Chicão cresce e lidera sucessão de Rosinha na estimulada e espontânea

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Segundo a pesquisa do instituto Pro4, feita em de 6 de agosto, ouvindo  620 pessoas das sete zonas eleitorais do município, o candidato a prefeito governista Dr. Chicão (PR) passou a liderar a corrida à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), tanto na consulta espontânea (4,8%), quanto na estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ele ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT, 13,7%), Rafael Diniz (PPS, 13,2%) e Geraldo Pudim (PMDB, 11,1%).

Em comparação com a consulta estimulada anterior do Pro4, realizada (aqui) entre 8 e 10 de junho, o crescimento de Chicão nos últimos dois meses foi de 9,2 pontos percentuais, quase dois dígitos inteiros. Quem também registrou um expressivo aumento nas intenções de voto foi Pudim, que encostou no grupo da frente ao crescer 6,1 pontos percentuais entre as estimuladas de junho e agosto.

 

Leia a reportagem completa, com vários outros dados da pesquisa, na edição (11) da Folha da Manhã, daqui a pouco na banca e na casa do assinante 

 

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Sucessão de Rosinha — Última pesquisa na Folha desta quinta

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Nas corrida pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), dois candidatos apresentaram consistentes crescimentos nas intenções de voto. Quer saber quem são?

Então leia a edição de amanhã (11) da Folha da Manhã, que divulgará os resultados da última pesquisa do instituto Pro4, encomendada pela Folha e realizada no último dia 6, com 620 eleitores, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número 01005/2016.

 

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Guilherme Carvalhal — Cemitérios

Colaborador quinzenal do blog às quintas-feiras, em rodízio com a Paula Vigneron, o escritor e jornalista itaperunense Guilherme Carvalhal pede para avisar que, no próxima sábado (13), ele estará na Bienal do Livro de Campos, no estande da Associação de Imprensa Campista (AIC), às 19h, no evento “Autor com cachaça”. Coicindência ou não, a primeira convidada do mesmo evento, na abertura da Bienal do último sábado (6), foi a Paula:

— É uma excelente iniciativa, que ajuda a divulgar os escritores de Campos e da região! — ressaltou a também escritora e jornalista.

Abaixo, enquanto Carvalhal não desce o rio Muriaé em sua afluência com o Paraíba do Sul, segue seu conto:

 

Carvalhal 10-08-16

 

 

Assusta aos frequentadores o constante estalar de ossos enterrados. Há um regurgitar subterrâneo inexplicável, capaz de causar as mais distintas teorias. Dizem originar-se dos mortos com assuntos não resolvidos do nosso lado e seu movimentar significa uma necessidade de se justificarem ou de acertarem as contas. Outros afirmam se tratar da inveja, de passivamente testemunharem a satisfação dos vivos com os comensais materiais e eles, eternamente soterrados na penúria e na escuridão, gritavam amargurados por uma existência à qual não mais pertenciam.

Muitos cientistas tentaram encontrar uma solução para esse fenômeno. Puseram imensos e potentes estetoscópios ligados a um computador para captar a origem sonora e pouca coisa tal instrumento revelou. Utilizaram de sonares e demais mecanismo de mensuração, sem nada de estranho apontar. Um grupo chegou com uma escavadeira querendo ir a fundo na solução do mistério, mas os moradores bloquearam sua entrada, preservando o sossego de seus finados.

À parte o efeito assustador do fenômeno, muitos encontraram algum divertimento e lidavam com plena naturalidade. Havia quem ali sentasse a apreciasse os ruídos ósseos à maneira como se ouvia piar de passarinho. Uma professora de música começou a percorrer batendo com sua baqueta por diversos pontos, querendo adestrar os restos mortais em ritmo uníssono e arranjar a primeira orquestra póstuma da história. Ela também chegou a transcrever as notas em partitura, ansiosa por reproduzir a legítima música fúnebre.

O mais curioso estava nos entes dos cadáveres. Esses, não se sabe se por misticismo ou por alienação mental, afirmavam compreender perfeitamente as mensagens transmitidas por um modelo semelhante ao código morse. Captavam o barulho e redigiam seus textos, acumulando mensagens a garranchos em seus armários.

Um certo clima de saudosismo se perpetuava. Os mortos nem pareciam assim tão mortos. Um senhor me confessou sua sensação e essa reflete o contexto geral. Afirma ele que, se os mortos de fato tocam música, é para promover uma imensa e alegre festa em seu reino.

 

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O projeto arquitetônico de João Venceslau visava a meta da total igualdade. Os croquis rabiscados estabeleciam plena uniformidade nas distâncias. De qualquer portão se poderia chegar a qualquer lápide com igual gasto de tempo. Pela mesma lógica, não havia diferença alguma na incidência de sol e chuva, estipuladas as posições objetivando a total simetria.

