Em pé: Dante, Maicon, Júlio César, Fred, David Luiz e Luiz Gustavo. Agachados: Oscar, Fernandinho, Bernard, Marcelo e Hulk
Se você acha que desperdiçou ontem 90 minutos, mais 15 de intervalo, para no final tomar de sete, não deixe de investir outros 61 minutos da sua vida para assistir ao vídeo abaixo e resgatar consigo mesmo, enquanto brasileiro, uma dívida de 64 anos. O documentário é do jornalista Geneton Moraes Neto.
Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo
(Capa da edição de hoje da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves, foto de Valmir Oliveira, concepção gráfica de Aluysio Abreu Barbosa e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ontem, desde o apito final do árbitro mexicano Marco Rodríguez, começou uma nova Copa do Mundo no Brasil. De um lado, entre os que acham entender de futebol, para ver quem mais repete: “Eu avisei!”. Do outro, entre quem não entende nada, mas ainda pensa tirar proveito político da maior tragédia da história do futebol brasileiro, a disputa será para saber quem mais ecoa: “Fizemos a Copa das Copas, só faltou time!”.
O fato é que na maior goleada sofrida pela Seleção Brasileira em 100 anos, a Alemanha massacrou o Brasil por 7 a 1, ontem, no Mineirão. E o mais triste talvez tenha sido assistir a uma geração de jogadores tão comprometida não ter forças para reagir à pressão do clima de “pátria de chuteiras”, no qual foi envolvida desde o início da campanha, assim como foi ontem por um futebol baseado no toque de bola, que já foi nosso, mas mudou de pátria há alguns anos e foi ditado diante do mundo em fluente alemão.
Antes da semifinal de ontem, os três gols até então sofridos pela Alemanha da Copa haviam saído pelo lado esquerdo da sua defesa, onde o zagueiro Benedikt Höwedes atuava improvisado como lateral. Por isso a crônica esportiva foi quase unânime ao saudar a coragem de Felipão quando, depois de mistério nas escalações dos dois times, uma hora antes do jogo foi anunciado que quem entraria na vaga de Neymar seria o jovem Bernard, justamente para jogar no lado direito do ataque brasileiro — e envergando a camisa 20, a mesma usada pelo campista Amarildo para entrar no lugar de Pelé e ajudar na conquista da Copa de 1962. Por outro lado, o técnico alemão Joachim Löw, além de Höwedes na esquerda, confirmou a escalação do veterano centroavante Miroslav Klose, de 36 anos, no comando do ataque germânico, numa formação mais conservadora.
Primeiro gol da Alemanha, marcado por Thomas Müller, que surgiu sozinho na área brasileira
Marcada desde a Copa das Confederações, vencida em 2013 pela pressão no campo adversário nos minutos iniciais, a esperança de que a coragem brasileira surtisse resultado durou exatamente 10 minutos. Foi quando Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou um contra-ataque rápido com Sami Khedira e Thomas Müller, que acabou em escanteio. Grande nome do jogo, o meia Toni Kroos bateu pela direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para abrir o placar, num erro de toda a defesa brasileira, mas sobretudo de David Luiz que marcou a bola.
Mas o pior estaria porvir…
Aos 36 anos, Klose marcou o segundo gol da Alemanha, se tornando o maior artilheiro na história das Copas, com 16
Dos 21 aos 27 minutos, num espaço de apenas seis, a até então sólida defesa brasileira tomaria nada menos que outros quatro gols. Aos 21, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross achar Müller dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou à defesa parcial de Júlio César, mas pegou a sobra para fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.
Nome do jogo, o meia Kroos comemora seu primeiro gol, o terceiro da Alemanha
Aos 23, o meia Mezut Özil enfiou o lateral Philipp Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Novamente solto dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos, que bateu no canto direito de Júlio César. Aos 27, novamente Kroos apareceu para roubar a bola de Fernandinho, tabelar com Khedira e receber dentro da área, para bater forte e marcar seu segundo gol no jogo.
Após roubar a bola de Fernandinho e tabelar com Khedira, Kroos marcou seu segundo gol, o quarto da Alemanha
Para acabar de fechar a tampa do caixão brasileiro ainda no primeiro tempo, o zagueiro Mats Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.
