Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
O legado de César
Por Felipe Fernandes
Baseado no livro de Pierre Boulle, Planeta dos macacos chegou aos cinemas em 1968 e se tornou um clássico instantâneo. Com o enorme sucesso a aventura se tornou uma franquia, gerando outros quatro filmes que saíram quase que anualmente. Em 2001 foi lançado um remake, comandado por Tim Burton, na tentativa de reviver a franquia, mas o fracasso do filme encerrou a ideia.
Como Hollywood não se cansa de reciclar ideias antigas, em 2011 foi lançado um prequel, que trazia a história para nossos dias e buscava explicar a origem de tudo. O filme foi um sucesso, gerou uma trilogia que narra o arco de César, o primeiro macaco inteligente, que liderou os outros símios. Eis que chega aos cinemas “Planeta dos macacos: O reinado”, longa que abre uma nova porta na franquia e promete usar elementos da última trilogia para narrar uma aventura que se passa vários anos depois do último longa.
Em “O planeta dos macacos: A Guerra”, César deixa de ser retratado “apenas” como o líder dos macacos e ganha contornos messiânicos, tendo uma clara alusão a Moisés e o êxodo do povo israelita. Neste longa, a narrativa abre com o funeral de César, uma cena que busca conectar o novo filme com a trilogia anterior, mas principalmente, fazer alusão ao símbolo e ao ensinamento principal de César.
Abraçando o símbolo que remete à ideia de liberdade, o longa trabalha essa questão das diferentes interpretações de um mesmo ensinamento, culminando no conflito entre vertentes diferentes que surgiram em decorrência dos ensinamentos do líder símio. Esse é o tema mais interessante do longa, a forma como tanto o clã da Águia, quanto os outros clãs aparecem utilizando o símbolo de diferentes formas.
Esse resgate do passado está presente em todo o filme, seja no visual da natureza tomando o que restou de construções e das cidades. Seja na nova dinâmica em que os humanos são apresentados ou até mesmo no plano de antagonista. Que quer acessar um local secreto humano, que pode lhe render poder para dominar outros clãs.
É interessante a forma como aprendemos sobre os ritos e leis do clã das águias, sempre pelos olhos do protagonista Noah. A preocupação em manter uma espécie de equilíbrio ecológico, mesmo com a tradição de roubar um ovo de águia no ninho, construindo um laço desde o nascimento da ave, são detalhes que enriquecem aquele universo.
O filme resgata um tom de aventura muito presente nos filmes antigos, algo que se perdeu na proposta da trilogia anterior. A trama é bem simples, a complexidade da narrativa se encontra nos subtextos, uma decisão que não afeta o ritmo e respeita elementos dos filmes anteriores.
A relação entre humanos e macacos ganha novos contornos aqui, com o roteiro realizando mudanças na dinâmica que remetem aos longas anteriores e prometem ser o fio condutor dessa nova trilogia. Se nos últimos longas nós acompanhamos o declínio da raça humana e a ascensão símia, o longa aponta para uma inversão que pode render boas histórias.
“Planeta dos macacos: O reinado” é um recomeço para a franquia, que se utiliza de muitos elementos da trilogia anterior para desenvolver sua narrativa. Mas esse resgate é feito de forma inteligente, sem tornar o filme refém dos longas anteriores. Apresentando um bom protagonista, os realizadores parecem ter encontrado um caminho para dar continuidade a uma história rica em simbolismos e personagens.
O legado de César se encerra aqui. É hora da jornada de Noah.
Deputada estadual, pré-candidata a prefeita de Campos e ex-prefeita reeleita de São João da Barra, Carla Machado (PT) é a convidada para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará da sua experiência como deputada e da sua trajetória política recente de oposição a aliada do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).
Carla também falará da incerteza jurídica em torno da sua pré-candidatura a prefeita de Campos em 2024 (confira aqui e aqui), após ter sido reeleita prefeita de SJB em 2020. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), ela tentará projetar as eleições municipais de Campos e SJB.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
“O que não pode acontecer é deixarmos de saber que a pessoa do nosso lado sangra, come, alimenta-se, ama, sofre, enfim, sente as mesmas coisas que nós e que não é uma diferença no modo de pensar que nos faz uma espécie diferente”.
(Ícaro Barbosa)
Ícaro e Aluysio Abreu Barbosa no cume do Monte Sinai aos cristãos, Monte Horebe aos judeus, Jebel Muça aos islâmicos, aurora de 25 de janeiro de 2023 (Foto: Ícaro Barbosa)
Bom dia, filhote!
Hoje é a véspera do Dia das Mães. Como era em 2023, dia em cuja noite você decidiu voar.
