Porque a culpa é nossa e chamar de Golpe é desrespeito

Com um pouco mais de intimidade com o Facebook, sobretudo naquilo que é produzido fora da taba goitacá em tempos de crise tupiniquim, é possível encontrar e mergulhar em textos mais densos, bem abaixo do meio palmo de profundidade sobre o qual costuma flutuar a democracia irrefreável das redes sociais. No muito de lixo produzido sobre aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) pela Câmara Federal no último domingo (17/04), garimpei dois textos que julgo irretocáveis.

O primeiro, aqui, é do jornalista Pedro Doria. O segundo, aqui, do diretor de operações da Conspiração Filmes, Ricardo Rangel. Mesmo que você, diferente de mim, não concorde com eles, exceção à reeleição defendida pelo segundo, tenha a certeza de que vale muito a pena conferir ambos:

 

 

Pedro Doria, jornalista
Pedro Doria, jornalista

Chamar de Golpe é um desrespeito

Por Pedro Doria

 

Domingo foi um dia terrível.

Com Fernando Collor, nos permitimos acreditar que um impeachment era motivo de festa. Não é. Collor foi atípico. O normal é essa ressaca que vivemos.

Impeachment é uma ruptura. Collor vinha do nada. O PT tem história. Representa uma longa tradição brasileira que deu quatro presidentes: Getúlio, Jango, Lula e Dilma. Tanto Lula quanto Dilma também foram marcos. Um operário brilhante. Uma mulher.

Mas o Mensalão aconteceu.

O Petrolão.

As pedaladas para fingir que o país estava bem durante a eleição. O governar tratando mal o Congresso. A crise econômica. O desemprego. A lenta migração de brasileiros da Classe C de volta à pobreza. (Já começa a aparecer nas estatísticas.)

Impeachment é uma ruptura.

Mas está sendo feito por um Congresso eleito. Igualzinho a presidente. O último lance, se ocorrer, será concretizado por um Senado presidido pelo presidente do Supremo. (Ou pela presidente do Supremo, se ocorrer no segundo semestre.)

Uma sessão para destituir a presidente da República ocorre perante os presidentes do Legislativo e do Judiciário.

Nenhuma lei terá sido quebrada. E tudo está previsto pela Constituição.

Pedaladas não são crimes de responsabilidade? Quem decide se são ou não são os senadores. A Constituição lhes outorga esta responsabilidade. Não é coisa única do Brasil. Impeachment é assim em democracias presidencialistas. O Senado decide se crime foi cometido. E, se ele decidir, está decidido.

O julgamento não é jurídico. É político.

É o único caso previsto na Constituição para um julgamento assim.

É claro que é uma ruptura.

É claro que Eduardo Cunha.

É claro que Michel Temer.

É claro que Jair Bolsonaro.

É claro que Renan Calheiros.

Tudo é claro. E essas pessoas têm mandatos legitimados pelo voto popular. Votos que têm, cada um, peso igual aos votos de Dilma.

Inclusive Michel Temer. Cada um de seus votos é idêntico a cada um dos votos de Dilma.

O jogo está sendo jogado dentro das regras.

Não gosta das regras? Pressione para mudá-las. Precisam mesmo de mudança. Sente nojo da política? Justíssimo. Bem-vindo ao Brasil, ele é assim faz algum tempo. Os deputados sequer sabem concordância? Lula tampouco sabia e, do ponto de vista da gestão, foi um presidente de alta competência. Bolsonaro é um fascista? É. Eduardo Cunha é corrupto? O acúmulo de evidências fazem parecer que sim. Ainda não foi condenado em última instância. Os deputados que nós escolhemos o escolheram. O STF não o julga? Não julga os outros parlamentares envolvidos na Lava Jato? Cobre do STF. Neste caso, Legislativo e Executivo nada têm a ver com a morosidade do Judiciário.

Tenha nojo à vontade do que ocorreu no domingo.

Pessoalmente, não tenho nojo. Mas carrego comigo uma baita tristeza. Uma sensação de fracasso retumbante, de desânimo, de olhar para tudo em que acreditei quando bem mais jovem e ter o Brasil como o Brasil é esfregado na minha cara.

Mas foi tudo legal, realizado pelo Legislativo, sob supervisão do Judiciário.

Chamar de Golpe é um desrespeito com todos os brasileiros que tiveram de enfrentar 1930, 1937, 1964.

 

 

faixa presidencial

 

 

Ricardo Rangel, diretor de operações da Conspiração Filmes
Ricardo Rangel, diretor de operações da Conspiração Filmes

A culpa é nossa

Por Ricardo Rangel

 

Sou a favor do parlamentarismo, do voto distrital misto, da cláusula de barreira, da criminalização do caixa dois e do estabelecimento de um teto para as contribuições de empresa (não sou a favor de sua proibição). Sou contra o voto obrigatório e contra o financiamento público das campanhas eleitorais. Não sou contra a reeleição, mas precisamos de mecanismos para coibir o uso da máquina governamental.

Não acredito, entretanto, que qualquer das medidas acima vá melhorar significativamente a qualidade de nossos políticos ou de nossa sociedade. Como vimos na votação do impeachment, nosso sistema político é melhor do que imaginamos e melhor do que merecemos: o Congresso Nacional é um retrato fiel da sociedade brasileira. Vi muita gente chocada com o baixo nível de nossos parlamentares, mas a mim o que choca é que tantos só tenham se dado conta disso agora.

Conheço gente de tudo o que é tipo, a grande maioria inteligente e relativamente bem informada. E que rotineiramente anula o voto; que não lembra em quem votou na última eleição; que defende intervenção militar (em alguns casos, “constitucional”); que vota em Bolsonaro; que votou em Eurico Miranda; e muita, muita gente que pretende votar em Lula em 2018, a despeito do mensalão, do petrolão e da recessão; tem gente até que leva Jandira Feghali a sério. Em geral, recusa-se a se reconhecer como elite (mas é) e reclama, com razão, que os políticos brasileiros não prestam.

