Maioria da população acha governo Rosinha ruim ou péssimo, desgaste que ganha periferia

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Há mal que não possa piorar? Tudo indica que não para o governo Rosinha Garotinho (PR), num processo de descrédito junto à população que parece ter se acentuado a partir da nomeação do seu marido, Anthony Garotinho, à secretária municipal de governo, em fevereiro deste ano. Se dois meses depois, em abril, duas pesquisas simultâneas dos institutos de pesquisa Pappel e Pro4 (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) deveriam ter acendido a luz amarela aos rosáceos, os campistas parecem agora ter ligado o sinal vermelho aos seus governantes. Segundo uma nova consulta Pro4, feita entre 18 a 22 de junho, com entrevistas detalhadas de 426 eleitores, hoje impressionantes 53,3% dos campistas consideram o governo Rosinha ruim (17,6%) ou péssimo (35,7%). Os números negativos são confirmados na mesma pesquisa pelos 75,2% que declararam desaprovar a maneira como Rosinha vem administrando Campos, bem como pelos 77,2% que disseram não confiar na prefeita.

 

Info Pro4 06-15 (3)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Atacada pelo grupo de comunicação de Garotinho, antes mesmo de ter seus resultados divulgados, mas com os rosáceos devidamente cientes da realidade que publicamente tentam negar, a pesquisa recente do Pro4 é mais esclarecedora quando comparada com as anteriores do mesmo instituto. Sobre a avaliação do governo municipal, os 19% que o consideravam ótimo, em outubro de 2013, minguaram para 9% em agosto de 2014, para 5% em outubro do mesmo ano, chegando a abril de 2015 com 3,5%, até bater no volume morto do 1,4% de hoje. Já quem achava a gestão boa, passou de 30% (10/13) para 34% (08/14), 29% (11/14) e 23% (04/15), até os atuais 10,8%.

Assim, num período de um ano e oito meses, com a derrota de Garotinho na eleição a governador (aqui) no meio do caminho, na qual não conseguir ir ao segundo turno e neste viu seu candidato perder (aqui) em cinco das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, os rosáceos saíram de confortáveis 49% de avaliação francamente positiva, para registrar apenas 12,2% de campistas que ainda o consideram a administração municipal ótima ou boa. Já aqueles que a achavam regular, eram 30% (10/13) e passaram a 34% (08/14), 37% (11/14) e 32% (04/15), até chegar aos 34,3% registrados em junho. Mas mesmo que todos estes fossem somados na aprovação da gestão, ao contrário do recomendado por todos os especialistas em pesquisa, aqueles que consideram o governo Rosinha ruim ou péssimo alcançaram uma maioria entre os campistas que hoje dispensaria até a necessidade de segundo turno, se fosse o caso de eleição majoritária.

 

Info Pro4 06-15 (2)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

E se os novos números do Pro4 colhidos em junho foram questionados mesmo antes da divulgação, em sua pesquisa anterior, em abril, os números foram menos duros para os governistas do que os registrados pelo Pappel. Em consulta no mesmo período, este instituto aferiu ao governo de Campos 4,4% de ótimo, 15,5% de bom, 37,06% de regular, 11,72% de ruim e 31,28% de péssimo. Assim, a já preocupante soma de 43% de ruim e péssimo que havia sido revelada pelo Pappel, dois meses depois, acabou superada por 53,3% dos campistas que agora, segundo o Pro4, acham a mesma coisa, indicando um rápido processo de erosão na popularidade da administração Rosinha.

Pormenorizada, a pesquisa do Pro4 é bastante clara no detalhamento desse desgaste. Entre as pessoas ouvidas nas faixas etárias entre 16 a 24 e de 25 a 34, todas as que possuem curso superior e têm renda de dois e cinco salários mínimos, bem como acima disso, rigorosamente zero por cento (0%) consideram o governo de Campos ótimo. A partir desse perfil, quanto mais jovem, mais se estuda e se ganha, menor é a tendência de se votar nos Garotinho.

