A última entrevista de Kapi

Feita em 3 de fevereiro e exibida pela primeira vez na última sexta-feira (01/05), pela Plena TV (canal 24 da Via Cabo e 3, da Ver TV), a última entrevista do diretor de teatro e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi, falecido no último dia 2 de abril, voltou novamente ao ar hoje, às 10 da manhã, com uma segunda sessão confirmada para às 23h. No correr da semana, será reprisada pela Plena TV na segunda (22h), terça (22h), quarta (23h) e quinta (20h).

Como entrevistador, condição meia dividida entre a de amigo, de admirador e eventualmente de também personagem, além de ter mergulhado durante uma semana na edição do material, junto ao jornalista Antunis Clayton e ao editor de imagem Aldo Viana, confesso que a melhor experiência foi assistir à entrevista na noite de ontem (02/05), no auditório lotado do Sinasefe, na abertura do inesquecível Sarau que homenageou Kapi com a sua poesia. Confesso que me emocionei, às lágrimas, com as reações do público, num verdadeiro coro de teatro grego a conferir gravidade de tribo a cada assertiva do grande artista. Quando, no quarto bloco, ele disse “A cidade que não respeita, que não ama o seu artista, não merece existir!”, a eletricidade correu à pele arrepiada com a salva de palmas efusiva e longa dos presentes.

Quem ainda não viu ou quiser rever, é só usar os próprios olhos (e ouvidos) para conferir abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Artigo do domingo — “Eu acredito é na rapaziada”

mudança

 

 

Por Gustavo Matheus(*)

 

Corroborando com a pesquisa realizada, na última semana, pelo Instituto Pappel, que cravou uma intensa queda de popularidade da prefeita Rosinha Garotinho, a Pro4 traz números e estatísticas que traduzem acuradamente o sentimento da grande maioria dos campistas. 65,5% dos 426 entrevistados afirmam que não votam no candidato do grupo rosáceo, que segue desbotando e perdendo o rosa. Seria, após 26 anos de domínio, o fim da era Garotinho? Seria, então, o início de algo novo ou mais um revezamento entre coronéis divididos por fronteiras de vaidades, zonas eleitorais e interesses patrimonialistas?

Sabe-se que a família Garotinho não poderá, em 2016, realizar o revezamento entre os seus integrantes, portadores do mesmo sobrenome fictício, o que, por incrível que pareça, pode ser algo positivo para eles. Talvez a estratégia seja justamente esta, afastar o peso que traz o casal e este péssimo segundo mandato. Para o governo, agora é hora de trabalhar o sucessor da prefeita, que chega com a difícil missão não só de vencer a eleição, mas também, caso vença, de aturar o criador, governando um Executivo com pouquíssimos recursos para de fato executar algo de relevância. Como se sabe, a Prefeitura está quebrada.

E o novo, a mudança? Estar na oposição não significa ser oposição e, muito menos, representar uma merecida renovação. Até porque, a rejeição não é só ao nome, mas ao modelo político executado. Por isso, não adianta retirar a caneta do coronel Garotinho e passa-la adiante para quem já a teve em mãos e fez mau uso da mesma. Também não resolverão nossas dificuldades os coronéis da baixada, interior ou pedra (Centro). É preciso mudar de verdade, ou então este grupo político que aí está voltará ainda mais forte, como vimos no passado. O que prolonga a vida pública dos Garotinhos são os governos de orientações similares, mas com práticas piores, que sucedem os deles. Merecemos sangue novo, sem os vícios políticos que a dita “experiência” traz. Os jovens precisam se aproximar e “botar a cara no sol”. As pessoas não podem se permitir serem pautadas pela política, ao contrário, elas devem pautar seus interesses e demandas e ditar a política. Se os anciões do poder não lhes abrem as portas, metam os pés. Eles estão ocupando um espaço que lhes pertencem.