Vimos um partido organizar e institucionalizar a corrupção no mensalão, de maneira a pôr o Legislativo na folha de pagamento do Executivo, num atentado à democracia, mas o reelegemos assim mesmo. Vimos esse partido fazer tudo errado na economia durante quatro anos, mas nos enganamos achando que tudo ia bem, e o elegemos uma terceira vez. Vimos a cúpula desse partido ir para a cadeia pouco antes de a Lava-Jato desvendar um novo e ainda maior escândalo de corrupção ao mesmo tempo em que a recessão se mostrava grave e inevitável, mas optamos por acreditar em um amontoado de mentiras, e elegemos, pela quarta vez, o partido que nos levava à ruína.

Alguém dirá, corretamente, que o principal problema é a Educação. Estamos todos, à direita e à esquerda, de acordo que a única coisa que pode nos tirar do subdesenvolvimento é a Educação, mas mantivemos no poder um partido que, durante doze anos, nada fez pela Educação e ainda apoia professores que afirmam que o ensino é ruim por culpa dos alunos e lutam com unhas e dentes contra a implantação da meritocracia no setor.

Agora olhamos para o futuro negro, repetimos que “o Brasil não merecia isso” (ora, se não merecia) e procuramos, como tontos, em quem pôr a culpa. Não, a culpa não é do PT. Nem dos políticos, nem dos partidos, nem de Dilma, nem de Lula, nem do Obama, nem da CIA, nem do neoliberalismo, nem da globalização. Nem do FHC. A culpa é nossa.

“Não perguntes por quem dobram os sinos. Eles dobram por ti.” (John Donne)

 

0

Chicão defende governo de coalizão à sucessão de Rosinha

Vice-prefeito há quase oito anos de Rosinha Garotinho (PR), Dr. Chicão Oliveira (PR) é um dos nomes mais gostados dentro do grupo político do secretário de Governo, e seu primo, Anthony Garotinho (PR). Nem sua passagem pela secretaria de Saúde, sempre no olho do furacão, parece ter afetado essa sua imagem de conciliador. É apostando nela que ele projeta um governo de coalizão, caso seja escolhido candidato e se eleja prefeito em outubro.

 

Dr. Chicão Oliveira (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Dr. Chicão Oliveira (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Governo – É o nosso governo, de Rosinha e Dr. Chicão. Tivemos um excelente primeiro mandato. O segundo, marcado pela conjuntura política e econômica adversa como em todo o país, podemos dizer que estamos fazendo um governo regular. Mas com todas as dificuldades e problemas, estamos conseguindo manter os benefícios sociais, como cheque cidadão e passagem a R$ 1,00 que voltou ontem (domingo). Assim como mantivemos em dia os salários dos nossos servidores. Mas o que pretendemos, caso tenhamos nosso nome escolhido, é fazer um governo de coalizão e participação, onde as decisões tomadas saiam de propostas elaboradas por toda a sociedade civil organizada

Oposição – Está fazendo o seu papel. Agora, Se o nosso governo é tão ruim, está deixando essa “terra arrasada” da tática russa da II Guerra (1939/45), por que a oposição quer tanto assumir a Prefeitura de Campos?  Será que existem mesmo todos os problemas que eles apontam? Ninguém em sã consciência iria querer uma coisa ruim. Acho que eles se perdem quando só fazem críticas, sem apresentar propostas consistentes em qualquer campo da administração municipal. Espero que, para os debates, se nós candidatos formos, estejam preocupados em apresentar propostas fundamentadas para resolução dos problemas de uma cidade que não se separa de um estado e um país em crise.

“Independentes” – Considero uma outra forma de se expressar como oposição. Numa metáfora com a grave crise do país, é como se um deputado votasse na sessão de ontem (domingo) na Câmara Federal: “Nem Cunha, nem Dilma, sou independente”. Temos que ter posição na política, que se faz em posições coletivas, não na individual.

Vir de vice – Não há possibilidade, visto que a legislação eleitoral não permite a segunda reeleição para o mesmo cargo executivo.

Vice – Primeiro temos que trabalhar para sermos o nome de consenso do nosso grupo político, para disputar a eleição. A escolha do vice fará parte também das alianças político-partidárias.

Fogueira das vaidades – Posso responder por mim, não por outras pessoas. Da minha parte não existe nem uma faísca de vaidade, ainda mais fogueira. Agora, por aqueles que giram em torno dessa fogueira, que foram picados pela mosca azul, eu não posso responder. Eu só posso falar pela minha palavra e ação.

Dois candidatos governistas – Não vejo em que isso vá trazer benefício para o nosso grupo político. Acho que a chapa tem que sair uma: um único candidato a prefeito e um único candidato a vice-prefeito. Mas se essa estratégia acabar definida pelo grupo, por se entender que seja em seu benefício, eu não farei objeção.

Nominata – O nosso grupo político virá com um nominata muito forte. Acho que o povo irá reconhecer aqueles que trabalharam por ele nesse período em que estivemos no poder, tendo privilegiado aqueles que mais necessitam do poder público, os menos privilegiados.

Secretaria de Saúde – A assumimos em junho de 2013 e saímos em novembro e 2015. Reativamos o Estratégia Saúde da Família, antigo PSF, que estava desativado desde o governo (Alexandre) Mocaiber. Porque em Saúde temos que trabalhar com a prevenção das doenças. Instituímos a cobertura vacinal, reduzindo índices de doenças respiratórias, meningite, hepatite A, varicela e HPV. No Ferreira Machado, inauguramos mais 30 leitos na UTI, Pediatria, novo centro cirúrgico e sala de cuidados semi-intensivos. No HGG, inauguramos Pediatria e ampliação da UTI. Poderia ficar aqui enumerando ações na Saúde em benefício da nossa população. Mas, na Saúde, por mais que você faça, sempre estará faltando fazer muito mais.