Mas a resistência ao grupo político que detém o poder em Campos desde 1989 começa também a ganhar seu tradicional reduto da periferia. Se dos eleitores ouvidos das 98ª e 99ª ZEs de Campos, a chamada “pedra”, que concentram os bairros de classe média, a pesquisa mais uma vez não conseguiu registrar viva alma para considerar o governo Rosinha ótimo, o resultado nulo de aprovação foi o mesmo também na 129ª ZE, que abrange parte de Guarus, além de Serrinha, Lagoa de Cima e Outeiro. No lado oposto, se 35,7% dos campistas consideram o governo Rosinha péssimo, essa média é superada em três ZEs: além da 98ª, onde 51,6% comungam da pior avaliação possível do poder público municipal, a média é também ultrapassada na 76ª ZE (Guarus do Jardim Carioca ao Parque Prazeres), na qual o péssimo chegou a 42,3%, classificação que atingiu 38,6% na 75ª ZE (Baixada Campista, de Donana ao Farol).

Com as recentes defecções (aqui) na bancada governista, no último dia 10 (antes da pesquisa), de vereadores fortes junto às camadas mais populares, como Jorge Magal (PR), Gil Vianna (PR) e Albertinho (PP), Alexandre Tadeu (PRB) e Dayvison Miranda (PRB), nada indica que as coisas vão melhorar para os Garotinho.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Artigo do domingo — Barreiras invisíveis na cidade

 

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir; pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir”

 

(Da música “Deus lhe pague”, de Chico Buarque)

 

 

Mucama

 

 

Lara de Almeida cruz
Lara de Almeida Cruz, estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF)

 Por Lara de Almeida Cruz

 

Ela não tem nome, nem idade. Anda pelo bairro, empurrando um carrinho de bebê, como um pedaço de grafite que vai riscando a superfície branca. Ela não tem nome, nem idade, mas tem cor. O uniforme branco contrasta com sua pele quase como uma denúncia: ela é preta.

Ela sai de casa quando o sol dá seus primeiros sinais tímidos no céu. Caminha até o ponto em passos apressados, como se o asfalto atrás de seus pés fosse se desfazendo a cada passada. Já no ônibus, ao longo do caminho, ela sente seu corpo parar de dar pequenos saltos no banco em cada buraco da rua e, de repente, parece flutuar no asfalto liso como cetim. De dentro do veículo, ela olha as imagens passando pela janela quadrada como se assistisse a uma televisão: os chinelos transformando-se em sapatos sociais e de salto alto, as paredes rabiscadas virando grades altas, fachadas mal cuidadas tornam-se vitrines perfeitamente lustradas. Ela desce do ônibus e os passos não são mais tão apressados. Nessa manhã de sábado, o sol já deixou a timidez de lado e brilha soberbo, espremendo os olhos de todos os que caminham nessa rua, onde lojas com seus letreiros brilhantes dividem espaço com os camelôs que ocupam as calçadas. Por ela, passa uma família: a mãe olha a vitrine, o pai carrega algumas sacolas de papelão, os dois filhos saboreiam um picolé com a ajuda de uma mulher, que parece ser invisível aos olhos de todos, menos daquelas duas crianças. A babá observa esse passeio de sábado que em nada se parece com os seus e, após perdê-los de vista, se vê sozinha com sua imagem refletida na vitrine da loja e, atrás de si, o bairro. Algo parece errado, como se alguma coisa nesse reflexo estivesse fora do lugar. Os números na etiqueta do vestido que cobre o manequim branquelo são os mesmos que aparecem na sua conta bancária todo início de mês.

Ela entra no edifício e cumprimenta o porteiro, que já a conhece. Jogam um pouco de conversa fora até que uma mulher passa por eles sem dizer uma palavra, mas a careta no seu rosto é suficiente para que o porteiro se cale. Ela vai até os elevadores e encontra o social no térreo e o de serviço no último andar, mas por algum motivo o primeiro é invisível aos seus olhos, como se existisse ali uma barreira separando os dois. E, de fato, ela existe. Mais tarde, leva a criança para passear e, no caminho, ensina como ela só deve atravessar a rua na faixa de pedestres, dizer bom dia e não falar com estranhos. Mais à frente, cumprimenta uma menininha que sorri para ela na rua e ouve da mãe: “não fale com estranhos, filha”. Ela brinca, ensina o alfabeto, conta uma história e coloca para dormir. Ela cuida da casa como se fosse sua, zela pela criança como se fosse sua, afinal, aquela é quase sua casa, ela é quase da família. Esse quase que carrega um abismo, um quase que almoça com ela em pé com o prato apoiado na pia, que a acompanha na hora de dormir, num quartinho abafado no fundo da casa, cheirando a gordura. Um quase que sempre a lembra que ela nunca poderia pertencer àquele bairro. Ela é a estranha que não se pode cumprimentar.

