Professora, advogada, fundadora do PT em Minas e ex-deputada federal pelo partido, Sandra Starling
Meu voto crítico em Aécio é um veto ao voto em Dilma
Por Sandra Starling
Sempre gostei de aprender.
E ontem aprendi com o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, que resolveu, ao contrário de mim, dar um voto crítico em Dilma e um veto ao Aécio. Lembrei-me do tempo em que juntos lutamos (nós e o PSDB) contra o Collor e fizemos o abraço na Av. do Contorno e na campanha de vestir- se preto contra o presidente que sofreu o impeachment.
Vou fazer o contrário do Freixo.. Quero ter a coragem de enfrentar esses 12 anos em que o PT se julgou a consciência política do Brasil e no qual fez e aconteceu como os demais, em tudo, — para , afinal, me deter na censura ao Ipea porque o Ipea, órgão do próprio governo, não demonstrou o que todos os que pelejam para entender este país já percebiam: a desigualdade social não diminuiu a ponto de ser significante do ponto de visto estatístico — logo, na lógica da Dilma Rousseff, que se parece à de Delfim Netto na ditadura, deve-se esconder os dados que não são a favor do partido que nos agrada.
Não compactuo com esse tipo de método.
Fiz uma oposição consciente e determinada ao governo de FHC, quando fui líder do PT na Câmara dos Deputados. O resto de minha história não tem a menor importância. Ia, inclusive, usar meu direito de ser “idiota”— como diziam os atenienses e deixar de votar. Mas não vou me abster.
Vou votar no Aécio, com todo o medo que ele me causa de que venha a aumentar o peso da exclusão sobre os trabalhadores, as mulheres, os homossexuais, aqueles excluídos enfim — mas não vou me calar diante das mentiras que a Dilma vem assumindo.
Qualquer que seja o resultado, para mim, terei cumprido meu dever de brasileira: arrisquei a perder ou a ganhar — para os outros que sofrem, não para mim, porque nada tenho a perder.
Meu voto é para reeleger a presidente Dilma Rousseff. Vou votar em Dilma porque o Brasil precisa continuar mudando na mesma direção desses últimos 12 anos. Só o fato da recente saída do Brasil do mapa da fome, retirando muitos milhões de brasileiros da extrema pobreza por si só já justificaria o meu voto. No entanto, um outro conjunto de políticas públicas sociais tendo como tema central uma forte distribuição de renda configurando uma correta forma de diminuir a enorme desigualdade social que ainda existe no país, reafirma minha convicção eleitoral.
Como educador me anima muito constatar crescentes e fortes investimentos nos governos Lula e Dilma na educação, como as centenas de escolas técnicas (IFF’s), universidades federais, o Prouni, Pronatec, Fies, Ciências sem Fronteiras, etc. É preciso avançar muito mais, daí que o Plano Nacional de Educação, aprovado no governo Dilma tendo como garantia de execução os volumosos recursos do Pré-Sal, fará a verdadeira revolução que libertará os menos favorecidos deste país, que ainda são muitos. Dilma fará isto!
(Luciano D’Ângelo, professor, ex-diretor da antiga Escola Técnica Federal, atual IFF, e petista histórico de Campos)
O PT, nesses 12 anos de governo, privatizou mais o patrimônio do povo que toda a história anterior. Vendeu o Pré-Sal por 50 bi e tapou buraco nas contas do governo; leiloou a telefonia móvel, arrasou a Petrobras; não investiu na infraestrutura nacional (portos, ferrovias, rodovias, aeroportos, geração de energia elétrica e etc), estagnou o crescimento, aumentou a dívida pública interna, perdeu-se na gestão da moralidade e do país, linearizou os programas de benefícios sociais, aumentou o custo Brasil. Por isso não voto no PT.
Penso que precisamos de um presidente que seja firme, com autoridade moral de bom governante, como foi em Minas, para poder implementar as medidas necessárias na sua gestão, que saiba o que quer e pode fazer, que possa inspirar confiança na comunidade internacional que já está olhando o Brasil de lado, que tenha fundamentos econômicos para conter a inflação que se avizinha, que permita ao país voltar a crescer a avançar nas conquistas sociais. Por isso eu voto no Aécio.
