Guilherme Carvalhal — Naquela ala do hospital

 

 

 

Quando os enfermeiros chegaram para a troca de plantão às sete da manhã na ala psiquiátrica, assustaram-se com o paciente amarrado a cordas na cama e visivelmente dopado. Janaína, que assumia a chefia de enfermagem, vasculhou a ficha e se espantou com a dose de medicação aplicada, não conveniente para tratar um paciente, mas para dar um cala a boca em uma pessoa desagradável.

A ficha daquele paciente indicava problemas de alcoolismo, que desencadeava em ímpetos suicidas e crises de alucinação. Deu entrada às nove da noite, salvo por um grupo de passantes que o encontrou na beirada da ponte falando em se jogar e o impediu. Depois acionados, os bombeiros o levaram àquela unidade.

Janaína, sem compreender a lógica do que ocorreu,o questionou o chefe da farmácia acerca da hiperdosagem. Ele pareceu acuado, com aquele jeito de quem sabe que errou e se confunde quando o colocam contra a parede. Explicou que o paciente estava exaltado, mas não furioso. Xingava e ofendia, movimentava-se muito, às vezes incorrendo em violência, porém sem em momento algum colocar em risco a segurança sua, dos profissionais, das demais pessoas nem da integridade física do hospital:

— Se ele não apresentou perigo, por que você liberou esses medicamentos? O médico prescreveu isso?

Ele baixou a cabeça, relutante em admitir:

— O médico receitou apenas um calmante, mas ele não parava de incomodar todo mundo. Ficava falando, perturbando. As enfermeiras não estavam mais aguentando. Então eu coloquei esses remédios no prontuário e deixei elas aplicarem.

— E a corda? De quem foi a ideia?

— Aí eu já não sei. É com o seu pessoal.

Nem precisava de explicação para a corda. Alguém deixou de lado qualquer preceito de atendimento humanizado na ala psiquiátrica e resolveu regredir setenta anos na história, imobilizando o paciente ao invés de se preocupar com tratá-lo. Olhou com certa vergonha para aquilo tudo, como se alguma crença em um atendimento decente aos enfermos não passasse de uma utopia improvável.

Parou ao lado daquele paciente. Quando ele despertou, sentiu-se incomodado pelo clarão da luz do dia. O sono profundo causado pela medicação mesclada com álcool o deixou desorientado e não reconhecia onde estava. Janaína ajudou-o a se reencontrar, explicando como chegou ali e querendo escutá-lo um pouco. Ele parecia alegre e renovado, sem se dar conta que o doparam e amarraram. Parecia satisfeito com o tratamento, mesmo que o descuido pudesse ter lhe provocado algum mal posterior. Caso ocorresse algo assim, pensaria que não passava de um carma, a punição merecido por seu comportamento. Novamente Janaína pensou em seus estudos: em qual parte da ética da saúde constava que os profissionais eram responsáveis por punir ou ponderar os comportamentos de seus pacientes?

Ele seguiu para o consultório da psiquiatra. Imaginou que receberia alta acompanhado de algum medicamento para evitar as crises, junto à indicação de que comparecesse ao Alcoólicos Anônimos e à terapia. Saiu dali, receita em mãos, sorriso constrangido nos lábios. Encarou Janaína entre o envergonhado e o empolgado: partiu como uma espécie de bênção e maldição do sistema de saúde, um tanto quanto ciente que, mais dia, menos dia, estaria ali

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Em greve e sem receber, Uenf faz doação de cestas básicas nesta sexta

 

Uenf na tarde de hoje (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

 

Por Paula Vigneron

 

Após a queda na doação de alimentos para a campanha de distribuição a servidores ativos e inativos do Estado do Rio de Janeiro, a Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) recebeu mais de 200 cestas básicas, na manhã de hoje. O número, somado às 25 já arrecadadas, possibilitará uma nova doação amanhã (11), no prédio da reitoria da instituição de ensino. As entregas acontecerão das 9h às 15h e serão destinadas somente aos funcionários, aposentados e pensionistas cujos salários permanecem atrasados. A previsão é de que os pagamentos de maio e junho sejam feitos na próxima semana. Os de julho e o 13ª salário devem ser acertados em setembro.

Técnica-administrativa da Uenf e membro do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Maristela de Lima Dias contou que a Uenf, único polo do interior destinado à doação da campanha de alimentos idealizada pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe), distribuirá aproximadamente 300 cestas básicas aos servidores. Nas últimas três semanas, os números variaram entre 400 e 600.

— A gente recebeu mais 200 e poucas cestas. Elas vieram do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário (Sind-Justiça), no Rio de Janeiro, que está recebendo arrecadação. As cestas vêm de diversos lugares. Haverá doação normalmente, mas com o número reduzido — explicou a servidora.

Maristela ressaltou que, mesmo durante a paralisação das atividades da Uenf, a campanha de entrega de alimentos será mantida: “A greve só vai interromper os serviços da universidade. Esse serviço de doação independe. São voluntários, até de outras categorias, que vão lá para ajudar. Não muda nada. Só muda se a gente não conseguir arrecadar”, pontuou.

