Natália também analisará os governos municipal de Wladimir Garotinho (sem partido), estadual de Cláudio Castro (PL) e federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por fim, Natália falará de uma Câmara Municipal composta só de homens, como com as 25 cadeiras de Campos, e dos casos reincidentes de violência contra a mulher na cidade.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Abaixo dele, os quatro mais citados na pesquisa também foram vereadores que tentariam buscar a reeleição: Juninho Virgílio (União) e Pastor Marcos Elias (sem partido), com 1% de intenção de voto cada; e Marcione da Farmácia (União) e Maicon Cruz (sem partido), com 0,8% cada. Caio Vianna (PSD) apareceu com 0,7%, em sexto lugar na consulta espontânea à Câmara Municipal, cargo que nunca manifestou a intenção de disputar. Ele ficou empatado com Marquinho Bacellar (SD), presidente do Legislativo goitacá. Na pesquisa a prefeito, Caio ficou em segundo lugar, atrás de Wladimir, enquanto Marquinho ficou em terceiro.
Em oitavo lugar na espontânea, com 0,6% de intenção de voto cada, ficaram empatados o vereador Leon Gomes (PDT) e Robertinho. Depois, empatados com 0,5%, o edil governista Cabo Alonsimar (Podemos) e Rodrigo Thomaz. Atrás deles, empatados com 0,4% cada, ficaram Kelinho Povão, presidente da Associação de Ambulantes, e Madeira Parque Aurora, supervisor do município no bairro que usa como nome político.
Com 0,3% das intenções e voto cada, o resultado da consulta espontânea seguiu com os edis Bruno Vianna e Kassiano Tavares (ambos, do PSD), os ex-vereadores Jorge Magal e Albertinho, além de Juninho Jubiraca e Gilsinho da Pecuária. Com eles, também ficaram empatados em intenções de voto a ex-deputada federal Clarissa Garotinho (União), o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), e o clã político deste e do irmão Marquinho: “Família Bacellar”. Como Caio, Clarissa e Rodrigo nunca manifestaram intenção de concorrer à Câmara Municipal de Campos.
Se na consulta espontânea da pesquisa GPP a prefeito, apesar da liderança folgada de Wladimir, os 46% de eleitores que não souberam ou quiseram responder evidenciaram uma eleição ainda aberta, a indefinição é muito maior no pleito a vereador. Sem a apresentação dos nomes dos candidatos, 73,9% dos eleitores campistas ainda não têm voto definido ao Legislativo goitacá.
Não estava no Brasil em 8 de janeiro. Mas, do Egito, pude testemunhar a vergonha faraônica que o bolsonarismo fez o Brasil passar mais uma vez aos olhos do mundo. Com a invasão das sedes dos três Poderes em Brasília por muares zebrados de verde e amarelo. Isso, mais a subsequente revelação de que o ex-presidente, antes de fugir do país com o rabo entre as pernas, usou seus últimos dias no poder para tentar consumar sua ação criminosa como traficante internacional de joias, facilitou os primeiros meses do governo Lula.
Nenhuma facilidade circunstancial nubla a tarefa hercúlea do novo governo: reunificar um país politicamente rachado, superar o rombo de mais de R$ 200 bilhões legado pelo “liberalismo” de Paulo Guedes e aprovar qualquer coisa em um Congresso de maioria conservadora. Controlado por um Artur Lira (PP/AL) empoderado pelo Orçamento Secreto do capitão e seus generais de pijama. Se não são dificuldades pequenas, Lula tem contribuído para agigantá-las com o festival de besteiras que anda dizendo. No lugar do ex-sindicalista com ambição a estadista dos seus dois primeiros governos, entre 2003 e 2010, tem lembrado mais o macaco em loja de louças que, do cercadinho do Alvorada, brincou de governar o Brasil de 2019 a 2022.