“O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas”, sentenciou Guimarães Rosa. Foi em 16 de setembro de 1967, no discurso dele de posse na Academia Brasileira de Letras. Três dias depois, ficou encantado.
Olhamo-nos, com você sorrindo, na foto feita banner na parede da sala. Onde levanta um pint de Guinness em brinde em Amsterdã. Cidade que disse muitas vezes ter sido a que mais gostou na nossa última viagem.
Era 2 de janeiro de 2023, tão perto e distante. Havíamos chegado do Brasil na noite holandesa anterior. Para dar início à jornada pelos três continentes do Velho Mundo. Tínhamos o Êxodo por roteiro. Mas isso é um outro livro. Cuja escritura devo a você, a Deus e a mim.
Voltei à Brasília no início de abril deste ano, que já tinha conhecido no final de 2001. Quando, não sem surpresa ou orgulho, fui convidado pela embaixada do Irã. Que me achou naqueles tempos pré-redes sociais por artigos que eu havia escrito sobre Alexandre e o Império Persa.
Você tinha 2 anos. Quando reagiu com intensidade precoce ao atentado da Al-Qaeda de 11 de setembro. Guardo o impacto nítido na sua retina, na expressão da face de criança ainda de colo, aos jatos se espatifando contra as Torres Gêmeas. E estas vindo ao chão.
Em ironia da vida, 2001 já havia sido eleito pela ONU como o ano do Diálogo entre Civilizações. Por proposta do então presidente do Irã, Muhammad Khatami. Era um intelectual reformista. Que acabaria emparedado pelo fundamentalismo religioso do Colégio dos Aiatolás.
Com ele ainda no poder, rendeu aquele encontro sobre a Civilização Islâmica em Brasília. Na verdade, por conta de uma greve na UnB, acabou sendo em Taguatinga. Aquela em que João de Santo Cristo “ganhava cem mil por mês” como aprendiz de carpinteiro.
Vinte e três anos depois, saí na manhã do último dia 7 de abril da Catedral de Brasília. É história que já contei. E, com Paulinha, fomos caminhando ao Museu da República. Onde estava rolando a exposição “Matéria Prima”. Da artista plástica porto-riquenha Gisela Colón.
Não conhecia ela ou seu trabalho. Que se baseava na montagem de esculturas totêmicas em diferentes lugares do mundo. A intervenção espacial era registrada em fotos. E estas estavam expostas em grandes murais horizontais no interior do Museu.
Museu da República de Brasília, exposição Matéria Prima, da artista porto-riquenha Gisela Colón, 7 de abril de 2024 (Foto: Paula Vigneron)
Dobrando à direita da entrada, topei logo com a primeira. E tomei um susto com a obra côncava de Colón retratada no Complexo de Gizé. Diante da Esfinge e das três Grandes Pirâmides do Egito. Que havíamos conhecido juntos, filhote, exatos 15 meses antes.
Aluysio e Ícaro Abreu Barbosa diante da Esfinge e das três Grandes Pirâmides do Egito, Gizé, 7 de janeiro de 2023 (Foto: Ícaro Barbosa)
Ainda supunha estar na coincidência. Até que, dois painéis adiante, dei com três monólitos da artista interagindo com a Cidadela de Saladino, no Cairo. Estavam entre suas muralhas e os domos e minaretes da Mesquita de Muhammad Ali, fundador do Egito moderno, ao fundo.
Museu da República de Brasília, exposição Matéria Prima, da artista porto-riquenha Gisela Colón, 7 de abril de 2024 (Foto: Paula Vigneron)
Em outro diálogo entre civilizações, havíamos estado ali em 22 de janeiro de 2023, tão perto e distante de 7 de abril de 2024. Lembrei-me de Nietzsche, seu filósofo: “Nenhum vencedor acredita no acaso”. E vi que não perdi. Ganhei os 23 anos, 10 meses e 13 dias da sua vida.
Aluysio e Ícaro Abreu Barbosa na Cidadela de Saladino, diante da Mesquita de Muhammad Ali, Cairo, 22 de janeiro de 2023 (Foto: Ícaro Barbosa)
Mesmo antes de visitar novamente o Planalto Central, estava há meses sem ir a Atafona. E voltei ao Dia da Criação do Poetinha: “hoje é sábado, amanhã é domingo”. Já era o último domingo, 5 de maio, do final de semana que voltei à nossa praia.
Para fazer uma torta de frutos do mar ao almoço, fui à peixaria diante da Igreja Nossa Senhora da Penha, onde você foi batizado. Vi o peixeiro em sua mesa de trabalho ao fundo, que limpava um grande pescado. Dei com a mão, ele deu de volta, enquanto seu filho me atendia.
