Pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa, Barcelona 3 x 0 Bayer de Munique, dois gols de Leo Messi, um de Neymar Jr., em belo passe do argentino. O segundo de Messi e do jogo foi gol de antologia, arrematado com um uma cavadinha de pé direito pelo gênio canhoto, após dois dribles em sequência que deixaram Jérôme Boateng, zagueiro alemão de origem ganesa, estatelado no chão.
Num Camp Nou no qual desfilaram hoje outros artesãos da bola, como o alemão Bastian Schweinsteiger e o espanhol Andrés Iniesta, Messi fez, mais uma vez, a diferença. Já escrevi (aqui) que desde que o francês Zinédine Zidane se aposentou, em 2006, o camisa 10 do Barcelona e da Argentina é o melhor jogador do mundo. E tenho dito!
Com a devida compaixão pela coluna cervical de Boateng, confira a nova obra de arte esculpida pelo gênio argentino:
7Solidões – Em “Samba da bênção”, Vinícius de Moraes afirmou que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Encontros, reencontros e desencontros formam memórias e histórias com as quais esbarramos diariamente e perdemos de vista. O cineasta campista Carlos Alberto Bisogno as trouxe à cena, em reflexões sobre passado, presente, futuro, morte e vida com o filme “7Solidões”, lançado em Campos na última semana, que será exibido novamente hoje, no Cineclube Goitacá (confira aqui). Diretor e roteirista, Bisogno ofereceu, em seu primeiro longa-metragem, a oportunidade de pensar, remexer, remoer e revirar fatos e sentimentos diversos e adversos.
Produtor de curtas-metragens de ficção, como “Efígie” (2009), “Vertigem” (2010) e “Neve Negra” (2011) – nos quais, sobrepondo-se a diálogos quase inexistentes, imagens, trilha sonora e atuação são os meios utilizados para orientar o espectador e fazê-lo entender as histórias –, o cineasta faz novas opções e envereda por caminhos que se afastam brevemente de seu ritmo usual de criação e desenvolvimento de trabalhos audiovisuais.
Em “7Solidões”, o roteirista e diretor, timidamente, abre maior espaço para trocas verbais entre os personagens, que, na maior parte do tempo, ficam aquém das expectativas criadas pelas belas construções imagéticas e textuais — nas sequências narradas por Orávio de Campos Soares — do longa-metragem.
Marca do trabalho do diretor, o elenco de “7Solidões” é formado por atores campistas, privilegiando tanto artistas consagrados, como Orávio e Adriana Medeiros, quanto mais novos, como Rudá Sanchéz (cuja atuação com Adriana, no papel de mãe do jovem, se sobrepõe às demais cenas em que aparece devido à boa sintonia entre ambos) e Maria Clara Oliveira. O enredo é desenvolvido a partir das memórias de um homem, que recorda momentos da juventude, ao lado de amigos e namorada, e da infância, com os pais. No entanto, as lembranças surgem, conforme afirma o personagem, não da maneira exata como aconteceram, mas da forma como ele as sentia. Amor, abandono, traições e revelações conduzem a história e consolidam o roteiro, junto a opções fotográficas e opções musicais adequadas à ficção.
Constituído por um texto narrado em off e imagens com tons levemente envelhecidos que dão um interessante aspecto de passado ao longa-metragem, o começo do filme resulta em uma experiência intensa e introspectiva. Os primeiros minutos são um mergulho profundo e reflexivo em questões existenciais, tais como os trechos finais, que unem bons textos, fotografia e trilha, sendo estes responsáveis por capturar a alma do público. No entanto, o ritmo se perde no momento em que entram em cena os jovens, com diálogos aparentemente improvisados e desconexos.
Além da pouca interação do núcleo com a proposta do filme, outro ponto que deve ser considerado é o período em que se passa a juventude do protagonista. No retorno à infância e à adolescência, os personagens vivem, possível e respectivamente, entre as décadas 50 e 70. No entanto, certos detalhes trazem a sensação de confusão ao espectador: em sequências que representam a segunda fase da vida do homem, aparecem, na cena filmada em uma sala, equipamentos eletrônicos — celular e notebook — que remetem aos dias de hoje, e não aos anos passados.
