Artigo do domingo — Onde já teve curral, coronel se acostuma com a vaca no brejo

(Charge do José Renato publicada na Folha em 03/10/14)
(Charge do José Renato publicada na capa da Folha de 03/10/14, dois dias antes do primeiro turno da eleição a governador do Rio)

 

 

Jornalista e blogueiro Arnaldo Neto
Jornalista e blogueiro Arnaldo Neto

Vacas magras a caminho do brejo

Por Arnaldo Neto

 

Ao ouvir 426 eleitores de Campos em abril deste ano, o instituto Pro4 constatou queda acentuada na popularidade da prefeita Rosinha Garotinho, falta de confiança, desaprovação (aqui) ao seu modo de governar, percepção de desonestidade e convicção (aqui) de má aplicação dos recursos dos royalties do petróleo. Rosinha chegou aos seus piores índices de rejeição, inclusive comprometendo o projeto de sucessão municipal, ao ponto que (aqui) 65% dos eleitores não votariam em um candidato com seu apoio. Fato que acende um sinal de alerta entre os rosáceos que vislumbram a disputa e, para tal, contariam com o aporte do grupo que venceu praticamente todas as eleições municipais nos últimos 26 anos. No entanto, o perfil do eleitorado mudou, assim como a força de alguns lideres políticos, e ser candidato com a chancela rosácea não seria um bom negócio.

A tropa encabeçada por Anthony Garotinho, atual secretário de Governo da esposa, apresenta índices de rejeição mais altos entre os eleitores que têm curso superior e piora à medida que a renda é mais elevada, segundo os números do Pro4. O fenômeno não é novidade para os líderes do grupo, pois já o enfrenta há muitos anos na capital fluminense, desde que ainda residiam no Palácio Guanabara. Prova disso foi o resultado da eleição do ano passado, quando pelos votos dos cariocas, o então deputado ficou apenas na quarta colocação.

Independente de classe social, a pesquisa aponta em seu quadro geral que a maior parte dos campistas espera (aqui) do próximo prefeito uma mudança total na forma de administrar. O desejo total de mudança, menos de três anos após a prefeita ter sido reeleita em primeiro turno, só pode refletir o descontentamento do seu próprio eleitorado, já que também é acusada (aqui) de não ter cumprido nada ou a maior parte daquilo que prometeu para conquistar votos. Outro fator que pode resumir o porquê do acúmulo de rejeição foi exposto pela pesquisa (aqui) em uma matemática bem simples: a cada 10 campistas, menos de um acredita que a cidade esteja melhorando.

Fragilizado eleitoralmente desde que seu líder foi derrotado por duas vezes em 2014, o grupo rosáceo, com os números da Pro4, sofre mais um duro golpe. No ano passado, a primeira derrota foi a de não ter chegado (aqui) sequer ao segundo turno da disputa pelo governo do Rio. A outra, no mesmo pleito, foi declarar apoio ao senador Marcelo Crivella e, mesmo com a máquina na mão, não ter cumprido (aqui) a promessa de lhe dar a vitória em Campos, sendo derrotado pela oposição que se uniu em torno da campanha do governador Luiz Fernando Pezão.

As sucessivas pancadas atingem em cheio as aspirações do grupo em fazer seu sucessor. A situação fica ainda mais delicada ao se deparar com a péssima avaliação de Rosinha, que de novembro de 2014 para o mês passado teve queda de 7,7% entre os eleitores que avaliam seu governo como ótimo e bom, que agora são 26,3%; concomitante ao crescimento de 12,7% entre os que o consideram ruim e péssimo, que chega a perigosos 39,7%. E a gestão ainda enfrenta queda de arrecadação dos royalties, a principal fonte dos cofres municipais, sem falar no desgaste com o servidor público, ao qual nega um reajuste anual previsto na Constituição, episódio que deve piorar a avaliação da imagem da prefeita.

Até o povo voltar às urnas para escolher o sucessor de Rosinha, após pesquisas assinalarem seu alto índice de rejeição e a quem quer que ela apoie, há muita água para correr pelo rio. Mas daria para ter esperança, já que o velho Paraíba — assim como os polpudos recursos dos royalties — não se recuperou da seca dos últimos meses e na administração pública o período é de vacas magras? Parece inevitável: os números e a atual conjuntura apontam que onde já foi seu curral eleitoral, tem coronel que se prepara para assistir a mais uma vaca ir para o brejo.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Hoje e para 2016, pesquisas revelam decadência dos Garotinho em Campos

Souza 1
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

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Por Aluysio Abreu Barbosa, Arnaldo Neto e Mário Sérgio Junior

 

Seja na oposição local, ou até mesmo nos nomes de maior destaque no grupo político dos Garotinho, como o deputado estadual e primeiro secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Geraldo Pudim (PR), o garotismo encerrou um ciclo histórico em Campos, desde que chegou ao poder pela primeira vez em 1989 e lá se manteve nos últimos 26 anos. Mas enquanto o deputado prega a renovação dentro do seu próprio grupo, visando sua sobrevida já com chances de êxito na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho em 2016, qualquer um que ler as pesquisas mais recentes dos institutos Pro4 e Pappel, ambas feitas no município durante o mês de abril, pode ser levado a crer de que a avaliação do grupo governista junto ao povo, hoje, atravessa sua pior fase desde que os garotistas retomaram a Prefeitura em 2009, após uma brilhante campanha eleitoral em 2008.

De lá para cá, o fato é que 54% dos campistas atualmente não aprovam (aqui) a maneira como seu município tem sido governado, 57,5% não confiam na pessoa de Rosinha, 50,2% acreditam (aqui) que a prefeita não cumpriu nada (20,2%) ou a maior parte (30%) das suas promessas de campanha, 71,3% acham (aqui) que a cidade está parada (58,9%) ou regredindo (12,4%), quadro de estagnação que a fatia mais numerosa (33,1%) joga na conta da Prefeitura. Esta por sua vez, aplica mal os bilionários recursos dos royalties para 81,2% da população, cuja administração municipal é considerada (aqui) desonesta para 49,5%.

A soma de tantos indicativos negativos na percepção de um governo junto ao povo que deveria ser por ele representado, parece ser a causa das projeções sombrias ao futuro do grupo em 2016: 65,5% dos campistas hoje dizem (aqui) que não votarão em nenhum candidato apoiado por Rosinha quando, daqui a menos de um ano e meio, chegar o momento de sucedê-la. O motivo, através do extenso detalhamento feito pelo Pro4, parece simples: 66,7%, quase o mesmo percentual de quem se nega a votar nos rosáceos, querem (aqui) que o(a) próximo(a) prefeito(a) de Campos mude totalmente (33,8%) ou a maior parte (32,9%) das práticas hoje adotadas por quem governa de direito, e de fato, o município.