Numa cidade que não é cenário, ela protagoniza um espetáculo que tem a urbe como palco, no qual a cena onde ela empurra um carrinho de bebê contém e conta a história de um país. Um país que se constituiu e se desenvolveu sobre um alicerce composto de conflitos, que estão sempre rondando a superfície urbana e afetando cada um que por ela circula. O tempo passa, mas esses conflitos jamais envelhecem; pelo contrário, sempre se renovam. Se personificam em situações cotidianas, em diversas mônadas espalhadas pela cidade e que qualquer um pode ver, inclusive a babá. No seu caminho, ela observa uma mulher com seu cachorro, ambos tão emperiquitados que mais parecem carros alegóricos. O animal, com o pelo brilhoso e exalando perfume, se lança a farejar um homem que dorme na calçada, feio, fedido e tão ignorado pela mulher que parece se confundir com o asfalto. A vitrine que, através das roupas expostas, promete beleza, felicidade e um bom desconto, não consegue esconder a escrita no muro ao lado: “Quantos vivem de lixo para que alguns vivam no luxo?”

Ela tem cor, mas não tem época. Por mais de 300 anos, ela teve seu filho arrancado de seus seios e se recolheu na senzala após colocar o filho da sinhá na cama. Hoje, ela deixa sua criança doente em casa porque precisa trabalhar cuidando das crianças da patroa. Em outra época, logo após depositar um beijo na testa tão pequena, branca como uma nuvem, da menina que lhe pagam para cuidar, ela entra no ônibus, escuro como a noite, e vê os bairros passando num dégradé invertido, o cheiro dos jardins se transformando no odor do lixo nas calçadas, até estar de volta ao seu devido lugar. Hoje em dia, da laje de sua casa, o ponto mais alto da cidade, ela observa as grandes e luxuosas coberturas. Com os pés no asfalto quente, ela consegue ver em um dos apartamentos o vidro da varanda embaçado pelo ar condicionado, no prédio que fica a poucos passos do morro onde mora, porém parece inalcançável.

Todo dia, a cidade funciona a todo vapor, como uma grande fábrica onde cada operário tem a sua função. Comerciantes fazem amizade com seus clientes para vender melhor, o guarda de trânsito e os pedestres se cumprimentam como se fossem velhos conhecidos a quem se deve afeto. Nesse contexto, não é de se estranhar quando trabalho e emoção se juntam. Enquanto uns cuidam de máquinas, outros cuidam de gente, e o salário no final do mês vai depender de quanto se sabe manejar um computador ou da qualidade do afeto e do zelo que se tem pelo outro. Enquanto em alguns casos os empregados batem ponto, saem para comer no horário de almoço e voltam para a casa no fim do expediente, em outros, as fronteiras entre trabalho e vida pessoal se dissolvem, a casa onde se trabalha é a mesma onde se habita (ou quase). Afinal, cuidado e carinho não têm hora certa; pode ser no feriado, fim de semana, de madrugada. O dever da babá é dar carinho e atenção àquela criança, mesmo que isso implique em deixar seu próprio filho sozinho.

A (não tão) simples cena de uma babá com um uniforme branco empurrando um carrinho de bebê comporta todo um mundo condensado em si. Abre-se diante dos olhos um mundo repleto de paradoxos e contradições, que denunciam a enorme ironia sobre a qual são construídas as relações entre as diferentes classes no Brasil e, quiçá, no mundo. No bairro onde a babá trabalha, existem pré-requisitos para “gente como ela” entrar e circular pelas ruas. É permitido cuidar dos filhos, educá-los, decidir quem entra ou não nos prédios, gerenciar a segurança de um estabelecimento e até construir um edifício, desde que se use o uniforme, um lembrete para eles e para os outros de que não pertencem àquele lugar. Sem tal vestimenta, eles incomodam, são desprezados, negados e expulsos. Com o uniforme, têm papéis decisivos na vida daquele bairro, daquela cidade. Mas, sem eles, não têm voz, não têm opinião, não têm lugar. Entrar no bairro é permitido, desde que seja pela porta de serviço. Ou servem para servir, ou não servem para nada. Vestem o uniforme toda manhã numa tentativa quase desesperada de, assim, deixarem de ser vidas nuas.