Em outra linha de passe alemã, Khedira comemora o quinto gol da Alemanha
Diante do quadro praticamente irreversível, alguns torcedores brasileiros começaram a deixar o estádio, enquanto os que ficaram perderam a paciência aos 39, quando começaram a vaiar o Brasil. Até que, no minuto seguinte, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”
No segundo tempo, com Ramires e Paulinho nos lugares de Hulk e Fernandinho, o Brasil tentou novamente pressionar, mas esbarrou no goleiro Manuel Neuer. Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas de Paulinho, na mesma jogada, Neuer faz quatro grandes defesas consecutivas.
Aos 12, substituído pelo atacante André Schürrle, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em contrapartida, no minuto seguinte, o centroavante brasileiro Fred bateu de fora da área e foi vaiado sonoramente pela torcida, que depois repetiu contra ele o coro da presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”. E não ficou sozinho, quando aos 17 o telão do Mineirão mostrou Ronaldo, que assistiu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo, e também foi vaiado pela torcida.
Em respeito ao Brasil, desde o final do primeiro tempo, a Alemanha pareceu querer diminuir o ritmo, mas não Schürrle, que entrou no jogo querendo mostrar serviço, ao marcar o sexto
Dentro do campo, Lahm lançou Khedira pela ponta direita e correu para receber de volta e cruzar para Schürrle marcar o sexto da Alemanha, aos 23. Felipão aproveitou enquanto a torcida ainda tentava contar quantos gols tinha tomado, para tirar Fred, que era tão perseguido pelas vaias da torcida da casa, quanto foi o brasileiro Diego Costa nos três jogos que fez na Copa pela Espanha.
Aos 33, num contra-ataque, Müller cruzou da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chegou atrasado na marcação de Schürrle. O alemão dominou dentro da área de perna direita e emendou uma petardo de canhota, no ângulo de Júlio César: Alemanha 7 a 0.
Num bomba de canhota, que ainda bateu no travessão antes de entrar, Schürrle fez o seu segundo gol na partida, o sétimo da Alemanha
Em outro contra-ataque, aos 44, Özil saiu cara a cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão tocou com consciência, mas a bola saiu pela linha de fundo, rente à trave. Aos 45, Marcelo lançou Oscar, que recebeu na área, dominou, driblou o zagueiro Jérôme Boateng e bateu na altura da marca do pênalti, sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.
Depois de levar sete gols da Alemanha, Oscar marcou o gol de honra do Brasil
Na dúvida do que será ainda pior, entre ter que assistir a Argentina disputar a final do dia 13 no Maracanã, ou enfrentá-la na disputa pelo terceiro lugar, dia 12, em Brasília, uma certeza: ninguém tem o direito de repetir nessa tragédia do futebol brasileiro o mesmo feito em outra, há 64 anos, com os ex-jogadores Barbosa, Juvenal e Bigode, responsabilizados pela derrota brasileira na final da Copa de 1950. E isso vale tanto para os que rapidamente se converteram no culto de martirização midática de Neymar, quanto para os que cerraram fileiras na “caça às bruxas” virtual contra o lateral colombiano Juan Zúñiga, responsável pela contusão do craque brasileiro numa disputa imprudente.
Nesse mesmo oba-oba patriótico que só surge entre os brasileiros de quatro em quatro anos, todos da crônica esportiva do país da Copa acusados de sofrer de “complexo de vira latas” por apontar críticas táticas e técnicas ao time, ou à maneira como ele tentou ser descaradamente utilizado para fins políticos em ano de eleição presidencial, também não devem ceder à nenhuma pequenez. Nela, dá de goleada a grandeza demonstrada pelo zagueiro David Luiz, símbolo maior desse time, que mesmo sem ter feito grande partida deu sua cara a tapa ainda na saída do campo:
— Eu só queria poder dar uma alegria ao meu povo, à minha gente que sofre em tantas outras coisas. Infelizmente não conseguimos. Desculpa a todo mundo. Desculpa a todos os brasileiros. Eu só queria ver meu povo sorrir. Todo mundo sabe o quanto seria importante para mim ver o Brasil feliz pelo menos por causa do futebol. Eles foram melhores (…) É um dia de muita tristeza, mas de muito aprendizado também (…) Eu, na minha vida, aprendi a ser homem em todos os momentos. Não vou fugir de nada. Vou assumir tudo. E nunca vou desistir. Uma dia ainda vou alegrar esse povo de alguma forma.
