George Coutinho — Eleição de Campos e o “efeito Witzel”

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos

Eleições 2024 e o “efeito Witzel”

Por George Gomes Coutinho

 

Ando acompanhando com muita atenção as entrevistas de candidatos/pré-candidatos a prefeito(a) de Campos para estas eleições. Eis uma das melhores maneiras de conhecer justamente o que a classe política local anda pensando, sobre eles mesmos e sobre a cidade.

Neste trabalho de audição atenta e respeitosa, um ponto tem se repetido, especialmente entre os nomes mais à direita: a esperança no que estou chamando de “efeito Witzel”. Me explico.

Nas eleições de 2018 tivemos o crescimento espantoso das intenções de voto de Wilson Witzel, ex-governador impichado do RJ e também meu colega no PPGCP/UFF em Niterói. Antes de prosseguir advirto ao leitor que não tenho nenhuma responsabilidade nos dois pontos biográficos que citei. Fiz até mesmo declaração pública de voto em Eduardo Paes para o Governo do Estado naquela ocasião.

De todo modo Witzel, até então um ilustre desconhecido e muitas vezes apelidado de Pretzel entre seus detratores, disparou na reta final nas intenções de voto e ganhou o pleito para governador do RJ no segundo turno. Com consistentes quase 60% dos votos válidos.

Esta disparada na intenção de votos não foi detectada no decorrer de 2018 e causou até perplexidade. Eis o “efeito Witzel”.

Em Campos, até o presente momento, as pesquisas de intenção de voto e de humor do eleitor com a atual administração indicam que Wladimir Garotinho pode, sim, liquidar a fatura já no primeiro turno. A questão é que nas entrevistas os opositores de Wladimir apostam na possibilidade de ocorrer o “efeito Witzel”. Ou, em outros termos, há a esperança declarada de que um ou mais nomes na concorrência eleitoral possam surpreender a todos nós e produzir uma reversão de expectativas na concorrência para a Prefeitura.

O maior problema deste raciocínio é desconsiderar o contexto das eleições de 2018 e até mesmo o pleito de 2016.

A conjuntura foi uma tempestade perfeita. Lavajatismo, antipolítica, prisão de Lula (que liderava as intenções de voto para presidente em 2018), diversos nomes se apresentando com um discurso antissistema e se vendendo como vacina “contra tudo o que está aí”. Foi isso que levou diferentes agentes com discurso, verídico ou não, de outsiders ao poder. Vide Dória em Sampa com seu papo “não sou político, sou empresário”, Kalil em BH e até mesmo Rafael Diniz em 2016, o primeiro eleito para a Prefeitura campista que não era egresso do grupo Garotinho.

Bolsonaro, Witzel, igualmente, ambos em 2018, surfaram uma onda muito específica que os alçou ao poder.

Dois mil e dezesseis e 2018 não foram anos de “eleições normais”. A conjuntura produziu diversos resultados surpreendentes.

Bem, e agora? A conjuntura não é a mesma. Diferentes análises indicam que as eleições de 2022 se movimentaram para alguma normalidade, tendo menos espaço para outsiders nos executivos locais, estaduais e nacional. Ou seja, longe de quebras bruscas e reversões radicais de expectativas, estamos voltando para um comportamento “normal” do eleitor onde este avalia simplesmente seu bem-estar, se o trabalho de policy making (elaboração de políticas) lhe é satisfatório ou não.

Penso que a tendência do processo de alguma desradicalização em curso, iniciado em 2022 e presente nos discursos de diferentes candidatos aos executivos estaduais, pode seguir neste 2024.

Dois mil e vinte e quatro tá com um “jeitão” de eleição normal. O humor (mood) do eleitor, que produziu o “efeito Witzel”, parece não estar presente.

Então, tudo mais constante, parece que a vantagem do incumbente campista segue até termos fatos novos que produzam a reversão de expectativas.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Sem pesquisa e sem saber: para onde vão os votos de Carla?

