Ponto final — Pezão na quase certeza, Dilma e Aécio na dúvida até a urna

Ponto final

 

 

Ou Pezão, ou adeus, Ibope e Datafolha!

No lugar do passeio pelos números, muitas vezes indecifrável não só ao leitor comum, como mesmo para quem tem que se debruçar sobre as várias nuances das pesquisas eleitorais na tentativa de interpretá-las, simplifiquemos a questão: se Luiz Fernando Pezão (PMDB) não for eleito governador hoje, Datafolha e Ibope terão que procurar outra coisa para fazer. Ambos os institutos confirmaram a vantagem de dois dígitos do governador sobre o concorrente Marcelo Crivella (PRB): 12 pontos nos votos válidos do Ibope (56% a 44%) e 10, no Datafolha (55% a 45%).

 

E o Brasil?

Como se os dois institutos de maior credibilidade do país querem manter alguma após o segundo turno, as favas parecem contadas para saber quem governará o Estado do Rio nos próximos quatro anos. Daí, a pergunta que advém é: e o Brasil? Tudo parece indicar que Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) disputarão voto a voto a eleição presidencial mais acirrada da história do país, não só a partir da sua redemocratização, em 1985, mas talvez de todos os seus 125 anos como República. Da campanha, pelo menos, poucos duvidam que esta não tenha sido a mais sórdida.

 

Eleições diferentes

Se formos analisar Ibope e Datafolha, como já ressalvou o jornalista Merval Pereira, temos duas eleições presidenciais diferentes, à véspera da real que ocorre hoje. Comparadas as duas últimas pesquisa de cada instituto, no Ibope Dilma caiu um ponto (de 54% a 53% dos votos válidos) e Aécio cresceu um (46% a 47%), mas ainda assim a presidente teria seis de vantagem, fora da margem de erro de dois pontos para mais ou menos. Já no Datafolha, a queda da petista (de 53% a 52%) e a subida do tucano (47% a 48%) colocam ambos em empate técnico, no qual ambos podem ter exatamente 50%.

 

Vantagens de Dilma

Dentro das projeções do Datafolha, mesmo com o empate técnico ou quase exato, Dilma teria uma vantagem teórica, conquistada nos detalhes. Enquanto 46% afirmam a certeza do voto nela, 38% do eleitorado não votaria na presidente sob nenhuma circunstância. Já Aécio tem apenas 41% do seu voto consolidado, cinco pontos a menos que Dilma. E o tucano repete os mesmos 41% nos que afirmam não votar nele de jeito nenhum, três pontos acima da presidente na tão temida rejeição.

 

Aécio na frente

Mas isso é para Datafolha e Ibope, pois para a pesquisa CNT/MDA, também divulgada ontem, Aécio não só voltou a subir, como já passou Dilma. No empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, o tucano hoje teria 50,3% dos votos válidos, contra 49,7% da presidente. No relatório da pesquisa consta: “Provavelmente, o debate da Rede Globo definiu as eleições, com grandes possibilidades de Aécio ser eleito presidente da República neste domingo”.

 

Aécio sobe, Dilma desce

Com o Ibope apostando na reeleição de Dilma, Datafolha em cima do muro e CNT/MDA cravando quase certa a vitória de Aécio, como as três pesquisas ainda puderam refletir o debate da noite de sexta na Rede Globo, que bateu recordes de audiência, só há uma certeza: depois dele, Aécio cresceu e Dilma caiu. Como esta coluna afirmou na edição de ontem, se o tucano não conseguiu impor à presidente um nocaute, com os eleitores por jurados, ele parece ter obtido uma vitória por pontos. O fato é que sua tendência de subida e de queda de Dilma apareceu em todas as pesquisas.

 

“Petrolão” na Veja

Essa reação de Aécio na reta final pode ser ainda influenciada pelo episódio pós-debate envolvendo a revista Veja. Não apenas por sua edição especial que trouxe o depoimento do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal, no qual ele teria dito que Dilma e o ex-presidente Lula “sabiam de tudo” nos desvios bilionários da Petrobras, no episódio conhecido como “Petrolão”. Até porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu à presidente, ainda ontem, um direito de resposta publicado no site da revista.

 

Tentativa de suicídio?

Mas aos olhos do eleitor comum, pode haver coisa pior do que pendengas judiciais entre um governo e um veículo de mídia, ou mesmo do que o desvio de R$ 10 bilhões da principal estatal brasileira para partidos ou campanhas eleitorais. Tomada por base a ojeriza que os protestos de rua causaram, a partir da violência dos black blocs, a reação de cerca de 200 integrantes da União da Juventude Socialista (UJS), na noite de sexta, em São Paulo, ao picharem e depredarem a sede da editora Abril em apoio à candidatura de Dilma, só pode ser encarada como tentativa de suicídio eleitoral.

 

Rumo ignorado

Como já observou o cineasta Cacá Dieguez, foi esse mesmo tipo de estupidez que fez os protestos de junho de 2013 perderem o apoio popular e o rumo. Não seria coincidência se o mesmo ocorresse com Dilma, ganhe ou perca a eleição, ao final de uma campanha com direito a surtos de Lula em comícios nesta última semana, quando comparou ele, a presidente e o PT a “Jesus Cristo”, assim como os tucanos a “nazistas” e ao “rei Herodes”. Internado ontem numa UTI de Curitiba, se Youssef sobreviver e puder provar tudo que já disse à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, a eleição de hoje estará longe de ser o último capítulo desta novela Brasil.

 

 

Publicado hoje na Folha

 

0

Artigo do domingo — Dilma ou Aécio? Aécio ou Dilma? Por quê?