Todos esses dados foram fruto do levantamento do Pro4, que pormenorizou sua consulta junto a 426 entrevistados, entre 6 e 24 de abril. Realizada no mesmo mês, a pesquisa do Pappel ouviu 910 pessoas para achar números finais ainda piores aos Garotinho. Segundo sua amostragem, descontados a neutralidade do regular para 37,06%, a avaliação popular do governo Rosinha hoje teria 43% de ruim (11,72%) e péssimo (31,28%), contra apenas 19,9% de bom (15,5%) e ótimo (4,4%). Nesse mesmo questionário clássico, desconsiderando-se o regular (31,9%) como mandam os especialistas, o Pro4 aferiu que os donos do poder em Campos têm hoje 39,7% de ruim (13,4%) e péssimo (26,3%), diante de somente 26,3% de bom (22,8%) e ótimo (3,5%).

Apesar das diferenças em alguns números, na tradução lógica do que há de comum nessas duas pesquisas feitas no mesmo período, hoje quatro em cada 10 campistas consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo. Na outra ponta, o resultado também é preocupante ao garotismo, pois em ambas as consultas o movimento que governa Campos há 26 anos aparece muito aquém dos 35% de bom e ótimo recomendáveis pelos especialistas para quem busca a reeleição. E, como todos sabem, Rosinha não poderá tentar se reeleger. De fato, segundo o Pro4, apenas um em cada 10 campistas deseja a continuidade integral do atual modelo de gestão no município.

Mas embora o antigarotismo esteja hoje presente em todas as faixas de idade, sexo, escolaridade e renda dos campistas, o Pro4 não deixa dúvidas onde ele está mais enraizado. Entre os 65,5% que declararam a intenção de não votar em 2016 em nenhuma candidato a prefeito(a) apoiado por Rosinha, 68,7% são homens, 69,6% são jovens entre 16 e 24 anos, 90% têm curso superior e 92,9% ganham acima de cinco salários mínimos.

 

Oposição e situação repercutem os números das pesquisas

 

Da esq. à dir., em cima: Fábio Ribeiro, Fred Machado, Dr. Chicão, Marcos Bacellar, Abdu Neme e Rafael Diniz. Embaixo: Mauro Silva, Marcão, Bruno Dauaire, Papinha, Paulo Feijó e Roberto Henriques (motagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Da esq. à dir., em cima: Fábio Ribeiro, Fred Machado, Dr. Chicão, Marcos Bacellar, Abdu Neme e Rafael Diniz. Embaixo: Mauro Silva, Marcão, Bruno Dauaire, Papinha, Paulo Feijó e Roberto Henriques (motagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Não dá para falar de desonestidade. O governo Rosinha foi o único, depois de 10 anos, que teve as contas aprovadas. E os royalties são bem aplicados, como no Bairro Legal”

(Fábio Ribeiro, PR, secretário de Administração)

 

“Quem sou eu para dizer se o governo é ou não desonesto? Temos que cobrar dos órgãos de fiscalização. Existe obra orçada em R$ 10 milhões e já está em R$ 17 milhões”

(Fred Machado, PSD, vereador)

 

“A cidade é outra. Seja na questão da mobilidade urbana; Guarus e Donana foram transformadas. Falar que a cidade está parada ou regrediu, eu não vejo dessa maneira”

(Dr. Chicão, PP, vice-prefeito)

 

“A cidade está parada desde o ano passado. Eles dizem que entregam obras, mas estão todas atrasadas. O que eu ouço na rua, é que o ciclo de Garotinho acabou”

(Marcos Bacellar, SD, ex-vereador)

 

“Essa pesquisa mede um momento. É no Brasil que nenhum político é bem avaliado. Agora, dizer que a prefeita não cumpre nada do que prometeu, eu discordo”

(Abdu Neme, PR, vereador)

 

“Ao invés de cumprir com o que prometeu, diminuindo a máquina administrativa, aumentou e inchou ainda mais, gerando gastos e mais gastos”

(Rafael Diniz, PPS, vereador) 

 

“O sentimento das ruas não é o mesmo que mostra a pesquisa. Não retrata o que eu vejo nas ruas, durante eventos nas quais acompanho a prefeita”

(Mauro Silva, PT do B, líder da bancada governista na Câmara )

 

“A pesquisa espelha o que a gente tem visto nos bairros, escolas, postos de saúde. Encontramos uma insatisfação enorme e uma imensa vontade de mudança”

(Marcão Gomes, PT, vereador)

 

“Quando se tem em uma pesquisa que 92,9% vão votar no candidato da oposição, com a experiência que tenho em campanhas, são números que jamais se confirmariam”

(Bruno Dauaire, PR,deputado estadual)

 

“Isso é resultado de obras paradas, mau atendimento na saúde, os índices ruins no Ideb. Campos teve mais de R$ 15 bilhões de 2009 pra cá e a gente não vê mudança”

(Papinha, PP, deputado estadual)

 

“Por conta dessa crise sem precedente, que afeta não só o município, pouca gente está satisfeita. Acredito que Campos esteja refletindo esse descontentamento”

(Paulo Feijó, PR, deputado federal)

 

“Penso que a população está amadurecida para não cair em conversa afiada de pessoas que estão na oposição ao governo atual, mas não de governos anteriores”

(Roberto Henriques, PSD, suplente de deputado estadual)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Poema do domingo — O Monstrengo

Sujeito viajado e dono de uma cultura geral muito boa para alguém que confessamente não lê livros, meu irmão Christiano certo dia me enchia o saco com a preponderância que ele enxergava em D. Manuel I (1469/1521), O Venturoso, nas navegações portuguesas, sobre seu primo e antecessor no trono lusitano, D. João II (1455/1495), O Príncipe Perfeito. Argumentei que foi no reinado deste que Bartolomeu Dias (1450/1500) dobrou o Cabo das Tormentas, depois disso chamado Da Boa Esperança, transformando o sul da África em porta de conjugado escancarada entre os oceanos Atlântico e Índico.

Tampouco bastou argumentar que no período de D. João II as navegações eram comandadas por navegadores, não por fidalgos (filhos d’algo ou d’alguém), como passaram a ser após D. Manoel assumir a coroa portuguesa e promover as pazes com seus nobres, que passariam a liderar as expedições seguintes, como seria o caso daquela confiada ao fidalgo Pedro Álvares Cabral. Nesta, na posição subalterna amargada durante todo o período manuelino, por ser “apenas” navegador, não um “filho d’algo”, Bartolomeu Dias faria amizade com os índios no litoral da Bahia, após arpoar um tubarão e dá-lo de presente ao povo nativo da recém-achada Terra de Vera Cruz, como narrou com riqueza de detalhes Pero Vaz de Caminha, escrivão da certidão de nascimento do Brasil — única na história das pátrias.

