Rodrigo mostra força e lança Madeleine contra Wladimir

 

Rodrigo Bacellar, Wladimir Garotinho, Madeleine Dykeman, Carla Machado, Caio Vianna, Jorge Magal, Alexandre Buchaul, Clodomir Crespo, Jefferson de Azevedo, Hélio Anomal e Sérgio Mendes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Rodrigo mostra força e lança Madeleine

Se dúvida havia sobre a força do presidente campista da Alerj, ela foi desfeita na quinta (14) carioca, no Centro de Convenções Expo Mag, onde tomou posse (confira aqui) como presidente estadual do União: Rodrigo Bacellar é hoje o político mais poderoso de Campos. Nome hoje mais empoderado do seu clã, o prefeito Wladimir Garotinho (PP) tentará confirmar seu favoritismo à reeleição em outubro. Se conseguir, sobretudo em turno único, se cacifará a voos mais altos. Antes, a pergunta que ecoa desde quinta terá que ser respondida: lançada por Rodrigo, qual o potencial eleitoral da delegada da Polícia Civil Madeleine Dykeman a prefeita de Campos?

 

O que as pesquisas dirão?

Com a impossibilidade da deputada estadual Carla Machado (PT), por toda a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), concorrer à prefeita de Campos ou qualquer outro município brasileiro em 2024, por já ter se reelegido em 2020 prefeita de SJB; e com o titubeio do deputado federal Caio Vianna (PSD) em concorrer outra vez a prefeito, Madeleine é a primeira pré-candidata real da oposição em Campos com potencial para chegar aos dois dígitos de intenção de voto. Mas isso terá que ser evidenciado em pesquisas eleitorais sérias. Antes delas, quem disser que sim ou que não, estará mentindo.

 

Mulher para tentar rachar a direita

Pesquisas qualitativas foram feitas pelos Bacellar para se chegar ao perfil preenchido por Madeleine, jovem mãe de família, articulada e de carreira profissional brilhante. Antes dela aceitar, também teriam sido sondadas as delegadas Natália Patrão e Pollyana Henriques. Mas Madeleine traz uma característica política própria: a identificação ideológica com a direita. Sua pré-candidatura a prefeita é também uma tentativa de resposta ao apoio do senador Flávio Bolsonaro e do PL à reeleição de Wladimir. Pois o ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo derrotado nacionalmente no 2º turno de 2022, teve nele 63,14% dos votos válidos de Campos.

 

Nas 98ª e 75ª ZEs

Dentro desse pragmatismo político, onde a ideologia conta menos que a eficiência, o objetivo eleitoral da pré-candidatura de Madeleine, além de rachar com Wladimir os votos de direita e extrema-direita, é penetrar em duas Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos. Sobretudo na 98ª, que reúne a classe média e a classe média alta do Centro, e é historicamente refratária aos Garotinhos — tendência que todas as pesquisas de 2023 mostraram ter sido invertida por Wladimir. Mas também tentar entrar na franja de classe média da 75ª, da Penha ao Farol e maior ZE de Campos, a partir dos votos de integrantes das forças de Segurança e familiares.

 

Magal na 76ª ZE

Para a 76ª ZE, segunda maior da cidade, pegando toda a Guarus à margem direita da BR 101 no sentido Campos/Vitória até a divisa com o Espírito Santo, que sempre foi tradicional reduto do garotismo, a tentativa de tirar votos de Wladimir deve caber ao ex-vereador Jorge Magal. Que anunciou sua pré-candidatura a prefeito pelo SD do vereador Marquinho Bacellar, irmão de Rodrigo e presidente da Câmara de Campos. Como Madeleine e qualquer outro prefeitável novo, o nome de Magal terá que ser testado nas pesquisas. Mas o fato de não concorrer novamente na proporcional indica também a dúvida real que teria para ser eleito vereador.

 

Buchaul e Clodomir

Em relação à disputa dos votos da direita e da extrema-direita em Campos, além de Wladimir e Madeleine, há outros dois prefeitáveis: o odontólogo Alexandre Buchaul (Novo) e o empresário Clodomir Crespo (DC). Este esteve ontem no Rio, na posse de Rodrigo como presidente estadual do União, com quem teria encontro neste domingo (17). Já Buchaul, que não esteve no Centro de Convenções Expo Mag na quinta, estará hoje, quando o encontro estadual do Novo será sediado no mesmo local. Clodomir e Buchaul também não tiveram seus nomes ainda testados em pesquisas. Mas ambos tendem a buscar votos na 98ª ZE.

 

Pré-candidatos do PT

Atrás dos 100.427 votos (36,86% dos válidos) que Lula teve no 2º turno presidencial em Campos, o presidente do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra, se encontrou ontem com a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffman. O petroleiro postou a foto e escreveu no Instagram: “Atualizei ela (Gleisi) sobre a política do Norte Fluminense e, em especial, de Campos. Expliquei as três pré-candidaturas que temos: a deputada Carla Machado e suas nuances, Jefferson de Azevedo, nosso reitor do IFF; e o sindicalista Helinho Anomal. Será feita uma reunião com o diretório estadual e a partir daí fechamos todas as estratégias”.

