Crítica de cinema — Sem condescendência de província

Caixa de luzes

 

7Solidões (10)

 

Mateusinho 47Solidões — Se iniciativas como o Cineclube Goitacá, toda quarta no Oráculo, e o Cine Jornalismo, um sábado por mês na Associação da Imprensa Campista (AIC), têm funcionado como espaços de resistência, no sentido de estimular o debate sobre arte e cultura no município — ainda que, no segundo caso, se tenham passado outras seis edições anuais (confira retificação aqui) antes de finalmente surgir alguém com conhecimento de jornalismo e cinema o suficiente para finalmente exibir (ontem) o necessário “A montanha dos sete abutres” (1951), do mestre austríaco Billy Wilder —, o que dizer do fazer cinema em Campos?

Presidente da AIC, Vitor Menezes contou com apoio do Sindipetro do qual é assessor para dirigir um longa de documentário também necessário: “Forró em Cambaíba” (2013). Nele, o jornalista prevaleceu sobre o cineasta no equilíbrio entre a denúncia de utilização dos fornos da antiga usina para queima de corpos de presos políticos mortos, durante a Ditadura Militar (1964/85), e a autofagia homicida das ações do MST em seu acampamento na mesma usina, em pleno regime democrático. Mas se a realidade não permite mais ilusões em nenhum lado da nossa sociedade, como fica nela o cinema de ficção?

Numa cidade onde até a inauguração das novas salas Kinoplex, no Shopping 28, as salas do Cine Araújo, no Shopping Boulevard, só exibiam filmes estrangeiros em versão dublada, na pressuposição de que espectador de cinema em Campos é analfabeto, há a possibilidade de aqui se fazer cinema não só falado em português pelos lábios da tela, como ainda por cima com pretensão de arte? Na tradução por escrito, sem dublagem, do alemão do filósofo Friedrich Nietzsche à língua do escritor campista José Cândido de Carvalho, a resposta é dada logo na abertura de “7Solidões”, novo filme de Carlos Alberto Bisogno: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam ouvir a música”.

Exibido ao público pela primeira vez em alto-mar, na plataforma Pampo PPM-1, no dia 18, já que seu diretor, produtor, roteirista, montador, fotógrafo e mixador é mais um que divide a função de cineasta com as atividades profissionais ligadas à extração de petróleo na Bacia de Campos, “7Solidões” terá sua estreia no continente em outro espaço de resistência na arte e na cultura do município, não só no cinema, como em teatro e música: o Serviço Social da Indústria (Sesi). Capitaneado pelo incansável Fernando Rossi, na próxima quarta, dia 29, a partir das 20h, o Teatro do Sesi exibirá o filme considerado por Bisogno seu primeiro longa, não pela duração inferior a 50 minutos, mas por sua estrutura, que realmente o distingue de “Efígie” (2009), “Vertigem” (2010), “A serpente e o corvo” (2011) e do promissor “Neve negra” (2011), curtas de ficção anteriores do diretor.

Em seu mais recente trabalho, sempre marcado pela câmera contemplativa, muitas vezes lenta, tão distante de Hollywood quanto um dos seus grandes diretores contemporâneos, Terrence Malick, e dotado de um senso de fotografia brilhante, bebendo em fartos goles no gargalo do mestre brasileiro Walter Carvalho, toda a dança mostrada na tela tem como eixo um protagonista em três tempos. Na infância, interpretado por Gael Nunes (filho de Bisogno com sua assistente de fotografia e esposa, a jornalista Lívia Nunes); na juventude, por Rudá Sanchéz; e na velhice por Orávio de Campos Soares. Este, diretor consagrado há décadas no teatro campista se revela uma grata surpresa, em sua maturidade, como ator de cinema. Na narração em off do começo do filme, a voz de Orávio pergunta mais de uma vez: “Qual é a cor da nossa memória?”.

Nos tons esmaecidos da fotografia refinada, na busca de uma luz europeia sob sol tropical, a cor da pele dos três atores é do mesmo barro carreado pelo Paraíba do Sul que deságua e tinge o oceano Atlântico neste pedaço de litoral. Ao lado sul do rio, entre as ruínas de Atafona, o personagem anônimo de Rudá passeia com a amada, vivida por Maria Clara Oliveira. Em contrapartida, navegando contra o tempo da narrativa, à margem norte do Paraíba, o pequeno Gael tem o parque eólico de Gargaú como fundo da infância do protagonista junto aos pais, interpretados por Paolla Souza e Tonin Ferreira, em seu segundo bom trabalho no cinema sob mesma direção, mais uma vez contido no histrionismo, após estrelar “Neve negra”.

Mas se Orávio e Tonin aparecem bem, ambos estão em pontas extremas e opostas ao tempo que preenche no centro a maior parte do filme. E nem é preciso entender muito de cinema para perceber que não rolou química de casal entre Rudá e Maria Clara. Ainda na bela externa à beira mar de Atafona, na qual aparecem juntos pela primeira vez, os dois não conseguem sincronizar direito nem os rodopios de dança que tentam dar um no outro enquanto caminham pela areia.

Na mesma sequência, entre o mar e as ruínas das casas por ele destruídas, quando a câmera dá a sorte de enquadrar o casal junto ao acaso de um vira latas passando lento em sentido contrário, Maria Clara primeiro segura o vestido que corria o risco de levantar com o vento, para depois virar o rosto quando Rudá tenta beijá-la. Com pudores absolutamente descabidos numa atriz, em direção oposta à do cão e das cordas que sobem a Sinfonia nº 3 de Henryk Górecky, na música de fundo, ela mata o que poderia ser uma grande cena da sua personagem — e do filme.