Escolhi entre os freezers camarão cinza e sete barbas descascado, mexilhão e lula em anéis para a torta. Tudo pesado, somado e já pago, o dono da peixaria se aproximou. Trazia o grande peixe discoide já limpo às mãos. E jogou a cantada: “Prejereba de 9kg para o Dia das Mães”.
De carne branca, tão boa, mas menos conhecida e cara que a de cherne ou robalo, comemos muita prejereba juntos. Na moqueca ou assada. Além de Paulinha, estava com Aquiles, seu irmão. Com quem troquei olhares como os seus, bebê, à queda do World Trade Center.
De novo, supus não ser coincidência. E comprei o peixe para assar inteiro no Dias das Mães de amanhã. A suposição se reforçou na saída da peixaria. Quando Aquiles e eu verbalizamos o olhar de encantamento que trocamos segundos antes: “Isso é coisa de Carô”.
Ícaro e o sol, cume do Monte Sinai, 25 de janeiro de 2023 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Nesta segunda-feira, 13 de maio, se completa 1 ano da morte do jornalista Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, após 23 anos de uma vida breve e intensa. Seus pais, irmão e demais familiares convidam a todos à missa em intenção da sua alma. Será celebrada às 18h de segunda, na Igreja São Francisco, na rua 13 de Maio, Centro, onde Campos dos Goytacazes teve início.
“Eu te vi, oh, beleza, tu me pertences agora, seja quem for que estejas esperando e mesmo que eu nunca mais te veja em toda a minha vida”.
(Ernest Hemingway)
“O que não pode acontecer é deixarmos de saber que a pessoa do nosso lado sangra, come, alimenta-se, ama, sofre, enfim, sente as mesmas coisas que nós e que não é uma diferença no modo de pensar que nos faz uma espécie diferente”.
(Ícaro Barbosa)
(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr, a quem Ícaro chamava de irmão)
Vereador de oposição e pré-candidato a vice-prefeito, Raphael Thuin (PRD) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará os R$ 540 milhões do PAC do governo Lula 3 ao transporte público de Campos (confira aqui) e a CPI da Educação (confira aqui) na Câmara Municipal.
Thuin também falará porque decidiu não concorrer à reeleição de vereador para ser pré-candidato a vice-prefeito, em chapa a ser encabeçada pelo deputado estadual Thiago Rangel (PMB). Por fim, analisará as nominatas do seu PRB (fusão do PTB com o Patriotas) e do PMB a vereador. Assim como a tática da oposição de pulverizar as pré-candidaturas a prefeito de Campos. Cuja eleição tentará projetar (confira aqui e aqui) com base nas pesquisas.
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Arthur Soffiati, historiador, professor, ambientalista e crítico de cinema
O infeliz retorno de Garfield
Por Arthur Soffiati
Em 2004, 20 anos passados, escrevi uma crítica a “Garfield – o filme” passando em revista outros gatos que mereceram filmes. O primeiro deles foi o enigmático Krazy Kat, criado por George Harriman em 1911. Numa paisagem inóspita e insólita, uma gata que se diz descendente da gata de Cleópatra, alimenta uma relação sadomasoquista com o rato Ignatz, que, não percebendo o amor de Krazy, tenta afastá-la com tijoladas. Em cena, entra ainda Ofissa, um cão policial que ama Krazy, fechando um triângulo amoroso invertido: uma gata amando um rato e amada por um cão. Esse gato nunca mereceu um filme e morreu com seu criador. Foi o mais enigmático dos gatos dos quadrinhos. Hoje, está quase esquecido.
Em 1921, aparece um gato pleno de lirismo criado por Pat Sullivan. Seu caminho foi inverso ao dos outros personagens: ele começou em desenhos de animação para ganhar os quadrinhos. Trata-se do Gato Félix. Além de solidarizar-se com pessoas hoje consideradas excluídas socialmente, Félix tem um desempenho altamente criativo com os elementos dos quadrinhos. É um gato que não se aperta diante das dificuldades, usando o balão da legenda para voar, os pontos de exclamação como tacape e as interrogações como ganchos. A metalinguagem é um traço dos mais originais em Sullivan.
O terceiro gato é Fritz, criado pelo quadrinista underground Robert Crumb, em 1970. Trata-se de um gato lascivo e devasso, que saiu dos quadrinhos para uma animação pornográfica. Crumb, mereceu, em 1994, um documentário sobre sua vida e obra com o título de “Anti-herói americano”, dirigido por Terry Zigwoff.
Por fim, o gato mais atual é o preguiçoso, guloso, egoísta, vaidoso, mal-humorado e individualista Garfield, criado por Jim Davis em 1978 e que ganhou tiras em vários jornais do mundo inteiro. Anti-herói, Garfield parece expressar a outra face do norte-americano médio. Depende, sem nenhum sentimento de culpa, de um dono meio medíocre e coexiste com Odie, um cachorro que considera imbecil. Garfield sofre de complexo de superioridade.