Também nesta sexta-feira, acontecerá o Ato de Mobilização Nacional pela Educação. Em Campos, na Uenf, haverá um café da manhã. Logo após, será realizado um ato em frente à universidade. À tarde, os servidores da Uenf se unirão aos da Faetec para a mobilização no Centro da cidade.

“A gente só vai confiar quando o salário estiver na conta” — Único a apresentar proposta durante um pregão presencial, o Bradesco será o responsável pelo pagamento dos servidores estaduais até 2022, em uma tentativa do poder público de regularizar a situação dos ativos e inativos. A previsão é de que o acerto dos meses de maio e junho aconteça entre os dias 16 e 21 de agosto. Apesar da iniciativa, servidores da Uenf continuam desconfiados das promessas feitos pelo governo do Estado para o acerto dos salários atrasados. Enquanto todos os pagamentos não forem efetuados, a instituição permanecerá em greve.

Segundo a sindicalista Maristela, mesmo com o recebimento dos salários de maio e junho, os servidores continuarão em situação preocupante: “Os dois meses estão mais do que gastos em dívidas. Então, não vai mudar muito. E, quando ele (Luiz Fernando Pezão) pagar, se cumprir a palavra, já estaremos com a metade do mês de agosto trabalhado e sem receber o de julho. A gente só vai confiar quando estiver na conta”, disse.

— Eu gostaria que o governador respondesse para onde está indo o dinheiro que está sendo arrecadado. O governo federal fazia arrestos para pagamento das dívidas do Estado. Eles foram bloqueados. Inclusive, a Justiça não faz mais arresto para garantir o pagamento. Se não tem mais arresto e continua arrecadando, para onde está indo isso? E de onde vem a garantia de que os salários não vão mais atrasar? Porque não é só pagar os atrasados; é continuar pagando em dia — complementou.

 

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Vingança da Saúde, flancos da Uenf e barraco na Câmara

 

Charge do José Renato publicada hoje (10) na Folha

 

 

 

 

Minha vingança será maligna

Um dia após aprovação pela Câmara de Campos de projetos envolvendo servidores, como implantação de ponto biométrico e regulamentação da substituição remunerada, servidores públicos da Fundação Municipal de Saúde (FMS) decidiram, em assembleia, decretar estado de greve. Outra assembleia está marcada para a próxima quinta-feira, a partir de 18h, para tratar de uma possível paralisação mais ampla. E novas manifestações estão sendo agendadas, inclusive uma, já na próxima segunda-feira.

 

 

Trabalho do reitor

Como a Folha revelou ontem em seu noticiário e (aqui) nesta coluna de opinião, o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luis Passoni, teve no dia anterior, no Rio de Janeiro, uma agenda cheia entre secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, Faperj e Alerj. E voltou com algumas novidades. Entre elas, a informação de que o Governo do Estado estava prestes a contar com um aporte financeiro, a partir do leilão da sua folha de pagamento para um banco, que permitiria pagar os salários atrasados de maio e junho.

 

Ironia e descrença

Tão logo essas informações do reitor foram divulgadas (aqui), ainda na terça (08), pela Folha1, passaram a ser ironizadas nas redes sociais, por quem acredita, não sem razão, que as promessas poderiam ser tentativas de desmobilização da greve da universidade definida pela Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf), na última quinta (03). Diante do não pagamento dos salários de maio, junho e julho, a decisão da paralisação foi inquestionável, como esta coluna enfatizou (aqui) na edição de terça. Tanto que, neste mesmo dia, aderiram ao movimento grevista os servidores administrativos da universidade e da Faetec.

 

Ver para crer

Com base no descumprimento das sinalizações anteriores do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB), manter a greve da Uenf como instrumento de pressão, mesmo diante das novas promessas feitas ontem, foi tática inteligente. O ver para crer, como São Tomé, foi endossado ontem nesta coluna. E o mesmo se fez com as tentativas de negociação do reitor. Por mais que seu ideário político se afine com o de quem lhe critica, Luis Passoni tem que lidar com a prática, sempre mais complicada, sobretudo quando se trata da burocracia estatal brasileira.

 

Errado de fora

Na prática, o fato é que ontem, menos de 24horas após Passoni adiantar a informação, o Bradesco foi anunciado como vencedor do leilão da gestão da folha de pagamento do Estado do Rio pelos próximos cinco anos. A partir disso, o banco pagará R$ 1,3 bilhão ao Estado, já na semana que vem. O dinheiro, segundo anunciou (aqui) o jornalista Anselmo Góis, em O Globo, será usado para regularizar o pagamento de maio, junho e parte de julho dos servidores. Como se vê, quem resiste e quem negocia são flancos complementares da mesma vanguarda, na luta pela manutenção e reabertura da Uenf. Nela, errado é só quem está de fora.

 

Falta o quê?

