Velocista improvável aos 30 anos e dono de um drible de canhota tão mortal quanto o de Messi, Arjen Robben foi o craque da Copa até as semifinais. Louis van Gaal pode ser um baú de papelão sem alça em dia de chuva, mas é também um tático brilhante, capaz de alterar esquemas de acordo com os adversários e de mudar placares com substituições durante o jogo. A bem da verdade, de todas as quatro seleções que ainda estão no Mundial, ou das 28 que já voltaram para casa, a Holanda é o time mai difícil de ser derrotado. Tem uma defesa sólida e um contra-ataque letal, conjunto que garantiu uma campanha invicta, desclassificada pela Argentina apenas na loteria dos pênaltis.
Mesmo que contasse com Neymar em forma e não tivesse sofrido a maior humilhação da história das Copas, diante do mundo e dentro da sua própria casa, nos 7 a 0 impostos pela Alemanha, seria uma parada indigesta para o Brasil, na decisão do terceiro lugar de logo mais, a partir das 17h, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Na escalação mais compacta, com Paulinho em substituição a Fernandinho e, sobretudo, com Ramires no lugar de Hulk, além da volta de Thiago Silva à zaga, o Brasil, pelo menos em tese, estará mais seguro na defesa. Bem verdade que a insistência em jogar com centroavante fixo, com Fred cedendo vez a Jô, para poupar o primeiro das vaias das quais foi vítima no vexame do Mineirão, demonstram que Felipão está mesmo superado para o futebol hoje praticado no resto do mundo.
Mas quer saber, e daí? Os 11 que entrarem em campo o farão já exorcizados da pressão eleitoral de uma “pátria de chuteiras” cuja presidente-candidata descartou todos os 23 na manhã seguinte à derrota, como “pior dos pesadelos” e com direito a confissões de ex-guerrilheira marxista diante à câmera yankee da CNN. Da mesma maneira, jogarão de grilhões rompidos com uma obrigação de vitória imposta pela arrogância dos comandantes que teriam de proteger-lhes fora de campo, mas que de lá trouxeram para dentro o dilema entre glória ou maldição, sob a expiação de uma pátria que só se lembra de sê-la de quatro em quatro anos.
Se, como pregou ontem seu capitão na coletiva (aqui), quem hoje jogar realmente buscar no campo a restituição de sua honra representando um país, será capaz de fazê-lo, independente do placar. Como sua metáfora, talvez não haja esporte mais fiel à vida do que o futebol. Com a única certeza do apito final em ambas, que a Seleção Brasileira consiga hoje encarnar o estoicismo de Marco Aurélio (121 d.C./ 180 d.C.), imperador e filósofo romano: “Levanto-me para retomar a minha obra de homem”.
Como tudo começou, em 2007, com os então presidentes da CBF e da República, Ricardo Teixeira e Lula, e o presidente da Fifa até hoje, Joseph Blatter, entrelaçando mãos e interesses para a definição do Brasil como a “pátria de chuteiras” de sete anos depois
Independente do jogo entre Brasil e Holanda de logo mais, no Mané Garrincha, em Brasília, pela disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo, alguém ainda duvida que ainda vivemos há algum tempo na deturpação da expressão “pátria em chuteiras”, criada pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912/80)? Bem, se incerteza há, escute abaixo a vinheta gravada desde o ano passado, antes mesmo da Copa das Confederações vencida pelo Brasil, na campanha do governo Dilma Rousseff (PT) para a Copa do Mundo em ano de eleição, custeada pelo dinheiro público e batizada de… “Pátria de Chuteiras”:
Infelizmente, pelo menos para quem torcia apenas pelo futebol da Seleção Brasileira, não por sua utilização num projeto político de perpetuação no poder, tinha uma Alemanha no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma Alemanha. E numa tarde do Mineirão deu-se o vexame dos vexames na Copa das Copas.
Entre Carlos Alberto Parreira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Luiz Felipe Scolari, Dilma agora quer ameaça fazer uma intervenção, mas só após da humilhação mundial do Brasil, no futebol do qual já foi grande parceira e recebia camisa personalizada para o netinho Gabriel
Como nunca antes na história deste país, nem de nenhum outro, uma seleção campeã do mundo de futebol e semifinalista de uma Copa foi tão humilhado, por todos os ângulos e em tempo real, diante dos olhos de todo o planeta. Depois de gastar mais de R$ 9 bilhões na reforma e construção de estádios pelo país, 95% deles bancados com dinheiro público, mais que o somatório do custo das duas Copas anteriores na África do Sul (2010) e na mesma Alemanha (2006), além de resolver a mobilidade urbana brasileira na base dos feriados em dias de jogos, desafogando o trânsito, mas também o trabalho e a produção, num prejuízo estimado em R$ 60 bilhões, o que fazer antes de entregar o ouro esculpido em taça na mão do outro, na final de domingo no Maracanã?