Bartolomeu se despediria do nosso litoral para encontrar morte das mais trágicas na história da aventura humana, no mesmo cabo em que pavimentou sobre as águas o domínio do Ocidente sobre o mundo, no meio milênio seguinte, mas sem nunca chegar ele mesmo às Índias — Moisés jazido marinho e virgem de Canaã.

Como Christiano insistia no ponto de vista endossado na sua visita ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, onde está o túmulo de D. Manuel, mas não ao Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na cidade de Batalha, ao meio do caminho entre Lisboa e Coimbra, no qual repousa D. João II, apeei da infrutífera argumentação em prosa. Em seu lugar, passei a recitar ao meu irmão, não sem emoção, a estrofe final do poema “O Monstrengo”, que acabei decorando involuntariamente após tanta ouvi-lo num CD, na interpretação marcante de Paulo Autran.

Na verdade, trata-se do quarto poema de “Mar Portuguez”, segunda parte do livro “Mensagem”, vencedor do prêmio Antero de Quental e único de Fernando Pessoa (1888/1935) publicado no seu tempo de vida, em 1934, um ano antes da sua morte. Quando eu mesmo estive em Portugal, em 2004, numa livraria do Chiado, em Lisboa, cheguei a ter nas mãos trêmulas uma edição da “Mensagem” autografada pelo próprio Pessoa. Foi uma emoção tão grande quanto, no já citado Jerónimos, ver o seu túmulo e o de Camões (1524/80), ao lado de Vasco da Gama (1460/1524), de D. Manuel e da urna até hoje vazia de D. Sebastião (1554/88), O Desejado, cuja crença mística no retorno seria uma das principais causas da Guerra de Canudos (1896/97) — no sertão da mesma Bahia cujo litoral fôra descoberto quase 400 anos antes por Bartolomeu —, e à qual o autor de “Mensagem” dedicou toda a terceira e última parte do seu poema.

Especificamente em relação a “O Monstrengo”, desde que o li pela primeira vez seus versos, na impressão reforçada ao tímpano pela voz poderosa de Paulo Autran, sempre quando encaro um desafio cuja consciência racional adverte me exceder as capacidades, ecoo a última estrofe dentro do crânio como mantra e tento me segurar a esse leme no qual sou maior do que eu, o leme de um povo que quer um mar: o leme De El-Rey D. João Segundo!

 

O monstrengo

 

 

IV. O Monstrengo

 

O mostrengo que está no fim do mar

Na noite de breu ergueu-se a voar;

À roda da nau voou três vezes,

Voou três vezes a chiar,

E disse: “Quem é que ousou entrar

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?”

E o homem do leme disse, tremendo:

“El-Rei D. João Segundo!”

 

“De quem são as velas onde me roço?

De quem as quilhas que vejo e ouço?”

Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.

“Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse

E escorro os medos do mar sem fundo?”

E o homem do leme tremeu, e disse:

“El-Rei D. João Segundo!”

 

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:

“Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quer o mar que é teu;

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!”

 

 

Confira o poema, verso a verso, na interpretação definitiva de Paulo Autran:

 

 

 

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Crítica de cinema — Lata velha

Cinefilia

 

Super velozes e mega furiosos

 

Mateusinho 1Super velozes e mega furiosos — Em cartaz desde a última quinta-feira no Kinoplex Avenida, “Supervelozes e megafuriosos” (“Superfast!”) é mais uma comédia montada a partir da sátira a filmes “sérios” de sucesso — no caso, os da franquia “Velozes e furiosos”, agora no sétimo episódio, o de maior êxito comercial, também em exibição em salas de projeção de Campos há mais de um mês.

Roteirizado, produzido e dirigido por Aaron Seltzer e Jason Friedberg, engrossa a lista de longas-metragens sob o comando da dupla na vertente de paródias: “Uma comédia nada romântica” (“Date movie”, 2006), “Deu a louca em Hollywood” (“Epic movie”, 2007), “Espartalhões” (“Meet the spartans”, 2008) “Super-heróis e a Liga da Injustiça” (“Disaster movie”, 2008), “Os vampiros que se mordam” (“Vampires suck”, 2010) “Jogos famintos” (“Starving games”, 2013). Trata-se, portanto, de um (sub)gênero bem familiar ao público de cinema dos últimos anos no Brasil e no mundo, mas de origens mais remotas, e que, apesar de apresentar uma fórmula desgastada, poderia até render algo melhor (ou menos pior) na trama ora em questão.

Por aqui, no final dos anos 1960 e por toda a década seguinte, a partir de um formato adaptado das comédias populares italianas da época, vários filmes de baixo orçamento plasmaram o que se convencionou chamar de pornochanchada. Com o humor popularesco das chanchadas (transposições do teatro de revista para a tela grande) e a deformação da nudez e do erotismo presentes em fitas do cinema novo, alguns títulos dessa linha até pegaram carona em sucessos estrangeiros de público e crítica. Assim, “Laranja mecânica” (“A clockwork orange”, 1971), de Stanley Kubrick, e “Tubarão” (“Jaws”, 1975), de Steven Spielberg, tornaram-se “Banana mecânica” (1974), de Braz Chediak, e “Bacalhau –Bacs” (1976), de Adriano Stuart.

Na década seguinte, crises econômicas que atingiram produtores e espectadores do cinema nacional e o êxito dos Estados Unidos com filmes-catástrofe e seriados televisivos (estes, apelidados no Brasil de enlatados) passaram a trazer, com regularidade, outro tipo de sátira às salas de projeção da antiga Terra de Vera Cruz: os spoof movies. Foi a saturação da franquia Aeroporto (Airport, 1970 – longa estadunidense da linha catastrofista com três sequências até 1979) que gerou, com “Apertem os cintos… o piloto sumiu” (“Airplane!”, 1980), o filão da paródia (spoof) de arrasa-quarteirões. Juntos ou separados, os pilotos de “Airplane!” (com uma continuação, em 1982), Jim Abrahams e os irmãos Zucker (David e Jerry), assinaram as melhores produções de zombaria com o cinema-pipoca e enlatados: “Top secret!” (1984); os dois primeiros “Corra que a polícia vem aí” (“Naked gun”, 1988, 1991); “Top gang!” (“Hot shots!”, 1991).