No fim das contas, o traçado ficou tortuoso. O mosaico de curvas para atrasar a chegada aos túmulos fisicamente próximos gerava reclamações. A equidade se deu por uma via pouco lógica, sendo todos identicamente afastados. Do pó ao pó, reverberava o autor da ideia, pois se após a morte cessavam as diferenças, cabia aos vivos zelar pela autenticidade dos desígnios divinos.

A perfeição desse propósito levou a um total planejamento dos velórios e dos cortejos. Autorizavam enterros apenas se houvesse exatamente 100 pessoas na cerimônia, nem mais nem menos. As famílias dos que excedessem esse total deveriam selecionar os mais distantes e proibi-los de comparecer. As daqueles cuja vida não promovesse o alento dos demais precisariam sair à cata de pessoas até obter a cota mínima. Nos casos de mendigos e pessoas sem parente, a municipalidade contratava carpideiras para dignificar o sepultamento.

Ao longo do tempo notou-se uma insistente assimetria nas visitações. Alguns defuntos arrastavam multidões a chorar, enquanto outros eternizavam-se na solidão. A disparidade feriu aos propósitos e o arquiteto pôs-se a pensar, não satisfeito em assistir à geniosidade das pessoas maculando seu tão trabalhoso esquema. Chegou a contratar mais carpideiras para atender aos isolados e calculou uma média de visitações, limitando as visitas mais volumosas. Perpetuaram-se as discrepâncias, já que diante de alguns túmulos caíam lágrimas sinceras e em outros secas gotas forçadas. O arquiteto se entristeceu e trancou-se em seu quarto por constatar que seus esforços em padronizar a estrutura  jamais alcançariam o comportamento humano.

 

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Uma estranha convergência extraplanar se testemunha nesse local. Para se entender, é preciso  começar pelas estrutura arquitetônica. A parte térrea é composta por uma espécie de mausoléu com paginação romana. Uma estrutura normal, rodeada de arbustos e begônias. Há uma entrada larga em dupla porta marmórea e em seu interior uma escada descente.

Nos níveis inferiores ocorre o mistério. Há um complexo labirinto de entradas e saídas muitíssimo bem sinalizado por placas visíveis graças a uma luz azulada existente em todos os compartimentos sem origem especificada. À medida em que se desce se descortinam informes diversos, como um setor dos atingidos da bomba de Hiroshima ou das vítima incineradas no Hindenburg. Emersos de diversos espaços geográficos, de povoados vietnamitas, bolivianos, eslovenos, quenianos e quaisquer outros locais, se faziam presentes. Os esgares dos combalidos na peste negra, nos navios negreiros e pelas tropas de Gengis Khan assomavam pelos cantos e globalizavam o luto.

Não havia um final para aquele complexo. Por mais que se perambulasse, mais novidades apareciam e mais o visitante se perdia na quantidade infinita de residentes. Explicavam aquele local como una zona de convergência de todos os falecidos do mundo. Cada pessoa morta em qualquer local e em qualquer época ali repousava. Assim, pessoas de longínquos recantos que não puderam por força maior enterrar seus entes ali compareciam atrás de alguma proximidade. Consequentemente, pelas galerias ecoavam conversas em muitos idiomas e se prestavam homenagens das mais diversas religiões.

Por mais reconfortante que seja a possibilidade de dar um destino digno aos mortos desaparecidos, reinava ali uma lamúria multiétnica, oriunda de cada ponto cardinal e chegavam preces em tons de saudade e desespero. O vórtice de melancolia tornava esse o lugar mais triste no planeta.

 

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“A decisão de manter Gil como vice de Caio é do PSB nacional”

PSB nacional

 

 

Membro da executiva nacional do PSB e primeiro secretário do partido n RJ, Joílson Cardoso (foto: reprodução)
Membro da executiva nacional do PSB e primeiro secretário do partido n RJ, Joílson Cardoso (foto: reprodução)

“A decisão de manter nossa candidatura de vice-prefeito (Gil Vianna) em apoio a Caio Vianna (PDT) não é de uma pessoa, é da direção nacional do PSB. Nós não compactuamos com o projeto do Sr. (Anthony) Garotinho (PR). Nós vamos virar uma página na história de Campos, apostando num jovem, em direção ao futuro”. Foi o que disse agora há pouco, do Rio, por telefone, o membro da executiva nacional do PSB e primeiro secretário fluminense do partido, Joílson Cardoso.

