Hamilton Garcia — A evolução da esquerda III (O desenlace do comunismo brasileiro)

 

 

 

A terceira onda extremista (1963-64), que levaria a esquerda e os movimentos sociais, mais uma vez — vide artigo anterior —, aos calabouços, não seria, infelizmente, a última. A culpa pelo mau cálculo e o subsequente desastre político, como de costume na esquerda brasileira — para a qual autocrítica não passa de uma modalidade laica de expiação de culpa —, não recairia sobre seus idealizadores/implementadores, mas sobre seus inimigos (o “imperialismo latifundista”) e a parcela mais experimentada da esquerda radical que, refletindo sobre a tortuosa trajetória, tateava uma alternativa, ainda que enredada em seus mitos e utopias.

Foi assim que o PCB assistiu, impotente, a debandada de sua juventude em direção à luta armada foquista, de inspiração cubana, a partir de 1967 — até ser esmagada pela repressão militar-policial em 1974. Enquanto brizolistas, castristas e maoístas buscavam o caminho das armas, supondo estar o povo à sua espera, o PCB enveredou pela resistência pacífica dando apoio à Frente Ampla que, em 1966, uniu, no exílio, João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, e, posteriormente, animando a oposição criada pela reforma partidária de 1965 (Ato Complementar 4), que instituíra o bipartidarismo (Arena x MDB).

O caminho democrático de resistência à ditadura se mostrou estrategicamente sólido e, embora enfrentando o ceticismo inicial da juventude e dos intelectuais, acabou por nos conduzir a uma transição pactuada em 1984 (Nova República}, que uniu a oposição — excetuando o PT — e os dissidentes do regime (PFL). Apesar do sucesso da transição democrática, os louros da vitória foram colhidos pelos remanescentes do caminho revolucionário: como explicar o paradoxo?

Uma das principais causas para tal, foi a relativa paralisia que tomou conta do partido após a razzia repressiva de 1974-76, que eliminou um terço de seus dirigentes nacionais, levou o restante ao exílio, e desmantelou suas conexões internas. Como consequência, os quadros remanescentes que restaram no país fecharam-se em extremada clandestinidade, crispando ainda mais a mentalidade de gerações formadas na adversidade da ilegalidade. Mesmo tendo Prestes rompido com o PCB na volta do exílio (1979) — formalizando sua dissidência na Carta aos Comunistas (1980) —, o partido prosseguiu fiel ao sovietismo e resistente à renovação de seus quadros e métodos, colocando-se a meio caminho do necessário encontro com a nova sociedade brasileira transformada pela industrialização acelerada do período 1967-1979.

Os jovens que se aproximaram do PCB nesse período tinham uma noção de radicalidade diferenciada em relação aos dirigentes do partido — a maior parte deles formada nos embates dos anos 1930-50, quando o país ainda era predominantemente rural. Enquanto para os velhos dirigentes a radicalidade se confundia com períodos da própria trajetória onde predominaram o sectarismo e o revolucionarismo, para os jovens ela significava uma mudança drástica das instituições republicanas e dos organismos sociais-partidários, no sentido da aproximação com as bases por meio da pluralidade de ideias e dos métodos democráticos — inclusive internos às organizações.

Em termos práticos, a renovação inconclusa dos comunistas — uma tradição de longa data, como nos mostrou Raimundo Santos[1] — significou a interdição efetiva de toda uma geração de novos quadros bem preparados à posição de direção, que continuaria nas mãos dos heróis formados em condições bem mais desvantajosas e culturalmente defasados em relação ao novo país que emergira. A consequência foi o desencontro entre a nova política democrática dos comunistas e a geração radical-democrática em desacordo com seus métodos e crenças ideológicas, o que acabou por abortar as possibilidades competitivas do partido diante de um PT que nascia encetando algumas dessas expectativas.

O encontro do castro-stalinismo com o sindicalismo-pastoral, em contato estreito com a classe operária — inclusive do ponto de vista ideológico (catolicismo) e, por isso mesmo, capaz de atrair seus elementos corporativistas mais avançados, aglutinados em torno do sindicalismo diferenciado de Paulo Vidal (1969-1978), em São Bernardo do Campo —, significaria o mais sério desafio à recuperação da influência política do PCB. O encontro do pragmatismo sindical com a teologia da libertação produziria a massa crítica de lideranças e público popular que permitiu ao velho esquerdismo se reerguer após o fracasso da luta armada. Lula e seus companheiros de greve foram catapultados à condição de lideranças operárias nacionais na esteira das mobilizações operárias de 1978-80, alimentadas pela carestia e o arrocho salarial provocado pelo fim do “milagre econômico”.

Enquanto a classe operária irrompia num cenário político de agitações marcadas pelo protagonismo intelectual e estudantil das classes médias renovadas, o PCB aprofundava seu hiato social ao reagir de modo convencional aos novos desafios colocados pela agitação social. Em novembro de 1978, por meio de sua imprensa clandestina (Voz Operária)[2], os pecebistas afirmavam que “(…) o melhor canal para onde fazer confluir (…) toda a movimentação (…) em favor das soluções democráticas é o Congresso Nacional”, e que “(…) estes objetivos só podem ser realizados com a (…) unidade do MDB (…)” onde “caberá a estes parlamentares introduzir permanentemente no debate político nacional as grandes reivindicações dos movimentos populares (…)”.

