Morre Eduardo Galeano, autor de “Futebol ao sol e à sombra”

Jornalista e escritor Eduardo Galeano
Jornalista e escritor Eduardo Galeano

Morreu na manhã de hoje, aos 74 anos, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Ele teve complicações decorrentes de um câncer de pulmão, diagnosticado em 2007, e estava internado no Centro de Assistência do Sindicato Médico do Uruguai, em Montevidéu, desde sexta-feira. Autor de mais de 50 livros, se notabilizou como referência da esquerda latino-americana e mundial com o livro “As veias abertas da América Latina”, considerado um clássico da literatura política do continente e publicado pela primeira vez em 1971.

Sua obra, no entanto, que mais me marcou, foi “Futebol ao sol e à sombra”. É o melhor livro que já li sobre futebol, escrito na tabela entre pesquisa e paixão profundas pelo esporte. Enquanto seu ideário político se tornou anacrônico com o passar dos anos, sobretudo após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e da falência mais recente do bolivarismo na América Latina, incluindo seu congênere lulopetista no Brasil, “Futebol ao sol e à sombra” não envelheceu nem do primeiro ao segundo tempo de jogo, permanecendo atualíssimo. Nele, seu autor sobreviverá enquanto houver neste planetinha em forma de bola alguém apaixonado por futebol, capaz de encará-lo como arte e representação, no sentido grego, da tragédia humana. Por apenas R$ 19,90 pode ser adquirido aqui.

Abaixo, na definição de Galeano sobre futebol, uma pequena mostra do livro:

 

Futebol ao sol e à sombra“A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. Ao mesmo tempo em que o esporte se tornou indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar só pelo prazer de jogar. Neste mundo do fim de século, o futebol profissional condena o que é inútil, e é inútil o que não é rentável. Ninguém ganha nada com essa loucura que faz com que o homem seja menino por um momento, jogando como o menino que brinca com o balão de gás e como o gato brinca com o novelo de lã: bailarino que dança com uma bola leve como o balão que sobe ao ar e o novelo que roda, jogando sem saber que joga, sem motivo, sem relógio e sem juiz.

O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia.

Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade”.

 

Exemplo esculpido por Fídias desse “corpo que se lança na proibida aventura da liberdade”, o gol mais lindo entre todos os que vi em meu tempo de vida, bem como antes dela registrados em vídeo, foi marcado por Zico, já aos 40 anos, para selar a vitória do seu Kashima Antlers, time no qual o eterno camisa 10 do Flamengo introduziu o futebol no Japão, contra o Tokoku Sendai, na disputa da Copa do Imperador de 1993. Em seu livro, Galeano definiu o “gol escorpião”, como o lance ficou conhecido, de maneira tão genial quanto o craque dos campos:

— Contem-me como foi esse gol — pediam os cegos. 

Quem tem a sorte de enxergar, confira abaixo a incapacidade de explicá-lo a quem tem vistas deitadas à sombra:

 

 

Atualizado às 13h08

 

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Crítica de cinema — Mais da Gata Borralheira

Colyseu

 

 

Cinderela

 

Mateusinho 4Cinderela — Nos contos de fadas, que muitas vezes começam pelo “Era uma vez”, para mostrar que os temas não se referem apenas ao presente tempo e espaço, o leitor encontra personagens e situações que fazem parte do seu cotidiano e do seu universo individual, com conflitos, medos e sonhos. A rivalidade de gerações, a convivência de crianças e adultos, as etapas da vida (nascimento, amadurecimento, velhice e morte), bem como sentimentos que fazem parte de cada um (amor, ódio, inveja e amizade) são apresentados para oferecer uma explicação do mundo que nos rodeia e nos permite criar formas de lidar com isso.

Existem inúmeros mitos e histórias antigas semelhantes a Cinderela, como um conto egípcio datado do primeiro século antes de Cristo. A versão de Cinderela como a conhecemos hoje foi criada pelo autor francês Charles Perrault, que foi publicado pela primeira vez em 1697. Ele tem sido a base e inspiração por trás de inúmeras óperas, balés, peças de teatro e filmes. A primeira versão do filme foi de sete minutos de duração, dirigido por Georges Méliès, na França em 1899. A primeira adaptação de Hollywood foi no cinema mudo em 1914, feita pela Paramount Pictures, estrelada por Maryu Pickford no papel-título. A versão animada do clássico da Disney, Cinderela, estreou em 1950, e foi um enorme sucesso de bilheteria. Em 2008 foi nomeado o nono maior filme de animação de todos os tempos pelo American Film Institute. Outros filmes recentes baseados no conceito de Cinderela incluem “Ever After” (1998) e a “A Cinderela Story” (2004).

