Professor de Letras da Uenf e escritor, Sérgio Arruda é o convidado para o Folha no Ar desta quinta, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará do lançamento do seu novo livro, “Caderneta de Campo”, assim como da literatura de Campos. Também analisará a Uenf dentro e fora do campus, a eleição a reitor deste ano e a polêmica do atraso na reforma do Arquivo Público Municipal (confira aqui), com R$ 20 milhões liberados à universidade para este fim desde outubro de 2021 (confira aqui).
Por fim, como cidadão para além do literato, Sérgio analisará os governos Lula (PT), Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho (PP), tentando projetar a eleição a prefeito de Campos em 2024. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Abaixo, na ordem em que foram ontem citados na Folha FM 98,3, as manifestações do professor Jefferson Manhães de Azevedo (PT), reitor do IFF; do deputado estadual Thiago Rangel (sem partido), do ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania) e do deputado federal Caio Vianna (PSD). Os quatro responderam às críticas do chefe de gabinete de Wladimir:
Prefeitáveis Jeffferson Manhães de Azevedo, Thiago Rangel, Sérgio Mendes e Caio Vianna (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Jefferson Manhães de Azevedo – “Apesar de muito nos orgulhar, os mandatos do meu avô, José Alves de Azevedo, como prefeito e Deputado Federal, se deram há mais de 60 anos, antes da ditadura militar, quando eu não havia nascido. Acredito, no entanto, nos que afirmam que Campos, sob o governo José Alves de Azevedo vivenciou uma ‘bonita história’. Quanto o que o PT entregou a Campos, nos governos federais Lula e Dilma em nosso município, nos anos 2015 e 2016, relembro:
1) Na educação foi implantado um novo campus do IFF, o campus Campos Guarus; ampliou-se e reestruturou-se o campus Campos Centro, criando-se mais de 80% dos seus cursos superiores; implantou-se o Polo de Inovação e o Centro de Referência de Tecnologias na Educação; foram realizadas 28,9 mil matrículas do Pronatec; pelo Reuni foram criados 4 novos cursos superiores na UFF; 2,6 mil beneficiados pelo Prouni; 3,2 mil alunos beneficiados a partir de 2010 com o novo Fies; 399 bolsas concedidas para estudantes do ensino superior para estudar no exterior pelo Ciência sem Fronteiras; 9 mil inscrições realizadas no Sisu; 11,7 mil estudantes do município prestaram o Enem; foi construída 1creche; 11 escolas participavam do programa Mais Educação (2015); e, pelo programa Caminho da Escola, 21 ônibus foram entregues no município;
2) Na ação social, renda e agricultura, foram 7,7 mil unidades habitacionais no Minha Casa Minha Vida; 3,9 mil idosos e 4,3 mil pessoas com deficiência beneficiados no BPC; 30,2 mil famílias no Bolsa Família; 42,7 mil postos de trabalho formal criados no município desde 2003; a energia elétrica chegou para 1,3 mil lares na zona rural de Campos pelo programa Luz para Todos; 187 contratos foram firmados com agricultores no Plano Safra da Agricultura Familiar; e 301 escolas públicas participavam do programa Alimentação Escolar, estimulando a agricultura familiar da região; e
3) Na saúde, foram 92,4 mil pessoas beneficiadas com medicamentos gratuitos para hipertensão, diabetes e asma no programa Saúde Não Tem Preço; 53,5 mil pessoas beneficiadas no programa de Medicamento com desconto; 81 farmácias atendiam a população pelo programa Farmácia Popular; 28 vagas de médicos no Programa Mais Médicos para a população; 16 postos reformados ou ampliados; 1 UPA inaugurada; e 16 equipes no programa Saúde da Família em 2016.
Tenho certeza absoluta de que, no próximo ano, elencaremos e acrescentaremos um conjunto ainda mais robusto e amplo de ações a fim de debatermos o futuro de nossa cidade, a melhoria do ambiente de emprego e renda de nossa região, assim como a melhoria das condições de vida de todos os campistas”.
Thiago Rangel — “Tenho amizade pelo Thiago Ferrugem, mas ele precisa sair da bolha. Falam tanto em olhar para frente e ficam lembrando de gestão passada.
Por falar em gestões passadas, será que Ferrugem se lembra do desperdício de bilhões e da farra que foi a gestão Rosinha? Um governo que construiu um Cepop por R$ 100 milhões e deixou hospitais caindo aos pedaços.
O debate sobre Campos tem que ser em alto nível. E temos que falar sobre toda a população. É hora de mostrar que por trás da maquiagem tem um povo sofrendo na periferia, tem um transporte caótico e péssimo atendimento de saúde”.
Sérgio Mendes – “Como foi dito pelo próprio Thiago Ferrugem, ele era muito novo e ouviu falar sobre meu governo. Ou seja, não acompanhou as obras que fiz em Campos. Sugiro que ele acesse minha página no Facebook, Sérgio Mendes, e pesquise ‘A história que não foi contada’: lá tem entregas como a desapropriação de 500 mil metros quadrados e doação para o governo Brizola implantar a Uenf.