No futebol, a primeira coisa a ser assumida diante da belíssima exibição de futebol dada ontem pela Alemanha, que agora fará a final no Maracanã como favorita contra o vencedor entre Argentina e Holanda, não veio de nenhum analista ou cronista esportivo, mas de um torcedor anônimo saindo do Mineirão, entrevistado a esmo por uma das redes de TV que cobriu a partida:
— É até uma vergonha dizer isso, mas o Brasil tinha que ter entrado com mais medo. Não temos mais futebol para enfrentar a Alemanha de igual para igual.
Fora do futebol, entre os muitos outros erros revelados nesta Copa, cada um assuma o que quiser.
Marcelo perdeu a bola na ponta esquerda e gerou contra-ataque pela direita, com Khedira e Müller. O lateral brasileiro correu para se recuperar e ceder o escanteio. Líder de assistências na Copa, Kross bateu o escanteio da direita e Müller apareceu sozinho dentro da área para fazer seu quinto gol nesta Copa. Erro primário de posicionamento de toda a defesa brasileira no lance de bola parada, sobretudo de David Luiz, que faz uma grande Copa, mas marcou a bola.
Aos 21 minutos, Fernandinho furou uma bola na entrada da área, que sobrou para Kross tocar na direita para Müller, dentro da área. Ele serviu a Klose, que chutou e Júlio César defendeu, mas a bola sobrou o para centroavante fazer o segundo gol alemão no jogo e seu na Copa, chegando aos 16 marcados em todos os Mundiais, deixando para trás o recorde de Ronaldo.
Aos 23, o meia Ozil enfiou o lateral Lahm no apoio, que cruzou da ponta direita. Dentro da área, Müller furou a bola, mas não Kroos que bateu no canto direito de Júlio César.
Aos 26, os primeiros torcedores começam a abandonar o Mineirão.
Aos 27, o meia Kroos roubou a bola de Fernandinho, recebeu de volta dentro da área após tabela com Khedira, e bateu forte dentro da área para fazer seu segundo gol no jogo: Alemanha 4 a 0.
Aos 28, o zagueiro Hummels roubou uma bola na raça e lançou Khedira, que tocou para Ozil dentro da ártea, na direita. Ele devolveu para Khedira marcar totalmente à vontade o quinto gol.
Aos 32, a minoria alemã nas arquibancadas começou a gritar olé para o toque de bola do time que, dentro do campo, parecia maioria.
Aos 39, os torcedores brasileiros começaram a vaiar seu time.
Aos 40, ecoou das arquibancadas do Mineirão o mesmo coro ofensivo que gerou tanta polêmica na abertura da Copa, no Itaquerão: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”
Atualizado às 17h55
No segundo tempo o Brasil voltou com Ramires no lugar de Hulk e Paulinho, no de Ferandinho. Na Alemanha, saiu o zagueiro Hummels para a entrada de outro, Mertesacker.
Aos 5, aos 6 a aos 7 minutos, em duas conclusões de Oscar, e em outras duas, no mesmo lance, de Paulinho, Neuer faz quatro grandes defesas. Mas a torcida que ainda restava ao Mineirão volta a gritar “Brasil” das arquibancadas.
Aos 12, Klose saiu aplaudido por alemães e brasileiros como o maior artilheiro da história das Copas. Em seu lugar, entra Schürrle.
Aos 13, Fred bate de fora da área e é vaiada sonoramente pela torcida, que depois repete contra ele o coro que já tinha cantado no final do primeiro tempo para a presidente Dilma: “Ei, Fred, vai tomar no c(…)!”
Aos 15, Müller bateu de fora da área pela direita, de curva. Antes da bola entrar no ângulo osposto, Júlio César voa e troca de mão para fazer uma defesa excepcional.
Aos 16, David Luiz lança Maicon dentro da área, pela direita. Mas no lugar de tentar a jogada, o lateral repete um hábito da Seleção nesta Copa, cai para tentar simular um pênalti e é vaiada pela própria torcida.