A população não aguenta mais esta política “band aid”, que não resolve os problemas.  A má gerência deste orçamento que, mesmo bilionário, segue causando dor de cabeça aos munícipes. Os campistas também não aguentam mais a subversiva prioridade deste governo, que prefere gastar quase 200 milhões em sambódromo, cidade da criança – quase uma “Terra do Nunca” – e reformas chulas da beira-valão, em detrimento a investimentos sólidos na Educação, Saúde, Transporte e muito mais. Este grupo político vai chegando ao fim de seu segundo mandato com um dos maiores orçamentos do país e ainda assim não conseguiu ser referência em nada, pelo contrário. Vivo me perguntando, qual é o legado deste governo? Seriam as péssimas colocações no Ideb (Índice de desenvolvimento da Educação Básica) e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)?

O momento é único e precisa ser fruído com competência e união. São muitas possibilidades, mas, citando Gonzaguinha, “eu acredito é na rapaziada”.

 

(*) Presidente do diretório municipal do PV em Campos

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Popularidade de Rosinha cai e ameaça sucessão do grupo em 2016

Info Pro4 1
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

Se a pesquisa do instituto Pappel divulgada na última semana constatou queda na popularidade da prefeita Rosinha Garotinho (PR), a mesma avaliação, embora com números diferentes, foi registrada na consulta feita pela Pro4. O instituto ouviu 426 pessoas em abril deste ano, com margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos, para constatar que Rosinha perdeu popularidade, acumulou rejeição e hoje teria sérias dificuldades para fazer seu sucessor, junto a um eleitorado que claramente quer mudanças. Comandado pelo empresário e colunista da Folha Murillo Dieguez, o Pro4 registrou que o governo Rosinha hoje é considerado ótimo para apenas 3,5% da população, enquanto 22,8% acham bom, 31,9% consideram regular, 13,4% acreditam ser ruim e 26,3% classificam como péssimo.

Comparadas as quatro últimas pesquisa da Pro4, os 49% da população que em outubro de 2013 avaliavam o governo municipal de Campos entre ótimo (19%) e bom (30%), caíram para 43% (9% de ótimo e 34% de bom) em agosto de 2014, para 34% (5% de ótimo e 29% de bom) em novembro do mesmo ano, enquanto hoje são apenas 26,3%: só 3,5% de ótimo e 22,8 de bom. Em contrapartida, se em outubro de 2013 só 20% consideravam a administração Rosinha como ruim (8%) ou péssima (12%), esse número cresceu para 21% em agosto de 2014 (8% de ruim e 13% de péssimo), subiu a 27% em novembro do mesmo ano, para agora atingir perigosos 39,7% (13,4% de ruim e 26,3% de péssimo), ultrapassando a faixa dos 35% que os especialistas indicam ser o máximo para um governante que pretenda se reeleger.

Como, tendo sido reeleita ao cargo, Rosinha não pode concorrer novamente, outra resposta da população à outra questão posta na rua pela pesquisa da Pro4, é preocupante para qualquer pré-candidato governista a suceder a prefeita. Hoje, só 34,5% dos campistas votaria num candidato a prefeito apoiado por Rosinha, enquanto 65,5% declararam que votariam em outro candidato.

 

Ruim e péssimo muito à frente de ótimo e bom

Geralmente abarcados entre aqueles que aprovam um governo, quem o considera razoável numa pesquisa está tão próximo dos que o julgam bom, quanto daqueles que o classificam como ruim. Esta ressalva é feita por todos os especialistas em pesquisas. Para se ter uma ideia da real popularidade de um governante, quem entende aconselha a soma do ótimo e bom, assim como do ruim e péssimo, na comparação dos dois resultados.

Assim, se todos 31,9% que consideraram o governo Rosinha regular forem contabilizados junto com os 3,5% de bom e 22,8% de ótimo, a prefeita chegaria a confortáveis 58,2% de popularidade. Todavia, esses 26,3% de bom e ótimo daqueles que certamente gostam do governo de Campos ficam mais de 10 pontos percentuais atrás dos 39,7% que comprovadamente não gostam, ao considerá-lo ruim (13,4%) e péssimo (26,3%).

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Quem ganha e estuda mais não vota nos Garotinho

Na avaliação do governo municipal e na consulta para saber se o eleitor votaria, ou não, num candidato a prefeito de Campos apoiado por Rosinha, o raio-x mais detalhado da nova pesquisa Pro4 traça o perfil tanto do eleitor dos Garotinho, quanto daqueles que se opõem ao grupo que comanda o município há 26 anos. Os que apoiam Rosinha são em sua maioria mulheres, mais velho(a)s, têm baixa escolaridade e renda até 1 salário mínimo.

Na ponta oposta, quem mais desaprova o modelo de governo implantado pelos Garotinho e busca alternância tem maioria composta por homens, mais jovens, com maiores renda e escolaridade. Para se ter uma ideia, 90% dos eleitores com curso superior declaram que votarão em 2016 num candidato de oposição, índice que cai para 50% entre os campistas que só foram até a 4ª série do ensino fundamental.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Kapi — Hoje, no Sinasefe, Sarau para um poeta vivo com seus moinhos de vento

Sarau Kapi

 

Por Paula Vigneron

Hoje (2), poetas, músicos, atores e diretores de Campos irão se reunir em uma homenagem a Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o poeta e diretor de teatro Kapi. No dia que marca um mês da morte do artista, será realizada uma edição especial do sarau Baião de Dois, com obras de Kapi interpretadas por 18 amigos. O evento será realizado às 19h, no Sindicato Nacional dos Servidores Federais de Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), localizado na rua Álvaro Tâmega,  132. Também neste sábado (2), será novamente exibida, às 10h e às 17h, na Plena TV, a última entrevista concedida por Kapi, dois meses antes de sua morte, feita pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa.

O músico Paulo Celso Ciranda apresentará seis poemas musicados de Kapi. Com voz e violão, ele trará aos campistas algumas canções compostas pela dupla.

— Conheci-o em 74. Ele produziu e dirigiu o show “Gotas de Suor”, com meu grupo “A Turma do Campo”, no Teatro de Bolso. Fui para São Paulo e voltei, no começo dos anos 80. Morando em Copacabana, eu o reencontrei quando ele estudava na Unirio. Foi nesse período que fizemos várias canções em parceria — contou Ciranda, que disponibilizará, no evento, canções da dupla no sarau por meio da venda de CDs caseiros.

Artistas da nova geração também fazem parte do elenco que levará ao público as poesias de Kapi. O ator, músico e produtor cultural Saullo de Oliveira, que apresentará “Sangue da cidade”, “Canção amiga” e “órbita de hal”, trabalhou com Kapi em 2010. Para ele, o diretor foi um grande incentivador da sua carreira.

— Fui dirigido por Kapi na primeira versão de “Pontal”. Ele me apresentou músicas, contou sobre a vida particular, me deu livros e falou sobre grandes teatrólogos. Acabou sendo uma referência para mim. Não consigo ler textos teatrais sem pensar no Kapi. É um mestre do teatro de Campos que morreu — comentou Saullo, que também participou de oficinas ministradas pelo diretor.

Para Saullo, Campos, assim como outras cidades do interior, não valoriza os artistas locais, e o sarau Baião de Dois será um momento adequado para a apresentação de trabalhos de Kapi.

— Soube, na reunião de ensaio (do sarau), que não há registro da poesia de Kapi em nenhuma biblioteca de Campos. A homenagem pode dar visibilidade ao trabalho dele. Campos está muito carente culturalmente e Kapi simboliza a morte cultural da cidade – opinou.

Com a interpretação do poema “Aborto”, o ator Paulo Victor Santana prestará sua homenagem a Kapi.

— Estou empolgado para esse memorial de sábado. Sou agradecido pela maravilhosa oportunidade de prestigiar um grande artista que não morreu nas nossas memórias e na nossa história. É uma honra — assegurou.

A atriz Mahelle Pereira também estará em cena. A poesia interpretada pela artista será “Luminância”, escrita para Aluysio. Para ela, arte campista e Kapi são sinônimos.

— Eu acho que falar de arte em Campos sem citar Kapi é o mesmo que não falar. Por eu ser artista, é um dever estar presente. É uma forma de não deixar morrer o trabalho dele. Normalmente, quando as pessoas morrem, independente do que fazem, ficam esquecidas. Então, para deixá-lo vivo, é o mínimo que a gente pode fazer. Todos os artistas deveriam estar. É uma forma de agradecimento — ressaltou a atriz.

