A falta de pagamento parece se alastrar nos últimos dias do governo Rosinha Garotinho (PR). E a vítima agora é a já combalida cultura goitacá, em editais do Fundo Municipal de Cultura (FMC) publicados em Diário Oficial (DO). Na democracia irrefreável das redes socias, quem faz a denúncia aqui foi a produtora cultural Anna Franthesca, com a respectiva publicação dos editais por serviços que teriam sido prestados, sem ser pagos pela atual administração municipal.
Confira abaixo:
NOTA FESTIVAL ARTE URBANA: Vamos esclarecer uma coisa aqui eu Anna Franthesca não sou responsável por pagar ninguém, tive essa conversa quando fui convidada a fazer a curadoria do edital , fizemos o regulamento , executamos o evento, mais cabe ao FUNDO MUNICIPAL DE CULTURA liberar as premiações, sei que todos executaram os projetos com EXCELÊNCIA e que todos precisam receber, A PREMIAÇÃO CONSTA NO DIÁRIO OFICIAL está devidamente registrada assinado por Orávio de Campos Soares que até o final desse mandato é o representante da gestão municipal como Presidente do Conselho Municipal de Cultura, assim como todas as documentações foram entregues no prazo em mãos, agora não cabe a mim pagar ninguém e sim a secretaria responsável pela liberação dessa verba, de forma alguma estou tirando o corpo fora pois assim como todos os artistas o meu esposo Andinho Ide precisa também receber, até o presente momento a informação que temos é de que toda documentação foi encaminhada para secretária de Fazenda, somos favoráveis a decisão que tomarem e a cobrar o que é direito dos artistas mas não somos os responsáveis, executamos o projeto assim como todos vocês, já pedimos esclarecimento do pagamento assim como vocês, e estamos exaustos de sermos cobrados, por isso estou fazendo esta postagem, e marcando as pessoas, afim de ter o mesmo esclarecimento, a partir de agora vamos a redes sociais, jornal, TV, o que for necessário, pois é notória a preocupação da mudança de governo e o prazo de final de ano. Enfim, sinto muito que isso esteja acontecendo e espero que seja resolvido o mais rápido possível.
Atualização às 17h34: O blog fez contato com o presidente do Fundo Municipal de Cultura (FMC), o professor e diretor tetral Orávio de Campos Soares. Mostrando-se bastante preocupado com as denúncias dos eventos abertos a partir do FMC, cujos editais assinou, ele disse que são nove os processos já realizados, mas ainda em aberto: 1) Arte e Grafite, 2) Street Dance, 3) Produção Videográfica, 4) Contação de Histórias, 5) Prêmio de Literatura (Crônicas), 6) Festival Curta de Teatro, 7) Samba de Terreiro, 8) Folia de Reis e 9) Poesia Rap.
Orávio garantiu que os processos foram todos encaminhados à secretaria municipal de Fazenda. E admitiu que nem ele sabe o motivo pelo qual os pagamentos ainda não teriam sido honrados pelo governo Rosinha.
Em sequência, o blog procurou o secretário de Fazenda Roberto Landes, que se mostrou bastante solícito. Ele anotou os nove processos mencionados por Orávio e, após uma consulta interna, deu retorno. Segundo ele, seis pagamentos relativos ao FMC já foram autorizados: dois no valor de R$ 2.904,80, cada; um datado de 03/11, para Poesia Rap, e outro, de 23/11, para Street Dance. Além de outros quatro também de 03/11, todos destinados à Premiação de Jovens Talentos, sendo dois de R$ 3.736,13 e outros dois, de R$ 5.219,36.
Quanto a outros pagamentos ainda em aberto, Landes disse que eles podem ainda estar cumprindo os trâmites burocráticos antes de chegarem à Fazenda do município.
Leia a matéria completa amanhã (07) na capa da Folha Dois, na Folha da Manhã
“A esquerda se distanciou ainda mais do sentimento geral da população, entrando numa hipertrofia discursiva isolacionista e vitimista, na qual fala de maneira compulsiva e desesperada para cada vez menos pessoas, atribuindo seu fracasso apenas à ação de agentes externos”.
(Pablo Ortellado, professor da USP)
Protestos de ontem (04) em todo o Brasil
Do Planalto Central à Planície Goitacá, impressiona como pessoas inteligentes — e, noves fora os boçais de plantão, elas existem — ainda insistem em negar o caos econômico e social no qual os 13 anos de lulopetismo no poder afundaram o Brasil. De fato, fazem lembrar os alemães de boa formação intelectual que, mesmo após o suicídio de Hitler (1889/1945), seguiam voluntariamente seu líder ao túmulo, quando nada mais restava no mundo real para sua ideologia se apegar — como retrata em detalhes o necessário filme “A queda” (2005), de Oliver Hirschbiegel.
