Poema do domingo — “Some daqui e procura teu jantar/ Na tua ralé”

Tudo que tinha a dizer sobre a vida e a obra de Robert Burns (1759/96), poeta nacional da Escócia, escrevi em 2009 no blog “Cantos”, que dividia com os professores e também poetas Adriano Moura e Fernanda Huguenin, em texto republicado dois anos depois aqui, neste “Opiniões”.  À poesia do bardo escocês, fui apresentado na segunda metade dos anos 1990, a partir de edição bilíngue da Relume Lumará, comemorativa do whisky Teacher’s, com introdução e tradução da poeta brasileira Luiza Lobo, que me foi dada de presente pelo jornalista Celso Cordeiro Filho. E o que apreendi pela leitura, mesmo mais de 200 anos após a vida de quem escreveu, me serviria de guia ainda atual ao que vi, ouvi, cheirei, tateei e provei das Terras Baixas e Altas da Escócia, numa viagem que fiz em 2007, como mochileiro por boa parte daquele belíssimo país.

Em prosa própria, pouco ou nada tenho a acrescentar ao que escrevi em 2009 e republiquei em 2011. Em relação à poesia, porém, apenas uma de Burns, é sempre muito pouco. Assim, no misto de fábula, sátira social, de costumes e religiosa, antes que os fiéis de hoje se reúnam na tradição das missas e cultos dominicais, convém dar uma espiadela nos versos de “A um piolho”, mas sem confiar muito na moral elitista das seis estrofes iniciais. Afinal, só quando o protagonista do poema desce do Lunardi — gorro em forma de balão criado em homenagem ao italiano Vicenzo Lunardi (1759/1806), que realizou cinco vôos de balão nos céus da Escócia — rumo ao pescoço da bela Jenny, se desvela o erro fatal não apenas dela, mas que a vaidade costuma aplicar sobre todos nós: “Oh, se algum Poder nos concedesse/ Vermo-nos a nós como nos vêem!/ Nos livraríamos de tantos vexames,/ E tão falsas impressões”…

Abaixo, na tradução sem “gestos e roupagens” da Luiza Lobo:

 

Vitral da Universidade de Glasgow
Vitral da Universidade de Glasgow

 

 

A UM PIOLHO

AO VER UM NO CHAPÉU DE UMA DAMA NA IGREJA

 

I

Oh! onde vais, criaturinha rastejante?

Tua impudência te protege fortemente,

Só te posso dizer que estranhamente

Andas em gaze e renda,

Embora, oh Deus! tema que hás de jantar

Num tal lugar.

 

II

Oh tu, animalito feio, malfazejo e andejante,

Detestado, desprezado por pecadores e santos!

Numa dama tão fina, como ousas

Pousar o pé!

Some daqui e procura teu jantar

Na tua ralé.

 

III

Fora! vai rastejar nas têmporas de um mendigo,

A arrastar, estirar e escarrapachar as patas

Pulando no gado, entre teus semelhantes,

Em grupos ou enxames;

Onde chifre ou osso jamais perturbarão

Tua vasta plantação.

 

IV

Agora, queda-te aí! estás fora de vista,

Firme e confortável sob os ornamentos;

Não, por minha fé, não ficarás contente

Enquanto não te alçares

Ao píncaro, ao ponto mais elevado

Do chapéu de madame.

 

V

Homessa! ousas mostrar o focinho,

Como uma groselha, cinzento e roliço:

Oh, uma pasta mercurial e pestífera,

Ou algum pó vermelho mortífero

Em tal dose te daria, que a catinga

Do teu traseiro consertaria!

 

VI

Surpresa não me faria te encontrar

Na touca de flanela de uma velha;

Ou talvez nalgum moleque maltrapilho

Em sua jaqueta;

Mas no elegante Lunardi de madame pousar?!

Como ousas? Fora!

 

VII

Oh, Jenny, não vira tua cabeça

A pavonear e exibir tua beleza!

Mal imaginas a maldita presteza

Com que este ínfimo ser rasteja!

E já de seus olhos odientos e agudas garras

Começas a te aperceber!

 

VIII

Oh, se algum Poder nos concedesse

Vermo-nos a nós como nos vêem!

