Romário entra em campo por Gil e PSB, sem intervenção, se mantém com Caio

Até a noite de hoje, não houve nenhuma intervenção estadual no PSB de Campos que mudasse o acerto do firmado na convenção do dia 30, entre Hugo Leal, Caio e Gil Vianna (foto: repordução)
Pelo menos até a noite de hoje, não houve intervenção estadual no PSB de Campos que mudasse o acerto firmado na convenção do dia 30, entre Hugo Leal, Caio e Gil Vianna (foto: reprodução)

 

 

Anunciada por uma fonte rosácea de quatro costados, a intervenção estadual no PSB de Campos, visando tirar a legenda da base de apoio do candidato a prefeito Caio Vianna (PDT), não ocorreu até o início a noite de hoje (5), último dia para as convenções partidárias. Pelo menos até amanhã (6) e, provavelmente, até segunda-feira (8), continuará valendo o resultado da convenção municipal do PSB do último dia 30, quando o partido indicou o vice na chapa Caio e Gil Vianna — este, presidente local do partido que seria alvo da intervenção.

A intervenção teria chegado a ser acordada hoje entre os presidentes estaduais do PSB e do PR — respectivamente, o deputado federal Hugo Leal e o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho. E giraria em torno pedido do apoio do PR à candidatura socialista de Felipe Peixoto a prefeito de Niterói, pelo qual Garotinho cobrou a intervenção estadual no PSB de Campos, para que o partido caminhasse com os rosáceos. Depois de ser parentemente aceita por Hugo, a reação do senador Romário, ex-presidente estadual do PSB e padrinho político de Gil, foi fundamental para que não se concretizasse, pelo menos por hoje.

Uma fonte estadual do PSB, ligada a Romário, definiu assim a questão:

— Falei com o Felipe por telefone. Ele me disse que o PR em Niterói não tem nem nominata montada. A única coisa que poderia dar à candidatura dele a prefeito, em Niterói, seria tempo de TV. Daí eu perguntei: “Você prefere esse tempo de TV do PR, ou Romário na sua campanha?”. Precisa dizer o que ele respondeu?

O blog fez contato com Felipe Peixoto. Evasivo e aparentemente nervoso com as perguntas, ele disse que só quem poderia falar sobre o caso seria Hugo Leal, que estava na cerimônia de abertura das Olimpíadas, no Maracanã.

Consultado, o advogado João Paulo Granja disse que há base na legislação eleitoral para a mudança da chapa, no caso de intervenção np PSB, mesmo após o fim do prazo das coligações, mas dependendo dos motivos alegados para uma eventual anulação:

— Nos termos do artigo 7º da Lei 9.504/97, as deliberações das instâncias superiores dos partidos deverão ser observadas pelas inferiores. Desta forma, caso a convenção partidária municipal fira a deliberação da direção estadual e/ou nacional, tornar-se-á possível a anulação da referida convenção partidária, devendo ser tal fato comunicado à Justiça Eleitoral  no prazo de 30 dias a contar da data limite para o registro dos candidatos, podendo ensejar, inclusive, a escolha de novos candidatos.

Em sentido contrário ao do jurista, mesmo antes de ter  ameaça de intervenção hoje contida pela reação de Romário, Gil ressalvou:

— A convenção foi feita (aqui) no sábado (30), inclusive com a presença do próprio deputado Hugo Leal. Seu resultado foi homologado e registrado no TRE desde segunda-feira (01). Eles podem agora me tirar da presidência do partido, mas não da chapa de Caio.

Além da composição em Niterói, uma confusão na convenção municipal do partido no Rio de Janeiro, na noite de ontem, também teria contribuído com a tentativa de acordo com o PR em Campos. Segundo uma fonte estadual do PSB:

— Leal defendia o apoio do partido à candidatura do (deputado federal) Índio da Costa (PSD) à Prefeitura do Rio. Aí o Luiz Alfredo salomão, da executiva municipal carioca, veio e rachou, propondo o apoio à candidatura do (senador) Marcello Crivella (PRB). Deu uma confusão, apagaram as luzes e a convenção nem terminou. A decisão agora cabe à (executiva) nacional. Embora tudo indique que o partido vá ficar mesmo com Índio, isso enfraqueceu o Leal. Daí esse acordo com o PR.

