Para quem lê este “Opiniões” tanto aqui, quanto através (aqui) da sua página no Facebook, é didático observar o contraste entre os comentários e comentaristas. Caso exemplar é a postagem (aqui) do “Ponto Final” de hoje pelo blog, com link em sua página no Face, no qual se denunciou o terrorismo político que se planeja instalar em Campos nesta sexta, com o fechamento todas as entradas e saídas do município, sitiando meio milhão de habitantes.
Aqui, no blog, onde os comentários possuem menos filtros contra o anonimato dos seu autores, sete dos 15 comentários feitos até o presente momento, defendem de alguma maneira os protestos de amanhã, ou questionam sua origem evidenciada em grupos de redes sociais ligadas ao garotismo. Chega, portanto, à quase metade.
Já na página do blog no Facebook, onde as identidades reais dos comentaristas são publicamente mais conhecidas e fáceis de ser confirmadas, dos 16 comentários feitos até agora, mesmo que muitos tragam críticas ao governo Rafael Diniz (PPS), apenas um deles defende o caos que o garotismo planeja instalar em Campos nesta sexta.
Ao que parece, quanto maior a possibilidade do anonimato, mais corajosa é a defesa do garotismo e seus atos irresponsáveis com a cidade.
Quem quiser conferir os comentários no blog, basta fazê-lo aqui.
E para quem quiser contrastar com os comentários na página do blog no Face, é só conferir aqui ou em suas reproduções abaixo:
Antonio Carlos Ornellas BerrielExiste teoria da conspiração “reversa”? Se existe, acho que é isso que Garotinho está praticando. Plantando notícias de que está comprando a Record ou que vai sitiar a cidade, vai construindo o senso comum de que tudo que se diz dele pode ser exagerado. Amanhã saberemos.
Gilvan Nascimento SilvaA Quadrilha de Garotinho está enraizada em Campos, como o PT para o Brasil, da mesma forma que Lula, o Garotinho não vai querer largar o osso assim tão facilmente e o atual prefeito ainda não acordou para essa realidade e o pior de tudo, ainda está contribuindo com a sua má administração para a facção desse evangélico do Paraguai, que com certeza irão fazer de tudo para que nada possa dar certo, o tal “Quanto pior melhor ” tenho até pena do Diniz, dar um um sacode no Dono da República do Chuvisco, vai ser uma tarefa árdua e muito difícil, ainda tem muito dinheiro no Homem da Mala a fonte vai demorar muito pra secar.
José Geraldo M ChavesNão acho que essas atitudes insanas irão prosperar nos locais definidos.
Há que fazer valer a Lei em respeito aos direitos dos outros.
Às Autoridades Policiais responsáveis, a garantia da Constituição com responsabilidade, à exemplo da Espanha, à FERRO, FOGO, CASSETETES e PRISÕES.
Direito ao berro, todos temos e eu mesmo tenho exercido isso nas vias competentes em questionamentos ao governo Rafael, mas sem prejuízo aos terceiros.
À inteligência policial, a identificação prévia dos mandantes e organizadores, para aplicar – lhes a Lei na garantia preventiva da Ordem Pública.
Ao Ministério Público, as providências antecipatórias que lhe são de dever de ofício.
Assim eu penso. Assim eu agiria se prefeito fosse.
Jaciá LubancoQuantas pessoas esperam meses por uma consulta ou um tratamento e outros tantos motivos de saúde e esse sujeito acha q é dono da cidade e nos aprisiona , acampe na prefeitura,mas nós aprisionar é absurdo e ilegal.
Jorginho VirgilioComo todos sabem ganhei eleição junto ao grupo que apoiava Chicão, mas nunca fui a preferência desse grupo! Faltando menos de 30 dias pra eleição o próprio Garotinho pediu ao partido que não me desse vaga para concorrer, assim como usou Paulo Feijó pra não dar vaga a Nildo Cardoso, Álvaro César e Aílton Tavares na eleição de vereador em 2012. Porém, depois do partido não aceitar as suas ordens e ter feito de tudo para que eu não ganhasse eleição, prevaleceu a vontade de Deus e do povo! Aí sim, depois de eleito, legitimamente e sem responder a 1 processo se quer, o ex governador começou a me tratar de maneira diferente porque queria fazer a mesa na câmara a fim de inviabilizar o governo do então prefeito eleito Rafael Diniz. Não conseguiu e sofreu outra derrota consecutiva… Agora tenta orquestrar a desordem em uma cidade onde ele deixou quebrada e com empréstimos bilionários, mesmo depois de ter tido bilhões de orçamento durante 8 anos de mandato da sua esposa Rosinha. Protesto pacífico sem tirar o direito de ir e vir dos cidadãos e sem orquestramento político faz parte da democracia, caso contrário é terrorismo de perdedor!
Marcus Castro AlmeidaSe a população está sofrendo é lícito que lute pelos seus direitos. Mas lutar desta forma, querendo até mesmo matar alguém e bloqueando as principais vias de acesso da cidade? Isso não é coisa de cidadão honesto. Além de desonesto é burro.
Geinaldocarvalhojunior JúniorEstado de direito democrático passa longe ou não existe para os garotinhos,autoridades competências tem q dar um basta definitivo nessa situação terrorismo populista vai na contra mão da democracia.
Marcos GomesRafael está acabando com a cidade, o povo tem que se mexer , contra esse mentiroso, que enganou a população.
Gilvan Nascimento SilvaVocê não acha que o povo deveria pensar em mudanças, enganados já estão à muito tempo, como disse Caiado Garotinho é Chefe de Quadrilha, e ele ficou com o rabo entre as pernas.
Ezi RibeiroNão gosto de falar bem de políticos, mas Rafael segurou um pepino daqueles, os garotinhos venderam os royalties do petróleo até depois de 2020, sem dinheiro o que ele pode fazer?
Marcela BarrosCom certeza é… basta ver que os protestos ja começaram e todos orquestrados por ele e seus asseclas malditos..
Moema Barbosa MonteiroO rapaz quer é criar esse clima de incertezas. E a Justiça está colaborando para isso.
Marineide RangelNÃO DEVO NADA A POLÍTICO ALGUM TUDO QUE CONSEGUI FOI COM MUITO TRABALHO , E ME ORGULHO DISSO,
Cristina FonsecaAcostumado ganhar sempre,perdeu garotinho chega de chororó.
Marineide RangelQUEM FOI CONDENADO Á QUASE 10 ANOS POR COMPRA DE VOTO COM O CHEQUE CIDADÃO ?
Marineide RangelPORQUE SERÁ QUE O POVO FICOU TÃO QUIETO ESSE TEMPO TODO ? SÓ ESTÃO VENDO OS DEFEITOS DA CIDADE AGORA ?
Charge do José Renato Publicada hoje (05) na Folha
Garotinho solto, Campos presa?
“Durante a prisão de Garotinho, Campos não teve protestos. Por que será?”. A afirmação e a pergunta deram título à publicação desta coluna (aqui) no dia seguinte (28) à liberdade do ex-governador Anthony Garotinho (PR), após 14 dias de prisão domiciliar na famosa “casinha na Lapa”. Pois ontem (04), exatamente uma semana depois, grupos de redes sociais ligados ao garotismo começaram a fazer convocações para fechar todas as entradas e saídas de Campos amanhã, sexta, dia 6, a partir das 8h. Alvo das promessas de parar o município em ato de terrorismo político, o prefeito Rafael Diniz (PPS) foi tratado como “verme” e “demônio”.
