Crítica de cinema — Entre drama e comédia

Bagdá Café

 

 

Entre abelhas

 

Mateusinho 3Entre abelhas — “Até que ponto a gente sabe que existe?” Em seu cotidiano, o ser humano parece condenado ao esquecimento e a diferentes espécies de invisibilidade, que o levam a permanecer em total ou parcial isolamento, seja por opção ou não. Geradas pelas ausências física e emocional e suas consequências, a invisibilidade e as consequências são o ponto central do filme “Entre abelhas”, dirigido e roteirizado (em parceria com o ator Fábio Porchat) por Ian SBF – responsável, também, pelos vídeos do canal Porta dos Fundos.

Apesar de classificado, também, como comédia e de contar com parte do elenco que atua nos vídeos produzidos pela produtora Porta dos Fundos, o longa-metragem segue, em grande parte da história, distante do tradicional viés cômico da dupla de roteiristas e atores. Em cena, Fábio Porchat interpreta Bruno, um homem que não aceita o pedido de separação de Regina, vivida por Giovanna Lancellotti. A dificuldade para lidar com a nova fase de sua vida faz com o protagonista perca a capacidade de enxergar as pessoas que estão a sua volta.

Em busca de explicações, Bruno procura médicos, que não conseguem definir o mal que acomete o homem. As primeiras pessoas que deixam de ser notadas por ele são desconhecidas. No decorrer da história, aliado ao desinteresse pelo mundo que o cerca – após a decepção pelo fim do casamento –, começam os desaparecimentos dos amigos e companheiros de trabalho. Com o auxílio da mãe, dona Ângela (Irene Ravache), e de Nildo, personagem de Luis Lobianco, Bruno tenta encontrar meios para normalizar sua vida e relações sociais.

Em “Entre abelhas”, o público se depara com Porchat em um papel, que, embora passe por breves situações de humor, possui maior tendência ao drama. Bruno desvincula, timidamente, o ator dos demais personagens a que dá vida nas produções do grupo que atua em Porta dos Fundos. Em poucas sequências, é possível reconhecer o humorista, cuja carga, no desempenho do papel, é mais voltada ao aspecto trágico e dramático do que às brincadeiras e piadas sempre presentes nos roteiros destinados ao canal da web.

Ao contrário do que é esperado pelo público – devido ao elenco, encabeçado por Porchat, que conta, também, Marcos Veras e Letícia Lima –, a comicidade do filme brasileiro é concentrada em breves e rápidos momentos, como na aparição de Luis Lobianco, que também faz parte da produtora Porta dos Fundos, e nas cenas em que o protagonista vivencia a angústia e o pavor – apresentados com leve humor – do sumiço de rostos e corpos pelas ruas e bares, sendo estas a contraparte do filme “Mulher invisível”, dirigido por Claudio Torres e lançado em 2009, no qual Pedro (Selton Mello) passa por situações bizarras e hilárias por ser o único a enxergar Amanda (Luana Piovani).

Distanciando-se do aspecto cômico, que está longe de ser o principal do roteiro, “Entre abelhas” mostra circunstâncias que, embora desenvolvidas superficialmente, tendem a levar quem assiste a refletir sobre diversos temas, como invisibilidade, separações e dificuldades para lidar com novas fases da vida. Em seu final de semana de estreia nacional, o filme foi visto por 171.700 pessoas. O número, aquém da expectativa de seu diretor e roteirista, reflete o encontro do público com um filme brasileiro, que, diferentemente da maior parte dos longas-metragens de comédia produzidos no país, opta por mostrar situações de tensões e conflitos internos ao invés de prender os espectadores com gargalhadas e humor exagerado e artificial.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Saúde Pública de Campos: A alma do negócio é a propaganda; mas o corpo é seu

Propaganda

 

Aqui, o jornalista e blogueiro Fernando Leite postou desde ontem o vídeo do encerramento do jornal Folha no Ar, da Plena TV (canal 24 da Via Cabo e 3, da Ver TV), apresentado e produzido pelo jornalista Robson Almeida. No simples contraste das imagens da propaganda milionária do governo municipal de Rosinha Garotinho (PR) com os flagrantes de superlotação e descaso generalizado capturados ontem nos corredores do Hospital Ferreira Machado (HFM), durante a vistoria do Ministério Público Federal (MPF), que ainda gerou (aqui) a prisão em flagrante de seis funcionários pelo armazenamento de medicamentos fora da validade, pouco ou nada resta a ser dito.