Curiosamente, onde o casal vai demonstrar melhor entrosamento é nas cenas de sexo, com movimentos vigorosos dos corpos sob uma ducha fraca, dentro do banheiro do apartamento, enquanto vagueiam pelo corredor e sala três amigos: Bruno Alves, Carolina Muylaert e o violeiro Roberto Sávio. É então que se dá o melhor momento desse núcleo jovem, quando Bruno lê no livro “Ilusões perdidas”, de Honoré de Balzac, o solilóquio do “ser ou não ser”, de Shakespeare em “Hamlet”. Sentindo o que seu personagem lê, independente de onde, ele acentua o tom da voz à porta do banheiro fechada por dentro, enquanto ecoa seu lamento shakespeariano aos ofegantes e mudos Maria Clara e Rudá: “A agonia do amor não retribuído”.

Ao som de “Where did you sleep last night”, do Nirvana, é nessa agonia que se revela a traição passada, no quarto materno do agreste de São Francisco, numa perseguição de sina até o presente, nos corredores da UFF-Campos. Entre os dois tempos e margens do mesmo rio, o lamento de Hamlet encontra refrão na voz pungente e rascante de Kurt Cobain: “Minha garota, minha garota, não minta para mim/ Me diga onde você dormiu a noite passada”.

“A vida é um encontro de solidões”, diz Orávio, na última fala do filme. E muitas vezes os encontros, sobretudo se reencontros, só são possíveis com o perdão ao outro, ao passado, a nós mesmos. Se não livra ninguém da morte ao final, até lá esse perdoar pode ofertar redenção a toda uma vida. Nesse acerto de contas entre a mãe encarnada madura por Adriana Medeiros e o filho Rudá, alcançado pela dúvida do pai morto, se dá não só a ruptura com essa sina, como são paridas as cenas mais plásticas do filme, em pleno Cemitério do Caju, numa concepção gráfica impensada a um cinema que vive e respira em Campos.

Todavia, visivelmente preocupada com a articulação das palavras, Adriana não consegue conferir às sílabas, no cinema, a mesma naturalidade de uma das atrizes mais respeitadas no teatro de Campos. E essa dificuldade pode ser tanto da (ainda) pouca intimidade de atores de palco com a marcação completamente diferente da câmera, quanto da imposição talvez demasiada do roteirista, que igualmente (ainda) não brilha na construção de diálogos ou na direção de atores, como faz em fotografia e cenografia.

Adriana não teria culpa, por exemplo, se um roteiro preocupado demais com o pedantismo gramatical entre próclise e ênclise lhe impusesse: “Lembro-me que sua avó me dizia”. Para um filme de 2015, na boca de uma personagem do povo em tempo presente, o paralelepípedo soaria neolítico, sobretudo se lembrado que há 91 anos, desde 1924, o nosso modernista Oswald de Andrade já advertia em seu famoso poema “Pronominais”: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido/ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

Entretanto, como se trata do mesmo diálogo onde Adriana também diz “Nunca irá faltar trabalho para ele”, no exato momento em que a câmera corta para o enquadramento de um lavrador conduzindo um arado puxado por boi, em meio ao canavial, tudo entalhado no mármore branco de uma lápide, encontrar com a solidão desse cinema deveria ser necessidade coletiva desta taba goitacá.

Pelo todo da obra, Mateusinho pensou em dar três estrelas, mesmas que daria em separado ao roteiro, mas que seriam cinco caso a análise fosse só à fotografia, ou duas, se o julgamento se ativesse ao conjunto das interpretações. Porém, sem nenhum dinheiro e apoio, num cinema feito de superação, sobretudo por parte do seu realizador, que talvez acumule a solidão de tantas funções por não ter a quem delegá-las, sem negar brilho estético à sua artesania, a avaliação final rejeita qualquer condescendência de província.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Artigo do domingo — Empreguismo pôs Campos à beira da falência

Empreguismo

 

 

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal (*)

 

Quando buscamos identificar as prioridades de uma administração municipal é importante avaliar o comportamento das receitas e a aplicação das políticas públicas, através dos gastos. Com base nos dados publicados relativos aos anos de 2013 e 2104 no Portal da Transparência e no Balanço Orçamentário do primeiro bimestre de 2015 o discurso e  realidade parecem muito diferentes. O que mais ouvimos na cidade de Campos nos últimos meses é que a crise nacional e o preço do petróleo reduziram drasticamente a receita municipal — já em 2014 forçando o poder público a tomar recursos por empréstimo, para fazer face à esta nova realidade.

Sabemos todos que Campos dispõe de um orçamento fiscal volumoso, superando capitais brasileiras e cidades de porte médio como Niterói e tantas outras do interior paulista. É uma arrecadação que se coloca entre as 20 maiores, comparando-se com as 5.554 prefeituras do país.

Então vejamos alguns detalhes interessantes que põem por terra o argumento de “crise latente”, em 2014. A arrecadação total observada no ano eleitoral de 2014 (excetuando-se o empréstimo junto ao Banco do Brasil de R$ 250 milhões), foi recorde na história da capital do açúcar e dos royalties do petróleo, somando 2,506 bilhões de reais e crescendo nominalmente 4,2%.