No seu cercadinho mal travestido de “entrevista” ao site 247 (2 + 4 + 7 = 13), Lula marcou dois gols contra na última terça (21): acusou o Departamento de Justiça dos EUA de estar “mancomunado” com o Ministério Público e a Polícia Federal do Brasil na operação Lava Jato. Não apresentou uma única evidência, como nos delírios bolsonaristas contra a urna eletrônica. E gerou, com sua fake news, embaraço diplomático irresponsável com o governo Joe Biden, fiador da democracia brasileira e seu resultado. Não bastasse, na mesma “entrevista” ao 2 + 4 + 7 = 13, Lula usou verbo de baixo calão para assumir seu maior fetiche nos 580 dias de prisão em Curitiba: “f(…) o Moro”.
A confissão foi ainda mais desastrosa porque, no dia seguinte (24), o ministro da Justiça Flávio Dino revelou que o hoje senador Sergio Moro (União/PR) e outras autoridades eram alvos de um plano de vingança da maior facção criminosa do país. Que foi descoberto em investigação da Polícia Federal. Ex-juiz federal como Dino, Moro foi alvo por decisões corretas no mesmo ministério da Justiça que lhe foi dado por Bolsonaro. Como paga pela interferência incorreta no pleito presidencial de 2018, com decisões judiciais tão parciais quanto o “jornalismo” 2 + 4 + 7 = 13. Pela infeliz coincidência de datas, a declaração infeliz de Lula foi usada e abusada em ilações pela máquina de fake news ainda ativa do bolsonarismo.
Lula marcaria outros dois gols contra na quinta (25), no Rio de Janeiro do Maracanã. O primeiro? Ao anúncio da manutenção da taxa de juros em 13,75% pelo Banco Central, disse que o presidente da instituição financeira autônoma, Roberto Campos Neto, “não foi eleito pelo povo”. Se o debate sobre juros é absolutamente válido em termos republicanos, o petista preferiu a mesma falácia antidemocrática do bolsonarismo contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao qual Lula pretende nomear seu advogado pessoal, Cristiano Zanin. Como já declarou que não respeitará a democracia dos pares na lista tríplice do Ministério Público para indicar o próximo procurador-geral da República. Exatamente como Bolsonaro fez com Augusto Aras.
O segundo gol contra de Lula na quinta, quatro em apenas dois dias, porém, foi o pior. Após afastar investimentos estrangeiros com seu novo ataque ao presidente do Banco Central, o da República creditou a uma “armação de Moro” a investigação republicana da Polícia Federal. Que, sob o seu governo, usou a inteligência para impedir o plano de assassinar e sequestrar autoridades e seus familiares, arquitetado pela principal organização criminosa do país.
Lula tem todo o direito de se ressentir pessoalmente pela conduta comprovadamente parcial do então magistrado da 13ª Vara Federal de Curitiba, por mancomunada com representantes do Ministério Público Federal de Curitiba — não do Departamento de Justiça dos EUA. Que gerou sua condenação, prisão e o impediu de concorrer no voto contra Bolsonaro em 2018. Mas, após jurar não guardar ressentimento na campanha vitoriosa de 2022, Lula não tem o direito de mentir descaradamente por conta desse ressentimento.
O presidente da República não só se reduziu a um revanchista destrambelhado. Colocou sob suspeita a atuação do seu ministro da Justiça, Flávio Dino; do seu diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; da própria instituição Polícia Federal; e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG). Ou todos estão mentindo, ou a única armação no caso foi de Lula. Que só serviu para colocar Moro de volta ao palco. E contra o próprio Lula. Com o mesmo desapreço à verdade que tanto era criticado em Bolsonaro.
A maior virtude de Lula, até aqui, foi tirar Bolsonaro do poder. E era o único candidato com voto para isso. Presidente do Brasil pela terceira vez, o maior erro de Lula, até aqui, tem sido reeditar Bolsonaro. Na diarreia verbal, na destilação de ressentimentos mesquinhos e no emprego de fake news. Que o conhecido pragmatismo da China lhe renove os ares. Inclusive para curá-lo da pneumonia. Ou perderá seu fôlego e a paciência de quem, mesmo com críticas ao lulopetismo, definiu em 2022 uma eleição muito, muito dura.