Segurança tem mapa para reação
Não se sabe como as forças públicas de segurança, como Polícias Militar, Rodoviária Estadual e Rodoviária Federal, além de Guarda Civil Municipal, irão reagir à ameaça de parar a cidade. O que nenhum dos seus comandantes ou subordinados poderá alegar, assim que o dia de amanhã raiar, é que foram pegos de surpresa. A logística da operação foi detalhada sem receio nas convocações por WhatsApp: “vamos fechar todas as entradas e saídas, da Tapera a Serrinha, do Km 8 à Stª Maria, do Pq. Imperial ao Farol, do Fundão a Sapucaia, da Alberto Lamego a Martins Lage, da Pecuária a Itereré”.
Ecos da Lapa
Impossível disfarçar a origem do terrorismo que se pretende instalar na cidade. Logo após sair da prisão no dia 27, ainda diante à “casinha da Lapa”, Garotinho “profetizou” (aqui): “Esse governo (Rafael) pode acabar a qualquer momento. A cidade está sendo destruída”. No seu eco, pregam as convocações ao ato de terrorismo político de amanhã: “vamos mostrar para esse verme, vulgo Rafael Diniz, que nós temos a força. Nos (sic) colocamos ele lá e nós tiraremos. Não podemos ficar de braços cruzados, assistindo essa corja de ladrões que vieram (sic) para roubar, matar e destruir. Vamos mostrar para essa cambada que nós temos a força”.
Juízo dos ressentidos
Refletir sobre quem classifica de “verme” e “corja de ladrões”, usando verbos como “roubar” e “matar”, sem apresentar uma mísera evidência, é gastar pensamento com quem não demonstra ter ou valer algum. Tanto pior quando tudo indica se estar agindo para servir aos interesses políticos de alguém condenado (aqui) a nove anos e 11 meses de prisão, pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos, na tentativa de fraudar o pleito a prefeito de Campos vencido no voto, ainda em primeiro turno, por quem agora se pretende condenar pelo juízo dos ressentidos.
Promessa descumprida
Medidas como a suspensão da passagem social, na última segunda-feira (02), sangram a popularidade de Rafael, eleito não apenas com os votos da classe média, tradicionalmente refratária ao garotismo, mas também das classes desfavorecidas. Sobre a questão, pertinente o artigo do advogado Gustavo Alejandro Oviedo, publicado ontem (aqui) no blog “Opiniões”: “como sabemos, agora o dinheiro acabou. A promessa do atual governo de manter os programas sociais está sendo descumprida. A conta por ter falado demais na campanha — ciente à época da batata quente que ia receber — pertence a Rafael Diniz, e a pagará com popularidade”.
Engano de Nero
Mas o mesmo articulista conclui sua análise equilibrada ao parágrafo final: “Já a conta da administração municipal ficar refém do populismo e das despesas demagógicas sem receita permanente deve ser cobrada, sem dúvida, aos Garotinho”. Há muitos devedores na falência do transporte público goitacá. E se um deles, logo o mais antigo, pensa que pode tocar fogo em Campos, à distância segura de um apartamento na Zona Sul carioca, entoando seu microfone pago na Tupi, como Nero a sua harpa, está muito enganado. Será só mais um dos tantos que cometeu, na sequência ladeira abaixo, desde que decidiu ser candidato a governador em 2014.
Perda de vidas
Assim que as forças de segurança pública tomarem as providências para que Campos não se torne refém do terrorismo político nesta sexta, como já fizeram com quem ameaçou (aqui) e medrou (aqui) transformar em baderna o desfile de 7 de setembro, o município terá pela frente outro desafio. E talvez ainda mais grave, pela importância (aqui) da Saúde Pública e a capacidade de liderança dos médicos em qualquer comunidade. Ao governo, além da abertura a ouvir, é necessário dizer. Aos médicos, o diagnóstico de que o caos na Saúde existia quando Garotinho era governo ou estava preso. Na queda de braço, perde a cidade. E a perda é de vidas.
Publicado hoje (05) na Folha da Manhã
Charge do José Renato publicada no último dia 28 na Folha
Na cidade de Campos, as vans e os carros que fazem lotadas geralmente são veículos em estado lastimável, que dificilmente passariam por uma fiscalização do Detran. Por sua vez, seus condutores raramente respeitam um sinal fechado, ou qualquer outra regra de trânsito que o resto dos motoristas está obrigado a cumprir. Entretanto, além do poder da invisibilidade para ser detectado pelas autoridades, este tipo de transporte também tem uma vantagem para o passageiro: o leva pra onde precisa ir, na hora que precisa.
Levar o passageiro para onde quer ir, na hora que precisa, é uma característica que o transporte ‘legal’ não conseguiu realizar, apesar de ter levado um monte de dinheiro em subsídios da prefeitura durante os últimos anos. Agora, com a suspensão (interrupção) da ajuda estatal, não parece provável que as empresas de ônibus de Campos consigam sobreviver. Permanecendo a impune concorrência das vans e das lotadas, a falência parece ser iminente.
A esperteza dos empresários e a falha na fiscalização por parte da prefeitura criaram o ovo da serpente do sistema ilegal de transito. A administração municipal pagou grande parte da passagem durante anos, e ainda assim não se passa um mês sem que não haja paralisações dos motoristas reclamando de salários atrasados. Os passageiros dizem que a espera nos pontos é absurda, e quando o ônibus aparece, ele já vem cheio de pessoas.
Quem estaria disposto a arriscar sua vida numa van que percorre a 28 de Março a 80 km/h com o porta aberta, se houvesse um ônibus com ar condicionado fazendo o mesmo trajeto, passando com maior frequência, e com a maioria dos passageiros sentados?
Quando o poder público decide subsidiar uma atividade econômica, bancar a demanda (consumidor) é melhor do que bancar a procura (fornecedor). Ao garantir um dinheiro certo aos empresários de ônibus, estes procuraram maximizar seus lucros, sem oferecer um serviço de qualidade, nem ter nenhum incentivo em melhorar sua atividade — conjugado ao fato de que, evidentemente, a prefeitura nem se preocupou em fiscalizar nada. Se, em cambio, se tivesse dado ao cidadão a opção de aplicar o desconto no sistema de transporte que mais lhe agradasse, a concorrência teria funcionado de maneira virtuosa para ser a cada dia mais eficiente.
Eu teria utilizado parte do dinheiro gasto no programa ‘Campos Cidadão’ em promover descontos para a compra de bicicletas elétricas, e na construção de mais ciclovias. Este tipo de veiculo é ideal para ser utilizado na nossa planície, e o custo de uma ‘carregada’ certamente é menor do que uma passagem ida-e-volta. É uma ideia maluca? Nem tanto quanto aquela do Aeromóvel — lembram?
De qualquer forma, como sabemos, agora o dinheiro acabou. A promessa do atual governo de manter os programas sociais está sendo descumprida. A conta por ter falado demais na campanha — ciente à época da batata quente que ia receber — pertence a Rafael Diniz, e a pagará com popularidade. Já a conta da administração municipal ficar refém do populismo e das despesas demagógicas sem receita permanente deve ser cobrada, sem dúvida, aos Garotinho.
Happy hour, dia qualquer (Foto de Verinha Leite, com celular)
Certa noite, após a aula, conversávamos eu e colegas de trabalho. No meio da conversa, brinquei dizendo “Ah, eu tenho que arrumar um namorado… Faz falta ter alguém no final do expediente para comer uma pizza” (risos). Não era a primeira vez que eu brincava com a minha solteirice, as pessoas sempre riam com minhas piadas a respeito disso. E eu sinto prazer em fazer as pessoas rirem.
Nesse dia, um amigo querido e coordenador fez uma observação que rendeu! Ele disse:
— Carol, você não vai arrumar um namorado. Sabe por quê? Porque você vende uma imagem que não é o um homem quer.