Na nossa interpretação, a crise de fato somente chegaria aos cofres do poder público, no primeiro bimestre de 2015, quando de acordo com os dados do balanço orçamentário publicado pela prefeitura no Diário Oficial neste mês de abril, a arrecadação caiu, em termos nominais, 24,1% (forte!). Embora em março último essa tendência tenha se mantido, a alta recente do dólar frente ao Real e a nova faixa de preços do barril de petróleo no exterior, nos níveis entre US$ 55 e  US$ 65, pode minimizar parte da perda imaginada originalmente. O fato negativo é a crise de governança na Petrobras e a queda de produção da produção do pós-sal na Bacia de Campos.

Uma primeira observação que se coloca. Mesmo com a queda paulatina da cotação internacional do petróleo amplamente divulgada, ao longo do segundo semestre de 2014, o ritmo de gasto mensal (despesas pagas) até dezembro de 2014 foi intenso, de modo tal, que entre somou R$ 2,589 bilhões, crescendo 12,7% — o dobro da inflação de 6,4% no ano de 2014. Ou seja, três vezes mais do que o observado no comportamento da arrecadação. Vale destacar que, mesmo que com a queda expressiva da receita orçamentária (fruto da redução da indenização do petróleo) no primeiro bimestre de 2015, a despesa continuou intensa nos dois primeiros meses do ano atual — pois praticamente foi igual, na comparação com o primeiro bimestre de 2014. Ufa!

Diante destes números, veio a dúvida: teria sido o investimento em obras o motivo da expansão total dos gastos? A resposta a esta indagação, contudo, não vamos encontrar neste item — onde a despesa paga totalizou 393 milhões — e que em comparação com o ano de 2013 apresentou um crescimento nominal de apenas 1,4%. O gasto com obras manteve o comportamento relativo de anos anteriores e representou 15% do gasto total da Prefeitura. Vale ressaltar que o investimento é positivo, na medida em que o mesmo expande a capacidade instalada da infraestrutura da cidade — na forma de estradas, casas populares e demais equipamentos urbanos e rurais.

Diante desta constatação, chegamos preliminarmente à conclusão de que “o inchaço da máquina” explicaria a expansão exagerada/eleitoreira do gasto fiscal da Prefeitura de Campos. Primeiro, olhamos o gasto total com os contratos com empresas que promovem terceirização de mão de obra. Esses somaram, em 2014, R$ 720 milhões e, comparando-se com 2013, apresentaram um crescimento explosivo de 21% — ou seja, muito acima da despesa total (mais 12,7%) e muito acima da inflação 6,4%.

Apenas para ilustrar e mostrar nosso raciocínio, o gasto mensal com terceirização de pessoal em janeiro de 2013 somava R$ 19 milhões, enquanto em setembro de 2014 já somava R$ 60 milhões. Nesse contexto é pouco provável que a qualidade dos serviços públicos na nossa cidade tenha melhorado no mesmo ritmo explosivo das contratações, o que me faz supor e predominou apenas o “empreguismo”. Confirmando esse diagnóstico, o poder público recentemente demitiu quase 4 mil empregados terceirizados.

Outra conta analisada por nós refere-se ao pagamento mensal relativo aos servidores concursados da Prefeitura na sigla “Pessoal Civil”. Sabemos todos que muitos concursados foram admitidos no período recente — o que podemos considerar positivo, tanto para qualidade da maquina publica, quanto  da futura memória das políticas públicas municipais.

Essa rubrica somou, em 2014, o montante de R$ 762 milhões e cresceu 27%, em relação a 2013. Vejamos uma comparação interessante: enquanto a terceirização, através de empresas privadas custaria, em 2014, 36% do gasto total, a conta relativa aos servidores estáveis custou apenas 29% do gasto total. Fica clara a opção do poder publico local pela contratação terceirizada. Somando os dois tipos temos 65% do gasto total.

Outra questão muito importante e grave. Se a Prefeitura não tivesse obtido o empréstimo junto ao Banco do Brasil (cujos encargos financeiros vão custar a sociedade quase R$ 50 milhões) não fosse concluído, a administração municipal atingiria um percentual entre o gasto com a folha salarial e a receita corrente líquida (definida pela Lei de Responsabilidade Fiscal em no máximo 54%) na faixa explosiva de 70% extrapolando o limite confortável definido pela legislação em vigor.

Nesse contexto, a crise fiscal revela graves contornos e sua resolução tende a gerar forte recessão em nossa economia local, com reflexos na geração de empregos no comércio, serviços e construção civil.

 

(*) Economistas e analistas políticos

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Poema do domingo — Cais matutino

Aficionado, como muita gente, nessas tais listas dos melhores em determinada área, nem que seja para meter o pau nas escolhas, comprei o livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século” (XX), do Ítalo Moriconi, tão logo chegou às prateleiras. Entre os poetas selecionados que não conhecia, quem mais me impressionou foi Ribeiro Couto (1898/1963), simbolista que abraçou o modernismo já na mitológica Semana de Arte Moderna 1922, da qual participou ativamente. De fato, por se tratar do poema que talvez mais me penitencie por não ter escrito, naquilo que Cazuza chamava de “inveja criativa” em relação a Renato Russo, li e reli “Cais matutino” até, involuntariamente, oxidá-lo em maresia na memória.

