Onde e como Bolsonaro encurtou a diferença para Lula

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula cai, Bolsonaro cresce

Sempre questionadas pelos bolsonaristas, por registrarem em todo o ano de 2022 a liderança de Lula (PT) à corrida presidencial de outubro, as pesquisas passaram a ser a esperança real de Jair Bolsonaro (PL). Na segunda (8), foi divulgada a nova BTG/FSB, feita de sexta (5) a domingo (7). Que, comparada com a pesquisa do mesmo instituto, divulgada em 25 de julho, revelou que o capitão tirou quase metade da vantagem do petista. Na consulta estimulada ao 1º turno, Lula tinha 44% de intenções de voto e caiu a 41%. Bolsonaro tinha 31% e subiu a 35%. A diferença entre os dois era de 13 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu para 7 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No 2º turno

A tirada de diferença de Bolsonaro para Lula está fora da margem de erro. Que foi de 2 pontos para mais ou menos, das duas últimas pesquisas BTG/FSB, de 25 de julho e 8 de agosto. E não se deu só sobre a projeção para as urnas do 1º turno de 2 de outubro, daqui a 53 dias. Em 25 de julho, na projeção ao 2º turno marcado para 30 de outubro, Lula venceria Bolsonaro por 54% a 36% das intenções de voto. Já na BTG/FSB divulgada em 8 de agosto, Lula continuaria vencendo a disputa final, mas por 51% a 39%. A diferença no 2º turno cada vez mais provável entre o petista e o capitão era de 18 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu para 12 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na rejeição

Fundamental para a definição do 2º turno, a rejeição também veio com diferença menor entre Bolsonaro e Lula. Nas pesquisas BTG/FSB de 25 de julho, o capitão apareceu com 58% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum, contra 42% do petista. Pelo mesmo instituto, em 8 de agosto Bolsonaro reduziu a rejeição em 6 pontos, aos atuais 52%; enquanto Lula subiu a sua em três pontos, aos 45% de hoje. A diferença no índice negativo entre os dois era de 16 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu pela metade: 8 pontos. Com a rejeição de ambos próxima aos 50%, qualquer resultado no 2º turno passa a ser aritmeticamente possível.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Por que crer na BTG/FSB?

Lula ainda é o favorito para as eleições presidenciais de outubro. Mas a possibilidade de vencer no 1º turno, retratada em várias pesquisas de junho, parece cada vez mais distante. Como os bolsonaristas que questionam as pesquisas, os lulopetistas podem lembrar que o banco de investimentos BTG Pactual, contratante do instituto FSB Pesquisa, teve entre seus fundadores Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro. Mas a verdade é que a BTG/FSB divulgada em 13 de junho também chegou a projetar a possibilidade de Lula liquidar a fatura em turno único. E, se projetou o que era a tendência de antes, também o faz agora.

 

Classe média migra voto

O contraste entre as BTG/FSB de 25 de julho e 8 de agosto mostrou de onde saíram as intenções de voto perdidas por Lula e achadas por Bolsonaro. Houve estabilidade entre os eleitores com renda familiar até 1 salário mínimo, de 1 até 2 mínimos e de mais de 5 mínimos. A alteração não se deu no voto dos pobres e ricos, mas da classe média. Entre os que ganham de 2 até 5 mínimos, Bolsonaro passou dos 36% de intenções de voto a 42%; enquanto Lula caiu de 39% aos 30% de hoje. O motivo? O preço dos combustíveis, que 44% dos brasileiros já achavam um pouco menores em 25 de julho. Mas, em apenas 14 dias, chegaram a 50%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O voto dos pobres

Essa migração de votos da classe média ainda precisa ser comprovada por outras pesquisas. Mas se a diminuição no preço do combustível provocou alteração eleitoral até 8 de agosto, é sobre quem não tem carro que o impacto pode ser ainda maior. Ontem, 9 de agosto, começou a ser pago o Auxílio Brasil anabolizado de R$ 600 a 20,2 milhões de brasileiros pobres. Mais o Auxílio Gás também anabolizado de R$ 110 a 5,6 milhões de famílias igualmente pobres. E é entre os pobres que Lula tem sua maior vantagem de intenções de voto sobre Bolsonaro. São as pesquisas feitas a partir de ontem que dirão o que será a eleição presidencial de outubro.

 

Auxílio Bolsonaro

Ninguém mais que Bolsonaro crê em pesquisas. Ele e seu coordenador político de campanha, ministro da Casa Civil e presidente do PP, Ciro Nogueira, certamente comemoraram a BTG/FSB de segunda. Nogueira chegou a projetar em maio uma virada de Bolsonaro sobre Lula nas pesquisas em junho, com a PEC dos Precatórios. Em que a União deu beiço nas dívidas para subir o Auxílio Brasil de R$ 170 a R$ 400. Mas, no lugar da virada, as pesquisas de junho deram a vitória de Lula no 1º turno. Nogueira reagiu com a PEC Kamikaze. Que rasgou a legislação eleitoral e furou o teto orçamentário para passar o Auxílio Brasil de R$ 400 a R$ 600.

 

Culpa no cartório

Lula também está atento às pesquisas e à BTG/FSB de segunda, que registrou sua perda de votos na classe média. Também preocupado com o que o Auxílio Brasil ainda pode causar no eleitor pobre, o petista disse ontem, em encontro na Fiesp: “Depois de três meses, há de se perguntar se o povo aceitará pacificamente a retirada de um benefício que está recebendo por causa das eleições”. Ele está certo, pois os benefícios só vão até 31 de dezembro. Se depois disso o país convulsionar e continuar governado por Bolsonaro, será por conta também do PT e da oposição. Que votaram a favor da PEC Kamikaze no Senado e na Câmara de Deputados.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Economia de Campos e nas urnas no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Economista e professor da Uenf, Alcimar Ribeiro é o convidado desta quarta (10) no Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as perspectivas econômicas de Campos, São João da Barra, Norte Fluminense e Estado do Rio. Falará também da relação economia/eleição nas urnas de outubro a presidente da República.