Com prazo curto ou curtíssimo de validade, spoof movies (principalmente os deste século, impulsionados pela cinessérie “Todo mundo em pânico” (“Scary movie”), que reabilitou o subgênero, após certo recesso nos anos 1990, são como as antigas chanchadas e suas matrizes no teatro. Estas, nos palcos, passavam em revista os fatos históricos mais pitorescos — narrados nas telas, com o auxílio de marchinhas carnavalescas, por exemplo. Já os filmes de paródia, além de apresentarem piadas muitas vezes mais ao gosto do público estadunidense que ao do brasileiro — justificando-se, talvez por isso, o pífio investimento em terras tupiniquins nessa linha cinematográfica, que praticamente se restringiu a “Copa de Elite”, 2014 — muitas vezes não se concentram em produtos do gênero que anunciam parodiar (“Meet the spartans” parte de 300 somente para aludir a toda sorte de sucessos da temporada, “Date movie” não é só sobre comédias românticas…).

Neste sentido, em “Super velozes e mega furiosos”, várias referências são abrasileiradas, mesmo que ao preço da desatualização — fala-se em Ana Maria Braga, Felipe Dylon, dança da boquinha da garrafa —, e é sintomático que o longa só esteja sendo exibido em sua versão dublada em português (pretende-se, com isso, além de tudo, atingir apenas espectadores menos exigentes?). Para piorar, embora algumas atuações sejam até divertidas — caso das interpretações de Dale Pavinski, para o personagem de Vin Diesel (mais expressivo que o original!), de Andrea Navedo, para o da sua namorada durona dele e de Dio Johnson, para o do de ex-The Rock —, a trama se concentra, basicamente, nos dois primeiros episódios da franquia de que debocha, deixando de lado todas as produções que, influenciadas ou não pelo universo “Fast & furious”, surgiram ou ressurgiram desde o inicio deste milênio (“Carga explosiva”, “Corrida mortal”, “Racha”).

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Maior parte dos campistas acha que governo Rosinha desperdiça os royalties e é desonesto

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto 

 

Para 81,2% dos campistas, o dinheiro dos royalties não é bem aplicado pelo governo Rosinha Garotinho (PR), que por sua vez é considerado desonesto para 49,5% da população. Estes foram alguns dados apontados pela pesquisa do instituto Pro4, que entre 6 a 20 de abril aprofundou-se em entrevistas detalhadas com 426 pessoas, com uma margem de erro de 4,7% para mais ou menos nos resultados finais.

Feita no mesmo período de abril, uma consulta menos aprofundada, mas ouvindo 910 pessoas, foi também feita pelo Pappel, outro instituto de pesquisa local. Apesar de alguma diferença nos números da avaliação clássica de governo entre ótimo, bom, regular, ruim e péssimo, ambos constataram  (aqui) que hoje, quatro em cada 10 campistas consideram a administração Rosinha ruim ou péssima —  na soma, 39,7% para o Pro4 e 43% para o Pappel, cujos números foram sempre um pouco piores para os Garotinho.

Na maior riqueza de detalhes revelada pelo Pro4, em relação à aplicação dos royalties pelo município de Campos, só 14,3% consideram que as bilionárias verbas de indenização pela exploração do petróleo são bem aplicados pelos rosáceos, enquanto 4,5% não souberam ou quiseram responder. Sobre a sensação de honestidade do governo municipal, uma minoria de 32,2% da população o considera probo, ao passo que 18,3% não souberam ou quiseram dar nenhuma resposta.

Na mesma pesquisa da Pro4, revelada numa série de matérias iniciada pela Folha no último domingo (03/05), resposta deram os 54% da população que (aqui) não aprovam a maneira como seu município vem sendo administrado, os 57,5% que não confiam na pessoa de Rosinha, os 65,5% que (aqui) não querem votar em nenhum candidato por ela apoiado na hora de sucedê-la, os 66,7% para quem (aqui) o próximo governo de Campos terá que mudar tudo (33,8%) ou a muita coisa (32,9%) a partir de 2017, os 50,2% que acham (aqui) que a atual prefeita não cumpriu a maior parte (30%) ou nada do que prometeu em campanha, além dos 71,3% dos campistas que (aqui) vêem Campos parada (58,9%) ou regredindo (12,4%) sob o atual governo.

Em todos os resultados, as taxas de reprovação se tornam mais negativas entre aqueles que têm curso superior e renda acima de cinco salários mínimos, reforçando com endosso estatístico o que sempre foi uma impressão generalizada desde a ascensão do garotismo ao poder em Campos, em 1989, justamente quando o município começou a receber os royalties do petróleo: quem estuda e ganha mais, não vota no grupo que domina o município há 26 anos.

 

Info Pro4 09-05-15 (2)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. – clique na imagem para ampliá-la)

 

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Info Pro4 09-05-15 (5)
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Garotismo acabou ou ainda anda sobrevive?

Ex-vereador Marcos Bacellar (SD) e o vive-prefeito Chicão de Oliveira (PP)
Ex-vereador Marcos Bacellar (SD) e o vive-prefeito Chicão de Oliveira (PP)

Os dados da pesquisa realizada pelo instituto Pro4, revelados na edição de ontem, mostraram (aqui) que para maioria dos campistas a cidade está parada (58,9%) ou regredindo (12,4%). A culpa pela regressão, aos olhos dos campistas, é dividida entre a prefeita e a presidente Dilma Rousseff (PT). O vice-prefeito Dr. Chicão (PP) põe em xeque a expertise do instituto, por não o conhecer, mas acredita que, “existe um desgaste em nível nacional na classe política, devido à crise financeira nacional e estadual, que reflete na ponta, nas cidades”. O ex-vereador Marcos Bacellar fala em paralisação no país, ressaltando que é mais acentuada na cidade “governada por Rosinha e Garotinho”.

Chicão não quis contestar a veracidade da pesquisa, apenas afirmou diversas vezes não conhecer o instituto. Quanto ao resultado divulgado ontem, apontou que sua avaliação é diferente. “A cidade é outra. Seja na questão da mobilidade urbana; Guarus, Donana, a Baixada foram transformadas. Falar que a cidade está parada ou regrediu, eu não vejo dessa maneira”, avaliou o vice-prefeito.

