Duas pesquisas e a dúvida: Yara ou Pedrinho a prefeito em SFI?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Yara ou Pedrinho em São Francisco?

Hoje, a 22 dias da urna de 6 de outubro, quem lidera a corrida a prefeito em São Francisco de Itabapoana? Na pesquisa Gerp divulgada ontem, é a Professora Yara Cinthia (SD), com 46% das intenções de voto na consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos candidatos), contra 30% do ex-prefeito Pedrinho Cherene (União). Já na pesquisa Intelligence, também divulgada ontem, quem lidera é Pedrinho, com 43,5% das intenções de voto na estimulada, contra 36,8% de Yara. Na dúvida, a certeza: as duas pesquisas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respectivamente, como RJ-00022/2024 e RJ-02834/2024.

 

Liderança fora e dentro da margem de erro

A Gerp ouviu 400 eleitores em 9 de setembro, com margem de erro de 5 pontos para mais ou menos. Portanto, a vantagem de 16 pontos (46% – 30%) de Yara sobre Pedrinho está fora do limite de 10 pontos da margem de erro. A Intelligence ouviu 600 eleitores entre 9 e 10 de setembro, com margem de erro de 4 pontos para mais ou menos. Portanto, a vantagem de 6,7 pontos (43,5% – 36,8%) de Pedrinho sobre Yara está dentro do limite da margem de erro de 8 pontos. Na Intelligence, embora numericamente à frente, Pedrinho está em empate técnico com Yara. Enquanto esta, por sua vez, lidera fora da margem de erro na Gerp.

 

Da estimulada à espontânea

Tão perto da urna, o que mais conta a qualquer analista sério é a consulta estimulada. A espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, revela a intenção de voto cristalizada, com pouca chance de mudança. Na Gerp, Yara teve 42% na espontânea, contra 22% de Pedrinho, 20 pontos atrás. Na Intelligence, Pedrinho teve 39,7%, contra 34,2% de Yara, 5,5 pontos atrás. Novamente consideradas as margens de erro das duas pesquisas, a liderança de Yara na intenção de voto cristalizada é isolada na Gerp. Em contrapartida, a liderança numérica de Pedrinho na Intelligence revela outro empate técnico com Yara.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Com governo aprovado, Francimara apoia Yara

Na dúvida sobre a liderança entre Yara e Pedrinho a prefeito de SFI, a certeza: o candidato Rodolfo Elias (Novo) é o 3º colocado na Gerp (4% de intenção de voto na estimulada e 1% na espontânea) e na Intelligence (2% na espontânea e 3,5% na estimulada). Outra certeza? O governo da atual prefeita, Francimara Barbosa Lemos (SD), é bem avaliado pela população. Na Gerp, é aprovado por 75%, contra 16% que desaprovam e 9% que não responderam. Na Intelligence, é aprovado por 55% dos são franciscanos, com 38% que desaprovam e 7% que não responderam. Francimara apoia Yara, mas transferência de voto nunca é ciência exata.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

De 2016 e 2020 a 2024

Desde que era conhecido como “Sertão de São João da Barra”, do qual se emancipou em 1995, São Francisco se caracteriza por disputas políticas renhidas. Nos dois últimos pleitos a prefeito, por exemplo, Francimara se elegeu e reelegeu sempre por pequena margem. Em 2016, com 46,32% dos votos válidos, contra 45,92% do então prefeito Pedrinho, este perdeu a reeleição por apenas 0,4 ponto. Em 2020, novamente contra Pedrinho, Francimara venceu por 47,59% contra 45,15% dos votos válidos, diferença de 2,44 pontos. O que será agora entre o filho homônimo do falecido ex-prefeito Pedro Cherene e a candidata de Francimara? A ver.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Nova pesquisa em Arraial: governo aprovado é favorito à reeleição

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nova pesquisa do instituto Paraná, de renome nacional, confirma tendência da eleição municipal de Arraial do Cabo e outros 8 municípios da Região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense para a urna de 6 de outubro, daqui a 24 dias: governo bem avaliado torna o prefeito favorito nas intenções de voto à reeleição. Prefeito de Arraial, Marcelo Magno tem seu governo aprovado por 79,6% da população e lidera a consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos candidatos) com 70,4% das intenções de voto.