Há quem se pergunte o que mais falta acontecer dentro da Câmara de Campos. Na sessão de ontem, a confusão por conta da conduta de um assessor da vereadora Linda Mara demonstrou que nem todos estão preparados para assumir um cargo público, mesmo esse vindo através da nomeação para um cargo de confiança. Existe a famosa frase que diz “roupa suja se lava em casa”, mas, em se tratando de Casa de Leis, a roupa suja a ser lavada deveria ser os anseios da população. E os assessores parlamentares deveriam apenas estar preocupados com esse objetivo no auxílio de seus vereadores.

 

Elogios

Apesar de toda confusão, o projeto de lei enviado pelo prefeito Rafael Diniz (PPS), que oferece benefícios a micro e pequenas empresas, rendeu elogios tanto da bancada de oposição quanto de situação. O projeto foi aprovado por unanimidade e prevê a desburocratização para a abertura e fechamento desses tipos de empresa, melhores taxas de localização, obras, emissão de guias de recolhimento, entre tantos outros benefícios. Agora é esperar a sanção do prefeito para que a Lei passe a vigorar. É mais um passo na direção da independência econômica dos royalties do petróleo.

 

Com a colaboração de Suzy Monteiro

 

Publicado hoje (10) no Ponto Final

 

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Gustavo Alejandro Oviedo — Esquerda ou direita? Antes, bom-caráter!

 

 

 

Quem tenha tido a árdua experiência de me ler, em post anteriores, já sabe que comungo com os valores do chamado ‘liberalismo’.  Isto é, acredito no capitalismo dentro de um contexto econômico e político onde a liberdade, a livre competência e a valorização do individuo predominem. Ao contrario do que muitos pensam, não sou a favor da inexistência do estado, já que nenhuma sociedade perdura sem ele – apenas sou contra do estado paternalista, paquidérmico e bandido que temos nas nossas nações sul americanas.

Acredito na democracia liberal por uma razão simplória: ela funciona. Tenho exemplos concretos para dar. São aqueles países que atingiram uma qualidade de vida como nunca antes se viu na história da humanidade, aqueles aonde muitos brasileiros sonham emigrar. Em contrapartida, os que detestam o capitalismo só tem a propor aquilo que não existe, e nunca existiu: a utopia – um conceito romântico, certamente, mas que não enche a barriga nem detém as balas perdidas.

Exposta assim minha preferência política, tenho que reconhecer que, a cada dia, mais me convenço que antes do posicionamento ideológico é o posicionamento ético o que determina o sucesso ou o fracasso de uma sociedade. Noutras palavras, é o bom ou o mau-caratismo social.

Afinal, o que nos diferencia, no aspecto institucional, de países nórdicos como a Suécia ou a Noruega? Temos uma estrutura legal muito similar, começando pela nossa Constituição, que claramente é pro ‘welfare-state’; temos uma carga tributária tão elevada quanto a deles; um direito penal garantista que trata criminosos com mão tão leve quanto a Noruega (que condenou o assassino de 77 crianças e adolescentes a cumprir apenas 21 anos de cadeia). Aqui e lá se compartilha a ideia de que a saúde e a educação devem ser fornecidas pelo estado. No entanto, as daqui são uma porcaria, e as deles são modelo para o mundo.

Por que, então, apesar das semelhanças na concepção do estado, os países nórdicos são inclusivos, pacíficos e prósperos, e o Brasil é exatamente o inverso?

É o caráter.

É o caráter de seus cidadãos, logo, é o caráter de seus governantes. É ter (ou não ter) uma postura ética que entenda que comportamentos individuais repercutem nos comportamentos gerais. É não jogar lixo na rua. É não passar o sinal vermelho. É não receber propina e não comprar deputados, ainda que seja para o mais altruísta dos objetivos. É, também, achar imoral um juiz ou um legislador ganhar 30, 50 ou 100 vezes o salário mínimo. É não tentar furar fila para ser atendido antes no posto de saúde, mas é também ter um posto de saúde onde o médico não simule o ponto para trabalhar menos horas.

A desculpa comum para cometer um ato reprovável é dizer que comportar-se de forma ‘correta’ não compensa, ou até é prejudicial. Em muitos casos isto é verdade, e por isso é necessário entender que essa corrente de desvios éticos pode ser quebrada com maior facilidade de cima pra baixo – se talvez não é a única forma de quebrá-la. Não apenas porque aquele que está ‘lá encima’ predica com o exemplo, mas também porque ele tem o poder de fazer com que a lei se cumpra de forma honesta – há, sim, maneiras de cumprir a lei de forma desonesta.

Antes que algum apressado possa entender errado, esclareço que não atribuo ao brasileiro (ou ao latino americano em geral) um ‘máu-caratismo’ inato, ou racial. Nenhum comportamento é congênito. Mas o máu-caratismo social existe, se adquire vivendo, e é utilizado muitas vezes como instrumento de supervivência, quando toda uma sociedade fica subordinada a um sistema que é, ele próprio, dominado por safados.

Portanto, antes de discutirmos se Marx ou Adam Smith, falemos primeiro de decência – para que depois eu possa te demonstrar que Adam Smith estava certo.