Nos livraríamos de tantos vexames,

E tão falsas impressões:

Sem mais nos exibir com gestos e roupagens,

Até nas devoções!

 

1786

 

0

Quem vai torrar a herança dos irmãos na Câmara de Campos?

“Caim assassina Abel” (1608/10), óleo sobre painel de carvalho, de Peter Paul Rubens (1577/1640)
“Caim assassina Abel” (1608/10), óleo sobre painel de carvalho, de Peter Paul Rubens (1577/1640)

 

 

Gustavo Alejandro Oviedo, advogado, publicitário e crítico de cinema
Gustavo Alejandro Oviedo, advogado, publicitário e crítico de cinema

Por Gustavo Alejandro Oviedo

 

Nesse sábado, Garotinho voltou a explicar, na Radio Diário, a necessidade de antecipar os royalties futuros como a única saída para poder enfrentar a crise que o município está atravessando. Insistiu no seu exemplo de que a operação de crédito seria parecida à situação de uma pessoa obter um empréstimo onde pagaria apenas 1% ao ano, o que evidentemente demoraria 100 anos em quitá-lo. Isto, claro, se o banco fosse tão generoso de não cobrar juros durante um século.

Vou fazer uma previsão mais realista, onde não se subestime a inteligência do público. Tomemos como referência o empréstimo já obtido pelo município em 2014 junto ao Banco do Brasil. O banco entregou 250 milhões, e a prefeitura o devolverá em duas parcelas de 150 milhões, uma este ano e a outra em 2016. Ou seja, pagará ao todo 300 milhões, sendo 50 milhões de juros (10% ao ano).

Num eventual novo empréstimo, onde as condições sejam semelhantes, o município iria tomar emprestado aproximadamente 1 bilhão de reais, pois essa é a previsão de queda de arrecadação deste ano. Pela resolução nº 43 do Senado Federal, que agora autoriza a operação, essa antecipação só poderia ser devolvida em parcelas anuais que não ultrapassem 10% da receita obtida do petróleo (Royalties e Participações Especiais).

Suponhamos, então, que somos o banco que irá emprestar dinheiro ao município de Campos. O negocio é interessante, pois a quitação está garantida por recursos oriundos da ANP e não há chance de que uma instabilidade política local ameace o pagamento. É mais ou menos como um empréstimo consignado. O lado ruim é que não tem como se saber o quanto o município receberá de Royalties e PE no futuro. O que ingressa depende do preço do barril e da produção na bacia local.

Como será calculado o valor dos juros, então? Embora não possa ter ideia disso, não seria estranho pensar que fariam alguma coisa similar ao feito na operação de 2014: estabelecer um valor determinado (o emprestado + juros) e que este seja pago até sua quitação, sem que se tenha certeza de quando acontecerá isso.

Imaginemos o que o banco pensaria: se vou emprestar 1 bilhão, e o cliente só pode devolver entre 50 e 80 milhões ao ano, a amortização do capital se fará, no melhor dos casos, em 13 anos. Se cobrarmos um juro de 10% ao ano (afinal, somos um banco), teremos de somar 130% a 1 bilhão de reais, o que daria um montante a ser devolvido de 2,3 bilhões de reais. Esse valor demoraria 29 anos em ser pago, considerando que se devolvesse ao banco 80 milhões a cada ano.

Repito, não sou um expert em finanças, mas a conta que estou fazendo é a mais otimista para a Prefeitura. O mais provável é que as condições sejam piores (no meu exemplo, o banco aplicou juros apenas pelos primeiros 13 anos).

29 anos para pagar o déficit de 2015.

E o ano que vem? Como será a situação financeira do próximo ano, se a uma eventual queda de arrecadação teremos que descontar a parcela do empréstimo de 2014 (150 milhões) além da parcela deste novo empréstimo. Será que vamos ter que fazer uma nova operação similar, comprometendo outros 10% dos royalties durante mais 29 anos, e assim por diante?

