No caso de dúvida, fica a certeza sobre o Abreu xará do Dirceu

Josés de Abreu e Dirceu (foto: divulgação)
Josés de Abreu e Dirceu (foto: divulgação)

 

Embora o tenha na conta de bom ator, confesso que há algum tempo passei a nutrir asco à figura pessoal de José de Abreu, não pelo ideário, mas pela maneira acrítica (de si) e odienta (do outro) com que milita politicamente. Amigo fiel do seu homônimo José Dirceu (PT), ora hospedado no sistema prisional de Curitiba, que mês passado teve seu registro de advogado cassado pelo Conselho Federal da OAB, o Abreu resolveu encarnar o vilão na vida real contra o educador e senador Cristóvam Buarque (PPS), ex-governador do PT em Brasília, onde foi um dos criadores do Bolsa-Família.

Cristóvam usou sua conta no Twitter para aconselhar Dilma Rousseff (PT) a parar de insistir no discurso de golpe, que a (ainda) presidente voltou a usar hoje com jornalistas em Nova York, ameaçando seu próprio país (aqui) com sanções econômicas do Mercosul e da Unasul, caso o Senado confirme a clara tendência de considerar crime de responsabilidade as “pedaladas” fiscais com as quais o governo federal quebrou o Brasil e tentou maquiar. Pois, em resposta ao senador, o ator xará do Dirceu usou também o Twitter para mostrar o lado mais canastrão da sua cidadania:

— O  deveria parar com esse discurso de querer calar a Dilma. Censura rima com ditadura. Que velhinho babaca!

Se há dúvida sobre quem é o babaca nessa história, uma certeza: José de Abreu tem 69 anos.

Abaixo as duas postagens:

 

(Reprodução do Twitter)
(Reprodução do Twitter)

 

Fonte: Lauro Jardim

 

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Tomou susto com a Câmara Federal? Bem vindo ao Brasil!

E se você é um daqueles que se surpreendeu, em 17 de abril de 2016, com o nível de uma Câmara Federal empossada desde 1º de janeiro de 2015, o desabamento ontem (21/04) de parte da ciclovia Tim Maia, na cidade do Rio de Janeiro, provocando a morte de duas pessoas cujos corpos foram dar na praia de São Conrado, diante de banhistas impassíveis que continuaram a bater sua bolinha no feriado de Tiradentes, é mais uma chance para finalmente apresentá-lo, caro leitor:

— Bem vindo ao Brasil!

 

Bolinha no feriado de paria ao lado dos cadáveres de Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos, e Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 (foto de Guilherme Leporace - O Globo)
Bolinha no feriado de praia ao lado dos cadáveres de Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos, e Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 (foto de Guilherme Leporace – O Globo)

 

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Pela engenharia da História, onde foi que nos perdemos?

Viaduto Rei Alberto em 1920, quanto foi construído, e em 21 de abril de 2016, desnudo pelo desabamento da ciclovia Tim Maia (reprodução)
Viaduto Rei Alberto em 1920, quanto foi construído, e em 21 de abril de 2016, desnudo pelo desabamento da ciclovia Tim Maia (fotos: reprodução)

 

Na democracia irrefreável das redes sociais, não demorou para que fosse feita a associação entre o viaduto Rei Alberto, construído em 1920, e a ciclovia Tim Maia, inaugurada em 17 de janeiro deste ano da Graça de 2016. O primeiro, erguido em homenagem ao rei da Bélgica que visitava o país naquele início o século 20, teve sua estrutura exposta depois que caiu parte da passarela da ciclovia, ontem, matando duas pessoas e expondo a diferença na qualidade de duas obras separadas por 96 anos.

Se impressiona quantas ressacas já suportou o viaduto de quase um século, diante da fragilidade fatal demonstrada pela ciclovia em pouco mais de três meses, a elegância dos três arcos romanos desnudos da primeira construção remetem a outra, muito mais antiga e também ainda de pé contra a força das águas. Erguida no século I d.C., a Ponte Romana da belíssima cidade de Córdoba, no sul da Espanha, oferece passagem segura há dois mil anos entre as duas margens do rio Guadalquivir.

 

Ponte Romana de Córdoba (foto: reprodução)
Ponte Romana de Córdoba (foto: reprodução)

 

Com seus 16 arcos na mesma sensualidade das curvas do viaduto carioca, a Ponte Romana de Córdoba tem 247 metros, quase a mesma extensão da Barcelos Martins (270 m), sobre o rio Paraíba do Sul. Construída em 1847, a ponte campista também vai muito bem, obrigado.