Não é de se estranhar?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Poema do domingo — Com que rapidez a sombria fileira se alonga

Quando escrevi aqui sobre a morte do ex-craque e ex-técnico do Flamengo Carlinhos, o “Violino”, na última segunda-feira (22/06), lembrei que já havia dito num outro artigo de despedida, em réquiens compostos muito além do desejo, que nada dá a sensação do tempo passando por nós como quando ele já não passa na vida de quem nos servia de referência. Quando escrevi sobre Carlinhos, ainda não sabia do desaparecimento do comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, visto pela última vez na noite do domingo anterior (21), próximo ao Restaurante do Ricardinho, em Atafona, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, quando partiu sozinho  em sua canoa a motor, sem salva-vidas, para tentar cruzar a foz do rio Paraíba do Sul, até sua casa na ilha do Peçanha.

Depois de noticiar o caso aqui, na quinta (25), em primeira mão na blogosfera local, acompanhando diariamente (também aqui e aqui) os infrutíferos trabalhos de busca por Neivaldo, compareci na noite de sexta (26) à encenação da peça “Pontal” no Sesc-Campos. Nela, os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo de Oliveira interpretam pescadores de Atafona, que transformam em causos contados entre si alguns poemas tendo a praia por tema ou nela ambientados, de minha autoria, do Artur Gomes, da Adriana Medeiros e de Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi. Com a concepção cênica e a direção do espetáculo também assinadas por Kapi, falecido (aqui) em 2 de abril deste ano, em sua primeira e mais popular montagem no próprio Pontal de Atafona, durante o verão de 2010, usando como palco o bar de Neivaldo, que Iemanjá depois retomaria aos seus domínios, foi inevitável (aqui) a homenagem na sexta aos dois ausentes do Sesc, ao final da peça que sem eles não teria existido.

Pensando em Neivaldo e Kapi, figuras polêmicas e marcantes de cujas intimidades partilhei, e em Carlinhos, com quem meu contato jamais excedeu o do garoto que gritava da arquibancada o nome do ídolo à beira do campo, pensei em quantas referências vivas têm sua chama extinta durante nossa própria vida, cuja duração talvez não tenha medição mais exata do que essa “rapidez com que se multiplicam as velas apagadas”. Também já escrevi aqui que, para mim, o grego (embora nascido no Egito) Konstatinos Kaváfis (1863/1933) é o maior poeta que o Modernismo produziu no planeta, ao lado do português Fernando Pessoa (1888/1935), do russo (nascido georgiano) Vladímir Maiakóvski (1890/1930) e do brasileiro João Cabral de Melo Neto (1920/1999). Do primeiro, já publiquei aqui o famoso poema “Ítaca”, momentos antes de embarcar em setembro de 2011 numa viagem à Grécia, incluindo à mítica ilha de Odisseu (aqui), ciceroneando meu pai, que morreria em 17 de agosto de 2012, pouco menos de um ano depois (aqui).

Certamente, além de “Ítaca”, poemas como “A cidade” e “Esperando os bárbaros” são mais representativos na poesia com jeito de prosa de Kaváfis, marcada também pela história, a mitologia e o homoerotismo herdados da Grécia Antiga pelo último heleno de Alexandria. Mas pelos muitos motivos ainda exalando sua fumaça atrás de nós, assim como, espero, existam outros tantos acesos e ainda virgens de chama adiante, o poema do mestre grego escolhido pelo blog para este domingo frio, na tradução da brasileira Ísis Borges da Fonseca, é:

 

 

vela apagada 2

 

 

Velas

 

Os dias do futuro erguem-se diante de nós

como uma série de pequenas velas acesas —

pequenas velas douradas, quentes e vivas.

 

Os dias passados ficam atrás,

uma triste fileira de velas apagadas;

as mais próximas ainda exalam fumaça,

velas frias, derretidas e recurvadas.

 

Não quero vê-las; entristece-me seu aspecto,

e entristece-me lembrar seu primeiro clarão.

Adiante contemplo minhas velas acesas.

 

Não quero voltar-me para não ver, apavorado,

com que rapidez a sombria fileira se alonga,

com que rapidez se multiplicam as velas apagadas!