O médico, professor e presidente da Fundação Benedito Pereira Nunes, além de ex-vereador e ex-secretário municipal, Geraldo Venâncio é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a Faculdade de Medicina de Campos (FMC), o Hospital Escola Álvaro Alvim e do seu primeiro ano à frente da Fundação.
Geraldo também falará do novo programa municipal SOS Coração e da Saúde Pública de Campos. Por fim, analisará a pesquisa GPP de março sobre avaliação de governo e a eleição a prefeito de Campos em 2024, além da pacificação entre o prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) e o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), selada com a aprovação das contas de 2016 da ex-prefeita Rosinha Garotinho (União) pela Câmara Municipal.
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Por fim, ele também analisará a herança, o presente e as perspectivas da economia no Brasil para o empresariado. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Thiago Rangel, Jefferson Manhães de Azevedo, CVC da Direita, Professora Natália e Sérgio Mendes analisaram pesquisa GPP de março de 2023 a prefeito de Campos em 2024. Só Caio Vianna não comentou (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Fruto do maior conhecimento de Wladimir pelos campistas — 81,1% afirmam conhecê-lo “muito bem” — do que têm os potenciais adversários, a liderança na corrida a 2024 é fruto também da boa avaliação do seu governo: 55,5% o consideram ótimo (21,7%) ou bom (33,8%). “Os números refletem a administração, com a reabertura do Restaurante Popular, o asfaltamento de ruas, a volta dos Bairros Legais, a melhora substantiva na Saúde, com a reforma do HGG e a reabertura de postos. Pesquisas refletem o momento. E o nosso, há dois anos e três meses, é o mesmo: bora trabalhar”, disse o prefeito.
Marquinho Bacellar
Segundo colocado, Caio Vianna (PSD) não quis comentar a pesquisa. Mas foi só ele. “Eleição se discute em ano par, não ímpar. O nosso foco é no trabalho na Câmara de Campos. O eleitor não quer saber agora de eleição. E os números mostram isso: a liderança da pesquisa espontânea é dos indecisos. O povo de Campos quer que a gente trabalhe por um transporte melhor, saúde melhor, mais oportunidades”, pregou Marquinho Bacellar (SD), presidente do Legislativo goitacá. Ele ficou em terceiro lugar na estimulada a prefeito: 5,8% das intenções de votos, ou 7,1% dos válidos.
Thiago Rangel
Quarto colocado na estimulada GPP a prefeito — com 2,9% das intenções de voto, ou 3,5% dos válidos —, o deputado estadual Thiago Rangel (Podemos) questionou a pesquisa. E deu seus próprios números: “Cerca de 1/3 da população de Campos rejeita a família Garotinho, enquanto outros 15% são voláteis. Se acreditasse na pesquisa GPP, eu não teria me elegido à Alerj. Em 2020, 118 mil campistas votaram em mim, Rodrigo (Bacellar, PL), Carla (Machado, PT) e candidatos a deputado estadual fora do grupo do prefeito. Haverá segundo turno em 2024, diferente do que Wladimir quer fazer parecer”.
Jefferson Manhães de Azevedo
A GPP não deu o nome, mas sua estimulada a prefeito deu ao “Candidato do PT” o quinto lugar, com 2,6% de intenções de voto, ou 3,2% dos válidos. Considerado nome com potencial para furar essa bolha em Campos, o reitor do IFF, professor Jefferson Manhães de Azevedo (PT), analisou a pesquisa: “É uma fotografia. Usando a frase do (ex-vice-presidente) Marco Maciel, que o Ponto Final (de sábado) citou, até a eleição: ‘tudo pode acontecer, inclusive nada’. Mas, à medida que as conquistas do governo Lula (PT) forem aparecendo, isso certamente ajudará seu candidato a prefeito em Campos”.
