Minha história e a de Campos com o cineasta Geraldo Sarno

 

Geraldo Sarno na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2020 (Foto: Leo Lara/Universo Produção)

 

“Eu sou baiano. Lógico que também adoro Castro Alves. Mas não dá para escrever poesia, como os românticos do século 19, à beira do século 21. Você tem que ler o João Cabral, tem que ler o João Cabral. Aqui, aqui, pegue e leia, pegue e leia”. Naquela primeira metade dos anos 1990, foi o que me disse o cineasta Geraldo Sarno, em seu apartamento no edifício Salete, tomado por prateleiras de livros até nos banheiros. Falou com seu acento baiano e repetindo as palavras, como fazia quando queria reforçar a importância do que dizia, enquanto me dava para ler, página do livro aberta, o poema “O Cão Sem Plumas”, do mestre pernambucano João Cabral de Melo Neto. Foi meu primeiro contato com o grande poeta modernista brasileiro. Depois do qual meus versos e minha vida, então com pouco mais de 20 anos, nunca mais seriam os mesmos.

 

Poetas baiano Castro Alves e pernambucano João Cabral de Melo Neto (Montagem; Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Glauber Rocha, diretor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964)

Soube na manhã de hoje pela imprensa nacional que Geraldo morreu na noite de ontem (23) aos 83 anos, por complicações de Covid, no Hospital Copa D’Or, no Rio. Amigo, conterrâneo, contemporâneo e camarada em armas de Glauber Rocha, a quem considerava o único gênio que conheceu em vida, era ele mesmo considerado o maior cineasta documentarista do Cinema Novo, movimento dos anos 1960 e 1970 que, influenciado pelo neorrealismo italiano de a Nouvelle Vague francesa, buscava romper com a influência do cinema comercial de Hollywood para retratar e discutir nas telas as abissais diferenças socioeconômicas do Brasil. Em uma entrevista, o diretor Héctor Babenco, argentino naturalizado brasileiro, revelou que decidiu sair da Argentina ao Brasil após assistir ao curta de documentário “Viramundo” (1965), de Geraldo, que trata da migração dos nordestinos como ele ao centro-sul do país.

Confira abaixo “Viramundo”, com direção e narração de Geraldo Sarno:

 

 

Darcy Ribeiro, antropólogo e idealizador da Uenf

Enquanto trabalhou na Uenf, de 1993 a 1998, Geraldo também marcou a história recente de Campos. E, talvez irrelevante, a minha. Ele meio que meio que me “adotou” como filho quando trabalhamos juntos na Uenf. Pouco depois que a universidade idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro se instalou em Campos, prestei concurso para auxiliar de fonoteca naqueles tempos pré-Spotfy, para a Casa de Cultura Villa Maria. Cinéfilo, minha intenção era, uma vez dentro, tentar me aproximar do projeto do Escola Brasileira de Cinema e Televisão (EBCTV). Do qual Geraldo era figura de proa e ao qual o Solar do Colégio, primeira construção de Campos, no século 17, pelos jesuítas, seria reformado no governo estadual Marcello Alencar (PSDB). A ideia era reproduzir aqui o modelo de internato da Escola de Cinema de Cuba. Muito antes de abrigar o Arquivo Público Municipal, estive presente na inauguração da reforma do prédio histórico. Como teria a chance de visitá-lo em várias outras oportunidades.

 

Arquivo Público de Campos, instalado no Solar do Colégio, construído pelos jesuítas no séc. 17 e reformado nos anos 1990 para abrigar a Escola Brasileira de Cinema e Televisão (EBCTV) da Uenf (Foto: Folha da Manhã)

 

Joca Muylaert, jornalista e ex-diretor da Villa Maria

Dos canaviais cubanos aos campistas, eram três vagas incialmente. E fiquei em quarto lugar, entre algumas centenas de candidatos. Alguns meses depois, cruzei por acaso com o hoje falecido jornalista e amigo Joca Muylaert no Oásis, numa parada entre Campos e o Rio de Janeiro. Diretor à época da Villa Maria e sabendo que eu havia prestado o concurso, raspando na aprovação, ele me disse que estava pensando em reconvocar mais pessoas para trabalhar. O que se cumpriu pouco depois, facultando minha entrada na Uenf.

Orlando Senna, cineasta, ex-diretor da Escola de Cinema de Cuba e da EBCTV

Aproximei-me do Geraldo, que frequentava a Villa Maria. Por coincidência, ele estava buscando realizar lá vários cursos preparatórios aos candidatos campistas para a vinda da Escola de Cinema, em áreas como direção, produção, roteiro, montagem, iluminação, fotografia, interpretação. Para os quais trouxe a Campos várias referências dessas áreas no Brasil e na América Latina. Colei com Geraldo e fui me integrando às suas atividades, ao lado também do produtor cubano Alfredo Calvino e da diretora argentina Patricia Martin. Quem estava à frente do projeto era outro cineasta baiano, Orlando Senna, amigo já de longa data de Geraldo e ex-diretor da Escola de Cinema de Cuba.

 

Cena do documentário “O Homem de Aran”, de Robert Flaherty

 

Apesar de feito como filme de propaganda nazista, “Olympia”, de Leni Riefenstahl, imortaliza o herói da Olimpíadas de 1936 em Berlim, o negro dos EUA Jesse Owens, que conquistou quatro medalhas de ouro

Além de Cabral na poesia, lida a que sempre me estimulou, Geraldo me apresentou outros mestres, que ampliariam muito a minha visão ainda juvenil do mundo. Na sua especialidade, que era o cinema documentário, me apresentou o mestre estadunidense Robert Flaherty, cuja obra prima “O Homem de Aran” (1934), sobre a vida dura de pescadores dos gigantescos tubarões Basking numa ilha irlandesa, seguramente está até hoje entre os 10 melhores filmes que assisti. Também me apresentou à estética revolucionária dos filmes de propaganda nazista da mestra alemã Leni Riefenstahl, nos documentários “Triunfo da Vontade” (1935), sobre o Congresso do Partido Nazista de 1934 na cidade de Nuremberg, e “Olympia” (1938), sobre as Olimpíadas de Berlim de 1936. Seu cineasta preferido era o mestre soviético (hoje, letão) da ficção Serguei Eisenstein, do qual já conhecia o aclamado “Encouraçado Potemkin” (1925). Mas Geraldo me mostrou também “Outubro” (1927), refilmagem 10 anos depois da revolução Russa de 1917, com os mesmos protagonistas do fato real.