Bem, já no dia seguinte (o9/07) ao vexame da goleada de 7 a 1 imposta com facilidade pela Alemanha, na semifinal de terça (08), a primeira a se mexer foi própria presidente Dilma Rousseff (PT), que buscou a rede estadunidense de TV CNN para tentar se justificar diante do mundo pela humilhação do Brasil na Copa que sedia (confira aqui a íntegra da entrevista). Ato contínuo, na manhã seguinte (quinta, dia 10), foi a vez do ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PC do B), em pleno briefing promovido pela Fifa, ameaçar uma intervenção estatal no futebol brasileiro (relembre aqui).
Na sociologia da “pátria em chuteiras”, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o candidato tucano Aécio Neves, o presidente da CBF, José Maria Marin, e o presidente eleito da entidade, Marco Polo Del Nero
Pois ontem, a oposição também resolveu entrar no jogo. Provando que vai fazer uso da democracia irrefreável das redes sociais em sua campanha, o candidato tucano à presidência, Aécio Neves, entrou de sola contra a iniciativa federal, que chamou de “Futebras”. Confira abaixo a reprodução da nota postada aqui, no perfil do Facebook do político mineiro:
— O futebol brasileiro precisa, é claro, de uma profunda reformulação. Mas não é hora de oportunismo. Principalmente daqueles que estão no governo há 12 anos e nada fizeram para melhorá-lo. E nada pode ser pior do que a intervenção estatal. O país não precisa da criação de uma “Futebras”. Precisa de profissionalismo, gestão, de uma Lei de Responsabilidade do Esporte. Com foco nos atletas, nos clubes e nos torcedores.
Eduardo Campos entre José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, recebendo camisa autografada da Seleção Brasileira, sonho de muitos eleitores
Por sua vez, o candidato do PSB a presidente da República, Eduardo Campos, também entrou jogo. Cumprindo agenda de campanha ontem em Natal (RN), ele ironizou os dois adversários, dizendo que Dilma e Aécio parecem estar querendo se candidatar a presidência da CBF:
— O debate de conteúdo é que precisa ser feito, um debate do bom senso. Pelo visto estão querendo se candidatar a presidente da CBF a Dilma ou o Aécio. Precisa do envolvimento e escuta da sociedade sobre uma lei de responsabilidade nos esportes de uma maneira geral, precisa fazer isso sem estar contaminado pelo ambiente eleitoral, tem que fazer com responsabilidade.
Ministro de Dilma, o comunista Aldo Rebelo comungou da mesma mesa com a cartolagem da CBF que agora ameaça de intervenção, depois de retirar artigos do projeto de um deputado tucano para moralizar o futebol, como denunciou publicamente Romário, aliado do petista Lindberg
Enquanto a bola é dividida pelos três como numa pelada, um ex-gênio dos gramados, deputado federal do partido de Eduardo Campos e candidato a senador na chapa do petista Lindberg Farias ao governo do Rio, também faz uso da democracia irrefreável das redes sociais para cobrar publicamente ao ministro Rebelo e à presidente Dilma. Romário pressiona ambos pelo apoio a um projeto de deputado federal tucano Otávio Leite (RJ), no sentido de sanear o futebol brasileiro, que teve vários artigos retirados com apoio do governo federal. Segundo o Baixinho denunciou aqui:
“Os artigos 36, 37, 39, 40 e 41 foram os retirados da proposta, em resumo, eles propunham o seguinte:
“Constituíam a Seleção Brasileira de Futebol e o Futebol Brasileiro como Patrimônio Cultural Imaterial; obrigavam a CBF a contribuir com alíquota de 5% sobre as receitas de comercialização de produtos e serviços proveniente da atividade de Representação do Futebol Brasileiro nos âmbitos nacional e internacional. O tributo também incidiria sobre patrocínio, venda de direitos de transmissão de imagens dos jogos da seleção brasileira, vendas de apresentação em amistosos ou torneios para terceiros, bilheterias das partidas amistosas e royalties sobre produtos licenciados. O valor seria destinado a um fundo de iniciação esportiva para crianças e jovens. A CBF também ficaria sujeita a auditoria do Tribunal de Contas da União.
“Ministro, curiosamente, tanto o Sr. como o presidente da Câmara dos Deputados pediram a retirada destes artigos, alegando que com eles a proposta não seria aprovada. Fica a pergunta, o ministério vai apoiar estas propostas? Aguardo a resposta.
“Incrível o que uma porrada de 7×1 não faz!”