Nos parabéns ao Robson pelo belo trabalho jornalístico, confira com seus próprios olhos de leitor, contribuinte e eleitor, o quadro real da Saúde Pública de Campos, bancado com seu dinheiro de impostos municipais reajustados extorsivamente este ano, como o IPTU (relembre aqui), na justificativa oficial de melhor atendê-lo:

 

 

 

 

 

Atualização às 20h27: O belo trabalho jornalístico de Robson Almeida no fechamento do Folha no Ar de ontem, na Plena TV, foi destacado também aqui, no blog Carraspana Campista

 

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Folha errou e deve desculpas a Ricardo Madeira e a você, leitor

Diretor do HFM, Ricardo Madeira, em coletiva na parte da manhã sobre a vistoria do MPF no hospital (foto de Genilson Pessanha - Folha da Manhã)
Diretor do HFM, Ricardo Madeira, em coletiva na parte da manhã sobre a vistoria do MPF no hospital (foto de Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

“A notícia de que fui preso e solto sob fiança é mentira. Após a constatação de remédios com datas de validade vencidas na vistoria do Ministério Público Federal (MPF) no Hospital Ferreira Machado (HFM), eu fui, sim, à 134ª DP, mas de livre e espontânea vontade, na condição de testemunha. Não sou responsável pela compra, pela guarda ou pela distribuição de medicamentos. Não teria, portanto, como ser responsabilizado”. Foi o que garantiu agora à noite, por telefone, o diretor do HFM, Ricardo Madeira.

A notícia da sua prisão e da sua soltura sob fiança chegou a ser apurada pela equipe de reportagem da Folha presente à 134ª DP, sendo depois repassada sem a confirmação devida ao jornalista Alexandre Bastos, que aqui tinha assumido a cobertura virtual do caso desde a manhã. Com link ao Blog do Bastos, a versão da prisão de Ricardo chegou a circular alguns minutos também na Folha Online, sendo retirada de ambos tão logo a assessoria questionou a informação. Sem a versão oficial até agora do MPF, a delegada Nathália Patrão, responsável pelo caso, confirmou também agora há noite a versão de Ricardo:

—  Foi lavrado um auto de prisão em flagrante de seis pessoas, que foram as responsáveis por manter o remédio impróprio para consumo armazenado. Então a gente se direcionou pela responsabilidade penal pessoal, não lavrando o auto de flagrante em face do diretor do hospital, que tem diversas funções e delega. Apenas os responsáveis diretos pelo armazenamento desse medicamento impróprio para consumo no armário é que foram conduzidos e presos em flagrante. Todos pagaram fiança e foram liberados. O diretor do hospital vai responder civilmente, administrativamente. Com certeza vai recair uma responsabilidade em cima dele sobre tudo, mas o direito penal é uma responsabilidade pessoal. Não é porque ele é o diretor que iria responder por uma situação dessa, porque ele não tem como fiscalizar 24 horas todos os remédios que existem num hospital daquele porte. Isso é aceitável e razoável.

Diante disso, o que não é aceitável ou razoável foi o erro virtual que a Folha chegou a cometer por alguns minutos, arrastando com ela neste tempo seu blog mais lido, por conta de uma falha evitável na apuração da matéria na 134ª DP, bem como na sua coordenação dentro da redação, atribuindo momentaneamente a Ricardo Madeira uma prisão que na verdade se restringiu a seis de seus subordinados. A ele e a você, leitor, fica nosso sincero e devido pedido público de desculpas.

 

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Visto de Marte, o Sol é azul

Cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok, na qual foi o primeiro homem no espaço e constatou com seus próprios olhos que a Terra é azul
Em abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok, na qual foi o primeiro homem no espaço e a ver com seus olhos que a Terra é azul

 

“A Terra é azul!”. Foi o que teria dito em reação espontânea o cosmonauta russo Yuri Alekseievitch Gagarin (1934/68), em 12 de abril de 1961, ao olhar pela janela da nave espacial Vostok, a bordo da qual se tornou o primeiro homem em órbita da Terra. Pois, divulgadas ontem, fotos feitas pela sonda Curiosity, no último dia 15 de abril, quase 54 anos exatos após o voo espacial de Gagarin, revelaram que visto em seu poente no solo do planeta Marte, o Sol também é azul.

De acordo com um comunicado oficial da Nasa: “Isso faz com que as cores azuis da mistura de luzes vindas do Sol fiquem mais concentradas na parte do céu onde o astro se encontra, em comparação com a maior dispersão do amarelo e do vermelho. O efeito é mais pronunciado perto do pôr do Sol, quando a luz vinda do Sol cruza um caminho maior na atmosfera do que ao meio-dia”.

Tiradas por uma Mast Camera, que captura as cores de forma bastante similar ao olho humano, a sequência de quatro imagens foi tirada num intervalo de 6 minutos e 51 segundos e mostra o Sol  azul se escondendo por trás de montanhas do Planeta Vermelho, como Marte ficou conhecido por sua cor vista da Terra, numa localidade que os astrônomos batizaram como cratera Gale.