Evolução da liderança na estimulada — A nova pesquisa Paraná em Arraial foi feita com 560 eleitores entre os dias 7 e 10 de setembro, sob registro RJ-06301/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com margem de erro de 4,2 pontos para mais ou menos. Comparada com a pesquisa anterior do mesmo instituto e com a mesma metodologia, feita no mesmo município em fevereiro, a aprovação do governo variou pouco, de 79,8% há aos 79,6% de hoje. Mas a intenção de voto do prefeito cresceu: dos 62% na estimulada de fevereiro, aos atuais 70,4%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Aprovação de governo = intenção de voto na Região dos Lagos — Essa correlação entre aprovação de governo e favoritismo do prefeito na intenção de voto à reeleição se repete em outros 8 municípios da região. Na Região dos Lagos, em pesquisa Factum de 24 de agosto em São Pedro da Aldeia, o prefeito Fábio do Pastel (PL) teve 56% de intenção de voto na consulta estimulada, com 77,2% de aprovação de governo. Enquanto na Factum de 23 de março em Silva Jardim, a prefeita Maira de Jaime (MDB) teve 51,2% de intenção na estimulada, com 75,1% aprovação de governo.

No Noroeste e Norte Fluminense — Já no Noroeste Fluminense, em pesquisa Novo Correio Fluminense de 10 de setembro em Italva, o prefeito Léo Pelanca (PL) teve 74,2% de intenção de voto na consulta estimulada, com 81% de aprovação de governo. Os exemplos são ainda mais numerosos no Norte Fluminense (NF). Na pesquisa Factum de 11 de setembro em São João da Barra, a prefeita Carla Caputi (União) teve na estimulada 81,9% de intenção, com 90% de aprovação de governo. Na pesquisa Paraná de 26 de agosto em Campos, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) teve na estimulada 63% de intenção, com 76,3% de aprovação.

 

Prefeitos da Região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense com governos bem avaliados e favoritos à reeleição: Marcelo Magno em Arraial do Cabo, Carla Caputi em São João da Barra, Geane Vincler em Cardoso Moreira, Léo Pelanca em Italva, Wladimir Garotinho em Campos, Welberth Rezende em Macaé, Valmir Lessa em Conceição de Macabu, Fábio do Pastel em São Pedro da Aldeia e Maira de Jaime em Silva Jardim (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mais aprovação de governo = intenção de voto no NF — A correlação entre aprovação de governo e favoritismo à reeleição segue em outros municípios do NF. Na pesquisa Prefab Future de 9 de setembro em Cardoso Moreira, a prefeita Geane Vincler (União) teve na consulta estimulada 68,2% de intenção de voto, com 74,8% de aprovação de governo. Na pesquisa Factum de 25 de agosto em Conceição de Macabu, o prefeito Valmir Lessa (Cidadana) teve na estimulada 41,2% de intenção, com 68,4% de aprovação de governo. E, na pesquisa Paraná de 19 de agosto em Macaé, o prefeito Welberth Rezende (Cidadania) teve na estimulada 70,3% de intenção, com 85% de aprovação.

Oposição na estimulada de Arraial — De volta à consulta estimulada da pesquisa Paraná de setembro em Arraial, o prefeito Marcelo Magno teve seus 70,4% de intenção de voto seguidos à longa distância por Andinho (União), com 12,5% (queda de 2,7 pontos em relação aos 15,2% que teve na pesquisa Paraná de fevereiro); e por Arlete do Mercado (Novo), com 4,1% (crescimento de 1,1 ponto sobre os 3% que tinha há sete meses). Outros 7,3% disseram que votarão em ninguém/branco/nulo, enquanto 5,7% não souberam ou quiseram responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Espontânea — Na consulta espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, revelando uma intenção de voto mais difícil de ser mudada tão perto da urna, Marcelo Magno também tem ampla vantagem, com 49,8%. O prefeito veio seguido à distância por Andinho, com 5,7% de intenção cristalizada; e por Arlete, com 0,9%. Outros 38% não souberam responder, com 5,2% de ninguém/branco/nulo e 0,4% que citaram nomes fora da disputa.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rejeição — Na rejeição em Arraial, quem mais cresceu na comparação entre as pesquisas Paraná de fevereiro e setembro foi Andinho: de 37,4% aos atuais 47,7%. Ele foi seguido por Arlete, que cresceu sua rejeição de 28,9% aos atuais 32,5%. Favorito com larga margem nas intenções e voto, o prefeito Marcelo foi o único a decair numericamente na rejeição: dos 16,1% de fevereiro aos 13,8% de setembro. Outros 8,9% não souberam agora responder, enquanto 7% disseram que poderiam votar em qualquer um dos três candidatos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