Lá também está como cobramos da Petrobras e trouxemos o Heliporto e o gasoduto. Como calçamos e asfaltamos mais de 500 ruas. Demos reposição salarial para os servidores municipais anualmente, criamos o auxílio alimentação, concedemos um cartão de crédito para compras no comércio local, conveniamos com o antigo Hospital São João, demos assistência médico-hospitalar privada para os servidores e seus familiares custeadas pela PMCG, etc…
Enfim, é só acessar na minha página”.
Caio Vianna – “Estou muito empenhado no debate em prol de desenvolvimento do Brasil, do estado do Rio de Janeiro e, em especial, de Campos. Não dá para entrar em um debate com um porta voz do governo que não teve condições nem de concluir um mandato.
Em Campos, há muitos problemas para serem resolvidos. É triste e vergonhoso que o governo, em um veículo relevante da cidade, fique disseminando inverdades”.
Também citado criticamente por Ferrugem no Folha no Ar de ontem, embora não tenha até aqui cogitado se candidatar em 2024, o ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania) preferiu não se manifestar.
Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, Thiago Ferrugem, Jefferson Manhães de Azevedo, Thiago Rangel, Rafael Diniz, Sérgio Mendes, Caio Vianna, Marquinho e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir vai reajustar servidor
Como o blog Opiniões adiantou ontem (20): vai sair o reajuste do servidor municipal de Campos. Será anunciado pelo prefeito Wladimir Garotinho (PP) nos próximos dias, ou horas. Foi o que o seu chefe de gabinete, o ex-vereador Thiago Ferrugem (União), indicou no Folha no Ar da manhã de ontem, na Folha FM 98,3. No correr do dia, fontes da Caprev e do Siprosep deram mais detalhes: o reajuste ficará em torno de 10%. A categoria, que reúne 14 mil servidores ativos e 5,4 mil aposentados e pensionistas, estava há 7 anos sem reposição salarial.
Comércio de Campos agradece
O anúncio deveria ter sido feito antes. Mas a cobrança do senador Renan Calheiros (MDB/AL) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que decidisse em plenário a decisão monocrática que suspendeu, em 2013, a partilha dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso, colocou o reajuste do servidor de Campos em banho-maria. Uma redução drástica das verbas petrolíferas poderia colocar o município em situação de insolvência. Mas o anúncio de um acordo entre os entes da Federação, pacificando a questão dos royalties, sorriu ao servidor. Que, como o comércio de Campos, agradece.
O próprio adversário
Se Wladimir seria hoje o favorito numa natural candidatura de reeleição a prefeito, a confirmação do reajuste tende a consolidar esse favoritismo. Pelo menos, a curto prazo. Ressalvado que a eleição de 6 de outubro de 2014 está um pouco mais de 15 meses adiante, Ferrugem ontem disse ao Folha no Ar: “Tenho muito orgulho daquilo que fizemos até o presente momento e daquilo que está projetado até o final do governo Wladimir. Hoje, acredito, sim, pelo que está posto, que a gente não pode errar, tem que seguir nessa evolução. Acredito que nosso maior adversário somos nós mesmos”.
A dosagem do governo
O chefe de gabinete de Wladimir pareceu ciente das dificuldades internas que o grupo pode vir a ter até o pleito: “A gente não pode errar na dosagem dos secretários que vão ser candidatos a vereador, não pode errar na dosagem dos vereadores que podem chegar a complementar a nossa base do governo, a gente tem as lideranças políticas que nos acompanham há muito tempo e querem a oportunidade de vencer as eleições”. Ainda assim, Ferrugem destacou: “Acredito, sim, que Wladimir, hoje, é o grande nome dessa eleição do ano que vem, para se reeleger e dar continuidade a esse trabalho”.
Jefferson, debate e família
“A candidatura do professor Jefferson (Azevedo, reitor do IFF) está bem avançada, acho um caminho sem volta. Vejo com muito bons olhos, para ajudar a melhorar o debate na cidade de Campos. Eu só vi uma matéria dele dizendo: ‘Campos, família’. Acho difícil colocar essa coisa, ‘é filho de político’, quando ele é neto de um prefeito de Campos. A família dele também tem história de governar a cidade. E uma bonita história, diga-se de passagem. Inclusive, o centro administrativo de Campos leva o nome do avô dele (o ex-prefeito José Alves de Azevedo)”, lembrou Ferrugem à Folha FM.
Cobranças ao PT
Ao ex-vereador, entre aqueles que forem confirmados candidatos a prefeito nas convenções de julho de 2014, “o debate teria que ser em cima das realizações de cada um, das suas ideias, as suas ações e o que cada grupo político já entregou. Inclusive, o PT precisa entregar mais em Campos, o PT hoje é governo. A Prefeitura quer diálogo, está de portas abertas. Quer ter uma candidatura forte do PT em Campos? Então que o Governo Federal se faça presente na cidade. Com todo o respeito, um ônibus universitário não pode ser pauta de campanha a prefeito”, provocou Ferrugem.
Thiago Rangel
O chefe de gabinete de Wladimir também analisou outros possíveis adversários do prefeito: “Thiago Rangel (sem partido, desde que teve julgamento favorável do TRE para sair do Podemos) é deputado estadual. Tenho uma relação maravilhosa com ele, posso chamá-lo de amigo pessoal. Mas, se quer ser candidato a prefeito de Campos, precisa apresentar, dizer a que veio. Porque, se não, nós vamos produzir novos Rafaeis Diniz (Cidadania). Que não fez nada, só tinha discurso, ia para a tribuna e falava muito bem. Mas e a entrega? Fez o quê? Campos não pode mais passar por aventuras”.