Garotinho desafia os críticos a apresentar uma outra solução, pois essa é a única que ele vê possível no presente cenário local. Se se trata de apresentar solução para o problema financeiro da Prefeitura, pediria a ele e a sua mulher para que, primeiro, nos informem qual o tamanho do rombo, a quem está se devendo e como pensam gastar o dinheiro que pretendem pedir emprestado. Mas suspeito que o que Garotinho pede é uma solução para ele próprio sair da crise em que, junto com a prefeita, voluntariamente produziram, ao inchar a máquina pública para que se sustente com um recurso que, deveriam ter sabido, é volátil e finito.

Os administradores pródigos voltam amanhã à Câmara, não arrependidos, mas desejosos de torrar a herança de todos seus irmãos campistas.

 

Publicado originalmente aqui, na democracia irrefreável das redes sociais

 

0

“Rosinha é a prefeita que mais realizou pelo município”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Alexandre Bastos

 

Se continua a elogiar a passagem de Rosinha Garotinho (PR) pela Prefeitura de Campos nos últimos seis anos e oito meses, o deputado federal Paulo Feijo (PR) também admite que Campos poderia ser muito melhor com os royalties recebidos nos últimos 20 anos. Ainda assim, ele aposta na força do grupo governista, no qual vê o vereador Mauro Silva (PT do B) e o vice-prefeito Dr. Chicão (PP) como os dois nomes com mais chance para tentar manter a Prefeitura em 2016. Ao admitir estar fora dessa disputa, Feijó também calcula hoje ter 95% de chance de encerrar sua carreira política quando terminar seu quinto mandato na Câmara Federal. Sobre o que ocorre em Brasília, adverte que ninguém sabe onde a crise nacional pode acabar. Do Planalto Central à Planície Goitacá, o deputado defende o diálogo entre governistas e ex, enquanto considera a oposição desunida e desestruturada.

 

Paulo Feijó

 

Folha da Manhã – Como está hoje sua relação com o secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR) e seu grupo? Trabalha com a possibilidade de vir candidato a prefeito de Campos pelo PR em 2016? 

Paulo Feijó – A minha relação com Garotinho é boa, muito embora tenha conversado muito pouco com ele, pelos meus afazeres em Brasília e os dele em Campos. Com o grupo político, a mesma coisa, com algumas exceções, como Dr. Edson Batista (PTB), presidente da Câmara, o vice-prefeito Dr. Chicão (PP), o vereador Mauro Silva (PT do B), líder na Câmara, e o vereador Jorge Rangel (PSB), com quem tenho mais contato. Em relação à candidatura em 2016, não vejo possibilidades, pois tenho 95% de chance de encerrar a minha carreira política após este meu quinto mandato de deputado federal. Acredito que já tenha oferecido uma importante parcela de contribuição a Campos e região nestes meus quase 30 anos de vida pública.

 

Folha – Os nomes mais fortes na disputa interna pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) são mesmo de Chicão e Mauro Silva? Você, Edson Batista, Suledil Bernadino (PR), Fábio Ribeiro (PR) e Auxiliadora Freitas (PHS) correm por fora? Quem teria mais chances, no grupo e junto ao eleitorado?

Feijó – Eu vejo os nomes de Mauro e Dr. Chicão com mais possibilidades, até porque dentro do grupo vejo que os dois estão mais motivados. Eu estou fora. Os demais, não posso avaliar. O candidato do grupo será o candidato com grandes chances de vencer as eleições. No momento certo esse nome será anunciado. A partir daí vamos trabalhar para a vitória.

 

Folha – Em outubro de 2010, você disse (aqui): “Ganharemos de qualquer um. Oposição, em Campos, não existe”. E foi parcialmente confirmado em 2012, com a reeleição da prefeita em turno único. Mas na pesquisa do instituto Pro4, de junho deste ano, 70,2% dos campistas disseram que não votariam em nenhum candidato apoiado por Rosinha em 2016. Ainda acha que dá para ganhar de qualquer um? E a oposição ainda não existe?

Feijó – Não existe eleição fácil e na democracia é comum que o poder mude de mãos, mas acredito que o nosso grupo político fará o sucessor da prefeita, até porque a oposição é muito desunida e desestruturada eleitoralmente.

