Teatro de Bolso divulga programação de junho e início de julho

 

Programação do TB de junho e início de julho de 2017

 

 

O diretor teatral Fernando Rossi esteve à frente do Teatro do Sesi/Campos, que carregou a cultura goitacá nas costas nos tristes idos do governo Rosinha Garotinho (PR), com Patrícia Cordeiro na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL). Nomeado à direção do Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, com Cristina Lima na presidência da FCJOL, Rossi enviou ao blog a programação de junho e início de julho do palco mais tradicional dos artistas de Campos, reaberto (aqui) no governo Rafael Diniz.

Para saber mais da saga recente do TB, confira aqui. Para ter detalhes de cada espetáculo do próximo mês, confira abaixo:

 

 

JUAN GORRIN CANTA CINE

Espetáculodo cantor venezuelano Juan Gorrin, interpretando as melodias mais famosas do mundo do cinema, abordando vários estilos musicais, épocas e gêneros cinematográficos.

O cantor estará acompanhado por uma banda composta por Teclado (Joao Gualberto), Violoncelo (Isabela Biancardine), Baixo (Davi Caldas), Bateria (Robson Jorge), Percussão (Matheus Basílio), Violão e Guitarra (Vinicius Soares). Conta também com a participação especial da jovem cantora campista Isabela Martins.

Este é mais um dos shows da série temática produzidos pelo artista para a temporada 2017.

 

 

 

 

OS INIMIGOS NÃO MANDAM FLORES

Sinopse:

O Grupo Nós do Teatro apresenta: o boneco de fantoche e sua manipuladora!

A peça de Pedro Bloch retrata a vida do casal Silvia e Geraldo. Ele, um contrabandista financeiramente bem sucedido. Ela, uma articuladora, inferiorizada pela beleza das outras mulheres. Para conquistar Geraldo, Silvia utiliza suas próprias armas, combatendo as gatas que cercam seu marido, armadas da beleza e da sensualidade. Serão as armas de Silvia suficientes para despertar algum afeto em Geraldo? Será Geraldo um estrategista neste jogo de ama/odeia? Uma flor, uma única flor talvez bastasse para começar a resolver esta relação conturbada.

 

Auto: Pedro Bloch

Direção geral: Kátia Macabu

Direção musical: Júlio Ribeiro

Figurino: Ana Júlia Izabel Carvalhido

Sonoplastia: Júlio Ribeiro e Camila Leite

Iluminação: Kátia Macabu

Maquiagem: Jonas Defante Terra

Concepção gráfica: Ana Júlia Izabel Carvalhido e Adriano Ferraioli

 

 

 

 

 

ENTRE O DEDO E O ANEL

 

Sinopse:

ENTRE O DEDO E O ANEL traz histórias reais com narrativas entrelaçadas e pontuadas por perdas dos sete atores do espetáculo, sorteadas no início de cada encenação.

Duas histórias conduzem o espetáculo: Vítor, menino de uma pequena cidade do Rio de Janeiro que, aos 12 anos vive seu primeiro amor, cheio de hesitações e adiamentos e Elisa, suburbana de 56 anos que, após inúmeras perdas, percebe ter aberto mão de si mesma.

Paralelamente se desenvolvem, ainda: a história de Júlia e a superação da perda de seu avô e a narrativa de Sayuri, descendente de imigrantes japoneses, desde sua difícil infância na colônia JK na Bahia, passando pela juventude no Japão e o retorno ao Brasil.

 

 

 

PONTAL

Sob forma de Recital teatralizado três pescadores dão início a lida adentrando o mar, onde jogam suas tarrafas em busca de sustento. Enquanto aguardam os peixes caírem na rede, contam causos, cantam canções, remontam fatos, distraem o tempo e refletem sobre as desventuras da vida e do ambiente que vivem.

Com coletânea poética de Aluysio Abreu Barbosa, Antônio Roberto Kapi, Artur Gomes e Adriana Medeiros.