Por fim, Alcimar analisará a situação econômica global com a Guerra da Ucrânia e a crise entre EUA e China por conta da república insular e separatista de Taiwan. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Eleição a governador e presidente no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Estrategista político e articulista do Correio Braziliense, Orlando Thomé Cordeiro é o entrevistado do Folha no Ar desta terça (9), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Da perspectiva da cidade do Rio, ele dará o olhar de fora sobre a política goitacá, na disputa entre Garotinhos e Bacellar. Também tentará projetar as eleições a deputado federal e estadual, senador e governador do RJ.

Por fim, com base nas últimas pesquisas eleitorais, Orlando tentará projetar a eleição a presidente da República, polarizada entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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BTG/FSB: Lula no 2º turno, mas Bolsonaro encurta diferença

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Nas duas últimas semanas, caiu em quase metade a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), na corrida às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 55 dias. Feita dos dias 5 (sexta) a 7 (domingo) e divulgada hoje (8, segunda), a nova pesquisa BTG/FSB deu ao petista 41% das intenções de voto na consulta estimulada, contra 34% do capitão. A diferença de 7 pontos entre os dois líderes era de 13 pontos (44% a 31%) na pesquisa anterior do mesmo instituto, feita de 22 a 24 de julho, e divulgada no dia 25, há exatos 14 dias. Lula continua vencendo na projeção de segundo turno de 30 de outubro, no qual bateria Bolsonaro por 51% a 39%. A diferença atual de 12 pontos entre os dois líderes era de 18 pontos (54% a 36%) na BTG/FSB do final de julho. Índice fundamental à definição do segundo turno, o capitão também diminuiu na rejeição, de 58% aos atuais 53%, enquanto o petista cresceu de 47% a 49%. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Na consulta estimulada ao primeiro turno, depois de Lula e Bolsonaro, vieram o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 7%; a senadora Simone Tebet (MDB), com 3%; o deputado federal André Janones (Avante), com 2% e que no dia 4 (quinta) retirou sua candidatura a presidente para apoiar Lula; e do ex-deputado federal José Maria Eymael (DC) e do influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1% cada. No bloco de cima da disputa, a melhora do presidente e correspondente queda do ex-presidente em todos os índices são atribuídos à percepção do eleitor de melhora na economia:

— Hoje, menos de metade do eleitorado (44%) acredita que os preços continuarão subindo nos próximos três meses (no final de maior, eram 70%). E em duas semanas subiu de 54% a 63% a fatia do eleitorado que percebeu a redução no preço dos combustíveis. Para 74% dos eleitores, a economia é muito importante para a definição do voto a presidente —  analisou o relatório da pesquisa BTG/FSB de hoje.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na classe média, onde a redução temporária do preço da gasolina é mais sentida, entre as BTG/FSB de 25 de julho e de hoje, Lula caiu de 39% aos atuais 30% de intenções de voto no com renda familiar mensal de 2 a 5 salários mínimos, faixa em que Bolsonaro cresceu de 36% a 42%. São movimentos inversos e fora da margem de erro. Já com o eleitor pobre, que raramente tem carro, houve aparente estabilidade. O petista passou dos 61% aos atuais 60% das intenções de voto com renda familiar mensal até um salário mínimo, faixa em que o capitão tinha 19% e passou a 20%. Na faixa acima de renda, Lula passou de 52% a 50% nas intenções de voto das famílias que ganham mensalmente de 1 a 2 salários mínimos, com o qual Bolsonaro teve queda fora da margem de erro, de 26% a 22%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Entre esse eleitor mais pobre, com o qual Lula tem sua maior vantagem, o reflexo do aumento do Auxílio Brasil por Bolsonaro que começa a ser pago nesta terça (9), mas só até 31 de dezembro, é bastante esperado nas próximas pesquisas presidenciais. Que, na série da BTG/FSB, desde março deste ano, registrou hoje a menor diferença de intenções de voto e de rejeição entre o petista e o capitão.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— A exatos 55 dias para 2 de outubro, a pesquisa do Instituto FSB, encomendada pelo Banco BTG Pactual, a exemplo das demais pesquisas realizadas por telefone, confirma projeção de segundo turno, com redução da diferença entre Lula e Bolsonaro, fora da margem de erro. Na pesquisa estimulada a diferença é de 7 pontos: Lula caiu de 44% para 41%, em relação à pesquisa divulgada duas semanas atrás, enquanto Bolsonaro subiu de 31% para 34%. 82% dos eleitores do atual presidente afirmaram que a decisão do voto já está tomada, sem chance de alteração, o mesmo percentual dos eleitores de Lula (81%) dentro da margem de erro. As intenções de voto para o segundo turno também tiveram alteração fora da margem de erro: Lula caiu de 54%, na pesquisa de 25 de julho, para 51%, no levantamento divulgado hoje, enquanto Bolsonaro subiu de 36% para 39%. Na rejeição aos candidatos, Bolsonaro reduziu a sua em 5 pontos, passando de 58%, duas semanas atrás, para 53%. Já Lula aumentou em 3 pontos a rejeição, também acima da margem de erro, de 42% para 45% — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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Elo EUA/Brasil, morre aos 86 anos Audrey Coutinho

 

Audrey Coutinho

Morreu hoje, por volta das 11h30 da manhã, de causas naturais, Audrey Coutinho. Matriarca da família Coutinho, proprietária da usina Paraíso, onde estava, ela tinha 86 anos. Deixa os filhos Tina, Gel, Maurício, Marcelo e (in memoriam) André, 12 netos e 2 bisnetos. Seu corpo será velado a partir da noite de hoje e sepultado às 11h da manhã desta terça (8) no Campo da Paz. De onde deverá ser transferido, após o prazo de 5 anos, para o jazigo particular da família na usina, como o seu marido Geraldo Coutinho, falecido em 2007.

Homônima de uma das divas de Hollywood, Audrey era estadunidense de origem irlandesa, da cidade de New Orleans, capital do estado da Luisiana, colônia francesa de origem anexada pelos EUA. Ela conheceu o pernambucano Geraldo quando ambos cursavam, no final dos anos 1950, a Universidade Estadual da Luisiana (Louisiana State University, LSU). Casaram-se ainda nos EUA e ratificaram o matrimônio no Brasil, quando vieram em 1958. Primeiro para Pernambuco e depois para Alagoas, onde Geraldo ajudava a administrar a usina da sua família. Viriam para Campos em 1967, após a compra da usina Paraíso, na Baixada Campista, de onde não sairiam mais.