Aos 17, o telão do Mineirão mostra Ronaldo, que viu seu recorde ser batido por Klose, enquanto comentava o jogo pela Globo. Ele também é vaiado pela torcida.
Aos 20, a torcida volta novamente a entoar o coro contra a presidente da República: “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!”
Aos 23, Lahm lança Khedira pela ponta direita, penetra pela pela área e recebe de volta e cruza para Schürrle marcar o sexto da Alemanha. Felipão aproveita enquanto a torcida ainda estava atônita para tirar Fred de campo, que era tão perseguido pelas vaias do torcida brasileira, quanto foi na Copa inteira o Diego Costa.
Aos 32, apesar da imensa inferioridade numérica, os cantos intraduzíveis da torcida alemã ecoam sobre o silêncio sepulcral da brasileira.
Aos 33, num contra-ataque, Müller cruza da ponta esquerda. David Luiz, que tentava apoiar o ataque, chega atrasado na marcação de Schürrle, que domina de perna direita e emenda uma patada de canhota, no ângulo de Júlio César. Alemanha 7 a 0.
Aos 34, a torcida brasileira que ainda restava perde a paciência e passa a vaiar generalizadamente a Seleção Brasileira. David Luiz é único poupado.
Aos 36, na linha de passe da seleção alemã no campo defensivo do adversário, brasileiros e germânicos gritam “olé!” das arquibancadas a cada toque da bola de pé em pé.
Aos 44, em outro contra-ataque, Özil sai de cara com Júlio César, na entrada da área brasileira. O meia alemão toca com consciência, mas a bola sai pela linha de fundo, rente à sua trave direita.
Aos 45, Marcelo lança Oscar, que recebe na área, domina, dribla Boateng, e bate da altura da marca do pênalti sem chance para Neuer. Foi o gol de honra, naquela que pôde existir na maior derrota da Seleção Brasileira em todos os tempos.
Nem William, nem Paulinho. O substituto da Seleção Brasileira será seu jogador mais jovem: Bernard, de 21 anos. Sua camisa é a 20, mesmo número usado pelo campista Amarildo, ao substituir Pelé para ganhar a Copa de 1962 (relembre aqui). Em contrapartida, a Alemanha também surpreendeu, escalando seu veterano centroavante Miroslav Klose, de 36 anos, desde o início das semifinais de daqui a pouco, no Mineirão. Ele terá a chance de tentar ultrapassar o ex-craque Ronaldo Fenômeno como maior artilheiro da história das Copas, após empatar nesta com o brasileiro no número total de 15 gols.
Os técnicos Luiz Felipe Scolari e Joachim Löw fizeram mistério sobre suas escalações até o último momento, num xadrez tático antes do jogo de verdade começar daqui a pouco no campo. No entanto, o treinador alemão manteve Benedikt Höwedes na lateral esquerda, zagueiro adaptado à função que não tem feito uma boa Copa — foi pelo seu setor que nasceram os três gols sofridos pela Alemanha nesta Copa. Considerado o possível mapa da minha na defesa germânica pelo treinador Felipão, como o blog antecipou aqui, Bernard entra para jogar avançado pela direita, em cima de Höwedes. Com isso, Hulk cairá pela direita e Oscar fica liberado para fazer mais pelo meio a função tática que vinha sendo desempenhada por Neymar.
O Brasil pode até não ganhar o jogo. Mas pela coragem e inteligência demonstradas pelo tão criticado Felipão na escalação do Brasil nesta semifinal, em contraste com a proposta conservadora de Löw, vale a pena torcer. Afinal, como diz Sean Connery, na pele de Malone, a Kevin Costner, interpretando Eliot Ness, antes de ambos se reunirem para enfrentar uma guerra e prender Al Capone, no clássico filme “Os Intocáveis” (1987), do diretor Brian De Palma: “Deus não gosta de covardes!”
O Brasil entra em campo com Júlio César, Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho e Oscar; Bernard, Fred e Hulk. A Alemanha vem como Neuer, Lahm, Boateng, Hummels e Höwedes; Schweinsteiger, Kedira, Kroos e Özil; Müller e Klose.
