Comandante do ataque da Bélgica, Lukaku defende Neymar

 

Não foram apenas a torcida e ex-craques brasileiros, como (aqui) Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, que se levantara em defesa de Neymar, crucificado internacionalmente (aqui) por suas simulações em campo. Em bom português, o perigoso centroavante Romelu Lukaku, que comanda o ataque da Bélgica contra o Brasil, hoje também levantou a bola do camisa 10 adversário:

 

Adversário amanhã do Brasil, hoje o atacante Lukaku defendeu Neymar

 

—  Para mim, Neymar não é ator. Os adversários são mais duros com ele porque Neymar tem qualidades que não são normais. Para mim, no futuro, ele será o melhor do mundo. E estou feliz porque amanhã vou jogar contra ele pela segunda vez na minha carreira.

 

Marcelo volta contra Bélgica. Fernandinho substitui Casemiro

 

Marcelo e Fernandinho entram em campo contra a Bélgica. No banco, zagueiro Marquinhos será opção como volante (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Tite confirmou agora há pouco que Marcelo voltará ao time titular do Brasil nas quartas de final contra a Bélgica, às 15h desta sexta (06). E, como o blog já havia adiantado aqui, Fernandinho será o susbtituto de Casemiro, suspenso pela segundo cartão amarelo. A despeito da boa fase de Firmino, Gabriel Jesus também foi confirmado no comando do ataque.

Se não fosse a ausência forçada de Casemiro, é possível que Fernandinho tomasse o lugar de Paulinho entre os 11 que entram em campo amanhã. O objetivo seria reforçar a marcação no meio de campo, para tentar conter a habilidade e a vocação ofensiva dos belgas.

Caso seja necessário no decorrer da partida, sobretudo se o Brasil estiver em vantagem no placar, é  provável que o zagueiro Marquinhos entre como volante. Ele atuou na posição quando entrou contra o México, nas oitavs. Assim como no Corinthians, quando era treinado por Tite.

Sobre a opção de Marquinhos, o treinador da Seleção falou:

— Como primeiro meio-campista mais atrás, assim como ele entrou (contra o México). É um jogador versátil, que já jogou comigo. Aliás, o primeiro jogo do Marquinhos no profissional (do Corinthians) foi um clássico contra o Palmeiras jogando como volante. Então ele tem as ferramentas para jogar ali.

 

Protagonistas do Penta apoiam Neymar na busca do Hexa ao Brasil

 

Para muita gente boa, Ronaldo Fenômeno foi o maior camisa 9 do futebol mundial. E ninguém que duvida que Rivaldo tenha sido um dos maiores camisas 10 da Seleção Brasileira. Juntos, eles foram os principais responsáveis pela conquista do Penta, em 2002, nos campos do Japão e Coreia do Su. Hoje, ambos entraram de novo em campo. Mas na defesa: de Neymar.

O craque presente do Brasil tem sido alvo (aqui) de um bombardeio da crítica internacional por suas simulações nos quatro jogos da Copa da Rússia.

 

Ronaldo Fenômeno e Neymar

 

— O futebol tem muitas visões e interpretações. Eu sou contra essas opiniões. Eu acho que o Neymar usa de maneira muito inteligente a sua mobilidade para se defender de todas as pancadas e porradas que leva durante o jogo. Acho que os árbitros tem sido pouco protetores com ele. Eu era alvo de jogadas violentas repetidamente e me sentia injustiçado. Essas críticas são bobagens. O resultado que ele está entregando para a Seleção Brasileira é maravilhoso. Temos que ser mais técnicos nos comentários e menos conversa fiada de boteco — alfinetou Ronaldo em entrevista.

 

Rivaldo e Neymar

 

— Neymar, jogue como sempre jogou e não se preocupe com os comentários dos outros países, porque muitos já estão em casa. Se tiver que driblar, drible; se tiver que dar chapéu, dê. Se tiver que fazer gol, faça. Se tiver que cair com as faltas, caia. E se tiver que ganhar tempo no chão, ganhe. Porque todos fazem o mesmo. O problema é que você é o cara da Copa e ídolo do nosso país e, infelizmente, isso está incomodando muita gente, eu não sei por quê. Vai pra cima, como sempre e continue nos encantando com teu futebol — pregou Rivaldo nas redes sociais.

Com esse apoio, fica um único lamento: o tempo que separou os três craques no campo.

