Carmen Gomes e Sylvia Paes — Oralidade no Folha Letras

 

Livro infantil “Ururau Pançudo” e suas criadoras, as professoras de História, escritoras e integrantes da Academia Campista de Letras (ACL) Carmen Eugênia Sampaio Gomes e Sylvia Paes

 

 

Por Carmen Eugênia Sampaio Gomes e Sylvia Paes

 

A literatura oral, o contar histórias, sejam elas lendas, contos, histórias de família, é como a varinha mágica que nos remete a um tempo espaço diferenciado e único, um momento de encantamento e afetividade. É essa oralidade que primeiro toca as crianças em seu mundo de fantasias. São elas que se transformam em ururau para nadar no rio, voam em dragões e comem doces junto com João e Maria. Enquanto crianças vivemos esse universo sobrenatural de encantamento e de magia que carrega o mundo real sem a sua crueldade.

No Paleolítico o homem produziu esculturas, pintou paredes de cavernas e dançou ao redor do fogo. Ele se tornou nômade no neolítico e construiu habitações fixas em áreas férteis junto aos rios, domesticou animais e grãos, cresceu demograficamente. Iniciou trocas comercias, a divisão do trabalho e, por conseguinte, a interpretação do místico e do sagrado. Os cultos agrários foram a origem das festas populares com danças e cânticos incorporando máscaras e outros adereços. Para Nitzsche “a arte é a única justificativa possível para o sofrimento humano”. (apud Murray 2005)

Segundo documento da Unesco o Patrimônio Cultural Imaterial representam as práticas, as expressões e os conhecimentos técnicos de um grupo social, pelos quais os indivíduos se reconhecem como sendo parte desse grupo. Esse patrimônio que se transmite de geração para geração está constante recriação de acordo com a visão de mundo de cada um desses grupos. Portanto esse patrimônio é flexível uma vez que está em constante processo de mutação de valores. (Guidolin e Zanotto 2016:79)

É na infância que nossas varinhas mágicas, muitas vezes feitas de um galho qualquer, têm o poder da transformação de imaginação em “realidades” únicas e individuais. Nossas bonecas falam, o lobo mal está escondido atrás da porta, animais falam. A literatura trás na sua essência a capacidade de transformar tudo isso em objetos de afeto depois da chupeta e mamadeira. A literatura oral remete a momentos de transformação e encantamentos, o alumbramento do momento mágico. (Rios 2013)

A oralidade como patrimônio imaterial podem ajudar aos alunos a construir a sua história, a história da família, a história da nação. Os registros de memória são objetos de memória que contextualizam o tempo e o espaço. A memória popular está contida na memória familiar por meio das festas e podem ser também memórias coletivas. A memória pública está nos locais consagrados à preservação da memória. (Del Priore e Horta 2005)

 

Importância da memória para formação da identidade

Os estudos da neurociência tratam a memória como um fenômeno resultante de um sistema dinâmico e assim se associam as ciências humanas e sociais.

Para Pierre Janet (apud Le Goff, 1996 : 242) o ato da memória está diretamente ligado ao comportamento narrativo, sendo a linguagem produto das relações sociais. Primeiro se fala, depois se escreve, diz Henri Atlan, sendo a escrita uma extensão da memória. “Isto significa que antes de ser falada ou escrita, existe uma certa linguagem sob a forma de armazenamento de informações na nossa memória.” (Atlan, 1972 : 461 apud Le Goff, 1996 : 425)

Contudo a memória pode sofrer perturbações causadas pelas nossas emoções, por exemplo, que podem apagar certos detalhes ou por outro lado dar destaque demasiado a certos fatos. Também pode sofrer pela afasia[1] ou pela amnésia a perda de referenciais importantes.

Transformações significativas acontecidas na memória coletiva possibilitaram o aparecimento da escrita. Ou seja, para não se perder ou para evitar transtornos na memória social do grupo, houve a necessidade da produção de símbolos que dessem sentido à memória coletiva, à escrita. E a memória coletiva foi então gravada em muros das cidades e dos templos para sua perpetuação.

Na sua dimensão política, o patrimônio é a memória que revive é uma história remanipulada, reprimida. Os documentos antigos sejam eles escritos, iconográficos, arquitetônico, paisagem saberes e fazeres, a própria oralidade é uma herança comum. Dizem Mary Del Priore e Maria de Lourdes Horta (2005) que: “A memória é a faculdade de lembrar e conservar estados de consciência passados e tudo quanto a ele está relacionado”.

 

Leitura e identidade: Coleção “Tô Chegando”

Chegou o momento de contarmos um pouco de o nosso caminhar acerca da contação de histórias das investidas referentes à preservação da nossa cultura. Aliadas às nossas memórias locais, ao nosso patrimônio material e imaterial e, portanto, a nossa história e identidade enquanto cidadãs do maior município do Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes, nos lançamos nessa aventura de promover para estudantes da educação básica material para didático que comtemple um pouco dessa nossa história e tradição cultural.

Em 2012 sentindo a dificuldade de colegas professores de história, em obter material apropriado para o trabalho da história local, resolveram escrever para os pequenos. Então nasceu a Coleção “Tô Chegando” e o primeiro livro “Ururau Pançudo” foi lançado na Bienal do Livro de Campos em 2014. Todos os livros da Coleção “Tô Chegando” tratam do patrimônio cultural local/regional com ênfase no patrimônio intangível, contudo não deixam de abordar o patrimônio ambiental e material, sobretudo o arquitetônico.

Podemos dizer que os livrinhos têm marcas identificadoras; toda coleção tem ilustrações de Alício Gomes; tem links com imagens dos personagens; as histórias sempre terminam à noite por entendermos que o amanhã nos traz sempre uma nova história; ao final da história mantemos um glossário que sempre traz a linguagem regional; também um exercício é proposto para fixação dos saberes adquiridos com a leitura.