O futuro dos nossos filhos, hoje, na nossa ágora de Atenas
O futuro dos nossos filhos, hoje, na nossa ágora grega das urnas

 

Desde que foi encerrado o primeiro turno, em 5 de outubro, não voltei a ocupar este espaço dominical de opinião, que em dias de mais sorte era preenchido pelos artigos do meu pai. Nos dois domingos seguintes, primeiro franqueei o espaço à jornalista da Folha Júlia Maria Assis, para que ela comungasse (aqui) com você, leitor, sua argumentação como eleitora pensante da presidente Dilma Rousseff (PT). Já no último domingo, cedi o espaço ao Gustavo Matheus, presidente municipal do PV e também eleitor de Dilma, mas para que ele falasse (aqui) sobre outro tema tão polêmico quanto a eleição presidencial brasileira: o caso “Meninas de Guarus”, que cinco anos após ser descoberto pela Polícia e noticiado com exclusividade pela Folha, gerou cinco prisões preventivas, entre elas a do ex-vereador Nelson Nahim (PSD), irmão do deputado federal Anthony Garotinho (PR) e tio de Gustavo.

Enquanto isso, no decorrer do segundo turno, usando o blog “Opiniões”, com link direto na Folha Online, abri uma enquete atualizada diariamente com dois eleitores, um de cada presidenciável, respondendo à pergunta: “Você vota em Dilma ou Aécio? Por quê?”. No dia seguinte, para garantir a equidade até em qualquer eventual mensagem subliminar na edição, a pergunta sofria uma inversão na ordem dos fatores, visando garantir a democracia do produto: “Você vota em Aécio ou Dilma? Por quê?”. Confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui, com os agradecimentos a Rafael Diniz, Marcão, Vitor Menezes, Alexandre Bastos, Marcelo Amoy, Alexis Sardinha, Hélio Coelho, José Cunha Filho, Christiano Abreu Barbosa, José Luis Vianna da Cruz, Gustavo Landim Soffiati, Gustavo Oviedo, José Paes, Adriano Moura, Gustavo Matheus, Joca Muylaert, Murillo Dieguez, Cilênio Tavares, Luciano D’Angelo, José Geraldo e Aristides Soffiati, meu capitão.

Essa despretensiosa brincadeira de ágora grega visava tentar resgatar o sentido da democracia em seu berço, na Atenas da Antiguidade. Ademais, o resgate de valores basilares não deixou de servir como alternativa didática ao nível asqueroso que a discussão entre eleitores de Dilma e Aécio alcançou nas redes sociais e até nas ruas, com enfrentamentos físicos como os da última quinta-feira, nas ruas de São Paulo, ou nas pichações e depredações na editora Abril (confira aqui), na sexta, também na capital paulista, por conta da matéria em que a revista Veja publicou naquele mesmo dia novas revelações sobre outro caso polêmico: o “Petrolão”.

No entanto, mesmo sem querer, a brincadeira de ágora grega no blog e na Folha Online cometeu o mesmo erro imperdoável dos inventores da democracia: só homens tiveram suas vozes ecoadas à coletividade. Para corrigir este falha infeliz, sobretudo num país governado por uma mulher, que teve outra quase também disputando o segundo turno, outro jornalista da Folha, o Arnaldo Neto, saiu às ruas do Centro da cidade, ágora da nossa planície goitacá, para buscar só de mulheres, aleatoriamente, sem nenhuma pretensão científica ou metodologia que não o acaso, a resposta à pergunta: “Dilma ou Aécio? Aécio ou Dilma? Por quê?”

Confira abaixo as repostas. Se elas não foram as mesmas suas, minha amiga, meu amigo, é exatamente isso que antes de Cristo os gregos chamaram de democracia.

 

“Eu voto na Dilma para dar continuidade aos bons projetos dela. No governo da Dilma muita gente conquistou sua moradia e eu espero que outras pessoas também possam conquistar. Se for para botar uma pessoa que eu não sei o que vai fazer, melhor deixar como está”.

(Jussara Ferreira, 49 anos, faxineira)

 

“Eu voto no Aécio Neves porque acredito e achei boas as propostas dele. Além disso, tem esses escândalos de corrupção, que também influenciaram na minha decisão. A Dilma teve quatro anos para fazer um bom governo e não fez. É hora de dar oportunidade a outro. Falam muito do Bolsa Família, mas é mal administrado. Muita gente que não precisa ganha o benefício, enquanto outros que precisam não conseguem ganhar”.

(Cristina Gomes, 32 anos, empregada doméstica)

 

“Já votei nela no primeiro turno e não tenho o porquê de não votar na Dilma agora. Não acredito que o país melhore mais do que já melhorou. Meu medo é de trocar o governo e até piorar. Prefiro continuar com a Dilma”.

(Cristina Barcelos, 40 anos, bordadeira)

 

“Meu voto é do Aécio Neves porque é necessário que esse país mude. Vivemos sob um governo medíocre, que quer segurar o voto do povo com o benefício do Bolsa Família. O Brasil tem um governo que nunca deveu tanto, que quer afundar esse país. O que nos move, nos faz confiar no Aécio, é esse espírito de mudança”.

(Denise Gomes, 49 anos, comerciária)

 

“Tenho medo do Aécio, de mudar com o que ele propõe. Para os jovens é difícil votar no PSDB. Embora a gente não tenha muita lembrança dessa época, o histórico do governo tucano não é bom. O PT governa um pouco mais para o povo. Eu voto na Dilma”.