Confira abaixo uma foto e aqui a sequência completa no site da Nasa.

 

Sol azul em Marte (NASA-JPL-Caltech-MSSS-Texas A&M Univ)
Em abril de 2015, o Sol azul em Marte (NASA-JPL-Caltech-MSSS-Texas A&M Univ)

 

 

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Adendo da segunda com acento português ao poema do domingo

Aqui, publiquei o poema “O Monstrengo”, de Fernando Pessoa (1888/1935), bem como a justificativa fraterna e histórica de minha escolha poética sempre feita aos domingos. Como fui muito influenciado pelo áudio da interpretação de Paulo Autran (1922/2007) desses versos pessoanos, optei por reproduzi-los ao final da postagem, tentando comungar com você, leitor, aquilo que tanto me impactara. Mas, buscando no youtube o áudio de Autran, acabei esbarrando com um curta de animação sobre o mesmo poema, da lavra de Fernando Simões, Hugo Tiago Andrea e Valter Ramos, falado em português de Portugal e ambientado no fantástico que permeava o imaginário humano nos sécs. XV e XVI das Grandes Navegações.

Por conselho do meu irmão, Christiano Abreu Barbosa, e da minha namorada, Mahelle Pereira, ele também segue abaixo, como adendo retroativo da segunda-feira ao poema do domingo:

 

 

 

 

IV. O Monstrengo

 

O mostrengo que está no fim do mar

Na noite de breu ergueu-se a voar;

À roda da nau voou três vezes,

Voou três vezes a chiar,

E disse: “Quem é que ousou entrar

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?”

E o homem do leme disse, tremendo:

“El-Rei D. João Segundo!”

 

“De quem são as velas onde me roço?

De quem as quilhas que vejo e ouço?”

Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.

“Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse

E escorro os medos do mar sem fundo?”

E o homem do leme tremeu, e disse:

“El-Rei D. João Segundo!”

 

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:

“Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quer o mar que é teu;

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!”

 

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70 anos do fim da II Guerra — A César o que é de César

Ao analisar aqui a disputa eleitoral a presidente e governador ainda no primeiro turno, em setembro do ano passado, e projetar acertadamente a vitória final de Dilma Rousseff (PT) e Luiz Fernando Pezão (PMDB), o blog usou como analogia a arte da guerra que definiu os campos de batalha da II Guerra Mundial (1939/45). No maior espetáculo de barbárie da história humana, ao custo final de mais de 60 milhões de vidas, o nazismo alemão de Adolf Hitler (1889/1945) acabou derrotado pelo comunismo soviético tão homicida quanto de Josef Stálin (1879/1953).

Na comemoração destes 70 anos do fim da II Guerra, que só acabaria com a rendição do Japão após receber duas bombas atômicas na cabeça como ultimato do capitalismo yankee, necessária a leitura do excelente artigo do jornalista português Carlos Fino, que o blog pede licença para reproduzir abaixo. Afinal, vivendo num tempo de paz construído a partir daquela guerra, na qual também correu sangue brasileiro e campista, é sábio seguir o antigo dito de um rabi da Galileia: “A César o que é de César” (Mt. 22:21).

Confira:

 

Queda de Berlim em 2 de Maio de 1945
Queda de Berlim em 2 de Maio de 1945

 

 

Jornalista Carlos Fino
Jornalista Carlos Fino

Vitória contra o nazismo — O seu a seu dono

Por Carlos Fino

 

Quando Mário Soares visitou a URSS, em Novembro de 1987 — numa viagem que acompanhei como intérprete da delegação nacional — o primeiro acto público do então presidente português foi depor uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido, junto às muralhas do Kremlin.

Soares quis assim, nas suas próprias palavras, “prestar homenagem ao povo soviético pela sua contribuição decisiva para a derrota do nazismo”.

O gesto e a declaração foram bastante apreciados em Moscovo, onde a Segunda Guerra Mundial não é uma vaga lembrança de um passado distante, mas algo presente ainda hoje pelo colossal impacto negativo na economia do país e acima de tudo pelo preço de sangue que custou — um total de 26 milhões mortos, estimando-se que cerca de 60% dos lares soviéticos  tenham perdido pelo menos um membro do seu núcleo familiar.

Soares não queria um regime comunista em Portugal e fez tudo para o evitar. Mas isso não o impedia, como político hábil e conhecedor das realidades internacionais, de reconhecer o enorme sacrifício dos soviéticos, em particular do povo russo, para derrotar o nazismo.

Números impressionantes

Os números são, de facto, impressionantes, e não deixam margem para dúvidas: foi o Exército Vermelho, com 11 milhões de mortos, que em batalhas duma violência e grandeza inauditas — como as de Kursk e Estalinegrado — inflingiu as maiores derrotas ao aparelho militar nazi, quebrando-lhe a espinha dorsal, numa impressionante contra-ofensiva que haveria de culminar com a tomada de Berlim.