Nessas passagens, nasce a dúvida sobre a compreensão do roteiro, e a cenografia, que deve ajudar a ambientar e orientar o público, falha em seu intento ao confundir quem assiste ao filme. A despeito do deslize técnico, “7Solidões” é uma oportunidade não só de apreciar uma boa produção local, mas também de analisar e mergulhar em aspectos relacionados à vida, à história e à morte.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto
Em suas edições de domingo (03/05 — confira aqui) e ontem (05/05 — confira aqui) a Folha revelou que, segundo pesquisa do instituto Pro4 feita em abril com 426 entrevistados, 54% dos campistas não aprovam a maneira como Rosinha Garotinho (PR) vem administrando o município, 57,5% não confiam na prefeita e 65,5% não votariam no candidato apoiado por ela à sua sucessão em 2016. Diante desses números, desnecessário dizer que a maioria quer mudanças, mas qual o tamanho delas? Para 33,8% da população, o próximo prefeito de Campos terá mudar totalmente em relação à atual, enquanto 32,9% acham necessário mudar muita coisa, 18,3% defendem poucas mudanças e apenas 11,3% querem a continuidade do que hoje está.
Aprofundando-se um pouco mais no detalhamento desses números, é possível perceber que o eleitorado com maior renda e escolaridade encabeça o antigarotismo no município. Do total de 33,8% que exigem mudança total do próximo governante de Campos em relação ao casal atual, 50% ganham acima de cinco salários mínimos, ao passo que 57,5% têm curso superior. Já entre quem quer poucas mudanças, os maiores percentuais se dão na ponta oposta: 31,8% entre aqueles que têm até o 4º ano do ensino fundamental, enquanto chega aos 50% em quem declarou não possuir nenhuma renda.
A coisa não é muito diferente nos dados levantados pelo Pro4 e revelados anteriormente na Folha. Entre quem ganha acima de cinco mínimos, 71,4% não aprovam como Rosinha tem governado, 78,6% não confiam nela e 92,9% declararam que votarão em alguém da oposição na eleição majoritária de 2016. Já entre aqueles que tiveram acesso à educação universitária, 82,5% não aprovam a administração rosácea, 87,5% não confiam na prefeita e 90% declararam que não votarão no candidato apoiado por ela quando chegar o momento de sucedê-la.
Na avaliação clássica de governo, a situação atual de Rosinha não aparece muito melhor. Descartados os 31,9% de regular, a gestão da prefeita de Campos hoje acumula 39,7% de ruim (13,4%) e péssimo (26,3%), diante de apenas 26,3% de bom (22,8%) e ótimo (3,5%). E os resultados do Pro4 foram um pouco mais brandos do que os obtidos na pesquisa do instituto Pappel, feita no mesmo período de abril, que ouviu 910 campistas para registrar 43% de ruim (11,72%) e péssimo(31,28%), contra somente 19,9% de bom (15,5%) e ótimo (4,4%), enquanto 37,08% avaliam o governo na neutralidade do regular.
À parte suas diferenças, pelo que há de comum nos números das duas pesquisas, quatro entre cada 10 campistas hoje consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
Deputados divergem opiniões sobre pesquisa
A desaprovação à maneira de governar e a falta de confiança na prefeita Rosinha (PR), como apontou a pesquisa do instituto Pro4, em dados divulgados na edição de ontem, é avaliada de forma distinta entre políticos da região com mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Papinha (PP) considera o resultado como fruto de erros da administração. Já Bruno Dauaire (PR) se ateve a informação divulgada na coluna Ponto Final, na qual 92,9% dos eleitores campistas que ganham mais de cinco salários votariam em um candidato da oposição. Na avaliação do republicano, é um dado que compromete toda pesquisa.
Para Papinha, os dados evidenciam o sentimento de mudança, mediante o descontentamento com a atual gestão em Campos. “Isso é resultado de obras paradas, mau atendimento na saúde, os índices ruins no Ideb. O Nepal sofreu um terremoto terrível e estima-se cerca de R$ 10 bilhões para reconstrução do país. Campos teve mais de R$ 15 bilhões de 2009 pra cá e a gente não vê mudança”, avaliou o deputado do PP.
Por outro lado, Dauaire mostra desconfiança com os números. “Quando se tem em uma pesquisa que 92,9% vão votar no candidato da oposição, com a experiência que tenho em campanhas, são números que jamais se confirmariam. Isso me causa estranheza para avaliar qualquer outro dado na pesquisa”, resumiu Bruno.
Deputados estaduais Bruno Dauaire (PR) e Papinha (PP)
Na política é indispensável, ao enfrentar um adversário, conhecê-lo. O petismo, nos últimos tempos, foi transformado em algo que nunca foi. Ora é bolivariano, ora comunista, ora populista, ora — para os mais exaltados e néscios — bolivariano-comunista-populista. Puras e cristalinas bobagens.