Já o ex-vereador Bacellar, confia no aumento da rejeição e acredita que esse desgaste vai se refletir nas eleições. “A cidade está parada desde o ano passado. Eles dizem que entregam obras, mas estão todas atrasadas. O que eu ouço na rua, é que o ciclo de Garotinho acabou. Ele perdeu o faro para política. Não tem ninguém que ele possa indicar que vença a eleição”, decretou Bacellar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Fernando Calazans — Messi e ninguém mais

Aqui, escrevi ainda entorpecido pelo espetáculo que Leo Messi proporcionara minutos antes, na última quarta (06/05), na vitória do Barcelona sobre o Bayer de Munique pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa. No dia seguinte, ontem foi a vez de mestre Fernando Calazans fazer o mesmo, pelo mesmo motivo, em sua crônica esportiva publicada hoje na Folha Da Manhã. Como o futebol de Messi, vale a pena conferir:

 

Messi após marcar seu segundo gol e do Barça, numa jogada genial, na vitória de 3 a 0 sobre o Bayer de Munique, na última quarta
Messi após marcar seu segundo gol e do Barça, numa jogada genial, na vitória de 3 a 0 sobre o Bayer de Munique, na última quarta

 

Jornalista Fernando Calazans
Jornalista Fernando Calazans

Messi e ninguém mais

Por Fernando Calazans

 

Minha dúvida é se o placar que melhor exprime o grande jogo é Barcelona 3 x 0 Bayern de Munique ou Messi 2 x 0 Bayern de Munique. Fiquemos com o 3 a 0 do Barça, para não anular o gol do nosso Neymar, muito bem feito, e não por acaso em passe de Messi, mais um. Mas foi Messi, o melhor jogador do mundo, que destruiu o Bayern de Pep Guardiola, na primeira partida da semifinal da Liga dos Campeões.

Messi, e ninguém mais. Quanto a essa última afirmação, não tenho dúvida alguma. Era um jogo equilibrado, de marcação implacável inclusive na frente, posse de bola em igualdade, bem jogado, bem disputado e, vejam só que graça, sem chutões pra lá e pra cá.

Apesar de tão interessante, sem gol. Porque Barcelona e Bayern souberam dificultar a vida, um do outro. É bem verdade que o primeiro tempo só terminou sem gol, porque o goleiro do time alemão é Neuer, o Muro de Munique. É goleiro e é líbero, excepcional em qualquer das funções. Apesar do equilíbrio, e da pouca produtividade de Suárez e Neymar, as jogadas mais perigosas eram do Barcelona, que entretanto paravam nas mãos — e nos pés — de Neuer.

Assim prosseguiu pelo segundo tempo adentro, até até que o Bayern se sentiu na obrigação de procurar mais o gol, e o Barcelona começou a explorar o contra-ataque. E prosseguiu até o momento em que Messi se conscientizou da necessidade de decidir a parada, em sua casa e diante de sua torcida em festa, no Camp Nou.

Aos 32 minutos, Daniel Alves brilhou pela direita e deu o passe para Messi, que teve tempo para ajeitar a bola e desferir o chute que nem Neuer conseguiu pegar.

E, não mais do que três minutos depois, Messi enriqueceu sua obra de artilheiro, entre outros atributos. Partiu com a bola na direção do gol, com um drible deixou o Boateng da seleção alemã estatelado na sua área e com uma cavadinha encobriu Neuer, da mesma seleção, numa jogada de genialidade. Teria sido então Messi 2 x 0 Seleção alemã?

Como se tornou público, até aquele ponto Pep Guardiola estava conformado, com esperança de reação no segundo jogo, semana que vem, em Munique. Pois nem isso Messi se dispôs a conceder a seu ex-treinador. Nos acréscimos, com um passe vertical, fez Neymar, seu parceiro, correr livre até a área e tocar fora do alcance de Neuer: 3 a 0.

O futebol, quando quer, sabe ser impiedoso: o maior nome do jogo no primeiro tempo — Neuer — levou três gols no segundo. A Guardiola resta agora não mais do que um tênue fio de esperança. Os dois, e mais o Bayern de Munique, estão pagando o preço de desafiar Messi.

 

Melhor do mundo 

Não entendia bem quando a mídia se referia a Cristiano Ronaldo como “melhor jogador do mundo”. É certo que ele tinha recebido por dois anos seguidos, 2013 e 2014, a Bola de Ouro da Fifa. Não é pouco. Mas acho que quem escrevia ou dizia “o melhor jogador do mundo” devia especificar que era naquele ano, ou naqueles anos, através do prêmio da Fifa. E não dizer simplesmente que ele era (ou é) “o melhor do mundo”.

Por quê? Porque quem sabe alguma coisa de futebol sabe também que o melhor jogador do mundo NÃO é Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo é muito bom, é ótimo, é craque. Mas ser craque, ser ótimo, ser muito bom — tudo isso é pouco perto de Lionel Messi.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Rafael Diniz — Graças ao “desvairado que não coube em si”

Diretor de teatro, carnavelsco, turismólogo e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi
Diretor de teatro, turismólogo e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi

 

 

Advogado e vereador Rafael Diniz
Advogado e vereador Rafael Diniz

“O desvairado que não coube em si”

Por Rafael Diniz

 

Há pouco mais de um mês, a cidade de Campos perdeu um dos grandes nomes responsáveis pelo fomento de sua vida cultural: Antônio Roberto de Góis Cavalcanti. Kapi, como carinhosamente era conhecido, foi diretor de teatro, ator, poeta, carnavalesco e turismólogo, acumulando em seu vasto currículo mais de 100 peças encenadas. Em seus trabalhos, o amante de Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade buscava sempre valorizar elementos culturais e turísticos da região. No premiado poema “Goya Tacá Amopi”, Kapi transforma em verso seu lamento ante toda a sorte de maus tratos que subjugaram os habitantes que viveram nessas terras, os filhos da “planície goytacá”— desde os indígenas, até os nossos atuais concidadãos — e um chamado para um “tomar de rédeas” do povo campista na condução dos rumos de nossa História.

Artista politicamente comprometido com seu entorno, Kapi foi um defensor da popularização da arte. Criticava o fato da cena cultural campista não receber os incentivos financeiros necessários para o seu definitivo desabrochar e amadurecimento. Em sua última entrevista ao canal Plena TV (aqui), do Grupo Folha, Kapi queixou-se do parco orçamento destinado ao Fundo de Cultura do município, pasta que possui o encargo de estimular o desenvolvimento artístico e cultural em nossa cidade, cujo valor para o ano de 2015 não se sobrepõe ao valor gasto com um único show promovido durante o verão na Praia de Farol de São Tomé. “A cidade que não respeita e que não ama o seu artista, não merece existir”, sentenciou Kapi, neste último bate papo.

Como cidadão campista que sou, agradeço a Kapi pelos inestimáveis serviços prestados a esta cidade, ao fazer de sua genialidade artística um impulso de crescimento de nossa comunidade. Importante destacar que recebi com muito orgulho a confiança depositada por ele, quando este afirmou que acreditava no trabalho que venho desempenhando, como continuidade ao trabalho já iniciado anteriormente pelo meu avô e depois pelo meu pai. Com o incentivo das palavras de Kapi, sinto aumentar ainda mais a responsabilidade moral que carrego comigo de lutar pelo desenvolvimento da cultura de nossa cidade.

Aproveito para parabenizar o Grupo Folha pela iniciativa da entrevista e, em especial, o jornalista Aluysinho Barbosa pela excelente condução da mesma. Se não podemos ter Kapi para sempre entre nós, ao menos teremos eternizadas suas ultimas palavras, imagens e, principalmente, seus exemplos em defesa de Campos e de nossa cultura.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Crítica de cinema — Rascunho de bom cinema

De olhos bem abertos

 

 

Entre abelhas

 

Mateusinho 3Entre abelhas — As abelhas estão sumindo das colmeias, e ninguém sabe para aonde vão. O que lhe acontece a Bruno, o personagem de Fábio Porchat em “Entre abelhas” é diferente: ele passa a não enxergar às pessoas, embora saiba que elas estão lá.

O paralelismo que tenta estabelecer o filme, para justificar o título, parte assim de uma associação imprecisa. Seria um problema menor, que poderia ser atribuído a um capricho dos roteiristas (o próprio Porchat e o diretor Ian SBF) em tentar ornamentar o filme com uma alegoria que lhe forneça sustento ‘artístico’. A questão é, justamente, que tirando a premissa básica da história (sujeito que não enxerga pessoas) todo o resto é enfeite argumental. A partir do instante em que o Bruno suspeita ter um problema, o roteiro se dedicará a mostrar, primeiro, algumas situações que confirmem a sua ‘doença’. Depois, virão as tentativas de entender o porquê isso lhe está acontecendo, ajudado pela mãe (Irene Ravache, a melhor artista do filme).  Entretanto, as limitações de Porchat e SBF aparecem logo, a partir do instante em que não conseguem fazer a história avançar, e assim, na tentativa de rechear o filme com minutos, criam uma subtrama que não chega a lugar nenhum — o amigo que se envolve com uma amante supostamente grávida dele.

O estilo tragicômico alterna situações de comédia (Luis Lobianco utilizado como ‘porquinho da India’ pela mãe de Bruno na tentativa de descobrir o problema do seu filho) com cenas dramáticas que revelam um Porchat pronto para descolar a etiqueta de humorista e se adentrar em outras categorias interpretativas. Infelizmente, a direção de Ian SBF não conseguiu maneirar em duas obsessões muito presentes nas realizações nacionais: as alusões sexuais e os palavrões. Os diretores brasileiros deveriam entender que não estão obrigados a colocar nas suas obras tudo aquilo que a Globo proíbe nas suas novelas.

O último ato do filme é resolvido de forma tão abrupta quanto uma festa com hora marcada para finalizar. O final, embora ‘aberto’ (outra moda contemporânea) fornece algumas pistas para que o espectador possa interpretar o que lhe aconteceu a Bruno, especialmente ao se reparar na música dos créditos finais. Mas o desfecho chega ao público antes que este possa criar alguma empatia com os envolvidos.

Porém, todos os defeitos no roteiro e na direção acima apontados se originam de uma nobre decisão, que é a de fazer um tipo de cinema diferente daquilo que hoje se realiza no Brasil. A despeito do sucesso e a popularidade de ‘Porta dos Fundos’, os autores assumiram o risco de se afastar daquele formato e daquele humor e apresentar uma comédia dramática, o que evidentemente traz conseqüências (por exemplo, com uma semana de exibição, uma parcela dos espectadores acharam que iam assistir um esquete prolongado de PdF, e saíram do cinema desapontados. Mas isto é problema do  espectador, não do filme).

Encarar uma história fantástica como a proposta em “Entre Abelhas” requer perícia na direção e no roteiro, dado que esse gênero está sempre desafiando os limites da lógica e da verossimilhança (um grande exemplo de filme fantástico bem realizado é “Feitiço do Tempo” de Harold Ramis, aquele onde o personagem de Bill Murray devia viver sempre um mesmo dia que se repetia eternamente). Enfrentar esse desafio, e ainda por cima evitar a tentação de trasladar automaticamente um sucesso para um outro formato, é uma decisão que merece ser aplaudida, embora a ousadia tenha alcançado apenas para fazer um filme aceitável. Tomara que “Entre Abelhas” seja o ensaio do grande filme fantástico brasileiro que ainda está a ser realizado.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

 

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Maioria dos campistas não vê progresso na cidade governada por Rosinha

Info Pro4 08-05-15
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto

 

Numa pesquisa onde 54% da população não aprovam a maneira como seu município tem sido administrado, 57,5% não confiam na pessoa da sua prefeita, 65,5% não querem votar em nenhum candidato por ela apoiado na hora de sucedê-la, talvez porque 50,2% creiam que sua governante não cumpriu a maior parte (30%) ou nada do que prometeu (12%) na última eleição, qual seria a sensação coletiva: a cidade está progredindo, parada ou regredindo? Segundo a consulta do instituto Pro4, realizada em abril com entrevistas detalhadas junto a 426 pessoas, 58,9% dos campistas acham que Campos está parada, enquanto estaria regredindo para 12,4% e progredindo apenas para 9,4% da população — expressivos 19,20% não souberam ou quiseram responder. Em outras palavras, na tradução lógica dos números, menos de um em cada 10 campistas acreditam que a cidade está melhorando sob o governo dos Garotinho.

Mas na investigação da causa dessa sensação majoritária de estagnação da cidade, a pesquisa coloca a prefeita Rosinha Garotinho (PR) dividindo parcialmente a culpa, aos olhos do povo campista, com outra governante reeleita e enfrentando sua pior crise de popularidade: a presidente da República Dilma Rousseff (PT). Se Rosinha nunca esteve tão mal na aprovação popular, desde que assumiu o governo de Campos pela primeira vez, em 2009, quando entregou seu diploma de prefeita nas mãos do marido Anthony Garotinho (PR), o mesmo se pode dizer de Dilma, desde que esta sucedeu seu “padrinho” Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência, em 2011.

Entre o eleitorado goitacá, 33,1% atribuem ao governo Rosinha, enquanto 28,9% ao governo Dilma, a razão do ritmo de desenvolvimento que enxergam hoje em sua cidade. Para outros 9,9%, a causa seriam os royalties do petróleo, ao passo que 1,9% identificam o Porto do Açu e 26,3% não souberam ou quiserem responder.

A traçar perfil do eleitor, como fez em todos os outros dados da pesquisa Pro4 revelados anteriormente pela Folha nesta série de reportagens iniciada no último domingo (03/05), o antigarotismo aparece mais uma vez cristalizado entre quem tem maior estuda mais e ganha melhor. Entre quem tem curso superior, 67,5% acham que Campos está parada, enquanto no extrato por renda o maior percentual dos que vêem a cidade regredindo (21,4%) apareça com quem ganha mais de cinco salários mínimos.

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

Governista e oposição comentam números

Os dados da pesquisa Pro4 divulgados na edição de ontem apontam que a maioria dos entrevistados acredita que Rosinha não cumpre promessas de campanha. O vereador Abdu Neme (PR), discorda, fala de obras realizadas, mas acredita que a rejeição à prefeita indicada pela mesma sondagem seja “reflexo de uma conjuntura nacional, na qual nenhum político é bem avaliado atualmente”. Por outro lado, Rafael Diniz (PPS) aponta que a Rosinha não proporcionou melhorias nas áreas de Saúde e Educação, entre outras, que eram tão criticadas pelo seu grupo político antes de ganhar a eleição de 2008.

Vereador da base governista, Abdu Neme avalia que a crise nacional e aumento de impostos, apontados como problemas de nível nacional, influenciam na sondagem.  “Essa pesquisa mede um momento. Não é só a prefeita de Campos, é no Brasil que nenhum político é bem avaliado. Agora, dizer que a prefeita não cumpre nada do que prometeu, eu discordo”, disse Abdu.

Rafael Diniz não acredita que seja uma questão nacional. Para o vereador, a população percebe que existem falhas na administração e vê que os compromissos não foram cumpridos. “Ao invés de cumprir com o que prometeu, diminuindo a máquina administrativa, aumentou e inchou ainda mais, gerando gastos e mais gastos. Essa má administração, falta de compromisso e respeito com cidadão, tudo isso leva à rejeição”, resumiu Diniz.

 

Vereadores Abdu Neme (PR) e Rafael Diniz (PPS)
Vereadores Abdu Neme (PR) e Rafael Diniz (PPS)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Fundação Municipal dos Esportes entre Neném e Garotinhos

Vereador Luiz Alberto Neném
Vereador Luiz Alberto Neném

 

“Venho recebendo em meu gabinete várias denúncias de irregularidades na Fundação (Municipal do Espotes, FME). Não estou contra o governo Rosinha (Garotinho, PR) e nem contra o secretário Pampa (presidente da FME). Estou a favor dos atletas e do esporte de Campos. Fui eleito com a bandeira do esporte e não posso, enquanto vereador, abrir mão do meu papel de fiscalizar”. Foi o que disse hoje Luiz Alberto Neném (PTB), vereador da base governista, que nas última sessões na Câmara tem adotado um tom mais crítico quanto ao governo municipal, sobretudo em relação à FME.

Neném foi vice do ex-presidente da FME Magno Prisco, o Maguinho, ex-atleta e empresário, durante todo o primeiro mandato de Rosinha, saindo só no período de desincompatibilização fixado em lei para se candidatar, e vencer, a eleição para vereador em 2012. No segundo mandato da prefeita, a partir de 2013, quando a FME passou a ser presidida por Pampa, ex-jogador de vôlei e campeão olímpico pelo Brasil em 1992, começou um processo de afastamento do vereador com sua antiga pasta, que agora ameaça a relação com o próprio governo. Atleta amador e empresário, Neném não poupa comparações entre a sua gestão com Magno Prisco na FME e a atual, sob comando de Pampa:

— Do início de 2009 ao fim de 2012, a Fundação recebeu R$ 14,485 milhões. Em 2013 e 2014, a Fundação já recebeu R$ 14,645 milhões de dinheiro público, cerca de R$ 180 mil a mais, na metade do tempo. Isso sem contar esses quatro primeiros meses de 2015, cujos gastos ainda não tive acesso. Mas o que foi feito nessa nova gestão? O que trouxe de novidade em relação ao que Maguinho e eu fizemos? Melhorou o esporte no município?

Cobrado por uma exemplificação que justificasse seus questionamentos, Neném citou o caso da Associação Brasil Olímpico. Segundo o vereador, ela foi criada em dezembro de 2013 e em abril de 2014 teve um convênio no valor de R$ 5,7 milhões firmado com a FME, com prazo até dezembro de 2016:

— Sob a presidência de Maguinho, a Fundação só firmava convênios anuais, que só seriam renovados, ou não, após ter um atestado de regularidade enviado pela secretaria de Controle. Até para evitar problemas e irregularidades com o dinheiro público, nunca fizemos convênios fora desses termos. E agora, como esse convênio vai até dezembro de 2016, quem fiscaliza se está tudo correndo corretamente? Ou fica para o próximo prefeito fiscalizar?

Neném foi um dos 11 vereadores que, em outubro do ano passado, logo após a derrota do então deputado federal Anthony Garotinho (PR) no primeiro e segundo turnos da eleição a governador, ameaçaram sair do governo e formar um bloco “independente”, mas depois não foram além da bravata. Relembre o caso aqui e aqui.

 

Leia mais sobre o assunto amanhã na edição impressa da Folha

 

 

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Maioria acha que Rosinha não cumpre promessas da eleição

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Mário Sérgio Junior

 

Como a Folha tem revelado numa série de matérias iniciada no domingo, com base em pesquisa realizada pelo instituto Pro4 no mês de abril, ouvindo 426 pessoas, a prefeita Rosinha Garotinho (PR) e seu governo enfrentam sua pior avaliação popular desde que ela assumiu a Prefeitura de Campos pela primeira vez, em 2009. Entre os campistas, 54% não aprovam a maneira como o município tem sido administrado, 57,5% não confiam na prefeita, 65,5% não votariam em 2016 no candidato apoiado por ela e 66,7% acham que o(a) próximo(a) prefeito(a) terá que mudar totalmente (33,8%) ou muita coisa (32,9%) em relação a governo atual. Ainda assim, em outro levantamento da consulta, Rosinha não foi tão mal: para 33,8% do povo ela estaria cumprindo a maior parte do que prometeu em campanha.

O percentual é o mais alto no questionário, completo pelos 12% que acham que Rosinha está cumprindo tudo, pelos 30% que acreditam que a prefeita não cumpre a maior parte, os 20,2% que disseram que ela não cumpriu nada, e os 4% não souberam ou não quiseram responder. Todavia, quando somados os percentuais positivos, os 45,8% que vêem o cumprimento de tudo ou da maior parte é inferior aos 50,2% cuja opinião negativa é de que a prefeita descumpriu tudo ou a maior parte das suas promessas.

Além do maior equilíbrio nos números, mesmo que na soma a avaliação popular negativa do governo supere mais uma vez a positiva, a questão do cumprimento ou não das promessas trouxe também uma pequena alteração no perfil do eleitor. Sempre fixado em renda mais baixa, a avaliação positiva de Rosinha subiu um pouco de patamar: quem mais acredita no cumprimento da maior parte das promessas (50,7%) têm renda familiar de dois a cinco salários mínimos. Já entre quem ganha até um salário, uma curiosidade: entre eles está tanto quem mais enxerga cumprimento integral das promessas (19,8%), quanto o maior número daqueles para quem a prefeita não está cumprindo nada: 22%.

Já quando a questão é escolaridade, repete-se uma impressão há tempos disseminada, mas agora confirmada por extenso detalhamento em números: quanto mais se estuda, menos se vota nos Garotinho. Verdadeiro bastião do antigarotismo em Campos, aqueles que têm curso superior mais uma vez lideram entre quem acha que a prefeita não está cumprindo nada (37,5%) ou descumprindo a maior parte (iguais 37,5%) das suas promessas. Na ponta oposta, os maiores percentuais de quem acha que Rosinha está cumprindo tudo (21,2%) ou a maior parte (47,5%) do que prometeu em campanha, estão respectivamente localizados entre escolaridades até a 4ª série e até a 8ª do ensino fundamental.

 

Info Pro4 07-05-15 (2)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

Visões diferentes sobre a voz das ruas

Enquanto para o deputado federal Paulo Feijó (PR) o resultado da pesquisa Pro4, que mostrou que para a maioria dos campistas o próximo prefeito de Campos terá que mudar totalmente em relação à atual, é reflexo do descontentamento fruto da crise nacional, o ex-deputado estadual Roberto Henriques (PSD) disse que a população campista está amadurecida para não aceitar a atual gestão nem para voltar ao passado.

Segundo o instituto Pro4, para 33,8% da população, o próximo prefeito de Campos terá mudar totalmente em relação à atual, enquanto 32,9% acham necessário mudar muita coisa, 18,3% defendem poucas mudanças e apenas 11,3% querem a continuidade do que hoje está. Do total de 33,8% que exigem mudança total do próximo governante de Campos em relação ao casal atual, 50% ganham acima de cinco salários mínimos, ao passo que 57,5% têm curso superior. Já entre quem quer poucas mudanças, os maiores percentuais se dão na ponta oposta: 31,8% entre aqueles que têm até o 4º ano do ensino fundamental, enquanto chega aos 50% em quem declarou não possuir nenhuma renda.

Segundo Feijó, a prefeita Rosinha Garotinho (PR) está atenta e vai trabalhar em cima dos indicativos. “Por conta dessa crise sem precedente, que afeta não só o município como também toda a esfera nacional, pouca gente está satisfeita. Então acredito que Campos esteja refletindo esse descontentamento. Mas a prefeita com certeza vai estar atenta a isso e vai trabalhar em cima desses indicativos para melhorar cada vez mais”, disse.

Já Henriques pontuou que a população “não irá querer ao modelo do passado e também não irá querer continuar com o mesmo modelo”, no próximo pleito. “Penso que a população está amadurecida para não cair em conversa afiada de pessoas que estão na oposição ao governo atual, mas não de governos anteriores. A população vai querer ir além, não aceitar o presente e não voltar ao passado. Torcemos para que o povo de Campos encontre um bom caminho. Porque não adianta mudar apenas o gestor, tem que mudar o modelo de gestão”, opinou.

 

Deputado federal Paulo Feijó (PR) e o suplente de estadual Roberto Henriques (PSD)
Deputado federal Paulo Feijó (PR) e o suplente de estadual Roberto Henriques (PSD)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Artigo da capa da Folha — Servidor de Campos entre a cruz e a espada

cruz e espada

 

 

José Paes
José Paes, advogado, blogueiro, diretor-geral do Observatório Social de Campos, escreve na Folha às quintas

Entre a cruz e a espada

Por José Paes Neto

 

A questão da ausência de reajuste para os servidores públicos municipais é algo difícil de entender. O Governo, com ou sem a anuência do Sindicato, colocou os servidores, como bem dito pelo Vereador Marcão Gomes, em recente artigo publicado (aqui) nesse mesmo espaço da Folha, entre a cruz e a espada: ou revisão anual dos vencimentos ou implantação do plano de cargos e salários, que já deveria estar implementado faz mais de uma década.

Ocorre que ambos — revisão e plano de cargos — são direitos dos servidores e não podem ser alvo de negociata. Não se pode coagir o servidor, ao argumento de que na falta de opção sobre um ou outro direito, se ficará sem os dois. A situação é assustadora. Seria como se numa empresa privada em crise, se exigisse do funcionário que optasse entre salário e décimo terceiro ou qualquer outro direito trabalhista, que como o próprio nome já diz, são direitos, nesse caso, irrenunciáveis.

O servidor não precisa – no caso em questão, nem poderia – optar entre um ou outro, pois ambos os direitos lhe são garantidos pela Constituição e por outras leis.

Importante esclarecer que, não se está falando aqui de reajuste, mas de revisão geral e anual dos vencimentos, direito previsto na Constituição Federal e que não pode ser suprimido, com ou sem anuência de Sindicato ou Câmara Municipal.

O Plano de cargos e salários já existe há mais de uma década. Quando a vaca estava bem gorda, esse governo e os anteriores optaram por ignorá-lo, empregando o dinheiro em shows milionários, em sambódromos, loteamento da máquina pública com apadrinhados políticos, dentre inúmeras outras atrocidades administrativas. Agora, quando as vacas estão pra lá de magras, utilizam a falta de recurso para negociarem o inegociável, dando com uma mão e tirando com a outra.

Importante salientar que, os professores serão os maiores prejudicados por essa manobra do Executivo, pois o seu plano de cargos e salários já está implementado. Assim sendo, ficarão, ao menos pelo que parece, sem reajuste algum.

Enfim, mais uma vez, quem pagará o pato por anos de descaso administrativo será o servidor público municipal, concursado, de carreira, que já perdeu o seu plano de saúde, o vale transporte e agora ficará sem reajuste. Enquanto isso, os apadrinhados do governo por lá permanecem. Não fique em dúvida servidor, entre a cruz e a espada, opte pelos seus direitos, lute por eles.

 

Publicado aqui no Blog do Zé Paes e republicado hoje na capa da Folha da Manhã

 

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