PT de Campos, com apoio de Lindbergh, por Caio e contra Garotinho

Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Se a candidatura de Dr. Chicão (PR) conseguiu tirar o PSB e o vice (Gil Vianna) do oposicionista Caio Vianna (PDT), levando o partido para a base de apoio da chapa governista à sucessão de Rosinha Garotinho, a pergunta que restou é: presidente estadual do PR, Anthony Garotinho conseguirá fazer o mesmo com o PT de Campos? A depender dos petistas locais, que ganharam apoio de peso com a entrada no jogo do senador Lindbergh Farias (PT), a resposta é não.

Como a coluna “Ponto Final” adiantou (aqui) desde 21 de julho, dois dias antes (19) Garotinho havia pedido ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, que o PT de Campos marchasse com o PR em outubro, ou lançasse candidatura própria, visando impedir que uma candidatura de oposição com chance real levasse o generoso tempo de propaganda do PT, como alertado aqui desde 2 de julho. Ocorre que, em sua convenção municipal, de 3 de agosto, o diretório municipal do PT goitacá decidiu (aqui) caminhar com Caio na majoritária, coligando na proporcional com PMN e PEN.

 

 

Leia a matéria completa na edição de amanhã (09) da Folha da Manhã

 

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João Peixoto após falar com Hugo Leal: “Agora só falta boi voar!”

João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Antes da divulgação (aqui) da ata da nova convenção do PSB de Campos, já assumido pela executiva determinada pelo secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), o blog falou com o deputado estadual João Peixoto (PSDC), que tinha falado à tarde com o deputado federal Hugo Leal, presidente estadual do PSB, com quem este “Opiniões” tentou contato diversas vezes desde ontem, em seus números do Rio e Brasília, sem sucesso ou retorno.

A Peixoto, no entanto, Leal não só atendeu, como teria garantido:

— Isso tudo é muito constrangedor, até porque eu participei  da convenção do PSB em Campos, que deu o apoio do partido à candidatura de Caio (Vianna, PDT) a prefeito e seu vice na chapa (vereador Gil Vianna). E estamos sofrendo toda essa pressão (de Garotinho) para mudar o diretório. Mas vou reverter isso.

Indagado que, se era para evitar constrangimento, Hugo Leal poderia simplesmente não permitir a nomeação do novo diretório do PSB em Campos, indicado por Garotinho e que hoje passou a constar oficialmente (aqui) no registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Peixoto, que continua apoiando Caio, respondeu:

— Vou repetir o deputado (federal) Paulo Feijó: “Agora só está faltando boi voar!”.

 

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No TSE, Garotinho ganha queda de braço pelo PSB com Caio

Noticiada primeiro neste “Opiniões” (aqui), desde sexta-feira (05), a briga pelo PSB em Campos entre Caio Vianna, candidato a prefeito pelo PDT, e o secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), acabou se estendeu pelo sábado (06) aqui, aqui e aqui parece ter definida apenas hoje (08), com a aparente vitória do marido da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

O sistema  do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diferente de ontem, quando ainda mostrava (aqui) Gil como presidente municipal, passou hoje a ter como novo presidente Altamir Bárbarba Junior, filho do vereador Altamir Bárbara (PSB), vereador da base governista.

O blogueiro Ralfe Reus foi primeiro a noticiar (aqui) a nova reviravolta nesse jogo de golpes e contragolpes disputado entre PR e PDT pela posse do PSB local, que em sua convenção municipal do último dia 30 definiu seu apoio a Caio e lançou o vereador Gil  Vianna a vice na chapa encabeçada pelo jovem pedetista. Tudo diante presença do presidente estadual do PSB, deputado federal Hugo Leal.

Assim, no questionamento feito aqui pelo próprio Ralfe, ainda na noite de ontem, “Agora resta saber se a ‘palavra empenhada’ (de Hugo Leal) é com os Garotinho ou com os Vianna”, os primeiros parecem ter levado vantagem — muito embora houvesse quem, mesmo tendo passado a usar só recentemente o segundo sobrenome, já estivesse comemorando desde ontem (aqui) essa aparente derrota de Caio.

 

No TSE, PSB de Campos não está mais sob a presidência do vereador Gil Vianna, candidato a vice na chapa de Caio, mas de Atamir Bárbara Junior, filho do vereador Altamir Bárbara (PSB), aliado de Garotinho (reprodução)
No TSE, PSB de Campos não está mais sob a presidência do vereador Gil Vianna, candidato a vice na chapa de Caio, mas de Atamir Bárbara Junior, filho do vereador Altamir Bárbara (PSB), aliado de Garotinho (reprodução)

 

Atualização às 19h39: Acompanhe a reportagem na íntera na edição de amanhã (09) da Folha da Manhã

Atualização às 19h46: Aqui, o jornalista Alexandre Bastos divulgou a ata da nova convenção do PSB, pela qual o partido irá concorrer sozinho no pleito proporcional e com Dr. Chicão (PR) para prefeito

 

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Fabio Bottrel — Folhetim Contemporâneo

