Alexandre Bastos — 2017: ano de aprendizado e conquistas

Dois mil e dezessete foi um ano muito difícil para o Brasil, para o Estado do Rio e para Campos. Cada um, à sua maneira, viu as dificuldades de uma crise econômica aguda repercutir na vida de cada cidadão e também na administração pública.
Em Campos, o rompimento com um modelo político fundamentado no culto a imagem de uma figura populista causou certo desconforto, até mesmo para aqueles que desejavam transformações, mas que ainda não estavam preparados para aceitá-las. Afinal, nos acostumamos tanto com um modelo, que o novo pode causar estranhamento. É normal e faz parte do processo de libertação política pelo qual Campos passa. As pessoas estão se manifestando, participando, e não sendo perseguidas pelo direito sagrado de se expressar. Todos que quiseram conversar, dialogar, discutir, tiveram espaço. Sem acepção de categoria, ou demanda.
A atual gestão rompeu um paradigma político que se estabeleceu na cidade desde 1989, pós redemocratização. O grito das urnas repercutiu com a instalação do novo governo. E de lá para cá, a tônica foi fazer diferente, e tocar o coração das pessoas para que percebessem quão grande é o desafio no qual, cada cidadão seria imprescindível para o cumprimento das metas.
Foram realizadas movimentações estratégicas com vistas a colocar Campos nos trilhos do franco desenvolvimento, mas não sem chamar a população para participar. Foi a primeira vez que Campos teve um Plano Plurianual Participativo (PPA) e um Orçamento Participativo (OP). Foram 11 audiências do Plano de Metas, 21 audiências do PPA em 17 locais diferentes, sendo 15 em distritos fora da sede. O cidadão pôde realmente inserir e excluir propostas nos documentos que estruturam o planejamento do município.
O prefeito Rafael Diniz precisou tomar medidas necessárias à boa gestão, muitas delas, duras. Afinal, o legado rosáceo se resumiu ao comprometimento do dinheiro do cidadão campista até, pelo menos, 2031 com três empréstimos irresponsáveis que engessaram o orçamento municipal em meio a queda brusca na arrecadação. Só este ano foram pagos mais de R$ 40 milhões de juros.
Houve uma economia de 20 milhões na Educação, após acabar com a compra de material didático da Expoente. A cidade passou a receber livros do Ministério da Educação, que são referência nacional. No acumulado dos 4 anos serão 40 milhões de economia. O Programa Saúde na Escola foi retomado, além de promover a capacitação das merendeiras, tão importantes na alimentação das nossas crianças. Temos hoje uma Educação que já se movimenta para não depender dos royalties e caminhar com as próprias pernas.
A Saúde, o maior desafio da gestão, teve resultados promissores em várias áreas, mas é preciso avançar ainda mais. Foram muitos anos de desmonte da Saúde, e não vai ser da noite para o dia que esse caos acumulado será revertido. A atual gestão colocou para funcionar a climatização do HGG que estava há 6 anos parada e retomou os serviços de odontologia daquele hospital, além de colocar 15 ambulâncias que estavam abandonadas para funcionar. No Ferreira Machado o governo transformou uma sala que estava sendo inutilizada em sala de Politrauma com três boxes independentes. Além disso, foram viabilizadas emendas para conclusão da reforma do Hospital São José e conclusão da UPH de Travessão, entre outras ações que serão concretizadas já em 2018, como a transformação da parte administrativa da Cidade da Criança em um núcleo para cuidar das crianças, com vacinas e atendimentos médicos.
Pensando além dos royalties, foi retomado o fomento de uma das principais vocações do município: a agricultura. Foi lançado o Programa Mais Frango no Assentamento Josué de Castro. Através do Fundecam foi implementada a equalização dos juros do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), devolvendo o valor dos juros para os agricultores que estão em com o programa federal. Isso representa mais recursos para que o pequeno produtor possa investir. Foi viabilizada com Exército a compra de alimentos de nossos produtores.
É necessário anotar que o Fundecam foi totalmente reformulado. Com os recursos recuperados, a atual gestão conseguiu injetar algo em torno de meio milhão de reais em cerca de 200 empreendimentos. Mas não é só emprestar o dinheiro. Agora o empreendedor passa a contar com orientação do Sebrae e das Universidades na organização do negócio e na gestão dos recursos. Campos será a primeira cidade a celebrar convênio com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação na Indústria- Embrapii, algo inédito no Brasil e que põe o município na vanguarda do fomento a inovação.
Em meio a tantos desafios em 2017, vimos o resultados do uso eleitoreiro de programas sociais em nosso município estampado na capa de jornais de todo Brasil. Com a casa mais arrumada a gestão trabalha com dois grandes desafios: a reestruturação de todo leque de programas sociais, incluindo a volta do Restaurante Popular, e a reorganização de todo sistema de transporte público do município.
É certo que ainda há muito o que fazer, mas estamos diante de uma mudança importante de modelo. Se antes haviam ações frágeis, de fachada e eleitoreiras, hoje temos a missão de preparar um alicerce sólido não para os próximos três anos, mas para as próximas décadas.


