O “bolivarianismo” nunca passou de um amontoado mal articulado de chavões esquerdistas associados à velha retórica caudilhesca latino-americana. Não é possível sequer imaginar Simón Bolívar como um marxista avant la lettre. Basta ler as páginas devastadoras que Karl Marx dedicou ao “libertador da América”: o venezuelano nada mais foi do que um representante das oligarquias que desejavam se libertar do jugo espanhol. E só. Quando Hugo Chávez transformou Bolívar em símbolo anti-imperialista e ideólogo da sua revolução, o fez no momento que a crise do socialismo real tinha chegado ao seu ponto máximo e não havia mais nenhuma condição de ter como referência o velho marxismo-leninismo. Outros movimentos na América Latina já tinham realizado esta imersão na história nacional, mais como fachada, como os montoneros, na Argentina, e os sandinistas, na Nicarágua. A extensão do conceito, vá lá, “bolivarianismo” à Bolívia — um país com maioria de população indígena e com uma história recente fundada, para o bem ou para o mal, na Revolução de 1952 — serve somente ao discurso panfletário. A simples comparação das duas constituições (venezuelana e boliviana) demonstra claramente as distinções.
O PT nunca foi bolivariano. O percurso dos seus líderes (Lula e Chávez) é muito diferente e as histórias de cada país são processos absolutamente distintos. Basta recordar que Chávez chegou ao poder precedido por uma tentativa fracassada de golpe de Estado e com a desmoralização das instituições democráticas, especialmente durante a segunda presidência Carlos Andrés Pérez. Lula venceu as eleições de outubro de 2002 em um país que tinha obtido a estabilização econômica com o Plano Real (1994) e em plena vigência do Estado Democrático de Direito. E nos 12 anos do poder petista não houve um ataque frontal às liberdades de expressão e de imprensa como foi realizado por Chávez — sem que isso signifique que o petismo morra de amores pelos artigos 5º, 7º e 220º da nossa Constituição. Também o choque com frações da elite venezuelana por aqui não ocorreu. No Brasil houve cooptação: os milionários empréstimos do BNDES serviram para soldar a aliança do petismo com o grande capital, e não para combatê-lo.
O petismo impôs seu “projeto criminoso de poder” — gosto sempre de citar esta expressão do ministro Celso de Mello — sem que tivesse necessidade de tomar pela força o Estado. O processo clássico das revoluções socialistas do século XX não ocorreu. O “assalto ao céu” preconizado por Marx —tendo como referência a Comuna de Paris (1871) — foi transmutado numa operação paulatina de controle da máquina estatal no sentido mais amplo, o atrelamento da máquina sindical, dos movimentos sociais, dos artistas, intelectuais, jornalistas, funcionando como uma correia de transmissão do petismo. O domínio dos setores fundamentais do Estado deu ao partido recursos e poder nunca vistos na história brasileira. E a estrutura leninista — só a estrutura, não a ação — possibilitou um grau de eficácia que resistiu aos escândalos do mensalão, às inúmeras acusações de corrupção das gestões Lula-Dilma e, ao menos até o momento, ao petrolão.
Se, no seu início, o PT flertou com o socialismo, logo o partido — e suas lideranças — se adaptaram à dolce vita do capitalismo tupiniquim. Já nos anos 1980, prefeituras petistas estiveram envolvidas em mazelas. Quando Lula chegou ao Palácio do Planalto, o partido só tinha de socialista o vermelho da bandeira e a estrela. A prática governamental foi de defesa e incentivo do capitalismo. Em momento algum se falou em socialização dos meios de produção, em partido único, em transformar o marxismo-leninismo em ideologia de Estado, nada disso. Como falar em marxismo se Lula sequer leu uma página de Marx? Transformar Lula em Lênin é uma piada. Brasília não é Petrogrado. Aqui, o Cruzador Aurora são as burras do Estado.
Considerar o PT um partido comunista revela absoluto desconhecimento político e histórico. É servir comida requentada como se fosse um prato novo, recém-preparado. Não passa de conceder sentido histórico ao rançoso discurso da Guerra Fria. O Muro de Berlim caiu em 1989 mas tem gente em Pindorama que ainda não recebeu a notícia. Ao retirar do baú da História o anticomunismo primário, passam a exigir soluções fora do contexto legal como a intervenção militar travestida com um manto constitucional — outra sandice, basta ler o artigo 142 da Constituição.