Bottrel 06-08-16

 

 

Toda segunda sexta-feira do mês a Folha Letras traz um capítulo do romance folhetinesco Quando Nasce um Ser Humano, no dia 12 desse mês será publicado o sétimo capítulo. A ideia surgiu dos folhetins nascidos nos jornais franceses em torno de 1830, pós-Revolução Burguesa, impulsionada pelo romantismo, como destaca Marlyse Meyer em Folhetim: uma história. Cresceu em meio a Revolução de 1848 e entre as lutas e o massacre de operários foi proibido, retornando com a etiqueta pejorativa de “romance popular” informa Haickel em Folhetim: um fenômeno literário: “(…) data do Segundo Império (o regresso do folhetim), no reinado de Ponson du Terrail, autor de Rocambole, uma delirante narrativa que se arrastará por 13 anos, que culmina mais tarde com a Guerra Franco-Prussiana em 1870 e 1871 com a morte do autor; vem a Comuna de Paris, nasce também o folhetim da terceira fase, os romances das vítimas, retornando à consagrada receita, com um outro recado, mais conservador, onde irá se destacar, entre outros, Xavier de Montepin.”

Com Machado de Assis e José de Alencar dentre seus escritores brasileiros, o folhetim fez muito sucesso no Brasil alcançando seu apogeu no final do século XIX e deixando uma vasta técnica de dramaturgia esmiuçada ponto a ponto por seus herdeiros no rádio e logo depois na televisão, tais como os ganchos no final dos capítulos para prender a atenção do leitor e manter seu interesse no próximo, abordagens de temas polêmicos e narrativa fluida como uma correnteza forte. Os folhetins escritos pelos nossos autores logo depois eram editados e publicados em forma de livros, como A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo. Mas a nossa proposta de folhetim contemporâneo foi ao avesso, estreei adaptando um romance de minha autoria à estrutura folhetinesca e o resultado você pode acompanhar todos os meses na Folha Letras do jornal Folha da Manhã, e nessa publicação de hoje com o primeiro capítulo.

Espero que goste!

 

 

Sugestão para escutar enquanto lê: Adagio for Strings – Samuel Barber

 

 

 

 

CAPÍTULO 1

 

Ao nascer um ser humano, mais de 1.200 animais serão sacrificados e seu pequeno corpo produzirá 40 toneladas de excremento e lixo. Se Deus assemelha-se a nós, todas as esperanças estão perdidas.

 

— Não deixe o meu filho morrer!!!

Com as mãos e braços banhados em sangue, Jéssica escuta o último suspiro da mulher deitada à sua frente.

— Salve o meu filho…

Trêmulas palavras palpitam as lágrimas lavando os poros cobertos de suor sobre a palidez da pele, confirmando a hemorragia que acabara de sofrer. Um leve gemido é solto sobre o ar quente, as veias haviam sumido das mãos sem movimento, a jovem está perdendo suas forças e as chances de não chegar a conhecer o filho são grandes.Há poucos minutos sua pressão subiu drasticamente e saiu do controle, sofrendo uma anoxiaintrauterina, podendo causar a morte do feto prestes a nascer.

Enquanto o sangue pingava de seus braços, Jéssica se sentia na pele da mulher que tentava salvar, o aumento da pressão ocasionou um abrupto descolamento da placenta, gerando uma hemorragia, em alguns minutosmataráa jovem se o bebê não nascer a tempo.

Os olhos nervosos dos ajudantes acostumados com os incidentes corriqueiros naquele canto de mundo assustaram-se ao perceber o tempo suportado pela jovem após tanto sangue derramado. A cama improvisada com esteiras de palha havia sido pintada de vermelho-sangue, lágrimas e esperanças. Pintura abstrata, que vem do corpo, mas não se faz dele. Pintura triste, só quem enfrenta a vida vê sentido.  A preocupação com o filho, cedendo sua própria vida em prol do nascimento, emocionara a todos, alcançou o pleno significado de mãe, doadora da vida, doadora das lágrimas, doadora dos sorrisos. Sem nenhum tipo de formação, os que ali ajudam observam atentos a todos os gestos da médica, que luta para salvar o neném junto com a mãe.

Escuta-se um grito. Jéssica levanta sua mão deixando o sangue vivo escorrer por todo o seu braço até chegar ao ombro e essa umidade vermelha fez com que o vento da noite, entrando pela janela da cabana e deparando-se com o seu braço esticado, se tornasse o alivio da sua pele torturada pelo calor e a respiração ofegante de todos os que ali compunham o parto. Refrescou-se com sangue.

No alto da sua mão, o bebê recém-nascidochora alto, forte, resplandecente para toda a tribo que lá fora esperava escutar o timbre de um pulmão puro se enchendo com o ar da floresta. Ali mesmo o pequenino abraçou a alma de sua mãe, que partiu com um sorriso merecido do seu nascimento.