O sucesso das tiras levou o gato para o desenho animado. Em 2004, Peter Hewitt o levou para a computação gráfica. Humanos e animais são verdadeiros. Em “Garfield – o filme”, o gato comodista é filho do computador. Jon Arbuckle (Breckin Meyer), seu dono, está mais apalermado que nas tiras. Odie ficou mais retardado. A médica veterinária Liz (Jennifer Love Hewitt), namorada de Jon, parece ser a mais habilitada a lidar com o gato rabugento que detesta as segundas-feiras e adora se exibir nos muros à noite.
Um gato da estirpe de Garfield não poderia se envolver numa história tão tolamente norte-americana como a concebida para o filme. No final, Garfield se torna o contrário do que é: torna-se herói e dos mais padronizados. É preciso talento para tirar um gato do quadrinho e levá-lo para o cinema. Peter Hewitt não demonstrou este talento E agora, 20 anos depois, por imposição de sobrinha, volto ao cinema para assistir “Garfield: fora de casa”, dirigido por Mark Dindal.
Nesse intervalo, não sei se o gato se apresentou na telona. O mundo mudou muito desde então. O cinema de shoppings matou o cinema de rua e as plataformas de streaming estão matando os cinemas de shopping. Em 2004, o cinema estava lotado de crianças. Em 2024, havia apenas 4 com os pais. Pelo visto, Garfiield não agrada com os muitos clichês que inundaram as animações. Da minha parte, as observações para o filme de 2024 são as mesmas de 2004.
Engenheiro civil e de recursos hídricos, e consultor, entre outros, da Itaipu Binacional, do Banco Mundial e da Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU, Carlos Tucci é o convidado do Folha no Ar desta quinta (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Onde ele será entrevistado junto de João Siqueira, vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul (Ceivap).
Tucci e João falarão das causas e de como evitar tragédia como a das chuvas no Rio Grande do Sul, que, até o momento, tem 100 mortes confirmadas e 128 desaparecidos. Também falarão de ações concretas contra o aquecimento global, seus efeitos mais trágicos a cada nova estação do ano e seu negacionismo.
Por fim, os dois analisarão tecnicamente o projeto para o reconhecimento do clima semiárido no Norte Fluminense, em discussão (confira aquie aqui) no Congresso Nacional. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
“A Justiça”, escultura em granito de Alfredo Ceschiatti; Cláudio Castro, Thiago Pampolha, Rodrigo Bacellar, Pryscila Marins, Cleber Tinoco, Gabriel Rangel e José Paes Neto
Se condenados, Castro e Bacellar recorrem nos cargos
No sábado, a coluna revelou (relembre aqui) que o relator do caso Ceperj no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Peterson Barroso Simão, cobrou celeridade ao julgamento do governador Cláudio Castro (PL), do vice, Thiago Pampolha (MDB), e do presidente campista da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). E cobrou da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), até segunda (6), o parecer final. Que veio duro (confira aqui) ao pedir a cassação do mandato dos três. Simão também deu até sexta (10) às alegações finais da defesa, com expectativa de julgamento já a partir da semana seguinte. Se os três forem eventualmente condenados? Para juristas com experiência em Direito Eleitoral: todos recorrem no cargo!
Pryscila Marins
“Em caso de condenação, cabe, sim, recurso ao TSE. E os eventuais condenados seguem no cargo até o julgamento da Corte. Em caso de condenação no TSE, uma nova eleição pode ser marcada. Entretanto, não acredito que seria marcada uma eleição para o dia 6 de outubro junto com a eleição municipal, até porque estaríamos falando em uma eleição suplementar, com um calendário eleitoral próprio criado pelo Tribunal especialmente para o caso concreto. Além disso, considerando a dinâmica de eleição municipal, não é prudente que se faça no mesmo dia”, ponderou a advogada Pryscila Marins.
Cleber Tinoco
“O governador Cláudio Castro, o vice Thiago Pampolha e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, em caso de condenação no TRE, poderão recorrer em seus cargos, mediante a interposição de recurso ordinário ao TSE, como especificado na sua Súmula 36. É recurso, portanto, com efeito suspensivo. Caso o mandato se encerre antes do julgamento do recurso no TSE, subsiste o interesse processual quanto ao pedido de inelegibilidade por 8 anos, pela jurisprudência do próprio Tribunal. A hipótese da eleição casada (entre prefeito e governador este ano), ao meu ver, é remotíssima”, projetou o advogado Cleber Tinoco.
Eleição casada prefeito/governador?