O projeto criminoso de poder foi aperfeiçoado no exercício da Presidência da República. Não tem parentesco com o populismo varguista, muito menos com o peronismo ou cardenismo. É um mix original que associa pitadas de caudilhismo, com resquícios da ideologia socialista no discurso — não na prática —, um partido centralizado e a velha desfaçatez tupiniquim no trato da coisa pública, tão brasileira como a caipirinha — que seu líder tanto aprecia.
O desafio dos democratas é combater o petismo utilizando todos os instrumentos legais. Para isso, é necessário conhecer o adversário e abandonar conceituações primárias que não dão conta do objeto. E tendo como prioridade a mobilização da sociedade civil. Sem ela, o país não muda. Pior: teremos a permanência deste governo antidemocrático, antipopular e antinacional por muitos anos.
Dois convites enviados por e-mail, vindos de três professores. O primeiro é de Jefferson Manhães de Azevedo, diretor do campus Campos-Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF), que junto com Nélio Artiles, da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), tomará posse do Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos, às 10h da manhã da próxima quinta, dia 7, no auditório Miguel Ramalho do IFF. O segundo convite vem de Aristides Soffiati, meu capitão, que lança dois livros na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, às 17h30 da próxima sexta, dia 8, em evento que o blog o já havia antecipado aqui.
Mais que professores, se pode haver algo maior, tratam-se de homens com serviços prestados à comunidade. Não por outro motivo, vale a pena atender e divulgar seus convites:
Embora lidem com a ciência exata, pesquisas não podem ter a pretensão de sê-la. Erros como os revelados no resultado das urnas do primeiro turno no governo do Rio e do Brasil, em outubro passado, quando foram deixados para trás Anthony Garotinho (PR) e Marina Silva (PSB), chegam a nos fazer duvidar da suas reais capacidades de projeção. Mas só até que o turno seguinte as confirmem, como ocorreu na vitória eleitoral final, respectivamente, de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e de Dilma Rousseff (PT).
Coincidência?
Em Campos dois institutos locais fizeram pesquisas no mês de abril para aferir a avaliação do campista sobre o governo Rosinha Garotinho (PR): o Pappel e o Pro4. O primeiro ouviu 910 campistas, enquanto o segundo consultou 426. E os resultados, comparadas as amostragens atuais com as que fizeram antes cada instituto, apesar de alguma diferença nos números, apontam uma realidade muito semelhante: o governo Rosinha Garotinho (PR) vive seu pior momento — talvez desde que a ex-governadora foi eleita prefeita de Campos pela primeira vez, em 2008, se reelegendo em 2012.
Deu ruim (e péssimo)
Desprezada a avaliação de regular, como indicam os especialistas, o contraste entre aqueles que hoje consideram o governo Rosinha ótimo e bom contra aqueles que o avaliam como ruim e péssimo, desenham um quadro desanimador aos rosáceos. Para o Pappel, a gestão municipal hoje teria 43% de ruim (11,72%) e péssimo (31,28%), contra 19,9% de ótimo (4,4%) e bom (15,5%). Já nos números mais moderados do Pro4, a adição de ótimo (3,5%) e bom (22,8%) reúne os mesmos 26,3% da população que classifica a atual administração municipal como péssima. Somados aos 13,4% que acham ruim, chega-se a 39,7% de avaliação negativa. Ou seja, hoje, quatro entre cada 10 campistas consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo.
“Pappel” interno
Enquanto o Precisão não é ressuscitado para tentar dar contraponto governista aos demais institutos locais de pesquisa, tudo parece indicar que a realidade do governo Rosinha é tão ruim quanto sua percepção pela população. Se no jogo para a galera os governistas tentam contrastar o que dizem ver nas ruas com o que evidenciam as pesquisas, internamente o discurso é bem outro. Recentemente, em reunião com bancada de Rosinha, foi seu próprio marido e secretário de governo, Anthony Garotinho, que provocou os vereadores ao lembrar que a pesquisa do Pappel deu à Câmara uma avaliação popular de 49,24% entre ruim (14,92%) e péssimo (34,32%).
Só Legislativo?
Além de ter que ouvir de um vereador rosáceo, e engolir calado, que a imagem da Câmara só está tão ruim porque nela o rolo compressor governista é obrigado a aprovar o pacote de maldades de uma Prefeitura inexplicavelmente quebrada, Garotinho provou que se valem internamente para espezinhar o Legislativo, as pesquisas valem fora para mostrar a realidade do Executivo. Este, no detalhamento maior do Pro4, enfrenta um quadro difícil: 54% dos campistas desaprovam o governo, 57,5% não confiam em Rosinha e 65,5% não votariam para prefeito em nenhum candidato apoiado por ela.