Toda a tribo se ajoelhou e juntos entoaram cânticos ao ver o menino pela janela, seguro pelas mãos de Jéssica e banhado pela luz do lampião. As mãos foram dadas e um som uníssono — que nenhum coral poderia repetir com tamanha paixão — foi solto ao mundo, pedindo para que o vento levasse as suas vozes para outros ouvidos e outras bocas com os desejos de uma vida melhor para aquele pobre garoto.

Jéssica enrolara o bebê em um manto branco tão fino chegando a ser transparente, desceu os degraus de bambu que rugiam com a dificuldade em suportar o peso de seus pés e o entregou a uma idosa de aparência saudável e inabalável.Sua pele era toda enrugada pelo tempo, marcas de uma vida dura. Sua cor fora moldada pelo sol e bronzeada pela dor, era a mulher do cacique e quem cuidaria daquela criança.

— Amanaiara aeté aiyara —  diz a idosa revelando os olhos lacrimejantes ao desgrudá-los do bebê e fixá-los aos olhos de Jéssica.

Com um aceno delicado para a cabana, quase levantando voo com o vento forte batendo nas suas pontas de piaçaba:

— Amanaiara aeté aiyara — repete a velha, aparentando ter previsto a morte da jovem ao dar à luz.

Jéssica não entende as palavras pronunciadas em tupi, mas sabia da sua inerência à partida da alma dentro da cabana. A única coisa que ela podia fazer era lamentar junto com a índia, mas o tom de voz forte pronunciado pela senhora de cabelos selvagens não era de lamento; de conformismo, talvez. A médica achou melhor voltar para a cabana e confirmar a passagem da morte por ali.

— A mãe da chuva elevou a filha — disse um índio antes de Jéssica adentrar a cabana.

— Foi isso que ela disse.

Com os cabelos grisalhos ondulados pelos ventos fortes solapando a sua face, a sábia olha para a noite e sussurra para toda a infinidade que dela vem:

— Amanajé abequar amanara abirú acemira…

— Mensageiro que voa em dias chuvosos repleto de dor.

Ergue a criança como se ofertasse ao seu Deus e nesse momento um clarão acompanhado de um grande estouro assusta a médica. Era a chuva chegando, fria, linda, lavando as almas e o sangue que escorria do bebê erguido por ombros gigantes.

As gotas grossas caíam da escuridão e batiam no manto do recém-nascido, faziam-no desaparecer com a sua transparência, como um guardanapo se desfaz ao se molhar. Do mesmo modo, acontecia com a blusa branca usada por Jéssica, revelando seus seios tal como as outras índias presentes.

A médica volta ao local do parto e senta-se ao lado da jovem. Olhava com delicadeza a linda pele morena, lábios finos e novos enquanto a alma se esvaía deixando apenas o estupor do corpo vazio. Uma lágrima escorre em silêncio na pele fria, perdendo o seu brilho e a vida enquanto o vento levita o manto que cobrirá o sorriso da recém-mãe, recém-heroína, recém-morta. Põe-lhe a mão na testa, fecha seus olhos que já não mais enxergam as dores do mundo e lhe deseja que descanse em paz.

Assim como o menino, Jéssica abraçou a alma de sua própria mãe ao nascer.

 

***

 

Debaixo da tempestade, Jéssica corre entre as cabanas de piaçaba até chegar ao local onde estacionou o carro. O cheiro de terra levantado pela chuva não se fazia mais presente, pois tudo virara lama, contrastando com o branco do seu uniforme camuflado com barro dos pés aos joelhos.

— Ei!!! Doutora!!!

Escutou o grito em sua direção até chegar aos seus ouvidos molhados, vinha de um homem emergindo desesperado da escuridão na floresta. A médica parou e se pôs a escutar.

— Precisamos de ajuda!!! Rápido!!!

A chuva não dava trégua enquanto ela corria para dentro da mata junto com o homem, sendo guiada apenas pela lanterna e pelo grito de outro rapaz que aparentava estar ferido em algum lugar dentro da floresta, sentiu a luz da lanterna banhando seus seios nus pela transparência da camisa e teve medo do homem. Ao adentrar a mata deparou com uma imensa escuridão e mais uma vez, teve medo do homem. Os galhos grossos e espinhentos lhe cortavam a calça e um despercebido lhe arranhou a face,imaginou que os pingos de chuva escorrendo de seu rosto fosse sangue, as pernas tremiam, não pelo frio, mas pelo nervoso de entrar em uma mata fechada, na escuridão da noite, em plena tempestade e com dois homens que ela nunca vira antes. Só foi perceber onde tinha se metido quando já estava dentro do problema. A morte da mulher ainda permeava seus pensamentos e a deixara desnorteada quanto às circunstâncias que lhe acabaram de submeter. Um enorme clarão descendo rente a uma árvore lhe surpreendeu; por um segundo, todo o mundo se iluminou, toda a natureza se mostrou e gritou logo em seguida um enorme estouro, um trovão. Jéssica já não sabia mais como voltar…

 

Continua…

 

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Romário entra em campo por Gil e PSB, sem intervenção, se mantém com Caio