 

Alexandria, 1899

 

0

Mais um dia de buscas acaba e Neivaldo continua desaparecido

Bombeiros voltarão a vasculhar a foz do Paraíba no domingo (foto de Genilson Pessanha - Folha da Manhã)
Bombeiros voltarão a vasculhar a foz do Paraíba no domingo (foto de Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Com o cair da noite foram encerradas por hoje as buscas pelo comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido na foz do rio Paraíba do Sul desde a noite do último domingo (21/06). Apesar de mais boatos, espalhados desde a noite de ontem, de que seu corpo havia sido encontrado em Gargaú, em São Francisco de Itabapoana (SFI), nada foi encontrado pelas equipes dos Bombeiros, Capitania dos Portos e Defesa Civil de São João da Barra (SJB), que amanhã reiniciam as buscas, às 8h da manhã, com o mesmo efetivo de pessoal e embarcações, pela foz do rio e o litoral dos dois municípios por ela separados.

Para inteirar-se das circunstâncias do desaparecimento de Neivaldo, confira aqui e aqui.

 

0

“Pontal” no Sesc-Campos homenageou Kapi e Neivaldo

Na visão do repórter fotográfico Valmir Oliveira, o espetáculo “Pontal”, na noite de ontem, no Sesc-Campos, com os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo de Oliveira, que homenageou o poeta e diretor de teatro Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi, falecido no último dia 2 de abril, e o comerciante Neivaldo Paes Soraes, o Bambu, desaparecido desde o início da noite do último domingo (21/06), na foz do rio Paraíba do Sul, às margens do que restou do Pontal real de Atafona, onde a peça foi encenada a primeira vez no verão de 2010, no bar de Neivaldo, com direção de Kapi:

 

Pontal Sesc 1

 

Pontal Sesc 2

 

Pontal Sesc 3

 

Pontal Sesc 4

 

Pontal Sesc 5

 

Pontal Sesc 6

 

Pontal Sesc 7

 

Pontal Sesc 8

 

Pontal Sesc 9

 

Pontal Sesc 10

 

Pontal Sesc 11

 

Pontal Sesc 12

 

Pontal Sesc 13

 

Pontal Sesc 14

 

 

0

Com Neivaldo ainda desaparecido, buscas serão retomadas nesse sábado

Bombeiros estiveram hoje na residência de Neivaldo na ilha do Peçanha (foto de Genilson Pessanha - Folha da Manhã)
Bombeiros estiveram hoje na residência de Neivaldo na ilha do Peçanha (foto de Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Neivaldo (reprodução de facebook)
Neivaldo (reprodução de facebook)

Com informações do jornalista Arnaldo Neto

Acabou há alguns minutos, com o cair da noite, o trabalho de busca pelo comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido desde o início da noite do último domingo (21/06). Amanhã, as buscas recomeçam a partir das 7h da manhã, com uma lancha e agentes da Capitania dos Portos de São João da Barra (SJB). Já os Bombeiros retomam a partir das 8h o trabalho que fizeram durante todo o dia de hoje, com mais uma lancha, com equipe de mergulhadores, mais um jet ski e um quadriciclo, para percorrem o litoral nos dois sentidos da foz do rio Paraíba do Sul, onde a canoa a motor de Neivaldo foi encontrada por pescadores rodando sozinha, na manhã de segunda-feira. Com mais uma lancha, a Defesa Civil de SJB também voltará a engrossar  amanhã as buscas com mais uma lancha, mas só na parte da tarde, devido a um compromisso que já estava agendado.

Irmão de Neivaldo, o também comerciante Élvio Paes Gomes, o “Estranho”, hoje cogitou a possibilidade de homicídio. Ele disse que a porta da frente da casa do irmão, na ilha do Peçanha, estava apenas encostada (como o blog adiantou ontem aqui), enquanto Neivaldo tinha o hábito de não sair sem trancá-la a chave. Segundo Estranho, o irmão já teria registrado queixa na 145ª Delegacia de Polícia (DP) de SJB, após se envolver em confronto físico com vizinhos na ilha. No entanto, nada na casa parece ter sido levado, assim como a canoa de Neivaldo foi encontrada na manhã de segunda, com o motor ligado, dando voltas pela foz do Paraíba, com todos os pertences aparentemente intocados. Dentro da embarcação havia uma churrasqueira, carne já assada de churrasco, uma rede e iscas de pesca, uma garrafa e latas de cerveja vazias, cigarros de palha fumados pela metade e uma sacola plástica com mantimentos: farinha, café e açúcar.