Sérgio, Caio e os Bacellar
“Sérgio Mendes (Cidadania), eu era muito novo quando ele foi prefeito, mas o que ouço é que foi a versão primeira de Rafael Diniz. Caio Vianna (PSD) vai ter agora o seu primeiro emprego, como deputado federal, e vamos ver o que vai entregar”, questionou Ferrugem. Que pregou união com os Bacellar: “Quanto a Marquinho (SD), é legítimo um presidente da Câmara querer ser candidato (a prefeito). Rodrigo (Bacellar, PL) tem se tornado um dos grandes políticos da história de Campos, conduzindo muito bem a Alerj. Gostaria muito que estivéssemos todos no mesmo projeto”.
Confira abaixo, em vídeo, o terceiro e último bloco do Folha no Ar de ontem, onde o chefe de gabinete do prefeito Wladimir Garotinho, Thiago Ferrugem, tentou projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos em 2024:
Servidores da Prefeitura de Campos terão reajuste salarial (Foto: Secom)
O reajuste salarial do servidor municipal de Campos vai sair. Será anunciado pelo prefeito Wladimir Garotinho (PP) nos próximos dias, ou horas. Foi o que o seu chefe de gabinete, o ex-vereador Thiago Ferrugem (União), indicou no Folha no Ar da Manhã da manhã de hoje, na Folha FM 98,3. No correr do dia, fontes da Caprev e do Siprosep deram mais detalhes: o reajuste ficará em torno de 10%. A categoria, que reúne 14 mil servidores ativos e 5,4 mil aposentados e pensionistas, estava há 7 anos sem reposição salarial.
Leia a cobertura completa na coluna Ponto Final, na edição da Folha da Manhã de amanhã (21), bem cedo nas bancas e nas residências dos assinantes.
Fernanda Sossai e Jorge Peron, respectivamente, gerente de Desenvolvimento Portuário e de ESG do Porto do Açu e gerente de Sustentabilidade da Firjan, são os convidados do Folha no Ar desta quarta (21), ao vivo, a partir das 7h da manhã.
Os dois falarão sobre a Jornada ESG (em inglês Environmental, Social and Governance; ou em português: governança ambiental, social e corporativa), em parceria da Firjan e do Porto do Açu. Que se inicia no próximo dia 27, reunindo empresas do Norte e Noroeste Fluminense.
Por fim, Fernanda e Jorge analisarão o impacto econômico, social e ambiental do Porto do Açu na região, no Estado do Rio e no país. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Ex-vereador e chefe de gabinete do prefeito Wladimir Garotinho (PP), Thiago Ferrugem (União) é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará os dois anos e meio do governo Wladimir, entre acertos e erros. Também falará da relação com a Câmara Municipal e da pacificação entre Garotinhos e Bacellar.
Por fim, Thiago tentará projetar as eleições municipais de 2024, daqui a pouco mais de 15 meses, a prefeito e vereador. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Feita na quarta (14), o link da postagem do blog (confira aqui) que noticiou uma emenda parlamentar para a aquisição de um ônibus para oferecer transporte universitário gratuito aos alunos da Uenf, gerou, só no Instagram, 337 likes. A interação indica a aprovação majoritária à iniciativa do secretário de Comunicação do PT de Campos, Gilberto Gomes, como assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ), que assina a emenda no valor de R$ 500 mil. Mas nem todos concordam:
O arquiteto Renato Siqueira criticou a iniciativa do petista Gilberto Gomes como assessor parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (Montagem: Joseli Matias)
— Uma lástima. É de fato o mais grave problema de gestão o transporte público, que remonta há cerca de 40 anos, onde operavam no sistema de transporte público 14 empresas de ônibus. A partir do ano de 2010, foi incorporado o sistema de vans por decreto. Eram as vans que operavam clandestinamente. Isso, somado ao subsídio tarifário, agravou a crise, onde em 2013 foi publicado o edital 001/2013, na tentativa de salvar o sistema de transporte. Porém, com uma fórmula sem equilíbrio habilitou precariamente 7 das 14 empresas em 3 consórcios. De lá para cá o subsídio tarifário foi interrompido por não atender à demanda da população, foi intensificado o combate ao transporte clandestino e, o sistema de vans foi licitado. Contudo, diante da falta de condição técnico-operacional, comum a todas as empresas, essa medida que acertou na fórmula não foi suficiente. Nesta gestão atual, tentaram mascarar o problema, com o subsídio do diesel e o edital da bilhetagem eletrônica. Acontece que o sistema está capenga, composto por menos de 1/3 da frota de ônibus definido no edital de 2013. Frota está em grande parte além da vida útil. Uma falência que o relatório que produzi em 2017 indicava a possibilidade. Hoje (na quarta, dia 14), foi anunciado que a Uenf receberá um ônibus para o transporte de seus estudantes. Nada mais ruim neste momento crítico. Primeiro devido a inserção truncada nas rotas das concessionárias e permissionários; segundo, devido à quantidade estudantes x lotação do único ônibus ser assimétrica. Isso para não incluir a superfície territorial do município. Essa medida isolada da Uenf, se tem algo de bom, é o reconhecimento tácito de que o sistema de transporte ruiu. A medida pode inclusive mal inspirar outras instituições a fazerem o mesmo, cabendo só para citar, por semelhança: UFF, IFF, Ucam, Isecensa, Universo, Uniflu e Estácio. É legítimo o direito de buscar melhorias que garantam o transporte público coletivo, desde que, no âmbito coletivo do debate público. Que se habilite a Câmara Municipal para promover o debate, na forma e onde ele deve ocorrer, inclusive para cobrar a implantação do Comurb (Conselho Municipal de Mobilidade Urbana), pela Lei 8754/2017. O mais é apenas uma disputa vã de continuar a tratar um problema sério de gestão com achismo. É um jogo político que não interessa — disse em comentário no blog (confira aqui) e nas redes sociais o arquiteto urbanista Renato Siqueira, que foi diretor do IMTT no governo Rafael Diniz (Cidadania).