Até a noite de hoje, não houve nenhuma intervenção estadual no PSB de Campos que mudasse o acerto do firmado na convenção do dia 30, entre Hugo Leal, Caio e Gil Vianna (foto: repordução)
Pelo menos até a noite de hoje, não houve intervenção estadual no PSB de Campos que mudasse o acerto firmado na convenção do dia 30, entre Hugo Leal, Caio e Gil Vianna (foto: reprodução)

 

 

Anunciada por uma fonte rosácea de quatro costados, a intervenção estadual no PSB de Campos, visando tirar a legenda da base de apoio do candidato a prefeito Caio Vianna (PDT), não ocorreu até o início a noite de hoje (5), último dia para as convenções partidárias. Pelo menos até amanhã (6) e, provavelmente, até segunda-feira (8), continuará valendo o resultado da convenção municipal do PSB do último dia 30, quando o partido indicou o vice na chapa Caio e Gil Vianna — este, presidente local do partido que seria alvo da intervenção.

A intervenção teria chegado a ser acordada hoje entre os presidentes estaduais do PSB e do PR — respectivamente, o deputado federal Hugo Leal e o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho. E giraria em torno pedido do apoio do PR à candidatura socialista de Felipe Peixoto a prefeito de Niterói, pelo qual Garotinho cobrou a intervenção estadual no PSB de Campos, para que o partido caminhasse com os rosáceos. Depois de ser parentemente aceita por Hugo, a reação do senador Romário, ex-presidente estadual do PSB e padrinho político de Gil, foi fundamental para que não se concretizasse, pelo menos por hoje.

Uma fonte estadual do PSB, ligada a Romário, definiu assim a questão:

— Falei com o Felipe por telefone. Ele me disse que o PR em Niterói não tem nem nominata montada. A única coisa que poderia dar à candidatura dele a prefeito, em Niterói, seria tempo de TV. Daí eu perguntei: “Você prefere esse tempo de TV do PR, ou Romário na sua campanha?”. Precisa dizer o que ele respondeu?

O blog fez contato com Felipe Peixoto. Evasivo e aparentemente nervoso com as perguntas, ele disse que só quem poderia falar sobre o caso seria Hugo Leal, que estava na cerimônia de abertura das Olimpíadas, no Maracanã.

Consultado, o advogado João Paulo Granja disse que há base na legislação eleitoral para a mudança da chapa, no caso de intervenção np PSB, mesmo após o fim do prazo das coligações, mas dependendo dos motivos alegados para uma eventual anulação:

— Nos termos do artigo 7º da Lei 9.504/97, as deliberações das instâncias superiores dos partidos deverão ser observadas pelas inferiores. Desta forma, caso a convenção partidária municipal fira a deliberação da direção estadual e/ou nacional, tornar-se-á possível a anulação da referida convenção partidária, devendo ser tal fato comunicado à Justiça Eleitoral  no prazo de 30 dias a contar da data limite para o registro dos candidatos, podendo ensejar, inclusive, a escolha de novos candidatos.

Em sentido contrário ao do jurista, mesmo antes de ter  ameaça de intervenção hoje contida pela reação de Romário, Gil ressalvou:

— A convenção foi feita (aqui) no sábado (30), inclusive com a presença do próprio deputado Hugo Leal. Seu resultado foi homologado e registrado no TRE desde segunda-feira (01). Eles podem agora me tirar da presidência do partido, mas não da chapa de Caio.

Além da composição em Niterói, uma confusão na convenção municipal do partido no Rio de Janeiro, na noite de ontem, também teria contribuído com a tentativa de acordo com o PR em Campos. Segundo uma fonte estadual do PSB:

— Leal defendia o apoio do partido à candidatura do (deputado federal) Índio da Costa (PSD) à Prefeitura do Rio. Aí o Luiz Alfredo salomão, da executiva municipal carioca, veio e rachou, propondo o apoio à candidatura do (senador) Marcello Crivella (PRB). Deu uma confusão, apagaram as luzes e a convenção nem terminou. A decisão agora cabe à (executiva) nacional. Embora tudo indique que o partido vá ficar mesmo com Índio, isso enfraqueceu o Leal. Daí esse acordo com o PR.

 

Atualizado às 20h46 para complementação e correção de informações

 

Atualização às 23h15 para complementação e correção de informações

 

Leia amanhã (06) a reportagem completa na Folha da Manhã

 

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Alexandre a prefeito pelo PT — O que ele ganharia e quem sairia perdendo

Alexandre Lourenço
Professor Alexandre Lourenço (foto: Folha da Manhã)

Se a convenção do PT que fechou o apoio à candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT) for mesmo anulada, o professor Alexandre Lourenço vai aceitar a espinhosa missão — como o jornalista Alexandre Bastos revelou aqui  de representar o partido na disputa majoritária?

Indagado diretamente pelo blog, ele respondeu estar pensando, que vai conversar com seu grupo político — chamado “Resistência de esquerda” e composto majoritariamente de professores —, sua companheira e sua família.