De acordo com testemunhas, perto do cais do Restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, em Atafona, Neivaldo estava sem colete salva vidas e chegou a cair quatro vezes da canoa, tendo dificuldades também para acionar o motor, antes de tentar cruzar a foz do Paraíba até sua casa, já à noite, na ilha do Peçanha. Como Estranho só oficializou o desaparecimento do irmão na tarde de quinta, o delegado titular da 145ª DP, Célio Peralta, ainda não se pronunciou sobre o caso, o que só deve fazer na próxima terça-feira, dia 30. Todavia, mesmo sem poder falar oficialmente, policiais adiantaram que como Neivaldo morava na ilha do Peçanha, pertencente a São Francisco de Itabapoana, o caso será repassado à 147ª DP, naquele município, cuja delegada titular é Ivana Morgado.

 

O barco de Neivaldo foi encontrado por pescadores na manhã de segunda, com pertences aparentemente intocados, mas sem o condutor (foto de Genilson Pessanha - Folha da Manhã)
O barco de Neivaldo foi encontrado por pescadores na manhã de segunda, com pertences aparentemente intocados, mas sem o condutor (foto de Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

 

Atualização às 10h50 de 27/06: Ontem à noite surgiu o boato de que o corpo de Neivaldo teria sido encontrado em Gargaú, em São Francisco de Itabapoana, do lado oposto a Atafona na foz do rio Paraíba do Sul. Mas nem ontem, nem na manhã de hoje, existe qualquer confirmação da informação.

 

0

“Pontal” hoje no Sesc e “A matrioska” a partir de amanhã, na Persona

Exibida no auditório da Prumo no Porto do Açu, no último dia 12, após o grande sucesso da estreia em 2010, a peça do Pontal sobe o rio Paraíba do Sul para hoje ser exibida, às 20h, no Sesc de Campos (foto de Michelle Richa - Folha da Manhã)
Exibida no auditório da Prumo no Porto do Açu, no último dia 12, após o grande sucesso da estreia em 2010, a peça do Pontal sobe o rio Paraíba do Sul para hoje ser exibida, às 20h, no Sesc de Campos (foto de Michelle Richa – Folha da Manhã)

 

Dois espetáculos, um baseado em poemas transformados em causos contados entre pescadores, outro erguido sobre a prosa de um poeta da construção. Hoje, às 20h, no Secs de Campos, após fazer grande sucesso (aqui) no Porto do Açu a, a peça “Pontal”, reunindo poemas meus, do Artur Gomes, Adriana Medeiros e Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi, com direção de Yve Carvalho e ele no elenco, ao lado de Sidney Navarro e Saullo de Oliveira. Com grande sucesso de público, a peça foi encanada a primeira vez no próprio Pontal de Atafona, no verão de 2010, no Bar do Bambu, antes do mar tomar o lugar.

Já amanhã, no espaço da companhia de teatro Persona, também às 20h, se dará a estreia (aqui) da peça “A matrioska ou o jogo da verdade”, texto do poeta e dramaturgo Adriano Moura, com direção de Fernando Rossi. Finalista do 1º Concurso Nacional de Dramaturgia da Federação de Teatro Associativo do Estado do Rio de Janeiro (Fetaerj), o texto será encenado por Caio Paes de Freitas, Gabriel Azeredo, Katiana Rodrigues, Liana Velasco e Mayko Gente Boa, com reencenação no mesmo local e horário nos dias 28 de junho (domingo), mais 4, 5, 11 e 12 de julho.

 

Após pré-estreia de sucesso no Secs, a peça “A matrioska ou jogo da verdade” terá turnê a partir de amanhã, pelos próximos três finais de semana, no esoaço da Cia. Persona (foto de Valmir Oliveira - Folha da Manhã)
Após pré-estreia de sucesso no Sesc, a peça “A matrioska ou jogo da verdade” terá turnê a partir de amanhã, pelos próximos três finais de semana, no espaço da Cia. Persona (foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

 

0

Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, está desaparecido desde domingo na foz do Paraíba

Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, está desparecido na foz do Paraíba do Sul, entre o  rio e o oceano Atlântico, desde o último domingo
Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, está desparecido na foz do Paraíba do Sul, entre o rio e o oceano Atlântico, desde o último domingo (facebook de Neivaldo)

 

Está de desaparecido, desde o início a noite do último domingo (21/06), o comerciante campista Neivaldo Paes Soares, de 54 anos. Conhecido como “Bambu”, desde que passou a morar e tocar seu bar junto à foz do rio Paraíba do Sul, primeiro no Pontal de Atafona, em São João da Barra e depois na Ilha do Peçanha, que pertence a São Francisco de Itabapoana, ele foi visto pela última vez no domingo, dentro de sua canoa a motor, nas imediações do tradicional Restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha.