 

Oposição tem dois objetivos

Já testada em pesquisa (0,5% na consulta estimulada da Iguape de julho), há ainda a pré-candidatura a prefeito do ex-prefeito Sérgio Mendes (Cidadania). Em grupos de WhatsApp da cidade, circulam listas que colocam Madeleine, Carla, Caio, Magal, Clodomir e até o deputado estadual bolsonarista de Maricá, Filippe Poubel (do PL que apoia Wladimir), como candidatos do grupo dos Bacellar a prefeito de Campos. Os que se confirmarem nas convenções de julho, além dos de oposição independentes, têm um objetivo comum: levar a eleição com o prefeito ao 2º turno. E, na pior das hipóteses, puxar as nominatas dos seus partidos a vereador. A ver.

 

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Queda de Lula nas pesquisas, Israel, Brasil e a passação de pano

 

Lula em Adis Abeba, Adolf Hitler e Benjamin Netanyahu (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No último domingo (10), republiquei (confira aqui) em meu blog, Opiniões, o artigo de Elio Gaspari, a quem considero o maior jornalista brasileiro entre os vivos, publicado em O Globo e na Folha de S.Paulo naquele mesmo dia. Pela precisão da sua análise da queda brusca de popularidade do presidente Lula (PT), registrada pelas recentes pesquisas Quaest e Ipec (antigo Ibope).

Como faço com outros textos que publico sobre política, mesmo quando não de minha autoria, enviei o link daquela republicação por WhatsApp a pessoas que julgo balizadas, em suas múltiplas visões. No intuito de divulgar e, eventualmente, colher alguma repercussão.

Entre as respostas, uma pretendeu justificar a fala de Lula em 18 de fevereiro, em Adis Abeba, capital da Etiópia, sobre os crimes cometidos por Israel na Faixa de Gaza. Que tropeçou no desastre quando Lula comparou Hitler aos judeus, 6 milhões deles exterminados pela Alemanha nazista na II Guerra Mundial (1939/1945). E que, junto à subida de preço dos hortifrutigranjeiros, sangrou a popularidade do presidente do Brasil de hoje.

A tentativa de passar pano não só simulou desdém à realidade presente. Avançou ainda mais no delírio ao apelar à futurologia: “Lula não está tão preocupado com índices de aprovação política. Os posicionamentos dele indicam uma preocupação de sua imagem em nível mundial e a longo prazo. Como ele será lembrado daqui a 30, 50 anos, quando a História for contada?”

Além do sofisma da bola de cristal, a resposta veio com a pessoalidade pretensiosa do “não sejamos ingênuos, Aluysio”. Tanto pior quando o passador de pano é uma referência em sua área profissional, gente boa e dotado de razoável cultura geral. E tudo se esvai no comportamento de seita política, sem tirar nem pôr ao que há de pior no bolsonarismo.

A tréplica ao passador de pano lulopetista, não por acaso, se deu em 13 pontos. Que, por se tratar do debate de um tema de interesse público, estão reproduzidos abaixo:

1 – Sim, aos 78 anos, a idade de Lula pode ser responsável pelas estultices que anda regurgitando, sempre que fala de improviso. Assim como o isolamento e o ressentimento dos 580 dias preso. Como o fato de não ter mais figuras como José Dirceu e Genoíno, caídos em desgraça, e Luiz Gushiken, falecido em 2013, para lhe dizer as verdades.

2 – Hoje, infelizmente, Lula parece dar mais ouvido a Janja e Celso Amorim do que ao seu líder no Senado, Jaques Wagner: “Sou amigo do presidente Lula há 45 anos e tive a naturalidade de visitá-lo e dizer: ‘Não tiro uma palavra do que você disse, a não ser o final, que, na minha opinião, não se traz à baila o episódio do Holocausto para nenhuma comparação’”.

3 – Como todo historiador foge como o diabo da cruz da futurologia, melhor deixar esta às cartomantes. De como a História contará o presente, saberão os pósteros. Pretender legar a ela o julgamento que hoje já faz o eleitor brasileiro, além da bravata, não é nem só ingenuidade; é desinteligência. Oposta ao pragmatismo político que deveria ter quem pretendia recuperar o voto evangélico perdido à disrupção cognitiva do bolsonarismo. Do qual a passação de pano companheira é cópia carbono. Nos dois casos, aprofunda o problema.

4 – Em resposta aos crimes de guerra do Hamas em 7 de outubro, Israel promove de lá até aqui crimes de guerra na Faixa de Gaza. Ambos sem pudor a civis, crianças e mulheres. Se é genocídio em um caso, ou no de quem propõe publicamente em seu estatuto a eliminação do Estado de Israel, o juízo cabe ao Tribunal Penal Internacional de Haia. Que já analisa a denúncia neste sentido feita pela África do Sul, com apoio do Brasil e mais de outros 70 países.

5 – De qualquer maneira, como disse em entrevista ao Folha no Ar do último dia 6 a Letícia Haertel, especialista em Direito Internacional com atuação na Corte Interamericana de Direitos Humanos e na Comissão de Direito Internacional da ONU, o que é necessário para se configurar genocídio é a intenção (Art. 6º do Tratado de Roma). E, a despeito de julgar que, sim, é genocídio, ela também ressalvou que o dolo será objetivamente difícil de provar.