 

Página 2 Folha 19-04-16

 

Publicado hoje (19/04) na Folha da Manhã

 

0

Artigo da terça — Sem autocrítica, no autoengano

afogamento

 

 

 

“Entre nós, falta autocrítica, sobra autoengano”. A advertência foi feita pelo deputado federal Chico Alencar (Psol), em entrevista publicada (aqui) na edição da Folha do último domingo. E o que se viu na votação daquele mesmo dia, quando a Câmara Federal aprovou o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) por 367 votos favoráveis, 137 contra, sete abstenções e duas faltas, confirma que a ressalva do deputado foi ignorada de todos os lados, inclusive pelo próprio. Como continuou a ser nas manifestações pelas redes sociais, pelo resto da noite de domingo e a madrugada de segunda, por parte de quem assistiu à votação.

Essa Câmara Federal tomou posse em 1º de janeiro de 2015 e muitos nela se reelegeram, como a própria presidente Dilma. Isto posto, querer fazer crer que, só na noite de 17 de abril de 2016, se tenha descoberto o baixo nível dos deputados federais brasileiros, é autoengano escorrendo pela borda. Tão patético, por parte de quem assistiu e se manifestou sobre a votação, quanto quem nela pretendeu se justificar com Deus, pai, filho e espírito santo.

E onde o autoengano mina do chão, a autocrítica morre à míngua. Enquanto a Câmara teve as miudezas particulares de seus deputados satisfeitas nos 13 anos de governo federal do PT, em troca de apoio parlamentar, ela teve um nível melhor? Ou só “desceu até o chão” quando o seu português ruim, como o do ex-presidente Lula, passou a ser ecoado pelo impeachment pedido nas ruas durante as manifestações de 13 de março, maiores na história do país?

A maioria dos deputados que disseram sim ao impeachment de Dilma tem exatamente a mesma cara dos eleitores que os elegeram. Nem melhor, nem pior. Via de regra, ao embalo da confusão entre “étnica” e “ética” cometida por Dilma na coletiva de ontem, é a mesma face real dos negros, índios, trabalhadores, LGBTs, pobres, sem terra e quaisquer seus opostos, quando despidos da idealização maniqueísta de quem votou contra. Como tão covarde quanto quem saúda uma ditadura e seu torturador, é quem naquele cospe, dá as costas e corre em fuga. Diante ao espelho, a oposição só deve preocupar quando o reflexo repugna nos dois lados.

Assim, as contas na Suíça de Eduardo Cunha foram mais uma vez lembradas por Dilma, em sua coletiva de ontem. E no mesmo dia um laudo da Polícia Federal, com base na quebra do sigilo fiscal da empreiteira Andrade Gutierrez, apontou (aqui) o pagamento de R$ 3,6 milhões para o ex-presidente Lula entre 2011 e 2014, trilhando mesmo percurso do dinheiro que abasteceu empresas investigadas por lavagem de dinheiro de propina alvo da operação Lava Jato.

É o mesmo Lula que espera definição amanhã (20/04), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para saber se pode ou não ocupar o ministério da Casa Civil, para o qual foi nomeado por Dilma, naquilo que o procurador geral da República, Rodrigo Janot, ainda estuda denunciar como obstrução da justiça. Seria outro crime de responsabilidade da presidente que diz não o ter cometido com as “pedaladas” fiscais que ajudaram a quebrar o país.

Independente do desfecho dessa crise, no Senado se fala em setembro, a certeza é de que até lá o Brasil fica paralisado. Para quem conquistou emprego público mediante concurso, a estabilidade garantida pela meritocracia capitalista dá certo alento. Para quem, no entanto, está na livre iniciativa que sustenta o aparelho do Estado, a incerteza preocupa consideravelmente mais, seja empregado ou empregador. Muito embora, como provam os servidores fluminenses penando para receber de um governo estadual solidário (aqui) a Dilma, a crise tenha o condão didático de juntar a todos no mesmo barco — sem rumo e a fazer água.

Sem autocrítica, é fato: morreremos todos afogados no autoengano.

 

Publicado hoje (19/04) na Folha da Manhã

 

0

Dr. Chicão: “O que pretendemos é um governo de coalizão e participação”

Dr. Chicão (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Dr. Chicão (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

“O que pretendemos, caso tenhamos nosso nome escolhido, é fazer um governo de coalizão e participação, onde as decisões tomadas saiam de propostas elaboradas por toda a sociedade civil organizada”.

“Se o nosso governo (Rosinha e Dr. Chicão) é tão ruim, está deixando essa ‘terra arrasada’ da tática russa da II Guerra (1939/45), por que a oposição quer tanto assumir a Prefeitura de Campos?”.

“Poderia ficar aqui enumerando ações na Saúde em benefício da nossa população. Mas, na Saúde, por mais que você faça, sempre estará faltando fazer muito mais”.

 

Esses foram alguns pontos tocados na entrevista o vice-prefeito Dr. Chicão Oliveira (PR), entrevistado hoje na sequência com os pré-candidatos a prefeito de Campos. Confira a íntegra da entrevista na edição de amanhã (19/04) da Folha da Manhã.

 

0

Porque o caminho mais curto, ou a hipocrisia, nem sempre são o melhor

Apesar da recente “barriga” dada (aqui) em inseminação artificial de Anthony Garotinho (PR), um contraponto lúcido à maioria que usou a democracia irrefreável das redes sociais para tentar fazer crer que só na noite de ontem descobriu — Oh! Meu Deus! — o nível de uma Câmara Federal eleita por quem mesmo?

 

Molica 1

 

0

Impeachment — Feijó quase acerta e Garotinho erra mais uma vez

pé frio 2

 

 

Com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) aprovado (aqui e aqui) agora há pouco na Câmara Federal, por 367 favoráveis, a previsão feita aqui pelo deputado federal Paulo Feijó (PR) não chegou a se cumprir, mas passou raspando. Em entrevista à Folha, publicada ontem (16/04), ele disse:

— Aproveito para palpitar. Acredito que teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment.