 

Atualização às 15h44: Num erro primário, a postagem inicial não fez constar em seu título o autor do texto: o advogado e publicitário Gustavo Alejandro Oviedo. A falha fez com que se atribuísse ao blogueiro, não ao seu colaborador, a autoria. Pelo erro, minhas mais sinceras desculpas!

 

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Como reitor da Uenf adiantou, RJ avança para pagar atrasados

 

Reitor da Uenf, Luis Passoni (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Em redes sociais e blogs, manifestações ligadas à Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf) têm ironizado a postura do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), professor Luiz Passoni, no sentido de tentar negociar junto ao governo do Estado uma solução à crise financeira que levou à greve na principal insituição de ensino superior de Campos e região.

Certo que, com o descumprimento das promessas anteriores feitas pelo governo Luiz Fernando Pezão (PMDB), a tática de manter a paralisação e a mobilização da categoria não é desinteligente. Foi, inclusive, o que registrou hoje (aqui) a coluna “Ponto Final”.

O que deveria ser evitado, no entanto, é tentar ridicularizar os esforços do reitor da Uenf em manter aberto o canal de negociações. Ontem, no Rio, ele teve reuniões na Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj), na secretaria estadual de Ciência e Tecnologia e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Fruto dessas reuniões, Passoni adiantou que o governo estadual esperava começar a pagar os salários atrasados da Uenf e demais universidades estaduais a partir de dois aportes financeiros. Além do ajuste fiscal com a União, a venda da folha de pagamento dos servidores, cuja licitação da agência bancária vencedora estava próxima de ser fechada — como este blog adiantou ontem aqui.

Prova da boa intenção do trabalho do reitor da Uenf e do valor das informações obtidas em suas negociações no Rio, é que hoje foi anunciado que o Bradesco arrematou em leilão a gestão da folha de pagamento do governo do Rio pelos próximos cinco anos. Com isso, o banco desembolsará R$ 1,318 bilhão já na semana que vem. E Pezão regularizará as folhas de maio, junho e parte de julho.

A informação foi dada aqui pelo jornalista Ancelmo Góis, de O Globo, e repercutida aqui no Folha1, pela Suzy Monteiro.

Na luta pela manutenção e reabertura da Uenf, que deveria ser de toda Campos e Norte Fluminense, não há lado mais ou menos certo. Respeitadas as naturais diferenças de entendimentos e posições, quem resiste e quem negocia são complementares.

 

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Depois da Veja, O Dia também repercute polêmica iniciada na Folha

 

Índio, Clarissa, Garotinho e Crivella (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“Lamento que antecipem o processo eleitoral (de 2018)”. Com essa curta declaração, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), lamentou hoje (aqui) na coluna “Informe”, do jornal carioca O Dia, a troca de farpas entre dois dos seus secretários: Índio da Costa (PSD), do Urbanismo, Infraestrutura e Habitação; e Clarissa Garotinho (PR), do Desenvolvimento, Emprego e Habitação.

A polêmica carioca se iniciou no último domingo (06), quando a Folha publicou (aqui) uma entrevista na qual Índio declarou que “a política de Garotinho é manter o pobre na pobreza”. No mesmo dia, Clarissa tomou as dores do pai e usou a democracia irrefreável das redes sociais para atacar (aqui) o colega secretário.

No dia seguinte, em seu blog, o próprio ex-governador Anthony Garotinho (PR) também atacou Índio da Costa, chamando-o de “Mentindo da Costa”. Índio e Garotinho são pré-candidatos ao governo do Estado em 2018. Daí Crivella ter dito que os dois estariam tentando antecipar a eleição.

Na blogosfera goitacá, o primeiro a noticiar a declaração do prefeito carioca foi (aqui) o jornalista Alexandre Bastos, chefe de gabinete do governo Rafael Diniz (PPS). Entre os blogs hospedados no folha1, o registro também foi feito (aqui) pelo jornalista Arnaldo Neto.

Aqui, a revista Veja também noticiou a polêmica entre Índio e os Garotinho, inciada a partir da entrevista da Folha.

 

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Uenf: processos contra o Estado e cestas básicas no fim

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

 

Por Paula Vigneron

 

Servidores técnicos da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) se reuniram em uma nova assembleia na manhã desta quarta-feira (9), na sede da instituição de ensino superior. A reunião ocorreu para debater processos jurídicos contra o Estado. Simultaneamente, no prédio da reitoria, voluntários aguardavam a doação de cestas básicas, cujo número está aquém do necessário para efetuar entregas aos funcionários, aposentados e pensionistas que permanecem sem receber.

Dirigente sindical do Sintuperj-Uenf e técnico da universidade, Cristiano Peixoto explicou que a assembleia desta manhã foi promovida, com representantes da coordenação do sindicato, no Rio de Janeiro, para debater os casos enviados à capital.