Se aceitar, ele perderá a chance de ser o vereador que o PT pretendia eleger, coligado na proporcional com PMN e Pros, partidos da base de Caio.

Mas com a exposição de um minuto na propaganda eleitoral de TV à tarde e noite, mais oito spots de 30 segundos, todo dia dos 35 de campanha, entre 27 de agosto e 30 de setembro, mesmo sem chance real de ganhar a Prefeitura em 2014, ele pode deixar um residual para tentar se eleger deputado estadual em 2016.

Sujeito sério e probo, Alexandre construiu sua vida pessal e pública no lado oposto das práticas de corrupção do seu partido — que quebraram o Brasil, jogaram na cadeia algumas das suas principais lideranças e transformaram o PT em campeão nacional de rejeição popular.

Jovem e articulado, o petista se aproxima, individualmente, daquele perfil que o eleitor campista parece buscar e pode encontrar também refletido no rosto de Rafael Diniz (PPS), de Rogério Matoso (PPL) e de Caio.

Não por outro motivo, se a convenção da municipal for anulada pelos motivos antecipados aqui, aqui e aqui, com Alexandre candidato a prefeito, além de um Caio esvaziado do generoso tempo de propaganda do PT, Rafael e Rogério também sairiam perdendo.

Na base da eliminação, Rafael e Rogério esperavam herdar os cerca de 15 mil votos que a esquerda, apesar da sua decadência em toda a América do Sul, ainda mantém em Campos e cuja migração ganharia, com Alexandre, um destino bem mais familiar.

 

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Torcida contra PT com Caio une campanha de Rafael e rosáceos

Juntos e misturados

 

 

O que não está no “Ponto Final” de hoje, mas deveria, é que não são só os rosáceos que estão torcendo para que o PT nacional anule a convenção do PT de Campos que deu apoio (e tempo de TV) à candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito.

Nessa mesma torcida pela imposição da candidatura própria do PT na majoritária, tem dado até para confundir o pessoal da campanha de Rafael Diniz (PPS) — quem diria? — com os rosáceos.

Quem tive alguma dúvida, que leia aqui, no Blog do Bastos, como o professor Alexandre Lourenço, jovem promissor que teria chance na eleição a vereador numa nominata decente, já está sendo “cogitado” para ir ao sacrifício na candidatura majoritária do PT.

 

 

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Tempo de TV por nominata — PT de Campos vira cabo de guerra entre PDT e PR

Ponto final

 

 

Vai valer a convenção do PT?

Vai valer a convenção municipal do PT que, na noite de quarta (03), decidiu (aqui) apoiar Caio Vianna (PDT) a prefeito? A verdade é que nem o presidente do partido em Campos, André Oliveira, foi dormir ontem (4) sabendo. Mas ciente de que a candidatura própria do PT a prefeito vinha perdendo espaço (aqui) nos últimos dias, pela impossibilidade do partido eleger um vereador com ela, o marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR) ligou desde quarta ao presidente nacional petista, Rui Falcão, no sentido de impedir o sensível reforço de tempo de propaganda na campanha de oposição de Caio.

 

Líder rosáceo está certo

O pior para seus (muitos) críticos, sobretudo no PT de Campos, é que não se pode nem negar que o secretário de Rosinha não esteja no seu direito. Também presidente estadual do PR, ele foi procurado por seu congênere petista, o folclórico prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que lhe pediu de ajuda há cerca de seis meses. Como seu candidato a sucedê-lo em Maricá, o deputado federal Fabiano Horta (PT), havia perdido o Pros, Quaquá pediu ao líder rosáceo o apoio do PR. Este aquiesceu, mas impôs como condição que os petistas apoiassem o PR em Campos, ou pelo menos lançassem uma candidatura própria.

 

Os furos de Quaquá

O raciocínio era — e continua sendo — de que nenhuma candidatura própria a prefeito do PT de Campos teria qualquer chance real, mas impediria quem tivesse de ter acesso ao generoso tempo de propaganda do partido. Ao antecipar que, sozinho, o PT do seu município não teria possibilidade de eleger nem um vereador, o secretário de Rosinha chegou a oferecer lá atrás uma das suas legendas de apoio a Quaquá. Mas este recusou, dizendo contar com a coligação com o PC do B de Campos, cuja presidente de candidata a vereadora, professora Odete Rocha, preferiu marchar junto à candidatura a prefeito do ex-vereador Rogério Matoso (PPL).

 

Sem apoio, Caio

O “combinado” de Quaquá bate não só com as fontes governistas que revelaram a conversa de seis meses atrás, como com os petistas locais que, até bem recentemente, ainda defendiam a candidatura própria, contando com a promessa — não cumprida — da executiva estadual de arrumar outra legenda para formar nominata de vereador. Sem tê-la, por parte do próprio partido, não restou outra alternativa se não buscá-la no PMN e no PEN, partidos da base de apoio de Caio e objetivo prático do apoio fechado na convenção do PT goitacá.