6 – Sim, os EUA ainda se arvoram de “polícia do mundo”. Mas é inverdade que sejam os únicos que determinam “o que pode e o que não pode”. No Conselho de Segurança da ONU, também têm poder de veto GBR, França, Rússia e China. Pelo “pode” dos dois últimos, por exemplo, Putin continua a perpetrar crimes de guerra na Ucrânia. Entre eles a deportação forçada de crianças ucranianas à Rússia. Que já rendeu o mandado de prisão a Putin pelo Tribunal Penal Internacional. Sob o silêncio seletivo e cúmplice de Lula e da esquerda pré-Muro de Berlim.

7 – Tanto quanto seria julgar o Brasil pelas estultices que Bolsonaro ou Lula regurgitam como presidentes, confundir Israel com o governo Benjamin Netanyahu é um erro grosseiro. Que só pode ser cometido por quem ignora a história do povo judeu e da formação do seu Estado moderno. Para a eventual surpresa dos ditos “socialistas” de hoje, mais próximos aos nacional-socialistas (nazistas, na corruptela) de ontem em seu galopante antijudaísmo — antissemitismo ignora que os povos árabes são tão semitas quanto os judeus —, Israel foi arquitetado na mente gigantesca de Ben Gurion, com o socialismo sem aspas como base.

8 – Em seu 6º mandato como primeiro-ministro, Netanyahu não é um político de extrema-direita e/ou fundamentalista religioso. Por oportunismo, tornou-se! Em 2022, na aliança do seu conservador Likud aos partidos ultraortodoxos Judaísmo Unificado da Torá e Shass, e aos da extrema-direita Sionismo Religioso, Força Judaica e Noam. Para ter maioria no Knesset, Parlamento israelense. Que é como se chega ao poder em uma república parlamentarista. Da qual Israel, a despeito dos crimes do seu atual governo, é um exemplo ao mundo. De Estado democrático, eficiente e de forte compromisso cidadão.

9 – Além do Holocausto, houve outros genocídios comprovados do mundo. Como o nosso, em uma América onde os índios foram reduzidos a minorias, o da escravidão negra pela Europa na África, do particular nela promovido no Congo pela Bélgica de Leopoldo II, dos armênios pelo antigo Império Otomano no Medz Yeghern (“Grande Crime”), dos ucranianos pela União Soviética de Stálin no Holodomor (“Terror-Fome”), dos praticados contra o seu próprio povo por Mao Tsé-Tung na Grande Fome da China, ou pelo Kmer Vermelho de Pol Pot no Camboja.

10 – Nenhum desses genocídios comprovados, no entanto, foi estruturado numa linha industrial de morte como a Alemanha nazista de Hitler fez com os judeus na II Guerra. Para não ficar só na mera opinião, tente deixar de lado os contorcionismos da futurologia e leia “O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial”, do historiador britânico Martin Gilbert. Ou o testemunho detalhado de “Os Fornos de Hitler: A História de Uma Sobrevivente de Auschwitz”, da judia romena Olga Lengyel.

11 – Há outro genocídio comprovado mais próximo em tempo de nós. O da etnia tútsi pela hútu em Ruanda, em 1994. Que deixei aqui para exemplificar as palavras do rabino judeu brasileiro e progressista Nilton Bonder, ao condenar a comparação de Lula: “Não se pode comparar judeus a Hitler, da mesma maneira que não se pode chamar de escravagistas os africanos genocidas de africanos”. O politicamente correto que dá em Chico, dá em Francisco.

12 – Lula poderia ter dito tudo que disse em Abis Abeba, condenando com severidade os crimes de guerra de Israel, mas sem comparar os judeus a Hitler. Defender isso, como bem ressalvou Elio Gaspari, é crer em Lula como profeta. Diferente da subserviência de seita que seus passadores de pano assumem e, pior, tentam impor, Lula não tem infalibilidade papal.

13 – Os petistas questionaram as pesquisas em 2018, como os bolsonaristas em 2022. Com a mesma consequência prática após a urna: chorar a dor de corno no quente da cama. Voltar a questioná-las agora, se for para abraçar a ciência oculta da futurologia, pavimenta a volta da extrema-direita ao poder. No Brasil, porque nos EUA de Biden, a volta de Trump parece a cada nova pesquisa mais provável. Atentos às últimas pesquisas Quaest e Ipec, Tarcísio e Caiado já arrumam neste março de 2024 as malas para Tel Aviv. Como escala prevista a 2026.

 

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Arthur Soffiati — Jacaré pega onda do tubarão no cinema

 

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor e crítico de cinema

Um jacaré no esgoto

Por Arthur Soffiati

 

Em “Devorado vivo” (1976), de Tobe Hooper, o herói-bandido é o psicopata dono de hotel (Neville Brand) que mata os hóspedes para alimentar seu crocodilo. Em “Alligator, o jacaré gigante” (1980), de Lewis Teague, o herói é um jacaré americano. Pegando a onda criada por “Tubarão”, de Spielberg, o jacaré não pode ser mau porque os animais não são cruéis. Contudo, nos filmes, os animais acabam adquirindo personalidade humana. Eles representam o mal e seus caçadores são vistos como símbolo do bem, como heróis.