 

Ex-prefeitável Carla Machado e os seis nomes que constavam na pesquisa Real Time Big Data a prefeito de Campos: Wladimir Garotinho, Delegada Madeleine, Thiago Rangel, Jefferson Azevedo, Alexandre Buchaul e Clodomir Crespo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Sem nova pesquisa a prefeito de Campos

Esperada na quinta (25), como registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob inscrição RJ-07597/2024, a pesquisa Real Time Big Data a prefeito de Campos (confira aqui) não foi divulgada. O jornal carioca O Dia encomendou um levantamento presencial, mas ele teria sido feito por telefone. No registro da pesquisa no TSE, consta sobre sua metodologia: “consiste na realização de entrevistas pessoais”. Uma fonte da direção do jornal disse: “Pedimos pesquisa presencial em campo e eles a fizeram por telefone, o que gerou grande descontentamento. Pesquisas telefônicas sempre geram distorções, críticas e possíveis ações judiciais”.

 

Expectativa criada e frustrada

Quem primeiro anunciou, na segunda (22), a expectativa da pesquisa Big Data sobre Campos para quinta foi (confira aqui) o jornalista Arnaldo Neto. Na última quarta (24), véspera da divulgação prevista no TSE, esta coluna disse (confira aqui) sobre a pesquisa Big Data de julho registrada a prefeito de Campos: “Amanhã (anteontem) está registrada no TSE a divulgação de pesquisa Real Time Big Data à eleição a prefeito de Campos, contratada pelo jornal carioca O Dia. Será a primeira registrada na cidade desde que a Prefab Future, de 26 de maio, deu (confira aqui) liderança folgada a Wladimir Garotinho (PP), com 53,7% de intenção de voto na consulta estimulada”.

 

Indagações ficaram sem resposta

Como base na última pesquisa registrada de Campos e à espera da registrada para ser divulgada na quinta, a coluna antecipou as principais indagações entre as duas: “Além de saber se o prefeito Wladimir mantém a possibilidade de fechar a fatura no 1º turno, a pesquisa de amanhã (anteontem) responderá a outra importante pergunta: para onde foram os 18,7% de intenção de voto da deputada estadual e ex-prefeitável Carla Machado (PT), registrados na Prefab de 26 de maio”. A partir daquela pesquisa, foi especulado se Wladimir não teria alcançado seu teto de intenções de voto. Se herdar votos de Carla, esse teto pode ser elevado.

 

Pulverização dos votos de Carla?

Pesquisas internas e sem registro no TSE, feitas após a desistência de Carla tanto do grupo dos Garotinho, quanto dos Bacellar, apontam para a dispersão dessas intenções de voto de Carla. Mas só pesquisas registradas poderão dar certeza. Candidato a prefeito do PT, partido da deputada, o professor Jefferson Azevedo, ex-reitor do IFF, conta com esses votos (confira aqui) para crescer além dos 0,6% de intenção de voto que teve na Prefab de 26 de abril. Mas Carla ainda não manifestou apoio à candidatura do correligionário. Nem há garantia que, mesmo se vier a abraçar a campanha de Jefferson, uma transferência de 2 dígitos ocorreria.

 

Para Jefferson?

Geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE, William Passos analisou essa questão da migração dos votos de Carla para a coluna (confira aqui) em 13 de julho: “é preciso aguardar as próximas pesquisas registradas. Mas sabe-se, com base nas pesquisas e eleições passadas, que os perfis do eleitor de Carla e dos candidatos com origem no polo universitário de Campos, como é o caso do professor Jefferson, são diferentes. A ex-prefeita de SJB e deputada estadual tem um eleitor mais popular, com maior participação de pessoas com até 2 salários mínimos. É um eleitor mais próximo do observado na base do ‘garotismo’ e do ‘barcelismo‘”.

 

Para Madeleine e Thiago?

Abaixo de Wladimir e Carla, e acima de Jefferson na pesquisa Prefab de 26 de abril, a delegada de Polícia Civil Madeleine Dykeman (União) teve 6,8% de intenção de voto, enquanto o deputado estadual Thiago Rangel (PMB) teve 2,5%. Os dois também querem os votos em Campos da ex-prefeita de São João da Barra. Que, por já ter sido reeleita ao cargo em 2020, foi impedida pelo TSE de concorrer pela 3ª vez consecutiva a prefeita no município vizinho. Como Carla, Thiago tem sua base eleitoral no eleitor de mais baixa renda. Enquanto Madeleine, mesmo de direita e oposta ao PT, comunga com a deputada a imagem de “mulher forte”.