Mesmo depois ter colocado o retrato de Dilma na parede como sua fiel sucessora, Lula ainda recebia os afagos dos cartolas da CBF Del Nero e Marin, também com direito à camisa personalizada com o número do PT e da sorte que o Brasil teria na Copa das Copas, na “porrada de 7 a 1” referida por Romário
Holanda — Não é mais o primeiro lugar que está em disputa, mas sim a nossa honra, a nossa dignidade. E eu acho que aquando você é atleta de Seleção Brasileira, você veste essa camisa com cinco estrelas, você tem que respeitá-la acima de tudo. Então eu acho que a motivação em vesti-la, está acima de qualquer coisa. Independente da situação, se a gente vem de uma derrota teoricamente dura, da forma que foi a última, eu acho que a gente tem tudo agora para virar a página e… é vida que segue! É um outro adversário, de muita qualidade também, mas a gente está muito motivado para esse jogo. É um adversário muito qualificado, que não chegou a decisão, acredito, por falhas nas penalidades. É coisa que acontece no futebol, mas teria totais condições de estar na final com a Alemanha. Então tem todo nosso respeito, todo nosso respaldo, e a gente vai tentar fazer um grande jogo (interrompido por Felipão, que lembra a eliminação do Brasil, com Thiago, pela Holanda, nas quartas de final de 2010). É basicamente o mesmo time que nos eliminou em 2010. E naquela ocasião, eu saí muito triste. E não vai ser dessa vez que eu vou querer sair triste novamente. Tentar virar essa coisa aí, tentar amenizar pelo menos um pouquinho a última partida.
Felipão continua? — Não é porque ele (Felipão) está do meu lado, mas eu já falei para ele, na frente do grupo e pessoalmente também, o quanto nós confiamos nele, e o quanto nós acrescentamos e crescemos de um ano e meio para cá. É claro que tudo começou com o Mano Menezes lá atrás,formando o grupo, e depois teve a saída. Eu acho que a saída é sempre um pouco difícil você tentar assimilar. E eu acho que o momento não é de você crucificá-lo, por um erro, por acerto, enfim, por qualquer razão. E a gente está junto, porque um grupo, quando um erra, erra todo mundo. Ele falou na última coletiva (da quarta, dia 9, seguinte ao jogo com a Alemanha) que ele teve a parcela dele de erro; como nós temos a nossa. Eu acho que quando a gente consegue dividir o erro em partes, fica leve, não fica pesado para todo mundo. Então, a derrota não é culpar o Felipão, porque quem estava dentro de campo fomos nós jogadores. Por mais que eu não estivesse em campos, eu faço parte daquele jogo também; eu me incluo, porque como capitão eu tenho que fazer esse papel. Infelizmente, aconteceu. E só vai acontecer agora daqui a 100 anos. Não é uma coisa que acontece regularmente. Foi um momento de seis minutos de pane que resultou num resultado final trágico pra gente.
Brasil sem Maracanã — É claro que fica frustrante pelo simples fato de você criar a expectativa em função de um jogo final, possível hexacampeonato, que era visível e todo mundo tinha essa consciência de que era possível também. E é frustrante, sim, porque eu passei muitas noites sem dormir, pensando nessa Copa do Mundo, nessa possível final. Infelizmente, não vai acontecer mas em nenhum momento eu acho que deixei de ter determinação para jogar futebol. Eu acho que a gente, quando é apaixonado por aquilo que faz, independente da situação, a gente tem que demonstrar e crescer com os erros. E eu acho que esse erro do jogo passado, com certeza faz a a gente muito mais forte.
Thiago Silva (zagueiro e capitão da Seleção Brasileira, na entrevista coletiva que ocorre neste momento, em Brasília)
Para qualquer brasileiro louco por futebol, era como estar em Nova York no 11 de Setembro, com o espetáculo de horror e grandiosidade da História diante dos nossos olhos, em tempo real. Apesar de tudo, foi um privilégio testemunhar o melhor do pior, sem mortos nem feridos: só humilhados.
Em qualquer clube-empresa, uma derrota dessas derrubaria toda a diretoria e até a presidência, por pressão dos acionistas. Mas os que escolheram a comissão técnica, os arquitetos do fracasso, como o presidente da CBF, José Maria Marin, dizem que o nosso futebol precisa de grandes mudanças, fingindo que não sabem que são eles a raiz dos problemas que nos levaram a essa humilhação histórica. Só falta culparem a imprensa golpista… rsrs.
Se essa sucessão de arrogâncias, negociatas, cinismos e incompetências que resultaram nessa épica derrota do futebol brasileiro — não de um time, mas como um todo — não for motivo para uma CPI suprapartidária, o que seria? Se 70% dos brasileiros exigem mudanças na política e na economia, imaginem no futebol. Mas com a “bancada da bola” investigando, em vez de ser investigada, nem esse, que seria o maior legado da Copa, teremos.