Após o sucesso de bilheteria de “Alice no País das Maravilhas”, que foi a segunda maior bilheteria de 2010 e lucrou US$ 1 bilhão nas bilheterias ao redor do mundo, a Walt Disney Pictures começou a desenvolver uma nova adaptação para o cinema de Cinderela

Repete o sucesso com Cinderela, um filme de fantasia romântica dirigido por Kenneth Branagh — “Hamlet” (1996) e “Thor” (2011) — a partir do roteiro de Chris Weitz. Produzido por David Barron, Simon Kinberg e Allison Shearmur, a história é inspirada no conto de fadas de Charles Perrault e na animação de 1950 da Walt Disney de mesmo nome.

A estrela do  elenco é  a premiada atriz e diretora teatral australiana — 2 Oscar: atriz coadjuvante em “O Aviador”(2005) e  atriz em “Blue Jasmine”(2014) — Cate Blanchett como Lady Tremaine  (madrasta má). A atriz, intérprete de rainhas em “Elizabeth” e “O Senhor dos Anéis”, cumpre seu papel como a madrasta má na maior elegância, mas não entra para o rol da fama de vilania cinematográfica.  Como o casal de protagonistas  Ella (Cinderela) e Kit (Príncipe), a belíssima loira Lily James — “Fúria de Titãs” (2012),  “Downton Abbey“ (2012/2013/2014), “War & Peace” (2015) —, que também interpreta o  tema musical oficial do filme “A Dream Is A Wish Your Heart Makes” (Patrick Doyle) e o ator escocês Richard Madden, que ficou mundialmente conhecido pela sua atuação na série “Game of Trones”. A magia protetora da fada madrinha encenada por Helena Bonham Carter, tranquila e  acolhedora. A afetação das invejosas  e mesquinhas irmãs postiças, Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera) ficou em boa medida. A rápida participação nas cenas iniciais de Harley Atwell (mãe de Cinderela) e Ben Chaplin (pai de Cinderela), nos revela a ascendência e como se deu a orfandade de Ella.

A caprichada produção, que conta com efeitos digitais magníficos, cenários e figurinos maravilhosos, foi feita em Pinewood Studios, em Buckinghamshire (mesmo de “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” e “Malévola”), e as filmagens por toda a Inglaterra, em locais incluindo Blenheim Palace, Windsor Castle, Old Royal Naval College e Black Park, garantiram um  ambiente realmente de conto de fadas com seus castelos e mágicas paisagens. O vestido azul de Ella (como o da animação), a carruagem de ouro e o famoso sapatinho de cristal ficaram mágicos.

A exibição na maioria das salas é na versão dublada. Seguro que se perde a qualidade do som original e da interpretação original dos atores. Porém, mesmo não contando com nenhum artista famoso na dublagem, o estúdio DelartRJ contou com dubladores experientes, como Carla Denise Ponpílio (Wanda Maximoff em “X-Man:Evolution”, Ellie em “A Era do Gelo” e Nala em “O Rei Leão”) que dublando Lady Tremaine (Cate Blanchett) não compromete muito.

Sou sempre pelo som original com legenda, mas liberdade da atenção da criançada para o encantamento visual proporcionado pelo mágico universo dos contos de fada de Cinderela, vale.

Vale pra caramba, príncipes e princesas.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Se os mais pobres saírem às ruas, é possível que a turma deste domingo chame a polícia

Protesto contra o governo Dilma Rousseff, ontem, em Copacabana (foto de Pablo Jacob - Ag. O Globo)
Protesto contra o governo Dilma Rousseff, ontem, em Copacabana (foto de Pablo Jacob – Ag. O Globo)

 

 

Jornalista e escritor Luiz Fernando Vianna
Jornalista e escritor Luiz Fernando Vianna

Vitória parcial

Por Luiz Fernando Vianna

 

Apesar do empurrão da pesquisa Datafolha (aqui), divulgada na véspera, os atos contra Dilma perderam um tanto de sua força. Mas não é o caso de desqualificá-los. Pelo contrário. Comprovou-se que há gente engajada no que acredita ser o melhor para o país. Isso é relevante num movimento com marcas de despolitização, como desconhecimento da história brasileira — parecendo crer que a corrupção começou há 12 anos — e apreço pequeno pela democracia duramente conquistada.

No jogo de especulações sobre por que a revolta retraiu, talvez valha pensar em dois pontos, dentre outros. Um é que, mesmo sendo o impeachment o tesouro procurado, parte dos anseios dos descontentes já vem sendo atendida: esfacelamento do PT, que virou uma coisa invertebrada, e triunfo de uma agenda conservadora — redução da maioridade penal, leis para estimular a violência das polícias, bloqueio da ampliação dos direitos de mulheres e gays.

É significativo que, em protestos que têm a corrupção como inimiga, seja difícil ver cartazes contra Eduardo Cunha. Ao emparedar o PT e devolver ao reacionarismo um vigor político que não tinha desde a ditadura, o presidente da Câmara dos Deputados realiza muito do que desejam os manifestantes.

O segundo ponto é que o movimento ainda está sendo guiado mais pelo fígado (ódio ao PT) do que pelo estômago (desemprego, perda de renda); mais por vontade do que por necessidade. Para quem conhece o Rio, foi fácil perceber que não havia em Copacabana gente em situação financeira precária. Eram 10 mil pessoas de uma classe média que segue a pauta dos grupos de comunicação, claramente favoráveis aos protestos.