(José Geraldo, engenheiro, empresário e ex-candidato a prefeito de Campos pelo PRP)
Na década de 1930, Getúlio Vargas começou a cavar um buraco aprofundado por todos os seus sucessores. Juscelino pegou forte na pá. Os militares discordaram de Jango, mas não do buraco. Com a chamada redemocratização, todos os candidatos e governantes continuaram a cavar. O buraco se chama crescimento econômico a qualquer custo. Os cavadores são prisioneiros do buraco e acreditam nele. Sei que é muito difícil parar de cavar, mas alguém tem de dizer quais são os riscos do buraco para o Brasil e o mundo. Marina Silva foi a única candidata com possibilidades de ganhar a ter este discernimento. Por isso, votei nela duas vezes e agora ela aceita alianças políticas buraqueiras. Dilma foi vítimas dos militares politicamente, mas concorda com eles quanto ao buraco. Votei sempre com medo do retrocesso. Agora chega. Acho que o Brasil tem instituições que barram o retrocesso. Venci o medo e não apoio cavadores de covas. Voto nulo.
(Aristides Soffiati, professor, historiador, escritor e ambientalista)
Pelas últimas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem, as eleições de domingo para presidente da República e governador do Rio, estão praticamente definidas; ou quase. No último pleito, a diferença entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) é de exatos 10 pontos percentuais: 55% a 45% das intenções de votos válidos nas duas consultas. Já para presidente, Dilma Rousseff (PT) apareceu pela primeira vez no segundo turno liderando além da margem de erro sobre Aécio Neves (PSDB): 54% a 46% pelo Ibope e 53% a 47%, no Datafolha.
Crivella diminui diferenças
Com dois dígitos atrás nas pesquisas, a única notícia boa para Crivella é que sua diferença para Pezão já foi maior. Tanto na última consulta Ibope, divulgada no dia 20, quanto Datafolha, liberada no dia 16, o atual governador tinha 56% a 44% dos votos válidos. A diferença sobre seu adversário, portanto, caiu dois pontos, passando de 12 aos 10 atuais. Ademais, comparadas as duas últimas amostragens Datafolha, enquanto a rejeição a Pezão se manteve em 36%, a de Crivella caiu um ponto, de 43% para 42%.
Testemunho de fé
Todavia, tanto a queda de dois pontos em sua diferença nos votos válidos para Pezão, quanto a de um ponto na própria rejeição, ficam dentro da margem de erro dos dois institutos. Em outras palavras, podem nem existir. Mas com o mesmo fervor que os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) gritam em seus cultos, os eleitores do sobrinho de Edir Macedo vão chegar até domingo proclamando testemunhos do fato de que Ibope e Datafolha erraram para menos a votação de Crivella no primeiro turno.
Pezão mais prejudicado
Na última consulta Ibope antes das urnas de 5 de outubro, divulgada em 30 de setembro, Crivella tinha 16%. Já na Datafolha de 2 de outubro, apareceu com 17%. Concluído o primeiro turno, no entanto, ele obteve 20,26% dos votos válidos. Mas se a diferença ficou na margem de erro, os dois institutos também erraram fora dela ao subestimarem a votação de Pezão, que teve 40,57%, enquanto o Ibope projetou-lhe 31% e o Datafolha, 30%. Ou seja, o governador teve quase dois dígitos de motivos para se queixar das pesquisas, mas como as lidera com folga, não precisa apelar ao choro prévio de perdedor.
Choro de perdedor?
Quem tem apelado ao mesmo recurso lacrimogêneo de Crivella, desde que foi ultrapassado pela primeira vez por Dilma nas pesquisas, é Aécio Neves. Ele questionou a metodologia do Datafolha, desde a amostragem divulgada no dia 20, que deu a presidente liderando no empate técnico de 52% a 48%, resultado repetido pelo mesmo instituto dois dias depois. Só que agora, além do tucano, também a margem de erro foi deixada para trás por Dilma, que abriu um diferença de oito pontos percentuais no Ibope e seis, no Datafolha.
Esperança de Aécio
Além de ser uma diferença menor do que aquela que separa Crivella de Pezão, Aécio tem outra vantagem na comparação com Dilma: ele fez no primeiro turno uma votação muito superior às projeções Ibope e Datafolha. Enquanto o primeiro deu-lhe 26% e o segundo, 27% dos votos válidos, em pesquisas divulgadas em 3 de outubro, dois dias antes do pleito em que o tucano teve 33,55%. Ou seja, sua votação foi superior à margem de erro dos dois institutos, como se mostra a atual liderança de Dilma, nesta mesma diferença de dois dias até as urnas.