Formada em História na LSU, Audrey não chegou a lecionar, a não ser aulas informais de inglês para amigas. Através dos anos, se tornou uma figura conhecida e querida da sociedade goitacá. Sempre muito gentil e simpática, anfitriã acolhedora, de riso fácil, sabia ser também assertiva quando julgava necessário. Adorava estar com as pessoas e conversar com elas. No eixo Brasil/EUA, foi uma referência do século 20 na terra do escritor José Cândido de Carvalho, entre seus coronéis e lobisomens, que sobreviveu ao 21 de memória quase sempre curta e superficial do tempo das redes sociais. Mais portuguesa do que muitos brasileiros de nascimento, era também torcedora fanática do Vasco da Gama.

Gostava muito de Audrey. Foi uma das mulheres mais elegantes que conheci. Sem nunca perder essa característica, sempre soube se impor, mesmo em tempo felizmente passado quando isso era menos comum entre as mulheres. À família numerosa que criou e aos muitos amigos que cativou durante a vida, os mais sinceros sentimentos.

 

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Campos/RJ/Brasil nas urnas de outubro pela ciência política

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel

 

Embora a eleição de outubro, daqui a exatos a 57 dias, não seja municipal, as consequências das suas alianças ameaçam redesenhar a relação acirrada entre oposição e governo em Campos. Como foi encarado o giro de 180º do ex-governador Anthony Garotinho (União) no último domingo (31), quando declarou seu apoio à reeleição do governador Cláudio Castro (PL), a quem vinha dirigindo “críticas bastante ferozes”. A definição é do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. No Folha no Ar do início da manhã de ontem (5), ele e o também cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf, foram entrevistados. E fizeram ressalvas à pacificação da política goitacá, entre Garotinhos e Bacellar, a partir do realinhamento estadual. Mas analisaram essa correlação, assim como a eleição a governador e senador do RJ, além das candidaturas a deputado federal e estadual da região. Na eleição presidencial, com intenções de votos polarizadas e cristalizadas entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), George lembrou episódios de pleitos anteriores para manter a disputa aberta ao imponderável. Já Hamilton cravou: “Você também nunca teve uma eleição onde o presidente da República ameaça dar um golpe. Isso é ponderável”.

 

George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia diante do apresentador do Folha no Ar, Cláudio Nogueira (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Crê na pacificação entre oposição e governo em Campos, a partir do apoio do ex-governador Anthony Garotinho (União) à reeleição do governador Cláudio Castro (PL)?

George – Garotinho adere à campanha do governador Cláudio Castro, com um histórico de críticas bastante ferozes. E nós, que conhecemos bastante o repertório do Garotinho, sabemos o quão ferozes podem ser. Nesse momento em que ele adere, se isso vai arrefecer a disputa local? Talvez não. Embora, neste momento, na disputa eleitoral do estado do Rio de Janeiro, você possa ter uma convergência dos Bacellar e do Garotinho em torno do Cláudio Castro, não quer dizer que necessariamente os ânimos vão se acalmar em âmbito local. Por que esta minha perspectiva? Você nota que há uma proximidade, em diferentes pesquisas, do primeiro lugar, que é o Cláudio Castro, e o segundo lugar, que é o Marcelo Freixo. O Freixo, neste momento, ele ameaça e parece que chega ao segundo turno. Então, o que o Cláudio Castro, o homem da máquina, está fazendo? Ele tem tentado ampliar as suas possibilidades de aliança no estado. Neste sentido, ele pode trazer, inclusive, para o campo de aliança dele inimigos mortais locais. Tem que se olhar a perspectiva do Cláudio Castro, não a disputa local. Na perspectiva do Cláudio Castro, é coerente ele ter como apoio Garotinho e Bacellar, porque, neste momento, ele está vivendo uma disputa muito acirrada. Agora, isso vai traduzir a um reset da disputa local? Não consigo vislumbrar essa possibilidade. Acompanhando as discussões dos grupos em disputa no âmbito local, fico bastante constrangido com os termos que têm sido utilizados: um nível de debate padrão 12 anos de idade. Não estou me referindo a ninguém específico, mas às vezes tenho a impressão de que vai chegar a dizer: “Você é cara de melão”. O nível é muito baixo. A questão da disputa para o Governo do Estado pode, de repente, se traduzir numa paz eleitoral momentânea. Mas não mais do que isso.

Hamilton – Creio que cada grupo está fazendo o seu cálculo de modo a utilizar a disputa local e se inserindo na disputa regional. Isso, aliás, está acontecendo também na esfera da candidatura presidencial, com a disputa entre o PT e o PSB no Rio de Janeiro. Cada um faz o seu cálculo do que é melhor para ele na disputa maior para alavancar o seu público, seu eleitorado, e se cacifar nas eleições, quer no Senado ou nas disputas locais. Mesmo no caso de Campos, que é um município empoderado por rendas petrolíferas, que no passado até desdenhava dessas conexões. Mas o fato é que a crise veio e Campos teve que restaurar essas conexões entre o local, o estadual e o federal. Agora, acho que isso se dá num contexto da democratização que o país está vivendo desde 1984, que é a do aumento do protagonismo do Legislativo. Mas os municípios também não estão refletindo esse avanço do Legislativo sobre o orçamento público. Não é só a discussão do quanto de liberdade tem o prefeito. É o avanço mesmo de verbas, de emendas impositivas que começam a aparecer nos legislativos estaduais e locais. Alguns prefeitos da região, inclusive, se referem às câmaras dos vereadores como câmaras de extorsão. Não é uma coalisão legislativa programática que resolve engessar o orçamento e dar uma liberdade exígua ao prefeito. O protagonismo do Legislativo tem se dado mais ou menos em torno da questão de distribuir dinheiro. Isso é uma coisa meio ao acaso, não tem planejamento. Isso representa muito mais a capacidade desses agentes legislativos de fidelizarem o voto popular, o que é uma corrupção da democracia. Porque, na democracia, o que se espera é que o eleitor seja o árbitro das disputas, dizendo quem tem maioria e quem não vai ter maioria. Mas o que acontece é que os agentes políticos se empoderam de recursos para corromper o voto popular, e aí neutralizam o poder da população de arbitrar. Não é uma exclusividade do Legislativo, não é uma novidade. Essa é uma política que o Executivo já fazia, mas agora o Legislativo faz de maneira mais ativa. O orçamento está sendo disputado para sufocar, e não tem uma conexão com a sociedade. É uma degradação generalizada, embora em cada município isso vai aparecer de uma forma. Aqui, a disputa é entre duas oligarquias muito fortes, que conseguem fidelizar o voto popular e vão estar aí nas eleições. Parece que a disputa aqui vai se dar no interior de um mesmo bloco que está se organizando para a disputa regional, porque são duas oligarquias que não vão ser apaziguar. Eles estão disputando o voto à próxima eleição municipal. O problema é o que está por trás disso: no nosso caso, nada. A não ser interesses particularistas de grupos às vezes inconfessos e até inconfessáveis.