 

Buchaul e Clodomir

Também citado na Prefab de 26 de abril, o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) ficou empatado a prefeito com Jefferson, com os mesmos 0,6% de intenção de voto. Não citado há três meses, o empresário e produtor rural Clodomir Crespo (DC) teve seu nome incluído na pesquisa Real Time Big Data que seria divulgada na quinta. Assim como Wladimir, Madeleine, Thiago, Jefferson e Buchaul. O ex-vereador Jorge Magal (SD) apareceu na Prefab, com 0,5% de intenção de voto a prefeito. Mas, com complicações pela condenação na operação Chequinho, quanto integrava o grupo dos Garotinho, ele agora vai apoiar Madeleine.

 

Francimara com Yara em SFI

Se dúvida havia sobre a vereadora Yara Cinthia (SD) como pré-candidata governista à sucessão da prefeita de São Francisco de Itabapoana, Francimara Barbosa Lemos (SD), ela parece (confira aqui) ter deixado de existir. Ontem, Francimara e Yara tiraram uma foto juntas, com os dizeres “A luta continua!”, que rapidamente viralizou nas redes sociais. A convenção do SD, mais PDT e Republicanos, que tinha sido marcada para a quinta e adiada, gerando incerteza, foi remarcada para 3 de agosto. Quando serão homologadas 42 candidaturas a vereador, Yara a prefeita e o também vereador Renato Roxinho (Republicanos) como vice na chapa governista.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

PAC: R$ 5,6 milhões para novos corredores viários a Campos

 

Placas e obras do PAC Mobilidade esperadas em breve para Campos (Foto: Divulgação)

 

Campos vai receber R$ 5,6 milhões do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) Mobilidade, do governo Lula3, para projetos de corredores BRS (serviço rápido de ônibus). Que se integrarão ao financiamento da nova frota do transporte público goitacá. O anúncio foi feito hoje. Além de Campos, só a cidade do Rio de Janeiro e Niterói foram contempladas.

— Na verdade, o município enviou ao Governo Federal os projetos, tanto de corredores BRS quanto da execução das suas obras. Só que, no lugar de aprovarem todo o dinheiro para a construção, primeiro liberaram a verba para um projeto mais detalhado. Isso tem a ver com a nova frota para transporte de passageiros, que virá no prolongamento das avenidas Nossa Senhora do Carmo e Winston Churchill, em Guarus, vários outros corredores de transporte para a cidade. Enviamos o projeto do engenheiro Sérgio Mansur, em parceria com o IMTT, com o valor de execução. E eles mandaram o valor do projeto para a gente detalhar melhor. É o primeiro passo — explicou hoje à noite o prefeito Wladimir Garotinho (PP).

 

Francimara com Yara de pré-candidata a prefeita de SFI

 

Francimara Barbosa Lemos e Yara Cinthia, prefeita e pré-candidata governista a prefeita em SFI (Foto: Instagram)

Se dúvida havia sobre a vereadora Yara Cinthia (SD) como pré-candidata governista à sucessão da prefeita de São Francisco de Itabapoana, Francimara Barbosa Lemos (SD), ela parece ter deixado de existir. Hoje, Francimara e Yara tiraram uma foto juntas, com os dizeres “A luta continua!”, que rapidamente viralizou nas redes sociais.

A convenção do SD, mais PDT e Republicanos, que tinha sido marcado para ontem (25) e adiada, gerando especulações sobre reviravolta, já foi remarcada para 3 de agosto. Está programada para começar às 14h, no Salão de Ana Festas, no Centro de SFI. Onde serão homologadas 42 candidaturas a vereador, Yara Cinthia a prefeita e o também vereador Renato Roxinho (Republicanos) como vice na chapa governista.

 

Nova pesquisa a prefeito de Campos não será divulgada

 

Ex-prefeitável Carla Machado e os seis nomes que constavam na pesquisa Real Time Big Data a prefeito de Campos: Wladimir Garotinho, Delegada Madeleine, Thiago Rangel, Jefferson Azevedo, Alexandre Buchaul e Clodomir Crespo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Esperada ontem (25), como registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a inscrição RJ-07597/2024, a pesquisa Real Time Big Data sobre a eleição a prefeito de Campos não será mais divulgada. A direção do jornal carioca O Dia, que encomendou a pesquisa, teria pedido um levantamento presencial, mas ele teria sido feito por telefone. No entanto, no registro da pesquisa no TSE, consta sobre sua metodologia:

— Pesquisa quantitativa, que consiste na realização de entrevistas pessoais, com a aplicação de questionário estruturado junto a uma amostra representativa do eleitorado em estudo (…) O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada considerando um modelo de amostragem aleatório simples, é de aproximadamente 3 (três) pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.

Quem primeiro anunciou, na segunda (22), a expectativa da pesquisa Big Data sobre Campos para ontem, foi (confira aqui) o blog do jornalista Arnaldo Neto. Na quarta (24), véspera da divulgação prevista no TSE, a coluna Ponto Final e este blog anunciaram (confira aqui) as principais respostas que eram esperadas com a pesquisa registrada em julho a prefeito de Campos:

— Amanhã (ontem) está registrada no TSE a divulgação de pesquisa Real Time Big Data à eleição a prefeito de Campos, contratada pelo jornal carioca O Dia. Será a primeira registrada na cidade desde que a Prefab Future, de 26 de maio, deu (confira aqui) liderança folgada a Wladimir Garotinho (PP), com 53,7% de intenção de voto na consulta estimulada — lembrou a nota. Que indagou:

— Além de saber se o prefeito mantém a possibilidade de fechar a fatura no 1º turno, a pesquisa de amanhã (ontem) responderá a outra importante pergunta: para onde foram os 18,7% de intenção de voto da deputada estadual e ex-prefeitável Carla Machado (PT), registrados na Pesquisa Prefab de 26 de maio?

Embora pesquisas não registradas, feitas internamente nos grupos dos Garotinhos e dos Bacellar, indiquem a pulverização dessas intenções de Carla, só um levantamento registrado no TSE poderá responder. Até lá, continuarão as especulações, com cada prefeitável querendo puxar à sua própria brasa a sardinha dos votos em Campos da ex-prefeita de São João da Barra.

 

Com deputado e teólogo, política e religião no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado federal pelo PT/RJ, doutorando em História pela UFRJ, professor e teólogo franciscano, Reimont é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará do papel das religiões na política do Estado laico, analisando a teologia do domínio professada abertamente por algumas correntes neopentecostais, dos EUA ao Brasil.

Reimont também analisará o primeiro ano e meio do governo Lula 3, a questão fiscal do país e as rusgas recentes com a Venezuela de Nicolás Maduro. Por fim, falará da desistência da pré-candidatura a prefeita (confira aqui, aqui e aqui) da deputada estadual Carla Machado e da candidatura do professor Jefferson Azevedo (confira aqui), tentando projetar o papel do PT nas eleições municipais de Campos em 6 de outubro, daqui a exatos 73 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Felipe Fernandes — Religião e poder em “A primeira profecia”

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

Religião e poder

Por Felipe Fernandes

 

O terror é um gênero popular, que conta com alguns clássicos absolutos do cinema. São obras que abordam a natureza humana e seus medos de forma profunda e reveladora. O gênero também sempre sofreu com os excessos. Seja na quantidade de produções de qualidade duvidosa ou, principalmente, com intermináveis continuações, que se tornaram uma marca do gênero.

Atualmente, Hollywood tem buscado revisitar seus clássicos, seja através de continuações diretas, que simplesmente desconsideram continuações antigas (esquecíveis), remakes ou através de prelúdios. Que prometem explicar o que muitas vezes nem precisa ser explicado.

A nova aposta está na franquia “A profecia”, que surgiu com o clássico filme de 1976, dirigido por Richard Donner, antes de ganhar continuações e um remake completamente esquecíveis. Com “A primeira profecia”, acompanhamos a história por trás do nascimento de Damian, personagem central da franquia.

A trama se passa na década de 70 e acompanha uma jovem freira que encontrou na fé a solução para as diversas visões que sempre teve ao longo da vida. Sendo convocada para servir em um convento em Roma, ela começa a trabalhar com as crianças e se mostra interessada pela jovem e misteriosa Carlita. Ao tentar conhecer a história da menina, ela acaba se envolvendo em uma conspiração dentro da igreja, que busca trazer o anticristo ao mundo.

Acompanhamos a jovem em sua chegada a Roma, onde logo de cara somos introduzidos a uma série de protestos políticos que estão dividindo a cidade. Protestos esses, que tem a igreja e suas tradições como um de seus alvos. Esse é um tema que ganha uma certa relevância dentro da história. Nesse sentido, a trama se passar em Roma é um diferencial e ser um filme de época traz um certo ar de profanidade que contribui para o clima da produção.

Acho muito interessante a forma como a diretora Arkasha Stevenson (em sua estreia em longas) consegue transformar as freiras em personagens ameaçadoras e muito desse efeito vem do próprio figurino. Os hábitos negros, esvoaçantes, provocam uma sensação de mistério que incomoda. Esse incômodo, é ressaltado em outros momentos, sendo o sentimento mais forte provocado pelo longa.

Trabalhando temas como violência sexual, obstétrica e a violação e apropriação do corpo feminino, o filme encontra um equilíbrio interessante entre imagens explícitas e bem violentas, com cenas que provocam o expectador a trabalhar sua imaginação, mostrando apenas detalhes. É uma estratégia que, quando bem construída, sempre rende bons momentos.

Destaque para a atriz Nell Tiger Free, que convence como freira inocente e em sua transformação ao longo da história. Tem uma cena no início do terceiro ato que é uma clara referência/homenagem à inesquecível cena de Isabelle Adjani em Possessão. São temáticas que dialogam, ainda que a cena aqui seja muito mais estilizada e curta.

O roteiro trabalha com algumas conveniências, toda a sequência da balada em Roma é extremamente forçada e até desconexa com o restante da narrativa. O roteiro trabalha com as já esperadas reviravoltas e traz uma motivação para a ação do culto que reforça o patriarcado dentro da igreja, mas acaba perdendo a força pelo excesso de explicação. O desfecho ainda busca deixar uma ponta para continuações, ao mesmo tempo que precisa se conectar com o longa de 1976, culminando em uma última cena que retira o impacto do clímax da história.

“A primeira profecia” é um filme que funciona e deve agradar os fãs do gênero. O melhor longa da franquia (depois do original), consegue prender o espectador mais pela força das imagens, do que por sua narrativa previsível. Consegue respeitar o material original, sem se mostrar refém dele. Só por fugir da mesmice, já merece um destaque nessa onda de prelúdios e remakes desnecessários.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

Perguntas à nova pesquisa a prefeito de Campos amanhã

 

Wladimir Garotinho e Carla Machado (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pesquisa de Campos amanhã

Amanhã (25) está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a divulgação de uma pesquisa Real Time Big Data à eleição a prefeito de Campos, contratada pelo jornal carioca O Dia. Será a primeira registrada na cidade desde que a Prefab Future, de 26 de maio, deu (confira aqui) liderança folgada a Wladimir Garotinho (PP), com 55,7% de intenção de voto na consulta estimulada. Além de saber se o prefeito mantém a possibilidade de levar no 1º turno, a pesquisa de amanhã responderá a outra importante pergunta: para onde foram os 18,7% de intenção de voto da deputada estadual e ex-prefeitável Carla Machado (PT)?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Os EUA e o mundo entre Kamala Harris e Donald Trump

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Trump ou Kamala?

“Calça de veludo ou nádegas de fora”. O dito popular se aplica ao que está em jogo na eleição a presidente dos EUA de 5 de novembro, daqui a exatos 104 dias. Se o ex-presidente republicano Donald Trump voltar à Casa Branca, pode dar um impulso à extrema-direita mundial maior do que quando se elegeu em 2016. Por outro lado, se ele for derrotado por uma mulher negra e filha de imigrantes, como é a atual vice-presidente democrata, Kamala Harris, será um duro golpe à extrema-direita nos EUA e no mundo. Quem vencer, fará de fichinha a virada da esquerda no 2º turno das eleições legislativas da França, em 7 de julho.

 

Domínio da narrativa

Desde domingo (21), quando o presidente Joe Biden anunciou a renúncia à candidatura à reeleição, e indicou Kamala como sua sucessora, os democratas passaram, como gostam de dizer os bolsonaristas/trumpistas, a dominar a narrativa. Biden saiu a contragosto, mas desde o seu desastroso desempenho no debate contra Trump, em 21 de junho, suas dificuldades cognitivas, aos 81 anos, se tornaram inegáveis. Oposto a essa imagem de fraqueza, Trump sobreviveria a um atentado a tiros, em 13 de julho, quando discursava na Pensilvânia. Do qual saiu com a orelha sangrando, o punho canhoto em riste e repetindo “fight” (“luta”).

 

Delírio da esquerda, ameaça da direita

Sugerir que os tiros contra Trump ou a facada em Bolsonaro em 2018 foram fake, como fez parte da esquerda, só prova que esta pode ser tão “gado” em seus delírios quanto gosta de classificar os eleitores dos dois ex-presidentes. Isso posto, não se deve perder de vista o que Trump não esconde: se eleito mais uma vez à Casa Branca, tentará controlar politicamente os militares do seu país, que se recusaram a embarcar em qualquer aventura inconstitucional em 2020. Como o Judiciário dos EUA que o condenou criminalmente após deixar a presidência. Se passasse da ameaça à ação, poderia ferir de morte a própria democracia representativa liberal.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em empate técnico, Kamala passa Trump

Das intenções assumidas aos fatos, o atentado não serviu para Trump decolar nas pesquisas. A primeira após o tiroteio na Pensilvânia, feita pela Reuters/Ipsos entre 14 e 16 de julho, deu (confira aqui) o ex-presidente na frente, com 43% das intenções de voto, mas empatado tecnicamente com os 41% de Biden, dentro da margem de erro de 3 pontos. Na nova pesquisa Reuters/Ipsos já sem Biden e com sua vice como provável candidata, divulgada ontem (23), a situação se inverteu. Em outro empate técnico na mesma margem de erro, Kamala apareceu (confira aqui) numericamente à frente, com 44% das intenções de voto e 42% de Trump.

 

Como funciona nos EUA?

Mesmo através das pesquisas, a projeção do pleito é muito mais difícil no sistema do colégio eleitoral dos EUA. À exceção dos estados do Maine e Nebraska, o candidato que vence no voto popular nos demais 48 estados leva todos os delegados de cada. Um exemplo? Mais populoso e mais rico estado do EUA, a Califórnia tem 22.114.456 eleitores aptos a votar. Quem lá vencer a presidente, mesmo que seja só por um voto popular, leva todos os 55 delegados do estado. E quem somar 270 ou mais dos 538 delegados do país, é eleito presidente. Por isso Trump venceu em 2016, mesmo com 2,8 milhões de votos populares a menos que Hillary Clinton.

 

Promotora x criminoso

Antes da pesquisa de ontem, em sua primeira fala como provável candidata, Kamala deu na segunda o tom que adotará contra o sempre contundente Trump: na mesma moeda! “Eu era a procuradora-geral da Califórnia e antes fui promotora, então, tive que lidar com todo tipo de criminoso nessa época. Predadores que abusavam de mulheres, fraudadores que roubavam consumidores, aqueles que quebravam as regras para ganhar no jogo. Então, prestem atenção quando digo que conheço o tipo de pessoa que é Donald Trump”, advertiu a democrata. E antecipou o papel que pretende desempenhar com o republicano: promotora x criminoso.

 

A disputa real

Kamala deve ter os votos de estados progressistas como Califórnia e Nova York (29 delegados). Como Trump, os votos de estados conservadores como Texas (38) e Flórida (29). O desafio será pregar além dos já convertidos. Sobretudo nos chamados “swing states” — “estados pendulares” da Pensilvânia (20), Carolina do Norte (15), Michigan (16), Wisconsin (10), Arizona (11), New Hampshire (4), Virginia (13), Minnesota (10), Colorado (9), Nevada (6), Ohio (18), Geórgia (16) e Iowa (6 delegados). Por isso, Trump tem como vice em sua chapa o senador de Ohio J. D. Vance. E, ainda sem vice, Kamala fez ontem seu primeiro comício em Wisconsin.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Bruno diz que PSD manterá apoio em Campos ao União

 

Após ser informado pelo blog que Maicon e Fred amanheceram inativos na executiva do PSD em Campos, Bruno Vianna foi ao Rio para garantir com Eduardo Paes o apoio do partido à pré-candidatura do União a prefeito de Campos (Foto: Instagram)

“Em conversa hoje com o prefeito Eduardo Paes, reafirmamos nosso compromisso em estar juntos na candidatura majoritária a ser definida em convenção com o partido União Brasil”. Foi o que postou aqui, na noite de hoje, o ex-vereador Bruno Vianna, após se encontrar no Rio com Paes.

Bruno não explicou porque o também ex-vereador Maicon Cruz e o vereador Fred Machado, que assumiram a executiva provisória do PSD em Campos com ele na presidência em 2 de abril (relembre aqui) apareceram hoje (confira aqui) como inativos na Justiça Eleitoral. Maicon, inativo como vice-presidente; Fred, como 2º tesoureiro. Informado de manhã pelo blog da mudança no próprio partido, que ignorava, Bruno creditou o fato à noite a “especulações”.

Como o blog informou, inclusive ao presidente do PSD em Campos, as mudanças teriam sido determinadas pelo próprio Paes. Pelo fato do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ter lançado o também deputado estadual Rodrigo Amorim pré-candidato a prefeito no Rio. E porque Amorim foi diante da residência do prefeito, na semana passada, para tentar gerar e gravar cenas de constrangimento.

Após a ação de Bruno como mensageiro dos Bacellar, Paes pode ter retirado o bode da sala. Que, em Campos, poderia gerar bastante trabalho, já que o ceramista Oziel Crespo, pré-candidato a vice-prefeito na chapa da delegada Madeleine Dykeman (União), é filiado ao PSD. Em troca, os Bacellar, mesmo se lançarem Amorim a prefeito do Rio, devem mantê-lo na rédea curta.

 

PSD de Paes se afasta dos Bacellar e inativa Fred e Maicon

 

Maicon Cruz, Fred Machado, Bruno Vianna, Eduardo Paes, Rodrigo Amorim e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se rompeu com Caio Vianna (hoje, MDB) após este ter fechado aliança (confira aqui) com o prefeito Wladimir Garotinho (PP), o PSD do prefeito carioca Eduardo Paes parece ter se afastado da oposição em Campos liderada pelos Bacellar. Desde hoje (22), o ex-vereador de oposição Maicon Cruz e o vereador Fred Machado constam como inativos, respectivamente, dos cargos de vice-presidente e 2º tesoureiro da executiva provisória do PSD goitacá.

Na executiva do PSD em Campos (relembre aqui), só o ex-edil de oposição Bruno Vianna permaneceu ativo como presidente. Ainda sem saber das mudanças, ele está a caminho do Rio, onde já tinha encontro marcado com Paes. O fato é que o destino do PSD às eleições de 6 de outubro em Campos está incerto.

As mudanças no tabuleiro goitacá seriam determinação de Paes. Candidato à reeleição como prefeito do Rio, ele teria ficado insatisfeito com o fato do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ter lançado o também deputado estadual Rodrigo Amorim pré-candidato a prefeito da capital fluminense.

Conhecido, do Rio a Campos, pelo modo muito baixo de fazer política, com base na tentativa de constrangimento pessoal dos adversários, Amorim teria ido à frente da residência de Paes na semana passada. Para tentar produzir aqueles típicos vídeos bolsonaristas. O que teria sido a gota d’água para Paes no namoro político (confira aqui) com os Bacellar.

 

Prefeitável e deputado, Thiago Rangel no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, Thiago Rangel (PMB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h desta sexta (19), na Folha FM 98,3. Ele falará da sua pré-candidatura do PSDB (confira aqui) ao PMB, e sobre ter o vereador de oposição Rafael Thuin (PRD) como vice (confira aqui) em sua chapa.

Thiago também falará da montagem de nominata do PMB, e da pré-candidatura à vereadora da sua filha, a jovem estreante Thamires Rangel. Por fim, ele tentará projetar, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, e aqui), a eleição municipal de 6 de outubro, daqui a exatos 80 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.