Apontando a via institucional concreta para a superação do regime de exceção, os pecebistas, ao mesmo tempo, colocavam em segundo plano a pressão pela renovação política ansiada pela sociedade civil emergente, que a equação parlamentar-emedebista expressava apenas em parte, deixando de perceber que a frente democrática estava prestes a assumir novas formas diante dos desafios surgidos – inclusive a iminência da volta das velhas lideranças exiladas, entre elas Leonel Brizola, Miguel Arraes Luís Carlos Prestes.

O novo contexto abriria as portas para a ascensão das esquerdas às estruturas de poder do Estado a partir das eleições de 1982, com a participação marginal do PCB. Mas, as promessas de grandes mudanças não se realizariam, dada as pressões centrípetas do sistema de poder vigente e o despreparo das esquerdas em encarar o desafio numa perspectiva frentista; tal como apontado pelo VI Congresso do PCB em 1967. Mas, isso é assunto para o próximo artigo.

 

[1] Vide A Primeira Renovação Pecebista: reflexos do XX Congresso do PCUS no PCB (1956-57); ed. Oficina de Livros/BH-1988.

 

[2] Apud Hamilton Lima, O Ocaso do Comunismo Democrático o PCB na última ilegalidade (1964-84), in. <http://repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/278789>, pp.246-247.

 

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Juros, Rússia, Brasil e gestão Rafael Diniz em debate neste domingo

 

Fora de Campos, não poderei participar da terceira edição do 4 em Linha. Pelo YouTube, ela vai ao ar às 20h deste domingo (24), com o especialista em finanças Igor Franco, o advogado Gustavo Alejandro Oviedo e o odontólogo Alexandre Buchaul. Pelos três, quatro serão os temas abordados: polêmica na Rússia, juros no chão, Brasil na Copa e a gestão Rafael Diniz.

Mesmo distante, convido você, leitor, a conferir:

 

 

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Pausa até o próximo jogo do Brasil. Abraço e inté!

 

 

Quem me conhece profissionalmente sabe que Copa do Mundo é o trabalho que mais tenho prazer em fazer. Cubro-as para a Folha da Manhã, pela TV, desde a de 1990, na Itália. Nestas sete últimas, a partir de 2010, no Brasil, o trabalho tornou-se muito mais dinâmico, com a produção de fatos 24h com o advento das redes socias.

Às 15h de Brasília da próxima quarta (27), o Brasil volta a campo para o seu último e talvez decisivo jogo do Grupo E, contra a Sérvia. Até lá, por motivo de ordem pessoal, farei uma pausa na cobertura diária da Copa da Rússia. Nesse pequeno intervalo serão disputados 17 jogos, todos com potencial de encantar fãs do futebol neste planeta bola azul e girante, mesmo os que só pegam carona de quatro em quatro anos nas cores das suas nações.

Daqui a quatro dias, se Deus quiser, a gente se vê. Abraço e inté!

 

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Philippe Coutinho brilha. Neymar simula pênalti, força cartão e chora

 

Autor do primeiro gol e eleito novamente pela Fifa como melhor em campo, Philippe Coutinho assume de Neymar o papel de protagonista (Foto: André Mourão – Moa Press)

 

Se contra a Suíça marcou pelo prominente topete louro, contra a Costa Rica Neymar apareceu pelas atitudes nervosas e pelo choro, não por seu futebol (Reprodução)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Foi um sufoco! O placar final do Brasil 2×0 Costa Rica não pode mascarar o fato de que os dois gols foram já nos descontos, aos 46’ e 52’ do segundo tempo. E que, mesmo com a renúncia do adversário ao ataque, jogando quase sempre com os 11 jogadores em seu próprio campo, a melhor chance de gol no primeiro tempo foi costarriquenha. Aos 13’, o ala Gamboa cruzou da ponta-direita para trás. Filho de brasileiro, o meia Celso Borges entrou livre na área e chutou cruzado. Mas a chance de marcar contra a seleção do país de seu pai saiu pela linha de fundo.

Goleiro do Real Madrid e da Costa Rica, Keylor Navas só teve duas intervenções no primeiro tempo, ao cortar com os pés uma penetração de Neymar e, depois, num chute de Marcelo. Ne resto, um velho problema do time de Tite se repetiu nos 45 minutos iniciais: bom pela  esquerda, com Marcelo e Neymar, o time de Tite é manco pela direita. Willian, que nada havia feito de produtivo, foi substituído no intervalo por Douglas Costa. Com ele atuando no lado direito do campo, o Brasil ganhou volume de jogo.

Logo aos 3’ da segunda etapa, a Costa Rica contou com a sorte, quando Gabriel Jesus cabeceou uma bola no travessão. No rebote, Philippe Coutinho chutou com força, mas Gamboa rebateu. Depois o Brasil pôs Navas para trabalhar em pelo menos seis bolas chutadas em direção ao gol, ainda que nenhuma de grande dificuldade. Sem conseguir furar a retranca, Tite testou na Copa do Mundo uma opção tática que nunca havia tentado. Aos 22’, ele substituiu Paulinho, que também tinha atuação apagada, pelo centroavante Firmino, passando a jogar com dois atacantes de área. Um deles, Gabriel Jesus serviu Neymar dentro da área, aos 33’.