(Juliana Nazário, 20 anos, estudante)

 

“Acredito que devemos votar naquele que representa a melhor opção de governo para o país. No momento a melhor opção, ou a menos pior, é o Aécio Neves. Não teve um fator decisivo que me levasse a essa decisão durante a campanha, apenas acredito que é a hora de mudar”.

(Juliana Rangel, 20 anos, estudante)

 

“Na verdade, a gente ainda deposita um pouco de esperança nessa mulher. Eu voto na Dilma e acredito que nos próximos quatro anos ela dará continuidade e vai melhorar o pouco de bom que ela fez.  Eu não sou beneficiária, mas o Bolsa Família ajuda muita gente. Houve também o controle da inflação, embora tenha voltado subir um pouco agora, vou continuar com a Dilma”.

(Nelsa Félix, 40 anos, vendedora)

 

“Voto em Aécio. Acredito que ele seja mais capacitado que a Dilma. Sabe expor com firmeza e clareza seus planos de governo. E, além do mais, não adianta dizer que o gigante acordou e permanecer com as mesmas escolhas”.

(Layra Alves, 28 anos, assistente administrativa)

 

“Voto na Dilma primeiramente porque não concordo com o PSDB e não concordo com a plataforma de governo do Aécio. Na verdade eu gostaria de ter uma terceira opção, pois no primeiro turno votei na Luciana Genro. Mesmo com os escândalos de corrupção, o governo petista foi bom para a classe média e inferior. O Aécio e o partido dele não têm nada de bom para apresentar, a não ser o Plano Real”.

(Ludymilla Mendes, 27 anos, atendente)

 

“Voto em Aécio não por achar que ele, ou o PSDB, seja melhor para o Brasil. Mas, ainda o considero o menos pior. O PT e a senhora Dilma nos colocou em uma patamar, como ela mesmo diz, ‘estarrecedor’. O país precisa passar por essa mudança”.

(Angélica Paes, 31 anos, assistente administrativa)

 

“Voto na Dilma porque durante o governo tucano quase não foram realizados concursos públicos. Durante o governo Dilma e Lula tivemos muitos concursos. Esse é o fator principal, foi o que determinou o meu voto”.

(Rackel Carvalho, 25 anos, gerente comercial)

 

“Voto no Aécio Neves. A inflação está muito alta e não dá para aceitar isso. O PT é uma decepção para o Brasil. Além de tantas denúncias de corrupção, tem a questão das alianças com políticos sabidamente corruptos. E também porque não concordo com a forma que os projetos sociais são administrados. Acredito que a melhor opção seja o Aécio”.

(Nelita Campos, 36 anos, professora)

 

“É a primeira vez que voto para presidente, mas está difícil escolher. Esse jogo de acusações entre os candidatos nos deixa sem possibilidade de escolha. No primeiro turno eu votei na Marina, mas agora não sei em que vou votar”.

(Mariana Florêncio, 19 anos, estudante)

 

“Ainda estou pensando em quem vou votar, acredito que só vou escolher no domingo. Não tenho preferência sobre um ou outro candidato ainda”.

(Graziela Mendes, 37 anos, estudante)

 

“Chego à semana da eleição sem ter escolhido um candidato. Aconteceu o mesmo no primeiro turno e eu votei nulo. O mais provável é que no domingo eu faça isso de novo. Com esse quadro que está aí, prefiro não colaborar com isso”.

(Daniele Almeida, 34 anos, agente administrativa)

 

 

Publicado hoje na Folha

 

0

TSE dá direito de resposta a Dilma no site da revista Veja

TSE

 

O ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu na noite deste sábado (25) direito de resposta à campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) no site da revista “Veja”.

Na edição do fim de semana da revista, que começou a circular nesta sexta (24), “Veja” veiculou reportagem na qual afirma que, segundo o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento de um suposto esquema de corrupção na Petrobras destinado a abastecer o caixa de campanhas eleitorais do PT.

O advogado Alexandre Fidalgo, que defende a revista “Veja”, disse que são inconstitucionais as decisões tomadas pelo TSE contra a revista – a que proibiu a revista de fazer propaganda da edição deste fim de semana (tomada na madrugada) e a que determinou o direito de resposta (na noite deste sábado). “Lamentáveis os procedimentos do tribunal na reta final da campanha”, disse. O advogado já recorreu ao Supremo Tribunal Federal da decisão.

No último programa do horário eleitoral, nesta sexta, a presidente Dilma Rousseff criticou a antecipação da circulação da revista para sexta-feira e classificou a publicação da reportagem como “terrorismo eleitoral”. Em resposta, a revista “Veja” publicou nota na qual justifica a publicação da reportagem. Segundo a nota, a antecipação da edição do fim de semana se repetiu em quatro das cinco últimas eleições presidenciais. A revista informou que o “grau de certeza” para publicação foi alcançado na quinta-feira, dois dias depois do depoimento de Youssef. Para a publicação, os fatos seriam os mesmos se publicados antes ou depois da eleição.

A decisão do ministro Admar Gonzaga, de caráter liminar (provisório), manda a revista publicar o direito de resposta “de imediato” no site, “no mesmo lugar e tamanho em que exibida a capa do periódico, bem como com a utilização de caracteres que permitam a ocupação de todo o espaço indicado”.

Segundo o ministro afirma na decisão, “o direito de resposta não possui contornos de sanção, mas o exercício constitucional da liberdade de expressão, por meio do mesmo veículo, conquanto se aviste ofensa grave e/ou afirmação sabidamente inverídica”.