Se a crise se instalar com a força que se espera e os mais pobres saírem às ruas, é possível que a turma deste domingo corra para seus apartamentos. E chame a polícia.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

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Hillary Clinton dá nova largada para tentar ser a primeira mulher presidente dos EUA

“Estou concorrendo à Presidência”, diz Hillary em vídeo de campanha (Uncredited / AP)
“Estou concorrendo à Presidência”, diz Hillary em vídeo de campanha (Uncredited / AP)

 

Hillary Clinton vai tentar concorrer à presidência pela segunda vez, anunciou um de seus principais assessores neste domingo, encerrando dois anos de especulações e desmentidos sobre uma provável candidatura democrata em 2016. O anúncio, segundo o jornal “New York Times”, foi feito via e-mails de John Podesta, presidente da campanha de Hillary, a doadores e outros.

“Eu queria ter certeza que você ouviu primeiro de mim — é oficial: Hillary está concorrendo para presidente”, diz o e-mail. Ele continua a dizer que a senhora Clinton em breve se encontrará com os eleitores em Iowa e sediará um evento formal de lançamento da candidatura em algum momento no próximo mês.

O anúncio iniciou efetivamente o que pode ser uma das corridas menos controvertidas, sem um titular, para a indicação democrata à presidência na história recente — um contraste gritante com as primárias de 2008, quando Hillary, favorita inicialmente, acabou em um batalha longa e cara vencida por Barack Obama.

Em um vídeo de anúncio da campanha, publicado em sua página oficial, a democrata afirma que está “concorrendo à presidência” e diz: “Os americanos comuns precisam de um defensor. Eu quero ser esse defensor”.Na filmagem, a democrata afirma que irá “pegar a estrada” para conquistar o votos dos americanos. Em uma publicação no twitter, a ex-secretária de estado repetiu a afirmação e disse que está se dirigindo ao estado americano de Iowa.

Também no microblog, a filha de Hillary, Chelsea Clinton, parabenizou a mãe pelo anúncio. “Estou muito orgulhosa de você mamãe”, disse.

Independentemente do resultado de 2016, a campanha de Hillary Clinton vai abrir um novo capítulo na vida extraordinária de uma figura pública que tem cativado e polarizado o país desde que seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, declarou sua intenção de concorrer à presidência em 1991. Hillary foi coestrela da administração Clinton, a única primeira-dama já eleita para o Senado dos Estados Unidos e uma diplomata itinerante que surpreendeu seu partido, servindo obedientemente o presidente que a derrotou.

 

Publicado aqui, no em oglobo.com

 

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Uma aventura jornalística de camisa vermelha no protesto verde e amarelo

Jornalista Felipe Betim
Jornalista Felipe Betim

Por Felipe Betim

 

Os atos que vem reunindo milhares de pessoas no país contra o Governo de Dilma Rousseff contaram com vários relatos de pessoas que, por resolverem vestir uma camiseta vermelha, foram insultadas e até agredidas por manifestantes. Para as manifestações deste domingo na praia de Copacabana, este jornalista, movido pela curiosidade e o espírito de aventura — mas sem nenhuma intenção de arranjar confusão, melhor ir dizendo logo — decidiu fazer o mesmo. Apesar dos protestos maternais antes de sair de casa, às 11h da manhã eu era apenas um ponto vermelho no meio de um mar verde e amarelo que gritava, justamente, contra a cor vermelha que representam o PT e o socialismo.

Não, já adianto que não fui espancado e, em um primeiro momento, nem insultado. Mas enquanto caminhava tranquilamente entre os manifestantes, me sentindo um repórter de guerra com meu bloco de anotações em mãos e minha câmera pendurada no pescoço, eram muitos os que viravam o pescoço e arregalavam seus olhos ao reparar em minha camiseta — velha, desbotada, e sem nenhuma mensagem ideológica ou partidária — e tênis vermelhos. “Meu jovem, por que você está vestindo isso? Não viu a confusão que já deu lá atrás?”, indagou um bem intencionado senhor. “Cuidado com essa camiseta, garoto. Vão achar que você é comunista”, afirmou um homem que deixava a praia acompanhado de sua esposa. Um conhecido que protestava, talvez preocupado com minha integridade física, foi direto ao ponto: “Você é mongol? Ficou maluco?!”.

Não, tampouco fiquei maluco, apenas queria testar a reação das pessoas, lhe expliquei. Enfim, provocar, mesmo sem fazer nenhuma provocação explícita. E quanto mais me aproximava do carro de som, de onde a turma do Cariocas Direitos comandava um espetáculo de pérolas -“Nós somos um povo verde e amarelo, não vermelho!”, gritavam—, mais intimidado ficava. Juro que vi um dos organizadores se dirigindo a mim quando disse que havia “vários infiltrados” no ato. Não era o caso — em tempos tão estranhos, tão confusos como estes, sempre melhor insistir neste ponto.