Mais tarde, numa livraria do Rio (lógico!), esbarrei com uma coletânea exclusiva do poeta, comprando de cara o livro. Aprofundando-me em seus versos, pude constatar que aquela melancolia molhada de mar e chuva, tão marcante naquele poema no qual fui apresentado ao autor, batiam ponto em boa parte da sua obra, embora talvez sem igualar o mesmo brilho. Poeta, advogado, jornalista e diplomata, Ribeiro Couto foi também romancista de destaque, autor de “Cabocla”, duas vezes adaptado à teledramaturgia.

“Cais matutino” pode ter sido o ponto mais alto de um poeta no todo apenas razoável. Pode ser… Entretanto, seduzido pelo mistério familiar do “longe que aspiro no vento salgado” desse “mar ignorado”, permanece sendo para mim um dos maiores poemas já escritos não só no Brasil do séc. XX, como em qualquer tempo da língua portuguesa.

 

 

Atafona, manhã de 02/01/15
Atafona, manhã de 02/01/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Cais matutino

 

Mercado de peixe, mercado da aurora:

Cantigas, apelos, pregões e risadas

À proa dos barcos que chegam de fora.

 

Cordames e redes dormindo no fundo;

À popa estendidas, as velas molhadas;

Foi noite de chuva nos mares do mundo.

 

Pureza do largo, pureza da aurora.

Há riscos de sangue no solo da feira.

Se eu tivesse um barco, partiria agora.

 

O longe que aspiro no vento salgado

Tem gosto de um corpo que cintila e cheira

Para mim sozinho, num mar ignorado.

 

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Crítica de cinema — Cinema veloz, furioso e monopólico

De olhos bem abertos

 

Velozes e furiosos 7

 

Mateusinho 2Velozes e furiosos 7 — O escritor argentino Jorge Luis Borges, com a elegância e diplomacia que o caracterizava, dizia que quando você está lendo um livro com desprazer, deve abandoná-lo pois ele, naquele instante, não foi feito pra você.

Confesso que pensei nessa frase de Borges ao assistir “Velozes e furiosos 7”, adaptando-a da literatura para o cinema. Um filme que não tinha sido feito pra mim. E não porque o considerasse artisticamente inferior àquilo que poderia ser o meu ‘patamar cinéfilo’. Longe disso. Simplesmente porque é um tipo de cinema que não me causa prazer.

Entretanto, devo reconhecer que “Velozes 7” tem seus méritos. O primeiro (para os produtores) talvez seja a capacidade de manter a franquia no topo das bilheterias. Aqui no Brasil, na primeira semana de exibição levou mais de sete milhões de espectadores, ficando no alto do ranking dos filmes mais assistidos. Não apenas isso, “Velozes 7” superou “Tropa de elite 2” como o filme de maior renda na história do mercado nacional. O sucesso local inclusive supera, em termos proporcionais, o que vem acontecendo nos Estados Unidos.

Semelhante êxito não vem por acaso. Entre os fatores que ajudaram à assistência massiva de público certamente poderíamos apontar a morte de Paul Walker, o co-protagonista, que viera a falecer durante a rodagem, ainda na sua fase inicial (sua participação só pode ser ‘completada’ graças à tecnologia digital). A esse trágico acontecimento, se soma uma boa campanha de divulgação que deu a entender, espertamente, ser este o ultimo filme da saga. Diante do espetacular faturamento, receio que a contagem dos filmes “Velozes e furiosos” atinja os dois dígitos.

Mas não sejamos injustos: há fatores endógenos, próprios do filme, que contribuem para o seu sucesso. Entre eles devemos destacar as cenas de ação, é claro, recheadas de perseguições automobilísticas, explosões, lutas e disparos, e que foram realizadas com a perícia, o exagero e a grandiosidade que se espera nesta classe de histórias. Além disso, agregam-se ao elenco estável da série os nomes de Jason Statham (o astro daquela outra franquia chamada “Carga explosiva”) interpretando aqui o vilão, e Kurt Russell, cuja aparição funciona como uma espécie de homenagem àquela classe de filmes de ação que o astro interpretara na sua juventude, especialmente as “Fugas” de Nova York e Los Angeles, ambos de John Carpenter.

O roteiro, por sua vez, tem a astúcia suficiente para conceber uma história que justifique desde a variedade de paisagens e locações quanto as peripécias dos protagonistas, que deverão cumprir uma série de ‘trabalhos’ encomendados pelo suposto agente da CIA (Russell), com o objetivo final de derrotar o vingativo Deckard Shaw (Statham). De toda sorte, compreender os meandros da trama é totalmente prescindível.

A grande jogada dos produtores de Velozes talvez tenha sido saber mudar a natureza da franquia antes que esta se esgotasse. Até o quinto filme, tratavam-se das aventuras de um grupo de semi-marginais cuja paixão pelas corridas ilegais de rua os levavam a cometer diversos crimes, enquanto eram perseguidos por policiais infiltrados. A partir do sexto, a equipe de Dominic Toretto transformou-se num grupo altamente especializado na realização de ‘trabalhos’ por encomenda das autoridades, visando capturar outros bandidos mais perigosos.