(Hummm… Interessante… Sinto cheiro de polêmica… De que homem ele estaria falando, pensei…)
— Vendo uma imagem? Como assim?
A conversa interessou a todos, que se aproximaram para ouvir a explicação. Ele continuou:
— É sim! Aqui na Universidade você é uma coisa, mas fora daqui é outra… Quer um exemplo? Esses dias você postou uma foto no facebook que….
— Qual foto?
— Uma foto de você bebendo…
— Hum?
— Com a perna aberta.
— Qual foto?
— Abre seu facebook aí.
— Ah, eu sei qual é a foto. Vou abrir aqui. (Disse minha colega, diante do computador)
— Esta aqui? (Ela disse, apontando para a tela, com o facebook aberto.)
— ESSA! Está vendo? Essa não é a Carol aqui da Candido, um homem olha essa foto e pensa…
— É muito interessante você falar isso, porque há poucos dias atrás um amigo me disse a mesma coisa. Ele queria dar uma de cupido e perguntou a um amigo o que ele achava de mim. O tal amigo disse que me achava interessante, mas que eu “não tinha cara de que queria um relacionamento”…
— Está vendo? É o que eu estou falando. (Ele)
— Rsrsrs pois é. Eu disse ao meu amigo cupido pra não insistir não. Não é qualquer homem que está preparado pra assumir um “pacote completo” como eu.
(Mais risos)
O debate rendeu na sala da coordenação! Foi muito divertido e me trouxe várias reflexões. Minha coordenadora, lúcida e calma, argumentou a meu favor “Vocês, homens, é que associam a imagem de uma mulher livre e independente com a suposição de que ela não quer compromisso. Isso é coisa da cabeça de vocês!”. Fofa (Vibrei internamente!) E deixei o “circo pegar fogo”! Estava muito engraçado aquilo — Eu e meus colegas (casados e com filhos) discutindo minha solteirice (ex-solteirice, inclusive), no pós-serviço, diante do computador.
A história de “pacote completo” não surgiu da minha cabeça (minha autoestima não chega a tanto), veio de um amigo músico, muito sagaz, maduro e generoso, que me disse assim: “Carol, deixa eu te explicar uma coisa, você é um pacote completo – bonita, independente, inteligente, bem relacionada… Você acha que é qualquer homem que encara?”.
Quando eu ouvi isso, aquela lâmpada mental se acendeu. E eu entendi a condição da mulher contemporânea: somos bonitas, independentes, inteligentes e bem relacionadas. Se assumimos um relacionamento é porque estamos apaixonadas. Sabe aquela antiga fragilidade que deixa os homens confortáveis e sentindo-se senhores da relação? Não temos. Mas não temos, gente, porque, de fato, não temos! Não é mais substância nossa! Não se trata de um ato contra o homem, não se trata de querer deixá-lo desconfortável! Trata-se da realidade! Tivemos que batalhar e isso nos deixou mais fortes, mais livres e mais independentes!
É uma realidade! Vocês, homens, precisam trabalhar essa questão! O incômodo que muitos sentem em relação a isso é um problema do ego, a ser resolvido. Não sou eu que tenho que fingir ser o que não sou, são vocês que têm que aprender a lidar com o que nos tornamos. Por favor, pra ontem!
O que meu colega coordenador quis dizer com essa história de “não é isso que um homem quer” é que os homens se sentem inseguros diante desse tipo de mulher, embora ele a deseje. E, ao invés de assumirem seus desejos e inseguranças, arrumam uma justificativa para continuarem na zona de conforto – “ela não tem cara de que quer compromisso”, “ela não tem cara de um homem só”, “não é isso que um homem quer”.
Aff!
Infelizmente, até hoje, os comportamentos masculinos, de uma forma geral, ainda reverberam as máximas que separam “mulher pra casar” e “mulher pra comer”. Legitimando a hipocrisia social e a falência da profundidade nos relacionamentos. Até quando?
Vale a pena ressaltar como meu amigo colocou a questão “não é isso que os homens querem”. A questão não deveria ser o que os homens querem ou que as mulheres querem, mas o que os dois querem, já que estamos falando de relacionamento.
É muito curioso…
Embora trágico, não posso deixar de admitir que me divirto! Embora o machismo traga consequências sérias para a minha vida todos os dias, eu morro de rir com essas discussões, porque elas expõem limitações tão primitivas que eu não consigo ter outra reação.
E o nó na cabeça deles diante de mulheres que não são uma coisa OU outra, diante de mulheres que são uma coisa E outra E outra E outra E outra? No incômodo sincero do meu colega de trabalho, são “uma coisa aqui E outra coisa fora daqui”. Sim! Somos um “pacote completo”, como disse meu generoso amigo músico.
Falando vulgarmente, porque é desse jeito todo mundo entende, não somos santas OU putas, somos santas E putas. Conquistamos a independência E queremos uma família. Somos sexualmente livres E reverenciamos o amor. Na cama, tem vezes que a gente domina E tem vezes que a gente goza na submissão.
Homens, superem o “OU”, esse tempo já acabou! Aceitem o “E”, ele é inevitável. E prazeroso! Vocês vão entender!
Hipódromo de Campos abandondo (Foto: Antonio Leudo)
Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, turfista é a pessoa que gosta de turfe, de corrida de cavalos. Em mim, essa paixão começou ainda na adolescência quando ouvia as narrações de Belcy Drummond pela PRF-7 – Rádio Cultura de Campos, direto do Hipódromo Linneo de Paula Machado, do Jockey Club de Campos. Tinha eu cerca de 13 anos de idade. Ainda nessa época assisti ao vivo minha primeira corrida, das sociais do belo hipódromo campista. Torci para Odalisca, uma égua mestiça – do meu então cunhado Ronaldo Bartholomeu dos Santos – que, mais tarde, pariu Maragato, do cruzamento com o puríssimo Quimbar, que Ronaldo havia adquirido para reprodutor. Outros puro sangues me vêm à memória: Boulevard D’Or, Kibar e a égua Gadanha. Também me lembro do reinado de Chimarrão e Lourinha, dois expoentes entre os não puros.
Mas havia um fora de série, irrequieto, indomável, que era o meu preferido: o cavalo Diplomata. Sua indocilidade o colocou fora da Gávea e, vindo para Campos, fez valer sua supremacia com vitórias em vários programas. A superior velocidade de Diplomata era provada nos páreos com maior distância, onde o animal podia descontar o atraso verificado nas largadas. Atraso que quase sempre acontecia. Também colaborava para as vitórias a boa direção do jóquei que o montava com mais frequência, E. Paula, campeão de várias estatísticas do turfe campista. E. Paula era o nome turfístico de Evilásio Paula, que, entre os mais chegados aos meios turfísticos, era conhecido pelo apelido de Vivi.
Entre os jóqueis havia outros nomes que merecem ser lembrados por suas performances de vencedores: Sílvio Cruz (S. Cruz); Epaminondas Gibson (E. Gibson); Genildo Gomes (G. Gomes) e o Juquinha (J. Correa). Esses eram os mais constantes. Mais tarde Sílvio Cruz tornou-se tratador, cargo que teve, também em Campos, as participações dos irmãos Felipe Lavor e Wilson Pereira Lavor, respectivamente tio e pai do grande jóquei Carlos Geovani Lavor (C. Lavor), que nasceu em Campos e há cerca de três décadas exerce a profissão no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro.