Pouco a pouco as pessoas começaram a se soltar. “Ei, você! Por que está vestindo esta camiseta? Petista! Comunista! Vai pra Cuba!”, falaram alguns. Devido ao trabalho jornalístico que me foi incumbido, tive que me aproximar de alguns manifestantes para fazer algumas perguntas. E confesso que fiquei surpreso que duas senhoras, que defendiam uma intervenção militar, não tenham falado nada sobre minha camiseta. Ao contrário, foram super educadas e atenciosas. Outra mulher, que também defendia a ditadura, me explicou com tooooooda a paciência do mundo sobre a necessidade de tirar “esses comunistas” do poder e fazer uma limpeza ética no Brasil.

Finalmente alguns começaram a se mostrar incômodos quando me dirigia até eles:

— Boa tarde, sou jornalista do El País, estou cobrindo o ato e gostaria de…

— Ok, mas por que esta camiseta?

Todos no final das contas se convenceram das minhas boas intenções e, ainda que um pouco desconfiados e sem tirar os olhos da maldita camiseta, me deixaram fazer perguntas e tirar fotos. Bom, quase todos. Um casal que caminhava na praia até chegou a iniciar uma conversa: ele se manifestava contra a corrupção, pedia mais ética e dizia que um impeachment não ia adiantar muita coisa; ela sim exigia o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e o fim “da ditadura comunista” do PT. Mas quando repararam no meu figurino vermelho-militante, ele se afastou imediatamente. Já ela…

— Você é um infiltrado do PT!

— Não, sou apenas um jornalista.

— Mentira! Eu percebi as perguntas maliciosas que você fez! Você faz parte do exército do Stédile!!!!!

— Não…

— Sim! E essa cor vermelha, representa o quê?!

— Sou livre para escolher a camiseta que quero usar.

— Não é não! Isso aqui não é ambiente para você! Melhor você ir embora!

Foi divertido. Talvez pela cara de um bom moço de 14 anos que ainda conservo -em modéstia parte-, voltei para a casa inteiro. Segundo o G1, outras três pessoas tiveram a mesma ideia, mas não tiveram a mesma sorte – ou a mesma cara de bom moço. Mas depois desta última reação, confesso que voltei para casa satisfeito.

 

Publicado aqui, no elpais.com

 

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O PSDB não quer o povo ao seu lado. Prefere que ele vá a reboque

O senador Aécio Neves na janela da sua casa em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ (foto de Pablo Jacob - Ag. O Globo)
O senador Aécio Neves na janela da sua casa em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ (foto de Pablo Jacob – Ag. O Globo)

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Por Ricardo Noblat

 

Para efeito do público externo, e para não provocá-lo, o governo adotou a postura humilde de dizer que as manifestações de ontem foram importantes e que serão levadas em conta.

Para consumo interno, o governo celebra, eufórico o número bem menor de pessoas que saíram às ruas para pedir “Fora, Dilma”, “Fora, o PT” e fora outras coisas.

A situação do governo teria se agravado caso o protesto superasse o de 15 de março, que atraiu mais de dois milhões de pessoas. Basta o que a mais recente pesquisa Datafolha constatou.

Apenas 13% dos brasileiros consideram o governo Dilma ótimo ou bom. Algo como 60% deles o reprova. 75% apoiam as manifestações de ruas. 63%, o impeachment da presidente.

Embora menor o número de manifestantes, o protesto atingiu dessa vez um maior número de cidades. Isso significa que a indignação contra Dilma se espalha por todo o país.

Salvo a ocorrência de um imprevisto que se volte contra o governo, a tendência é que os protestos arrefeçam. A maioria das pessoas já disse o que pensa sobre Dilma e seu governo. Para quê repetir?

De resto, a omissão da oposição deixa as multidões órfãs. Movimento algum se mantém aceso à falta de quem o dirija. Nem aqui nem em parte alguma.

O PSDB lançou notas e postou vídeos nas redes sociais convocando o povo para o protesto. Mas ele não deu o ar de sua graça. Os chefes do partido parecem ter medo do povo.

Ao cheiro do povo, o general João Batista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar de 64, disse que preferia o cheiro de cavalo. Ele era um oficial de cavalaria. Gostava de montar.

O PSDB quer o povo a reboque. A seu lado, não. Dá urticaria. No máximo, admite cavalgá-lo.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

 

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Poema do domingo — Antonio Roberto Kapi

Kapi 5
(Foto de César Ferreira)

 

 

ACENOS

 

Quem parte

deixa saudade,

deixa acenos,

esquece livros.

Deixa tolhido

um mundo de desejos,

vida desarrumada

e a gente sem prumos.

Quem fica

fica de lembranças,

fica mais criança,

fica solidão.

Quem parte,

parte inteiramente,

parte de repente

sem um avisar.

Quem fica

fica de inocente

regando as sementes

de um tal regressar.

Quem fica

fica sem despedida

fica sem guarida

e morre um pouco em vida

pois quem parte

parte corações

mata as ilusões

e parte.