Análise do especialista — “Com nível de confiança de 95%, a Paraná Pesquisas entrega mais uma pesquisa com bom padrão de qualidade técnica. Para as eleições de 6 de outubro de 2024, estarão habilitados pelo TSE 36.528 eleitores em Arraial do Cabo. O cenário projetado é de reeleição do prefeito Marcelo Magno, com 49,8% das intenções na consulta espontânea, que sobem para 70,4% na estimulada. Seus dois concorrentes, Andinho tem 5,7% na espontânea e 12,5% na estimulada, enquanto Arlete do Mercado tem 0,9% espontânea e 4,1% na estimulada. A reeleição do prefeito também é indicada por sua menor rejeição na comparação com os concorrentes e com os 79,6% de aprovação popular ao seu governo”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Jefferson sobre Wladimir e Madeleine: “farinha do mesmo saco”

 

Jefferson sobre denúncias contra as candidaturas de Wladimir, Madeleine e Marquinho: “faces da mesma moeda” (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Se comprovadas, essas denúncias mostram mais uma vez que as duas candidaturas são ‘farinha do mesmo saco’, duas faces de uma mesma moeda”. Foi o que disse o Professor Jefferson, candidato a prefeito de Campos pelo PT, sobre as denúncias divulgadas ontem (11) contra (confira aqui) as candidaturas majoritárias do prefeito Wladimir Garotinho (PP) e da Delegada Madeleine (União), e a proporcional do vereador Marquinho Bacellar (União).

Wladimir foi denunciado por outro candidato a prefeito da oposição, o vereador Raphael Thuin (PRD), em vídeo (confira aqui) em que duas RPAs do governo faziam uma suposta associação da distribuição de cestas básicas a famílias registradas no CadÚnico com a campanha de reeleição do prefeito. Já Madeleine e Marquinho foram denunciados pelo ex-vereador governista Thiago Virgílio, presidente do Agir em Campos, com áudios sobre um suposto esquema de compra de voto envolvendo pastores neopentecostais, que gerou abertura de inquérito da Polícia Federal (PF).

Em 3º lugar nas pesquisas (confira aqui e aqui) à urna a 6 de outubro, daqui a 24 dias, Jefferson postou ontem um vídeo no Instagram (confira aqui) condenando publicamente apenas a denúncia contra a candidatura de Wladimir. Só após ser questionado pela reportagem da Folha se não se pronunciaria também sobre a denúncia no mesmo dia contra as candidaturas de Madeleine e Marquinho, o petista completou, mas até aqui sem externar em suas redes sociais:

— Não podemos continuar reproduzindo esse tipo de modelo aqui em nossa cidade. Espero que a Justiça Eleitoral seja muito rigorosa porque todo abuso de poder econômico deturpa o processo eleitoral e corrompe a democracia. É hora de mudar, transformar essa cidade, de verdade. Só a nossa candidatura tem condições hoje de acabar com essas práticas que representam mais um atraso para Campos, com modelos políticos que a sociedade não tolera mais — pregou Jefferson.

A defesa de Wladimir alegou ontem que o vídeo divulgado por Thuin se tratou de uma ação individual e pontual, e que as prestadoras de serviço envolvidas foram afastadas das suas funções. Por sua vez, em nota divulgada ontem, Madeleine disse desconhecer qualquer investigação em curso contra a sua candidatura. Já Marquinho se referiu à denúncia como “politicagem”.

 

Prefeito Wladimir Garotinho no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Campos e candidato à reeleição, Wladimir Garotinho (PP) é o convidado para fechar a semana do Folha do Ar nesta sexta (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele dá sequência à série de entrevistas do Grupo Folha com todos os candidatos a prefeito Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, diante da presença dos representantes de todas as candidaturas.

Wladimir avaliará os erros e acertos da sua gestão, o cenário apontado pelas pesquisas eleitorais (confira aqui e aqui) e sua nominata de vereadores. Ele também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, o que propõe à revitalização do Centro, à retomada da vocação agropecuária do município, à geração de empregos e à construção do futuro de Campos para além dos royalties do petróleo.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Carmem Gomes e Sylvia Paes — Memória como patrimônio

 

O livro “Ururau Pançudo”, o ilustrador Alício Gomes e as historiadoras e escritoras Sylvia Paes e Carmem Eugênia Sampaio Gomes

 

 

Por Carmen Eugênia Sampaio Gomes e Sylvia Paes¹*

 

Em 2012 sentindo a dificuldade de colegas professores de história, em obter material apropriado para o trabalho da história local, resolveram escrever para os pequenos. Então nasceu a Coleção “Tô Chegando” e o primeiro livro “Ururau Pançudo” foi lançado na Bienal do Livro de Campos em 2014. Todos os livros da Coleção “Tô Chegando” tratam do patrimônio cultural local/regional com ênfase no patrimônio intangível, contudo não deixam de abordar o patrimônio ambiental e material, sobretudo o arquitetônico.