Tiro pela culatra
Outros detalhes do Pro4 revelam que a tática de Garotinho pós-fracasso eleitoral de 2014, assumindo a cara do governo da esposa e buscando uma reaproximação com a classe média goitacá, a partir de intervenções como seus programas de segunda a sexta na Rádio Educativa, da Fafic, não tem surtido efeito. Dos que consideram o governo Rosinha ruim e péssimo, 75% têm curso superior. E o número nesta faixa de escolaridade cresce entre os que desaprovam a administração municipal (82%), não confiam em Rosinha (87,%) e não votariam no seu candidato (90%).
Estudo, renda e voto
Levado em consideração a questão de renda, aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos também lideram com folgas o antigarotismo em Campos: 71,4% desaprovam o governo Rosinha, 78,6% não confiam na prefeita e impressionantes 92,9% pretendem votar num candidato da oposição em 2016. Números traduzidos em palavras, fica bem definida uma verdade incômoda desde 1989 aos que chegaram ao poder no município e nele se mantiveram nos 26 anos seguintes: quanto mais se estuda e ganha, menos se aprova, confia e vota nos Garotinho.
Vingadores: Era de Ultron — Um filme de super-heróis, como “Vingadores: Era de Ultron”, comporta leituras em níveis diversos. Para adolescentes e adultos amantes de ação tão somente, o filme é fabuloso. Seis super-heróis com poderes inatos ou adquiridos se reúnem para lutar pela justiça e pela segurança do planeta. Eles se hostilizam com gracejos, mas conseguem trabalhar juntos com a orientação sábia de meros mortais. As lutas e destruições mostradas pelo filme agradam muito os expectadores simplórios.
Num nível mais profundo, o filme se mostra como produto de muito dinheiro investido para obter altíssimos lucros de bilheteria. De fato, o espetáculo de tecnologia e efeitos especiais impressiona e fascina o tolo e o observador crítico.
Descendo mais fundo ainda, a arrogância dos Estados Unidos, os efeitos da globalização e mesmo os erros do ocidente para com outros países, mormente os árabes, aparecem nos super-heróis. A reunião dos super-heróis corresponde mais ou menos à coalização de países ocidentais em luta contra o resto do mundo. Embora aliados, eles manifestam suas rusgas.
Quem representa os Estados Unidos não é o Capitão América, como poder-se-ia pensar à primeira vista. Ele é um herói que saiu da Segunda Guerra Mundial. Não passa de um soldado forte, com um escudo poderosíssimo, mas disciplinado, com aptidões para liderar e proteger os civis. Mas é só. O verdadeiro representante dos Estados Unidos é o Homem de Ferro. Ricaço, inteligente, cientista, charmoso com as mulheres, mas arrogante e debochado, ele pensa, comete acertos e erros. De vez em quando, é desastrado e cria inimigos. Já Thor representa o sobrenatural entre os Vingadores, com seu destruidor martelo. Mesmo fortíssimo, ele conta com a ajuda de um mentor. Hulk é uma versão atual de “O médico e o monstro”. Quando sóbrio, é um brilhante cientista. Quando alterado, é puro instinto. No entanto, mesmo na condição de monstro verde, ele distingue os bons dos maus, os inocentes dos vilões.
Já Gavião Arqueiro, Viúva Negra e os Gêmeos não passam de heróis menores, de países aliados aos quatro grandes, mas que podem servir como excelentes coadjuvantes e até resolver as trapalhadas do quarteto principal.
O perigo no mais recente filme dos Vingadores não vem do espaço nem de um inimigo externo como a União Soviética no tempo da Guerra Fria. Vem do Homem de Ferro, dos próprios Estados Unidos. Robert Downey Jr., convincente como Tony Stark no papel de playboy da ciência, mas inconvincente como Homem de Ferro, leva Mark Ruffalo, que faz o papel do Dr. Robert Bruce Banner e de Hulk, a criar Ultron, um androide indestrutível com inteligência artificial, para proteger a Terra e a humanidade. O tiro sai pela culatra, e Ultron se torna o arqui-inimigo da humanidade, desejando sua extinção pela evolução. O erro de Stark já estava definido na década de 1960, com a criação de Ultron por Stan Lee, que indefectivelmente aparece numa ponta dos filmes com os personagens idealizados por ele para a Marvel.