Diante da fartura de evidências evisceradas pela operação Lava Jato, mesmo antes de se conhecer o teor da temida delação coletiva da Odebrecht, não só a imcompetência administrativa do lulopetismo, como sua institucionalização da velha corrupção tupiniquim numa escala inédita, não parecem ter defesa sustentável à luz da razão. A não ser, logicamente, por sua interpetração psiquiátrica através da teoria da negação de Freud (1856/1939), como tão bem externou aqui, em artigo, o cineasta José Padilha, que prepara uma série sobre a Lava Jato para a Netflix.
Nas palavras do pai da psicanálise: “Se um paciente inteligente rejeita uma sugestão de forma irracional, então a sua lógica imperfeita é evidência da existência de um forte motivo para a sua rejeição”.
Antes mesmo das manifestações de ontem, que levaram (aqui) milhares de pessoas em 82 cidades do país em defesa da Lava Jato e contra o que tem sido interpretado como retaliação parlamentar ao Judiciário e Ministério Público do país, tinha lido um texto que julgo importante para se entender como boa parte da esquerda brasileira tem sido arrastada ao fundo do brejo — onde jaz a vaca — pela corda atada entre seu próprio tornozelo e a âncora do lulopetismo. E posto que o autor do referido texto é um respeitado catedrático da Universidade de São Paulo (USP), berço intelectual do PT, talvez seja constrangedor se prestar a menosprezá-lo para tentar negar freudianamente sua dialética.
Ademais, como nem Henrique Meirelles (PSB), atual ministro da Fazenda e exitoso ex-presidente do Banco Central dos dois governos Lula (PT), está conseguindo resgatar a vaca do fundo do brejo em que todos nos encontramos, num governo Michel Temer (PMDB) que começa a fazer água pela tibieza e comprometimento político do presidente, a leitura do texto parece fundamental para quem ainda não percebeu a diferença entre esquerda e “exquerda” — oportuna definição do Ricardo Rangel, diretor de produção da Conspiração Filmes e um dos tantos que “trabalham de maneira hábil e inovadora nas redes sociais”.
Confira abaixo para tentar responder a pergunta do título:
Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP
É possível falar de corrupção a partir da esquerda?
Por Pablo Ortellado
Não foi exatamente surpresa quando duas pesquisas de opinião, uma do Datafolha e outra da Confederação Nacional das Indústrias, mostraram, no final de 2015 e início de 2016, que a corrupção tinha se tornado a principal preocupação dos brasileiros, a frente dos problemas na saúde e na segurança.1 As pesquisas mostravam que se consolidava uma tendência que vinha se desenvolvendo desde 2013 quando a agenda anticorrupção explodiu nas ruas e foi depois alavancada pelas ações espetaculares da operação Lava Jato.
Desde o começo deste processo, o alvo da indignação com a corrupção foi o PT que ocupou por todos esses anos a administração federal. Por isso, novos grupos da sociedade civil, de orientação liberal e conservadora, perceberam a extraordinária janela de oportunidade que se abria para explorar a insatisfação popular e dar-lhe direcionamento político, conseguindo em muito pouco tempo construir uma máquina de mobilização e propaganda que tem consolidado uma nova direita no país.
Desde o final de 2014, o resultado de uma eleição muito polarizada, casado com a indignação com os desdobramentos da operação Lava Jato, permitiu a esses novos grupos convocar e construir um tipo de mobilização a que o Brasil não estava acostumado, das classes médias lideradas por grupos de direita — coisa que só conhecíamos do noticiário sobre a Venezuela ou a Argentina.
A esquerda que orbita em volta do PT — inclusive aquela que orbita contra a própria vontade — reagiu a essa mobilização com um pouco de assentimento formal, um tanto de desdém por essas questões “menores” e “não estruturais” e um bocado de desqualificação.
Um pouco por que convinha a propaganda, um pouco por confusão conceitual, ela tomou a posição política dos convocantes dos protestos pela posição das pessoas mobilizadas e desprezou o elo de opinião que ligava as pessoas nas ruas com o resto da população brasileira. Com base nisso, difundiu o discurso desqualificador e essencialmente falso de que a indignação com a corrupção estava limitada a uma elite descontente com os avanços sociais dos governos petistas que travestia de combate a corrupção seu esforço por manter seus antigos privilégios de classe.
No entanto, como as pesquisas de opinião mostraram, havia muito desacordo entre a orientação política dos convocantes dos protestos e a opinião política das pessoas mobilizadas. Enquanto a posição das organizações convocantes era ultraliberal na economia e uma parte delas era muito conservadora nos costumes, as pessoas mobilizadas nas ruas defendiam fortemente o caráter público, gratuito e universal dos serviços públicos e eram razoavelmente tolerantes com os direitos dos homossexuais e das mulheres.2
Além disso, embora o processo de mobilização fosse praticamente circunscrito a classe média, pesquisas mostravam que havia um sentimento difuso de insatisfação com o governo Dilma e com a corrupção, que atravessava todas as classes. É muito difícil, numa sociedade socialmente cindida como a nossa, construir mobilizações transversais, porque as barreiras de classe bloqueiam os laços de sociabilidade necessários a convocação e a mobilização. O fato de apenas uma classe estar mobilizada não significava que ela não estava expressando um sentimento mais difuso e profundo, compartilhado pelos outros segmentos sociais.