Tocado no abdómen pelo zagueiro Gonzaléz, o camisa 10 do Brasil se jogou. O árbitro holandês Bjorn Kuipers marcou pênalti, mas após ser alertado pelos colegas do VAR, conferiu o lance no monitor à beira do campo e mudou corretamente a marcação. Neymar, que já tinha pegado a bola para cobrar, ficou visivelmente contrariado.

 

Juiz holandês disse sem palavras o que Neymar precisava ouvir: “fala demais, fala demais” (Reprodução)

 

Dois minutos depois, ao reclamar da cera de um jogador caído da Costa Rica, o craque brasileiro acintosamente socou a bola no chão, como garoto mimado, e foi advertido com o cartão amarelo. Coutinho reclamou e também levou o seu. O experiente juiz holandês já tinha resumido com a mão o gesto que parece resumir as atuações de Neymar até aqui na Copa da Rússia: “fala demais, fala demais”.

Quando tudo parecia perdido, já nos descontos, Marcelo cruzou da esquerda dentro da área. Firmino fez o pivô e passou a Gabriel de cabeça. Ao errar o domínio, ele teve seu maior feito em campo, deixando a bola sobrar para Coutinho abrir o placar. O alívio foi tanto que Tite até caiu na comemoração do gol.

Com a Costa Rica abatida e visivelmente cansada, aos 52’ Casemiro apareceu pela entrada da área e serviu a Douglas pela direita. Ele cruzou para Neymar, livre, dar números finais à partida. Encerrada, ele sentou no gramado e chorou. Refeito, poderia refletir sobre o cartão amarelo talvez até tardio que tomou, o pênalti simulado em tempos de VAR, a insistência inútil em jogadas individuais distantes da área e sobre o fato de ter sido o jogador que mais sofreu faltas e cometeu faltas em campo: quatro de cada lado.

No Grupo E, com a virada de 2 a 1 da Suíça ontem sobre a Sérvia, esta será obrigada a jogar pela vitória contra o Brasil para continuar na Copa, às 15h na próxima quarta (27). E, se perder, o Brasil pode dizer adeus à Rússia. A Sérvia é uma república nascida da antiga Iugoslávia, escola respeitada no futebol. É a mesma que também pariu a Croácia, algoz da Argentina de Lionel Messi na última quinta (21).

 

 

ALISSON – Um espectador privilegiado do jogo. Na chance de gol mais clara da Costa Rica, aos 16 do primeiro tempo, o meia Celso Borges chutou para fora. NOTA 6.

DANILO – Com a renúncia da Costa Rica ao ataque, foi impossível julgá-lo defensivamente. No apoio, sobretudo no primeiro tempo, foi mais ativo do que Danilo contra a Suíça. Mas nenhum dos dois parece ser capaz de suprir a falta de Daniel Alves. NOTA 6,5.

THIAGO SILVA – Cioso da sua braçadeira de capitão, que não mereceu usar em 2014, ao chorar e ficar de costas para a disputa de pênaltis nas oitavas de final contra o Chile, ontem foi outro espectador. NOTA 6.

MIRANDA –  Mais um espectador em lugar privilegiado. NOTA 6.

MARCELO – Com o meio de campo nulo na criação, é a válvula de escape na do Brasil da defesa ao ataque. Sem trabalho atrás, ficou livre para apoiar. Aos 41 da primeira etapa, arriscou a gol, para defesa de Navas. No segundo tempo, o primeiro gol nasceu do seu cruzamento. NOTA 7,5.

CASEMIRO – Como todo o sistema defensivo, teve pouco trabalho. No segundo tempo, a necessidade o empurrou para a área da Costa Rica. Testou Navas em chute a gol aos 26’. Aos 52’, puxou a jogada que gerou segundo gol. NOTA 7,5.

PAULINHO –  Sumido das ações ofensivas no primeiro tempo, Tite gritou aos 24’: “Willian pega o ala e Paulinho agride”. NOTA 5,5. No segundo, sem atender ao técnico, foi substituído aos 22’ pelo atacante FIRMINO, que fez o pivô e cabeceou a Gabriel Jesus a bola que sobrou para Coutinho marcar o primeiro gol. NOTA 7.

PHILIPPE COUTINHO – No primeiro tempo, bateu a gol duas vezes, mas para fora. Na etapa final, pôs Navas para trabalhar aos 11’. Tomou cartão amarelo desnecessário, aos 35’, após reclamar do recebido merecidamente por Neymar. Mas assumiu de novo o papel que se esperava deste, ao abrir o placar e ser eleito pela segunda vez como melhor em campo. NOTA 8.

WILLIAN – Peça nula no primeiro tempo, quando chutou para fora sua única tentativa de concluir. NOTA 5. Saiu no intervalo para a entrada de DOUGLAS COSTA, que imprimiu muito mais volume de jogo ao Brasil, dando o passe ao gol de Neymar. Não deveria sair do time. NOTA 8.

NEYMAR – Voltou a abusar da individualidade e dribles distantes da área adversária. Aos 32’ do segundo tempo, simulou o pênalti bem anulado com o recurso do VAR. Depois tomou um pito do juiz por falar demais e levou um merecido cartão ao socar a bola no chão, como garoto mimado. Sofreu quatro faltas, mesmo número das que cometeu, evidenciando o nervosismo assumido no choro ao final da partida. Antes, porém, fez o gol que selou vitória. NOTA 7.