Direção de Antônio Roberto Kapi (in memorian) e Yve Carvalho

Iluminação de Rogério Pacheco

 

Elenco:

Jota Z

Saullo Oliveira

Yve Carvalho

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — O herói das mulheres

 

(Cena do filme “O Terceiro Homem”)

 

 

O escritor espanhol Arturo Perez-Reverte apresentou em Buenos Aires, há duas semanas, o seu novo romance, “Falcó”. O livro relata as aventuras de um contrabandista de armas, Lorenzo Falcó, que vira agente dos serviços de inteligência na Europa dos anos 30. Sujeito sem escrúpulos, o espião somente é fiel a si mesmo, e não há pátria, governo ou pessoa que fique livre de suas traições.

Durante uma entrevista com Perez-Reverte pela revista Noticias, o jornalista comenta que falou com várias mulheres que leram o romance, e que elas adoraram esse personagem tão desprezível. Perez-Reverte sorriu e respondeu:

“É que as mulheres são umas sacanas. Todas o são. Está claro: Falcó é um filho da puta. Se esse filho da puta tivesse sido um sujeito sujo, feio, vulgar e medíocre, teria sido intolerável por todos. Mas, não. É lá onde reside a habilidade técnica do autor, que não é bobo e conhece o seu trabalho. Decidi colocar nele outras coisas: inteligência, simpatia, graça, mas, principalmente, a insolência do sem-vergonha-simpático. E isso, com as mulheres, não falha nunca. As mulheres se casam com cavalheiros, mas se apaixonam pelos canalhas. É uma constante histórica, não é uma expressão minha. Está provado historicamente e qualquer pessoa com cabelos brancos sabe de que estou falando.”

Não é uma teoria muito original, embora também não seja muito popular, principalmente nestes tempos de correção política. De qualquer forma, sempre surpreende que uma figura pública como Reverte tenha a coragem de dizer uma coisa dessas, considerando que metade de seus potenciais leitores são mulheres. Se bem que, como apontou o jornalista, elas adoraram Falcó…

Ao ler a entrevista, lembrei de alguns grandes canalhas do cinema que foram irresistíveis para as mulheres. Em “Cassino”, o filme de Martin Scorsese, o poderoso administrador do Tangiers, Sam Rothstein (Robert DeNiro), nunca consegue entender qual é a fascinação que o cafajeste Lester (James Woods) exerce sobre sua mulher, Ginger (Sharon Stone). Não há joia, casaco de pele ou valor em espécie que possa fazer com que a Ginger se esqueça daquele patife fanfarrão e vagabundo.

Muito mais elegante, O Rick de “Casablanca”, na pele de Humphrey Bogart, entra na categoria dos canalhas cínicos. Tão cínico que, depois de saber que Ilse o abandonou naquele apartamento de Paris somente por dever conjugal, ao se inteirar de que o seu esposo não tinha morrido, e tendo oportunidade de retomar o relacionamento, decide rejeita-la e a manda de volta para o marido. “Sempre teremos Paris”. Ingrid Bergman, com o coração destroçado, parte rumo ao avião junto com Lazlo. Alguém pode acreditar que Rick fez isso por dever patriótico?

Mas é provável que o canalha-mór do cinema seja o Harry Lime (Orson Welles) do filme “O Terceiro Homem”. O sujeito era capaz de traficar medicamentos adulterados para crianças, mas basta uma única cena do filme — a única onde aparece e fala — para que o espectador fique seduzido por ele. Tamanha é a fascinação que o safado provoca, que a sua namorada Anna nunca irá perdoar ao amigo de Harry, o mocinho Holly (Joseph Cotten), por tê-lo descoberto e provocado sua morte. O final do filme, com Holly aguardando Anna na saída do cemitério, é toda uma declaração de princípios acerca de a quem pertence a alma feminina.

O escritor argentino Adolfo Bioy Casares, ele próprio um canalha sedutor, escreveu um conto onde o espírito de um legendário bandido rural, outrora temido e admirado, se confunde com a figura de um tigre que assola uma fazenda. O proprietário é um homem de meia idade que está casado com uma jovem e bela mulher. Num determinado ponto da história, o fazendeiro se lembra de um filme de ‘caubóis’, onde o galã luta com o vilão pelo amor de uma moça. A mulher do fazendeiro quer saber quem fica com a moça, ao que o marido responde que, naturalmente, ela ficará com o herói. A mulher — que ao final do conto desaparece, capturada pelo tigre — esclarece, com uma sinceridade brutal: “o herói das mulheres nem sempre é o herói dos homens”.