 

Ponte Barcelos Martins (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Ponte Barcelos Martins (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Desde o tempos dos antigos romanos, cruzando sobre as águas os séculos 19 e 20 até este início do 21, mesmo para quem não conheça nada de engenharia ou História, a pergunta que parece óbvia é: onde foi que nos perdemos? E em nome de quê?

 

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Guilherme Carvalhal — Moedas douradas

porquinho

 

 

 

Para cada golpe dado, Ezequiel guardou uma moeda. Depositou a primeira aos dezesseis anos quando embarcava como punguista e deu continuidade quando na mocidade enveredou para o contrabando. Apesar da longa data passando incólume pela lei, mudou de área aos 40 e fez maior sucesso atuando nos bastidores da política.

Reinaldo vacilou antes de quebrar a porca guardada a vida inteira pelo pai. Primeiro, pela natureza escusa de seus atos. A mãe o afastou de sua influência e a lembrança do velho pilantra não passava de memória remota. Segundo, se ele depositou moedas ao longo da vida, provavelmente não havia ali nada de significativo, apenas um punhado metálico sem valor após tantas mudanças de planos econômicos. No máximo amealharia alguns trocados em algum antiquário.

Diante da insistência da esposa, rachou o porco e se surpreendeu. Ao invés de guardar moedas correntes, o velho colecionou pequenas peças douradas cunhadas com suas iniciais, todas em formas bastante semelhantes, seguindo um molde único durante seus 60 anos de atividade. Aí sim ele viu algo de valor.

Após vender o conjunto de moedas em uma casa de penhores, trocou de carro, comprou uma bela casa e ainda aplicou uma quantia em um investimento financeiro, contando em futuramente enviar os dois filhos para a faculdade de medicina. Se o velho não marcou presença durante a vida, pelo menos na morte cumpriu um pouco seu papel de pai.

Quando recebeu o telefonema de Humberto, dono da casa de penhores, não compreendeu ao certo seu questionamento. Explicou que quatro compradores das moedas faleceram poucas semanas após e isso rendeu perguntas por parte da polícia. Nada demais, tendo em vista limitarem-se a casos fortuitos: uma picada de cobra durante uma pescaria no Mato Grosso, uma falha de freio na estrada, um ataque cardíaco e uma queda no banheiro. Não havia correlação alguma, mas mesmo assim o caso chamava atenção pela morte de quatro colecionadores de relíquias em prazo pouco largo:

— Estão amaldiçoadas — disse em tom crente e assustado de quem perdeu bons clientes. O dono chegou a sugerir o destrato desejando retornar a maldição ao antigo dono, mas Reinaldo não estava disposto a abrir mão do seu novo padrão de vida.

Mal esperava pelas consequências. Poucos meses depois, enquanto saía do trabalho para seu horário de almoço, Reinaldo recebeu uma ligação da esposa avisando sobre o desespero de Humberto segurando uma bolsa ameaçando se jogar de cima de um prédio. Correu para as imediações e encontrou os bombeiros tentando convencê-lo a desistir e a multidão em polvorosa gritando “Pula! Pula!”. Ao longe ele lançava seus gritos, porém Reinaldo não conseguia captar suas palavras, essas abafadas pelo clamor da multidão. Então Humberto abriu sua bolsa e começou a jogar as moedas, iniciando uma forte confusão entre as pessoas, essas caindo ao chão e se digladiando para catá-las. Lançou-se e se acabou em meio àquele tumulto.

As palavras da viúva após o velório soando a desabafo lânguido provocaram uma atmosfera perturbadora em torno dos ânimos. Ela relatou detalhadamente o infortúnio do marido, cada vez mais apegado àquelas moedas e acompanhando a morte de outras pessoas que as compraram. Então decidiu parar de vendê-las e, nesse ato de loucura, jogou-as e se matou.

A partir daí, Reinaldo estabeleceu a meta de prestar contínua atenção nas páginas policiais e no obituário. Cada acidente de carro, homicídio, doenças fatais súbitas e situações congêneres ele tentava associar a algum dos novos donos das moedas.