Antes que tenha início hoje as semifinais da Copa do Mundo, com o Brasil x Alemanha de logo mais, e o Argentina x Holanda de amanhã, o blog divulga sua seleção e o gol mais bonito na fase das quartas de final, com a novidade da eleição também do melhor técnico. Confira abaixo:
Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica)
Lateral-direito: Phillip Lahm (Alemanha)
Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)
Zagueiro: David Luiz (Brasil)
Lateral esquerdo: Daley Blind (Holanda)
Volante: Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Volante: Paul Pogba (França)
Meia: James Rodríguez (Colômbia)
Meia: Lionel Messi (Argentina)
Atacante: Thomas Müller (Alemanha)
Atacante: Arjen Robben (Holanda)
Técnico: Louis van Gaal (Holanda)
Quanto ao gol mais bonito das quartas, na torcida de repeteco daqui a pouco, reveja-o no vídeo abaixo:
Quem quiser relembrar as seleções da primeira da fase de grupo e das oitavas de final, basta conferir respectivamente aqui e aqui.
E como, desde que o teatro foi inventando junto com a democracia pelos antigos gregos, as máscaras da tragédia e da comédia sempre foram siamesas, confira abaixo o vídeo do comediante Danilo Gentili, um dos nove “inimigos da pátria” publicamente enumerados pela lista negra do PT (relembre o caso aqui e aqui). Para aliviar a tensão antes da semifinal entre Brasil e Alemanha de daqui a pouco, bem como da falta que nela Neymar poderá fazer, vale a pena para rir um pouco da comédia dessa nossa necessidade humana de tragédia…
Com Dante e Luiz Gustavo praticamente confirmados, a grande dúvida na Seleção Brasileira que entra em campos hoje por uma semifinal de Copa do Mundo é: Willian ou Paulinho? (foto de Gaspar Nóbrega VIPCOMM)
Na certeza que hoje, às 17h, no Mineirão, o Brasil terá diante da Alemanha seu adversário mais poderoso até agora nesta Copa do Mundo, fica a dúvida: quem entrará em campo no lugar Neymar?
Se a presença de Dante para compor a zaga ao lado de David Luiz é também uma quase certeza, assim como a volta do volante de Luiz Gustavo, após cumprir suspensão automática como hoje terá que fazer o capitão Thiago Silva, a questão é: Felipão vai buscar no meia Willian o “Amarildo” (meia atacante que saiu do banco para substituir Pelé e ajudar a ganhar a Copa em 1962) ou o volante Paulinho será mantido, deixando o meio de campo brasileiro com três jogadores de marcação?
Embora a Seleção Brasileira tenha treinado no domingo com Willian no lugar de Neymar, além de também testar o meia Bernard, um relatório sobre a seleção alemã entregue ontem por Roque Júnior (zagueiro pentacampeão com Felipão em 2002 e hoje seu olheiro), parece ter feito o treinador brasileiro mudar de ideia. Pelo menos o suficiente para depois disso começar o treinamento de ontem com três volantes no meio de campo: Luiz Gustavo, na frente dos zagueiros, mais Fernandinho e Paulinho. Ainda que estes dois últimos também tenham que ajudar no apoio ao ataque, Oscar seria o único jogador original na função de criação, ainda que nesta Copa tenha se destacado mais como ladrão de bolas.
A se confirmar um meio de campo brasileiro tão defensivo, o motivo seria o tal relatório que indicou a escalação da Alemanha sem o veterano centroavante Klose, que começou o jogo nas quartas de final na vitória de 1 a 0 sobre França. No caso, Thomas Müller atuaria contra o Brasil como falso camisa 9, saindo da área para buscar jogo ou abrir espaços para outros jogadores alemães entre os volantes brasileiros.
Com quatro gols já marcados nesta Copa, Müller ocupa a vice-artilharia da competição, empatado com os craques Messi e Neymar, todos com dois a menos do que o colombiano James Rodríguez. Para se ter uma ideia, na comparação com Fred, que fez apenas um gol nos mesmo cinco jogos até aqui, o atacante alemão deu 139 passes certos e finalizou a gol 14 vezes, enquanto o brasileiro acertou 54 passes e teve 10 finalizações.