 

Admirável mundo novo — Aberta a disputa ao título de babaca da Copa

 

A disputa pelo título de babaca da Copa está aberta. E, como na Rússia, ingleses e brasileiros também despontam como candidatos à final. Na capa do tabloide The Sun, jornalistas ingleses anunciaram (aqui) o Inglaterra e Colômbia com um trocadilho ligando o segundo país à produção de cocaína — da qual o primeiro é um dos maiores consumidores no mundo.

 

Após atuação brilhante contra a Argentina, o craque francês de origem africana Kylien Mbappé foi alvo de tuíte racista pelo youtuber brasileiro Júlio Cocielo

 

Mas não faltou quem se apresentasse à tabela com a cretinice. Após a vitória de 4 a 3 da França sobre a Argentina, quando o jovem craque francês Kylian Mbappé impressionou o mundo pela velocidade e habilidade do seu futebol, o jogador de ascendência africana mereceu o seguinte comentário do youtuber brasileiro Júlio Cocielo:

 

 

Cocielo possui 7,4 milhões de seguidores no Twitter, 11,2 milhões no Instagram e o Canal Canalha, mantido por ele no YouTube, 16,2 milhões. Acusado de racista pelo tuíte, ele o apagou e publicou um pedido de desculpas:

— O tuíte foi interpretado de mil formas diferentes e gerou uma enorme discussão. De qualquer forma, não existe justificativa, isso fez eu me sentir muito mal só de imaginar ter sido uma pessoa escrota. Arrependido e aprendido! Lição pra vida! Nunca mais se repetirá! (…) Peço desculpas publicamente.

Apesar do ato de contrição, internautas irritados pelo tuíte sobre o craque francês vasculharam os perfis de Cocielo nas redes sociais. E encontraram diversas outras postagens ofensivas feitas anteriormente. Em 2013, ele tinha escrito que só seria possível deixar de fazer piadas de negros caso eles fossem exterminados. No mesmo ano, falou que não faria vídeo sobre o Dia da Consciência Negra porque na cela não havia wi-fi.

 

Casamento dos youtubers Tata Estaniecki e Júlio Cocielo no luxuoso resort Barceló Bávaro Palace em Punta Cana, na República Dominicana. A festança de quatro dias foi bancada pelos milhões de seguidores do casal nas redes sociais

 

Por conta da polêmica, patrocinadores romperam seus contratos com o influenciador virtual. Foram os casos da Adidas, do banco Itaú e da varejista virtual Submarino. Para se ter uma ideia dos dividendos pecuniários que esse admirável mundo novo são capazes de render, Cocielo se casou em março com a também youtuber Tata Estaniecki, no luxuoso resort Barceló Bávaro Palace em Punta Cana, na República Dominicana. A festança durou quatro dias.

Ironicamente, os críticos do “politicamente correto” geralmente se identificam mais com o espectro político da direita. E as sanções que o youtuber politicamente incorreto recebeu pelo tuíte sobre Mbappé foi o mais capitalista possível: no bolso. Mais ou menos como os EUA, eliminados da Copa da Rússia pelo Panamá, costumam fazer com os países que não rezam em sua cartilha. A não ser que tenham ogivas nucleares e mísseis transcontinentais, como a Rússia e a Coreia do Norte. Aí, o mundo real se impõe.

 

Craque, Neymar atrela sua imagem no mundo às simulações

 

Neymar tem futebol para levar o Brasil ao título na Rússia e ser eleito o craque da Copa. Mas sua imagem está definitivamente marcada no mundo pelas simulações e reações espalhafatosas. Confira o comercial de uma rede de fast-food na África do Sul e decida: foi ou não inspirado no camisa 10 brasileiro?

 

 

Blog elege seleção, técnico, craque, jogo e gol mais bonitos das oitavas

 

Dia de abstinência de Copa e redescobrir que existe vida além do futebol. Mas, concluída ontem (03) as oitavas de final do Mundial na Rússia, o blog não pode deixar de registrar sua seleção entre as 16 que apresentaram antes do afunilamento nas oito que disputarão as quartas de final a partir deste sábado (30). E também o melhor técnico, o craque, o jogo e o gol mais bonitos das oitavas. Vamos a eles:

 

Goleiro: Kasper Schmeichel (Dinamarca)

 

Lateral-direito: Mário Fernandes (Rússia)

 

Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)

 

Zagueiro: Yerry Mina (Colômbia)

 

Lateral-esquerdo: Lucas Hernández (França)

 

Volante: N’Golo Kanté (França)

 

Meia: Eden Hazard (Bélgica)

 

Meia: Kylian Mabappé (França)

 

Atacante: Edinson Cavani (Uruguai)

 

Atacante: Harry Kane (Inglaterra)

 

Atacante: Neymar (Brasil)

 

 

Técnico: Tite (Brasil)

 

 

Craque: Kyllian Mbappé (França)

 

 

Melhor jogo: França 4×3 Argentina (30/06)

 

 

Gol mais bonito: Edinson Cavani, segundo do Uruguai 2×0 Portugal (30/06)

 

 

Confira aqui a seleção, o técnico, o craque, o jogo e o gol mais bonitos da fase de grupos.