Se essas circunstâncias permitiam que a esquerda desqualificasse as mobilizações anticorrupção para fins de propaganda, ela não devia ter se autoenganado para fins de estratégia.
As mobilizações anticorrupção eram a expressão de um mal-estar profundo da sociedade brasileira que assistia perplexa às crescentes cifras de bilhões de reais desviados de sua principal empresa pública. Enquanto a esquerda respondia com desqualificação dos adversários e um infantil discurso de “a corrupção é estrutural ao sistema e os outros partidos que estiveram no poder também se envolveram com ela”, os novos grupos de direita canalizavam sozinhos a indignação popular, convertendo o sentimento anticorrupção em antipetismo e o antipetismo em antiesquerdismo até transformar em corrupto qualquer um que se dissesse de esquerda.
Por dois anos, o sentimento que mais crescia na sociedade brasileira só encontrou respaldo nos grupos de direita. Ao contrário da esquerda, eles entenderam que era preciso respeitar o sentimento das pessoas e transformar essa indignação bruta e selvagem, dando-lhe direção política. Foram assim, aos poucos, consolidando um populismo de direita, moralista e antipetista que acredita que os governos progressistas multiplicaram as falcatruas por todo o Estado brasileiro, travestindo de direito social a corrupção e o privilégio dos grupos apadrinhados. Afinal, essa foi a explicação política que foi oferecida pelos únicos grupos que realmente tentaram organizar a insatisfação da população. E embora essa tarefa tenha recebido o valioso apoio de alguns meios de comunicação, o mérito desta conquista se deve mais a ação militante das novas organizações da sociedade civil que trabalharam de maneira hábil e inovadora nas redes sociais.
Essa situação, no entanto, não era inevitável. O discurso anticorrupção nunca foi privilégio da direita, como lembra a memória recente da agenda petista dos anos 1990 (a “bancada ética”) ou como mostra o exemplo internacional do Podemos, na Espanha. A prisão de grandes empresários era uma oportunidade para ligar a corrupção do Estado com a corrupção das empresas, chamando a atenção para o papel dos corruptores. Os esquemas de financiamento de campanha desmascarados poderiam ser utilizados para promover a reforma do sistema de financiamento eleitoral que amarram os candidatos aos interesses das empresas. E a divulgação espetacular de documentos e provas pelos promotores da Lava Jato poderia impulsionar e radicalizar as políticas de transparência e controle social que tinham sido recentemente inauguradas.
Mas tudo isso só seria eficaz para a opinião pública se o emissor do discurso se descolasse dos alvos das investigações. Era preciso que o PT cortasse na carne, se separando e condenando com firmeza os antigos companheiros que tivessem fortes evidências contra si. Ou ainda, era preciso que setores da sociedade se descolassem do partido para fazer as denúncias com distanciamento crítico, mostrando que a sociedade civil de esquerda não era condescendente e apadrinhada pelos esquemas de corrupção, como fazia crer o discurso que se convertia em senso comum. Sem essa separação crítica, qualquer tentativa de discurso sobre reforma política, transparência, independência dos órgãos de investigação e controle social parecia para a opinião pública apenas cinismo dos investigados e dos seus protegidos.
A situação se tornou ainda mais grave com a polarização política em torno do golpe/impeachment. Com o antagonismo que esvaziou o campo político de posições independentes, era impossível que grupos de esquerda promovessem um discurso anticorrupção sem serem imediatamente acusados de passar para o outro lado e fazer o jogo do inimigo. Com isso, a esquerda se distanciou ainda mais do sentimento geral da população, entrando numa hipertrofia discursiva isolacionista e vitimista, na qual fala de maneira compulsiva e desesperada para cada vez menos pessoas, atribuindo seu fracasso apenas à ação de agentes externos.
Mas ainda há saída. A oposição às manobras dos congressistas para se salvarem da Lava Jato está sendo conduzida por parlamentares da esquerda não petista e por dissidentes do PT, o que fornece um oportuno ponto de partida para uma esquerda corajosa que queira se desvencilhar do abraço do afogado. Para isso, ela precisa, por um lado, se separar e se distanciar criticamente do PT e, por outro, respeitar e acolher o sentimento de indignação da população com a corrupção, dando a ele respostas políticas consistentes com os valores de justiça social e defesa do patrimônio público.
E como é sempre melhor rir do que chorar, fique neste domingo de céu nublado com a mais recente criação do grupo humorístico “Porta dos Fundos”, no clima de amigo oculto de final de ano, como se todo campista não fosse capaz de adivinhar, por conta própria, quem é capaz de rimar habeas corpus com cirurgia.
Aconselha-se a não deixar de conferir até a cena final da maca. Qualquer concidência com a realidade, lógico, é(?) mera semelhança:
Pela postagem (aqui) de outro poeta, o campista Artur Gomes, na democracia irrefreável das redes sociais, soube que morreu o maranhense Ferreira Gullar. Tinha 86 anos e estava internado, desde sábado, no hospital Copa D’Or, em Copacabana, no Rio. Desde a morte de Manoel de Barros (1916/2014), era tido como maior poeta brasileiro vivo.