Outro destaque alemão é o volante Bastian Schweinsteiger, que chegou ao Mundial se recuperando de contusão, não jogou no primeiro jogo, na goleada de 4 a 1 sobre Portugal, mas foi entrando aos poucos e recuperando a forma durante a competição. Mesmo executando funções defensivas de volante, é o maestro do time. Com impressionante índice de 90% de passes certos nesta Copa, simboliza nela o último representante da clássica linhagem dos espanhóis Xavi Hernández e Andrés Iniesta, além do italiano Andrea Pirlo.
Mas também há dúvidas na escalação da Alemanha para daqui a pouco. Não na cabeça do técnico Joachim Löw, mas como Felipão admitiu que fará, o alemão também deve manter o suspense até a confirmação da escalação momentos antes do jogo. Se os habilidosos meias Mesut Özil e Toni Kroos são indiscutíveis, não está definido se jogará pela direita Mario Götze ou André Schürlle.
Zagueiro adaptado à lateral esquerda, Höwedes será o ponto da defesa alemã que Felipão vai querer explorar
Na defesa, o grandalhão Per Mertesacker pode voltar à zaga, deslocando Jérôme Boateng à lateral. Mas como toda a imprensa alemã cobra a manutenção do capitão Philipp Lahm na lateral direita, não no lugar de Sami Khedira como volante, quem poderia perder a vaga é o lateral esquerdo Benedikt Höwedes, zagueiro de origem que não tem feito uma boa Copa na função adaptada. Se ele jogar, será o mapa da mina alemã que Felipão tentará explorar.
Caso o Brasil jogue com três volantes, vai liberar seu laterais para atacar, o que explica o fato de Daniel Alves também ter começado o treino de ontem como titular pela direita (para atacar do lado de Höwedes). Considerado melhor na defesa, Maicon só fica com a vaga se Paulinho der lugar a Willian. O entrosamento deste com Oscar no Chelsea, onde o primeiro joga mais pela direita e o segundo mais solto pelo meio, numa função próxima à desempenhada por Neymar na Seleção, seria uma vantagem dessa escalação mais ofensiva. No caso, seria Willian quem jogaria em cima de Höwedes, com Hulk caindo mais pela esquerda.
Em meio às possibilidades, as certezas dos números conferem à Alemanha a condição de time que mais toca a bola e valoriza sua posse nesta Copa. Até agora, em cinco jogos, os germânicos contabilizaram 2,9 mil passes, enquanto os brasileiros só deram 1,8 mil. Em contrapartida, o time de Felipão se desataca pela marcação por pressão, na qual a retomada da bola no ataque pode causar sérios problemas numa seleção que joga tão compactada e com a zaga tão avançada quanto a alemã, ao ponto de ter seu (excelente) goleiro Manuel Neuer muitas vezes atuando fora da área como líbero.
E são também os números que, nos confrontos diretos, dão ampla vantagem ao Brasil: em 21 jogos, foram 12 vitórias (39 gols marcados), com apenas quatro alemães (24 gols) e cinco empates. Mesmo sem Neymar, a Alemanha respeitará isso. Se não for por mais nada, pela memória ainda relativamente fresca da única vez em que as duas seleções se cruzaram em Copa do Mundo: na final de 2002, quando um time melhor de Felipão fez 2 a 0 para levar o título.
Para todos com mais de 25 anos, idade suficiente para acompanharem futebol pelo menos desde aquela Copa, só não deixa de ser irônico perceber que num jogo entre Brasil e Alemanha, independente do placar final, será o primeiro que dependerá da sua pegada para tentar suplantar a qualidade técnica do segundo. De fato, as coisas parecem tão mudadas, mas tão mudadas, que mesmo jogando no Brasil, para quem quiser saber quem são os alemães, bastará buscar em campo aqueles vestindo a camisa do Flamengo.
E se nem isso despertar Fred nesta Copa, nada mais o fará!
Schweinsteiger, Götze e Özil, com a camisa rubro-negra com que a Alemanha jogará hoje
Há três semanas o Brasil está voltado para a Copa. Como publicou a Ruth Aquino em sua coluna semanal na revista Época, parece que o país virou um mar de rosas. Quase todo o noticiário é voltado para o certame. As editorias jornalísticas se tornaram todas de esporte. O inculcamento da vitória do Brasil é claro e irresponsável. Transformam uma competição esportiva num verdadeiro campo de batalha, seja dentro ou fora dos estádios.