Bem, parece que foi ontem, mas já se passaram 10 anos do lançamento do primeiro livro da coleção “Tô Chegando”, Ururau Pançudo. Então, as autoras resolveram comemorar de forma a envolver a comunidade escolar. Dessa forma, fomos em busca de oportunidade e ela chegou quando do lançamento do programa Mais Ciência na Escola, promovido pela secretaria municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), que disponibilizou a área de Ciência Humana e de Interdisciplinaridade. Foi neste contexto que o projeto “Ururau Pançudo: a lenda continua…” foi agregado.

Neste momento, encontramo-nos em fase de escrita da lenda (continuação) por parte dos estudantes. Aguardamos o encaminhamento das três (03) melhores histórias de cada unidade escolar. As três (03) histórias escolhidas pela comunidade escolar serão analisadas por um grupo de especialistas da Seduct e das autoras do livro. Dessas (03) histórias, sairá apenas uma que vai disputar com as demais produções das outras escolas.

Propomos que os estudantes envolvidos no projeto pudessem valorizar o patrimônio cultural regional/local, descrevendo o espaço vivido e as características do território. A narrativa deve ser focada na realidade deles, oportunizando a observação e analise da comunidade. A questão de pertencimento e de identidade está em pauta.

A produção que ganhar o primeiro lugar terá sua história ilustrada pelo profissional Alício Gomes, responsável pela produção visual da coleção “Tô Chegando”. E terá a sua disponibilização em forma de e-book, além de outros prêmios.

 

Considerações finais

Enquanto componentes do Grupo Unsum, estamos há 10 anos na caminhada objetivando promover a valorização da cultura e da tradição local. Entendemos que não se pode amar uma história e uma tradição se não as conhecemos. Refletir que num mundo globalizado e cheios de atrativos efêmeros e transitórios de valores, buscar na memória do coletivo próximo, dos grupos em que pertencemos, os elementos que nos unem e tecem identidades específicas de dessa comunidade é de vital importância. Um povo sem memória é um povo sem alicerce e facilmente manipulado pelos interesses de grupos economicamente globalizantes, que visam apenas os interesses das grandes empresas. E assim, nós nos tornamos presas fáceis senão nos apegarmos aos nossos valores, tradições e cultura e nos fortalecermos enquanto grupos.

 

Referências

GUIDOLIN, Camila e ZANOTTO, Gisele. Patrimônio Imaterial. In: Mapeamento do Patrimônio Imaterial de Passo Fundo/RS. Passo Fundo: Projeto Passo Fundo, 2016.

HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. Os lugares de memória. Memória patrimônio e Identidade. Ministério da Educação: Boletim 4, abril 2005.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas/São Paulo: Editora da UNICAMP, 1996.

MURRAY, Charles. As Festas Populares como objetos de memória. Memória patrimônio e Identidade. Ministério da Educação: Boletim 4, abril 2005.

RIOS, José Arthur. Objetos não são coisas. Rio de Janeiro: José Arthur Rios, 2013.

SANTOS, Isabela de Oliveira.  A Contação de Histórias da Educação Infantil. Monografia apresentada ao Centro de Ciências do Homem (CCH), da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como requisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia. Campos dos Goytacazes – RJ junho2018.

[1] É a perda do poder de captação de expressão da palavra ou símbolos que podem ocorrer em casos de lesões em centros celebrais, mas que não acontecem por defeito ou perda auditiva ou do mecanismo fonador.

 

Folha Letras da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Felipe Fernandes — Nem Nicolas Cage sustenta novo thriller

 

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

Angústia, desconforto e excentricidade

Por Felipe Fernandes

 

Situada no início dos anos 90, “Longlegs: Vínculo mortal” é um thriller que reverencia duas obras seminais do gênero lançadas naquele período, os clássicos “O silêncio dos inocentes” e “Seven”. Não por acaso, na cena de apresentação do caso, o chefe da polícia afirma que o trabalho deles é bater de porta em porta, como nos filmes. Um diálogo preguiçoso, que reforça sua base cinematográfica.

O filme trabalha sua linha temporal através dos detalhes. Abre com uma razão de aspecto diferente, que por associação e pelo trabalho do design de produção, nos remete aos anos 70 e com a curiosa escolha de expor ambientes com quadros dos presidentes estadunidenses vigentes. Com a figura de Bill Clinton surgindo constantemente nos escritórios do FBI. Uma forma curiosa de estabelecer o período que a história se passa. Uma decisão que soa mais como um capricho, já que não encontra relevância na trama.

A obra abraça mais as características do cinema de horror que as de investigação policial. O longa constrói uma atmosfera angustiante, um local frio, nublado, com ruas sempre vazias, um local aparentemente sem vida. A característica é compartilhada com a protagonista, representada em uma transição da personagem para uma árvore sem vida.

A protagonista Lee Harker é uma mulher claramente deslocada. Parece uma pessoa sem energia, sem vivacidade. Ela apresenta uma espécie de clarividência, que traz à tona uma pegada sobrenatural, que se expande na reta final da trama. Sua vida também parece ser consequência de um trauma, característica recorrente nesse estilo de personagem.

O filme é um recorte de elementos de filmes do gênero e a direção de Osgood Perkins reflete muito isso. Os zooms sutis e constantes, as câmeras subjetivas, os enquadramentos que apresentam espaços vazios, de onde algo pode surgir, emulam um estilo de direção muito comum no cinema de terror desse início de século. A referência temática são os anos 90, mas a direção dialoga com o terror atual.

Praticamente todo o marketing do longa foi feito sobre a atuação de Nicolas Cage. O próprio filme brinca com isso, já que por mais da metade do filme acompanhamos o assassino sem de fato ver o seu rosto. Uma decisão eficiente em criar um suspense sobre o personagem, mas que termina em uma revelação anticlimática de um personagem de visual pouco inspirado. Parece um rockeiro andrógeno, sensação reforçada pelos posters em seu quarto e na constrangedora cena em que ele canta.

Conhecido por seu estilo por vezes excêntrico e exagerado em suas atuações, nos últimos anos, Cage se tornou meio cult justamente por isso. Aqui, ele tem um papel que permite utilizar esses exageros em uma composição interessante, compondo um personagem ora ameaçador, ora meio patético.