Até quando?
Contra Aécio, além da ultrapassagem sobre Dilma na rejeição, no Ibope (42% a 36%) e Datafolha (41% a 37%), é o fato de que os dois institutos podem errar nos números, mas raramente nas tendências. E nem o tucano mais apaixonado discordará que a tendência de seu candidato é descendente, direção oposta à da presidente. Essa inversão petista na reta final pode até ser fruto da campanha eleitoral mais sórdida nestes 125 anos de história da República do Brasil, mas tudo indica que está sendo bem sucedida. Nos limites cada vez mais tênues da nossa democracia, só resta saber até quando.
Militantes de Dilma e Aécio se enfrentaram fisicamente hoje nas ruas do Centro de São Paulo, diante ao Theatro Municipal (foto de Michel Filho – Agência o Globo)
Jornalista Cora Rónai
Democracia, a palavra mágica
Por Cora Rónai
Amigos petistas (sim, ainda tenho alguns) dizem que votam no PT por causa das suas políticas sociais. É um bom argumento: não há pessoa com um mínimo de sensibilidade e compaixão que possa ser contra políticas de inclusão social, especialmente num país tão desigual quanto o nosso.
A questão é que ele parte do princípio de que o PT detém o monopólio das boas intenções sociais, e aí entramos na área da desqualificação do adversário, da qual o partido tanto entende. Que eu me lembre, em momento algum Aécio ou o PSDB afirmaram que pretendem mudar o que, a duras penas, já se conquistou; mas a propaganda do PT insiste nisso e pronto, basta a palavra do marqueteiro João Santana para transformar o que jamais foi dito em verdade sacramentada.
Outro problema com esse argumento é que, por melhores que sejam as intenções sociais de quem quer que seja, elas não existem fora de um contexto mais amplo. Sem dinheiro não se faz nada, nem bom ensino, nem boa saúde, nem distribuição de renda. Simplesmente não há política social que consiga se manter, a médio ou longo prazo, diante de uma economia desastrosa como a do governo Dilma.
Eu até poderia dizer, parafraseando os meus amigos petistas, que não voto no PT justamente porque prezo as conquistas sociais do país, e não quero que elas desapareçam levadas por uma política econômica que vai de mal a pior.
Mas não é só isso.
Entre outros incontáveis motivos, não voto no PT porque tenho vergonha do papel que o meu país está fazendo no cenário internacional, abraçando ditaduras obsoletas, financiando tiranos e dando apoio a terroristas.
Ao contrário de tanta gente que prestigia o partido, eu não acho que democracia seja essencial para nós, brasileiros, mas desnecessária para iranianos, cubanos ou venezuelanos. Eu quero que todo mundo tenha as mesmas prerrogativas que eu tenho, quero que todas as pessoas do mundo possam viver e respirar em ambientes de liberdade, dizendo o que têm vontade de dizer sem risco de ir para a cadeia no dia seguinte.
Eu quero ouvir a voz do meu país denunciando ditaduras, e não compactuando com elas.
Passei vários anos da minha vida brigando por liberdade no Brasil e pedindo uma imprensa livre. Na minha cabeça, não faz o menor sentido votar, agora, num governo que apoia regimes que perseguem seus cidadãos por crimes de opinião — e que, vira e mexe, fala em “democratizar” a mídia.
Eu vi esse filme há muito, muito tempo, e não gostei.
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O país está dividido e envenenado; as redes sociais, por tabela, também estão. Frequento a internet desde sempre e nunca vi tanto rancor, tanta grosseria, tanta agressividade. Postei uma primeira versão deste texto no Facebook. Mesmo sabendo como andam as coisas, fiquei impressionada — ou “estarrecida”, para usar uma palavra da moda — com o nível de ódio da militância.
De ontem para hoje, não tenho feito outra coisa a não ser capinar a área de comentários, subitamente invadida por pessoas que não são minhas amigas, não têm conhecidos em comum comigo, não seguem a minha página e jamais apareceram sequer para dar like numa foto de gato — e agora vêm, cheias de fúria, dirigir ofensas a mim e aos que concordam comigo.
Esse comportamento antidemocrático está acontecendo dos dois lados.
Espero que o próximo presidente, seja quem for, tenha a humildade de reconhecer o quanto é rejeitado, ou rejeitada, pela metade da nação — e dedique-se, com afinco, à sua reunificação.
