Hoje, o Brasil ultrapassou 20 mil mortos por Covid-19, 1.188 deles nas últimas 24 horas. Também hoje, a deputada federal Bia Kicis (PSL/DF) se inspirou no presidente da República. E estampou o “E daí?” deste na máscara com que desfilou em pleno Congresso Nacional.
É mais um exemplo da “banalização do mal”, conceito da filósofa judia Hannah Arendt. Fundamentado por ela após assistir ao julgamento do nazista Adolf Eichmann, criador da Solução Final. Com que a Alemanha exterminou em escala industrial 6 milhões de seres humanos na II Guerra Mundial.
No Brasil de Bolsonaro, o conceito ganhou nome novo. E, como na Alemanha de Hitler, tem muitos adeptos. É o orgulho de ser filho da puta!
Deputada bolsonarista Bis Kicis desfilou o “E daí?” presidencial hoje no Cogresso, mesmo dia em que o Brasil ultrapassou os 20 mil mortos por Covid-19 (Foto: Dida Sampaio – Estadão)
Hospital de Campanha no dia de hoje, com prazo fixado pela Justiça e novamente adiado pelo Governo do Estado (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
Erguido na área da antiga Vasa, na av. 28 de Março, e investigado por suspeita de superfaturamento, o Hospital Estadual de Campanha em Campos é um parto. Enquanto a pandemia da Covid-19 infecta e mata pessoas a cada dia, no município e no Norte Fluminense, a data da entrega da unidade que os atenderia com leitos e respiradores foi prometida inicialmente (confira aqui) para 30 de abril. Depois foi adiada (confira aqui) para 25 de maio. E hoje foi anunciado novo adiamento: 12 de junho. Mas por decisão da 4ª Vara Cível de Campos, no dia 18, a entrega do Hospital de Campanha em pelo funcionamento teve prazo fixado (confira aqui) em 10 dias. A contar do dia 19, quando o governo estadual Wilson Witzel (PSC) foi notificado da decisão judicial. Ou do dia 20, quando foi oficiado o Instituto de Atenção Básica e Avançada de Saúde (Iabas), responsável pela obra.
Segundo informou a Defensoria Pública de Campos, autora da ação junto à 3ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público da comarca, que teve decisão liminar favorável com tutela de urgência pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho, o prazo de 10 dias para entrega do Hospital de Campanha de Campos continua valendo. A despeito do novo adiamento anunciado para 12 de junho:
— Efetivamente saiu essa notícia (do adiamento). Mas obviamente que a notícia dada não pode se sobrepor a uma decisão judicial. Então nós temos, por enquanto, o prazo judicial de 10 dias mantido. O que restaria saber é se a empresa (Iabas) já foi intimada da decisão judicial, porque essa intimação era no Rio de Janeiro, já que o ponto de referência dela é São Paulo e Rio, para a gente começar a contar os 10 dias. Foi confirmado com o cartório da 4ª Vara que o Iabas foi intimado na data de ontem (20). E o prazo dela vai até dia 30. E o Governo do Estado foi oficiado no dia 19 — informou o defensor público Tiago Abud.
Também autora da ação que impôs o prazo de 10 dias dado pela Justiça à entrega do Hospital de Campanha, a promotora de Justiça Maristela Naurath informou que até o início da tarde de hoje, não havia menção a agravo de instrumento pelas partes.
Hoje, a secretaria estadual de Saúde se limitou a informar de forma genérica sobre os hospitais de campanha que está devendo em todo o Estado:
— A secretaria estadual de Saúde informa que novas datas foram dadas como limite para a entrega das unidades de campanha pela Organização Social Iabas. São elas: 27/05, São Gonçalo; 29/05, Nova Iguaçu; 01/06, Duque de Caxias; 07/06, Nova Friburgo; 12/06, Campos; e 18/06, Casimiro de Abreu.
A assessoria do Iabas também respondeu de forma genérica:
— Os hospitais de campanha tiveram atrasos em suas entregas por motivos alheios à vontade do Iabas. Os problemas de entrega foram ocasionados por diversos problemas, como: dificuldades burocráticas, legais e jurídicas; obras não previstas originalmente; dificuldade na contratação de pessoal; precariedade de acesso para os locais escolhidos; violência nas vias de acesso; e mudanças pontuais no plano técnico dos leitos por parte da secretaria estadual de Saúde. O Iabas trabalha de forma consistente evitar novos adiamentos e garantir que vidas sejam salvas no Estado do Rio de Janeiro. Os questionamentos sobre cronograma de obras dos hospitais de campanha devem ser encaminhados à secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro.
A decisão da 4ª Vara Cível de Campos estabeleceu responsabilização pessoal do governador Wilson Witzel, do seu novo secretário de Saúde, Fernando Ferry, além dos gestores do Iabas, com multa diária a cada um de R$ 10 mil, caso o prazo de 10 dias para entrega em pleno funcionamento do Hospital de Campanha de Campos seja descumprido.
Durou pouco mais de dois meses o “casamento” da atriz Regina Duarte com presidente Jair Bolsonaro na comando da cultura
Muito criticada pelos colegas das artes e cultura brasileiras, assim como pelo núcleo olavista mais radical do governo Jair Bolsonaro (sem partido), a atriz Regina Duarte teve vida curta na secretaria de Cultura. Após um “namoro” de algumas semanas com o presidente, ela disse “sim” e assumiu o cargo em 4 de março. Mas, após submetê-la a um processo de fritura por dois meses e meio, hoje Bolsonaro usou as redes sociais para anunciar o “divórcio” da atriz da secretaria, que passará a comandar a Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Ela pareceu gostar do que foi considerado um “prêmio de consolação”:
— Acabo de ganhar um presente que é um sonho de qualquer pessoa de comunicação, de audiovisual, de cinema, de teatro: um convite para fazer cinemateca, que é um braço da cultura que funciona lá em São Paulo, e é um museu de toda a filmografia brasileiro, ficar ali, secretariando o governo dentro da cultura na cinemateca. Pode ter presente melhor do que esse? Obrigado, presidente!
Ex-secretário de Cultura olavista Roberto Alvim na imitação do ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, que lhe custou o cargo em janeiro
Com a missão de “pacificar” conflitos do governo com sua classe, a “Namoradinha do Brasil” sucedeu no cargo o diretor teatral Roberto Alvim. Olavista assumido, ele caiu após fazer (confira aqui) um pronunciamento em 16 de janeiro imitando o discurso e a indumentária de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha nazista. Regina também causou polêmicas, como em entrevista ao vivo em 7 de maio na CNN Brasil. Ela minimizou as torturas e mortes durante a última ditadura militar no Brasil (1964/1985), defendida por Bolsonaro e cuja volta é constantemente pedida por seus apoiadores (confira aqui e aqui) em manifestações de rua.
