Projeto de Lei para garantir gás de cozinha aos pobres

 

Gás de cozinha chega a R$ 120,00 com governo Jair Bolsonaro

 

Relatado pelo deputado federal Christino Áureo (PP/RJ), o Projeto de Lei (PL) 1.374/21, que cria o Programa Gás Social, destinado a famílias de baixa renda, foi aprovado na Câmara dos Deputados ontem (29). A proposta estabelece um auxílio, no modelo de transferência de renda, cuja referência será, no mínimo, equivalente ao preço médio mensal do produto. A ideia é permitir, pelo menos, a aquisição de um botijão de 13 quilos a cada dois meses. Agora, a matéria segue para análise do Senado.

 

Deputado federal de Macaé, Christino Áureo (Foto: Divulgação)

 

— A aprovação do Gás Social era mais do que necessária. É uma situação emergencial. As famílias brasileiras não conseguem sequer acompanhar os aumentos de preços internos. Como explicar para elas a variação do dólar ou do preço do barril no mercado internacional? Essa responsabilidade tem que ser assumida pelo Orçamento Público. Do contrário, veremos o agravamento da miséria e da fome — afirmou Christino Áureo.

O PL determina que os beneficiários, inscritos no CadÚnico, receberão créditos exclusivamente para a aquisição do produto. Esses créditos poderão ser utilizados por meio de cartão eletrônico ou outro meio previsto na regulamentação.

Estima-se que, de um contingente aproximado de 16 milhões de inscritos, será possível começar atendendo cerca de um terço. Também serão contempladas mulheres vítimas de violência doméstica:

— Temos assistido, semanalmente, a notícias de acidentes que acontecem dentro das casas por causa da utilização de produtos que não são seguros e nem adequados para cozinhar, como álcool, lenha e carvão. Isso acontece justamente porque as famílias não têm condições de comprar um botijão de gás para proverem a sua alimentação — explicou  o deputado.

A elevação dos preços dos combustíveis derivados de petróleo, em especial do gás de cozinha, pressiona muito a renda das famílias mais pobres, tornando praticamente impossível às famílias em situação de extrema pobreza ter acesso ao produto no valor atual, que chega a quase R$ 120.

 

Custeio do programa

Os recursos para custeio do programa virão da parcela dos royalties e de Participação Especial decorrentes da exploração de petróleo e gás natural que cabe à União e a partir da arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

 

Da assessoria do deputado.

 

Política e economia com Amoêdo no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta, 1º de outubro, quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é João Amoêdo, engenheiro, banqueiro, empresário, fundador do Partido Novo e ex-candidato a presidente em 2018. Ele analisará o liberalismo de Paulo Guedes no ministério da Economia e grave crise econômica do país. Também falará do governo Jair Bolsonaro (sem partido) como um todo e, nele, do papel do mercado e do Novo.

Por fim, Amoêdo dará suas projeções às eleições de 2022 a presidente e governador do RJ. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Machado de Assis há 113 anos por Euclides da Cunha

 

Machado de Assis

No conceituado grupo de WhatsApp que este blog divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, sou lembrado pelo advogado Cléber Tinoco que hoje se completam 113 anos da morte de Machado de Assis. A lembrança é necessária, inclusive para contrastar o que o Brasil já foi capaz de produzir com as trevas que hoje comandam o país.

Em memória ao nosso luminoso Mulato, republiquei no grupo e, agora, também neste blog, a crônica “A última visita”. Que Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, escreveu sobre a morte do nosso maior prosista, publicado no Jornal do Comércio a 30 de setembro de 1908. Particularmente, considero o texto mais belo entre os que já li no jornalismo brasileiro.

Astrojildo Pereira

A título de curiosidade, o adolescente anônimo da crônica era Astrojildo Pereira. Autodidata, depois reconhecido como um dos maiores estudiosos da obra de Machado e fundador do Partido Comunista Brasileiro (PCB, atual Cidadania), batiza hoje Fundação homônima. Com a qual o Grupo Folha, por intermédio do cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf, promoveu os debates nacionais “A política econômica do desenvolvimento: de Vargas aos nossos dias”, em 30 de maio, e “A questão militar: do Império aos nossos dias”, em 30 de julho. Que tiveram transmissão ao vivo na Folha FM na PlenaTV.

Abaixo, os últimos momentos de Machado de Assis e o ainda anônimo Astrojildo Pereira, “menino” e “maior homem da sua Terra”, na “precisão integral do termo” por Euclides da Cunha. E, se depois de lê-la, que a animação sirva que você leia também “Dom Casmurro”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Esaú e Jacó”, “O Alienista” e “Páginas Recolhidas”. Se for pela primeira vez, não sabe a inveja danada que tenho de você.

 

 

Euclides da Cunha

A última visita

Por Euclides da Cunha

 

Na noite em que faleceu Machado de Assis, quem penetrasse na vivenda do poeta, em Laranjeiras, não acreditaria que estivesse tão próximo o desenlace de sua enfermidade. Na sala de jantar, para onde dizia o quarto do querido mestre, um grupo de senhoras — ontem meninas que ele carregara no colo, hoje nobilíssimas mães de família — comentavam-lhe os lances encantadores da vida e reliam-lhe antigos versos, ainda inéditos, avaramente guardados em álbuns caprichosos. As vozes eram discretas, as mágoas apenas rebrilhavam nos olhos marejados de lágrimas, e a placidez era completa no recinto, onde a saudade glorificava uma existência, antes da morte.

No salão de visitas viam-se alguns discípulos dedicados, também aparentemente tranquilos.

E compreendia-se desde logo a antilogia de coração tão ao parecer tranquilo na iminência de uma catástrofe. Era o contágio da própria serenidade incomparável e emocionante em que ia a pouco e pouco extinguindo-se o extraordinário escritor. Realmente, na fase aguda de sua moléstia, Machado de Assis, se por acaso traía com um gemido e uma contração mais viva o sofrimento, apressava-se a pedir desculpas aos que o assistiam, na ânsia e no apuro gentilíssimo de quem corrige um descuido ou involuntário deslize. Timbrava em sua primeira e última dissimulação: a dissimulação da própria agonia, para não nos magoar com o reflexo da sua dor. A sua infinita delicadeza de pensar, de sentir e de agir, que no trato vulgar dos homens se exteriorizava em timidez embaraçadora e recatado retraimento, transfigurava-se em fortaleza tranquila e soberana.