Basta dizer que nos campos de batalha da URSS a Alemanha sofreu 3/4 de todas as suas perdas na guerra.

Foi também a frente leste que arcou com as maiores destruições. Em 1943, antes da contra-ofensiva vitoriosa, a URSS tinha perdido 2/3 da sua capacidade industrial — uma escala sem qualquer paralelo na frente ocidental.

Notando que os soviéticos pagaram o preço mais elevado da carnificina — 95% das perdas militares dos exércitos aliados — o escritor e jornalista britânico Max Hastings escreve que o Exército Vermelho “foi o principal motor da destruição do nazismo” (in “Inferno: The World at War, 1939-1945”).

Paradoxo trágico

Há um paradoxo trágico nessa vitória que também não pode ser esquecido— o regime estalinista era tão brutal quanto o hitlerista. Na altura da guerra já tinha provocado milhões de mortes e acabaria depois por impor nos territórios libertados ditaduras comunistas que esmagaram a vida democrática dos países do leste europeu.

É isso que explica, ainda hoje, a desconfiança desses Estados — em particular os Bálticos, mas também a Polónia, a Roménia e a Bulgária — face à Rússia e o seu alinhamento preferencial com os Estados Unidos.

Acresce, desde há pouco mais de um ano, o descontentamento ocidental com o regime de Pútin devido ao apoio que este dá aos autonomistas da Ucrânia.

Mas essa realidade trágica passada e esse desconforto presente não apagam o papel histórico que a URSS teve na derrota da Alemanha nazi. E invocá-los para não comemorar com os russos essa vitória histórica não parece ser a melhor política.

Que os Estados Unidos a fomentem, procurando isolar Moscovo, compreende-se. Desde a última guerra, confessadamente, Washington faz tudo para impedir a criação de um pólo de poder alternativo na Europa, fomentando por isso o desentendimento dos europeus com a Rússia.

Mas essa hostilidade só contribui para aproximar a Rússia da China, o que pode revelar-se, a prazo, altamente negativo para os interesses ocidentais, incluindo dos próprios Estados Unidos.

A Alemanha parece entendê-lo. Daí que Merkel, embora ausente da parada da vitória, tenha enviado na véspera o seu ministro dos Negócios Estrangeiros à Rússia e decidido ela própria ir a Moscovo encontrar-se com Pútin no dia seguinte.

Moscovo, por seu turno, parece não ter ainda perdido inteiramente a esperança de reconstituir os laços com o Ocidente. Pútin reafirmou-o agora na parada da vitória ao agradecer a contribuição dos aliados para a derrota do nazismo. E o responsável pela política externa do Kremlin disse há dias estar pronto para reatar os laços com a Otan/Nato.

A anterior aproximação com a China, que terminou em ruptura, deixou marcas negativas na Rússia, e esta preferirá sempre algum equilíbrio entre os dois pólos do que apostar tudo num só.

Resta saber se haverá disposição a ocidente para reatar o diálogo com Pútin, tudo parecendo depender da forma como for ou não resolvido o conflito na Ucrânia.

Por enquanto, a História hesita. Mas o compasso de espera não deverá ser longo.

Seja como for, no que respeita à derrota do nazismo, não pode haver dúvidas — o sacrifício dos soviéticos, em particular dos russos, foi crucial. E é de elementar justiça reconhecê-lo. O seu a seu dono.

 

Publicado aqui, no portugaldigital.com

 

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A mentira une petistas Dilma e Lula ao tucano Beto Richa

Tucano e PT

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Dilma, Beto Richa e Lula — Construindo mentiras

Por Ricardo Noblat

 

O que foi que na semana passada aproximou a presidente Dilma do ex-presidente Lula e do governador Beto Richa (PSDB), do Paraná?

A construção de uma mentira. Cada um construiu a sua para escapar de situações embaraçosas que lhes causariam danos políticos.

Dilma e Richa precisaram mentir se expondo. Uma vez desmascarados ficam mal na foto. Lula não se expôs. Mentiram por ele. É um craque.

Na última quarta-feira, Dilma confirmou sua presença na cerimônia militar que dali a dois dias marcaria, no Rio, os 70 anos do fim da 2ª. Guerra Mundial. Foi um Deus nos acuda entre os militares das três armas.

Não que ela não fosse bem-vinda entre eles. É que por lá estariam também militares da reserva. E esses, por mais conservadores, preferem manter distância de Dilma.

Imagine se ela fosse hostilizada. Luiz Fernando Pezão (PMDB), governador do Rio, telefonou para Dilma e a aconselhou a não por os pés por lá.