A possibilidade de uma nova eleição a governador do Estado do Rio, advinda da eventual cassação de Castro, Pampolha e Rodrigo, casada com a de prefeito de 6 de outubro, chegou a ser especulada nos bastidores políticos e jurídicos do Rio e de Brasília. Mas, hoje, a exatos 4 meses e 29 dias das urnas municipais, dificilmente haveria tempo hábil. Ao eleitor e à própria Justiça Eleitoral, um pleito suplementar a governador demandaria uma logística completamente diferente aos 92 municípios fluminenses. Que já se preparam naturalmente para elegerem prefeito e vereadores em outubro.
Gabriel Rangel
“O recurso (em caso de condenação no TRE pelo caso Ceperj) tem efeito suspensivo automático, nos termos do Art. 257, p. 2º do Código Eleitoral. Os réus permaneceriam no exercício dos seus cargos até o julgamento do recurso ordinário no TSE. Só se lá confirmada, em observância aos artigos 141 e 142 da Constituição do Estado do Rio, o presidente do Tribunal de Justiça assumiria o Executivo, sendo convocadas eleições diretas em 90 dias”, resumiu o advogado Gabriel Rangel, que é subprocurador geral de Campos e procurador de São Fidélis, além de ex-assessor do MP Eleitoral.
José Paes Neto
Presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-Campos, o advogado José Paes Neto também não teve dúvida sobre o destino de Castro, Pampolha e Rodrigo se condenados no caso Ceperj. Da qual poderiam recorrer no próprio TRE, antes de fazê-lo no TSE. “Certamente recorrerão nos cargos, em caso de eventual condenação. É o que dispõe o Art. 257, parágrafo 2° do Código Eleitoral. Eles podem ainda interpor recursos no TRE/RJ, como os embargos de declaração. Com toda a complexidade jurídica e política dos processos, me parece praticamente impossível uma nova eleição casada com as eleições municipais”.
Cidade de York, no Norte da Inglaterra, entre as duas margens do rio Ouse
Ronaldo Junior, poeta, professor de Letras e presidente da Academia Campista de Letras (ACL)
Do cotidiano maior que as sagas
Por Ronaldo Junior
A lembrança retorna às retinas como se as ruas as sarjetas os odores os ruídos o arfar do marceneiro a manusear sua ferramenta fossem agora. E são, pois saem do poema e recriam — cena por cena — as passagens e descobertas de anos atrás.
A palavra, em começo, fez o estopim do verso. Ela, que traduz a textura e a rudeza das muralhas e pessoas que compõem a cidade, também é peça guardada no museu para lembrar quase um século de dominação Viking sobre a chamada Jorvik.
E o poeta, ao acompanhar a — contrastante — velha cidade, faz relato do que alcança suas narinas e do que fricciona a sola dos seus calçados. Tudo ao redor é camada a ser recortada com a lâmina da palavra, até alcançar o cerne — do rio Ouse aos portões que recontam Ricardo III.
As ruas, por sua vez, exalam os ébrios que vivenciam a cidade feito piratas escandinavos, trajados de violência e impulsividade a compor a cena que o cineasta-poeta vivencia com suas lentes lacrimais, sendo cada verso um frame que atravessa lentamente o segundo-instante, que passa num tempo próprio.
Entre as ocorrências cruas que se entrecruzam, os crânios vazados ainda guardam, na sobrevivência despropositada daquilo que um dia foram, versos questionadores que ecoam pelos séculos, mesmo antes de terem sido escritos: “Know’st thou not, there is but one theme for ever-enduring bards? / And that is the theme of War, the fortune of battles, / The making of perfect soldiers?”i
E, das batalhas expostas no museu, surgiu a palavra que originou o verso, matizado de sangue etílico escorrendo dos conflitos cotidianos, num poema que floresceu apenas dias depois, já em Edimburgo, quando o poeta seguia viagem.
i “Não sabes que há senão um tema para bardos sempiternos? / E que esse é o tema da Guerra, a fortuna das batalhas, / A feitura de soldados perfeitos?” — trecho do poema “As I Ponder’d in Silence” (“Enquanto eu Ponderava em Silêncio”), de Walt Whitman. Tradução de Adriano Scandolara.
Na Coppergate Street, 19, o Museu Viking de York , cidade fundada pela 9ª Legião da Antiga Roma em 71 d.C. e invadida em 866 pelos filhos do mítico líder Ragnar Lodbrok, batalha retratada na série “Vikings”
Pré-candidato a prefeito de Campos pelo Rede Sustentabilidade, o empresário Fabrício Lírio é o convidada do Folha no Ar desta terça (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua pré-candidatura na Federação do Rede com o Psol, que teria uma ala inclinada a apoiar o pré-candidato a prefeito do PT Professor Jefferson de Azevedo.