Considerado brilhante na teoria literária, como era na produção de Literatura, é autor de necessário ensaio sobre o poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884/1914), a quem apontou como precursor do Modernismo na poesia brasileira. Comunista de formação, chegou a ser preso e exilado na Ditadura Militar no Brasil (1964/85). Tornou-se nos últimos anos crítico do lulopetismo, posição assumida com contundência em seus artigos semanais na Folha de São Paulo.
Depois de iniciar sua produção literária, ainda no Maranhão natal, como poeta parnasiano, aderiu de cabeça ao Modernismo, que demorou a chegar nas fronteiras entre o Nordente e o Norte do país. Um dos fundadores do Neoconcretismo, depois o abandonaria, dando como explicação a ressalva que fez a João Cabral de Melo Neto(1920/99), inspirador involuntário do movimento: “Cabral, concreto é você!”
Logo assim que soube da morte de Gullar, fui às minhas prateleiras desarrumadas de livros, em encontro marcado com seu “Toda Poesia”, da editora José Olympio. É que, nessas coincidências que não há, ontem à noite, sem motivo aparente, tinha detido os olhos justamente sobre a lombada do seu livro, enquanto passava pelo corredor.
Após abrir e folhear um pouco a obra, me deparei com um poema do livro “Barulhos”, reunindo a produção poética de Ferreira entre 1980 e 87, que reproduzo abaixo, no eco dessa “dissipação às gargalhadas” de “uma fogueira de um metro e setenta de altura”:
O que Garotinho fez e disse entre o Hospital Souza Aguiar e o Complexo Penitenciário de Bangu? (Foto de Alexandre Cassiano – Agência O Globo)
“Como se nada tivesse acontecido”
Por Aluysio Abreu Barbosa
Como penso ter sido com a maioria, não me fez bem assistir às cenas (aqui e aqui) de transferência de Anthony Garotinho (PR), do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo Penitenciário de Bangu, na noite do último dia 17. Vendo e revendo as cenas da sua condução coercitiva, primeira da cama do hospital, depois na saída deste, de maca, até a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), fiquei dividido entre duas das muitas interpretações do fato, que pipocaram da democracia irrefreável das redes sociais.
A primeira (aqui), à qual me inclinei pelo emocional, foi da Vanessa Henriques, estudante de Ciências Sociais da Uenf:
— Não tenho nenhum apreço pela figura de Garotinho, muito pelo contrário. Mas não consigo me regozijar nem um pouco diante dos vídeos e imagens de sua transferência para Bangu. Só consigo sentir tristeza. Só consigo lamentar por tudo isso que estamos vivendo. Só.
A segunda (aqui), na desconfiança da razão, foi do advogado e publicitário Gustavo Alejandro Oviedo:
— (Garotinho) Estava tranquilo na maca, com as mãos detrás da cabeça. Mas tinha de aparecer alguém com um telefone filmando. Pronto: começou a novela.
Confesso que, de lá para cá, como jornalista e blogueiro, busquei me afastar individualmente da cobertura do caso. Mesmo porque, após divulgar (aqui) no blog “Opiniões” o laudo médico da UPA de Bangu, dando conta que os exames de controle de glicemia capilar e eletrocardiograma de Garotinho “não apresentaram nenhuma anormalidade” — ignorado pela ministra Luciana Lóssio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que naquele mesmo dia 18 permitiria a transferência do preso para um hospital particular da sua escolha —, me espantaram as mais de 30 mil curtidas recebidas pela postagem nas redes sociais.
Se volto hoje ao assunto, é porque ontem tive acesso à boa parte do relatório da Polícia Federal (PF), feito por um dos agentes que participaram da transferência, detalhando todos os seus bastidores, certamente mais reveladores do que a acuada entrevista que Garotinho depois concederia ao jornalista Roberto Cabrini, transmitida pelo SBT no último domingo.
Depois que as portas da ambulância se fecharam aos vídeos tão vistos e comentados, impressiona (ou não?) o fato de que Garotinho “relaxou e conversou como se nada tivesse acontecido”. Conheça abaixo alguns trechos esclarecedores:
“Houve várias tentativas, por parte de todos os interessados na permanência do preso no Hospital Souza Aguiar, de frustrar o serviço de escolta policial e remoção do preso, até que após muito conversar com os médicos, explicar sobre a gravidade que seria descumprir uma ordem judicial, eles se reuniram, fizeram mais alguns exames, mediram a pressão do preso novamente e confirmaram que estava tudo bem, além de terem recebido a confirmação de que para onde o preso estaria indo, seria local adequado para acabar o tratamento dele, acabaram por assinar a alta médica”
“Garotinho agrediu física e verbalmente os policiais, que tentaram removê-lo da cama do hospital para a maca e assim para a ambulância que o transferiria, com chutes e socos (…) em uma tentativa desesperada de evitar sua transferência (…) Em um determinado momento, Garotinho disse: ‘Vocês são uns merdas! É por isso que vocês são todos pobres!’”