Voto em Aécio por três motivos. O primeiro é a conquista do Plano Real. Eu e meu irmão passamos o cão na época da inflação alta. Mas não é só a inflação. A gestão FHC foi transformadora sobre todos os aspectos, inclusive no social. Dona Ruth Cardoso era uma das mais preparadas sociólogas do país. O Serra na Saúde foi transformador, e até hoje é considerado o melhor ministro da Saúde de todos os tempos. Enfim: a gestão do PSDB, considerando as circunstâncias, foi a melhor. A segunda, é que vou a Minas Gerais com freqüência e pude ver o grande governo que Aécio fez lá. Na educação, Minas é o estado com melhor desempenho no país. Aécio sabe montar equipe. O terceiro é que acho fundamental a alternância de poder. Mesmo aprovando o governo FHC, votei no Lula. Por tudo isso agora vou de Aécio.
(Murillo Dieguez, empresário e colunista)
Bem, é a primeira vez que torno meu voto público. E a opção por Dilma Rousseff é pautada pela falta de um candidato melhor ou “menos pior” no segundo turno. Mas, no todo, o que pesou: programa habitacional que melhorou o acesso aos financiamentos, com prestações em ordem decrescente; ProUni; abertura de mais escolas de ensino técnico; postura menos subserviente ao FMI e seus pares; taxa de juros menos alta, quando o governo do adversário encerrou com taxa Selic beirando aos 26%; melhora na distribuição de renda, embora ainda tímida; reajuste anual ainda ínfimo da tabela do IR, congelada por dez anos nos governos Itamar Franco e FHC; aumento do respeito ao país no exterior; avanço nas exportações; manutenção das leis trabalhistas…
Nos pontos negativos, os dois se equiparam. Se hoje se tem o “mensalão” e o “petrolão”, manchando a biografia do PT, que tinha, sim, discurso pela moralidade quando estava na oposição, não dá para tirar da memória os escândalos do período tucano, com a compra de votos pela emenda da reeleição, caso Sivam, entre outros que não caberiam neste espaço. E aí, podem perguntar: um erro justifica o outro? Claro que não. E triste é saber que, ganhe quem ganhar, quem vai continuar governando o país é o PMDB. Mas, como disse no começo, o voto é no “menos pior”. Para não votar nulo.
Na terça, com a presidente Dilma Rousseff (PT) a tiracolo, o ex-presidente Lula comparou “eles” (os tucanos) a “nazistas” e os classificou de “intolerantes, mais que Herodes quando mandou matar Jesus Cristo”. Não satisfeito, ontem, em Porto Alegre, sem nenhuma distinção entre nordestinos e sulistas tão ao gosto petista, Lula disse que “eleitor de Marina tem obrigação moral de votar em Dilma” (confira os dois episódios aqui).
O pior se revela
Como foram dois dias distintos, imagina-se que com algum sono no meio, não daria nem para atribuir todas as declarações à eventualidade do mesmo porre. Mas seria melhor se fosse, pois se encaradas como fruto de uma mente sóbria de álcool, ou é delírio psicótico, ou pior das possibilidades: revela-se o sujeito mais megalômano, irresponsável, autoritário e inescrupuloso que nas últimas três décadas usou a faixa presidencial no Brasil, desde que ela passou a ser envergada por civis, em 1985.
Ridículo e ridículo e meio
Para uma pessoa normal, talvez bastasse contrapor o ridículo de quem acusa o adversário de nazista num dia, para no outro pretender “obrigar” toda uma coletividade, publicamente, a votar em quem quer que seja. Mas a coisa se torna especialmente mais ridícula diante de qualquer eleitor de Marina, alvo de toda sorte de ataques mentirosos e levianos no primeiro turno, da parte do mesmo Lula e da mesma Dilma que agora se acham no direito de exigir, na cara dura, os votos dados a quem se uniram para caluniar, levar às lágrimas e ainda tripudiar destas, classificando-as como sinal de fraqueza.
Escolha de Aécio
Mas não foi apenas por maldade que Lula fez e mandou fazer com Marina o que agora acusa Aécio Neves (PSDB) de fazer com Dilma, depois que o tucano passou a ser também atacado e reagiu. Numa longa conversa na noite anterior ao primeiro turno (veja aqui), o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse preferir Marina no segundo turno, enquanto Lula queria Aécio. Por isso mandou centrar fogo em sua ex-ministra no primeiro turno e reservar a munição contra o tucano, que já quis levar ao PMDB para fazer dele seu próprio candidato a presidente da República — Aécio recusou.