E gentilissimamente bom durante a vida, ele se tornava gentilmente heroico na morte…

Mas aquela placidez aguda despertava na sala principal, onde se reuniam Coelho Neto, Graça Aranha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e Rodrigo Otávio, comentários divergentes. Resumia-os um amargo desapontamento.

De um modo geral, não se compreendia que uma vida que tanto viveu outras vidas, assimilando-as através de análises sutilíssimas, para no-las transfigurar e ampliar, aformoseadas em sínteses radiosas — que uma vida de tal porte desaparecesse no meio de tamanha indiferença, num círculo limitadíssimo de corações amigos. Um escritor da estatura de Machado de Assis só devera extinguir-se dentro de uma grande e nobilitadora comoção nacional.

Era pelo menos desanimador tanto descaso — a cidade inteira, sem a vibração de um abalo, derivando imperturbavelmente na normalidade sua existência complexa, quando faltavam poucos minutos para que se cerrassem quarenta anos de literatura gloriosa…

Neste momento, precisamente ao enunciar-se este juízo desalentado, ouviram-se umas tímidas pancadas na porta principal da entrada.

Abriram-na. Apareceu um desconhecido: um adolescente, de 16 a 18 anos no máximo. Perguntaram-lhe o nome. Declarou ser desnecessário dizê-lo: ninguém ali o conhecia; não conhecia, por sua vez, ninguém; não conhecia o próprio dono da casa, a não ser pela leitura de seus livros, que o encantavam. Por isto ao ler nos jornais da tarde que o escritor se achava em estado gravíssimo tivera o pensamento de visitá-lo. Relutara contra essa ideia, não tendo quem o apresentasse: mas não lograra vencê-la. Que o desculpassem, portanto. Se não lhe era dado ver o enfermo, dessem-lhe ao menos notícias certas do seu estado.

E o anônimo juvenil — vindo da noite — foi conduzido ao quarto do doente.

Chegou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu.

À porta José Veríssimo perguntou-lhe o nome. Disse-lho.

Mas deve ficar anônimo. Qualquer que seja o destino dessa criança, ela nunca mais subirá tanto na vida. Naquele momento o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo — no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis — aquele menino foi o maior homem de sua Terra.

Ele saiu — e houve na sala há pouco invadida de desalentos uma transfiguração.

No fastígio de certos estados morais concretizaram-se às vezes as maiores idealizações. Pelos nossos olhos passara a impressão visual da Posteridade.

 

André Ceciliano — A energia que vem do Norte

 

Temelétrica da GNA, que entrou em operação no Porto do Açu no último dia 16 (Foto: Divulgação)

 

André Ceciliano, deputado estadual pelo PT e presidente da Alerj

A energia que vem do Norte

Por André Ceciliano

 

O Rio de Janeiro tem um conjunto de oportunidades que devem ser exploradas na área de desenvolvimento econômico. E o Norte Fluminense é abençoado por características especiais que o tornam capaz de captar uma série de empreendimentos que se apresentaram. O enfrentamento da crise energética que se coloca no país, hoje e para os próximos anos, é uma delas.

Nessa linha, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sob minha condução, aprovou o Projeto de Lei que resultou na Lei nº9214/21, de 17 de março último, com objetivo de incentivar projetos de geração elétrica, especialmente através do gás natural, o que já está incentivando uma série de investimento no Norte Fluminense.

Nesse sentido, já se destaca a termoelétrica GNA, no Porto do Açu, que acaba de entrar em operação, inicialmente com Gás Natural de Liquefeito (GNL). Outras termoelétricas virão, a partir da contratação da reserva de carga recém-lançada pela Portaria Normativa Nº 24/GM/MME, de 17 de setembro de 2021, do ministério de Minas e Energia.

É muito importante aproveitar esse momento para transformar o Estado do Rio de Janeiro, especialmente o Norte Fluminense, num grande cluster de geração de energia, favorecendo a atração de empresas, sobretudo indústrias.

A possível Rota 5, recentemente anunciada pela Equinor, que entrará por Macaé, trará também um grande potencial para desenvolver novos projetos, especialmente depois que se estabelecer ali um gasoduto que distribua e possa transferir esse gás para os diversos municípios do Norte Fluminense, como Campos e até o Porto do Açu, em São João da Barra.

Esses novos empreendimentos de geração de energia elétrica, além de gerarem milhares de empregos durante a sua construção, favorecem o desenvolvimento de uma série de outros projetos industriais. E também se potencializa a sinergia com o Porto do Açu, principal projeto logístico portuário privado do país, que precisará — e essa é uma luta nossa — de uma interconexão ferroviária, além da melhoria do acesso rodoviário, que se dará após a nova concessão da Rodovia BR 101 Norte.

Dentro das chamadas “energias alternativas”, também a Alerj aprovou uma série de incentivos para o sistema de energia solar, aumentando o tamanho dos projetos que podem se beneficiar dos incentivos estaduais, como caso da Lei 9922/20, também de minha autoria. Trata-se de uma tendência de futuro, de energia limpa. Neste sentido, o Norte Fluminense, abençoado pelo sol que brilha o ano inteiro, também terá muito a se beneficiar.

Também conseguimos aprovar, recentemente, projeto de minha autoria, transformado na lei 9360/21, que isenta o ICMS cobrado em energia para produtores rurais, desde que comprovem que de fato se enquadram nesta categoria.