Se, como filosofava Neném Prancha, “pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”, a escolha do técnico da seleção brasileira deveria ser feita em eleições diretas por todos os brasileiros maiores de 14 anos. E não por um cartola eleito por outros cartolas que dominam federações estaduais como políticos dominam currais e que vivem de vampirizar a paixão popular. Agora o sangue ferveu.
Mas Deus teve compaixão por Neymar e Thiago Silva, poupando-os de sofrer o vexame de corpo presente. E também por Lula, que não foi ao estádio para não ser vaiado e escapou do pior: ser acusado de pé-frio. E por nós, que escapamos de levar uma “zapatada” da Argentina na final no Maracanã. Deus é mesmo brasileiro.
Como sabem os grandes artistas, políticos, empresários e atletas vitoriosos, o sucesso não ensina nada, só infla o ego e subestima os limites, é nos fracassos que se aprendem as lições que levam a conquistas maiores.
Como diz o famoso comercial do vídeo acima: “Ai, mamita querida!”. Não bastasse a humilhação do Brasil diante do mundo, nos 7 a 1 impostos pela Alemanha, que até presidente Dilma Rousseff (PT) disse aqui à CNN — tentando limpar sua barra ao melhor estilo Felipão e Parreira — que não habitava nem nos seus piores pesadelos, na noite de ontem foi o próprio Maradona quem apareceu no IBC (Centro Internacional de Imprensa da Copa do Mundo), na Zona Oeste do Rio de janeiro, para reger os jornalistas argentinos no cântico que tem atormentado os brasileiros.
Criado na rivalidade entre os torcedores do Boca Juniors e o River Plate (conheça aqui suas origens), o canto “Brasil, decime que se siente” (“Brasil, me diga o que sente”), dizendo que Maradona é melhor do que Pelé (“Maradona és mas grande que Pelé”), foi cantado em conjunto e a plenos pulmões pelo primeiro e seus conterrâneos da imprensa, mas com uma pequena adaptação. Após a semifinal vencida pela Alemanha na terça (09/07), o título e primeiro verso da música, com uma pequena alteração, ficaram “Brasil, decime que se siete” (“Brasil, me diga o que são sete”). A adaptação ainda mais provocativa foi feita ainda no mesmo dia da tragédia brasileira, pelo sempre provocativo diário esportivo argentino Olé.
Até o domingo no Maraca, não tem jeito. Afinal, Messi, Mascherano, Romero, Di María e cia. fizeram por merecer. Mas se a profecia da última parte do seu cântico, “A Messi vocês vão ver/ A Copa ela vai nos trazer” (“A Messi lo vas a ver/ La Copa nos va a trazer”), seu eco provavelmente vai assombrar os brasileiros por tanto tempo ou mais do que o fantasma do Maracanazzo de 1950, quando perdemos com muito mais dignidade uma outra Copa dentro do Brasil, na virada de 2 a 1 do Uruguai.
Na dúvida, confira o vídeo abaixo da orquestra e seu maestro, antes dos campos, agora do canto:
Abaixo, para quem quiser conferir mais uma vez, as letras do hit argentino no original e em sua tradução portuguesa:
“Brasil decime que se siente
Tener en casa a tu papá
Te juro que aunque passen los años
Nunca nos vamos a olvidar
Que el Diego te gambeteó
Que Cani te vacunó
Que está llorando desde Itália hasta hoy
A Messi lo vas a ver
La Copa nos va a trazer
Maradona es más grande que Pelé”
“Brasil, me diga o que sente
Ter em casa seu papai
Te juro que mesmo que passem os anos
Nunca vamos nos esquecer
Que Diego (Maradona) os driblou
Que Caniggia os espetou (autor do gol argentino que eliminou o Brasil na Copa de 1990, na Itália)
Capa da Folha de ontem da Folha, com edição de Rodrigo Gonçalves e Aluysio Abreu Barbosa, e diagramação de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Jornalismo, como futebol, é trabalho coletivo. Na quarta (09/07), após o jogo em que Messi, Romero, Masquerano e cia. ganharam nos pênaltis sua vaga às finais, conversando com o editor geral da Folha, Rodrigo Gonçalves, e com o hit argentino “Brasil, decime que se siente” (conheça aqui suas origens, na rivalidade entre o Boca Juniors e o River Plate) ainda ecoando nos ouvidos desde as sonoras arquibancadas do Itaquerão, saiu a manchete da capa do jornal impresso de ontem: “Brasil me diz o que sente/ em ver a Argentina na final?”.