Na mistura de thriller com elementos sobrenaturais, “Longlegs: Vínculo mortal” é um longa que cultua clássicos e busca uma subversão ao misturar elementos do cinema de horror. O saldo final é um longa com boas ideias, algumas inconsistências de roteiro e sem muita personalidade. Que não se sustenta nem pela atuação de Nicolas Cage. É mais um terror mediano, em um ano repleto deles.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

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Delegada Madeleine: “a surpresa ficará para 6 de outubro”

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Madeleine: “surpresa de 6 de outubro”

Os movimentos entre 2024 e 2026 são especulações. Que esbarram na ressalva do gênio do futebol Mané Garrincha na Copa do Mundo de 1958 ao técnico Vicente Feola, que arquitetava planos para o Brasil vencer a União Soviética: “O senhor já combinou com os russos?” Clube que revelou Garrincha, o Botafogo lecionaria no Brasileirão de 2023: não existe campeão de véspera. Sobre a projeção de teto (máximo) de votação pelas pesquisas Paraná e Big Data, em 2º lugar entre 17,9% e 15% de intenção do voto (ou entre 20,81% e 17,44% de voto válido) na estimulada, a Delegada Madeleine (União) preferiu não comentar. Mas garantiu: “a surpresa ficará para 6 de outubro”.

 

Projeção de tetos de votação

No último sábado (31), para além das suas intenções de voto, o teto de Madeleine foi projetado entre os campistas que hoje não aprovam o governo Wladimir: 23,6% na pesquisa Paraná e 27% na Big Data. Sobre esses parâmetros, opinaram os estatísticos Eduardo Shimoda, professor da Candido Mendes; e William Passos, do Nuperj da Uenf; o diretor do instituto de pesquisa Pro4, Murillo Dieguez; os cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hugo Borsani, professores da UFF-Campos e da Uenf; e o sociólogo Roberto Dutra, outro professor da Uenf. Os seis especialistas projetaram a possibilidade da reeleição de Wladimir em turno único.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Jefferson e números de indecisos

Em 3º lugar na corrida a prefeito de Campos, entre 2,7% e 4% de intenção de voto nas consultas estimuladas Paraná e Big Data, Professor Jefferson comentou: “As pesquisas captam o momento presente, não o futuro. A campanha está em aberto, o voto não está cristalizado na maior parte do eleitorado. As projeções indicam que essa decisão se cristaliza nos últimos 15 dias antes da eleição. Mais de 50% dos entrevistados ainda não definiram o seu voto”, apostou com base nos 53,9% de indecisos na consulta espontânea Paraná, reduzidos a 30% na Big Data. Indecisão que, nas consultas estimuladas, cai para apenas 5,8% e 6% dos eleitores.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sem “já ganhou”

“Esse clima de ‘já ganhou’ (em relação ao favoritismo de Wladimir nas pesquisas) não é o que sentimos nas ruas. Tenho andado por toda a Campos, ouvindo e conversando com pessoas em diferentes contextos sociais. A propaganda na TV acabou de começar e aos poucos nosso nome e nossa imagem já ganham mais visibilidade. Tenho absoluta certeza de que teremos tempo para apresentar nossas propostas e vamos chegar ao 2º turno. Nós temos o melhor programa para o enfrentamento dos problemas estruturais do nosso município, com justiça social e equidade”, pregou Jefferson.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dr. Buchaul e Pastor Fernando

Entre 0,6% e 1% nas estimuladas Paraná e Big Data, Dr. Buchaul (Novo) disse: “Eleição é decidida nas urnas, poucos dias antes do pleito. A população nem sabe direito quem são os candidatos. As entrevistas só começaram e os debates ainda não foram marcados”. Já o Pastor Fernando (PRTB), entre 0,1% e 1% de intenção de voto, disse: “Sou pastor há 40 anos e toda a minha vida foi dedicada a servir. Construímos um programa de governo que atenderá às necessidades da população. Aceitei o desafio como uma missão”. Os candidatos Raphael Thuin (PRD), entre 1,1% e 1%; e Fabrício Lírio (Rede), entre 0,7% e 1%, preferiram não comentar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Wladimir garante Frederico e nova mesa diretora na pauta

 

Frederico Paes e Wladimir Garotinho na Câmara Municipal de Campos

 

 

Vice de Wladimir

Desde a eleição de 2020, a candidatura a vice-prefeito do engenheiro agrônomo e diretor da Coagro Frederico Paes (MDB) sofre pressões internas no grupo político hoje liderado pelo prefeito Wladimir Garotinho (PP). Sobretudo no grupo original, mais ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (REP), hoje candidato a vereador na cidade do Rio de Janeiro. Se foi assim há quatro anos, quando Frederico era considerado fundamental à penetração da chapa na 98ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, na tentativa de levar no 1º turno, voltou a ser agora, quando Wladimir lidera em todas as pesquisas na 98ª ZE e na possibilidade de se reeleger (confira aqui) no 1º turno.

 

“Frederico só não será vice se não quiser”

As especulações de que Caio Vianna (também MDB) pudesse substituir Frederico como vice na chapa de Wladimir começaram desde que o primeiro rompeu (confira aqui) com o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) para se aliar, em 29 de março deste ano, ao prefeito de Campos. “Cupido” da aproximação política entre Caio e Wladimir, especula-se que o candidato a vereador governista Dudu Azevedo (REP) tentaria operar essa mudança na chapa. Que, pela legislação eleitoral, pode ocorrer até 20 dias antes do pleito. Mas foi negada com veemência: “Frederico só não será o vice se não quiser”, disseram ontem à coluna, em uníssono, Wladimir e Dudu.