Sinteticamente, o roteiro mostra um filhote de jacaré tirado do seu meio por uma menina e levado para Chicago como pet. O pai da menina descobre o bichinho e o lança no vaso sanitário. Adeus, jacaré? Não. Ele sobrevive na rede de esgotos da cidade, alimentado por animais mortos cheios de hormônios por um laboratório que faz experiências suspeitas. Pernas e braços começam a aparecer na estação de tratamento de esgoto. A polícia é chamada. Um investigador (Robert Forster) cuida do caso. Quem é o criminoso? Andando pelas galerias de esgoto, o investigador descobre logo tratar-se de um jacaré monstruoso, e não de um bandido. O filme se baseia numa lenda urbana muito popular nas décadas de 1970-80.

Concluindo-se de que se trata de um jacaré, a polícia devia encerrar o caso e passá-lo para bombeiros ou cientistas. Mas as investigações policiais prosseguem com o detetive compulsivo. Os clichês começam a se definir. O policial perdeu um companheiro no passado e se sente culpado por isso. É um homem atormentado que perderá mais um colega para o cruel jacaré gigante. O chefe da delegacia é também típico na sua meia idade e rouquidão. Ambos procuram um especialista. O maior nome em herpetologia é ninguém menos que uma linda moça. O dono do laboratório é um empresário inescrupuloso que tem grande influência sobre o prefeito venal. Esse filme já foi visto várias vezes, trocando-se apenas o vilão e os personagens.

É claro que haverá um romance entre o investigador e a cientista. É claro que haverá sexo, embora, no filme, ele seja discreto. Nem os seios da cientista completamente nus são exibidos. Mas o detetive comenta que ela é inteligente, bonita e tem peitos atraentes. É claro que o jacaré terá comportamento humano. Ele arrebenta o asfalto e avança pela superfície de Chicago, atacando pessoas e veículos. É um animal gigantesco. Parece que ele sabe quem é o homem mau e ataca a festa de casamento do seu filho, devorando muitos convidados e o próprio vilão.

Afastado do caso por ordem do prefeito, o detetive continuará a agir por conta própria com ajuda da cientista. Também já assistimos a esse filme várias vezes. Ambos entram no covil do jacaré e o detonam com dinamite. Caso resolvido? Chicago pode descansar? O filme terminou? O jacaré deixou filhotes. Mas como? Ele era macho ou fêmea? Se macho, não havia como proliferar. Se fêmea, pode-se pensar em partenogênese. O instinto de reprodução é tão forte que algumas plantas, invertebrados, anfíbios e répteis dispensam parceiros machos e se reproduzem. Um caso é focalizado em “Jurassic Park”.

Os jacarezinhos aparecem no final do filme, sugerindo continuação. Muitos filmes com jacarés foram produzidos depois e “Alligator”. Todos eles para caçar espectadores pouco exigentes. Contudo, devemos admitir que muitos filmes nessa linha fizeram sucesso. Não é preciso ir longe para saber que os estúdios dos Estados Unidos querem filmes comerciais que produzam bilheteria.

 

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Garotinho candidato a vereador do Rio pelo Republicanos

 

Anthony Garotinho (Foto: Folha da Manhã)

Anthony Garotinho a vereador pelo Republicanos na cidade do Rio de Janeiro. A possibilidade se confirmou com a filiação de Garotinho na noite de hoje ao Repubicanos, pelas mãos do prefeito de Belford Roxo, Waguinho. Pela nova legenda, ex-governador quer concorrer a vereador do Rio no pleito municipal de 6 de outubro, daqui a 6 meses e 22 dias.

Seu filho, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), incentivou a nova empeitada política do pai:

— Parabéns, Pai! Sua trajetória é brilhante e tenho certeza que será o vereador mais votado da cidade do Rio, fazendo um trabalho espetacular. Como seu filho fico muito feliz com essa notícia e como pessoa pública tenho muita honra de carregar o seu sobrenome que tem muito serviço prestado em todo Estado do Rio. Mesmo com discordâncias pontuais, normais por sermos de gerações diferentes, saiba que eu TE AMO MUITO ❤” — postou Wladimir nas redes sociais.

Garotinho e Wladimir viviam uma crise (confira aqui, aqui e aqui) pelo controle do PL em Campos dos Goytacazes. Ao que parece, foi sanada.

Algumas análises do novo passo de Garotinho:

— Primeiro passo para Garotinho tentar voltar a ser governador do Estado do Rio — projetou o historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos.

— Primeiro, segundo consta, ele está inelegível. E esse é um projeto familiar de se espraiar por todos espaços políticos de projeção estadual para pavimentação de um projeto de retorno ao Palácio Guanabara — também projetou o ex-prefeito e pré-candidato a prefeito de Campos Sérgio Mendes (Cidadania), ex-aliado e há anos desafeto político de Garotinho.

— Acho que o Parlamento municipal da capital só tem a ganhar pela experiência que ele tem como governador. E pela movimentação que ele vai implementar no Legislativo. E, certamente, seria um dos mais votados no processo eleitoral carioca de 6 de novembro — apostou o engenheiro da Petrobras Wagner Victer. Ex-secretário estadual em várias pastas, inclusive nos governos Garotinho e Rosinha, ele frisou falar como cidadão carioca.

 

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Garotinho cobra PL que PL quis só a Wladimir, Maricá x Campos

 

Flávio Bolsonaro e Wladimir Garotinho, Anthony Garotinho, Rodrigo Bacellar, Filippe Poubel e Thiago Ferrugem (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“A soberba precede a ruína”?