Antes da decisão do ministro, a Procuradoria Geral da República tinha emitido parecer favorável à concessão do direito de resposta.

Sobre o pedido da coligação de Dilma para que o direito de resposta fosse publicado também na versão impressa, o ministro determinou que isso seja decidido pelo plenário do TSE.

Ele determinou ainda à Editora Abril, responsável pela revista, que apresente defesa em 24 horas.

Na sua decisão, o ministro ressaltou que o texto enviado pela defesa da coligação petista para ser usado no direito de resposta estava “impregnado de expressões impertinentes” e que, por esse motivo, precisou editá-lo para que a revista não entrasse, por sua vez, com um pedido de direito de resposta.

“Com relação à resposta pretendida pelos Representantes, entendo que os textos apresentados não se ajustam ao exercício desse direito, porquanto impregnados de expressões impertinentes, e que assim merecem decotes para não render ensejo a novo pedido de direito de resposta”, escreveu o magistrado.

Confira a íntegra do direito de resposta cuja publicação foi determinada pelo ministro:

 

DIREITO DE RESPOSTA

Veja veicula a resposta conferida à Dilma Rousseff, para o fim de serem reparadas as informações publicadas na edição nº 2397 – ano 47 – nº 44 – de 29 de outubro de 2014.

A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata.

A Coligação “Com a Força do Povo” vem a público condenar essa atitude e reiterar que o texto repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por terem sido apresentadas acusações sem provas.

A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para tentar implicar a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ilicitudes. Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Yousseff foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.

Publicado aqui, no G1

Capa da Veja em sua edição antecipada de ontem, noticiando que doleiro Alberto Youssef revelou à Polícia Federal que Dilma e Lula “sabiam de tudo” nos desvios de R$ 10 bilhões na Petrobras
Capa da Veja em sua edição antecipada de ontem, noticiando que doleiro Alberto Youssef revelou à Polícia Federal que Dilma e Lula “sabiam de tudo” nos desvios de R$ 10 bilhões na Petrobras (clique na imagem para conferir a reportagem completa)

 

 

Sede da editora Abril, em São Paulo, foi pichada e depredada por militantes do PT na noite de sexta, por militantes da União da Juventude Socialista (UJS), que apoia a candidatura Dilma Rousseff (foto de Ernesto Rodrigues / Folhapress)
Sede da editora Abril, em São Paulo, foi pichada e depredada por militantes do PT na noite de sexta, por militantes da União da Juventude Socialista (UJS), que apoia a candidatura Dilma Rousseff (foto de Ernesto Rodrigues / Folhapress)

 

 

0

Após denunciar que Dilma e Lula “sabiam de tudo”, doleiro passa mal e vai para UTI

Doleiro Alberto Youssef (foto de Joedson Alves/Estadão Conteúdo)
Doleiro Alberto Youssef (foto de Joedson Alves/Estadão Conteúdo)

 

O doleiro Alberto Youssef foi levado para o Hospital Santa Cruz, em Curitiba , depois de passar mal na tarde deste sábado (25). A informação foi confirmada pela Polícia Federal (PF) e pelo advogado Antônio Figueiredo Basto, responsável pela defesa de Youssef.

O hospital também confirmou que o doleiro está internado no local, porém, não divulgou nenhuma informação sobre o estado de saúde dele.

De acordo com a PF, ele teve uma indisposição por volta das 13h e foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou até o hospital. Segundo o advogado, Youssef teve uma “fortíssima queda de pressão” depois do almoço e desmaiou na cela. Basto ainda disse que o doleiro está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Entretanto, até as 19h, não havia um diagnóstico sobre o que aconteceu com ele, conforme o advogado.

O doleiro está preso desde março na carceragem da PF, na capital paranaense. Ele é réu da Operação Lava Jato.

Em julho, Youssef também foi levado para um hospital da cidade, onde ficou por uma noite. À época, o advogado disse que o doleiro sofreu um infarto, passou por um cateterismo e precisou ficar internado na UTI.

Operação Lava Jato

A operação Lava Jato foi deflagrada no dia 17 de março de 2014 em vários estados brasileiros e no Distrito Federal. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que pode ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões, segundo a PF.

De acordo com as investigações, a organização criminosa era liderada pelo doleiro Alberto Youssef. Ele e os procuradores do MPF entraram em um acordo de delação premiada. Com isso, ele se comprometeu a dizer tudo o que sabe sobre o esquema de lavagem de dinheiro que chefiava, em troca de reduções nas penas que podem ser imputadas. O documento que pede a absolvição do doleiro no caso do tráfico de drogas não cita o acordo de delação.

O acordo de delação premiada será homologado pela Justiça se, depois da fase dos depoimentos, ficar comprovada a veracidade das informações que Youssef fornecer. O acordo foi assinado um dia após a defesa revelar que o doleiro tinha essa pretensão.

 

Publicado aqui, no G1

 

0

Militantes do PT depredam Abril, após a Veja noticiar que Dilma e Lula “sabiam de tudo”

Sede da editora Abril, em São Paulo, foi pichada e depredada por militantes do PT na noite de sexta (foto de Ernesto Rodrigues / Folhapress)
Sede da editora Abril, em São Paulo, foi pichada e depredada por militantes do PT na noite de sexta (foto de Ernesto Rodrigues / Folhapress)

 

 

Resultado da depredação dos militantes de Dilma Rousseff na sede da Abril, postada no Instagram
Resultado da depredação dos militantes de Dilma Rousseff na sede da Abril, postada no Instagram

 

SÃO PAULO E RIO — Cerca de dez pessoas fizeram um rápido protesto na porta da editora Abril, na Marginal Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista, no início da noite desta sexta-feira. Os manifestantes picharam os muros e derrubaram lixeiras. Cartazes e pichações traziam os dizeres “Veja mente”. A polícia chegou e dispersou o grupo.