Nos comentários do link da postagem no Instagram, Gilberto Gomes questionou o arquiteto:
— Renato, sua leitura é equivocada devido à compreensão limitada do que se propõe este programa de assistência estudantil. Ele não pretende substituir a operação regular. Porém, enquanto perdurar a situação crítica, atenuar essa crise. Os horários serão pré-definidos e limitados aos períodos de maior gargalo. A operação se dará nos mesmos moldes em que a UFF já opera há anos em Niterói. E com sucesso. A situação grave só transporte já perdura há pelo menos 8 anos em Campos. Isso impactou diversos estudantes que, devido aos custos com transporte, não puderam se formar. É muita pretensão acreditar que apenas um ônibus, com horários limitador, atendendo somente uma linha, com claro objetivo de atender estudantes específicos, irá prejudicar de alguma forma a luta pelo sistema de qualidade. Pelo contrário, o programa deve ter prazo pra acabar, que será enquanto o novo modelo de transporte não estiver plenamente funcionando. Vamos esperar mais quantos estudantes desistirem de universidade? Até lá, o programa irá atender todos e todas que precisarem desta alternativa. Culpar essa iniciativa é culpar as vítimas. Essa alternativa teve que ser pensada porque a cidade não leva os debates de mobilidade urbana e passe livre universitário a sério. Recomendo a leitura da matéria em totalidade e aguardar a conclusão da construção do programa, que levará em consideração agentes municipais. Outro equívoco é dizer que a Uenf não cuida de sua frota. Essa leitura ainda é da época que você me deu aula de desenho técnico na Uenf. De lá pra cá muita coisa mudou. A frota é nova e com manutenção em dia. Estou à disposição para um diálogo mais profundo se preferir — propôs o jovem petista, em defesa da sua iniciativa.
— Gilberto, o debate fora do campo onde e deve ocorrer fica muito prejudicado. Em especial com o componente político, do qual fica evidente você estar participando. Lamentável também. O tema é de política pública, para ser debatido neste contexto. Os debates para a elaboração do Plano de Mobilidade local, aprovado em 2022, ocorreram entre os anos de 2018 a 2022. Não o vi em nenhum deles, embora tenham sido amplamente anunciados. Mas, se essa é a sua convicção, lamento. Volto a dizer, é uma atitude equivocada da Uenf que esbarra também na gestão da própria universidade, que é de domínio público, não só relacionado à frota. O problema do transporte público no município, Gilberto, data de pelo menos 40 anos. Busque se informar — cobrou Renato Siqueira.
Confira abaixo o vídeo divulgado pelo Gilberto na terça (13), gravado em Brasília. Em que ele, o deputado federal Lindbergh Farias e o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF e provável candidato do PT a prefeito em 2024, defendem a iniciativa de adquirir um ônibus para oferecer transporte universitário gratuito à Uenf:
A confusão no Boulevard Francisco de Paula Carneiro, na manhã da última sexta (16), quando partidários do governo Wladimir Garotinho (PP) desmontaram um protesto contra o abandono do Centro da cidade, foi o assunto daquele dia. Que levou o próprio prefeito a se manifestar à tarde, em vídeo nas redes sociais. E continua rendendo, mesmo depois que a coluna “Ponto Final”, da Folha da Manhã, questionou ontem (17) a iniciativa de desmontar a manifestação. Mas também revelou (confira aqui) as estranhas coincidências e a aparente motivação política do protesto.
Sociólogo Roberto Dutra, vereador Juninho Virgílio e Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos (Montagem: Joseli Mathias)
— Não podemos achar normal um vereador invadir uma manifestação de rua, ainda mais da forma truculenta como foi. Esta norma de civilidade política é parte inseparável do que chamamos de democracia. É verdade que a política real não corresponde às nossas expectativas, e não devemos demonizá-la em nome de ideias utópicas sem nenhuma aderência na realidade. Mas aceitar o direito de manifestação, mesmo que motivados por interesses nada generosos, não me parece ser ideal utópico. Acho que é um modo de convivência que pode ser facilmente incentivado e que já sabemos praticar em Campos. Neste sentido, o prefeito deveria publicamente condenar o vereador truculento como sinalização de civilidade. Campos é uma cidade com um histórico de baixa violência política, comparada a municípios do mesmo porte e até mesmo com municípios menores. Tudo deve ser feito para que este tipo de violência praticada pelo vereador não seja tratado como algo normal — disse sobre o episódio o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf.