Por tudo isso, a Alerj começará no fim do ano a rodar o estado para discutir a regulamentação do nosso Fundo Soberano, criado a partir de emenda constitucional de minha iniciativa. Abastecido com 30% do crescimento da arrecadação dos royalties, só este ano a previsão é que seja depositado R$ 2 bi nesse fundo. Dinheiro que deve ser investido em projetos estruturantes para cada região. E ninguém com mais autoridade para definir que é estruturante para as cidades do que quem vive nelas, os cidadãos. Vamos ouvi-los.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Tassiana sobre ataques à sua honra: “não fiquem caladas”

 

Após depor hoje na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), sobre os ataques à sua honra feitos pelo secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD), em discussão pelas redes sociais iniciada pelo seu marido, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD), a primeira-dama de Campos, Tassiana Oliveira, saiu sem falar com a imprensa. Mas, usando seu perfil do Instagram, ela se posicionou publicamente sobre o ocorrido, bem como sobre sua denúncia contra Bacellar.

Confira abaixo:

 

Tassiana Oliveira denunciou hoje os ataques à sua honra, feitos por Rodrigo Bacellar, na Deam (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

“Após muita reflexão e oração buscando entendimento sobre o ocorrido, decidi escrever esta nota.

A vida das mulheres nunca foi fácil, passamos por muitos percalços ao longo da história para termos reconhecimento e conseguir ocupar espaços, seja na esfera pública ou privada. A luta de uma, é a luta de todas. São milhares que sofrem todos os dias com agressões físicas, emocionais e psicológicas. Dessa vez foi comigo. Fui vítima de um ataque baixo, machista e intolerável por um ocupante de cargo público que deveria lutar pelos direitos de nós mulheres e não incentivar o sexismo.

Se eu me calo, eu estaria motivando a continuidade de atos praticados todos os dias contra nós. A nossa liberdade não tem preço, tem valor.

Participei recentemente da inauguração do Centro Especializado de Atendimento a Mulher (Ceam) em Campos, me lembro dos depoimentos e de uma frase que me marcou: “não fiquem caladas”. Por mim e por todas as mulheres eu não tenho o direito de ficar, mesmo correndo o risco de me expor ainda mais. Além dessa nota registrei denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (Deam) e ingressarei com ações de judiciais cabíveis.

Sou mulher, sou filha e sou mãe e peço a Deus que abençoe a família do meu agressor, a sua mãe, a sua esposa e todas aquelas com quem ele convive, para que nunca passem pelo constrangimento de serem agredias e afrontadas moralmente como eu fui.

Construí a minha família com quem amo e admiro, são 16 anos de união, cumplicidade e desafios ao lado de uma única pessoa.

Por fim, peço a primeira dama do estado, Analine Castro, mulher de família e de honra, que não permita o avanço desse comportamento por parte de integrantes do governo. Os direitos das mulheres devem ser defendidos por todos, principalmente por quem Deus permitiu estar onde está.

Por todas nós, Tassiana Oliveira”.

 

Saiba mais sobre o caso nos links abaixo:

Discussão de Rodrigo e Wladimir passa o limite aceitável

Rodrigo x Wladimir por Marcos Bacellar e as mulheres

Baixaria da política de Campos pauta o debate no Rio

 

Baixaria da política de Campos pauta o debate no Rio

 

Celeuma entre Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho foi pauta hoje no Rio de Janeiro, com a jornalista Berenice Seara, na Rádio CBN (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Por mais que Campos queira e mereça superar a baixaria pessoal a que sua política foi reduzida no último final de semana, na discussão travada nas redes sociais entre o secretário de Governo do estado do Rio, Rodrigo Bacellar (SD), e o prefeito Wladimir Garotinho (SD), o caso continua rendendo. Não só aqui, mas também na capital carioca. Hoje, na rádio CBN, a jornalista Berenice Seara, do jornal Extra, falou sobre a confusão, que mereceu nota de repúdio da OAB Rio e Campos, por conta das insinuações levianas feitas por Rodrigo contra a honra de Tassiana Oliveira, esposa de Wladimir.

Após noticiar o caso no domingo, o blog voltou a tratar do assunto hoje, para reproduzir a posição forte do ex-vereador Marcos Bacellar (SD), pai de Rodrigo. Assim como de mulheres que se sentiram ofendidas pelas declarações do secretário, condenando-as como machistas. Pai de Wladimir, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), que já usou de ofensas muito parecidas no passado, inclusive contra mulheres, reagiu fazendo ataques também levianos contra os Bacellar. Que concluiu com um “conselho” ao governador Cláudio Castro (PL), aliado dos Bacellar e dos Garotinho:

— Se algum conselho posso oferecer ao primeiro mandatário do nosso estado, é desratizar o Palácio Guanabara enquanto ainda há tempo.

Confira abaixo, em áudio da CBN, como o infeliz episódio da política goitacá foi analisado na capital:

 

 

Atualização às 15h46, para noticiar também a manifestação do coletivo feminista “Nós por nós”. Que condenou como machista as declarações do secretário Rodrigo Bacellar. E se solidarizou com a primeira-dama goitacá, Tassiana Oliveira, e com a advogada feminista Kelly Vitter, diretora da OAB Mulher de Campos:

 

 

O Estado tem cor, gênero e classe social: personificado, majoritariamente, pela figura de um homem branco, rico, racista, machista e hetero-patriarcal.

Nós, mulheres, sofremos violência em todos os espaços, sejam públicos ou privados. Nenhum lugar é seguro para nós — nem mesmo a nossa própria casa ou trabalho. Somos agredidas por desconhecidos, por nossos companheiros e até mesmo por esse Estado masculino.

Hoje (ontem) presenciamos mais um triste episódio de violência de gênero praticada por um representante do Estado que deveria, sobretudo, cumprir seu dever estatal de garantir o respeito, segurança e a igualdade entre seus cidadãos.

O secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar atacou politicamente uma mulher (Tassiana Oliveira) ao publicizar e questionar fatos de sua vida particular, como seus relacionamentos passados, a fim de atingir sua honra e utilizar tal violência como manobra política.

A violência política de gênero tenta desmoralizar as mulheres ao questionar seus comportamentos, aparências, vidas pessoais e relacionamentos, com objetivo de diminuir sua atuação profissional/política, com base em conceitos e pensamentos conservadores e machistas.

Após a violência praticada pelo secretário, a OAB Mulher de Campos, representada por sua diretora @kellyviter.adv, manifestou-se por meio de nota em repúdio à violência política de gênero praticada, tendo sido ratificada por meio da direção da OAB Mulher do Estado do RJ.