 

Atualizado às 20h46 para complementação e correção de informações

 

Atualização às 23h15 para complementação e correção de informações

 

Leia amanhã (06) a reportagem completa na Folha da Manhã

 

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Alexandre a prefeito pelo PT — O que ele ganharia e quem sairia perdendo

Alexandre Lourenço
Professor Alexandre Lourenço (foto: Folha da Manhã)

Se a convenção do PT que fechou o apoio à candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT) for mesmo anulada, o professor Alexandre Lourenço vai aceitar a espinhosa missão — como o jornalista Alexandre Bastos revelou aqui  de representar o partido na disputa majoritária?

Indagado diretamente pelo blog, ele respondeu estar pensando, que vai conversar com seu grupo político — chamado “Resistência de esquerda” e composto majoritariamente de professores —, sua companheira e sua família.

Se aceitar, ele perderá a chance de ser o vereador que o PT pretendia eleger, coligado na proporcional com PMN e Pros, partidos da base de Caio.

Mas com a exposição de um minuto na propaganda eleitoral de TV à tarde e noite, mais oito spots de 30 segundos, todo dia dos 35 de campanha, entre 27 de agosto e 30 de setembro, mesmo sem chance real de ganhar a Prefeitura em 2014, ele pode deixar um residual para tentar se eleger deputado estadual em 2016.

Sujeito sério e probo, Alexandre construiu sua vida pessal e pública no lado oposto das práticas de corrupção do seu partido — que quebraram o Brasil, jogaram na cadeia algumas das suas principais lideranças e transformaram o PT em campeão nacional de rejeição popular.

Jovem e articulado, o petista se aproxima, individualmente, daquele perfil que o eleitor campista parece buscar e pode encontrar também refletido no rosto de Rafael Diniz (PPS), de Rogério Matoso (PPL) e de Caio.

Não por outro motivo, se a convenção da municipal for anulada pelos motivos antecipados aqui, aqui e aqui, com Alexandre candidato a prefeito, além de um Caio esvaziado do generoso tempo de propaganda do PT, Rafael e Rogério também sairiam perdendo.

Na base da eliminação, Rafael e Rogério esperavam herdar os cerca de 15 mil votos que a esquerda, apesar da sua decadência em toda a América do Sul, ainda mantém em Campos e cuja migração ganharia, com Alexandre, um destino bem mais familiar.

 

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Torcida contra PT com Caio une campanha de Rafael e rosáceos

Juntos e misturados

 

 

O que não está no “Ponto Final” de hoje, mas deveria, é que não são só os rosáceos que estão torcendo para que o PT nacional anule a convenção do PT de Campos que deu apoio (e tempo de TV) à candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito.

Nessa mesma torcida pela imposição da candidatura própria do PT na majoritária, tem dado até para confundir o pessoal da campanha de Rafael Diniz (PPS) — quem diria? — com os rosáceos.

Quem tive alguma dúvida, que leia aqui, no Blog do Bastos, como o professor Alexandre Lourenço, jovem promissor que teria chance na eleição a vereador numa nominata decente, já está sendo “cogitado” para ir ao sacrifício na candidatura majoritária do PT.

 

 

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Tempo de TV por nominata — PT de Campos vira cabo de guerra entre PDT e PR

Ponto final

 

 

Vai valer a convenção do PT?

Vai valer a convenção municipal do PT que, na noite de quarta (03), decidiu (aqui) apoiar Caio Vianna (PDT) a prefeito? A verdade é que nem o presidente do partido em Campos, André Oliveira, foi dormir ontem (4) sabendo. Mas ciente de que a candidatura própria do PT a prefeito vinha perdendo espaço (aqui) nos últimos dias, pela impossibilidade do partido eleger um vereador com ela, o marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR) ligou desde quarta ao presidente nacional petista, Rui Falcão, no sentido de impedir o sensível reforço de tempo de propaganda na campanha de oposição de Caio.

 

Líder rosáceo está certo

O pior para seus (muitos) críticos, sobretudo no PT de Campos, é que não se pode nem negar que o secretário de Rosinha não esteja no seu direito. Também presidente estadual do PR, ele foi procurado por seu congênere petista, o folclórico prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que lhe pediu de ajuda há cerca de seis meses. Como seu candidato a sucedê-lo em Maricá, o deputado federal Fabiano Horta (PT), havia perdido o Pros, Quaquá pediu ao líder rosáceo o apoio do PR. Este aquiesceu, mas impôs como condição que os petistas apoiassem o PR em Campos, ou pelo menos lançassem uma candidatura própria.

 

Os furos de Quaquá

O raciocínio era — e continua sendo — de que nenhuma candidatura própria a prefeito do PT de Campos teria qualquer chance real, mas impediria quem tivesse de ter acesso ao generoso tempo de propaganda do partido. Ao antecipar que, sozinho, o PT do seu município não teria possibilidade de eleger nem um vereador, o secretário de Rosinha chegou a oferecer lá atrás uma das suas legendas de apoio a Quaquá. Mas este recusou, dizendo contar com a coligação com o PC do B de Campos, cuja presidente de candidata a vereadora, professora Odete Rocha, preferiu marchar junto à candidatura a prefeito do ex-vereador Rogério Matoso (PPL).

 

Sem apoio, Caio

O “combinado” de Quaquá bate não só com as fontes governistas que revelaram a conversa de seis meses atrás, como com os petistas locais que, até bem recentemente, ainda defendiam a candidatura própria, contando com a promessa — não cumprida — da executiva estadual de arrumar outra legenda para formar nominata de vereador. Sem tê-la, por parte do próprio partido, não restou outra alternativa se não buscá-la no PMN e no PEN, partidos da base de apoio de Caio e objetivo prático do apoio fechado na convenção do PT goitacá.

 

Briga por cima

Agora, a briga (aqui) pelo tempo de propaganda do PT na campanha a prefeito de Campos, único atrativo num partido de grande rejeição popular, será travada por cima. De um lado, o secretário de Rosinha, ameaçando tirar o apoio do PT não só em Maricá, mas em todos os municípios nos quais dependa do PR — como em Japeri, onde o deputado estadual petista André Siciliano conta com o apoio do partido dos Garotinho para se eleger prefeito. Do outro, brigando por Caio, está Carlos Lupi, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff e presidente nacional do PDT, aliado histórico do PT. O resultado será conhecido nos próximos dias — ou horas.

 

Matoso no páreo

Confirmado ontem como candidato à Prefeitura de Campos, Rogério Matoso foi mais um que terminou de pé após todas as articulações e reviravoltas nos bastidores. Mesmo no pequeno PPL, ele conseguiu tirar dois partidos que estavam mais próximos do pedetista Caio Vianna: Pros e PCdoB. Apontado nos bastidores como uma possível “linha auxiliar” dos rosáceos, Matoso disparou: “Sempre fui oposição a esse desgoverno que quebrou Campos. Meu acordo é com as pessoas que estão cansadas de enganação”. De olho nos votos da esquerda e das mulheres, ele conta em sua chapa com a universitária Gabriela Mariano, do PC do B.

 

Com a colaboração do jornalista Alexandre Bastos

 

Publicado hoje (05) na Folha da Manhã

 

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Para além da tragédia grega: a comédia

Tragédia & comédia

 

 

Tenho José Paes Neto na mais elevada conta como pessoa, advogado e homem público. Mas acabei falando ontem (aqui) do ex-prefeito Arnaldo Vianna, em sua tentativa (aqui) de responder ao artigo “Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos” e acabei esquecendo de falar que, em seu artigo publicado ontem (04) na Folha, Zé Paes escreveu:

— O que se viu nos últimos dias, para muito além de uma tragédia grega, revela de forma muito clara a que ponto a velha política campista pode chegar(…)

“Para muito além” da tragédia grega, difícil pensar em algo que possa existir nesta nossa alquebrada Civilização Ocidental — Campos incluída. Talvez só a comédia.

 

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Do blog ao impresso, em verso e prosa, Folha Letras chega hoje à 10ª edição

“Poeta de horas vagas e concursos literários”, como definiria em verso meu amigo Adriano Moura, dediquei todo domingo neste “Opiniões”, entre março de 2015 e janeiro deste 2016, à divulgação de um ou mais poemas, sempre com uma apresentação em prosa.

Independente do que já tenha feito antes ou depois por aqui, confesso que aqueles domingos eram os mais prazerosos para mim na lida blogueira — com paralelo, apenas, na cobertura que este espaço virtual dedicou diuturnamente à Copa do Mundo de 2014.

Mas o fato é que veio 2016 e suas pesadas demandas de ano eleitoral, deixando pouco ou nenhum tempo para a confecção daquelas postagens dominicais que me eram tão caras — geralmente na sequência da divulgação da minha própria produção poética, de outro autor local, de um cânone da poesia brasileira e outro da poesia universal.

Foi na intenção de suprir esse hiato forçado pelo jornalismo político na literatura, que o blog resolveu convidar os escritores Fabio Bottrel, Guilherme Carvalhal, Paula Vigneron, Ocinei Trindade e Carol Poesia como colaboradores, para manter aceso o que não cabe ser extinto.

Além disso, para aproveitar no jornal impresso aquela produção virtual de quase um ano dedicado semanalmente à poesia, passei a assumir a produção da Folha Letras, na contracapa da Folha Dois, a cada primeira exta-feira do mês, em revezamento com Bottrel, com um autor da Academia Campista de Letras (ACL) e com o historiador, ambientalista, professor, crítico de cinema e escritor Aristides Soffiati, meu capitão.

Como a minha era uma produção prévia do blog que passou a ser adaptada ao jornal, não cheguei a reproduzir neste “Opiniões” o que daqui saiu para estampar a primeira Folha Letras de cada mês, até perceber que com a edição de hoje, já foram 10 as que escrevi, editei e publiquei — todas diagramadas pelo designer gráfico Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

A única produção de tempo presente e não dedicada à poesia, foi a segunda, feita para anunciar o exitoso lançamento do livro de contos da Paula, seu primeiro, intitulado “Sete balas ao luar”.

Todas as outras nove, incluindo a de hoje, são dedicadas àquilo que o poeta e ensaísta Alexei Bueno equilibra entre duas definições: “a poesia é uma indecisão entre um som e um sentido” ou “é a arte de dizer apenas com palavras o que apenas palavras não podem dizer”.   

Não por outro motivo, segue abaixo essa orgulhosa 10ª Folha Letras, seguida da sua transcrição, assim como a reprodução das nove anteriores — cujos textos originais, no blog, você, leitor, pode ter acesso clicando sobre cada página:

 

Folha Letras de hoje (05/08/16)
Folha Letras de hoje (05/08/16)

 

À deriva da última tarde do ano

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Era o último dia daquele 2013. O ano não havia sido dos melhores, mas tampouco dos piores, sobretudo pelo que deixara em definitivo para trás. Ademais, o novo calendário que se iniciaria a partir do dia seguinte traria uma Copa de Mundo de futebol no Brasil, a primeira desde a tragédia de 1950, e a chance de reconhecer nas urnas a falência do lulopetismo, alternando democraticamente o desastroso governo Dilma Rousseff.

Não fosse mais nada, estava no Rio, no enclave de pedra do Arpoador de Cazuza, entre Ipanema e a Copacabana que seria palco, a poucas horas, de um dos réveillons mais concorridos do mundo. Com o pote coletivo dos adultos perto de encher precocemente com os chopes do Informalzinho na Francisco Otaviano, que depois se mudaria dali, veio a sábia sugestão ao grupo, que as crianças adoraram, para tomarem um banho de mar todos naquele final de tarde, visando recobrar forças antes de uma noite e madrugada que prometiam.

Como seu filho já era adolescente e bom nadador, o deixou com os outros dois amigos adultos e seus respectivos filhos, ainda crianças, à beira da praia. Afastou-se deles em braçadas lentas até a parte mais solitária e profunda do Arpoador. Após nadar aluns minutos mirando às ilhas Cagarras, se virou e divisou seu grupo quase indistinto pela distância e luz já escassa, com crianças, adolescentes e adultos brincando em meio a outros banhistas, na comunhão praiana da parte mais rasa.

Relaxou o corpo com aquela visão, deixando-se boiar no leito sereno do mar, inebriado pelas carícias de Iemanjá sobre seu corpo e cabelos, “à deriva da última tarde do ano”. Antítese do João Valentão de Caymmi, só despertou dos sonhos do “sono dos peixes” quando as gotas gordas de chuva caíram sobre os olhos cerrados e escorreram pela boca semiaberta, lavando com água doce o sal dos seus lábios.

Olhou para a praia e seu grupo ainda estava lá. Virou-se de bruços sobre o mar, quebrou a coluna em ângulo de 90º e, com a experiência dos mergulhadores, deixou a gravidade levar-lhe naturalmente às profundezas. Doídos pela pressão que aumentava a cada metro de água vencido pelo movimento grave das pernas, os tímpanos ficaram atentos ao barulho próximo do motor a diesel de uma embarcação no final do horizonte.

Mais guiado pelo tato que pela visão, penetrando a água escura perto do pôr do sol, percebeu ter chegado ao fundo. Tomou um punhado da sua areia com a mão direita, verbalizou em sua mente o que tinha de dizer a quem achou que devia ouvir e voltou sem pressa à superfície. Só lá abriu os dedos para ver escorrer entre eles a areia liberta lentamente de volta ao oceano. Purificado nesse rito todo pessoal, nadou de volta à praia, em direção a mais um ano.

Como na música, emergiu do mar um homem que não precisava mais dormir pra sonhar.

 

Arpoador, Rio de Janeiro, pôr do sol de 31 de dezembro de 2013 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Arpoador, Rio de Janeiro, pôr do sol de 31 de dezembro de 2013 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

réveillon

 

dorso sobre o dorso das ondas

calmas, d’além da arrebentação

arrepiou ao cafuné de iemanjás

à deriva da última tarde do ano

 

despertou do sono dos peixes

na fisga doce da chuva à boca

mas joão, com valentia de água

sonhou acordado todas as cores

 

arpoador trespassou sua alma

em oferenda na ponta da pedra

e seu corpo no tato de um cego

doeu ouvidos atentos ao barco

pegou a areia do fundo na mão

 

rio, 02/01/14

 

 

Folha Letras de 07/08/15
Folha Letras de 07/08/15

 

 

Folha Letras de 04/09/15
Folha Letras de 04/09/15

 

 

Folha Letras de 04/12/15
Folha Letras de 04/12/15

 

 

Folha Letras de 08/01/16
Folha Letras de 08/01/16

 

 

Folha Letras de 04/03/16
Folha Letras de 04/03/16

 

 

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Folha Letras de 01/04/16

 

 

Folha Letras de 06/05/16
Folha Letras de 06/05/16

 

 

Folha Letras de 03/06/16
Folha Letras de 03/06/16

 

 

Folha Letras de 01/07/16
Folha Letras de 01/07/16

 

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Do erudito ao popular, o cúmulo da preguiça na política de Campos

Garfield

 

 

Somente ontem, pelo jornalista Alexandre Bastos, fui saber da manifestação do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) na qual, sem citar nomes, como Bastos frisou aqui, buscar responder ao artigo “Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos”, escrito por mim e publicado aqui.

Postado (aqui) em sua página no Facebook, no mesmo dia em que seu nome saía (aqui) em mais uma lista negra do Tribunal de Contas do Estado (TCE), lá mesmo o texto de Arnaldo mereceu comentários críticos às suas últimas atitudes políticas, ao decidir (aqui, aqui e aqui) apoiar a candidatura a prefeito do deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), em cuja convenção de lançamento fez (aqui) deselegantes observações públicas sobre a candidatura do próprio filho, Caio Vianna (PDT), ao mesmo cargo.

Já na timeline de Arnaldo, com palavras pouco lisonjeiras, foi como parece ter visto o comentarista Bruninho do Farol:

 

Cadeirudo

 

De qualquer maneira, intitulado “Não briguei com meu filho. Minha briga é contra os coronéis”, além de dar a dimensão de como a atitude de Arnaldo refletiu mal junto à população, seu texto parece também revelar um autor que transformou em carapuça o chapéu dos coronéis Odorico Paraguaçu, da série “O Bem Amado” (1980/84), e Afrânio de Sá Ribeiro, da novela atual “O Velho Chico” — lembrados pelo economista, analista político e articulista do jornal carioca “O Dia”, Wilson Diniz, que dialogou com meu artigo para fazer aqui suas próprias analogias com as figuras que dominam o cenário político goitacá.

 

Coronéis Odorico e Afrânio, imortalizados na TV brasileira, pelos atores Paulo Gracindo (1911/95) e Antônio Fagundes (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Coronéis Odorico e Afrânio, imortalizados na TV brasileira, pelos atores Paulo Gracindo (1911/95) e Antônio Fagundes (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Logo na abertura do seu texto, Diniz prevê o que de fato parece ter acontecido:

 

“O artigo do editor da Folha, ‘Só Freud explica’, deve ter surpreendido a classe política de Campos pela erudição como foi abordado.

“Tenho dúvidas, se uma classe política tão decadente das oligarquias mereça a abordagem que foi dada no artigo.

“Se merecem a abordagem do tema, tenho certeza que a maioria não conhece Freud e muito menos entendeu a abordagem”.

 

Do que o ex-prefeito parece realmente não ter entendido, mesmo diante de um texto montado também com referências de um grande vulto da área médica, como Sigmund Freud (1856/1939), o que claramente se entende da sua resposta é a tentativa talvez vã de passar do papel de algoz do filho ao de vítima da analogia dos seus atos com elementos da cultura universal.

Afinal, no entendimento popular, por mais que agora negue a “briga” com o filho, a imagem que ficou das palavras e atos de mais recentes de Arnaldo talvez tenha sido melhor resumida aqui, num comentário feito na democracia irrefreável das redes sociais, pelo advogado Rodrigo Bacellar:

 

— Brigou mesmo não… fez mto pior o traindo e virando as costas no momento em que mais precisava!!!!  

 

Por fim, só em relação ao “jornalismo preguiçoso” citado por Arnaldo, com a mesma elegância que este reservou ao único filho, talvez fosse o caso de lembrar que, num país governado por Michel Temer (PMDB), o cúmulo da preguiça política seria se deitar numa cama e, só por isto, querer se levantar dela vice-prefeito de Campos.

 

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Paula Vigneron — O escritor e a ficção

 

Ruínas de Atafona, 06/01/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Ruínas de Atafona, 06/01/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

O escritor brinca de Deus a cada palavra escrita, a cada frase formada, a cada texto acabado. Em prosas inacabadas. Em páginas perdidas. E isso tem a ver com a sua impotência diante de seu próprio destino. A incapacidade de, em certos momentos, traçar os caminhos. Suas vontades, por vezes frustradas, são refletidas nas ações e reações dos personagens. Os sonhos esquecidos, deixados para um depois que nunca chega, são realizados na ficção. É uma maneira de alcançar a sensação de plenitude. Irreal, sim, mas trazida para a vida como se dela fizesse parte.

O autor se transfigura e figura como Destino. Com “dê” maiúsculo. Personagem que ninguém vê ou ouve, mas que também está ali, presente nas narrativas. E, nesse momento, o escritor se torna parte de sua invenção. Escolhe os caminhos a partir do que gostaria de viver. Deixa as palavras fluírem por seus dedos, enquanto a emoção e a razão, cansadas da monotonia, se unem e constroem uma história que, por vezes, o autor gostaria que fosse a sua.

Quantos personagens largaram suas vidas em busca de algo que julgaram que lhes fosse dar prazer? Quantos finais de possíveis tragédias deram lugar à felicidade, nunca imaginada por aqueles que acompanharam a obra? Quanta coragem carrega um ser humano na ficção? Faz-se isso, afinal, para anestesiar o cansaço; os momentos de luta por causas vãs; o arrependimento de deixar para depois e perder; o não poder escolher livremente o caminho e se livrar de amarras invisíveis. Para trazer paz às mentes fragilizadas pelo cotidiano.

O escritor não escreve para o público. Ele escreve para si. Para acalmar seus conflitos. Cria universos, pessoas, histórias, sentimentos e vidas para dar vazão aos mais complexos sentimentos. Desliza os dedos sobre os teclados para não se descontrolar e perder a razão em nome da emoção. Inventa para alimentar a sua alma, carente de novidades e prazeres. Abre mão da racionalidade e se entrega à sensibilidade por meio de um mergulho na ficção para suprir o vazio causado pela não-ficção. Dá aos personagens rumos que não podem ser os de sua realidade.

O autor, ao final de mais uma história, é forçado a retomar as demais atividades a que se dedica, deixando de lado o exercício de criação. Contudo, outras narrativas invadem a sua cabeça para lembrar-lhe que a vida no mundo real continua, mas a ficção estará ao seu lado, pronta para entrar em cena quando o cotidiano se tornar denso e mecânico. Quando a sensibilidade estiver prestes a escapar. A ficção diz, com cumplicidade característica, que estará pronta a abraçá-lo e oferecer-lhe outras vidas para refazer seus próprios caminhos.

 

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Ameaça a Rui Falcão deve fazer PT anular aliança em Campos com Caio

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Já estaria decidido: pressionado pelo marido e secretário da prefeita Rosinha Garotinho (PR), o PT nacional vai anular a convenção de ontem (3) do PT de Campos que decidiu apoiar a candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito.

Ontem à tarde, antes mesmo que a convenção dos petistas locais se realizasse à noite, seu resultado foi antecipado (aqui) por este “Opiniões” na postagem abaixo.

Buscou-se explicar porque o PT de Campos daria seu apoio a Caio na majoritária, em troca da aliança na proporcional com PMN e PEN.

Junto aos dois partidos da base de Caio, os petistas ganhariam a chance de tentar eleger um candidato a vereador, possibilidade inexistente se corressem sozinhos, numa candidatura própria de Hélio Anonal a prefeito.

Mas isso foi o jogo jogado em nível municipal, pois em nível nacional, desde ontem o secretário de Rosinha entrou em campo para derrubar, por cima, a aliança do PT de Campos com Caio.

Como fez em 19 de julho, em contato revelado (aqui) na coluna “Ponto Final”, o líder rosáceo voltou a ligar para o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Segundo fontes garotistas, o líder do grupo cobrou a Falcão um acordo que teria sido fechado há seis meses, com o presidente estadual  do PT e prefeito de Maricá, o folclórico Washington Quaquá, quando este perdeu o Pros e pediu o apoio do PR em seu município para as eleições de outubro.

Em troca desse apoio do PR pedido por Quaquá, teria sido então acordado que o PT caminharia junto com o PR em Campos, ou então lançaria candidatura própria à sucessão de Rosinha — opções cobradas pelo líder rosáceo a Rui Falcão, tanto no dia 19, quanto ontem.

Como a aliança com o PR é inaceitável aos petistas locais, Quaquá teria ficado de arrumar um partido que desse alguma chance na eleição proporcional, para poder viabilizar a candidatura própria majoritária.

Antevendo as dificuldades, o secretário de Rosinha teria oferecido um partido a Quaquá, que recusou, dizendo contar em fazer a aliança do PT em Campos com o PC do B — cuja presidente municipal e candidata a vereadora, professora Odete Rocha, levou para apoiar a candidatura de Rogério Matoso (PPL) a prefeito.

Diferente do que teria prometido ao líder rosáceo, e de fato prometeu aos petistas de Campos que chegaram a defender a candidatura própria, o tal partido aliado para dar chance ao PT de eleger um vereador nunca veio.

Além de cobrar o que teria acordado com Quaquá, ontem o líder rosáceo e presidente estadual do PR ameaçou Rui Falcão de quebrar a aliança do PR em todos os municípios do Estado do Rio nos quais as duas legendas caminhariam juntos às eleições de outubro.

Não só em Maricá, isso atrapalharia muito o PT, por exemplo, também em Japeri, onde o deputado estadual petista André Siciliano conta com o apoio do PR para se eleger prefeito daquele município.

No momento de maior fragilidade do partido da estrela vermelha em toda sua história, Rui Falcão teria se intimidado com a ameaça e se comprometido rever a aliança com a candidatura a prefeito de Caio pelo PDT, aliado histórico do PT, anulando a convenção municipal de ontem da legenda.

Com o prazo das convenções se encerrando amanhã (05) e o de registro de candidaturas até o dia 15, as próximas horas e dias prometem ser tensas para petistas e pedetistas de Campos.

 

Atualizado às 16h24

 

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No jogo jogado, PT vai para Caio, que define suas nominatas de apoio

jogo jogado

 

 

Antecipada desde ontem (aqui) pelo militante petista André Cruz, o PT de Campos vai mesmo formalizar o apoio à candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito, na sua convenção de logo mais, às 19h.

Na eleição proporcional, como o jornalista Alexandre Bastos adiantou aqui, os petistas se coligarão o PMN da ex-petista Alessandra Faez e o PEN, legenda que Caio tirou (aqui) do controle do seu pai, o ex-prefeito Arnaldo Vianna.

Entre os demais partidos que apoiam Caio, se tinha a promessa anterior da coligação com o PMN, o vereador Genário terá que fazer a aliança proporcional do seu PSC com o PDT do cabeça da chapa majoritária.

Já o PSB do vereador Gil Vianna, vice de Caio, e o PSDC do deputado estadual João Peixoto concorrerão sozinhos ao Legislativo.

O PSB tem em Igor Pereira, ex-diretor da Campos Luz, e no Apóstolo Luciano, ligado à igreja evangélica Semear, e em Renatinho da Construferro seus mais fortes candidatos à Câmara Municipal.

Já o PSDC tem dois vereadores eleitos, Zé Carlos e Dayvison Miranda, além do advogado e blogueiro Cláudio Andrade.

No PT, a partir da coligação com PMN e PEN, os nomes à vereança mais fortes são o dos professores Odisséia Carvalho e Alexandre Lourenço, seguidos do advogado e estreante em eleições Alexis Sardinha.

Em troca da chance de tentar eleger um deles, o que seria impossível com a candidatura própria a prefeito de Hélio Anomal, Caio passa a ter em troca mais um minuto de propaganda à tarde e noite, mais oito spots de TV de 30 segundos, todo dia dos 35 de campanha, de próximo dia 27 a 30 de setembro — o que equivale a 10% do tempo total.

No aparente pleonasmo do jogo jogado, como a coluna “Ponto Final” vem alertando na Folha da Manhã desde 2 de julho, é isso (aqui) que interessa.

 

Atualização às 17h40: A única possibilidade de mudança nas nominatas em torno da majoritária do PDT é se o PP do suplente de deputado estadual Papinha, que se lançou hoje a prefeito, resolver até sexta (05) apoiar Caio. Cogita-se que Papinha também possa ser vice na chapa de Rafael Diniz (PPS), ou na de Nildo Cardoso (DEM).

 

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Nildo e Papinha: convenções no mesmo dia, hora e local, mas ainda sem acordo

Nildo e Papinha (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Nildo e Papinha (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Se chegou a ser combinado no mesmo dia, horário e local para selar daqui a alguns minutos, na Câmara Municipal de Campos, a aliança entre o vereador Nildo Cardoso (DEM) e o suplente a deputado estadual Papinha (PP) numa chapa conjunta para disputar a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), isso não acontecerá hoje.

Nildo garantiu agora há pouco ao blog que não será vice “nem seu meu pai que morreu há 21 anos aparecer e me pedir”, mas ressalvou que só fecha a chapa da sua candidatura a prefeito amanhã, quando for registrá-la no cartório.

Na memória póstuma do pai para garantir sua paraticipação na sucessão de Rosinha, o político da Baixada Campista mantém a lembrança viva da candidatura do filho, José Leandro (DEM), a quem tentará eleger como seu sucessor na Câmara Municipal.

Já Papinha, com quem o blog não conseguiu falar antes da convenção de daqui a pouco, em outro local do mesmo prédio da Câmara e no mesmo horário de Nildo, tem mantido conversas também com o vereador Rafael Diniz, candidato a prefeito pelo PPS, mas ainda sem vice.

Por outro lado, não custa lembrar que foi com o grande padrinho político de Papinha, o governador em exercício Francisco Dornelles (PP), com quem Rosinha ontem (02) se encontrou (aqui) no Rio. Embora a pauta tenha sido Segurança Pública, alguém duvida que a sucessão da prefeita tenha entrado na conversa?

 

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PT de Campos pró-Caio assume sua posição para convenção de hoje

Com a defesa pela aliança com a candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito publicamente assumida (aqui) desde ontem (02), na democracia irrefreável das redes sociais, pela corrente “Democracia Socialista” do militante André Cruz, o PT de Campos hoje faz sua convenção na divisão anunciada aqui e aqui pela coluna Ponto Final.

Se apostar na candidatura majoritária própria, sem apoio de nenhuma outra legenda, os petistas de Campos condenarão todas suas pré-candidaturas a vereador à mesma impossibilidade da de Hélio Anomal a prefeito.

E, numa coligação proporcional com PMN, ou PSC, ou PEN, partidos que apoiam Caio, algumas candidaturas legislativas do PT de maior potencial, como a dos professores Odisséia Carvalho e Alexandre Lourenço, passariam a ter alguma chance.

Como disse Caio Júlio César (100 a.C./ 44 a.C.) ao atravessar o rio Rubicão: “Alea jacta est” (“A sorte está lançada).

Abaixo, a manifestação pública pró-Caio, no final da noite de ontem, do petista André Cruz:

 

André Cruz

 

Atualização às 11h55: Quem hoje falou sobre mesmo tema aqui e aqui, respectivamente, foram os jornalistas Alexandre Bastos e Suzy Monteiro.

 

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