Nesta quinta-feira, a revista divulgou pelo Facebook e na sua página na internet algumas informações da matéria de capa desta edição, que foi adiantada para esta sexta-feira. A matéria afirmava que, em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público em Curitiba, o doleiro Alberto Youssef teria dito que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “sabiam de tudo” sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Ainda conforme a revista, a revelação teria sido feita por Youssef na última terça-feira.

 

Capa da Veja em sua edição antecipada de ontem, noticiando que doleiro Alberto Youssef revelou à Polícia Federal que Dilma e Lula “sabiam de tudo” nos desvios de R$ 10 bilhões na Petrobras
Capa da Veja em sua edição antecipada de ontem, noticiando que doleiro Alberto Youssef revelou à Polícia Federal que Dilma e Lula “sabiam de tudo” nos desvios de R$ 10 bilhões na Petrobras (clique na imagem e conheça todo o caso)

 

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

0

Independente do resultado das urnas, o Brasil sairá delas rachado entre PT e anti-PT

Brasil rachado

 

 

Jornalista e escritor Sandro Vaia
Jornalista e escritor Sandro Vaia

Dois países, uma escolha

Por Sandro Vaia

 

Ganhe ou perca as eleições o PT já cumpriu a sua missão: dividiu o Brasil em dois e institucionalizou o maniqueísmo como política de Estado.

Consegui industrializar o “nós” a ponto de transformá-lo em símbolo da vontade, da virtude, da generosidade, da luta contra o preconceito, da compaixão pelos pobres, da igualdade — cujo corolário definitivo não é nenhuma mudança de fundo na sociedade mas apenas executar um projeto de poder. Um aprendiz de PRI, a versão mexicana do poder pelo poder.

Conseguiu cravar no fantasmagórico adversário — “eles” — o exato oposto do que ele diz representar: a maldade, o egoísmo, o ódio, a luta de classes, o racismo, a homofobia e tudo que o imaginário possa estruturar como resumo do mal.

O PSDB, numa análise atilada do filósofo José Arthur Gianotti simplesmente perdeu a identidade como partido, por não ter conseguido se articular como oposição.

O PT conseguiu, através de seu agressivo discurso maniqueísta, empurrar para uma frente oposicionista informal setores dispersos da sociedade descontentes com a amoralidade difusa e macunaímica que marca o seu período de 12 anos no governo.

O Brasil foi levado a dividir-se politicamente e eleitoralmente não mais em PT e PSDB mas em PT e anti-PT.

À informal frente oposicionista juntaram-se setores da direita ideológica mas inorgânica, alguns direitistas caricaturais, os marinistas, defensores da sustentabilidade ambiental, e até mesmo uma Frente de Esquerda Democrática, formada por intelectuais gramscianos, esquerdistas desiludidos com o fisiologismo e jogo sujo do PT, que declararam em manifesto:

( “) Nas eleições de 2014, nos decepcionamos com o PT. A campanha petista no primeiro turno valeu-se de táticas e subterfúgios que desonram o bom debate. Caluniou, difamou e agrediu moralmente a candidatura de Marina Silva, sob o pretexto de que seria preciso fazer um “aguerrido” confronto político. Atropelou regras procedimentais e parâmetros éticos preciosos para a esquerda e a democracia. ( “)

E considere-se que quando os esquerdistas democráticos escreveram esse manifesto, Lula ainda não havia comparado o adversário aos nazistas e ao rei Herodes, em alguns de seus surtos de alucinação onde combate, como dom Quixote, os moinhos de vento que ele mesmo criou — aplicando provavelmente por instinto e não por conhecimento, o princípio leninista de “acusar os outros daquilo que você faz”.

O mais nocivo populismo caracteriza-se exatamente por interditar o debate substituindo-o, sempre que possível, por uma chuva de calúnias na cabeça do adversário, que passa a ser tratado não como um defensor de propostas diferentes, mas como um criminoso a ser eliminado.

Seja como for, o País que emergirá das urnas domingo será outro. Ou melhor, será um dos dois: ou aquele que procurará a modernidade livrando-se da canga do atraso e da mistificação ou aquele que fará das ilhas de atraso, da pobreza e do assistencialismo a reserva de mercado para garantir sua perpetuação no poder. Aos populistas e demagogos, nunca convém que os descamisados possam comprar suas próprias camisas.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Doleiro promete entregar à Justiça números de contas secretas do PT em paraísos fiscais

Alberto Youssef (foto de Aniele Nascimento / Agência de Notícias G/AE)
Alberto Youssef (foto de Aniele Nascimento / Agência de Notícias G/AE)

 

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

O Planalto sabia de tudo

Por Ricardo Noblat

 

Os trechos mais quentes da reportagem de VEJA deste fim de semana sobre as confissões à Justiça do doleiro Alberto Youssef, um dos cabeças do esquema de corrupção na Petrobras:

• — O Planalto sabia de tudo!
— Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.
— Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

• Na semana passada ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais. Aos investigadores Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.

• Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa­ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e Paulo Roberto Costa sobre a ampliação dos “serviços”, antes prestados apenas ao PP, também em benefício do PT e do PMDB.

• “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do­leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari.

• O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 000 notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências. Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a dar à PF a localização, o número e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.