George – Como ainda é fato recente, e eu acho também que a gente pode falar isso sem ferir suscetibilidades: é uma aproximação tanto envergonhada. Eu acho que, num primeiro momento, o que nós vimos foram trocas de farpas entre os Bacellar, o grupo que está gravitando em torno dos Bacellar, e os Garotinho. Mas, não sei se nós vamos ter uma prorrogação dessa discussão em termos de beligerância nos próximos tempos. Mais uma vez, a gente tem que olhar um pouco pela perspectiva do Cláudio Castro. É um cara que é situação no Governo do Estado neste momento, tem máquina, o Ceperj que o diga. E, nesse momento, numa disputa quente para o Governo do Estado, o que o Cláudio Castro fez ao se aproximar de grupos que estão em disputa no âmbito local, acho que se trata de garantir os dois palanques, garantir a possibilidade de dialogar com os eleitores, sejam dos Bacellar ou sejam dos Garotinho. O fogo agora são as eleições. E o próprio Garotinho tem que cuidar da campanha dele para deputado federal também. Então, talvez continue esse clima de Guerra Fria, beirando a quente. Mas creio que, agora, há um trabalho de concentração dos agentes que estão na disputa eleitoral. As próximas semanas serão decisivas para definir resultados, saber se determinadas campanhas serão bem-sucedidas; pode poder disputar espaço, inclusive, dentro do partido. Acho que tende a arrefecer um pouco o tom da disputa local, que, sem dúvida alguma, não é das mais civilizadas.

 

Folha – E a eleição de deputado federal e estadual na região, e a senador no RJ?

Hamilton – Existe uma certa perspectiva de partido regional, de você tentar maximizar uma representação dentro desse sistema que a gente tem do voto proporcional com lista aberta, que o eleitor escolhe quem botar. Todo mundo vem aqui para conseguir voto. O partido regional tem que se organizar para limitar um pouco o número de concorrentes em cada uma dessas esferas para maximizar as chances de uma representação regional. Isso parece que não é possível, em função das disputas. O que eu perguntaria a quem conhece mais essa realidade do é o risco de, com nomes fortes, você acabar fragmentando o voto e beneficiar quem vem pescar de fora e que tem outras fontes de voto para além da região. Eu acho também que em Campos, acontece também aqui, para a questão do voto regional, o fato de que a disputa local está muito degradada. Campos, de fato, está perdendo a oportunidade de ser um polo de liderança política do Norte Fluminense. Eu vejo, neste momento, um protagonismo maior de Macaé, que tem conseguido projetar mais em termos de política, em termos de debate de aperfeiçoamento institucional. Então, as dificuldades econômicas e políticas de Campos, e a pulverização de candidatos competitivos, podem ter um efeito negativo para a representação local. Em relação ao voto a senador, e essa observação talvez sirva em alguma medida para deputado, é a presença dos currais eleitorais no Rio de Janeiro. Isso deforma muito qualquer previsibilidade. O voto do senador é um voto majoritário, é um pouco impreciso. Tem umas incertezas, sobretudo na disputa para o Senado, tanto em termos programáticos, porque vão pesar de fato os programas de cada senador, como também o curral eleitoral: em que medida essa distorção do curral eleitoral, seja por traficante, seja por miliciano, impactam no voto para senador e também para deputado. Na minha lógica, talvez a questão que seja decisiva é o quanto de curral eleitoral Ceciliano (PT) vai conseguir fechar para concorrer com Romário (PL). Esse pode acabar sendo o fator decisivo na disputa entre eles, e aí eu acho que o Molon (PSB) fica um pouco em desvantagem, porque o Molon só vai entrar nas áreas libertas.

George – Quando a gente está falando sobre curral, é sobre capital eleitoral, ou seja, como você vai construir capital eleitoral numa perspectiva de ter domínio geográfico do território. Acho que a discussão sobre o Senado, pelo menos neste momento, está muito matizado pela questão da disputa nacional. Você vê isso nitidamente na atual polêmica entre a centro-esquerda, entre o André Ceciliano e o Alessandro Molon. A discussão é menos pragmática, talvez, e mais de quem talvez representaria melhor, no campo da centro-esquerda ou em certos grupos de uma direita democrática; quem seria o melhor nome anti-Bolsonaro. Porque o Romário aderiu com os dois pés ao bolsonarismo. Então, a disputa ao Senado está muito saturada na disputa nacional, além dessa questão da manutenção ou não de capital eleitoral pelos currais. Para discussão sobre o voto proporcional, seja para a Alerj ou seja para a Câmara dos Deputados, a região tem vários nomes relevantes a nível regional. Há alguns nomes que são nomes relevantes na política atual nesta conjuntura, vide inclusive (Rodrigo) Bacellar, Garotinho também. Mas, como eu avalio essa disputa? Eu acho que não é uma disputa do voto proporcional como foram as anteriores, o que dificulta as campanhas menores. Acho que há um entendimento na formulação das nominatas para poder concorrer tanto à Câmara quando às assembleias legislativas estaduais. Está se apostando muito em nomes puxadores de voto, tanto no campo da direita quanto no campo da esquerda. Isso faz com que nomes que não têm tanta projeção estadual ou nacional, digo os postulantes que estão saindo aqui na região: eles estão lidando com uma disputa desigual que lhes é desvantajosa. Esses outros nomes muito populares são puxadores de voto, eles vão capitalizar a atenção do eleitor; e as pequenas candidaturas vão, no máximo, acrescentar, levar votos para seus partidos, mas não vão conseguir muito além disso. Não me parece que nomes pouco conhecidos nesse momento das eleições das redes sociais vão ser bem-sucedidos na concorrência eleitoral. Eu acho que a situação das pequenas candidaturas regionais é muito dramática se se pretende que sejam eleitas. Não estou discutindo a qualidade dos nomes, mas o quanto eles podem bem-sucedidos nessa disputa.