“A senhora Rosinha e a filha Clarissa, por várias vezes falaram em voz alta para todos ouvirem que não colocariam a roupa no Anthony Garotinho, chegando a dizer para todos ouvirem: ‘NÃO VAMOS VESTI-LO! SE QUISER LEVAR, TEM QUE LEVAR SEM ROUPA’. Ao final, Rosinha entregou apenas uma cueca para que o preso vestisse, sendo a peça de roupa íntima colocada por sua filha Clarissa (…) Foi dada a oportunidade à esposa Rosinha Garotinho de dar o último abraço em seu marido a pedido dela, fato que demorou até demais, entre uma hora e uma hora e meia, foi dada a oportunidade para o médico, a seu pedido, de fazer um exame de última hora para ver pressão e ritmo cardíaco, fato que foi constatado que estava tudo ok”.
“A falta de respeito por parte de Garotinho e seus familiares fez com que uma simples condução de preso se tornasse um verdadeiro teatro para que ao final o Garotinho se tornasse vítima de tudo que acontecesse”.
“Logo no início do deslocamento, o preso, por conta própria, arrancou com violência o acesso venoso que estava em seu braço e houve um esguicho de sangue”
“(…) o preso Garotinho se acalmou e logo assim que as portas (da ambulância) se fecharam, ele relaxou e conversou como se nada tivesse acontecido”.
“(…) denegriu a imagem da Polícia Federal, chamando a todos de pobres e mortos de fome e que era por essas atitudes que nós estávamos na merda. Por várias vezes ofendeu a pessoa do delegado (Paulo) Cassiano e do juiz Glaucenir (Oliveira), falando sobre a falta de caráter e perseguição pessoal contra sua pessoa”.
“Por várias vezes me pediu para atirar em seu peito, já que se eu não o matasse ele iria se suicidar dentro da prisão”.
“(…) já que mesmo que ele assumisse que cometeu crime eleitoral, o qual estava sendo imputado a sua pessoa, ele seria julgado, condenado e nem prisão sofreria”.
“Falou que se encontrasse Sérgio Cabral dentro da Penitenciária iria quebrar sua cara”.
Ainda que num artigo como este se pretende, a opinião seja o fim, ela aqui se torna desnecessária. Por motivos tão óbvios quanto a conhecida coragem física de Garotinho.
Publicado hoje (04) na Folha da Manhã
Abaixo o relatório da PF, com os destaques do blog:
Atualização às 17h08:Aqui, em seu blog, aparentemente ignorando a diferença entre artigo (opinião sobre um fato) e e reportagem (narração impessoal do fato), Garotinho respondeu com perguntas à narração detalhada da sua transferência do Souza Aguiar a Bangu, feita pela PF, não pelo blog, a Folha ou o articulista.
Sugestão para escutar após a leitura: Motivo – Fagner
Na estante meu instante estava guardado, apoiado em um lado pela sina outro lado pelo lápis em meio ao conglomerado de livros que preenchiam todo o espaço. Na lombada desse instante estava meu nome distante e os títulos das obras compostas pelo corpo tremulante desde o dia que tal como uma planta começara a crescer nessa terra e vir a florescer na planície goitacá.
Naquele armário chamado vida, os instantes se enfileiravam um após o outro em estantes infinitas, menor unidade narrativa que nem mesmo essas palavras conseguem segurar, a cada piscar de olhos, um instante se enfileirava na estante. Assim a vida se compõe ou passa vazia como um livro em branco ou uma narrativa sem tesão, talvez pela capa bem trabalhada tende a enganar o leitor, que decepcionado largará antes da introdução. No limiar do silêncio das letras, grita perene e sereno o instante unindo palavras eternas a abrir sorrisos ou derramar lágrimas solstícias, nenhuma folha em branco valeria ser preenchida sem amor. A cada olhar para as estantes percebo que os instantes passam, impossíveis de voltar, atrás, nem mesmo o pensar, o tempo é passagem, somos passageiros enquanto não chega o ponto de saltar, a vida cobra o ticket do quanto valeu a viagem.
Pensei certa vez, se pudesse congelar o momento, mas entre o instante e a eternidade talvez o que valha seja a fluidez, tão ditas entre poesias e prosas, seriam perdidas se inertes. Como a desvanecer o timbre do canto num momento de existência como no poema Motivo de Cecília Meireles:
“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.”
Como o rio de Heráclito onde não se pode banhar duas vezes, viver é um mar momentâneo no olhar a silenciar quando o sol se pôr sob as águas, vive bem quem observa o instante eterno preso na estante da vida livre do medo ou concordância de La Rochefoucauld“Não se pode olhar de frente nem o sol nem a morte” dito ainda no século XVII, com receios de um ofuscar a vista e o outro a vida.