Fica o leitor devidamente avisado.

 

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NF se une para cobrar no Rio volta de PMs e Delegacia de Homicídios

 

Reunião hoje, no Rio, da cúpula da Segurança Pública do Estado com o deputado Bruno Dauire e representantes de Campos, SJB, SFI, Carapebus e Macaé (Foto: Divulgação)

 

 

O retorno dos 40 homens cedidos pelo 8º BPM ao Grande Rio, aumento do efetivo policial nos municípios do Norte Fluminense e a instalação de uma Delegacia de Homicídios na região. Esses foram os principais assuntos da reunião que aconteceu hoje (30) no Rio, na sede da secretaria estadual de Segurança Pública, entre o deputado estadual Bruno Dauaire (PR), acompanhado de vereadores de Campos, São João da Barra (SJB), São Francisco de Itabapoana (SFI) e Carapebus, com secretário de Segurança Antônio Roberto Cesário de Sá, o comandante geral da PM, Wolney Dias Ferreira, e do chefe da Polícia Civil, Carlos Augusto Neto Leba.

Vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Bruno agendou o encontro, que teve também um representante do Conselho Municipal de Segurança Pública de Macaé. O deputado e os representantes dos municípios mostraram a realidade do crescimento da violência no interior do Estado do Rio. “Os números são preocupantes e não podemos deixar essa situação continue assim”, disse Bruno.

Comandante da PM, o coronel Wolney se comprometeu a estudar a possibilidade de retorno dos policiais ao 8º BPM, o que pode ser anunciado amanhã (31), em sua visita a SFI, anunciada aqui, na Folha da Manhã. Bruno adiantou que, a partir da reunião de hoje, essa é sua expectativa.

 

Com informações da assessoria do deputado 

 

Leia a reportagem completa sobre o quadro de Segurança Pública da região na edição desta quarta (31) da Folha da Manhã

 

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Leticia Sabatella é a principal atração do Sesi-Campos em junho

 

O pessoal do Sesi-Campos — que levou a cultura goitacá nas costas nos tristes idos do governo Rosinha Garotinho (PR), com Patrícia Cordeiro à frente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) — divulga sua programação de junho. Como principal atração do mês, o espetáculo “Caravana Tonteria” trará a Campos, às 20h do próximo dia 9, a atriz Leticia Sabatella. Famosa também pela polêmica das suas posições políticas, ela integra o elenco dirigido por Arrigo Barnabé, que interpreta parte do repertório de grandes referências da música universal, como Chico Buarque, Colle Porter, Duke Ellington e Carlos Gardel.

 

 

 

Os ingressos para “Caravana Tonteria”, no valor individual de R$ 34, estarão à venda no Sesi a partir das 14h da próxima segunda, dia 5. Já para as demais atrações de junho, os ingressos poderão ser adquiridos a partir das 8h do dia 1º, na próxima quinta.

Confira abaixo toda a programação do próximo mês do Sesi:

 

 

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Carol Poesia — Foi de chorar!

 

(Foto: Facebook de Potiara Lopes)

 

(Foto: Facebook de Potiara Lopes)

 

(Foto: Facebook de Potiara Lopes)

 

 

Felipe Ábido, o Bilibit, disse, há dois meses, que seria uma pequena roda de choro… Mas cerca de mil pessoas foram presenteadas com um show de altíssimo nível neste último sábado (dia 03).

Aconteceu, na Villa Maria, a segunda edição do Choro na Villa, que homenageou o singular compositor campista Juventino Maciel e reuniu ilustres convidados, como o músico Ricardo Maciel, bandolinista filho do compositor homenageado; o flautista Antônio Rocha, discípulo do grande Altamiro Carrilho; e Mailton Gonçalves, luthier, grande músico campista e integrante do grupo Reminiscências (décadas de60 e 70) — grupo esse que acompanhava o Juventino.