Podemos dizer que os livrinhos têm marcas identificadoras; toda coleção tem ilustrações de Alício Gomes; tem links com imagens dos personagens; as histórias sempre terminam a noite por entendermos que o amanhã nos traz sempre uma nova história; ao final da história mantemos um glossário que sempre traz a linguagem regional; também um exercício é proposto para fixação dos saberes adquiridos com a leitura.

Bem, parece que foi ontem, mas já se passaram 10 anos do lançamento do primeiro livro da coleção “Tô Chegando”, Ururau Pançudo. Então, as autoras resolveram comemorar de forma a envolver a comunidade escolar. Dessa forma, fomos em busca de oportunidade e ela chegou quando do lançamento do “Programa Mais Ciência na Escola”, promovido pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), que disponibilizou a área de Ciência Humana e de Interdisciplinaridade. Foi neste contexto que o projeto “Ururau Pançudo: a lenda continua…” foi agregado.

Neste momento, encontramo-nos em fase de escrita da lenda (continuação) por parte dos estudantes. Aguardamos o encaminhamento das três (3) melhores histórias de cada unidade escolar. As três (3) histórias escolhidas pela comunidade escolar serão analisadas por um grupo de especialistas da Seduct e das autoras do livro. Dessas (3) histórias, sairá apenas uma que vai disputar com as demais produções das outras escolas.

Propomos que os estudantes envolvidos no projeto pudessem valorizar o patrimônio cultural regional/local, descrevendo o espaço vivido e as características do território. A narrativa deve ser focada na realidade deles, oportunizando a observação e análise da comunidade. A questão de pertencimento e de identidade está em pauta.

A produção que ganhar o primeiro lugar terá sua história ilustrada pelo profissional Alício Gomes, responsável pela produção visual da coleção “Tô Chegando” e será a sua disponibilização em forma de e-book, além de outros prêmios.

 

Considerações finais

Enquanto componentes do Grupo Unsum, estamos há dez anos na caminhada objetivando promover a valorização da cultura e da tradição local. Entendemos que não se pode amar uma história e uma tradição se não as conhecemos. Refletir que num mundo globalizado e cheio de atrativos efêmeros e transitórios de valores, buscar na memória do coletivo próximo, dos grupos em que pertencemos, os elementos que nos unem e tecem identidades específicas dessa comunidade são de vital importância. Um povo sem memória é um povo sem alicerce e facilmente manipulado pelos interesses de grupos economicamente globalizantes, que visam apenas os interesses das grandes empresas. E assim, nós nos tornamos presas fáceis se não nos apegarmos aos nossos valores, tradições e cultura e nos fortalecermos enquanto grupos.

 

1 É a perda do poder de captação de expressão da palavra ou símbolos que podem ocorrer em casos de lesões em centros celebrais, mas que não acontecem por defeito ou perda auditiva ou do mecanismo fonador.

 

Referências

GUIDOLIN, Camila e ZANOTTO, Gisele. Patrimônio Imaterial. In: Mapeamento do Patrimônio Imaterial de Passo Fundo/RS. Passo Fundo: Projeto Passo Fundo, 2016.

HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. Os lugares de memória. Memória patrimônio e Identidade. Ministério da Educação: Boletim 4, abril 2005.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas/São Paulo: Editora da UNICAMP, 1996.

MURRAY, Charles. As Festas Populares como objetos de memória. Memória patrimônio e Identidade. Ministério da Educação: Boletim 4, abril 2005.

RIOS, José Arthur. Objetos não são coisas. Rio de Janeiro: José Arthur Rios, 2013.

SANTOS, Isabela de Oliveira.  A Contação de Histórias da Educação Infantil. Monografia apresentada ao Centro de Ciências do Homem (CCH), da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como requisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia. Campos dos Goytacazes – RJ junho2018.

 

Folha Letras da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Eleição de 2024 pela eleição de 2020 no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Médico e ex-candidato a prefeito de Campos em 2020, Dr. Bruno Calil é o convidado desta quinta (12) do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da sua trajetória política, de candidato a prefeito apoiado pelos Bacellar em 2020 a aliado político do prefeito Wladimir Garotinho (PP), na campanha de reeleição deste em 2024.

Bruno também dirá o que consegue interpretar da eleição de 6 de outubro de 2024, daqui a exatos 25 dias, a partir da sua experiência na eleição municipal de 2020. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar o próximo pleito a prefeito e vereador de Campos; como, depois, da nova mesa diretora da Câmara Municipal.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Caputi amplia aprovação de governo e favoritismo à reeleição

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeita de São João da Barra, Carla Caputi (União) confirma a equação presente nas pesquisas (confira aqui) de outros 8 municípios do Norte Fluminense e Região dos Lagos. Com aprovação do seu governo chegando a 90% dos sanjoanenses, ela é favorita à reeleição na consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos candidatos), com 81,9% das intenções de voto. São mais de 72 pontos de vantagem sobre seu único adversário, o administrador público Danilo Barreto (Novo), com 9,2% de intenção.

Dados da nova pesquisa — A 25 dias da urna de 6 de outubro, é o cenário apresentado pela pesquisa Factum de SJB divulgada hoje (11). Feita com 381 eleitores do município, entre os 5 e 6 de setembro, teve o registro RJ 06382/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com margem de erro de 5 pontos para mais ou menos.

Crescimento na estimulada — Em relação à pesquisa Factum de 15 de junho, feita pelo menos instituto e com a mesma metodologia, Caputi chegou a setembro com a ampliação da sua vantagem. De 71,12% de intenção de voto que tinha há três meses na consulta estimulada, ela cresceu mais de 10 pontos até os 81,9% atuais. Por sua vez, Danilo também cresceu, mas menos: foi de 5,78% a 9,2% na estimulada. Outros 4,2% disseram em setembro que votarão em branco ou nulo em 6 de outubro, com 3,7% de indecisos e 1% que não soube responder.

Aprovação de governo = intenção de voto — Causa do seu favoritismo nas intenções de voto, Caputi também ampliou a aprovação popular ao seu governo. Entre as pesquisas Factum de junho e setembro, os que aprovam a atual gestão de SJB foram de 86,88% aos 90% atuais. A desaprovação é de apenas 9% dos sanjoanenses, com 1% que não soube responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Espontânea — Na consulta espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, em intenção com menos chance de mudança, Caputi também lidera a corrida. Entre as pesquisas Factum de junho e setembro, a prefeita subiu de 40,15% aos atuais 69%. Por sua vez, Danilo também cresceu na espontânea, mas menos: de 3,41% aos atuais 8,2% de intenção de voto cristalizada. Outros 17,6% ainda se mostraram indecisos, com 4,2% de branco/nulo e 1% que não soube responder.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rejeição — Em outra consulta favorável à reeleição de Caputi, ela tem rejeição abaixo de Danilo. Entre as pesquisas Factum de junho e setembro, os sanjonanenses que não votariam na prefeita cresceram: de 1,84% aos atuais 5,3%. Mas, nos últimos três meses, Danilo cresceu ainda mais no índice negativo: de 19,42% aos atuais 27,3% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

Análise do especialista — “Com nível de confiança de 95%, a pesquisa Factum apresenta excelente qualidade técnica. No município, com 38.708 habitantes pelo IBGE, estão habilitados a votar pelo TSE 42.019 eleitores. O cenário é de reeleição da prefeita Carla Caputi, com 69% das intenções no voto espontâneo, que vão a 81,9% na estimulada. Danilo Barreto (Novo), único concorrente, aparece com 8,2% das intenções no voto espontâneo e com 9,2% no voto estimulado. Pela pesquisa, é possível concluir que a alta possibilidade de reeleição da prefeita Caputi está associada aos 90% da população que aprovam o seu governo”, explicou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Pauta do comércio em ano eleitoral no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empresário e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, José Francisco Rodrigues é o convidado do Folha no Ar desta quarta (11), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a decadência do tradicional comércio no Centro de Campos, e a necessidade de revitalização da área e do setor, após a pandemia da Covid-19.

José Francisco também falará das demais pautas do comércio e do setor produtivo goitacá em ano de eleição municipal. E, com base nas pesquisas (confira aqui, aqui, aqui e aqui), tentará projetar o pleito de 6 de outubro, daqui a apenas 26 dias, a prefeito e vereador em Campos e outros municípios da região.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

Em Italva, Pelanca é o 9º prefeito da região favorito à reeleição

 

(Infgráfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Hoje, a 26 dias da urna de 6 de outubro, o cenário eleitoral de Italva repete o de outros 8 municípios da região: com um governo popularmente bem avaliado, o prefeito Léo Pelanca (PL) é favorito à reeleição. Pesquisa do instituto Novo Correio Fluminense deu Pelanca com 74,20% de intenção de voto na consulta estimulada (com apresentação dos nomes dos candidatos), ou 78,94% de intenção de voto válido (descontados brancos e nulos). A vantagem é fruto da avaliação do governo de Italva: 81% da população aprovam a atual gestão, entre os 54,80% que a consideram boa e os 26,20% que a consideram ótima.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Aprovação de governo = intenção de voto — Na consulta estimulada, bem atrás dos 74,20% de intenção de voto do prefeito, vieram Alcirley Lima (União), com 13% (ou 13,83% de intenção de voto válido); e Claudinei Melo (Avante), com 6,80% (ou 7,23% dos válidos). Outros 3,80% disseram que votarão em branco ou nulo, enquanto 2,20% não opinaram. Na avaliação de governo, além da maioria de 81% que considera o governo de Italva bom (54,80%) e ótimo (26,20%), outros 9,60% acham que é regular; com 4,80% de ruim, 4,20% de péssimo e 0,40% que não souberam opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dados da pesquisa — A pesquisa Novo Correio Fluminense a prefeito de Italva foi feita com 500 eleitores do município, entre 3 e 4 de setembro. Sob registro RJ-02256/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela tem margem de erro de 4,3 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Correlação é regra no NF — Presente em Italva, a correlação entre aprovação de governo e favoritismo do prefeito à reeleição se repete em outros 5 municípios do Norte Fluminense. Em Campos, Wladimir Garotinho (PP) tem 63% de intenção de voto na estimulada, com aprovação de governo de 76,3%; em São João da Barra, Carla Caputi (União) tem 71,12% de intenção, com aprovação de governo de 86,88%; em Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) tem 70,3% de intenção, com aprovação de governo de 85%; em Cardoso Moreira, a prefeita Geane Vincler (União) tem 68,2% de intenção, com aprovação de governo de 74,8%; em Conceição de Macabu, o prefeito Valmir Lessa (Cidadania) tem 41,2% de intenção, com aprovação de governo de 68,4%.

 

Prefeitos do Norte Fluminense e Região dos Lagos com governos bem avaliados pela população e favoritos nas pesquisas à reeleição: Wladimir Garotinho em Campos dos Goytacazes, Carla Caputi em São João da Barra, Geane Vincler em Cardoso Moreira, Valmir Lessa em Conceição de Macabu, Fábio do Pastel em São Pedro da Aldeia, Marcelo Magno em Arraial do Cabo e Maira de Jaime em Silva Jardim (Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Também na Região dos Lagos — A mesma correlação entre aprovação popular de governo e favoritismo do atual prefeito candidato à reeleição também se repete em 3 municípios da Região dos Lagos. Em São Pedro da Aldeia, Fábio do Pastel (PL) teve 56% de intenção de voto, com aprovação de governo de 77,2%; em Arraial do Cabo, Marcelo Magno (PL) teve 62% de intenção de voto na consulta estimulada, com aprovação de governo de 79,8%; em Silva Jardim, Maira de Jaime (MDB) teve 51,2% de intenção de voto, com aprovação de governo de 75,1%.

Espontânea em Italva — Como também acontece nesses outros oito municípios, em Italva o prefeito Léo Pelanca também lidera a consulta espontânea (onde o eleitor fala em quem vai votar da própria cabeça), com 69,40% de intenção de voto cristalizada, com pouca chance de mudança até 6 de outubro. Ele também veio seguido à distância por Alcirley, com 9,40%; e por Claudinei, com 4,40%; enquanto 16,80% não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rejeição — No índice negativo da rejeição, quem lidera em Italva é Alcirley, com 28% de italvenses que não votariam nele a prefeito. Ele foi seguido por Claudinei, com 21,60%; e pelo prefeito Pelanca, com apenas 9,60% de rejeição. A maioria de 40,80%, no entanto, não opinou na consulta Novo Correio Fluminense sobre qual dos candidatos a prefeito de Italva não votaria em 6 de outubro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IGBE

Análise do especialista — “Com grau de confiança de 95,0% e 500 entrevistas de rua, face a face, a pesquisa apresenta boa qualidade técnica, com margem de erro de 4,3 pontos. Com 12.146 eleitores habilitados no TSE para votar em 6 de outubro, Italva tem eleição de turno único a prefeito. A pesquisa aponta à reeleição do prefeito Léo Pelanca, com 69,40% das intenções na consulta espontânea, 74,20% na estimulada e para 78,94% nos votos válidos. A probabilidade de reeleição do atual prefeito é explicada pelos 81,00% da soma de bom e ótimo da avaliação da administração municipal pelo eleitorado”, explicou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Candidata a prefeita, Delegada Madeleine no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Delegada de Polícia Civil e candidata a prefeita de Campos, a Delegada Madeleine (União) é a convidada do Folha no Ar desta terça (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela dá sequência à série de entrevistas do Grupo Folha com todos os candidatos a prefeito Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, diante da presença dos representantes de todas as candidaturas.

Madeleine avaliará os erros e acertos da gestão Wladimir, o cenário apontado pelas pesquisas eleitorais (confira aqui e aqui) e sua nominata de vereadores. Ela também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, do que propõe à revitalização do Centro, à retomada da vocação agropecuária do município, à geração de empregos e à construção do futuro de Campos para além dos royalties do petróleo.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Edmundo Siqueira — Pablo Marçal: o Jeca Tatu de terno slim

 

Pablo Marçal e Jeca Tatu, perosnagem de Monteiro Lobato imortalizado no cinema brasileiro por Amácio Mazzaropi (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Edmundo Siqueira, jornalista e servidor federal

Pablo Marçal: o Jeca Tatu de terno slim

Por Edmundo Siqueira

 

Não é difícil decifrar o código de Pablo Marçal, principalmente vendo as dezenas de entrevistas que tem dado. Ele é alguém que domina as redes sociais, e que entendeu o mindset desta quadra da história, onde vídeos de 30 ou 90 segundos são produtos de comunicação de massa. Portanto, os cortes são mais importantes que o conteúdo. Lacrar é o que vale.

“Código”, “mindset”, “cortes” e “lacrar”. Peço desculpas ao leitor, mas é proposital inserir estrangeirismos e expressões fáceis. Esse é o terreno onde as narrativas (palavra proposital, de novo) de Marçal são férteis. Ele pode ser caricato, com direito a sotaque caipira e aura de coach charlatão. Mas é inegável: ele tem dominado não apenas as entrevistas, desconcertando jornalistas experientes, mas também o debate público do país.

Marçal entra na política com a pose de quem decifrou o segredo do universo. De terno slim, olhar focado e discurso motivacional, acredita que São Paulo — cidade que ele diz ser o espelho do Brasil — pode ser domada como uma reunião de negócios. Moderno, um homem versão 4.0, que acha que a política pública é uma planilha de Excel. Basta incluir alguns números, uma centena de metas e objetivos, e pronto. O gráfico final será “abençoado” com um crescimento vertiginoso.

Mas o que ele parece negar com a cortina de exagero que usa, é que sua alma carrega algo mais ancestral, um resquício perdido do Brasil profundo. Sim, Pablo é o Jeca Tatu da era digital.

Antes que me acusem do mesmo, de exagero, repare bem: o Jeca não era burro, muito pelo contrário. Sua ignorância era estratégica, um recurso para fugir do desconforto da civilização. E Marçal, com todo seu apetite por clichês de autoajuda, faz o mesmo. Promete o impossível, faz de conta que está em controle absoluto, algo como um Jeca Tatu que trocou o banquinho de madeira pelo assento de couro no Uber Black.

Mas é preciso ir além: Jeca Tatu não queria a cidade grande, ele a temia. E Marçal, com seu discurso de modernidade, não quer a cidade, ele a finge. Finge que entende seus dramas, suas mazelas e seus engarrafamentos. Pensa que tudo se resolve com um vídeo motivacional, com a revolução que só existe na cabeça de quem nunca tomou o metrô na hora do rush. O Jeca de Marçal usa termos como “disrupção” e “empreendedorismo”, mas na verdade, é a pura e velha preguiça de encarar o real.

No fundo, Pablo Marçal é o Jeca que trocou a enxada pelo celular, o calo na mão pela palestra em auditório climatizado. Seu projeto de São Paulo não é urbano, é bucólico. Ele quer um campo verdejante e teleféricos rasgando os céus, onde os problemas desaparecem com um clique e as crises são solucionadas com frases de efeito.

Só que São Paulo não precisa de um Jeca de paletó e gravata, nem de um falso profeta das redes sociais. Precisa de quem a entenda em toda sua complexidade — suas feridas abertas, seus becos sem saída. E até aqui, Marçal continua acreditando que é possível governar essa cidade com a força do pensamento positivo.

 

As pesquisas e a religião

Embora Pablo acredite que as eleições já estão ganhas e que terá eleitores suficientes para vencer no primeiro turno da maior cidade do país, o cenário da última pesquisa Datafolha (divulgada nesta quinta, 5) mostra que não é tão fácil como um vídeo de 30 segundos.

Guilherme Boulos (PSOL), aparece com 23% (eram 23%), Ricardo Nunes (MDB), com 22% (eram 19%), Pablo Marçal (PRTB) apresentou 22% (eram 21%) e Tabata Amaral (PSB), 9% (eram 8%).

No segundo turno, Marçal perde em todos os cenários testados pelo Datafolha, explicado em grande parte pelos números de rejeição: 38%, 4 pontos percentuais a mais que na última pesquisa, liderando a rejeição.

O Jeca Tatu Digital se preparou para essa jornada, e com visual e retórica ajustados e milimetricamente pensados, consegue visibilidade. “A moleza tinha desaparecido e ele passava o dia inteiro trabalhando. Não exagerava mais na bebida. Ninguém mais o reconhecia, trabalhava tanto que até preocupava as pessoas. Ele, a mulher e os filhos andavam agora calçados”, escreveu Monteiro Lobato, no livro Urupês, na criação do alter ego rejeitado de Marçal.

Além do sotaque de paulista do interior, Marçal apela à religião. Diz constantemente que irá “abençoar” as favelas, e coloca “Deus” em diversas frases. Evangélico, Marçal comunica como poucos a ideia de prosperidade que igrejas neopentecostais protestantes utilizam desde os anos 1930. Com esse perfil, facilmente atrairia eleitores. Porém, a soberba o fez tropeçar com o público religioso.

“O Salomão tinha jato? Salomão já acalmou piloto de helicóptero? Salomão escreveu três livros, eu escrevi 45. Eu tenho só uma mulher, Salomão tinha mil e não encontrou a paixão da vida dele. Salomão não tem 2,4 bilhões de marcações no TikTok”, disse Marçal em um vídeo, viralizado recentemente. O ex-coach ainda chama o rei de Israel de “neném”.

Ironicamente, o próprio Salomão ensina que a soberba precede a ruína. Talvez o fato de ser muito conhecido ajude Marçal, e há chances de ele ganhar as eleições em São Paulo, e com isso se cacifar como um sério candidato da direita para 2026. Embora Bolsonaro e Tarcísio de Freitas apoiem Ricardo Nunes à reeleição, uma vitória de Marçal certamente mudaria o jogo e a única opção do bolsonarismo seria mudar o mindset e apoiar cegamente o ex-coach.

Mas aos olhos de hoje, Marçal não vence. E a julgar pelas comparações salomônicas recentes, talvez consiga aumentar sua rejeição a ponto de inviabilizar qualquer chance futura. “Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Assassinato de motoboy no baixo nível do debate eleitoral

 

(Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Debate eleitoral vulgar

A contar de hoje (7), são 29 dias às urnas de Campos em 6 de outubro. A definição da vontade soberana dos 373.553 campistas aptos a votar deveria se pautar pelo debate de projetos ao município. Como sua sobrevivência sem os recursos finitos dos royalties do petróleo advindos de uma Bacia de campos já maduros. No lugar disso, a discussão eleitoral tem sido vulgarizada na bacia das almas. Como foi ontem, ao ser atribuída a ligação com um grupo político da cidade de um bombeiro militar apontado como suspeito do homicídio de um motoboy. Mesmo que a suposta motivação, pelo que se sabe até aqui, nada tenha a ver com política ou eleição.

 

Mais vulgarização

Esse baixo nível de debate pode até ser do interesse do público. Mas não é de interesse público. E não é monopólio de um lado. Do outro, já houve até importação, do Rio a Campos, de políticos notoriamente desqualificados para se ofender a honra da primeira-dama e do prefeito. Como a insistência na denúncia, por um chefe de Poder, de um suposto crime ambiental nas atividades industriais do vice-prefeito, mesmo após o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) ter negado existir. Ou até do envolvimento de filhos de adversário político numa empresa com veículo envolvido na fatalidade de um acidente automobilístico.

 

Polarização sem desqualificação

A menos de um mês do pleito, a tendência é de polarização entre os dois maiores grupos políticos da cidade, de expressão também estadual. Os Garotinho, que já tiveram dois governadores. E hoje têm no filho Wladimir (PP) o prefeito e líder em todas as pesquisas (confira aqui) à tentativa de reeleição. E os Bacellar, que presidem os Legislativos fluminense e goitacá, respectivamente, com os irmãos Rodrigo e Marquinho. Que têm na candidatura a prefeita da Delegada Madeleine (União) a única na oposição, até aqui, a também apresentar 2 dígitos de intenção de voto. Nos dois lados, polarização não precisa rimar com desqualificação.

 

Para nivelar o debate

Ciente do seu papel de liderança moral, numa comunidade de maioria ainda católica, a Diocese promoveu encontro (relembre aqui) em 25 de novembro de 2023 com os pré-candidatos a prefeito de Campos em 2024. À proposta de nivelar por cima o debate eleitoral, atenderam, então, o prefeito Wladimir e outros dois prefeitáveis hoje confirmados em convenção: Professor Jefferson (PT) e Dr. Buchaul (Novo). Este, em ordem definida em sorteio, abriu ontem a série do Folha no Ar de entrevistas com os candidatos a comandar o maior município do Norte Fluminense. Que, com o objetivo de discutir propostas, segue nesta terça (10) com Madeleine.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.