— A coordenação geral do Sintuperj-Rio veio prestar contas dos processos. Nós temos um processo de auxílio-alimentação, que ganhamos na Justiça, mas o governo (do Estado) não respeita, e um, que estamos entrando agora, referente ao aumento de 2014. O Estado fez uma covardia muito grande: deu 39% aos professores e de 14% a 19% aos técnicos-administrativos. Então, deu uma diferença de mais de 20%. Estamos entrando na Justiça para tentar conseguir essa diferença porque nosso plano de cargos e vencimentos é único. Por isso, não poderia haver essa discrepância, mas o governo fez isso em 2014, prejudicando quem ganha menos — explicou Cristiano, ressaltando que há outros processos em andamento, mas esses são os principais. Agora, o grupo aguarda o posicionamento da Justiça para a definição dos casos.

Enquanto técnicos e sindicalistas se reuniam no auditório, servidores voluntários, no prédio da reitoria, esperavam doações de alimentos para organizar as cestas básicas e dar continuidade à campanha elaborada pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe). A Uenf é o único polo do interior do Rio de Janeiro destinado à entrega dos produtos somente aos servidores ativos e inativos que não estão com o pagamento em dia.

Iniciada há três semanas, a campanha beneficiou principalmente aposentados da secretaria de Estado de Educação (Seeduc). Nas últimas semanas, o número de cestas variou entre 400 e 600. Esta semana, no entanto, as doações estão muito abaixo do esperado pelos organizadores:

— A maior parte das cestas básicas está vindo do Muspe. São doações do Rio. E não conseguimos estas cestas ainda. Temos pouquíssimas e, talvez, não tenha distribuição por causa da baixa doação. Nossa demanda é muito grande. Tem sido maior até do que a do Rio. Fazemos um apelo à sociedade, aos empresários de Campos. Quem puder doe para os servidores de todo o Estado. Até agora, estamos com somente 25 cestas.

Segundo Cristiano, os relatos dos assistidos pela campanha são dolorosos. “São pessoas que se dedicaram ao Estado do Rio de Janeiro a vida toda e, no momento de descanso, acabam não tendo dinheiro para comprar comida e remédio. Estão realmente passando fome com suas famílias. Há muitos idosos. Eles vêm com alguém ou a gente ajuda porque não conseguem carregar as cestas”, contou.

Apesar da greve, decretada pelos professores no último dia 3 e pelos técnicos-administrativos nessa terça-feira (8), as doações prosseguirão, caso seja atingido o número ideal de cestas. Os interessados em doar alimentos podem levá-los ao prédio da reitoria, em horário comercial, e entregá-los aos voluntários. As entregas acontecem às sextas-feiras, das 9h às 15h.

 

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MP na casa de Garotinho, servidores na Câmara e Uenf na briga

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (09) na Folha

 

 

 

 

Inferno astral

Que o ex-governador Anthony Garotinho (PR) passa por um inferno astral não há dúvidas. Na maioria dos últimos grandes escândalos nacionais seu nome aparece de alguma maneira. Foi assim no caso da Odebrecht, cujos delatores, afirmam ter passado ao casal que governo Campos, ao longo de anos, quase R$ 20 milhões, a maior parte através de caixa 2. Assim, também, no caso da JBS, cuja uma nota trazia o manuscrito o nome do ex-governador.

 

Fantasma

Esperneando quanto mais se aproxima o dia em que será sentenciado na Chequinho, Garotinho se viu às voltas com mais um escândalo. Desta vez, ressurgiu um fantasma que parecia esquecido: o da GAP, que levou (aqui) agentes do Grupo de Combate à Corrupção numa ação de busca e apreensão na famosa “casinha da Lapa que papai deixou”, símbolo de Garotinho e apresentada como seu único bem em todos os anos de vida pública. Em que resultará a ação de ontem, é difícil saber. De qualquer forma, é mais um golpe nas pretensões futuras do ex-governador.

 

O que mais falta?

Difícil, também, saber o que mais falta acontecer e até onde Garotinho, vendo seu capital político se esfacelar, é capaz de ir ou fazer. O caso Chequinho já tem sinalizado isso. Ontem, por exemplo, depois de dias atacando juiz e após ter dois escritórios famosos de advogados afastados do caso, além de outros patronos, Garotinho impetrou (aqui) pedido de habeas corpus preventivo junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com um detalhe: ele em sua própria defesa. Advogando em causa própria, ele pretende ganhar mais tempo até contratar novo advogado.

 

Servidores

A sessão da Câmara de ontem foi marcada pelos protestos dos servidores municipais contra mudanças propostas pelo Executivo, como aprovações do ponto biométrico e da regulamentação das substituições remuneradas. Pela segunda proposta, por exemplo, apenas os servidores concursados poderão fazer as trocas, acabando com o uso político da prática para sangrar os cofres públicos. E ainda os profissionais das categorias que foram retirados das substituições poderão ser remunerados com horas extras, em caso de necessidade.

 

Gato e gata

Com a Casa cheia, alguns vereadores de oposição usaram a tribuna apenas para “jogar para a galera”. O líder do governo, vereador Fred Machado (PPS), desafiou: “quero ver alguém encontrar quando que um desses vereadores, que hoje estão na situação, fiscalizou alguma coisa no governo passado. Pago um churrasco para quem me mostrar”. O sempre combativo Marcos Bacellar (PDT) completou: “é muita cara de pau. Conviveram por oito anos com o gato e a gata que roubaram tudo de Campos e nunca fizeram nada, só ficaram aplaudindo”.