Felipe, com seu violão sete cordas, idealizador, diretor artístico e organizador do evento, integra o grupo Pé de Pitanga, que conta também com os músicos Vitor Vieira (bateria e percussão) e Joel Monção (cavaquinho). O grupo, que reuniu Rio e Bahia ao convidar a flautista Giselle Mascarenhase o acordeonista Marcone Cruz na primeira edição, conquistou o público ao homenagear os compositores Pixinguinha, Waldir Azevedo e Jacob do Bandolim, em abril. Incansáveis, emocionaram a todos, executando com brilhantismo as composições do conterrâneo Juventino Maciel, em junho.

Bilibit conta, emocionado, que existe uma conexão entre as edições do evento, uma vez que Juventino foi lançado no mercado fonográfico através da música “Cadência”, do LP “Vibrações” (1968), de Jacob do Bandolim; disco considerado pela crítica especializada como dos mais importantes da história do chorinho. Além disso, o homenageado foi amigo pessoal do grande Pixinguinha.

Pergunto a Felipe como foi a organização do evento. Ele, como músico excepcional, sincero e apaixonado, não responde à minha pergunta e me conta empolgado: “Ricardo utilizou, no show, o bandolim do próprio Juventino. E Antônio, não por acaso, tocou com o flautim do próprio Altamiro Carrilho. Ou seja, é uma tradição que está sendo passada de geração para geração”. E por falar em tradição, a centenária Lira Guarany fez uma maravilhosa intervenção surpresa, o que abrilhantou ainda mais a noite.

O organizador, além de músico, é estudante de mestrado em Cognição e Linguagem na Uenf, a quem agradece pelo apoio junto a demais parceiros. Seu estudo intitula-se “A formação da linguagem musical do chorão Juventino Maciel”. Seu talento, simplicidade e conhecimento podem, então, ser aguardados e desfrutados nas próximas edições do evento, que já é absoluto sucesso e marco importantíssimo para o cenário artístico-cultural de Campos.

 

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Leda Lyzandro — De que é necessário criar tempo

 

Certa vez, numa varanda de Atafona, a psicóloga e amiga Leda Lyzandro disse que eu escrevia bem. Pois após ler como ela se desabriu ontem aqui, na comunhão das suas memórias com o advogado e músico Rodrigo Magalhães, o Magalha, é a minha vez de dizer: Ledinha, você escreve muito bem!

Na dúvida, leitor, confira na transcrição abaixo:

 

 

Rodrigo Magalha (Foto: Facebook de Leda Lyzandro)

 

 

A sua partida precoce e repentina me deixa várias reflexões. A mais importante delas é algo que eu já sabia na teoria, mas que ainda não havia sentido tão intensamente na prática. De que é necessário reservar tempo, criar tempo, fabricar tempo para encontrar quem amamos. O virtual está muito longe de substituir isso.

Ficará em mim o lamento daquele show que não fui, daquele churrasco que não aconteceu e daquela gargalhada que não pude ouvir.

São muitas as lembranças. Os “Anjos da madrugada” no aniversário de Simone, onde o palco era a mesa de sinuca. Show no Auxiliadora. Intermináveis noites em Atafona no inverno bebendo e jogando dicionário e Imagem e Ação. A partida de nosso irmão Gilberto. Conversas, papos-cabeça, lamentos, incentivos… Mas principalmente risadas… Gargalhadas…

Seu sobrinho Carlos lembrou muito bem essa sua mania de colocar apelido nas pessoas. Isso nos fazia rir e sentir especiais. Lá pelos anos 90, numa roda, algum dos alucinados, não me lembro quem, disse que eu me parecia com Luiza Tomé. E eu, toda boba, só pude ouvir a gargalhada de Rodrigo dizendo: “eles tem Luiza Tomé e nós temos Ledinha Tomamé”, apelido que, diga-se de passagem, me caiu como uma luva. Desde então me chamava ora de Tomamé, ora de Babalu e eu amava os dois apelidos!

Sei que ele está cercado de luz, porque ele é luz. Sou grata a Deus por ter tido o privilégio de tê-lo como amigo! Digo até breve, porque todo tempo humano, mesmo longo, é sempre breve! Assim como é sempre breve e é sempre pouco o tempo que dividimos com quem amamos!

Siga em paz, meu amigo!