Sobre C. Lavor vale destacar que é o segundo maior vencedor do Grande Prêmio Brasil – mais importante corrida do turfe brasileiro – e um dos jóqueis com maior número de vitórias nos hipódromos do Brasil. No
GP Brasil são três vitórias: em 1989, 1991 e 1993 – a primeira com Troyanos e as duas últimas com Villach King. C. Lavor só perde para Juvenal Machado da Silva (J.M. Silva), que tem cinco vitórias. Em Campos pouco se fala nele e nunca houve qualquer movimento com o intuito de homenageá-lo.
Outra marca da importância de Campos no movimento turfístico brasileiro é o Stud Capitão, de Luiz Edmundo Cardoso Barbosa. Nascido em Campos, ex-aluno do Liceu de Humanidades, Luiz Edmundo homenageia, com o Stud Capitão, o falecido pai, Domingos Barbosa, conhecido entre os amigos por Capitão.
A tradição e a história do turfe, em Campos, não foram suficientes para manter vivo o trabalho de abnegados como Arthur Cardoso Filho, João Baptista Vianna Barroso, Arnaldo Rosa Vianna, João Sobral, Hervé Salgado Rodrigues e outros responsáveis pela construção do Hipódromo Lineu de Paula Machado. Inaugurado em 20 de outubro de 1957, o Jockey Club de Campos viveu o apogeu até a década de 1970. A partir dos anos de 1980 a decadência chegou sorrateiramente para, ano após ano, destruir o sonho dos que pensaram na construção do terceiro maior espaço de turfe do Brasil. Em 2011, a sede do hipódromo, totalmente abandonada numa área de 170 mil metros quadrados, foi arrematada em leilão federal por R$ 4,5 milhões.
“Hoje a população paga pela falta de capacidade de quem só conseguiu pensar em si mesmo e no seu projeto político pessoal que não deu certo. Mas nosso caminho é outro. Consertar os erros deixados e avançar com coragem e responsabilidade na construção de uma Campos forte e desenvolvida”. Esta foi a reação do prefeito Rafael Diniz (PPS) às acusações (aqui) do ex-prefeito, ex-secretário, ex-deputado, ex-governador e ex-candidato a presidente Anthony Garotinho (PR). Na noite da última quarta-feira (27), logo após ser liberado da prisão domiciliar em sua famosa “casinha na Lapa que papai deixou”, o líder que em sua carreira se acostumou a falar para milhares de pessoas, disse diante de apenas 100 militantes:
“Esse governo (Rafael) pode acabar a qualquer momento. Ou por via judicial ou por via policial. A cidade está sendo destruída por um prefeito inexperiente, sem equilíbrio emocional. É um destemperado total, com uma equipe fraca”.
A previsão do ex-governador sobre um suposto final antecipado do governo municipal que o derrotou fragorosamente nas urnas de 3 de outubro não é novidade. Assim como são bem conhecidos seus constrangedores adiamentos. Desde que seu candidato a prefeito, Dr. Chicão (PR), perdeu no voto para Rafael em todas as sete Zonas Eleitorais de Campos, ainda no primeiro turno de 2016, Garotinho passou a profetizar, tanto em rádio, quanto blog e mídias sociais, que a eleição a prefeito de Campos seria anulada e uma nova seria marcada em maio.
Passou maio, junho, junho e agosto, sem que nada tivesse acontecido, a não ser as condenações eleitorais dos rosáceos envolvidos na Chequinho. Até que, em setembro, a mão forte da Justiça se fez sentir na esfera criminal. Mas não sobre Rafael ou ninguém do seu grupo político. No dia 13 do último mês, quem acabou condenado (aqui) pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos foi o próprio Garotinho. Tudo relativo à troca de Cheque Cidadão por voto, denunciada inicialmente pelas assistentes sociais do próprio governo municipal Rosinha Garotinho (PR), durante a campanha eleitoral de 2016.
Para se ter dimensão daquilo que o Ministério Público Eleitoral chamou (aqui) de “escandaloso esquema” na tentativa de eleger Chicão e os candidatos a vereador rosáceos, até junho de 2016, havia 14.991 pessoas cadastradas no Cheque Cidadão. E de junho a agosto daquele ano eleitoral, o número chegou a 32.506.
Mas o que mais espantou na sentença do juiz da 100ª ZE de Campos, Ralph Manhães, foi saber que se chegou “à prática de coação e intimidação de testemunhas, inclusive com emprego de arma de fogo”. Assim como descobrir que a “venda do futuro” de Campos, fechada no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff (PT), em troca (aqui) da abstenção de Clarissa Garotinho (hoje, no PRB) na votação do impeachment da então presidente, “é que custeou todo o esquema criminoso”. O prejuízo aos cofres públicos de Campos foi de R$ 11 milhões, enquanto o da “venda do futuro” custa todo mês 10% dos royalties do petróleo do município
Gilmar Mendes
Depois de condenado pela Justiça Eleitoral de Campos, Garotinho teve sua prisão domiciliar e todas as medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica e incomunicabilidade, confirmadas (aqui) no dia 18, por unanimidade, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Mas o condenado conseguiria (aqui) a permissão de recorrer em liberdade, por 4 votos a 2, no dia 23, em decisão do plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), num movimento capitaneado pelo presidente Gilmar Mendes, também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Luiz Inácio Lula da Silva
Considerado um dos magistrados mais impopulares da República, Gimar chegou a cobrar “vergonha na cara” ao defender a liberdade de Garotinho no TSE. Foi apenas três dias antes dele se aliar (aqui) ao presidente Michel Temer (PMDB) e ao PT nacional contra o afastamento de Aécio Neves (PSDB/MG) do Senado, no dia 26. Antes de defender o adversário mineiro, por temer ser alvo da mesma severidade nas operações federais Lava Jato e Zelotes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos únicos políticos a manifestar (aqui) publicamente solidariedade a Garotinho, durante seus 14 dias de prisão domiciliar.
Mas depois que foi liberado para recorrer em liberdade da sua segunda condenação criminal — já havia sido sentenciado (aqui) pela Justiça Federal do Rio, em 2010, a dois anos e meio de prisão, como chefe de quadrilha armada, por sua atuação como secretário de Segurança durante o governo estadual Rosinha (2003/2007) —, Garotinho não atacou apenas o prefeito de Campos. Sobre os vereadores, ele também disparou:
— Todo mundo sabe, hoje, onde funciona o bar da propina, onde todo mês os vereadores vão lá receber, além de tudo que já ganham, uma quantia em dinheiro, cada um.
Jorginho Virgílio
O primeiro a reagir, no dia seguinte (28), foi o edil Jorginho Virgílio (PRP), do governista G-5. Ele apresentou (aqui) uma queixa-crime contra o ex-governador na 134ª DP de Campos. Na oportunidade, declarou:
— Eu, como vereador, não posso aceitar um tipo de acusação inverídica. Vim fazer uma queixa-crime contra ele. Os meus advogados já estão preparando toda a documentação para entrar com uma ação criminal, para que ele possa provar o que denunciou ontem (27) à noite.
Marcão Gomes
Mas a reação mais dura, também no dia 28, foi do presidente da Câmara, vereador Marcão Gomes (Rede):
— O senhor Anthony Garotinho pensa que todo mundo é bandido como ele. Chamo de senhor, porque é isso que ele é: um senhor decadente, que já foi prefeito, deputado, governador e candidato a presidente, mas hoje não passa de um ex-presidiário, condenado na Chequinho e condenado como chefe de quadrilha armada, pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, como o (Ronaldo) Caiado (DEM/GO) disse (aqui) na cara dele, na Câmara Federal. É um bandido condenado duas vezes, além de investigado na Lava Jato e por outros tantos sinais de prática de ilícitos. E será tratado como o bandido que é: na delegacia de Polícia e na Justiça!