A despeito do conselho de Borges, não posso apenas abandonar “Velozes 7” alegando não ser ele o tipo de filme pra mim. Em primeiro lugar porque a função de crítico me obriga a analisá-lo, entendê-lo e orientar o leitor para que saiba de que classe de filme se trata. Mas também porque não há para onde fugir: os filmes da categoria de “Velozes e furiosos” praticamente monopolizam as salas a nível mundial. Que fique claro: o problema não é que seja mau cinema (acho que não é); o problema é que seja o único cinema.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

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Sarau em Homenagem a Kapi, no Sinasefe, em 2 de maio

Kapi

 

 

“Eu quero que a Alemanha se dane! Eu quero falar é de Kapi”. Foi com essa assertiva que o professor Marcelo Sampaio realinhou o debate que se seguiu a apresentação do documentário “Pina”, sobre o trabalho da bailarina e coreógrafa alemã de dança Pina Baush, no Cineclube Goitacá, no último dia 8 de abril, seis após a morte do diretor teatral, turismólogo e poeta Antonio Roberto de Góes Cavalcanti, o Kapi. Naquilo que, de maneira espontânea, acabou substituindo sua missa de sétimo dia, quase todos os presentes passaram a comungar lembranças de Kapi, a partir da provocação do Marcelo. Presente àquela quarta de Cineclube convertida numa pungente e bem humorada sessão de catarse coletiva, o poeta, professor, artista multimídia e produtor cultural Artur Gomes recebeu e acolheu a proposta de promover um sarau dedicado a Kapi, baseado em sua obra literária. E, numa outra feliz coincidência, daquelas que o filósofo (alemão) Nietzsche dizia não haver, o evento acabou marcado para o próximo dia 2 de maio, quando se completará um mês sem o artista campista.

O Sarau em Homenagem a Kapi começará às 19h do primeiro sábado de maio, na sede local do Sindicato Nacional dos Servidores Profissionais da Educação Básica e Profissional (Sinasefe), na rua Álvaro Tâmega, nº 132, como o Artur anunciou aqui, na democracia irrefreável das redes sociais. A entrada é gratuita, mas doações de material de limpeza e higiene pessoal estarão sendo arrecadados para a Casa Irmãos da Solidariedade, que cuidou de Kapi em seus últimos meses de vida, como vem fazendo há décadas com os soropositivos do município. O sarau contará com a presença do violonista fidelense Paulo Celso Ciranda, que apresentará várias músicas que compôs sobre as letras de Kapi. Atores, autores e amigos do homenageado também interpretarão seus poemas, incluindo “Canção amiga” e “Goya Tacá Amopi”, vencedores do FestCampos de Poesia, respectivamente, em 2002 e 2005.

Numa cidade que não se destaca pela memória ou pelo valor dado aos seus criadores, esse sarau para Kapi mantém viva não só a obra de um grande artista, como a esperança de que a arte em Campos possa conhecer melhores dias. Para quem tem algum compromisso com ela, comparecer deveria ser uma obrigação. Felizmente, não é.

Abaixo, fragmentos de uma obra que não será esquecida:

 

ACENOS

 

Quem parte

deixa saudade,

deixa acenos,

esquece livros.

Deixa tolhido

um mundo de desejos,

vida desarrumada

e a gente sem prumos.

Quem fica

fica de lembranças,

fica mais criança,

fica solidão.

Quem parte,

parte inteiramente,

parte de repente

sem um avisar.

Quem fica

fica de inocente

regando as sementes

de um tal regressar.

Quem fica

fica sem despedida

fica sem guarida

e morre um pouco em vida

pois quem parte

parte corações

mata as ilusões

e parte.

 

 

 

BRILHANTE

 

mil coisas disseram

eu muito entendi

muito sei

entender também rola por aí

pessoas sabem que são

bem mais que prazeres

a coisa vital

entender

pode ser pele a pele igual

pessoa comum

brilhante é ser tudo igual

bem diferente

de gente que não sabe ser

 

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Crítica de cinema — Animação e história: ficção mostra a realidade

Bagdá Café

 

cada um na sua casa

 

Mateusinho 4Criadora das aclamadas sequências “Shrek”, “Madagascar”, “Kung Fu Panda”, a americana DreamWorks Animation voltou à cena, após “Os Pinguins de Madagascar” e uma crise gerada por prejuízos em bilheterias e demissões no último ano, com a animação “Cada um na sua casa”. Dirigida por Tim Johnson, a produção americana conta com vozes de Rihanna, Jim Parsons, Jennifer Lopez e Steve Martin.

Após uma ameaça de invasão dos inimigos górgons, os extraterrestres boovs se dirigem para o planeta Terra. Ao chegarem, os novos habitantes retiram os humanos de suas cidades e os enviam para outros locais. Dominados os “selvagens nativos”, conforme afirma o capitão dos boovs, Smek, o grupo assume residências, ruas e a nova realidade em um local estranho e distante de sua origem. O líder acredita que os humanos precisam de seus ensinamentos por serem simples e atrasados. Entretanto, a adolescente Tip e seu gatinho de estimação continuam na Smeklândia, novo nome dado a Terra. Em sua busca pela mãe, a menina encontra Oh, um boov que se une a ela por estar fugindo dos alienígenas.