Não se sabe se Neymar leu a Folha ontem, antes de aparecer ontem na Granja Comary, em Teresópolis. Mas o fato é que o craque brasileiro usou sua entrevista coletiva surpresa para responder, entre outras coisas, à pergunta dos versos do cântico argentino adaptados em manchete, quando declarou aqui:
— Eu tenho dois companheiros na Argentina: Messi e o Mascherano. E eu acho que pro futebol, pela história que o Messi tem, de ter conquistado muita coisa, de ter conquistado quase tudo em sua carreira, eu acho que ele merece, sim, ser campeão. Estou torcendo, sim, por ele (…) Você parar para pensar e falar assim: “Pô, um brasileiro torcendo para a Argentina”. Não, eu não estou torcendo para a Argentina; estou torcendo por dois companheiros, para uma pessoa que eu aprendi a admirar ainda mais, estando ao lado dele todos os dias. Um jogador que eu tinha como espelho, como ídolo, que admirava de longe, pelas suas qualidades dentro de campo. E ali (no Barcelona), eu passei a admirá-lo como pessoa, como jogador, e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial do que nos jogos. Então, por isso que a minha torcida é sempre pro Messi. Se você falar que eu sou Messi Futebol Clube, eu sou.
Se o fato de jogar junto no Barcelona com os dois principais jogadores argentinos definiu o apoio público de Neymar, a rivalidade no futebol entre os maiores países sul-americanos não impediu que, testada aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, como resposta aos versos/manchete “Brasil, me diga como se sente/ Em ver a Argentina na final?”, a torcida por los hermanos na final da Copa desse uma goleada tão impiedosa nos alemães, quanto os 7 a 1 que estes aplicaram na semifinal contra o Brasil. Das 28 manifestações em comentários, nada menos que 17 se declararam a favor da Argentina, com 10 para Alemanha e uma neutralidade ao estilo da Suíça — cuja seleção, aliás, foi eliminada nas oitavas de final pelos argentinos, por 1 a 0, no segundo tempo da prorrogação, após uma jogada genial de Messi finalizada pelo craque Ángel Di María, cuja recuperação é esperada ainda a tempo da final de domingo.
No tira-teima entre duas potências do futebol mundial que já decidiram duas finais de Copa consecutivas, em 1986 e 1990, com uma vitória para cada lado, passados os tempos saudosos nos campos de Diego Maradona e Lothar Matthäus (hoje comentarista da SporTV), o que se pode dizer com certeza sobre a final do próximo domingo no Maracanã, é que ela será disputada entre a melhor seleção (a Alemanha) e o maior craque (Messi) do mundo, ambos à altura coletiva e individual daquilo que de melhor já foi produzido na história do futebol. Se vencer a primeira, será uma injustiça com um dos maiores gênios que já vi com a bola no pé. Se vencer o segundo, estará injustiçada uma das mais brilhantes gerações que pude assistir no trato com a bola.
O futebol, como a vida, não é um ato de justiça. E é nisto que reside seu maior encanto.
Danke, Deutschland! Gracias, Messi!
Uma das mais brilhantes gerações que um país já produziu para jogar futebol. Em pé: Neuer, Kroos, Klose, Hummels, Khedira e Boateng. Agachados: Lahm, Müller, Höwedes, Schweinsteiger e Özil
Ao lado de Maradona, Zico e Zidane, o maior gênio que vi no futebol: Lionel Messi
Klose comemora seu 16º gol em Mundiais, marcado contra o Brasil, dentro do Brasil, para superar o ídolo brasileiro Ronaldo como o maior goleador da história das Copas
“Acredito que foi um pouco amargo para ele quando eu quebrei seu recorde. Quando eu marquei o 15º gol, o Ronaldo me parabenizou por entrar no clube. Agora estou no clube dos 16 e convido a todos que entrem também”
(Miroslav Klose, na coletiva de ontem, em provocação sutil como um tanque Panzer)
Não foi só Neymar quem apareceu para dar entrevista (confira aqui e aqui). Depois da tragédia do futebol brasileiro nos 7 a 1 da semifinal contra a Alemanha, na qual foi novamente xingada pela torcida brasileira (leia aqui), mesmo sem estar presente, como já havia sido pessoalmente na abertura da Copa (relembre aqui), a presidente Dilma Rousseff (PT) também deu uma entrevista. Diferente do craque da bola, em sua coletiva de ontem, a da política em ano de eleição foi exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, do canal de TV estadunidense CNN, gravada ainda na manhã de quarta-feira. Nela, Dilma tentou explicar ao mundo a humilhação do Brasil, dizendo não acreditar que ela vá afetar o humor nacional. “Além de saber ganhar, tem que saber perder”, disse a presidente.
Questionada pela repórter, Dilma tentou justificar os gastos públicos com a construção de estádios para a Copa, garantiu ter tolerância zero no combate à corrupção e falou até da sua militância armada na guerrilha, da prisão e da tortura nos tempos da ditadura militar no Brasil. Confira abaixo a íntegra da entrevista:
O que escrevo foi pensando na decepção das crianças que acompanharam a Copa do Mundo pela primeira vez. Pensei nelas e naquele “joga pra mim, Brasil”, mostrado em alguns canais da TV. A nossa seleção é a maior vencedora de Copas do Mundo, com cinco conquistas, mas também nos deu frustrações como o Maracanazo de 1950; o vexame de 1966; as decepções de 1982 e 1998. Em 1978, na Argentina, o Brasil declarou-se campeão moral porque terminou invicto — com quatro vitórias e três empates. Houve até a acusação de que a anfitriã fez jogo de compadre e arrumou um resultado que a favorecesse contra o Peru.