 

Folha – E a eleição a presidente, polarizada em todas as pesquisas entre Lula e Bolsonaro, e talvez a com a intenção de voto mais cristalizada desde 1989?

George – Se fizer a linha histórica das pesquisas para a presidência, há mais ou menos uma regularidade. E há, no geral, uma perspectiva de que parece que tudo mais constante, algo mais ou menos consolidado. A grande questão é que sempre tem o imponderável. Nós já tivemos, nas últimas campanhas a presidente, tentativa de assassinato (com Bolsonaro em 2018); tivemos acidente de avião (com Eduardo Campos, em 2014). Os imponderáveis podem modificar cenários que estão consolidados. O que explica essa estabilidade, inclusive quando você faz pesquisa espontânea, são dois personagens absolutamente populares. Lula e Bolsonaro são políticos extremamente populares, tão conhecidos quanto nota de R$ 2. Todo mundo sabe quem são ambos. Inclusive, é o que ajuda a explicar o grau de rejeição também elevado de ambos. Às vezes acho engraçado quando fulano de tal fala: “Fulano de tal tem baixíssima rejeição”. Mas é claro, ninguém conhece. Nós temos uma cultura política bastante antipolítica. A perspectiva popular sobre a política no Brasil é muito negativa. Então, esses nomes também têm esse grau de rejeição por conta justamente de uma rejeição importante da opinião pública brasileira. Nesse momento, ainda, tudo bem que tem a expansão do Auxílio Brasil, que os mais críticos chamam de auxílio eleição. Quanto o Auxílio Brasil vai acelerar a diminuição da rejeição ao Bolsonaro é uma discussão. Neste momento, ainda há uma expectativa do eleitor, sobretudo do eleitor que vive neste momento uma situação mais periclitante, do quanto esse Auxílio Brasil pode mudar para melhor a vida dele. A questão é que esse Auxílio Brasil vai entrar, está entrando agora em (9 de) agosto. Esse auxílio vai atender à expectativa do eleitor de modo a reverter a tendência de rejeição de Bolsonaro? Não necessariamente o auxílio vai se traduzir numa reversão do segundo colocado da pesquisa para primeiro lugar. Mas ainda há os imponderáveis. Há um dado da última pesquisa Genial/Quaest: uma parte importante do eleitorado hoje, quase 1/3, se informa sobre política por rede social e WhatsApp. Ou seja, a modulação da intenção de voto e a percepção de mundo desse eleitor vai se dar das formas mais tresloucadas possíveis.

Hamilton – É uma eleição que expressa a polarização social. Minhas análises anteriores eram de que havia um espaço, sobretudo na centro-direita, na fragilidade da candidatura Bolsonaro. Mas, essa possibilidade se fechou, porque a única figura que poderia ser o antídoto ao Bolsonaro seria o Sérgio Moro (União), por ser uma figura que emergiu na esfera pública não pela política, mas pelo sistema de Justiça. Esse seria o remédio à antipolítica do Bolsonaro. Me parecia que o estelionato eleitoral praticado pelo Bolsonaro o colocaria numa situação difícil na eleição, mas isso dependeria de ter uma alternativa a ele, que seria o Sérgio Moro. O fato é que o espaço está muito difícil de ser mudado. O Ciro sempre me pareceu, embora seja um candidato que tenha feito críticas muito coerentes e contundentes ao lulopetismo, me parece que ele perdeu o tempo. Ele começou a fazer essa crítica muito tarde. Por isso, sempre considerei que, pelo lado do Ciro, seria muito difícil abrir brecha. Para não falar na solidez partidária. O PT, apesar da sua degeneração, é o único partido moderno e organizado que a gente tem na sociedade brasileira. Então, me parecia sempre que a despolarização da sociedade em torno desses dois mitos dependeria da oferta de alternativas. No caso do Ciro, do meu ponto de vista, o tempo foi perdido quando ele defendeu Dilma e defendeu Lula (em 2016) na esperança de ser o candidato desse campo. Quando o Lula, na prisão, lançou o Haddad, caiu a ficha, mas acho que caiu tarde para a imagem que ficou dele, diante da opinião pública de esquerda. Então, este é o quadro que nós temos, que me parece irreversível. Existe o imponderável, mas também existe o ponderável. A Nova República (de 1985 até o presente) nunca teve uma eleição com um presidente da República e um ex-presidente. Você também nunca teve uma eleição onde o presidente da República ameaça dar um golpe. Isso é ponderável. Isso está colocado como uma variável dessa disputa. Inclusive, eu diria que esse é o plano A do Bolsonaro. Olhando a campanha do Bolsonaro, a impressão que dá para quem está de fora, como analista, é de que quem se empenha pela candidatura do Bolsonaro é o Centrão; o filho dele Flávio Bolsonaro, os empresários bolsonaristas, os evangélicos. A sociedade civil bolsonarista se empenha, mas o plano A do Bolsonaro e do núcleo duro do bolsonarismo é dar um golpe.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

Confira em vídeo, nos dois blocos abaixo, a íntegra da entrevista dos cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia ao Folha no Ar de sexta:

 

 

 

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Pacificação na Câmara e pesquisas a presidente da semana

 

Na segunda: vice-prefeito Frederico Paes, candidato a vice-governador na chapa de Castro, Washington Reis; o governador Cláudio Castro, o prefeito Wladimir Garotinho e o deputado estadual Bruno Dauaire. No domingo: Castro e o ex-governador Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pacificação na Câmara?

A ampliação dos 5% de remanejamento (hoje, são 30%) que a maioria da oposição quer impor ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) no Orçamento de 2023, mais a composição na eleição à nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, que tem até dezembro para ser realizada. Esses foram os dois pontos discutidos entre Wladimir e o governador Cláudio Castro (PL) no encontro dos dois no Rio, na segunda (1º). E que, na tarde de quinta (4), o prefeito repassou aos 12 vereadores da sua base. Incluindo Dandinho do Rio Preto (PSD), que vota com o governo, mas apoia a reeleição do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), líder da oposição.

 

 

O 021 Rodrigo Bacellar

Wladimir esteve com Castro no dia seguinte ao seu pai, o ex-governador Anthony Garotinho (União), declarar apoio à reeleição do atual governador, a quem vinha fazendo pesadas críticas. Desde então, especula-se que o realinhamento estadual teria como consequência a pacificação em Campos. Em entrevista ao Folha no Ar na quarta (3), o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir) fez a ressalva: “Existe o 022 (DDD do de Campos) e o 021 (DDD da cidade do Rio de Janeiro). O 021 que pode interferir em Campos, não com o grupo inteiro (os 13 vereadores de oposição), mas com boa parte do grupo, chama-se Rodrigo Vieira Bacellar”.

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Genial/Quaest e PoderData a presidente

A semana trouxe mais duas pesquisas presidenciais. E repetem as tendências, a partir das diferenças de metodologia. As presenciais indicam a vitória do ex-presidente Lula (PT) ainda no 1º turno de 2 de outubro. As por telefone também indicam a vitória do petista, mas só no 2º turno de 30 de outubro, contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Divulgada na quarta (3), a Genial/Quaest presencial deu Lula no 1º turno. Mas dentro da margem de erro, com 51% dos votos válidos, contra 37% do capitão. Divulgada na quinta (4), a PoderData por telefone também deu a vitória do petista. Mas só no 2º turno, com 50% x 40% de Bolsonaro.

 

Diferença fácil de entender

A diferença dos números das pesquisas, a partir da diferença das metodologias, é fácil de entender. Todas mostram que a maior vantagem de Lula sobre Bolsonaro é entre o eleitor de baixa renda. Como muitos deles estão com dificuldade para fazer três refeições por dia, pagar a conta telefônica passou a ser um “luxo”. São brasileiros menos acessíveis às pesquisas por telefone, como a PoderData, onde a vantagem do petista ao capitão é sempre menor. Essa dificuldade de falar com o eleitor mais pobre inexiste às pesquisas presenciais, como a Genial/Quaest e a Datafolha, onde a vantagem de Lula sobre Bolsonaro é sempre maior.

 

Em busca do pobre

Clara em todas as pesquisas de 2022, a liderança de Lula só é questionada por quem trocou a razão pela torcida. Ninguém parece acreditar mais nas pesquisas do que Bolsonaro. Quanto mais elas confirmam o favoritismo do petista, mais o capitão questiona as urnas eletrônicas que o elegeram presidente em 2018. E usa um incerto apoio das Forças Armadas para ameaçar a democracia. Dentro dela, a última esperança eleitoral do presidente parece ser o reforço do Auxílio Brasil, custeado com os R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze, que começa a ser pago a partir da próxima terça (9). Justamente ao eleitor pobre, onde Lula tem sua maior vantagem.

 

Posição dos ricos

Apesar de registrar vantagem menor de Lula a Bolsonaro, a PoderData evidenciou como é difícil a missão de tentar virar o voto do eleitor pobre. Nas três últimas pesquisas do instituto, duas em julho e a de agosto, o petista subiu suas intenções de voto de 43%, a 52%, aos atuais 58% dos eleitores que recebem o Auxílio Brasil. Entre estes mesmos brasileiros pobres, o capitão caiu de 37%, a 32%, aos atuais 25%. Isto, mais a posição no outro lado da pirâmide social, assumida por banqueiros e pela poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em defesa da democracia, não desenham quadro favorável a quem a ameaça.

 

Padroeiro

Campos celebra hoje (6) o padroeiro da cidade, o Santíssimo Salvador — para os católicos, o próprio Jesus. A festa, em sua 370ª edição, tem a marca especial do reencontro. Nos últimos dois anos, como aconteceu com praticamente todas as atividades econômicas e sociais, as celebrações foram de forma virtual ou restrita. A novena em preparação para o dia maior dos festejos terminou nessa sexta-feira (5). Hoje, as missas na Catedral acontecem às 6h30, 7h30, 10h, 13h30, 15h e 16h, sendo a das 10h presidida pelo bispo titular da Diocese de Campos, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz.

 

Tradições

Após a missa das 16h, haverá a procissão do Santíssimo Salvador. No retorno à Catedral, Dom Roberto dará a benção aos quatro cantos da cidade. Além da programação religiosa, a festa conta com a retomada de outras tradições. Ao lado da Catedral, o canteiro. Na principal praça da cidade, além de shows, os vendedores ambulantes e o 31º Festival da Comissão de Entidades Sociais e Assistenciais do Município de Campos (Coesa), com barracas de entidades filantrópicas e de doceiras. O período também sempre foi de atividades esportivas. E, na sua 75ª edição, a prova ciclística do Santíssimo Salvador volta a acontecer neste dia 6 de agosto.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Base em Campos discute composição com a oposição

 

Na segunda: vice-prefeito Frederico Paes, candidato a vice-governador na chapa de Castro, Washington Reis; o governador Cláudio Castro; o prefeito Wladimir Garotinho e o deputado estadual Bruno Dauaire. No domingo: Castro e o ex-governador Anthony Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Ampliar o percentual de remanejamento de 5% (atualmente, são 30%), que a maioria da oposição legislativa quer impor ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) no Orçamento de 2023, mais a composição na formação da nova Mesa Diretora da Câmara, a ser eleita até dezembro. Estes teriam sido os pontos acordados entre o governador Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho na segunda (1º), a partir do apoio no domingo (31) à tentativa de reeleição do primeiro pelo pai do segundo, o ex-governador Anthony Garotinho (União).

As possibilidades da consequência em Campos do alinhamento estadual para a eleição de outubro foram colocadas na tarde de ontem, numa reunião no gabinete do prefeito, entre este e os 12 vereadores da sua base na Câmara Municipal. Entre eles, Dandinho do Rio Preto (PSD), que vota com o governo, mas deve apoiar a tentativa de reeleição a deputado estadual de Rodrigo Bacellar (PL), líder da oposição.