CVC da Direita
No espectro ideológico oposto, o suplente de vereador Carlos Victor Carvalho (Republicanos), ou “CVC da Direita Campos”, ficou em sexto lugar na estimulada GPP a prefeito. Com 2,3% das intenções de votos, ou 2,8% dos válidos, ele analisou: “A pesquisa apresentou um cenário bastante positivo ao prefeito, mas não consigo ver nas ruas essa aceitação ao ponto da vitória no primeiro turno. Esse cenário pode mudar sensivelmente, se considerada a força da direita na cidade. O ‘CVC da Direita’ não é conhecido por 84% da população, um terreno eleitoral gigantesco a ser explorado”.
Professora Natália
Oposta à força bolsonarista na cidade e candidata revelação da eleição a prefeito de 2020, onde ficou em quinto lugar e quase ultrapassou o então prefeito Rafael Diniz (Cidadania), a Professora Natália (Psol) apareceu na espontânea GPP com 0,2% das intenções de voto. “Apesar da avaliação boa e ótima do governo, o cenário ainda está aberto para 2024. Os partidos de esquerda ainda não definiram sua tática eleitoral. E a oposição de direita também aparece fragmentada. O combate à fome, com a extrema pobreza saltando a 76 mil campistas, é o maior desafio da cidade”, priorizou Natália.
Sérgio Mendes
Prefeito de Campos entre 1993 e 1996, no auge do garotismo, o jornalista Sérgio Mendes (Cidadania) não teve seu nome citado nas consultas GPP estimulada e espontânea. Mas se mantém prefeitável e analisou a pesquisa: “Wladimir Garotinho iniciou seu governo com R$ 2,7 bilhões de arrecadação, pela alta do petróleo, e com o governador Cláudio Castro (PL) investindo maciçamente em Campos. É o que deu esses índices de popularidade ao prefeito. Mas a euforia do já ganhou é deveras precipitada. Faltam 18 meses para a eleição. Até lá, pode surgir o DNA que o prefeito leva consigo”.
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O governo Wladimir Garotinho (sem partido) é aprovado pela maioria da população campista. E, se o pleito municipal de 2024 fosse hoje, o prefeito de Campos seria reeleito, talvez ainda no primeiro turno. Seu possível adversário mais competitivo, a pouco mais de 18 meses das urnas, é o mesmo que disputou com ele o segundo turno em 2020: Caio Vianna (PSD). Este foi o cenário goitacá retratado pela pesquisa do Instituto GPP entre 10 e 12 de março, com 600 eleitores do município e margem de erro de 4 pontos para mais ou menos. O contratante foi o próprio instituto.
AVALIAÇÃO DE GOVERNO E INTENÇÃO DE VOTO ESTIMULADA — Hoje, Wladimir tem sua gestão considerada ótima (21,7%) ou boa (33,8%) por 55,5% dos campistas, enquanto 34,8% a consideram regular e outros 8,8%, ruim (3,3%) ou péssima (5,5%), com 0,9% que não souberam ou não responderam. Quanto às intenções de voto para 2024, na pesquisa estimulada, com a apresentação dos nomes ou referências dos possíveis candidatos, o prefeito liderou com 50,4% (61,4% dos votos válidos). E veio seguido por Caio, com 18,1% (22% dos válidos); o presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (SD), com 5,8% (7,1% dos válidos); o deputado estadual Thiago Rangel (Podemos), com 2,9% (3,5% dos válidos); o “Candidato do PT”, com 2,6% (3,2% dos válidos); e o suplente de vereador Carlos Victor Carvalho (Republicanos), ou “CVC da Direita Campos”, com 2,3% (2,8% dos válidos). Os que declararam votar nulo ou em nenhum desses nomes, foram 9,7%. Outros 8,2% não souberam ou quiseram responder.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
PESQUISA ESPONTÂNEA — No ano eleitoral, sobretudo após as convenções e definições de chapa, conta mais a consulta estimulada. A pouco mais de 1 ano e seis meses para a eleição, no entanto, ainda pesa muito a pesquisa espontânea, na qual o eleitor revela sua intenção de voto sem apresentação de nomes. E, nela, o prefeito hoje lidera com 38,6%; seguido de longe por Caio, com 2,7%; pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), com 1%; o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), com 0,9%; a ex-prefeita de São João da Barra deputada estadual, Carla Machado (PT), com 0,6%; e o presidente da Câmara Municipal, Marquinho Bacellar (SD), e o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), com os mesmos 0,4% cada.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ELEIÇÃO ABERTA — Após quase ter ultrapassado Rafael na eleição a prefeito de 2020, sendo a revelação daquela disputa, a Professora Natália (Psol) registrou 0,2% de intenções de voto na consulta espontânea de março de 2023. Os que declararam votar nulo ou em nenhum nome foram 7,7%. Enquanto outros 46%, quase metade do eleitorado, ainda não souberam ou não quiseram responder. O que ressalta o óbvio: a pouco mais de um ano e seis meses da urna, a eleição de outubro de 2024 ainda está completamente aberta.