 

Folha – Em outra entrevista à Folha, em fevereiro 2014, você disse (aqui): “hoje considero Rosinha a prefeita de melhores resultados na história do município de Campos”. Um ano e meio depois, diria o mesmo? Por quê?

Feijó – Com certeza! Rosinha é a prefeita que mais realizou no nosso município, com fortes resultados, principalmente nas áreas econômicas e sociais. Mas vale destacar que, se levarmos em consideração o que Campos recebeu de royalties do petróleo nos últimos 20 anos, verificamos que o nosso município poderia ser muito melhor, até como uma referência de qualidade de vida pro Brasil.

 

Folha – Um fato que tem causado grande desgaste à prefeita é a antecipação de receitas, inclusive de administrações futuras, estimada em até R$ 1,2 bilhão, autorizada pela Câmara (aqui) numa manobra governista julgada ilegal (aqui) pela 3ª Vara Cível de Campos, na última quinta. A ação já tinha sido repudiada por 88,5% da população, na mesma pesquisa Pro4, rejeição próxima das enquetes da Folha (84,7%) e InterTV (90%). Vale a pena insistir em pagar para ver?

Feijó – Quero ressaltar que a crise brasileira é muito forte, a crise na indústria do petróleo idem, com consequências pesadas para nossa região. Em relação ao quadro financeiro do nosso município não conheço os números para fazer esta avaliação.

 

Folha – Em entrevista recente, o vereador Gil Vianna disse (aqui) que foi a manobra governista para autorizar a chamada “venda do futuro” de Campos, e sua esmagadora rejeição entre os campistas, que fez com que ele e outros cinco outros edis abandonassem a bancada rosácea. Diante de tanta sangria na base de apoio popular e legislativa, há alternativa?

Feijó – Há alternativa sim, o diálogo! Acredito que a saída destes vereadores da base tenha ocorrido não por estes motivos, mas principalmente pela falta de conversa. Dou como exemplo a presidente Dilma, que enfrenta um desgaste sem precedentes, mas tem procurado conversar com os partidos políticos, governadores, líderes partidários, movimentos sociais, e está ganhando fôlego. Em Campos, o nosso grupo tem que ir pelo mesmo caminho, o da conversa. Fazendo isso, tenho certeza que traremos vários desses vereadores de volta.

 

Folha – Em março de 2014, Garotinho previu que você se reelegeria deputado federal: “No seu caso, Feijó, aposto em 150 mil votos para cima”. Porém, seus 48.058 votos se aproximaram de um terço da previsão. Até que ponto a entrada de Clarissa Garotinho (PR) em Campos, onde acabou a mais votada, pode ter atrapalhado, já que na cidade você também ficou atrás de Alexandre Tadeu (PRB) e Nelson Nahim (então no PSD)?

Feijó – O que importa é que vencemos as eleições, e bem. O PR elegeu seis deputados federais e eu fui o terceiro mais votado. Claro que eu esperava fazer de 80 a 100 mil votos, pelos serviços prestados que tenho em Campos e região. Furou muito no Noroeste e em Campos. Tive uma votação, principalmente, de reconhecimento e amizade, praticamente sem apoio de máquina administrativa nenhuma.

 

Folha – Por falar em Clarissa, como está a situação dela na bancada do PR na Câmara Federal, onde colegas teriam lhe dado um ultimato para que deixasse de partido? O PSDB deve mesmo ser o destino dela?

Feijó – Ela ocupa hoje um dos mais importantes cargos do PR na Câmara Federal, como presidente da Comissão de Aviação e Transportes. Acho que não é hora dela falar em troca de partido, até porque o pai é o presidente regional do PR no Estado do Rio.

 

Folha – Como alguém no quinto mandato de deputado federal, já viu algo parecido com que se assiste hoje na capital federal, com um governo refém da crise econômica, política, de popularidade e moral? Onde isso pode acabar? Enxerga algum paralelo entre as situações da presidente Dilma Rousseff (PT) e da prefeita Rosinha?