Escolhas de Lula
Por isso, talvez, o descontrole de Lula nestes poucos dias que nos separam do segundo turno. Foi ele quem escolheu Dilma em 2010 como sua sucessora, dizendo que ela seria melhor administradora do que ele, mas acabou por conduzir o Brasil à sua pior recessão desde que Fernando Henrique Cardoso, ainda ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, estabilizou a economia ao implantar, em 1994, o Plano Real — no qual o PT votou contra. Assim como, 20 anos depois, foi Lula quem apostou e trabalhou para ter Aécio como adversário de Dilma no pleito do próximo domingo.
Sem Herodes ou Cristo
Em outras palavras, Lula escolheu sua jogadora, escolheu seu adversário, passou por cima de várias regras e, aparentemente insatisfeito com o desenrolar do jogo próximo ao resultado final, agora parece disposto chutar o tabuleiro do próprio país, quer ganhe ou perca. Assim como Aécio, PSDB, Marina, PSB, Eduardo Campos, ou qualquer outra pessoa ou partido que se colocarem como opção ao PT, na alternância de poder tão necessária à democracia, jamais se transformarão por isso em “Herodes”, certamente Lula e Dilma não são Jesus Cristo.
Com Hitler?
Já em relação ao nazismo, representado por um partido político sem nenhuma vergonha de apelar ao radicalismo, mas que chegou ao poder na Alemanha pelo voto popular, antes de se converter na ditadura que mergulhou o mundo na II Guerra Mundial (1939/45), ao custo final de 60 milhões de vidas humanas, talvez não seja irrelevante saber o que pensava sobre seu Führer (“Líder”), Adolf Hitler (1889/1945), um certo dirigente sindical brasileiro, ainda inexperiente como líder político: “O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a alguma coisa e tentar fazer (…) O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação”.
Sua escolha
A entrevista de Lula a “Playboy”, título da revista com que agora acusa o estilo de vida pessoal de Aécio, foi publicada em julho de 1979. Oxalá esse “fogo” de Hitler tão admirado por quem depois seria eleito duas vezes presidente do Brasil, não termine por queimar a todos nós, antes ou depois de 26 de outubro. Até porque, numa democracia, as únicas “disposição”, “força” e “dedicação” que merecem qualquer admiração são as suas, leitor, livre para escolher na urna o seu destino e do seu país. Que eles sejam de mais paz do que quem escolheu Hitler.
Dilma e Dias Toffoli, na posse deste na presidência do TSE (foto: José Cruz – Agência Brtasil)
Jornalista Ricardo Noblat
A intervenção da Justiça Eleitoral beneficia Dilma
Por Ricardo Noblat
No primeiro turno da eleição, a campanha de Dilma a presidente teve todo o tempo do mundo para bater duro em Marina Silva, a candidata do PSB em substituição a Eduardo Campos, morto em um desastre aéreo.
Valeu qualquer coisa para impedir a vitória de Marina: ataques grosseiros, uso fraudulento de informações, mentiras deslavadas.
No segundo turno da eleição, a poucos dias de ser concluído, novamente a campanha de Dilma teve todo o tempo do mundo, dessa vez para bater duro em Aécio, candidato do PSDB a presidente.
A recíproca foi verdadeira? Em termos. Aécio bateu, digamos, com mais elegância. Ou com o receio de ser acusado de gostar de bater em mulher. Acabou sendo acusado, sim. Dilma, coitadinha, se fez de vítima.
Não mais que de repente, a Justiça Eleitoral decidiu intervir na troca de ofensas. Só o fez quando o desempenho de Dilma claramente melhorou. Aécio tenta se curar das feridas provocadas pelos ataques da adversária.
Dilma está a salvo de retaliações.
Quem ganhou com a intervenção da Justiça Eleitoral?
Remexendo na gaveta de recortes de jornais — valorosos e não raro mais úteis que o Google — encontro um texto escrito em 7 de setembro de 2010. Apenas coincidência a data da Independência. O título, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade.
Faltava pouco menos de um mês para o primeiro turno da eleição em que o então presidente Luiz Inácio da Silva fazia o “diabo” e conseguiria na etapa final realizada em 31 de outubro eleger uma incógnita como sua sucessora.