Desde sexta, o vereador Juninho Virgílio, vice-líder da bancada governista na Câmara Municipal, já tinha dado a sua versão dos fatos à reportagem da Folha da Manhã (confira aqui):
— A gente estava no Centro, vimos o caixão e madeiras espalhadas. Perguntamos para saber de quem era e ninguém se manifestou. Ligamos para o Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos, e ele disse que não sabia ser de nenhum comerciante. Edvar, inclusive, estava reunido naquele momento, de manhã, com o prefeito Wladimir, junto a outros empresários do Centro de Campos, para discutir melhorias para a área. O que deixa claro não ser coincidência, mas fruto de orquestração política: o prefeito debate melhorias com o setor produtivo para o Centro, no mesmo momento em que se promove uma manifestação no Centro, sem autorização da Postura e sem ninguém para assumir? Sou a favor da manifestação, já participei de várias e sempre as assumi. Como não apareceu ninguém, o que a gente fez foi só limpar o Calçadão, sem baderna, sem violência, para garantir o direito de ir e vir dos campistas — disse o edil governista. Que pareceu ser endossado pelo prefeito:
— Algumas pessoas que gostam e são parte do governo, revoltados com aquela situação, desmontaram a manifestação que estava sendo feita. Eu, como democrata, respeito todo e qualquer direito à manifestação, que é legítima. Mas quem representa de verdade os comerciantes, quem representa de verdade o Centro da cidade, no mesmo exato momento da manifestação, estava aqui comigo na Prefeitura trabalhando e propondo melhorias para o Centro da cidade — disse Wladimir em seu vídeo.
Citado por Juninho e após ter a CDL-Campos também acusada de motivação política pelo comerciante do Centro e ex-candidato a vereador que liderou o protesto, o presidente da entidade também se manifestou sobre o ato:
— Estávamos reunidos com o prefeito Wladimir, junto a outros representantes do setor produtivo do município, para discutir melhorias para o Centro, enquanto ocorreu o protesto. Na verdade, ele já vinha sendo anunciado nos bastidores há umas duas semanas. Mas esperou para ser realizado exatamente no momento da reunião. Como arquiteto, empresário e líder de classe, o Centro é com um irmão para mim. Que merece todos os nossos esforços conjuntos para ter sua saúde reestabelecida. Quando se enterra, mesmo que simbolicamente, o Centro em um caixão, é porque já se matou esse irmão. Eu prefiro lutar por sua vida — disse ao blog Edvar Júnior, arquiteto urbanista, empresário e presidente da CDL-Campos.
Abaixo, os vídeos da confusão na desmontagem do protesto na manhã e da manifestação de Wladimir à tarde:
Provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024, o professor Jefferson Manhães de Azevedo participu ontem do Seminário do PCdoB de Campos (Foto: Divulgação)
Provável candidato do PT a prefeito de Campos em 2024, o professor Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF, vem trabalhando nos bastidores para reforçar seu nome. Ontem (17), por exemplo, ele participou do Seminário do PCdoB de Campos, realizado no Siprosep. Pela Federação que elegeu Lula presidente em 2022, o PT está ligado ao PCdoB e ao PV nas próximas eleições.
— Ninguém vai definir a cidade que queremos, além de nós mesmos. A Campos do futuro não é de uma pessoa ou de uma família, é de todos” — disse ontem Jefferson a lideranças estudantis, comunitárias e sindicais que participaram do evento do PCdoB. Foi uma alfinetada velada em representantes dos clãs políticos familiares do município, como o prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição. Além do deputado federal Caio Vianna (PSD) e do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL)
Além da conjuntura nacional do novo governo Lula, os participantes também debateram um programa para a cidade de Campos. Presidente do PCdoB goitacá, Maycon Maciel anunciou que o partido irá realizar nos próximos meses seminários nos bairros para debater os problemas da cidade e propostas na área de saúde, educação e transporte público.
Com a pequena filha no colo, Nikola Jokic comemorou na última segunda-feira o primeiro título do seu Denver Nuggets na NBA, em que o revolucionário pivô sérvio bateu os recordes individuais do melhor basquete do mundo
Desde que Michael Jordan conquistou seu sexto e último título da NBA pelo Chicago Bulls, contra o Utah Jazz de Karl Malone e John Stockton, não acompanhava mais o melhor basquete do mundo com a mesma intensidade. Naquele mesmo ano de 1998 descobrira que seria pai do primeiro e único filho. E foi capturado por outra esfera, ainda no ventre materno, em torno da qual passou a orbitar.
Michael Jordan acima de todos os outros
Kareem Abdul-Jabbar e sua jogada-assinatura, mesmo sobre Hakeem Olajuwon: o skyhook (“gancho do céu”)
O filho nasceu em julho de 1999. E o pai passou os 23 anos seguintes tentando dizer-lhe por que Jordan foi o maior gênio que viu entre os seus contemporâneos. O humano mais à frente de todos os demais, em seu próprio tempo, numa determinada expressão intelectual e física de arte. Mas, embora tenha herdado vários gostos paternos, o filho seria bola no aro em relação a basquete. Nos esportes, apenas o boxe foi legado continuado.