 

Tite fazia a Neymar as mesmas críticas que hoje fazem os estrangeiros

 

Antes do jogo de ontem vencido pelo Brasil, Tite e Juan Carlos Osorio se cumprimentaram. Após, o técnico do México fez as mesmas críticas a Neymar que o brasileiro fazia em 2012 (Foto: Mike Hewitt – FIFA/Getty Images)

 

Apesar de ter feito um gol e ter dado o passe ao outro, com atuação decisiva no 2 a 0 do Brasil sobre o México (aqui), Neymar foi alvo de várias críticas. Após a partida, o colombiano Juan Carlos Osorio, treinador da seleção mexicana, chamou de “palhaçada” a reação espalhafatosa do craque brasileiro, ao ter o tornozelo deslealmente pisado pelo lateral-direiro Miguel Layún. E disse que aquilo era “mau exemplo para as crianças”.

Grandes nomes do passado também questionaram severamente a atitude do camisa 10 do Brasil. Ex-goleiro de destaque da seleção da Dinamarca e do Manchester United, Peter Schmeichel disse sobre o episódio:

— Não consigo achar outra maneira de descrever que não seja lamentável. Parecia que ele (Neymar) estava morrendo. Pensei que ele seria colocado numa maca, então numa ambulância, e nunca mais o veríamos de novo. Você já viu (Cristiano) Ronaldo fazer isso? Ele aprendeu quando era novo. Você vê Messi e Harry Kane fazendo isso? Gianni Infantino (presidente da Fifa) estava no estádio, eles têm de olhar para isso. É preciso que os árbitros deem uma advertência a ele na primeira vez que fizer isso, e depois o expulsem. Só assim ele vai aprender.

Outros grandes jogadores do passado, os ex-atacantes da Inglaterra Alan Shearer e Gary Lineker, também se manifestaram nas redes socias:

— Pelo amor de Deus, Neymar. Pare. Estamos cansados disso — disse Shearer

— Neymar joga tão bem quanto se joga em campo. É um jogador incrivelmente bom — ironizou Lineker.

Lineker também foi bastante questionado hoje nas redes sociais, por não ter criticado as simulações dos jogadores do seu país no empate de 1 a 1 contra a Colômbia, quando a Inglaterra conseguiu na disputa de pênaltis a última vaga às quartas de final. Mas tentou manter a ironia:

— Eu nunca disse que eles (os jogadores ingleses) eram diferentes. Mas Neymar é o melhor.

O fato é que, após sua primeira atuação na Copa à altura das expectativas e diante do ataque de estrangeiros, o torcedor brasileiro partiu em defesa de Neymar. Contaminadas pelo maniqueísmo da política brasileira, algumas reações, no entanto, foram tão canastronas quanto os rolamentos do atacante:

— O VAR “erra”sistematicamente contra a seleção (brasileira). Mas o pior acabou sendo um pisão de Layún no tornozelo de Neymar com o jogo parado, na beira do campo. Nesse caso o VAR também não serviu para a expulsão do agressor. O imperialismo, no entanto, já está empenhado em falsificar a realidade contra o time brasileiro, que está cada vez mais perto de mais um título — publicou aqui o Diário da Causa Operária.

Em sentido contrário, um vídeo viralizarou hoje nas redes sociais do país. Nele, em 2012, então técnico do Corinthians, que acabara de perder de 3 a 2 para o Santos pelo Brasileirão, Tite teceu críticas a Neymar muito parecidos com as do treinador do México, inclusive no tal “mau exemplo para as crianças”. Confira abaixo:

 

 

Orávio de Campos — A Morte de Lydia Lambert

 

 

 

Não existem coincidências dentre as narrativas propostas pelos principais memorialistas quando escrevem sobre a história da cidade. Mas, de certa forma, pelo estilo de cada um, podemos, claramente, identificar suas razões ideológicas e o fato de pertencerem (ou não) à bolha social do seu tempo, pela tentativa de esconder, pelo simulacro, qualquer tipo de indícios sobre a culpabilidade de um ou de outro personagem ilustre envolvido com a natureza do crime.