 

Kapi, Antonio Roberto. “Manual da criação de ratos”, com Eloah Marconi de Souza, edição de Carlos Araújo, Edições Clarear (1984), pág. 18

 

 

 

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Artigo do domingo — Campos em concordata até 2016

Minha cidade, meu amor

 

 

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal(*) 

 

Malala Yousafzai ganhou o Prêmio Nobel depois que protagonizou a frase: “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. Derek Bok, reitor da Universidade de Harvard disse: “O governante que diz que não tem dinheiro para a educação não sabe o preço da ignorância”.

A política venezuelana de Maduro implantada pela atual governante de Campos junto com o seu marido, o secretário de Governo, poderia ser mudada se fosse inspirada nas frases de Malala e de Derek Bok.

Analisando o Índice de Progresso Social (IPS) publicado pela Universidade de Harvard, assinado pelo professor Michael Porter, a cidade campista não tem nenhuma variável das 52 elencadas no estudo que mostra a matriz de políticas desenvolvimentistas de um país, estado ou cidade.

O acesso ao conhecimento básico, à informação e a comunicação são os vetores que o governo de Campos deveria priorizar como: taxa de matrícula na educação primária, a internet e assinatura de banda larga implantada nas escolas.

Nas escolas americanas da rede pública, a utilização das tecnologias no ensino fundamental tem sido preocupação dos governos dos estados e dos municípios. As crianças têm direito ao um pacote de benefício desde minicomputador ao ticket alimentação e seguro contra bullying.

A educação do ensino fundamental é a base para que uma nação resgate a população mais pobre para colocá-la no mercado de trabalho formal em igualdade social competitiva com os mais ricos que estudaram em escolas privadas na sua formação básica e depois concluíram o ensino superior nas universidades de boa qualidade do governo.

A governante de Campos comete “holocausto educacional” no ensino básico ao ofertar um modelo educacional de baixa qualidade com escolas sucateadas e sem infraestrutura básica. Campos não tem escolas em horário integral, os professores não são reciclados com cursos de suas áreas a cada ano letivo, as escolas não têm sistemas de internet e as crianças não tem um notebook de R$ 500 porque a educação não é prioridade no município.

Comparando Campos com Niterói e a cidade de Santos em São Paulo, a fotografia dos indicadores da Educação é discrepante. Vejamos as colunas abaixo:

 

Infográfico de L. C. Lopes, o “Rato” - Folha da Manhã
Infográfico de L. C. Lopes, o “Rato” – Folha da Manhã

 

Na coluna (1) a fotografia do ‘holocausto educacional’ em Campos comprova a tese que a governante da cidade que está de plantão há seis anos junto com o secretário de governo, não prioriza a Educação. Niterói ocupa a sétima posição no ranking com receita corrente de R$ 7,2 bilhões e Santos é sexto lugar com receita de R$ 9,4 bilhões, enquanto a cidade campista teve de receita acumulada nos últimos cincos anos (2009 a 2013)  R$ 11,971 bilhões. Portanto, comparando com Niterói, a diferença de receita chega a R$ 4.77 bilhões e mesmo assim, os indicadores de desempenho de Campos são decepcionantes comparáveis as duas cidades. É inimaginável como uma governante com o caixa cheio de dinheiro deixar a Educação chegar ao estado que está no ranking número 1.445º entre os 5.565 municípios do país.

Observando as colunas 2 e 3, o IDH é mais discrepante, e pior, o IDH Geral, coluna 3 é superestimado, pois o PIB de Campos é falso, cerca de 70% é extraído do mar e reportado para as matrizes das empresas fora da cidade. Traduzindo em linguagem mais simples, os empregos gerados em Campos são oriundos da empregabilidade da Prefeitura e do comércio local, e a renda per capita não pode ser incluída no calculo do IDH sem expurgar a renda remetida do mar para fora da cidade. Recalculando, o IDH de Campos é igual ao de cidades dos grotões do Maranhão.

Na coluna 4, a população com mais de 18 anos que terminaram as primeiras séries do ensino fundamental, o índice é alarmante: só 70% concluíram o ciclo escolar considerado de baixa qualidade em decorrência dos baixos indicadores do Ideb.

O “holocausto educacional” implantado em Campos é comprovado quando entramos no quadro das despesas correntes por função. A prefeita em cinco anos gastou na Educação do ensino básico, apenas R$ 1,555 bilhão, representando 14% em média das despesas correntes.

Comparando com os gastos da administração, onde são alocados contratos com terceirizados e com empresas prestadoras de serviço, o quadro é vergonhoso e irresponsável, condenando uma população de adolescente a não ter oportunidade a uma vaga no mercado futuro de trabalho. A conta administração chega a ser o dobro do que é gasto na Educação. Foram gastos R$ 2.986 bilhões neste período de governo do modelo venezuelano dos Garotinhos.

Outras contas chamam a atenção, como o gasto com cultura que chaga a R$ 124 milhões, uma média de R$ 20 milhões por ano. Com este dinheiro daria para montar várias oficinas de teatro e de cinema para a população. Pergunta-se: para onde foi este dinheiro?

