Raul Palacio a reitor: “A Uenf tem um papel de desenvolver a nossa região”

 

Candidato a reitor da Uenf, professor Raul Palacio foi o entrevistado da manhã de hoje no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“A polarização não leva a nenhum resultado. É muito difícil convencer uma pessoa que está polarizada a ele sair do seu ponto e entender o outro. Porque não existe entendimento na polarização”. Foi que o professor e candidato a reitor da Uenf Raul Palacio, cubano naturalizado brasileiro, disse no início da manhã de hoje, ao vivo no programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, sobre a situação entre os regimes opostos da sua Cuba natal e dos Estados Unidos. Mas que também pode se aplicar à sua narração da luta política, travada pela Uenf na Alerj, para garantir a autonomia financeira das universidades estaduais fluminenses a partir do sistema de duodécimos.

Apesar de classificar como “inumano” o bloqueio comercial dos EUA à Cuba, Palacio também criticou a falta de transparência da ditadura de esquerda da ilha caribenha na prestação de contas à sua população. Assim como a separação entre pais e filhos promovida pelos dois países ideologicamente opostos. E que sofreu na pele, após ficar alguns anos sem poder ver sua família em Cuba, incluindo seu filho do primeiro casamento, depois que veio dar seguimento à formação acadêmica no Brasil e decidiu ficar por aqui. “Por isso tenho problemas dos dois lados. Porque eu acho que os dois lados estão errados”.

O candidato a reitor pela chapa 10 também falou da transferência da Escola Técnica Estadual (ETE) Agrícola Antonio Sarlo para a Uenf, ponto levantado pelo diretor da ETE, Marcelo Almeida, em participação a partir de comentário no streaming do Folha no Ar, sempre disponível (aqui) na página da Folha FM 98,3 no Facebook. Palacio respondeu que “o processor de incorporação do colégio agrícola é um processo que já não tem volta (…) o que está faltando é a assinatura do governador”. A intenção é usá-la como porta de entrada à Uenf, no estágio de iniciação científica entre estudantes universitários e do ensino médio. Isso poderia ser o início do Colégio de Aplicações.

Ao elogiar o ensino médio público dos EUA nas highschools, para além do Antonio Sarlo, Palacio lembrou: “A Uenf tem um papel de desenvolver a nossa região”. Como exemplo, ele acenou que isso poderia ser feito encurtando a distância entre o ensino médio local e a universidade. Segundo ele, que coordena o programa “Uenf Portas Abertas”, 4 mil estudantes de escolas públicas e particulares puderam ter contato direto com a universidade. “A Uenf em determinado decidiu apostar nos cursos de licenciatura. E isso é fundamental para desenvolver aquelas escolas. São os nossos estudantes que vão dar aulas naqueles cursos. Nós temos que levar os nossos estudantes para fazer estágio naquelas escolas, como estamos fazendo”, garantiu.

Como já havia sido feito (aqui) no Folha no Ar de ontem (27) com o professor Carlão Rezende, da chapa 11, e será a partir das 7h desta quinta, com o professor Enrique Medina-Acosta, da chapa 12, Palacio respondeu a uma pauta comum aos três candidatos a reitor. E nela falou sobre a autonomia financeira da universidade (saiba mais aqui), o legado do seu fundador Darcy Ribeiro, a relação com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a integração do campus Leonel Brizola com Campos, as parcerias com a  iniciativa privada e o momento difícil que as universidades vivem no Brasil e no mundo, com a onda de negacionismo e ataques ao conhecimento científico.

O representante da chapa 10 também falou da importância simbólica da Casa de Cultura Villa Maria. Construído em 1919, pelo arquiteto italiano José Benevento, o palacete foi um presente do usineiro e engenheiro Atilano Chrysóstomo de Oliveira à sua esposa, D. Maria Queiroz de Oliveira. Conhecida como Dona Finazinha, por ter nascido no Dia de Finados, e por seu interesse na promoção de atividades culturais, ela morreu em 1970, quando deixou o prédio em testamento para que viesse a funcionar como sede da futura universidade no Norte Fluminense. Antes da instalação da Uenf em 1993, a Villa chegou a ser sede da Prefeitura de Campos.

As respostas de Palacio sobre essa pauta comum podem ser conhecidas nos vídeos do programa ao final desta postagem, ou na edição da Folha da Manhã desta quinta. Em rádio e jornal, o mesmo espaço foi e será ofertado aos representantes das duas outras chapas.

A eleição começa já no sábado (31), na Fundação Centro de Educação à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). E, na próxima terça (03/09), atinge seu clímax no campus de Campos e no campi da universidade em Macaé. O universo é de aproximadamente 8 mil alunos, divididos entre cerca de 300 professores, 600 técnicos e 7 mil alunos. Na definição do próximo reitor da Uenf, nos quatro anos seguintes, os votos dos professores terão peso de 70%, cabendo 15% aos alunos e os outros 15% aos técnicos.