 

 

Uenf (I)

Numa situação de abandono como a da Uenf, vários são os papeis a ser desempenhados. O do seu reitor, Luis Passoni, se cumpriu ontem, numa agenda cansativa no Rio de Janeiro, onde se reuniu (aqui) na Faperj, na secretaria estadual de Ciência e Tecnologia e na Assembleia Legislativa. Na primeira, ele conseguiu retomar o orçamento inicial de R$ 15 milhões para bolsas de alunos em 2017, que havia sido cortado pela metade. Na segunda, teve promessas do secretário Gustavo Tutuca de pagamento dos salários atrasados desde maio, além do 13º de 2016. Já na Alerj, trabalhou junto aos deputados pela autonomia financeira da universidade em 2018.

 

Uenf (II)

Num polo aparentemente oposto, mas na verdade complementar, está o papel da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf). Após decretarem a greve dos professores na última quinta (03), eles ontem ganharam a adesão dos servidores administrativos da universidade e da Faetec. Presidida pela professora Luciane Silva, a Aduenf prefere acreditar que os acenos diante da greve podem ser só tentativas de desmobilização. Dado o descumprimento das promessas feitas anteriormente pelo governo estadual, mantê-lo este sob pressão até pagar suas dívidas não é tática desinteligente.

 

Com os jornalistas Suzy Monteiro e Aldir Sales

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

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Uenf: orçamento da Faperj e promessas de pagamento e autonomia

 

Charge do José Renato publicada na capa da Folha de 30/04/17

 

 

Com seus 950 funcionários (310 professores e 640 servidores técnicos e administrativos) sem receber três meses de salário de 2017 e o 13º de 2016, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro está com suas atividades paradas há cinco dias. Seu reitor, Luis Passoni, passou o dia de hoje no Rio de Janeiro para tentar solucionar o quadro de abandono da mais importante instituição de ensino superior de Campos e Norte Fluminense. Em reuniões na secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, no Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Uenf conseguiu R$ 7,5 milhões no orçamento para bolsas de alunos, além de promessas de pagamento dos salários atrasados de professores e servidores e autonomia financeira a partir de 2018.

Com a presidente da Faperj, Maria Isabel Castro, o reitor da Uenf conseguiu com que fosse mantida a previsão orçamentária inicial de R$ 15 milhões para bolsas de estudantes em 2017 — depois de ser reduzida pela metade. Por sua vez, do secretário estadual de Ciência e Tecnologia Gustavo Tutuca, Luis Passoni teve a promessa do acerto ainda em agosto os salários atrasados de maio e junho dos professores e servidores — e pagamento até outubro o 13º de 2016, mais julho, agosto e setembro de 2017. Já na Alerj, o reitor se reuniu com vários deputados para que o orçamento de 2018 à Uenf, de R$ 180 milhões, seja executado em duodécimo, com o repasse todo mês de 1/12 do total em papel moeda.

Até pelo histórico de não cumprimento das promessas por parte do governo estadual Luiz Fernando Pezão (PMDB), não se sabe se as três novidades bastarão para que a Uenf possa retomar suas atividades. A assembleia da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf) definiu a paralisação na última quinta (03), até que todos os atrasados de professores e servidores fossem quitados. Hoje, os servidores administrativos da Uenf e Faetec decidiram aderir (aqui) ao movimento.

Falando ao blog enquanto chegava de carro a Campos, o reitor Luis Passoni disse que o secretário Gustavo Tutuca espera normalizar os atrasados com a Uenf e as demais univesidades estaduais a partir de dois aportes financeiros. O primeiro deve render ao Estado do Rio o reforço de R$ 1,5 bilhão. É relativo à venda da folha de pagamento dos servidores, cuja licitação indicará a agência bancária vencedora.

A segunda injeção de recursos seria fruto do ajuste fical no acordo dos governos estadual e federal, prometido há alguns meses por Pezão como única “salvação” ao quadro falimentar das finanças fluminenses. A partir dele, o Estado decretaria por três anos a moratória das suas dívidas com a União, que concederia ao RJ um empréstimo de R$ 3,5 bilhões. A expectativa é que esse socorro financeiro se concretize até outubro.

 

Confira a reportagem completa na edição de amanhã (09) da Folha

 

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Carol Poesia — Meu Deus, envelheci!

 

 

 

Amenidades arenosas e talvez desconsideráveis sobre o tempo:

 

Foi sem querer, em uma viagem ao Chile… Envelheci.

Férias, intenção de diversão, esfriar a cabeça e… Não consegui. Só pensava no meu cachorro, na minha casa, no meu trabalho, nos meus. Quando antes fui assim? Nunca. Seriam as companhias? Não, amigos de sempre. Sim, viajara com meu amigo de sempre, juntos desde o primeiro período da faculdade, há treze anos. Treze anos já…

— Wendel, quando foi que envelhecemos? Eu não percebi.