 

Nova mesa diretora da Câmara Municipal

Dudu creditou essas especulações com seu nome para trocar Frederico por Caio como vice na chapa de Wladimir às urnas de 6 de outubro, daqui a apenas 32 dias, como “conversa plantada pela oposição para tentar dividir nosso grupo”. Com a divulgação das pesquisas Paraná e Real Time Big Data no início da semana passada, ambas conferindo à reeleição da chapa Wladimir/Frederico os mesmos 63% das intenções de voto (ou 73,26% das intenções de voto válido) na consulta estimulada, a disputa passou a ser, além de tentar diminuir essa grande diferença a prefeito, pela eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito x presidente da Câmara

A oposição trabalha com a possibilidade de Wladimir, se reeleito, deixar a Prefeitura em 2026 para se candidatar a outro cargo: deputado federal (mandato que já ocupou) ou, a depender das circunstâncias, a senador ou compondo chapa de governador. Como ser cabeça de chapa a governador em 2026 é hoje a meta de Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj e principal líder da oposição em Campos. Assim, mesmo se perdessem a prefeito com a Delegada Madeleine (União), os Bacellar fariam tudo para manter a presidência da Câmara, hoje ocupada por Marquinho (União). Na principal derrota política, até aqui, do governo Wladimir.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula pede voto em Jefferson para prefeito de Campos

 

Lula e Jefferson (Foto: Divulgação)

 

“Em Campos, vote no Professor Jefferson”. Foi o que pediu em vídeo de campanha à eleição a prefeito de Campos em 6 de outubro, divulgado nesta noite de 3 de setembro à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Confira abaixo:

 

 

— Estamos colocando o Brasil na direção de um futuro melhor para todos, trazendo de volta programas como o Farmácia Popular e o Mais Médicos, criando empregos, cuidando das pessoas. A gente saber quem ninguém governa sozinho. Precisamos estar juntos, trabalhando para melhorar a sua vida e a de sua família. Agora é hora de quem vai nos ajudar a colocar a sua cidade no rumo certo. Em Campos, vote no Professor Jefferson — pediu Lula.

Ao ser eleito presidente da República pela terceira vez, o líder petista teve no 2º turno presidencial de 2022 o voto de 100.427 campistas, ou 36,86% dos votos válidos. Pesquisas dos institutos Paraná e Real Time Big Data, divulgadas em 26 e 27 de agosto, deram a Jefferson entre 2,7% e 4% de intenção de voto na consulta estimulada. O que corresponde a 3,14% e 4,65% de intenção de voto válido para 6 de outubro, daqui a pouco mais de 32 dias.

 

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Candidato a prefeito de SJB, Danilo Barreto no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Administrador público e candidato a prefeito de São João Da Barra, Danilo Barreto (Novo) é o convidado do Folha no Ar desta terça (3), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele dá sequência à série de entrevistas que o Grupo Folha começou a fazer com todos os candidatos a prefeito de SJB e Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, com a presença dos representantes de todas as candidaturas.

Danilo falará dos erros e acertos da gestão Caputi, de como pretende reverter o cenário apontado pelas pesquisas eleitorais (confira aqui) e da sua nominata de vereadores. Ele também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, do que propõe sobre o Porto do Açu, geração de emprego, avanço de mar e captação e fornecimento de água potável no município.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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“Bala de prata” contra Wladimir de vereadores governistas?

 

Entre as confusões e ameaças entre os vereadores governistas Bruno Pezão e Kassiano Tavares, ambos da Baixada, o prefeito Wladimir Garotinho, favorito em todas pesquisas à reeleição (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Sobre o teto de Wladimir, tudo pode ampliar ou diminuir a receptividade do eleitor. Há o imponderável, mas as ‘balas de prata’ são raríssimas”. Foi o que disse o cientista político George Gomes Coutinho, em matéria no sábado (confira aqui) sobre o teto de votação do prefeito Wladimir Garotinho (PP) em sua tentativa de reeleição na urna de 6 de outubro, daqui a 35 dias. Que as pesquisas Paraná e Real Time Big Data reforçaram a possibilidade de se dar no 1º turno, com os mesmos 63% de intenção de voto na consulta estimula.

Pois, no mesmo sábado, durante carreata de Wladimir na Baixada Campista — da 75ª Zona Eleitoral (ZE), maior do município —, uma nova confusão entre os vereadores governistas e também candidatos à reeleição Bruno Pezão e Kassiano Tavares, ambos do PP do prefeito, quase dá a “bala de prata” que a oposição tanto parece buscar. Entre agressões físicas e verbais entre os dois políticos da Baixada, com Wladimir no meio, o clima ficou bastante tenso.

Após a confusão entre os dois edis no sábado, com direito à ameaça de morte, Wladimir encerrou sua participação na carreata. E depois publicou em grupo de WhatsApp dos candidatos a vereador da base que não vai querer mais a companhia de nenhum, para evitar novas confusões.

Há quem no grupo que tenha achado a medida do prefeito exagerada, pois pode punir todos os candidatos governistas a vereador pelos erros reiterados de apenas dois. E há também o fato de que Wladimir ainda precisa dos votos de ambos na Câmara Municipal.

Além de disputarem votos na mesma área, a tensão entre Pezão e Kassiano estaria acirrada porque eles não têm reeleições consideradas seguras. As confusões entre os dois, no entanto, são antigas. Em 9 de agosto do ano passado, ambos se envolveram (relembre aqui) em um bate-boca no plenário da Câmara. E só não chegaram às vias de fato porque foram contidos fisicamente pelos colegas.

Já em 17 de agosto deste ano, um motorista e assessor do vereador Pezão foi detido pela Polícia Militar (relembre aqui) portando ilegalmente uma arma de fogo. A abordagem se deu na primeira atividade oficial da campanha de Wladimir: uma caminhada pelo distrito de Goitacazes, na Baixada Campista. Em que o clima acirrado entre Pezão e Kassiano teria sido o estopim da confusão.

 

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Apreensão de cerveja vendida em comitê do PT na Pelinca

 

Fiscalização eleitoral apreendeu cervejas que seriam vendidas, com tabela de preços fixada, no comitê de campanha do petroleiro e candidato a vereador de Campos Tezeu Bezerra (PT), na última sexta, na av. Pelinca (Foto: Divulgação)

A fiscalização da 129ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos fez uma ação na sexta (30) no comitê de campanha da candidatura do petroleiro Tezeu Bezerra (PT), no final da avenida Pelinca, e apreendeu latas de cerveja no local. Segundo o candidato e sua assessoria, as bebidas eram vendidas no comitê, o que seria permitido como fonte de arrecadação de campanha, não distribuídas gratuitamente, o que configuraria ilícito eleitoral. No entanto, o evento para arrecadação de campanha teria que ter sido comunicado ao cartório da 129ª ZE.