Deu todas as garantias de que a chefe de sua Casa Civil, Dilma Rousseff, seria uma administradora de escol para o Brasil. Não foi, conforme comprovam os indicadores de um governo que se sustenta no índice positivo do emprego formal, cuja durabilidade depende do rumo da economia.
Como ex-presidente, Lula agora pede que se renove a aposta. Sem uma justa causa, apenas baseado na ficção por ele criada de que a alternância de poder faz mal à democracia brasileira. A propósito de reflexão a respeito da nossa história recente, convido a prezada leitora e o caro leitor ao reexame daquele texto.
“Só porque é popular uma pessoa pode escarnecer de todos, ignorar a lei, zombar da Justiça, enaltecer notórios ditadores, tomar para si a realização alheia, mentir e nunca dar um passo que não seja em proveito próprio?
Um artista não poderia fazer, nem sequer ousaria fazer isso, pois a condenação da sociedade seria o começo do seu fim. Um político tampouco ousaria abrir tanto a guarda. A menos que tivesse respaldo, que só revelasse sua verdadeira face lentamente e ao mesmo tempo cooptasse os que poderiam repreendê-lo tornando-os dependentes de seus projetos dos quais aos poucos se alijariam os críticos por intimidação ou cansaço.
A base de tudo seria a condescendência dos setores pensantes e falantes; oponentes tíbios, erráticos, excessivamente confiantes diante do adversário atrevido, eivado por ambições pessoais e sem direito a contar com aquele consenso benevolente que é de uso exclusivo dos representantes dos fracos, oprimidos e assim nominados ignorantes.
O ambiente em que o presidente Luiz Inácio da Silva criou o personagem sem freios que faz o que bem entende e a quem tudo é permitido — abusar do poder, usar indevidamente a máquina pública, insultar, desmoralizar — sem que ninguém consiga lhe impor paradeiro, não foi criado da noite para o dia. Não é fruto de ato discricionário, não nasceu por geração espontânea nem se desenvolveu por obra da fragilidade da oposição.
Esse ambiente é fruto de uma criação coletiva. Produto da tolerância dos informados que puseram seus atributos e respectivos instrumentos à disposição do deslumbramento, da bajulação e da opção pela indulgência. Gente que tem vergonha de tudo, até de exigir que o presidente da República fale direito o idioma do país, mas não parece se importar de lidar com quem não tem pudor algum.
Da esperteza dos arautos do atraso e dos trapaceiros da política que viram nessa aliança uma janela de oportunidade. A salvação que os tiraria do aperto em que estavam já caminhando para o ostracismo. Foram ressuscitados e por isso estão gratos.
Da ambição dos que vendem suas convicções (quando as têm) em troca de verbas do Estado.
Da covardia dos que se calam com medo das patrulhas.
Do despeito dos ressentidos.
Do complexo de culpa dos mal resolvidos.
Da torpeza dos oportunistas.
Da superioridade dos cínicos.
Da falsa isenção dos preguiçosos.
Da preguiça dos irresponsáveis.
Lula não teria ido tão longe com a construção desse personagem que hoje assombra e indigna muitos dos que lhe faziam a corte não fosse a permissividade geral. Se não conseguir eleger a sucessora não deixará o próximo governo governar. Importante pontuar que só fará isso se o país deixar que faça; assim como deixou que se tornasse esse ser que extrapola.”
Tudo indica que a margem de erro das pesquisas vai perseguir os cidadãos até o dia da eleição, domingo que vem. Nada está definido, a tendência de alta de Dilma ainda tem de ser confirmada por novas pesquisas que serão feitas diariamente até sábado, o último dia possível de publicá-las (hoje, aliás, deve estar saindo uma nova do Datafolha), e os candidatos estão lutando por territórios, especialmente Rio e MG.
A Região Sudeste, a de maior eleitorado, é onde Dilma cresce, mesmo que Aécio continue na frente. Mas os 5 pontos que a candidata do PT cresceu foram suficientes para fazê-la ultrapassar seu concorrente no cômputo geral, na explicação do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
Aécio já superou Dilma em MG, mas não conseguiu ainda abrir frente suficientemente ampla para compensar perdas em outros locais. A previsão é que tire cerca de 1,8 milhão de votos de dianteira, bem menos que os 3 milhões a 4 milhões previstos inicialmente.
No Rio, Aécio andou empatado tecnicamente com Dilma, mas agora já foi superado por boa margem (48% a 37%). Aqui no Rio, vigora situação exemplar de como a base aliada do governo é tão ampla e heterogênea: ela apoia os dois candidatos que se digladiam pelo governo do estado, um atacando o outro impiedosamente. E os outros dois derrotados também a apoiam.
São máquinas poderosas trabalhando a favor da reeleição, e a dissidência do PMDB – o Aezão, mistura de Aécio com Pezão – não parece ser forte o suficiente para manter votação capaz de competir com a da presidente, embora desta vez a diferença a favor de Dilma seja bem menor do que da vez anterior, em que ela abriu mais de 1,5 milhão de votos de frente no estado.
Além do mais, há uma máquina oficial em favor de Pezão, que trabalha também a favor de Dilma — a quem o governador que tenta a reeleição se refere sempre como “presidenta”, o que demonstra uma proximidade que se choca com o movimento dissidente que ele também alimenta. Coisas do modelo de coalizão presidencial mais apropriadamente chamado de “modelo de cooptação”.
Vamos ver esta disputa voto a voto provavelmente até o final desta semana, com Aécio tentando ampliar sua votação em Minas, o que seria mais natural se não tivesse cometido um dos poucos erros de sua campanha ao abandonar seu estado no 1º turno, como se os votos a seu favor caíssem por gravidade no seu colo.
Quando se deu conta do prejuízo, Aécio dedicou-se a Minas como deveria ter feito desde o início e conseguiu reverter a situação no 2º turno, depois de o PSDB ter perdido a eleição para o governo do estado.
Outra preocupação, esta nova, é não perder votos em SP, onde a situação de crise do abastecimento de água pode estar afetando a imagem dos tucanos, a grande máquina do PSDB que reelegeu Alckmin no 1º turno e deu a Aécio cerca de 45% dos votos.
Neste 2º turno, o candidato do PSDB à Presidência já estava chegando a uma votação correspondente a 60% dos votos, mesma margem por que foi eleito José Serra senador. A piora da situação hídrica do estado, no entanto, pode estar afetando a votação de Aécio, assim como afetaria a de Alckmin caso tivesse havido 2º turno em SP.
A recente pesquisa do Datafolha mostra que hoje haveria segundo turno para governador, reflexo da piora da situação de escassez de água que está sendo muito explorada pela campanha de Dilma Rousseff.
Nesta reta final, as campanhas deverão ser mais propositivas, ficando, de parte do PT, o papel sujo a cargo do ex-presidente Lula, que está se excedendo no cumprimento da função. O debate da TV Globo sexta-feira ganhou relevo especial com a disputa apertada, e os indecisos, que participarão com perguntas aos candidatos, podem ser decisivos na definição do vencedor.
Irresponsável
“Daqui para frente, é a Míriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o (William) Bonner falando mal dela no ‘Jornal Nacional’, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles […]”.
Essa fala irresponsável é do ex-presidente Lula no seu papel de língua de trapo da campanha petista. O PT deu agora para nomear seus “inimigos”, incentivando assim ações radicais contra jornalistas que consideram adversários do “projeto popular”.
Recentemente, um dirigente do partido havia nomeado sete jornalistas numa espécie de “lista negra”. É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos, caso Dilma se reeleja.
Quase iniciei este texto dizendo o porquê de não votar em Aécio e, apesar de ser bem mais fácil, como todo lugar comum, não seria uma premissa democrática e propositiva. Portanto, tratarei de defender o meu voto sem diminuir o de terceiros. Antes de qualquer coisa, deixo claro que não sou eleitor de Dilma Rousseff, apenas a escolhi para este segundo turno. Por isso, o meu relato deve ter alguma imparcialidade, se é que isso existe. Bem, pelo menos gosto de pensar que não contará com “destreza cega e absoluta” de quem fala pela paixão ao invés da razão. O meu voto é racional. Tratam-se de duas diferentes formas de gestão, e escolhi a que mais se aproxima de minhas convicções no momento.
Para não haver engano e nem licença poética, me dispus de números e dados para explicitar esta minha escolha pelo atual governo. Aliás, governo este que enumera bem suas prioridades, reconhecendo que Educação de qualidade não é gasto, mas investimento com retorno social, cultural e econômico garantido. Com 18 universidades federais, mais de 400 escolas técnicas, Prouni disponibilizando mais de um milhão de bolsas e Ciências Sem Fronteiras com 100 mil disponibilizadas. A atual gestão também não perde tempo ao olhar para os mais necessitados, os números são impressionantes. A redução da desigualdade, que no governo anterior estava em 2,2%, já alcançou 11,4%. E o desemprego, que saiu de 12,2% para 5,4%? Também muito significativo. Mas, na minha opinião, um dado que realmente impressiona é de brasileiros que deixaram a “extrema pobreza”, até agora são mais de 22 milhões de pessoas. E muitos outros números que mostram que o Brasil só cresceu. Os líderes mundiais respeitam o nosso país como potência. Sobrevivemos quase que intactos a essa crise mundial que afetou todas as grandes economias de todo o mundo. Fazemos parte do Brics. São muitos pontos positivos a serem considerados.
Enfim, penso que votar na Dilma, hoje, mesmo com todos os problemas, sem me achar dono da verdade ou senhor da razão, trata-se de um ato de altruísmo. É se colocar no lugar de milhões de pessoas que deixaram as mazelas da ditadura militar e governos reacionários que antecederam o modelo de gestão atual, alcançando um mínimo de dignidade e qualidade de vida.
(Gustavo Matheus, jornalista, blogueiro e presidente municipal do PV)
No primeiro turno das eleições presidenciais, defendemos a candidatura e caminhamos com o Eduardo Jorge. Certos estávamos antecipadamente de que ele desenvolveria a importante tarefa de representar e apresentar — principalmente aos jovens — os principais pontos programáticos do Partido Verde. Temas jamais levados aos debates entre candidatos à presidência da República foram abordados e debatidos democraticamente, desnudando uma realidade de hipocrisia e resistência às minorias que ainda assola este país.
Para o segundo turno, a executiva nacional Verde se reúne e opta por Aécio — amparada nas congruências entre os programas de governo apresentados pelo PV e pelo candidato oposicionista do segundo turno, com grande destaque para a reforma política, exterminando o financiamento privado de campanhas, a redução da jornada de trabalho e, principalmente, as questões ligadas à sustentabilidade e ao meio ambiente.
Mas o clamor das massas não pode ser esquecido. O Brasil foi às ruas e clamou por mais transparência, educação, saúde, transporte, segurança… Disseram um não contra aquilo representado pelo governo atual, envolvido em embaraçosos problemas de ordem ética e moral. Ouvindo as ruas e em função da minha responsabilidade com um amanhã mais verde e amarelo, de verdade, votarei no candidato da oposição neste segundo turno.
(Joca Muylaert, jornalista, blogueiro e coordenador regional do PV)
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (22) aponta os seguintes percentuais de votos válidos no segundo turno da corrida para a Presidência da República:
Para calcular esses votos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.
A pesquisa foi encomendada pelo jornal “Folha de S.Paulo”.
De acordo com o Datafolha, na reta final da eleição, os candidatos continuam empatados, no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o Datafolha, 82% dos eleitores de Dilma acham que a presidente será reeleita. Entre os eleitores de Aécio, 78% acham que o tucano será o vencedor neste segundo turno.
Segmentos sociais
Nos segmentos sociais, a pesquisa confirma avanços da petista entre as mulheres, que tem a preferência de 47%; e no grupo das pessoas que recebem entre dois e cinco salários mínimos, com 45% de preferência.
No Sudeste, Dilma tem a preferência de 40% dos eleitores entrevistados.
O instituto ainda perguntou se o eleitor tem grande interesse pela eleição e 50% responderam sim, contra 39% do registrado no fim de agosto.
Economia
O Datafolha detectou que os eleitores não estão mais tão pessimistas com a economia do país e que esse sentimento ajuda a explicar a reação de Dilma na corrida presidencial neste segundo turno.
De acordo com a pesquisa, 31% acham que a inflação vai aumentar – esse índice é inferior aos registrados em setembro, de 50%, e em abril, de 64% -; 35% disseram que a inflação ficará como está; e para 21% dos entrevistados, a inflação vai diminuir.
Com relação ao desemprego, 33% acham que vai ficar estável; 31%, reduzir; e 26%, aumentar. E ainda: 44% responderam que a economia do país vai melhorar; 33%, que vai ficar como está; e 15%, piorar.
Agressividade
O Datafolha também perguntou ao eleitor sobre a agressividade na campanha eleitoral: 71% criticaram a agressidade. Para 36% dos eleitores, Aécio é o mais agressivo neste segundo turno. 24% acham que Dilma é a mais agressiva.
O Datafolha ouviu 4.355 eleitores no dia 21 de outubro em 256 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01160/2014.