 

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Martinho Santafé — “O que não falta é ‘solidariedade’ para esses bandidos”

 

Não é a primeira vez que tomo a liberdade de republicar um texto escritos pelo jornalista Martinho Santafé na democracia irrefreável das redes sociais. E, dada a consonância no pensamento e admiração pelo estilo, tenho a forte impressão de que não será a última.

Num país que a esquizofrenia política pretende cindir entre coxinhas e mortadelas, em opostos comuns pelo raciocínio rançoso nos dois lados, confira aqui e na transcrição abaixo:

 

 

 

 

Nem coxinha, nem mortadela. O grande embate político brasileiro, hoje, não é ideológico, mas entre os que querem continuar roubando dinheiro público para se perpetuarem no poder e os que exigem um país menos corrupto e mais eficiente, onde os serviços públicos realmente funcionem, justificando os elevados impostos diretos e indiretos que pagamos.

Nesse momento tão conturbado, ideologia é um ato diversionista daqueles que querem manter seus privilégios. Basta observar o quadro atual. Parlamentares dos principais partidos estão se unindo nos bastidores para melar a Lava Jato e encontrar mecanismos que anistiem seus crimes, contando com a cumplicidade de empresários e até de juristas da mais alta Corte. O que não falta é “solidariedade” para esses bandidos.

Se os cidadãos não reagirem à altura dessa ofensiva descarada, teremos mais duzentos anos de atraso. E a culpa, aí sim, será nossa!

 

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Fernando Leite — Fronteira

 

 

 

Fronteira

 

Na sala de espera do Centro de Doença

de Alzheimer e Parkinson estavamos eu,

José, de 58 anos, vítima de esquizofrenia

e distúrbios neurológicos; dona Olivia, 75 anos,

parksoniana e Pedro, 48 anos, refém do Alzheimer.

Sabíamos um do outro, mas não nos olhávamos,

como se fôssemos irmãos de uma seita secreta,

o silêncio e o alheamento era nosso código

de comunicação. Não havia o que falar.

Palavras são lâminas, por natureza,

se não, domadas.

O olhar comum de desassossego era uma carta náutica

para velhos marinheiros do mar alto,

que pouco se viam, mas que se reconheciam no

vastíssimo oceano da dor.

Nossos acompanhantes tricotavam experiências

e as últimas cenas da novela da 9h.

Alguns de nós, acompanhados, sabíamos de nossa

condição de fronteiriços,

tínhamos um pé na lucidez e o outro

no território do delírio.

O coração se aventurava em acrobacias

nos abismos, independente de nosso pânico.

De repente, uma réstia de sol

atravessou o vidro da janela

e acendeu a esperança que guardamos

escondida.

José, dona Olívia, Pedro e eu

rimos, cúmplices, ninguém mais percebeu.

A vida, por um momento, desabrochou exuberante e sã

naquela burocrática sala de espera.

É assim que, em nós, de vez em quando, independente

da hora e do lugar,

irrompe no maciço da escuridão a improvável

flor da manhã.

 

(FLF)

 

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Artigo do domingo — Solo de guitarra pelo coletivo de uma geração

 

Magalha nos anos 1980, jovem e de cabelos compridos, no auge do BRock (Foto: Alcino – Facebook de Fred Landim)

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

A semana que passou, como creio ter sido para vários amigos do advogado, professor e músico Rodrigo Magalhães, foi de reflexão. Sua morte precoce aos 47 anos, durante uma cirurgia de emergência entre o fim de noite de segunda (22) e o início da madrugada de terça (23), por conta de um aneurisma na artéria aorta, trouxe a público o que muita gente talvez sentisse cotidianamente, mas talvez nunca tenha se tocado de forma tão nítida: pela cultura associada à humildade, ao bom humor e jeito sempre afável com todos, Magalha era um dos sujeitos mais queridos da sua geração.

Depois que ele passou mal na manhã de segunda, enquanto dava aula na Universidade Cândido Mendes, soube ainda de tarde, por meio de familiares e amigos médicos, da gravidade da situação. Como escrevi no blog, pelo qual comecei a acompanhar a evolução do seu quadro, conhecia Magalha desde a adolescência, nos anos 1980. Vivíamos o auge do BRock, quando ele, ainda garoto e de cabelos compridos, já brilhava como músico nas bandas locais de rock.