A fifa — permito-me diminutilizá-la — dá uma aula mundial de como se invadir um país e apenas visar o resultado financeiro para voltar para casa. Impõe suas regras e salve-se quem puder. O pior de tudo é a permissividade dos poderes nacionais. Mas vai deixar um legado!, afirmam muitos interessados. Pergunto em quais das pastas. Na educação, no transporte, na saúde, na segurança…
A “copa da fifa no Brasil” — antigamente (e olha que já tenho várias copas) as copas eram chamadas pelo nome dos países que a sediavam: Copa do México, Copa da França, Copa dos Estados Unidos… — vai deixar a certeza do poder da grande mídia brasileira. Vai deixar claro o poder de influência que exerce sobre todos os setores da sociedade nacional. Ela, para garantir aos seus patrocinadores o sucesso deste um mês de disputa, cria o nacionalismo esportivo. É bem verdade que muitos outros países também sofrem com o mesmo sintoma quase imperceptível, subliminar, dos veículos de comunicação.
Estamos às portas de uma eleição que vai ditar os rumos do país nos últimos quatro anos. Mas o que importa é a terceira vértebra do Neymar e o jogo de amanhã. Que ele se recupere logo e que o Brasil vença de goleada. Apenas não assistirei ao jogo por recomendações médicas, mas estou na torcida. Não tanto, confesso, como para assistir às pelejas dos políticos nesta campanha que teve início ontem. Quero estar bem atento quando falarem em combater o mau uso da coisa pública e da corrupção. Quero filtrar a fisionomia dos que prometem a lisura com os investimentos sociais quando fazem campanhas com recursos advindos das negociatas da corrupção enquanto exercem o poder conferido pelo próprio povo.
A agenda dos candidatos é um nada se compararmos ao noticiário esportivo. O povo, por sua vez, responde bem à anestesia da copa. É um tempo de paz que preambula mais quatro anos de total desmando na vida da população. O gigante não adormeceu de novo. Ele nunca acordou. Teve um surto de birra e ataques de histeria. Parte dos brasileiros mostra a sua hospitalidade e capacidade de se acomodar com festas e oba-obas. Outra se acomoda com as benesses eleitoreiras que são oferecidas como se jogam rações nos cochos dos animais. Festa, pão e circo!!! Imagens bonitas na TV, um churrasquinho na laje e uma copa.
Se alguns políticos não podem aparecer em público com medo das vaias, outros se tornam os maiores torcedores junto às tantas multidões. Quero ver o povo torcer pelo Brasil de verdade na final. No dia das eleições, daqui a pouquinho.
E que vençam as melhores equipes de verdade. Tanto na copa quanto nas Eleições.
Na real, a grande final para um Brasil de Verdade será no dia 5 de outubro!!!
A Polícia Civil do Rio prendeu agora há pouco, na tarde de hoje, no hotel Copacabana Palace, o britânico Ray Whelan, diretor executivo da Match Services, única empresa autorizada pela Fifa para venda de pacotes de ingressos e camarotes da Copa. A suspeita é que ele seja o chefe do esquema milionário de venda ilegal de ingressos da Copa, pelo qual já foram presas 11 pessoas na última terça (relembre aqui), entre eles o franco-argelino Lamine Fofana, que teria feito centenas de ligações por Ray Whelan, que as atendia numa celular oficial da Fifa, cujo presidente Joseph Battter é tio de Phillipe Blatter, ligado à Match Services. Por sua vez, Fofana teria ligações com vários empresários, dirigentes, ex-jogadores e jogadores do futebol brasileiro.
O delegado responsável pela investigação, Fabio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), disse que chegou ao nome do diretor da Match com a colaboração do advogado José Massih, um dos 11 presos sob suspeita de integrarem a quadrilha:
— Ele foi imprescindível para chegarmos nessa pessoa. A Fifa enviou a lista dos credenciados, que bateu com as declarações dele”, disse o delegado. Entre os 11 presos está o franco-argelino Lamine Fofana, que inicialmente foi apontado como chefe da quadrilha.