GABRIEL JESUS – Seu maior feito em campo foi ter errado ao dominar a bola passada de cabeça por Firmino, que sobrou para Philippe Coutinho abrir o placar. NOTA 5,5. Após o primeiro gol do Brasil, foi substituído FERNANDINHO, que entrou para recompor o meio de campo. SEM NOTA.

 

 

 

NAVAS – No primeiro tempo, uma boa saída em bola enfiada a Neymar e a defesa no chute de Marcelo. Na segunda etapa, quando o Brasil partiu para cima, fez pelo menos sete defesas, mas nenhuma de grande dificuldade. Nos gols brasileiros, nada podia fazer. NOTA 8.

GAMBOA – Foi do ala direita o cruzamento para Celso Borges, na melhor chance de gol do primeiro tempo. Como, no segundo, foi ele quem desviou o chute de Coutinho que iria para o gol. NOTA 7,5. Foi substituído aos 29 da segunda etapa pelo zagueiro CALVO, na tentativa de fechar ainda mais o time. NOTA 6.

GONZALÉZ – Foi ele quem tocou Neymar no abdómen, no pênalti cavado pelo brasileiro e depois anulado pelo VAR. No segundo tempo, teve trabalho com a pressão brasileira. NOTA 6.

ACOSTA – Foi o líbero na linha de três zagueiros no ferrolho costarriquenho. Quando o jogo ainda estava no 0 a 0, levou cartão amarelo por atrasar cobrança de lateral. NOTA 6.

DUARTE – Com seus dois companheiros de zaga, teve mais trabalho no segundo tempo. E o desempenharam com sucesso, até levarem o primeiro gol já nos descontos. Nota 6.

OVIEDO – No primeiro tempo, o ala esquerda pouco apoiou. No segundo, com a entrada de Douglas Costa, teve motivo para ficar atrás. NOTA 6.

Guzman – Volante que atuou mais como quarto zagueiro. Nota 6. Foi substituído aos 37’ do segundo tempo pelo volante Tejada, que levou uma lambreta de Neymar. NOTA 5.

CELSO BORGES – Filho de brasileiro, o costarriquenho perdeu aos 16 minutos a melhor chance de abrir o placar contra a seleção do país do seu pai. E, em Copa, fica quem erra menos. NOTA 5.

VENEGAS – No primeiro tempo, ainda tentou adiantar a marcação na saída brasileira. No segundo, com a renúncia das ações ofensivas, pouco foi visto. NOTA 5.

UREÑA – Pesado e lento para a tarefa de puxar contra-ataques, foi outro pouco notado em campo. NOTA 5. Foi substituído aos 8’ pelo veterano meia BOLAÑOS. NOTA 5.

BRIAN RUIZ – Se as coisas não correram tão bem ao camisa 10 do Brasil, o que dizer do 10 de um time que entrou em campo para só se defender? NOTA 5.

 

Página 10 da edição de hoje (23) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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Neymar ignora Tite e xinga Thiago Silva, enquanto “parças” ofendem críticos

 

O juiz holandês Bjorn Kuipers não usou palavras para dizer Neymar o que ele precisa aprender: “fala demais, fala demais” (Reprodução)

 

Neymar é um craque. Domina três fundamentos de união rara num atacante: drible, rapidez e visão de gol. Mas a maneira como o jogador e seu séquito se comportaram hoje é reprovável e preocupante. Primeiro, ele não ouviu as determinações expressas de Tite durante o Brasil 2×0 Costa Rica (aqui), quando o jogo ainda estava 0 a 0.

Neymar ignorou seu treinador e insistiu em reclamar do árbitro, que usou corretamente o VAR para anular o pênalti cavado pelo brasileiro. Depois, como menino mimado, socou a bola no chão e levou o merecido cartão amarelo. Antes, teve sua atitude infantil bem resumida em gesto com a mão pelo bom árbitro holandês Bjorn Kuipers: “fala demais, fala demais”.

Após a partida, capitão de hoje no rodízio da braçadeira da Seleção, Thiago Silva revelou ter sido xingado por Neymar durante a partida. O motivo? Quando o jogo ainda estava empatado no placar virgem, o zagueiro brasileiro devolveu uma bola posta para fora pela Costa Rica, após um dos seus jogadores desabarem, fazendo cera. E por isso foi xingado pelo companheiro de Seleção Brasileira e Paris Saint-Germain.

— Tenho ele como irmão mais novo, e procuro cuidar dele, dando conselhos. Hoje fiquei muito triste com ele. No momento que eu devolvi a bola, me xingou muito. Mas acho que estava certo, porque acho que estavam fazendo muita cera. Devolvi a bola, porque não seria aquela bola que faria a gente ganhar. Me sinto tranquilo em relação ao meu ato e fiquei muito triste com xingamento dele — externou Thiago Silva.

 

Print das ofensas nas redes sociais contra Galvão Bueno e Casagrande, feitas pelos “parças” de Neymar (Reprodução)

 

Torre Eifel inflou o ego de Neymar acima de Paris

Enquanto isso, amigos de Neymar usaram as redes sociais para atacar o narrador Galvão Bueno e o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande. O motivo? Os dois fizeram críticas à atitude do camisa 10 do Brasil na transmissão do jogo. Cristian Guedes, Gil Cebola, Adão Rosa e Pedro Velasco defenderam o seu “parça” usando palavrões e gestos obscenos para se referir a Galvão e Casagrande: “Sem mais, Filho da p…”,  “chupa bando de anti”,  “seus m…! Dupla de c… do c…”.