Nosso maior convívio se deu a partir de uma excursão que saiu de Campos para o primeiro show de Paul McCartney no Brasil, no Maracanã, em 1990. Tinha passado os dois últimos anos ouvindo muito os Beatles e, conversando com Magalha durante a viagem, me surpreendi com seu conhecimento de rock inglês, de conjuntos que eu ainda sequer conhecia, mas viraria fã, como Yarbirds (depois Led Zeppelin), John Mayall & the Bluesbreakers e Cream — hoje, minha banda favorita.

Quem também estava naquela viagem era Gilberto Cruz Filho, outro que teria a vida precocemente abreviada, num acidente de carro, em 1993. Lembro após sugerir que, caso alguém se perdesse do grupo, que esperasse os demais na estátua do Bellini, em frente à entrada do estádio, Gilbertinho exclamou:

— Bellini, grande capitão de 50!

Ao que aleguei que Bellini só teria sido capitão da Seleção de futebol em 1950 no juvenil, já que o ex-zagueiro foi de fato capitão da Seleção em 1958, na conquista primeira Copa do Mundo pelo Brasil. Grande amigo de Gilbertinho, Magalha não deixou passar a oportunidade para cair em sua pele, indagando a todo momento, inclusive nos intervalos das músicas do ex-Beatle:

— E o Bellini?

Algum tempo depois, já na primeira década do novo milênio, sobretudo a partir de outro amigo comum, o também advogado Andral Tavares Filho, tive minha fase de maior convivência com Magalha. Não raro nos cruzávamos para dividir mesa, bebidas e papos nas noites campistas. Lembro do encontro com outro amigo comum, médico, gente boa, mas que já tinha bebido um pouco além da conta, no antigo Club, casa noturna que fez sucesso na Pelinca dos anos 2000.

Se não me falha a memória, o cardápio da casa oferecia um prato com palmito de pupunha. E como esse amigo comum começou a querer encher o saco de Magalha com lembranças do passado, “pupunha” virou uma espécie de código particular, montado naturalmente entre nós, para fazer referência velada a quem já bebeu demais e começou a ficar inconveniente. E sem que ninguém mais na mesa entendesse, inclusive o alvo eventual da ironia, ríamos a balde enquanto um indagava ao outro:

— Será que vai rolar pupunha?

Com a idade e mudanças de hábitos, nesses rumos diferentes que a vida segue sem que nem percebamos, nossa convivência foi se espaçando. Mas sempre que nos encontrávamos, demonstrávamos o mesmo carinho recíproco. Depois que se casou com Beatriz, Magalha se tornou um cara caseiro, sobretudo após o nascimento da sua Alice, hoje com 2 anos. Recolhimento que eu levei mais tempo — e casamentos — para finalmente adquirir.

Não pude ir ao seu velório na terça, pois tinha um compromisso prévio e inadiável agendado no Rio, coincidentemente em companhia de outro amigo comum de Magalha. Mas minha namorada, também advogada e sua ex-colega de turma no Auxiliadora, esteve no Caju e me contou do grande comparecimento de amigos, colegas do Direito, alunos e ex-alunos. E testemunhou como dava para se cortar com faca a densidade da consternação geral.

Na tarde de quarta (24), me ligou uma ex-namorada. Presente num dos últimos shows de Magalha, com sua banda Cross Time, há menos de um mês, no pub Republic, ela se reuniu com ele ao final e conversaram um pouco. E fiquei emocionado ao saber que, uma vez que me tornei o assunto, as palavras dele sobre mim foram paridas em três das suas grandes virtudes para com todos: gentileza, carinho e generosidade.

Na noite daquela mesma quarta, outro amigo comum, o biólogo e também professor Marcelo Cordeiro completou 45 anos — exatamente um mês antes de mim, como observamos desde que nos tornamos amigos, ainda aos 3 anos de idade. De volta recentemente a Campos, depois de mais de 10 anos morando na Bahia, ele chamou vários amigos de adolescência e juventude para comemorar a data no Mexicano.