Nos três blocos abaixo, confira a entrevista de Raul Palacio:

 

 

 

 

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“A Morte Pede Carona”, em homenagem a Rutger Hauer, nesta quarta no Cineclube

 

Na pele do implacável psicopata de “A Morte Pede Carona”, Rutger Hauer tem homenagem póstuma no Cineclube Goitacá

 

Às 19h desta quarta (28), o Cineclube Goitacá traz um clássico cult dos anos 1980. Como sempre o espaço é da Oráculo Produções, do ator Luiz Fernando Sardinha, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio. Misto de thriller de suspense e road movie, “A Morte Pede Carona” (1986), de Robert Harmon, será exibido em homenagem póstuma ao ator holandês Rutger Hauer. Morto (aqui) aos 75 anos em 24 de julho, ele imortalizou na história do cinema o replicante Roy Batty, em “Blade Runner — O Caçador de Andróides” (1982), de Ridley Scott, exibido em 19 de junho no Cineclube, pelo estudante e cinéfilo Lucas Rodrigues.

Em “A Morte Pede Carona”, Hauer vive o misterioso e cruel psicopata John Ryder, que pega carona pela mítica Route 66, em meio ao deserto do sudoeste dos EUA. E não poupa da sua sanha sanguinária nem as mulheres e crianças nos carros que cometem a imprudência solidária de pegar-lhe na estrada. Ele tem menos sorte com o jovem Jim Halsey, interpretado por C. Thomas Howell, que guia um carro para entregá-lo na Califórnia. Por isso Ryder passa a perseguir obsessivamente o rapaz, matando quem cruzar à sua frente, inclusive todos os policiais de uma delegacia. Tudo para incriminar Halsey. Só quem acredita na sua incocência é a garçonete Nash, na pele de Jennifer Jason Leigh, outra figurinha carimbada dos anos 1980.

Há uma evidente tensão sexual entre o psicopata, o rapaz e a garçonete. Que só se consuma com mais violência. É uma pequena obra prima do diretor Robert Harmon, que não emplacou no cinema e migraria à TV nos anos 1990. O mesmo aconteceria com o ator C. Thomas Howell, após iniciar sua carreira no clássico “E.T. — O Extraterrestre” (1982), de Steven Spielberg, antes de protagonizar outro filme cult daquela década, “Vidas Sem Rumo” (1983), de Francis Ford Coppola. Nele, contracenava com outros então jovens e desconhecidos atores que depois se tornariam astros, como Tom Cruise, Patrick Swayze, Matt Dillon e Diane Lane.

Se Harmon e Howell não repetiriam o mesmo sucesso de público e crítica alcançado em “A Morte Carona”, o filme não envelheceu nos últimos 33 anos. E continua a cumprir seu objetivo, que é prender a respiração do espectador e seu corpo à poltrona. Sua figura feminina principal, Jennifer Jason Leigh também se seguraria na carreira, participando do elenco de produções recentes importantes, como “Os Oito Odiados” (2015), escrito e dirigido por Quentin Tarantino.

Mas a estrela de “A Morte Pede Carona” é mesmo Rutger Hauer. Seus olhos azuis deram brilho a um dos psicopatas mais marcantes do cinema de uma década. A popular advertência “não dê carona a estranhos”, exibida no cartaz do filme, poucas vezes fez tanto sentido.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Sesi anuncia programação de setembro, que traz João Bosco no dia 20

 

Grande ator do teatro campista e produtor cultural gente boa, o Alexandre Ferram enviou por WhatsApp a programação cultural do Sesi em setembro. Ressalvado que não conheço as outras três atrações, não dá para deixar de dizer que a estrela do mês será o show do compositor, cantor e violonista mineiro João Bosco, no dia 20.

Os ingressos estarão disponíveis para venda a partir do dia 2. Antes disso, confira abaixo a programação setembrina dessa trincheira da cena cultural de Campos dos Goytacazes:

 

 

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Assembleia dos dentistas não debate pauta, tem entrega de cargo e troca de acusações

 

 

Mesmo que a imprensa tenha tido o acesso negado à assembleia na noite de ontem (26) do Sindicato dos Odontologistas do Norte do Estado do Rio (Sonerj), não foi difícil à coluna Ponto Final de hoje antecipar (aqui) seu resultado: os cerca de 450 dentistas da Saúde Pública de Campos não aderiram à greve deflagrada pelos colegas médicos (aqui) desde o último dia 7. A novidade do encontro realizado no auditório do edifício Connect Work Station foi que o presidente do Sonerj, Domingos Ferreira Junior, entregou o cargo. E propôs dissolver o sindicato, cuja representatividade foi questionada (aqui) desde que o edital de convocação da assembleia elencou como primeiro item da sua pauta o ponto biométrico. Em maio ele começou a ser instalado (aqui) no serviço público de Campos.

Além da polêmica biometria, que os servidores odontólogos garantem não estar contra, a pauta da assembleia do Sonerj tinha outros dois itens: condições de trabalho e salários. Mas, no lugar de debater os três pontos, e de acabar servindo para Domingos entregar o cargo de líder da categoria, quem esteve presente na reunião testemunhou que ela foi marcada pelas críticas à atuação do sindicato, além de bate-boca pouco produtivo entre os presentes:

—  Após anos omisso, o Sonerj decide fazer uma assembleia, cancela e, então a mantém na última segunda. O presidente abriu a sessão fazendo uma recapitulação de todos esses episódios e abordando a controversa e extremamente criticada pauta. Por fim, anunciou sua renúncia à presidência do sindicato. Lamentavelmente, a necessária assembleia se dissolveu em acusações e contra-acusações desprovidas de qualquer propósito maior. A cereja do bolo será a provável dissolução da representação sindical. E assim termina a história do Sonerj. Jaz como se jamais houvesse — descreveu o dentista e servidor municipal Alexandre Buchaul.