Há muitos anos, causa-nos espanto o fato descrito por Gastão Machado (1899-1964: Os Crimes Célebres de Campos), Horácio de Souza (1878-1937: Cyclo Áureo), Júlio Feydit (1845-1922: Subsídios para a História de Campos dos Goytacazes) e Hervé Salgado Rodrigues (1914-1995: Campos – Na Taba dos Goytacazes), dando conta da “Morte de Lydia Lambert”, cujo corpo, vítima de estupro e asfixiamento, aparecera boiando no Porto Grande, defronte à Rua Santos Dumont, que à época tinha o nome de Rua Direita.

Manhã do dia 29 de junho de 1866. Estivadores encontraram o cadáver da bela mocinha, de cerca de 20 anos de idade, filha de Manuel da Barca e neta do vice-cônsul francês, Jules Lambert, uma pessoa importante porquanto inaugurara em 02 de julho de 1846 a barca-pêndulo, única forma de atravessar para o outro lado, segundo registro do Dr. Hervé (p.58).  Estava o corpo em meio à sujeira comum nos portos onde a sociedade despejava seus excrementos no Paraíba.

Feydit (p. 473-474), que fora vereador, prefeito e delegado, narrou o seguinte: “A 29 de junho de 1866 foi encontrada morta, no Porto Grande, uma moça de cor parda, de nome Lydia, filha de Manoel da Barca, mestre da Barca da Passagem, de onde lhe veio aquele apelido. Os médicos opinaram que ela não morrera por submersão, mas sim por lhe taparem a boca para que não gritasse, enquanto era violentada. Era então Delegado de Polícia o Dr. José Joaquim Herédia de Sá, que procurou descobrir o criminoso sem nada conseguir; e, por essa razão, sendo muitos os indiciados, ainda hoje o mesmo mistério envolve o autor do crime”.

Souza (p.354), diz que “(…) o crime ficou até hoje envolto em denso mistério (...)”. E, também, noticiou: “E causa pasmo que um crime tão monstruoso não pudesse ser desvendado pela polícia, não deixando de si um só indicio para a descoberta do espírito diabólico que o concebeu e praticou”. Gastão, um dos maiores teatrólogos desta urbe, preferiu, com o pseudônimo de Gil de Mantua, romancear o caso e sua narrativa acaba misturando as possibilidades do real com rasgos ficcionais, fechando o crime com conjecturas misteriosas.

Quem nos dá alguns indicativos positivos é Hervé (p.58), muito mais corajoso ao descrever: (…) “O crime figura no livro de Gastão Machado, ‘Os Crimes Célebres de Campos’ e ficou impune, sendo provável o motivo porque um dos principais suspeitos era um velhote, rico capitalista”. E opina: “O negócio foi tão bem abafado que nem Gastão registrou, porque não pode, o nome do capitalista que perseguiu a moça nas ruas com galanteios e fora por ela repelido. Sempre o dinheiro garantindo impunidade”.

Através de um exercício sobre literatura comparada, envolvendo os escritores, por dedução, considerando-se a época em que a cidade estava concentrada no espaço do centro histórico, chega-se à figura do maior capitalista de então, José Martins Pinheiro (1801-1876), agraciado, pelo Imperador Pedro II, com o título de Barão da Lagoa Dourada, após ter doado, em 1865, 10 contos de réis para a campanha bélica dos “Voluntários da Pátria”. Era, também, comendador da Imperial Ordem de Cristo.

Tido como mulherengo pelos seus patrícios, o barão contava, à época do crime contra Lydia Lambert, 65 anos de idade, exatamente como narra Hervé, que o criminoso poderia ser um velhote rico, capitalista e de muita influência na cidade. O que se sabe, a posteriori, é que o Barão nunca mais teve paz na vida, a ponto de, no dia 29 de julho de 1876, 10 anos depois, deixando uma carta testamento dirigida do Alferes Antonio Lopes Rangel, atirou-se da Ponte sobre o Rio Paraíba, inaugurada três anos antes.

Vivia tomado pelo remorso como o que sentira Românovitch, o personagem principal de Dostoievski, no “Crime e Castigo”. Os memorialistas falam que ele estava falido, o que não corresponde à realidade. No documento ao alferes cita “ter sido vítima da irresponsabilidade de amigos e estar velho e doente, motivo porque suas propriedades estavam abandonadas, reinando enorme indisciplina entre seus escravos”.  O tema nos faz embarafustar nos arquivos públicos em busca de sua peça exordial. O Barão pode ter sido o autor da morte de Lydia Lambert e as pesquisas em documentos oficiais poderão esclarecer o crime, 152 anos depois.