Em resposta hoje (1º) à consulta da Folha, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou que, mesmo que a cerveja fosse vendida para arrecadação de campanha, o cartório da 129ª ZE de Campos não foi comunicado previamente. O que teria motivado a ação da fiscalização, que apreendeu o material e encaminhou relatório ao Ministério Público Eleitoral:

— A equipe de fiscalização da 129ª ZE recebeu a denúncia por meio do aplicativo Pardal e dirigiu-se, na sexta, ao comitê do candidato a vereador do PT Tezeu, na av. Pelinca, onde constatou a distribuição de bebidas alcóolicas, refrigerantes e água. O comitê alegou que se tratava de evento de arrecadação de campanha. Todo material apreendido foi acautelado no cartório eleitoral. A 129ª Zona Eleitoral acrescenta que não houve comunicação ao cartório sobre a realização do evento de arrecadação de campanha eleitoral, conforme preceitua o inciso I, artigo 30, resolução do TSE 23.607. O relatório da fiscalização foi encaminhado ao Ministério Público, para as providências cabíveis.

Advogado de Tezeu, Normando Rodrigues informou:

— Contestaremos a apreensão, com pedido para restituição da mercadoria apreendida. Sugeriremos ainda, ao juiz eleitoral do caso, que o protocolo para esse tipo de fiscalização seja revisto, a fim de evitar abusos.

Juristas ouvidos pelo blog, com experiência em direito eleitoral, sem ligação com nenhuma campanha eleitoral, mas que preferiram preservar o anonimato, informaram que a venda de bebidas como fonte de arrecadação de campanha, segundo a resolução 23.607 do TSE, levantada pela nota do TRE, teria que ser comunicada “formalmente e com antecedência mínima de 5 (cinco) dias úteis, à Justiça Eleitoral, que poderá determinar sua fiscalização”.

Ademais, a Lei 9504/97 (Lei das Eleições), diz no § 6º do Art. 39:

— É vedada na campanha eleitoral a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor.

Evento do candidato na sexta foi anunciado nas redes sociais, com conta PIX para arrecadação, cerveja e karaokê (Foto: Reprodução)

Tezeu argumentou que ele e seus correligionários tentaram mostrar os recibos de PIX com os pagamentos pela cerveja. E que a fiscalização não teria levado em consideração, apreendendo o material no evento de sexta no comitê, que contava com venda de cerveja e um karaokê.

A campanha do petroleiro, presidente licenciado do Sindipetro-NF, e candidato a vereador de Campos emitiu nota sobre o ocorrido:

“A candidatura a vereador de Tezeu Bezerra vem esclarecer que a venda de bebidas, incluídas cervejas, para arrecadação de fundos de campanha, realizada no evento da inauguração de seu comitê eleitoral, é permitida pela legislação e pela resolução 23.607/19 do TSE, em seu Art. 15, inciso IV.

A lamentável apreensão ocorrida, a despeito da exibição de todos os registros de compra e venda aos fiscais do TRE, é sinal não só de que uma candidatura de trabalhadores incomoda. É sinal também da força das oligarquias, que se mobilizam contra qualquer concorrente legítimo que venha de fora.

As medidas judiciais serão tomadas, mas fica claro o abuso de autoridade, seletivo e discriminatório, contra quem conteste o poder.

Reflexo disso é a matéria que trata da ‘descoberta’ de latas de cervejas, como se fosse algo ilícito.

Ao trabalhador tudo é negado. Aos donos do poder, tudo é permitido.

A candidatura não só prossegue ante essa e outras perseguições. Ela existe exatamente contra essas e outras perseguições”, questionou a candidatura de Tezeu.

Em vídeo gravado e divulgado no sábado (31), o candidato a vereador e a deputado estadual Marina do MST (PT) também questionaram a ação da fiscalização eleitoral. Confira abaixo:

 

 

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Qual o teto de Wladimir (76%), Madeleine (27%) e Jefferson (7%)?

 

Com base nos números das pesquisas de 2024 e na eleição de 2020, qual o teto de voto de Wladimir Garotinho, Delegada Madeleine e Professor Jefferson nas urnas de 6 de outubro, daqui a 36 dias? A análise é dos estatísticos Eduardo Shimoda e William Passos; do diretor do instituto de pesquisa Pro4, Murillo Dieguez; dos cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hugo Borsani; e do sociólogo Roberto Dutra (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Hoje, a 36 dias das urnas de 6 de outubro a prefeito de Campos, qual seria o teto (votação máxima, acima dos 100% na soma das projeções) do incumbente Wladimir Garotinho (PP) e dos seus dois opositores mais bem colocados nas pesquisas: Delegada Madeleine (União) e Professor Jefferson (PT)?  Com base nas votações a prefeito passadas e nas mais recentes pesquisas Paraná e Real Time Big Data divulgadas no início da semana, ambas com os mesmos 63% de intenção a Wladimir na consulta estimulada — projeção de vitória no 1º turno, com aprovação de governo entre 76,3% e 73% —, 15% a 17,9% a Madeleine e 2,7% a 4% a Jefferson, é possível estimar o máximo de votos que cada um dos três poderá fazer?

Com base nos números, foi a pergunta feita aos estatísticos Eduardo Shimoda, professor de Mestrado e Doutorado da Candido Mendes; e William Passos, do Núcleo de Pesquisa Econômica do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf; ao diretor do instituto de pesquisa Pro4, o empresário Murillo Dieguez; aos cientistas políticos George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos; e Hugo Borsani, professor da Uenf; e ao sociólogo Roberto Dutra, também professor da Uenf. Em meio ao serviço de desinformação por um grupo político da cidade sobre a pesquisa Paraná, tão mal feito no dia 26 que acharam melhor ignorar no dia 27 a pesquisa Big Data, buscar analistas qualificados é a maneira honesta de proceder.