O que Garotinho fez e disse entre o Hospital Souza Aguiar e o Complexo Penitenciário de Bangu? (Foto de Alexandre Cassiano – Agência O Globo)
Você assistiu à entrevista que Anthony Garotinho (PR) concedeu ao jornalista Roberto Cabrini, exibida no SBT na noite do último domingo (27)? Se viu, acha que ela ajudou a esclarecer alguma coisa sobre a prisão do secretário de Governo e marido da prefeita Rosinha Garotinho (PR), pela Polícia Federal (PF), por coação de testemunhas e destruição de provas naquilo que o Ministério Púlbico Eleitoral (MPE) chamou (aqui) de “escandaloso esquema”, na suposta compra de voto com Cheque Cidadão na eleição municipal de outubro?
Bem, se você, leitor, quiser saber em detalhes tudo que Garotinho fez e disse antes e depois de ser conduzido pela PF, contra sua vontade, de uma cama do Hospital Souza Aguiar até o Complexo Penitenciário de Bangu, do qual seria liberado no dia seguinte, não deixe de conferir amanhã a edição da Folha da Manhã.
Como pequena prova, fique com um trecho do relatório da PF sobre a polêmica transferência:
— O preso Garotinho se acalmou e logo assim que as portas (da ambulância) se fecharam, ele relaxou e conversou como se nada tivesse acontecido.
Se foram usados na tentativa de eleger candidatos rosáceos a vereador e prefeito de Campos, só as investigações iniciadas do período de campanha eleitoral, mas no momento paradas (confira aqui), poderão dizer. Mas parece claro que a menos de 30 dias de entregar o poder, após oito anos de governo Rosinha Garotinho (PR), os servidores por Recibo de Pagamento Autônomo (os famosos RPAs) estão sendo dispensados em massa da Prefeitura de Campos.
Considerado o principal responsável nas denúncias de contratação dos RPAs a toque de caixa durante o período eleitoral, o atual secretário de Gestão de Pessoas e Contratos Fábio Ribeiro tem agora se prestado ao antipático papel de arauto dos desligamentos. E a debandada parece ser mesmo geral.
Se ontem os RPAs do Hospital Ferreira Machado (HFM) e Hospital Geral de Guarus (HGG) buscaram a reportagem da Folha da Manhã para denunciarem (aqui) seus desligamentos, colocando em risco os atendimentos já precários em ambos os hospitais, o processo parece se estender sobre todos os demais setores de um governo que caminha melancolicamente ao fim.
Assinado por Fábio Ribeiro, confira abaixo o comunicado datado de 28 de novembro, sobre o reflexo direto dos desligamentos dos RPAs na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL):
Sobre o criado mudo, ela imaginou um porta-retratos. A foto reproduzia o filho ou a filha — jamais saberia o sexo — banhando-se no lago, segurando um balde na mão com expressão estampada de alegria. Ao redor, todo o restante da família passando férias, desfrutando a procrastinação ao vento apaziguador em uma tarde quente. O retrato surgia como a emanação do passado idealizado e sua memória recompunha essa cena em colorações críveis.
Ali, reclinada na janela de casa, conseguiria esperá-lo(a) para o almoço quando chegasse da escola. Ouviria com sabor as palavras gritadas além da calçada, os passos de tênis nas poças de lama e a sola marcando pegadas no carpete de sala. Sua mochila lançada de qualquer jeito causaria o grito maternal, aquele grito que tanto desejava ter dado.
Agora, parando de frente ao depósito onde guardava tranqueiras, vislumbrou o quarto da criança, o bercinho adornado com desenhos de estrelas e um urso de pelúcia ajeitado ao lado do travesseiro. À medida em que crescesse substituiria o berço por uma cama e passaria os últimos minutos do dia contando histórias e ouvindo aquela respiração suave até o sono chegar.
Todas essas quimeras se erguiam das frestras do piso e infundiam tons primaveris pelas paredes gélidas e sua atmosfera melancólica. O cheiro de talco infantil perfumaria aquele ambiente inodoro, conspurcando o clima hospitalar e profilático da solidão. Um arco-íris infundiria vida na residência onde o luto se impôs e nunca se retirou.
E a busca por essa remissão crepuscular, por um cerrar de cortinas propenso a encerrar uma abstração interpretativa e que a levasse de volta à realidade sonhada ao invés daquela relegada por vontades alienando a sua própria, a forçava a um abrir e fechar de portas, constantemente tentando reaver o ser escondido, o filho que contra seu desejo escapou-lhe pelo útero, roubado por mãos esterilizadas — ou não. Talvez se escondesse por trás da máquina de lavar roupas ou dentro do box do banheiro. Às vezes havia trepado na goiabeira do quintal e se camuflava entre as folhas. Assim, ela perambulava a esmo, uma alma penada assombrando sua moradia.
E, quando se despia do véu de quimeras e confrontava a verdade, uma verdade de gosto amargo, a porta do armário se iluminava com a lembrança mais cintilante e permanente. O único objeto efetivamente tangível e verídico mantinha-se ali, trancafiado, ajudando-a a pagar por seus pecados, assustadoramente concreto. Na segunda prateleira, o frasco repleto de formol contendo o pequeno embrião ainda inteiro. Igual um girino em tamanho maior, roubado de uma sacola antes que lhe incendiassem, a marca principal de um pecado imperdoável, um perdão que procurava vagando aleatoriamente pelo mundo como se em algum canto obscuro pudesse encontrar um botão capaz de mudar o passado.