GOVERNOS WLADIMIR X ARNALDO — A liderança de Wladimir com mais de 32 pontos de vantagem sobre Caio na consulta estimulada (50,4% das intenções de voto contra 18,1%) se dá pela boa avaliação do atual governo de Campos. Entre os 50,4% dos campistas que votariam na reeleição do prefeito, a maior parte, ou 27,6% deles, o faria respondendo “boa administração, bom gestor, melhor que os anteriores”. Já entre os 18,1% das intenções de voto de Caio, a maior parte, ou 29,1%, não soube ou não respondeu. Já outros 28,4% votariam por gostar do seu pai, Arnaldo Vianna, e dos dois governos deste em Campos, entre 1997 e 2004.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
CONHECIMENTO — Além da boa avaliação do seu governo, a liderança de Wladimir com quase 36 pontos de vantagem sobre Caio na consulta espontânea se dá porque o prefeito é também o mais conhecido entre os possíveis candidatos a prefeito em 2024. Na pesquisa GPP deste mês de março, 81,1% da população afirma “conhecer muito bem” Wladimir, enquanto 18,6% conhecem só “de ouvir falar” e apenas 0,3% afirma ainda “não conhecer”. Entre os demais nomes do levantamento, 55,1% do eleitorado “conhece muito bem” Caio; 35,9%, Marquinho Bacellar; 25,7%, Thiago Rangel; e, apenas 9%, CVC da Direita Campos.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
IMAGENS POSITIVA E NEGATIVA — O maior desconhecimento do eleitor sobre os possíveis adversários eleitorais do atual prefeito, em tese, revela também um terreno mais amplo a ser explorado. Como foi, por exemplo, pela campanha do até então desconhecido governador Cláudio Castro (PL) em 2022. Só que, além de ter a máquina na mão, como Castro teve no ano passado, Wladimir lidera também na questão da imagem, que é positiva para 69,7% dos campistas. A de Caio é positiva a 48,2%; de Marquinho, a 33%; de Thiago, a 26,3%; e de CVC, a 5,9%. Em medição análoga à rejeição, Caio lidera a imagem negativa, com 24,3%. E é seguido de Wladimir, com 18,4%; de Marquinho, com 17,7%; de Thiago, com 11,3%; e de CVC, com apenas 7%. Entre estes três últimos, as imagens negativa e positiva são relacionadas ao conhecimento do eleitor sobre cada um.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
HOMOGENEIDADE — Daqui até outubro de 2024, a maior dificuldade que os eventuais adversários de uma tentativa de reeleição de Wladimir devem enfrentar é a homogeneidade da boa avaliação do governo de Campos e das intenções de voto do atual mandatário:
— De acordo com o cadastro eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), distribuição que foi reproduzida pela GPP, o que atesta a qualidade do seu levantamento, 49,1% do eleitorado campista tem 45 anos ou mais de idade e 53,8% são mulheres. Mas a pesquisa revela uma distribuição relativamente homogênea da intenção de voto em Wladimir, que aparece sempre com a preferência entre 40% e 60% do eleitorado em suas diferentes faixas. Mesmo a 1 ano e 6 meses da urna, a boa avaliação até aqui do governo, a forte percepção de bom gestor e o controle da máquina fazem do filho mais velho de Rosinha e Anthony Garotinho, dois ex-prefeitos e ex-governadores, o pré-candidato mais competitivo neste momento para a eleição de outubro de 2024 — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE.