 

TETO DE WLADIMIR?

Em primeiro lugar, qual seria o teto de Wladimir, nas pesquisas Paraná e Big Data com os mesmos 73,26% de intenção de votos válidos (descontados os brancos/nulos e os ainda indecisos), bem próximo à sua aprovação de governo, entre 76,3% e 73%? Este é o seu teto? Ele pode ser mantido, reduzido ou ultrapassado até 6 de outubro?

Eduardo Shimoda — “De forma geral, algumas variáveis podem parametrizar o teto de um candidato. No caso do prefeito, um dos possíveis limitadores pouco se aplica: o desconhecimento da candidatura por parte da população. A rejeição seria outro fator e, aí, 16,3% não votariam nele, o que daria um teto teórico de 83,7%. Intenção de votos espontânea em outros candidatos e opção por nulos/brancos indicam um grau de convicção na escolha e esta parcela soma 14,1%, correspondente a um teto de 85,9%. A desaprovação foi de 19,4%, o que daria um teto de 80,6%. Claro que são tetos teóricos e, em função da intensificação da campanha, com os debates e o horário eleitoral, todas estas variáveis podem mudar”.

William Passos — “Acredito que o teto de votos válidos de Wladimir é maior que 70% e os números da Paraná e da Big Data, nos quais ele aparece acima desse patamar, mostram isso. Também acredito que ele deve crescer mais em intenção até 6 de outubro em função de um afunilamento com Madeleine e do próprio perfil agregador, pacificador e pragmático de Wladimir. Tenho dificuldade em observar um desejo coletivo de ruptura, o que favorece a reeleição no 1º turno. Primeiro mandato de alternância de grupo político tende a ser um mandato de comparação com o prefeito anterior na cabeça do eleitor. E na comparação com quatro anos atrás, há uma percepção generalizada de que a cidade melhorou”.

Murillo Dieguez — “Continuo acreditando que é uma eleição de um turno só. Continuo achando que Wladimir vai variar entre 60% ao teto de cerca de 70% dos votos válidos (que foi por ele antecipado em entrevista ao Folha no Ar no dia 20 e confirmado pelas pesquisas Paraná e Big Data divulgadas dia 26 e 27). Considerando a série histórica das pesquisas, desde o ano passado, tudo sugere uma consolidação”.

George Coutinho — “Sobre o teto de Wladimir, tudo pode ampliar ou diminuir a receptividade do eleitor. Há o imponderável, mas as ‘balas de prata’ são raríssimas. Sobre a relação aprovação da administração e intenção de voto, não uso essa correlação mecanicamente. Uma boa aprovação, em termos percentuais, amplia vantagem e a probabilidade de vitória. Porém, não necessariamente implica que todos que aprovam a gestão votarão no gestor. Até mesmo pelo problema da abstenção. Interpretando os dados empíricos das pesquisas, arrisco que a expressão concreta dos votos não igualará a aprovação da gestão. A boa aprovação aumenta as possibilidades de captação de votos, mas não garante o espelhamento dos números”.

Hugo Borsani — “Acho muito difícil a intenção de voto a Wladimir recuar até a data da eleição, a pouco mais de um mês. Seu governo é bem avaliado por mais de 70% do eleitorado e essa alta aprovação se mantém estável há muito tempo, no mínimo desde o ano passado, ou seja, trata-se de aprovação consolidada. A dúvida é se vai aumentar ou se chegou ao teto. Tendo a pensar que ainda pode obter alguns pontos percentuais, porém não muito mais. A principal rival é estreante em política e campanhas eleitorais, o que a faz menos conhecida do eleitor, especialmente daqueles que pensam na eleição no último momento. Mas há tradicionalmente uma parcela de eleitores do município que mantém rejeição à família Garotinho”.

Roberto Dutra — “Acho que o teto de Wladimir, em torno dos 70% dos votos válidos, foi alcançado. A principal razão é que ele é conhecido por todo o eleitorado, que aparentemente já se dividiu entre a grande maioria que aprova e vota no prefeito e a minoria que desaprova e vota na oposição. Não vejo possibilidade para ampliar esse teto. As chances de recuar também são pequenas. A tendência é Wladimir ser reeleito no 1º turno com esse patamar”.

 

TETO DE MADELEINE?

Em segundo lugar, hoje entre 20,81% das intenções de voto válido na Paraná e 17,44% na Big Data, qual seria o teto de Madeleine? Ele poderia ser fixado, como o de toda a oposição em conjunto, entre os 23,6% que não aprovam o governo Wladimir (19,4% que desaprovam, com 4,2% que não souberam opinar) na pesquisa Paraná e os 27% que não aprovam a atual gestão (21% desaprovam, com 6% que não souberam opinar) na Big Data?

William — “Acredito que sim. É factível que o teto de intenção de Madeleine, ou do conjunto da oposição, considerando as informações disponíveis até o momento, com base nas pesquisas registradas, oscile entre 24% e 27%. Aparentemente, Madeleine parece ser a principal herdeira do espólio eleitoral da intenção de Carla Machado, capitalizando, nesta eleição, a majoritária representação do antigarotismo. Porém, não acredito em ampliação deste teto até 6 de outubro, porque Wladimir é a grande força de gravidade desta eleição, carregando a vantagem do incumbente bem avaliado. O limite de Madeleine é o que ‘sobra’ de Wladimir. E o que ele tem, no atual cenário, basta para projetar sua reeleição no 1º turno”.

Murillo — “Acredito que a Delegada se sairá muito bem, sendo nessa eleição o que Makhoul Moussallem foi em 2012 (quando teve 25,52% dos votos válidos, mas a então prefeita Rosinha Garotinho se reelegeu no 1º tuno com 69,96%). O segundo lugar, com folga, me parece ser dela. Além de vários fatores endógenos, ela é muito boa de campanha. Tem tudo para crescer além dos seus números de hoje. Poderia elencar uma meia dúzia de motivos, mas destaco a questão religiosa e a agenda de costumes, a taxa de conversão mediante conhecimento, imagem positiva e baixa resistência”.