• Youssef dirá que um integrante da ­coor­denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam­panha presidencial de Dilma Rousseff. Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Ponto final — Dilma e Aécio chegam ao último round sem nenhum nocaute

Ponto final

 

 

O último round (I)

Se alguém esperava um nocaute no debate de ontem da Globo entre os candidatos à presidência da República, que bateu todos os recordes de audiência, ele não houve. No máximo, uma vitória por pontos para Aécio Neves (PSDB), que se saiu melhor, sobretudo, nos dois blocos onde os presidenciáveis responderam às perguntas dos eleitores indecisos. Treinada para o embate direto com seu adversário, a presidente Dilma Rousseff (PT) acentuou suas conhecidas limitações retóricas na hora de improvisar, chegando a ter sua conjugação verbal corrigida ao vivo pela eleitora que tentava responder.

 

O último round (II)

Oito pontos percentuais atrás de Dilma pelo Ibope e seis, pelo Datafolha, nas pesquisas divulgadas (aqui) na quinta, mas 9,2 pontos à frente da presidente, no levantamento Sensus liberado ontem (aqui), Aécio abriu o debate ecoando as denúncias de Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato. Segundo divulgou a revista Veja, o doleiro preso afirmou à Polícia Federal e ao Ministério Publico Federal que tanto Dilma, quanto Lula, sabiam do caso conhecido como “Petrolão” (aqui), que desviou R$ 10 bilhões da Petrobras para financiamento de partidos e campanhas, incluindo a de 2010, que elegeu a presidente.

 

O último round (III)

Dilma se defendeu atacando, lembrando do Mensalão Mineiro, ligado aos tucanos. E nessa ação e reação de pugilato os dois candidatos seguiram sempre que um perguntava ou respondia ao outro. O melhor momento de Dilma foi quando ela lembrou o programa fictício “meu banho, minha vida”, ironia do jornalista José Simão sobre a falta d’água em São Paulo, governado pelo tucano Geraldo Alckmin, reeleito no primeiro turno. Já Aécio, foi enfático ao repetir uma opinião compartilhada por parcela cada vez mais significativa dos brasileiros: “A maneira mais eficaz de combater a corrupção é tirar o PT do poder”.

 

O último round (IV)

Se o clima de luta de boxe tem imperado desde o início da campanha, considerada por muitos como a de nível mais baixo em toda a história da República do Brasil, o debate de ontem não foi exceção. Mas diferente de outras vezes, pelo menos, o medo de perder por um erro no último round fez com que ninguém batesse abaixo da linha da cintura. Sem nenhum nocaute e à parte qualquer opinião, inclusive a contrária à mudança de opinião, a decisão agora cabe apenas aos jurados: você e os demais 142.822.037 eleitores brasileiros. Boa sorte!

 

 

Publicado hoje na Folha

 

0

“O PT se perdeu quando Lula resolveu ser seu dono. Dilma é autoritária e não ouve ninguém”

Sandra Starling, fundadora do PT em Minas, ex-deputada pelo partido (foto de Cristiano Mariz)
Sandra Starling, fundadora do PT em Minas, ex-deputada federal e líder do partido no governo FHC (foto de Cristiano Mariz)

 

 

Por Cristina Jungblut

BELO HORIZONTE — Fundadora do PT e líder do partido na época do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, a ex-deputada federal Sandra Starling anunciou que vai votar no candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, no próximo domingo. Aos 70 anos, a professora aposentada disse ao GLOBO que decidiu votar em Aécio diante do comportamento do governo Dilma de esconder dados, citando o caso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que segurou a divulgação de dados sobre a superação da pobreza no país. A ex-petista disse que é um “voto crítico” e para mostrar sua indignação. Ela faz críticas ao PT, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff.

Sandra autorizou a publicação na quarta-feira de um texto seu intitulado “Meu voto crítico em Aécio é um veto ao voto a Dilma” no blog Diário do Poder. Ontem, ela disse que saiu do PT em 2010 quando o ex-presidente Lula impôs o apoio do partido à candidatura de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas Gerais. Sandra lembrou que concorreu ao governo de Minas em 1982 contra o avô de Aécio, Tancredo Neves. E contou que, no início do ano, chegou a ironizar a decisão de Aécio de ser candidato à Presidência.

 

Por que a senhora decidiu votar em Aécio Neves?

Estou muito indignada com a camuflagem de números que se passou a ver no governo Dilma. O caso do Ipea, que já deveria ter publicado os dados (sobre a miséria). Quem anda nas ruas está vendo que a coisa não está indo bem. Isso me remeteu a um tempo muito ruim, de quando era professora. Na época da ditadura, não se publicava a verdade. Fiquei muito indignada e, então, resolvi votar no Aécio, para mostrar essa indignação. Eu ia praticar a idiotia, que, em grego, significa não participar de política. Já tenho 70 anos e não iria votar. Estou querendo saber (dos números) do FAT, do FGTS.

 

A senhora foi fundadora do PT, líder do partido na Câmara. Como vê o PT hoje?

Com muito pesar, muita tristeza. Eu militei por 30 anos nele, antes mesmo da fundação. Tenho orgulho de ter sido candidata por ele em 1982 e disputei com o Tancredo Neves. Se quisesse me vingar, não votaria no neto dele. No debate, Tancredo me chamou de “professorinha” e disse: “Você tem uma inteligência perigosa” (risos). O PT se perdeu.

 

Quando o PT se perdeu?