Vereadores, secretários, delegado, juízes e ex-aliados reagem
Thiago Ferrugem
Quem não se ofendeu com as acusações contra os vereadores de Campos, feitas por Garotinho após 14 dias de prisão domiciliar, foi seu aliado e líder da bancada de oposição da Câmara, Thiago Ferrugem (PR). Ele até ironizou a reação dos colegas:
— É de se estranhar o comportamento de alguns políticos que no almoço falam grosso, cheios de críticas, e no jantar falam fino, cheios de arrependimento. Essa mudança abrupta de opinião faz com que pairem algumas dúvidas e gera especulação. Particularmente não me ofendi com a fala do “bar da propina”, mas se alguém se ofendeu deve ter vestido a carapuça.
Fred Machado
Como não poderia deixar de ser, a opinião é bem diferente na bancada governista. Líder desta, o vereador Fred Machado (PPS) foi duro com o líder político de Ferrugem:
— Bandido condenado, Anthony Garotinho está acostumado a justificar seus crimes atacando falsamente outras pessoas. De uma forma irresponsável ele declarou que vereadores recebem propina. Talvez ele estivesse em delírios, confundindo o que dizia com a sua própria história. Afinal é ele que está acostumado a receber propinas, como afirmaram (aqui) os delatores da Odebrecht na Lava Jato. A Câmara, de forma institucional, irá tomar as medidas cabíveis para responsabiliza-lo, tendo em vista a gravidade da sua acusação.
Sana Gimenes
Os ataques de Garotinho não foram apenas a Rafael e aos vereadores da base. Alguns membros do estafe do prefeito também foram alvo do político da Lapa. Ele disparou contra os secretários de Assistência Social, Sana Gimenes, e de Fazenda, Leonardo Wigand; além do superintendente de Trabalho, Gustavo Matheus (PV):
— Botar para cuidar da Assistência Social a dona de um restaurante chique da cidade, que não está acostumada com pessoas pobres. Uma noite no restaurante dela não custa menos de R$ 3 mil. A moça pediu para sair duas vezes. Colocou como secretário de Fazenda o ex-cunhado de Ricardo Teixeira, que na época da Copa foi nomeado para comandar o Comitê Organizador Local. Ele que fazia autorizações para empresas usarem marca da Copa. Foram milhões fraudados. E, francamente, colocar como secretário de Trabalho o meu sobrinho, que nunca trabalhou… — ironizou Garotinho
Leonardo Wigand
— Ataques pessoais são a tônica quando não se pode questionar a seriedade do trabalho. Especialmente quando esse trabalho se dá na pasta envolvida em um dos maiores escândalos da história da política campista (a Chequinho), justamente a que motivou a prisão daquele que dela fez uso criminoso e assistencialista. Como advogada, professora de Direito de três respeitadas instituições e doutora em Sociologia Política, estou em contato com as populações vulneráveis há muitos anos. Confio no projeto do prefeito Rafael Diniz e nunca, mesmo diante das enormes dificuldades deixadas, cogitei abandonar o governo — garantiu Sana Gimenes.
—A irresponsabilidade do discurso de Garotinho é a mesma que ele teve com as contas do município, quando vendeu o futuro de Campos, quando tirou dinheiro da PrevCampos, quando, por mero capricho, deixou de praticar ações importantes como a implantação da Junta Comercial ou discutir com as entidades um novo Código Tributário responsável, o que nós já conseguimos fazer em nove meses. Infelizmente o desleixo com a arrecadação e irresponsabilidade com uso dos royalties levaram o município ao abandono e hoje quem está pagando é a população campista — cobrou Leonardo Wigand
Gustavo Matheus
— Dizer que eu nunca trabalhei é fácil. Mais fácil ainda é provar o contrário, já que as assinaturas da minha carteira de trabalho pesam quase tanto quanto a consciência do ex-governador. Lojas como Free Wave, empresas de locação de automóveis, de recursos humanos e este próprio jornal, Folha da Manhã, são os empregos formais que tive. Quero ver Rosinha fazer o mesmo. Em nove meses conseguimos empregar seis vezes mais que o governo rosáceo em todo o ano de 2016. Sem contar com a evolução na qualificação, um dos principais pedidos do prefeito Rafael Diniz — contabilizou Gustavo Matheus
As autoridades à frente da operação Chequinho na Polícia Federal (PF), Ministério Público Eleitoral (MPE) e Justiça Eleitoral também foram atacadas publicamente por Garotinho:
Glaucenir de Oliveria
— Os que hoje são acusados, serão absolvidos. E os que acusam, serão presos. Já estão respondendo na corregedoria da Polícia Federal, na corregedoria do Ministério Público e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O promotor eleitoral Leandro Manhães, reiteradamente considerado pelo ex-governador como um dos seus principais antagonistas, não respondeu à tentativa da reportagem de contato por WhatsApp. Pelo mesmo meio eletrônico, o delegado da PF Paulo Cassiano retornou, mas se limitou a dizer não ter “nada a declarar sobre isso”. Também lacônicos foram os juízes eleitorais Glaucenir de Oliveira e Ralph Manhães, responsáveis pelas duas prisões de Garotinho na Chequinho:
Ralph Manhães
— Posso dizer que, conforme vêm se tornando públicas, tenho ganhado com louvor todas as acusações espúrias dele contra mim. No TRE, no TSE e no CNJ — lembrou Glaucenir.
— Juiz não tem que se manifestar sobre palavras de réu — sintetizou Ralph.
Ex-aliados políticos, entre os tantos convertidos em desafateos, também não escaparam da sanha acusatória de Garotinho:
Geraldo Pudim
— Tristes são os políticos que conseguem um mandato e não se elegem mais. Triste é ser um Sérgio Mendes (PPS) da vida, triste é ser um Fernando Leite da vida, triste é ser um Pudim (PMDB) da vida. Se você está na política eleito e reeleito, está agradando ao povo.
O deputado estadual Pudim, como os magistrados de Campos, foi econômico na resposta:
Sérgio Mendes
— Eu prefiro não comentar o caso, porque ele deixou de ser de política e se tornou de polícia.
O ex-prefeito Sérgio Mendes também se manifestou:
— Triste para mim é ter sido governador, prefeito, deputado, secretário, e hoje ser condenado por formação de quadrilha e compra de votos. Sem contar as dezenas e dezenas de processos que responde na Justiça. A esse preço, prefiro nunca mais participar da política eleitoral.
Fernando Leite
Por fim, ex-companheiro de Garotinho desde os tempos de política estudantil, teatro e poesia, Fernando Leite usou ironia numa resposta pessoal:
— Garotinho não tenho uma vida triste porque só tive um mandato eletivo. Acho e sempre achei que política é causal, não meio de vida. Triste é quando o político tem que desviar dinheiro público para comprar voto; quando a gana pelo poder o leva a vender sua alma ao diabo. Ah, eu seria triste se, na longínqua década de 1970, eu tivesse perdido todos os festivais de poesia que disputei com um velho amigo que ficou na curva da estrada. Eu, como ensina Cecília, “não sou alegre, nem sou triste, sou poeta”.
Novembro de dois mil e dezesseis. Celsiane Queiroz do Amaral, trinta anos, foi estrangulada em Chapéu do Sol, São João da Barra, pelo namorado que já acumulava um histórico de agressões à vítima. Somente na semana passada o autor do crime revelou o local onde havia enterrado o corpo, dez meses depois de ter cometido o assassinato. O namorado afirmou que matou Celsiane devido a “provocações injustas” que ela teria dirigido a ele durante uma relação sexual. Segundo a irmã da vítima, Celsiane costumeiramente apanhava do namorado na frente dos filhos.