George — “Sobre os tetos de Madeleine e Jefferson, concordo que o espaço é limitado pelo número dos eleitores nas pesquisas que não aprovam o governo Wladimir. As intenções de voto do incumbente rebaixam o teto das intenções de voto de seus concorrentes. A tomada de decisão nas urnas, numa eleição majoritária, não permite estabelecer ordem de preferências. É a preferência, no singular, e ponto final. Tanto Madeleine quanto Jefferson precisam ampliar a rejeição do incumbente, especialmente de sua imagem enquanto indivíduo. Também precisam modificar a percepção do eleitorado sobre a gestão, gestão esta que foi defendida e publicizada em um trabalho de mais de 3 anos e meio. Tudo isso em pouco mais de 30 dias”.

Hugo — “Acredito que, sim, esse número entre 23,6% e 27% é o teto da candidata Madeleine. E acho pouco provável que seja ampliado. A aprovação à gestão do atual prefeito e a intenção de votos a ele se mostram estáveis há muito tempo e somente erros importantes de Wladimir no último mês de campanha poderiam produzir uma mudança significativa de votos para Madeleine, que leve a aumentar esse teto. A experiência política do prefeito e a condução de sua campanha até o momento indicam ser muito improvável esse fator surpresa”.

Roberto — “Parece-me que o teto de Madeleine ou já foi alcançado ou está muito próximo de sê-lo. Ele até pode ser ampliado até o dia da eleição, mas tendencialmente com intenções de votos de outros candidatos de oposição. A posição do prefeito parece muito bem consolidada para que possa perder votos para a oposição”.

Shimoda — “Semelhante ao que ocorre com Madeleine, outras restrições ao teto relacionam-se ao conhecimento da candidatura e à associação ao petismo do Jefferson. À medida que o candidato ficar mais conhecido, as intenções de voto podem aumentar, mas pode haver também aumento de rejeição por parte dos que não simpatizam com a esquerda ou a direita”.

 

TETO DE JEFFERSON?

Em terceiro lugar, hoje variando na intenção de voto válido entre 3,14% na pesquisa Paraná e 4,65% na Big Data, Jefferson poderia ter como teto em 2024 os 6,56% dos votos válidos que as duas candidatas de esquerda, soma dos 4,68% de Natália Soares e do 1,88% de Odisséia Carvalho, tiveram na eleição de 1º turno a prefeito de Campos em 2020?

Murillo — “Acho que Jeferson terá dificuldades para decolar por vários motivos. E também poderia elencar meia dúzia de observações. Mas destacaria rejeição forte ao PT em Campos, a baixa capilaridade e os poucos partidos na coligação, com nominatas de candidatos com baixo potencial de voto”.

George — “O desempenho de algumas siglas tradicionais de esquerda na disputa para a Prefeitura: Odete Rocha (PC do B) em 2008, 10,44%; com Makhoul (PT) em 2012, 25,52%; Natália (Psol) em 2020, 4,68%. Há um espaço para crescimento do teto do petista, mas limitado até mesmo pelo teto generoso de intenção de voto de Wladimir, o que achata seus concorrentes. Creio que cabe aguardarmos fatos novos e que tenham potencial para demover e redistribuir as intenções de voto constatadas a preço de hoje. Fora isso, simplesmente campanha tradicional no curto tempo disponível pode não reverter as intenções de voto”.

Hugo — “Acredito que a votação do Jefferson será menor que a soma dos votos de Natália e Odisséia em 2020. A candidatura de Natália naquela eleição conseguiu uma adesão e entusiasmo de uma parte do eleitorado jovem que o candidato do PT nesta eleição não parece captar da mesma forma. Além disso, dificilmente um candidato que está em um terceiro lugar tão distante dos dois principais candidatos consegue atrair ‘voto útil’ na final da corrida eleitoral. Pelo contrário, o mais comum é a perda votos. Acredito, sim, que os 6,56% são o teto de Jefferson, mas que não devem ser atingidos”.

Roberto — “Acho que o teto de Jefferson realmente já foi atingido. Não acredito que tenha mais que 5% dos votos válidos. Na minha visão, o fato de ele ter herdado menos intenções de voto de Carla do que Wladimir e Madeleine já era esperado. As intenções de voto em Carla não têm nada a ver com PT. Jefferson e o PT representam uma minoria irrelevante de velhos sindicalistas, professores de ensino médio aposentados e lideranças ‘estudantis’ afoitas por cargos. É o partido da boquinha sem voto. Já Carla é povão, tem lastro popular. Sabiamente ela não vai empenhar seu capital político com o PT”.

William — “Acredito que a pessoa do Professor Jefferson, que transcende o PT, tenha potencial para furar o teto de 7%. Mas ele enfrenta as enormes dificuldades do elevado antipetismo no município, que, aparentemente, explicam a menor fatia na herança do espólio eleitoral de Carla Machado. Nesse caso, penso que o teto de 7% é factível. Não acredito que o eventual apoio da Carla tenha potencial para ampliar a intenção de voto em Jefferson. São candidaturas, intenções e eleitorados de perfis completamente diferentes. O eleitor da Carla tem base mais popular. A intenção em Jefferson é concentrada no topo da pirâmide social, de maior renda, escolarização e que é, exatamente, a minoria numérica do eleitorado”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Caputi abre entrevistas com prefeitáveis no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeita de São João da Barra e candidata à reeleição, Carla Caputi (União) é a convidada do Folha no Ar desta sexta (30), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela abrirá a série de entrevistas que o Grupo Folha fará com todos os candidatos a prefeito de SJB e Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, com a presença dos representantes de todas as candidaturas.