 

Briga por cima

Agora, a briga (aqui) pelo tempo de propaganda do PT na campanha a prefeito de Campos, único atrativo num partido de grande rejeição popular, será travada por cima. De um lado, o secretário de Rosinha, ameaçando tirar o apoio do PT não só em Maricá, mas em todos os municípios nos quais dependa do PR — como em Japeri, onde o deputado estadual petista André Siciliano conta com o apoio do partido dos Garotinho para se eleger prefeito. Do outro, brigando por Caio, está Carlos Lupi, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff e presidente nacional do PDT, aliado histórico do PT. O resultado será conhecido nos próximos dias — ou horas.

 

Matoso no páreo

Confirmado ontem como candidato à Prefeitura de Campos, Rogério Matoso foi mais um que terminou de pé após todas as articulações e reviravoltas nos bastidores. Mesmo no pequeno PPL, ele conseguiu tirar dois partidos que estavam mais próximos do pedetista Caio Vianna: Pros e PCdoB. Apontado nos bastidores como uma possível “linha auxiliar” dos rosáceos, Matoso disparou: “Sempre fui oposição a esse desgoverno que quebrou Campos. Meu acordo é com as pessoas que estão cansadas de enganação”. De olho nos votos da esquerda e das mulheres, ele conta em sua chapa com a universitária Gabriela Mariano, do PC do B.

 

Com a colaboração do jornalista Alexandre Bastos

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

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Para além da tragédia grega: a comédia

Tragédia & comédia

 

 

Tenho José Paes Neto na mais elevada conta como pessoa, advogado e homem público. Mas acabei falando ontem (aqui) do ex-prefeito Arnaldo Vianna, em sua tentativa (aqui) de responder ao artigo “Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos” e acabei esquecendo de falar que, em seu artigo publicado ontem (04) na Folha, Zé Paes escreveu:

— O que se viu nos últimos dias, para muito além de uma tragédia grega, revela de forma muito clara a que ponto a velha política campista pode chegar(…)

“Para muito além” da tragédia grega, difícil pensar em algo que possa existir nesta nossa alquebrada Civilização Ocidental — Campos incluída. Talvez só a comédia.

 

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Do blog ao impresso, em verso e prosa, Folha Letras chega hoje à 10ª edição

“Poeta de horas vagas e concursos literários”, como definiria em verso meu amigo Adriano Moura, dediquei todo domingo neste “Opiniões”, entre março de 2015 e janeiro deste 2016, à divulgação de um ou mais poemas, sempre com uma apresentação em prosa.

Independente do que já tenha feito antes ou depois por aqui, confesso que aqueles domingos eram os mais prazerosos para mim na lida blogueira — com paralelo, apenas, na cobertura que este espaço virtual dedicou diuturnamente à Copa do Mundo de 2014.

Mas o fato é que veio 2016 e suas pesadas demandas de ano eleitoral, deixando pouco ou nenhum tempo para a confecção daquelas postagens dominicais que me eram tão caras — geralmente na sequência da divulgação da minha própria produção poética, de outro autor local, de um cânone da poesia brasileira e outro da poesia universal.

Foi na intenção de suprir esse hiato forçado pelo jornalismo político na literatura, que o blog resolveu convidar os escritores Fabio Bottrel, Guilherme Carvalhal, Paula Vigneron, Ocinei Trindade e Carol Poesia como colaboradores, para manter aceso o que não cabe ser extinto.

Além disso, para aproveitar no jornal impresso aquela produção virtual de quase um ano dedicado semanalmente à poesia, passei a assumir a produção da Folha Letras, na contracapa da Folha Dois, a cada primeira exta-feira do mês, em revezamento com Bottrel, com um autor da Academia Campista de Letras (ACL) e com o historiador, ambientalista, professor, crítico de cinema e escritor Aristides Soffiati, meu capitão.

Como a minha era uma produção prévia do blog que passou a ser adaptada ao jornal, não cheguei a reproduzir neste “Opiniões” o que daqui saiu para estampar a primeira Folha Letras de cada mês, até perceber que com a edição de hoje, já foram 10 as que escrevi, editei e publiquei — todas diagramadas pelo designer gráfico Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

A única produção de tempo presente e não dedicada à poesia, foi a segunda, feita para anunciar o exitoso lançamento do livro de contos da Paula, seu primeiro, intitulado “Sete balas ao luar”.

Todas as outras nove, incluindo a de hoje, são dedicadas àquilo que o poeta e ensaísta Alexei Bueno equilibra entre duas definições: “a poesia é uma indecisão entre um som e um sentido” ou “é a arte de dizer apenas com palavras o que apenas palavras não podem dizer”.   

Não por outro motivo, segue abaixo essa orgulhosa 10ª Folha Letras, seguida da sua transcrição, assim como a reprodução das nove anteriores — cujos textos originais, no blog, você, leitor, pode ter acesso clicando sobre cada página:

 

Folha Letras de hoje (05/08/16)
Folha Letras de hoje (05/08/16)

 

À deriva da última tarde do ano

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Era o último dia daquele 2013. O ano não havia sido dos melhores, mas tampouco dos piores, sobretudo pelo que deixara em definitivo para trás. Ademais, o novo calendário que se iniciaria a partir do dia seguinte traria uma Copa de Mundo de futebol no Brasil, a primeira desde a tragédia de 1950, e a chance de reconhecer nas urnas a falência do lulopetismo, alternando democraticamente o desastroso governo Dilma Rousseff.