 

“Outubro”, de Serguei Eisenstein, diretor preferido de Geraldo Sarno, filmado em 1927 para celebrar os 10 anos da Revolução Russa de 1917, com seus atores reais

 

Alberto Salvá, diretor de “A Menina do Lado”, sucesso brasileiro de 1987

Entre um filme e outro, um livro e outro, uma dica sobre a arte e a vida aqui e ali, Geraldo me propiciou também outros encontros. Nos cursos preparatórios gratuitos na Villa Maria para a vinda da EBCTV, lembro de uma conversa longa que mantive com o hoje falecido cineasta Alberto Salvá, espanhol radicado no Brasil, diretor do grande sucesso “A Menina do Lado” (1987), com Reginaldo Faria e que lançaria Flávia Monteiro, musa “Lolita” dos anos 1980 e 1990. Salvá conferia a exibição do filme que tinha preparado para ministrar o curso, com várias cenas marcantes do cinema. Na escolhida por ele do clássico musical “Cantando na Chuva” (1952), de Stanley Dolan e Gene Kelly, no lugar da cena icônica com o canto e a dança de Kelly que batiza o filme, ele optou por outra. Após alguns segundos de exibição, no início da melodia, cravei: “‘Make ‘Em Laugh’ (“Faça-os Rir”), com Donald O’Connor”. Impressionado, Salvá aprovou: “Você também é um cinéfilo!”. Algumas horas depois, no meio do curso, ele reforçou meu orgulho quando contou a história a todos os presentes ao exibir a cena. Quando o diretor morreu, em 2011, já com as facilidades do YouTube, coloquei a cena de O’Connor para lembrar daquele feliz encontro, quase 20 anos antes, na Villa. E, no lugar de chorar sozinho pelo que tinha ficado para trás, ri.

 

 

Tito Almejeiras, ator e produtor argentino

Lembro também que era uma noite de 1993, novamente no apartamento de Geraldo no Salete, porque assistíamos na TV da sala, em sua primeira exibição naquele ano, a minissérie da Rede Globo “Agosto”, ficção sobre o entorno do suicídio de Getúlio Vargas baseada no romance homônimo de Rubem Fonseca. Estávamos Geraldo, eu e um amigo dele, o produtor e ator argentino Tito Almejeiras, que tinha vindo a Campos dar um curso de produção na Villa. Mesmo sendo os dois de uma geração que, com o Cinema Novo, rompeu com a influência anterior de Hollywood nas populares chanchadas brasileiras da Atlântida, da qual Carlos Manga, produtor da minissérie global, era egresso, Geraldo exclamou sobre ele, enquanto observava atento a TV: “O velho está afiado!”. Ao que Tito concordou, no braço geracional a torcer: “É verdade!”.

Com a deixa, provoquei os dois, afirmando que o mestre John Ford, ao estabelecer a mitologia dos EUA com seus westerns, tinha marcado mais o cinema do que o marxismo também genial de Eisenstein. Geraldo era zen e não comprou a briga. Mas Tito reagiu em seu portunhol: “John Ford glorificou a matança sangrenta dos índios nos EUA”. Ao que respondi: “Se é para falar de derramamento de sangue, não há ninguém melhor que os espanhóis”. O descendente de espanhóis baixou a guarda e aquiesceu, reflexivo, com o mesmo: “É verdade!”.

 

Gênios do cinema da União Soviética e dos Estados Unidos, respectivamente, Serguei Eisenstein e John Ford (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Perfume de Gardênia”, de Guilherme de Almeida Prado, lançado pelo diretor no antigo Cinema Goitacá

No auge daqueles cursos preparatórios para a EBCTV, todos amarrados por Geraldo com seus contatos no mundo do cinema, chegamos a realizar o lançamento em Campos do filme “Perfume de Gardênia” (1992), de Guilherme de Almeida Prado, no já então decadente Cinema Goitacá, antes de ser convertido como cristão novo à heresia de se tornar templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Como a exorcizar sem consciência o futuro daquele espaço, eu e Guilherme saímos juntos após a exibição do seu filme, prestigiado com casa lotada, para lhe apresentar a noite campista, até quase o nascer do dia.

“Rocco e Seus Irmãos”, clássico do neorrealismo italiano do mestre Luchino Visconti

Bem mais suave era a sensibilidade de Geraldo. Um dia chegou à casa que eu tinha alugado para sair da casa dos meus pais e morar sozinho numa Atafona pré-Porto do Açu, e me gritou do portão. Como estava treinando boxe no saco de pancadas, nos fundos, gritei que ele poderia ir entrando. Atraído pelo barulho dos murros sucessivos no saco, ele chegou observou e nada disse, aparentemente indiferente, voltando para me esperar na sala. Na sua visita seguinte à minha casa, ele trouxe de presente uma fita de VHS. Era “Rocco e seus Irmãos” (1960), clássico do neorrealismo italiano do mestre Luchino Visconti, com o galã francês Alain Delon ainda jovem como boxeador, que pude assistir pela primeira vez. O carinho paternal de Geraldo se sobressaía mesmo em meio à aparente violência. Como podia ser também sintetizado no livro “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen”, do filósofo alemão Eugen Herrigel, com que ele era invocado e também fez questão de me presentear.

 

“A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen” livro do filósofo alemão Eugen Herrigel

 

Um final de semana alongado por feriado, que não me lembro qual, Geraldo convidou a mim e a minha namorada de então para irmos com ele e sua esposa à época, Helô, ao sítio dele na área rural de Friburgo. Tomamos vinho, comemos fondue de carne e conversamos bastante. Num passeio pela propriedade, caminhamos pelo curso do riacho de águas transparentes que o cortava até uma piscina rasa que ele tinha instalado, sem interromper o curso d’água. E me contou, como se revelasse um grande segredo, que a função era de bebedouro aos animais silvestres que habitavam aquele pedaço preservado de mata atlântica. Depois, caminhando entre as árvores já altas que ele também tinha plantado, me disse: “Eu plantei elas ainda mudas. Hoje são árvores. Quando eu passeio entre elas, me olham de cima para baixo e conversam: ‘Olha Deus caminhando lá em embaixo. Olha como ele é pequeno e careca!’”, disse, rindo como criança.

Vitor Sendra, produtor e diretor de TV

Pelas dificuldades de adaptação do Solar dos Jesuítas, espaço tombado pelo Iphan, para instalação de um sistema de hotelaria que permitisse um regime de internato como a Escola de Cinema de Cuba, além de disputas internas por equipamento com o curso de cinema já existente na UFF-Niterói, o projeto de EBCTV acabaria abandonado. Quando percebi isso, fiz o que achava digno fazer: pedi exoneração do cargo público e voltei ao jornalismo, que nunca havia abandonado de todo. Depois de mim, Geraldo “adotaria” outro filho campista, o produtor e diretor de TV Vitor Sendra, filho da grande literata e dramaturga Arlete Sendra. Os dois trabalhariam juntos no Laboratório de Pesquisa e Tecnologia da Imagem do Centro de Ciências do Homem (CCH) da Uenf e, depois, no Projeto Rede Escola, junto à secretaria estadual de Educação e a TVE, produzindo conteúdos para teleducação.