Caputi falará dos erros e acertos da sua gestão, de como pretende manter sua liderança nas pesquisas eleitorais (confira aqui) e da sua nominata de vereadores. Ela também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, do que propõe sobre o Porto do Açu, geração de emprego, avanço de mar e captação e fornecimento de água potável no município.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Agropecuária e eleições de Campos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Gestor público e chefe do Centro Estadual de Pesquisa da Pesagro em Campos, Ronaldo Soares é o convidado do Folha no Ar desta quinta (29), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da vocação agropecuária de Campos e região, e do papel da Pesagro em seu desenvolvimento.

Ronaldo também falará da sua atuação na secretaria estadual de Agricultura e no Conselho Municipal de Política Agrária e Pecuária de Campos. E, como cidadão e com base nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui), tentará analisar as eleições a prefeito e vereador da cidade em 6 de outubro, daqui a 39 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Morre a médica pediatra e poeta Ângela Sarmet, aos 82

 

Médica pediatra e poeta Ângela Sarmet (Foto: Divulgação)

Morreu hoje, aos 82 anos, a médica pediatra e poeta Ângela Maria Sarmet Moreira. Ela estava internada há cerca de 20 dias no Hospital Prontocardio, com problemas cardíacos e infecção pulmonar, vindo a óbito por falência múltipla dos órgãos. Seu velório se inicia às 14h, na Capela F do Cemitério Campo da Paz, onde será sepultada às 17h.

Ângela dedicou cerca 50 anos da sua vida ao exercício da medicina, cuidando da saúde das crianças. Formada nos anos 1960, só parou de clinicar em 2020, por conta da pandemia da Covid-19. Escreveu dois livros de poesia, “Eu só sei falar de amor” e “Rumando ao infinito”. Deixa também os filhos Pedro, Marcos e Matheus, e sete netos: Mariana, Daniel, Maria Clara, Isabela, Krislley, Lívia e Ângela, a mais nova, de 6 anos, batizada em homenagem à avó.

Filho, mãe e médicos Pedro e Ângela Sarmet

Seu filho mais velho, o também médico Pedro escreveu sobre a mãe:

— Hoje me despeço da pessoa física, dessa mãe que, desde a tenra idade, me ensinou os valores cristãos, principalmente o amor ao próximo. Dividi minha mãe com outras tantas crianças que necessitaram de seus cuidados e até mesmo de seu amor, abraçou meus amigos como se fossem seus próprios filhos. Apoiou-me nas minhas decisões mais difíceis, inclusive quando deixei seu seio para viver meu sonho de exercer minha profissão de médico na Amazônia. Me entregou sempre nas mãos do Criador… hoje você me deixa a certeza que sua missão aqui encerrou, mas seus ensinamentos ficarão internalizados em mim e farei jus ao seu último pedido: “cuidar das pessoas com o zelo com que sempre cuidou dos que estavam ao seu redor”. Te amo, até o nosso reencontro, mãezinha!

Amante das artes de maneira geral, Ângela também integrou o grupo musical “Boa Noite, Amor”. Que se manifestou hoje sobre a perda:

 

Ângela Sarmet se apresentando no grupo “Boa Noite, Amor” (Foto: Antônio Filho)

 

— O “Grupo Boa Noite, Amor” tem hoje a dolorosa missão de se despedir de uma das suas mais preciosas integrantes, a amada Dra. Ângela Sarmet. Deus a acolheu de volta, mas a eternizou em nossos corações em forma de admiração e saudade. Os inspiradores versos da sua poesia, que abrilhantaram as nossas apresentações durante tantos anos, serão agora as nossas melhores e inesquecíveis lembranças. Que o Céu seja para Ângela a nova fonte de inspiração. Deus a receba! — disse a nota assinada por Ana Maria, Janilce Simões, Amália Marins, Lúcia Maria, José Assad e Luiz Omar Monteiro, integrantes do grupo “Boa Noite, Amor”.

Sou amigo de Pedro Sarmet, primogênito de Ângela, desde o início do ensino fundamental, curso primário naquela passagem dos anos 1970 a 1980, na Escola Santo Antônio, onde hoje fica o Hortifruti da Formosa. Conheci e convivi com a mãe dele, a quem tratava quando criança de tia, desde que me entendo por gente. E sempre tive por ela admiração e carinho.

Mãe zelosa, era também conselheira dos amigos dos filhos, sempre com cuidado geracional de nos compreender, no lugar de tentar se impor. Médica vocacionada, o que é cada vez mais raro no mundo de hoje, tinha o mesmo carinho com todas as crianças que cuidou como pediatra, tratando-os de maneira maternal. Profissional e pessoalmente, era uma humanista convicta.

Na última vez que fui a Atafona, caminhando com o cachorro entre dunas e ruínas, passei na casa de praia que foi de Ângela, Pedro, Marcos e Matheus. Hoje à mercê do avanço do mar, foi palco de incontáveis verões, brincadeiras, conversas, comidas, porres, carnavais e pescarias, sobretudo no mangue do antigo Pontal hoje aterrado de areia. A casa dos Sarmet em Atafona sempre foi um porto seguro para os amigos. E isso vinha muito de Ângela.

Na minha vida adulta, chegamos a trocar algumas impressões sobre poesia, quando nos cruzávamos eventualmente em eventos de literatura na cidade. Mas meu convívio com ela, desde que Pedro foi morar em Niterói, depois em São Paulo e, finalmente, em Roraima, ficaram mais escassos.

Ângela nasceu fevereiro em 1942, em plena II Guerra Mundial (1939/1945), quando os nazistas ainda levavam a melhor. Ela é fruto de uma geração, a mesma dos meus pais, que viveram e legaram pela cultura oral seus testemunhos vivos de histórias e da História. E, na ausência física gradual deles, corremos o risco de repetir erros que não deveríamos mais cometer.

Hoje, quando soube da sua morte, liguei imediatamente a Pedro. A quem transmiti meu mais sincero sentimento de solidariedade e pesar, extensivo a todos os seus familiares e amigos, antes de tomar informações para anunciar jornalisticamente sua morte, seu velório e enterro. Mas não poderia deixar de falar da um pouco da sua vida. A vida de uma grande mulher! Que deixa exemplo, legado e saudade.

 

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