidente em 26 de outubro de 2014, quando apenas 37,8% optaram pelo tucano, que ganhou de lá para cá uma transferência de votos de quase 50%, avançando sem pedir licença sobre o eleitorado da adversária.

 

Petrolão sangra Dilma e Lula

Os motivos para essa impopularidade tão grande, e tão rápida de Dilma, surgem em outras consultas da pesquisa. Para 84%, a presidente reeleita descumpriu suas promessas de campanha, deixando forte a sensação do estelionato eleitoral. Ademais, 68,8% dos entrevistados consideram que Dilma é pessoalmente culpada pelo desvio bilionário de dinheiro público na Petrobras. E para as viúvas de Lula, que sonham com seu retorno sebastianista em 2018, a notícia também não é das melhores: para 67,9% dos brasileiros (quase a mesma coisa de Dilma), o ex-presidente também é culpado pelo Petrolão.

 

Olho vivo no Judiciário

A pesquisa também mostrou como melhorou o grau de informação da população, visto que 75,7% sabem da lista dos políticos denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela Procuradoria Geral de Justiça (PGR), por suspeita de envolvimento no Petrolão. E aqui fica patente a distorção entre o senso de justiça do povo brasileiro e a capacidade (ou vontade) de fazê-la por parte do Poder Judiciário que deveria representá-lo: embora 90,1% dos entrevistados acreditem na culpa dos denunciados, só 28,4% acham que eles serão punidos.

 

Idos de abril?

Mas se sobrevive agoniando em praça pública, como bem definiu o jornalista Ricardo Noblat, após o vexatório episódio em que o PMDB na Câmara Federal exigiu e teve ofertada a cabeça do então ministro da Educação Cid Gomes, alguém pode dizer que o pior já passou para Dilma? Com uma nova manifestação marcada para 12 de abril em todo o país, contra a presidente, seu governo e seu partido, os dados mais alarmantes aos donos do poder no Brasil talvez sejam aqueles que indicam o apoio de 83,2% dos brasileiros ao movimento que tomou as ruas do país em 15 de março. E, por enquanto, só 3,9% deles participaram.

 

Info CNT-MDA
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, publicado hoje na capa da Folha

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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