Maioria dos campistas vê governo desonesto e má aplicação dos royalties

Por Aluysio Abreu Barbosa e Suzy Monteiro
Que outros municípios vão tentar antecipar receitas para tentar conter as perdas dos royalties com a queda no preço no barril de petróleo, parece ser uma tendência. Macaé, Cabo Frio e São João da Barra já sinalizaram nessa direção, muito embora a Agência Nacional de Petróleo (ANP) ainda não tenha feito o cálculo oficial das perdas. Por que então, em Campos, 88,5% da população são contra a antecipação de receita, popularmente conhecida como “venda do futuro”, proposta pela gestão Rosinha Garotinho (PR) e aprovada pela Câmara Municipal na polêmica sessão do último dia 10 de junho? A resposta talvez esteja em duas outras duas estatísticas: para 83,3% dos campistas, o governo Rosinha aplica mal os royalties do município, enquanto 68,3% acham simplesmente que a atual administração municipal não é honesta.
Os novos resultados foram aferidos na mesma pesquisa do instituto Pro4, com entrevistas detalhadas junto a 426 pessoas nas sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, realizada entre 18 e 22 de junho. Os dados da consulta apontam o desgaste do governo Rosinha, acelerado depois que seu marido, Anthony Garotinho (PR), assumiu a secretaria municipal de Governo, em fevereiro deste ano, menos de quatro meses após ser derrotado em outubro de 2014, ainda no primeiro turno da eleição a governador — insucesso repetido no segundo pelo candidato que recebeu o apoio do casal para perder em cinco das sete ZEs de Campos.
Com a rejeição a Garotinho atrelada ao governo Rosinha, este chegou à segunda quinzena de junho considerado ruim (17,6%) ou péssimo (35,7%) por impressionantes 53,3% dos campistas, enquanto é razoável para 34,3%, bom para 10,8% e ótimo para apenas 1,4%. Os números são endossados pelos 75,2% que disseram desaprovar a maneira como Campos tem sido administrada, bem como pelos 77,2% que declararam não confiar na prefeita.
Mas é comparando essa nova pesquisa do Pro4 com a feita pelo mesmo instituto em abril, que a velocidade do desgaste do governo de Campos surge mais flagrante. Entre quem achava que o governo dos Garotinho aplica mal os royalties da cidade, os 81,2% de antes subiram para 83,3% em junho. O aumento de 2,1 pontos percentuais pode ser pouco, mas aponta uma mesma tendência, quando constatado que, na pesquisa anterior, 14,3% achavam os recursos do petróleo bem aplicados em Campos, percentual que diminuiu para 12%.
Quando se analisa a sensação de honestidade do governo dos Garotinho junto à população, as coisas parecem ter ficado ainda piores para quem a comanda. Se em abril já deveria ser preocupante ter 49,5% considerando a Prefeitura de Campos desonesta, este índice se tornou capaz de ganhar uma eleição majoritária em turno único: hoje impensáveis 68,3% dos campistas não vêem honestidade em seus governantes. Esta evolução negativa de quase 20 pontos percentuais, em apenas dois meses, não é diferente na outra ponta: os 32,2% que em abril ainda consideravam a administração rosácea honesta, minguaram para apenas 12,9% em junho.
Em outras palavras e, ao que tudo indica, sem nenhuma coincidência: enquanto quase nove entre cada 10 campistas são contra a “venda do futuro” aprovada pelos Garotinho na Câmara, pouco mais de um do mesmo grupo de 10 considera honestos aqueles que hoje governam a cidade.

Desejo de mudança na análise dos vereadores
Segundo pesquisa do instituto Pro4, publicada na edição de quarta-feira da Folha da Manhã, 93,5% dos eleitores querem mudança. E 82% deles exigem que o próximo prefeito mude tudo (45,1%) ou muita coisa (36,9%). Já 11,5% dos campistas disseram querer poucas mudanças do seu próximo governante, enquanto 4,7% expressou desejo pela total continuidade.
Da oposição, o vereador Rafael Diniz (PPS) ressalta que o desejo de mudança está em todo Brasil e em Campos não é diferente:
— Nossa população está descrente de um grupo político que só pensa em se perpetuar no poder. A população vê que o orçamento bilionário do município de Campos não é revertido em melhor qualidade de vida e esse sentimento é o mesmo em qualquer região de nossa cidade. É lamentável, mas o grupo político que está aí esquece de pensar na população e só pensa em si mesmo — destaca.
O vereador da bancada independente, Gil Vianna (PR), acredita que o resultado da pesquisa é reflexo de uma má gestão “A população sentiu que não pode confiar no governo. Por isso, votei contra a venda dos royalties. Essa pesquisa é a resposta da população e é preciso que o governo entenda”.
Da situação, o vereador Luiz Alberto Neném (PTB), discordou: “Não sabemos como está sendo feita essa pesquisa. Mas temos certeza que o governo da prefeita Rosinha representa grande avanço para Campos. Não há como comparar com governos Mocaiber e Arnaldo, que foram lastimáveis. A prefeita está há seis anos e meio governando para o povo. E a população sabe e reconhece isso”, afirmou.
Publicado hoje na Folha da Manhã













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