Mário Sérgio, o “Vesgo”, figura mais difícil do álbum da Copa de 1982 (Reprodução)
Era 1982. Tinha 10 anos e acompanhava desde o ano anterior, nas eliminatórias sul-americanas e amistosos vencidos contra as mais poderosas seleções europeias, a brilhante campanha da Seleção Brasileira treinada por mestre Telê Santana (1931/2006).
Antes e durante a Copa do Mundo na Espanha, eu e todos os amigos do prédio, da rua e da escola colecionávamos o álbum de figurinhas das seleções de cada país. Vinham nos chicletes Ping-Pong, que acabavam amontoados nos pátios das escolas, derretidos ao sol, sem conhecerem a boca das crianças interessadas apenas nas figuras.
Na Seleção Brasileira, o craque do time, Zico, era figurinha das mais fáceis. Já Mário Sérgio, relacionado pela CBF na lista da Fifa, mas que acabaria cortado e nem jogando aquela Copa, era a mais rara. Com valor majorado pela lei da oferta e procura, apareceram até falsificações da sua figura.
Mário Sérgio não jogou a Copa de 82 por aquela Seleção Brasileira, até hoje reconhecida no mundo como uma das mais técnicas de todos os tempos, apesar da derrota por 3 a 2 diante à Itália, nas quartas de final. Todavia, mesmo entre meias como Zico, Sócrates (1954/2011), Falcão e Toninho Cerezo, o “Vesgo” não fazia feio.
Hoje politicamente incorreto, o apelido se dava pelo jogada característica em que Mário Sérgio olhava para o lado e tocava a bola na direção contrária. No futebol, Ronaldinho Gaúcho reeditaria o lance. Contemporâneo do “Vesgo”, mas em outro esporte, Magic Johnson também produzia jogadas muito parecidas no basquete da NBA.
Em 1983, o Flamengo de Zico conquistaria seu terceiro título brasileiro, quase em sequência. Já vencera antes o Brasileirão em 80 e 82, além da Libertadores da América e o Mundial Interclubes em 81. Mas em 83, quem conquistou o Sul-Americano, para depois vencer o campeão europeu em Tóquio, foi o Grêmio.
O técnico do time brasileiro, que havia encerrado há pouco a carreira de jogador, era Valdir Espinosa. Para enfrentar a força do alemão Hamburgo, o treinador gaúcho queria técnica. E, na sua busca, convenceu a diretoria do Grêmio a contratar Mário Sérgio, que ditou o ritmo da vitória por 2 a 1, com dois gols de Renato Gaúcho.
Jogador talentoso, mas de temperamento difícil, Mário Sérgio esteve envolvido em polêmicas desde o início de carreira, repetidas por quase todos os clubes em que passou. E continuou sem papas na língua com o passar do tempo, quando passou a atuar como comentarista e treinador de futebol.
Como jogador, sua última partida é o resumo do que foi dentro e fora dos campos. Já veterano, era a quinta rodada do Brasileiro de 1987, quando recebeu a camisa 10 do Bahia. Jogou o primeiro tempo com atuação extraordinária, desceu para o intervalo, antes de todo mundo, como protagonista da vitória parcial por 1 a 0 sobre o Goiás.
Nas palavras do meia Bobô, ídolo do Brasileiro que o Bahia conquistaria no ano seguinte: “Quando chegamos ao vestiário, Mário Sérgio já estava trocado, perfumado. Fez um pronunciamento muito educado, agradeceu a todos nós e disse que não voltaria ao segundo tempo. No vestiário, ele anunciou o fim de sua carreira”.
Hoje, com a notícia da queda do avião com o time da Chapecoense, na Colômbia, a tragédia pareceu mais perto ao saber que entre os 71 mortos estava o atacante campista Bruno Rangel. Pai de dois filhos e morador do Parque Prazeres, passou por Goytacaz e Americano antes de ganhar o mundo. Ele completaria 35 anos no próximo dia 11.
Ser conterrâneo da dor nos aproxima dela, tanto quanto ser contemporâneo. E ela ficou mais íntima quando soube que Mário Sérgio também perdera a vida. Tinha 66 anos e viajava como comentarista da Fox para cobrir a final da Copa Sul-Americana, que seria disputada amanhã pelo time catarinense, contra o Atlético Nacional da Colômbia.
Na lembrança pretérita e presente, não deu para imitar o “Vesgo”. Impossível olhar para um lado e tocar a bola do outro. No álbum de figurinhas do menino, num mundo que se começava a descobrir pelos ídolos do futebol, Mário Sérgio foi aquela que permanecerá faltando.
Os blogueiros da Folha Online Christiano Abreu Barbosa (aqui e aqui) e Alexandre Bastos (aqui, aqui e aqui) já trataram da questão da chegada do Uber em Campos, bem como da reação dos taxistas locais. Pois aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o jornalista e músico Rogério Soares de Siqueira fez uma indagação bastante pertinente aos taxistas de mesma cidade onde as lotadas atuam livremente, mesmo à margem da lei:
— Qual sentido de se mobilizar contra o Uber se ao longo dos anos não me lembro de ver a mesma mobilização para combater o serviço de lotadas irregulares?
