Maioria dos campistas não vê progresso na cidade governada por Rosinha

Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto
Numa pesquisa onde 54% da população não aprovam a maneira como seu município tem sido administrado, 57,5% não confiam na pessoa da sua prefeita, 65,5% não querem votar em nenhum candidato por ela apoiado na hora de sucedê-la, talvez porque 50,2% creiam que sua governante não cumpriu a maior parte (30%) ou nada do que prometeu (12%) na última eleição, qual seria a sensação coletiva: a cidade está progredindo, parada ou regredindo? Segundo a consulta do instituto Pro4, realizada em abril com entrevistas detalhadas junto a 426 pessoas, 58,9% dos campistas acham que Campos está parada, enquanto estaria regredindo para 12,4% e progredindo apenas para 9,4% da população — expressivos 19,20% não souberam ou quiseram responder. Em outras palavras, na tradução lógica dos números, menos de um em cada 10 campistas acreditam que a cidade está melhorando sob o governo dos Garotinho.
Mas na investigação da causa dessa sensação majoritária de estagnação da cidade, a pesquisa coloca a prefeita Rosinha Garotinho (PR) dividindo parcialmente a culpa, aos olhos do povo campista, com outra governante reeleita e enfrentando sua pior crise de popularidade: a presidente da República Dilma Rousseff (PT). Se Rosinha nunca esteve tão mal na aprovação popular, desde que assumiu o governo de Campos pela primeira vez, em 2009, quando entregou seu diploma de prefeita nas mãos do marido Anthony Garotinho (PR), o mesmo se pode dizer de Dilma, desde que esta sucedeu seu “padrinho” Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência, em 2011.
Entre o eleitorado goitacá, 33,1% atribuem ao governo Rosinha, enquanto 28,9% ao governo Dilma, a razão do ritmo de desenvolvimento que enxergam hoje em sua cidade. Para outros 9,9%, a causa seriam os royalties do petróleo, ao passo que 1,9% identificam o Porto do Açu e 26,3% não souberam ou quiserem responder.
A traçar perfil do eleitor, como fez em todos os outros dados da pesquisa Pro4 revelados anteriormente pela Folha nesta série de reportagens iniciada no último domingo (03/05), o antigarotismo aparece mais uma vez cristalizado entre quem tem maior estuda mais e ganha melhor. Entre quem tem curso superior, 67,5% acham que Campos está parada, enquanto no extrato por renda o maior percentual dos que vêem a cidade regredindo (21,4%) apareça com quem ganha mais de cinco salários mínimos.

Governista e oposição comentam números
Os dados da pesquisa Pro4 divulgados na edição de ontem apontam que a maioria dos entrevistados acredita que Rosinha não cumpre promessas de campanha. O vereador Abdu Neme (PR), discorda, fala de obras realizadas, mas acredita que a rejeição à prefeita indicada pela mesma sondagem seja “reflexo de uma conjuntura nacional, na qual nenhum político é bem avaliado atualmente”. Por outro lado, Rafael Diniz (PPS) aponta que a Rosinha não proporcionou melhorias nas áreas de Saúde e Educação, entre outras, que eram tão criticadas pelo seu grupo político antes de ganhar a eleição de 2008.
Vereador da base governista, Abdu Neme avalia que a crise nacional e aumento de impostos, apontados como problemas de nível nacional, influenciam na sondagem. “Essa pesquisa mede um momento. Não é só a prefeita de Campos, é no Brasil que nenhum político é bem avaliado. Agora, dizer que a prefeita não cumpre nada do que prometeu, eu discordo”, disse Abdu.
Rafael Diniz não acredita que seja uma questão nacional. Para o vereador, a população percebe que existem falhas na administração e vê que os compromissos não foram cumpridos. “Ao invés de cumprir com o que prometeu, diminuindo a máquina administrativa, aumentou e inchou ainda mais, gerando gastos e mais gastos. Essa má administração, falta de compromisso e respeito com cidadão, tudo isso leva à rejeição”, resumiu Diniz.

Publicado hoje na Folha da Manhã






