Trazer o PL ao seu arco de aliança, com o apoio pessoal (confira aqui) do senador Flávio Bolsonaro, talvez tenha sido, depois da aprovação da LOA goela abaixo da oposição na Câmara, o maior feito do prefeito Wladimir Garotinho (PP) neste ano eleitoral de 2024. Mas com o PL e o apoio dos Bolsonaro também vieram problemas. O mais grave foi o protesto do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) ao fato de ter sido deixado de fora do comando do PL goitacá: “Eu não entendo por que o meu filho me excluiu mais uma vez da participação política na cidade. Há um provérbio que diz que a soberba precede a ruína” (Livro dos Provérbios 16:18).

 

Garotinho e Wladimir com PL

Em vídeo veiculado nas redes sociais, Garotinho deu seu motivo à advertência ao filho. Antes do encontro de Wladimir e Flávio no último dia 21, o ex-governador disse que já vinha articulando a vinda do PL ao seu grupo. Sobre isso, teria conversado por telefone com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os deputados federais Altineu Côrtes e Sóstenes Cavalcante, ambos do PL fluminense. Garotinho disse ter comunicado isso a Wladimir, que teria se mostrado surpreso. Mas o filho recebeu depois uma ligação de Flávio, para marcar reunião em Brasília, onde o senador manifestou em vídeo seu apoio e do PL à reeleição do prefeito.

 

Veto da Executiva nacional

Ocorre que, na manhã de ontem (12), o jornalista Ricardo Bueno revelou no site Agenda do Poder: “As críticas de Garotinho ao seu filho, por supostamente ter sido alijado do comando do PL em Campos, não procedem. Uma fonte da direção nacional do PL garantiu que o veto ao ex-governador ter protagonismo na nova executiva municipal foi da Executiva nacional. Entregar a sigla a Wladimir seria suficiente para atender sua estratégia eleitoral à reeleição. Garotinho comandar o processo seria um exagero desnecessário. Estimularia o confronto com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, de quem o ex-governador é inimigo figadal”.

 

Pai acertou na Câmara

No fim da tarde de segunda (11), ao comentar sobre o vídeo do ex-governador em protesto aberto ao filho prefeito, o blog Opiniões analisou a manifestação. E sua possível absorção pelo eleitor campista. “Há alguns aspectos a serem considerados nessa rusga pública entre pai e filho. É fato, por exemplo, que Garotinho falou a verdade quando também disse no vídeo: ‘Quando iria acontecer a eleição da Câmara (de Campos, em 15 de fevereiro de 2022) antecipada eu disse (a Wladimir)’: olhe, não antecipe porque vai perder. Perdeu! E vocês viram as complicações que ele teve que enfrentar na Câmara de Vereadores”.

 

Reações do eleitor ao filho

“Mas há outros aspectos (nessa nova rusga de Garotinho com Wladimir). A reação natural à ofensiva verbal e pública de um pai contra um filho, sobretudo quando este não retruca, costuma ser de lamento e de repúdio ao ataque. Ademais, sobretudo ao eleitor da 98ª Zona Eleitoral de Campos, da classe média e média-alta do Centro da cidade, historicamente refratário a Garotinho, toda mostra de independência política que Wladimir demonstrar do pai será sempre bem vista”, seguiu o blog em sua análise. Que foi enviada a Garotinho, para oferecer-lhe contraditório.

 

Garotinho, Rosinha e Clarissa fechados

Ainda na noite de segunda, Garotinho enviou resposta: “Obrigado pela consideração de enviar seu ponto de vista. Mas a situação é mais ampla e envolve outros fatores. Eu, Rosinha e Clarissa estamos fechados na reprovação às atitudes políticas de Wladimir. Quanto ao perde e ganha, acho que ele perde mais. E, independente disso, não vale a pena perder o respeito da família”. Mesmo na manhã seguinte, o ex-governador não mostrou acreditar na informação de que o veto ao seu nome no comando do PL goitacá tenha sido decisão do comando nacional do partido. Para evitar “provocação desarrazoada” ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.

 

Ataque a Ferrugem e sua esposa

Ex-vereador e chefe de Gabinete de Wladimir, Thiago Ferrugem assumiu no sábado (9) a presidência do PL em Campos. No mesmo dia, o deputado estadual bolsonarista Filippe Poubel, do PL de Maricá e tubo de ensaio dos Bacellar a prefeito de Campos, publicou em seu Instagram: “O PL em Campos dos Goytacazes está nas mãos do prefeito Wladimir Garotinho. Em seu primeiro ato, colocou na presidência do partido um político de esquerda, condenado na Chequinho”. E, com foto da esposa de Ferrugem, acrescentou: “Em destaque, a esposa do atual presidente do PL Campos, fazendo o L. Peço atenção das lideranças do partido”.

 

PL de Campos x PL de Maricá

Essa característica de expor e atacar preferencialmente mulheres talvez seja a pior do dito “bolsonarismo raiz”. Ademais, ao pedir “atenção das lideranças do partido”, Poubel encarnou o aluno ressentido do ensino fundamental que dedura à “tia”, após a ausência desta, quem teria feito bagunça na sala de aula. Ontem, Ferrugem reagiu: “Lamentável o comportamento do deputado. Usar a imagem da minha esposa, mãe dos meus filhos, só demonstra o caráter desse rapaz. Tenho muito orgulho da minha esposa. Diferente desse sujeito, ela é forte, corajosa e livre para tomar suas próprias decisões”.