No Folha no Ar de quarta (3), o vereador de oposição Helinho Nahim (Agir), primo de Wladimir, refutou a possibilidade de acordo municipal a partir do apoio do tio Garotinho ao governador Castro:

 

 

— Existe o 022 (DDD de Campos) e existe o 021 (DDD da cidade do Rio de Janeiro). O 021 que pode interferir em Campos, não com o grupo inteiro (os 13 vereadores de oposição), mas com boa parte do grupo, chama-se Rodrigo Vieira Bacellar. O 021, para mim, que pode mudar alguma coisa em Campos é o 021 Rodrigo Bacellar. Não estou falando pelos 13, estou falando por boa parte dos 13. E só haverá isso por parte de Rodrigo, conhecendo ele como eu conheço, se houver maturidade por parte do prefeito. Não vai ser golea abaixo. Não vai!”

 

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PoderData: 2º turno com vitória Lula sobre Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabde de Souza, o Cássio Jr.)

Por William Passos

 

Se as últimas pesquisas presenciais (Datafolha, divulgada em 28 de julho, e Genial/Quaest, em 3 de agosto) apontam para a decisão da eleição presidencial no primeiro turno, a exatos 59 dias para 2 de outubro, a pesquisa PoderData, divulgada hoje, a exemplo das demais pesquisas realizadas por telefone, confirma projeção de segundo turno, caso as eleições fossem hoje. Realizada entre 31 de julho e 2 de agosto de 2022, com 3.500 eleitores com 16 anos de idade ou mais em 322 municípios brasileiros, Lula (PT) aparece com 43% das intenções de voto na pesquisa estimulada, quando os nomes dos demais candidatos são apresentados, contra 35% de Jair Bolsonaro (PL).

Na pesquisa PoderData anterior, realizada entre 17 e 19 de julho, Lula aparecia com 43% e Bolsonaro com 37%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou menos, os resultados da pesquisa divulgada hoje são idênticos aos da pesquisa divulgada no dia 20 de julho, mostrando estabilidade, consolidação e cristalização do cenário eleitoral. A soma da intenção de voto de todos os demais candidatos juntos é de 15%. Com isso, nos votos válidos, descontando brancos e nulos, Lula alcançaria 45% no primeiro turno e Bolsonaro, 37%. Para vencer no primeiro turno, o primeiro colocado precisa alcançar 50% + 1 do total dos votos válidos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Diferença entre Lula x Bolsonaro no 2º turno cai em 2 meses

Na simulação de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o ex-presidente venceria com 50% dos votos, contra 40% do atual presidente – uma diferença de 10 pontos percentuais. A vantagem do petista, porém, já foi maior. Há duas semanas, era de 13% (51% a 38%, oscilando dentro da margem de erro), mas no final de junho, chegou a 17% (52% a 35%).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula sobe entre quem recebe Auxílio Brasil

Na pesquisa divulgada hoje, a PoderData não mediu a rejeição aos candidatos, mas calculou a intenção de voto para presidente entre os eleitores que receberam alguma parcela do Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, criado no primeiro governo Lula (2003-2006). Entre os que receberam o benefício no último mês, 58% pretendem votar no ex-presidente, enquanto somente ¼ deste eleitorado (25%) tenciona votar em Bolsonaro.

Desde o início de julho, os percentuais de intenção vêm crescendo progressivamente em favor do ex-presidente e diminuindo em relação ao atual. Há um mês, 43% dos beneficiários do Auxílio Brasil pretendiam votar em Lula, contra 37% dos que preferiam Bolsonaro. Há 15 dias, Lula cresceu para 52% e Bolsonaro caiu para 32% de intenção sobre este eleitorado, até a diferença ampliar para 33% na sondagem divulgada hoje. No caso da intenção de voto entre os beneficiários do Auxílio Brasil, a margem de erro é de 3,4% para mais ou para menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Metodologia

O PoderData ouviu, por telefone, 3.500 eleitores em todo o Brasil, entre 31 de julho e 2 de agosto de 2022, com margem de erro de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. O intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE como BR-08398/2022.

 

 

Wiliam Passos

 

 

(*)William Passos é geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

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Campos faz acordo com a Caixa por dívida de R$ 1,2 bilhão

 

 

A Prefeitura de Campos informa que saiu o acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF), sancionado em 1º de agosto pela Justiça Federal, para a retomada dos pagamentos da cessão de crédito, usando como garantia os royalties do petróleo, feita em 2016 pelo governo Rosinha Garotinho (hoje, União) e chamada à época de “venda do futuro”. Após várias reuniões do prefeito Wladimir Garotinho (sem partido) com a direção da CEF, em Brasília, ficou pactuado que a Prefeitura de Campos pagará mensalmente 10% da sua arrecadação de royalties e, trimestralmente, das Participações Especiais.

Os pagamentos de Campos à CEF tinham sido interrompidos desde julho de 2017, quando o governo Rafael Diniz (Cidadania) ganhou uma decisão no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2). Pela resolução 43/2001 do Senado, assim como pela autorização da Câmara Municipal de Campos em 2016, os pagamentos da operação financeira não poderiam exceder 10% das receitas petrolíferas do município. Só que o limite, agora restabelecido, não foi obedecido pelo contrato entre a CEF e o governo municipal Rosinha, no apagar das luzes do Governo Federal Dilma Rousseff (PT).

A CEF recorreu da vitória judicial momentânea do governo Rafael e a juíza federal Rosângela Martins determinou, em 2021, que as duas partes fizessem um acordo. Desde então, Wladimir se reuniu várias vezes com a direção da CEF em Brasília, contando com a intermediação da deputada federal Clarissa Garotinho (União) e do senador Carlos Portinho (PL/RJ), para restabelecer o diálogo e fechar os termos do acordo.

O valor da dívida, considerada impagável, estava na casa do R$ 1,2 bilhão. Se o município insistisse na contenda judicial, é quase unânime entre os juristas que a CEF ganharia o direito de executar, com quisesse, a dívida. O que significaria a insolvência do município.

— A Prefeitura de Campos galgou mais um degrau, no 1º de agosto, no processo de recuperação de sua capacidade de pagamento e de avaliação por organismos federais de crédito e receitas, com a homologação do acordo com a Caixa, por força da decisão da Justiça Federal. Com a decisão judicial, ficou pactuado que a Prefeitura de Campos pagará 10% de sua arrecadação de royalties e Participações Especiais. A retomada do diálogo com o Governo Federal e estadual estão recolocando o município no caminho do equilíbrio institucional e no radar de novos investimentos governamentais e privados — comemorou o prefeito Wladimir.

 

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Campos e urnas pela ciência política no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Os cientistas políticos George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos, e Hamilton Garcia, professor da Uenf, são os convidados para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (5), ao vivo a partir das 7h, na Folha FM 98,3. Eles analisarão a conflituosa relação entre Executivo e Legislativo de Campos, a partir do apoio do ex-governador Anthony Garotinho (União) ao governador Cláudio Castro (PL) para outubro.

George e Hamilton também darão suas projeções às eleições de deputado federal e estadual na região, a senador e governador do RJ. Por fim, tentarão projetar também a eleição ao Palácio do Planalto, bem como as ameaças à democracia no país feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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Genial/Quaest: Lula no 1º turno, mas Bolsonaro diminui diferença

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Faltam, hoje, exatos 60 dias para as urnas de 2 de outubro. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança isolada da corrida presidencial, com possibilidade de definir a eleição já no primeiro turno. Segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vem diminuindo gradativamente a diferença para o petista nas intenções de voto, assim como na rejeição, fundamental para definir o vencedor no eventual segundo turno. Na pesquisa Genial/Quest divulgada hoje, e feita entre 28 e 31 de julho, Lula tem 44% de intenções de voto na consulta estimulada, seguido por Bolsonaro, com 32%. São 12 pontos de diferença. Mas, na soma dos votos válidos, o ex-presidente venceria em turno único, com 51% dos votos válidos. Na margem de erro de 2 pontos da pesquisa, a possibilidade do segundo turno segue aberta.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— Com metodologia de entrevistas presenciais, a mesma do Datafolha, que representa a coleta de informação mais confiável, a Genial/Quaest confirma os resultados das suas duas pesquisas anteriores (junho e julho), apontando vitória de Lula (PT) no 1º turno com 51% dos votos válidos, contra 37% de Jair Bolsonaro (PL). Com os resultados da pesquisa Datafolha divulgada no dia 28 de julho, que apontou 52% dos votos válidos para Lula no primeiro turno, as duas principais pesquisas que utilizam o tipo de levantamento com maior precisão estatística, sinalizam para a vitória do ex-presidente já no dia 2 de outubro — analisou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bem atrás de Lula e Bolsonaro na consulta estimulada, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem hoje 5% das intenções de voto. Atrás dele vêm a senadora Simone Tebet (MDB) e o deputado federal André Janones (Avante), cada um com 2%; e o influenciador digital Pablo Marçal (Pros), com 1%. Janones estuda abrir mão da sua candidatura para apoiar Lula. Como afirmou Felipe Nunes, diretor do instituto Quaest, em seu Twitter (@felipnunes): “Hoje, é impossível afirmar se a eleição será definida em primeiro ou em segundo turno, porque a soma de Bolsonaro e outros candidatos (42%) fica na margem de erro da soma de intenção de votos de Lula (44%)”. Se for ao segundo turno, marcado para 30 de outubro, o petista ganharia fora da margem de erro. E bateria o capitão por 51% a 37%. Bolsonaro segue liderando a rejeição, com 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 44% do petista.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Erro muitas vezes cometido não só pelos (e)leitores, mas também pela mídia, o hábito é se olhar apenas os resultados finais da útima pesquisa. Mas é na comparação com as anteriores, feitas pelo mesmo instituto e com a mesma metodologia, que se revelam as tendências. Comparadas as Genial/Quaest de junho e julho com a divulgada hoje, no início de agosto, Lula vem caindo nas intenções de voto no primeiro e segundo turno, como crescendo na rejeição. Sempre dentro da margem de erro, essas tendências se revelam inversas nas curvas de Bolsonaro.

Na consulta estimulada ao primeiro turno, Lula tinha 46% de intenções de voto em junho, caiu a 45% em junho e hoje tem 44%. Por sua vez, Bolsonaro tinha 30% em junho, subiu a 31% em julho e hoje tem 32%. Na simulação de segundo turno entre os dois, a vantagem do petista sobre o capitão era de 23 pontos em junho (55% a 32%), caiu para 19 pontos em julho (53% a 34%) e hoje está em 14 pontos (51% a 37%). Fundamental à vitória no segundo turno, a rejeição mantém Bolsonaro como líder, mas diminuindo gradativamente: dos 60% de junho, aos 59% de julho, aos 55% de hoje. Em curva inversa, Lula vem aumentando no índice negativo: dos 40% de junho, aos 41% de julho, aos 44% de hoje.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

— A Genial/Quaest ouviu presencialmente 2.000 eleitores de 120 municípios do Brasil com 16 anos ou mais, entre 28 e 31 de julho de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança dos resultados é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02546/2022. O levantamento custou R$ 139.005,86 e foi pago pela Genial Investimentos. Na simulação de segundo turno, Lula segue vencendo Jair Bolsonaro, agora por 51% a 37%. Brancos e nulos somam 9% e indecisos, 3%. Na pesquisa de junho, Lula vencia por 55% a 32% e, na de julho, por 53% a 34%. Em junho, a rejeição a Lula era 40%, passando para 41% em julho e 44% agora em agosto. Já 60% dos eleitores declararam não votar em Bolsonaro de jeito nenhum em junho, percentual que caiu para 59% em julho e 55% agora em agosto — reforçou William.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Numa eleição em que boa parte dos eleitores de Lula são os que não querem a continuidade do governo Bolsonaro, ao passo que a maioria dos eleitores deste não quer a volta do PT ao poder, a pesquisa Genial/Quaest também confirma que o anibolsonarismo hoje é mais forte que o antipetismo. Os que têm mais medo de outros quatro anos do capitão são 48% dos brasileiros, contra 38% que têm mais medo do retorno do PT. O antibolsonarismo, no entanto, tem diminuído gradativamente: dos 52% de junho, aos 51% de julho, aos 48% de hoje. Estável nos 35% de junho e julho, o antipetismo cresceu aos 38% de hoje.

 

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