Feijó – A crise política e moral do governo da presidente Dilma é muito grave, o Brasil está acompanhando. É imprevisível onde isso pode acabar, até porque eu acho que a Operação Lava-Jato não vai acabar tão cedo, trazendo resultados trágicos para o governo e o Congresso Nacional. Me posiciono de maneira a contribuir para que o Brasil vença essas dificuldades. Já a crise vivida pelo município na gestão da prefeita Rosinha advém, principalmente, destas dificuldades enfrentadas pelo país e também pela região, em função da queda da receita proveniente dos royalties do petróleo.

 

Folha – Logo após o primeiro turno da eleição de governador do Rio em 2014, com Garotinho excluído do segundo, você recebeu uma ligação de Francisco Dornelles (PP), vice do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), pedindo pela neutralidade. Garotinho ignorou, decidiu sozinho pelo apoio a Marcelo Crivella (PRB) e vocês acabaram derrotados não só no Estado, como em cinco das sete zonas eleitorais de Campos. Arrependeu-se de ter aconselhado? E Garotinho, por não ter seguido seu conselho? 

Feijó – Realmente isso aconteceu, mas no domingo, logo após o primeiro turno, o Garotinho já tinha decidido apoiar Crivella. Na segunda-feira cedo, quando fui conversar com ele, a decisão já está tomada. Fiz o meu papel.

 

Folha – Em 2008, Geraldo Pudim foi fundamental na ponte para que você passasse a integrar o grupo de Garotinho. Agora, Pudim tem sua saída anunciada para ser candidato a prefeito de Campos pelo PMDB. Como viu o movimento e como será enfrentá-lo em 2016?

Feijó – Na minha opinião, sem entrar no mérito da relação com Garotinho, que é uma coisa pessoal, Pudim tem todo direito de buscar o seu caminho. Em relação ao ano que vem, é lógico que eu estarei apoiando o candidato do nosso grupo político.

 

Folha – Vê possibilidade do afastamento entre Pudim e Garotinho ser uma jogada ensaiada, uma espécie de Cavalo de Tróia? E é possível que, a apenas 14 meses da eleição, o eleitor mude uma percepção formada nos últimos 30 anos da parceria política entre os dois?

Feijó – Não, possibilidade zero, houve sim o afastamento. Em relação ao eleitor, só o tempo poderá dizer.

 

Folha – O anúncio da candidatura de Pudim a prefeito pela oposição tem dividido reações. Em artigos publicados ao longo da semana na Folha, o jornalista Fernando Leite saudou (aqui) a iniciativa, questionada pelo também jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), além do advogado José Paes Neto (aqui) e do médico Makhoul Moussallem (aqui). A oposição já começa a se dividir? Ou isso já estaria previsto na tal “jogada ensaiada”?

Feijó – Acredito que não tenha nenhuma jogada ensaiada e, como já disse anteriormente, dificilmente a oposição se unirá para a eleição do ano que vem.

 

Folha – Um dos pontos levantados no artigo de Ricardo foi a formação de uma pauta de princípios a ser estabelecida junto à sociedade, que seria seguida por quem, independente de nome ou corrente política, seja eleito prefeito de Campos. O que pensa da ideia?

Feijó – A ideia é boa, só que o nosso grupo político vai elaborar o futuro plano de governo da mesma forma, discutindo com a sociedade organizada, como foi feito nos dois mandatos anteriores, da prefeita Rosinha.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

 

0

Artigo do domingo — Princípios ao próximo prefeito de Campos

Proposta

 

 

Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidial
Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidial

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

 

Tony Blair, no seu livro “Minha Visão da Inglaterra”, em “assistência social de segunda geração” diz que “as políticas compensatórias de rendas deveria servir como trampolim para o sucesso, e não como uma rede de segurança social para amortecer o fracasso”. Frei Beto, na ultima entrevista na Folha de São Paulo, faz crítica ao Bolsa Família, comparando com o Fome Zero, enquanto o senador Cristovam Buarque foi o grande idealizador do Bolsa Escola como modelo de inclusão social com visão de futuro, sem gerar dependência social dos beneficiados dos programas de transferências de renda para os mais pobres sem fins eleitoreiros.

O modelo venezuelano implantado em Campos pelos Garotinhos, que há 30 comanda a cidade, gerou um tecido social de pobres dependente dos repasses de recursos da Prefeitura, que são usados como escada para manter o grupo político da família em rotatividade no poder.