Numa leitura atual, poderíamos entender Ultron como o resultado da política externa dos Estados Unidos e da União Europeia para o Oriente Médio. Ultron poderia ser uma espécie de grupo extremista islâmico do Oriente Médio e da África? O próprio Barak Obama já reconheceu que os extremistas do Estado Islâmico cresceram por descuido dos Estados Unidos, que até inundaram a região com armas nas suas guerras.
A interpretação pode não ter pé nem cabeça, mas não é descabida. Nem interessa aos ingênuos admiradores dos Vingadores, da vaidade de cada um e dos seus desentendimentos. Afinal, eles são humanizados por seus dilemas, suas angústias e suas dúvidas, aproximando-se da maioria dos expectadores. Além do mais, com erros ou sem eles, no final os bons vencem os maus.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto
“Você aprova a maneira como a prefeita Rosinha Garotinho (PR) vem administrando Campos?” Com a pergunta feita para 426 campistas no mês de abril, pelo instituto de pesquisa Pro4, a resposta revelou a desaprovação do governo municipal por 54% da sua população, enquanto 41,1% aprovam e 4,9% não sabem ou preferiram não opinar. Esta desaprovação do governo pela maioria dos campistas alcança números ainda mais severos quando a questão é a confiança na pessoa da prefeita: 57,5% dos campistas disseram não confiar, o que só fazem 36,2%, ao passo que 6,3% não souberam ou não quiseram responder.
Na clássica avaliação entre ótimo, bom, regular, ruim e péssimo, tanto o Pro4, quanto o instituto Pappel, aferiram acentuada queda de popularidade por parte da administração municipal, nas pesquisas recentes comparadas com as anteriores que os dois institutos respectivamente fizeram. Pelo Pappel, entre agosto de 2014 e abril de 2015, o governo Rosinha passou de 10,31% para 4,4% em ótimo, de 32,69% para 15,50% em bom, de 37,08% para 37,06% em regular, de 6,98% para 11,72% em ruim, e de 12,94% para 31,28% em péssimo. Ou seja, perdeu metade da avaliação positiva, dobrou a negativa e “patinou” no limbo da regularidade.
Embora tenha registrado a mesma corrosão na popularidade da gestão municipal, o Pro4 deu-lhe números mais brandos, na comparação entre suas duas consultas mais recentes. Nelas, entre novembro de 2014 e abril de 2015, a administração rosácea passou de 4,9% para 3,5% em ótimo, de 29,1% para 22,8% em bom, de 37,3% para 31,9% em regular, de 17,4% para 13,4% em ruim, e de 9,6% para 26,3% em péssimo. Quase todas essas reduções de popularidade ficam dentro ou próximas da margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos, a não ser no impressionante crescimento de 16,7 pontos percentuais nos campistas que passaram a avaliar o governo Rosinha como péssimo, no curto espaço dos últimos cinco meses.
Não satisfeita com essa parcial, o Pro4 excedeu o Pappel e buscou mais detalhamento da sua amostragem junto aos eleitores campistas. Indagados, por exemplo, como seria hoje sua escolha sucessória para 2016, 68,7% disseram que não votariam num candidato apoiado pela prefeita, opção assumida só por 34,5%. Os motivos talvez sejam os novos dados coletados pelo instituto e revelados hoje pela Folha: 54% desaprova a maneira como Rosinha administra a cidade, percentual da população elevado a 57,5% que simplesmente não confiam na pessoa que lhes governa.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
Quem estuda e ganha mais confia menos
Quem mais confia em Rosinha Garotinho? Quem mais desconfia da prefeita de Campos? O primeiro eleitor é majoritariamente feminino (57,5%), de meia idade (38,1% entre 45 a 59 anos), só estudou até a 4ª série do ensino fundamental (53%) e tem renda até um salário mínimo (44,1%). Na ponta oposta, quem mais desconfia de Rosinha é do sexo masculino (61,1%), jovem (62,3% entre 16 a 24 anos), tem ou cursa educação superior (87,5%) e possui renda declarada acima de cinco salários mínimos (78,6%).
Em resultados muito semelhantes, a pesquisa do Pro4 só encontrou pequenas diferenças em três faixas, ao mudar as perguntas: “Aprova ou desaprova a maneira como a prefeita Rosinha vem administrando Campos?”. Quem aprova continua majoritariamente mulher (45,6%) e com escolaridade até a 4ª série do ensino fundamental (53%), mas cai um pouco em renda, ao declará-la nenhuma (50%), e uma geração em idade, se fixando mais entre os 35 a 44 anos (43%).