Não fomos a nenhuma balada. Não viramos a noite. Não enchemos a cara.

— Wendel?

Wendel estava ocupado, brigando com seu marido, divertidíssimo (o marido), diga-se de passagem. Vitor. Vitor não envelheceu, eu acho, embora tenha dois filhos.

— Wendel?

Wendel estava ocupado fazendo contas. É complicado converter real em peso toda hora.

— Quando foi que envelheci?

Na faculdade, viajávamos a congressos. Escrevíamos projetos, que eram aceitos, então éramos mandados pra tudo quanto é lugar. Não fazíamos conta. Era tudo “por conta”. Menos o chope. Mas dane-se, fazíamos de conta que dava e no final tinha que dar. Pegamos um taxi, ao sair do El Mago, uma boite a duas quadras da hospedagem, porque não conseguíamos andar. Sete dias em Curitiba. Encontro Nacional dos Estudantes. Muitos sotaques por lá! Uma maravilha. Um deleite. O tempo não era suficiente, se pudéssemos não dormíamos. Na verdade, não dormíamos. Ríamos de uma menina que ficava “fazendo carão” no espelho do banheiro, inundado. Os banheiros dos colégios onde ficávamos nunca tinham ralos suficientes. Era muito cabelo. Não ligávamos. Se alguém oferecesse um hotel cinco estrelas grátis, não iríamos! Não queríamos!

Num desses encontros de universidades, fiz aniversário. Eles juntaram um monte de revistas pornô e embalaram. Achei que era um livro, abri e vi a sacanagem. Literalmente! Foi muita risada. As revistas se espalharam por todas as alas — norte, sul, leste, oeste, cada canto do país contemplou o meu presente, no alojamento do congresso.

Quando acabava o encontro, voltávamos chorando (literalmente) pra casa. E muitos (!) mudavam de ônibus (caravana da faculdade) e aproveitavam pra conhecer outro canto brasileiro, de graça.

Ninguém tinha dinheiro.

Wendel era considerado riquinho porque tinha um notebook.

Não tínhamos internet em casa, ficávamos na fila do LCC (laboratório de informática) para olharmos o Orkut. Estava começando, no Brasil, a rede social.

Visitei Wendel quando ele morou em Portugal, fizemos um tour em todos os bares do Porto e pegamos o avião de volta pro Brasil às pressas, sem banho, a mala mal feita, difícil de fechar. Vamos lá! Não tínhamos tempo. Tínhamos tempo e ele não era suficiente. Nunca era.

— Wendel, eu te amo tanto.

Visitei Wendel quando ele morou em Vitória. Trabalhava em um hotel lá. Mas por que estou contando isso? Deixa essa história pra lá. Fomos jovens dessa vez também, como era de se esperar.

Na Universidade, eu fazia os saraus. Wendel, empreendedor, vendia copos de vinho. Depois inventou de vender beijos, era mais lucrativo. Eu falava poesia na madrugada fria de Ouro Preto. E bebia vinho de graça, é claro. Foram muitas sinusites! Azitromicina, amoxicilina, propionato de fluticasona… Sobrevivi.

Até a alergia passou com o tempo. É um dos poucos benefícios da idade. Sabe aquela história que tudo muda depois dos trinta? É a mais pura verdade.

— Wendel, quando foi que envelheci?

 

 

Idade 

 

Mente o tempo:

a idade que tenho

só se mede por infinitos.

 

Pois eu não vivo por extenso.

 

Apenas fui a Vida

em relampejo do incenso.

 

Quando me acendi

foi nas abreviaturas do imenso.

 

(Mia Couto)

 

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Não será permitido ao governo Pezão ignorar a luta pela Uenf

 

Arte da capa da Folha na edição de 08/08/17

 

 

 

 

Uenf sem ter o que comer

Hoje se completam cinco dias da paralisação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro. A greve na mais importante instituição de ensino superior de Campos e região foi decretada pela Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) na última quinta-feira (03). Diferente de outras paralisações nos 24 anos de vida da universidade, quase como férias extraoficiais pelas reivindicações de praxe, não há como não apoiar a excepcionalidade da causa atual: o pagamento do 13º de 2016 e dos salários de maio, junho e julho de 2017 a servidores e professores que têm recorrido à doação de cestas básicas para ter o que comer.

 

O trabalho

Quem trabalha quase sempre acha que deveria ganhar mais. Quem emprega, não raro acha que paga o suficiente. Entre a oferta e procura de Adam Smith e a mais valia de Marx, esse é o conflito desde sempre. O que não se pode admitir é que não se pague nada a quem trabalhou. Sobretudo quando o trabalho, como o desenvolvido na Uenf há quase um quarto de século, é destaque meritocrático nas avaliações científicas do país. Só para ficar na última, em maio a universidade ganhou (aqui) pela terceira vez o Prêmio Nacional de Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

 

A questão

Com a polarização muitas vezes esquizofrênica do debate público brasileiro desde o 2º turno da eleição presidencial de 2014, passando pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, e pela vergonhosa negativa da Câmara Federal em dar prosseguimento às investigações sobre Michel Temer (PMDB), há quem critique o pensamento político dominante na Uenf, por entendê-lo refratário, por exemplo, a parcerias com a iniciativa privada. Quem vê nisso (aqui) uma alternativa de sobrevivência, tem todo o direito de questionar, desde que ninguém se desvie da questão principal: é possível pensar Campos e o Norte Fluminense sem a Uenf?