Não fosse mais nada, estava no Rio, no enclave de pedra do Arpoador de Cazuza, entre Ipanema e a Copacabana que seria palco, a poucas horas, de um dos réveillons mais concorridos do mundo. Com o pote coletivo dos adultos perto de encher precocemente com os chopes do Informalzinho na Francisco Otaviano, que depois se mudaria dali, veio a sábia sugestão ao grupo, que as crianças adoraram, para tomarem um banho de mar todos naquele final de tarde, visando recobrar forças antes de uma noite e madrugada que prometiam.

Como seu filho já era adolescente e bom nadador, o deixou com os outros dois amigos adultos e seus respectivos filhos, ainda crianças, à beira da praia. Afastou-se deles em braçadas lentas até a parte mais solitária e profunda do Arpoador. Após nadar aluns minutos mirando às ilhas Cagarras, se virou e divisou seu grupo quase indistinto pela distância e luz já escassa, com crianças, adolescentes e adultos brincando em meio a outros banhistas, na comunhão praiana da parte mais rasa.

Relaxou o corpo com aquela visão, deixando-se boiar no leito sereno do mar, inebriado pelas carícias de Iemanjá sobre seu corpo e cabelos, “à deriva da última tarde do ano”. Antítese do João Valentão de Caymmi, só despertou dos sonhos do “sono dos peixes” quando as gotas gordas de chuva caíram sobre os olhos cerrados e escorreram pela boca semiaberta, lavando com água doce o sal dos seus lábios.

Olhou para a praia e seu grupo ainda estava lá. Virou-se de bruços sobre o mar, quebrou a coluna em ângulo de 90º e, com a experiência dos mergulhadores, deixou a gravidade levar-lhe naturalmente às profundezas. Doídos pela pressão que aumentava a cada metro de água vencido pelo movimento grave das pernas, os tímpanos ficaram atentos ao barulho próximo do motor a diesel de uma embarcação no final do horizonte.

Mais guiado pelo tato que pela visão, penetrando a água escura perto do pôr do sol, percebeu ter chegado ao fundo. Tomou um punhado da sua areia com a mão direita, verbalizou em sua mente o que tinha de dizer a quem achou que devia ouvir e voltou sem pressa à superfície. Só lá abriu os dedos para ver escorrer entre eles a areia liberta lentamente de volta ao oceano. Purificado nesse rito todo pessoal, nadou de volta à praia, em direção a mais um ano.

Como na música, emergiu do mar um homem que não precisava mais dormir pra sonhar.

 

Arpoador, Rio de Janeiro, pôr do sol de 31 de dezembro de 2013 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Arpoador, Rio de Janeiro, pôr do sol de 31 de dezembro de 2013 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

réveillon

 

dorso sobre o dorso das ondas

calmas, d’além da arrebentação

arrepiou ao cafuné de iemanjás

à deriva da última tarde do ano

 

despertou do sono dos peixes

na fisga doce da chuva à boca

mas joão, com valentia de água

sonhou acordado todas as cores

 

arpoador trespassou sua alma

em oferenda na ponta da pedra

e seu corpo no tato de um cego

doeu ouvidos atentos ao barco

pegou a areia do fundo na mão

 

rio, 02/01/14

 

 

Folha Letras de 07/08/15
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Folha Letras de 01/07/16
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Do erudito ao popular, o cúmulo da preguiça na política de Campos

Garfield

 

 

Somente ontem, pelo jornalista Alexandre Bastos, fui saber da manifestação do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) na qual, sem citar nomes, como Bastos frisou aqui, buscar responder ao artigo “Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos”, escrito por mim e publicado aqui.

Postado (aqui) em sua página no Facebook, no mesmo dia em que seu nome saía (aqui) em mais uma lista negra do Tribunal de Contas do Estado (TCE), lá mesmo o texto de Arnaldo mereceu comentários críticos às suas últimas atitudes políticas, ao decidir (aqui, aqui e aqui) apoiar a candidatura a prefeito do deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), em cuja convenção de lançamento fez (aqui) deselegantes observações públicas sobre a candidatura do próprio filho, Caio Vianna (PDT), ao mesmo cargo.

Já na timeline de Arnaldo, com palavras pouco lisonjeiras, foi como parece ter visto o comentarista Bruninho do Farol:

 

Cadeirudo

 

De qualquer maneira, intitulado “Não briguei com meu filho. Minha briga é contra os coronéis”, além de dar a dimensão de como a atitude de Arnaldo refletiu mal junto à população, seu texto parece também revelar um autor que transformou em carapuça o chapéu dos coronéis Odorico Paraguaçu, da série “O Bem Amado” (1980/84), e Afrânio de Sá Ribeiro, da novela atual “O Velho Chico” — lembrados pelo economista, analista político e articulista do jornal carioca “O Dia”, Wilson Diniz, que dialogou com meu artigo para fazer aqui suas próprias analogias com as figuras que dominam o cenário político goitacá.