Às 15h da próxima quarta (27), é possível que a necessidade da Croácia em vencer, para continuar na Copa, abra espaços que o ataque brasileiro não teve contra a Suíça e, sobretudo, a Costa Rica. Mas, como se perder, o Brasil também pode voltar mais cedo da Rússia, os problemas brasileiros parecem ser mais complexos que os do campo.

Pouco importa que a Torre Eiffel tenha estampado o nome de Neymar, e seu ego acima disso, na sua contratação pelo Paris Saint-Germain. A disputa do jogador não é com Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi pelo posto de melhor jogador do mundo. Nem mesmo com Philippe Coutinho, que assumiu nos dois jogos do Brasil o papel de protagonista esperado do camisa 10.

Essa camisa que Neymar veste na Seleção já pertenceu a Pelé e a Zico, jogadores aos quais jamais se igualará — nem que vença a Copa do Mundo. Começar por aí já seria um bom caminho.

Caso contrário, melhor chorar na cama do que no gramado.

 

Depois de ter ignorado Tite e xingado Thiago Silva, Neymar sentou no gramado e chorou ao final da partida em que Philippe Coutinho mais uma vez brilhou (Reprodução)

 

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Alcimar Ribeiro — Uma visão alternativa ao desenvolvimento do NF

 

 

No contexto dos recentes movimentos pró desenvolvimento, lideranças políticas e empresariais da região Norte Fluminense se mobilizam trazendo no contexto da discussão, elementos como união e parceria para atração de grandes empresas para a redenção econômica regional. Realmente as iniciativas são importantes, porém a formatação do problema e as expectativas consideradas precisam ser repensadas. Parece que ainda não nos descolamos da política regional dos anos 1960 e 1970, voltada para reduzir as disparidades regionais nos países em desenvolvimento, fundamentalmente, América Latina e Ásia. Nesse período, a estratégia de atração de empresas para regiões atrasadas se constituía em um dos principais objetivos da política de desenvolvimento regional. O desdobramento dessa política regional, recentemente, tem se concentrado no uso dos recursos naturais.

A crítica ao modelo de atração de grandes empresas como instrumento de desenvolvimento está assentada em experiências frustradas, tais como o Distrito Industrial de Campos e o Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), cujas expectativas eram de que o segmento industrial seria potencializado. Com base no desdobramento através do uso de recursos naturais para o desenvolvimento, o complexo industrial Farol/Barra do Furado e o porto do Açu, depois de uma década, estão longe das expectativas criadas.

Distante dos discursos políticos e de interesse coorporativos, Campos dos Goytacazes como a maior cidade do interior, produtora de petróleo e na trajetória do porto do Açu, só consegue gerar emprego no período sazonal de operação da indústria sucroalcooleira em decadência. Apesar da forte estrutura de serviços públicos com salários importantes (justiça, universidades, bancos, etc.) apresenta uma renda média mensal do trabalho salarial em torno de 2,5 salários mínimos, acentuando uma forte concentração de renda.

Por outro lado, a expectativa de independência dos royalties de petróleo, a partir do fortalecimento da atividade agropecuária, soa como discurso vazio, já que parece existir desconhecimento sobre a real condição desse setor. Campos dos Goytacazes apresenta uma participação relativa ínfima de 4,44% da renda agrícola total do estado, enquanto a região Norte Fluminense representa 18,04% de participação. Na composição da renda pecuária leiteira, o município tem uma participação de 5,19%, enquanto a região representa 13,85% de participação.

 

 

Podemos observar claramente a fragilidade individual do principal município do interior na questão agropecuária. Um diagnóstico bem estruturado diria que essas atividades não se viabilizam competitivamente, considerando a organização atual nos moldes microeconômicos. São altos os custos de transação, a escala de produção é insuficiente, existe baixa eficiência operacional e de gestão, os recursos financeiros são escassos e, fundamentalmente, existe carência de informação. Nesse caso, afirmo que a “virada de mesa” exige repensar a organização do setor.

 

 

Parece simples, mas é algo altamente complexo. O fundamento está na construção de capital social, aspecto intrínseco a capacidade de atuar coletivamente com base na confiança e reciprocidade. Assim a base micro evolui para uma base mesoeconômica. A unidade produtiva considerada passa a ser o território que integra a produção da unidade individual. Um outro aspecto complementar é a figura da governança que norteia o processo de interação entre o conhecimento, as unidades produtivas e o governo. A combinação exitosa desse modelo tende a resolver problemas já elencados da unidade microeconômica. Esse estágio acentua uma rede de proteção capaz de inserir pequenas regiões periféricas ao sistema capitalista excludente, reduzindo as desigualdades econômicas e sociais. É preciso exercitar esse novo processo, através de projetos piloto.

 

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Argentina torce e agora vai ter que encarar a Nigéria

 

Nome do jogo, o atacante Musa comemora seu primeiro gol, no qual demonstrou muita técnica ao dominar e chutar sem deixar a bola cair no chão (Foto: Lars Baron – Getty Images)

 

Pelo confronto entre dois times muito fortes fisicamente, um de africanos negros, outro de vikings, valeu a pena assistir ao Nigéria 2×0 Islândia. Contando com a torcida dos argentinos, pelo cruzamento de resultados no mesmo Grupo D, os nigerianos venceram com dois belos gols do habilidoso atacante Ahmed Musa, aos 4’ e 30’ do segundo tempo. Considerado o melhor em campo pela Fifa, Musa é íntimo dos gramados russos, onde atua como jogador do CSKA Moscou.