Composta por cenários coloridos e bonecos que mudam de cor de acordo com o humor — característica semelhante a personagens da saga “Harry Potter”, da britânica J.K. Rowling —, a animação faz alusão, de maneira lúdica e leve, a importantes questões históricas e sociais, como a ocupação indevida de terras por grupos que julgam inferiores as pessoas que as habitam. Ao pousarem no planeta Terra, os boovs iniciam a colonização — termo, inclusive, utilizado no filme — com o intuito de dominação e modificação de hábitos e costumes. A fuga dos ETs, que se desesperam com medo de uma invasão de górgons, traz à memória a vinda da Família Real para o Brasil, em 1808. A mesma atitude de entrega e covardia (um dos lemas dos extraterrestres, junto à ideia de liderança, fuga e “picar a mula”) é um dos pontos da ficção e de certos acontecimentos da História do Brasil.

Depois de fugir de Portugal devido a ameaças do francês Napoleão Bonaparte, a corte aportou em Salvador e, em seguida, no Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1822. A estada dos portugueses trouxe prejuízos — principalmente financeiro — para a população, cuja essência havia começado a ser dizimada com a colonização do país, nos anos de 1500. Este pode ser considerado outro aspecto comum ao filme e a fatos do Brasil. Na terra recém-descoberta, os colonizadores passaram por uma fase de estranhamento quanto ao comportamento e ao hábito dos nativos, assim como os boovs em relação à cultura humana, e tentaram modificar a realidade na qual eles viviam. Em determinada cena, Oh, sem saber a real função dos objetos terrestres, transforma rolos de papel higiênico em enfeites para festa. Os sentimentos que envolvem as pessoas também são desconhecidos pelo grupo dos extraterrestres.

Em diferentes momentos da animação, os alienígenas mudam as principais características das cidades em que chegam, após realocarem as pessoas, por se considerarem os únicos capazes de decidir o que pode ser útil ou não. É feita a retirada de bicicletas, lixeiras e outros objetos comuns à vida humana, mas não à boov. Eles fogem dos górgons tal como os portugueses fugiram de Napoleão Bonaparte por medo de terem suas terras dominadas.

O exercício de estranhamento a partir do ponto de vista dos boovs, no entanto, é uma atividade interessante para que crianças e adultos possam compreender e aceitar as diferenças entre os inúmeros grupos sociais existentes no planeta Terra, colaborando, mesmo indiretamente, para ajudar a manter as peculiaridades e a história de cada ser humano.

A partir da mudança do ponto de vista de Oh quanto à transferência dos extraterrestres para a Terra — a suposta atitude certa do capitão Smek se torna errada a partir da ampliação do conhecimento do boov sobre a espécie humana — e o respeito com que ele trata a adolescente Tip, “Cada um na sua casa” oferece ao público, em aproximadamente 1h30, momentos de ensinamentos que tornam a diversão na sala de cinema adequada para reflexões.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

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Crítica de cinema — Um robô trapalhão

Cinematógrafo

 

Chappie

 

Mateusinho 3Chappie — Nos filmes produzidos ou coproduzidos nos Estados Unidos, os ETs vêm à Terra para pilhá-la, salvá-la ou transformá-la em campo de batalha sideral. Particularmente num, eles vêm fugidos da miséria e se instalam na África do Sul, residindo e favelas paupérrimas e sendo discriminados por brancos e negros. O filme é um libelo ao racismo, mostrando que ele é um fenômeno de que qualquer ser humano pode ser vítima, ao mesmo tempo que está muito arraigado nas sociedades. Foi com este assunto que o diretor sul-africano Neill Blomkamp. estreou no cinema. Seu filme “Distrito 9” tornou-se um clássico. Em seguida dirigiu “Elysium” (2013). Cooptado pelo cinema dos Estados Unidos, ele volta com “Chappie”, com roteiro do próprio Blomkamp e de Terri Tatchell. O filme é desenvolvimento do curta “Tetra Vaal ”, dirigido pelo diretor em 2004.

Ambientado em Joanesburgo, África do Sul, ele mostra o profundo contraste entre ricos e classe média, morando no miolo de uma cidade tipicamente ocidental, e os pobres, morando em favelas piores que as do Rio de Janeiro. A atividade dos favelados que chama a atenção no filme é a transferência de renda por meio de violência. São as gangues armadas, distintas das gangues de gravata que também transferem renda por meio da corrupção no Brasil.

Diante de tamanha violência, uma empresa (Tetra Vaal) é contratada pelo governo para cuidar do policiamento da cidade, substituindo os policiais humanos por androides. Resolve-se o problema? Evidente que não. Como não há nenhum programa de promoção social, a marginalidade continua, só que agora combatida por super-policiais que podem ser destruídos sem que os humanos sofram com a morte de pessoas. Basta reparar os robôs danificados ou simplesmente substituí-los por outros.

A empresa é dirigida por Michelle Bradley (Sigourney Weaver) e nela trabalham o jovem engenheiro Deon Wilson (Dev Patel), que deseja dotar os androides de consciência e sentimentos humanos, o militar aposentado Vincent Moore (Hugh Jackman), empenhado em desenvolver um super-robô que superará os que estão em operação. Deon consegue alcançar seu intento e cria um androide humanizado semelhante a Pinóquio, como observou Gustavo Oviedo. Ele, porém, é sequestrado por três facínoras, entre eles uma impiedosa mulher. O robô é criado pela trinca e toma a mulher e um homem como pais, reconhecendo que Deon é seu criador.