Em contrapartida, quem desaprova a administração rosácea permanece sendo em sua maior parte homem (58,6%), com ensino superior (82,5%) e renda familiar acima dos cinco salários mínimos (71,4%). Sua faixa etária é que sobe uma geração, situando-se sobretudo entre os 25 a 34 anos (57,9%).
Vereadores Mauro Silva (PT do B) e Marcão (PT)
Vereadores falam sobre queda
Pesquisa do instituto Pro4, comandado pelo empresário e colunista da Folha Murillo Dieguez, divulgada (aqui) na edição do último domingo, apontou queda de popularidade e acúmulo de rejeição ao governo Rosinha Garotinho (PR). Os dados assinalam ainda que o grupo que está no comando do município de Campos há 26 anos terá dificuldade em eleger seu sucessor. O líder do Governo na Câmara, Mauro Silva (PT do B), avalia que “a pesquisa seria reflexo de um momento”, mas que até as eleições os números podem mudar. No entanto, afirma que há uma distorção, especialmente no que diz respeito à rejeição da atual gestão. Petista da bancada de oposição, o vereador Marcão Gomes (PT) acredita que os índices refletem a “insatisfação popular” e o “sentimento de mudança evidente em todo município”.
Para Mauro Silva, o fato de a pesquisa ter ouvido 426 eleitores não significa que seja o reflexo do sentimento da população campista. “Há uma distorção. O sentimento das ruas não é o mesmo que mostra a pesquisa. Não retrata o que eu vejo nas ruas, durante eventos e inaugurações nas quais acompanho a prefeita. Eu não vejo essa rejeição. E até as eleições, os números que essa pesquisa aponta, e que eu não acredito, podem ser outros”, pontuou.
Por outro lado, Marcão avalia que os dados apontados pela Pro4 refletem a atual situação do governo de Campos, tanto no que diz respeito à avaliação do atual mandato, quanto à disputa pela Prefeitura em 2016. “Existe uma insatisfação muito grande com relação a esse desgoverno rosa, que tem muito dinheiro, muito recurso, mas é mal administrado. A pesquisa espelha o que a gente tem visto nos bairros, escolas, postos de saúde. Encontramos uma insatisfação enorme e uma imensa vontade de mudança”, afirmou.
A pesquisa mostra que a avaliação do governo Rosinha em Campos como ruim e péssimo (39,7%) é superior, em mais de 10%, ao número de entrevistados que o consideram ótimo e bom (26,3%). Os dados mostram ainda que 65,5% dos campistas não votariam no candidato apontado pelo grupo rosáceo para sucessão municipal de 2016. Na semana passada, o instituto Pappel também divulgou pesquisa que apontou queda de avaliação positiva e o crescimento da rejeição a Rosinha.
Na matéria do jornalista Mário Sérgio Junior publicada aqui, na edição da Folha último domingo, o cerco parecia se fechar sobre os Garotinho: dezenas de obras municipais paradas em todo o município, ações na Justiça por improbidade administrativa e dano ao erário contra um Anthony Garotinho (PR) sem imunidade parlamentar, além da novidade do Ministério Público Federal (MPF) fiscalizando a saúde pública de Campos. Isso sem contar as pesquisas de institutos de opinião dando conta (aqui) da acentuada queda de popularidade do governo Rosinha Garotinho (PR), bem como das dificuldades que seu grupo poderá enfrentar para eleger seu sucessor em 2016.
Pois hoje, dia de convocação extraordinária na Câmara Municipal, o barco governista parece começar a fazer água até entre a sua própria bancada. Marcada para o segundo turno do projeto de emenda à Lei Orgânica do Município (LOM) nº 0067/2015, aprovado em primeiro turno por votação apertada, através do qual Rosinha quer que seus subsecretários e “cargos equivalentes” possam também ser ordenadores de despesas, a nova votação na Câmara foi aberta e em seguida fechada pelo presidente Edson Batista (PTB). O motivo, em matéria considerada prioritária para o governo, foi falta de quórum.
O detalhe é que, dos cinco vereadores de oposição, três responderam à convocação extraordinária da prefeita: Marcão (PT), Rafael Diniz (PPS) e Fred Machado (SD). Numa emenda à Lei Orgânica que precisa de 2/3 dos 25 vereadores para ser aprovada, as dúvidas de voto e ausências foram do lado governista. Segundo informou aqui o jornalista Alexandre Bastos, há dúvida sobre o posicionamento dos governistas Gil Vianna (PR), Albertinho (Pros), Jorge Magal (PR), Neném (PTB), Dayvison Miranda (PRB) e Alexandre Tadeu (PRB). Gil e Neném estiveram entre os muitos ausentes da sessão de hoje.