Homens negros e louros já haviam feito um jogo épico na fase de grupos da última Copa. Foi (aqui) em 21 de junho de 2014, no Brasil, no Alemanha 2×2 Gana. Quatro anos depois, o confronto entre Nigéria e Islândia teve um fiel da balança.

Iguais na generosa força física sob a pele dos seus jogadores, a diferença se deu na distinção entre duas características. Se desse aplicação tática, ganhariam os europeus. Se fosse a técnica, ganhariam os africanos. Na triunfo da segunda, venceu o futebol.

 

Argentinos assumiram a torcida pela Nigéria em Buenos Aires (Reprodução)

 

Depois de torcerem pela Nigéria, vamos ver agora como o abatido time argentino vai encarar, às 15h da próxima terça (26), a seleção da África embalada pela vitória e pelo fato dela depender apenas de si para chegar às oitavas de final.

 

 

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Argentino analisa o fracasso da Argentina de Messi

 

Entre os jogadores de futebol do meu tempo de vida, Lionel Messi está entre os quatro melhores. Junto dele, coloco apenas seu compatriota Diego Maradona, o brasileiro Zico e o francês Zinédine Zidane. Cristiano Ronaldo, em meu entender, está uma oitava abaixo, ao lado de outros grandes atacantes, como os brasileiros Romário, Ronaldo Fenômeno, Reinaldo e Careca, o holandês Marco Van Basten e o alemão Jürgen Klinsmann.

Ídolo no futebol, desde que me entendo por gente, sempre tive em Zico. E a história de vida de Messi é semelhante à do eterno camisa 10 rubro-negro. Nascidos com uma habilidade genial com a bola, mas em corpos pequenos e franzinos, ambos tiveram que ter um grande clube trabalhando desde crianças em seus desenvolvimentos físicos. O Flamengo, no caso de Zico, e o Barcelona, no de Messi.

Um craque, geralmente, é aquele que domina vários fundamentos do futebol. Mas costuma ter as suas especialidades. Acompanhando futebol há 38 anos, nunca vi alguém correr em toda velocidade, com a bola grudada aos pés, amarrada por um barbante imaginário, como Messi. Sua jogada mais característica talvez seja avançar pela direita e cortar ao centro driblando sempre à esquerda, até o arremate quase sempre fatal de perna canhota.

Do ponta-direita Mané Garrincha (1933/83) era correta a afirmação de que só driblava à direita. Tanto quanto a constatação de que, mesmo sabendo disso de antemão, os defensores adversários simplesmente não conseguiam marcá-lo. Na analogia em direção oposta, mesmo sabendo antes que Messi vai driblar à esquerda, a impotência desse conhecimento é a mesma.

Fiquei ontem dividido com o Argentina 0x3 Croácia (aqui). Feliz com a vitória de uma escola de futebol que aprendi a admirar desde a antiga Iugoslávia. E tanto mais pela atuação de gala do clássico meia Luka Modric, coroada com uma pintura de gol, o segundo da Croácia. Mas fiquei muito triste com a atuação apagada de Messi, que não conseguiu ser ponto fora da curva descendente no bando que a Argentina se mostrou como time na Copa da Rússia.

Entretanto, por mais que seja fã de Messi e talvez me identifique mais com o temperamento argentino do que com o brasileiro, não nasci naquele país que aprendi a gostar, tanto pelo vistoso “toco y me voy” do seu futebol, quanto pela prosa de Jorge Luis Borges e Julio Cortázar. Não por outro motivo, pedi a um argentino e colaborador deste  blog, o advogado Gustavo Alejandro Oviedo, que desse seu testemunho sobre a tragédia que embala sua seleção, como um tango de Carlos Gardel.

Confira abaixo:

 

Messi repetiu várias vezes contra a Croácia a expressão que mais o tem marcado na Copa da Rússia (Foto: Ivan Alvarado – Reuters)

 

O triunfo da ignorância

Por Gustavo Alejandro Oviedo

 

Não tem jeito: continuo torcendo pela seleção argentina, apesar de que ela vem me defraudando Copa após Copa, desde o ano 1993, quando venceu pela última vez um torneio internacional — a Copa América. Dizem que isso é ser um torcedor: um sujeito que apoia seu time, jogando bem ou mal, e que quer vê-lo ganhar ainda que imerecidamente. O torcedor — ou esse tipo de torcedor, ao menos — é o antifutebol.

A derrota de ontem frente a Croácia me doeu, portanto. Mas ainda mais me dói ver um time que, antes de começar o jogo, já anunciava seu fracasso, nos rostos dos jogadores na hora do hino. Parecia que estavam vindo de um velório, e indo para outro. No entanto, esse prenúncio do fracasso vinha de muito antes: da classificação lastimável; da derrota por 6 a 1 no amistoso contra Espanha; e especialmente do fato da seleção ter como técnico um sujeito como Sampaoli.