“Tudo Isto Me Parece um Sonho” (2008), filme que deu a Geraldo Sarno o prêmio de melhor diretor no Festival de Brasília

No final dos anos 1990, com Geraldo já fora da Uenf, ele me chamou para um almoço na sua casa no Rio, na rua do Píer da Barra da Tijuca. Não pude ficar muito tempo, mas deu para bater um papo, mais ouvindo que falando, como o diretor cearense Zelito Viana, irmão do grande Chico Anysio e pai do ator Marcos Palmeira. Após, me despedi de Geraldo, que estava ocupado, dando atenção a outros convidados. Em 2008, soube e fiquei muito feliz com sua premiação como melhor diretor no Festival de Brasília, pelo filme “Tudo Isto Me Parece Um Sonho”, sobre a história do general pernambucano Ignácio Abreu e Lima, que lutou ao lado de Simon Bolívar, nas guerras de batalhas de libertação da Colômbia, da Venezuela e do Peru, da Coroa Espanhola no século 19. Seu último filme foi outra ficção, “Sertânia” (2020), que roteirizou, dirigiu e montou, com sua história não linear sobre os delírios do jagunço Antão.

Na última fase formativa da minha vida, quando iniciava a vida adulta, Geraldo foi para mim um mestre. Sem condescendência, sempre instigando o meu próprio olhar crítico, ensinou o que ler e como ler, o que ver e como ver, enquanto tentava apontar possíveis obstáculos e atalhos. Entre os que tive chance de conviver, talvez só o historiador Arthur Soffiati e o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa tiveram tanta influência intelectual e sensitiva sobre o homem que me tornei. Curioso é que Aluysio parecia saber disso. E, no lugar de ciúme, sempre demonstrou gratidão a quem serviu ao seu filho durante um tempo como “pai”.

Meu último encontro com Geraldo, com meu próprio filho já nascido, de quem lhe mostrei a foto, foi nos anos 2000. Entre um chope e outro, passamos a tarde conversando num bar à beira-mar de Copacabana. Em certa altura do papo, já mais soltos pelos chopes, ele parou num daqueles transes zen de quando se abstraía em pensamento. Após uns segundos, olhou por cima dos óculos de grau, observando o zoológico humano que desfilava na avenida Atlântica, entre nós e o oceano. E me indagou, em nosso último diálogo que guardo na memória:

— Está vendo todas essas pessoas, Aluysio? Está vendo todas essas pessoas indo pra lá e pra cá?

— Estou vendo, Geraldo. O que é que tem?

— São todos ovelhas, entende? São todos ovelhas balindo “bé”, balindo “bé, bééé”, entende? São ovelhas que seguem e balem felizes, a maioria sem saber, ao abate no matadouro!

— Pô, Geraldo. Isso não é muito fatalista?

— Pode ser. Só não seja você uma ovelha!

 

Entenda a crise da invasão da Rússia de Putin à Ucrânia

 

O mapa da ex-república soviética da Ucrânia sob o avanço da Rússia de Vladimir Putin (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Entenda a crise da Ucrânia (I)

Vladimir Putin abriu a semana na segunda (21) com o discurso de um líder russo ao Ocidente mais duro há mais de 30 anos, desde que chegaram ao fim a Guerra Fria e a comunista União Soviética. Saudoso desta, na qual serviu como agente da polícia política da KGB, Putin disse não reconhecer a existência da Ucrânia como nação independente da Rússia. Mas reconheceu a independência das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, que já eram parcialmente ocupadas por forças pró-russas, dando início à invasão militar do leste do país vizinho. No poder há 22 anos, Putin já tinha anexado em 2014 a península da Criméia, no sul da Ucrânia.

 

Entenda a crise da Ucrânia (II)

Putin está certo na origem comum dos dois países. Mas errado ao creditar a criação da Ucrânia ao líder da Revolução Russa de 1917, Vladimir Lenin. Mais de mil anos antes de Lenin viver, o nome Rússia surgiu entre Europa e Ásia na Idade Média do século 9, juntando eslavos e vikings suecos, quando foi chamada de Rússia de Quieve — e Kiev é, até hoje, a capital da Ucrânia. A partir do século 16 se tornaria o Império Russo dos czares, com a transferência da sede do poder a Moscou e São Petesburgo. E, a partir da Revolução de 1917, União Soviética. Que chegou ao fim justamente quando Ucrânia e Rússia decretaram suas independências em 1991.

 

Ucrânia e Rússia de hoje nasceram juntas na Rússia de Quieve, juntando eslavos orientais e vikings suecos na Idade Média do século 9 (Mapa: Wikipédia Brasil)

 

Entenda a crise da Ucrânia (III)

Com 12 séculos de história comum, Putin também não está errado ao afirmar que a maior parte da população das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk são de etnia e cultura russas, como também na Criméia. Mas o mesmo não ocorre no centro e no oeste do país, fisicamente mais próximos às democracias da Europa Ocidental. Com as quais a maioria da população da Ucrânia deseja se alinhar, deixando para trás as ditaduras dos czares, da União Soviética e de Putin. Que, apesar de incensado por parte da esquerda latino-americana, hoje tornou impossível a uma mulher prestar queixa na Rússia se sofrer agressão física do marido.

 

Entenda a crise da Ucrânia (IV)

(Infográfico: BBC Brasil)

Abaixo só dos EUA, a Rússia tem as Forças Armadas mais poderosas do mundo, com seis mil ogivas nucleares. E o histórico de quem já pôs para correr, à bala, as até então imbatíveis França de Napoleão Bonaparte e Alemanha de Adolf Hitler, respectivamente, nos séculos 19 e 20. No 21, EUA e Europa Ocidental não enviarão forças militares se a invasão for restrita à Ucrânia. Mas a coisa mudará se a Rússia quiser depois avançar também sobre outras ex-repúblicas soviéticas, como as bálticas Letônia, Lituânia e Estônia, todas hoje na Otan. Como a maioria da Ucrânia deseja ser, contra a palavra empenhada pelos EUA em 1990, e Putin não admite.

 

Napoleão Bonaparte em retirada com as tropas da França após ser derrotado na Rússia em 1812 (Óleo sobre tela de Adolph Northen)

 

Entenda a crise da Ucrânia (V)

(Infográfico: BBC Brasil)

Putin é um autocrata amoral, frio e calculista, capaz de matar dissidentes russos envenenados até na Inglaterra. Na idealização da “Grande Mãe Rússia” do passado czarista e soviético, refez a aliança do Estado com a Igreja Católica Ortodoxa, herança dos gregos bizantinos, e os valores da “família tradicional”. O que o faz ser também admirado pela neodireita mundial do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e o atual do Brasil, Jair Bolsonaro (PL). Governa com mão de ferro um país exportador de petróleo e gás, com que aquece a Europa Ocidental no inverno. E só canta de galo quando essas commodities estão em alta. Como em 2014 e agora.