Abaixo, confira a íntegra da postagem do Rogério, com título no mais “fruentre” campistês berrado diariamente no chamamento das lotadas que os taxistas fingem ignorar:
Nova Brasília-Espranada!!!
Essa história do Uber causa furduncio onde quer que a empresa se instale. Campos não ta sendo diferente. A classe dos taxistas tem se mobilizado contra o serviço. Fica a pergunta: qual sentido de se mobilizar contra o Uber se ao longo dos anos não me lembro de ver a mesma mobilização para combater o serviço de lotadas irregulares? O Uber tem base contratual bem definida e criterios rígidos de qualidade. As lotadas pelo que lembro, são apenas parte de um grande esquemão que fixa ponto em frente a pontos de taxi( como é o caso da praça Sao Salvador) e de uma maneira pitoresca suplanta o incipiente sistema de transporte público do município. Reclamar do Uber parece um contrassenso a medida em que se é conivente com as lotadas.
O fato de que a direção do Teatro de Bolso Procópio Ferreira, no governo Rafael Diniz (PPS), caberá ao experiente diretor teatral Fernando Rossi, teve grande aceitação após ser anunciada ontem (aqui) na Folha Online. Não só da classe artística, como do “respeitável público”, ambos saudados e convocados por Rossi em sua nova missão, que passará a dividir com a coordenação da programação cultural do Sesi: “Minha intenção é devolver o Teatro de Bolso aos artistas de Campos. E, trabalhando juntos, teremos a missão de levar a comunidade de volta ao TB”.
Time da Cultura
Mas a definição de Rossi não foi a única tomada pela futura presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Cristina Lima. O time da cultura montado por ela para entrar em campo a partir de 1º de janeiro de 2017 trará ainda o cenógrafo Carlos Vazquez, na direção do Teatro Trianon; o ator e arquiteto Rodrigo Espinosa, na direção artística do mesmo teatro; o historiador e pesquisador Marcelo Sampaio, na gerência de Cultura Popular; o renomado artista plástico João Oliveira, na gerência de Artes Plásticas e Visuais; o cantor e apresentador Viny Soares, na Chefia de Gabinete; além do ator Pedro Fagundes, nas Artes e Ofícios.
Trabalho coletivo
A espinha dorsal da equipe já está montada, mas pode ainda contar com mais reforços, cuja definição é esperada para os próximos dias. Filha de Oswaldo Lima (1912/73), Cristina se mostra consciente daquilo que a cultura traz em comum com o jornalismo: ambos são sempre fruto de trabalho coletivo. Entregue pelo governo Rosinha Garotinho (PR) com a maioria dos seus espaços públicos fechados para reformas sem reforma, a cultura do município só poderá ser resgatada com a mobilização da classe artística e da comunidade. E que ninguém se engane: após oito anos dos rosáceos no poder, a herança é terra arrasada.
O mestre mandou (I)
Desde o início dos julgamentos dos 11 vereadores eleitos pelo grupo governista e que respondem a ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), apenas Vinicius Madureira compareceu ao Salão do Júri do Fórum de Campos. Não se manifestou, porque não cabe nesta fase do processo, mas acompanhou atentamente a audiência e oitiva das testemunhas. Os demais eleitos seguiram orientação da defesa e não deram as caras, mesmo sendo um momento que definirá o futuro político deles.
O mestre mandou (II)
Porém, a presença foi maciça na reunião promovida, na tarde de ontem, pela prefeita Rosinha, que retornou de seus três dias oficiais de licença, tirados entre os dias 23 e 25. Além de falar de políticas públicas, Rosinha aproveitou a reunião para continuar mobilizando o grupo, depois do impacto da prisão do marido Garotinho com cenas que ganharam o noticiário nacional. A prefeita também focou a eleição para a nova mesa diretora da Câmara.
O mestre mandou (III)
Resta saber se na sessão de hoje, na Câmara Municipal, os vereadores rosáceos vão comparecer. Depois de uma longa “folga”, semana passada houve sessão, mas no estilo “vapt-vupt” por falta de “pauta”. O vereador reeleito Marcão Gomes (Rede), contestou, dizendo que o motivo é “falta de disposição” para encarar debates importantes. Marcão, aliás, já colocou seu nome para disputar a presidência da Casa no próximo ano. Vereadores governistas também já apresentaram seus nomes.
Outro de olho na presidência
Novo no páreo, mas antigo na disputa política, o vereador eleito Marcos Bacellar (PDT) também pleiteia a presidência, sendo o sétimo nome a surgir como opção. Ele obteve decisão favorável do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), validando seus 2.685 votos e deverá entrar no lugar da governista Cecília Ribeiro Gomes. Bacellar foi presidente do Legislativo no mandato de Alexandre Mocaiber, após liderar um grupo “independente”.