 

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Edmundo Siqueira — De Hamlet a Garotinho e Wladimir

 

Wladimir, Garotinho, o crânio de Yorick e o Hamlet de Mel Gibson (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Edmundo Siqueira, jornalista, servidor federal e blogueiro do Folha1

Os conselhos não ouvidos nos ecos da planície

Por Edmundo Siqueira

 

Talvez não seja Campos uma tragédia, mas as famílias que comandam a política local, há algumas décadas, vem protagonizando episódios dignos das violentas brigas entre Capuleto e Montecchio, retratadas em Romeu e Julieta, de William Shakespeare.

A briga mais recente no âmago de uma dessas famílias, entre pai e filho, trouxe contornos de outra obra imortal de Shakespeare: Hamlet. Garotinho queixou-se sobre o fato de seu filho, Wladimir, o ter “excluído mais uma vez da participação política na cidade”.

O filho supostamente teria cooptado um partido político para sua base in absentia (na ausência) do pai. Garotinho — como muitos personagens das tragédias — revida com ressentimento, e cita o Livro dos Provérbios (16:18): “a soberba precede a ruína”.

Ora, estaria o filho desonrando o pai por não o ter convidado para uma negociação política da cidade? Estaria o pai, apenas alertando o filho do perigo de um dos sete pecados capitais?

Em Hamlet, o pai Polônio encontra o filho Laertes na casa de Ofélia, também sua filha, e oferece sua benção, mas o adverte sobre sua demora em seguir sua viagem, no navio que o esperava. Antes de ir, Polônio oferece oito conselhos ao filho Laertes.

Os dois primeiros conselhos seriam essenciais ao pai, na tragédia campista:

 

  1. Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.
  2. Sejas amistoso, sim, jamais vulgar.

 

Já o terceiro e o quarto, o filho deveria ouvir, mesmo que o pai não pudesse jamais orientá-lo nesses quesitos:

 

  1. Os amigos que tenhas, já postos à prova, prende-os na tua alma com grampos de aço;
  2. Procura não entrar em nenhuma briga; Mas, entrando, encurrala o medo no inimigo.

 

Por fim, Polônio adverte Laertes do seguinte:

 

“Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos; E, sobretudo, isto: seja fiel a ti mesmo.

Jamais serás falso para ninguém”.

 

Conselhos valiosos para se evitar muitas tragédias.

 

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Do PL de Maricá, ataques e resposta do PL de Campos

 

Filippe Poubel, Thiago Ferrugem, Wainer Teixeira e Wladimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não é só entre o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) e seu filho Wladimir Garotinho (PP) que as rusgas (confira aqui e aqui) pelo apoio do PL do senador Flávio Bolsonaro à reeleição do prefeito de Campos (confira aqui e aqui) vem acontecendo. Tubo de ensaio dos Bacellar como pré-candidato a prefeito de Campos, o controverso deputado estadual bolsonarista do PL de Maricá, Filippe Poubel, também tem manifestado descontentamento.

Em suas redes sociais, o parlamentar bolsonarista tem atacado alguns secretários de Wladimir, por terem apoiado a vitória de Lula (PT) no segundo turno presidencial de 2022. Entre eles, o chefe gabinete do prefeito, Thiago Ferrugem, atual presidente do PL em Campos. Ele respondeu às provocações de Poubel, que lembrou da operação Chequinho e postou uma foto da esposa de Ferrugem fazendo o “L”:

— Lamentável o comportamento do deputado que, ao invés de vir para o debate, se esconde atrás de bravatas, mentiras e ataques pessoais. Sobre as fake news, estamos estudando com os advogados as medidas que vamos adotar. Agora, usar a imagem da minha esposa, mãe dos meus filhos, só demonstra o caráter desse rapaz. Tenho muito orgulho da minha esposa. Diferente desse sujeito, ela é forte, corajosa e livre para tomar suas próprias decisões — reagiu Ferrugem.

No domingo (10), Poubel havia postado em seu Instagram:

— O PL em Campos dos Goytacazes está nas mãos do prefeito Wladimir Garotinho. Em seu primeiro ato, Garotinho coloca na presidência do partido Thiago Ferrugem, político de esquerda, condenado na operação Chequinho, que usava o programa Cheque Cidadão para compra de votos. Em destaque, a esposa do atual presidente do PL Campos, fazendo o L. Peço atenção das lideranças do partido para essa movimentação.

Ontem (11), Poubel fez uma nova postagem. Atacando dessa vez o secretário de Administração e Recursos Humanos goitacá, Wainer Teixeira (a caminho do PP, também pré-candidato a vereador. De quem o deputado bolsonarista postou uma foto balançando a bandeira de Lula nas ruas de Campos, durante a campanha presidencial de 2022, com o texto:

— Como já foi amplamente noticiado, o PL em Campos irá caminhar com o prefeito Wladmir Garotinho, sob o argumento de que ele teria apoiado o presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições. Sabe aquele apoio fake, onde você faz uma firula com uma carreata, mas por “debaixo dos panos”, nem tão debaixo assim? E você coloca o seu secretariado para apoiar o seu verdadeiro candidato? Pois bem, esses são alguns dos secretários e gestores na administração Wladmir que apoiaram o ex-condenado sob a tutela do prefeito, que hoje manda no PL em Campos — ressentiu-se Poubel.