 

Entenda a crise da Ucrânia (VI)

Potência militar, mas não econômica, a Rússia se escora nas suas boas relações com a China, cujo capitalismo de Estado faz frente aos EUA. O adiamento da invasão da Ucrânia para esta semana não se deve aos delírios bolsonaristas pela visita do presidente do Brasil à Rússia na semana passada. Foi só para esperar que a China encerrasse as Olimpíadas de Inverno de Pequim, no último domingo. Na segunda, Putin partiu para o ataque. E se preparou antes de fazê-lo. Esperando as sanções econômicas anunciadas ontem pelos EUA e União Europeia, acumulou munição para a guerra. Em reservas cambiais recorde de US$ 630 bilhões.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Nildo confima seu voto na eleição de Bacellar presidente

 

Vereadores Nildo Cardoso, Marquinho Bacellar, Fábio Ribeiro, Juninho Virgílio e Maicon Cruz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Nildo e a eleição de Marquinho (I)

“O único que ocupou a tribuna da Câmara e declarou o seu apoio (a presidente) a Marquinho Bacellar (SD) foi Nildo Cardoso (PSL). Isto é fato, está registrado. Por que o presidente (Fábio Ribeiro, PSD), após o término da votação, deu a vitória, está lá gravado, a Marquinho Bacellar como presidente em 2023/2024?”. Foi o que explicou e indagou ao Folha no Ar na manhã de ontem (22), na Folha FM 98,3, o próprio vereador de oposição Nildo Cardoso. Ontem, saiu o parecer da Procuradoria da Câmara de Campos que negou o pedido do edil governista Juninho Virgílio (Pros) para anular a eleição de Marquinho, por 13 votos a 12, na terça passada.

 

Nildo e a eleição de Marquinho (II)

O parecer sobre o voto de Nildo ainda não saiu. E, segundo o atual presidente Fábio Ribeiro, não tem prazo. Ele tinha prazo regimental até 15 de dezembro para marcar a eleição da nova Mesa Diretora, mas decidiu iniciá-la na última terça. “Na minha opinião, Fábio colocou para votar porque corria o risco de, ali na frente, ele não ser o candidato (do governo a presidente)”, avaliou Nildo. Ele também falou da traição do vereador Maicon Cruz (PSC), que assinou termo de compromisso com a reeleição de Fábio, mas votou em Marquinho, definindo a vitória deste: “Eu não faria isso de maneira nenhuma. Mas eu sou eu, respondo por mim”.

 

Confira no vídeo abaixo o primeiro bloco da entrevista do vereador de oposição Nildo Cardoso ao Folha no Ar da manhã de ontem:

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Campos perde Dr. Geraldo Gusmão, aos 90, para a Covid

Dr. Geraldo Gusmão

Faleceu por volta das 21h de hoje, aos 90 anos, de uma pneumonia após infecção por Covid-19, o médico Dr. Geraldo Gusmão. No final do ciclo do vírus, ao qual tinha tomado as três doses de vacina, o quadro evoluiu para pneumonia. Para tratá-la, estava internado há 20 dias no Hospital da Unimed. A partir da manhã desta quarta (23), seu velório ocorrerá na capela do Cemitério do Caju, das 10h da manhã às 15h, quando se dará seu enterro.

Dr. Geraldo deixa cinco filhos: Geraldo José (in memoriam), Beatriz, Bernadette, Ana Teresa e Artur Gusmão; além de 9 netos. Ele era viúvo da professora Ariema Gusmão, com que foi casado 59 anos, falecida em 2017. Formado em Medicina em 1956, pela UFF de Niterói, era decano da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia de Campos. Leitor assíduo e, nas suas próprias palavras, “fã número 1 da Folha da Manhã”, foi também amigo do meu pai, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, falecido em 2012. Com os dois tive o prazer de comungar vários cafezinhos e muita sabedoria, no Boulevard dos anos 1980 e 1990.

O carinho e o respeito que tinha por Dr. Geraldo também eram reforçados por minha amizade de adolescência com o advogado Artur Gusmão, procurador do município e seu filho caçula. Que herdou do pai o temperamento polido e gentil, além do cristianismo praticante na fé da Igreja Católica Apostólica Romana. Em 29 de outubro do ano passado, Artur e as irmãs publicaram na Folha uma homenagem para Dr. Geraldo, que completaria seu 90º aniversário no dia 31 daquele mês. Para honrar esse homem de bem que Campos perde, segue republicada abaixo:

 

 

Parabéns ao nosso pai, nosso grande amor!

Por Beatriz Maria, Bernadette, Ana Teresa e Artur Gusmão

 

Hoje nosso coração está em festa! É tempo de celebrar e agradecer ao Senhor a vida do nosso pai que completa 90 anos!

Em 31/10/1931 nascia nesta cidade Geraldo Arthur Gusmão Rodrigues, filho de Zita Gusmão Rodrigues e João Higino Rodrigues. Aqui cresceu sob os cuidados e o colo amoroso da sua tia avó materna, D. Josefa Gusmão. Sua infância foi também marcada pela formação religiosa, que teve início na Catedral de São Salvador, onde atuou como coroinha junto ao saudoso Pe. Rosário. Nascia aí uma história de fé, entrega e amor aos ensinamentos do Pai.

Papai iniciou sua escolaridade nos colégios da cidade, tendo sido marcante na sua vida a passagem pelo Liceu de Humanidades de Campos, onde cursou o antigo ginasial e o curso clássico. Tamanha identificação fez dele um liceísta apaixonado, carregado de memórias e saudade, sempre cantando os versos do Hino do Liceu: “Liceísta sempre avante pela glória do Liceu… Que evocamos com orgulho, ó Liceu, Liceu, Liceu!”

Com a maioridade, mudou-se para o Rio de Janeiro onde foi servir ao Exército, em 1950. Em seguida passou a residir em Niterói, a fim de cursar Medicina na Universidade Federal Fluminense. Niterói foi palco não só da sua formação profissional, mas também do encontro com o grande amor da sua vida, Ariema Barbeitas Gusmão. Ali começava a nossa história.

Com o término dos cursos, ele formado em Medicina e ela em Letras, retornaram a Campos onde se casaram em 1958 na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sob o manto protetor de Maria. Foi mamãe quem possibilitou a construção do maior sonho da sua vida: nossa família. Somos cinco filhos frutos de um imenso amor, de uma profunda fé e retidão em todos os passos e escolhas feitas por eles ao longo da vida.

Como médico traumato-ortopedista trabalhou em diversos hospitais: Hospital Ferreira Machado, Santa Casa de Misericórdia de Campos, Sandu, Plantadores de Cana e Beneficência Portuguesa, sempre comprometido com a vida humana.

Ao se aposentar realizou o sonho de voltar ao Liceu novamente como aluno nos cursos de Francês, Inglês e Espanhol. Essa paixão por aprender preenche os seus dias até hoje, se dedicando com afinco às palavras cruzadas, leitura de livros, jornais e do Evangelho. Nesse período ele também aproveitou para intensificar as suas caminhadas pela cidade, percorrendo as pontes que cruzam o rio Paraíba.