Do lado oposto, quem sai mais uma vez queimado do processo é o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR). E conseguiu incinerar junto a própria filha, a deputada federal Clarissa (PR), ausente da votação e por isso vaiada (aqui) nas três vezes que teve o nome citado em plenário. Após ter negociado (aqui e aqui) a abstenção da filha, que entrou com licença de 120 dias por conta da gravidez, não 121 ou mais, que permitira o voto do suplente do DEM, Garotinho ainda tentou (aqui e aqui) mudar o voto de Feijó, induzindo o jornalista Fernando Molica, de O Dia, neste sentido.

Se tentou ajudar o governo Dilma por conta da “venda do futuro” de Campos, no valor de mais R$ 1 bilhão, que comprometeria as receitas do município até 20131, mas sem o qual governistas admitem em off não restar dinheiro em caixa nem para pagar ao servidor, Garotinho corre o sério risco ficar com as mãos abanando, após o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir o Palácio do Planalto. Aqui, como reproduziu o Blog do Bastos, o jornalista José Casado revelou no jornal “Extra” que o empréstimo a Campos, usando como garantia os royalties do petróleo ainda não recebidos, foi o objeto da negociação entre o PT e Garotinho.

Ademais, o ex-governador, ex-deputado, ex-prefeito e atual secretário municipal consolida sua fama de “pé frio” na política dos últimos anos. Antes de afundar agora com o governo Dilma, que critica em seu blog para tentar manter as aparências, Garotinho conseguiu apoiar o senador Marcelo Crivella (PRB) em 2014, na disputa do segundo turno do governo estadual contra Luiz Fernando Pezão (PMDB), e levar  sobrinho de Edir Macedo à derrota em cinco das sete zonas eleitorais de Campos. Relembre aqui mais esse fracasso.

Quanto à “venda do futuro” de Campos? Numa ironia do destino, não custa lembrar ter sido Temer quem levou Garotinho na lábia em 2006, quando fingiu apoiar este na pretensão de se candidatar à presidência da República pelo PMDB, só para prender o político da Lapa ao partido que apoiaria a reeleição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

0

Antes de acabar, governo Dilma admitiu derrota na votação do impeachment

Charge do Miguel em 16/04/16
Charge do Miguel em 16/04/16

 

 

O jornal O Globo publicou (aqui) agora há pouco, antes mesmo de acabar a votação do impeachment na Câmara Federal, que o governo Dilma Rousseff (PT) já admite sua derrota:

 

BRASÍLIA — O governo já admitiu derrota na votação da Câmara que define a autorização para a abertura do processo de Impeachment . Segundo fontes do Palácio, as chances de mudar os resultados “são zero”. Até às 20h13, o placar mostra 204 votos a favor do impeachment. São necessários 342 para a aprovação.

 

Confira abaixo a nota do blog do jornalista Jorge Bastos Moreno (aqui), primeiro a noticiar a admissão da derrota pelo governo Dilma:

 

O governo acaba de admitir derrota. Segundo fontes do Palácio, as chances de mudar os resultados “são zero”.

A presidente Dilma deverá fazer um pronunciamento à imprensa, não em rede, condenando a decisão e advertindo que vai lutar até os últimos momentos pela preservação de seu mandato no julgamento do Senado.

 

Atualização às 20h51: Após ter seu nome chamado e dito que se encontrava em licença pela gravidez, a deputada Clarissa Garotinho teve seu nome sonoramente vaiado na Câmara (aquiaqui), mesma reação negativa registrada após o voto de Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Casa, que disse “Que Deus tenha piedade da nação brasileira”, antes de votar pelo impeachment de Dilma.

 

Atualização às 21h09: O deputado Paulo Feijó (PR) citou uma “Campos em festa”, antes de votar pelo impeachment de Dilma, como o blog havia adiantado aqui, apesar das tentativas com em contrário aqui e aqui.

 

Atualização às 23h09:  O deputado Bruno Araújo (DEM/PE) acabou de dar 0 342º voto favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, que consolida sua aprovação por por 2/3 da Câmara Federal.

 

0

Artigo do domingo — Teremos que recomeçar

(Foto: Antônio Cruz - ABR)
(Foto: Antônio Cruz – ABR)

 

Por Vitor Menezes (*)

 

Tudo bem. Esqueçamos os argumentos jurídicos. Eles não parecem mesmo fazer sentido nesta etapa dos acontecimentos. Há quem diga que é um golpe. Há quem diga que não é. Paciência. Mas tratemos então a coisa sob o ponto de vista político: será realmente prudente, produtivo para o futuro, de contribuição para a democracia, que o Brasil derrube uma presidente que, a despeito de todo o mau cenário econômico e impopularidade, mantém base social forte e ainda é capaz de mobilizar militância para ocupar ao menos um dos lados daquele icônico muro de lata em frente ao Congresso Nacional?

Ainda que desconsiderássemos os 54 milhões de votos conferidos a ela — e isso não é algo que se faça, mas vá lá —, não seria uma violência institucional contra os que ainda a apoiam? Vale a pena passar um rolo compressor sobre esta, digamos, minoria de milhões? Qual o custo político disso? Que país cindido estaremos fabricando?

Quando o ex-presidente Fernando Collor foi apeado do poder, também politicamente, pois ninguém estava realmente preocupado com aquela história de Fiat Elba, não contava com sustentação política alguma. Havia sido um candidato fabricado pela Globo e por um partido nanico. Não tinha lastro. Por ironia da história, uma das últimas vozes a defendê-lo — não a Collor pessoalmente, mas à instituição da Presidência da República — foi o então governador do Rio, Leonel Brizola, que em nada afinava com ele em termos ideológicos, mas provavelmente em seus ouvidos ressoavam aqueles rumores dos tempos que depuseram João Goulart.

Talvez por ingenuidade, costumo acreditar que setores responsáveis da política pensam nestas coisas, quaisquer que sejam seus lados. Nos anos 90, por exemplo, identificava vozes assim tanto no PSDB quanto no PT, para falar em elementos extremos dessa atual polarização. Até hoje lamento a ausência da aliança que, para mim, deveria ter sido feita nesta época justamente entre os mais responsáveis de cada lado, para evitar a dependência endêmica do fisiologismo que arruinou a política na década seguinte.