Nove de março de dois mil e dezessete. Mônica Gomes Rangel, de vinte e nove anos, foi morta (aqui) com um tiro de espingarda calibre 12 na frente da filha de treze anos, no distrito de Vila Nova, em Campos. O autor do crime foi o ex-marido de Mônica, de quem ela havia se separado pouco tempo antes da tragédia. O assassino confesso justificou o crime alegando ter descoberto um “vídeo íntimo” da esposa.
Doze de setembro de dois mil e dezessete. Dandara Ramos, vinte e um anos, foi morta com dois tiros na cabeça por um homem com quem se relacionava há seis meses, em Conceição de Macabu. O autor do crime confessou sua autoria à polícia e revelou o local no qual havia ocultado o corpo da vítima. Disse que matou Dandara porque ela contou que estava esperando um filho dele. Para ele, a gravidez poderia atrapalhar os planos que tinha para sua vida, dentre eles o de iniciar um relacionamento com outra mulher.
Esses foram três casos de assassinatos de mulheres que aconteceram na região nos últimos tempos. Escolho elencar apenas três de uma longa lista deles. O que os três crimes possuem em comum? São qualificados como feminicídios.
No Brasil, a Lei nº 13.104/2015 alterou o artigo 121 do Código Penal para incluir o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, aumentando a pena do crime e impedindo o pagamento de fiança. Tal alteração segue a recomendação de organização internacionais, como o Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), da Organização das Nações Unidas.
Sendo assim, no Código Penal brasileiro, o crime de feminicídio está classificado como um crime hediondo, tipificado nos seguintes termos: é o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, quando o crime envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. O feminicídio, então, seria uma forma de violência originada pela desigualdade de poder de que desfrutam mulheres e meninas nas diferentes esferas sociais.
Desta forma, nem toda morte de mulher configura-se necessariamente como feminicídio. A maior parte dos feminicídios acontece no âmbito doméstico e é levado a cabo por parceiros ou ex-parceiros da vítima. Frequentemente os crimes são marcados por requintes de crueldade, como mutilação dos seios ou da área genital, partes do corpo fortemente vinculadas ao feminino, dilacerações do rosto da vítima, além de violência sexual.
O famoso caso da menina Eloá, cujo sequestro pelo ex-namorado Lindemberg culminou em seu assassinato no dia dezessete de outubro de dois mil e oito, é exemplo de um feminicídio em que a vítima recebeu um tiro no rosto e outro na virilha, além de ter apanhado diversas vezes enquanto permaneceu no cárcere. O caso que foi massivamente publicizado pelos meios de comunicação na época (com direito à apresentadora Sônia Abrão transmitindo ao vivo uma ligação para o sequestrador), pode demonstrar algumas características típicas do crime de feminicídio: Lindemberg era um rapaz de vinte e dois anos que não aceitava o término do namoro, tal como outras centenas de milhares de rapazes e homens que veem suas parceiras como sua propriedade, negando a elas o direito de determinarem os rumos de suas próprias existências. “Se ela não for minha, não vai ser de mais ninguém” é frase que não raramente ouvimos desses homens que decidem por fim à vida das mulheres com as quais se relacionaram.
É comum que os meios de comunicação classifiquem este tipo de crime como “passional”, fruto de um lapso momentâneo em que o autor da agressão perde o controle racional sobre as próprias ações e acaba cometendo o assassinato. No entanto, especialistas no tema alertam para o fato de o feminicídio ser o ponto culminante de um processo contínuo de violência já vivenciado pelas vítimas. Antes de serem mortas, essas mulheres já sofriam outros tipos de violência machista de seus companheiros, tais como violências psicológicas e físicas. Essas violências vão desde o controle do corpo dessa mulher, seja através da supervisão de suas vestimentas, do seu direito de ir e vir e de seus direitos reprodutivos e sexuais, até violências físicas que deixam marcas visíveis em seus corpos.
Os feminicídios são entendidos como verdadeiros crimes de ódio e não como “casos isolados”, cometidos por “monstros”, “animais”, doentes mentais” ou qualquer outro nome que frequentemente é atribuído aos homens perpetradores desses crimes. Os “feminicidas” são homens “comuns”, socializados numa cultura machista, que propicia a esses indivíduos a noção de que são senhores da vida dessas mulheres. Não raras vezes os feminicídios acontecem quando a mulher decide se separar, quando existe a possibilidade real ou imaginada de traição (o que fere a noção de “honra” dos autores do crime), quando a mulher engravida e não aceita abortar (e muitas vezes, nesses casos, o autor do crime entende que essa gravidez é uma agressão a ele, culpa exclusivamente da mulher que “não se cuidou”, que quer “arruinar” a vida dele), dentre outros fatores que corriqueiramente acontecem durante relacionamentos.
Para evitar que esses crimes continuem a acontecer em grande escala como é o caso do que acontece no Brasil – país com o quinto maior índice de feminicídio do mundo – é preciso não somente que exista uma potente e articulada rede de enfrentamento à violência contra a mulher, intento que deve conjugar esforços dos três poderes, no âmbito municipal, estadual e federal, como também é preciso investir em ações de educação e reeducação a respeito de temas como gênero, igualdade, diversidade e direitos humanos. Desta forma, poderemos combater noções e valores discriminatórios contra as mulheres que nos são ensinados desde a infância, reproduzidos de geração a geração, e que são, ao fim e ao cabo, a raiz ideológica desses crimes que atentam contra a vida das mulheres.
Na semana passada, dois novos colaboradores foram anunciados (aqui) e fizeram (aqui e aqui) suas estreias: a historiadora Guiomar Vadez e o jornalista Alexandre Bastos. Mas outras novidades foram prometidas entre os colaboradores deste “Opiniões”. Uma delas é uma jovem velha conhecida dos leitores do blog: a cientista social Vanessa Henriques, que retoma amanhã (30) sua colaboração quinzenal aos sábados.
Os outros dois novos colaboradores são veteranos do jornalismo de Campos: Chico de Aguiar assume um espaço quinzenal no blog às segundas, a partir da próxima (02/10), ao passo que Orávio de Campos Soares escreverá terça sim, terça não, a partir de 10 de outubro.
Abaixo, em palavras próprias, conheça melhor os três e o que cada um pretende trazer a você, leitor do blog:
Vanessa Henriques, Chico de Aguiar e Orávio de Campos Soares (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vanessa Henriques — Depois de ficar um período afastada do blog por conta da dificuldade de conseguir conciliar estudos, trabalho e vida pessoal,volto às contribuições quinzenais, trazendo opiniões sobre temas que julgo relevantes para a corrente conjuntura. Na posição de cientista social e atual presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Campos, trarei para o debate questões como violência, sociedade, gênero e sexualidade. Mais uma vez agradeço a oportunidade e fico entusiasmada com a sempre enriquecedora experiência de poder contribuir e aprender com o debate público do nosso município.
Chico de Aguiar — Chico de Aguiar é meu nome jornalístico. Sou Francisco Manoel Aguiar Ribeiro, 70 anos, campista, solteiro. O meu pai era campista e minha mãe capixaba. Mas tenho sangue mineiro dos avós maternos. Fiz o curso primário em grupos escolares e no Externato Eucarístico. Sou fundador do Colégio Salesiano, como aluno do curso ginasial. Mas meu melhor momento na vida estudantil foi quando ingressei no curso clássico do Liceu de Humanidades de Campos. Sou bacharel em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Casper Libero, em São Paulo (SP), cidade onde morei por sete anos, quando fui empregado da Copersucar. Como jornalista fiz carreira nas redações de A Cidade e da Folha da Manhã, em Campos, e na sucursal campista do diário carioca O Dia.