Num livro que lançou há poucos meses atrás, chamado “Mis Latidos” (Minhas Batidas, vejam a breguice) Sampaoli confessa: “Eu não planejo nada. Tudo aparece na minha cabeça quando tem que aparecer. Odeio o planejamento”. Mais adiante, ele revela que nunca gostou de estudar: “Eu não posso ler um livro; leio duas páginas e fico entediado. Escrevo três coisas numa folha e me canso”.  Sampaoli faz parte daquela Argentina que o mundo odeia, e com razão. É a arrogância e a ignorância combinadas. Pior: é o orgulho de não querer melhorar, em nome de uma suposta genialidade inata e apedêutica. Basicamente, é um peronista.

Com tais antecedentes, é claro que não tinha como me surpreender com o resultado. Ao contrário: o estava prevendo. O que não faz mais do que potenciar minha indignação.  A boa noticia é que a partir da eliminação da Argentina poderei voltar a curtir o Mundial. Apesar de ainda faltar um jogo, um meme que circula pela web é premonitório: ‘Nem tudo está perdido. Ainda temos que perder para Nigéria’.

De quem tenho pena mesmo é de Messi. Um jogador excepcional que se viu obrigado a cumprir a missão chauvinista de carregar nos ombros a felicidade de uma nação. Um encargo que evidentemente não tem condições de satisfazer sozinho, embora graças a ele tenham se conseguido o vice-campeonato do mundo de 2014 e os dois vice-campeonatos nas Copas América de 2015 e 2016. Mas já sabemos: o segundo é o primeiro dos derrotados.

Tenho para mim que Messi só é feliz no Barcelona, o clube que o adotou ainda muito novo, que bancou o seu tratamento de saúde, e onde provavelmente acabará se aposentando. Espero que isso demore a acontecer, e que até lá nos continue a surpreender com suas genialidades. E que renuncie de vez à seleção argentina. Não apenas pelo seu próprio bem, mas pelo de um país que tem que aprender de uma vez por todas que, como dizia Brecht, é infeliz quando precisa de um herói.

 

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Placar de 2 a 0 contra a Costa Rica mascara a realidade: foi um sufoco!

 

Eleito mais uma vez melhor em campo, Phillipe Coutinho comemora seu gol, que abriu o placar aos 46 do segundo tempo (Foto: Max Rossi – Reuters)

 

O placar final de 2 a 0 não condiz com a realidade: foi um sufoco! Os dois gols do Brasil foram marcados após os 45 minutos do segundo tempo. Só aos 46’ Phillipe Coutinho abriu o marcador. Ele aproveitou a sobra de uma bola mal dominada na área por Gabriel Jesus e finalmente achou o caminho das redes da Costa Rica.

O alívio foi tanto que o técnico Tite caiu na comemoração. Após ter marcado no empate de 1 a 1 no jogo de estreia com a Suíça, foi o segundo gol de Coutinho na Copa da Rússia, eleito mais uma vez pela Fifa como melhor em campo.

 

Neymar senta e chora após o fim da partida (Reprodução de TV)

 

O segundo gol foi marcado por quem mais uma vez vinha decepcionando. Aos 52’, com a Costa Rica cansada e aberta pela necessidade de tentar empatar, Neymar concluiu na pequena área uma boa triangulação pela direita entre Casemiro e Douglas Costa, que entrou bem no segundo tempo e lhe serviu.

Encerrado o jogo, Neymar sentou no gramado e chorou. Refeito, poderia refletir sobre o cartão amarelo talvez até tardio que tomou após reclamar e socar a bola no chão, sobre o pênalti que simulou e chegou a ser marcado — mas foi bem anulado com auxílio do VAR —, ou sobre a insistência inútil em jogadas individuais e dribles distantes da área adversária.

 

Bom árbitro Bjorn Kuipers resume com a mão o destaque da atuação de Neymar nos dois primeiros jogos da Capa da Rússia (Reprodução de TV)

 

Apesar do gol, o maior destaque de Neymar nas suas duas atuações nos campos da Copa da Rússia foi melhor definido no gesto com a mão, feito na advertência do experiente e bom juiz holandês Bjorn Kuipers: “fala demais, fala demais”.

 

 

 

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Simeone: “entre Messi e (Cristiano) Ronaldo, quem você escolheria?”

 

Diego Simeone, treinador do Atkético de Madrid e cotado para assumir também a seleção da Argentina (Foto: Gonzalo Arroyo Moreno – Getty Images)

 

Como jogador, Diego Simeone era um meia que aliava técnica e raça. Pela Argentina, disputou três Copas do Mundo: 1994, 98 e 2002. Ainda pela seleção do seu país, ganhou as Copas Américas de 1991 e 93 e a medalha de prata na Olimpíadas de Atlanta, em 96. Por clubes, além do futebol argentino, atou na Itália e Espanha. Como técnico, está desde 2011 à frente do Atlético de Madrid, onde desenvolveu um elogiado esquema defensivo para tentar fazer frente às potências Real Madrid e Barcelona.

Pouco depois do Argentina 0x3 Croácia, um áudio de Simeone, que teria sido enviado a seu companheiro de comissão técnica, Germán Burgos, vazou e viralizou em todo o mundo. Cotado para assumir o comando da seleção argentina, após a inevitável queda do treinador Jorge Sampaoli, o técnico do Atlético de Madrid criticou a baderna na equipe nacional, criticou o goleiro Wilfredo Caballero pela falha bisonha no primeiro gol croata e questionou até Lionel Messi, lançando uma provocante indagação:

— Messi é muito bom, mas é muito bom porque é acompanhado por jogadores extraordinários (no Barcelona). Se você tiver que escolher entre Messi e (Cristiano) Ronaldo para uma partida, quem você escolheria?

Confira abaixo o aúdio e teste como anda seu castelhano:

 

https://www.youtube.com/watch?v=aZ2Tpq525yw&t=25s

 

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Brasil encara hoje a Costa Rica com novidade na lateral-direita

 

Sem jogar desde 29 de abril, Fagner será a novidade do Brasil hoje contra a Costa Rica (Foto: Moa Press)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Sem jogar desde 29 de abril, por conta de uma contusão na coxa direita, o lateral-direito Fagner (Corinthians) será (aqui) a grande novidade do Brasil contra a Costa Rica, às 9h da manhã de Brasília, no Estádio de São Petersburgo, pela segunda rodada do Grupo E na Copa da Rússia. Ele ganhou a posição com o veto de Danilo pelo departamento médico da Seleção, após os exames diagnosticarem ontem uma lesão no quadril. E a saída de bola pelo lado direito é um dos principais problemas do time de Tite, que é manco: muito bom na esquerda, com o lateral Marcelo (Real Madrid) e Neymar (Paris Saint-Germain), mas fraco na direita, faixa do campo em que atuam os meias Paulinho (Barcelona) e Willian (Chelsea).

Craque do time, Neymar chegou a preocupar. Após sentir dores na perna direita, a mesma em que se submeteu recentemente a uma cirurgia no pé, ele abandonou o treino da última terça (19) e saiu mancando. Mas, segundo informou o assessor de imprensa da CBF, as dores foram em virtude das pancadas recebidas nas 10 faltas que sofreu no empate de 1 a 1 com a Suíça.

Perguntado ontem, em entrevista coletiva, se havia conversado com Neymar sobre a necessidade de ele jogar mais coletivamente, Tite negou assertivamente. O treinador frisou que não pode ou vai enquadrar o talento “transgressor” do seu camisa 10. Mas disse e repetiu que as jogadas individuais devem ser “no último terço do campo”.

Outro habilidoso camisa 10 da Seleção, Zico advertia em seus tempos de jogador sobre a inutilidade de driblar no meio de campo: “só serve para apanhar”. Faltas perto da área podem resultar em gol. Distantes, só se prestam a parar o jogo. Contra a Suíça, das 10 faltas que Neymar sofreu, apenas quatro foram relativamente próximas à área adversária.

Adversário hoje da Seleção Brasileira, a Costa Rica parece distante do time que surpreendeu o mundo na Copa de 2014. Depois de derrotar o Uruguai e a Itália na primeira fase da Copa do Brasil, a seleção da América Central só foi cair nas quartas de final, na disputa de pênaltis contra a Holanda, após o empate sem gols no tempo normal e prorrogação.

Quatro anos depois, na Rússia, o padrão apresentado pelo futebol costarriquenho baixou bastante. Isso ficou bem evidenciado na derrota contra a Sérvia, atual líder do Grupo E. Ainda assim, a Costa Rica tem Keylor Navas como dono da camisa 1, destaque da Copa de 2014, campeão da última Liga da Europa pelo Real Madrid e considerado um dos melhores goleiros do futebol mundial.

Na falsa expectativa de quem não conhece futebol, mas vira “especialista” em tempo de Copa do Mundo, muitos torcedores criticaram o empate de 1 a 1 contra a Suíça. Após os 35 minutos inicias muito bons, marcando seu gol aos 19, a Seleção Brasileira teve uma queda acentuada em sua atuação de estreia na Copa da Rússia, é verdade. Mas a retrospectiva do confronto evidenciava (aqui) o equilíbrio: em oito jogos, eram três empates, três vitórias brasileiras e duas suíças. E um time nunca marcou mais de dois gols no outro. Após o jogo do último domingo (17), agora são quatro empates.

Contra a Costa Rica, no entanto, o retrospecto é francamente favorável à Seleção Brasileira: em 10 jogos até aqui, conquistou nove vitórias. A de placar mais elástico foi na primeira partida entre os dois, num amistoso disputado em 1956: 7 a 1. Na última vez que se enfrentaram, num amistoso em 2015, outro triunfo brasileiro, mas com escore mais econômico: 1 a 0.

A única vez que a Costa Rica venceu foi num amistoso em 10 de março 1960. Em San José, capital do país, o 3 a 0 dos donos da casa foi bastante comemorado. Mas a festa durou pouco. Sete dias depois, ainda em San José, o Brasil cobrou com juros e sapecou um 4 a 0.

 

Página 10 da edição de hoje (22) da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Gol da Croácia em linha de passe lembrou o Alemanha 7×1 Brasil

 

Por respeito ao futebol argentino e ao seu genial camisa 10, Lionel Messi, não se deve embarcar na onda de gozações inevitável aos torcedores. Mas o fato é que o último gol na vitória da Croácia de 3 a 0 (aqui), marcado hoje pelo meia Ivan Rakitic, numa linha de passe na área argentina, lembrou muito o quinto gol da Alemanha, anotado por Sami Kedhira na goleada de 7 a 1 sobre o Brasil, na Copa de 2014. Por ironia, Rakitic é companheiro de Messi no Barcelona.

Confira abaixo a semelhança entre os gols:

 

 

 

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