Mas, nestes dias que correm, procuro e não encontro nas lideranças partidárias esse nível de responsabilidade histórica entre antagonistas que muitas vezes recomenda retroceder, amainar, dialogar. Há apenas chefes limitados de pequenos bandos, interessados em defender os seus nacos no butim, sem qualquer projeto de país.

Retrocedemos muito em termos de amadurecimento democrático. O simbolismo e o grande efeito pedagógico de um Fernando Henrique Cardoso passando a faixa presidencial a Lula parece ter ficado para trás. Aécio Neves foi um mau perdedor e com isso nós é que acabamos por perder uma grande chance de mantermos um longo período de estabilidade. Qualquer que seja o resultado da votação do impeachment neste domingo, teremos que recomeçar.

 

(*) Assessor do Sindipetro e presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC)

 

Publicado hoje (17/04) na Folha da Manhã

 

0

Por que ser contra ou a favor do impeachment de Dilma Rousseff?

Os dois têm sua base política no Rio de Janeiro, mas hoje estão na linha de frente nas definições nacionais. Ex-governador, ex-ministro (do governo Dilma Rousseff) e presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco (PMDB) foi considerado (aqui) pelo jornalista Jorge Bastos Moreno como “político mais ligado ao vice-presidente da República”, numa entrevista a O Globo na última segunda-feira, na qual tornou público a manutenção dos programas sociais num eventual governo Michel Temer. Já o historiador Chico Alencar foi vereador carioca, deputado estadual e federal pelo PT, saindo em 2005 na primeira leva do partido que fundou o Psol, no desencanto do escândalo do Mensalão, quando disse: “Não sou eu que saí do PT, mas o PT que saiu de si mesmo”. Embora ambos, Moreira e Chico, sejam bastante críticos à administração Dilma e às práticas petistas de de poder, o segundo vai votar contra o impeachment que o primeiro tenta justificar. Os dois, no entanto, concordam que o maior problema do país é a economia.

 

Ex-governador Moreira Franco e deputado federal Chico Alencar (fotos: divulgação)
Ex-governador Moreira Franco e deputado federal Chico Alencar (fotos: divulgação)

 

Folha – Por que ser contra ou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff?

Moreira Franco – O primeiro problema do Brasil é a economia; o segundo é a economia; e o terceiro é a economia. As pessoas estão perdendo o emprego, perdendo conquistas sociais obtidas nos últimos anos. A inflação cresce e o governo continua com a gastança desenfreada, comprometendo as contas públicas. Todos os setores da economia brasileira estão desorganizados. No Estado do Rio de Janeiro, a questão da Lava Jato e a roubalheira na Petrobras fizeram com que toda a cadeia de óleo e gás fosse comprometida, gerando desemprego em cidades como Itaboraí, Macaé e no próprio município de Campos. Em outros estados do Brasil, a mesma coisa: as contas dos estados foram prejudicadas. Ou seja, a economia brasileira está em um estado de falência total, os municípios quebrados, estados quebrados e a União atrasando, inclusive, até cortando os programas sociais que garantem a vida, a sobrevivência de milhões de brasileiros por falta de recursos financeiros. Nessas circunstâncias não há outro caminho a não ser ter uma visão com uma avaliação rigorosa dos erros cometidos pelo governo também quanto ao desrespeito à responsabilidade fiscal. Quando o governo resolveu gastar demais e comprometeu os bancos públicos, mascarando as contas públicas, adiou o problema para continuar fazendo a gastança e isso que gerou este quadro de desacerto econômico que nos vivemos. Hoje nós temos a Dilma contra o Brasil, o Brasil está nas ruas pedindo o impeachment da presidente.

Chico Alencar – Eu nem digo que o impeachment é um golpe, porque ele tem previsão constitucional, mas esse processo é na verdade, na minha avaliação, farsesco, porque tem vários elementos aí que mostram que ele é uma grande armação. Somos contra o impeachment porque não se pode praticar o ato mais drástico de nossa ordem constitucional pelas frágeis razões de “decretos orçamentários indevidos”. Ou de “pedaladas fiscais” praticadas por muitos governos e, condenadas, até aqui, por um órgão auxiliar do Congresso. Se impopularidade fosse razão de impeachment, sobrariam poucos governantes no Brasil.

 

Folha – Como a aprovação do relatório do impeachment pela comissão, por 38 votos a 27, pode influenciar a votação de domingo, na qual são necessários dois terços para derrubar a presidente?

Chico – A derrota era esperada, com uma diferença de seis a 10 votos (foram 11). Influencia, mas não é decisivo para o resultado de domingo. O governo precisa se preocupar com muitos outros fatores.

Moreira – Uma vitória em uma comissão que o governo dizia ser dela, montada por ela, com regras que foram avaliadas pelo governo como capazes de beneficiá-lo. Eles sempre viram ali um fórum para afirmar a vitória. E saíram perdidos, derrotados. Para que ali, na comissão, a posição favorável ao impeachment obtivesse dois terços dos integrantes, faltaram só quatro votos. Foi uma grande derrota ao governo.

 

Folha – Na votação das “Diretas Já”, em 1984, a emenda constitucional não foi reprovada por votos contrários (apenas 65, contra 268 a favor) na Câmara Federal, mas pelo grande número de ausências (112). A tática da Ditadura Militar (1964/85) pode se repetir no domingo? Por quê?

Moreira – O governo vai jogar todas as forças como está jogando e, evidentemente, a oposição, brasileiros, sobretudo cidadãos brasileiros, eleitores brasileiros vão estar atento ao seu deputado.

Chico – A conjuntura é bastante diferente de 1984. Na época, as Diretas eram praticamente uma unanimidade, e mesmo assim não passou. Hoje, a população está dividida, e existe a enorme pressão da imprensa e das redes sociais. Por outro lado, temos líderes que não lideram e partidos que não têm unidade programática. Não dá para saber.

 

Folha – Caso seja aprovada na Câmara, o impeachment vai para o Senado, onde o presidente Renan Calheiros (PMDB), ao contrário de Eduardo Cunha (PMDB) na Câmara, é aliado do governo. Como isso e a definição por maioria simples poderiam mudar o quadro?

Chico – Isso de “aliado” é muito fluido, nessa conjuntura. Além de cinismo galopante, na tribuna, o que se tornou corriqueiro é o aliado de ontem tornar-se adversário hoje. A regra é a infidelidade, a norma é o oportunismo. No Senado, sendo admitido o impeachment na Câmara, a tendência é ele ser acolhido por maioria simples na chamada Câmara Alta, obtendo 42 de 81 votos. Mas nada é seguro. Mas o sentimento maior é de que, passando na Câmara, o impeachment prospera.

Moreira – Acho que sim, acho que o Senado, passando na Câmara, não vai barrar.

 

Folha – Se Dilma ficar, como conseguirá reverter uma crise econômica que desemprega (aqui) 282 brasileiros a cada hora? Se Temer assumir, como enfrentar isso, mais a oposição cerrada do PT e dos movimentos sociais?

Moreira – Acrescento mais: com nove pedidos de impeachment para ser decididos na Câmara dos Deputados e uma determinação do Supremo Tribunal Federal que o presidente da Câmara é obrigado a colocar os pedidos de impeachment em pauta e formar as comissões. Nós vamos ficar esse tempo todo a cuidar, a ver a Câmara discutindo impeachment da presidente Dilma. Ainda não existe governo Temer, então prefiro trabalhar com fatos e não com hipótese.

Chico – O impeachment não prosperaria se não tivéssemos inflação (10,5%), desemprego (9,5%) e redução de programas sociais. Um em cada cinco jovens brasileiros entre 18 e 24 anos está desempregado. O problema é que as propostas econômicas de Dilma e Temer se assemelham e não por acaso têm o mesmo principal conselheiro, Delfim Netto: redução do gasto público; manutenção de altas taxas de juros, as maiores do mundo!, inclusive para o consumidor, o que multiplica no crediário por 2,4 vezes o preço à vista; redução de direitos trabalhistas, com prioridade do negociado sobre o legislado; fim das vinculações constitucionais orçamentárias para Educação e Saúde e privatização de tudo o ainda que for possível. Nenhum dos dois conseguirá “enfrentar” a crise econômica como a população espera. Com Temer, é verdade, a ortodoxia liberal seria ainda maior, mas ambos pensam nos interesses do patronato e não no povo. A histórica desigualdade social brasileira, que vinha sendo reduzida paulatinamente desde 2000, voltou a crescer: – 3,7% na taxa de Bem Estar, segundo a FGV Social.

 

Folha – Se o impeachment não passar, Dilma ainda pode ser derrubada pelo TSE. Se Temer assumir, corre o mesmo risco. Como lutar essa nova batalha?

Chico – De imediato, é preciso repetir que as saídas da crise não podem prescindir do protagonismo popular. Este é o único antídoto para mais um arranjo das elites, para mais uma transição intransitiva em nossa história. Vladimir Safatle indica essa imprescindível esperança que se constrói: “em situações de crise, o poder instituinte deve ser convocado como única condição possível para reabrir as possibilidades políticas. Seria a melhor maneira de começar uma instauração democrática no país” (FSP, 25/3/2016).

Moreira – Não sei  quando vai ser julgado, mas agora do ponto de vista legal, a chapa não praticou ilícito. O ilícito praticado nas contas ou está em uma campanha ou está em outra campanha ou pode estar até nas duas, mas uma não contamina a outra por consequência. O crime que se procura é por origem de dinheiro decorrente a corrupção, ou seja, lavagem de dinheiro com doação formal. A equipe financeira da campanha do presidente é diferente da equipe financeira da campanha do vice-presidente. As contas são prestadas autonomamente. Eventualmente vai ter uma avaliação para ver se teve recursos de origem ilícitas da campanha da presidente repassados para a do vice. Pelas informações que temos aqui, não houve. As doações dadas ao tesoureiro da campanha do vice-presidente foram doações absolutamente legais.

 

Folha – Com a derrota eleitoral do kirchnerismo na Argentina, do bolivarianismo nas eleições legislativas da Venezuela e do presidente Evo Morales no plebiscito para tentar o quarto mandato na Bolívia, os movimentos de esquerda na América do Sul sinalizam declínio. O lulopetismo no Brasil sofre do mesmo mal? Qual o remédio?

Moreira – Não, eu acho que é um problema local, decorrente de uma realidade local, de uma crise econômica provocada por erros internos num ambiente externo hostil. Mas os erros foram cometidos aqui. São problemas que o governo criou e não está conseguindo resolver. O povo viu que o governo praticou atentado a determinadas regras legais, além de uma gestão temerária e muito fraca na economia.

Chico – As forças que se articulam para destituir a presidente da República. O grande patronato, a mídia hegemônica, o agronegócio e o “mercado”, que até ontem davam sustentação ao governo, buscam apenas seus próprios interesses. Isso se torna ainda mais perceptível quando se vê os cerca de R$ 11 milhões gastos pela Fiesp para promover o impeachment com enormes anúncios nos jornais de maior circulação no país. Esses setores poderosos navegam na grande insatisfação popular, nutrida sobretudo pela crise econômica. Mas aspiram, em eventual governo Michel Temer, um novo pacto de elites, com anunciado ataque aos movimentos sociais, via “ajuste duro” e repressão ampliada. A questão é: há mesmo dois projetos antagônicos de organização da sociedade brasileira em disputa? A prática dos governos de Lula e Dilma diferenciou-se decisivamente da era FHC? Sem dúvida, os programas sociais e as iniciativas para ampliar o consumo interno nos anos do lulopetismo foram mais significativos, mas há uma complementaridade entre as gestões. Entre nós, falta autocrítica, sobra autoengano. É preciso reiterar a importância decisiva, numa perspectiva de futuro mais igualitário, justo e democrático para o país, de uma reforma tributária progressiva, de uma reforma política democratizante de fato, e da construção de um novo modelo econômico que nos livre da situação liberal-periférica em que nos encontramos. Tudo isso precisa ser construído em fóruns abertos à presença popular, sem “espírito condominal” e “trincheiras de dogmas”, velho vício das esquerdas, reunindo as forças progressistas e as organizações cidadãs com novas pautas dispostas a virar essa página final de um processo exaurido. Trata-se, ao fim e ao cabo, de ressignificar o próprio ideário socialista, que hoje precisa incorporar, com centralidade, a democratização radical de todas as relações na sociedade, para o que os espaços virtuais tanto contribuem, e o cuidado ambiental. Este implica em novo modo de se relacionar com a natureza, vale dizer, de produzir, consumir e reaproveitar.

 

Página 5 da edição de hoje (17/06) da Folha
Página 5 da edição de hoje (17/06) da Folha

 

Publicado hoje (17,04) na Folha da Manhã

 

0

Feijó nega ter recebido oferta em dinheiro de Garotinho

Aqui, o jornalista Jorge Bastos Moreno publicou que o deputado federal Paulo Feijó (PR) recebeu uma oferta em dinheiro para mudar seu voto amanhã, favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Indagado agora pelo blog, por telefone, sobre a nota do Moreno, Feijó negou que o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), com quem conversou ontem e depois plantou junto o jornalista Fernando Molica uma nota da conversão dilmista do deputado. Como disse ontem aqui, ele continua afirmando que não chegou a conversar com Garotinho sobre o assunto.

Abaixo, a transcrição da nota do Moreno:

 

Moren

 

O deputado Paulo Feijó (PR-RJ) foi chamado a um certo bunker, por algum colega de partido de um determinado estado de um certo país do planeta terra.

De lá, saiu contabilizado como alguém que teria mudado de posição na votação do impeachment.

Um outro colega seu de bancada, incrédulo com a notícia, procurou o Feijó para se certificar da súbita conversão do amigo. Mas foi recebido com pedradas:

— Você me respeite! Sou um homem sério! Não sou de mudar de opinião!

E acabou revelando a conversa nada republicana que tivera com aquele colega, lá naquele certo bunker:

— Eu falei para aquele …. ( leia-se um palavrão de deixar qualquer mãe ofendida ) que sou um homem honrado, que não me vendo. Mandei ele me respeitar e enfiar o dinheiro no… ( senhores, é melhor nem ler o resto, se algo eu tivesse que acrescentar, desrespeitando o meus leitores ).

Ah, Paulo Feijó vota pelo impeachment da presidente.

E a conversa nada republicana foi mantida apenas com o seu colega, sem a participação de nenhum outro integrante do governo. Ainda bem.

 

Atualização às 9h14 de 17/04: A jornalista Suzy Monteiro foi a primeira a divulgara aqui a nota do Moreno.

 

0

Feijó: “Acredito que teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment”

Sem responder como votaria caso o pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer (PMDB) também chegue ao plenário da Câmara Federal, o deputado Paulo Feijó (PR) reafirmou sua prioridade: destituir Dilma e o PT do governo. Para tanto, ele chega a arriscar um palpite à votação de amanhã (17), encarada como final de Copa do Mundo para grande parte dos brasileiros: “teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment”.  Ainda assim, Feijó teve uma mudança de voto plantada pelo secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), junto ao jornalista Fernando Molica, de O Dia, de quem exigiu e teve retratação. Embora veja em Eduardo Cunha (PMDB)  deficiência moral para comandar o processo impeachment, ele acredita que se “Dilma ficar, com certeza, a crise aumentará”.

 

Paulo Feijó (foto: divulgação)
Paulo Feijó (foto: divulgação)

 

 

Folha da Manhã – Por que ser a favor do impeachment de Dilma Rousseff?

Paulo Feijó – Por convicção. A presidenta cometeu crimes de responsabilidade e desrespeitou a lei orçamentária. Soma-se a tudo isso o histórico de mal feitos do PT, investigados pela Justiça Federal e pelo Ministério Público, que, ao longo dos últimos 13 anos, enganou o povo brasileiro, levando o país a esta mais grave crise econômica, política, moral e social das últimas décadas.

 

Folha – Se Dilma cair na Câmara, cai também a máscara de Lula enquanto articulador político, fracassado em seu empenho pessoal para tentar cooptar deputados contra o impeachment?

Feijó – Cairá não só a máscara de Lula, mas da Dilma e de todo o Partido dos Trabalhadores. Lula iniciou sua trajetória como o bom e experiente sindicalista, excelente negociador, que chegou à Presidência da República. Juntou o poder de presidente ao de excelente negociador. Buscou um projeto de perpetuação no poder, sem limites éticos e morais para alcançar seus objetivos. Como dizem os mais antigos… Um dia a casa cai, caiu e deu no que deu.

 

Folha – Caso seja encolhida à envergadura da Justiça comum, junto a Lula, acha que ela também passa a temer o rigor do juiz Sérgio Moro?

Feijó – Não só ele, como toda a cúpula do PT, pois, com a destituição da presidente Dilma, todos que ocupam cargos no primeiro escalão do governo perderão o foro privilegiado (STF) e serão julgados em Curitiba, 1ª instância.

 

Folha – Clarissa Garotinho, como você, anunciou (aqui) que votaria a favor do impeachment. Todavia, na madrugada de sexta, o jornalista Ricardo Noblat divulgou (aqui) que ela teria tirado uma licença maternidade de 120 dias, não 121 ou mais, que abriria vaga para seu suplente votar em seu lugar, após Garotinho ter negociado com o Palácio do Planalto, como a revista Época já havia adiantado (aqui). Outro jornalista, Lauro Jardim, revelou (aqui) o teor da conversa de Garotinho com a filha grávida de sete meses: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”. Qual sua opinião e o que sabe sobre o episódio? E se Garotinho pedir para você também se ausentar ou votar contra o impeachment?

Feijó – Pelo que sei, a Clarissa está na 35ª semana de gravidez, e realmente traz riscos para sua gestação. Viajar de avião traz riscos, segundo orientações médicas. Fora isso, não sei de mais nada. Em relação a Garotinho, ele não me pediria isso nunca (no início da noite de ontem, Garotinho passou a Fernando Molica, de O Dia, que havia conseguido negociar o voto de Feijó a favor de Dilma, sobre o que sequer chegaram a conversar, obrigando o deputado a ligar ao jornalista e exigir a retratação — confira a celeuma aqui). Meu voto já estava decidido há muito tempo. Só não externei, pois aguardava que o meu partido, o PR, fosse liberar a bancada para votar de acordo com suas convicções. Como isso não aconteceu, tomei a iniciativa no meu momento, de declarar o voto a favor do impeachment. Não abro mão de andar com minha cabeça erguida, tendo sempre o respeito das pessoas, meus amigos e eleitores.

 

Folha – Não considera imoral que um processo capital como um impeachment de uma presidente da República seja conduzido por alguém como Eduardo Cunha (PMDB)? Até quando ele continuará presidente da Câmara?

Feijó – Atrapalha muito sim, mas vamos resolver primeiro o impeachment da presidenta Dilma, depois o Conselho de Ética da Câmara, o Plenário da Câmara ou o Supremo Tribunal Federal resolverá os problemas do deputado Eduardo Cunha, totalmente desmoralizado e enrolado nas denúncias investigadas pela Justiça Federal.

 

Folha – Mesmo que o impeachment seja aprovado na Câmara, Dilma continua no cargo até a decisão do Senado, onde o presidente Renan Calheiros, ao contrário de Cunha, se mantém aliado do governo. Acredita que lá o processo possa ser revertido? Por quê?

Feijó – O presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros, também enfrenta os mesmos problemas na Justiça e está enrolado e desmoralizado. Ele não poderá retardar o processo, pelas implicações regimentais, força da maioria dos senadores e, principalmente, a força da opinião pública brasileira, que acompanha esse desenrolar com muita competência e zelo.

 

Folha – Caso Temer assuma, ele também enfrentará processo de impeachment, que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura na Câmara. Se ele também chegar à votação em plenário, como você votaria?

Feijó – Como já respondi anteriormente, vamos resolver primeiro a grande prioridade, destituir a presidenta Dilma e o PT do governo.

 

Folha – Além do impeachment na Câmara, tanto Dilma quanto Temer têm contas a acertar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde, em tese, parecem ser robustas as provas de que dinheiro desviado da Petrobras irrigou a campanha de ambos em 2014. Dá para sobreviver a esse bombardeio? Como?

Feijó – Sou de opinião que o mais justo para o Brasil seria realmente novas eleições, dando oportunidade ao eleitor de se manifestar, de decidir. Mas depende do TSE, o que demanda uma decisão mais demorada em função dos prazos jurídicos. Vamos resolver o que nos cabe: votar favoravelmente ao impeachment.

 

Folha – O discurso de Temer, acenando com as diretrizes do seu eventual governo, parece ter sido vazado de maneira intencional. Não foi um erro, como o de Fernando Henrique Cardoso em 1984, quando posou para foto na cadeira de prefeito de São Paulo, que por isso mesmo acabou ocupada por Jânio Quadros?

Feijó – Acredito que o vazamento foi uma estratégia do vice-presidente Temer, que até não ficou ruim não. Já está superado.

 

Folha – Foi também em 1984 a votação das “Diretas Já”, onde a emenda constitucional não foi reprovada por votos contrários (só 65, contra 268 a favor) na Câmara, mas pelo grande número de ausências (112). A tática da Ditadura Militar (1964/85) pode se repetir no domingo?

Feijó – Acredito que não. A pressão da opinião pública é muito forte. Deputado que não for votar, só com motivo extremamente convincente. Aproveito para palpitar. Acredito que teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment.

 

Folha – Se Dilma ficar, como conseguirá reverter uma crise econômica que desemprega (aqui) 282 brasileiros a cada hora? Se Temer assumir, como enfrentar isso, mais a oposição cerrada do PT e dos movimentos sociais?

Feijó – Se a presidenta Dilma ficar, com certeza, a crise aumentará. Ela perdeu todas as condições de governar o Brasil. Neste momento, o Temer representa uma esperança para a grande maioria do povo brasileiro. Temer terá que fazer um governo de união nacional para encontrarmos o caminho da reconstrução, lógico, com a oposição do PT e seus seguidores. Não será fácil.

 

Folha – No link da postagem no blog (aqui) com o anúncio do seu voto, feito (aqui) nas redes sociais, houve quem aplaudisse, assim como quem lhe chamasse de “golpista”. Esse processo de impeachment é ou não um golpe? Por quê?

Feijó – Claro que não é golpe. Está sendo obedecida a Constituição Federal, o regimento interno da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Só me chamam de golpista aqueles que não me conhecem. A maioria dos que me criticam são de outros estados e os radicais do PT. Em relação a meus amigos e eleitores, existe quase unanimidade, quase 100% a favor do impeachment.

 

Folha – Vendida como “revolução”, a derrubada de João Goulart pelos militares em 1964, com apoio da sociedade civil, é chamada de golpe. Ninguém usa a mesma classificação para o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Caso se consume, como acha que a História vai se referir à deposição de Dilma Rousseff? 

Feijó – A história se lembrará da presidente Dilma como aquela que foi destituída por ter o seu governo envolvido em vários escândalos de corrupção, de ter mentido para o povo nas duas campanhas eleitorais e ter levado o país a uma grave crise econômica, política, moral e social, sem precedentes na história do país.

 

Página 5 da edição de hoje (16/04) da Folha da Manhã
Página 5 da edição de hoje (16/04) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (16/04) na Folha da Manhã

 

0