Diferente de Ferrugem, Wainer preferiu não comentar. Em 21 de outubro de 2022, nove dias antes do segundo turno presidencial daquele ano, este blog não só noticiou (confira aqui) em primeira mão que Wladimir tinha decidido apoiar a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro, como havia liberado seus secretários e vereadores a manifestarem a decisão pessoal de cada um:

—  Sou um democrata e os secretários e vereadores do governo que pensam diferente e votarão em Lula estarão livres para se manifestarem — disse o prefeito na ocasião.

 

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Quem não quis Garotinho no PL goitacá foi o PL nacional

 

Anthony Garotinho, Wladimir Garotinho, Flávio Bolsonaro e Rodrigo Bacellar (Montagem: Joseli Matias)

 

Não foi o prefeito Wladimir Garotinho (PP) quem não quis (confira aqui) seu pai, o ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) no comando do PL em Campos. Na verdade, que não quis foi a executiva nacional do próprio PL, para evitar conflitos com o presidente campista da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União).

É o que revelou na manhã de hoje (confira aqui) o jornalista Ricardo Bruno, do site Agenda do Poder:

— As críticas de Anthony Garotinho ao prefeito Wladimir, seu filho, por supostamente ter sido alijado do comando do PL em Campos, não têm procedência. Uma fonte da direção nacional do PL garantiu que o veto à possibilidade de o ex-governador assumir protagonismo na nova executiva municipal partiu da Executiva nacional.

O comando do PL entendeu que entregar a sigla a Wladimir seria suficiente para atender a sua estratégia eleitoral visando à reeleição. Segundo o dirigente, deixar Garotinho comandar o processo seria um exagero desnecessário. Estimularia ainda mais o confronto com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, de quem o ex-governador é inimigo figadal.

Pragmático, Flávio Bolsonaro acredita que deixar o comando com Wladimir está de bom tamanho. Ir além seria provocação desarrazoada.

 

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Garotinho se queixa de Wladimir pelo PL em Campos

 

Wladimir e Anthony Garotinho (Foto: Instagram)

 

“A soberba precede a ruína”. A frase compõe a Bíblia no Livro dos Provérbios (16:18), atribuído a Salomão, rei da antiga Israel e filho do rei Davi. E foi usada em vídeo divulgado nas redes sociais pelo ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) em advertência pública ao próprio filho, o prefeito Wladimir Garotinho (PP).

O motivo da nova rusga entre pai e filho é o controle do PL de Campos por Wladimir. Que, no último dia 21, divulgou um vídeo com o senador Flávio Bolsonaro, onde este declarou (confira aqui) seu apoio e do PL à reeleição do prefeito de Campos. O que seria confirmado no último sábado (9), com o ex-vereador Thiago Ferrugem, chefe de gabinete de Wladimir, assumindo (confira aqui) a presidência do PL goitacá.

Em seu vídeo, Garotinho disse que, antes do encontro de Wladimir e Flávio, ele já vinha articulando a vinda do PL ao seu grupo político. E teria conversado sobre por telefone neste sentido com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os deputados federais Altineu Côrtes e Sóstenes Cavalcante, ambos do PL fluminense. Garotinho disse que comunicou isso a Wladimir, que se mostrou surpreso, mas recebeu depois uma ligação de Flávio, para marcar um encontro entre o prefeito e o senador em Brasília.

— E lá, para minha total tristeza e até uma certa indignação, Wladimir acertou, e eu não sei o motivo, que o partido (PL) em Campos ficaria sob o comando dele. E que ele iria escolher os membros da executiva do município de Campos. E assim o fez. Eu não entendo, com toda a sinceridade, por que o meu filho me excluiu mais uma vez da participação política na cidade. Há um provérbio que diz que a soberba precede a ruína — disse Garotinho.

Há alguns aspectos a serem considerados nessa rusga pública entre pai e filho. É fato, por exemplo, que Garotinho falou a verdade quando também disse no vídeo: “Quando iria acontecer a eleição da Câmara (de Campos, em 15 de fevereiro de 2022) antecipada eu disse (a Wladimir): ‘olhe, não antecipe porque vai perder’. Perdeu! E vocês viram as complicações que ele teve que enfrentar na Câmara de Vereadores”.

Mas há outros aspectos. A reação natural à ofensiva verbal e pública de um pai contra um filho, sobretudo quando este não retruca, é de lamento e repúdio ao ataque. Ademais, sobretudo ao eleitor da 98ª Zona Eleitoral de Campos, da classe média e média-alta do Centro da cidade, historicamente refratário a Garotinho, toda mostra de independência política que Wladimir demonstrar do pai será sempre bem vista.

Após a publicação da postagem, o ex-governador complementou ao blog:

— A situação é mais ampla e envolve outros fatores. Eu, Rosinha e Clarissa estamos fechados na reprovação às atitudes políticas de Wladimir. Quanto ao perde e ganha, acho ele perde mais, e independente disso não vale a pena perder o respeito da família — disse Garotinho.