Segundo ele, a decisão de manter a candidatura de Gil a vice em apoio à de Caio a prefeito — articulada hoje (aqui) por Wilson Sombra, ex-aliado dos Garotinho — foi não só para confirmar o que o PSB goitacá decidiu (aqui) em sua convenção do último dia 30, como também atender ao que reza a resolução nacional nº 03 do partido:

— Essa resolução tem três pontos. O primeiro, que o PSB dispute as cidades pólo do Brasil, com mais de 200 mil eleitores. O segundo, a construção de uma candidatura que expresse o modelo de gestão, voltado à população, que o PSB defende, exitoso em grandes capitais do país, como Recife (governada por Geraldo Júlio) e Belo Horizonte (administrada por Marcio Lacerda), cujas gestões são muito bem avaliadas. O terceiro ponto da resolução nacional diz que, não havendo candidatura própria do PSB, que apoiemos aquela que tiver o viés determinado pelo segundo ponto. E é o caso de Caio, que tem uma proposta de mudança para Campos, reconhecendo os acertos e avaliando os erros de quem, temos certeza, vai suceder a partir de 1º de janeiro de 2017.

Aqui, como divulgou a jornalista Suzy Monteiro, em seu blog “Na curva do rio”, Caio Vianna também se posicionou sobre o retorno do PSB à sua candidatura na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

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Ex-namorado de Clarissa retoma PSB de Campos para Gil e Caio Vianna

 

na noite de hoje (09), site do TSE já com Gil Vianna de volta à presidência do PSB em Campos (reprodução)
Na noite de hoje (09), site do TSE já com Gil Vianna de volta à presidência do PSB em Campos (reprodução)

 

Retomada mais detalhada do TSE de Gil e e sua comissão provisória no comando do PSB (repordução)
Retomada mais detalhada do TSE de Gil e e sua comissão provisória no comando do PSB (reprodução)

 

 

Golpe e contragolpePara quem achava que tinha sido encerrada a disputa de golpes e contragolpes, entre PR e PDT, pelo apoio do PSB na sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), acaba de ocorrer uma nova reviravolta: o partido em Campos voltou a ser presidido pelo vereador Gil Vianna, escolhido (aqui) em convenção, no último dia 30, como vice da chapa encabeçada por Caio Vianna a prefeito. A retomada da composição foi oficializada na noite de hoje (09), no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aberto na última sexta-feira (05), como este “Opiniões” adiantou aqui em primeira mão, esse “jogo jogado” talvez pouco ético, mas muito dinâmico, teve seu mais novo lance desferido por Wilson Sombra, ex-namorado da deputada federal Clarissa Garotinho (PR) e ex-coordenador do programa “Jovens Pela Paz” no governo estadual Rosinha (2003/07).

Considerado hábil articulador nos bastidores, Sombra conseguiu o apoio da bancada de senadores do PSB em Brasília, inclusive aqueles não muito chegados ao colega Romário Faria (PSB), para que o partido voltasse a apoiar a candidatura de Caio em Campos.

Após uma conversa de Sombra com o deputado federal Hugo Leal, presidente estadual do PSB, na tarde de hoje, o documento recolocando Gil no comando do PSB goitacá foi encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e, daí, ao TSE.

Informado pelo blog da nova manobra em relação ao controle e apoio do PSB para as eleições municipais, antes da sua oficialização, o vereador Mauro Silva (PSDB), candidato a vice na chapa governista encabeçada por Dr. Chicão Oliveira (PR), disse que até que isso constasse no sistema do TSE, os rosáceos não comentariam. Mas depois de mais essa reviravolta oficializada pelo TSE, não houve atendimento ou retorno às novas ligações.

 

Atualização às 19h41 para atualização das informações

 

Leia a cobertura completa dessa nova reviravolta na disputa da sucessão de Rosinha amanhã (10), na edição da Folha da Manhã

 

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PT de Campos ganha apoio para não fazer o que Garotinho quer

Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Por significar atender aos interesses do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), o PT de Campos não aceitará ser obrigado pela executiva nacional a lançar candidatura própria a prefeito de Campos. Diferente do PSB — onde a presidente estadual do partido, deputado federal Hugo Leal, roeu a corda (aqui) com a convenção municipal (30) à qual ele próprio compareceu (aqui) —, o PT goitacá ganhou (aqui) no senador Lindbergh Farias um aliado de peso para fazer valer sua convenção do dia 3, quando decidiu (aqui) apoiar a candidatura de Caio Vianna (PDT) na majoritária e fazer aliança na proporcional com PMN e PEN.

No mesmo dia da convenção do PT de Campos, antevendo a decisão pelo apoio Caio, Garotinho ligou ao presidente nacional da legenda, Rui Falcão, e ameaçou (aqui) retirar o apoio do PR às candidaturas petistas a prefeito em Maricá e Japeri. Mas desde o dia 19 de julho, como revelado (aqui) pela coluna “Ponto Final”, o presidente estadual do PR já vinha ligando a Falcão, para dizer que queria que o PT de Campos caminhasse com os rosáceos, ou lançasse nome próprio a prefeito. O objetivo sempre foi evitar que candidaturas da oposição com chances reais ficassem com o generoso tempo (aqui) de propaganda eleitoral petista.