Wladimir só aprovou as contas de Rosinha de 2016 em 2023 poque Rodrigo honrou sua palavra na pacificação (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Contas de Rosinha e pesquisa GPP
A semana foi boa ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido). Com o apoio do presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (PL), e do governador Cláudio Castro (PL), ele conseguiu os 17 votos que precisava para aprovar na Câmara Municipal as contas de 2016 da sua mãe, a ex-prefeita Rosinha Garotinho (União), na sessão da última quarta (15). No mesmo dia, ficou pronta a pesquisa do Instituto GPP, feita em Campos entre os dias 10 e 12. Que registrou a aprovação da maioria dos munícipes ao governo e uma folgada liderança de intenções de voto na provável tentativa de reeleição em 2024, com possibilidade de definição em turno único.
Bode na sala
Para aprovar as contas de Rosinha, como o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) tinha sido pela reprovação, Wladimir precisava de 2/3 da Câmara. Ou 17 vereadores, quatro a mais do que a maioria mínima de 13 que hoje tem o governo. Com a reprovação das contas na Legislatura passada, mas anulada no primeiro biênio da atual, recolocá-la na pauta é uma prerrogativa do presidente da Casa, Marquinho Bacellar (SD). Que o fez para pôr o bode na sala, depois que a negociação da pacificação entre Wladimir e Rodrigo, com endosso de Castro, empacou na negociação de espaços para a oposição no governo municipal.
Impasse
Como tinha a maioria que o elegeu presidente, Marquinho queria dar ao seu grupo o direito de escolha dos vereadores que ocupariam os espaços. Enquanto o grupo dos Garotinho não aceitava que fossem aquinhoados no governo vereadores como Maicon Cruz (sem partido), que traiu a situação e definiu a vitória da oposição na eleição da Mesa Diretora; ou de Anderson de Matos (Republicanos), por seus ataques mais fortes na tribuna. Nem que Raphael Thuin (PTB) saísse da cadeira de vereador, por exemplo, para dar vaga ao suplente Cláudio Andrade (PTB), que se marcou na vereança passada pelos ataques a Rosinha.
Um dos maiores erros do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e seus principais assessores foi supor que a vitória em turno único de 2016 foi deles, não de um contexto. E, do antigarotismo que souberam surfar, ajudaram a eleger Wladimir Garotinho em 2020. O jornalista e escritor Elio Gaspari relatou que o general Golbery do Couto e Silva disse a um interlocutor, em 1979, ao ver o colega João Batista Figueiredo subir a rampa do Palácio do Planalto todo pimpão para tomar posse como nosso último general/presidente: “Olha lá, está achando que é ele. Esqueceu que é só fruto de um contexto”. Do Planalto à planície, a lição é valiosa. E presente.
Pesquisa GPP (I)
No contexto presente, a pesquisa GPP sobre avaliação de governo de Campos e intenções de voto para 2024 confirmou o que esta coluna adiantou desde 1º de março: se a eleição fosse hoje, Wladimir seria favorito a se reeleger. Só que é daqui a pouco mais de 18 meses. Nos quais vale a advertência do falecido conservador Marco Maciel, que foi governador biônico (nomeado) da ditadura militar em Pernambuco, antes de se eleger democraticamente duas vezes vice-presidente aos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002: “Tudo pode acontecer, inclusive nada”. Entre tudo e nada, a paz entre Rodrigo e Wladimir.
Pesquisa GPP (II)
“Wladimir apareceu com 38,6% das intenções de voto na consulta espontânea, subindo a 50,4% na estimulada. Que evidencia Caio, adversário de Wladimir no segundo turno de 2020, como a segunda maior força eleitoral do município, com a preferência de 18,1% do eleitorado. Marquinho Bacellar (5,8%), Thiago Rangel (2,9%), um possível candidato do PT (2,6%) e Carlos Victor Carvalho (CVC), o líder do Movimento Direita Campos (2,3%) aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 4 pontos para mais ou para menos”, resumiu a ópera William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE.
Ex-governador do estado do Rio, o jornalista Sérgio Cabral Filho é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h desta sexta (17), na Folha FM 98,3. Ele falará das suas condenações por corrupção, dos seis anos de prisão, da recente liberdade condicional e do afastamento do juiz federal Marcelo Bretas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Cabral também analisará a sucessão do poder no RJ, o governo Cláudio Castro (PL), a ascensão do deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (PL) na Alerj que ele também presidiu e a Campos sob o governo Wladimir Garotinho (sem partido). Por fim, falará do Brasil pós-Jair Bolsonaro (PL) e no novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Silvana Siqueira lança nesta terça “o outro lado de mim”, seu primeiro livro de poesia
“Sou muitas num só lugar/ Sou única em meu existir/ Sou todas que precisam gritar”. Nestes três últimos versos do poema “Conflito” talvez esteja a melhor autodefinição de Silvana Siqueira, como mulher e poeta. Jornalista formada e professora de Português, especializada em revisão, após graduação também em Letras, ela lança às 19h desta terça (14), na Santa Paciência Casa Criativa, seu primeiro livro “o outro lado de mim”. O título é o primeiro verso do poema “Metades”, que compõe a publicação integralmente dedicada à poesia.
Dedicado aos três filhos, Juliana, Rodrigo e Beatriz, o livro é assumidamente motivado pela condição de avó de Laura, Raphael, Guilherme, Bettina e Thomáz. “Nunca tive a pretensão de publicar um livro ou me tornar escritora. Mas senti a necessidade de reunir o que escrevo nos últimos 40 anos, desde que me formei em jornalismo nos anos 1980. Para que meus netos possam conhecer integralmente sua avó, achei importante não deixar isso se perder entre cadernos e agendas”, explicou Silvana.
Laura, Raphael, Guilherme, Bettina e Thomáz merecem um poema cada, logo ao começo do livro. Que é aberto com prosa poética “Netos”, baseado numa brincadeira na qual a avó escolhe uma palavra para os netos darem sinônimos: “Bela – bonita/ Feliz – contente/ Velha – vovó Sissil…”.
Orgulhosa dos netos, a sinonímia com “velha” aos olhos destes não compõe nenhum anacronismo à condição sensual feminina. Que é exposta, entre outros, no poema “Assim,”: “Com a gente é assim/ Seu corpo no meu/ Colado/ Melado,/ Mel (…) Basta você olhar pra mim/ que eu fico/ Apaixonada/ Alucinada,/ A fim”.
Avó, mãe e mulher, a poeta não é dada ao “Claustro”. É o título do poema em que prega: “Minha mudez rasga os segredos guardados/ nos livros sagrados./ A inquisição não me cala!/ Minha voz é a chave de acesso à liberdade./ Grito e me exponho./ Incendiada, não queimo./ Sobrevivo/ naqueles que rompem o silêncio/ Livres de qualquer temor”.
Patrícia Rehder Galvão, Pagu
Os versos de Silvana parecem ecoar os de Rita Lee, que se recupera de um câncer, e Zélia Duncan, na música “Pagu”, mais famosa na voz de Maria Rita: “Mexo, remexo na inquisição/ Só quem já morreu na fogueira/ Sabe o que é ser carvão/ Eu sou pau pra toda obra/ Deus dá asas à minha cobra/ Hum! Hum!/ Minha força não é bruta/ Não sou freira, nem sou puta/ Porque nem toda feiticeira é corcunda/ Nem toda brasileira é bunda”. Ícone dos movimentos feminista e modernista no Brasil da primeira metade do século 20, Pagu também era poeta.
Ana Cristina Cesar
Silvana assume a influência da poeta “marginal” Ana Cristina Cesar, da “geração mimeógrafo” dos anos 1970. Cujos versos “e a tarde pendurada no raminho de um/ fogáceo arborescente/ deixava-se ir/ muda feita uma coisa última”, do poema “Dias não menos dias”, parecem deitar seu jogo de luz e sombra em “Voyer”: “A tarde chega com todo seu esplendor de outono/ E, sem pedir licença, debruça sua beleza/ Nas hastes verticais da minha janela./ Uma mistura de cores silenciosas e espessas./ Eu, voyer em pudor”.
João Cabral de Melo Neto
Outra influência, Silvana diz que João Cabral de Melo Neto a marcou “pelo esmero com as palavras e a intensidade”. De fato, o “medo da morte” que o poeta maior de Pernambuco assume para encerrar seu “Os três mal amados” surge em “O último mandamento”. Onde, em meio a uma ceia “sobre o sangue/ coagulado pelos gritos/ De dor”, a poeta acrescenta mais um aos 10 mandamentos dados por Deus a Moisés: “Ah, meus inimigos!/ Onde estão?/ Fadas e duendes/ Visitas das alucinações etílicas/ Escrevem o último mandamento:/ ‘Não morrerás’”.
Clarice Lispector
O “último mandamento” é contradito por outras “metades” da obra de Silvana, em faz a junção de Macabéa, protagonista de “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, com o clássico do cinema “Blade Runner – O caçador de androides” (1982), de Ridley Scott. Que têm em comum a busca existencial das duas obras, reunidas numa terceira, “Time to die, Macabéa”: “Se finalmente encontrar/ A definição do que sou/ E o que resta de mim/ Dentro de uma metade/ Escreverei um final nada feliz/ Atropelado pela vontade de ficar/ Voando lento e molhada nas asas/ Da replicante Macabéa: ‘Time to die!’”.
Campos também bate ponto na obra de Silvana, como a Itabira do mineiro Carlos Drummond de Andrade, ou a Alexandria do grego Konstantinos Kaváfis. Em “Cidade…”: “Um vento nordeste/ insistente e larápio/ sopra lá na curva/ revolta, embaraça/ e levanta os cabelos, as saias/ e suspeitas…/ As águas serpenteadas do Paraíba/ vão inundando as margens profanas da cidade,/ Até o encontro do seu amor maior,/ O mar/ em Atafona”.
Manoel de Barros
A memória da sua cidade, inundada numa cheia famosa do mesmo Paraíba, se junta à do pai, quando a avó de hoje projeta da retina da menina de “1966”: “Tinha apenas sete anos/ Quando o rio abraçou a minha rua (…) E eu navegando com meus barquinhos de papel// Meu pai construiu uma ponte de madeira/ Ligando a nossa casa até a padaria da esquina// Ao longo da vida ele viria a construir outras pontes. Era um engenheiro de facilidades”, sentencia na influência semântica de Manoel de Barros, outra referência da poeta.
Título de dois poemas do livro lançado hoje, um escrito nos anos 1980, outro mais recente, “Solidão” também é tema recorrente na obra de Silvana. Nos versos mais antigos, a solidão “é travesseiro com cheiro de saudade”, “é poesia inacabada”. Nos mais recentes, “talvez eu seja apenas um mensageiro/ entre o que existo/ e o abstrato da busca”. Mas solidão se cura com outra boa autodefinição da poeta, em “Metamorphose”: “Sou o sonho/ Transformado em abraço”.
“Estou prenhe de palavras”, versejou a mãe de três filhos que, após 40 anos de poesia, nesta terça dá à luz o seu primeiro livro.