Na conta transporte, outro valor jogado na lata do lixo. São R$ 250 milhões que financiam o sistema de transporte com o programa Passagem a R$ 1,00.

Nos encargos especiais, despesas com dívidas, o valor é alarmante para um município que tem receitas de R$ 2.4 bilhões por ano em média e que está endividado.

Na conta assistência social, foram gastos outros R$ 334 milhões em programas de distribuir esmolas.

Com despesas judiciais, o valor gasto é de R$ 50 milhões em processos jurídicos e com advogados sem considerar R$ 14 milhões pagos no primeiro semestre de 2014 em época de eleição para governo do Estado.

Na conta de obras — urbanismo, habitação, saneamento e gestão ambiental — o valor é escandaloso. Em cinco anos foram gastos R$ 2.591 bilhões e na Saúde outros R$ 2.844 bilhões.

Com uma série de denúncias em cadeia ocorrida nos últimos dias, como no caso da perda de mais de R$ 110 milhões em títulos no mercado de capitais, a situação da prefeita é muito delicada no campo judicial, depois que o vereador Marcão do PT foi a plenário informar sobre o relatório que mostra o desfalque no caixa da Prefeitura decorrente da perda nas aplicações em títulos públicos.

As denúncias não param por aí, compras sem licitação na área da Educação traduzem o quadro de desmando que se encontra a gestão venezuelana implantada em Campos.

O casal que administra o município poderia ir a Niterói e Santos visitar os prefeitos e as escolas para tentar se sensibilizar e entender como se governa.

A prefeita e o secretário de Governo não sabem diferenciar entre crescimento da economia e desenvolvimento econômico. Tampouco têm políticas estruturantes de médio e longo prazo para benefício de todas as classes sociais, baseadas em vetores da produtividade, começando pelo investimento em educação.

Eles preferem políticas populistas de cunho assistencialista que deixa a população adormecendo em colchões de aparato sociais como o “Cheque cidadão” esperando a morte chegar. Campos está em concordata até 2016.

 

(*) Economistas e analistas políticos

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Datafolha: 63% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma

Infográfico da Folha de São Paulo
Infográfico da Folha de São Paulo

 

Por Ricardo Mendonça

 

Quase dois terços dos brasileiros (63%) afirmam que, considerando tudo o que se sabe até agora a respeito da Operação Lava Jato, deveria ser aberto um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

O desconhecimento a respeito do que aconteceria depois disso, porém, é grande.

No grupo dos que defendem a abertura de um processo que, no fim, poderia resultar na cassação da petista, só 37% sabem que o cargo de presidente ficaria com o vice. Quando instados a mencionar o nome do vice, metade desse subgrupo erra.

Conclusão: só 12% dos eleitores brasileiros são a favor de um processo de impeachment contra Dilma, estão conscientes de que o vice assumiria o cargo e sabem que o vice é Michel Temer (PMDB).

As conclusões são de pesquisa Datafolha finalizada na sexta-feira (10), dois dias antes das manifestações programadas contra a presidente para este domingo. O instituto ouviu 2.834 pessoas. A margem de erro é de dois pontos.

Dilma não é investigada pela Operação Lava Jato, que descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, mas o Ministério Público Federal afirma que parte da propina paga pelas empresas que participaram do esquema foi repassada na forma de doações ao PT.

Embora o maior grupo da população apoie a abertura do processo de impeachment –posição que nenhum partido relevante defende explicitamente até agora–, a maioria (64%) não acredita no afastamento de Dilma. Menos de um terço (29%) acham que a presidente seria afastada.

O apoio aos protestos contra a presidente é alto (75%), assim como a taxa de eleitores que associam Dilma ao escândalo de corrupção na Petrobras, objeto da investigação da Operação Lava Jato.

Para 57%, Dilma sabia da corrupção na estatal e deixou acontecer. Outros 26% opinam que ela sabia, mas nada poderia fazer para impedir.

A pesquisa mostra também que a Lava Jato pode estar alterando a percepção dos brasileiros a respeito dos problemas do país. Pela primeira vez, o tema corrupção aparece empatado com saúde na liderança do ranking de maiores preocupações. Para 23%, o maior problema é a saúde. Para 22%, corrupção.

O instituto apurou um empate também — este no limite da margem de erro — ao simular uma nova eleição presidencial. Se Dilma fosse cassada e novas eleições fossem convocadas hoje, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) alcançaria 33% das intenções de voto contra 29% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Repercussão

Em visita à Cidade do Panamá, onde está sendo realizada a Cúpula das Américas, Dilma foi indagada, na noite deste sábado (11), sobre os resultados da pesquisa Datafolha.