Depois de cometer vários crimes, o androide adquire plena autonomia e muda para o lado do bem. A ideia de criar um robô plenamente humano seria boa se já não tivesse sido pensada muitas e muitas vezes antes. O diretor declarou numa entrevista que desejou colocar em discussão a questão da consciência. Tudo bem, mas ele passa ao largo das neurociências nesta discussão. Provisoriamente (porque em ciência tudo é provisório), tem-se por assentado que a consciência é uma emergência imaterial do supercomplexo cérebro humano, formando ao longo de pelo menos sete milhões de anos, sem considerar a história anterior do cérebro animal. Em outras palavras, o cérebro humano é material, ocupa quase todo espaço da caixa craniana, pode ser tocado e cortado quando exposto. A consciência e os sentimentos humanos podem ser externados, mas não tocados. São, portanto, imateriais, mas intimamente ligados ao cérebro como emergências de seu funcionamento hipercomplexo.

A criação de uma consciência artificial e externa ao ser humano não é trabalho de engenheiros, mas de neurocientistas, que não têm esperança de conseguir um dia o êxito do engenheiro Deon. As máquinas naturais não podem ser igualadas por máquinas artificiais. Por isso, o filme soa superficial e imaturo. Também não convincente com uma mulher cruel transformando-se numa doce mãe de um robô. Para falar a verdade, até mesmo meio caricato ao tornar uma mulher endurecida pela sobrevivência em meio violento numa terna e carinhosa mãe. Meio maniqueísta em traçar em linhas claras a distinção entre um engenheiro do bem lutando contra um militar do mal. Em simplificar a consciência humana num programa que pode ser armazenado num pendrive e transferido para robôs ou vice-versa. Mas o contato com más companhias pode influenciar uma pessoa. Parece que ficou meio enlatado ao ser cooptado pelos Estados Unidos. Enfim, “Chappie” é um filme mal resolvido.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Crítica de cinema — Muita ação, veículos de sonhos e destreza surreal em 3D

Colyseu

 

 

Velozes e furiosos 7

 

Mateusinho 4Velozes e furiosos 7 — Poucos objetos promovem tanta sedução quanto os carros fazem com os homens . O carro seduz porque é uma espécie de extensão do corpo. Dá a sensação de que o indivíduo se torna mais potente, menos lento, mais robusto, menos vulnerável.

A sedução passa, primeiramente, pela potência do motor. Curiosamente, a unidade de medida dos motores é “cavalo de força”. Uma alusão à masculinidade dos equinos e a força de seus corpos. Quanto mais cavalos um motor possui, mais virilidade sugere. Corridas de carro são mania mundial. A relação entre velocidade e masculinidade já mereceu estudos psicológico-comportamentais interessantes.

Para o psicólogo Francesco Albanese, que há anos estuda psicologia do trânsito, é preciso voltar a Freud e à psicanálise. Por estar associado subjetivamente a atributos considerados viris, como velocidade e potência, o carro se presta melhor a ser alvo de um processo de identificação masculina. E onde há identificação, há projeção da própria personalidade. Há, porém, uma explicação neurobiológica para o fascínio pelas altas velocidades: a consciência (ainda que parcial) do risco desencadeia no organismo reações neurológicas e hormonais. A elevação dos níveis de adrenalina induz à hiperatividade do sistema nervoso e confere uma espécie de euforia artificial que, para alguns, pode resultar em satisfação. O carro dá ao motorista a oportunidade de experimentar seu corpo elevado a velocidades que, por si só, não alcançariam. Correr faz parte do sonho humano por superação.

Nas telas, o fascínio por automóveis e velocidade já foi explorado em produções  de grande sucesso  como  “Juventude transviada”(1955) com James Dean ao volante de um Chevrolet Special Deluxe 1941 ; “Viva Las Vegas”(1964), com Elvis Presley; na série 007, com Sean Connery e outros atores no papel do agente secreto James Bond; na comédia dirigida por Robert Stevenson “Se meu fusca falasse” (1968) e na animação japonesa “Speed Racer”(60’/70’) com seu poderoso Mach5.

O estúdio Universal Pictures lançou o 7º filme da sua franquia “Fast and furious”, “Velozes e Furiosos 7” no Brasil. Com direção de James Wan (de “Jogos Mortais”,de 2004; e “Invocação do Mal”, de 2013) e produção de Michael Fottrell, Vin Diesel e Neal H. Moritz, que contaram com US$ 230 milhões para manutenção do elenco, efeitos em 3D, equipes de dublês, locações maravilhosas e muito carro bacana para destruir. Segundo o Wall Street Journal os veículos foram destruídos durante as filmagens do longa em Colorado, Atlanta e Abu Dhabi. A lista dos possantes que foram para o ferro-velho é de deixar qualquer apaixonado por carros babando: foram muitos Mercedes-Benz, um Ford Crown Victoria e um Mitsubishi Montero.