Logo após, Kelly Viter foi atacada por um veículo de imprensa (Click Campos) que trabalha politicamente para Bacellar, sofrendo, também, violência de gênero, ao ter seu trabalho profissional e até o seu ativismo questionado e relativizado por se colocar publicamente contra as práticas machistas do Estado.

Kelly, além de advogada e diretora da OAB Mulher, é fundadora do projeto social @poramoraooutro e parceira do Nós Por Nós. Sua trajetória de militância em prol da defesa dos direitos das mulheres é notória para todas nós. A história do feminismo em Campos é marcada por seu ativismo e luta pelo fim da violência de gênero na sociedade, inclusive a violência em que agora é vítima.

Entendemos esta prática como uma típica medida intimidadora a fim de calar a voz de mulheres que se colocam a fim de denunciar as estruturas machistas da nossa política.

Reforçamos que tal prática é uma afronta aos direitos humanos, sobretudo aos direitos das mulheres.

Por isso, o Coletivo Nós Por Nós se manifesta por meio da presente nota a fim de repudiar tais opressoes e reafirmar que não aceitaremos nenhuma intimidação nem machismo, tampouco de senhores engravatados que representam a perpetuação da velha política misógina.

Enquanto Coletivo feminista, lutaremos sempre contra as práticas machistas e de violência de gênero contra todas as mulheres, pois nenhuma mulher deve ou merece ser agredida.

Mexeu com uma, mexeu com todas!

 

Rodrigo x Wladimir por Marcos Bacellar e as mulheres

 

Ex-vereador que marcou época como presidente da Câmara Municipal de Campos, Marcos Bacellar (SD) enviou ontem ao blog uma nota sobre o infeliz ocorrido entre seu filho, o secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD), e o prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Infeliz, sobretudo, pelo fato de Rodrigo ter colocado a primeira-dama Tassiana Oliveira numa discussão, provocada por Wladimir, que deveria ser apenas política.

Rodrigo, à sua maneira, se desculpou ainda na noite de ontem, em nota oficial publicada em seu perfil no Instagram, por qualquer eventual ofensa que tenha feito a Tassiana. O secretário estadual disse:

 

— Não conheço a senhora Tassiana e minhas palavras, deturpadas por eles, não foram ofensivas contra ela, que tem sido inserida por seu marido no meio político com intenções eleitorais. Não a ofendi, como não gostaria que a minha esposa fosse, assim como não citei nenhuma informação que não seja de conhecimento público, mas caso tenha se sentido ofendida, peço desculpa. Porém, a alerto de que, quem a vida toda ofendeu adversários, foi a família que ela entrou, onde desrespeitam até pessoas que já morreram ou ainda estavam em tratamento contra o câncer.

 

Abaixo, o texto do pai de Rodrigo, Marcos Bacellar, sobre o assunto. Que enviou ao blog por WhatsApp, assinando-o como “o terror de Chucky”, em referência ao personagem da franquia de filmes de terror, com o qual ele apelidou o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) no passado:

 

Marcos Bacellar, líder sindical e ex-vereador

“‘O cavaco não cai longe do pau’

Anthony Garotinho nunca respeitou ninguém, mete o pau em tudo e em todos. Fez política a vida toda assim, fazendo alianças com quem joga rasteiro, usando e jogando pessoas no lixo. Não respeita as diferenças, a família, a mídia e a Justiça. Xingava e humilhava todos que discordavam das suas ideias.

Fui um dos pioneiros a enfrentar Garotinho no mesmo tom, inclusive entrando ao vivo na rádio dele e chamando de pilantra.

Agora seu filho, Wladimir, segue usando os seus ‘poderes’, jogando no mesmo estilo do seu pai, sendo um moleque raivoso, birrento e covarde.

Não respeita ninguém, usa todos que pode, de jornaleiros a jornalistas, usa a OAB e qualquer outra entidade que consiga manipular através de cargos que mamam nas tetas do erário municipal.

Vale lembrar quantas famílias eles atacaram, quantas mulheres eles desonraram e desrespeitaram. Como sempre, jogam baixo, atacam, mas não são capazes de aceitar e enfrentar as respostas dos seus atos. Preferem se vitimizar, como os covardes que sempre foram e sempre vão ser.

Deixa de tolice, me chamando disso e daquilo. É na sua casa que o camburão costuma ir e é lá que ele vai voltar pra terminar o serviço.

O que o ditado diz é verdade: o cavaco não cai longe do pau. A diferença é que enquanto eles são sinônimo de covardia, nós somos sinônimo de luta.

Senhora Tassiana Oliveira, me desculpe, mas será que a senhora não sabia em qual família estava entrando? A minha sabe muito bem que é pau, porrada e bomba.

Agora, se quiser, é só falar com seu marido e sogro pra esquecerem a família Bacellar, que daqui eu prometo o mesmo. E vamos lutar em favor do povo de Campos.

A luta continua, forte abraço!”

 

Além de Bacellar, houve também manifestações de quem, certamente, tem o “lugar de fala” nesse caso: mulheres que admiro e respeito tanto quanto ao ex-vereador. E, sobre a postagem publicada ontem sobre o assunto neste “Opiniões”, elas se posicionaram no grupo de WhatsApp que este blog divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.

Personificado nessas mulheres, fica o desejo sincero de que o infeliz episódio seja o quanto antes superado. Para tanto, bom seria que os homens da política goitacá aprendessem um pouco da didática feminina na terra de Benta Pereira, heroína histórica da cidade no século 18:

 

Dora Paula Paes, jornalista

“Como mulher e jornalista atuando na política de Campos, os dois jovens políticos têm nos seus pais exemplos de truculência no tratar com as mulheres. Já fui vítima dos dois. Quanto à primeira-dama, nunca nos falamos, lamento ela ter sua vida jogada dessa forma na fossa do poder. Como mulher não posso deixar de dizer que sou solidária”.