Cada caminhada na planície goitacá, sobretudo nas manhãs de sol e céu azul, enchem os seus dias de emoção, ânimo e luz! Encontrá-lo caminhando é sempre uma alegria contagiante! Tamanha paixão por Campos, revivida em pequenos passeios, o faz recitar outros versos, aqueles do hino da nossa cidade: “Campos intrépida Formosa, terra feita de luz e madrigais”, além de lembrar histórias que nunca saíram do seu coração.

Papai é um eterno apaixonado pela natureza. Seu encanto pela lua e suas fases, pelas estrelas que brilham e saltam na imensidão da noite, o tornam uma pessoa simples, desprendida, tomado pela esperança. Olhando para ele, a gente pensa que a felicidade está logo ali, ao alcance da mão.

Difícil em meio a tantas lições que ele nos dá diariamente, falar apenas de algumas. Mas talvez uma das maiores seja o exercício permanente da sua fé em Deus. Parece que quanto mais surgem os imprevistos e dificuldades da vida, maior é a sua fé! Guiado pelo Salmo 22, do Bom Pastor, ele segue firme, amparando todos nós.

Um outro presente que guardamos em nós é o seu amor por mamãe, um amor cuidadoso, companheiro, eterno e cheio de encanto pela mulher admirável que ela sempre foi. E ainda o seu amor pela família, por nós, seus filhos e netos, um amor sempre carregado de preocupação, comprometido com a nossa felicidade, respeitoso com as nossas escolhas e atento às nossas necessidades, mesmo depois que crescemos e nos tornamos pais.

Papai chega aos 90 anos com uma autonomia admirável, uma memória cristalina e com o mesmo encanto pela vida, que tanto nos apaixona, apesar das perdas imensuráveis vividas ao longo desses anos. Ao celebrar 90 anos ele continua sendo um exemplo e uma força incomparáveis nas nossas vidas!

Hoje nós escolhemos um verso da canção “Oração pela Família”, para o seu aniversário: “Que seus filhos vejam a força que brota do amor”. Sua história de vida, papai, traduz essa força que brota do amor. Nós, seus filhos, netos, genros e noras, somos testemunhas deste amor. Não há no mundo presente como esse! Seu amor e a sua oração nos acompanham e nos inspiram todos os dias!

Para o senhor, a nossa admiração sem tamanho, a nossa gratidão mais profunda e o nosso eterno amor!

Dos seus filhos,

Geraldo José (in memoriam), Beatriz Maria, Bernadette, Ana Teresa e Artur.

 

Crise da Ucrânia e Brasil de outubro no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (23), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o historiador João Monteiro Pessôa, professor do IFF-Guarus. Ele falará sobre a crise na Ucrânia, com o reconhecimento da independência de regiões separatistas do país pelo presidente russo Vladimir Putin, e suas consequências ao mundo.

O historiador também analisará a visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia na semana passada. Assim como a queda de braço entre a grande potência militar do Leste Europeu e da Ásia com os EUA e a Europa Ocidental. Por fim, dará sua projeção às eleições de outubro no Brasil, a deputado, governador e presidente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Oposição não formalizou queixa-crime contra Fábio Ribeiro

 

Atual presidente da Câmara de Campos, vereador Fábio Ribeiro

 

A queixa-crime por abuso de autoridade, de 12 vereadores de oposição contra o presidente da Câmara, Fábio Ribeiro (PSD), não foi feita até o momento, ao contrário do que a Folha chegou a anunciar na noite de quarta (16). Depois que Fábio suspendeu na quarta o que seria a continuação da sessão de terça (15), em que Marquinho Bacellar (SD) foi eleito novo presidente por 13 votos a 12, os edis descontentes foram à 134ª DP. Onde lhes foi solicitado que juntassem as provas para justificar o pedido, em uma petição. Mas isso não ocorreu até agora.

Fábio questionava a existência da queixa-crime dos colegas de oposição contra si. Se esta chegar a ser formalizada e aceita pela autoridade policial, ele pretende entrar contra seus colegas também com outra queixa-crime, por denunciação caluniosa. De concreto, como a Folha noticiou na terça, existe a denúncia do edil Maicon Cruz (PSC) contra o colega Juninho Virgílio (Pros) e o primo deste, o ex-vereador Thiago Virgílio. Após Maicon assinar um termo de compromisso pela reeleição de Fábio, mas votar e definir a vitória de Bacellar a presidente da Câmara, Juninho e Thiago foram cobrar satisfação pela traição, gerando a confusão que encerrou a sessão de terça.

 

Câmara de Campos com Nildo no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta terça, o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Nildo Cardoso (PSL). Ele falará do seu voto, que não foi registrado em ata, na eleição de Marquinho Bacellar (SD) presidente da Câmara, e de toda a polêmica que se seguiu, com a interrupção e depois suspensão da sessão, cujo resultado deve caminhar à judicialização.

Nildo falará também do que se esperar de uma Câmara Municipal controlada pela oposição ao governo Wladimir Garotinho (PSD). Por fim, dará a sua projeção para as eleições de outubro, a deputado federal e estadual, governador e presidente.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Marquinho do Transporte 1º vice e Maicon 1º secretário

Marquinho do Transporte, Fred Machado, Maicon Cruz e Abdu Neme devem compor a nova Mesa Diretora, com Marquinho Bacellar na presidência (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Como a coluna Ponto Final revelou no sábado, o primeiro secretário da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos deve ser o vereador Maicon Cruz (PTC). Mas o primeiro vice-presidente será Marquinho do Transporte (PDT), não Abdu Neme (Avante), que ficará na verdade com a segunda secretaria. O segundo vice-presidente será o ex-presidente da Casa na segunda metade da legislatura passada, Fred Machado (Cidadania).

Na sessão da última terça (15), o vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) foi eleito presidente da Câmara Municipal de Campos, por 13 votos a 12. Quando o vereador Juninho Virgílio (Pros) foi tirar satisfação com Maicon, que assinou termo de compromisso pela reeleição do governista Fábio Ribeiro (PSD), mas votou e definiu a vitória de Bacellar, a sessão foi interrompida. Após ser suspensa na quarta (16) por Fábio, até aqui tudo indica que deve caminhar à judicialização.

 

Marquinho Bacellar, Fábio Ribeiro, Juninho Virgílio e Angelo Rafael (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Juninho que voltou para a Câmara para a eleição da nova Mesa Diretora, deixou vaga a secretaria municipal de Governo. Que passou, desde quinta (17), a ser ocupada pelo militante garotista Angelo Rafael Barros Damiano, ex-presidente do PP em Campos.

 

Abdu 1º vice, Maicon 1º secretário e férias dos servidores

 

Wladimir Garotinho, Marquinho Bacellar, Abdu Neme, Maicon Cruz e Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Marquinho, Abdu, Maicon e férias do servidor

Com a eleição do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) como presidente da Câmara na sessão da última terça (15), que acabou suspensa e promete caminhar à judicialização, a semana não foi fácil para o governo Wladimir Garotinho (PSD). O que ainda não havia sido a anunciado e a coluna adianta é que o vereador Abdu Neme (Avante) deve ser eleito primeiro vice-presidente, e Maicon Cruz (PTC) primeiro secretário. Mais do que nunca, o prefeito precisa de boas notícias. E está tentando criá-las. Uma delas foi o anúncio de pagamento das férias atrasadas dos servidores, que deve injetar R$ 30 milhões na economia local.

 

Campos tem superávit de R$ 500 milhões

O cronograma para pagamento das férias do servidor ainda está sendo preparado, pois há dúvida jurídica sobre como quitar aqueles que têm mais de uma atrasada. “Em 2021, tivemos a mesma despesa do governo Rafael (Diniz, Cidadania) em 2020, na ordem de R$ 1,8 bilhão. Mas arrecadamos R$ 2,5 bilhões. Destes, R$ 200 milhões foram para pagar dívidas empenhadas, nos deixando com um superávit líquido de R$ 500 milhões. Apesar de todas as previsões de crise feitas em 2020 para 2021, Campos chega a 2022 como um município economicamente viável. É nisso que temos que apostar, acima das disputas políticas”, pregou Wladimir.

 

Reunião na sexta entre representantes do poder público e da Águas do Paraíba para reparo nas ruas de Campos (Foto: Supcom)

 

Obras nas ruas da cidade (I)

Outra boa notícia do governo vem para tentar resolver a um dos principais problemas de Campos, desde o governo Rafael: as ruas da cidade esburacadas. Ontem, a Prefeitura de Campos anunciou que começam nesta segunda (21) as obras de recapeamento asfáltico e sinalização viária nas avenidas Rui Barbosa e José Alves de Azevedo, além das ruas Voluntários da Pátria, Barão de Amazonas, Lacerda Sobrinho, Santos Dumont, Teotônio Ferreira de Araújo, Marechal Floriano, Saldanha Marinho, Alvarenga Filho, Tenente Coronel Cardoso, Comendador José Francisco Sanguedo, 21 de Abril, dos Goitacazes e a Travessa Júlio Feydit.

 

Programação com datas para intervenção nas ruas da cidade (Infográfico: Supcom)

 

Obras nas ruas da cidade (II)

A reunião preparatória para melhorar as vias públicas ocorreu ontem (18), com representantes do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), das secretarias de Obras e Infraestrutura, de Ordem Pública, da subsecretaria de Mobilidade e da Guarda Civil, além da concessionária Águas do Paraíba, que ajudará a executar o serviço. “A Águas do Paraíba, que trabalha com rede de água e esgoto, vai realizar serviços também no trecho da Rua Tenente Coronel Cardoso e na Saldanha Marinho, além de outra equipe na confecção dos serviços para qualquer situação emergencial”, explicou o secretário de Obras, Jorge Willian Cabral.

 

Obras nas ruas da cidade (III)

“Vamos requalificar todas as vias do município, pois estão degradadas e precisam de manutenção e sinalização para poder proporcionar mais qualidade à população, garantindo a mobilidade e evitando acidentes no entorno. E vamos retomar a manutenção constante das vias”, prometeu o presidente do IMTT, Nelson Godá. “O objetivo foi congregar os órgãos envolvidos para que a programação dos trabalhos possa causar o mínimo de impacto possível à população. Vamos precisar da compreensão dos munícipes, pois haverá transtornos”, advertiu o engenheiro Sérgio Mansur, subsecretário de Mobilidade.

 

Mudança da Educação

Na última quarta, a coluna anunciou a possibilidade da saída do secretário de Educação, professor Marcelo Feres. Mas após o voto do vereador Maicon Cruz, que assinou termo de compromisso com a reeleição de Fábio Ribeiro (PSD) como presidente da Câmara, mas definiu a eleição a favor de Marquinho Bacellar, foi especulado que a mudança na Educação poderia ser revista. Um dos acordos do governo seria abrir espaço na pasta a Maicon, que tem atuação política no setor. A fonte de alto escalão da Prefeitura que adiantou a possibilidade da saída de Feres garantiu que nada muda. Como não mudaria se Maicon tivesse cumprido o que assinou.

 

Destaque internacional (I)

Primeiro atleta de Campos e do interior do estado a nadar da praia do Leme até o Pontal, no Rio, com oficialização da Leme to Pontal Swimming Association (LPSA), o guarda-vidas Alexander Sant’Ana ganhou reconhecimento internacional pelo feito, realizado na segunda-feira (14). Seu nome foi incluído na Openwaterpedia, a enciclopédia das competições de águas abertas em todo o mundo. Além disso, o ultramaratonista teve matéria sobre ele publicada no World Open Water Swimming Association, principal portal dos EUA especializado na cobertura de eventos do gênero.

 

Destaque internacional (II)

Residente no Parque Santo Amaro e atuante como guarda-vidas em Macaé, Alexander foi o 44º atleta na história a completar o percurso de 35,19 km na categoria individual com neoprene pela LPSA, entidade que desde 2016 regula a mais desafiadora prova de águas abertas do Brasil. Também se tornou o primeiro bombeiro a vencer o desafio. Seu tempo, de 8 horas, 54 minutos e 56 segundos, foi o oitavo melhor entre os 44 nadadores solo com neoprene que já realizaram a prova oficialmente.

 

Com Matheus Berriel.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Brasil de Bolsonaro, Rússia de Putin e Hungria entre Orbán e Puskás

 

Jair Bolsonaro com os autocratas Vladimir Putin, na Rússia, e Viktor Orbán, na Hungria do craque Ferenc Puskás (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

— E Bolsonaro na Rússia de Putin e na Hungria de Orbán? — abriu os trabalhos Paulo, antes de molhar a palavra com um gole de Original gelada, na mesa do boteco.

— Foi tentar espelhar Lula na Alemanha, na França, na Espanha e no Parlamento Europeu, na Bélgica, em novembro do ano passado — lembrou Aníbal, garganta já umedecida pela cerveja.

Lula em suas visitas de novembro à Alemanha do chanceler Olaf Scholz, à França do presidente Emmanuel Macron e à Espanha do primeiro-ministro Pedro Sánchez (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

— Mas tem duas diferenças básicas. A primeira, Bolsonaro ainda é chefe de Estado. Lula, embora recebido como se fosse, já não é há mais de uma década. Além do que, Alemanha, França e Espanha são democracias. A Rússia e a Hungria, não.