Segundo informações de quem estava no local, ele não estaria usando colete salva vidas e teria chegado a cair do barco quatro vezes, tendo depois dificuldades também para ligar o motor de popa, antes de iniciar a travessia da foz do rio até a Ilha do Peçanha. Na manhã do dia seguinte, aua canoa foi encontrada com o motor ligado, rodando em círculos por pescadores do rio Paraíba, que conduziram a embarcação e a amarram na Ilha da Convivência. Dentro da canoa, aparentemente abandonada, havia uma churrasqueira, carne de churrasco já assada, rede e iscas de pescas, uma garrafa e algumas latas de cerveja vazias, cigarros de palha fumados pela metade e um saco plástico com mantimentos: farinha de mandioca, café e açúcar.

Na manhã de hoje, o fiscal de meio ambiente de São João da Barra, Luiz Henrique Araújo, o “Lulu”, foi até o local, encontrou a canoa de Neivaldo nas mesmas condições e conversou com os pescadores que a encontraram. Depois, Lulu seguiu até à ilha seguinte do Peçanha, foi a casa de Neivaldo, que estava com a porta da frente só encostada, aparentemente nas mesmas condições em que seu dono a deixara quatro dias antes.

Irmão de Neivaldo, o também comerciante Élvio Paes Soares, o “Estranho”, esteve hoje oficializando o desaparecimento junto à 145ª Delegacia de Polícia (DP) de São João da Barra, para dar início as buscas, que começaram, lideradas por Lulu e pelo pescador e mergulhador Juliano Alcântara, antes mesmo das autoridades.

 

Atualização às 16h30: Os boatos de que um corpo humano teria sido encontrado na foz do Paraíba não são verdadeiros. Um corpo foi, sim, achado boiando no local agora há pouco, mas era de um cavalo.

 

Atualização às 18h05: Com a chegada da noite, as buscas foram interrompidas para ser retomadas amanhã pela manhã, quando contarão com mergulhadores do 5º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM) de Campos.

 

Atualização às 19h02: Foi no bar (e residência) de Neivaldo, instalado na antiga casa de barco da família Aquino, proprietária do Grupo Thoquino, que no verão de 2010 foi encenada pela primeira vez a peça “Pontal”, num grande sucesso de público e talvez último momento de brilho de um lugar que o mar não tardaria em reaver aos seus domínios. Com concepção e direção de Antônio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi, falecido em abril deste ano, o espetáculo reuniu poemas de Aluysio Abreu Barbosa, Artur Gomes, Adriana Medeiros e do próprio Kapi, trazendo no elenco Yve Carvalho, Sidney Navarro e Mairus Stanislavski, depois substituído por Artur. Dois anos depois, em julho de 2012, com o novo avanço do mar e a destruição da antiga construção no Pontal, Neivaldo se mudou à outra margem da foz do Paraíba, para um casa que já havia comprado na ilha do Peçanha. Lá ele passou a receber os amigos e conhecidos, na informalidade que comungava novamente casa e bar.

 

Atualização às 0h59 de 26/06: Texto de post de Neivaldo publicado aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, em 25 de março de 2013:

“Para que todos tenham uma bela noção do que é a ilha à qual eu moro, eu preparei um discurso o qual vocês transformarão em imagem e venham me visitar.

As ilhas do terceiro maior delta do Brasil ao nosso alcance.
Transporte-se para as ilhas, viaje por inúmeros canais.
Junior barqueiro, oficial do delta, com ótima segurança, leva você a qualquer ilha e as praias de São Francisco de Itabapoana.
Com bela parada na ilha do Peçanha, no restaurante da ilha. Lagoas salgadas e doce. Do nascer ao pôr-do-sol, o mangue seco, água potável, sem nenhum produto químico, brota da terra ao alcance das mãos, NATUREZA VIVA.
Descubra este paraíso, ouça os pássaros, a sinfonia dos ventos, a força do mar e a calmaria do nosso rio paraíba do sul, DESCUBRA A PAZ.

Serão todos otimamente recebidos, mas ligue antes, viver com a natureza, não é sempre muito fácil, até o paraíso é preciso de um trabalho.

Com carinho e amizade para todos”

 

Atualização às 11h25 de 26/06: Três lanchas, um jet ski e um quadriciclo do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil de São João da Barra e da Capitania dos Portos do município, estão desde às 8h da manhã em busca de Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”. As embarcações maiores estão na foz do Paraíba do Sul, onde Neivaldo teria desaparecido no último domingo (21/06), e contam com dois mergulhadores dos Bombeiros, que não foram à água pela falta de referencial mais preciso numa área muito extensa. O jet ski está percorrendo o litoral pelo lado esquerdo da foz, até São Francisco de Itabapoana, enquanto o quadriciclo percorre a faixa de areia do lado contrário, até a praia do Açu. Se nada for encontrado, o trabalho das equipes de busca segue até o cair da noite.

 

0

Crítica de cinema — Longa cumpre seu papel de entretenimento

Bagdá Café

 

Qualquer gato vira-lata 2 (1)

 

Mateusinho 3QUALQUER GATO VIRA-LATA 2 — “Qualquer gato vira-lata tem a vida sexual mais sadia que a nossa”, espetáculo montado em 1988 e escrito pelo ator Juca de Oliveira, deu origem às duas versões do filme “Qualquer gato vira-lata”, lançados, respectivamente, em 2011 e 2015. Em cartaz nos cinemas de Campos, o segundo longa-metragem, dirigido por Roberto Santucci e Marcelo Antunez, traz, novamente, o triângulo amoroso entre Tati (Cléo Pires), Conrado (Malvino Salvador) e Marcelo (Dudu Azevedo), com novas tramas e desfecho esperado — que, apesar da obviedade do enredo, consegue entreter os espectadores com boas doses de humor.

Durante viagem a uma ilha do Caribe, ao preparar o pedido de casamento para Conrado e ver seus planos ruírem depois de o namorado dizer que precisa um tempo para pensar, Tati une-se à ex-esposa do homem para provocar ciúmes nele. A visita de Marcelo, seu ex-namorado, é oportuna para a ocasião. Enquanto Tati e Ângela ficam contra Conrado, ele e Marcelo brigam pela protagonista.

Em cena, com elenco formado, também, Rita Guedes, Mel Maia — cuja maturidade artística é notada no filme —, Álamo Facó, Letícia Novaes, Fábio Júnior e Stella Miranda, o embate entre homem e mulher, masculino e feminino, macho e fêmea prevalece, tanto nas conquistas quanto na necessidade de demonstrar força sobre o adversário. Em entrevista recente, o autor da peça, Juca de Oliveira, afirmou que “as mulheres deixaram de ser caça para se tornarem caçadoras”. Em “Qualquer gato vira-lata 2”, a frase do também ator torna-se ainda mais evidente.

A relação humana, tanto no primeiro quanto no segundo longa-metragem, é interpretada a partir do reino animal — visto que Conrado é professor e estuda o comportamento de jovens namorados com o de diferentes espécies. A forma como o homem compreende os vínculos animais e a dificuldade com que vivencia suas próprias relações levam o público ao riso, com humor ora dosado, ora exagerado.

Em certos momentos, como na festa da tequila, “Qualquer gato vira-lata 2” remete quem assiste à lembrança outros filmes brasileiros de comédia, como “Muita calma nessa hora”, cujos personagens se reúnem na praia, com bebidas para comemorar o aniversário de uma das personagens, e a sequência do casamento em “Se eu fosse você 2”. No entanto, apesar das cenas de festas, tal como ocorreu em “Entre abelhas”, há momentos de drama.

A chegada do pai de Tati ao resort onde a moça está hospedada modifica o roteiro brevemente. O homem, interpretado por Fábio Júnior, conversa com a filha sobre casamentos e vida. O aspecto dramático prevalece, principalmente, devido ao contexto em que se encaixam não apenas os personagens, mas também os atores. A encenação, durante a sequência, ultrapassa a barreira da ficção.

A emoção e as trocas entre pai e filha deixam transparecer a realidade. Enquanto dialoga com Tati/Cléo, o pai — personagem e ator — fala sobre a importância e a saudade que sentiu da moça. A pedido dela, canta uma canção e envolve, também, o público, que, brevemente, se esquece do lado cômico que precede a bela sequência.

As últimas cenas de “Qualquer gato vira-lata 2” deixam, no público, a expectativa de um terceiro filme da franquia. Aos diretores, produtores e atores, resta a sabedoria para não deixar que o possível novo longa-metragem perca o humor, que, até o momento, foi conseguido nos dois primeiros momentos, e cumpra o seu papel.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

 

0