Mas como os representantes da arte e da cultura de Campos reagiram a mais essa polêmica no comando do seu setor no governo federal? Confira abaixo as reações de alguns deles, todas negativas a atriz e ao governo:
Arlete Sendra
— A Regina confundiu tudo. No palco da vida não cabem ficções. A mim não surpreendeu. A história política que vem escrevendo a negativa. Que pena de nós, brasileiros! — sintetizou Arlete Sendra, literata e dramaturga.
Aristides Soffiati
— A exoneração de Regina Duarte da secretaria de Cultura vinha sendo uma morte anunciada. Bolsonaro não está preocupado com a questão social, com a saúde, com a educação e com a cultura. Ele nomeia alguém que lhe parece confiável e espera a reação dos seus filhos, dos seguidores fanáticos e dos olavistas. É por eles que Bolsonaro se movimenta. Regina Duarte não ocuparia o cargo que acaba de perder num governo sério. Agora, talvez a substitua um militar. Está mais de acordo com a linha bolsonarista — apontou Aristides Soffiati, historiador e escritor.
Fernando Rossi
— O nome da Regina Duarte para secretaria de Cultura, desde o início, não foi bem vista pela classe artística do país. Eu mesmo, em entrevista para a Folha 1, já havia me manifestado quanto à possibilidade de não ver com bons olhos essa escolha. O posicionamento político da atriz não representou os anseios da classe. E isso veio a se confirmar no seu destroso discurso de pose, culminando no horror da entrevista para a CNN. Também o que podemos esperar de alguém que se associa a um governo deste? Já vai tarde! — despediu-se Fernando Rossi, diretor teatral e do Teatro de Bolso Procópio Ferreira.
Cristina LIma
— Desde a indicação de Regina para a secretaria, eu tive um olhar muito negativo e desestimulante, pois para galgar os escalões mais altos do governo Bolsonaro, há que se ter afinidade com sua linha ideológica. Que, certa e comprovadamente, é muito distante ou mesmo contrária aos valores defendidos pela grande maioria da classe artística. Foi infeliz o tempo todo. Foi desrespeitada e sem autonomia desde o início. Sem diálogo com a classe artística busca, agora, uma saída menos desonrosa aceitando um prêmio de consolação — avaliou Cristina Lima, presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.
Adriano Moura
— Regina Duarte deixa um cargo que nunca deveria ter assumido, e sua nomeação para a Cinemateca em SP como um “presente” de Jair Bolsonaro, uma espécie de prêmio de consolação para que possa ficar mais perto da família, demonstra o quanto ela e seu “ex” lidam com a cultura. Como quem brinca com um objeto feito para a satisfação de caprichos pessoais. Os sessenta dias enquanto secretária foram marcados por polêmicas e ausência de projetos que resolvessem os inúmeros problemas do setor. Fico surpreso com sua saída, já que incompetência para a função parece ser critério para se manter no cargo na gestão de Bolsonaro. Além disso Regina estava se saindo bem na tarefa de replicar os discursos do seu flerte fascista, como demonstrou em entrevista na CNN. Infelizmente, creio que sua saída seja resultado da influência da ala ideológica que dá parte das cartas no governo, e que seu substituto seja alguém com mais apreço pelo cargo e pelas sandices do “louco da Virgínia” (o ideólogo de extrema-direita Olavo de Carvalho) do que pela cultura. Bolsonaro não quer um secretário, mas um boneco de ventríloquo. Talvez nem isso a “Namoradinha” tenha conseguido ser — alfinetou Adriano Moura, poeta, dramaturgo e literato.
Graziela Escocard
— A saída de Regina Duarte transparece as pressões ideológicas dentro do governo. Suas escolhas foram derrubadas e a sua imagem de “Namoradinha do Brasil” não convenceu. Imagino Regina, enquanto atriz que tão bem exerceu sua profissão, saindo deste governo com sua imagem desconfigurada, com a impressão de ter arruinado sua carreira. E pior ainda, com o peso dos “mortos” (tema da polémica entrevista da secretária à CNN) nas costas. É certo que Mário Frias (ator cotado para assumir a secretaria de Cultura), irá carregar mais “mortos” nas costas do que Regina carregou — projetou Graziela Escocard, historiadora e diretora do Museu Histórico de Campos.
Ronaldo Vasconcelos
— Na minha opinião ela não deveria ter abandonada a carreira solidificada na arte de representar, sendo considerada a “Namoradinha do Brasil”, para entrar no comando da secretaria de Cultura, pois habilidade com política pública, nunca teve. E nem fez nada no período tempo que assumiu, quanto mais nesse governo descontrolado e sem cultura. Volta pra TV, Regina! — propôs o bailarino Ronaldo Vasconcelos.
Pedro Fagundes
— Prestou um desserviço aos artistas brasileiros, garantindo implacavelmente seu apoio irrestrito a um governo autoritário, truculento e insensível às causas das minorias. E sem ter, por um só momento, abraçado a causa da classe artística, que inúmeras vezes sinalizou pedidos de auxílio em plena crise causada pela Covid-19. Que teve como resposta um show de horrores transmitido ao vivo, sem que nenhuma ação positiva fosse anunciada pela secretária. Uma trajetória funesta, sem representatividade, só poderia mesmo estar fadada ao fracasso. A namoradinha fascista do Brasil marcou, da pior maneira possível, seu nome nas páginas mais tristes da nossa história. Sua saída da pasta, mas não do governo, não me traz sentimentos positivos. Na verdade, não diz muita coisa, pois em momento algum me senti representado por ela; creio que ninguém — desabafou o ator Pedro Fagundes.
Rafaela Machado
— Uma saída nada honrosa e uma gestão nada representativa. Assim Regina Duarte deixa a secretaria de Cultura no dia de hoje com a moral ainda mais baixa do que quando entrou. Sua saída não deixa também nenhum legado, muito menos nada que se diga representativo para o setor, a não ser entrevistas vergonhosas e falas para lá de descabidas. Sua gestão desastrosa, bem como sua própria escolha para o cargo, foram mostras de que a cultura para o atual governo sequer pode ser considerada pauta relevante ou politicamente importante. Quando a própria saúde do país está órfã, o que diremos da cultura? Estamos a naufragar num mar revolto. E há os que dizem que somos pessimistas! — ressalvou Rafaela Machado, historiadora e diretora do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho.
Luiz Antonio Cosmelli, o Altura
— Quanto à saída da Regina, resta pouco a dizer, porque a impressão geral é a de que ela nunca entrou. Sua passagem relâmpago só deu margem a polêmicas e praticamente nada substancial numa pasta tão importante. E num momento tão carente da multiplicidade das vozes culturais brasileiras, com perdas inestimáveis na música, na literatura e na arte cênica. Regina Duarte passou ao largo do que essas perdas significam e da cultura como marca e história da civilização, do humano. Ela talvez imaginasse que estava num set de gravação, maquiada, com ponto no ouvido, vivendo uma fantasia! Nós todos, criadores e produtores de arte, temos a lamentar. Mas resistiremos! — pregou o poeta Luiz Antonio Cosmelli, o Altura.
Carlos Alberto Bisogno
— A atuação de Regina Duarte no comando da secretaria de Cultura é tão insignificante quanto sua saída. Só fez demonstrar que o setor está abandonado à própria sorte e a necessidade de atuação para muito além de simples entretenimento — distinguiu o cineasta Carlos Alberto Bisogno.
Ontem, terça-feira (19), a Arteris Fluminense comunicou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o pedido de devolução da BR 101-RJ. Segundo o comunicado, o pedido não teria relação com a pandemia de Covid-19, que diminuiu a circulação de pessoas e cargas na estrada, por conta do isolamento social. Os deputados federais da região reagiram forte ao anúncio, prometendo mobilizar a bancada do Estado do Rio no Congresso Nacional contra a medida:
Wladimir Garotinho
— Isso é uma sacanagem com o povo do Rio! Cobram pedágio caro há anos! Não podemos deixar o governo aceitar essa devolução sem luta. A bancada federal do Estado do Rio vai reagir em conjunto. A nova licitação e novo operador vão levar de dois a cinco anos. A Arteris alega desequilíbrio contratual logo no meio da pandemia. Podem estar querendo forçar uma repactuação. Já existem trechos da rodovia licenciados e que já deveriam ter sido concluídos de acordo com o cronograma inicial do contrato, com Contorno de Campos e a duplicação dos 30km entre Macaé e Rio Dourado. Faturaram alto e agora querem devolver para não executar! Só a obra do contorno de Campos é estimada em R$ 700 milhões. E agora eles dizem que vai ser uma devolução amigável e eles vão continuar operando até nova licitação, mas sem fazer novos investimentos — denunciou Wladimir Garotinho (PSD), deputado federal de Campos.
Felício Laterça
— Eu vejo isso aí como um imenso desrespeito à população fluminense, ainda mais em tempos de pandemia. Nós vamos tomar atitudes. Estamos cientes, não só eu, como outros parlamentares, o coordenador da bancada. Nós vamos cobrar deles, inclusive para saber quanto eles arrecadaram nesse tempo. Porque a gente sabe que eles não cumpriram os prazos. Vamos ter que esmiuçar esse contrato. Eles vão ter que devolver o dinheiro à população fluminense e acho que cabem coisas maiores que isso ainda. Isso para mim é um desrespeito. Vieram para cá, espoliaram a população e agora fazem dessa forma? Sem cumprir os trechos de duplicação, sem ter conclusão das obras. Foram fazendo de forma pensada ao meu ver. Começaram a triplicar o trecho na Niterói/Manilha e desde o início do ano paralisaram todas as obras. Então agiram de caso pensado. Mas nós vamos nos mobilizar e tomar todas as medidas cabíveis em relação a isso — prometeu Felício Laterça (PSL), deputado federal de Macaé.
Marcão Gomes
— Conversei com a bancada do Rio de Janeiro na Câmara Federak e estamos todos indignados com essa notícia, uma vez que esse trecho da BR 101, apelidado de “Rodovia da Morte”, já ceifou inúmeras vidas, inclusive a do meu saudoso primo,o ex-vereador, Renato Barbosa. A iniciativa privada já vem, há mais de uma década, cobrando altos valores de pedágio. Diversos trechos da rodovia já deveriam ter sido concluídos de acordo com o calendário pactuado no início do contrato. Mas, até o momento, há obras que nem foram iniciadas ainda. Exigimos que os investimentos previstos no cronograma sejam mantidos. Estaremos, a todo custo, defendendo os interesses da população do Estado do Rio de Janeiro. E, se necessário for, tomaremos as medidas judiciais para o cumprimento das obrigações contratuais ou ressarcimento ao povo do Estado — pontuou Marcão Gomes (PR), deputado federal de Campos.
Christino Áureo
— É inaceitável esse pedido feito pelo Arteris, eepois de termos o envolvimento dos deputado da região lutando para o licenciamento de trechos, de lutarmos esses anos todos. Eu, particularmente acompanho esse processo desde o ano de 2008, antes mesmo deles vencerem a licitação. Eu estive na sede da OHL, que antecedeu a Arteris, trabalhando para que eles viessem ao Brasil, participar dessa licitação. E lutei mais de 10 anos para que essa conclusão ocorresse e vejo agora que, de maneira muito sorrateira e sem discutir isso com as forças políticas e de gestão dos municípios do Estado do Rio cortados pela BR 101, eles tomam essa atitude. Nós vams politicamente e juridicamente contestar fortemente — comprometeu-se Christino Áureo (PP), deputado federal de Macaé.
A bancada fluminense na Câmara Federal, na pessoa do seu presidente, deputado Sargento Gurgel (PSL), emitiu uma nota de repúdio contra a Arteris. Confira abaixo:
NOTA DE REPÚDIO
A bancada de deputados federais e senadores do Rio de Janeiro repudia a atitude da Arteris. que submeteu à ANTT pedido de relicitação dos 322 quilômetros da rodovia BR-101 RJ/Norte que administra, ligando Niterói até Campos dos Goytacazes.
Tal medida causa enorme indignação a todos os Parlamentares da bancada, uma vez que esse trecho, popularmente chamado de rodovia da morte, continua sendo foco de constantes transtornos para a população que circula pela estrada, embora administrado pela iniciativa privada há mais de uma década com a cobrança de alto valor de pedágio.
Além disso, serão gerados prejuízos irreparáveis à população fluminense em razão do lapso temporal para a implementação das medidas necessárias para concluir o novo processo, o que pode levar mais de cinco anos. Existem trechos da rodovia licenciados que já deveriam ter sido concluídos, de acordo com o cronograma inicial do contrato, mas que até o presente momento sequer tiveram as obras iniciadas, em que pese, não se pode deixar de repetir, o alto preço cobrado como contrapartida.
Por isso, a bancada do Rio de Janeiro comunica que lutará unida para que no decorrer de tal processo a Arteris seja obrigada a manter os investimentos previstos no cronograma, até mesmo pela via judicial caso seja necessário, com o objetivo de resguardar os interesses da população fluminense que necessita de uma rápida solução do caso.
Rafael Diniz
Quem também demonstrou preocupação com a notícia de devolução da BR 101 pela Arteris, em plena pandemia da Covid-19, foi o prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania):
— Vejo com muita preocupação uma decisão dessa, ainda mais diante do momento que estamos vivendo. Desde o início de meu mandato tenho lutado pelas obras necessárias da BR 101, como o Contorno que, após anos, iria sair. Neste sentido estive em Brasília e no Rio debatendo e demonstrando a importância dessas obras para a população de Campos, seja social ou economicamente. Estamos acompanhando e vamos oficiar, ainda hoje, a Arteris e ANTT para um posicionamento formal dos órgãos — cobrou o prefeito.
“Ninguém está livre não, rapaz”. Foi o que o deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos, Gil Vianna (PSL) disse no dia 12, em um de seus últimos áudios (ouça no vídeo acima), antes de falecer na noite de hoje (19) de Covid-19, na UTI do Hospital da Unimed em Campos. Sem velório, por conta da doença, seu enterro será às 10h da manhã desta quarta (20) no Campo da Paz. Ele era policial militar rodoviário reformado, foi vereador de Campos duas vezes e assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) como suplente, antes de se eleger ao cargo em 2018, ocupando a liderança da bancada do PSL, ex-partido da família Bolsonaro. Tinha 54 anos, deixa viúva e três filhos. Com o mais velho, de 24 anos, chegou a falar hoje, antes de ser intubado à noite. É a 21ª morte oficial da pandemia no município, que até esta terça (19) tinha mais 10 mortes investigadas, com 382 casos confirmados e 1.065 suspeitos.
Gil começou a sentir os primeiros sintomas da Covid no Rio de Janeiro, por volta do dia 5. Lá fez o exame PCR, que confirmou a doença e veio para Campos, se internando na Unimed na noite do dia 11, inicialmente em um leito clínico. Com a piora do quadro, foi transferido à UTI do hospital na madrugada do dia 14, na qual faleceu na noite de hoje. Aliado da família Garotinho em seus dois mandatos como vereador, Gil rompeu com o governo Rosinha ao votar contra a “venda do futuro” de Campos. Nas eleições municipais de 2016, após quase compor chapa com Rafael Diniz (cidadania), foi candidato a vice-prefeito de Caio Vianna (PDT).
Reveja abaixo os três blocos a última entrevista de Gil Vianna ao Grupo Folha. Foi no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, que foi ao ar ao vivo no início da manhã de 27 de janeiro deste ano:
“A Prefeitura discorda de ser incluída no polo passivo no caso do Hospital de Campanha, que é de única e exclusiva responsabilidade do Governo do Estado. O Hospital de Campanha, embora prometido desde início de abril, ainda não foi entregue. A Prefeitura respeita decisão judicial, entende a gravidade da situação, mas não concorda e irá recorrer. A interpretação dada pelos autores, e que foi adotada na decisão, não condiz com o que está previsto no plano de contingência. A gestão segue trabalhando nas ações destinadas ao atendimento de pacientes de Covid e da Saúde como um todo”. Foi assim que o governo municipal Rafael Diniz (Cidadania) reagiu no fim de tarde de hoje (19) à decisão liminar da Justiça de Campos da noite de ontem (confira aqui), sobre ação movida em conjunto pela Defensoria Pública e Ministério Público de Campos. Ela teve tutela de urgência acatada pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho, para criação de mais vagas de leitos clínicos e de UTI no município, polo regional de saúde do Norte Fluminense.
— A Prefeitura de Campos foi pioneira, ao criar, no tempo recorde de cinco dias, o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos. A unidade, que funcionada desde o último dia 30/03 (confira aqui), oferece 19 leitos de UTI, 5 (cinco) de unidade de pacientes graves e 40 leitos de clínica médica. Existe planejamento para ampliação de mais 10 leitos de UTI específicos para Covid-19 nos próximos dias, e mais 20 de clínica médica — disse também a nota oficial da Prefeitura de Campos. Hoje de manhã, o Ibasa, responsável pela instalação do Hospital de Campanha, e também réu da ação, além dos governos municipal e estadual, divulgou nota, prometendo (confira aqui) a inauguração da unidade para 25 de maio.
Defensor público que moveu a ação, junto com a promotora de Justiça Maristela Naurath, Tiago Abud comentou a resposta da Prefeitura de Campos:
— Não há pedido contra o município sobre o Hospital de Campanha, que é de responsabilidade do Estado. O município foi incluído porque não cumpriu o que ele próprio planejou, que é a ampliação da oferta de leitos, cujo número também foi por ele informado. A petição inicial é clara e a decisão judicial também. Aguardamos com serenidade a interposição de eventual recurso.
Juiz Paulo Maurício deu liminar com tutela de urgência à ação movida pelo defensor Tiago Abud e a promotora Maristela Naurath para criação de mais leitos clínicos e de UTI no município aos doentes de Covid-19
Os governos do município de Campos e do Estado do Rio de Janeiro, além do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), responsável pela implantação do Hospital Estadual de Campanha em Campos, serão obrigados a ampliar, no prazo de 10 dias, o fornecimento de leitos clínicos e de UTI aos doentes de Covid-19 na cidade. A decisão liminar com tutela de urgência foi deferida na noite de hoje (18) pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho, da Justiça de Campos, em atendimento à ação civil pública movida também hoje pelo defensor público Tiago Abud e a promotora de Justiça Maristela Naurath.
Prefeito Rafael Diniz e sua secretária de Saúde, Cintia Ferrini
Pela decisão, o município de Campos, nas pessoas do prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e sua secretária de Saúde, Cintia Ferrini, estarão sujeitos a multa diária de R$ 10 mil, além da responsabilização pessoal, se no prazo de 10 dias não providenciarem:
1) Ampliação da oferta do número na rede pública ou contratualizada, para leitos 457 leitos clínicos e 129 leitos de UTI exclusivos para Covid-19;
2) Apresentação de cronograma para a disponibilização de Hospital de Campanha, como previsto em seu plano de contingência, e;
3) Indicação de quais leitos livres ociosos e desativados de hospitais de sua rede própria e conveniada e da rede privada local podem ser requisitados para abrigar os pacientes de Covid-19, indicando ainda o cronograma de como será feita tal requisição/utilização, conforme indicado no seu plano de contingência.
Governador Wilson Witzel e seu novo secretário de Saúde, Fernando Ferry
Já o governador Wilson Witzel (PSC) e seu novo secretário de Saúde, Fernando Ferry, também sob pena de multa diária de R$ 10 mil e responsabilização pessoal, terão que providenciar no prazo de 10 dias
1) Seja por si, através da Iabas ou de outra contratada, a implantação e entrada em efetiva operação de todos os leitos de enfermaria e de UTI programados no Hospital de Campanha de Campos, como previsto no plano de contingência estadual, estruturando-os com todos os recursos materiais e humanos necessários;
2) Ampliação da oferta de leitos clínicos e de UTI, exclusivos para Covid-19, no município de Campos, para atender à região Norte Fluminense, como previsto no plano estadual, seja ampliando/acrescentando o quantitativo de leitos no hospital de campanha, ou contratualizando as instituições indicadas no seu plano de contingência, no total de 90 leitos de enfermaria e 68 leitos de UTI;
3) Execução a fiscalização do contrato com a contratada, de modo a garantir a existência dos equipamentos, insumos, medicamentos, materiais médico-hospitalares e recursos humanos, com o efetivo pagamento destes, para o pleno funcionamento do hospital de campanha, sem que haja ruptura na prestação dos serviços.
Já o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas/RJ), contratado para a implantação do Hospital Estadual de Campanha, também sob pena de multa diária de R$ 10 mil e responsabilização pessoal dos seus gestores, tem que entregar a obra no prazo de 10 dias “em pleno funcionamento, mantendo-se os equipamentos, insumos, medicamentos, materiais médico-hospitalares, estrutura e recursos humanos necessários para o funcionamento do nosocômio em sua capacidade plena, até o reconhecimento do fim da pandemia ou extinção do contrato com o Estado do Rio de Janeiro, subordinando-se ao primeiro evento que ocorrer.
Réus da ação da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os governos Rafael, Witzel e a Iabas têm prazo de 15 dias para ofertar suas contestações, sob pena de serem julgado à revelia. Os Conselhos Regionais de Medicina, de Enfermagem, de Psicologia e de Serviço Social foram oficiados para, no prazo de 30 dias, realizarem vistorias para a Jutiça, constatando se houve o cumprimento da tutela antecipada da ação.
Procurador-geral José Paes e superintendente de Comunicaçã, Thiago Bellotti (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Dois dos assessores mais próximos do prefeito de Campos, Rafael Diniz, testaram positivo para a Covid-19: o procurador-geral José Paes Neto, e o superintendente de Comunicação, Thiago Bellotti. Os dois se recuperam bem e nenhum deles chegou a ficar internado.
O quadro mais grave se deu com José Paes, que no último dia 10, domingo retrasado, começou a sentir febre de até 39º, dor de cabeça e no corpo, nariz entupido, perda de paladar e cansaço. Ele usou dipirona para a febre, que durou até quinta (14). No dia anterior (13) fez uma tomografia que revelou pequeno comprometimento do pulmão, fez o teste PCR e começou a se tratar com cloroquina, azitromicina, por cinco dias, além de anticoagulante, por 15 dias.
No sábado (16), o teste do procurador deu resultado positivo. Hoje (18), o único sintoma que mantém é um pouco de cansaço. As médicas que o trataram foram a infectologista Andreya Moreira, chefe da Vigilância em Saúde do município, e a pneumologista Patrícia Meireles.
Já Thiago Bellotti começou a manifestar sintomas um pouco antes. No dia 7, uma quinta, ele começou a sentir febre de 38,5º, que tratou por conta própria com tylenol. Também manifestou inflamação na garganta, nariz entupido e perda de olfato.
No dia seguinte, sexta, dia 8, Bellotti fez uma tomografia, que revelou os pulmões limpos. E começou a tomar azitromicina e invermectina, receitados também por Andreya Moreira e por Luiz Otávio Mota, clínico geral. Na segunda, dia 11, ele fez o teste PCR, que deu resultado positivo na quarta (13). Hoje, o único sintoma que mantém é a perda de olfato.
Tanto José Paes quanto Bellotti mantém o isolamento social em suas casas, pelo prazo de 14 dias, contando da primeira manifestação da Covid-19.
Em meio à pandemia da Covid-19, que hoje ultrapassou a marca dos 15 mil mortos no Brasil depois de dois ministros da Saúde demitidos em menos de um mês, alguns militantes bolsonaristas de Campos planejam uma manifestação às 9h da manhã deste domingo (17). O local inicial da concentração seria a praça São Salvador, mudado à noite para a av. Nilo Peçanha, em frente ao Hospital de Campanha. A manifestação também foi convocado por comerciantes para sair em carreata do Shopping 28, do lado oposto do Hospital de Campanha. O objetivo é protestar contra o lockdown anunciado ontem (confira aqui) pelo governo municipal. Que passa a vigorar nesta segunda (18) na tentativa de desacelerar a contaminação da doença. Cientes das convocações para o protesto e suas mudanças, os promotores de Tutela Coletiva de Campos, Maristela Naurath e Marcelo Lessa, recomendaram no início da noite de hoje ao prefeito Rafael Diniz, ao comando do 8º BPM e às delegacias de Polícia Civil, que as manifestação sejam acompanhada. E, no caso de aglomeração em desrespeito às regras sanitárias, que os infratores sejam encaminhados à 134ª DP e autuados no Código Penal.
A decisão de endurecer as regras da quarentena em Campos foi tomada após suas quatro mortes por Covid-19 registradas de quinta (14) para sexta (15), somando 16 óbitos confirmados, mais oito em investigação, com ocupação de 100% dos leitos de UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos. O lockdown foi recomendado em estudo da Fiocruz desde o último dia 6 (confira aqui) para todo o estado do Rio de Janeiro e já foi adotado por outros municípios fluminenses. Na última segunda (11), o governador Wilson Witzel determinou (confira aqui) que a Polícia Militar dê apoio a todos os municípios do estado do Rio que decidirem pelo lockdown.
Em Macaé, uma manifestação (confira aqui) que ocorreria hoje (16) contra o fechamento do comércio, também organizada por militantes bolsonaristas daquele município, foi cancelada pela Justiça. No programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, na manhã da última sexta, a promotora Maristela Naurath revelou (confira aqui) que pretende entrar na Justiça na próxima semana para pedir o lockdown também nos municípios de São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis, o mais afetado pela pandemia (confira aqui) em todo o Norte e Noroeste Fluminense.
Médico infectologista Nélio Arties, cientista da biologia Leandro Rabello e promotora de Justiça Maristela Naurath na semana do Folha no Ar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Mãe de três filhos, Capitulina era ainda moça quando morreu naquele início de século 20. Em sua breve vida, foi uma intelectual que fazia tradução de revistas francesas ao português. Campista da gema, morava no entorno da praça do Santíssimo Salvador, em cima do prédio da Lira de Apolo. Apesar de competente boticário, função que na época equivalia a um misto de clínico geral e laboratório farmacêutico, seu marido, Francisco, não conseguiu salvá-la da gripe espanhola. Hoje mais conhecida por H1N1 e imunizada por vacina, estima-se ter matado até 100 milhões de pessoas no mundo, inclusive em Campos, entre 1918 e 1920. Foi a última pandemia enfrentada pela humanidade até 100 anos depois aparecer o Sars-Cov-2, vírus da Covid-19.
No correr desta semana avançando sobre a segunda quinzena de maio, como o novo coronavírus avançando sobre Campos, região, estado do Rio e Brasil, o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, teve a chance de entrevistar três pessoas dedicadas, cada qual em sua área, a entender e combater a pandemia da Covid. O primeiro entrevistado sobre o assunto foi o médico infectologista Nélio Artiles. Na terça (12), ele alertou (confira aqui) sobre a necessidade de lockdown, do “fechamento total” em Campos e municípios vizinhos:
— O lockdown também vai acontecer em Campos. Eu acho que é inevitável. E qual é o critério? É estatístico, você observar a questão da internação, dos leitos que estão sendo utilizados. Isso são decisões que você tem que tomar. No Rio de Janeiro, quando você tem filas para internação, filas esperando a UTI, eu penso sinceramente que a atitude de demorar um pouco, a cada dia que demora, serão mais mortes que acontecerão. O lockdown tem que ser imediato na cidade do Rio de Janeiro. E aí você deve avaliar de acordo com o local, você deve ter a autonomia de cada gestor, a responsabilidade. O problema é que muitos gestores não têm essa responsabilidade, não têm bom senso. E aí a gente fica naquela: quem é que vai tomar a atitude pelo outro?
Adiante na entrevista, feita no sistema de home office pela Folha FM desde 30 de março, o médico infectologista falou da inutilidade de se fazer um lockdown em Campos, enquanto municípios vizinhos, como São Fidélis e São Francisco de Itabapoana, sequer fecham seus comércios. E de como a falta de responsabilidade do gestor contribui para agravar a crise na saúde. Ele citou o exemplo do presidente da República, Jair Bolsonaro, considerado pelo mundo como o pior líder de um país na gestão da pandemia da Covid-19:
Bolsonaro foi considerado o pior líder mundial no combate à pandemia da Covid-19 pelo jornal Washington Post e pela revista científica The Lancet (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— O pior é que casos graves que acontecem em nosso entorno acabam sobrando para Campos. Não adianta. O lockdown da gente vai ficar quebrado pelos municípios vizinhos. Infelizmente, nem todos têm o bom senso de tomar a atitude. O ministério da Saúde vinha com o (Luiz Henrique) Mandetta numa linha. E por incompatibilidade política e de entendimento racional, se muda o ministro e entra o (Nelson) Teich. Que mantém a mesma linha, porque cientificamente ele tem que manter, não pode mudar. Mas aí o exemplo do gestor maior, que é o presidente, acaba atrapalhando muito essa questão dos outros gestores — apontou Nélio, na mesma terça em que foi anunciado que a Justiça havia determinado o fechamento do comércio em São Fidélis, irresponsavelmente mantido aberto pelo prefeito Amarildo Henrique Alcântara. Inspirado pelo presidente que quatro dias depois faria Nelson Teich, na sexta (15), pedir demissão do ministério da Saúde.
Até o final da manhã de sábado (16), o placar da disputa de Bolsonaro com seus próprios ministros da Saúde era de 14.817 brasileiros oficialmente mortos pela Covid-19, como os que superlotaram os cemitérios de Manaus (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Na quarta (13), o convidado do Folha no Ar foi (confira aqui) Leandro Rabello Monteiro, professor de biologia evolutiva da Uenf, à qual voltou após lecionar quatro anos na Universidade de Hull, na Inglaterra. Indagado se uma segunda onda da Covid-19 poderia ocorrer, como há suspeita de estar se iniciando na China e na Coréia do Sul, com base no que ocorreu com a gripe espanhola que matou Capitulina no começo do séc. 20, o entrevistado fez ressalvas do ponto de vista da ciência do início do séc. 21:
— Uma coisa que os coronavírus diferem dos vírus Influenza, que é de uma outra família, é que a taxa de mutação dos coronavírus é menor. O que determina essas ondas de infecção é o parâmetro do R0, a medida de transmissibilidade média. Isso depende muito de quantas pessoas há doentes, quantas saudáveis, suscetíveis e quantas imunizadas. Essa imunização pode ocorrer porque a pessoa teve a doença e se recuperou, ou porque foi vacinada. Então, os epidemiologistas estão tentando fazer medidas para mudar esse parâmetro, para tentar evitar o espalhamento dessa doença, sem você ter a ferramenta da vacina. O número de doentes, suscetíveis e imunizados vai variando ao longo do tempo. É claro que você pode ter uma segunda onda. Mas, por enquanto, não tem nenhuma evidência que essa segunda onda seja de um vírus geneticamente diferente dessa primeira onda que está indo.
Mesmo se o Sars-Cov-2 não sofrer mutação, o que nada até agora indica, a questão do isolamento social ainda vai variar de acordo com a diminuição e o aumento do número de casos, para evitar o colapso dos sistemas de saúde do mundo. Foi o que Leandro explicou:
— Com o isolamento, as pessoas estão deixando de pegar o vírus agora e vão pegar mais para frente, numa segunda situação. É de se esperar que, com o isolamento sendo relaxado, você vá tendo outras ondas acontecendo. Mas se você não mudar grande coisa no vírus, o que parece ser por enquanto o caso, essas ondas não serão tão grandes assim. Mas vão acontecendo e esse isolamento tem que ser reimposto para você ter certeza de não sobrecarregar o sistema de saúde. Por isso os países estão pensando em relaxar, mas têm que ficar de olho para não sobrecarregar o sistema de saúde. Enquanto você não tiver como mudar a proporção de pessoas imunizadas, por vacinação, você tem que ficar fazendo esse controle para evitar o colapso.
Na sexta (15), a convidada do Folha no Ar foi (confira aqui) a promotora de Justiça Maristela Naurath. Ela é responsável do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pela fiscalização da saúde em Campos, São João da Barra, São Fidélis e São Francisco. Até a manhã de sexta, dia em que vencia o prazo, nenhum desses governos municipais havia enviado ao MPRJ o estudo técnico pedido uma semana antes para endossar a decisão de cada prefeito em adotar ou não o lockdown. Que, na omissão dos gestores, a promotora planeja pedir na próxima semana para que seja determinado pela Justiça nos quatro municípios:
— Eu vou me basear tanto no estudo da Fiocruz (que, desde o último dia 6, alertou o governador Wilson Wiztel sobre a necessidade de decretar o lockdown em todo o estado do Rio), como outros, que foram disponibilizados pelo nosso centro de apoio operacional, para instruir uma ação solicitando ao Judiciário a adoção do lockdown. Temos recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS), instruindo para essa demanda. E tentaremos (na Justiça) uma decisão favorável. Vou levar em conta o percentual de ocupação de leitos, tantos ambulatoriais e de UTI, a inércia do poder público, o aumento geométrico do número de casos e a letalidade. Acho que na próxima semana a gente vai entrar num nível bastante crítico. Inevitável que os sistemas de saúde entrem em colapso e o sistema funerário também. A gente vê que as pessoas estão nas ruas, os comércios estão abertos. Então há necessidade de medidas mais drásticas, de fiscalização mais rigorosa. Para ter uma nova abertura, há a necessidade de que os índices de letalidade e de ocupação de leito melhorem. Temos que pensar o contrário: em isolar, em fechar, em lockdown.
Indagada sobre a perspectiva de 20% do total de infectados, que foram e serão obrigados a recorrer à internação, entrando em um hospital sem saber se sairão ou voltarão a ver seus entes queridos, a promotora revelou uma característica que falta a alguns governantes e suas seitas: empatia, capacidade de se colocar no lugar do outro. Assumindo-a, Maristela disse:
— É assustador! É assustador! Entrar no hospital com uma suspeita de Covid, olhar para os leitos ao lado e ver todas as pessoas sentindo os sintomas, a falta do ar, sendo levado para uma UTI e intubado, é uma perspectiva tão assustadora… É realmente muito complicado!… É difícil!… É difícil! É difícil! Não gostaria de estar no lugar dos médicos que estão ali, os enfermeiros, os técnicos de enfermagem, dentre outros que estão ali na ponta, correndo um sério risco de se contaminar, de estarem no mesmo lugar, ocupando o mesmo leito, passando pelos mesmos problemas… É uma emoção, uma emoção ruim!… Ah, me desculpa, é muito complicado isso — desabafou, visivelmente emocionada.
Capitulina deixou três filhos ao morrer precocemente em Campos. Filho do filho da sua filha mais velha, seu bisneto pensava nela desde que a pandemia da Covid chegou à mesma cidade, 100 anos depois da gripe espanhola. Sempre gostou de história e essa era a sua. Tentou lutar contra as sombras do obscurantismo, esterco em forma de pensamento e caráter de gente, fértil à propagação do novo vírus. E se descobriu também suspeito de o ter contraído. Pelas Capitulinas refletidas em olhos embargados de Maristelas, respirou fundo, deu graças por isso e seguiu em frente.
Promotora de Justiça Maristela Naurath foi a convidada de hoje do Folha no Ar
No Folha no Ar do início da manhã de hoje, na Folha FM 98,3, a promotora de Justiça Maristela Naurath disse que entraria na semana que vem com ações na Justiça na próxima semana para pedir o lockdown nos municípios de Campos, São João da Barra (SJB), São Francisco de Itabapoana (SFI) e São Fidélis(SF), com objetivo conter a aceleração da pandemia da Covid-19. No final da tarde de hoje, o prefeito Rafael Diniz se antecipou e decidiu (confira aqui) pelo lockdown em Campos a partir da próxima segunda (18). Encarregada da fiscalização da saúde nos quatro municípios, pela 1ª e 3ª Promotorias de Tutela Coletiva da comarca, Maristela explicou que o endurecimento das regras de quarentena é para tentar evitar o colapso das suas redes de saúde e funerárias dos municípios:
— Eu vou me basear tanto no estudo da Fiocruz (que, desde o último dia 6, alertou o governador Wilson Wiztel sobre a necessidade de decretar o lockdown em todo o estado do Rio), como outros, que foram disponibilizados pelo nosso centro de apoio operacional, para instruir uma ação solicitando ao Judiciário a adoção do lockdown. Temos recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS) instruindo para essa demanda. E tentaremos (na Justiça) uma decisão favorável. Vou levar em conta o percentual de ocupação de leitos, tantos ambulatoriais e de UTI, a inércia do poder público, o aumento geométrico do número de casos e a letalidade. Acho que na próxima semana a gente vai entrar num nível bastante crítico. Inevitável que os sistemas de saúde entrem em colapso e o sistema funerário também. A gente vê que as pessoas estão nas ruas, os comércios estão abertos. Então há necessidade de medidas mais drásticas, de fiscalização mais rigorosa. Para ter uma nova abertura, há a necessidade de que os índices de letalidade e de ocupação de leito melhorem. Temos que pensar o contrário: em isolar, em fechar, em lockdown.
Na última sexta (08), a promotora pediu (confira aqui) aos prefeitos de Campos, São João, São Francisco e São Fidélis o envio de estudo técnico para fundamentar a decisão de decretar ou não lockdown por conta própria. O prazo venceu hoje, sem que nenhum tenha atendido à solicitação do Ministério Público. Campos porque decidiu pelo lockdown. Dos outros três, apenas São Fidélis pediu ampliação do prazo de envio para segunda-feira (18).
Por decisão própria, Rafael e Carla Machado, prefeita de SJB, decidiram fechar seus comércios desde março. O de São Fidélis, com população de 38.669 habitantes e 114 casos confirmados de Covid-19 até a tarde de hoje, é o município mais infectado de todo o Norte e Noroeste Fluminense, com índice de um caso da doença a cada 339,2 moradores. Ainda assim, por decisão do prefeito Amarildo Henrique Alcântara, o comércio fidelense se mantinha aberto. E só foi fechado na quarta (13) por decisão judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que na segunda (11) acatou a o pedido da Defesa Pública pelo fechamento. Governado por Francimara Barbosa Lemos, São Francisco ainda mantém o comércio aberto.