Fabrício falará também da montagem das nominatas do seu partido a vereador na Federação com o Psol. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui e aqui), ele analisará o favoritismo do prefeito Wladimir Garotinho (PP) projetado em todas as pesquisas.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.
Paula Vigneron entre os vitrais de Marianne Peretti na Catedral de Brasília, manhã quente de 7 de abril de 2024 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
“Ajude a ceguinha; opa! Ajude a ceguinha; opa! Se não tiver notinha, pode ser uma moedinha. Se não tiver moedinha, tem o PIX da ceguinha. Ajude a ceguinha; opa! Ajude a ceguinha; opa!” Era o que cantava, incessante, aquela senhora. Estava sentada ao lado direito do início da descida da rampa, à entrada da Catedral de Brasília. Em acordo mudo entre ouvidos e mãos, estendia com a direita o copo plástico, atenta aos barulhos dos passos que se aproximavam.
O acento da ladainha não deixava dúvida: era uma candanga, nordestina. Que, como tantos conterrâneos, construíram com as mãos a nova capital da República. Acompanhado da namorada, o visitante do Sul Maravilha encarou o vazio murcho das órbitas da pedinte e estremeceu. Cerrado nas pálpebras enrugadas de sol, ao seu vácuo anteviu os dois olhos arrancados com um broche por Édipo Rei.
Ícaro Barbosa na entrada da Edícula da Basílica do Santo Sepulcro, onde Jesus foi sepultado e, como Cristo, ressuscitou. Cidade Velha de Jerusalém, tarde fria e chuvosa de 1º de fevereiro de 2023 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Como costumava fazer em cada templo religioso das cidades que visitou, entrou para orar dentro dos ritos ali adotados. Como fizera com o filho ainda criança, como muçulmanos, na Mesquita Azul de Istambul. Ou com ele já feito homem, só os dois, na sinagoga da Fortaleza de Massada, Canudos dos judeus. Como em meio à multidão na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, nos lugares em que Jesus foi crucificado e sepultado. E, como Cristo, ressuscitou.
Com essas lembranças de ecumenismo entre história e fé, desceram a rampa para adentrar à ampla estrutura modernista da Catedral de Brasília, gerada entre a arquitetura do carioca Oscar Niemeyer e a engenharia de Joaquim Cardozo. Também candango e poeta, este seria influência ao conterrâneo recifense João Cabral de Melo Neto. Que, sem favor ou nenhuma dúvida ao visitante do Sudeste, era o maior nome da poesia modernista do Brasil.
Dedicada à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a Catedral de Brasília não ganhou vida só na cruza masculina de Niemeyer e Cardozo. Com mais destaque na parte interna está o trabalho de outra candanga recifense, a artista plástica Marianne Peretti. Considerada maior vitralista do país, deu vida em tons de azul e verde no contraste ao branco dos 16 pilares curvos. Inaugurada em 1970, a Catedral só receberia o colorido feminino na reforma de 1987.
O homem se ajoelhou para rezar no genuflexório de um dos bancos da Catedral. E o fez em meio à dúvida: o modernismo da nova capital, embora belo, não servira de epílogo à arquitetura colonial? Presente nos solares de Campos e no Centro da antiga capital, na cidade do Rio? Ou na também fluminense Paraty e nas mineiras Ouro Preto, Tiradentes, São João Del Rey e Congonhas? Assim como na goiana Pirenópolis, distante apenas 150 km de Brasília?
Na dúvida se seria só evolução natural, dolo ou destino, como o de Édipo ao matar seu pai, outro pai não teve dúvida após, ajoelhado, fechar os olhos. Pediu a Deus e aos intercessores da sua devoção, Francesco di Assisi e Miguel Arcanjo, proteção à viagem e aos que o homem e a mulher haviam deixado em Campos. Sobre todas as coisas, pediu proteção ao filho único, companheiro de outras tantas viagens. E morto há pouco menos de um ano.
Sempre foi assim ao pai nos 9 meses anteriores e nos 23 anos, 9 meses e 13 dias depois que ganhou da vida do filho. Seria assim até seu último pensamento antes da própria morte. Sem questionamento. Apenas amor, gratidão e pedido de proteção.
Encerrou a oração, abriu os olhos, enxugou-os com os ombros da blusa, e se ergueu. Quando se lembrou da uma passagem de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de José Saramago. É sobre o retorno, do Rio a Lisboa, do heterônimo mais apegado ao classicismo no poeta português Fernando Pessoa, já após a morte deste: “os mortos servem-se dos caminhos dos vivos, aliás nem há outros”. E, nesse eco ao modernismo “Álvaro de Campos” de Brasília, olhou a mulher.