 

Coronéis Odorico e Afrânio, imortalizados na TV brasileira, pelos atores Paulo Gracindo (1911/95) e Antônio Fagundes (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Coronéis Odorico e Afrânio, imortalizados na TV brasileira, pelos atores Paulo Gracindo (1911/95) e Antônio Fagundes (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Logo na abertura do seu texto, Diniz prevê o que de fato parece ter acontecido:

 

“O artigo do editor da Folha, ‘Só Freud explica’, deve ter surpreendido a classe política de Campos pela erudição como foi abordado.

“Tenho dúvidas, se uma classe política tão decadente das oligarquias mereça a abordagem que foi dada no artigo.

“Se merecem a abordagem do tema, tenho certeza que a maioria não conhece Freud e muito menos entendeu a abordagem”.

 

Do que o ex-prefeito parece realmente não ter entendido, mesmo diante de um texto montado também com referências de um grande vulto da área médica, como Sigmund Freud (1856/1939), o que claramente se entende da sua resposta é a tentativa talvez vã de passar do papel de algoz do filho ao de vítima da analogia dos seus atos com elementos da cultura universal.

Afinal, no entendimento popular, por mais que agora negue a “briga” com o filho, a imagem que ficou das palavras e atos de mais recentes de Arnaldo talvez tenha sido melhor resumida aqui, num comentário feito na democracia irrefreável das redes sociais, pelo advogado Rodrigo Bacellar:

 

— Brigou mesmo não… fez mto pior o traindo e virando as costas no momento em que mais precisava!!!!  

 

Por fim, só em relação ao “jornalismo preguiçoso” citado por Arnaldo, com a mesma elegância que este reservou ao único filho, talvez fosse o caso de lembrar que, num país governado por Michel Temer (PMDB), o cúmulo da preguiça política seria se deitar numa cama e, só por isto, querer se levantar dela vice-prefeito de Campos.

 

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Paula Vigneron — O escritor e a ficção

 

Ruínas de Atafona, 06/01/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Ruínas de Atafona, 06/01/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

O escritor brinca de Deus a cada palavra escrita, a cada frase formada, a cada texto acabado. Em prosas inacabadas. Em páginas perdidas. E isso tem a ver com a sua impotência diante de seu próprio destino. A incapacidade de, em certos momentos, traçar os caminhos. Suas vontades, por vezes frustradas, são refletidas nas ações e reações dos personagens. Os sonhos esquecidos, deixados para um depois que nunca chega, são realizados na ficção. É uma maneira de alcançar a sensação de plenitude. Irreal, sim, mas trazida para a vida como se dela fizesse parte.

O autor se transfigura e figura como Destino. Com “dê” maiúsculo. Personagem que ninguém vê ou ouve, mas que também está ali, presente nas narrativas. E, nesse momento, o escritor se torna parte de sua invenção. Escolhe os caminhos a partir do que gostaria de viver. Deixa as palavras fluírem por seus dedos, enquanto a emoção e a razão, cansadas da monotonia, se unem e constroem uma história que, por vezes, o autor gostaria que fosse a sua.

Quantos personagens largaram suas vidas em busca de algo que julgaram que lhes fosse dar prazer? Quantos finais de possíveis tragédias deram lugar à felicidade, nunca imaginada por aqueles que acompanharam a obra? Quanta coragem carrega um ser humano na ficção? Faz-se isso, afinal, para anestesiar o cansaço; os momentos de luta por causas vãs; o arrependimento de deixar para depois e perder; o não poder escolher livremente o caminho e se livrar de amarras invisíveis. Para trazer paz às mentes fragilizadas pelo cotidiano.

O escritor não escreve para o público. Ele escreve para si. Para acalmar seus conflitos. Cria universos, pessoas, histórias, sentimentos e vidas para dar vazão aos mais complexos sentimentos. Desliza os dedos sobre os teclados para não se descontrolar e perder a razão em nome da emoção. Inventa para alimentar a sua alma, carente de novidades e prazeres. Abre mão da racionalidade e se entrega à sensibilidade por meio de um mergulho na ficção para suprir o vazio causado pela não-ficção. Dá aos personagens rumos que não podem ser os de sua realidade.

O autor, ao final de mais uma história, é forçado a retomar as demais atividades a que se dedica, deixando de lado o exercício de criação. Contudo, outras narrativas invadem a sua cabeça para lembrar-lhe que a vida no mundo real continua, mas a ficção estará ao seu lado, pronta para entrar em cena quando o cotidiano se tornar denso e mecânico. Quando a sensibilidade estiver prestes a escapar. A ficção diz, com cumplicidade característica, que estará pronta a abraçá-lo e oferecer-lhe outras vidas para refazer seus próprios caminhos.

 

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