— A Rússia é um caso à parte. Enclave europeu na Ásia, na mistura de povos eslavos com os vikings e os mongóis na Idade Média, saiu da ditadura czarista para a comunista, com a Revolução de 1917. O breve período deles de democracia, nos anos 1990, se deu com a derrama dos oligarcas assumindo os serviços do Estado. E Boris Yeltsin humilhando o país aos olhos do mundo, em suas constantes aparições completamente bêbado. Assim como suas Forças Armadas, temidas durante a II Guerra Mundial e a Guerra Fria, foram humilhadas na república separatista da Chechênia. Tanto que, ao assumir a Rússia no início do milênio, após servir à comunista União Soviética como agente da KGB, Putin logo tratou de colocar alguns oligarcas não alinhados na cadeia e ir às forras na Chechênia.

— É um bom resumo da ópera de Tchaikovsky. Mas você não está defendendo o Putin, está?

— Vladimir Putin é um canalha amoral, capaz de matar envenenados dissidentes russos até na Inglaterra. Mas é também uma águia da geopolítica. Nos 22 anos da sua ditadura mal disfarçada na Rússia, reafirmou o poder do país na Europa, que não passa de um promontório da Ásia. A única líder europeia capaz de lhe fazer frente durante esse tempo foi Angela Merkel, que não comanda mais a Alemanha. Mas nem ela foi capaz de achar alternativa ao dilema: se Putin fechar o gasoduto da Rússia que aquece a Europa durante o inverno rigoroso deles, os demais europeus teriam que queimar lenha para não morrerem de frio.

— E essa celeuma com a Ucrânia?

— A Ucrânia está para a Rússia como a Bahia ao Brasil. Foi lá que tudo começou. Putin está certo ao cobrar a palavra empenhada em 1990, em nome dos EUA, pelo seu então secretário de Estado, James Baker, do governo George Bush pai. A promessa era de que a Otan não avançaria sobre o Leste Europeu, na área de influência da União Soviética, comandada à época por Mikhail Gorbatchov. Assim como a Ucrânia, ex-república soviética independente há mais de 30 anos, está certa ao querer fazer valer a vontade da maioria da sua população, que deseja a entrada do país na Otan. Para ficar mais próxima das democracias europeias do que das ditaduras de Putin na Rússia, ou do seu aliado Aleksandr Lukashenko, na Bielorrússia. Sem paixões, os dois lados têm as suas razões.

— A Otan é um restolho da Guerra Fria, para selar a aliança militar dos EUA com a Europa Ocidental, após a II Guerra, e tentar conter a expansão comunista da União Soviética. Com o fim desta, desde 1991, a Otan talvez tenha perdido o sentido de existir.

— A Otan, como o Pacto de Varsóvia feito pela União Soviética em resposta, têm o mesmo princípio da jihad islâmica. Em árabe, jihad significa “esforço”, não “guerra santa”, como volta e meia é mal traduzido. Parte do pressuposto de que se eu sou muçulmano e tenho dois vizinhos, você, que também é muçulmano, e outro que não é, se este o agredir, eu tenho obrigação de me aliar a você contra ele. É o mesmo princípio da sororidade feminina.

— Só que, vou repetir: a União Soviética, o Pacto de Varsóvia e a ameaça comunista não existem há mais de 30 anos.

— Só não pode contar isso aos bolsonaristas, pois acordar sonâmbulo é sempre perigoso. Mas, sim, a ameaça à hegemonia dos EUA vem muito mais da pujança econômica do capitalismo de estado da China do que do arsenal nuclear da Rússia. Putin ameaça mais o Ocidente com sua guerra cibernética, que em 2016 ajudou a eleger Donald Trump presidente dos EUA e a Grã-Bretanha a sair da União Europeia com o Brexit, do que com o poder dos seus exércitos.

— Sim, por isso o Carluxo foi junto. Foi afinar contato com os hackers russos e com o Telegram para a eleição de outubro. Mas e o papai chamando Viktor Orbán de “irmão”?

 

Vereador carioca e gerente do “gabinete do ódio” do pai presidente, o que Carlos Bolsonaro foi fazer na Rússia? (Foto: Reprodução da CNN)

 

— Orbán é na Hungria o que Bolsonaro queria ser, no Brasil. E não conseguiu por conta da reação das nossas instituições democráticas. Contra o Congresso, o capitão arregou. No lugar de enfrentá-lo, preferiu comprá-lo com os bilhões do Orçamento Secreto, para fazer do Mensalão do PT uma gorjeta e refazer seus laços desde sempre com o Centrão. O mesmo que, na campanha de 2018, era sinônimo de “ladrão” na voz desafinada do general Augusto Heleno. O embate de Bolsonaro agora é com o Supremo e o TSE, que têm no ministro Luís Roberto Barroso um dos grandes vultos da história recente da República. Tudo para tentar emplacar a narrativa mentirosa de fraude na urna eletrônica.

 

 

— Sim, como o próprio Barroso definiu, a ladainha contra a urna eletrônica é a “repetição mambembe de Trump”, com o voto pelos Correios nos EUA. Mas os dois têm utilidade. Servem como aquele termômetro do peru de Natal, que nos EUA é mais consumido no dia de Ação de Graças: quanto mais a narrativa subir, maior será a certeza da derrota.

— A liderança isolada de Lula em todas as pesquisas também é, até aqui, uma certeza. O que não está certo, mas também é uma possibilidade, é Orbán perder as eleições legislativas da Hungria em abril, e com ela o cargo de primeiro-ministro, após 12 anos. A ver.

— Será que as coincidências entre Brasil e Hungria chegarão a tanto?

— A maior semelhança entre Brasil e Hungria está no futebol mágico que ambos praticaram nos anos 1950. O canhoto Ferenc Puskás, que hoje batiza o prêmio da Fifa ao gol mais bonito marcado no mundo todo ano, é o nosso verdadeiro irmão húngaro. Não Orbán.

 

 

— E ainda temos o romance “Budapeste”, de Chico Buarque, inspirado também na admiração dele pelo futebol de Puskás e da grande Hungria de 1954. Mas e Bolsonaro?

— Começou o governo batendo continência à bandeira dos EUA. E vai terminar após levar flores, em Moscou, ao túmulo do soldado desconhecido do comunista Exército Vermelho, morto contra o nazifascismo na II Guerra. Para depois ecoar na Hungria o lema “Deus, pátria e família” do integralismo, “repetição mambembe” do nazifascismo no Brasil dos anos 1930.

 

Bolsonaro bate continência à bandeira dos EUA em Houston, no Texas, em 16 de maio de 2019, para depois homenagear o túmulo do soldado desconhecido do comunista Exército Vermelho, em Moscou, na última quarta-feira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Como, na Campos de 2022, os apoiadores do presidente colocaram outdoor com o slogan “Uma nação, um povo, um líder”, copiado de ninguém menos que Adolf Hitler.