 

Rafaela Machado, historiadora e diretora do Arquivo Público de Campos

“Aluysio Abreu Barbosa tem aqui o registro da minha admiração pelo posicionamento. Como cidadã e como mulher afirmo que é um posicionamento necessário, posto que o que está em questão aqui vai além de um mero caso político, ou de uma briga político-partidária. O ataque envolve a todas nós, mulheres, que sofremos cotidianamente ataques, achincalhamentos e assédios dos mais variados tipos. Hoje ele está personificado na primeira-dama, Tassiana Oliveira, como antes esteve na Isa Penna (advogada trabalhista e militante feminista, deputada estadual em São Paulo pelo Psol), por exemplo. Ele — o ataque — existe e é cotidiano e recorrente. E devemos, sim, usar o que aconteceu para cada vez mais darmos visibilidade a casos assim. E deixar quem comete tais atos pérfidos no lugar que lhes cabe: o lugar do agressor — seja essa violência física, verbal, ou quaisquer outras.

Que possamos todos prestar nossa solidariedade a Tassiana e a todas as mulheres que são vítimas cotidianamente de ataques que colocam em questão a sua idoneidade, a sua moral e as suas próprias escolhas. Que possamos dar cada vez mais visibilidade a casos como esse para questionar a permanência de laços historicamente construídos e que teimam em determinar que o lugar da mulher é escolhido por qualquer um, menos por ela mesma”.

 

Vera Marques, médica

“É assustador que em pleno século XXI a mulher passe por isso e que não possa externar a sua sexualidade, entre tantas outras questões, nesse mundo machista que, parece-me, que foi exacerbado nesse momento no Brasil”.

 

Cynthia Cordeiro, médica

“Parabéns pelo seu posicionamento! A mulher tem que ser respeitada, independente do cargo, profissão, religião, raça, opção sexual ou política, jeito de vestir ou falar. Inadmissível e vergonhoso assistir esse tipo de postura, ainda mais vindo de quem deveria nos representar. Que usem outros caminhos para discussão de desavenças políticas!”

 

Graciete Nunes, professora e sindicalista

“Parabéns pelo posicionamento acertado. Abominável a postura do deputado, hoje secretário. É inadmissível o ataque às mulheres já que ‘mexeu com uma, mexeu com todas’. Independente das diferenças políticas é importante manter o bom nível do debate e uma relação de urbanidade e respeito”.

 

Discussão de Rodrigo e Wladimir passa o limite aceitável

 

Rodrigo Bacellar e Wladmir Garotinho diante do mesmo microfone do Folha no Ar, na Folha FM 98,3 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Para quem acompanha a política de Campos desde a eleição municipal de 1988, antes mesmo de valerem as novas regras da Constituição Federal promulgada naquele ano, não há favor em reconhecer o talento de jovens e promissores políticos goitacá. Como são o secretário de Governo do estado do Rio, Rodrigo Bacellar (SD), e o prefeito Wladimir Garotinho (PSD).

Os dois políticos de Campos são da mesma geração, à qual pertencem também o ex-prefeito Rafael Diniz (Solidariedade) e o secretário de Ciência e Tecnologia Caio Vianna (PDT). Que é marcada tanto pelas redes sociais e sua diarreia verbal, quanto pelo respeito masculino devido ao empoderamento feminino na vida cotidiana e pública. O lugar da mulher na sociedade é onde ela quiser estar. Está aí a ainda chanceler da Alemanha Angela Merkel, reverenciada pelo mundo, para servir como exemplo.

Apesar de serem ambos aliados políticos do governador Cláudio Castro (PL), Rodrigo e Wladimir vêm trocando farpas nas redes sociais desde o processo eleitoral de 2020, no qual o segundo se elegeu prefeito. Mas ontem, infelizmente, essa polarização ultrapassou qualquer limite civilizacional aceitável.

Após ser criticado pelo atual prefeito de Campos por ter se reunido na sexta (24) com Rafael, Rodrigo escreveu na tarde de ontem (25), se direcionando publicamente a Wladimir: “O ex-prefeito atualmente está casado e feliz, não representa o perigo que você imagina, não leva pro coração esse recalque! Devia se preocupar mais com o futuro político dela, pois se for mesmo pra Brasília como você planeja, as chances de você ser passado pra trás são bem maiores”.

Wladimir tinha escrito sobre a reunião entre Rodrigo e Rafael no final da noite de sexta: “Reunião de um deputado estadual hoje contou até com a presença ilustre de Rafael Diniz. Os iguais se atraem e a dobradinha da eleição continua a todo o vapor. Mentir por povo nunca deu certo e o ditado popular continua de pé: quem se mistura com porco, farelo come”.

E, após ter sua esposa indevidamente metida na discussão na resposta de Rodrigo na tarde sábado, Wladimir reagiu no final da noite de ontem: “Ofender minha esposa com insinuações maldosas e ataques machistas mostra o quão desprezível é o secretário estadual de governo. Uma pena que o governador do RJ mantenha em sua antessala um cidadão tão mau caráter. Me encare, seu frouxo; não vai tocar na minha família”.

Não está incorreto quem lembra que o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) já usou publicamente das mesmas insinuações levianas e desrespeitosas contra a honra de mulheres, adversárias políticas ou esposas de quem julgava ser. Só que isso está em um passado que não merece ser revivido. E, sobretudo, certo está quem lembra que Wladimir, embora filho e herdeiro político, não é Garotinho.

No presente, o prefeito errou ao iniciar as provocações contra Rodrigo e Rafael. Mas o secretário perdeu qualquer razão ao envolver a primeira-dama Tassiana Oliveira nessa discussão, atentando contra sua honra enquanto mulher, esposa e mãe de família. Não por outro motivo, Bacellar, que é advogado, mereceu na tarde de hoje a manifestação de repúdio da OAB-RJ e OAB Mulher Campos:

 

A DIRETORIA DE MULHERES DA OAB-RJ E A OAB MULHER CAMPOS

repudia veementemente toda e qualquer violência sofrida pelas mulheres e por Tassiana Oliveira. Recentemente a primeira-dama de Campos dos Goytacazes/RJ se deparou com a produção e distribuição de conteúdo em mídias sociais, veiculando sua imagem à frase difamatória, de cunho sexista e misógino, implicando em desrespeito à dignidade humana, com a finalidade de desqualificar e deslegitimar a sua imagem.