Além de agradecer ao convite do Aluysio pela oportunidade de estar aqui neste espaço, quero propor os temas de minhas reflexões. Sei que tenho a virtude do memorialista. Assim, pretendo escrever sobre música, esportes e outros assuntos relacionados com a nossa cultura. Não obrigatoriamente apenas sobre Campos. Vou buscar uma abrangência, também, sobre o nosso Estado do Rio, sobre o Brasil e sobre o mundo. Sou da geração dos Beatles e dos Roling Stones. A propósito, a frase musical que me acompanha e me guia, eu busquei na canção “Think for yourself”, dos quatro rapazes de Liverpool: “Do what you want to do; and go where you’re going too; think for yourself cause I won’t be there with you”. Sempre só. Vou e faço.
Orávio de Campos Soares — Não gosto muito de auto-promoção, mas aí vai o mini currículo: professor mestre em comunicação e cultura (UFRJ), professor do curso de jornalismo do Uniflu (Centro Universitário Fluminense), integra a Academia Campista de Letras, a Academia Pedralva Letras e Artes, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e a Rede Brasileira de Folkcomunicação (Folkcom). Gostaria de abordar assuntos ligados à cultura e às novas tecnologias da comunicação. Mas sempre olhando para frente.
Este é um daqueles textos que classifico como “colhidos na rua”. George Simmel, um sociólogo alemão de ascendência judia, escreveu um texto delicioso sobre o espírito das grandes cidades[1]. Este ar da cidade que “nos faz livres” reúne, em relações de interação muito próximas, pessoas que de outra forma, em outro momento histórico, dificilmente se encontrariam. Estes trilhos de ferro, casebres no meio do barro, túneis subterrâneos em que habitam pessoas e ratos, mercados de pulgas, frangos, panelas e hortaliças. Ou aqueles encontros memoráveis entre os que foram agraciados pela sorte da fortuna, descritos nos contos de Machado de Assis, e aqueles visitados pela desgraça, dependentes de um bom casamento ou da morte de um parente fazendeiro. Ambos flertam na mesma festa de máscaras, interessados ou apaixonados, calculistas ou idealistas, realizam a Grande Comédia da vida moderna. Ao menos pelas poucas horas de duração do baile.
A cidade é, em minha opinião, o grande invento da modernidade. A mais fascinante experiência e o mais aterrador desafio. Quem tem lido os escritos de David Harvey sobre a Índia e outras favelas ao redor do globo pode ter idéia sobre o tamanho do desafio aos pesquisadores em pensar a possibilidade das cidades globais no século XXI. Principalmente, como prover saneamento, condições dignas de moradia? O direito à cidade, tema bastante complexo na obra de Henry Lefebvre nos conduz neste caminho: pensar um tipo de acesso à vida urbana em cidades como Lagos, Mumbai ou São Paulo.
Quem já permaneceu, mesmo que rapidamente em uma cidade com mais de 5 milhões de habitantes, certamente provou da “intensificação de vida nervosa” descrita no ensaio de Simmel. Quantos cálculos diante da velocidade dos sinais, das interações cruzadas por variáveis monetárias, pelas decisões sobre segurança cotidiana e lazer, vizinhança e trabalho? Diante do excesso de estímulos, segundo o autor, o habitante das grandes cidades teria como uma das principais formas de reação a esses estímulos nervosos o desenvolvimento de um caráter “blasé”. Poderíamos pensar em uma escala que vai do desvio de olhares em metrôs ou supermercados, até a reação violenta em situações de interação no trânsito.
Nisto tudo, a experiência urbana se torna indissociável da experiência monetária. Ou mais precisamente, a regulação de todos os aspectos da vida pelo dinheiro. A vida das classes operárias na Inglaterra descrita por Engels, as operações da bolsa de Nova York em 1929, ou o confisco das poupanças no Brasil no governo de Fernando Collor; em todos estes momentos o homem comum foi nivelado pelo quantum do valor que dispunha neste tablado de operações financeiras.
Particularmente, em 2017, tenho andado pelas ruas do Rio de Janeiro observando este gigantesco movimento presente no centro das grandes cidades: o comércio de rua. Entre Alfândega e Cinelândia com atenção especial às ruas próximas da avenida Rio Branco, tenho flagrado um incremento não apenas da quantidade mas da variedade das mercadorias. Ao mesmo tempo em que as lojas ofertam 60% de desconto em vestuário e eletrodomésticos, os camelôs vendem cavalinhos de brinquedo, moedores de pimenta, “hand spinners” luminosos, queijos curados, pilhas, luminárias, filmes, chicletes, goiabas, programas de computador, roupas, sapatos, canetas, pipocas, amendoins torrados, livros usados, tecidos africanos.
O que mudou em 10 anos de observação? Percebo não só um número maior de mercadorias (inclusive nos trens se vende lasanha congelada, carregadores de celular, coadores de café, chocolates…) como um perfil diferente daqueles que vendem estes itens. Flagro pessoas que recentemente saíram do mercado formal, vestidas com distinção e apuro, idosos em busca de complementação de renda, jovens vendendo azulejos decorados. Uma geração diferente daqueles camelôs que conhecemos, descolados em idas ao Paraguay, conhecedores das regras de divisão das quadras e bancas.
E essa diferença lembrou-me muito aquele homem vendendo maçãs em uma fila interminável de pessoas na Grande Depressão de 29. Rio, 2017, trabalhadores que da noite para o dia se vêem aniquilados pelo desemprego. Em uma cidade que teve seus custos de vida elevados com os megaeventos. A rua como destino de moradia, trabalho, lazer e protesto. A cidade como espaço de contradição e invenção. Esbarramos a cada esquina nestas pessoas que “viraram maçãs”, ou seja, converteram-se no objeto vendido em uma condição de humanidade mutilada. Esbarramos nessa cidade o tempo todo. Mas não há nisso nenhuma fatalidade. A aventura da cidade é coletiva e construída.
A desconfiança como primeira forma da interação e a desigualdade como régua, classificam a cada um de acordo com o pedaço do espaço ocupado. E um dos resultados desta aversão ao estranho, desta desconfiança contínua, é a solidão da grande cidade. Mas, como diz Simmel, os homens resistem. Não só a sua transformação em maçãs, mas a natureza impiedosa do sistema financeiro. Resistem ao nivelamento de todas as qualidades, humores, habilidades e destinos pelo mercado. Inventam novas formas de viver a cidade, recriam espaços e formas de trocas.
Por essa razão devemos saudar com entusiasmo as intervenções urbanas nos muros, o teatro de rua, as serestas, as formas solidárias de troca, a agricultura familiar, os brechós, as formas de habitação alternativas, o artesanato local. E principalmente os espaços de convivência ao ar livre, como a praça São Benedito, a São Salvador ou a simpática “praça do Liceu”. A cidade que queremos é essa. Menos desigual, menos cinza.
(enquanto finalizava este texto, aproveitando o chimarrão em minha cidade, eis que recebo uma ligação impiedosa de um grande banco espanhol, tentando vender um novo produto… ah, os bancos!)
Vereador Marcão (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
— O senhor Anthony Garotinho (PR) pensa que todo mundo é bandido como ele. Chamo de senhor, porque é isso que ele é: um senhor decadente, que já foi prefeito, deputado, governador e candidato a presidente, mas hoje não passa de um ex-presidiário, condenado na Chequinho (aqui, por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos) e condenado como chefe de quadrilha armada (relembre aqui), pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, como o (Ronaldo) Caiado (DEM/GO) bem disse na cara dele (reveja aqui), na Câmara Federal. É um bandido condenado duas vezes, além de investigado na Lava Jato e por outros tantos sinais de prática de ilícitos. E será tratado como o bandido que é: na delegacia de Polícia e na Justiça! O Legislativo de Campos, como poder legalmente instituído, não vai se intimidar com as acusações levianas de um bandido.