“Querida, eu não vou falar [sobre o tema]. Posso falar amanhã, depois de amanhã, quando chegarmos lá [no Brasil], sem problema nenhum. Mas, aqui, vou falar do que estou fazendo aqui”, disse a presidente.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

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O alvo não é mais Dilma, mas Lula, que a criou, e o PT. O Fora Dilma é o Fora Tudo Isso

Manifestação em São Raimundo Nonato, Piauí, 15/03/2015 (Foto: 180graus.com)
Manifestação em São Raimundo Nonato, Piauí, 15/03/2015 (Foto: 180graus.com)

 

 

Jornalista Mary Zaidan
Jornalista Mary Zaidan

#ForaDilma2

Por Mary Zaidan

 

Com a participação confirmada de quase 400 cidades de diferentes portes, o Brasil volta às ruas neste domingo com o bordão Fora Dilma, expressão maior para tudo aquilo que se abomina no petismo, a começar pela institucionalização da corrupção.

Mais do que a absoluta inabilidade da presidente para gerir o apetite da base aliada e do amigo da onça PMDB, a combinação do caos na economia — inflação e desemprego em alta — com a roubalheira generalizada derrotou o que o PT considerava impossível: o apoio popular, incluindo aí os mais pobres, para quem o partido dizia governar.

As manifestações que os petistas adorariam poder limitar aos “coxinhas”, aos que não suportam ter de dividir viagens de avião com pobres, e a golpistas, ganharam apoio farto entre todas as faixas sociais e em lugares impensáveis.

A pequena cidade maranhense Satubinha, com pouco mais de 13 mil habitantes, que em outubro deu 81,9% de seus votos a Dilma, vai às ruas. São Raimundo Nonato, situada a 576 quilômetros de Teresina, que no último dia 15 de março abarrotou a praça em frente à Prefeitura, promete voltar hoje contra a mesma Dilma que arrebatou 77.6% dos votos de seus 32 mil habitantes. São apenas alguns exemplos.

A partir dos critérios absurdos da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que define como classe C renda entre R$ 291 e R$ 1.019, Dilma propagou aos quatro ventos que fez o maior salto social do planeta, elevando mais de 40 milhões de brasileiros à classe média. Viu tudo ruir em segundos.

Bastou o aumento nas contas de luz para quebrar o encanto. E esse foi apenas o primeiro dos ajustes necessários para corrigir a quantidade de besteiras feitas no primeiro mandato. Outros virão. Talvez ainda mais graves e mais caros.

O curto-circuito se completa com as roubalheiras descobertas, uma atrás de outra, que, além da Petrobras, chega às obras de energia e de transporte, na sagrada Caixa Econômica.

Corrupção, como disse Dilma, é mesmo uma velha senhora. Só que esta senhora hoje tem RG, CPF, passaporte. E dá as cartas no sistema que o PT montou para financiar o seu projeto de poder.

Com índices de desaprovação nos píncaros – 64%, de acordo com o Ibope – e míseros 12% de avaliação positiva, ao governo petista resta apenas uma torcida: que os números das manifestações de hoje fiquem aquém dos de 15 de março. Tendo a desfaçatez como marca registrada, um milhão e meio será cantado como vitória. Menos de um milhão, então, o Planalto fará festa.

Nesta altura, o alvo não é Dilma, mas Lula, que a criou, o PT e tudo aquilo que ele passou a simbolizar: um governo que enganou, fez pouco, mentiu a quem nele apostou. O partido que privatizou o Estado para si, que se elegeu para combater todos os males e se tornou o senhor absoluto de todos os males. Que fez e faz o que condenava com veemência. Que enriqueceu em nome dos pobres.

O Fora Dilma é o Fora Tudo Isso.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Após 7 anos de vacas gordas, dinheiro que sumiu é poupado agora para 2016

Eu penso que

 

Reforma administrativa e 2016

Por Ricardo André Vasconcelos, em 11-04-2015 – 13h39

 

Rosinha & Garotinho

 

Depois de sete anos de vacas gordas, período em que aproveitou-se como quis e pode, o governo Rosinha & Garotinho, rende-se ao óbvio e resolveu reduzir a paquidérmica máquina administrativa. Construída para abrigar o leque de apoio de mais de dezena de partidos, a estrutura vai passar dos atuais 39 órgãos (confira aqui), para apenas 10 secretarias, uma fundação, uma companhia, a procuradoria, o Gabinete da prefeita e o Instituto de Previdência dos Servidores, num total de 15 órgãos ocupantes por comissionados DAS-1, com status de secretário.

As secretarias e fundações extintas vão virar subsecretarias ou superintendências das remanescentes. Exemplo: As atribuições da atual secretaria de Comunicação Social vão passar para a superintendência de Comunicação da secretaria de Governo, enquanto as funções da Fundação Municipal da Infância e Juventude serão assumidas Por uma superintendência da nova secretaria municipal do Desenvolvimento Humano e Social, para onde irão também as ações das secretarias do Idoso e de Trabalho e Renda.