Naquela manhã quente de 7 de abril no Planalto Central, que Euclides da Cunha chamou de “maciço mais antigo do mundo”, ela usava um vestido curto de brim, com estampas trançadas em linha branca. Recuaram um pouco das cadeiras a um ângulo mais aberto na parte traseira da nave da Catedral. Onde, centralizada, a mulher teve acopladas como asas abertas os vitrais de Marianne Peretti, em combinação exata de azul e branco nessas coincidências que não há.
O homem registrou a imagem. E notou que, nela, a mulher se assemelhava ao intercessor a quem acabara de pedir proteção ao filho. Os turcos otomanos tomaram Constantinopla e decretaram o fim da Idade Média enquanto os teólogos da grande cidade, depois Istambul, discutiam sem conclusão o sexo dos anjos. Como nos debates de gênero humano entre biologia e cultura do pós-modernismo de hoje, enquanto a China bate à porta do Ocidente.
Desde uma Bíblia ilustrada que o pai lhe dera criança, com a qual dominou os argumentos das suas principais histórias, constatou. Entre os arcanjos, foi Gabriel quem anunciou a Daniel a sucessão de potências mundiais e a vinda do Messias, a Zacarias que seria pai de João Batista e a Maria, que seria mãe de Jesus. Como, ao ler o Corão já adulto, descobriu que foi Gabriel quem também revelou a mensagem divina do Islã a Mohammad, enquanto o alfabetizava.
Entre os arcanjos, porém, sempre preferiu Miguel. Além de também aparecer em Daniel como “grande príncipe que defende o povo de Deus”, é ele quem, no Apocalipse de João, comanda as falanges divinas que enfrentam e derrotam Satanás e os demais anjos decaídos. Se Gabriel é o grande RP de Deus, é Miguel quem assume quando a porca torce o rabo. E por essa identificação pessoal, desde criança, destinou-se a tê-lo por anjo da guarda.
Além do judaísmo, cristianismo e islamismo, Miguel Arcanjo é adorado na umbanda e no candomblé, em sincretismo com o orixá Xangô Agandjú. Quem usa o nome de Deus para atacar terreiros, se fosse diferente do anjo caído por se supor a luz que cabia guardar, não ignoraria: além da lei dos homens, age espiritualmente contra o “grande príncipe que defende o povo de Deus” no Velho Testamento. Onde Deus nunca reservou castigo brando.
Como os teólogos de Constantinopla nunca definiram o sexo dos anjos, lhe pareceu adequado, pela coragem de Miguel, que a figura alada pelos vitrais de uma mulher fosse outra mulher. Do Velho Testamento ao Novo, o casal saiu da Catedral de Brasília. E deu novamente com as estátuas de bronze dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos e Lucas à esquerda de quem entra; João do lado oposto. Todos tinham pombos pousados na cabeça e ombros.
Com três metros de altura cada, os evangelistas eram obras do mineiro Alfredo Ceschiatti, parceiro de Niemeyer desde Belo Horizonte, no trabalho conjunto que ampliariam em Brasília. Já despida de asas, a mulher lembrou que Ceschiatti também esculpiu a estátua “A Justiça”, em granito, diante do Supremo Tribunal Federal. Que tinham visitado no dia anterior, após desembarcarem, fazerem check-in no flat e tomarem um uber à Esplanada dos Ministérios.
Enquanto ainda digeriam tudo que viram e sentiram na Catedral, antes de seguirem a pé, na mesma margem do Eixo Monumental, ao Museu Nacional da República e à Biblioteca Nacional, ouviram a voz feminina e candanga. Dos que ergueram com as mãos tudo aquilo. “Ajude a ceguinha; opa! Ajude a ceguinha; opa! Se não tiver notinha, pode ser uma moedinha. Se não tiver moedinha, tem o PIX da ceguinha. Ajude a ceguinha; opa! Ajude a ceguinha; opa!”
Nos tempos em que inauguraram uma pacificação hoje deixada para trás, os dois maiores políticos de Campos da sua geração: Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho (Foto: Divulgação)
Semana de Rodrigo e Wladimir
A semana foi movimentada na política fluminense e goitacá. Na segunda (29), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) rejeitou por unanimidade o pedido da defesa do presidente campista da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União), para que seu processo no caso Ceperj, relativo à eleição de 2022, fosse desmembrado dos que respondem, pelo mesmo motivo, o governador Cláudio Castro (PL) e seu vice, Thiago Pampolha (MDB). Quatro dias depois, foi divulgada ontem (3) nova pesquisa Prefab Future à eleição a prefeito de Campos. Que confirmou a larga vantagem de Wladimir Garotinho (PP) à reeleição de prefeito. E a possibilidade de ele fechar a fatura já no 1º turno.