— Não vamos aceitar ameaças do “Seu” Garotinho. Historicamente, sempre fomos oposição a ele em Campos. E o PT de Campos decidiu democraticamente, em sua convenção, apoiar Caio Vianna a prefeito, candidato por um aliado histórico nosso que é o PDT, para ter a chance de eleger um vereador na aliança proporcional. Até a quarta-feira (10), estarei mergulhado na questão do impeachment da presidenta Dilma (Rousseff, PT) no Senado. Mas depois disso, vou me debruçar pessoalmente sobre essa questão de Campos. Antes mesmo da reunião do diretório nacional (marcada para o dia 15), espero ter uma solução para o problema — estimou Lindbergh.

O “problema” ao qual o senador se refere é que, no dia seguinte à convenção municipal petista e das ameaças de Garotinho, a executiva nacional do PT fez uma indicação, em reunião do dia 4, para o lançamento de candidatura própria em Campos. Mas o presidente goitacá do partido, André de Oliveira, se mostrou seguro ao afirmar ser algo contornável:

— Um indicativo não tem o grau de imposição que a executiva nacional adotou, por exemplo, no município fluminense de Queimados. Não tem o poder de anular a nossa ata de convenção. Para mim e para o PT de Campos, o que está valendo é o apoio a Caio na majoritária e a aliança na proporcional com PMN e PEN. Não levo em conta essa questão do indicativo.

Ex-vereadora e candidata a voltar à Câmara Municipal, a professora Odisséia Carvalho é uma das mais empenhadas em não se submeter o PT goitacá aos interesses de Garotinho:

— Entramos com recurso hoje (ontem) pela manhã, solicitando a revisão desse indicativo da executiva nacional. Amanhã (hoje), estarei no Rio para conversar com o (Washignton) Quaquá (presidente estadual do PT). E na quinta (11), vou a São Paulo, tratar da questão diretamente com o Rui Falcão. Se for preciso, ocupo a sede do PT em São Paulo. Mas eles não vão acabar com o PT de Campos. Candidatura própria ou apoiar Garotinho é a mesma coisa.

Apontado como opção de candidatura própria, caso o indicativo se convertesse numa intervenção sobre o PT de Campos, o professor Aleandre Lourenço diz que prefere respeitar a convenção:

— Acho que não vai ter intervenção. Sobretudo, depois da vitória de Garotinho pelo apoio do PSB. Vou ser candidato a vereador pelo PT e vou ganhar a eleição, disputando cabeça a cabeça com Odisséia e Alessandra Faez (PMN).

 

Página 2 da edição de hoje (09) da Folha
Página 2 da edição de hoje (09) da Folha

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

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PSB e PT — Leal do nome ao adjetivo nas disputas da política goitacá

Ponto final

 

 

Leal?

Leal! Raras vezes o nome próprio esteve mais distante do significado do adjetivo, quanto no deputado federal batizado Hugo, que ora preside o PSB fluminense. No jogo de golpes e contragolpes entre PDT e PR pelo PSB de Campos, adiantado (aqui) desde sexta-feira (05) pelo blog “Opiniões”, se estendendo (aqui, aqui e aqui) pelo final de semana, quem parece ter levado a melhor no final foi (aqui) o presidente estadual do PR Anthony Garotinho.

 

Trabalho coletivo

De longe o melhor que há na blogosfera alinhada aos rosáceos, o Ralfe Reis foi ontem (8) o primeiro a adiantar (aqui) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia oficializado a nova executiva goitacá do PSB. Indicada pessoalmente por Garotinho, ela veio presidida por Altamir Bárbara Junior, filho e homônimo do decano vereador da base governista. E para provar que jornalismo é trabalho coletivo mesmo na competição, a postagem de Ralfe se fez ilustrar com uma montagem da Folha da Manhã, assinada por seu editor de arte, Eliabe de Souza.

 

Boi voou

Se desde domingo (07) a reportagem da Folha tentou contato com Leal, por seus números do Rio e Brasília, sem sucesso ou retorno, o deputado estadual João Peixoto (PSDC), aliado de Caio, teve mais “sorte”. Oposto mais uma vez ao nome, disse Leal: “Isso tudo é muito constrangedor, porque eu participei (aqui) da convenção do PSB em Campos que deu o apoio do partido à candidatura de Caio (Vianna, PDT) a prefeito e seu vice na chapa (vereador Gil Vianna). E estamos sofrendo toda essa pressão (de Garotinho) para mudar o diretório. Mas vou reverter isso”. Indagado se acreditou, Peixoto respondeu: “Vou repetir Paulo Feijó (PR): ‘Só falta boi voar’!”.