Sempre torci para a Seleção do Brasil. Sou brasileiro e amante do nosso futebol, porque desde cedo aprendi que somos os melhores. Na ocasião da morte do grande zagueiro Hideraldo Luís Bellini – em 20 de março deste ano —, capitão da seleção campeã do mundo em 1958, na Suécia, falei de minha paixão iniciada naquela conquista. Tínhamos alguns craques fora de série, inigualáveis, como Garrincha, Didi, Nilton Santos e o estreante Pelé, além de coadjuvantes de altíssima qualidade como Vavá, Zito, Djalma Santos, Bellini, Orlando, o goleiro Gilmar e Zagallo. Sem falar nos reservas que fariam sucesso em quaisquer escalações.
O grupo campeão na Suécia foi também, com pouquíssimas alterações, bicampeão, em 1962, no Chile. Uma das mudanças no time foi a entrada do campista Amarildo no lugar de Pelé, que, contundido no segundo jogo, ficou fora do Mundial. Amarildo entrou com vontade de vencer, sabendo que teria ao lado dele gigantes como Garrincha, o melhor daquela competição; Didi, o melhor da Copa anterior; e Nilton Santos que, por motivos óbvios, já era conhecido por Enciclopédia do Futebol. Embora zagueiro — jogava de lateral esquerdo —, Nilton Santos conhecia todos os atalhos do campo para facilitar a performance tanto na defesa quanto no ataque.
Nosso terceiro título mundial foi conquistado em 1970, no México. Pelé, que já era o Rei do Futebol, ganhou as excelentes companhias de Gerson, Tostão e Rivelino que, como se diz entre os experts, sabiam tudo de bola. De quebra, o Brasil tricampeão tinha ainda o capitão Carlos Alberto Torres, Jairzinho, o goleiro Félix, Brito, Piazza, Everaldo e Clodoaldo. O elenco era tão sofisticado em qualidade técnica que o técnico Zagallo se deu ao luxo de ter no banco um supercraque como Paulo Cesar Caju. Jairzinho fez gol em todos os jogos e foi eleito o craque da competição. O Brasil sobrou na turma e venceu os seis jogos disputados.
Depois de 24 anos sem título de Copa do Mundo, o Brasil voltou a vencer em 1994, nos Estados Unidos. O tetracampeonato foi a conquista da geração de Romário — o craque da Copa — e Bebeto, chamada de Era Dunga pela adoção de uma postura defensiva e de poucos gols. Surgiu após o fracasso do estilo vistoso e de técnica apurada dos times que encantaram o mundo, mas perderam duas copas em 1982 e 1986. Dunga era o capitão e símbolo daquela filosofia de jogar. O jogo final, contra a Itália, terminou empatado em 0x0 e foi decidido nos pênaltis. O goleiro Tafarel foi um dos heróis do título.
Por fim conquistamos, em 2002, no Japão e na Coréia do Sul, o pentacampeonato. Tivemos novamente uma geração brilhante com um trio de craques da melhor estirpe, de uma linhagem que honrou a história do futebol do Brasil: Rivaldo, Ronaldo Fenômeno — artilheiro com oito gols — e Ronaldinho Gaúcho. Que trio! Dirigidos por Luiz Felipe Scolari, nossos atletas venceram todos os sete jogos disputados, fazendo a final contra a Alemanha: 2×0. Afora os três atacantes, o time titular jogou com Marcos, Cafu, Lúcio, Roque Júnior, Edmilson, Roberto Carlos, Gilberto Silva e Kléberson.
Isso posto, penso que é natural a derrota de nossa seleção nesse jogo da fase semifinal da copa que promovemos. É resultado de um processo cíclico que permite aos países participantes a possibilidade de mostrar os ingredientes novos como esquemas táticos ou outra geração de craques que fazem a diferença. Por isso o ranking das seleções são sempre alterados. O Brasil que já foi líder por tantas vezes percebe ainda agora o rebaixamento da Espanha, cantada como maravilha pela conquista de 2010. O que não entendemos ainda foi o placar dessa derrota que nos envergonha. Um futebol com a história e tradição do Brasil, não pode admitir normalidade numa derrota tão acachapante. O 7×1 foi um vexame que deve, merece e precisa ter uma reflexão.
Presidentes da CBF, José Maria Marin, e a do Brasil, Dima Rousseff
“Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz.
Essa será a taça da vergonha.”