Inevitavelmente, além dos brindes pelo reencontro e a felicidade do aniversariante, o fizemos também em homenagem ao companheiro de um mesmo lugar e tempo, que todos conheciam, gostaram durante boa parte da vida, mas já não estava mais entre nós.

Num solo de guitarra pelo coletivo da nossa geração, vá em paz, Magalha!

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Vanessa Henriques — Direita x esquerda

 

 

 

Diz o ilustre filósofo político Norberto Bobbio que a regra áurea da justiça social está encerrada na seguinte máxima: “Tratar os iguais de modo igual e os desiguais de modo desigual.” Pensando em justiça distributiva, me pus a pensar sobre como justiça relaciona-se ao ideal de igualdade, e como tal ideal é encarado, historicamente, pelos movimentos à direita e à esquerda do espectro político.

Atualmente, é comum ouvir por aí, nos cafezinhos bebericados inocentemente em padarias, que já não existe mais esse negócio de direita e esquerda. Para estes que o afirmam enfaticamente, a única divisão existente na política é aquela que separa os honestos dos desonestos (o segundo grupo, obviamente, sobrepujando o primeiro, quando existente). Para o filósofo político trazido à cena, os atores políticos ainda se orientam segundo as clássicas definições “direita” e “esquerda” e, portanto, a distinção entre os polos continua bastante viva entre nós. “Num universo conflitual como o da política, que exige continuamente a ideia do jogo das partes e do empenho para derrotar o adversário, a divisão do universo em dois hemisférios não é uma simplificação, mas uma fiel representação da realidade”, afirma Bobbio.

O filósofo italiano explica que a queda do muro de Berlim e o desmantelamento da União Soviética foram o estopim do discurso que busca negar o fim da distinção entre direita e esquerda como categorias-chave para a interpretação dos sentidos das ações políticas; enquanto que os termos antitéticos direita e esquerda ganharam o mundo e os escritos políticos a partir da Revolução Francesa, há mais de dois séculos, dada a oposição entre jacobinos e girondinos.

No Brasil, paralelo ao discurso que nega a importância da distinção “destra/sinistra” no cenário político nacional, crescem também os discursos que reivindicam tais categorias. Cada vez mais torna-se imperativo o posicionamento dos indivíduos atrelando-se a um ou outro lado. A velha dupla também pode ser substituída pelos termos “progressista” e “conservador”. E ainda subdivide-se o progressismo e o conservadorismo por área, tal como se faz em relação à área dos costumes e à área da economia. Desta forma, “conservador de esquerda” seria aquele sujeito que defende uma maior justiça distributiva entre as classes, mas que rejeita ou considera irrelevantes bandeiras típicas dos movimentos sociais “identitários”, tais como o feminismo e o movimento LGBT. Já o “progressista de direita” seria aquele que tende a se opor a intervenções estatais na economia, mas defende as tais bandeiras “identitárias”, apoiando o casamento homoafetivo, o combate ao machismo e mesmo a liberação de drogas ilícitas.

Na época das manifestações que defendiam o afastamento da ex-presidente Dilma, não era incomum que portais de notícias realizassem entrevistas com os manifestantes que se reuniam na Av. Paulista ou em Copacabana. Nessas entrevistas, perguntava-se às pessoas o que elas entendiam sobre direita e esquerda e como elas se definiam segundo esta oposição. A partir das respostas, era possível perceber como esses termos são utilizados com certa imprecisão.

No Brasil, também não é incomum relacionar à esquerda a defesa de temas como direitos humanos, feminismo e programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família. Ao analisar a gênese desses movimentos e bandeiras no contexto europeu, é possível notar como os direitos humanos e o feminismo são atrelados a partidos liberais. Da mesma forma, programas de mitigação da pobreza como o Bolsa Família, na Europa, são entendidos como liberais porque apenas provém uma renda mínima às famílias pobres, enquanto mantém intocadas as estruturas de distribuição de renda e riquezas. Neste sentido, esses programas estariam na direção oposta de ideais socialistas/comunistas. Mas por aqui não surpreende que se chame de “comuna” quem defende o programa formulado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Finalizo retornando a Bobbio, que traz uma clássica definição de direita e esquerda, talvez a mais aceita no escopo da teoria política: a segunda seria mais igualitária que a primeira. A esquerda tende a perceber grande parte das desigualdades presentes no mundo social como injustas, enquanto que a direita entenderia muitas dessas desigualdades como aceitáveis e até mesmo positivas para a sociedade. A direita, segundo o autor, tende a salientar as diferenças existentes entre os indivíduos e a exortá-las. A esquerda, por sua vez, tenderia a atribuir motivações arbitrárias e socialmente construídas a desigualdades presentes na sociedade, ao passo que a direita tenderia a perceber essas desigualdades como parte de uma “natureza” ou de uma “segunda natureza”, ou seja, de tradições e costumes sociais que adquiriram a solidez de uma rocha ao longo do tempo e que, portanto, devem permanecer firmes.

 

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Choro na Villa neste sábado com homenagem ao campista Joventino Maciel

 

 

 

A professora Simonne Teixeira, diligente diretora da Villa Maria, Casa de Cultura da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), enviou convite pela democracia irrefreável das redes sociais e o blog republica. Em meio à crise na Uenf, sem receber verbas de manutenção do governo estadual desde outubro de 2015, a Villa convoca a comunidade para se unir em mais um exemplo de resistência. E o que é melhor: com música de qualidade e entrada franca.

Neste sábado (27), a partir das 16h, ocorre mais uma edição do Choro na Villa. O grupo “Pé de Pitanga” vai fazer uma homenagem ao compositor campista de choro Joventino Maciel (1926/93), que também era torneiro mecânico, além de músico. A programação nos jardins do prédio histórico deve se estender pelo sábado até às 22h.

 

 

 

 

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Presidente da Câmara, Marcão responde às críticas de Thiago Virgílio

 

(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“O vereador Thiago Virgilio (PTC), ainda não diplomado por decisão do Poder Judiciário, não deve conhecer muito bem o regimento interno da Casa de Leis da qual ele já fez parte, inclusive sendo membro da mesa diretora na legislatura anterior. Todas as decisões tomadas pela presidência da casa se dão por força regimental e legal. Cabe ainda esclarecer que nos casos de Thiago, Ozéias (PSDB), Kellinho (PR), Jorge Rangel (PTB), Linda Mara (PTC) e Miguelito (PSL), pelo que é de meu conhecimento, até a data de ontem, eles ainda não tinham sido diplomados. E se não possuem ainda o diploma não podem tomar posse. E não sou eu quem digo que há uma pendência cível-eleitoral para não dar posse, é uma decisão judicial quem diz. Se os vereadores conseguirem se livrar dos impedimentos judiciais, encaminharem a documentação necessária à Câmara, irei dar posse como já fiz anteriormente em outros casos. Quanto aos demais comentários do Thiago, ele deve desconhecer ou ignorar que os vereadores são agentes políticos investidos de mandato legislativo municipal e eleitos para participar de todas as discussões políticas, apresentar proposições e sugerir medidas que visem o interesse coletivo, desempenhar fielmente o mandato político, atendendo ao interesse público e às diretrizes partidárias. Eu estou vereador e presidente da câmara, e me manifestarei sobre qualquer matéria que entender ser de minha atribuição por força da lei. Ele precisa aprender a distinguir as decisões do presidente da câmara que são imparciais no estrito cumprimento de suas funções regimentais, das manifestações políticas do vereador Marcão Gomes que não foge ao enfrentamento e aos debates”.

 

Foi o que o presidente da Câmara de Campos, Marcão Gomes (Rede), enviou por e-mail hoje à tarde ao blog. Ele reagiu ao que disse ontem aqui, também neste “Opiniões”, o vereador eleito, mas ainda não empossado, Thiago Virgílio, que criticou abertamente a postura de Marcão à frente do Legilsativo goitacá, em relação às atitudes diante dos problemas jurídicos com os vereadores condenados na Justiça Eleitoral pela troca de Cheque Cidadão por voto, naquilo que ficou conhecido como “escandaloso esquema”, durante as eleições municipais de 2016.

Numa entrevista publicada aqui na Folha, na edição do último domingo (21), Marcão também já tinha falado sobre o caso.

 

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