Apesar de devoto do gênio de Jordan, o pai torcia para o Los Angeles Lakers. Desde os anos 1980, quando descobriu o basquete ainda criança, com o Showtime de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. Juntos, o maior armador de todos os tempos e o lendário pivô conquistaram cinco títulos da NBA. Dois deles contra o Boston Celtics do ala Larry Bird, considerado o maior jogador branco da história, na grande rivalidade daquela década.
Larry Bird e Magic Johnson rivalizaram, entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, o melhor time e jogador de basquete do mundo nos anos 1980
Não por acaso, foi ao derrotar o Lakers de Johnson, já sem Jabbar, nas finais de 1991, que o Bulls abriria sua dinastia. Seguida dos títulos de 1992, 1993, 1996, 1997 e o derradeiro de 1998. Com o intervalo momentâneo do basquete dado por Jordan para jogar baseball.
Depois de Jordan, tudo mais que pudesse ver em basquete parecia ao pai inferior. Tim Duncan foi um grande ala-pivô e pivô, à altura de Jabbar, onde é difícil não padecer de vertigem. Ganhou cinco títulos na NBA. Os dois primeiros, em 1999 e 2003, ao lado de outro super-pivô, David Robinson, com quem compunha as chamadas “Torres Gêmeas”.
As “Torres Gêmeas” do San Atonio Spurs, Tim Duncan e David Robinson
Já sem Robinson, Duncan contou com o armador francês Tony Parker e o ala-armador argentino Manu Ginóbili, sem favor o melhor basqueteiro produzido na América Latina, para ganhar mais três títulos: 2005, 2007 e 2014. Embora Parker e o Ginóbili já estivessem no San Antonio desde a conquista de 2003.
O armador francês Tony Parker, Tim Duncan e o ala-armador argentino Manu Ginóbili, maior jogador de basquete já produzido na América Latina, comemoram o título de 2014 da NBA, contabilizando os anteriores
Como Duncan, o jogador mais parecido em estilo com Jordan chegou a jogar contra ele. E, melhor, Kobe Bryant só jogou pelos Lakers. Tinha o mesmo instinto ofensivo, aplicação defensiva, plasticidade e “capacidade de voar” de Jordan. Não bastasse, os dois alas-armadores tinham a mesma dedicação inumana aos treinos. E a mesma altura: 1,98 metro.
Michael Jordan e Kobe Bryant tinham a mesma altura, o mesmo estilo de jogo e até a mesma característica pessoal da língua para fora nos momentos de concentração dentro de quadra
Kobe formou uma dupla arrasadora dentro de quadra com Shaquille O’Neall. Outro super-pivô, era dominante no garrafão pela altura e massa muscular, com um poder de enterrada nunca antes visto na NBA. Mas era também descuidado com a forma física, passivo na defesa e tinha uma constrangedora dificuldade no arremesso livre.
Kobe Bryant e Shaquille O’Neal: casamento perfeito nas quadras, com três títulos da NBA pelos Lakers, geraria o divórcio fora delas
O trio se completava com o técnico Phil Jackson fora de quadra. De onde comandara os seis títulos do Bulls de Jordan e Scottie Pippen. Com Shaq e Kobe, o treinador ganhou mais três, consecutivos, de 2000 a 2002. Após a saída de Jackson e Shaq, e de trocar o número 8 pelo 24, Kobe virou a grande estrela do Lakers. Escudado pelo pivô espanhol Paul Gasol, menos dominante, mas mais técnico que Shaq, conquistou mais dois títulos da NBA: 2009 e 2010.
Kobe Bryant e o pivô espanhol Paul Gasol conquistaram dois títulos da NBA pelos Los Angeles Lakers: 2009 e 2010
Pesa uma diferença de Jordan para Duncan e — mesmo com os movimentos de corpo muito parecidos — Kobe. Jordan disputou seis finais de NBA, chamou o jogo para si em todas e levou as seis. Kobe jogou sete finais e ganhou cinco. Duncan teve aproveitamento maior: chegou a seis finais para conquistar as mesmas cinco.
Mal comparado a Jordan, o ala LeBron James disputou 10 finais. Mas só conquistou quatro: pelo Miami Heat em 2012 e 2013, pelo Cleveland Cavaliers em 2016 e pelo Lakers, em 2020. Este ano, aos 38 de idade e ainda atuando em alto nível, ultrapassou Jabbar como maior pontuador da história da NBA. Ainda assim, fica abaixo de Air Jordan, e outros, como o mais decisivo.
LeBron James quando passou Kareem Abdul-Jabbar, em 8 de feveriro deste ano, como maior pontuador da história da NBA
O fato é que LeBron jogava pelo Lakers do pai. Que disputaria as finais da Conferência Oeste dos EUA (+ Canadá), pela vaga à grande final com o vencedor da Conferência Leste. Nessa expectativa, teve sua última conversa com o filho. Quando este lhe disse que vira o filme “Air: A História por trás do Logo”, de Ben Affleck (2023), na PrimeVideo. Que conta como Michael Jordan revolucionou a indústria dos esportes, antes mesmo de revolucionar o basquete.
— Acho que finalmente eu vou querer ver Jordan jogar, papai! — disse, a partir da curiosidade gerada pela paixão herdada pelo cinema.
O filho morreria precocemente, aos 23 anos, na noite daquela mesma tarde. Não estava em seu destino ver Michael Jordan jogar.