Romário (deputado federal do PPS, candidato a senador na chapa do petista Lindberg Farias a governador e ex-craque tetracampeão mundial em 1994)
O fato de apoiar Lindberg a governador não tem feito Romário poupar a presidente Dilma e seu governo de pesadas críticas e cobranças públicas nas questões do futebol brasileiro
Confira aqui e aqui a íntegra das cobranças do Peixe, feitas publicamente à presidente Dilma Rousseff (PT) e ao seu ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PC do B), com graves acusações aos dirigentes da CBF José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.
Ministro Aldo Rebelo e o presidente da Fifa, Joseph Blater
Que a derrota por 7 a 1 da Seleção Brasileira para a Alemanha, nas semifinais de uma Copa do Mundo dentro do Brasil, na última terça (08/07) deixou marcas tão profundas quanto precisam ser as mudanças necessárias à reformulação do futebol brasileiro, ninguém duvida. Mas se alguma incerteza ainda havia sobre intenção do atual governo Dilma Rousseff (PT) em intervir diretamente no futebol da Seleção e dos clubes, numa estatização real do conceito “pátria de chuteiras”, criado pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912/80), o ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PC do B) esclareceu as coisas na manhã desta quinta-feira, no briefing diário organizado pela Fifa durante a Copa, no Rio de Janeiro. Comparando a derrota por 7 a 1 em 2014 com o vice-campeonato mundial em 1950, mas ignorando qualquer utilização da Copa e da Seleção para fins políticos neste ano de eleição presidencial, o ministro de Dilma defendeu uma presença maior do governo na gestão do esporte:
— Já manifestei mais de uma vez a minha opinião e volto a repeti-la: o futebol brasileiro precisa de mudanças. A derrota para a Alemanha evidencia ainda mais essa necessidade. Depois da redemocratização do país, surgiu um clamor contra a presença do Estado dentro do mundo do esporte e principalmente do futebol. Era coisa do regime militar, que promovia intervenção na antiga CBD. E surgiu uma legislação que tirou completamente o Estado e entregou o futebol praticamente ao mercado, aos grandes empresários e aos dirigentes, que passaram a gerir o futebol sem qualquer interferência do Estado. Na época, fui contra por considerar que o esporte é matéria de interesse público e nacional e hoje estamos promovendo um esforço para rediscutir esse tema e retomar o protagonismo do esporte brasileiro. Temos pouca ingerência na regulamentação principalmente da gestão do clubes e acho que precisamos ter alguma presença. Não para nomear dirigente, interventor, mas para que em determinadas situações o Estado possa preservar o interesse nacional e público.
Sem explicar como um governo envolvido em várias denúncias de corrupção, incluindo o superfaturamento dos gastos na construção e reforma de estádios para a Copa, ao custo de R$ 9 bilhões, 95% deles custeados pelo dinheiro público, num gasto superior ao que África do Sul (2010) e Alemanha (2006) investiram juntas para realizar seus Mundiais, assim mesmo teria capacidade para sanear o esporte brasileiro, Aldo rechaçou uma caça às bruxas neste momento:
— Não sou a pessoa mais indicada a promover um clima de caça às bruxas em um momento de dificuldade. Para todo grande problema geralmente aparece uma solução óbvia, fácil e geralmente errada. Então creio que é preciso ter a consciência de que as mudanças no futebol brasileiro precisam ser feitas, mas é preciso encontrar a eficiência em promovê-las. E que isso não se faça somente pela dor da derrota sofrida para a Alemanha. É preciso que as mudanças tenham sentido de continuidade e erradiquem as causas mais profundas daquilo que conduziu a esse vexame. Nosso futebol tem problemas que precisam ser enfrentados.
Na Nigéria
Enquanto isso, ontem (09/07), a Fifa suspendeu a Federação Nigeriana de Futebol (NFF, em inglês) por causa de ingerências governamentais na entidade. Conforme o Artigo 13, do Estatuto da Fifa, os membros associados estão obrigados a administrar os assuntos de forma independente e sem interferência de terceiros. Antes de aplicar a punição, a entidade havia encaminhado uma carta à federação, no dia 4 de julho, em que expressava preocupação com o processo judicial contra a federação e a ordem judicial do Alto Tribunal da República Federal da Nigéria, que impedia o presidente, os membros do comitê executivo e o congresso da NFF de administrar o futebol do país africano.
Com a suspensão, nem as seleções e nem clubes nigerianos podem participar de torneios regionais, continentais ou internacionais. A punição inclui as partidas amistosas e determina que nenhum membro ou integrante da NFF participe de programas de desenvolvimento ou cursos promovidos pela Fifa e a CAF durante o período de vigência da suspensão. Se a medida permanecer até o dia 15 de julho, a Nigéria ficará fora da próxima Copa Mundial Feminina Sub-20 da Fifa, que será disputada entre 5 e 24 de agosto.