Os comandantes militares fizeram chegar a Dilma o mesmo recado. Sim, eles poderiam até garantir a segurança dela, mas um bom tratamento, não.

Dilma cancelou sua ida. E o que mais fez?

Mandou improvisar às pressas uma cerimônia para na sexta-feira celebrar a mesma efeméride ao pé da rampa do Palácio do Planalto. Ela ficou lá em cima.

À distância segura, assistiu a um modesto desfile militar. Em ambiente fechado, condecorou quatro pracinhas que lutaram contra os alemães.

Foi a primeira vez que se lembrou em Brasília o fim da 2ª. Guerra Mundial. Para todos os efeitos, pois, Dilma não foi ao Rio porque não quis.

Na época da ditadura militar de 64, ela pertenceu a uma organização de esquerda que pegou em armas para derrubar o regime. Viveu anos na clandestinidade. Acabou presa e torturada.

Mais de 40 anos depois, ela está de volta à clandestinidade. Dessa vez como a presidente rejeitada por 70% dos brasileiros. Só ousa se exibir em ambientes fechados. Evita falar no rádio e na televisão

Como Dilma, Richa perdeu o direito de circular livremente. Sua polícia usou bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e cães para reprimir uma manifestação de professores. A violência deixou 213 feridos.

O nome de Richa passou a ser vaiado em qualquer lugar público do Paraná. Para salvar a sua, Richa entregou as cabeças de dois secretários de Estado e a do comandante da PM.

Não bastou. Ele então começou a reescrever o que aconteceu. Antes dissera que a policia reagira a provocações. Agora diz que lamenta e pede desculpas.

Antes admitira ter sido avisado pelo prefeito da cidade e o ministro da Justiça sobre a pancadaria que durou mais de duas horas. Agora afirma que não detinha o comando da operação policial. Jura inocência.

Ora, um único telefonema dele teria abortado o massacre. Perdeu, Richa!

Lula perde com o recém-lançado livro de dois jornalistas uruguaios sobre o governo do ex-presidente José Mujica. Está dito lá que Mujica ouviu de Lula, a propósito do mensalão, que só assim se pode governar o Brasil.

Foi a confissão que Lula jamais fizera. Diante do estrago em sua imagem, Lula providenciou um desmentido. E ele foi feito pelo próprio Mujica. Não convenceu. Mas criou uma versão a ser disseminada em favor de Lula.

Dilma, Richa e Lula, artesãos da mentira.

O mais amador deles é Richa. Que produziu o seguinte desabafo a propósito do massacre dos professores nas ruas de Curitiba:

— Não tem ninguém mais ferido do que eu. Estou ferido na alma.

Comovente!

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Crítica de cinema — Bisogno e “7Solidões” não estarão sós

Colyseu

 

7Solidões (1)

 

Mateusinho 47Solidões — As atividades que envolvem a economia criativa vão da gastronomia ao audiovisual, passando pela arquitetura, artes cênicas, design, moda e publicidade. Ou seja, todos os processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços que utilizem o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos.

No Estado do Rio de Janeiro, a economia criativa representa 4,1% do PIB, acima da média nacional e o maior percentual entre os estados brasileiros. No caso específico do cinema, tema da nossa coluna, os filmes feitos por empresas do Rio representam cerca de 60% das estreias nacionais e 94% da renda e do público totais do cinema brasileiro. Cerca de 50% das produções audiovisuais estrangeiras no Brasil são feitas no Estado.

Enquanto isso, aqui no Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes, vivemos no deserto das políticas públicas de incentivo à capacitação (cursos e oficinas), produção (toda cadeia produtiva da indústria cinematográfica) e difusão (mostras e festivais) do audiovisual, em qualquer formato e plataforma. Entra governo sai governo, faz conferências e audiências, reúne o Conselho Municipal de Cultura e continuamos patinando como no minguado Fundo Municipal de Cultura.

No meio de um pequeno oásis, surge o diretor campista Carlos Alberto Bisogno — realizador dos curtas da Trilogia da Paixão: “Efígie” (2009),  “Vertigem” (2010) e “Neve Negra” (2011) — atuando na produção, direção, roteiro, montagem, fotografia, mixagem e designer de som, lançando com uma enorme determinação  lança o média-metragem (50 min) “7 Solidões” , ficção dramática que passa por 3 fases da trajetória de vida do personagem principal vivido por Gael Nunes (filho do diretor) na infância, Rudá Sanchéz na juventude e Orávio de Campos Soares na fase madura. Leva à reflexão sobre conflitos familiares, traumas, liberdade sexual, companheirismo e  amor. Contando com a generosidade de atores e equipe  técnica, Bisogno realiza um filme que não chega a ser denso com cenas bonitas de contemplação, descontração, sensualidade, sexualidade e conflitos valorizadas por uma trilha sonora de extremo bom gosto, formada por clássicos do rock e jazz de sua lista afetiva.

Entre os destaques, as cenas do menino (Gael) com as torres de energia eólica da praia de Santa Clara em São Francisco de Itabapoana ao fundo, as do lindo casal jovem (Rudá Sanchéz e Maria Clara Oliveira)  nas ruínas da praia de  Atafona, na ponte de ferro em Campos dos Goytacazes e a de sexo no banheiro que foi muito linda e inspiradora. Parabéns aos dois! Destaque também para a participação da atriz Adriana Medeiros em cena, como mãe do jovem (Rudá), no crepúsculo do Cemitério do Cajú e do diretor teatral,  professor e presidente do Conselho Municipal de Cultura Orávio de Campos Soares, muito bem, com narração off,  como o personagem maduro, contemplativo e falecido, na maior elegância com uma bata branca. Ótimas cenas também foram rodadas no Borboletário do Zôo em BH,  no Inhotim em Brumadinho/MG e nos corredores do IFF – Campos dos Goytacazes. Torço para 7Solidões ganhar a estrada e participar de mostras paralelas dos festivais pelo Brasil, já que filmes com essa metragem raramente participam  das competitivas.

No fazer cinema que o realizador consegue aperfeiçoar  suas produções e espero que venham mais filmes de jovens e dos experientes cineastas campistas, espelhados  no recente curta-metragem (14min) “Command Action”, produzido em Rio Claro (SP) a partir de uma rifa e selecionado para a Semana de Crítica do Festival de Cannes 2015 (13 a 24 maio).

Saudoso da década de 70 dos Festivais de Cinema  Super-8 no Cine Dom Marcelo, produzido por Nicolau Louzada,  parabenizo os envolvidos no 7 Solidões e transcrevo parte da fala de Bisogno em uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, para implantação do Pólo de Audiovisual em 2009:

“A produção cinematográfica movimenta a economia onde ela se realiza, pois se utiliza do comércio e de serviços: serviços alimentícios locais, hospedagens, papelarias, confecções de figurinos, cenários, mão de obra necessária na composição de uma equipe, como eletricistas, costureiras, especialistas em equipamentos de segurança, entre tantos outros. O cinema, imagem em movimento, vai muito além da sua superficial função de entretenimento, ele suscita pensamentos, propõe-nos modelos e comportamentos, condicionam de uma forma positiva ou negativa a nossa atitude e concepção do mundo. É deste fenômeno tão abrangente que tratamos. A nossa sociedade se baseia na transmissão de conhecimentos e valores e para aplicá-los na vida e, desta forma, passar a mensagem às gerações futuras. Este fenômeno social, político, artístico que é o cinema e o audiovisual não pode se negado a ninguém.”

Precisa desenhar, senhores gestores?

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Do melhor da lida blogueira

Stoa Sul da ágora de Atenas, julho de 2009 (foto de Ícaro Barbosa)
Stoa Sul da ágora de Atenas, julho de 2009 (foto de Ícaro Barbosa)

Já escrevi mais de uma vez que o grande barato da lida blogueira é a interatividade, capaz de gerar nos comentários consequências dialéticas tão ou mais interessantes do que as postagens originais que os causaram. Foi o caso da troca desenvolvida aqui, no diálogo com o comentarista Marcus Vinicius, leitor da coluna Ponto Final, publicada na Folha diariamente nos últimos 37 anos,  desde seus tempos mais felizes sob a pena de Aluysio Barbosa, o Bom. Não por outro motivo, na relevância maior de postagem, segue abaixo:

 

 

  • marcus vinicius

    Caro Aluysio acho totalmente desnecessárias as pesquisas aqui vinculadas:
    1-Que os “GAROTINHOS” estão em queda isto é fato não se discute.
    2-Tentar prever o que irá acontecer em 2016 é praticamente impossível,tendo apenas 50% de chance de estar certo pois pode ganhar o candidato da oposição como o candidato apoiado pelos “GAROTINHOS”.
    3-Estas pesquisas servem mais ao governo que a oposição pois eles podem utiliza-las como objeto de estudo para se encontrar uma estrategia para que se mude o curso da politica desfavorável atualmente aos “GAROTINHOS”.
    4-Tentar dizer que os “GAROTINHOS” estão mortos politicamente é uma inverdade pois, quer queira quer não .eles já escreveram seu nome na historia politica do Brasil.
    5-Se a oposição se descuidar, com a habilidade politica que os “GAROTINHOS”possuem somados a maquina municipal e a consciência do eleitorado,que já esta provado a ultima lembrança é a que fica ,ou seja,o que se define a eleição são os fatos gerados 6 meses antes uma eleição,assim sendo,corremos um sério risco de termos esse grupo politico por mais tempo no poder.

     

     

    • Aluysio

      Caro Marcus Vinicius,

      Talvez não seja desnecessário dizer:
      1 – Li todas as pesquisas Pro4 e Pappel para tentar descrevê-las em matérias. Confio em seus núneros. Mas sei tb que são retratos do instante. Tivesse que apostar para 2016, o faria tendo qualquer candidato do garotismo como favorito.
      2 – Concordo. Sinceramente, acredito que o leitor mais atento dessas consultas mais detalhadas do Pro4 foi Anthony Garotinho, melhor intérprete de pesquisas que pessoalmente vi.
      3 – Sobre o que penso da gravidade exercida pelo garotismo na história da política de Campos, indico a (re)leitura: http://www.fmanha.com.br/blogs/opinioes/2014/10/06/ponto-final-qual-o-tamanho-de-garotinho/

      Abç e grato pela chance do debate!

      Aluysio

       

       

      • marcus vinicius

        Caro Aluysio sou leitor da coluna Ponto Final desde a época do seu saudoso Pai,sei que a Folha não omite a relevância dos “GAROTINHOS”na historia politica de Campos do Rio e do Brasil.
        Só para Registrar nunca votei nos “GAROTINHOS” por discordar da forma como governam.
        Dai a querer jogar uma pá de cal nos “GAROTINHOS” ,embora fosse um grande avanço para nosso município,acho que ainda não será dessa vez pois nunca vi um politico com tanta sede de poder,não tem sábado,domingos ou feriados ele respira politica 24 horas por dia.
        A unica chance de nos livrarmos dos “GAROTINHOS” seria se tivéssemos por aqui uma filial da Lava Jato do Dr.Sergio Moro que faria também muito empreiteiro daqui ver o sol nascer quadrado.

         

         

        • Aluysio

          Caro Marcus Vinicius,

          Queira-se ou não, goste-se ou não, não há como escrever sobre política ou sequer viver em Campos sem orbitar em torno da gravidade mais densa do garotismo. A Folha, enquanto porta voz de sua comunidade, não o seria se não reconhecesse isso como fato histórico e (ainda) presente. Certamente, grande parte disso, como vc bem disse, deve-se à capacidade de dedicação, de trabalho e à perseverança quase inumanas de Anthony Garotinho, sem par em qualquer nome dos que se lhe opõem em Campos.
          Por motivos bem diferentes, sobretudo de natureza moral, é a mesma dedicação, trabalho e perseverança que movem tanto o juiz federal Sérgio Moro, quanto o procurador da República Deltan Dallagnol, no brilhante trabalho conjunto na investigação do Petrolão (confira aqui:http://www.fmanha.com.br/blogs/opinioes/2014/12/21/o-bem-que-um-juiz-e-um-promotor-podem-fazer-a-um-pais/). De fato, é um trabalho que só encontra paralelo (confesso) na Operação Mãos Limpas na Itália, responsável lá por desarticular e prender os envolvidos na sórdida mistura entre política e crime que sempre existiu no Brasil, mas passou a ser institucionalizada no país sob o governo do PT.
          Tão certo quanto infelizmente, não se fez perceber ninguém do mesmo nível e com o mesmo compromisso cidadão na nossa comarca, seja no Judiciário, mas principalmente em nossos Ministérios Públicos Estadual e Federal — este, curiosamente tão ativo, por exemplo, durante o governo Mocaiber. Lamento maior que esse, meu caro amigo, só por vc e os demais leitores do Ponto Final, acostumados com meu pai, serem hoje obrigados a se contentar conosco.

          Abç e grato pela chance de dizer algumas coisas!

          Aluysio

 

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Crítica de cinema — Prende a atenção, mas não empolga

Caixa de luzes

 

 

O franco-atirador

 

 

Mateusinho 2O franco-atirador — Pelas várias cenas em que aparece sem camisa a exibir o físico invejável para um senhor de 54 anos, podemos conferir crédito a analogias como a do crítico Lucas Salgado (aqui), do site “AdoroCinema”, de que o estadunidense Sean Penn estaria querendo seguir os passos do irlandês Liam Neeson, brilhando já na terceira idade em filmes de ação, após ser oscarizado mais jovem como ator de drama? No particular dessa aparente mudança de rumo por parte de Neeson, Oscar de melhor ator por “A lista de Schindler” (1993), de Steven Spielberg, o Gustavo Oviedo já expôs (aqui) neste mesmo espaço de Folha Dois a sua tese, na boa crítica que assinou na semana passada sobre o filme “Noite sem fim”, de Jaume Collet-Serra.

Mas e Sean Penn? Após ganhar não apenas um, mas dois Oscar de melhor ator — por “Sobre meninos e lobos” (2003), de Clint Eastwood, e “Milk – A voz da igualdade” (2008), de Gus Van Sant — estaria ele tentando agora dar uma guinada aos filmes de ação? Poderia ser, sobretudo se levado em conta que seu novo filme “O franco-atirador”, ora em cartaz nos cinemas de Campos, é dirigido pelo francês Pierre Morel, mesmo cineasta de “Busca implacável” (2008), com Liam Neeson como protagonista, cujo sucesso de bilheteria abriu uma franquia com as sequências de 2012 e 2014.

Todavia, quando se detém sobre a filmografia de Penn, vê-se que ele estrelava filmes de ação desde “Juventude em fúria”, de Rick Rosenthal, e do excelente “Colors – As cores da violência”, do easy rider Dennis Hopper. E os dois títulos são, respectivamente, de 1983 e 1988. Se, desde o começo de carreira, o (excepcional) ator já evidenciava que testosterona e adrenalina podem caminhar paralelas com capacidade dramática, nada mudou em sua carreira na maturidade, na qual já tinha encarnado mais recentemente outros papéis em longas de ação, como “A intérprete” (2005), de Sidney Pollack, ou “Caça aos gângsteres” (2013), de Ruben Fleischer.

Em “O franco-atirador”, Penn interpreta o mercenário Martin Terrier, enfurnado em Kinshasa, capital do Congo (ex-Zaire), onde trabalha para uma empresa ao estilo da estadunidense Blackwater (atual Academi), cuja atuação mercenária na vida real tanta polêmica causou nas invasões e ocupações dos EUA no Iraque e Afeganistão. A soldo de uma empresa corporativa de mineração, ele é o escolhido para assassinar um ministro local que quer nacionalizar a exploração dos recursos naturais do seu país, cujas riquezas contrastam com a miséria do seu povo.

Efetuada a execução a sangue frio em nome dos anônimos interesses do capital internacional, o protocolo da sua empresa determina que ele abandone imediatamente o país. Na decisão cumprida com rigor militar, o matador de aluguel deixa para trás a paixão da sua vida, a médica Anie (Jasmine Trinca), que estava naqueles cafundós d’África em missão de ajuda humanitária. Ela é o motivo pelo qual Terrier foi escolhido para assassinar o ministro congolês, opção definida por Félix, interpretado pelo espanhol Javier Bardem, Oscar de coadjuvante por “Onde os fracos não têm vez” (2007), dos irmãos Cohen, e cuja figura talvez seja viril demais ao papel do bundão que só conquista a amada após mexer seus pauzinhos para tirar o oponente da disputa.

Arrependido pelo assassinato e por ter abandonado a mulher da sua vida sem nenhuma explicação, Terrier volta ao Congo anos depois, não como mercenário, mas tentando expiar os pecados desta lida, enquanto pisa sobre as pegadas deixadas na África por quem ainda ama, integrando também ele uma missão humanitária. Mas o passado volta para assombrá-lo, em outros matadores de aluguel e dentro da sua própria mente. Após uma tentativa encomendada de assassinato, ele volta para a Europa, primeiro Londres, depois Barcelona, belas cidades mostradas em tomadas aéreas de alguns de seus principais cartões postais. E, na busca de respostas, reencontra o amor que deixou para trás.

Nesse trajeto de retorno do protagonista, destaque à atuação coadjuvante sempre convincente do inglês Ray Winstone, presença na tela cuja virilidade não deixa a dever a Penn e Bardem (ou Neeson), embora por motivos diferentes.

Com seu final tipicamente hollywoodiano, após todo o sangue jorrado na violência gráfica inaugurada no cinema por “Coração valente” (1995), de Mel Gibson, no lugar de uma suposta guinada de Sean Penn aos filmes de ação que sempre fez, “O franco-atirador” acaba mirando na hiperativa militância política do ator, que também assina o roteiro com Dom Macpherson e Pete Travis, na adaptação do romance do francês Jean-Patrick Manchette. Sem ler o livro, a moral da história do filme se baseia na chatérrima (e manjada) ditadura do “politicamente correto”: o capital corporativo multinacional é o vilão e aqueles que querem salvar o mundo, numa adolescência anacrônica de meia idade, são os mocinhos que vencem no final.

Noves fora sua pretensão maniqueísta, o filme é um thriller de ação que prende a atenção, mas não empolga. Ao desavisado monoglota, pede-se o favor de não confundi-lo com o clássico de 1978 homônimo (só) na tradução em português do Brasil, dirigido por Michael Cimino e estrelado por Robert de Niro, Meryl Streep e Christopher Walken — Oscar de melhor filme, diretor, edição, som e coadjuvante (Walken).

Como ator, não sem motivo, Penn já foi apontado como novo De Niro. Nem mais tão novo, apesar do shape sarado, não envelhecerá melhor por esse filme.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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