Náufrago sem ter ao que se agarrar, o pai passou a acompanhar, como tinha feito pela última vez com o Chicago Bulls daquele 1998 de quando se descobriu “grávido”, as finais da Conferência Oeste de 2023. Que seriam disputadas entre o seu Lakers e o “azarão” Denver Nuggets. Mirou em LeBron James e acertou no pivô sérvio Nikola Jokic. Que, na melhor de sete jogos, comandou a varrida dos favoritos por 4 a 0.
Na final contra o aguerrido Miami Heats, que perdeu o primeiro jogo da final para o Denver e venceu o segundo para empatar a série, o terceiro confronto de 7 de junho foi encerrado com mais um espetáculo de Jokic. Que marcou 32 pontos, deu 10 assistências e pegou 21 rebotes. Extasiado, o pai enviou mensagem de WhatsApp ao irmão, que sabia estar vendo o jogo, já avançadas as 23h:
— Está vendo? Jokic é um monstro! Na capacidade de um pivô ser também armador e chutador de 3 pontos, só vi algo parecido em Arvydas Sabonis — disse em referência ao pivô soviético, depois lituano, que foi jogar na NBA já com 31 anos e quase inutilizado por lesões. Mas que, mesmo assim, marcou a história do Portland Trail Blazers entre os anos 1990 e 2000.
O pivô lituano Arvydas Sabonis, em seu auge, quando ainda jogava pela seleção da União Soviética, que conduziu à medalha olímpica de ouro em Seul-1988
— Vi, sim. Jokic joga demais, cracaço! Ele e o Jamal Murray estão fazendo uma dupla infernal. Mas o Miami não está morto. Esse time não desiste nunca — retrucou o irmão, já na manhã seguinte.
— Jamal está disputando com Jimmy Butler (do Miami Heats) para ver quem é o melhor ala-armador do seu tempo. Jokic é diferente. Ele disputa com Kareem Abdul-Jabbar, com Hakeem Olajuwon (bicampeão pelo Houston Rockets, em 1994 e 1995, no intervalo de Jordan), com Tim Duncan e com Arvydas Sabonis para ser o melhor pivô de todos os tempos. No que dá até significado à minha vida: ter essa dimensão e poder vê-lo jogar em meu tempo. O que esse sérvio faz na quadra é como se Zidane e Ronaldo, ou Modric e Benzema, tivessem suas melhores características reunidas em um mesmo jogador de futebol — exemplificou o pai.
Jamal Murray conduz a bola pelo Denver Nuggets, sob a marcação de Jimmy Butler, do Miami Heats
O Denver de Jokic não seria mais alcançado. Em 12 de junho, na sua casa, a Ball Arena, por 4 jogos a 1, sagrou-se campeão da NBA pela primeira vez. Comandado pelo primeiro jogador a liderar as três principais estatísticas do basquete nos playoffs: pontos, rebotes e assistências. Na tecla SAP, o sérvio liderou toda a fase final nas cestas marcadas, nas que impediu o adversário de fazer e nas que deu para os companheiros fazerem.
Com 2,11 metros e 129 kg, Jokic não voa como Jordan. Mas é tão completo, e mental, quanto. Dificilmente chegará a ser tão decisivo. Aos 28 anos, o tempo dirá.
Encerrada a temporada, conquistado o título coletivo, reescritas as melhores estatísticas individuais do melhor basquete do mundo, Jokic foi perguntado como se sentia. E disse com a pequena filha ao colo: “É bom. É bom. O trabalho está feito. Agora podemos voltar para casa”.
Pela TV, outro pai assistia. Dividido entre a gratidão e o vazio da órbita perdida.
Thiago Virgílio, Juninho Virgílio, Wladimir Garotinho, Edvar Junior, Thiago Rangel, Caio Vianna, Bruno Vianna e Frederico Paes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Juninho e Thiago Virgílio erraram
Primos, o vereador Juninho Virgílio (União) e o ex-vereador Thiago Virgílio lideraram a desmontagem de um protesto na manhã de ontem, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro. Os dois erraram. Sobretudo porque um está na Câmara Municipal e o outro, além de já ter estado e hoje presidir o Agir na cidade, é um dos principais articuladores políticos do governo Wladimir Garotinho (PP). Se o protesto contra o abandono do Centro de Campos não tinha autorização e atrapalhava o direito de ir e vir do campista, cabia à Postura, à Guarda Municipal e/ou à Polícia Militar encerrá-lo. Não a partidários ou oposicionistas do prefeito. E ponto.
Coincidência? (I)
Ainda que tenha errado, necessário registrar a versão de Juninho: “Ligamos para o Edvar Júnior, presidente da CDL-Campos, e ele disse que não sabia ser protesto de nenhum comerciante. Edvar, inclusive, estava reunido naquele momento, de manhã, com o prefeito Wladimir, junto a outros empresários do Centro de Campos, para discutir melhorias para a área. O que deixa claro não ser coincidência, mas fruto de orquestração política: o prefeito debate melhorias com o setor produtivo para o Centro, no mesmo momento em que se promove uma manifestação no Centro?”, indagou o vice-líder do governo na Câmara.