Informações oficiais dão conta de economia anual de R$ 14 milhões. O problema não está aí. A porca vai torcer o rabo na hora de acomodar algo em torno de três centenas de ocupantes de cargos de confiança que ficarão teoricamente desempregados com a extinção dos órgãos para os quais foram nomeados como assessores, diretores, chefes de departamentos. Primeiro é preciso escolher entre os atuais secretários quem vai assumir as novas secretarias ampliadas, depois como ficam os cargos inferiores em cada estrutura extinta. Em algumas secretarias ou fundações a serem extintas, o número de superintendências ou subsecretarias, passa de meia dúzia. Onde encaixar esse pessoal todo?

Dos 15 cargos remanescentes do primeiro escalão, estão em disputa 11, porque na secretaria de Governo permanece Garotinho, no Controle e Orçamento, Suledil Bernardino, na Saúde Chicão Oliveira e na Procuradoria-Geral, Matheus José. Os demais (cerca de 30 atuais auxiliares) estão em volta de apenas 10 cadeiras: Fazenda; Educação, Cultura e Esportes; Infraestrutura e Mobilidade Urbana; Desenvolvimento Humano e Social; Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Ambiental e Gestão e Pessoas e Contratos. Além da Previcampos, Codemca, Fundação Municipal de Saúde e Gabinete da Prefeita.

Na esteira da necessária reforma administrativa a falange política dominante aproveita para armar o tabuleiro para as eleições do ano que vem. Defenestra quem não interessa, incensa quem pode ser útil e testa uns e outros. E mais: deixa na expectativa um exército que cabos eleitorais postos na inatividade, mas com a esperança viva de voltarem ao front para a batalha de 2016. O dinheiro que falta ou poupa-se agora, vai abundar na época certa.

 

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Crítica de cinema — Uma animação que não decepciona

De olhos bem abertos

 

cada um na sua casa

 

Mateusinho 3Cada Um Na Sua Casa — Esta é a  nova aposta dos estudos Dreamworks, realizadores dos mega sucessos “Shrek” e “Madagascar”. Sob a direção de Tim Johnson (que já dirigira “FormiguinhaZ” e “Os Sem Floresta”) o longa narra  a amizade entre dois “marginais”: um extratrerrestre meio desastrado e uma garota pré-adolescente. Como costuma acontecer neste tipo de relatos, aquilo que começa com uma relação de mutua desconfiança irá se tornando uma enorme amizade. Obrigados a percorrer um trajeto juntos ao redor da Terra, este road movie infantil coloca o foco nas diferenças culturais entre a espécie humana e a alienígena; em quanto podem ser diferentes as coisas quando são olhadas através de outra perspectiva e em como, ao aprender dos outros, podemos perceber aquelas coisas que antes não enxergávamos.

Além da amizade entre os protagonistas, o filme  possui um  humor que pode chegar a agradar mais aos adultos do que às crianças, mas os  momentos de ação e de comédia atrapalhada certamente na desapontarão os baixinhos. Tem também aqueles inevitáveis momentos  “tristes”, presentes em quase todos os filmes infantis, destinados a que as crianças entendam que na vida há obstáculos a ser superados para poder chegar a um final feliz, embora neste caso seja um final bastante previsível.

O filme é estridente, colorido e com uma direção de arte que resultará  muito atrativa para as crianças. Não entrará na lista dos longas de animação que marcaram uma época, como foram “Toy Story” ou “Shrek”,  mas garantirá uma hora e meia de entretenimento para seus filhos.

Falando de “Toy Story”: este ano fazem duas décadas que foi estreado o primeiro filme da Pixar, o qual seria também o primeiro longa de animação computadorizada, ou, como é conhecido em inglês, em CGI (Computer-Generated Imagery). A Pixar reinaria solitária como a produtora deste tipo de filmes por alguns anos, até que, em 1998, a Dreamworks (fundada por Steven Spielberg) lança “Formiguinhaz” — embora o estudo só ficaria a par da Pixar a partir de 2001, ano em que estréia “Shrek”.

Depois viriam as companhias Blue Sky (“A Era do Gelo”, 2002), a mesmíssima Disney (“Chicken Little”, 2005), Sony (“Está Chovendo Hambúrguer”, 2009), e muitas outras a concorrer no lucrativo segmento dos filmes infantis.

Revisando este breve resumo de filmes animados digitalmente, se percebe que a qualidade dos mesmos, tanto na técnica quando (e especialmente) nos roteiros, possuem uma média tão alta que dificilmente se encontre em outros gêneros cinematográficos. Nem sequer a animação convencional produziu tantos filmes bons de forma tão hegemônica. Pareceria ser que com a nova tecnologia apareceu também uma nova leva de diretores e roteiristas que vieram renovar não somente o cinema infantil, mas a sétima arte como um todo.

Ironicamente, este crítico lembra de uma oficina de animação que fez em Buenos Aires, lá no ano de 1992, onde o professor que ministrava a aula, uma eminência local, vaticinava que os gráficos animados por computador nunca iriam se equiparar aos desenhos tradicionais, realizados ‘na mão’, por ter aqueles a frieza e a dureza plástica do digital. Tinha razão, involuntariamente: não se igualariam. Viriam a ser superior a tudo que foi feito no cinema até o momento.

 

Mateusinho viu

 

Publicado ontem na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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