No elenco, atores já conhecidos dos filmes anteriores da franquia como Vin Diesel (“O Resgate do Soldado Ryan”, de 1998; “Eclipse mortal”, de 2000; e “Riddick — A ascensão”, de 2013) é o alpha da equipe motorizada Dominic “Dom” Toretto. Diesel, além de protagonista, é produtor da franquia V&F. Paul Walker (“ Mergulho radical”, de 2005; “Contagem Regressiva”, de 2013 e “Distrito 13”, de 2013) vítima fatal de um acidente automobilístico em novembro de 2013, antes do fim das filmagens, é Brian O’Conner , bem treinado e corajoso membro da equipe de Dom, viciado em adrenalina com dificuldades em levar uma vida tranquila com sua esposa, Mia Toretto, interpretada pela bela atriz panamenha (filha da modelo brasileira Maria João Leão de Souza) Jordana Brewster (de “Uma história a três”, de 2001; e Annapolis, de 2006). Jason Statham (ator e lutador de artes marciais britânico – “Collateral”, de 2004, “Carga Explosiva” de 2002, 2005 e 2008; além de “Os Mercenários”, de 2010, 2012 e2014) é o frio e explosivo vilão Deckard, que não deixa nada de pé em busca de sua vingança. Dwayne Johnson ou The Rock (“A Rocha” — ex jogador de futebol americano e lutador de wrestling profisssional  (“O escorpião rei”, de 2002; e “Hércules”, de 2014) interpreta o chefe da agência de inteligência norte americana Luke Hoobs (Tyrese Gibson de “Transformes”, de 2007; e “Legião”, de 2009) como o engraçadinho Roman Pearce ( Ludacris, ator e rapper americano) de Tej, o especialista em tecnologia. Michelle Rodriguez (“Girlfight”, de 2000; “Residentl evil”, de 2002; “Avatar”, de 2009 e “Resident evil: Retribution”, de 2012) como Leticia “Letty” Ortiz, esposa de Dom que sofre de amnésia temporária. Nathalie Emmanuel (“Twwnty8k”, de 2012; e “Games of thrones”, de 2013) como a toda linda hacker Megan, criadora do programa “Olho de Deus”, que consegue acessar  todas as câmeras de vigilância e celulares do mundo. Participação de Kurt Russell (“Fuga de Nova York”, de 1981; “Stargate”, de 1994; e Vanilla Sky”, de 2001) de Mr.Nobody.

Na trama, a equipe motorizada de Dom precisa resgatar a hacker, que está nas mãos de uma gangue também motorizada, e o dispositivo contendo o programa Olho de Deus, para deixarem de ser a caça e virarem caçadores do vilão vingativo e explosivo Deckard. Além das várias explosões, muitos tiros e lutas corporais eles encenam um salto de um avião, com seus carros mexidos, de paraquedas.  A seguir, aterrissam em estrada sinuosa no alto de montanha no Azerbaijão entre floresta e precipícios. Aprontam na festa de arromba do príncipe árabe (estilo ostentação) conseguindo, com um super-carro (Lykan Hypersport – de 0 a100 Km/h em menos de 3 segundos e valor US$ 11 milhões),  voar entre o alto de três torres em Dubai, acabando em uma galeria de arte da terceira torre, atropelando estátuas de terracota chinesas. O grand finale fica para as cenas noturnas nas ruas de Los Angeles, onde a equipe está em casa. A disputa entre a turma de Dom e os vilões, envolve carros preparadíssimos (claro), drones e helicópteros hiper armados. As perseguições e combates destroem com força as ruas e prédios da cidade para no final amansar em uma praia pacata da República Dominicana. Os efeitos convincentes em 3D, os super-carros, as locações, as lindas moças e o número generoso de cenas de ação com lutas entre os fortões, tiroteios, explosões e perseguições com destrezas surreais, deixam os espectadores fixados na tela.

A antiga fórmula da franquia continua dando  certo. Acrescido da comoção com o falecimento do astro Paul Walker, “Velozes e Furiosos 7”  se transformou correndo (com trocadilho) no líder de bilheteria 2015 em mais de 67 países, e a arrecadação já passa do bilhão de dólares. Pule de 10 a produção de 8º filme.

Seguro que a diversão e adrenalina são garantidas.

 

Mateusinho viu

 

Publicado ontem na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Soffiati, meu capitão, lança livros sobre Sete Capitães e manguezais

Charge de Marco Antonio Rodrigues
Charge de Marco Antonio Rodrigues

A vantagem de uma formação autodidata é a livre escolha dos mestres. A maior parte dos meus, conheci apenas pelas obras, sem qualquer dimensão pessoal que as excedesse. Rara e prazenteira exceção é o historiador, professor, escritor, ambientalista e crítico de cinema Aristides Soffiati, sujeito que amo como a um irmão e respeito como maior intelectual vivo destas terras de planície cortadas pelo Paraíba do Sul. Por e-mail, ele avisa que estará lançando dois livros no próximo dia 8 de maio, a partir das 17h30, no auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, da qual se aposentou como professor: “Roteiro dos Sete Capitães” e “Pé no Mangue”.

O primeiro se trata de uma análise crítica, sob a ótica da história e da geografia, do documento original do séc. XVII no qual um escrivão anônimo narra as três expedições portuguesas sobre as terras que depois viriam a se tornar Campos dos Goytacazes. Soffiati, a quem não sem motivo chamo de meu capitão, refez a pé, nos anos 1980, o roteiro daqueles que nos colonizaram mais de 300 anos antes, e assina o livro junto com Adelmo Henrique Daumas Gabriel, Margareth da Luz, Roberto B. Freitas, Fabiano Vilaça dos Santos e Paulo Kanus. O segundo é uma coletânea de artigos acadêmicos sobre uma das obsessões de Aristides: os manguezais, berçários da vida do rio e do mar.

Confira abaixo as capas dos livros e o vídeo da pertinente cena final do filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989), do mestre australiano Peter Weir:

 

Roteiro dos Sete Capitães

 

 

Pé no Mangue - capa

 

 

 

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