Que há um descontentamento generalizado de muitos edis governistas nesta época de vacas magras, sobretudo dos que chegaram a ameaçar compor um bloco “independente” em 2014 (relembre aqui e aqui), parece não haver dúvida. Mas diante do quadro também complicado do governo estadual Luiz Fernando Pezão (PMDB), a dúvida é a única coisa que ainda segura muitos vereadores rosáceos. Afinal, pular para onde?
Entre abelhas — O desaparecimento de abelhas de várias espécies vem preocupando pesquisadores no mundo todo. O fenômeno tem forte impacto na produção agrícola e na segurança alimentar, pois leva ao aumento do custo dos alimentos e ameaça a viabilidade de culturas. Prestadoras de inestimáveis serviços ambientais, as abelhas respondem pela polinização de 71 dos 100 tipos de colheita que alimentam e vestem a humanidade, segundo relatório da ONU. Diminutas e invisíveis aos olhos urbanos, as abelhas escancaram a interdependência vital existente entre os reinos vegetal e animal. Entre nós, humanos, a invisibilidade social é um fenômeno decorrente da contemporaneidade. O termo invisibilidade social foi criado para designar as pessoas que ficam invisíveis socialmente, seja por preconceito ou indiferença.
A produtora Mixer, embarcando nessa onda de sumiços, lança o drama/comédia “Entre Abelhas” com roteiro, produção e direção de Ian SBF (Porta dos Fundos, produtora de vídeos de comédia veiculados na internet, criada entre parceria do site de humor Kibe Loco e a produtora Fondo Filmes, com mais de 30 milhões de visualizações) , estreando no comando de um longa-metragem de ficção.
No elenco o co-roteirista, co-produtor e comediante Fabio Porchat — de “Podia ser pior”(2009), “Meu passado me condena”(2013) e “Vai que dá certo” 1 e 2 (2013/15) —, é o protagonista Bruno, Marcos Veras — “Vestido pra casar” (2013) e “Copa de elite” (2013) — como o amigo Davi e Giovanna Lancellotti (estreia em longa-metragem) faz a ex-esposa Regina. Irene Ravache — “Ed Mort” (1997), “A memória que me contam” (2012) e “Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou” (2014 )— é a mãe protetora.
“Entre Abelhas” (83 min e impróprio p/ menores de 14 anos) conta a história de Bruno (Fabio Porchat), um editor de imagens recém-separado da mulher Regina (Giovanna Lancellotti), que começa a deixar de ver as pessoas após sua festinha de despedida de casado em uma das casas de saliência do Rio de Janeiro. Ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. Com a ajuda da mãe protetora (Irene Ravache), do melhor amigo, o canastrão vascaíno Davi (Marcos Veras) e do garçom Nildo (Luiz Lobianco), Bruno tentará desvendar os mistérios que cercam esse fenômeno.
Com uma excelente equipe técnica Ian SBF consegue, em sua estreia, realizar um filme com qualidade impressionante, como nas cenas em que Bruno vê sumir o motorista de táxi com o carro em movimento no trânsito, e quando caminha pela cidade totalmente vazia. Destaque também para as atuações do Porchat, que, como comediante, sustentou muito bem a carga dramática do personagem, e Irene Ravache, com toda sua experiência.
Teremos que aguardar um “Entre Abelhas2” para desvendar a razão dos sumiços, pois quando Bruno pega a foto de sua despedida de casado, liga para o número do telefone escrito em sua testa pela profissional da casa de saliência, que é uma das poucas pessoas que ainda vê, surpreendentemente surgem os créditos na tela.
A produtora Mixer e a turma do Porta dos Fundos confirmaram a evolução do cinema nacional e realizaram uma boa tragicomédia.
Dizer que o Sarau em homenagem a Kapi foi um momento mágico, daqueles de carregar no estojo de toda a vida, pode ser meio chover no molhado para aqueles que lotaram a bela sede local do Sindicato dos Servidores da Educação Federal (Sinasefe), na noite do último sábado (02/05). Para quem foi e quiser armazenar um fragmento de volta, ou para quem não foi, mas quiser pedaços de ida para guardar, vale a pena conferir os registros feitos pelo repórter fotográfico Genilson Pessanha: