Tradução: como antecipado aqui, após a forte reação política à convocação presidencial para os protestos contra o Congresso no dia 15, Bolsonaro mais uma vez deu para trás.
De um lado da avenida, a esquerda lacradora vende gato por lebre (aqui) com uma “índia” branca, pós-moderna e cosmopolita. Simulando choro no Baixo Augusta pelo “cocar do ‘meu povo’”. Até o cacique Raoni assumir seu lugar de fala em Salvador para (aqui) despir de qualquer fantasia o estelionato identitário. Que, na iluminação do neopentecostalismo do Leblon, pretendia censurar até o tradicional carnaval da periferia carioca do Cacique de Ramos.
Do outro lado, os tios e tias do WhatsApp. Que não cabem mais nas fantasias em que deitaram e rolaram em outros carnavais. Embora muitos, na surdina faladeira do resto do ano, insistam. Mas agora todos posers da moral, dos bons costumes e dos valores cristãos. Porque Bolsonaro foi retratado como palhaço pela Vigário Geral, ridicularizado nas suas “flexões de braço” pela São Clemente e questionado como “Messias de arma na mão”, pela Mangueira.
Acabou o carnaval. O difícil agora é arrancar a máscara da cara dessa gente.
Eventualmente, um comentário no blog ou nas redes sociais acaba sendo tão ou mais interessante do que a postagem que o gerou. Entre os seis feitos ao artigo do último domingo (23) publicado na Folha da Manhã, intitulado “Cinema e vida real na capital do carnaval” e postado aqui, foi o caso do comentário do geógrafo e poeta Carlos Augusto Souto de Alencar, da Academia Pedralva Letras e Artes de Campos.
Ao autor, o blog pede licença para republicar abaixo, com a evidência maior de postagem. Não sem o endosso à necessidade de se assistir a filmes como os alemães “A Onda” (2005), de Dennis Gansel; e “A Vida dos Outros” (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck; ou o polonês “Ida” (2013), de Paweł Pawlikowski; para se entender o totalitarismo dos governos de direita e esquerda, de ontem e hoje, no Brasil e no mundo:
“Perfeito na análise e nas críticas aos grupos que, para mim, são aliados na tentativa de suprimir a democracia. Não é por acaso que Putin, que influiu para eleger Trump, agora busca influir na indicação de Sanders. Cito três filmes que mostram que todos os autoritarismos na verdade são irmãos. ‘Ida’, ‘A Onda’ e ‘A Vida dos Outros’. Os radicais ‘opostos’ buscam a limitação da livre expressão e a imposição de seu pensamento desprezando a busca de diálogo ou mediação. Em meu conto ‘Cor’, publicado na Folha da Manhã, abordo isso de forma figurada. Desculpe o texto longo para padrões de redes antissociais. Mas confesso que ando precisando desabafar. Infelizmente Karl Popper estava certo. Pelo bem da tolerância não se pode ser tolerante com o intolerante. Parabéns mais uma vez. Saudações fraternas”.
Convocado em nome dos generais de Bolsonaro, protesto do dia 15 contra o Congresso pode ser passo à venezuelização do Brasil, em chavismo de direita
Jornalista Vera Magalhães
Bolsochavismo
Por Vera Magalhães
A semana pré-Carnaval foi marcada pelo violento motim da Polícia Militar do Ceará, que ameaça se espalhar por outros Estados, desafia a autoridade dos governadores, conta com a simpatia e o incentivo declarados do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos e asseclas nas redes sociais e pode ser, caso se alastre, o embrião da criação de uma milícia paraestatal bolsonarista inspirada na criada por Hugo Chávez e inchada por Nicolás Maduro na Venezuela.
Não é de hoje que o bolsolavismo bebe na fonte da criação bolivariana, replicando seus métodos de organização e lhes dando uma roupagem ideológica de extrema direita.
A proliferação de escolas cívico-militares, impostas a partir de Brasília aos Estados, a militarização total do Palácio do Planalto, a convocação, feita por um desses militares do gabinete, o general Augusto Heleno, de manifestações de rua em apoio ao presidente e para emparedar o Congresso são todos movimentos combinados que têm clara inspiração na escalada chavista a partir de 2005.
O movimento dos policiais militares é o mais ousado e controverso desses movimentos, porque inclui o incentivo, que era tácito e vai se tornando cada vez mais implícito, a motins já classificados como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cuja ilegalidade foi reiterada pela Justiça, no caso do Ceará.
Bolsonaro e os filhos oscilam entre a brincadeira simpática e o apoio escancarado ao movimento dos amotinados cearenses, que perpetraram na última quarta-feira a tentativa de homicídio do senador Cid Gomes – que, em outro ato tresloucado muito representativo dessa polarização patológica da política brasileira, havia investido com uma retroescavadeira contra um grupo que tomava um batalhão da PM em Sobral.
Não se ouviu do presidente da República, do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de nenhum dos militares do governo, que deveriam ser os primeiros a serem intransigentes na defesa da hierarquia e da disciplina militares, nenhum pio condenando o movimento ilegal dos PMs cearenses, cobrando o imediato desligamento dos amotinados nem a investigação e prisão dos autores dos disparos que alvejaram um senador da República.
No lugar disso, Bolsonaro estendeu sua fanfarronice, demonstrada dias antes na piada sexual de botequim com uma repórter, ao brincar que Cid Gomes não tinha habilitação para dirigir retroescavadeira, na sua última live. Flávio Bolsonaro foi mais explícito, ao chamar os amotinados que fazem uma greve ilegal de pessoas em busca de “melhores salários”, mais parecendo um sindicalista petista.
O movimento dos PMs não começou agora. Teve uma primeira onda em 2017, quando o levante violento no Espírito Santo teve incentivo explícito do então deputado Bolsonaro. Agora, os líderes da greve ilegal no Ceará são todos políticos com patentes militares – outra onda que veio na esteira do bolsonarismo em 2018.
A Milícia Nacional Bolivariana da Venezuela foi criada por Hugo Chávez em 2007, e hoje conta com mais de 1 milhão de cadastrados. Maduro quer chegar a 2 milhões. Seus homens e mulheres armados recebem salários de fome e uniformes cáqui para defender o governo, encher comícios, espionar a oposição e evitar a deposição do ditador.
Insuflar em policiais militares um sentimento de louvor político, passando por cima dos governadores e usando pressão salarial como combustível coloca o Brasil no caminho da criação de uma milícia paraestatal. Cabe ao Congresso, ao STF e aos governos estaduais cortar o mal pela raiz, punindo e reprimindo os movimentos dos PMs, sem ceder a chantagens por reajustes nem negociar anistias a criminosos.
Oscar de roteiro adaptado, Taika Waititi dirige e interpreta Hitler em “Jojo Rabbit”
Cinema e vida real na capital do carnaval
Vinha pelo metrô de Botafogo. Era o domingo antes do carnaval no Rio, cidade que só perde para Salvador na extensão prévia da regência de Momo. Como foram as duas capitais do Brasil antes de Juscelino abrir a farra das empreiteiras nacionais na construção de Brasília, que financiariam a operação Bandeirante na ditadura militar e teriam seu “Baile da Ilha Fiscal” no período lulopetista, explica muita coisa.
Como cantou na música “Americanos”, sobre nós, o baiano carioca Caetano: “Enquanto aqui embaixo/ A indefinição é o regime/ E dançamos com uma graça/ Cujo segredo nem eu mesmo sei/ Entre a mesmice e a desgraça/ Entre o monstruoso e o sublime”.
Estação Botafogo, cinema mais charmoso do Rio
Saíra de Botafogo, bairro charmoso do Rio, com o qual fixara relação de intimidade há três décadas. No velho Estação, outra amizade antiga, assistira ao último filme que ainda não vira entre os principais concorrentes do Oscar de 2020: “Jojo Rabbit”. Escrito e dirigido pelo neozelandês Taika Waititi, levou a estatueta dourada por melhor roteiro adaptado.
Waititi é filho de um maori — índios nadadores que a seleção natural tornou grandes, fortes e principal causa do sucesso da Nova Zelândia no rugby — e uma judia russa. A ascendência, no entanto, não o livrou das críticas do politicamente correto, por também interpretar Hitler como amigo imaginário de Jojo, na pele do menino franco-inglês Roman Griffin Davis. É o personagem central do filme, que tem como mãe a musa estadunidense Scarlett Johansson.
Nazista fanático como são hoje os bolsonaristas, e permanecem os lulopetistas, Jojo vai sendo humanizado pela queda violenta do Reich de mil anos — que durou apenas uma dúzia no mundo apartado à bala do fanatismo. Abandonado por Jojo, sobretudo, pelo contato inesperado com uma jovem judia, interpretada pela neozelandesa Thomasin Mckenzie.
Diante de Jojo, personagem nazista de Sam Rockwell solta a franga no combate final
Outro personagem importante é vivido pelo bom ator estadunidense Sam Rockwell. Como oficial alemão que perde um olho na guerra, ele tem uma relação homoafetiva com seu assistente, enquanto treina Jojo e outras crianças recrutadas obrigatoriamente pela Juventude Hitlerista. Para bater ponto com o politicamente correto, Rockwell é um nazista que, no final da Guerra, se assume homossexual e salva judeus e alemães amigos de judeus.
O lacrimogêneo “A Vida É Bela”, vencedor de três estatuetas na festa italiana do Oscar de 1999
No vagão de metrô no domingo antes do carnaval, pensava nos vagões de trem com passageiros de menos sorte rumo aos campos de extermínio de Hitler. E em como “Jojo Rabbit” parecia uma versão alemã, mas falada em inglês, do lacrimogêneo “A Vida é Bela”, do italiano Roberto Benigni. Que, a exemplo de Waititi, também roteirizou, dirigiu e atuou na sua visão cinematográfica da II Guerra e do Holocausto pelos olhos de um menino judeu.
A socióloga Marília Andrade, mãe de Petra Costa e filha do fundador da empreiteira Andrade Gutierrez, no encontro montado com a ex-presidente Dilma Rousseff, momento mais “meu querido diário” de “Democracia em Vertigem”
Ao idiota que cobrou para o documentário “Democracia em Vertigem” (leia aqui sua resenha de 1º de julho de 2019), de Petra Costa, a mesma atenção dada pela mídia em 1999 à ficção “Central do Brasil”, de Walter Salles, a lembrança de “A Vida É Bela” é pertinente. Foi ele que derrotou o candidato brasileiro de maior mérito na disputa do Oscar de filme estrangeiro. Vinte e um anos depois, como defender Fernanda Montenegro dos ataques do nazibolsonarista Roberto Alvim, para depois cobrar paridade do trabalho antológico da diva em “Central” com o documento da parcialidade de Petra?
Vinícius de Oliveira, hoje homem de 34 anos, e a diva Fernanda Montenegro em “Central do Brasil”, filme brasileiro com mais mérito a concorrer e perder o Oscar
No Oscar de 2020, o lulopetismo lutou por migalhas e foi derrotado pelo documentário “Indústria Americana”, de Steven Bognar e Julia Reichert. No eco ao delírio de que a Lava Jato teria sido urdida pela CIA por conta do Pré-Sal, “Democracia em Vertigem” foi preterido pelo filme produzido pelo casal Obama. Ao denunciar o imperialismo yankee, a filha branca de uma família de grandes empreiteiros brasileiros ficou a ver navios diante de um ex-presidente dos EUA, filho de africano e falando de operários chineses na indústria de Ohio. Justiça poética?
Steven Bognar e Julia Reichert, diretores de “Indústria Americana”, entre o casal Michelle e Barack Obama, que produziram o documentário vencedor do Oscar 2020
Na estação da Cardeal Arcoverde, já em Copacabana, o solilóquio entre cinema, Brasil, Alemanha, Nova Zelândia, EUA, África, China e mundo é interrompido pelo espalhafato do trio ébrio que entra no vagão. São duas mulheres e um homem. Todos jovens e fantasiados de índio, no eco do surdo ao pentecostalismo psolista do Leblon. Que esqueceu de fantasiar seu ridículo ao tentar catequizar até o tradicional carnaval da periferia do Cacique de Ramos.
Um dos blocos mais tradicionais do carnaval de rua da periferia carioca, o Cacique de Ramos sofreu patrulha politicamente correta da equerda festiva do Leblon no carnaval de 2020
Os três sentam nos bancos vazios do metrô do início da noite de domingo. Entre elas, ele é mordido por ambas. E grita com o agudo estridente que o cinema creditou às mulheres no medo. E aos índios, na guerra. Descem cambaleantes duas estações depois, no Cantagalo, corte nos morros cariocas para ligar a Lagoa Rodrigo de Freitas à Copacabana.
A esquerda identitária do “lugar de fala” e da “apropriação cultural” não aprovaria as fantasias do trio. A direita obscurantista do “menino veste azul, menina veste rosa” não aprovaria sua atitude. Em um extremo e no outro também, ruins da cabeça e doentes do pé.
Entre os maiores gênios da história do cinema, o estadunidense Orson Welles filma o carnaval do Rio de 1942, no documentário inacabado “It’s All True”, perdido até 1985 e só lançado em 1993
Já em seus créditos iniciais, o carnaval de rua carioca prometia outro didático documentário a olhos vistos. Mais para o “It’s All True” (“É Tudo Verdade”, relembre aqui) do revolucionário Orson Welles, no Rio real de 1942, quando a Alemanha ainda ganhava a II Guerra, do que para as ruas brasileiras na mão única de Petra Costa, burguesinha de longo vermelho, cor do tapete de Hollywood.
Na festa do Oscar, Petra Costa dá entrevista à Rede Globo, acusada em seu filme de cobertura parcial nas revelações da Lava Jato e nos protestos que levaram ao impeachment de Dilma
Como em “Jojo Rabbit”, na queda da suástica entre estrelas, listras, foice e martelo, tudo que talvez importe seja ter seu par — ou ímpar — para dançar ao final.
Bruno Henrique e Gabigol comemoram o 1º gol, marcado pelo primeiro em cruzamento do segundo, da vitótia de 3 a 0 sobre o Atlético Paranaense, na final da Supercopa do Brasil
Na estrada, serpenteando entre a Serra do Mar e o Atlântico para longe da planície goitacá, ouvi no rádio do carro a transmissão do Flamengo 3 a 0 Atlético Paranaense. O jogo foi no criminoso calor da hora do almoço, no verão seco de Brasília.
A despeito dos muitos reforços, o time de Jorge Jesus começou 2020 como marcou a história do futebol brasileiro em 2019. Com gols de Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta. E a conquista de mais um título. Agora, o da Supercopa do Brasil, entre os vencedores do Brasileiro e da Copa do Brasil.
Não deixou de ser também uma revanche. Em julho do ano passado, no início do trabalho de Jesus, o Atlético PR eliminou o Flamengo (relembre aqui) das quartas de final da Copa do Brasil. Foi em pleno Maracanã, na disputa de pênaltis, após empate de 1 a 1 no tempo normal.
Aquela eliminação rubro-negra serviu para a segunda maior torcida do Brasil, a antiflamenguista (entenda aqui), reeditar a provocação do “cheirinho”. Empurrada goela abaixo no final de novembro com os títulos da Libertadores (aqui) e do Brasileiro (aqui), que antes só o Santos de Pelé conquistara em um mesmo ano.
Nesta quarta-feira, dia 19, o Flamengo sobe aos 2.850 metros da altitude de Quito, no Equador, para fazer o jogo de ida da final da Recopa Sul-Americana, contra o Independiente del Valle. E no sábado, dia 22, faz a final da Taça Guanabara contra o Boa Vista. Foi após bater o Fluminense. E Vasco e Botafogo não se classificarem sequer à semifinal do 1º turno do Estadual.
Realmente, o Flamengo parece estar “em outro patamar”, como sentenciou Bruno Henrique, após o empate de 4 a 4 com o Vasco (aqui) pelo Brasileiro do ano passado. Mas como ficou evidente na derrota pela final do Mundial contra o Liverpool (aqui), em 21 de dezembro, ainda não é o mesmo dos gigantes europeus.
O caminho não é fácil. E estará sempre sujeito a tropeços e quedas. Sobretudo a quem calçar salto alto. Mas o Flamengo de Jesus parece caminhar na ascensão de novos degraus.
A patir de hoje (15), o signatário fará uma pausa nas atividades neste blog, em rádio, jornal e internet de modo geral. No início de março, se Deus quiser, a gente se reencontra. A todos, um bom carnaval, abraço e inté!
Sempre gravado e veiculado nas noites das segundas e quintas, hoje o Jogo Jogado (confira aqui na conta da Folha no Facebook) teve a participação do advogado João Paulo Granja. Ao lado do jornalista Arnaldo Neto e de mim, a análise dos bastidores da política passou por Campos, São Francisco de Itabapoana, Quissamã, Carapebus, São João da Barra e pelo país, balançado pela nova incontinência verbal do ministro da Economia Paulo Guedes.
Enquanto sua nova edição não chega, nesta segunda-feira, dia 17, confira abaixo o Jogo Jogado de hoje:
Cientista político e professor da Uenf, Hamilton Garcia na manhã de hoje (13) no Folha no Ar (Foto: Genilson Pessanha)
“Rafael colocou Campos em um patamar diferenciado de administração pública em termos éticos. Também ele pegou a cidade (dos dois governos Rosinha Garotinho, hoje Patri) no fundo do poço. Mas pesam neste momento sérias limitações, em termos da própria visão dele, sobre realidade onde está e seu modus operandi. Ele fraquejou diante das necessidades de ajuste no início do governo. É aquele negócio clássico: você, quando tem que dar a má notícia, dá logo de uma vez só, trata de arrumar a casa e de produzir boas notícias a partir de um determinado momento. No primeiro ano ele não soube fazer as reformas na radicalidade necessária para aquela realidade. E não fez isso em função de um outro problema: ele acabou formando um governo só dele e do grupo dele, com gente muito jovem, algumas delas brilhantes, promissoras para a renovação política da cidade, mas sem experiência. E mais, um governo politicamente estreito, que não foi capaz de incorporar os setores políticos e sociais que, desde o ‘Muda Campos’, nos anos 1980, lutavam pela renovação política e a democratização da municipalidade”. Foi a análise do governo Rafael Diniz (Cidadania) pelo cientista político e professor da Uenf Hamilton Garcia, feita no início da manhã de hoje no Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. Ele continuou no que considera ter sido o maior erro do prefeito:
— Rafael foi eleito em primeiro turno, mas não foi capaz de desenhar um governo de coalisão com essas forças políticas que representaram esse fluxo de mudança dos anos 80 do século passado. E isso foi uma coisa trágica. Porque ele acaba isolado politicamente. Ele não é defendido por essas forças que querem a mudança política. E essas forças são de centro, de direita e também de esquerda. Ele não foi capaz de enfrentar o desafio de fazer um governo com pessoas que ele não confia diretamente, pessoalmente, ideologicamente e politicamente. Mas essa era a grande tarefa: fazer um governo de salvação municipal. Faltou uma perspectiva de encarar esse desafio de fazer um governo com pessoas que não são da sua confiança pessoal, o que é da dimensão política maior.
Para o cientista política, faltou experiência não só à equipe que o prefeito reuniu, mas a ele próprio, para incorporar e liderar pessoas com mais bagagem:
— Rafael é muito jovem, com um mandato de vereador, não tem esse estofo político para enfrentar isso. Inclusive com pessoas mais experientes, muito mais capacitadas, que ele teria que ter posto no governo. Ele teria que liderar essas pessoas no governo dele. E isso fragilizou ele, a ponto de não tomar medidas duras quando tinha que tomar. Então, ele ficou no meio do caminho. E, em certas circunstâncias, ficar no meio do caminho é o pior lugar. Quando você faz um governo só com pessoas que você conhece e confia, isso denota uma inexperiência e uma insegurança. Eu acho que isso vem da pouca idade dele e da pouca experiência política. E na tradição política dele, que é muito familiar, ele não tinha bem o avô (o ex-prefeito Zezé Barbosa) vivo e nem o pai (o ex-deputado estadual e ex-vereador Sérgio Diniz) vivo. De modo que ele ficou muito sozinho. O povo vai lá e se manifesta, te dá o poder. Deu um poder muito forte para ele no primeiro turno. Eu acho que ele não soube avaliar esse poder e avaliar também uma coisa paradoxal: teria que tomar medidas que iriam contrariar o público que lhe deu esse poder.
E as perspectivas do professor da Uenf para as eleições de outubro em Campos?
— À luz da história, quando a alternativa não é bem sucedida, retornam as velhas oligarquias, repaginadas. Ou às vezes nem repaginadas. Na desilusão das pessoas diante da alternativa, vem a visão ingênua: “Ah, no tempo de fulano era melhor!”. Bom, mas também no tempo do fulano a conjuntura era diferente, a situação orçamentária era diferente. Mas as pessoas não levam em conta essa questão, porque ela é muito racional. As pessoas levam em conta a experiência individual, emocional delas: “Ah, eu tinha mais satisfação naquele tempo”. Eu estava bem e agora estou mal. Mas você não está mal por causa do governo, é porque a conjuntura mudou. As oligarquias têm chance de voltar: tanto o Caio (Vianna, pré-candidato do PDT), quanto o Wladimir (Garotinho, deputado federal e pré-candidato do PSD). Arnaldo (Vianna, PDT, ex-prefeito e pai de Caio) veio do grupo do Garotinho. Mas o modelo não é muito diferente, é o mesmo governo de oligarquias opacas e familiares. O governo, apesar da dificuldade, tem o que mostrar, inclusive o fato de não ter afundado a cidade; a cidade sobreviveu. Na área da Educação e dos Esportes têm coisas muito interessantes a mostrar. Se as velhas oligarquias voltarem, vamos dar um passo atrás.
Confira nos três vídeos abaixo a íntegra da entrevista de Hamilton Garcia ao Folha no Ar. O primeiro sobre o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o segundo sobre o governo Wilson Witzel (PSC) e o terceiro, sobre o governo Rafael:
Ex-prefeito e pré-candidato a prefeito de Quissamã, Armando Carneiro (PSC) é o convidado do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3, a partir das 7h da manhã desta sexta (14). Ele é o segundo pré-candidato ao Executivo quissamaense recebido no programa, que teve (aqui) a prefeita Fátima Pacheco (DEM) no último dia 5. Armando falará sobre a nova realidade financeira do município petrorrentista, com a queda nas arrecadações nos royalties do petróleo, cuja partilha já aprovada no Congresso Nacional tem julgamento marcado para 29 de abril no Supremo Tribunal Federal (STF). Também falará sobre suas questões com a Justiça, que não o impediram de ser candidato a deputado estadual pelo PV em 2018. E das suas perspectivas para a eleição municipal de outubro deste ano.
Quem quiser participar ao vivo pode fazê-lo com comentários em tempo real no streaming do programa, cujo link será disponibilizado alguns minutos antes do seu início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
José Renato Pontes confirmou sua pré-candidatura a prefeito de São Francisco no programa Folha no Ar, que contou mais uma vez com a participação especial do blogueiro Edmundo Siqueira (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)
No microfone do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3, o principal grupo de oposição à prefeita de São Francisco de Itabapoana, Francimara Barbosa Lemos (PSB), estará unido na eleição municipal de outubro. No programa da manhã de ontem (11), o pré-candidato Marcelo Garcia (PSDB) disse (aqui) que apoiaria o empresário atacadista e produtor rural José Renato Pontes (sem partido), se este for o nome escolhido do grupo — cujo principal nome é o ex-prefeito Pedrinho Cherene (atual MDB), impedido de concorrer por decisão judicial. E, na manhã de hoje (12), no espaço democrático da rádio mais ouvida de Campos e região, foi a vez de José Renato, que é cunhado de Pedrinho, dar a contrapartida. E se Marcelo for escolhido como o candidato?
— Sim, não tenho nada a opor. Vou (apoiar Marcelo, se ele for o escolhido). Nós temos que sentar para definir, para conversar. Não tem prazo. Eu tenho conversado com o Marcelo. É outra pessoa que tem muito boa vontade por São Francisco, não se pode negar isso. E eu vejo ele como um bom pré-candidato. É um cara que tem uma carreira política. Ninguém pode negar o conhecimento, a inteligência de Marcelo Garcia.
Diferente de Marcelo, que embora espere contar com o apoio de Pedrinho, mas propõe uma renovação radical na administração de São Francisco, José Renato se mostrou apegado à tradição. Que divide a política são fransciscana entre as famílias Cherene e Barbosa Lemos, desde a emancipação do município de São João da Barra, em 1995:
— Eu tive um professor. E quando o professor é bom, o aluno tem que ser melhor que o professor. O aluno tem que ser dedicado pra ser melhor. Meu professor foi (o ex-prefeito) Pedro Cherene (falecido e pai de Pedrinho), que me ensinou muito. Pode vir um nome lá, mas vai sair de um desses dois grupos. Marcelo Garcia é do grupo dos Cherene. Quando ele rompeu com Pedrinho e se lançou candidato a prefeito (em 2016) como terceira via, ele não conseguiu. E tirou a eleição de Pedrinho. Quando acabou a eleição, eu estive com Pedrinho e perguntei: “O que você imagina que tirou sua (re)eleição? Ele disse: “Foi a candidatura de Marcelo”.
Neste ponto da entrevista, José Renato foi indagado por Edmundo Siqueira, em participação especial na bancada do Folha no Ar, se o que houve na eleição de 2016 pode influenciar a escolha do candidato de oposição a prefeito em 2020. O entrevistado negou, pregou a união do grupo e o respeito à prefeita Francimara, cujo governo havia sido duramente criticado por Marcelo:
— Não, não vejo (influência de 2016 em 2020). Tem que juntar o grupo, tem que juntar as pessoas, sem ter vaidade nenhuma. Agora eu vou falar uma coisa: nós temos que ter temor a Deus, mas nunca podemos subestimar ninguém. E, na eleição de 2016, subestimaram Francimara. E ela saiu do zero e ganhou a eleição. Tem que respeitar. Tem gente que subestima o outro, não tem? Então, o que aconteceu na eleição de São Francisco em 2016 foi isso.
José Renato também respondeu a uma pergunta feita no Folha no Ar do dia anterior a Marcelo Garcia. Que papel Pedrinho Cherene teria em um eventual governo seu?
— Bom, ele tem sua experiência política. Ele tem sua experiência administrativa. A gente aprende mais nos erros do que nos acertos. E a gente cresce mais na dificuldade do que na facilidade. Não sei se ele (Pedrinho) vai querer compor. Poderia até oferecer uma secretaria de Saúde a ele (que é médico). Mas ele tem o problema com a Justiça e precisa resolver isso primeiro. Ele está recorrendo e continua a dizer que é pré-candidato. Pedrinho é um cara inteligente. Nós somos cunhados. Pedrinho seria um bom conselheiro do meu (eventual) governo.
O entrevistado também citou outras pré-candidaturas a prefeito em São Francisco, além da dele, de Marcelo e de Francimara:
— Nós temos lá Papinha (ex-deputado estadual e ex-vereador em Campos, PSL), temos a Thaise Manhães (PMB) que também se lançou pré-candidata, é uma pessoa muito trabalhadora, é enfermeira. Papinha, todo mundo sabe que é político. Voltando, vou falar de novo: nós não podemos subestimar ninguém. Ele (Papinha) está lá, fazendo o trabalho dele, ocupando o seu espaço. O sol nasceu para todos. Tem que respeitar.
Confira nos três vídeos abaixo a íntegra da entrevista de José Renato Pontes ao Folha no Ar:
A partir das 7h da manhã desta quinta-feira (13), o cientista político e professor da Uenf Hamilton Garcia será o convidado do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3. Na rádio mais ouvida de Campos e região, ele falará sobre o governo federal Jair Bolsonaro (sem partido) e da analogia dos servidores públicos brasileiros com “parasitas”, feita pelo ministro da Economia Paulo Guedes; o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a situação da Uenf; e o governo Rafael Diniz (Cidadania) e as perspectivas para a eleição municipal de outubro.
Quem quiser participar ao vivo pode fazê-lo com comentários em tempo real no streaming do programa, cujo link será disponibilizado alguns minutos antes do seu início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.