De Garotinho à defesa de Rodrigo
No último dia 5, em entrevista ao Folha no Ar, o próprio ex-governador Anthony Garotinho (REP) admitiu a possibilidade do seu rival Rodrigo chegar a governador, se Castro e Pampolha perdessem os cargos com o julgamento da “folha de pagamento secreto” da Fundação Ceperj. Agora, com a decisão do TRE, o que der para o governador e o vice, dará ao presidente da Alerj. “O que se buscou com o recurso foi garantir a ampla defesa, uma vez que o deputado Rodrigo Bacellar não participou das provas produzidas em uma das ações reunidas. O perfil do presidente da Alerj sempre foi marcado pela palavra e pela lealdade”, argumentou sua defesa.
Relator vota contra e cobra celeridade
Sustentada pela ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, a tese da defesa de Rodrigo foi, no entanto, rejeitada pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE). Como pelo relator do caso no TRE, desembargador Peterson Barroso Simão: “Não posso protelar aquilo que, amanhã, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pode me cobrar. Já estamos bastante atrasados. O princípio da celeridade processual é tudo o que não está acontecendo neste momento. Temos fatos semelhantes, oriundos do mesmo governo estadual. Não pode haver dois julgamentos sobre fatos oriundos do mesmo lugar”.
Nas próximas semanas?
A tese do relator pareceu prevalecer. Seu voto contra o desmembramento do processo de Rodrigo foi seguido pelos seis outros desembargadores presentes na sessão do TRE. A celeridade cobrada também parece ter prevalecido. A expectativa é que o julgamento tenha novidades já nas próximas semanas. Simão estipulou o prazo de 6 de maio, na próxima segunda-feira, para que a PRE apresente suas alegações finais. Em seguida, todas as defesas terão até 10 de maio, na próxima sexta, para se manifestarem. Castro, Pampolha e Rodrigo são acusados de abuso de poder político e econômico, e conduta vedada ao agente público.
Wladimir no 1º turno?
Feita a partir de entrevistas presenciais com 1.002 eleitores de Campos, no último dia 26 (sexta retrasada), com margem de erro de 3,1 pontos para mais ou menos e registrada no TSE sob o número RJ-04536/2024, a pesquisa Prefab projetou a reeleição de Wladimir em sua consulta estimulada com 64,5% dos votos válidos. Ou seja, venceria já no 1º turno, se a eleição de 6 de outubro, daqui a exatos 5 meses e 3 dias, fosse hoje. Ele viria seguido nos votos válidos pela deputada estadual Carla Machado (PT), com 22,4%; pela Delegada Madeleine (União), com 8,1%; e pelo deputado estadual Thiago Rangel (PMB), com 3,0%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Das intenções de voto à aprovação de governo
Os outros prefeitáveis citados na consulta induzida não chegaram a 1 ponto: o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) e o Professor Jefferson de Azevedo (PT) tiveram, cada um, 0,7% nos votos válidos; enquanto o ex-vereador Jorge Magal (SD) teve 0,6%. A quem entende algo de eleição, mais que as intenções de voto, no entanto, interessa a aprovação de governo. E o de Wladimir apareceu aprovado na Prefab por 70,5% da população, contra 14,9% que desaprovam e outros 14,6% que não souberam avaliar. E por que é isso que, de fato, definirá a eleição a prefeito de Campos em 6 de outubro?
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Gordura de 20 pontos a turno único
A questão é matemática: Wladimir teve 42,96% dos votos válidos no 1º turno de 2020. Só não liquidou a eleição ali, tendo que disputar o 2º turno para derrotar seu hoje aliado Caio Vianna (MDB), por 7,04% mais um voto. Isso quando ele não tinha a máquina na mão. Agora, com ela e aprovada por 70,5% dos campistas, subtraídos destes os 42,96% que votaram nele já no 1º turno de 2020, o prefeito só precisa encontrar os 7,04% mais um voto entre os outros 27,54% que aprovam seu governo. Ou seja, o atual chefe do Executivo goitacá tem gordura potencial de mais de 20 pontos para definir a eleição em turno único.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IGBE
Análise do especialista
“A pesquisa sinaliza grande possibilidade de reeleição em 1º turno de Wladimir, favorecida por mais de 70% de aprovação e pela rejeição abaixo de 10%. O cenário de 2024 é completamente diferente daquele de quatro anos atrás, quando os eleitores campistas foram às urnas no 1º turno com um prefeito mal avaliado (Rafael Diniz, Cidadania). Na segunda colocação em intenção, importante destacar, aparece Carla Machado, que independentemente da confirmação da candidatura, exibe força eleitoral”, analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística pelo IBGE.