 

A resposta

Em contrapartida, quem está na Uenf e se queixa da falta de engajamento popular em sua luta, não pode se lembrar de tentar quebrar o aquário entre universidade e sociedade apenas quando o calo da primeira aperta. E, sem receber verba de manutenção do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) desde outubro de 2015, o calo já estourou há mais de 21 meses. O estágio atual é da ferida que chegou ao nervo do osso do pé. Perder a Uenf seria ter amputado um membro imprescindível ao caminhar da região, que seria empurrada três décadas para trás em oportunidades de desenvolvimento.

 

Outra pergunta

Para quem vive em Campos ou no Norte Fluminense e achar que tanto faz, responda antes a uma pergunta simples, pessoal e intransferível. Quem, mesmo sem nunca ter passado pelos quadros discente e docente da nossa maior universidade, não tem pelo menos um parente, amigo, colega de trabalho ou vizinho que não tenha ampliado sua capacidade acadêmica e profissional, sua visão de mundo e sobre si mesmo, depois de fazê-lo? Porque quem não souber dar a devida importância à resposta, não deveria viver em sociedade.

 

A luta

Concebida pelo antropólogo Darcy Ribeiro, a Uenf foi inaugurada em 1993. Mas é fruto de desejos e lutas anteriores. Um dos seus símbolos, a Villa Maria, onde passou a funcionar a Casa de Cultura da universidade, foi doada a esta em testamento por sua antiga proprietária, Dona Finazinha Queiroz, desde a sua morte em 1970. Se a Uenf funciona há 24 anos, o desejo da cidade por uma universidade pública de qualidade vem de quase outro quarto de século antes de ser finalmente realizado. E se quem vive hoje em Campos não for capaz de lutar para mantê-la, não será digno de quem já lutou e não está mais aqui para fazê-lo.

 

O fato

Ciente do seu papel de porta-voz de Campos e do Norte Fluminense, a Folha da Manhã, a partir de hoje, fará constar na primeira dobra de sua capa, a cada nova edição, o calendário atualizado de quantos dias a Uenf está parada. Em duas edições especiais de domingo (30/04 e 07/05), dedicadas à crise da universidade, as principais lideranças políticas, acadêmicas e de classe da cidade e da região foram ouvidas por este jornal. E todas, em coro uníssono, foram vozes firmes na defesa da manutenção da Uenf. Se o atual governo estadual, ou qualquer outro, achar que pode simplesmente ignorar isso, está muito enganado. Não pode. E não irá!

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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Veja repercurte a Folha na troca de farpas entre Índio e Clarissa

 

Em nota assinada pelo jornalista Gabriel Mascarenhas, a coluna Radar Online, da revista Veja, repercutiu hoje a troca de farpas entre Índio da Costa (PSD) e Clarissa Garotinho (PR), inciada com a entrevista do primeiro publicada ontem (aqui) na Folha da Manhã. Nela, uma declaração de Índio serviu de manchete à capa do jornal de domingo:

— A política de Garotinho é manter o pobre na pobreza.

A crítica foi respondida também ontem por Clarissa, filha do ex-governador Anthony Garotinho (PR), que usou a democracia irrefreável das redes sociais para sugerir (aqui) uma pergunta ao entrevistado da Folha:

— Índio, se você pensa tudo isso do Garotinho por que foi buscar o apoio dele na sua derrotada eleição para prefeito do Rio?

Como ambos são deputados federais licenciados para ocuparem secretarias no governo municipal de Marcelo Crivella (PRB) no Rio de Janeiro, o título da nota da Veja usou esse gancho para afirmar:

— Secretários de Crivella se engalfinham em praça pública.

Sem desejar o engalfinhamento de quem quer que seja, a Folha e o blog se orgulham, no entanto, por seu papel de ágora: o de “praça pública” para emissão de opiniões.

Confira aqui e na reprodução abaixo:

 

 

 

Atualização às 17h44: Editor de Política da Folha, o jornalista Aldir Sales, que participou da entrevista com Índio da Costa, consultou a assessoria deste para saber se o secretário carioca iria responder às alfinetadas da colega Clarissa. Ele preferiu não se pronunciar. Assim como a assessoria do gabinete do prefeito do Rio, que também calou sobre o episódio entre os dois secretários.

 

Atualização às 18h44: Sem cargo público eletivo desde 2015, quando deixou a Câmara Federal, o ex-governador Garotinho também respondeu hoje, em seu blog, à entrevista do secretário Índio da Costa à Folha. Aqui, num vídeo longo, ele apelidou seu crítico de “Mentindo da Costa”. Não satisfeito, publicou (aqui) depois uma outra postagem, onde escreveu o que já tinha dito.

 

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