Nos registros constam que defronte ao lugar onde encontraram o cadáver estuprado e asfixiado da filha do barqueiro francês, havia o “Banco das Cismas”, onde se reuniam poetas e escritores, como Manoel Moll, Múcio da Paixão e Theófilo Guimarães, para tertúlias literárias. O lugar poderia ter sido o ethos da inspiração de Azevedo Cruz para tecer o seu mais expressivo poema — “Amantia Verba” — traduzido como versos amantes à terra em que nasceu.

Bom, mas esta é uma outra história…

 

Em jogo tenso pelo preconceito, Inglaterra bate a Colômbia nos pênaltis

 

Harry Kane comemora o pênalti sofrido e convertido por ele, que abriu o placar (Foto: Victor R. Caivano – AP)

 

Mais cedo, a Suécia hoje se classificou por 1 a 0 e despachou a Suíça. E agora vai enfrentar a Inglaterra nas quartas. No jogo que encerrou a fase das oitavas de final, os ingleses derrotaram a Colômbia na disputa de pênaltis, após um emocionante empate de 1 a 1 em tempo normal, mantido na prorrogação. Mesmo sem seu maior craque, James Rodríguez, vetado por lesão muscular, a seleção sul-americana lutou com bravura num jogo bastante tenso. Não só por seu caráter eliminatório, como pela capa de ontem do jornal inglês The Sun.

Preconceito assumido pelo tabloide inglês The Sun, no trocadilho cretino da sua manchete

Ao anunciar a partida de hoje, ao lado da foto do artilheiro Harry Kane, o tabloide sensacionalista usou como manchete: “Como 3 leões enfrentam uma nação que deu ao mundo Shakira, um ótimo café e… ahn… outras coisas. Vai Kane!”. Em inglês, “Go Kane” é um trocadilho para simular “cocaine” (cocaína), droga que já mergulhou a Colômbia numa sangrenta guerra pelo controle da sua produção e tráfico internacional.

A provocação preconceituosa do jornal inglês gerou reações de indignação por todo o mundo. E claramente insuflou os ânimos dos jogadores colombianos. Na Arena Spartak, em Moscou, o primeiro tempo se marcou mais pelas entradas ríspidas e trocas de provocação do que por chances de gol. O placar só seria aberto aos 11’ da segunda etapa, após Harry Kane sofrer e converter um pênalti. Ele se isoulou ainda mais na artilharia da Copa, agora com seis gols.

No que parece ter virado hábito deste Mundial, a Colômbia só mudou o resultado nos descontos da partida. Aos 49’, o zagueiro colombiano Yerry Mina, ex-Palmeiras e atual Barcelona, confirmou sua vocação de goleador e usou a cabeça para empatar. Foi o terceiro gol dele na Copa. A Inglaterra claramente sentiu o golpe, passando sufoco na prorrogação também por falha do seu técnico Gareth Southgate. Ele demorou a fazer as substituições a que ainda tinha direito, depois de já ter mudado o time no segundo tempo para tentar segurar a vitória parcial.

Como os ingleses conseguiram manter o empate pelo menos na prorrogação, o jogo foi para a disputa de pênaltis. Kane voltou a converter. Como não desperdiçaram Falcão García, Cuadrado, Rashford e Muriel. O goleiro Ospina mergulhou no canto esquerdo para pegar a cobrança de Henderson. Mas Uribe acertou o travessão e não abriu vantagem aos colombianos, que viram Trippier empatar a disputa em 3 a 3. Na última rodada, o goleiro inglês Pickford defendeu o chute de Bacca. E Dier converteu, conquistando a vaga às quartas para a Inglaterra.

Com a derrota da Colômbia, além da Argentina, agora serão seis europeus (França, Rússia, Croácia, Bélgica, Suécia e Inglaterra) e dois sul-americanos (Uruguai e Brasil)  disputando quatro vagas às semifinais.

Fechadas as oitavas, foi a primeira vez que os ingleses venceram uma disputa de pênaltis em Copas do Mundo. Eles já haviam perdido na semifinal de 1990, para a Alemanha; nas oitavas de 1998, para a Argentina; e nas quartas de 2006, para Portugal. Ao espantar hoje essa bruxa do seu futebol, a Inglaterra poderia aproveitar para exorcizar também o preconceito cretino assumido por sua imprensa.

 

 

Igor Franco — Mansplaining & Manusplaining

 

 

A semana que viu a Seleção Brasileira avançar à segunda fase da Copa do Mundo após três partidas pouco convincentes teve ainda menos emoção no campo político. Numa atípica calmaria em Brasília, com o decadente governo Temer evitando os holofotes por novos vexames e o Congresso em ritmo (ainda mais) lento, o STF não decepcionou e ajudou a aprofundar a crise de confiança nas instituições brasileiras, ao determinar a soltura de José Dirceu (PT) e João Cláudio Genu (PP). Além disso, a já famosa Segunda Turma também trancou uma ação contra Fernando Capez (PSDB-SP) e anulou operação que mirou a senadora petista Gleisi Hoffman.

As redes sociais, porém, pareceram dar mais importância à repercussão da entrevista da pré-candidata comunista Manuela D’Ávila ao programa Roda Viva. No dia seguinte à exibição do mesmo, a reclamação dos simpatizantes da política a respeito de excessivas interrupções foi reverberada em diversos portais e não tardou para que uma nova palavra mágica da esquerda progressista mundial desembarcasse com força em terras tupiniquins: mansplaining, junção da palavra man (homem) com a palavra explaining (explicação). Para quem não entendeu, é o nome dado ao hábito de interrupção de uma mulher por um interlocutor que pensa saber mais que ela sobre determinado assunto.

Defensores da comunista divulgaram o número de 62 interrupções por seus entrevistadores. Segundo a Folha de São Paulo, Manuela D’Ávila foi interrompida 40 vezes durante a entrevista. Em comparação, o mesmo jornal apurou que Ciro Gomes havia sido interrompido 8 vezes, Guilherme Boulos 9 vezes e Marina Silva, também mulher, apenas 3 vezes.

Há evidência empírica antiga e recente de que a conduta de interromper mulheres ao longo de um discurso, é, realmente, uma prática disseminada e corriqueira. Porém, os mesmos estudos mostram que também as mulheres interrompem outras mulheres com mais frequência, desidratando a teoria de que se trata de um problema de machismo. A explicação para o fenômeno foi tentada por um artigo que correlaciona o vocabulário utilizado com mais frequência por mulheres, com palavras menos assertivas que as utilizadas por homens, como causa para a postura deselegante. Segundo os pesquisadores, ao denotar menos confiança através de palavras genéricas, as mulheres ficariam mais vulneráveis à interpelações e contraposições intempestivas. Tal característica foi recentemente lembrado numa entrevista concedida pelo psicólogo canadense Jordan B. Peterson à apresentadora Cathy Newman, em vídeo que viralizou na rede e fez de Peterson o inimigo número 1 das feministas canadenses, americanas e europeias. Aliás, dado o comportamento da entrevistadora no episódio, não poderia haver reclamação se um termo como womansplaining surgisse.

Noves fora as evidências científicas, não me parece contra-intuitivo pensar na disseminação dessa prática. Situações de tensão e conflito (seja numa reunião executiva, seja na deliberação de um grupo de políticos, por exemplo) são historicamente dominadas por homens. A presença de mulheres – que é altamente positiva e desejável – em tais ambientes tende a gerar estranheza e um comportamento defensivo por parte da força que se sente ameaçada.  A postura, além de deselegante e pretensiosa, também não é contra-intuitiva. Entretanto, nada disso ocorreu no programa Roda Viva, que tive a oportunidade de assistir ao vivo.

É importante registrar que a própria Manuela não apontou nada de anormal ao longo da edição. Ao longo de mais de uma hora de perguntas e respostas, as interrupções se davam na maioria das vezes dentro do contexto da discussão. Em muitas ocasiões, a candidata simplesmente tergiversava sobre os questionamentos, como quando questionada sobre o desastre humanitário recente na Venezuela. Manuela também se recusou a censurar Stálin e outros sanguinários líderes comunistas, trazendo uma justificativa infame ao comportamento genocida do soviético. Em outras ocasiões, a defesa apaixonada do ex-presidente presidiário, com afirmações do tipo “todos sabem que não há prova” causaram desconforto e imediato repúdio dos entrevistadores.

O mansplaining pode ser, de fato, algo real. Porém, o que mais faltou no Roda Vivo de segunda passada foi a Manusplaining: a necessidade de Manu explicar como conciliar a suposta defesa de uma esquerda moderna com a defesa apaixonada de ditadores e criminosos parceiros de ideologia.

 

Bélgica decepciona, mas vira sobre o Japão e agora pega o Brasil

 

Atacante japonês Genki Haraguchi marca o primeiro gol do Japão sobre a Bélgica, na zebra de pintas e olhos oblíquos que quase se desenhou na Copa da Rússia (Foto de Jorge Silva – Reuters)

 

Numa Copa em que vários favoritos já ficaram pelo caminho, hoje foi a vez de quem jogou o melhor futebol da fase de grupos (aqui) também decepcionar. Mas como em futebol o que vale é bola na rede, depois de levar dois gols do Japão, a Bélgica teve força para marcar outros três, o último aos 49’ do segundo tempo. E agora vai tentar se refazer do tremendo susto para enfrentar o Brasil, às 15h desta sexta (06).

No primeiro tempo, como o México havia feito mais cedo com o Brasil, o Japão surpreendeu ao impor sua marcação no campo de defesa do adversário, considerado franco favorito pela crônica esportiva do mundo. E a pressão revelou limitações na saída de bola e falhas na defesa que os belgas ainda não haviam mostrado na Copa da Rússia. Ainda assim, a seleção europeia criou várias chances, muitas não convertidas em gol pelo excesso de preciosismo de seus jogadores.

Depois do intervalo, quando todos pensavam que a Bélgica finalmente faria valer sua maior qualidade técnica, começou a se desenhar uma zebra de pintas e olhos oblíquos. Logo aos 2’, o meia Gaku Shibasaki armou um contra-ataque rápido e lançou Genki Haraguchi na esquerda. Revelando a falha na defesa belga no lado em que o Brasil costuma concentrar suas ações ofensivas, o atacante japonês bateu cruzado para abrir o placar.

A surpresa foi ainda maior quando, apenas quatro minutos depois, o meia Shinji Kagawa deu um lençol em seu marcador antes de servir a Takashi Inui. Ele acertou um belo chute para fazer 2 a 0. A Bélgica sentiu demais o golpe. A reação nasceu de um lance fortuito aos 24’, quando zagueiro belga Jan Vertonghen tentou cruzar de cabeça na área. A bola ganhou uma curva inesperada e o goleiro Eiji Kawashima aceitou o frango.

O empate viria cinco minutos depois, fruto das alterações do técnico espanhol da Bélgica, Roberto Martínez. Sem jogar nada, o hábil Dries Mertens havia dado lugar a Marouane Fellaini, de 1,94m, no meio de campo belga. Também de cabeça, ele completou o cruzamento de Eden Hazard para fazer 2 a 2.

Os dois gols em bolas altas não serviram de lição aos esforçados, mas baixos e ainda ingênuos japoneses. No último minuto dos descontos, eles tinham um escanteio e cruzaram uma bola alta na área belga. Com 1,99m, o goleiro Thibaut Courtois pegou sem problemas e armou com as mãos o contra-ataque.

Apesar da atuação decepcionante, o meia Kevin De Bruyne lançou o lateral Thomas Meunier pela extrema direita. Ele cruzou rasteiro da área, o centroavante Romelu Lukaku puxou a marcação, fez o corta luz e serviu a bola ao meia Nacer Chadli. Livre, ele classificou os belgas para enfrentar o Brasil.

Como a Croácia, que também ganhou com autoridade seus três primeiros jogos no Mundial, mas só passou às quartas na disputa de pênaltis (aqui) contra a Dinamarca, a Bélgica decepcionou diante do Japão. Na defesa, expôs uma linha pesada e lenta, que pode ser explorada pela rapidez de jogadores como Neymar, Philippe Coutinho, Willian e Gabriel Jesus (ou Firmino?).

Quanto ao decantado quarteto ofensivo belga, apenas Hazard e Lukaku jogaram hoje com a entrega que uma partida eliminatória de Copa do Mundo exige. Só não marcaram também seus gols por absoluta falta de sorte. Já o armador De Bruyne, estrela da Premier League, e o meia-direita Mertens mostraram uma gritante queda no nível do futebol que apresentaram na fase de grupos.

A Copa da Rússia já deixou seleções de peso para trás, como Alemanha, Argentina e Espanha. Ao mesmo tempo, evidenciou a croatas a belgas como camisas de maior tradição podem fazer falta na hora de confirmar em campo a condição de candidatos ao título.

Ainda assim, não se deve duvidar da capacidade técnica dos jogadores da Bélgica. Nem do que uma virada como a de hoje, mesmo contra o Japão, é capaz de produzir num time de futebol.

 

 

Com Neymar em dia de Neymar, Brasil despacha o México por 2 a 0

 

Neymar bate no peito na comemoração do primeiro gol do Brasil (Foto: Frank Augstein – AP)

 

Jogadores do Paris Saint-Germain, o francês Kylian Mbappé (aqui) e o uruguaio Edinson Cavani (aqui) já haviam brilhado no sábado (30), quando classificaram suas seleções às quartas de final da Copa da Rússia. Companheiro dos dois no clube parisiense, hoje foi o dia de Neymar fazer o mesmo na vitória de 2 a 0 do Brasil sobre o México. Eleito pela Fifa como melhor jogador em campo, ele marcou o primeiro gol, em jogada que criou e concluiu, aos 6’ do da etapa final. E puxou o contra-ataque no segundo, aos 43’, marcado pelo centroavante Firmino.

Antes do jogo, o técnico colombiano do México, Juan Carlos Osorio, havia dito que jogaria de igual para igual com o Brasil. E o treinador cumpriu o que prometeu. Logo após o apito inicial, a seleção mexicana avançou a marcação ao campo defensivo brasileiro, gerando bastante dificuldade, sobretudo na saída de bola. Pela esquerda, o atacante Vela deu muito trabalho ao lateral-direito Fagner. Mas ele e toda a defesa brasileira voltaram a demonstrar solidez.

Incentivada das arquibancadas de Samara por sua efusiva torcida, a pressão mexicana incomodava, mas não foi convertida em chances de gol. Com o Brasil acuado, coube a Neymar equilibrar as ações. Aos 24’, em jogada individual pela esquerda, ele driblou o lateral-direito Edson Alvarez e bateu para a defesa do goleiro Guillermo Ochoa. Foi a fagulha que acendeu o time e a torcida brasileira, com a bola passando a rondar a área mexicana. Aos 32’, foi a vez do atacante Gabriel Jesus também testar Ochoa.

Com o jogo equilibrado no primeiro tempo, no segundo foi Neymar que pesou a balança a favor do Brasil. Logo aos 5’, diante da área mexicana, ele cortou da esquerda para o meio, levando três marcadores, que colocou fora da jogada com um toque sutil de calcanhar a Willian. Outro destaque da partida, o jovem meia entrou pela esquerda e cruzou. A bola passou por Gabriel Jesus, mas não por Neymar: Brasil 1×0. Na comemoração do gol, o camisa 10 foi erguido nos ombros pelo meia Paulinho.

O México claramente sentiu o baque. Jogador que entrou no intervalo, no lugar do veterano volante Rafa Márquez, Miguel Layún entrou na lateral-direita com a função de marcar e provocar Neymar. Tite foi inteligente ao perceber a intenção e inverteu a posição entre seu camisa 10 e Gabriel Jesus: o primeiro passou a atuar mais pelo meio e o centroavante foi jogar na esquerda. Aos 14’, o técnico herdou um problema para o próximo jogo: o eficiente volante Casemiro levou seu segundo cartão amarelo na Copa e está fora das quartas de final.

Também mais livre com a inversão entre Neymar e Gabriel, Willian fez sua melhor exibição na Copa da Rússia. Aos 18’, em penetração pela direita, ele pedalou sobre a bola, driblou o zagueiro Carlos Salcedo e bateu para uma boa defesa de Ochoa. Aos 25’, num lance fora de campo, diante de Tite e do banco brasileiro, Layún pisou propositalmente no tornozelo de Neymar, que estava caído. Depois do jogo, o técnico Osorio chorou suas mágoas, falou em “palhaçada” e creditou o resultado do jogo à arbitragem, que não deu o cartão amarelo ao desleal jogador mexicano.

Aos 34’, para impedir o domínio de bola pelo meio de campo do México, Tite novamente voltou a intervir na partida. Ele substituiu Paulinho por Fernandinho, que reforçou a marcação no setor. Aos 40’, quem saiu de campo foi o meia Philippe Coutinho, para dar entrada ao atacante Firmino.

Quatro minutos depois, as duas mudanças de Tite foram início e fim do segundo gol brasileiro: Fernandinho lançou Neymar em contra-ataque. O camisa 10 penetrou pela esquerda e bateu a gol de biquinho de pé. Também com o pé, Ochoa desviou a bola para Firmino completar em incisão pela área: Brasil 2×0.

Conquistada a vaga do Brasil às quartas de final na próxima sexta (06), à espera do adversário a ser definido no confronto de daqui a pouco entre Bélgica e Japão, Neymar foi perguntado se essa seria a Copa de Neymar, depois que o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo foram eliminados nas oitavas. Ele respondeu: “Quero que essa seja a Copa do Brasil!”

Oxalá as respostas do craque brasileiro continuem a ser dadas dentro de campo. E na bola.