Opiniões

Castro: Restaurante Popular de Guarus e Ponte da Integração

 

Um novo Restaurante Popular para Guarus em novembro, além da instalação de um posto do Detran à margem esquerda do Paraíba, um destacamento do Corpo de Bombeiros em Baixa Grande, para atender a Baixada Campista, mais a parceria do Governo do Estado com o setor produtivo regional no projeto Fênix, com apoio do Grupo Folha, na busca de alternativas de desenvolvimento autossustentado ao Norte e Noroeste Fluminense. E, assim que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) liberar, a abertura de licitação do DER para retomada e conclusão das obras da Ponte da Integração, entre São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, realizando uma promessa feita desde 1981 por João Batista Figueiredo, último general-presidente da nossa última ditadura militar (1964/1985). Detalhados nesta entrevista, não foram poucos os compromissos assumidos pelo governador Cláudio Castro (PL) com Campos e a região, durante sua passagem entre quinta (5) e hoje, no Governo Presente.

O governador só não se comprometeu com a construção da RJ 224, para ligar o Porto do Açu à BR 101. E foi evasivo nas perguntas políticas, sobre o pleito de 2022, na qual deve tentar se eleger ao cargo que assumiu com o afastamento e posterior impeachment do ex-governador Wilson Witzel (PSC). Sem citar este, buscou marcar uma diferença com o ex-companheiro de chapa em 2018, ao caracterizar seu próprio governo como aquele que “saiu dos gabinetes e está nas ruas, em contato com o povo”. Castro preferiu não comentar a rixa local, nem as atuações dos seus principais aliados políticos em Campos, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e o secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (SD). Mas não se furtou em ressaltar sua boa relação com quem é considerado a “noiva preferida” aos candidatos ao Governo do Estado do Rio, para as urnas daqui a 14 meses: “Tenho pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, profundo apreço e admiração”.

 

Governador Cláudio Castro (Foto: Divulgação)

 

 

Folha da Manhã – O que Campos, Norte e Noroeste Fluminense devem esperar não só da presença física do governador à região, entre quinta e hoje, como do seu um ano e quatro meses de governo ainda à frente?

Cláudio Castro – O Governo Presente está em todas as regiões do Estado. Procuramos fazer um governo que seja próximo da população, que dialoga com a classe política e com as pessoas, e que não tem tempo a perder. Nosso foco é na simplicidade, no trabalho e no diálogo. Trabalhamos pela geração de empregos e reaquecimento da economia, que são as saídas certas para o Rio de Janeiro superar a crise causada pela pandemia da Covid-19. Voltamos a enxergar os mais necessitados. Um governo que saiu dos gabinetes e está nas ruas, em contato com o povo. E vai ser assim até o fim do nosso governo.

 

Folha – Questões como a conclusão da Ponte da Integração, entre São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, o Restaurante e o posto do Detran para Guarus, um destacamento dos Bombeiros para a Baixada Campista e a construção da RJ 244, ligando o Porto do Açu à BR 101, eram esperadas. Serão todas entregues ou pelo menos iniciadas ainda na sua atual gestão?

Castro – Estamos cientes da importância da Ponte da Integração para a economia da região. Sua conclusão está em análise do Tribunal de Contas do Estado. Quando liberado, o DER-RJ fará licitação para a execução das obras. Só faltam 20% para a conclusão. O Restaurante do Povo, em Campos, foi reinaugurado no dia 7 de maio e distribui, através do projeto RJ Alimenta, 1.500 refeições por dia no local. Em novembro, o serviço de distribuição de refeições será oferecido também no bairro de Guarus. O bairro vai ganhar um novo posto do Detran, no Guarus Plaza, que vai oferecer atendimentos de habilitação, identificação e veículos. E anunciamos na sexta (ontem) a instalação do destacamento do Corpo de Bombeiros em Baixa Grande. A população pode ter a certeza que o Governo do Estado, com apoio das prefeituras locais, vai realizar fazer o possível para concluir e, até ampliar, esses equipamentos e projetos.

 

Folha – Outra expectativa da região com seu governo é o projeto Fênix, que reúne 22 instituições do setor produtivo local e tem apoio do Grupo Folha, na busca de alternativas de desenvolvimento autossustentado. Na manhã de ontem, em café na CDL-Campos, foram apresentadas as propostas para formação de grupos de trabalho. Essa parceria entre sociedade civil e Poder Público é o caminho para sairmos da crise?