 

Mesmo adjetivo

Poucas horas depois, o jornalista Alexandre Bastos publicou a ata da nova convenção do PSB, na qual o partido se lançava sozinho na proporcional, dando apoio na majoritária à candidatura de Dr. Chicão (PR). Curioso que, como Leal e referendado pelo mesmo adjetivo, Caio não retornou às ligações da Folha feitas desde sexta por quem revelou a disputa. Assim como fez ontem Gil Vianna, talvez amargando o mesmo gosto que já proporcionara (aquiaqui e aqui) a Rafael Diniz, candidato a prefeito do PPS com quem antes havia empenhado a palavra de compor chapa. À espera do senador Romário (PSB), Gil acabou só, na linha do impedimento.

 

Lições

Se tiver melhor sorte com o PT, cujo apoio também disputa nos bastidores com Garotinho, Caio deverá essa aos petistas locais como André Oliveira, Alexandre Lourenço e, sobretudo, a ex-vereadora Odisséia Carvalho — que ontem ganharam o apoio do senador Lindbergh Farias, como a Folha revela em reportagem na página 2. Definido se terá ou não o generoso tempo de propaganda do PT, o jovem pedetista poderá aprender que a pré-campanha acabou. E, como seus aliados mais experientes já lhe cobram, que campanha se faz é na rua.

 

Espaço reduzido

Este ano, quem passou pela nona edição da Bienal do Livro de Campos, que acontece no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), se surpreendeu com a redução do espaço destinado aos estandes — 27, enquanto em 2014 eram 56 — e aos debates, que estão sendo promovidos apenas na Arena Cultural e no Café Literário.

 

Nomes

A ausência de nomes do cenário nacional — principalmente após o cancelamento da participação da jornalista Leda Nagle — e de mesas sobre assuntos pouco relacionados à literatura, como moda, crise e beleza, também foram outros aspectos criticados pelos visitantes campistas. À parte dessas críticas, o público tem elogiado os valores dos livros à venda no Cepop. Obras sobre diversos assuntos, como jornalismo, direito e medicina, e de literatura podem ser encontrados a partir de R$ 5.

 

Com a colaboração das jornalistas Suzy Monteiro e Paula Vigneron

 

Publicado hoje (09) na Folha da Manhã

 

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Carol Poesia — Não conseguia transar

 

(“Menage-a-trois”, grafite e tinta grafite sobre papel de Armin Mermann)
(“Menage-a-trois”, grafite e tinta grafite sobre papel de Armin Mermann)

 

 

 

 

Não conseguia transar

 

Amava, mas não conseguia.

Sentia vontade, imaginava, queria… Mas na “hora h” simplesmente desistia.

Não estava ali.

Começava, continuava e se distraía.

O marido chorava, grunhia, não entendia.

Ela o queria, mas queria mais a poesia.

 

Então num dia ardente,

Chegou do trabalho e foi esquentar a comida.

No celular, uma sequência de Ney Matogrosso ela ouvia.

De repente, uma música diferente, uma sequência nova,

uma quentura, uma taquicardia…

Teve que se afastar do fogo, alguma coisa a acometia!

Levou-se trêmula ao tapete da sala. Caiu no chão. Se contorcia!

Se contorcia a cada verso cantado! Se contorcia ao som da melodia!

E se lanhava e se queria!

Aquela música… Uma sinfonia!

Ficou de bruços e se espremia. O tapete. Espremia.

Escapavam-lhe as sandálias, os anéis, as pulseiras, a gargantilha.

Saía-lhe o vestido, o batom, o sutiã, a roupa íntima.

Respirava com dificuldade, tremia.

Não se cabia de tanto prazer.

 

A música, que ocupava a casa inteira,

a tomara de primeira e a comia.

 

A comida queimou no fogo.

O marido chegou. Não entendia…

Ela, ofegante, com dificuldade, se levantou.

Olharam-se como nunca. Estavam nus, pela primeira vez.

 

E, finalmente, aceitaram a poligamia.

Passaram a transar a três:

ele, ela e a poesia.

 

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PT de Campos, com apoio de Lindbergh, por Caio e contra Garotinho

Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Lindbergh Farias comprou a briga do PT de Odisséia Carvalho, André Oliveira e Alexandre Lourenço, contra os interesses de Garotinho (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Se a candidatura de Dr. Chicão (PR) conseguiu tirar o PSB e o vice (Gil Vianna) do oposicionista Caio Vianna (PDT), levando o partido para a base de apoio da chapa governista à sucessão de Rosinha Garotinho, a pergunta que restou é: presidente estadual do PR, Anthony Garotinho conseguirá fazer o mesmo com o PT de Campos? A depender dos petistas locais, que ganharam apoio de peso com a entrada no jogo do senador Lindbergh Farias (PT), a resposta é não.

Como a coluna “Ponto Final” adiantou (aqui) desde 21 de julho, dois dias antes (19) Garotinho havia pedido ao presidente nacional do PT, Rui Falcão, que o PT de Campos marchasse com o PR em outubro, ou lançasse candidatura própria, visando impedir que uma candidatura de oposição com chance real levasse o generoso tempo de propaganda do PT, como alertado aqui desde 2 de julho. Ocorre que, em sua convenção municipal, de 3 de agosto, o diretório municipal do PT goitacá decidiu (aqui) caminhar com Caio na majoritária, coligando na proporcional com PMN e PEN.

 

 

Leia a matéria completa na edição de amanhã (09) da Folha da Manhã

 

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João Peixoto após falar com Hugo Leal: “Agora só falta boi voar!”

João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
João Peixoto (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Antes da divulgação (aqui) da ata da nova convenção do PSB de Campos, já assumido pela executiva determinada pelo secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), o blog falou com o deputado estadual João Peixoto (PSDC), que tinha falado à tarde com o deputado federal Hugo Leal, presidente estadual do PSB, com quem este “Opiniões” tentou contato diversas vezes desde ontem, em seus números do Rio e Brasília, sem sucesso ou retorno.

A Peixoto, no entanto, Leal não só atendeu, como teria garantido:

— Isso tudo é muito constrangedor, até porque eu participei  da convenção do PSB em Campos, que deu o apoio do partido à candidatura de Caio (Vianna, PDT) a prefeito e seu vice na chapa (vereador Gil Vianna). E estamos sofrendo toda essa pressão (de Garotinho) para mudar o diretório. Mas vou reverter isso.

Indagado que, se era para evitar constrangimento, Hugo Leal poderia simplesmente não permitir a nomeação do novo diretório do PSB em Campos, indicado por Garotinho e que hoje passou a constar oficialmente (aqui) no registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Peixoto, que continua apoiando Caio, respondeu:

— Vou repetir o deputado (federal) Paulo Feijó: “Agora só está faltando boi voar!”.

 

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No TSE, Garotinho ganha queda de braço pelo PSB com Caio

Noticiada primeiro neste “Opiniões” (aqui), desde sexta-feira (05), a briga pelo PSB em Campos entre Caio Vianna, candidato a prefeito pelo PDT, e o secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), acabou se estendeu pelo sábado (06) aqui, aqui e aqui parece ter definida apenas hoje (08), com a aparente vitória do marido da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

O sistema  do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diferente de ontem, quando ainda mostrava (aqui) Gil como presidente municipal, passou hoje a ter como novo presidente Altamir Bárbarba Junior, filho do vereador Altamir Bárbara (PSB), vereador da base governista.

O blogueiro Ralfe Reus foi primeiro a noticiar (aqui) a nova reviravolta nesse jogo de golpes e contragolpes disputado entre PR e PDT pela posse do PSB local, que em sua convenção municipal do último dia 30 definiu seu apoio a Caio e lançou o vereador Gil  Vianna a vice na chapa encabeçada pelo jovem pedetista. Tudo diante presença do presidente estadual do PSB, deputado federal Hugo Leal.

Assim, no questionamento feito aqui pelo próprio Ralfe, ainda na noite de ontem, “Agora resta saber se a ‘palavra empenhada’ (de Hugo Leal) é com os Garotinho ou com os Vianna”, os primeiros parecem ter levado vantagem — muito embora houvesse quem, mesmo tendo passado a usar só recentemente o segundo sobrenome, já estivesse comemorando desde ontem (aqui) essa aparente derrota de Caio.

 

No TSE, PSB de Campos não está mais sob a presidência do vereador Gil Vianna, candidato a vice na chapa de Caio, mas de Atamir Bárbara Junior, filho do vereador Altamir Bárbara (PSB), aliado de Garotinho (reprodução)
No TSE, PSB de Campos não está mais sob a presidência do vereador Gil Vianna, candidato a vice na chapa de Caio, mas de Atamir Bárbara Junior, filho do vereador Altamir Bárbara (PSB), aliado de Garotinho (reprodução)

 

Atualização às 19h39: Acompanhe a reportagem na íntera na edição de amanhã (09) da Folha da Manhã

Atualização às 19h46: Aqui, o jornalista Alexandre Bastos divulgou a ata da nova convenção do PSB, pela qual o partido irá concorrer sozinho no pleito proporcional e com Dr. Chicão (PR) para prefeito

 

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Fabio Bottrel — Folhetim Contemporâneo

Bottrel 06-08-16

 

 

Toda segunda sexta-feira do mês a Folha Letras traz um capítulo do romance folhetinesco Quando Nasce um Ser Humano, no dia 12 desse mês será publicado o sétimo capítulo. A ideia surgiu dos folhetins nascidos nos jornais franceses em torno de 1830, pós-Revolução Burguesa, impulsionada pelo romantismo, como destaca Marlyse Meyer em Folhetim: uma história. Cresceu em meio a Revolução de 1848 e entre as lutas e o massacre de operários foi proibido, retornando com a etiqueta pejorativa de “romance popular” informa Haickel em Folhetim: um fenômeno literário: “(…) data do Segundo Império (o regresso do folhetim), no reinado de Ponson du Terrail, autor de Rocambole, uma delirante narrativa que se arrastará por 13 anos, que culmina mais tarde com a Guerra Franco-Prussiana em 1870 e 1871 com a morte do autor; vem a Comuna de Paris, nasce também o folhetim da terceira fase, os romances das vítimas, retornando à consagrada receita, com um outro recado, mais conservador, onde irá se destacar, entre outros, Xavier de Montepin.”

Com Machado de Assis e José de Alencar dentre seus escritores brasileiros, o folhetim fez muito sucesso no Brasil alcançando seu apogeu no final do século XIX e deixando uma vasta técnica de dramaturgia esmiuçada ponto a ponto por seus herdeiros no rádio e logo depois na televisão, tais como os ganchos no final dos capítulos para prender a atenção do leitor e manter seu interesse no próximo, abordagens de temas polêmicos e narrativa fluida como uma correnteza forte. Os folhetins escritos pelos nossos autores logo depois eram editados e publicados em forma de livros, como A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo. Mas a nossa proposta de folhetim contemporâneo foi ao avesso, estreei adaptando um romance de minha autoria à estrutura folhetinesca e o resultado você pode acompanhar todos os meses na Folha Letras do jornal Folha da Manhã, e nessa publicação de hoje com o primeiro capítulo.

Espero que goste!

 

 

Sugestão para escutar enquanto lê: Adagio for Strings – Samuel Barber

 

 

 

 

CAPÍTULO 1

 

Ao nascer um ser humano, mais de 1.200 animais serão sacrificados e seu pequeno corpo produzirá 40 toneladas de excremento e lixo. Se Deus assemelha-se a nós, todas as esperanças estão perdidas.

 

— Não deixe o meu filho morrer!!!

Com as mãos e braços banhados em sangue, Jéssica escuta o último suspiro da mulher deitada à sua frente.

— Salve o meu filho…

Trêmulas palavras palpitam as lágrimas lavando os poros cobertos de suor sobre a palidez da pele, confirmando a hemorragia que acabara de sofrer. Um leve gemido é solto sobre o ar quente, as veias haviam sumido das mãos sem movimento, a jovem está perdendo suas forças e as chances de não chegar a conhecer o filho são grandes.Há poucos minutos sua pressão subiu drasticamente e saiu do controle, sofrendo uma anoxiaintrauterina, podendo causar a morte do feto prestes a nascer.

Enquanto o sangue pingava de seus braços, Jéssica se sentia na pele da mulher que tentava salvar, o aumento da pressão ocasionou um abrupto descolamento da placenta, gerando uma hemorragia, em alguns minutosmataráa jovem se o bebê não nascer a tempo.

Os olhos nervosos dos ajudantes acostumados com os incidentes corriqueiros naquele canto de mundo assustaram-se ao perceber o tempo suportado pela jovem após tanto sangue derramado. A cama improvisada com esteiras de palha havia sido pintada de vermelho-sangue, lágrimas e esperanças. Pintura abstrata, que vem do corpo, mas não se faz dele. Pintura triste, só quem enfrenta a vida vê sentido.  A preocupação com o filho, cedendo sua própria vida em prol do nascimento, emocionara a todos, alcançou o pleno significado de mãe, doadora da vida, doadora das lágrimas, doadora dos sorrisos. Sem nenhum tipo de formação, os que ali ajudam observam atentos a todos os gestos da médica, que luta para salvar o neném junto com a mãe.

Escuta-se um grito. Jéssica levanta sua mão deixando o sangue vivo escorrer por todo o seu braço até chegar ao ombro e essa umidade vermelha fez com que o vento da noite, entrando pela janela da cabana e deparando-se com o seu braço esticado, se tornasse o alivio da sua pele torturada pelo calor e a respiração ofegante de todos os que ali compunham o parto. Refrescou-se com sangue.

No alto da sua mão, o bebê recém-nascidochora alto, forte, resplandecente para toda a tribo que lá fora esperava escutar o timbre de um pulmão puro se enchendo com o ar da floresta. Ali mesmo o pequenino abraçou a alma de sua mãe, que partiu com um sorriso merecido do seu nascimento.

Toda a tribo se ajoelhou e juntos entoaram cânticos ao ver o menino pela janela, seguro pelas mãos de Jéssica e banhado pela luz do lampião. As mãos foram dadas e um som uníssono — que nenhum coral poderia repetir com tamanha paixão — foi solto ao mundo, pedindo para que o vento levasse as suas vozes para outros ouvidos e outras bocas com os desejos de uma vida melhor para aquele pobre garoto.

Jéssica enrolara o bebê em um manto branco tão fino chegando a ser transparente, desceu os degraus de bambu que rugiam com a dificuldade em suportar o peso de seus pés e o entregou a uma idosa de aparência saudável e inabalável.Sua pele era toda enrugada pelo tempo, marcas de uma vida dura. Sua cor fora moldada pelo sol e bronzeada pela dor, era a mulher do cacique e quem cuidaria daquela criança.

— Amanaiara aeté aiyara —  diz a idosa revelando os olhos lacrimejantes ao desgrudá-los do bebê e fixá-los aos olhos de Jéssica.

Com um aceno delicado para a cabana, quase levantando voo com o vento forte batendo nas suas pontas de piaçaba:

— Amanaiara aeté aiyara — repete a velha, aparentando ter previsto a morte da jovem ao dar à luz.

Jéssica não entende as palavras pronunciadas em tupi, mas sabia da sua inerência à partida da alma dentro da cabana. A única coisa que ela podia fazer era lamentar junto com a índia, mas o tom de voz forte pronunciado pela senhora de cabelos selvagens não era de lamento; de conformismo, talvez. A médica achou melhor voltar para a cabana e confirmar a passagem da morte por ali.

— A mãe da chuva elevou a filha — disse um índio antes de Jéssica adentrar a cabana.

— Foi isso que ela disse.

Com os cabelos grisalhos ondulados pelos ventos fortes solapando a sua face, a sábia olha para a noite e sussurra para toda a infinidade que dela vem:

— Amanajé abequar amanara abirú acemira…

— Mensageiro que voa em dias chuvosos repleto de dor.

Ergue a criança como se ofertasse ao seu Deus e nesse momento um clarão acompanhado de um grande estouro assusta a médica. Era a chuva chegando, fria, linda, lavando as almas e o sangue que escorria do bebê erguido por ombros gigantes.

As gotas grossas caíam da escuridão e batiam no manto do recém-nascido, faziam-no desaparecer com a sua transparência, como um guardanapo se desfaz ao se molhar. Do mesmo modo, acontecia com a blusa branca usada por Jéssica, revelando seus seios tal como as outras índias presentes.

A médica volta ao local do parto e senta-se ao lado da jovem. Olhava com delicadeza a linda pele morena, lábios finos e novos enquanto a alma se esvaía deixando apenas o estupor do corpo vazio. Uma lágrima escorre em silêncio na pele fria, perdendo o seu brilho e a vida enquanto o vento levita o manto que cobrirá o sorriso da recém-mãe, recém-heroína, recém-morta. Põe-lhe a mão na testa, fecha seus olhos que já não mais enxergam as dores do mundo e lhe deseja que descanse em paz.

Assim como o menino, Jéssica abraçou a alma de sua própria mãe ao nascer.

 

***

 

Debaixo da tempestade, Jéssica corre entre as cabanas de piaçaba até chegar ao local onde estacionou o carro. O cheiro de terra levantado pela chuva não se fazia mais presente, pois tudo virara lama, contrastando com o branco do seu uniforme camuflado com barro dos pés aos joelhos.

— Ei!!! Doutora!!!

Escutou o grito em sua direção até chegar aos seus ouvidos molhados, vinha de um homem emergindo desesperado da escuridão na floresta. A médica parou e se pôs a escutar.

— Precisamos de ajuda!!! Rápido!!!

A chuva não dava trégua enquanto ela corria para dentro da mata junto com o homem, sendo guiada apenas pela lanterna e pelo grito de outro rapaz que aparentava estar ferido em algum lugar dentro da floresta, sentiu a luz da lanterna banhando seus seios nus pela transparência da camisa e teve medo do homem. Ao adentrar a mata deparou com uma imensa escuridão e mais uma vez, teve medo do homem. Os galhos grossos e espinhentos lhe cortavam a calça e um despercebido lhe arranhou a face,imaginou que os pingos de chuva escorrendo de seu rosto fosse sangue, as pernas tremiam, não pelo frio, mas pelo nervoso de entrar em uma mata fechada, na escuridão da noite, em plena tempestade e com dois homens que ela nunca vira antes. Só foi perceber onde tinha se metido quando já estava dentro do problema. A morte da mulher ainda permeava seus pensamentos e a deixara desnorteada quanto às circunstâncias que lhe acabaram de submeter. Um enorme clarão descendo rente a uma árvore lhe surpreendeu; por um segundo, todo o mundo se iluminou, toda a natureza se mostrou e gritou logo em seguida um enorme estouro, um trovão. Jéssica já não sabia mais como voltar…

 

Continua…

 

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