O edital de convocação do Sonerj para a assembleia de segunda foi divulgado na última sexta (23). Após a reação negativa de dentistas e da sociedade ao fato do ponto biométrico ser colocado como primeiro item da pauta, no sábado (24) Domingos procurou a redação da Folha para anunciar que a assembleia estava cancelada, como o Ponto Final democraticamente publicou (aqui) no domingo (25). Mas, neste mesmo dia, o presidente do Sonerj pediu a uma colega que avisasse à categoria no grupo de WhatsApp “Dentistas de Campos” que a assembleia seria mantida (aqui) para o dia 26. Fechada à imprensa, o resultado foi o que os presentes puderam ver na noite de ontem.

 

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Carlão a reitor: “As pessoas têm que perceber que a Uenf é da cidade, é da região”

 

No Folha no Ar da manhã de hoje, os professores Juraci (esq.) e Carlão falaram das suas propostas para disputar a reitoria da Uenf (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“Reconhecemos que a Uenf é fruto de uma luta regional, principalmente da cidade de Campos”. Foi o que lembrou o candidato a reitor da Uenf Carlão Rezende, logo na abertura da sua entrevista no início da manhã de hoje, no programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. E foi complementado logo na sequência por seu companheiro de chapa, o candidato a vice-reitor Juraci Sampaio: “A Uenf hoje não está apenas em Campos, mas em 11 polos espalhados pelo Norte e Noroeste do Estado”.

No que é particular à chapa 11 “Avança, Uenf: Ciência e Sociedade”, Carlão e Juraci deram detalhes da proposta central da sua campanha: “A universidade pública brasileira vem sofrendo inúmeras investidas para alterar o seu modelo de funcionamento. A pior delas é a que pressiona pela descontinuidade das políticas de financiamento público. A nossa chapa defende a universidade pública, gratuita, de excelência e socialmente referenciada”.

Na pauta comum aos outros dois candidatos a reitor da Uenf, Raul Palacio e Enrique Medina, que serão respectivamente entrevistados no Folha no Ar destas quarta (28) e quinta (29), Carlão e Juraci falaram sobre a autonomia financeira da universidade (saiba mais aqui), o legado do seu fundador Darcy Ribeiro, a relação com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a integração do campus Leonel Brizola com Campos, as parcerias com a  iniciativa privada e o momento difícil que as universidades vivem no Brasil e no mundo, com a onda de negacionismo e ataques ao conhecimento científico.

Os representantes da chapa 11 pela reitoria da Uenf também falaram da importância simbólica da Casa de Cultura Villa Maria. Construído em 1919, pelo arquiteto italiano José Benevento, o palacete foi um presente do usineiro e engenheiro Atilano Chrysóstomo de Oliveira à sua esposa, D. Maria Queiroz de Oliveira. Conhecida como Dona Finazinha, por ter nascido no Dia de Finados, e por seu interesse na promoção de atividades culturais, ela morreu em 1970, quando deixou o prédio em testamento para que viesse a funcionar como sede da futura universidade no Norte Fluminense. Antes da instalação da Uenf em 1993, a Villa chegou a ser sede da Prefeitura de Campos.

As respostas de Carlão e Juraci sobre essa pauta comum podem ser conhecidas nos vídeos do programa ao final desta postagem, ou na edição da Folha da Manhã desta quarta. Nos dias seguintes, em rádio e jornal, o mesmo espaço será ofertado aos representantes das duas outras chapas.

A eleição começa já no sábado (31), na Fundação Centro de Educação à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). E, na próxima terça (03/09), atinge seu clímax no campus de Campos, e no campi avançado da universidade em Macaé. O universo é de aproximadamente 8 mil alunos, divididos entre cerca de 300 professores, 600 técnicos e 7 mil alunos. Na definição do próximo reitor da Uenf, nos quatro anos seguintes, os votos dos professores terão peso de 70%, cabendo 15% aos alunos e os outros 15% aos técnicos.

Independente do resultado das urnas, Carlão traçou o tamanho do desafio: “A gente vai precisar de união para superar coisas que ainda vêm pela frente. E não só união não dentro da Uenf. União com o IFF (Instituto Federal Fluminense), união com a UFF (Universidade Federal Fluminense), com as outras instituições daqui. Campos tem que ter muito orgulho não só da Uenf, mas do que ela se tornou ao longo dos últimos 27 anos: o segundo polo universitário do Estado do Rio de Janeiro (…) As pessoas têm que perceber que a Uenf é da cidade, é da região”.

 

 

 

 

Leia a entrevista na edição desta quarta (28) na Folha da Manhã

 

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Às 7h de terça a quinta, candidatos a reitor da Uenf na Folha FM. Na sexta, Mérida

 

Folha no Ar receberá, de terça a quinta, os candidatos a reitor da Uenf: Carlão de Rezende, Raul Palacio e Enrique Medina (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A partir desta terça (27), sempre às 7h da manhã, o programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, entrevistará individualmente os três candidatos a reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). A eleição começa já no sábado (31), na Fundação Centro de Educação à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). E, na próxima terça (03/09), atinge seu clímax no campus Leonel Brizola, em Campos, e no polo avançado da universidade em Macaé. Nesta terça, o convidado do programa de rádio mais ouvido de Campos e região será o candidato Carlão de Rezende, seguido de Raul Palacio na quarta (28), fechando com Enrique Medina na quinta (29).

Apesar das entrevistas do Folha no Ar serem geralmente feitas em clima mais descontraído de bate-papo, os três candidatos serão indagados sobre temas comuns. Entre eles, a sonhada autonomia financeira da universidade, o legado do seu fundador Darcy Ribeiro, a relação com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a integração do campus com a cidade que o sedia, as parcerias com a  iniciativa privada e o momento difícil que as universidades vivem no Brasil e no mundo, com a onda de negacionismo e ataques ao conhecimento científico. Sobre estes temas comuns, as entrevistas serão transcritas nas respectivas edições dos dias seguintes da Folha da Manhã: Carlão na quarta, Raul na quinta e Enrique na sexta.

 

Pré-candidato a prefeito de Campos pelo PSC, Marcelo Mérida fecha a semana do Folha no Ar na sexta (Foto: Folha da Manhã)

 

Após concluir o ciclo de três entrevistas com os candidatos a reitor da Uenf, em cujo processo de instalação a Folha da Manhã foi uma trincheira no início dos anos 1990, o Folha no Ar 1ª edição fechará a semana com o empresário Marcelo Mérida. No último dia 14, ele assumiu (aqui) a presidência municipal do PSC, partido de Witzel, pelo qual pode vir como candidato a prefeito de Campos em 2020.

 

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Folha FM: Geraldo Venâncio analisa greve dos médicos na Saúde Pública de Campos

 

Médico e ex-secretário municipal de Saúde, Geraldo Venâncio analisou na manhã de hoje, na Folha FM 98,3, a greve da sua categoria na Saúde Pública de Campos (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Deflagrada no último dia 7, a greve dos médicos da Saúde Pública de Campos é um clássico conflito entre patrão e empregado. A constatação é do ex-secretário municipal de Saúde do governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri), ex-vereador, atual diretor do Hospital Álvaro Alvim e médico gastroenterologista, Geraldo Venâncio. Ele foi o entrevistado do início da manhã de hoje do programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3. E garantiu que a instalação do ponto biométrico não é uma das causas do movimento. Embora tenha sido listada (aqui) como primeiro item da pauta dos dentistas e servidores municipais, cuja categoria tem marcada, cancelada e reconfirmada (aqui) às 19h de hoje.

Geraldo comentou a visita que hoje (aqui) conselheiros estaduais do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) fazem a Campos, para avaliar a greve. Ela só terá fim, na visão do experiente médico e político, com base no diálogo. E apontou o ponto que julga fundamental para que os médicos voltem a trabalhar: o pagamento das gratificações, cujos 50% do último mês foram depositados na conta dos médicos no último dia 22, após atraso de um dia motivado pelo bloqueio jurídico da conta da Prefeitura. As substituições, outro pleito da categoria, para Geraldo interessam mais aos servidores da enfermagem e serviço paramédico. Mas admitiu: “a greve tem o momento de começar e o momento de terminar”.

Questionado sobre a ironia da sua categoria em Campos ter votado em peso a presidente em 2018 no anticomunista Jair Bolsonaro (PSL), mas ter a legitimidade da greve no conceito da luta de classes, presente em qualquer conflito entre patrão e empregado, fundado por Karl Marx, Geraldo respondeu com outra ironia: “voto com o relator”. Como professor de gerações de médicos na Faculdade de Medicina de Campos (FMC), ele também analisou a mudança no perfil da carreira, menos humanizada nos últimos anos, no que se refere ao tratamento dos pacientes, depois que passou a ser mais buscada por interesse pecuniário do que por vocação pessoal.

Geraldo também questionou condução do governo Rafael Diniz (Cidadania), que em seu entender endureceu o discurso antes da greve, após os médicos já terem manifestado seu descontentamento com a suspensão do pagamento das gratificações e substituições, por motivo de contingenciamento de gastos, com a queda das receitas do petróleo. Embora tenha defendido realizações do governo Rosinha, que integrou, ele não questionou o desperdício de dinheiro público na época das “vacas gordas” dos royalties, em obras desnecessárias como o Cepop, erguido a R$ 100 milhões.

Ainda assim, Geraldo fez elogios aos pré-candidatos a prefeito de Campos em 2020 Wladimir Garotinho (PSD), deputado federal, e Caio Vianna (PDT). Mas acredita que Rafael, apesar do pouco tempo para se recuperar do desgaste pelo não atendimento das expectativas, também esteja no páreo. Ele demonstrou menos crença na força do deputado estadual Gil Vianna (PSL), pela perda de popularidade que sofre quem, em tese, seria seu principal cabo eleitoral: o presidente Jair Bolsonaro.

Veja nos três blocos abaixo a íntegra da entrevista de Geraldo Venâncio ao Folha no Ar:

 

 

 

 

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Marcada no dia 23 e desmarcada dia 24, assembleia dos dentistas vai ocorrer nesta 2ª

 

 

Desmarcada no sábado, a assembleia dos odontólogos foi confirmada em grupo de WhtasApp

Para os cerca de 450 dentistas da Saúde Pública de Campos, o que seria e deixou de ser, voltou a ser. Anunciada aqui, neste blog, na última sexta (23), a assembleia do Sindicato dos Odontologistas do Norte do Estado do Rio de Janeiro (Sonerj), marcada para às 19h desta segunda (26), tinha na pauta três itens: 1) ponto biométrico, 2) condições de trabalho e 3) salário. E gerou grande repercussão. Tanto que, no sábado (24), o presidente do Sonerj, Domingos Ferreira Junior, procurou a redação da Folha para comunicar que a assembleia estava desmarcada, o que foi democraticamente anunciado (aqui) na coluna Ponto Final de domingo (25). Só que, no mesmo dia, Domingos pediu a uma colega que postasse no grupo de WhtasApp “Dentistas de Campos”, do qual não faz parte, que a assembleia da categoria vai ocorrer, sim, nesta segunda. E o presidente do Sonerj confirmou a informação ao blog:

— Nós marcamos a assembleia em edital de convocação. Mas a maneira como a pauta foi noticiada gerou reações de dentistas servidores que disseram não se sentirem representados pelo sindicato. E a declaração de um deles, que comparou o servidor que não quer o ponto biométrico com um empresário corrupto gerou muita repercussão negativa. Ninguém é contra a biometria. Temos que trabalhar as horas semanais para que fomos aprovados em concurso. A questão é como a biometria vem sendo feita. E as condições de trabalho, que também estão na pauta. Por conta da reação, procuramos a Folha no sábado para comunicar o cancelamento da assembleia de segunda. Mas como não conseguimos publicar o edital de cancelamento nos classificados do jornal, que já tinham fechado, fomos aconselhados por motivos jurídicos a manter a assembleia. E fomos pressionados também pelos mesmos que disseram não se sentir representados pelo sindicato. Daí pedi a uma colega que avisasse à categoria no grupo de WhatsApp “Dentistas de Campos”, porque não faço parte dele — explicou o presidente da Sonerj.

O local da assembleia é o mesmo marcado incialmente: no auditório do edifício Connect Work Station, na rua Saldanha Marinho, 458. Abaixo, o edital de convocação do dia 23, que foi cancelado no dia 24 e confirmado no dia 25 para o dia 26:

 

 

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Vídeo de doutor sobre biometria evidencia: é preciso talento para ser bobo da corte

 

Estátua do bobo da corte Yorick em Stratford-upon-Avon, cidade em que Shakespeare nasceu e morreu

 

A figura do palhaço de circo remonta o bobo da corte, o bufão, o clown imortalizado tanto nas comédias, quanto nas tragédias de William Shakespeare. Em “Hamlet”, é o crânio do bobo da corte Yorick desenterrado no cemitério que o príncipe da Dinamarca toma nas mãos para resgatar suas memórias mais caras da infância. E mergulhar na efemeridade humana enquanto encara as órbitas vazias do crânio do bobo da corte, momento alto da dramaturgia ocidental. Está na cena 1 do ato 5 da peça. Ainda assim, talvez por seu impacto visual, há quem coloque o encontro no solilóquio do “ser ou não ser”, que está na cena 1, mas do ato 2 de “Hamlet”.

 

O príncipe Hamlet de Mel Gibson encara o crânio do bobo da corte Yorick

 

Em Stratford-upon-Avon, cidade inglesa que conserva boa parte da arquitetura medieval dos tempos em que Shakespeare lá nasceu e morreu, inclusive a casa onde ele viveu, é a estátua de Yorick que está na praça central. Com a perna direita para o ar, equilibra no dedo indicador da mão esquerda a cabeça de um boneco. Representa a do próprio Yorick, antes da terra consumir-lhe as carnes. Mas é o reconhecimento vivo da cidade de Shakespeare à importância do seu personagem. E ao fato de que é necessário talento para ser um bobo da corte.

Neste final de semana, o blogueiro do Folha1 Edmundo Siqueira me enviou um vídeo divulgado no Facebook por um doutor da Saúde Pública de Campos. Nele tenta ironizar a cobertura da Folha sobre a greve dos médicos da Saúde Pública de Capos, inclusive a do Edmundo, tentando reduzi-la à questão do ponto biométrico. Na verdade, como é comum aos hipócritas, não aos bobos da corte, pretendeu vender uma questão que é sua, ou da classe que arroga representar, como se fosse do jornal. E se resposta merece, é aqui, na circunscrição do blog, com o anonimato à vaidade fútil de quem não merece ter o nome lembrado.

Sobre as diferenças entre noticiário e opinião em qualquer jornal do mundo, ou da opinião de um blogueiro, colunista ou articulista de um jornal, para a opinião do jornal, coube a esta fazer as distinções devidas. Foi na coluna Ponto Final (aqui) do último dia 10. Que se tornou necessária pela ressalva ali feita: “Não se espera que médicos saibam sobre jornalismo mais do que jornalistas sabem sobre medicina”. A mesma que depois concluiu: “ É opinião do jornal, por exemplo, que o governo errou ao implantar o ponto biométrico, ao mesmo tempo em que suspende as gratificações e substituições dos médicos”.

Mesmo diante disso, o vídeo do doutor se denunciou como resposta ressentida ao adjetivo “famigerado”. Foi utilizado aqui, para falar sobre o ponto biométrico em postagem na sexta (23) do blog “Coxinha de mortadela”, do Edmundo. Na verdade, o blogueiro abordou a vinda de conselheiros estaduais do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) a Campos, nesta segunda (26), para tratar da greve dos médicos. E o doutor se apegou ao detalhe para julgar o todo — naquilo mais conhecido como sofisma das partes — e tentar fazer graça. Talvez da própria capacidade cognitiva de interpretação.

Mas o vídeo do doutor parece ter sido também motivado por uma postagem deste blog (aqui), no mesmo do dia 23. Ela tratou da convocação do Sindicato dos Odontólogos do Norte do Estado do Rio de Janeiro (Sonerj) para uma assembleia da categoria, entre os dentistas da Saúde Pública de Campos, que também se daria nesta segunda. Publicado na postagem, o edital de convocação tinha como primeiro item da pauta o… ponto biométrico. Sobre isso também foi publicada a analogia de alguém insuspeito, por também odontólogo e servidor municipal de Campos:

—  O servidor que se nega a ter fiscalizadas suas horas de trabalho, pelas quais firmou contrato pessoal com a Prefeitura assim que se inscreveu no concurso público, tem pouca ou nenhuma diferença para o empresário corrupto que vende mil garrafas d’água ao poder público, mas só entrega 500 ao respeitável público que pagou pelas mil.

Pelo impacto negativo do evidenciado no edital de convocação do Sonerj — um documento, que não costuma mentir como as testemunhas —, as reações foram fortes e imediatas. E o blog, democraticamente, acresceu a postagem do contraditório externado pelos odontólogos e servidores municipais Beto Miranda e Rafael Correa. Ainda assim, o incômodo foi tanto que o presidente do Sonerj, Domingos Ferreira Junior, procurou a Folha no sábado (24) para anunciar (aqui) que havia desmarcado a assembleia da categoria. Mas voltou a confirmá-la (aqui) hoje (25) para esta segunda (26), no grupo de WhatsApp “Dentistas de Campos”.

Como qualquer leigo é capaz de constatar, o assunto é complexo. E sério demais para se tentar fazer graça. Mas, se fosse o caso, como a cidade de Shakespeare adverte na estátua de Yorick, é necessário algum talento para ser bobo da corte.

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — Morreu o tio rico, Royalties, de Campos dos Goytacazes

 

Gustavo Alejandro Oviedo, advogado, publicitário e crítico de cinema

Morreu o tio rico

Por Gustavo Alejandro Oviedo

 

Imagine que você tem um tio milionário. Esse tio gosta de você pra caramba, mais do que seus próprios filhos. Gosta tanto que lhe dá uma boa mesada, tão boa quanto o que você ganha fazendo seja lá o que você faz da vida.

Você está feliz com essa mesada de seu tio, e como tem certeza que ele sempre vai gostar de você — porque os dois compartilham certo porra-louquismo — considera quase impossível que ele venha parar de lhe passar dinheiro.

Mas um dia seu tio morre. E acontece que, como o sujeito era tão porra-louca, se esqueceu de fazer testamento para favorecer você, seu sobrinho amado. A grana toda vai para os filhos.

Só nesse momento você se depara com o fato de que, agora, sua receita caiu pela metade. E suas despesas são altas, do valor equivalente à soma do seu salário, mais a extinta mesada. Você nunca poupou nem investiu esse dinheiro extra que seu tio lhe passava. O gastou em viagens, em festas, no aluguel do apartamento de luxo e na manutenção do seu carro importado. Em vez de ajustar o seu estilo de vida à nova realidade, você foi ao banco e tirou um empréstimo para pagar o IPVA do BMW.

Você já deve ter sacado esta pobre parábola: você é a Prefeitura de Campos, e o seu tio se chamava Royalties.

Foram mais de 20 anos fazendo sambódromos e parques de diversões, transformando praças em pátios de granito, “revitalizando” valas, pagando bons cachês a artistas nacionais para que venham cantar no Jardim São Benedito, e quem sabe quantas outras cositas que nem percebemos. É verdade que também foi feito algum hospital, umas avenidas e umas casinhas. Mas havia grana para tudo! Poupar? Para com isso…

Neste mês de agosto, Campos recebeu (aqui) 24% menos de royalties do que o mês anterior, e 38% menos do que agosto do ano passado. A Bacia de onde se extrai  “nosso” petróleo já está madura, e ainda por cima teremos em novembro o julgamento da constitucionalidade da lei que pode repartir os recursos para todos os municípios do Brasil. Não me parece que o tio venha a ressuscitar.

Há 20 anos o orçamento da Prefeitura de Campos era de R$ 95 milhões. Em 2014, o orçamento atingiu R$ 2,8 bilhões. Um aumento nominal de 3.000% (três mil por cento). Naquele 2014 a Prefeitura  recebeu mais de R$ 1,3 bilhões de royalties, e finalizou o exercício com superávit de mais de 166 milhões de reais*. Dois anos depois, o governo Rosinha já tinha efetuado três operações de crédito, porque não tinha condições de fechar as contas.

Para 2019, se estima que a receita de royalties apenas vá ultrapassar os 500 milhões de reais, 62% a menos do que se recebeu em 2014. E, ainda por cima, 10% desses 500 milhões vão para a Caixa Econômica Federal, para pagar a “venda do futuro”.

Ainda temos tempo de acordar e perceber que não podemos ter o mesmo nível de despesas que tínhamos quando éramos o queridinho de nosso tio. A (nem tão) nova realidade exige que se reavalie o papel da Prefeitura, não apenas para que haja uma melhor distribuição dos recursos, mas também para que se reflita sobre qual é o seu papel essencial no desenvolvimento da cidade.  O bom senso financeiro que não se teve durante 20 anos virá agora, queiramos ou não, por força da realidade impiedosa da aritmética.

 

*Dados do Relatório Anual Interno da Prefeitura de Campos, de 22/04/2015.

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Luciane Silva — A luta política da Uenf, Uezo e Uerj pela automomia financeira

 

Em 2017, sem salários, professores e fundionários da Uenf tiveram que receber doação de alimentos para poderem comer (Foto: Folha da Manhã)

 

 

Luciane Silva, socióloga, 2ª vice presidente da Aduenf, chefe do laboratório da Uenf de Estudos da Sociedade Civil e do Estado

A luta da Uenf pela autonomia fnanceira

Por Luciane Silva

 

Os anos de 2016 e 2017 foram especialmente difíceis para as universidades estaduais do Rio de Janeiro. A crise que afetou o Centro Universitário da Zona Oeste (Uezo) a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) causou atraso no pagamento de fornecedores, o atraso no pagamento de bolsas de alunos e salários de  professores e técnicos — em 2017 tivemos nossos pagamentos interrompidos durante meses —, a falta de insumos para funcionamento cotidiano destas instituições. Em 6 de dezembro de 2017, as três universidades, a partir de suas reitorias e sindicatos, enviaram uma carta aos deputados da Assembleia Legislativa, solicitando a aprovação da emenda constitucional 47. Ela garantiria o repasse do orçamento anual na forma de parcelas mensais, os duodécimos.

O principal ganho de nossas universidades seria a capacidade de previsibilidade da execução orçamentária. Entre o envio deste documento pelas universidades e a campanha pela aprovação da PEC, a Alerj foi cenário da prisão de três deputados centrais nas articulações da Casa Legislativa. Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi (todos do então PMDB) foram presos na operação Cadeia Velha, acusados de integrar esquema criminoso chefiado por Sérgio Cabral (também do PMDB) e garantir vantagens para Fetranspor e a Odebrecht dentro da Alerj.

Nesta conjuntura, no dia 19 de dezembro de 2017, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou em primeiro turno, a proposta de emenda a Constituição do Estado PEC 47/2017, que garantiria autonomia financeira às universidades estaduais. Importante ressaltar que a autonomia aprovada viria de forma escalonada:  em 2018, 33% da dotação definida de acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA 2018), 66% em 2019 e 100 % em 2020. A aprovação de uma autonomia parcelada recebeu um apoio acachapante em tempo recorde. Foram 56 votos favoráveis.

Após a luta pela autonomia financeira, a gestão Resistência e Luta (2017-2019) manifestou seu desacordo com o conteúdo alterado da PEC 47 em 2017. O parcelamento nunca pareceu uma alternativa válida para resolução dos problemas que se acumulavam em nossas universidades. Ao olharmos o caso das universidades paulistas e sua conquista de autonomia, o parcelamento parecia insuficiente para recuperar a saúde financeira de Uezo, Uerj e Uenf.

De lá para cá, a lei não foi cumprida, as reuniões não avançaram na Alerj e o exercício da autonomia, como lembrado pelo deputado Waldek Carneiro (PT) em reunião com governo e universidades em junho deste ano, não foi realizado. Ou seja, chegaremos à integralidade em 2020, sem uma parcela paga nos anos de 2018 e 2019.

A alegação do atual governo (particularmente da secretaria de Fazenda) elucida o desafio posto nos próximos meses: nas palavras da subsecretária Maria Isabel: “autonomia não vai acontecer de hoje para amanhã. Cada entidade é diferente, por isto é preciso pensar nos outros. Hoje na lei é tudo e você não vai conseguir executar. A Uerj não tem condições, do tamanho que ela é, de receber no colo dela uma bomba desta”. Os exemplos se multiplicaram com o objetivo aparente de “fazer a coisa certa” na implantação de nossa autonomia financeira. Para o governo, tudo está sendo cumprido, como frisou a representante da secretaria de Fazenda “está sendo pago o custeio, está sendo paga a folha, então não tem assim, atraso e não cumprimento. O operacional ainda não foi passado para uma conta física. Mas no andamento da universidade o fornecedor recebeu, o contrato está ali, a gente está pagando”. Importante lembrar que servidores da Justiça, ao contrário das universidades, receberam seus décimos terceiros, pois têm autonomia orçamentária.

A proposta do deputado Waldeck Carneiro é de que se faça uma experiência de três meses com o repasse de 50% do valor de custeio para as três universidades, que terão este valor depositado em suas contas. Em sua opinião, até aqui não se tem nenhuma experiência de como vão funcionar os repasses e estamos às vésperas da integralidade. Além de expressarem preocupação com as garantias para o cumprimento da folha de pagamento, o não avanço nas negociações também preocupou os presentes. Efetivamente parece que se avançou muito pouco nestes anos. Mas acima de tudo, fica a questão: quem decide sobre a autonomia das universidades? Quem decide a forma como os repasses devem ser feitos e quando devem ser feitos?

Após uma experiência terrível com atrasos seguidos de não pagamento de salários e exposição das universidades a situações de insegurança quanto às suas pesquisas  — além da insegurança física no caso da Uenf —, a autonomia foi veiculada como a salvação para Uerj, Uenf e Uezo. Faltando poucos meses para sua integralidade é urgente que façamos a discussão sobre nossa capacidade de agência na condução deste processo.

Nesta quarta-feira, dia 28, às 14h, no Centro de Ciências do Homem, a Aduenf reúne sua comunidade para debater autonomia financeira e autonomia universitária. Estarão presentes representantes do Andes, da Unicamp e da Unirio. Em uma conjuntura de ataque à ciência e à educação, este debate é fundamental.

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Ricardo Amorim por Alexandre Buchaul: Lula/Arnaldo, Dilma/Rosinha e Temer/Rafael

 

Painel do slideshow da palestra do economista e jornalista Ricardo Amorim no Trianon, na última quarta, dia 21 (Foto: Alexandre Buchaul)

 

 

Alexandre Buchaul, odontólogo, servidor municipal e pré-candidato a prefeito de Campos

Do Planalto à planície

Por Alexandre Buchaul

 

Trazendo à nossa terra as reflexões levadas a termo por Ricardo Amorim, na brilhante palestra (aqui), apresentada no Trianon, na quarta-feira, 21 de agosto. Peguei-me comparando os atores políticos nacionais a seus “similares” campistas. Guardadas as devidas proporções, diria que Campos reflete bem o que se passou no cenário nacional, tempos de bonança desperdiçada antecedendo crises e novamente ciclos de bonança que acabaram alimentando o populismo e criando novos tempos de crise. Vejamos:

Arnaldo Vianna (de volta, aqui, ao PDT) simbolizaria o nosso Lula. Assumiu uma prefeitura enxuta, com poucas obrigações, e receita subindo como um foguete. Há os que queiram dizer que sua receita total do último ano de mandato fora de apenas R$ 600 milhões. E, aí, cabe um parênteses. Se atualizada pela taxa Selic essa receita seria o equivalente, hoje, a algo em torno de R$ 3 bilhões e a bagatela de R$ 46 milhões gasta com os devaneios materializados na praça São Salvador corresponderiam a pouco mais de R$ 200 milhões, dinheiro suficiente para quase 20 hospitais São José. Diferente de Lula, Arnaldo contou com um judiciário benevolente e está inelegível há bons anos. Estivesse submetido aos rigores com que a Lava Jato trata os corruptos atualmente, certamente teria sido condenado a penas mais duras — provavelmente à prisão, assim como o Lula.

Rosinha Garotinho seria a nossa Dilma Rousseff. Usou e abusou do orçamento para manter políticas insustentáveis, inflou programas sociais com fins eleitoreiros, não mostrou qualquer respeito pela saúde fiscal do município. A operação Chequinho da Polícia Federal,  a rejeição das contas pelo TCE-RJ e pela Câmara puniu os Garotinho, como o impeachment puniu a ex-presidente Dilma. A derrota nas urnas deu o claro recado de que a recessão que se iniciava tinha um preço alto. Um preço que nenhuma antecipação de receita (“venda do futuro”) seria capaz de cobrir.

Rafael Diniz, nosso Michel Temer.  Ao contrário do ex-presidente que assumiu com popularidade já não elevada, Rafael assume com ares de salvador da pátria e, parafraseando o Ricardo Amorim, expectativas altas não atendidas geram frustrações igualmente elevadas. A perda de popularidade de Rafael o colocou em situação próxima à do Temer, o presidente brasileiro com maior índice de rejeição da história recente. Ferido de morte pela delação do Joesley Batista, o presidente ainda conseguiu, à custa de forte recessão, sanear alguns dos pilares de nossa economia e deixar ao sucessor condições de governo melhores que as que encontrou. Rafael parece querer deixar um legado de saúde fiscal/administrativa melhor que o recebido de Rosinha (Dilma) Garotinho. Mas, não tem tido aparente sucesso.

Uma vez mais, me valendo dos ensinamentos do jornalista e economista Ricardo Amorim, ousarei dizer que Rafael, agora com rejeição “temerária”, erra nos dois principais fatores que levariam ao sucesso de um empreendimento: time de execução e timing.

 

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