Quando o Lula resolveu ser dono do PT. A partir do momento em que ele se arvorou a ser dono, escolheu a Dilma (candidata à Presidência). Em 2010, escolhemos o Pimentel (Fernando) para ser o candidato ao governo e, dias depois, era o Hélio Costa. Eu me desfiliei do PT em 2010. Fui líder do PT e combati o governo Fernando Henrique feito louca. Em 1996, combati a reeleição, sou contra a reeleição. Fico envergonhada de os petistas concorrerem à reeleição.

 

O que a senhora acha do governo da presidente Dilma Rousseff?

Péssimo. Dilma é autoritária e não ouve ninguém.

 

A senhora escreveu em seu artigo que dava um “voto crítico” a Aécio Neves e que ele lhe causa “medo”, sobre a possibilidade de aumento da exclusão social. Como é isso?

Dou um voto crítico. Não tenho nenhuma posição semelhante às do Aécio. Ele me causa medo, como ela também. Dilma escondeu qual a posição dela em relação às mulheres, aos casos de aborto que ocorreram recentemente. Não sabemos a posição de Aécio sobre a homofobia, e ele diz que vai continuar o programa Bolsa Família. Vou votar, mas dizendo que “estou de olho”.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Fundadora do PT em Minas: “Não vou me calar diante das mentiras de Dilma”

PT anos 80

 

Professora, advogada, fundadora do PT em Minas e ex-deputada federal pelo partido, Sandra Starling
Professora, advogada, fundadora do PT em Minas e ex-deputada federal pelo partido, Sandra Starling

Meu voto crítico em Aécio é um veto ao voto em Dilma

Por Sandra Starling

 

Sempre gostei de aprender.

E ontem aprendi com o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, que resolveu, ao contrário de mim, dar um voto crítico em Dilma e um veto ao Aécio. Lembrei-me do tempo em que juntos lutamos (nós e o PSDB) contra o Collor e fizemos o abraço na Av. do Contorno e na campanha de vestir- se preto contra o presidente que sofreu o impeachment.

Vou fazer o contrário  do Freixo.. Quero ter a coragem de enfrentar esses 12 anos em que o PT se julgou a consciência política do Brasil e no qual fez e aconteceu como os demais, em tudo,  — para , afinal, me deter na censura ao Ipea porque o Ipea, órgão do próprio governo, não demonstrou o que todos os que pelejam para entender este país já percebiam: a desigualdade social não diminuiu a ponto de ser significante do ponto de visto estatístico — logo, na lógica da Dilma Rousseff, que se parece à de Delfim Netto na ditadura, deve-se esconder os dados que não são a favor do partido que nos agrada.

Não compactuo com esse tipo de método.

Fiz uma oposição consciente e determinada ao governo de FHC, quando fui líder do PT na Câmara dos Deputados. O resto de minha história não tem a menor importância. Ia, inclusive, usar meu direito de ser “idiota”— como diziam os atenienses e deixar de votar. Mas não vou me abster.

Vou votar no Aécio, com todo o medo que ele me causa de que venha a aumentar o peso da exclusão sobre os trabalhadores, as mulheres, os homossexuais, aqueles excluídos enfim — mas não vou me calar diante das mentiras que a Dilma vem assumindo.

Qualquer que seja o resultado, para mim, terei cumprido meu dever de brasileira: arrisquei a perder ou a ganhar — para os outros que sofrem, não para mim, porque nada tenho a perder.

Bom voto a todos no domingo.

 

Publicado aqui, em 22/10, no blog Diário do Poder

 

0

Você vota em Dilma ou Aécio? Por quê?

Luciano D’ÂngeloMeu voto é para reeleger a presidente Dilma Rousseff. Vou votar em Dilma porque o Brasil precisa continuar mudando na mesma direção desses últimos 12 anos. Só o fato da recente saída do Brasil do mapa da fome, retirando muitos milhões de brasileiros da extrema pobreza por si só já justificaria o meu voto. No entanto, um outro conjunto de políticas públicas sociais tendo como tema central uma forte distribuição de renda configurando uma correta forma de diminuir a enorme desigualdade social que ainda existe no país, reafirma minha convicção eleitoral.

Como educador me anima muito constatar crescentes e fortes investimentos nos governos Lula e Dilma na educação, como as centenas de escolas técnicas (IFF’s), universidades federais, o Prouni, Pronatec, Fies, Ciências sem Fronteiras, etc. É preciso avançar muito mais, daí que o Plano Nacional de Educação, aprovado no governo Dilma tendo como garantia de execução os volumosos recursos do Pré-Sal, fará a verdadeira revolução que libertará os menos favorecidos deste país, que  ainda são muitos. Dilma fará isto!

(Luciano D’Ângelo, professor, ex-diretor da antiga Escola Técnica Federal, atual IFF, e petista histórico de Campos)

 

José Geraldo1O  PT, nesses 12 anos de governo, privatizou mais o patrimônio do povo que toda a história anterior. Vendeu o Pré-Sal por 50 bi e tapou buraco nas contas do governo; leiloou a telefonia móvel, arrasou a  Petrobras; não investiu na infraestrutura nacional (portos, ferrovias, rodovias, aeroportos, geração de energia elétrica e etc), estagnou o crescimento, aumentou a dívida pública interna, perdeu-se na gestão da moralidade e do país, linearizou os programas de benefícios sociais, aumentou o custo Brasil. Por isso não voto no PT.

Penso que precisamos de um presidente que seja firme, com autoridade moral de bom governante, como foi em Minas, para poder implementar as medidas necessárias na sua gestão, que saiba o que quer e pode fazer, que possa inspirar confiança na comunidade internacional que já está olhando o Brasil de lado, que tenha fundamentos econômicos  para conter a inflação que se avizinha, que permita ao país voltar a crescer a avançar nas conquistas sociais.  Por isso eu voto no Aécio.