O secretário de Governo com técnica de comunicador sofista engana a população mais pobre e até a oposição, quando cita os números do Cheque Cidadão. Prega a mentira como o marqueteiro de Hitler, Goebbels, que afirmava que a “mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Esquece ele de citar que o Governo Federal com o Programa Bolsa Família, em 2015, já distribuiu R$ 30 milhões para 30 mil beneficiados, contra apenas 10 mil beneficiados pelo seu cartão. Omite para ludibriar a população.

A oposição nas eleições de 2016 tem oportunidade única de tirar os Garotinhos do comando da cidade. A Prefeitura com receitas médias de R$ 2.5 bilhões nos últimos cinco anos não gerou um único emprego no setor industrial. Assim, no próximo pleito a oposição unida pode propor vinte políticas estruturantes para salvar a cidade da falência.

1 – Implantar o Orçamento Participativo para ser aprovado em votação pelas comunidades ou distritos da cidade;

2 – Estabelecer como meta administrativa a criação de 12 secretarias;

3 – Criar a função do agente comunitário;

4 – Estabelecer a Educação como meta prioritária de cinco anos de governo;

5 – Criar e priorizar o programa “Educação da creche à alfabetização do adulto na terceira idade”;

6 – Universalizar o ensino básico, integrando família com a escola e os professores;

7 – Criar amplo programa de treinamento remunerado para os professores com carga horária de 120 horas anuais, em módulos multidisciplinares;

8 – Implantar sistema de banda larga na Rede de Ensino;

9 – Financiar Notebooks para os professores com taxas de juros negativa;

10 – Distribuir um tablet para os alunos dentro programa do Governo Federal;

11 – Transformar o Cheque Cidadão em Bolsa Escola;

12 – Transferir os beneficiados que não tem criança matriculada na rede de ensino municipal para o programa Bolsa Família;

13 – Fazer convênio com as universidades, substituindo terceirizados por alunos universitários alocados em áreas afins ao seus cursos;

14 – Na área administrativa, estabelecer como meta gastos-teto de R$ 300 milhões;

15 – Cortar todas as mordomias de secretários e de funcionários com cargos gratificados;

16 – Cancelar contrato de frota de automóveis utilizado pelos secretários e executivos de governo e distribuir vale-combustível para abastecer seu próprio carro;

17 – Rever todos os gastos na área de Saúde, principalmente, de contratos terceirizados de ambulâncias e de mão-de-obra, estabelecendo gasto de R$ 450 milhões anuais;

18 – Rever toda a política do Vale Transporte de R$ 1,00 e criar novo modelo seletivo;

19 – Estabelecer como meta nas contas Habitação, Meio Ambiente e Saneamento gasto-teto de R$ 350 milhões;

20 – E estabelecer como meta de governo 30% de todo orçamento para Educação.

Todas estas medidas básicas têm como objetivo resgatar os princípios básicos de um governo que, ao ser eleito, pense no futuro da cidade e de seus adolescentes, que serão jogados no mercado de trabalho a partir dos 16 anos de idade.

O modelo Venezuelano implantado há mais de 30 anos na cidade pelos Garotinhos é cruel, desumano e sem conteúdo de políticas públicas estruturantes voltadas para criação do emprego e do regaste social. Campos tem jeito se a imprensa que não serve aos Garotinhos e a sociedade acreditarem que podem mudar marchando unida. Simples assim…

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Poema do domingo — As meninas de Adriana

Conheci Adriana Medeiros, se não me falha a memória, no FestCampos de Poesia Falada de 2004. Eu era jurado e ela concorria com dois poemas, defendendo-os com brilho como intérprete. Nunca lhe disse, mas me impressionei à primeira vista com sua intensidade dramática, com aquele desabrir uterino com jeito de coisa casual, oximoro refletido também em seus versos. Se foi eleita, com endosso do meu voto, a melhor intérprete daquele festival, ela perpetraria a façanha de vencer como poeta outras duas edições: de 2006, com “Descobrimento de mim”, e de 2009, com “Imagens e versos”.

Falando aqui sobre Castro Alves (1847/71), nosso maior romântico e para quem o ritmo era o “talismã da verdadeira poesia”, disse que via em Campos dois poetas reverberados ao eco da mesma oralidade, tão egressa dos palcos quanto Apolo e Dionísio: Antonio Roberto Kapi e Artur Gomes. E tenho dito!

 

“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957)
“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957) – foto de Aluysio Abreu Barbosa

 

“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957)
“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957) – foto de Aluysio Abreu Barbosa

 

As Meninas

 

Como quem

Convém a dois

Estavam as duas

Quase nuas

Em primícias

De carícias

Estavam elas

Duas e uma

Completamente

Ausentes

Pareciam únicas

As meninas

Douradas

Escancaradas

Sem vergonha

De serem

Inocentes

Como convém

A Deus.

Era um recreio

Meninos empinavam

Suas pipas

Como quem só queria

o céu

E elas estão… lá

Elas… como nuvens

Que no céu flutuam

Estacionando

Nos desejos do meu

Emblema

O que significa

Farme em Ipanema

As meninas juntas

Eram a minha

Incapacidade

De lhes escrever

Um digno poema.

 

0

“Pudim não é problema nosso. É dele, do Picciani e de Garotinho”

Pudim de abacaxi

 

 

Médico, articulista da Folha, ex-candidato a prefeito de Campos e a deputado federal, Makhoul Moussallem
Médico, articulista da Folha, ex-candidato a prefeito de Campos e a deputado federal, Makhoul Moussallem

Sucessão Municipal

Por Makhoul Moussallem

 

De pronto vou deixar bem claro: não sou candidato a nada no pleito municipal de 2016. Ganhando os candidatos que apoiarei a vereadores e prefeito, não quero nem cargo de aspone. Participo, mas não entro. Portanto o que eu falar ou escrever, posturas e atitudes que tomar, não estarei pleiteando nada para mim e nem para os meus. Nunca legislei e não legislo em causa própria. Pelo que já realizei em prol da população de Campos na área da saúde (implantação do primeiro Pronto Socorro de Campos, fundação e viabilização da Unimed-Campos, implantação do Hospital Escola Álvaro Alvim, representação da medicina de Campos no Conselho Regional e Federal de Medicina, entre outras ações), e por ter me colocado como candidato a prefeito e a deputado federal — não ficando só no na zona de conforto daqueles que apenas discursam, mas não põem a cara na reta — estou a cavaleiro para opinar e participar como cidadão da política municipal, regional e nacional.

Isto posto, entremos na análise da sucessão que o Fernando Leite (aqui) no domingo, o Ricardo André (aqui) a seguir e  Geraldo Machado, na quarta feira, colocaram em discussão. Permito-me discordar do Leite, quando coloca que o Pudim é o mais preparado para a tarefa de governar Campos após a atual gestão. Pergunto: baseado em qual histórico de atividades dele? Acho louvável a lealdade e a fidelidade que este devotava ou devota ao grupo político do qual fazia ou ainda faz parte. O fato de ele querer sair do PR e ir para o PMDB não o torna desleal, nem tampouco infiel às suas origens. Pode ser que seja uma simples estratégia de enfrentamento do grupo para a dura batalha que vem pela frente. Parece-me que também a deputada federal Clarissa sairá do PR, se já não saiu, e vai para outro partido, e nem por isso está sendo taxada de traidora da própria família.

Diz o provérbio libanês “Não durmas entre as sepulturas e não tenhas pesadelos”. Por que vamos ficar perdendo nosso precioso tempo e discutindo se Pudim saiu ou não saiu do grupo e dormimos preocupados com esta questão? Não precisamos ter essa dúvida; não é problema nosso. É dele, do Picciani e do Garotinho. Além do mais, mesmo que tenha saído, sabemos que o uso do cachimbo faz a boca torta; daí conclui-se que as suas práticas e visão da gestão pública deve ser a mesma do Garotinho e do Picciani, o que em definitivo não nos serve. Portanto, não durmamos no cemitério e não tenhamos pesadelo. Nada tenho de pessoal contra o Pudim, até porque gosto muito de pudim. Tenho é contra a maneira de se fazer a política e a gestão pública do grupo do qual fazia ou faz parte.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0