As palavras duras foram usadas agora há pouco pelo presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Marcão Gomes (Rede). Ele disse ao blog que está estudando, junto ao procurador geral da Casa, Robson Maciel Filho, a melhor maneira de responsabilizar criminalmente Garotinho. Na noite de ontem, diante à sua famosa “casinha na Lapa que papai deixou”, o ex-governador também usou palavras duras contra os vereadores de Campos:
— Todo mundo sabe, hoje, onde funciona o bar da propina, onde todo mês os vereadores vão lá receber, além de tudo que já ganham, uma quantia em dinheiro, cada um — acusou Garotinho, em meio a vários outros ataques (confira aqui), ao ser liberado da prisão domiciliar, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois de 14 dias preso pela condenação na Chequinho a nove anos e 11 meses.
Vereador do G-5, Jorginho Virgílio (PRP) se sentiu ofendido com as declarações e apresentou (aqui) uma queixa-crime contra Garotinho, na manhã de hoje, na 134ª DP de Campos:
— Eu, como vereador, não posso aceitar um tipo de acusação inverídica. Vim fazer uma queixa-crime contra ele. Os meus advogados já estão preparando toda a documentação para entrar com uma ação criminal, para que ele possa provar o que denunciou ontem à noite — disse Jorginho. Além da própria Câmara de Campos, outros vereadores devem tomar o mesmo caminho contra o ex-governador.
Charge do José Renato publicada hoje (28) na Folha
Coincidência?
Durou pouco mais de 13 dias a prisão domiciliar e a incomunicabilidade do ex-governador Anthony Garotinho (PR). Condenado no último dia 13, pelo juízo da 100ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, a nove anos e 11 meses de cadeia pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de testemunhas e supressão de documentos, Garotinho teve a prisão e todas as medidas cautelares suspensas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de terça (26). Coincidência ou não, nestas quase duas semanas, Campos não teve quase nenhum protesto popular, nem de categoria, como servidores ou motoristas de vans e lotadas.
Garotinho e Rosinha convocam
O dia de ontem (27), seguinte à concessão de habeas corpus pelo TSE, foi gasto com formalidades jurídicas para o cumprimento da decisão da instância máxima da Justiça Eleitoral brasileira. Uma reunião com a militância, engordada pelos que andaram sumidos durante os 13 dias de prisão do líder, chegou a ser convocada nas redes sociais por Garotinho e sua esposa, a ex-prefeita Rosinha Garotinho (PR). Seria às 18h de ontem, no Clube de Regatas Rio Branco, no Centro. Mas, diante dos contratempos burocráticos à liberação do ex-governador, acabou sendo adiada para hoje (28), a priori nos mesmos local e horário.
Protestos à míngua
Se a reunião acontecer mesmo hoje, impossível contabilizar a quais categorias e bairros pertencerão os militantes presentes. Mas, nos pouco mais de 13 dias em que Garotinho ficou preso, só duas manifestações ocorreram em Campos: na última quinta (21), pais de alunos e funcionários da Escola Municipal Heitor Alves Barreto, em Ponta de Coqueiros, fecharam (aqui) a RJ 216 contra demissão de uma diretora; enquanto na última terça (26), motoristas e cobradores da empresa Rogil paralisaram (aqui) o serviço, reivindicando os salários de agosto, mesmo com a confirmação do pagamento do consórcio por parte do município no referido mês.
Ameaça dos RPAs
Bem verdade que os médicos que trabalham para a municipalidade com Recibo de Pagamento Autônomo (RPA) ontem já ameaçavam cruzar os braços. Segundo eles, o atraso no pagamento chegaria a dois meses. Em comunicado da superintendência da Comunicação, a Prefeitura admitiu dificuldade no pagamento de agosto. Ninguém discute que quem trabalha, sobretudo numa área essencial como a Saúde Pública, tem que receber. Mas a lógica nem sempre é a tônica de quem insufla os protestos para criar o clima de caos na cidade.
Quanto pior, melhor
Condenado a oito anos de inelegibilidade na mesma Chequinho que prendeu Garotinho, o ex-vereador Albertinho (PMB), por exemplo, já foi flagrado tanto nos protestos de motoristas de vans e lotadas que se acostumaram a parar impunemente a cidade (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), quanto na paralisação dos rodoviários (aqui) do último dia 4, pedindo fiscalização às vans e lotadas. Nessa ausência de lógica reunida contra a cidade, ontem, diante à “casinha na Lapa” de Garotinho, a militante do ex-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT), Josy Vaz, gritava às vans e lotadas que passavam: “A perseguição vai acabar”. E depois vociferava aos ônibus: “A passagem a R$ 1,00 vai voltar”.
Expectativa
A retomada da Bacia de Campos é a grande aposta das cidades que fazem parte da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). Ontem, enquanto dez novos blocos na região eram arrematados em leilão da 14ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, a busca por investimentos nos campos maduros também levou o prefeito Rafael Diniz à sede da Petrobras, em Macaé, para um encontro com o gerente geral da Unidade de Operações de Exploração e Produção na Bacia de Campos (UO-BC), Marcelo Batalha. A projeção é que R$ 10 bilhões sejam aplicados nos próximos anos onde já há exploração.
Socorro
A expectativa é de que o aumento da produção de petróleo eleve a receita de royalties e participações especiais dos municípios. A curto prazo, esses investimentos podem gerar impactos socioeconômicos positivos, com destaque para a geração de empregos, na arrecadação de impostos, como ISS (Imposto Sobre Serviços) e dinamização de serviços e comércio. Diniz ressaltou que os municípios estão unidos por ações de desenvolvimento.
Em notas postadas neste blog (relembre aqui), a Folha já teve suas discordâncias públicas com a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj). Mas a entidade produziu uma nota sobre as declarações do ministro Gilmar Mendes, que ontem cobrou (aqui) “vergonha na cara” ao fazer a defesa mais veemente do habeas corpus do ex-governador Anthony Garotinho (PR), deferido por 4 a 2 no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nome do contraditório a um dos magistrados mais impopulares da República, também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), confira abaixo:
A Amarej repudia as declarações desrespeitosas do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, contra a atuação dos juízes brasileiros. Ao votar pelo fim da prisão domiciliar do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, nesta terça-feira (26), o ministro ofendeu e desqualificou o trabalho dos magistrados e do Poder Judiciário.
Em um momento de luta contra a corrupção, Gilmar Mendes disse que magistrados “aproveitadores” praticam “populismo constitucional” ao cederem à opinião pública para manter prisões. Sem mencionar nomes, afirmou que “é preciso parar de brincar com a liberdade das pessoas” e “ter vergonha na cara”.
A prisão domiciliar de Garotinho foi determinada e devidamente fundamentada pelo juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, que o condenou a 9 anos e 11 meses de prisão por corrupção eleitoral, associação criminosa, coação de duas testemunhas e supressão de documentos. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
A Amaerj defende a independência judicial da magistratura e manifesta apoio integral aos juízes do País, que têm se conduzido com coragem e firmeza. Os resultados do trabalho dos juízes e seu retorno à sociedade são públicos. É fundamental que sejam valorizados pela relevância de sua atuação e não depreciados, principalmente por uma autoridade, como o presidente do TSE e membro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma Justiça forte, independente e resistente a pressões, de onde quer que venham, é um dos pressupostos do Estado de Direito e da democracia.
Atualização às 18h25 : a nota da Amaerj foi publicada antes aqui, no blog “Na curva do rio”, de Suzy Monteiro