A poesia “Um Márcio” também faz parte da lista dos textos que serão apresentados na noite de hoje. A intérprete será a atriz Luciana Rossi, que foi dirigida por Kapi no espetáculo “O inferno são os outros”, com texto de Eugênio Soares.

— Estou muito emocionada. Aprendi técnicas com ele. Kapi me definiu como atriz sensorial e me deu uma compreensão que me ajudou muito. Se você tinha que dizer a palavra “oi”, ele queria saber qual era a sua intenção, o objetivo e o verbo de ação. Aí o ator ia compondo o personagem. Aprendi essa técnica com ele e até hoje não consigo trabalhar de outra forma. Ele tinha bagagem enorme, tanto do teatro clássico, quanto do contemporâneo. Kapi era a nossa Bárbara Heliodora, o nosso parâmetro — comparou a artista.

Pedagoga e prêmio Alberto Lamego de Cultura, Elisabeth Araújo, grande amiga de Kapi, também participará da homenagem. Ela recitará “Amigo”.

— O título e o conteúdo são muito sugestivos para nossas vidas porque a minha relação com Kapi foi pautada em uma amizade muito estreita, que se solidificou de tal forma que eu o transformei em filho, e ele me transformou em mãe. A poesia reúne atributos que faziam parte de interesses que nos identificavam muito, como filosofia, apelo poético e visão do mundo e do homem, que se traduzem numa relação de amor, afeto, compreensão e generosidade — disse a pedagoga.

Beth acredita que Kapi tenha exercido não somente o papel artístico, mas também uma função social devido à sua preocupação com o desenvolvimento do outro em todos os sentidos.

— Ele, filosoficamente, procurava conhecer o ser humano. Por outro lado, em tudo o que ele fazia, havia grande preocupação social, com a história e com o sistema sociopolítico sob o qual vivemos. Queria que morte física dele não representasse a morte artística, a morte intelectual. E que a vida dele, do ponto de vista de cultural, fosse um exemplo para nós todos e para as próximas gerações — afirmou.

Diretor de teatro, Fernando Rossi, que recitará a poesia “Magia”, acredita que a edição especial do sarau Baião de Dois será uma justa homenagem a Kapi, que promoveu diversos cafés literários em Campos.

— Acho que o artista tem que ser preservado. Kapi tem um legado incrível. Campos é muito ingrata com os artistas. A história de uma cidade é feita pelas pessoas que movimentam sua cultura. Enquanto pudermos reverenciar esses artistas, é necessário e urgente que façamos a reverência — alertou Rossi.

 

Mapa Sinasefe

 

(Reprodução TV)
(Reprodução TV)

No ar, pela Plena TV, a última entrevista de Kapi

Desde o dia 2 de abril, Kapi tem recebido diversas homenagens. Poeta e diretor consagrado, Antônio Roberto de Góis Cavalcanti é constantemente lembrado por amigos e admiradores, que almejam manter em evidência suas memórias e trabalhos. Ontem (1), foi ao ar, pela Plena TV, do grupo Folha da Manhã, a última entrevista cedida por Kapi, dada ao jornalista e poeta Aluysio Abreu Barbosa. Quem ainda não teve oportunidade poderá assistir ao vídeo hoje (2), às 10h e às 17h, na Plena TV (canal 24 da ViaCabo e 3 da Ver TV).

Editada por Aluysio em parceria com o jornalista Antunis Clayton e o editor Aldo Viana, a entrevista foi filmada na sala de Fátima Castro, diretora da Associação Irmãos da Solidariedade, onde Kapi  estava vivendo. Com duração de 1h30, a entrevista é uma fonte de conhecimento sobre vida e arte do diretor.

— Não se conta a história da arte e da cultura de Campos, nos últimos 40 anos, sem se falar de Kapi. E essa entrevista serviu para se contar essas décadas, não só no palco, nas coxias e entre o “respeitável” público, como da cidade do lado de fora de um teatro que buscou representá-la. Num município governado há 26 anos por um grupo político egresso do teatro, assistir a essa última entrevista de Kapi não deixa de ser uma oportunidade para o campista também se olhar refletido ao espelho; e decidir se gosta do que vê — afirmou Aluysio.

A entrevista será reprisada durante a semana: amanhã (3), às 10h e às 23h; segunda-feira (4); às 22h; terça-feira (5), às 22h; quarta-feira (6), às 23h e quinta-feira (7), às 20h.

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

 

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Daqui a pouco, na Plena TV, a última entrevista de Kapi, que amanhã tem Sarau no Sinasefe

Kapi entrevista
(Reprodução TV)

 

Por Aloysio Balbi

Amanhã, a partir das 19h, na sede do Sindicato dos Servidores da Educação Federal (Sinasefe), localizada na rua Álvaro Tamega, nº 132, no quarteirão entre as ruas Gil de Góis e Pero de Góis, será realizado um imperdível Sarau em homenagem póstuma a Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi, que morreu há um mês, em 2 de abril. Tão imperdível quanto será a exibição hoje, às 20h30, com reprise às 23h, na Plena TV (canal 24 da Viacabo e canal 3, da VerTV)  da última entrevista dada por Kapi, um mês antes de sua morte, que nunca foi ao ar.

A entrevista foi dada ao jornalista Aluysio Abreu Barbosa na sala de Fátima Castro, diretora da Casa Irmãos da Solidariedade, onde Kapi estava internado. Com uma hora e meia de duração é o resumo da  vida de um artista que iria completar seis décadas em junho deste ano, que não apareceu repentinamente no cenário da nossa cultura e não partiu de pé ante pé.

Em uma hora e meia, Kapi revisitou todos os passos de sua vida, alguns em terras férteis e outros em terrenos movediços. Falou da cultura em Campos, sobre o Fundo Municipal de Cultura, do atual momento político do município, de religiosidade e da relação com a família e amigos. A entrevista foi editada pelo próprio jornalista Aluysio Abreu Barbosa, juntamente com o também jornalista Antunis Clayton e o técnico de vídeo e áudio Aldo Viana.

Em tom cazuziano, a entrevista merece ser vista e revista. A voz pausada do entrevistado, devido ao seu estado de saúde, não conseguiu desacelerar a lucidez do seu pensamento, que protagonizou aas principais vertentes culturais vividas em Campos: teatro, poesia, música e carnaval.

Aluysio Abreu Barbosa, que tinha em Kapi um irmão com quem ao longo de mais de 20 anos trocou gestos de solidariedade e de parceria na arte, conseguiu um histórico registro da vida de um artista que passou a recente história da cultura de Campos a limpo em um papel que ele parece ter deixando para desempenhar no final: a de crítico. O que Kapi pensava dos ex-amigos de teatro que hoje estão no poder? Que ideologia Kapi quis para viver? Tudo está na entrevista.

Kapi pode ser considerado um herói da cultura que morreu de overdose de vida e de arte. Seu ar era a arte e na entrevista ele conta por que se sentiu asfixiado nos últimos anos, a partir de janeiro de 2009. Falou do momento político presente da cidade e projetou também o futuro de Campos. Mexeu na mobília do museu sem grandes novidades e de ideias que não corresponderam aos fatos.

Com uma paixão tão desenfreada e talvez até cruel pela arte, Kapi a viveu exageradamente. Para Aluysio Abreu Barbosa, ele era um artista múltiplo, épico e lírico, de rara sensibilidade e que compreendia tão bem Campos, quando muitas vezes não era compreendido pela sua própria cidade. Embora indiscutivelmente tenha corrido na raia da genialidade, nunca teve pódio oficial de chegada e, por opção, nem beijo de namorada.

Kapi mostrou a cara de Campos nessa entrevista, não como se ela fosse uma espécie de pátria desimportante; muito pelo contrário. Falou dos convites para festas pobres, de gente que lhe negou um cigarro e porque nunca lhe elegeram chefe de nada. O artista que nunca usou a navalha no lugar do cartão de crédito concedeu uma entrevista que pode ser considerada cortante.

Viu TV a cores na taba dos índios, conduziu poesia nas areias do Pontal de Atafona, letrou melodias, interpretou e dirigiu textos próprios e alheios. Em sua última fala para o público, Kapi só mudou o tom — a voz um pouco arrastada pela doença —, mas não o discurso. São suas próprias palavras com direito à sua imagem de um artista maior que a tela, cuja pele foi deixada em cada palco.

A entrevista é imperdível e merece aplausos, como aqueles que Kapi recebeu durante toda sua vida e o seguiram até o jazigo, na última despedida dos amigos, colegas e admiradores, no Cemitério do Caju. E se você achar que, com sua morte, o grande artista foi derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados — porque o tempo, o tempo não para.

 

Kapi e Aluysio
(Reprodução TV)

 

Entrevista pode servir de reflexão ao campista

“Não se conta a história da arte e da cultura de Campos, nos últimos 40 anos, sem se falar de Kapi. E essa entrevista serviu para se contar essas décadas, não só no palco, nas coxias e entre o ‘respeitável’ público, como da cidade do lado de fora de um teatro que buscou representá-la. Num município governado há 26 anos por um grupo político egresso do teatro, assistir à essa última entrevista de Kapi não deixa de ser uma oportunidade para o campista também se olhar refletido ao espelho; e decidir se gosta do que vê”. Foi assim que o jornalista Aluysio Abreu Barbosa definiu a entrevista feita em 3 de fevereiro com Kapi, dois meses antes da sua morte.

Aluysio explicou que, logo depois da entrevista, fez uma viagem e ficou um tempo fora de Campos. Quando voltou, além do trabalho acumulado, achou mais importante dar assistência junto à pedagoga Elisabeth Araújo, entre alguns outros amigos, diante do quadro agravado da saúde de Kapi, do que editar a entrevista:

— Depois que ele infelizmente morreu, me senti obrigado a iniciar a edição, trabalho para o qual convidei o jornalista Antunis Clayton, parceiro de outras produções audiovisuais, tanto comigo, quanto com Kapi. O trabalho, que contou também com Aldo Viana, editor de imagem da Plena TV, durou uma semana, a tempo de ser exibido no Sarau em homenagem ao grande artista, no sábado (amanhã), a partir das 19h, no Sinasefe — explicou Aluysio.

Antes, a entrevista inédita será exibida hoje, às 20h30, na Plena TV (canal 24 da Via Cabo e 3, da Ver TV), com reprise às 23h. No sábado, dia do Sarau, a Plena volta a exibir a entrevista às 10h da manhã e 17h. Depois, ela será reprisada no domingo (10h e 23h), segunda (22h), terça (22h), quarta (23h) e quinta (20h).

 

Publicado aqui, na Folha Online e reproduzido aqui e aqui, nos blogs “Eu penso que” e “Estou procurando o que fazer”

 

 

Mapa Sinasefe
(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Crítica de cinema — Um faroeste novaiorquino

De olhos bem abertos

 

Liam Neeson - Noite sem fim

 

Mateusinho 3Noite sem fim — Jimmy Conlon (Liam Neeson) é um assassino  aposentado, decadente e alcoólatra, que ainda permanece no grupo do mafioso irlandês Shawn Maguire (Ed Harris) apenas pela amizade que une esses velhos camaradas. Ambos têm filhos homens, mas, enquanto o do chefão permanece próximo a ele e tenta lhe apresentar novos ‘projetos’ criminosos, o filho de Conlon faz tempo se mantém afastado, enojado pela atividade do pai.

Por um acaso do destino (leia-se ‘roteiro’) ambos filhos irão se encontrar, e alguém morrerá. Tal evento irá repercutir na relação de Conlon e Maguire e, apesar dos longos anos de companheirismo e afeição, o desejo de vingança falará mais alto.

Se a breve sinopse apresentada não parece ser muito original, é simplesmente porque todo resumo é impreciso, e nunca consegue descrever  o que verdadeiramente faz a diferença num filme, que é o tom, o ritmo e a graça. Assim, há de se dizer que este terceiro trabalho da parceria entre Liam Neeson e o diretor catalão Caullet-Serra (os quais já realizaram os atrativos “Desconhecido”  e “Sem Escalas”) contém todos esses elementos, dosificados de uma forma bem eficaz para obter uma história de ação e suspense que entretém genuinamente.

Como uma espécie de faroeste ambientado na Nova Iorque atual, Neeson será aquele anti herói que irá resolver um conflito, embora seja incapaz de se ajustar a um mundo por ele ‘consertado’. A ação, que se desenvolve nesse breve lapso temporal que é a noite do título, engata a partir da meia hora de projeção e praticamente não se detém até o final, combinando perseguições de carros pelas ruas de NY, a fuga impossível de um prédio cercado por policiais e um tiroteio dentro de um pub que, pela fúria punitiva, nos lembrará “Os Imperdoáveis” de Clint Eastwood, aquele outro western vingativo.

Outro atrativo que “Noite Sem Fim” possui é o aspecto trágico da sua história, no sentido clássico do termo, em relação ao destino que se lhes apresenta aos personagens de Neeson e Harris. Ambos estão mais unidos entre si que com seus filhos, pois compartilham um passado de fidelidade recíproca. Um foi um matador leal, o outro um chefão protetor e compreensivo na decadência de seu soldado. Todavia, como se fosse uma fatalidade imposta pela natureza de suas essências, se verão obrigados a confrontar-se até a morte quando a linhagem do sangue fale mais alto. Quem queira, e possa, apreciar esse subtexto narrativo certamente estará assistindo um filme bem mais interessante.

Um parágrafo final para comentar a espetacular virada na filmografia de Liam Neeson. O ator irlandês, que se destacara no começo da sua carreira por filmes ‘sérios’ como “A Lista de Schlinder”, de Spielberg ou “Maridos e Esposas”, de Woody Allen, iria se revelar a partir dos 55 anos como um exitoso protagonista de filmes de ação, com o filme “Busca Implacável”, interpretando um ex-agente americano que deve resgatar sua filha de um grupo de sequestradores. Depois viriam “A Perseguição”, “Busca Implacável 2”, e vários outros, além dos realizados com o diretor Callet-Serra, já mencionados. Hoje, aos 63 anos, Neeson continua em plena forma para chutar traseiros e estourar bilheterias.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Crítica de cinema — Cineclube Goitacá mergulha em Fernão Capelo Gaivota

Colyseu

 

Fernão Capelo Gaivota

 

Mateusinho 4Fernão Capelo Gaivota — O cineclubismo tem sua origem na França na década de 20 do século XX. No Brasil, ele surge em 1929 com o Cineclube Chaplin Club no Rio de Janeiro. Se dedica à exibição de filmes, promove discussões e análises sobre o cinema entre seus participantes (amantes da Sétima Arte) e foi responsáveis pela formação cinematográfica de grandes cineastas, entre os quais se podem destacar Glauber Rocha, Cacá Diegues, Jean-Luc Godard e Wim Wenders .

Em Campos dos Goytacazes, o Cineclube Goitacá que conta com a participação de universitários, médicos, advogados, dentistas, jornalistas, professores, produtores culturais, artistas e outros cinéfilos, reúne-se  às quartas-feiras a partir de 19h30, no confortável e intimista Espaço Oráculo — 5º andar do edifício Medical Center, espaço com  30 lugares. Em sua programação, que sempre inicia com a exibição de curta metragem e logo depois um convidado que indica, apresenta e comanda o debate após a exibição, já foram exibidos filmes premiados nacional e internacionalmente, documentários, animações e clássicos da história cinematográfica, não necessariamente  filmes de sucesso unânime de público e de crítica. Aí que os debates e análises ficam mais acirrados e  interessantes.

Na próxima quarta-feira (29/04) o longa-metragem exibido, com apresentação do Sr. Peter Lamers, holandês radicado  na planície goitacá, será “Fernão Capelo Gaivota” (“Jonathan Livingston Seagull” — no original). Uma produção da Paramount Pictures de 1973, com roteiro, produção e direção de Hall Bartlett, fotografia  de Jack Couffer, trilha sonora de Neil Diamond e montagem de Frank P. Keller  e James Galloway.

Adaptação cinematográfica espiritualista, que marcou uma geração e transformou o romance homônimo de Richard Bach num best-seller que vendeu 40 milhões de cópias e viajou por 70 países do mundo. A história é centrada em uma gaivota, de nome Fernão, que um dia decide que voar não deve ser apenas uma forma para a ave se movimentar. A história desenrola-se sobre o fascínio de Fernão pelas acrobacias que pode modificar e como isso transtorna o grupo de gaivotas do seu clã. A gaivota, que não se contenta em voar apenas para comer, tem prazer em voar e esforça-se em aprender tudo sobre vôo. Por ser diferente do bando, é banido. Em momentos complexos do enredo, notamos a arte do fotógrafo traduzindo as impressões de Fernão Capelo em seus vôos ascendentes. Cenas como a que vemos um bando de gaivotas sobre o lixo, contrastam com as tomadas de Fernão em pleno vôo, em que se dissolvem no céu uma matiz viva de luzes e sombras, evidenciando o caráter elevado da condição de Fernão em relação aos seus companheiros.

As cenas aéreas (são maioria) captadas por Hall Bartlett e Jack Couffer  para contar os experimentos acrobáticos de Fernão junto ao seu bando e sua jornada de ida e volta em busca da perfeição pós-banimento, foram feitas com helicóptero (na época não existia a tecnologia dos drones), com imagens magníficas de vôos rasantes das aves ao pôr e nascer do sol à beira de penhascos, arrebentações de ondas em rochas, áreas desérticas, florestas cobertas de neve e até no lixão, quando aparecem os únicos registros com humanos — os operadores de máquinas. Como resultado a produção foi indicada ao Oscar 1974 para melhor fotografia e melhor montagem.

Com a excelente trilha sonora, o lendário Neil Diamond, depois de quase um ano de muita dedicação com sua equipe, lançou o LP Jonathan “Livingston Seagull” (1973) que voou direto para o topo da Billboard, ficando em 2º lugar. O disco acabou por vender 2 milhões de cópias nos EUA e por quatro anos deteve o recorde da trilha sonora mais bem-sucedida da história, até ser atropelada por “Embalos de sábado à noite” (1977). No Globo de Ouro de 1974, Neil Diamond foi nomeado para o “Best Original Song” (“Lonely Looking Sky”) e levou o cobiçado prêmio de “Best Original Score”. E não só: em 2 de março, na noite dos Grammys, Neil também levou a melhor, deixando dois pesos pesados do rock — Paul McCartney (Com “007 Viva e Deixe Morrer”) e Bob Dylan (“Pat Garrett e Billy the Kid”) — comendo poeira.

A recepção da crítica, na época de seu lançamento (1973), não foi nada favorável e chegou a ser descrito por Roger Ebert como “a maior enganação pseudo-metafísica do ano”. Na época, a Time arrasou o filme e sua “teosofia vomitante”. Depois de desdenhar a sua “pieguice”, o resenhista do New York Magazine conclui que o filme “é o tipo de lixo que só uma gaivota pode gostar”. O filme continua a ser mencionado todo ano na lista dos piores já feitos. A maioria das críticas bate na mesma tecla: dar voz aos monólogos internos de Fernão é um caso de vergonha alheia, um dos piores da história. Dói na alma ouvir as gaivotas trocando aforismos “iluminados”.

Fernão Capelo Gaivota é realização visionária, uma fábula sobre evolução espiritual que fala com sensibilidade dos desejos e fracassos humanos. No ato de voar de Fernão, ricas metáforas para a condição dos homens que compartilham o mesmo sonho da busca interior pela plena realização.

Exibição e debate de quarta-feira no Cineclube Goitacá serão viajantes.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Vozes d’África ecoam no Brasil e América Latina

santinho

 

“É natural que todos queiram saber se Dilma cai ou não cai. Infelizmente, inúmeras outras desgraças se anunciam nas nuvens. No tempo em que a esquerda se dizia marxista, pelo menos era possível discutir o mundo. A passagem ao bolivarianismo estreitou seus horizontes ao nível mental de tiranetes sul-americanos, tão bem descritos pelo próprio Marx. Ainda por cima, inventaram uma presidente que não gosta de política externa”.

 

Leia aqui a íntegra do artigo publicado hoje no Blog do Gabeira

 

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