Indagada no Folha no Ar de hoje sobre a perspectiva de 20% do total de infectados, que foram e serão obrigados a recorrer à internação hospitalar, entrando sem saber se sairão ou voltarão a ver seus entes queridos, a promotora revelou uma característica que falta a alguns governantes: a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Assumindo-a como ser humano, Maristela disse:
— É assustador! É assustador! Entrar no hospital com uma suspeita de Covid, olhar para os leitos ao lado e ver todas as pessoas sentindo os sintomas, a falta do ar, sendo levado para uma UTI e intubado, é uma perspectiva tão assustadora… É realmente muito complicado!… É difícil!… É difícil! É difícil! Não gostaria de estar no lugar dos médicos que estão ali, os enfermeiros, os técnicos de enfermagem, dentre outros que estão ali na ponta, correndo um sério risco de se contaminar, de estarem no mesmo lugar, ocupando o mesmo leito, passando pelos mesmos problemas… É uma emoção, uma emoção ruim!… Ah, me desculpa, é muito complicado isso — desabafou, visivelmente emocionada.
Com os trechos da matéria extraídos do terceiro bloco, confira os três abaixo nos vídeos do Folha no Ar de hoje com a promotora de Justiça Maristela Naurath:
Cristina Lima, presidente da FUndação Cultural Jornalista Oswaldo Lima
A cultura de Campos pode não ter uma torcida proporcionalmente tão numerosa quanto às dos clubes cariocas Flamengo e Vasco. Mas, como as do Fluminense e Botafogo, compensa qualquer inferioridade numérica com a paixão e o compromisso na defesa da sua bandeira. Foi o que evidenciou o Folha no Ar do início da manhã de hoje (14), com a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Cristina Lima. Através do WhatsApp e de comentários pelo streaming do programa no Facebook, a interatividade dos ouvintes e telespectadores foi intensa. Todos na defesa do Museu Histórico e do Arquivo Público de Campos, que tiveram atividades e RPAs suspensos em decreto municipal, por conta da pandemia da Covid-19, em decreto municipal de 6 de maio.
— O primeiro decreto, estabelecendo um atendimento não presencial e trabalho interno e home working, data de 18 de março. Para todos os equipamentos culturais. Nós temos o Teatro Trianon, o Teatro de Bolso Procópio Ferreira, a Casa de Cultura José Cândido de Carvalho em Goitacazes, a Casa de Cultura Poeta Antônio Silva em Conselheiro Josino, nós temos o Museu e o Arquivo. Os equipamentos culturais começaram a cumprir o primeiro decreto. E como temos neles a presença do servidor em regime de recebimento de pagamento a autônomo (RPA), o último decreto do prefeito (de 6 de maio) estabeleceu o plano de suspensão emergencial, naturalmente atingiu todas essas instituições que eu acabei de citar. Mas nunca, em momento nenhum desse processo, nós tivemos a a intenção de não voltar com esses equipamentos. O tempo todo foi dito que seria temporário. Não foi corte, foi suspensão. Que trouxe essa ansiedade muito grande, essa preocupação, até bastante compreensível e legítima. Mas em momento algum foi aventada a hipótese de não reabrir ao fim dessa pandemia — disse Cristina em sua primeira participação no programa.
Dando início à participação dos leitores e ouvintes, a diretora do Museu Histórico de Campos, Graziela Escocard, perguntou por WhatsApp:
— Como será feita a manutenção dos espaços do Museu, do Arquivo e do Trianon, lembrando que os funcionários públicos concursados, são em sua maioria da educação, cedidos e sem conhecimento técnico?
— É uma situação que nós estamos analisando, buscando uma alternativa. Porque na verdade, na rede, nós temos os DAS, que permaneceram. Então se essa preservação do acervo não puder ser feita por essas pessoas que ficaram, que não sofreram os efeitos do plano emergencial de suspensão, nós já estamos desde ontem (13) analisando a questão. E vendo qual atitude nós vamos poder tomar (…) Estamos analisando, junto com a professora Rafaela (Machado, diretora do Arquivo Público), inclusive. E pensando numa alternativa que atenda à necessidade de manutenção do acervo. Toda essa situação é muito nova para todos nós, é muito inusitada. Nunca tínhamos experimentado uma coisa parecida com isso. É preciso que agora a gente se junte, com espírito coletivo. E busque através do diálogo, com serenidade e equilíbrio, para que se possa pensar numa alternativa para atender a essa questão, que é muito preocupante. A gente sabe que uma casa fechada se deteriora mais rápida que com ela aberta — respondeu a presidente da FCJOL.
Citada por Cristina, Rafaela Machado também se manifestou no streaming do programa. E pontuou à entrevistada do Folha no Ar:
— As demandas da cultura são legítimas e durante muito tempo não foram ouvidas ou não foram consideradas importantes. Acho que é hora de entendermos que essa questão, a manutenção e sobrevivência desses espaços, é também pauta essencial de discussão hoje — disse a diretora do Arquivo Público.
— Na verdade, as demandas hoje da cultura em Campos são muito grandes. Nós temos vários prédios municipais carentes de manutenção, como é o caso do Arquivo, da Casa de Cultura em Goitacazes, que demandam um investimento muito alto. O grande desafio do prefeito Rafael Diniz é atender às demandas mais urgentes, relacionadas ao servidor, à saúde, à educação. Então, essas demandas vindas da cultura são muito altas. A gente já fez um levantamento. Por exemplo, o Teatro de Bolso, são todos equipamentos que têm muito tempo de vida. O mais novo aí, seria o Trianon, com 21 anos, já requerendo uma série de manutenções no seu maquinário. Eu vejo hoje que nós estamos caminhando para uma situação em que as questões culturais vão ter que recorrer às parcerias público-privadas (PPPs) e às leis de incentivo. O que está acontecendo é que as prefeituras estão cada vez mais inadimplentes para suportar essa demanda. A Prefeitura vai ter que buscar essas parcerias, como já viemos buscando na cultura com a secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, na questão da economia criativa, na questão de projetos vindos de alunos bolsistas, que focaram inclusive na questão do patrimônio histórico e cultural, no prédio do Arquivo. As prefeituras vão se tornando cada vez mais sem condições de bancar toda essa necessidade e carência.
Com trechos da matéria extraídos do primeiro e segundo blocos da entrevista, confira abaixo em vídeo todos os três do Folha no Ar de hoje com Cristina Lima. Em sua maior parte ditado democraticamente pelas intervenções dos ouvintes e telespectadores. Como provaram hoje seus defensores, em atuação de time grande, a cultura de Campos é capaz de gerar tanta audiência e interesse quanto jogo de futebol: