“Não vejo nenhum segmento em Campos satisfeito com o governo Rosinha”

Vereador da bancada “independente”, Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo”, já era popular pelo bordão que criou como apresentador da TV Record, antes mesmo de ser político. Endossada em pesquisas, é por essa popularidade que ele pretende ser candidato à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), cuja bancada já integrou, para hoje constatar: “Eu olho e não vejo nenhum segmento em Campos satisfeito com o governo”.

 

 

(foto de Hellen Souza - Folha da Manhã)
(foto de Hellen Souza – Folha da Manhã)

 

 

Independente de quê? – Ser independente é você avaliar o projeto. Se for do interesse da população, você vota a favor, se não for, vota contra. O foco é o interesse da população. Trabalhar com a verdade e a independência é o caminho mais tranqüilo a se seguir.

Oposição – Acho que a oposição de Campos opta sempre em partir para o conflito. É uma maneira dela fazer política. Eu prefiro me preparar para o diálogo. Se ele não surtir efeito, a gente parte para o voto. Ser independente é isso.

Governo Rosinha – Já está ultrapassado, o modelo está ultrapassado. Se refletirmos sobre os serviços prestados à população, a insatisfação é geral. Nem quem trabalha com o governo está satisfeito. Pergunte aos empresários. Eu olho e não vejo nenhum segmento em Campos satisfeito com o governo Rosinha. O servidor não está, o trabalhador não está, a classe média não está, o empresariado não está. Isso é a maior prova de que o modelo está ultrapassado. O governo precisa se abrir, estar mais junto da população, ouvi-la antes de tomar suas decisões. Hoje as decisões são tomadas e aplicadas. Você só vê o reflexo. E ele não é nada bom.

Dois candidatos governistas – Mauro (Silva, PSDB, vereador) e Chicão (Oliveira, PR, vice-prefeito) serão os candidatos. Mais do que dois, para eles, na minha avaliação, seria prejuízo. Mauro é amigo da família e a acompanha há muitos anos. Chicão tem entrada na área médica e junto à classe média, média alta, o que é importante. Mauro, embora não seja tão popular, vai ter o carinho da família (risos). Mas essas duas candidaturas, com vices populares, seriam fortíssimas.

Pulverização da oposição – Acho favorável. Se a oposição se resumir em duas candidaturas, por exemplo, o governo só terá esses dois para se preocupar. Com seis candidatos de oposição, o trabalho seria muito maior.

Fogueira das vaidades – A oposição e os “independentes” têm que ter muito cuidado para isso não atrapalhar a eleição. Até porque dificilmente teremos outro momento tão favorável para trocar o governo. Não podemos cair nesse erro.

Vir de vice – Nenhuma possibilidade! Há 14 meses, desde que começaram as pesquisas, eu apareço em primeiro lugar sem Arnaldo. É sinal que uma parcela considerável da população acredita no trabalho que eu faria como prefeito. Não é questão de vaidade, mas merecimento. Se eu tivesse em terceiro nas pesquisas, aceitaria ser vice de quem está em segundo. Mas não posso estar em primeiro e ser vice de quem está em terceiro. Acho que seria incoerente diante da população. Muito se fala em mudança, mas a verdadeira mudança está na minha candidatura.

Bancada de Rosinha – Enquanto pude trabalhar, permaneci nela. Mas a partir do momento em que aquilo que eu pedia para a população já não era aceito, que tinha que ser como o governo queria e ponto, não tive mais como permanecer. Fui eleito para trabalhar pela população, não para um governo. A gota d’água foi a votação da “venda do futuro”. Apesar de ser um projeto do senador (Marcelo) Crivella (PRB), votei contra por saber que a realidade da cidade era outra.

Igreja Universal – Tenho muito respeito pela Igreja Universal, seu trabalho social e religioso. Mas não sou evangélico, sou católico.

Retorno ao garotismo – Não tem como. O trabalho que eu desenvolvo como vereador e apresentador de TV é contrário aos interesses do governo. Em minhas duas funções, eu aponto as deficiências e reivindico as soluções, muitas vezes do poder público. Voltar a me aliar a eles seria uma incoerência muito grande. Se político é isso, eu não sou político. Estou a serviço do povo, até quando ele quiser.

 

 

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Publicado hoje (08/03) na Folha da Manhã

 

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Campos só tem um político profissional de verdade, e ele não está na oposição

Advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos
Advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos

Em artigo publicado (aqui) na Folha no último domingo, escrevi sobre como o debate político pode ser retroalimentado também no diálogo entre mídias, na qual estas se complementam, no lugar de concorrerem. E foi neste sentido que o advogado tributarista Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF), usou a democracia irrefreável das redes sociais, para aqui fazer algumas ponderações que a oposição, se dotada de alguma humildade e muita sabedoria, deveria recortar e pendurar sobre o espelho no qual se mira todos os dias, daqui até outubro:

 

“Uma fragmentação muito acentuada da oposição ainda pode passar uma mensagem muito ruim aos eleitores: o oportunismo. Em vez de pensarem no município, todos querem, por ambições pessoais, aproveitar a ‘melhor oportunidade’ de assumir o poder, daí ninguém querer abir mão do ‘momento’. Agindo assim, mais do que se equipararem ao líder da situação, vão sucumbir a ele. Nesse jogo todo, só há um político profissional de verdade, e ele não está na oposição”.

 

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Alexandre Tadeu: Não vejo nenhum segmento satisfeito com o governo Rosinha

(Foto de Helen Souza)
(Foto de Helen Souza – Folha da Manhã)

 

“Eu não vejo nenhum segmento do município satisfeito com o governo Rosinha Garotinho”.

“Não há possibilidade de eu vir como vice. Há 14 meses, desde que começaram as pesquisas, eu lidero depois de Arnaldo”.

“Tenho muito respeito pela Universal, seu trabalho social e religioso, mas não sou evangélico; sou católico”.

 

Sem contornar assuntos polêmicos, estas foram alguma das declarações dadas hoje pelo vereador “independente” e apresentador de TV Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo”, pré-candidato do PRB à Prefeitura de Campos. Para ter acesso à íntegra da entrevista, confira amanhã na Folha da Manhã.

 

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Se a alma não é pequena

Mar Português

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

(Fernando Pessoa)

 

 

 

Jornalista português Carlos Fino
Jornalista português Carlos Fino

República de juízes ou democracia plena? 

Por Carlos Fino

A detenção, o ano passado, durante nove meses, do ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, alvo de diversos processos ainda em andamento, e agora a “condução coercitiva” de que foi objeto o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, suscitaram  críticas nos meios jurídicos, políticos e mediáticos de um e outro país, questionando a legitimidade dos métodos utilizados pelo poder judiciário.

No caso de Sócrates, e sem querer obviamente entrar no mérito das causas, é difícil entender que o Estado, ao cabo de um ano de investigações e longos meses de detenção, não tenha ainda conseguido formalizar as acusações, ao mesmo tempo que uma série de “revelações” aparentemente dirigidas foram apresentando suspeitas como factos confirmados, numa condenação prévia sem julgamento no tribunal da opinião pública.

O próprio acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que permitiu aos advogados de Sócrates acederem, por fim, a todo o processo em que o ex-primeiro ministro é arguido continha duras críticas não apenas aos investigadores liderados pelo procurador, mas também ao juiz de instrução criminal, que viabilizou por demasiado tempo os pedidos do Ministério Público destinados a manter o caso em segredo de justiça, prejudicando assim as garantias de defesa do arguido.

Quanto a Lula, é manifesto que a “condução coercitiva” a que foi submetido pecou por não ter tido a precedê-la qualquer intimação prévia, cujo eventual não cumprimento a justificaria. O juiz do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, que está longe de ser um simpatizante do PT, foi contundente:

“Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado… Nós, magistrados – acentuou –  não somos legisladores, não somos justiceiros… Não se avança atropelando regras básicas.”

Acresce, num e noutro caso, a par da espectacularização das acções de busca e detenção empreendidas, uma aparente colaboração das autoridades judiciárias e/ou policiais com parte dos media, a que são facultados dados escolhidos considerados oportunos, por forma a criar um clima público favorável às investigações e contribuindo dessa forma para desmoralizar os investigados.

Hoje, como nos anos 90 em Itália, durante a Operação Mãos Limpas, é uma geração de magistrados mais jovens, sem particular deferência para com os políticos, bem pelo contrário, que avança no desmantelar dos esquemas de ligações espúrias entre os poderes do Estado e o mundo empresarial.

Para isso, recorrendo aos media, usam como arma a deslegitimização dos líderes comprometidos por forma a estimular as investigações.

Como reconhecia, já em 2004, numa lúcida análise sobre a experiência italiana, o juiz brasileiro Sérgio Moro, hoje responsável pela Lava Jato, “as prisões, confissões e publicidade (sublinhado meu) conferida às informações obtidas geraram um círculo virtuoso, consistindo na única explicação possível para a magnitude dos resultados obtidos pela operação mani pulite.”

Há quem levante, como vimos, sérias objecções a estes métodos, que correm o risco de ferir direitos essenciais. Na realidade, em cada um desses processos, um grupo restrito de magistrados tem em cada momento nas mãos a possibilidade de destruir antecipadamente reputações, por vezes de forma irreversível.

O que se pode contrapor a isso é que os interesses visados são tão fortes – envolvendo crime organizado e titulares do poder político com amplos poderes – que sem envolver a opinião pública se torna difícil, se não impossível, combatê-los.

Mas ao proceder assim, o judiciário, que tem de permanecer rigorosamente acima das facções, corre o risco de se deixar envolver e instrumentalizar na luta política, como se fora um mero agente de um grupo contra outro.

Daí a absoluta necessidade das autoridades judiciais se distanciarem dos partidos e manterem completa isenção na escolha e tratamento dos poderosos investigados, sejam de que partido forem. Até para retirarem legitimidade às previsíveis tentativas de transferir para o campo da política aquilo que pertence à área da justiça.

Mais do que uma república dos juízes, precisamos, portanto, de um democracia plena, em que sejam plenamente respeitados os direitos de todos.

Lula e José Sócrates (divulgação)
Lula e José Sócrates (divulgação)

 

 

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Artigo do domingo — Advogado do Diabo

Divisão 1

 

 

Há quem diga que o advento das redes sociais acabou com os blogs. Via de regra, é o mesmo estrabismo de quem, a partir da popularização anterior da blogosfera, tropeçou sob a sombra do próprio ego ao pregar a “visão” da morte da mídia tradicional. Na verdade, os blogs acabaram se revelando complementares às mídias existentes, tanto quanto os blogueiros, pelo menos aqueles que souberam se atualizar, passaram a usar as redes sociais para ampliar o alcance das suas postagens. Estas, muitas vezes geradas da própria democracia irrefreável dessa nova e revolucionária mídia, numa autofagia que é início, meio e fim da sociedade de informação na qual hoje vivemos.

Da teoria à prática, foi o que aconteceu, por exemplo, com uma postagem feita (aqui) em seu mural do Facebook, na noite do último dia 27, pelo advogado tributarista Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do ministro Marco Aurélio de Mello, no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora não tenha mostrado papas na língua ao afirmar que a prefeita Rosinha Garotinho (PR) oferta ao município “o pior governo dos últimos 100 anos”, o advogado campista advertiu que a desunião da oposição, “por vaidade, ou cegueira política ou mesmo incapacidade para se articular”, caminha para dar mais uma vitória ao garotismo nas eleições municipais de outubro próximo.

Após ler a postagem, na manhã de domingo, considerando relevantes o argumento e o argumentador, fiz o print para aproveitá-la como postagem (aqui) também no blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online. E o link do blog foi devolvido (aqui) ao Facebook, onde gerou um debate tão ou mais interessante que a postagem inicial, nessa retroalimentação fantástica, na qual ao final ninguém sabe, ou parece se importar, sobre as diferenças de cronologia entre o ovo e a galinha.

Hoje, não por coincidência, a página 2 desta edição impressa de jornal traz (aqui) uma reportagem com a análise política sempre arguta do também advogado e ex-vereador Nelson Nahim (DEM), cuja pauta foi parida naquele debate gerado sobre a postagem de Carlos Alexandre. Íntimo conhecedor do modus operandi do secretário de Governo de Rosinha e prefeito de fato, Anthony Garotinho (PR), Nahim revela que o irmão aposta na divisão das próprias forças em movimento coordenado com a esperada divisão nas forças dos adversários, para que seu grupo continue até 2020 no comando de Campos, onde está encastelado desde 1989.

Com o desgaste do governo Rosinha, que fez uma primeira administração razoável, mas tem a segunda entre as piores dos 180 anos de história do município, não é preciso ser grande analista para perceber que as maiores chances de um candidato da oposição estão na disputa do segundo turno. E não há ser pensante com dúvida de que será uma disputa em dois turnos. No primeiro, fica todo o favoritismo do governo, que a exemplo das eleições municipais de 2004 e 2006, se inverte no segundo, puxada pela tendência de união dos votos da oposição, numa escolha meramente plebiscitária.

No debate no Facebook, gente como o argentino Gustavo Alejandro Oviedo, outro advogado, além de publicitário, chargista e crítico de cinema,viu (aqui) vantagens na fragmentação: “Penso que um candidato como João Peixoto, por exemplo, pode conseguir votos em lugares onde Rafael Diniz não poderia obter, e vice-versa”. Outro advogado, além de blogueiro da Folha Online, José Paes Neto tentou explicar (aqui) a pulverização da oposição: “Num cenário em que a oposição ainda não tem uma liderança natural, me parece normal que vários nomes tentem se colocar. A migração de políticos da situação para a oposição também ajuda a aumentar o número de pré-candidatos”.

Em contrapartida, no mesmo debate virtual entre argumentos reais, o estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Johnatan França de Assis tomou partido para advertir (aqui): “Se não vencermos essa eleição será em virtude da desarticulação da oposição”. Por sua vez, o professor e designer Sérgio Provisano questionou (aqui): “Ele (o eleitor) será cooptado por discursos populistas ou ouvirá a voz da razão? Estariam as oposições com ações que despertem a cidadania, ou se debatendo em uma fogueira de vaidades?”.

Os números usados por Nahim, duas páginas atrás, para explicar a estratégia de Garotinho, são claros e inequívocos. Mesmo desgastado, o governo tem entre 90 a 100 mil votos. Na intenção de dividir este total com algum equilíbrio, o garotismo deve lançar dois candidatos e tentar levar ambos ao segundo turno, onde a oposição seria mais forte, mas onde pode nem chegar, se permanecer tão dividida quanto hoje se mostra.

Como Lúcifer, encarnado brilhantemente por Al Pacino, diz na última fala do filme “Advogado do Diabo” (1997, de Taylor Hackford): “De todos os pecados que eu inventei, a vaidade sempre foi meu favorito”.

 

 

 

 

 

Publicado hoje (06/03) na Folha da Manhã

 

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Com dois candidatos, Garotinho aposta na divisão da oposição para tirá-la do 2º turno

Oposição reunida em 23 de dezembro de 2015 (foto: divulgação)
Oposição reunida para a câmera em 23 de dezembro de 2015 (foto: divulgação)

 

 

Seis pré-candidatos de Garotinho no último dia 1º de março (foto: divulgação)
Seis pré-candidatos de Garotinho em pose de amigos no último dia 1º de março (foto: divulgação)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

“Garotinho sabe que a melhor chance do seu grupo é lançar duas candidaturas a prefeito. No segundo turno, com o desgaste muito grande do governo, qualquer candidato de oposição leva vantagem no enfrentamento contra qualquer rosáceo. Baseado em números, a ideia é levar dois governistas ao segundo turno, liquidando a fatura desde o primeiro. Se a oposição se fragmentar nesse bando de candidaturas anunciadas, estará fazendo o jogo de Garotinho”. O raciocínio é de alguém que conhece como poucos, pessoal e politicamente, o modus operandi do ex-governador, ex-prefeito, ex-deputado e atual secretário de Governo de Campos: seu irmão, o ex-vereador Nelson Nahim (DEM).

Publicamente, nenhum dos seis pré-candidatos governistas já definidos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) admite. Informalmente, todos dentro e fora do grupo já sabem: serão duas candidaturas rosáceas à Prefeitura de Campos. A primeira já estaria definida com a filiação (aqui) do vereador Mauro Silva ao PSDB pelas mãos do próprio senador Aécio Neves (PSDB-MG), em Brasília, no último dia 25. A outra cabeça de chapa rosácea será disputada entre o vice-prefeito Chicão Oliveira (PR), os vereadores Edson Batista (PTB) e Auxiliadora (PHS), e os secretários municipais Fábio Ribeiro (PR) e Thiago Ferrugem (PR).

Foi Ferrugem quem, em entrevista à Folha (aqui), bateu pé pela necessidade do PR em também apresentar candidatura própria a prefeito. Assim, como Mauro foi o primeiro a viabilizar seu caminho fora do grupo e com um apoio nacional de peso, diminuem as chances de Edson e Auxiliadora na disputa pela outra vaga, que seria preenchida por um dos três pré-candidatos abrigados no partido dos Garotinho: Chicão, Fábio ou Ferrugem.

Enquanto isso, na oposição, já são seis as pré-candidaturas à sucessão de Rosinha: dos deputados estaduais João Peixoto (PSDC) e Geraldo Pudim (PMDB), dos vereadores Rafael Diniz (PPS) e Nildo Cardoso (PSD), do ex Rogério Matoso (PMB) e de Caio Vianna (PTB), filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PTB), que continua com muito voto, mas inelegível. Da bancada dita “independente”, que não estão no governo, nem na oposição, há mais duas pré-candidaturas a prefeito: dos vereadores Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo” (PRB), e Gil Vianna (PSB). Também o Psol estaria pensando em lançar nome próprio à sucessão de Rosinha, segundo já informou Leo Zanzi, dirigente municipal do partido.

— Se todas essas candidaturas se consumarem na eleição, estarão entregando esta nas mãos de Garotinho. O DEM está fazendo seu papel. Conversamos nesta semana com Caio e Arnaldo, e com Pudim. Na segunda (amanhã), estaremos com Rafael. Enquanto partido, ainda não definimos nosso apoio, apenas que ele será dado a um candidato da oposição. Mas, na minha visão, de alguém que conhece a maneira de pensar de Garotinho, a oposição não pode ter mais de três pré-candidaturas. Venho falando isso desde lá detrás, há seis meses, muito antes de Mauro ir para o PSDB — alerta Nahim.

O ex-presidente da Câmara usa de números para tentar explicar a estratégia eleitoral do irmão para perder a Prefeitura de Campos:

— Campos teve quase 280 mil votos válidos na última eleição. Todas as pesquisas eleitorais feitas de lá para cá, de institutos daqui e de fora, mostram que de cada 10 pessoas, três ainda votam no governo. Trinta por cento de 280 mil vai dar quase 100 mil votos, mesmo com o governo desgastado. Se Garotinho conseguir dividir isso com algum equilíbrio entre seus dois candidatos, um com uns 50 mil votos, outro com uns 40 mil, seria muito difícil para um candidato oposicionista conseguir superar o segundo colocado governista, com a votação da oposição pulverizada com seis, oito candidaturas.

 

Página 2 da edição de hoje (03/03) da Folha
Página 2 da edição de hoje (06/03) da Folha

 

Publicado hoje (06/03) na Folha da Manhã

 

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Sabedoria simples oxigena imbecilidade das redes sociais

Quando a paixão emburrece os extremos, dando azo a toda tipo de imbecilidade dos dois lados, a democracia irrefreável das redes sociais é bafejada por um sopro de leveza com a sabedoria simples do amigo, jornalista, poeta e pintor Martinho Santafé:

 

Martinho

 

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Estefan confirma estar na briga pela vice de Carla em SJB

Filipe Estefan e Carla Machado em reunião do Rede de SJB da última quinta (03/03)
Filipe Estefan e Carla Machado em reunião do Rede de SJB no último dia 3 (reprodução de Facebook)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Anunciada pela própria Carla Machado (PT), na noite da última quinta (03/03), em seu perfil no Facebook (aqui), é correta a informação: o advogado Filipe Estefan, de malas prontas para o Rede, é mais um concorrente à vaga de vice na pré-candidatura da ex-prefeita nas eleições municipais de outubro em São João da Barra. Além de posar na reunião do Rede sanjoanense para a foto ao lado de Carla, postada por ela para anunciar a adesão nas redes sociais, Fillipe admitiu que está na briga para compor a chapa de oposição ao prefeito José Amaro Martins de Souza, o Neco (PMDB), que se prepara para tentar a reeleição:

— Na verdade, essas conversas da minha participação de alguma maneira no pleito municipal de São João vem acontecendo desde o ano passado. Carla me convidou para o seu camarote no carnaval da cidade, no qual eu a encontrei e analisamos juntos as possibilidades. De lá para cá, acabei conversando com Danilo Funke (vice-prefeito de Macaé), que é representante do Rede na região. Foi no sábado (27/02), onde ficou acertado de que eu participaria do encontro do Rede, nesta quinta, onde Carla também estava.

Na reunião, segundo Estefan, Carla lhe perguntou: “E aí?”. Ao que o indagado respondeu: “Vamos caminhar juntos, trabalhar e discutir políticas públicas para melhorar a qualidade de vida do povo sanjoanense”. Advogado, Filipe já foi presidente da 12ª Subseção da OAB-Campos, que inclui também São João da Barra. Neste município, ele foi também procurador geral, mas do governo Bertinho Dauaire (atual PR), que Neco trabalha (aqui) para ter como vice para tentar a reeleição.

No ano passado, o nome de Estefan chegou a ser cogitado pelo PC do B sanjoanense para encabeçar uma chapa própria na disputa à Prefeitura em 2016. Agora, ele se junta à disputa pela vaga de vice na chapa de Carla disputada também por cinco outros nomes: o vereador Aluizio Siqueira (PP), presidente da Câmara Municipal; o vice-prefeito de Neco, Alexandre Rosa (PRB); o ex-secretário de Obras Alexandre Magno (PSD), o ex-vereador Oswaldo Barreto (PSDC) e o médico André Fontoura (PPS).

Com a entrada de Filipe no jogo ao lado de Carla, ela levaria também, além do Rede, o PC do B e o PTN. Todavia, de acordo com Nelson Patrício (aqui), coordenador geral de fiscalização da secretaria de Obras no município, o Rede em São João da Barra estaria mantendo diálogo com Neco e já teria, inclusive, convidado o prefeito a ingressar no novo partido.

 

 

Página 5 da edição de hoje (05/03) da Folha
Página 5 da edição de hoje (05/03) da Folha

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

 

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Cerimônia de adeus ao projeto do PT?

Nestes primeiros momentos após a condução do ex-presidente Lula (PT) e seu filho mais velho, por força coercitiva da Polícia Federal (PF), para prestarem depoimento, duas análises se destacaram pela exposição didática e desapaixonada sobre as muitas implicações criminais, políticas, econômicas e sociais dos fatos que se sucederam no dia de hoje e continuarão a se desenrolar os próximos. Não por coincidência, são dois artigos que enriquecem aqui e aqui a opinião do Estadão, jornal que tem andado quase sempre à frente no noticiário da Lava-Jato.

Confira e tire suas próprias conclusões da interpretação do hoje e a projeção preocupante dos amanhãs pelas experientes jornalistas Dora Kramer e Eliane Catanhêde. Até pela gravidade da situação, ambas as leituras são necessárias:

 

 

O ex presidente Lula chegando na manhã de hoje para prestar depoimento na sede da Policia Federal no Bairro do Lapa (foto de Marcio Fernandes - Estadão)
O ex presidente Lula chegando na manhã de hoje para prestar depoimento na sede da Policia Federal no Bairro do Lapa (foto de Marcio Fernandes – Estadão)

 

 

Jornalista Dora Kramer
Jornalista Dora Kramer

Cerimônia do adeus

Por Dora Kramer

 

Quando as investigações da Lava Jato alcançam o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, atingem de maneira grave e irreversível a presidente Dilma Rousseff, cujo governo está morto. Não tem credibilidade nem reúne condições de governabilidade suficientes para se recuperar. Seu esteio político se verga ante a força dos fatos, anunciando que, para o PT, acabou-se o que já foi extremamente doce.

Restava ao partido a vã esperança de que Lula da Silva pudesse dar uma volta por cima ao molde daquela de 2005, no mensalão. Hoje resta ao governo ver se haverá um enterro ou se a situação levará a um longo culto desse cadáver insepulto. É tudo muito diferente: Lula não é presidente, não tem foro especial, sua popularidade despenca.

Além disso, a economia está aos frangalhos, a oposição já não se dispõe a fazer acertos com o governo, os resultados das investigações já conhecidos não permitam que se dê o dito pelo não dito. Essa pasta de dente, enfim, não tem como voltar ao tubo.

O tom dos procuradores na Lava Jato na entrevista sobre a nova fase da operação não deixa dúvida: são consistentes e contundentes os indícios de que o ex-presidente valeu-se do cargo para se locupletar, faltando apenas provas de que a organização criminosa montada para fazer dos cofres públicos fonte de financiamento do PT era comandada direta e objetivamente por ele.

Na palavra dos investigadores, tendo ou não o domínio dos fatos Lula foi o principal beneficiário do esquema de corrupção posto em prática ao tempo em que ele era mandatário do País e sobre o qual não deixa de ter responsabilidade funcional a presidente Dilma, uma vez que os ilícitos prosseguiram na gestão dela. Embora não seja (ainda?) investigada, a presidente é beneficiada por aquilo que os procuradores definiram com toda clareza como um sistema montado para comprar apoio político ao governo.

 

 

Manifestantes pró e contra Lula se enfrentaram hoje a socos nas ruas de São Paulo (foto de Pedro Kirilos - Agência O Globo)
Manifestantes pró e contra Lula se enfrentaram hoje a socos nas ruas de São Paulo (foto de Pedro Kirilos – Agência O Globo)

 

 

Jornalista Eliane Catanhêde
Jornalista Eliane Catanhêde

É o fim do projeto do PT

Por Eliane Catanhêde

 

A sexta-feira, 4 de março de 2016, é um dia histórico e divide apaixonadamente a opinião pública do Brasil, onde Luiz Inácio Lula da Silva nasceu nos rincões áridos do Nordeste, cruzou o país continental num pau-de-arara, comeu o pão que o Diabo amassou, foi o maior líder sindicalista e virou o presidente da República mais popular em décadas. É um dia profundamente triste, mas é também um marco: ninguém, nem mesmo Lula, está acima da lei.

A condução coercitiva de Lula e de seu primogênito, Fábio Luiz, não foi nenhuma surpresa no mundo político, mas é daqueles fatos que todo mundo espera, mas, quando acontecem, são como uma explosão atômica. Com Lula depondo na Polícia Federal e acossado, junto com a presidente Dilma Rousseff, pela delação premiada do ex-líder do governo Delcídio Amaral, não há outra conclusão possível senão a óbvia: é o fim do projeto do PT, o fim de uma era.

Até por isso, a Justiça, o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita Federal cercaram-se de todos os cuidados. Há meses vinham dando indícios de que Lula seria preso, mas isso só ocorreria quando as provas fossem consistentes, inquestionáveis. “Não podemos morder o Lula. Quando chegarmos nele, é para engolir”, diziam os investigadores, ilustrando a consciência de que, deixar brechas de contestação, seria não apenas implodir a Lava Jato, mas também desmoralizar as instituições responsáveis.

Hoje, a Lava Jato engoliu Lula e, com ele, o projeto de eternização do PT no poder. De uma forma simples e direta, há provas de que havia uma triangulação criminosa: o dinheiro saía da Petrobrás, passava pelas empreiteiras e parte dele ia para o ex-presidente em forma de pagamentos dissimulados de palestras, viagens pelo mundo, o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá. Lula, portanto, seria beneficiário dos desvios da maior companhia brasileira, hoje uma das maiores empresas mais endividadas do mundo. Sem falar na Operação Zelotes…

A condução coercitiva de Lula, a prisão do marqueteiro dele e de Dilma, a delação do ex-líder do governo sobre o envolvimento de Dilma na compra suspeitíssima da refinaria de Pasadena e na tentativa de manipular o Judiciário para soltar empreiteiros amigos… tudo isso configura um cerco a Lula e a Dilma que, apesar de dependerem visceralmente um do outro, entram na dolorosa fase do “salve-se quem puder” ou, de outra forma, “cada um por si”.

Como pano de fundo, a crise política e a economia. Por uma macabra coincidência, ou não, o resultado da economia em 2015 saiu no dia do vazamento da delação de Delcídio e na véspera da condução coercitiva de Lula e de seu filho. O Brasil teve uma recessão de 3,8% e ficou em 30º lugar entre 32 países pesquisados, só atrás da Venezuela, que quebrou, e da Ucrânia, que vem perdendo parte do seu território para a Rússia.

Tudo somado, Dilma está totalmente isolada em seus palácios, enquanto Lula se despe da roupagem do “Lulinha paz e amor” e conclama suas tropas para a guerra. A possibilidade de impeachment de Dilma é cada vez mais real e a próxima etapa de todo esse processo deve ocorrer nas ruas. Vêm aí as manifestações do dia 13 contra Dilma, Lula e o PT, mas, antes delas, já começam os confrontos. As bandeiras vermelhas, em minoria, vão tentar ganhar no grito — ou na pancadaria.

 

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