Envolveu-se tão ferrenhamente em acompanhar obituários que se aproximou mais da morte e se afastou da vida. Converteu-se em um vulto estranho à própria esposa, sempre envolto em associações e conjecturas estapafúrdias. Apenas após bastante tempo imerso em suas suposições ele conseguiu lembrar claramente do sorriso cínico do pai e sentiu-se mais uma mera peça em seu jogo sórdido do qual o velho não se cansou nem após a morte.

 

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“Governo Rosinha foi o melhor que Campos teve; disparado!”

A partir da experiência à frente do Fundecam e, nos últimos quatro anos, na secretaria de Agricultura, Eduardo Crespo chegou por último entre os pré-candidatos governistas à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), a quem credita “o melhor (governo) que Campos já teve”. Com críticas a uma oposição que entende só fazer críticas, ele enxerga no estímulo à iniciativa privada o caminho de um futuro sem a mesma capacidade de investimento dos royalties.

 

Eduardo Crespo (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Eduardo Crespo (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Governo Rosinha – Foi o melhor que Campos já teve; disparado! Foi fundamental a experiência dela como governadora do Estado do Rio. Em curto espaço de tempo, já no primeiro mandato, foi implantado até maio de 2009 a passagem a R$ 1,00. Seu maior marco foi o desfavelamento. Fomos o único lugar do país, nos últimos anos, que alcançamos esse patamar, a partir do “Morar Feliz”. Outro quesito foi o investimento de infraestrutura básica, em Donana, em Ururaí, com o “Bairro Legal”. Mais de uma Quisssamã foi erguida em Campos com as novas obras. Na continuidade do seu mandato (a partir de 2013), isso foi estendido a outras localidades. O resgate da Prefeitura em parcerias com o governo federal atraiu recursos em projetos na saúde e educação. Nós mesmos, na secretaria Agricultura, fizemos projetos como o “Kit Mais Leite”, fornecendo tanques de resfriamento de leite e botijões de sêmen, para melhoramento genético, com recursos do ministério de Agricultura. Antes, não podíamos fazer por falta de certidão negativa, na herança que ela (Rosinha) tinha encontrado.

Oposição – Acho a oposição muito fragilizada, por falta de uma visão realista do futuro, com a discussão de propostas. O que nós vamos fazer no governo até as prévias (de maio a julho), quando avaliaremos criticamente o que fizemos e o planejaremos o que vamos fazer. Na minha visão, temos que focar em como vemos Campos em 2020, e no que podemos fazer para ter essa meta alcançada. O que a prefeita vem realizando é fruto de um plano de governo. Infelizmente, há quatro anos, ninguém sabia o que iria acontecer, com a queda do barril de petróleo, forçando-nos a readequar o plano de governo. A oposição é vazia! São acusações pelas acusações, para confundir a opinião pública. Mas a sociedade, vide o que acontece hoje em Brasília, já está sabendo diferenciar isso.

“Independentes” – Acho que estão esperando para que lado a coisa vai pender. Está igual a meteorologia: espera para ver se vai chover, se vai dar sol, para ver que roupa vai usar.

Vir de vice – Não sei avaliar. É uma definição para o grupo. Isso estaria atrelado a quem for indicado como candidato a prefeito. Será inteligente a complementação de perfis numa mesma chapa. Somos hoje oito pré-candidatos, todos preparados para exercer uma candidatura a prefeito e vice. Saindo a definição de prefeito e vice, todos têm que se comprometer a apoiá-los, assim como as propostas discutidas.

Vice – Pela lógica da complementação, a experiência que adquiri no Fundecam (três anos e meio) e, sobretudo, na Agricultura, capilarizaram meu nome no interior. Se seu for candidato a prefeito, o ideal é que o vice fosse alguém com capilaridade na “pedra” (área central).

Fogueira das vaidades – Não vejo isso em nosso grupo, em nossos pré-candidatos. Vejo pessoas com vontade de trabalho, de acertar, a partir das visões e experiências diferentes. Cheguei agora (29 de março, quando foram anunciadas as prévias) e a receptividade, o tratamento das pessoas, é muito bom. A proposta é tratar as coisas com transparência e chamar para o debate, chamando a sociedade, para ouvi-la. Eu, particularmente, não tenho vaidade nenhuma. Acho que a oposição é que está muito envaidecida. Se sustentam na crítica pela crítica, tendo como alvo nossa liderança, que é o Garotinho, mas não na discussão dos nossos problemas. Temos problemas? Lógico! Mas como revolvê-los? Só a política do antagonismo não leva a nada.