Coincidência? (II)
Após a repercussão do episódio da manhã, ruim para o governo, Wladimir gravou e divulgou um vídeo à tarde nas suas redes sociais. Em que disse: “Algumas pessoas que gostam e são parte do governo, revoltados com aquela situação, desmontaram a manifestação que estava sendo feita. Eu, como democrata, respeito todo e qualquer direito à manifestação, que é legítima. Mas quem representa de verdade os comerciantes, quem representa de verdade o Centro da cidade, no mesmo exato momento da manifestação, estava aqui comigo na Prefeitura trabalhando e propondo melhorias para o Centro da cidade”.
Motivação política? (I)
Em seu vídeo, o prefeito também classificou o protesto como “um ato isolado, de uma pessoa que até conheço, mas não cabe dizer o nome. Até porque essa pessoa já se candidatou a vereador por partidos e grupos contrários ao meu”. Um dos organizadores do protesto no Centro, o comerciante Josias Silva disse que o fato dele ter sido realizado na mesma manhã em que comerciantes discutiam com o prefeito melhorias ao Centro “foi só uma coincidência”. Ele negou qualquer motivação política. Que atribuiu à CDL-Campos: “Orlando Portugal presidiu a CDL e foi para o governo municipal; Marcelo Mérida, idem. Política é na CDL”.
Motivação política? (II)
Não há como saber a quem o prefeito se referiu. O fato é que o comerciante Josias Silva foi candidato a vereador pelo PTC (hoje, o Agir de Thiago Virgílio) em 2020, quando apoiou Dr. Bruno Kalil no primeiro turno a prefeito, e Caio Vianna (hoje, PSD) no segundo. Membro da Assembleia de Deus Central, ele disputaria espaço político na igreja com o vereador governista Marcos Elias (PSC). Embora tenha dito que, no momento do protesto de ontem, este fosse composto por “cinco ou seis pessoas”, Josias garantiu à coluna que o movimento seria fruto de 265 moradores e comerciantes do Centro não filiados à CDL, Acic, Carjopa e Sindvarejo.
Thiago Rangel
Do varejo ao atacado da política goitacá, na quinta (15) o deputado estadual Thiago Rangel hoje teve o aval do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por 7 a 0, para sair do Podemos. Segundo ele, sua decisão de concorrer ou não a prefeito de Campos em 2024 dependerá de conversa que terá na próxima semana com o governador Cláudio Castro (PL). Thiago pretende buscar o Republicanos. Mas, Wladimir já se aproximou do partido ligado à Igreja Universal, através do seu presidente estadual, Waguinho, prefeito de Belford Roxo. A intenção do prefeito de Campos seria fechar a entrada do possível concorrente na legenda.
Bruno e Caio Vianna
Ontem, quem esteve no Rio para conversar sobre as eleições municipais de 2024 foi o vereador campista Bruno Vianna. Ele se reuniu com o presidente estadual do seu PSD e prefeito do Rio, Eduardo Paes. Especula-se que, se o deputado federal Caio Vianna não quiser disputar a Prefeitura de Campos pelo PSD no próximo ano, Paes poderia querer usar Bruno como substituto. Mas, como o jovem político não se elegeu à Alerj em 2022, tende a optar em 2024 pela tentativa de reeleição a vereador. Por sua vez, Caio disse à coluna: “estou focado no mandato de deputado federal. Em momento oportuno, debateremos a eleição municipal”.
Frederico Paes
Ainda sobre a eleição a prefeito de Campos em 2024, daqui a pouco mais de 15 meses, a coluna divulgou na quarta (14) especulações internas no grupo dos Garotinho. Que davam conta do desejo da ex-governadora Rosinha Garotinho ou da primeira-dama Tassiana Oliveira, ambas no União, para vice-prefeita na chapa de Wladimir. Como este já é prefeito, sua mãe e sua esposa teriam as candidaturas vedadas pelo parágrafo 7, artigo 14 da Constituição Federal. Como o prefeito garantiu, seu vice-prefeito, Frederico Paes (MDB) segue mais firme do que nunca. “Só serei candidato a prefeito com Frederico como vice”, repete Wladimir desde 2020.
Possível candidato a prefeito de Campos em 2024, o deputado estadual Thiago Rangel hoje teve o aval do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por 7 a 0, para sair do Podemos, sem risco de perder o mandato. Segundo ele disse ao blog, sua decisão de concorrer ou não à Prefeitura no próximo ano dependerá de conversa que terá na próxima semana com o governador Cláudio Castro (PL), aliado do prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição.
Além de Thiago, foi liberado do Podemos, no mesmo julgamento do TRE, o também deputado estadual Arthur Monteiro. Que agora vai buscar uma nova legenda para concorrer a prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Thiago pretende buscar o Republicanos. Mas, como o jornalista Rodrigo Gonçalves adiantou no último dia 5, Wladimir (confira aqui) se aproximou do presidente estadual do partido ligado à Igreja Universal, Wagner Carneiro, o Waguinho, prefeito de Belford Roxo.
A intenção do prefeito de Campos teria sido fechar a entrada de Thiago na legenda para concorrer a prefeito. Além de isolar o vereador de oposição Anderson de Mattos, do Republicanos e pastor da Universal. Por sua vez, Thiago aposta que conseguiria o partido se demonstrar que sua candidatura à Prefeitura de Campos seria eleitoralmente viável.