É inadmissível que tal violência seja perpetrada por pessoas revestidas em cargos políticos, fragilizando assim diretamente a democracia.

As violências sofridas pelas mulheres, sejam elas físicas, patrimoniais, morais, sexuais, psicológicas, ou políticas de gênero são violências que superam o âmbito regional e até mesmo nacional.

Historicamente a política é um espaço masculino que exclui e marginaliza as mulheres e outros grupos subalternizados, reflexo do caráter machista e patriarcal enraizado nas estruturas institucionais e na cultura social.

Diariamente mulheres sofrem todos os tipos de violência em todo o mundo, personificando-se nas mídias sociais com conteúdos sexistas para deslegitimar sua imagem. São vítimas de ameaças de morte, são mortas para serem silenciadas, perseguidas, exiladas, agredidas, estupradas, além de terem seus corpos objetificados.

Por certo, rechaçamos que toda violência contra as mulheres deve ser combatida e com a devida responsabilização das condutas praticadas, que configuram crimes previstos no Código Penal. É inaceitável normalizar essa prática que reafirma uma cultura que deve ser desconstruída recorrentemente e combatida por toda sociedade e autoridades com a adoção das medidas cabíveis.

Reitera-se o compromisso desta Diretoria e Comissão com a constante defesa pela igualdade de gênero, proteção às mulheres, bem como a preservação do princípio da dignidade humana.

Marisa Gaudio – Diretora de Mulheres da OAB-RJ
Kelly Viter – Presidente da OAB Mulher Campos-RJ

 

FDP! leva a vida e a obra de Kapi ao Trianon

 

Antonio Roberto de Góis Cavalcante, o Kapi (Foto: César Ferreira)

 

Na noite de sexta (24), no foyer do Teatro Trianon, tive a honra de participar do bate-papo “Vida e obra de Antonio Roberto de Góis Cavalcante Kapi”. Parte da programação do 4ª Festival Doces Palavras (FDP!), a conversa foi mediada pelo jornalista e poeta Ocinei Trindade, com a poeta, atriz e professora Adriana Medeiros, e comigo. Contamos um pouco das nossas muitas histórias pessoais com Kapi, bem como da sua obra gigantesca como poeta, diretor teatral, carnavalesco e turismólogo.

 

Aluysio Abreu Barbosa, Adriana Medeiros e Ocinei Trindade falam sobre Kapi, no foyer do Trianon (Foto: Antônio Filho)

 

O evento não deixou de ser uma oportunidade de celebrar as pazes do maior artista que esta terra de planície já produziu. Que morreu precocemente aos 59 anos, de complicações do HIV, em 2 de abril de 2015. Sem que merecesse do poder público municipal ser velado naquele mesmo foyer do Trianon. Teatro que ele inaugurou, ainda no esqueleto, em 1995, com a montagem da peça “Gota D’Água”, adaptação de Chico Buarque e Paulo Pontes da tragédia grega “Medeia”, de Eurípedes (480 a.C/ 406 a.C.).

Pela oportunidade de comungar um pouco da vida e da obra de um homem genial e amigo muito querido, agradeço a Adriana e ao Ocinei. Assim como à presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Auxiliadora Freitas; sua gerente de Arte e Cultura, a diretora teatral Kátia Macabu; ao assessor de imprensa Antônio Filho e toda a equipe da FCJOL. Além dos curadores do FDP!, a médica Vanda Terezinha, presidente da Academia Campista de Letras (ACL); e o jornalista Wellington Cordeiro, presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC).

Abaixo, confira o vídeo com o bate-papo no Trianon sobre Kapi, na sua própria definição: “um desvairado que não coube em si”. Assim como o seu poema “Acenos”, que sintetizou a inesquecível noite de sexta, interpretado nela por Adriana Medeiros:

 

 

ACENOS

 

Quem parte

deixa saudade,

deixa acenos,

esquece livros.

Deixa tolhido

um mundo de desejos,

vida desarrumada

e a gente sem prumos.

Quem fica

fica de lembranças,

fica mais criança,

fica solidão.

Quem parte,

parte inteiramente,

parte de repente

sem um avisar.

Quem fica

fica de inocente

regando as sementes

de um tal regressar.

Quem fica

fica sem despedida

fica sem guarida

e morre um pouco em vida

pois quem parte

parte corações

mata as ilusões

e parte.

 

Mulherão da porra! — Merkel e o feminino no mundo

 

Um mulherão da porra!

 

(A Diva Abreu Barbosa)

 

Amanhã, domingo, dia 26, chega ao fim uma era. Que marcou a Europa e o mundo. Angela Merkel deixará o poder na Alemanha, que comandou por 16 anos e quatro mandatos consecutivos como chanceler. Em paralelo tupiniquim, ela conseguiu o que homens públicos marcantes, para o bem e o mal, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), sonham acordados fazer. E, muito dificilmente, conseguirão realizar antes de fecharem os olhos pela última vez.

Apelidada por seus conterrâneos de “Mutti” (“mamãe”), Merkel é, sem sombra de dúvida, a mulher mais importante deste nosso primeiro quarto do século 21 ainda em curso. Sobretudo para a tal Civilização Ocidental, ou greco-romano-judaico-cristã. Onde a correta máxima “o lugar da mulher na sociedade é onde ela quiser estar” tem eco ao sol real. A alemã ocupa a posição de destaque que, no século 20, pertenceu a Magaret Tatcher, ex-primeira-ministra conservadora do Reino Unido. E que, entre os séculos 16 e 17, teve na rainha da Inglaterra Elizabeth I a precursora daquilo hoje chamado de empoderamento feminino.

Malala Yousafzai

A realidade de Merkel é diferente das três civilizações que dividem conosco o mesmo tempo e espaço: a Chinesa, a Indiana e a Islâmica. Ainda que as duas últimas tenham produzido figuras femininas marcantes, como as ex-primeiras-ministras da Índia, Indira Ghandi; e do vizinho islâmico Paquistão, a polêmica Benazir Bhutto. Ou, também paquistanesa, a jovem e brava ativista Malala Yousafzai, que sobreviveu a um tiro no rosto disparado por um radical do Talibã, porque queria que as mulheres tivessem direito a… estudar. O fato é que, infelizmente, elas ainda são a exceção em suas sociedades fundamentalmente patriarcais, não regra.

Sun Chunlan, vice-primeira-ministra da China

Incensada por boa parte da esquerda no mundo, pelo capitalismo de estado com partido único que transformou sua ditadura em maior economia da Terra, a China de Mao Tsé-Tung, Deng Xiaoping e do sucessor de ambos, o hábil presidente Xi Jinping, ainda não teve uma presença feminina no comando do país, desde que deixou de ser um Império em 1912. Ainda que, mais recentemente, mulheres como Wu Yi e Liu Yandong tenham ocupado o cargo de vice-primeira-ministra da China. Que hoje é desempenhado pela colega de ambas, Sun Chunlan.

 

Park Geun-hye e Dilma Rousseff

 

Vizinha chinesa, na Coréia do Sul o exemplo solitário de Park Geun-hye na presidência foi tão exitoso quando o de Dilma Rousseff (PT) no Brasil. Ambas foram alvo de suspeitas de corrupção em seus governos e processo de impeachment. No Japão, entre os 63 nomes que ocuparam o cargo de primeiro-ministro desde 1885, nunca houve uma mulher.

Margaret Tatcher e Ronald Reagan

Esse é o mundo marcado por Merkel. Que não precisou de um par masculino mais poderoso, como foi o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan para a inglesa Tatcher nos 1980. Quando juntos os dois selaram a vitória do capitalismo sobre o “socialismo real” da ex-União Soviética, pondo fim à Guerra Fria. Dissolvido em 1991, aquele país duraria só dois anos após a queda do Muro de Berlim, em 1989. Dividida desde o fim da II Guerra Mundial (1939/1945), o episódio emblemático em sua capital seria o estopim à reunificação da Alemanha em 1990.

Aquele movimento foi liderado pelo então chanceler da Alemanha Ocidental Helmut Kohl, correligionário democrata-cristão de Merkel, quando esta deixou a pesquisa científica e iniciou na vida pública. Química quântica vinda da Alemanha Oriental comunista, seria eleita deputada da Bundestag (Câmara Baixa alemã), nomeada ministra da Mulher e Juventude, e depois ministra do Meio Ambiente e da Segurança Nuclear de Kohl. Eleita chanceler pela primeira vez em 2005, caberia a ela sedimentar o processo da reunificação germânica.

 

Angela Merkel e Helmut Kohl

 

Nestes últimos 16 anos de Merkel no poder, a Alemanha levou nas costas a União Europeia. Mesmo após a saída desastrada do Reino Unido, com o Brexit de 2016. Sob o comando de uma mulher comedida e republicana, os alemães fizeram, na economia do século 21, o que não conseguiram pelas armas no século 20, sob lideranças masculinas consideradas fortes. Como a do kaiser Guilherme II, na I Guerra Mundial (1914/1918), ou de Adolf Hitler, na II Guerra.

Theresa May

Em seu tempo, a chanceler da Alemanha foi a mulher mais poderosa da Europa e do mundo. Lidou de igual para igual, não raro superando, homens como o presidente russo Vladimir Putin, todos os presidentes franceses de Jacques Chirac a Emannuel Macron, e todos os primeiros-ministros britânicos, de Gordon Brown a Boris Johnson, passando por uma Theresa May derrotada pelo Brexit, que nunca conseguiu espelhar a força da alemã. Sem contar, do outro lado do Atlântico Norte, os presidentes dos EUA, de George W. Bush a Joe Biden. Incluindo Barack Obama, de quem Merkel foi aliada. Mas que enfrentou no episódio dos grampos ilegais de líderes estrangeiros, revelado em 2013 pelo ex-agente da CIA Edward Snowden.

 

Refugiado sírio Aylan Kuri, de 3 anos, afogado em 2015 na praia de Bodrum, na Turquia

 

Reeleita à chancelaria alemã em 2009 e 2013, Merkel enfrentou a crise financeira global de 2008, o colapso econômico da Grécia em 2010, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2014 e a crise migratória de 2015, com centenas de milhares de pessoas tentando entrar na Europa. Fugiam de guerras, fome, conflitos étnicos, intolerância religiosa, mudanças climáticas e violação dos direitos humanos em seus países de origem, no Oriente Médio e na África.

 

Merkel entre Trump e Putin

 

Líder da União Europeia em todas essas crises, ela planejava se aposentar politicamente em 2017. Mas decidiu se reeleger mais uma vez para enfrentar outro desafio: o populismo de extrema direita de Donald Trump, eleito presidente dos EUA em 2016. Bem como seus satélites europeus na Polônia de Andrzej Duda e na Hungria de Viktor Orbán, isolados por Merkel em seus retrocessos xenófobos e de liberdades individuais. Anteparo europeu a Trump por um lado e a Putin, pelo outro, não foi derrotada por combater em duas frentes, como foi Hitler. E teve papel decisivo também no enfrentamento da Alemanha à pandemia da Covid-19.

 

Merkel e Orbán

 

Mais recentemente, na retirada das tropas alemãs do Afeganistão neste ano, teve autocrítica, uma das suas características mais presentes enquanto política, para admitir que participar da invasão e ocupação do país asiático na coalizão comandada pelos EUA foi um erro. E no último dia 9, finalmente assumiu: “Ja, ich bin Feministin” (“Sim, eu sou uma feminista”). Uma que preferiu marcar sua posição pelas ações pessoais e públicas, mais que com palavras.