 

Adolf Hitler e seu slogan “Ein Nation, ein Volk, ein Führer” (“Uma nação, um povo, um líder”) copiado em plena av. 28 de Março, em campanha eleitoral extemporânea e ilegal, pelos bolsonaristas de Campos dos Goytacazes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— Bolsonaro e o bolsonarismo são o cachorro que morde próprio rabo. E ainda não percebeu que já chegou ao cotoco — sentenciou Aníbal, antes do gole longo de cerveja e de bater o copo esvaziado sobre a mesa do botequim, como martelo de magistrado.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Pré-candidato a governador, Ganime no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (18), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o deputado federal Paulo Ganime, pré-candidato a governador do RJ pelo Novo. Ele projetará a eleição ao Governo do Estado em outubro, suas chances e as dos seus potenciais adversários.

Ganime também analisará a pré-candidatura do cientista político Felipe d’Ávila a presidente pelo Novo. Assim como as chances da terceira via e a polarização do pleito, segundo todas as pesquisas, entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Rodrigo e Caio derrotam Wladimir na disputa da Câmara

 

Marquinho Bacellar, Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar e Caio Vianna na disputa pela Câmara de Campos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Câmara de Feijó a Marquinho

Desde 1993, quando o então vereador de oposição Paulo Feijó se elegeu presidente da Câmara de Campos, a eleição ontem a presidente do vereador de oposição Marquinho Bacellar (SD) foi a maior virada da política goitacá. Há 29 anos, Feijó levou por 11 a 10, com o voto decisivo de Toninho Vianna. Marquinho levou por 13 a 12, com o voto decisivo de Maycon Cruz (PSC). Este havia assinado seu compromisso pela reeleição do atual presidente Fábio Ribeiro (PSD). Que, mesmo com o poder de determinar a pauta, acabou como o maior derrotado. Junto do prefeito Wladimir Garotinho (PSD), que agora terá dois anos muito difíceis pela frente.

 

Viradas de Rodrigo

O maior vitorioso, porém, não foi Marquinho. Mas seu irmão, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), licenciado para ocupar a poderosa secretaria estadual de Governo de Cláudio Castro (PL), aliado também de Wladimir. Conhecido, mesmo entre os desafetos, pela grande capacidade de articulação nos bastidores, não é a primeira virada marcante de Rodrigo. Em maio de 2021, veículos de imprensa da capital chegaram a noticiar que ele havia perdido a disputa interna pela secretaria de Governo para o deputado Márcio Pacheco (PSC). Mas, em outra virada de última hora, o parlamentar campista ficou com a pasta.

 

Traição de Maycon Cruz revoltou Juninho Virgílio (Montagem: Elaibe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nas costas de Maycon

Cacifado pela vitória no governo Castro, Rodrigo Bacellar daria no mês seguinte a pista pela qual acabaria por derrotar ontem o governo municipal. Em junho de 2021, como noticiou o blog Opiniões, foi uma ligação de Rodrigo que mudou na última hora o voto do vereador Maycon Cruz, impedindo a aprovação da proposta do novo Código Tributário de Wladimir. Maycon, na ocasião, negou. Embora agora seja bem mais difícil negar sua assinatura no termo de compromisso com a reeleição de Fábio. Por não cumpri-lo, o edil Juninho Virgílio (Pros) partiu para cima do colega, interrompendo a sessão de ontem e sua transmissão ao vivo.

 

“Depurados” da base, Bruno Vianna, Raphael Thuin e Fred Machado votatam em Marquinho a presidente da Câmara (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contabilidade da derrota

Traições, mesmo sobre a própria assinatura, ocorrem na política e na vida cotidiana. Mas o governo também contribuiu na contabilidade da sua derrota. Por conta da rejeição ao Código Tributário, desde a sua proposição em maio de 2021, a situação rompeu com os vereadores Bruno Vianna (PSL), Raphael Thuin (PTB) e Fred Machado (Cidadania). Juninho Virgílio, por exemplo, foi um dos que cobraram à época a depuração da base. No lugar de ontem cobrar satisfação a Maycon, poderia estar hoje comemorando, se a base tivesse mantido os votos de Bruno, Thuin e Fred. Após serem “depurados”, os três votaram em Marquinho a presidente.

 

Rodrigo e Caio (I)

Além de Rodrigo, quem também teve papel importante para derrotar o governo municipal na eleição à presidência da Câmara foi Caio Vianna. Candidato a prefeito derrotado no segundo turno por Wladimir, secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, pré-candidato a deputado federal em outubro e presidente do PDT em Campos, ele trabalhou pelos votos dos vereadores pedetistas Marquinho do Transporte e Luciano Rio Lu em Marquinho a presidente. Rodrigo e Caio foram aliados no período pré-eleitoral de 2020, quando romperam. Há quem diga que, se não o tivessem feito, teriam derrotado Wladimir. Unidos ontem, deram mostra disso.

 

Rodrigo e Caio (II)  

Com a impopularidade do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania), Campos saiu das urnas de 2020 dividida em três polos de poder político. Wladimir, que se elegeu prefeito; Rodrigo, eleito deputado em 2018, que ganhou em 2021 a musculatura da secretaria estadual de Governo; e Caio, que nunca se elegeu, mas é bem votado na cidade desde 2016. Na eleição da Mesa Diretora da Câmara em 2021, Wladimir chegou a fazer um acordo com Rodrigo, mas ambos romperam antes da votação. Fábio só foi eleito presidente após Wladimir costurar um novo acordo, com Caio. Neste início de 2022, contra Rodrigo e Caio, Wladimir foi derrotado.

 

Voz da experiência de Anthony Garotinho e Nildo Cardoso (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Experiência ignorada   

Em reunião no Farol, na semana passada, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) teria aconselhado a só colocarem a eleição da presidência da Câmara na pauta se o governo tivesse 15 votos garantidos. O conselho da experiência foi aparentemente ignorado e Wladimir agora projeta as dificuldades que terá, como qualquer chefe de Executivo, com um Legislativo controlado pela oposição. Vereador mais experiente entre os atuais 25, Nildo Cardoso (PSL) advertia, mesmo antes da eleição do aliado Marquinho a presidente: “Já participei de sete eleições (de Mesas Diretoras) e estou vendo gente (do governo) comemorando antes da hora”.

 

Marcelo Feres, atual secretário de Educação

Mudança na Educação

Das mudanças na Câmara às mudanças no governo, a volta às aulas na rede pública de Campos está marcada para 7 de março. E, segundo garantem fontes do primeiro escalão, não há possibilidade de novo adiamento. Mas após a retomada, que a grande maioria dos pais de alunos considera atrasada, a secretaria de Educação deve mudar de mãos. O nome do novo titular da pasta ainda não está definido, mas não deve ser mais o professor Marcelo Feres. Egresso da rede federal, seu currículo é muito respeitado. Mas a dificuldade de adaptação à realidade municipal pesa na decisão. Que deve ser oficializada até o próximo mês.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.