(José Geraldo, engenheiro, empresário e ex-candidato a prefeito de Campos pelo PRP)

 

Aristides SoffiatiNa década de 1930, Getúlio Vargas começou a cavar um buraco aprofundado por todos os seus sucessores. Juscelino pegou forte na pá. Os militares discordaram de Jango, mas não do buraco. Com a chamada redemocratização, todos os candidatos e governantes continuaram a cavar. O buraco se chama crescimento econômico a qualquer custo. Os cavadores são prisioneiros do buraco e acreditam nele. Sei que é muito difícil parar de cavar, mas alguém tem de dizer quais são os riscos do buraco para o Brasil e o mundo. Marina Silva foi a única candidata com possibilidades de ganhar a ter este discernimento. Por isso, votei nela duas vezes e agora ela aceita alianças políticas buraqueiras. Dilma foi vítimas dos militares politicamente, mas concorda com eles quanto ao buraco. Votei sempre com medo do retrocesso. Agora chega. Acho que o Brasil tem instituições que barram o retrocesso. Venci o medo e não apoio cavadores de covas. Voto nulo.

(Aristides Soffiati, professor, historiador, escritor e ambientalista)

 

 

0

Ponto final — O que as pesquisas projetam (e não) para as eleições de domingo

Ponto final

 

 

Eleições definidas?

Pelas últimas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem, as eleições de domingo para presidente da República e governador do Rio, estão praticamente definidas; ou quase. No último pleito, a diferença entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) é de exatos 10 pontos percentuais: 55% a 45% das intenções de votos válidos nas duas consultas. Já para presidente, Dilma Rousseff (PT) apareceu pela primeira vez no segundo turno liderando além da margem de erro sobre Aécio Neves (PSDB): 54% a 46% pelo Ibope e 53% a 47%, no Datafolha.

 

Crivella diminui diferenças

Com dois dígitos atrás nas pesquisas, a única notícia boa para Crivella é que sua diferença para Pezão já foi maior. Tanto na última consulta Ibope, divulgada no dia 20, quanto Datafolha, liberada no dia 16, o atual governador tinha 56% a 44% dos votos válidos. A diferença sobre seu adversário, portanto, caiu dois pontos, passando de 12 aos 10 atuais. Ademais, comparadas as duas últimas amostragens Datafolha, enquanto a rejeição a Pezão se manteve em 36%, a de Crivella caiu um ponto, de 43% para 42%.

 

Testemunho de fé

Todavia, tanto a queda de dois pontos em sua diferença nos votos válidos para Pezão, quanto a de um ponto na própria rejeição, ficam dentro da margem de erro dos dois institutos. Em outras palavras, podem nem existir. Mas com o mesmo fervor que os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) gritam em seus cultos, os eleitores do sobrinho de Edir Macedo vão chegar até domingo proclamando testemunhos do fato de que Ibope e Datafolha erraram para menos a votação de Crivella no primeiro turno.

 

Pezão mais prejudicado

Na última consulta Ibope antes das urnas de 5 de outubro, divulgada em 30 de setembro, Crivella tinha 16%. Já na Datafolha de 2 de outubro, apareceu com 17%. Concluído o primeiro turno, no entanto, ele obteve 20,26% dos votos válidos. Mas se a diferença ficou na margem de erro, os dois institutos também erraram fora dela ao subestimarem a votação de Pezão, que teve 40,57%, enquanto o Ibope projetou-lhe 31% e o Datafolha, 30%. Ou seja, o governador teve quase dois dígitos de motivos para se queixar das pesquisas, mas como as lidera com folga, não precisa apelar ao choro prévio de perdedor.

 

Choro de perdedor?

Quem tem apelado ao mesmo recurso lacrimogêneo de Crivella, desde que foi ultrapassado pela primeira vez por Dilma nas pesquisas, é Aécio Neves. Ele questionou a metodologia do Datafolha, desde a amostragem divulgada no dia 20, que deu a presidente liderando no empate técnico de 52% a 48%, resultado repetido pelo mesmo instituto dois dias depois. Só que agora, além do tucano, também a margem de erro foi deixada para trás por Dilma, que abriu um diferença de oito pontos percentuais no Ibope e seis, no Datafolha.

 

Esperança de Aécio

Além de ser uma diferença menor do que aquela que separa Crivella de Pezão, Aécio tem outra vantagem na comparação com Dilma: ele fez no primeiro turno uma votação muito superior às projeções Ibope e Datafolha. Enquanto o primeiro deu-lhe 26% e o segundo, 27% dos votos válidos, em pesquisas divulgadas em 3 de outubro, dois dias antes do pleito em que o tucano teve 33,55%. Ou seja, sua votação foi superior à margem de erro dos dois institutos, como se mostra a atual liderança de Dilma, nesta mesma diferença de dois dias até as urnas.

 

Até quando?

Contra Aécio, além da ultrapassagem sobre Dilma na rejeição, no Ibope (42% a 36%) e Datafolha (41% a 37%), é o fato de que os dois institutos podem errar nos números, mas raramente nas tendências. E nem o tucano mais apaixonado discordará que a tendência de seu candidato é descendente, direção oposta à da presidente. Essa inversão petista na reta final pode até ser fruto da campanha eleitoral mais sórdida nestes 125 anos de história da República do Brasil, mas tudo indica que está sendo bem sucedida. Nos limites cada vez mais tênues da nossa democracia, só resta saber até quando.

 

Publicado hoje na Folha

 

0