 

“Ele não!” na praça do Santíssimo Salvador, como em todo o Brasil, em 29 de setembro de 2018. O resultado? Segundo pesquisa Ibope feita naquele dia e no seguinte, Bolsonaro cresceu só no voto feminino brasileiro de 18% a 24%

 

Camille Paglia

Merkel sempre foi criticada pela ala mais conservadora do seu partido União Democrática Cristã (CDU), por ser, na verdade, uma socialdemocrata — ou “socialista fabiana” nos delírios bolsolavistas. Como sempre foi taxada de conservadora por parte da esquerda internacional. Cega ideologicamente a quem fez mais pela afirmação da mulher do que qualquer “marcha das vadias”, “ele não!” e congêneres, aprisionadas ao seu “lugar de fala” identitário. Que, não raro, alimentam reações como a eleição de Bolsonaro em 2018. E cujas entusiastas são melhor definidas pela feminista e crítica cultural dos EUA Camille Paglia: “mulheres burguesas de classe média que pensam poder transformar o mundo em sua sala de estar”.

 

Cena do documentário “O Homem de Aran” (1934), de Robert Flaherty

 

Por sua vez, desde seu primeiro mandato como chanceler, Merkel jamais aceitou morar na residência oficial de governo. Habita com o marido em um apartamento normal de Berlim. Em tempos de polarização política no mundo, ela se manteve 16 anos “wie ein Fels in der Brandung” (“como uma rocha no mar agitado”), como dizem os alemães. Nunca teve conta no Twitter, mudou seu corte de cabelo ou o guarda-roupa discreto. Pelo que foi e fez, a mulher que amanhã deixará de comandar o povo que derrubou o Império Romano, reformou o cristianismo, inventou a música como a conhecemos e criou a maior escola de filosofia desde os gregos antigos, seria chamada de outra coisa abaixo do Equador: um mulherão da porra!

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Deputado: Promar dará novo rumo à Bacia de Campos

 

(Foto: Divulgação)

 

O Brasil é, hoje, o 7º maior produtor de petróleo do mundo e vem atingindo recorde de exportação. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o país exportou 1,4 milhão de barris por dia em 2020. Embora haja o aumento na produção, com 2,9 milhões de barris diários, verifica-se, nas últimas décadas, a queda acentuada na produção da Bacia de Campos.

Com o Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos (Promar), o Ministério de Minas e Energia visa melhorar o aproveitamento dos recursos petrolíferos nacionais, o que vem gerando expectativas no setor.

O Promar também tem como objetivo ampliar o pagamento das participações governamentais e da indústria de bens e serviços voltados para a exploração e produção de petróleo e gás natural em áreas marítimas.

Christino Áureo, deputado federal

O presidente da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento Sustentável do Petróleo e Energias Renováveis (Freper), deputado federal de Macaé, Christino Áureo (PP), acredita no impacto positivo do Promar na economia fluminense:

— Esperamos que, com a flexibilização da incidência de royalties sobre os campos maduros, possamos aumentar a arrecadação das participações governamentais, ao mesmo tempo em que retornamos aos municípios um grande percentual dos empregos que já tivemos no passado.

O Promar gerou a expectativa do aumento da produtividade e a extensão da vida útil dos campos maduros, fomentando a instalação de novas empresas e investimentos no setor.

— Precisamos demonstrar a capacidade do estado do Rio de atrair investimentos, principalmente no Norte Fluminense, onde cidades como Campos e Macaé terão a economia diretamente impactada pelo programa. E discutir o marco regulatório, junto à Câmara e Senado, oferecendo melhores condições para as empresas interessadas em investir. É necessário trabalharmos em conjunto para darmos um importante passo para toda a sociedade civil, não somente da região produtora, mas para beneficiar todo o Estado — ressaltou Christino.

 

Produção na Bacia de Campos

Com mais de 40 anos de operação, a Bacia de Campos atingiu seu máximo de produtividade em 2009, chegando a ser responsável por 85% da produção nacional.

Com a descoberta do pré-sal, em 2007 e 2008, ocorreu um declínio da produção e, hoje, a mesma Bacia de Campos produz 22% do petróleo nacional, enquanto o pré-sal da Bacia de Santos tem 72% da produção total.

Alcimar Chagas, economista e professor da Uenf

A grande discussão é: como revitalizar a Bacia de Campos para voltar a gerar aumento da produtividade, a extensão da vida útil dos campos e o aumento do fator de recuperação?

— A revitalização é possível e interessante. A infraestrutura está montada: foi descoberta a Bacia, explorada, todos os equipamentos estão disponíveis, só que é preciso entrar com novas tecnologias, novos investimentos, para que realmente você possa revitalizar. Um poço de petróleo tem o histórico de recuperação. No caso da Bacia de Campos, o fator médio de recuperação é em torno de 14% (você retira 14% do que tem lá). No Mar do Norte, esse fator de recuperação é de 45%. Podemos avançar um pouco mais ainda, mas, para isso, são necessários novos investimentos — lembrou o economista, pós-doutorado em Economia e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Alcimar das Chagas Ribeiro.

De acordo com Alcima, com o ingresso de novas empresas, com novas tecnologias, seria possível a Bacia de Campos voltar às condições de 2014, antes da crise do petróleo:

— Poderíamos chegar a 25% ou dobrar esse número de fator de recuperação. Voltar com a atividade petrolífera, nas condições que tínhamos antes de 2014, na Bacia de Campos. É o que todo mundo quer, o ambiente melhor que se espera. São necessárias muitas mudanças, principalmente no campo do marco regulatório, para que essas empresas possam investir e usar essa nova tecnologia de maneira a fazer com que essa Bacia volte a gerar emprego e royalties no estado do Rio — destacou o economista e professor da Uenf.

 

Da assessoria do deputado Christino Áureo.

 

Governo Castro na região no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (24), o convidado para fechar a semana do Folha no Ar é o secretário de Desenvolvimento Econômico do estado do Rio de Janeiro, Vinicius Farah, deputado federal licenciado do MDB e ex-prefeito de Três Rios. Ele falará sobre os projetos estaduais Pacto RJ e Supera RJ aos municípios do Norte e Noroeste Fluminense. Também falará do Porto do Açu e das promessas do governador Cláudio Castro (PL) à região, como a retomada das obras da Ponte da Integração, entre São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, e a instalação de um Restaurante Popular em Guarus.

Por fim, o secretário estadual e deputado federal licenciado dará sua projeção para as eleições de 2022, no estado do Rio e no Brasil. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.