Companheiros no Barcelona, Neymar vai torcer por Messi e sua Argentina na final da Copa
Argentina na final — O merecimento de Alemanha e Argentina por terem chegado à final, vem sendo muito grande. Eu desejo sorte às duas equipes. Mas espero que vençam meus companheiros. Eu tenho dois companheiros na Argentina: Messi e o Mascherano. E eu acho que pro futebol, pela história que o Messi tem, de ter conquista muita coisa, de ter conquistado quase tudo em sua carreira, eu acho que ele merece, sim, ser campeão. Estou torcendo, sim, por ele. Porque é um amigo, é um companheiro e desejo muita sorte.
Lembrança de Barbosa — Não é por causa de um derrota, de uma goleada que sofremos, que essa história vai ser terminada. Eu acho que isso é uma continuidade da história que a gente tem para estar traçando pela Seleção Brasileira neste século. Na minha história, eu já fui vaiado, fui aplaudido e estou fazendo essa história. Infelizmente, vamos ficar marcados por uma goleada. Mas eu acho um pouco de injustiça se a gente ficar marcado por isso, como ocorreu em 1950, com Barbosa, que meu pai me contou a história e eu também concordei que foi uma injustiça. E a gente tem que dar a volta por cima de tudo isso que está acontecendo. Temos que voltar a sorrir. Não podemos ficar de cara feia, não podemos ficar chorando todos os dias. Já passou, já sofremos e já choramos o que tínhamos que chorar. E agora é voltar a sorria novamente. Tem que treinar, temos que nos dedicar e entrar sábado (na disputa do 3º lugar, contra a Holanda) em campo para vencer a partida; para nós! Para nós, para os nosso torcedores, para nossas famílias.
Lance da contusão — Foi um lance que eu não concordo, eu não aceito. Não vou falar que foi desleal, que ele (o lateral direito colombiano Juan Zúñiga) foi me machucar, que ele veio na maldade, porque eu não estou na cabeça dele para pensar e para saber disso. Mas todo mundo que entende de futebol, todo mundo sabe que uma entrada daquela não é normal vcê fazer. Quando você quer fazer uma falta para parar o jogo, para quebrar o contra-ataque, principalmente quando o cara está de costas. você chuta o tornozelo, segura, empurra, mas da forma que ele veio e da forma que a bola tava chegando, foi uma entrada que não é situação de jogo;não tem como. E muitos de vocês (imprensa) falam que eu sou cai-cai. E eu nem ligo para o que falam disso. Porque quando eu estou de frente, quando eu tenho a visão periférica, eu consigo me defender; como eu venho me defendendo até hoje. Mas de costas eu não consigo me defender. A única coisa que pode me defender de costas é a regra. E quando se tem a regra você tem estar protegido dentro de campo. E foi um lance que eu não tinha como me proteger e acabei me machucando. E por muito pouco; acho que Deus me abençoou naquele lance também. Se fosse dois centímetros pra dentro, eu, hoje.. (chora)… eu hoje poderia estar de cadeira de rodas. É complicado você falar de um lance, num momento tão importante da minha carreira, e acabar sofrendo. Mas faz parte, aconteceu e faz parte. Vida que segue. “Vãobora”! (Choro)
Desculpas de Zúñiga — Desculparia, sim, eu perdoaria. Eu não tenho rancor, não sinto rancor dele, não sinto ódio, não sinto nada. Ele até me ligou no dia seguinte, pedindo desculpas, falando que não queria me machucar, que sentiria muito e tudo mais; falou um bocado de coisa legal. Tanto que eu não sinto rancor dele, não sinto ódio. Desejo que Deus o abençoe, que ele tenha sucesso na carreira dele, enfim tudo de melhor.
Messi Futebol Clube — Você parar para pensar e falar assim: “Pô, um brasileiro torcendo para a Argentina”. Não, eu não estou torcendo para a Argentina; estou torcendo por dois companheiros, para uma pessoa que eu aprendi a admirar ainda mais, estando ao lado dele todos os dias. Um jogador que eu tinha como espelho, como ídolo, que admirava de longe, pelas suas qualidades dentro de campo. E ali (no Barcelona), eu passei a admirá-lo como pessoa, com o jogador, e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial do que nos jogos. Então, por isso que a minha torcida é sempre pro Messi. Se você falar que eu sou Messi Futebol Clube, eu sou; eu torço por ele. Só que eu tinha brincado com ele, tinha brincado com ele que queria a Argentina na final, porque o Brasil iria chegar na final. Mas infelizmente não chegou e eu desejo toda a sorte do mundo para ele, para o Mascherano, que são dois companheiros, duas grande pessoas, que pela história que têm no futebol, eles merecem.
(Neymar, em coletiva neste momento na Granja Comary)