Castro – É exatamente isso que defendemos e trabalhamos diuturnamente para promover: a integração total do Governo do Estado, por meio de suas secretarias, fundações, órgãos e autarquias, com as lideranças do setor produtivo. Juntos, vamos encontrar o melhor caminho para recuperar o tempo perdido e retomarmos a economia do Estado do Rio de Janeiro. Todas as demandas apresentadas pelo setor produtivo são bem-vindas. E nosso objetivo é ajudar a realizar.

 

Folha – Em série de 11 painéis publicados (confira aqui, aqui, aquiaquiaqui, aquiaqui, aqui, aquiaqui e aqui) pela Folha entre julho e setembro de 2020, ouvindo 34 representantes da sociedade civil organizada sobre a crise financeira de Campos, três alternativas foram consensuais: resgate da vocação agropecuária do município, parceria deste com o polo universitário da cidade e adoção integral do pregão eletrônico nas compras públicas. Como seu governo as vê para Campos? Teria outra opção a sugerir?

Castro – Acredito que cada região do Estado deve investir em suas vocações econômicas. E reafirmo o compromisso do Governo do Estado para fortalecer essas iniciativas. Recorro ao próprio projeto Fênix citado anteriormente, que tem entre as principais bases o resgate da vocação agropecuária da região. Algumas propostas, inclusive, foram de instituições de ensino superior estaduais, como a Uenf, e federais, como o Instituto Federal Fluminense (IFF) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). No Governo Presente, em Campos, entregamos 10 cheques para agricultores locais, totalizando R$ 150 mil. Mais de 221 produtores foram beneficiados desde o início da pandemia, em investimento de R$ 4 milhões. E anunciamos ainda o projeto Rio Milho. A cultura do milho seco no estado está despontando como uma opção dentre os cereais voltados para a agropecuária, sobretudo na alimentação do gado. E complementando a questão, transparência na gestão pública é fundamental. Sem isso, nenhuma boa ação ganha legitimidade.

 

Folha – Pretrorrentista, como o Estado do Rio, Campos recebeu de janeiro a julho deste ano R$ 278.031.343,69 de royalties e Participações Especiais (PEs). Representam 96% do recebido da ANP no ano inteiro de 2020. E trazem acréscimo de mais de 78,7% em relação aos R$ 155.564.367,54 que a cidade recebeu da mesma fonte e no mesmo período do ano passado. Na sua visão, qual a melhor maneira de investir esses recursos? E qual o futuro deles?

Castro – O setor de óleo e gás é muito importante para a economia do estado e de todo o país. A Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) estima uma arrecadação, neste ano, superior até o período pré-pandemia. Um recente estudo da Firjan aponta a continuidade do protagonismo do Rio de Janeiro nos próximos anos. Toda a cadeia produtiva gera recursos, trabalho e renda. O interesse de novas empresas de petróleo e gás enriquece a região, trazendo o dinamismo que nós precisamos para incrementar as atividades econômicas e sociais. Destaco ainda que, no Porto de Açu, está sendo construído o maior parque térmico da América Latina, e gera hoje cerca de 5 mil empregos no pico das obras.

 

Folha – A venda da Cedae rendeu mais de R$ 22 bilhões. R$ 7,688 bilhões serão distribuídos pelos 28 municípios que aderiram ao plano de concessão de saneamento, sendo 80% do total ainda em 2021 e 2022. São Francisco de Itabapoana, por exemplo, cujo orçamento anual em 2021 previa receita total de pouco mais de R$ 72 milhões, vai receber cerca de R$ 22 milhões ainda este ano. Qual o impacto desses recursos nos municípios da região?

Castro – A previsão é que o contrato com as concessionárias vencedoras da licitação de saneamento seja assinado semana que vem. Com isso, os municípios recebem ainda este mês 65% dos valores da outorga. Os valores serão pagos em três parcelas, sendo esta de 2021, outra em 2021 e a última em 2025. Logo após a assinatura dos contratos, começa a operação assistida nos municípios que aderiram. A utilização dos recursos pelos municípios é livre. Cabe a cada uma das cidades fazer um plano de investimentos de acordo com suas necessidades.

 

Folha – Dos R$ 14,478 bilhões ao Governo do Estado com a venda da Cedae, para atender aos 63 municípios fluminenses não diretamente beneficiados, o senhor já declarou: “Não há destinação prevista, é um dinheiro livre”. Com essa liberdade, como pretender aplicar esse dinheiro no Norte e Noroeste Fluminense para gerar desenvolvimento autossustentado? E qual a importância desses recursos na sua pré-candidatura a governador?

Castro – Como disse, anteriormente, cabe às cidades aplicar esses recursos da melhor maneira possível. Será uma injeção financeira importante para recuperação econômica e social dos municípios. No caso da parte que cabe ao Estado, vamos investir integralmente em infraestrutura e fazer as entregas necessárias à população. Não é hora de pensar em eleições agora. Temos muito a fazer, muito em que investir para que nosso estado seja capaz de gerar novas vagas de trabalho e renda para a nossa população.

 

Folha – Outros movimentos ao tabuleiro de 2022 foram sua filiação ao PL e a reforma do seu secretariado, atraindo deputados estaduais e federais de diferentes partidos, diretamente ou por indicados. Nessa leva o deputado estadual Rodrigo Bacellar assumiu a poderosa secretaria estadual de Governo. O que pode falar desses movimentos? E qual avaliação faz da atuação do político de Campos no seu governo?

Castro – Estarmos aqui com o Governo Presente, com meus principais secretários, participando da celebração do padroeiro da cidade, visitando vários pontos, e anunciando obras e projetos, já demonstra o tamanho do apreço, respeito e compromisso do Governo do Estado com a cidade de Campos e sua população. Nosso trabalho é ajudar a promover o desenvolvimento social e econômico da cidade. A parceria com os prefeitos é fundamental para entendermos a realidade local e, juntos, encontrarmos formas de alcançar esses objetivos. Em Campos não é diferente.

 

Folha – Seus dois principais aliados locais, Rodrigo e o prefeito Wladimir Garotinho, são adversários políticos. E têm embates sobretudo na Câmara Municipal, onde a oposição a Wladimir é liderada por Rodrigo. Os dois passaram a semana anterior à sua visita disputando sua agenda. Essa rixa acabou no encontro entre os três, no almoço de terça, no Rio? Como avalia os primeiros sete meses de governo do prefeito de Campos?

Castro – Sou um homem de diálogo. O foco do meu governo e o desenvolvimento do Estado.

 

Folha – Seu alinhamento com o governo Jair Bolsonaro sofre críticas por dar apoio sem retorno. Qual a importância dessa aliança na venda de Cedae e no plano de recuperação fiscal do Estado do Rio? Pesquisa Datafolha de julho registrou que 59% dos brasileiros hoje não votariam na reeleição do presidente. Outras pesquisas, no entanto, indicam que essa rejeição é menor entre os fluminenses do que no resto do Brasil. Como o senhor avalia?   

Castro – A concessão do saneamento público será responsável por uma revolução socioambiental no Estado do Rio de Janeiro. Trata-se do maior investimento de infraestrutura da América Latina. Vou muito à Brasília para lutar pelos interesses do Estado. A parceria com o Governo Federal desentrava questões sensíveis para o Estado.

 

Folha – A 14 meses das urnas de 2022, é consenso que seus principais adversários hoje seriam o deputado federal Marcelo Freixo, que foi do Psol ao PSB para se candidatar; e o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), que lançou sua pré-candidatura a governador em Campos, no dia 16. Como vê ambos? Pelo antipetismo que ainda é forte no Estado do Rio, Freixo seria um adversário menos difícil de ser batido em um eventual segundo turno?

Castro – Meu objetivo hoje é fazer as entregas necessárias para o desenvolvimento de todo Estado.

 

Folha – Outra análise consensual é que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, seria um candidato fortíssimo a governador em 2022. Mas prometeu na eleição municipal de 2020 que não seria. E confirmou essa promessa em entrevista ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, no último dia 9. Fora do páreo, ele é a “noiva preferida” para quem estiver dentro? Tem trabalhado na tentativa de conquistar esse apoio? Conta com ele?

Castro – Tenho pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, profundo apreço e admiração. Estamos juntos nos assuntos que mais interessam ao Rio, como a concessão do Aeroporto Internacional do Galeão e a retomada da economia do Estado.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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