Outsider a prefeito de Campos em 2020 não nega, nem admite, e analisa quadro político

 

Por Aldir Sales e Aluysio Abreu Barbosa

 

Em todas as simulações a prefeito de Campos em 2020, a opção de outsider é quase sempre a mesma: o empresário do ramo de supermercados Joilson Barcelos. Nesta entrevista à Folha, ele não nega, nem confirma a possibilidade. Seu grupo lojista ganhou nesta semana outro potencial prefeitável: Marcelo Mérida, companheiro de Joilson, vai migrar ao PSC do governador Wilson Witzel. A não eleição de Mérida a deputado federal em 2018 foi um “sinal amarelo”, admitiu Barcelos, na tentativa do empresariado local ter representação política. Ele diz não ver diferença entre consumidor e cidadão. Foi crítico ao prefeito Rafael Diniz (PPS), assim como a Caio Vianna (PDT) e a Witzel. E ainda mais duro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas elogiou a prefeita sanjoanense Carla Machado (PP), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) e o ministro da Justiça Sérgio Moro. Sobre os Garotinho, que alguns enxergam por trás das ações da CDL/Campos, Joilson ficou em cima do muro, entre o “positivo” e o “negativo”.

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

 

Folha da Manhã – Você é pré-candidato a prefeito de Campos?

Joilson Barcelos – Vou responder o que falo para todo mundo que me pergunta isso. Nessa semana eu tive um momento lá na obra (do novo Shopping Guarus) que um grupo de pedreiros e ajudantes vieram me fazer essa mesma pergunta. E eu respondi para eles o seguinte: eu sou empresário, não sou político, mas o caminhar da coisa que vai decidir depois. Não te direi que serei candidato, mas também não sei se não vou. Vamos ver como vai ser lá para frente.

 

Folha – Você tem vontade de ser prefeito de Campos?

Joilson – Vou dizer o que falei com minha família. Eles também me apertaram sobre isso. Nós sempre temos sonhos e vou contar um dos sonhos que tive quando era muito jovem. Sempre pautei minha vida para chegar a esse momento, que fosse reconhecido. Eu muito jovem, aos 17 anos, sempre me incomodei muito com a questão da desigualdade, também com a pessoa que tem poder e usa o poder pelo poder. E lá atrás meu sonho era ser prefeito de São João da Barra, porque eu sou de lá. Eu tinha uma visão que teria de ser apoiado por Genecy Mendonça (o Dodozinho, ex-prefeito de SJB), que era um grande líder na região. Desse momento que eu pautei minha vida, que eu fosse reconhecido. E o que eu falei com minha família é que é um sonho. Mas o sonho tem que ser com responsabilidade para não virar pesadelo. Hoje eu tenho um momento muito importante na minha empresa. Não posso ser irresponsável de largar a minha empresa no momento em que ela está hoje e concorrer a um cargo político, que é um sonho. Ser prefeito de uma cidade como Campos, acho que o cara que não tiver esse sonho de ser, ele não está sonhando com um dia melhor, uma vida melhor. Sou uma pessoa muito grata pela sociedade, que hoje reconhece que eu possa ser prefeito, que possa ter uma liderança diante de uma cidade como Campos, com 500 mil habitantes. Fico muito grato e me sinto à vontade para dizer que isso é muito satisfatório em saber. Mas eu não sei se vou conseguir ser ou não, pela minha responsabilidade.

 

Folha – Você é um homem prático, de negócios e falou em São João da Barra. Você está hoje filiado ao PP, que é o partido da prefeita sanjoanense Carla Machado. Sua pré-candidatira seria pelo PP

Joilson – Você está falando comigo como se eu fosse um pré-candidato.

 

Folha – Quando você vai fazer seus empreendimentos comerciais, tem todo o trabalho de projeto e pesquisa antes. Como político, não?

Joilson – Isso. Do mesmo modelo, eu faço todas as coisas da minha vida. Também tenho a certeza e sei que cavalo selado não passa duas vezes. Hoje pode ser a oportunidade de eu realizar um sonho. E aí eu volto a outra pergunta. Você está se preparando para isso? Não estou. Sou filiado ao PP por causa de um momento. Existia alguma coisa que precisaria decidir e o Papinha (ex-vereador) me chamou para me filiar ao partido. Mas se você me perguntar: Joilson, você se filiou ao PP para quê? Não teve nenhum objetivo a longo prazo.

 

Folha – Quando se filiou?

Joilson – Foi na eleição de 2016. Mas não me filiei para dizer que quero ser candidato. Houve alguma especulação naquela época, de que eu poderia ser vice de fulano, de beltrano, de cicrano. Mas não houve nada como está tendo agora. Sou filiado ao PP, mas não porque tinha algum compromisso, algum projeto.

 

Folha – Você está com um novo empreendimento que até cinema vai ter, O Shopping Guarus.

Joilson – São três salas de cinema. Nós fechamos com a Casa & Vídeo, com a academia, que é do Flamengo…

 

Folha – Quanto de área construída?

Joilson – De área construída, cerca de 14 mil m².

 

Folha – Quantas pessoas empregadas?

Joilson – Hoje temos 600 pessoas. E depois da obra finalizada calculo que de 500 a 600 pessoas. Já geramos mais de 1.500 empregos, ao todo, entre indiretos e diretos.

 

Folha – Todo empresário trabalha com metas. Entre o novo empreendimento e o sonho de ser prefeito de Campos, qual viria primeiro na escala de prioridades?

Joilson – Eu tenho que colocar a minha empresa. Se hoje eu sou o que sou, é pela minha empresa. Acredito naquilo que eu vejo.

 

Folha – E a inauguração do Shopping Guarus vai ser quando?

Joilson – Inauguramos nossa loja do SuperBom no dia 15 de agosto e no dia 10 de outubro vamos inaugurar o shopping. Abrimos o shopping na parte da manhã e à noite fazemos uma comemoração com show de Daniel.

 

Folha – Então daria tempo, pelo calendário eleitoral, para cumprir uma meta e partir para outra.

Joilson – Tem todo um cronograma que vai ser analisado. Tenho que ter tudo isso bem posicionado. Tenho hoje um contrato de sócio que determina que eu tenha que me afastar totalmente se eu for candidato a qualquer cargo político. Tem todo um passo a passo de que, se vier a acontecer, tenho que me preparar bem antes. O prazo que você está falando, para uma possível candidatura, eu teria que me preparar muito antes. E eu também não vou entrar “de bucha”, não. Se eu perceber que não tenho capacidade e estrutura para tocar uma candidatura, eu também não vou. Já falei até com minha família, terminando a obra, vou fazer alguns cursos de gestão pública.

 

Folha – Qual a sua formação?

Joilson – Minha formação é muito mais do tempo de trabalho do que acadêmica. Estudei até a sétima série, depois fiz um supletivo e terminei o Ensino Médio.

 

Folha – O Brasil de hoje mudou muito na política. Tem Jair Bolsonaro (PSL) presidente, Wilson Witzel (PSC) governador e um perfil parecido com o seu, que é o de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais. De um tempo para cá, essa coisa do gestor entrou na moda. Acha que pegar pessoas que venceram na iniciativa privada para o poder público está correta? Você se vê nesse perfil?

Joilson – Vou falar por mim. Tocar uma empresa é um negócio totalmente diferente de fazer gestão de dinheiro público. Eu produzo resultado e dali faço meu grau de investimento. No poder público é diferente. Vou fazer gestão de um dinheiro que vem para mim carimbado ou vem pela arrecadação própria e preciso fazer uma gestão para a sociedade. É diferente. Para criar um ambiente bom para a sociedade. Eu acho que os prefeitos deveriam ter um plano bem alinhado com o orçamento. E o orçamento precisa ser muito bem alinhado com as necessidades da população. Você tem que planejar muito para fazer algo bem feito. A nossa gestão é com pouco dinheiro, nós, como empresários, temos que exercitar o ganhar e não perder para que faça um investimento muito bem feito para ter um resultado. Se o poder público coloca R$ 100 mil de investimento no mercado, isso se multiplica dez vezes, porque ele circula e faz a roda girar. Mas não é muito fácil se não tiver um controle e gestão bem alinhada. Aí vem os problemas que vivemos no Brasil.

 

Folha – Você se encaixa nesse perfil de gestor da iniciativa privada, como Zema, que poderia fazer a transição ao poder público?

Joilson – Aí que está o problema. Gestão pública depende muito da política. Preciso avançar como político ou preciso avançar como gestor? As coisas devem andar juntas. Não adianta eu falar que vou fazer uma gestão com o dinheiro público da mesma maneira que faço na minha empresa. Isso vai dar errado. O modelo de enxergar esse resultado que você vai precisar para desenvolver a Saúde, a Educação, a segurança, a habitação, que acho que as responsabilidades do poder público são essas. São os quatro pilares, é o que importa para a população. Se ele não fizer com política, não consegue fazer gestão.

 

Folha – Você está com que idade hoje?

Joilson – Com 55.

 

Folha – Hoje, os principais nomes postos para disputar a eleição a prefeito de Campos estão na faixa dos 30 anos. É o caso de Rafael Diniz (Cidadania), Wladimir Garotinho (PSD), Caio Vianna (PDT), Rodrigo Bacellar (SD). Só Gil Vianna (PSL), é um pouco mais velho. Você é o que se chama na política de Campos de “cabeça branca”. Com a experiência de 55 anos, traz quais vantagens e desvantagens num eventual confronto com essa garotada?

Joilson – Eles têm idade para ser meus filhos. Tenho um filho de 25 anos e uma filha de 29. Tem sobrinho meu que está com 30 anos. Mas eu sempre fui um cara que gosta de inovação. Meus negócios progrediram por causa disso. A questão de ter cabeça branca ou cabelo preto…

 

Folha – Wladimir é louro.

Joilson – Acompanho muito as tendências. Sou um cara que não sai muito fora da linha das tendências, senão eu perco meu cliente. Preciso entender meu cliente e entregar o que ele quer. Então eu acabo entendo um pouco a cabeça dessa galera.

 

Folha – Mas que vantagem você traria, sendo mais experiente? E quais desvantagens?

Joilson – A vantagem é que penso como eles, como jovens, e tenho uma experiência de 55 anos de idade que vem da prática. Do aprender fazendo. A garotada de hoje, tenho percebido isso e tentado trabalhar isso até em casa, porque a visão deles é muito mais de querer mandar, querer projetar, querer executar. É uma geração que não tem a disposição de se envolver no processo, enxergar o processo, analisar o processo e executar o processo. É uma vantagem que acho que eu teria. A experiência de vida e de gestão.

 

Folha – Você falou que como empresário sempre pensa no cliente. O político tem que pensar no cidadão. Qual a diferença de perfil do cliente e do cidadão?

Joilson – Não vejo diferença nenhuma. Quando penso no meu negócio, pensando no cliente, também penso nele como um cidadão. Primeiro penso nele como humano, como pessoa, depois vejo o que ele pode me dar como cliente. Mas em primeiro lugar olho como cidadão.

 

Folha – Você disse que uma das suas preocupações é a desigualdade. Em um eventual governo seu, quais seriam as prioridades?

Joilson – Saúde, Educação, segurança e habitação. É quando poucos têm muito e muitos têm pouco. E o pouco além do que ele tem, não é o mínimo para que possa ter dignidade. O governo anterior, de Rosinha e de Garotinho, uma das coisas que mais me encantou, estou falando porque faria a mesma coisa, é a habitação. Não estou falando se está certo ou errado a execução, mas o modelo de tirar as pessoas da inércia, do submundo, isso faz dar dignidade. Aí já entra outro caso. A partir do momento em que eu dei dignidade, dei igualdade, aí todo mundo tem direito de se desenvolver e aquele que não quiser, é um problema dele. Mas ele teve o mesmo direito, a mesma oportunidade.

 

Folha – Você fez referência ao Morar Feliz, que foi o maior contrato da história do município de Campos, com valor de R$ 1 bilhão. Mas os próprios diretores da Odebrecht que assinaram o contrato, o Benedicto Junior e Leandro Azevedo, denunciaram o repasse de caixa dois para as campanhas de Garotinho a governador, além de Rosinha, a prefeita, e Clarissa, a deputada. É esse o exemplo a ser seguido?

Joilson – Sendo bem sincero a você, falei do modelo, de tirar a desigualdade. Uma cidade que chegou a ter um orçamento de R$ 3 bilhões, hoje tem R$ 2 bilhões, e ter pessoas vivendo no submundo… Para mim isso é uma desigualdade. Não estou dizendo que o modelo que eles fizeram é bom ou ruim. Mas eu tiraria as pessoas do submundo.

 

Folha – O que chama de submundo?

Joilson – Submundo é morar numa favela, sem saneamento, sem esperança. Eu já tive momentos na minha vida que tinha recursos, mas não tinha energia elétrica, água encanada, saneamento. Então eu sei mais ou menos o que é isso. Vou dar outro exemplo de uma coisa que me incomoda muito. É ver as pessoas dormindo na rua. E esse governo  Rafael teve a sensibilidade de colocar lá no Cepop. Isso, para mim, foi uma grande atitude humana. Agora se qualquer coisa que foi falada tem corrupção, isso nunca fez parte da minha vida. Não sou santo, mas nunca permiti que houvesse corrupção dentro da minha empresa.

 

Folha – O que acha de caixa dois?

Joilson – Um problema sério. Quem faz isso está arriscado ir para cadeia.

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha – Você tem quantos supermercados hoje?

Joilson – Hoje são 12 e, com esse novo, serão 13.

 

Folha – Tem uma média de quantos clientes por mês?

Joilson – Em média, umas 900 mil pessoas por mês. No caso, contabilizando as pessoas que voltam mais de uma vez.

 

Folha – Campos tem mais de 500 mil habitantes. Como funciona a transição na sua cabeça de 900 mil clientes para 500 mil cidadãos exigindo Saúde, Educação, transporte, habitação, lazer?

Joilson – Isso vai se aprender fazendo. São coisas que às vezes você vai ter que personalizar, criar um modelo. Gestão de pessoa é complicada. E atender essa quantidade de gente é mais complicada ainda. E eles com toda a razão, porque o dinheiro é da população. Quando eu coloco um cliente dentro da minha loja, é diferente. Eu chamo, mas ele vem se quiser. Mas o prefeito de uma cidade, que tem responsabilidade com o dinheiro público, ele tem que responder a essas pessoas. Ele tem que dar o melhor, o sangue dele por essas pessoas. Por isso desde o começo venho falando que isso não pode virar um pesadelo. Tenho que ter isso muito bem claro na minha cabeça e comunicar muito bem isso para todas as pessoas. Promessa de campanha é algo utópico. A pessoa fala várias coisas, mas não consegue nada. Na campanha, para conseguir o voto, é uma coisa. Mas na hora de fazer, é completamente diferente. Por isso eu falo, não sou político, sou empresário. Posso um dia me candidatar a algum cargo político, mas vou ter a visão de empresário. Vou lutar, com minha visão de empresário, para transformar o resultado que recebo na minha mão para que atenda a população.

 

Folha – Não existe candidatura de si mesmo. O candidato representa um grupo. Você esteve muito tempo à frente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), atualmente  comandada por Orlando Portugal. Você é também muito ligado ao Marcelo Mérida, que se candidatou a deputado federal em 2018. Ele não se elegeu e ficou atrás de Wladimir, Marcão Gomes (PR) e Caio. Naquela época, muito se falava que Marcelo seria um “tubo de ensaio” para uma posterior candidatura sua a prefeito. A não eleição dele foi um sinal amarelo?

Joilson – Sim, é um sinal amarelo. Mas para não entrarmos muito “verde” nesse negócio, acho que a candidatura dele nos serviu para ver o que é certo ou errado. Foi a primeira vez que fizemos esse trabalho todo, mas percebemos o que fizemos de errado. E outra coisa, o Marcelo liderou a candidatura. Fizemos um trabalho em conjunto, mas ele liderou. Uma campanha política precisa ser mais encorpada.

 

Folha – Você foi a várias reuniões de campanha com ele.

Joilson – Fui, participei e acompanhei tudo. Mas eu tenho um modelo meu de ser, que é de seguir a hierarquia. Às vezes você tem que seguir que está ali na frente, quem está liderando. Você tem que entender que é preciso se colocar no seu lugar. Essa semana Marcelo esteve lá em casa, conversou comigo, trocamos idéias sobre essa questão do partido dele. Mas acho que uma campanha para deputado é uma coisa e uma campanha majoritária é diferente. Uma candidatura para prefeito é mais focada, é muito mais alinhada no próprio município. Já para deputado federal abre para outras cidades.

 

Folha – Você teve quatro mandatos e meio à frente da CDL agora Orlando Portugal está à frente da entidade. Tivemos o episódio de desentendimento entre Orlando e o secretário municipal de Governo Alexandre Bastos. A CDL fez algumas cobranças por melhorias no Centro, Bastos respondeu nas redes sociais, dizendo que se tratava de política partidária, pelo fato de Orlando ter sido ex-secretário do governo municipal Rosinha. Houve um certo estremecimento entre a categoria que você representa e o governo Rafael?

Joilson – Quando somos presidente da CDL, fazemos tudo de acordo com a diretoria. Quando o Orlando tomou essa decisão eu não estava na reunião, mas do que eu sei, ele pediu autorização da diretoria para fazer isso. Se a categoria se estremeceu porque um entendeu de um jeito ou de outro, ele não fez por conta própria. Toda a diretoria apoiou a decisão.

 

Folha – Você concorda com os pleitos colocados por Orlando?

Joilson – Vou ser bem claro, não vi os pleitos que Orlando Portugal colocou, mas não são pleitos de agora.

 

Folha – Segurança, morador de rua, transporte público…

Joilson – São todos pleitos antigos. Falei mais cedo da questão dos moradores de rua, que a Prefeitura tomou uma atitude. Talvez tenha sido pela reivindicação de Orlando. A pessoa pode não ter gostado de como o Orlando falou, mas ele entendeu que era preciso o Orlando falar. Não são reivindicações de Orlando, são da CDL. Sabemos que tem as coisas que poderiam ser feitas de outra maneira, mas não são porque falta um pouco de atenção. Até um pouco de zelo, eu diria. Orlando teve o impasse porque ele tinha que ter, ele é o líder e estava nessa posição.

 

Folha – Marcelo Mérida também foi secretário no governo Rosinha.

Joilson – Foi. O que eu quero dizer é que é da natureza do Orlando. Ele é explosivo por natureza. É o jeito dele. Orlando tinha muita vontade de ser presidente da CDL. Portanto, ele está fazendo mudanças na diretoria e quer deixar a marca dele. Em momento nenhum ele se omitiu porque é um líder. Ele traz esse jeito. Não é de Rosinha, de Garotinho, é dele.

 

Folha – Você não vê, como Bastos disse, uma ligação do seu grupo com o grupo de Garotinho?

Joilson – Não vejo isso, não. Orlando é empresário do ramo de farmácia, Marcelo foi secretário de Rosinha? Foi, Marcelo Mérida tem as empresas dele, tem os negócios dele e não vive de política. É uma pessoa que tem a vida própria. Não vejo isso.

 

Folha – Nesta semana foi definida (aqui) a ida de Mérida ao PSC do governador Wilson Witzel. Falta só oficializar. Como vê a possibilidade dele se lançar candidato a prefdeito pelo partido? Ou apoiar Wladimir, que tem o deputado estadual Bruno Dauaire, líder do PSC na Alerj, como seu principal aliado político?

Joilson – No começo eu falei que não sou político e, sim, empresário. Não conheço muito sobre isso. Eu acabo consultando quem conhece, mas não tenho habilidade para falar sobre isso. Não tenho conhecimento, não tenho história. Essa conjuntura sobre partidos não está desenhada para mim. No final, na minha visão, tem alguém que dita a regra do jogo. Não sei se estou certo ou errado, mas o meu modelo é ser empresário e não político. Mesmo se eu venha assumir um cargo político, vou dizer que estão lidando com empresário. Depois que me eleger, não, aí serei político.

 

Folha – Mas para se eleger você precisa passar pela política. No Brasil não existe candidatura avulsa.

Joilson – Sim, por isso disse que preciso me assessorar com as pessoas que conhecem isso. Por isso não sou apto a dar uma resposta sobre as conjunções políticas.

 

Folha – Mas ninguém imagina que você vai vir candidato contra Marcelo Mérida, por exemplo. Fatalmente, essa decisão política também vai interferir na sua decisão de entrar ou não na política.

Joilson – Sabe o que decide para mim no final? É o voto. O que decide quem vai ser, é que tem a melhor perspectiva de ganhar a eleição.

 

Folha – Mas para você chegar a colocar seu nome como opção de voto, tem que passar pelo partido.

Joilson – Já entendi isso e sei que tem que ser assim, mas estou esperando um pouco mais. Vou continuar do meu jeito. Marcelo esteve conversando comigo ontem (quarta-feira), ele perguntou mais ou menos isso e eu respondi para ele: “Marcelo, eu sou empresário e não político. Vou continuar do mesmo jeito e amanhã ou depois a gente vê o que vai dar, a gente estuda. Vai depender de como esteja a situação. Não vou entrar em alguma coisa para ficar me arranhando”.

 

Folha – Vamos fazer um pinga fogo. Eu dou um o nome e você me diz qual a sua opinião. Rafael Diniz?

Joilson – É um cara que todo mundo acreditou nele. E ele fugiu do que todo mundo acreditou. Não conseguiu fazer o que gostaria de fazer, não sei. Para mim, Rafael Diniz ainda é um negócio meio encoberto, porque ele fala uma coisa para você, demonstra uma coisa para você, e você não vê isso acontecer. Lá em casa, quando se candidatou, ele disse assim: “O que eu faço?”. Ganhou as eleições e falou: “E agora, o que eu faço?”. Então, é um cara que caiu no negócio sem saber o que era. E até hoje ele está procurando, eu acho, o que realmente ele teria que fazer como prefeito.

 

Folha – Wladimir Garotinho?

Joilson – Não sei, é um cara novo, um cara que vem aí, tem experiência de pai e mãe com gestões, chegaram a ser governadores. Ele tem uma geração de exemplo dentro de casa. Se vier a ser um gestor público, pode usar bem ou mal. É um cara que conhece isso tudo, tem uma visão melhor do que qualquer um de nós do que é certo ou errado, do que é a política, do que deve fazer, como fazer, e ainda a retaguarda dele, o pai e a mãe, duas pessoas totalmente diferentes uma da outra… Ele pode achar um meio de campo, ser um grande líder, uma grande liderança. Se souber o bem dos dois, vai tirar um resultado muito bom.

 

Folha – Anthony Garotinho?

Joilson – Rapaz, eu acho que esse cara é um fenômeno.

 

Folha – Positivo ou negativo?

Joilson – Dos dois lados, tanto positivo como negativo.

 

Folha – Caio Vianna?

Joilson – É um cara que pode tirar alguma resposta boa de Dr. Arnaldo, que teve uma liderança boa. Mas, eu acho que ele não tem visão nenhuma de gestão pública, conhecimento, de experiência de gestão de nada. Não estou… Pelo amor de Deus, é entender bem o histórico dele. Se vou contratar alguém para entrar na minha empresa, olho o currículo e vejo o que ele já fez, como ele fez.

 

Folha – Rodrigo Bacellar?

Joilson – É um cara mais articulador. Tem mais visão de articulação, é um cara mais dinâmico… Não sei se vai fazer uma boa gestão, mas parece ter uma experiência muito boa de articulação.

 

Folha – Gil Vianna?

Joilson – É um cara bacana. Tem uma história bonita, mas não sei se tem uma visão dessa gestão, do que é uma gestão de poder público, e digo Campos, especialmente, com R$ 2 bi de orçamento.

 

Folha – Marcelo Mérida?

Joilson – Marcelo é um cara bacana, um líder da sua categoria. Um líder que tem uma visão de companheirismo, uma visão de arrastar, com carisma. É um líder que hoje está no Rio de Janeiro e tem uma liderança na categoria, consegue arrastar a categoria quando precisa… Quando precisa fazer um movimento, trabalha bem. E ele é muito focado na liderança dele empresarial. Hoje, pode estar abrindo um pouquinho, mas é muito mais focado na liderança como empresário, de categoria, do que político mesmo.

 

Folha – Carla Machado?

Joilson – Acho ela uma grande líder. Ela parte para cima, saber o que quer e dá o tom das coisas.

 

Folha – Jair Bolsonaro?

Joilson – É um cara que ficou seis mandatos como deputado, quase 30 anos. Conhece todos os bastidores. Como é um cara muito firme, militar, não quer se igualar ao que ele via nos bastidores. “Sou contra isso, não faço isso, não aceito isso”. Acho que isso está parando um pouco, o país não está avançando muito como deveria avançar por causa dessa rigidez dele. Mas, como ele agora abriu um pouquinho, está contrariando aquilo que ele queria. Mas, ele tem que entender que, para andar as coisas…

 

Folha – Tem que liberar emendas para aprovar a Reforma da Previdência. Rodrigo Maia?

Joilson – O Rodrigo Maia eu acho um cara muito firme, tem uma visão muito clara sobre política. É o pai dele mais novo, com mais experiência e mais vivência. E com um argumento muito melhor que o do pai, mil vezes. Acho que é um cara muito político. Eu acho que faz ele bem o papel dele lá.

 

Folha – Luiz Inácio Lula da Silva?

Joilson – Esse cara, para mim, foi um corrupto, um safado. Eu nunca votei nele. Avaliei ele como o pessoal que trabalhava na lavoura lá, que, quando queria ficar parado, se mutilava, arrancava a perna, pegava a pele do joelho, cortava, e depois ainda botava leite de mamão para ficar inflamado e não ir trabalhar. A primeira vez que eu soube que ele arrancou o dedo… o mindinho não serve para nada. Esse cara, para mim, comparo aos caras que trabalhavam lá e faziam isso. Então, para mim, ele nunca serviu. Todo governo dele, todo mundo endeusava ele, eu nunca endeusei. E sabia que um dia ele ia pagar caro pelo que fez. Desde o começo. Deus está preservando ele vivo para ele ver que não é assim que se trata as pessoas.

 

Folha – Sérgio Moro?

Joilson – É um cara intelectual.

 

Folha – Com “cônge” e tudo?

Joilson – Eu acho que é. Um cara que estudou para isso, analisou, viu a história de grandes países, como que se resolveu…

 

Folha – Ele estudou muito a Operação Mãos Limpas da Itália.

Joilson – Isso… Ele viu como que resolveu essas situações. E ele tomou algumas atitudes baseado naquelas informações que ele trouxe: quando liberou aquela delação…

 

Folha – Para Lula não ser ministro.

Joilson – Isso. Se ele fosse, acabou.

 

Folha – Wilson Witzel?

Joilson – É outro que caiu de paraquedas. Pelo menos das últimas vezes que vi ele falando da história como governador, estava falando como um um cara que saiu da magistratura e foi para o Executivo.Meu amigo, fazer a gestão desse estado, que para mim é um país, e um cara que não se preparou, não achou que ia ser governador… Dizer que ele tinha uma conjunturazinha e tal… Tinha, claro, as pessoas que o apoiavam. Fez o grupo dele, e essas pessoas que estão com ele. Agora, o fundamental, que eu discuto muito sobre isso: tem que ter o chefe para segurar no leme do barco. Se não for um cara que tem experiência para governar, dança. Porque a galera faz o que quer, cada um tem um pensamento, e fica fatiada em várias secretarias, e isso aí morreu, cara. É um risco de dar errado muito claro, porque cada secretaria tem um dono. Cada setor tem um dono. O líder tem que olhar a coisa toda. Ele pode não tomar a decisão em tudo, mas tem que olhar tudo. Tem que saber de tudo. Eu digo o seguinte: o líder não precisa saber das coisas pequenininhas. Se eu cuidar da pulga, o cachorro morre. Mas, se eu deixar a pulga continuar crescendo muito, o cachorro também morre, porque a pulga mata o cachorro. Então, eu não preciso cuidar da pulguinha lá, mas preciso entender o tamanho, a quantidade de pulga. Se não, entendo é um fracasso.

 

Folha – André Ceciliano?

Joilson – Tive pouco com ele. Em um dia que estive com ele lá, inclusive, ele estava papeando com Bruno Dauaire. Acho que é um cara que tem uma liderança boa, tem um jeito bom de liderar, sabe escolher bem as pessoas para estarem do lado dele. É um cara bom de articulação. Mas, acho que ele tem mais coisa para mostrar ainda aí.

 

Folha – Campos dos Goytacazes?

Joilson – É uma cidade privilegiada. É reconhecida por ser a cidade que primeiro teve energia elétrica, conhecida como a cidade que mais produziu cana-de-açúcar e, hoje, o petróleo. Então, ela teve grandes fases. Em todas as fases mundiais de produção de energia, ela estava no contexto. Campos, estrategicamente, em questão de logística e de um monte de coisa, ela está muito bem posicionada. Se souber tirar resultado disso, Campos avança muito. Essa visão, a gente, que é campista, a gente tem.

 

Pàgina 2 da edição de hoje (28) da Folha

 

Página 3 da edição de hoje (28) da Folha

 

Publicado hoje (28) na Folha da Manhã

 

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Rafael critica Wladimir, mas poupa Caio em ponte com os Bacellar. Mérida vai ao PSC

 

 

Charge do José Renato publicada hje (27) na Folha da Manhã

 

Wladimir bate em Caio, Rafael poupa

A rodada da semana do programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, se iniciou na segunda (aqui), com o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). E se encerrou ontem (aqui), com prefeito Rafael Diniz (Cidadania). E permitiu algumas conclusões. Rafael vai centrar fogo em Wladimir. Mas, pelo menos por enquanto, poupará a pré-candidatura de Caio Vianna (PDT). O filho do casal Garotinho, por sua vez, vai bater tanto em Rafael, quanto em Caio. Sem falar com a imprensa, além da que se resume na sua assessoria, o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB) vai ficar quieto, na tentativa de manter sua rejeição baixa por inércia.

 

Governo x CDL

Em outro movimento do tabuleiro político para 2020, Rafael ontem abriu sua participação no Folha no Ar endossando as críticas do seu secretário de Governo, o jornalista Alexandre Bastos, ao presidente da CDL/Campos, Orlando Portugal. Como Bastos afirmou primeiro nas redes sociais (aqui) e, ontem (aqui), nesta coluna, os rafaelistas entendem que as cobranças da CDL à administração municipal têm origem político-partidária. Para eles, Orlando continua agindo como nos tempos em que foi secretário do governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri). Rafael, no entanto, ressalvou seu respeito à CDL. E evitou críticas ao líder lojista Marcelo Mérida.

 

Mérida no PSC

Ligado ao grupo de empresários locais, que reúne tanto Orlando, quando seu antecessor na presidência da CDL, Joílson Barcelos, Mérida disputou pelo PSD uma vaga de deputado federal em 2018. Entre os candidatos locais, teve menos votos do campista do que Wladimir, único eleito; Marcão Gomes, hoje secretário de Desenvolvimento Econômico e Social de Rafael; e Caio. Com as bençãos de Wilson Witzel, Mérida vai para o PSC do governador. O martelo foi batido ontem (aqui). Só falta definir a data. O líder lojista vai assumir a presidência do partido em Campos, pelo qual já é o nome mais cotado para uma candidatura própria a prefeito.

 

Apoio a Wladimir?

Como o deputado estadual Bruno Dauaire é líder do PSC na Alerj e principal aliado político de Wladimir, a entrada de Mérida pode também ser para compor uma chapa encabeçada pelo filho do casal da Lapa. Ou até uma candidatura de apoio, como o ex-deputado Paulo Feijó (PR) fez com Rosinha Garotinho (hoje, Patri), contra o ex-prefeito Arnaldo Vianna (hoje, MDB), em 2008. O papel de candidato de apoio, para fazer o jogo sujo contra o principal adversário do apoiado, pareça impróprio ao jeito sereno de Mérida. Ainda assim, ele elevou o tom ao falar à coluna do ataque de Bastos ao presidente da CDL: “me senti pessoalmente atingido”.

 

Promessas

Enquanto compra briga com uma parcela do setor produtivo da cidade, que entende agir a favor do garotismo, o governo Rafael está pressionado. Pressionado pela situação financeira que herdou do governo Rosinha, que teria deixado uma dívida de R$ 2,4 bilhões. Pressionado por ter que pagar todo mês à Caixa Econômica 10% dos royalties do petróleo, por conta da “venda do futuro” do município feita pelos Garotinho. Após inaugurar o Hospital São José, cumprindo uma promessa feita por Rosinha, Rafael vê promessas suas mais distantes, como retomar ainda este ano o Restaurante Popular e o cartão cooperação (antigo Cheque Cidadão).

 

Os Bacellar

Fragilizado pela situação financeira do município, que o levou a um contingenciamento de que tornou seu governo ainda mais impopular com os servidores, talvez isso explique a opção de Rafael de não partir para a desconstrução de Caio. A ponte entre os dois pré-candidatos a prefeito é mantida com base nos Bacellar. Embora também pré-candidato a prefeito, o deputado estadual Rodrigo (SD) age como principal aliado de Caio. Assume sua voz e defesa, como fez ao rebater (aqui) as críticas de Wladimir no Folha no Ar. Enquanto isso, o ex-vereador Marcos (PDT) e seu outro filho, Nelson, mantém seus muitos pés no governo Rafael.

 

Acordos e dilema

A entrada de Mérida no PSC não fecha a alternativa para que o governador Witzel acabe apoiando Wladimir. Já em relação a Rodrigo e Caio, quem estaria por trás é o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT). Comenta-se nos bastidores que o acordo seria para fazer o filho de Arnaldo prefeito, enquanto o filho de Marcos assumiria uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em desvantagem a dois dos seus principais adversários de 2020 na questão de apoio, Rafael demonstra convicção de estar certo nas medidas de austeridade do seu governo. São necessárias. Mas, por antipáticas, não garantem sucesso político. Esse é o seu dilema.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Rosinha Garotinho nesta segunda cara a cara com o juiz federal Marcelo Bretas

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O juiz federal Marcelo Bretas fará uma oitiva na próxima segunda (29) com a ex-governadora do Rio de Janeiro Rosinha Garotinho.

Rosinha foi arrolada como testemunha de defesa de Henrique Alberto Santos Ribeiro, ex-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Henrique Alberto Santos Ribeiro.

Ribeiro é investigado por participação em esquema de propina de uma taxa de 5% para o Governo estadual do Rio e de mais 1% para o Tribunal de Contas do Estado quando estava à frente do órgão.

 

Publicado aqui na Veja

 

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Mérida vai para o PSC de Witzel, que o lançará a prefeito ou apoiará Wladimir

 

Wilson Witzel, Marcelo Mérida, Bruno Dauaire e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não houve a reunião do PSC, marcada para hoje no Rio. Mas está definido: o líder lojista Marcelo Mérida (atual PSD) vai mesmo para o partido, com as bençãos do governador Wilson Witzel. Falta só definir a data. A idieia é que Mérida assuma como presidente do PSC em Campos, liberando o atual, pastor Marcos Elias, para construir sua pré-candidatura a vereador, para ser o puxador da legenda em 2020.

Mérida entra para se tornar a primeira opção do partido para uma pré-candidatura própria a prefeito de Campos. Mas como o deputado Bruno Dauaire é um nome forte do grupo, cacifado pela liderança da bancada do PSC na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a aliança com a pré-candidatura de Wladimir Garotinho (PSD) a prefeito continua como alternativa do partido do governador na planície goitacá.

 

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Mérida como candidato do PSC, ou em apoio a Wladimir, racha CDL e governo Rafael

 

Marcelo Mérida, Wladimir Garotinho e Alexandre Bastos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

De malas prontas ao PSC

Como anunciado pela Folha (aqui) na última quarta (24), o líder lojista Marcelo Mérida (PSD) está de malas prontas para se mudar ao PSC de Wilson Witzel. O convite partiu do próprio governador, em duas oportunidades, segundo Mérida revelou à coluna. Ele também já conversou sobre o assunto com o deputado estadual Bruno Dauaire, líder da bancada do PSC na Alerj. Por contar com o governo do Estado do Rio, o partido quer se solidificar em Campos. Neste sentido, trabalha com duas alternativas a 2020: lançar candidato próprio a prefeito, que poderia ser Mérida, ou apoiar à pré-candidatura do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

 

Mérida ou Wladimir?

Na quarta, a Folha sondou as estratégias do PSC para Campos com os presidentes estadual e municipal do partido, respectivamente o advogado Alessandro Martelo e o pastor Marcos Elias. Ambos confirmaram a intenção de reforçar a legenda no maior município fluminense. Eles terão um encontro hoje na sede estadual do PSC, na capital, do qual participarão também Witzel e Bruno Dauaire. Embora, no discurso, todos falem em lançamento de candidatura própria, não descartam a aliança com Wladimir. Seu principal aliado político, Bruno frisou: “se ele for candidato a prefeito de Campos em 2020, não há possibilidade de eu não apoiá-lo”.

 

Wladimir e Mérida?

Embora admita a possibilidade de migrar ao PSC, Mérida disse que o apoio a Wladimir não está em seu radar. Ele negou que esteja, na verdade, pavimentando o caminho para ser vice numa chapa a prefeito de Campos encabeçada pelo filho do casal Garotinho. Se fosse, serviria para quebrar uma resistência histórica do garotismo, forte na periferia, mas fraco na classe média campista. Mérida já foi secretário da ex-prefeita Rosinha (hoje, Patri). E faz parte do grupo empresarial local que dirigiu a CDL/Campos com o empresário Joílson Barcelos e continua à frente da entidade, presidida por Orlando Portugal, outro ex-secretário rosáceo.

 

Tubo de ensaio

A unidade desse grupo empresarial goitacá é tanta que, quando disputou a eleição a deputado federal em 2018, Mérida era encarado como tubo de ensaio para uma eventual candidatura de Joílson Barcelos, filiado ao PP, a prefeito de Campos em 2020. A cadeira à Câmara Federal não foi conquistada, mas o plano não foi de todo abandonado. Se não para real consumação, como instrumento de barganha da classe produtora junto às lideranças políticas da cidade. Apenas entre os eleitores de Campos, Mérida teve 9.193 votos. Ficou atrás de Wladimir (30.795), único eleito, além de Marcão Gomes (PR, 29.044) e Caio Vianna (PDT, 18.900).

 

Empresários x governo

Esse grupo empresarial local sempre se mostrou ressentido pelo distanciamento do prefeito Rafael Diniz (PPS) e seu jovem grupo político, que pelo menos nos dois primeiros anos de governo deu pouco espaço aos chamados “cabeças brancas”. A desconfiança recíproca se agravou com as cobranças de Orlando Portugal, como presidente da CDL, por melhorias na administração municipal, sobretudo no Centro. E gerou uma resposta forte nas redes sociais (aqui) do secretário de Governo de Rafael, Alexandre Bastos. Embora não personalize neste sua reação, Mérida disse que se sentiu pessoalmente atingido pelas palavras duras do governo.

 

PSC, não CDL

Também procurado pela coluna, Bastos ontem reafirmou que as críticas da CDL têm origem política: “Ao criticar a nota do presidente da CDL, afirmei que não era manifestação técnica, mas política. Até porque, nosso diálogo com a categoria tem sido frequente. Ontem, por exemplo, reunimos representantes de várias pastas na secretaria de Governo e a CDL se fez presente. Na pauta estava o projeto Viva o Centro, lançado em abril pelo prefeito Rafael. Agora vejo que um grupo pretende migrar a uma legenda e se posicionar politicamente. Este é o melhor caminho para quem deseja um debate político. O PSC é um partido. A CDL, não”.

 

Mais Saúde

O Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA), em Campos, vai aumentar o número de vagas de cirurgias cardiovasculares. Em reunião, ontem, no Palácio Guanabara, com o diretor administrativo do HEAA Flávio Hoelzle e com o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, anunciou a ampliação dos encaminhamentos para a especialidade na unidade através do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso vai permitir, na prática, a redução da fila de espera pelo estado.

 

Com Mário Sérgio

 

Publicdo hoje (26) na Folha da Manhã

 

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Rafael fecha nesta sexta a semana do Folha no Ar aberta na segunda com Wladimir

 

Prefeito Rafael Diniz volta esta sexta ao Folha no Ar (Foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

No início da manhã de hoje, o Folha no Ar  1ª edição, entrevistou o jornalista Esdras Pereira na Folha FM 98,3. A ele e ao apresentador Marco Antônio Rodrigues, peço desculpas por ter perdido o horário. Quem quiser pode conferir a ntegra do programa aqui. Para fechar a rodada da semana, que se iniciou (aqui) na segunda (22) com o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), o convidado desta sexta é o prefeito de Campos Rafael Diniz (PPS).

 

Wladimir abriu a semana do Folha no Ar, no programa da manhã de segunda (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Desta vez, prometo não perder o horário. E aconselho você, leitor e ouvinte, a fazer o mesmo. Quem quiser participar com perguntas ao prefeito é só acompanhar a partir das 7h desta sexta e deixar seus comentários no streaming ao vivo do programa, aqui, na página da Folha FM no Facebook.

 

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Reação popular se impõe e vereador revê nomeação de condenado por prostituição infantil

 

Paulo Arantes e Thiago Calil (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A Casa do Povo de Campos se dobrou à vontade do povo de Campos. Thiago Calil não será mais nomeado chefe de de gabinte do vereador Paulo Arantes (PSDB) na Câmara Municipal. O edil hoje anunciou que cancelou a nomeação, após gerar grande reação popular. Condenado na operação Cinquentinha, por comandar o esquema de compra de votos para a candidatura a prefeita de Rosinha Garotinho (hoje, Patri) no distrito de Vila Nova, na eleição de 2008, Calil seria depois sentenciado a 25 anos de prisão no caso “Meninas de Guarus”, pelos crimes de estupro, associação criminosa, submissão de criança/adolescente à prostituição/exploração sexual e cárcere privado.

Apesar de muitos temerem pelo destino do país, devido o espírito muitas vezes autoritário do governo Jair Bolsonaro (PSL), ainda vivemos em uma democracia. Nela, os representantes eleitos têm que ser sensíveis ao desejo de quem os elegeu para serem representados. Foi o que Paulo Arantes demonstrou ao voltar atrás numa decisão que o expôs, assim como seus colegas vereadores e a própria instituição da Câmara Municipal. Pelo fato de Calil ter sido condenado apenas em primeira instância e recorrer em liberdade na segunda, só esta poderia impedi-lo legalmente de assumir qualquer cargo no Legislativo goitacá, pela lei municipal da Ficha Limpa.

Veja abaixo a nota do Arantes sobre “uma atitude que tomei indevidamente”, antes de seguir “com minha consciência limpa de que fiz o certo”:

— Diante dos fatos e, principalmente, do meu respeito à população campista, não poderia deixar de me pronunciar sobre uma atitude que tomei inadvertidamente. Assim que tomei conhecimento detalhado sobre o fato, de imediato revi da decisão, seguindo à risca minha consciência e meus princípios de família. Trata-se da nomeação para a chefia do meu gabinete, de Thiago Calil, um conterrâneo do meu querido distrito de Vila Nova, onde nasci, me criei e tenho laços de amizade. Na época em que aconteceram os fatos com ele, eu seguia minha vida como comerciante que sou até hoje, além de pessoa que, como cidadão comum, sempre esteve atendendo, na medida do possível, aos anseios das comunidades. Soube sim de toda a história, mas sem tomar conhecimento de sua dimensão. Além disso, atrelado a laços de amizade e baseado na Lei da Ficha Limpa do Legislativo, assinei a nomeação, que já foi desfeita. Sigo com minha consciência limpa de que fiz o certo!

Sim, o vereador fez o certo. Como a coluna Ponto Final concluiu após divulgar aqui, em 19 de julho, a nomeação de Thiago Calil: “Os crimes pelos quais foi condenado a 25 anos de prisão atentam contra qualquer senso de moral humana. E, sim, o tornam a pessoa errada no lugar errado. Significam que a Casa do Povo não é o seu lugar. Cabe à sociedade não esquecer”.

A sociedade não esqueceu. Abaixo, o memorando de Arantes que torna sem efeito a nomeação de Calil como seu chefe de gabinete na Câmara Municipal:

 

 

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Wladimir responde a Rodrigo Bacellar, enquanto Caio cala diante de perguntas

 

 

Wladimir, Rodrigo e Caio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Wladimir responde a Rodrigo

A pouco mais de 14 meses da eleição a prefeito de Campos, o clima esquentou de vez. Ontem, o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) respondeu aos ataques do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD): “Rodrigo precisa sair do armário e definir de que lado está. Todos sabem a relação dele com o prefeito Rafael (Diniz, PPS). Eu converso com todas as correntes políticas, menos com Rafael. Porque minha principal aliança é com a população que vem sofrendo muito com a gestão desastrosa”. Por sua vez, desde o início do seu governo, Rafael denunciou (aqui) uma dívida de R$ 2,4 bilhões que teria sido deixada pelos Garotinho nos cofres públicos de Campos.

 

Rodrigo respondeu a Wladimir

Wladimir, Rafael e Rodrigo são pré-candidatos a prefeito de Campos. Assim como Caio Vianna (PDT), que já tentou em 2016. No programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, na última segunda-feira (22), o filho do casal Garotinho afirmou (aqui) que Rodrigo vai apoiar Caio em 2020, o que é comentado abertamente nos bastidores políticos da cidade. Mas foi além. E afirmou que o deputado estadual estaria tentando “limpar” a situação do pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT), para que este seja o vice em 2020 na chapa encabeçada pelo filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB). Em 2016, Arnaldo apoiou Geraldo Pudim (MDB) contra Caio.

 

Ataque e contra-ataque

Como a Folha publicou ontem, Rodrigo atacou (aqui) Wladimir: “Esse menino, cuja história familiar é marcada por escândalos, corrupção, traições e que ainda insiste em se apresentar como candidato a prefeito, mesmo depois de Rosinha ter quebrado a Prefeitura (…)  está desesperadamente correndo atrás de apoio para tentar voltar à época da ‘mamata’ que ele tinha quando a mãe era prefeita”. O herdeiro dos Garotinho rebateu: “Prefiro não polemizar com quem não passa de 2% de intenção de votos, mesmo já dizendo que é pré-candidato (a prefeito), é típico de quem quer atacar pra ter a visibilidade que não tem”.

 

“Onde mora Caio?”

As intenções de voto se referem à pesquisa de um site, que colocou 2020 hoje polarizado entre Wladimir e Caio. Só que o site faz a assessoria de Caio. Que não fala com a imprensa que não se resume à sua assessoria. Assim tenta fugir de perguntas inevitáveis a quem quer governar a cidade. Relativas, por exemplo, ao hábito de só residir em Campos nos períodos eleitorais, se mudando tão logo as urnas não lhe sorriam, como fez em 2016 e 2018. Por isso foi criticado (aqui) pelo próprio Arnaldo, no Folha no Ar de 9 de abril. Sociólogo, professor da Uenf e simpatizante do PDT, Roberto Dutra indagou ontem (aqui) nas redes sociais: “Onde mora Caio?”.

 

Esperança

Se os jovens, com mais ou menos valor, despontam na disputa a prefeito de Campos, outros jovens da região dão belos exemplos. Aluno do Programa de Qualificação da GNA, em parceria com a Prefeitura de São João da Barra, Daniel Rangel Rosário foi medalha de ouro na etapa estadual da Olimpíada do Conhecimento da Firjan Senai. Ele ficou em 1º lugar na categoria Eletricidade Industrial. O próximo desafio é uma etapa seletiva em 2020. Os alunos que cumprirem os requisitos necessários poderão chegar à WorldSkills Competition. Maior olimpíada de profissões técnicas do mundo, será realizada em Kazan, na Rússia, em 2021.

 

Contraditório

A retirada dos quebra-molas na RJ 158 até pode ajudar a diminuir os assaltos na rodovia que liga Campos a São Fidélis, porém o mato alto à margem da estrada ainda irá contribuir como esconderijo para os bandidos. O Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro anunciou a remoção dos redutores a partir da próxima segunda-feira. Na mesma intervenção, o órgão poderia aproveitar a oportunidade para capinar o matagal ao redor.

 

Mais um gigante

Quem passa na avenida Arthur Bernardes, próximo à BR 101, vê em uma área ao lado de instalações da Águas do Paraíba, obras de limpeza de terreno preparando o local para receber o primeiro supermercado da Rede Assaí, em Campos. A área, de 50 mil m², foi alugada junto à família herdeira da extinta Usina do Queimado.

 

Com Mário Sérgio e Paulo Renato Porto

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

 

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Morre o holandês Rutger Hauer, que imortalizou o líder andróide de “Blade Runner”

 

Com o prego cravado na mão esquerda e a pomba na direita, Rutger Hauer no papel que imortalizou no cinema

Conheci o ator holandês Rutger Hauer no primeiro filme que vi de sua pátria, o consistente drama da II Guerra “Soldado de Laranja” (1977). Era dirigido pelo então desconhecido Paul Verhoeven, que depois se tornaria famoso em Hollywood por “RoboCop” (1987), refilmado em 2014, sem o mesmo sucesso, pelo brasileiro José Padilha.

Hauer fez a mesma migração. E foi protagonista de clássicos dos anos 1980, como o cavaleiro medieval amaldiçoado por sua paixão, em “O Feitiço de Áquila” (85), de Richard Donner; ou o temível psicopata do thriller de supense “A Morte Pede Carona” (86), de Robert Harmon.

Mas Hauer passaria à história do cinema por sua composição do líder replicante Roy Batty, em “Blade Runner — O Caçador de Andróides” (1982), de Ridley Scott. Ele é o líder dos andróides usados como força militar escrava na exploração espacial, que se rebelam e voltam à Terra para ajustar contas com seu criador. Caçados como animais, buscam as respostas às mesmas perguntas que perseguem o homem desde o início dos tempos: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Quanto tempo tenho? Que diabos estou fazendo aqui?

O ator de expressivos olhos azuis hoje os fechou definitivamente, aos 75 anos, após uma doença breve e não divulgada. Como disse seu mais famoso personagem, em sua última fala no clássico de Ridley Scott:

—  Eu vi coisas que vocês, humanos, jamais acreditariam. Vi naves estelares em fogo na Constelação de Orion. Vi raios cósmicos cingindo o espaço perto de Tannhaüser Gate. E esses momentos ficarão perdidos para sempre, como lágrimas na chuva. Hora de morrer!

 

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Wladimir a Rodrigo: “É típico de quem quer atacar pra ter a visibilidade que não tem”

 

Wladimir e Rodrigo diante do microfone de rádio mais ouvido em Campos, no Folha no Ar (Fotos: Isaias Fernandes – Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Sobre os ataques a mim, eu prefiro não polemizar com quem não passa de 2% de intenção de votos, mesmo já dizendo que é pré-candidato (a prefeito de Campos), é típico de quem quer atacar pra ter a visibilidade que não tem”.

Este foi o trecho final da reação do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) deu hoje sobre os ataques pesados que sofreu ontem (aqui) do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). Por sua vez, o filho do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT) reagiu às críticas que ele, seu pai e o pré-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT) sofreram (aqui) de Wladimir, em entrevista ao vivo no programa Folha no Ar,  da Folha FM 98,3, na última segunda (22).

Para compreender os bastidores desse tiroteio que já esquenta a eleição a prefeito de Campos em outubro de 2020, você, leitor, pode se informar melhor aqui.

Na edição desta quinta (25) da Folha da Manhã, conheça a íntegra da reação de Wladimir a Rodrigo.

 

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Diferente de Rafael, Wladimir inicia desconstrução de Caio, que só fala por Rodrigo

 

Rafael, Wladimir, Caio e Rodrigo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Linha de transmissão de Caio

Quem repete que a eleição a prefeito de Campos em 2020 será definida pelo índice mais baixo de rejeição tenta posar de analista político, mas trabalha pela pré-candidatura de Caio Vianna (PDT). Ainda sem pesquisas confiáveis, elas não são necessárias para avaliar que as maiores rejeições entre os principais pré-candidatos são do prefeito Rafael Diniz (PPS) e do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). O primeiro, pela decepção diante da ilusória expectativa gerada por sua vitória no 1º turno de 2016. Ilusão que contaminou também o governo. Já Wladimir herdou a imensa rejeição do pai, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido).

 

Acertos

Caio, que não tem nada a ver com isso, joga o jogo. Voltou a morar em Campos, onde só passa a residir antes das eleições, abandonando a cidade sempre que as urnas não lhe sorriem.  Reatou a relação pessoal e política com o pai, o popular ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB), que em 2016 apoiou Geraldo Pudim (MDB) contra o próprio filho. Este também tem mostrado a sabedoria marquetológica de manter escondida a mãe, a ex-vereadora Ilsan Vianna (PDT). Na decantada rejeição, ela representou (e talvez ainda represente) a porção “ruim” dos governos Arnaldo, papel de Garotinho nos dois governos Rosinha.

 

O “bom” e o “mau”

Nessa brincadeira da dupla entre o “bom” e o “mau”, levada a sério tanto na lida policial, quanto na política, Caio tem mostrado outra grande vantagem: ter como aliado o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). O filho de Arnaldo evita qualquer contato com a mídia que não seja sua assessoria de campanha. Após a entrevista de Wladimir (aqui) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, na última segunda (22), no mesmo dia a Folha cumpriu seu dever ético de ofertar a Caio espaço ao contraditório. Também citado pelo filho dos Garotinho, quem não se calou foi Rodrigo. E, como é do seu estilo, respondeu (aqui) com veemência redobrada.

 

“Seu pilantra!”

Mesmo antes da Folha FM existir e assumir rapidamente a liderança entre as rádios de Campos e região, quando Garotinho ainda ostentava seu próprio grupo de comunicação, ficou famosa uma intervenção do então vereador Marcos Bacellar (hoje, PDT). Em programa de rádio que o ex-governador disparava sua metralhadora giratória, alguém ligou e se identificou como ouvinte comum. E, após ganhar acesso de áudio ao vivo, se revelou: “Aqui é Marcos Bacellar, seu pilantra!”. O filho de Marcos fez parecido ontem com o filho de Anthony. Só assumiu o próprio nome em uma mídia que não existe para ecoar (nem calar) grupo político.

 

Rodrigo, Marcão e Garotinho

Verdade que Wladimir ouviu de Rodrigo o que não quis, após dizer o que quis no microfone de rádio mais ouvido de Campos. Nele, diferente do que fez até aqui o governo Rafael, partiu para a desconstrução de Caio. Como também pisou nos calos dos Bacellar, teve resposta forte. O problema do deputado federal é que ele não tem, em seu grupo, quem faça o que o estadual tem feito por Caio. Rafael tem o ex-vereador e atual secretário de Desenvolvimento Humano e Social Marcão Gomes, único nesta pré-campanha que (aqui) peitou Rodrigo de igual para igual. Wladimir só tem Garotinho. E, quando este fala, atrai muito mais rejeição que empatia.

 

PSC e empresariado

Quem conhece eleição sabe que rejeição só define vitória no 2º turno, quando impõe o teto de crescimento dos dois candidatos. Mas só chega lá quem soma mais intenções de voto no 1º. Neste sentido, Wladimir teria grande reforço com o apoio do PSC, liderado na Alerj por seu parceiro político Bruno Dauaire. Além do apoio do governador Wilson Witzel, se o empresário Marcelo Mérida (hoje, PSD) também for para a legenda, poderia levar junto o apoio de parte da classe produtora local, que se ressente de distanciamento do governo Rafael. E que rusgas tolas nas redes sociais com o presidente da CDL/Campos não ajudam a aproximar.

 

Linha de transmissão de Wladimir

Quando foi ao Folha no Ar da última segunda, Wladimir criticou o projeto de transporte público do governo Rafael. Falou em desfavorecimento aos donos das vans que tomaram as vias do município nos governos Rosinha. Pois ontem, no dia seguinte, a bancada de oposição na Câmara Municipal protocolou um pedido de afastamento do presidente do IMTT, Felipe Quintanilha. Segundo o edil Eduardo Crespo (PR), por “injustiças cometidas contra os donos e trabalhadores das vans”. Sobretudo no transporte, cujo novo modelo vem tendo boa aceitação do campista, é preciso algum talento para ser linha de transmissão.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Rodrigo Bacellar dispara contra Wladimir, que flerta com o PSC de Wilson Witzel

 

Rodrigo Bacellar e Wladmir Garotinho diante do mesmo microfone do Folha no Ar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aldir Sales e Aluysio Abreu Barbosa

 

A pouco mais de mais de 14 meses da eleição municipal de 2020, o clima esquenta. E rearruma o tabuleiro político da planície, com movimentos articulados também na capital do Estado. Partido do governador Wilson Witzel, o PSC pensa em lançar nome próprio a prefeito em Campos. Mas não descarta a possibilidade de apoiar a pré-candidatura do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), que tem entre os principais aliados o deputado estadual Bruno Dauaire, líder do PSC na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Enquanto isso, o também deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) ontem reagiu com força às críticas que recebeu (aqui) do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) na última segunda (22), durante entrevista ao vivo no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3:

— Não entendo como o Grupo Folha da Manhã dá crédito a esse menino, cuja história familiar é marcada por escândalos, corrupção, traições e que ainda insiste em se apresentar como candidato a prefeito, mesmo depois de Rosinha ter quebrado a Prefeitura.

No programa líder de audiência entre as rádios da cidade e região, Wladimir afirmou que Rodrigo, também pré-candidato a prefeito de Campos, vai apoiar Caio Vianna (PDT). E que estaria tentando “limpar” a situação do pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT), para que este seja o vice em 2020 na chapa encabeçada pelo filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB). Ao seu estilo, Rodrigo disparou:

— Como sempre, (Wladimir) usando as velhas táticas que aprendeu com seu pai de espalhar factoides. Ele insiste em citar meu nome, talvez incomodado com os rumos que estão acenando para a eleição do ano vem, em especial a sua enorme rejeição em todas as camadas da população.  Deveria se preocupar em trabalhar em Brasília e sair um pouco aqui da Alerj, onde está desesperadamente correndo atrás de apoio para tentar voltar à época da “mamata” que ele tinha quando a mãe era prefeita.

Ao contrário do que Wladimir afirmou e circula abertamente nos bastidores da política goitacá, Rodrigo garantiu não ter descartado sua própria pré-candidatura à Prefeitura, para apoiar Caio. Ele disse que mantém diálogo também com Gil Vianna (PSL) e o prefeito Rafael Diniz (PPS):

— Meu nome está sim sendo ventilado para eleição a prefeito. E a cada dia venho considerando a possibilidade. Mas sem esquecer o respeito e a boa relação com Gil Vianna (também deputado estadual e pré-candidato a prefeito), com Caio e, inclusive, com o próprio Rafael, coisa que a família dele e ele (Wladimir) e ele não conseguem ter com ninguém. Afirmo que adversário não é inimigo, uma frase simples que a família Garotinho desconhece, dado os tantos inimigos que acumularam e traíram ao longo dos anos.

 

 

PSC pode definir apoio de Witzel e empresariado de Campos

Ao contrário das palavras de Rodrigo Bacellar sobre a suposta falta de capacidade de agregar dos Garotinho, Wladimir parece estar entre as opções do PSC na disputa pela Prefeitura de Campos em 2020. Nomes como o do empresário Marcelo Mérida (PSD), ex-secretário municipal no governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri) e candidato a deputado federal em 2018, estão em conversação com a legenda. Mas se dependesse do líder do partido do governador Wilson Witzel na Alerj, não haveria dúvida:

— Se Wladimir foi candidato a prefeito em 2020, não existe possibilidade de eu não apoiá-lo — reafirmou ontem o deputado estadual Bruno Dauaire.

Presidente do partido em Campos, o pastor Marcos Elias disse que “é importantíssimo participarmos do processo eleitoral de Campos com candidatura própria na majoritária”. Mas não descartou o diálogo com outros possíveis candidatos a prefeito, como endossam algumas fotos suas com Wladimir nas redes sociais.

Nesta sexta (25), haverá um encontro na sede do PSC no Rio, entre suas lideranças. O próprio governador Witzel deve estar presente, assim como Bruno, Marcos Elias e o presidente estadual do partido, o advogado Alessandro Martelo. Apesar deste ontem falar que será uma reunião de rotina, a eleição a prefeito de Campos em 2020 estará na pauta. Martelo disse que será “um freio de arrumação”.

Quem parece cada vez mais distante do partido é o vereador Genásio. Líder do governo Rafael Diniz na Câmara de Campos, ontem ele reafirmou seu compromisso com a tentativa de reeleição do prefeito. Mas ressaltou que vem mantendo conversas com Marcos Elias. Procurado pela reportagem da Folha, Marcelo Mérida não retornou as tentativas de contato.

 

Página 2 da edição de hoje (24) da Folha

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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