Experiência administrativa – O poder de investimento que tínhamos com os royalties não vai voltar mais. Quem pode alavancar o desenvolvimento da cidade é o setor privado, na cidade e no campo. Você não pode fazer uma pessoa se transformar num empreendedor, mas pode criar o meio para quem é empreendedor aparecer naturalmente. Esse é o nosso desafio!

 

Página 2 da edição de hoje (21/04) da Folha
Página 2 da edição de hoje (21/04) da Folha

 

Publicado hoje (21/04) na Folha da Manhã

 

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Depois do PSB, Garotinho também perde o PDT por falar demais

Lupi

 

 

“A candidatura de Caio Vianna a prefeito de Campos pelo PDT é irreversível”. Foi o que afirmou ontem o presidente nacional do partido, ex-ministro Carlos Lupi, que também assinou e divulgou nota oficial confirmando a definição. Assim, caem por terra as esperanças do secretário de governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), de ter sua antiga legenda, fundada pelo ex-governador Leonel Brizola (1922/2004), na aliança que dará sustentação à candidatura governista à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) em outubro.

No último sábado, na rádio do seu grupo de comunicação, Garotinho disse que se encontrou com Lupi e falou sobre a possibilidade do PDT apoiar seu grupo em Campos. Segundo o secretário e marido de Rosinha, o deputado estadual Jânio Mendes (PDT) o procurou para pedir que o PR o apoiasse em sua candidatura a prefeito de Cabo Frio. Como o pedido tinha sido atendido, esperava-se a recíproca em Campos.

Embora Lupi tenha confirmado ter conversado com Garotinho sobre o assunto, o fato deste ter revelado a conversa no rádio acabou gerando ontem a divulgação da nota oficial do PDT. Recentemente o açodamento e a indiscrição do político da Lapa lhe custaram outro apoio. No final de março, negociando o possível apoio do PSB com o deputado federal Hugo Leal, antes do fechamento da janela em 2 de abril,  o secretário colocou a conversa no viva voz com um grupo de vereadores roáceos. Ao saber só depois da exposição a que fora submetido, Leal disse que a atitude tinha sido “coisa de garoto” e encerrou qualquer negociação: “a chance de aliança não é zero, é menos um”.

Assinada por Lupi e divulgada ontem, para confirmar a pré-candidatura de Caio a prefeito, em mais uma derrota pré-eleitoral do garotismo no tabuleiro para outubro, a nota oficial do PDT encerra dando os motivos: “O partido entende que o momento atual é de renovação e de incentivar os jovens que acreditam que fazer política com idéias e sonhos vale a pena. Por uma Campos livre do atraso e olhando para o futuro”.

 

Página 2 Folha 21-04-16

 

Publicado hoje (21/04) na Folha da Manhã

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Balada da bandalha — Fila dupla vira ponto de táxi na Pero de Gois

Alvo de denúncias a partir de flagrantes do blog feitos aqui e aqui, a balada da bandalha voltou a ocorrer livremente na rua Pero de Gois, no parque Tamandaré, nesta madrugada do feriado de Tiradentes, 21 de abril. Bem verdade que, após as primeiras denúncias deste “Opiniões”, a Guarda Civil Municipal fez algumas operações no local, mas só sobre carros particulares, sem a disputada concessão de transporte público.

Hoje, no entanto, como as fotos abaixo evidenciam mesmo a quem desconheça o Código Nacional de Trânsito, os táxis fazem fila dupla livremente pela noite e madrugada,  à espera dos fregueses da casa noturna “Tacada Certa” dispostos a não se arriscar na “Lei Seca”. Assim, para driblar uma irregularidade, outra é permitida sem nenhum tipo de fiscalização. Por que será?

Abaixo, os flagrantes feitos agora pelo blog:

 

(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

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Lupi desmente Garotinho: “Candidatura de Caio a prefeito é irreversível”

Embora tenha admitido ter conversado com o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR) sobre as eleições majoritárias de outubro no município, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, confirmou agora há pouco pelo telefone que não haverá aliança da legenda do ex-governador Leonel Brizola (1922/2004) com o governo Rosinha Garotinho (PR) à sua sucessão

— A candidatura de Caio Vianna a prefeito de Campos é irreversível — garantiu Lupi, desmentindo Garotinho, que em programa na rádio do seu grupo de comunicação, no último sábado, afirmou que o PDT caminharia com o candidato governista a prefeito de Campos.

Abaixo, por escrito e assinada por Lupi, o que ele disse ao blog ao telefone:

 

 

Lupi

 

Leia a cobertura completa do caso na edição de amanhã (21/04) Folha da Manhã.

 

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Eduardo Crespo: “Governo Rosinha foi o melhor que Campos já teve”

Eduardo Crespo (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Eduardo Crespo (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

“(O governo Rosinha Garotinho) Foi o melhor que Campos já teve; disparado! Foi fundamental a experiência dela como governadora do Estado do Rio. Seu maior marco foi o desfavelamento”.

“A oposição (em Campos) é vazia! São acusações pelas acusações, para confundir a opinião pública. Mas a sociedade, vide o que acontece hoje em Brasília, já está sabendo diferenciar isso”.

“Você não pode fazer uma pessoa se transformar num empreendedor, mas pode criar o meio para quem é empreendedor aparecer naturalmente. Esse é o nosso desafio!”

 

Essas foram algumas das declarações dadas pelo secretário municipal de Agricultura, Eduardo Crespo (PR), entrevistado de hoje na série com os pré-candidatos a prefeito de Campos. A íntegra da entrevista poderá ser conferida amanhã, na Folha da Manhã.

 

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Porque a culpa é nossa e chamar de Golpe é desrespeito

Com um pouco mais de intimidade com o Facebook, sobretudo naquilo que é produzido fora da taba goitacá em tempos de crise tupiniquim, é possível encontrar e mergulhar em textos mais densos, bem abaixo do meio palmo de profundidade sobre o qual costuma flutuar a democracia irrefreável das redes sociais. No muito de lixo produzido sobre aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) pela Câmara Federal no último domingo (17/04), garimpei dois textos que julgo irretocáveis.

O primeiro, aqui, é do jornalista Pedro Doria. O segundo, aqui, do diretor de operações da Conspiração Filmes, Ricardo Rangel. Mesmo que você, diferente de mim, não concorde com eles, exceção à reeleição defendida pelo segundo, tenha a certeza de que vale muito a pena conferir ambos:

 

 

Pedro Doria, jornalista
Pedro Doria, jornalista

Chamar de Golpe é um desrespeito

Por Pedro Doria

 

Domingo foi um dia terrível.

Com Fernando Collor, nos permitimos acreditar que um impeachment era motivo de festa. Não é. Collor foi atípico. O normal é essa ressaca que vivemos.

Impeachment é uma ruptura. Collor vinha do nada. O PT tem história. Representa uma longa tradição brasileira que deu quatro presidentes: Getúlio, Jango, Lula e Dilma. Tanto Lula quanto Dilma também foram marcos. Um operário brilhante. Uma mulher.

Mas o Mensalão aconteceu.

O Petrolão.

As pedaladas para fingir que o país estava bem durante a eleição. O governar tratando mal o Congresso. A crise econômica. O desemprego. A lenta migração de brasileiros da Classe C de volta à pobreza. (Já começa a aparecer nas estatísticas.)

Impeachment é uma ruptura.

Mas está sendo feito por um Congresso eleito. Igualzinho a presidente. O último lance, se ocorrer, será concretizado por um Senado presidido pelo presidente do Supremo. (Ou pela presidente do Supremo, se ocorrer no segundo semestre.)

Uma sessão para destituir a presidente da República ocorre perante os presidentes do Legislativo e do Judiciário.

Nenhuma lei terá sido quebrada. E tudo está previsto pela Constituição.

Pedaladas não são crimes de responsabilidade? Quem decide se são ou não são os senadores. A Constituição lhes outorga esta responsabilidade. Não é coisa única do Brasil. Impeachment é assim em democracias presidencialistas. O Senado decide se crime foi cometido. E, se ele decidir, está decidido.

O julgamento não é jurídico. É político.

É o único caso previsto na Constituição para um julgamento assim.

É claro que é uma ruptura.

É claro que Eduardo Cunha.

É claro que Michel Temer.

É claro que Jair Bolsonaro.

É claro que Renan Calheiros.

Tudo é claro. E essas pessoas têm mandatos legitimados pelo voto popular. Votos que têm, cada um, peso igual aos votos de Dilma.

Inclusive Michel Temer. Cada um de seus votos é idêntico a cada um dos votos de Dilma.

O jogo está sendo jogado dentro das regras.

Não gosta das regras? Pressione para mudá-las. Precisam mesmo de mudança. Sente nojo da política? Justíssimo. Bem-vindo ao Brasil, ele é assim faz algum tempo. Os deputados sequer sabem concordância? Lula tampouco sabia e, do ponto de vista da gestão, foi um presidente de alta competência. Bolsonaro é um fascista? É. Eduardo Cunha é corrupto? O acúmulo de evidências fazem parecer que sim. Ainda não foi condenado em última instância. Os deputados que nós escolhemos o escolheram. O STF não o julga? Não julga os outros parlamentares envolvidos na Lava Jato? Cobre do STF. Neste caso, Legislativo e Executivo nada têm a ver com a morosidade do Judiciário.

Tenha nojo à vontade do que ocorreu no domingo.

Pessoalmente, não tenho nojo. Mas carrego comigo uma baita tristeza. Uma sensação de fracasso retumbante, de desânimo, de olhar para tudo em que acreditei quando bem mais jovem e ter o Brasil como o Brasil é esfregado na minha cara.

Mas foi tudo legal, realizado pelo Legislativo, sob supervisão do Judiciário.

Chamar de Golpe é um desrespeito com todos os brasileiros que tiveram de enfrentar 1930, 1937, 1964.

 

 

faixa presidencial

 

 

Ricardo Rangel, diretor de operações da Conspiração Filmes
Ricardo Rangel, diretor de operações da Conspiração Filmes

A culpa é nossa

Por Ricardo Rangel

 

Sou a favor do parlamentarismo, do voto distrital misto, da cláusula de barreira, da criminalização do caixa dois e do estabelecimento de um teto para as contribuições de empresa (não sou a favor de sua proibição). Sou contra o voto obrigatório e contra o financiamento público das campanhas eleitorais. Não sou contra a reeleição, mas precisamos de mecanismos para coibir o uso da máquina governamental.

Não acredito, entretanto, que qualquer das medidas acima vá melhorar significativamente a qualidade de nossos políticos ou de nossa sociedade. Como vimos na votação do impeachment, nosso sistema político é melhor do que imaginamos e melhor do que merecemos: o Congresso Nacional é um retrato fiel da sociedade brasileira. Vi muita gente chocada com o baixo nível de nossos parlamentares, mas a mim o que choca é que tantos só tenham se dado conta disso agora.

Conheço gente de tudo o que é tipo, a grande maioria inteligente e relativamente bem informada. E que rotineiramente anula o voto; que não lembra em quem votou na última eleição; que defende intervenção militar (em alguns casos, “constitucional”); que vota em Bolsonaro; que votou em Eurico Miranda; e muita, muita gente que pretende votar em Lula em 2018, a despeito do mensalão, do petrolão e da recessão; tem gente até que leva Jandira Feghali a sério. Em geral, recusa-se a se reconhecer como elite (mas é) e reclama, com razão, que os políticos brasileiros não prestam.

Vimos um partido organizar e institucionalizar a corrupção no mensalão, de maneira a pôr o Legislativo na folha de pagamento do Executivo, num atentado à democracia, mas o reelegemos assim mesmo. Vimos esse partido fazer tudo errado na economia durante quatro anos, mas nos enganamos achando que tudo ia bem, e o elegemos uma terceira vez. Vimos a cúpula desse partido ir para a cadeia pouco antes de a Lava-Jato desvendar um novo e ainda maior escândalo de corrupção ao mesmo tempo em que a recessão se mostrava grave e inevitável, mas optamos por acreditar em um amontoado de mentiras, e elegemos, pela quarta vez, o partido que nos levava à ruína.

Alguém dirá, corretamente, que o principal problema é a Educação. Estamos todos, à direita e à esquerda, de acordo que a única coisa que pode nos tirar do subdesenvolvimento é a Educação, mas mantivemos no poder um partido que, durante doze anos, nada fez pela Educação e ainda apoia professores que afirmam que o ensino é ruim por culpa dos alunos e lutam com unhas e dentes contra a implantação da meritocracia no setor.

Agora olhamos para o futuro negro, repetimos que “o Brasil não merecia isso” (ora, se não merecia) e procuramos, como tontos, em quem pôr a culpa. Não, a culpa não é do PT. Nem dos políticos, nem dos partidos, nem de Dilma, nem de Lula, nem do Obama, nem da CIA, nem do neoliberalismo, nem da globalização. Nem do FHC. A culpa é nossa.

“Não perguntes por quem dobram os sinos. Eles dobram por ti.” (John Donne)

 

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