 

Atualizado às 22h25. 

 

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PAC do Lula 3 a Campos e sua “paternidade” sob análise

 

Existem “pais” e “mães” políticos dos R$ 51,41 milhões projetados para Campos dos Goytacazes pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado (confira aqui) na última quinta (7) pelo presidente Lula (PT)? Pré-candidatos à Prefeitura de Campos, o prefeito Wladimir Garotinho (PP), o professor Jefferson de Azevedo (PT), reitor do IFF, e a deputada estadual Carla Machado (PT) tentaram (confira aqui) surfar essa onda na semana passada.

Mas, afinal, o PAC deve ser encarado como um “favor” de políticos com olhos nas urnas, ou uma simples obrigação do Governo Federal (confira aqui), por integralmente custeada pelos impostos do contribuinte? Para tentar responder a essas perguntas, o blog ouviu também a professora, ex-vereadora, presidente do PT em Campos e pré-candidata a vereadora, Odisséia Carvalho; o economista Alcimar das Chagas Ribeiro, professor da Uenf; o presidente do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra (PT); e o jornalista Sebastião Carlos Freitas, ex-editor-geral da Folha da Manhã.

Confira abaixo:

 

PAC do governo Lula 3 para Campos sob análise de Odisséia Carvalho, Alcimar das Chagas Freitas, Tezeu Bezerra e Sebastião Carlos Freitas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Odisséia Carvalho – “A reconstrução de um país após quatro anos de um processo contínuo de desinvestimento, passam por superar as posições partidárias. Campos é mais um exemplo a ser observado. Mesmo com o alinhamento entre o atual prefeito e o ex-presidente Jair Bolsonaro, serão investidos R$ 51,41 milhões no PAC. Estes investimentos serão importantes em uma cidade que, mesmo recebendo vultosos valores advindos do repasse dos royalties, ainda tem graves problemas em áreas como transporte, moradia e um expressivo número de pessoas em situação de vulnerabilidade. Fundamental o reconhecimento pelo prefeito de Campos, Wladimir Garotinho e pela população, deste empenho em retomar o crescimento do país demonstrado pelo Governo Federal neste momento. Campos terá uma candidatura própria do Partido dos Trabalhadores. Ao colocar Campos no PAC, o Governo Federal deixa clara seu compromisso com a cidade”.

Alcimar das Chagas Ribeiro – “Enquanto se discute a importância das poucas dezenas de milhões e os responsáveis pela transferência ao município de Campos, não se investiga o que realmente importa: como os recursos são executados e a favor de quem? Em 2023, dos R$2,9 bilhões de receitas correntes no município, foram executados em investimento só 5,21%. O restante foi para custeio da máquina: 40,23% em pessoal e 46,81% em despesas outras. Apesar do volume representativo de receitas correntes, o município mantém forte dependência das transferências de benefícios sociais do Governo Federal. No ano passado esse volume somou R$ 677,9 milhões. A fragilidade socioeconômica de Campos pode ser confirmada na geração de emprego em 2023: do saldo de 4.151 novas vagas, 68,34% ocorreu no setor de serviços, cujo perfil é de baixo padrão tecnológico e rendimento limitado. A discussão sobre as transferências no contexto do PAC, sua importância e, sua origem, podem não ter a relevância que se imagina”.

Tezeu Bezerra – “Acho que o prefeito tenta navegar na onda do PAC como um bom articulador, mesmo tento uma visão ideológica diferente do PT, ele tem porta aberta com o companheiro André Ceciliano. E a partir disso consegue ter espaço de diálogo do governo Lula. De fato, o papel do gestor municipal é pensar na cidade e acho que bater na porta do governo Lula mostra maturidade. E Lula abre a porta a todos os gestores municipais e estaduais, diferente do candidato perdedor na eleição de 2022, que perseguia e tentava atrapalhar os gestores que pensavam diferente. Vamos ver se o prefeito vai saber retribuir a generosidade do governo Lula e o apoiar em 2026. Os investimentos do PAC são muito importantes. Acho que o prefeito poderia falar como foi a priorização dos projetos, pois o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) existe de 1990 e só agora Campos passa a ter esse programa tão importante à Saúde Pública”.

Sebastião Carlos Freitas – “Com relação ao PAC, tem sempre alguém querendo ser o pai e a mãe da criança bonita. Se todos tivessem consciência política, não teria espaço para esses aproveitadores. Assim como surgiu a desculpa “rouba, mas faz”, slogan criado para definir o ex-governador paulista Ademar de Barros (1901/1969) e sempre reforçado pelos eleitores de Paulo Maluf (PP), no caso do PAC, além da tentativa de aproveitamento eleitoreiro, vem também a narrativa do ‘sim, ele está fazendo o que obrigação, mas os outros não fizeram’”.

 

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Eleições de Campos e SJB em outubro no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-vereador, bacharel em Direito e presidente do Agir em Campos, Thiago Virgílio é o convidado do Folha no Ar desta terça (12), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre a operação Chequinho de 2016, sua presidência municipal do Agir e da montagem das nominatas governistas.

Thiago também falará sobre a polêmica recente do PAC para Campos e do apoio dos Bolsonaro à reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP), e avaliará a possibilidade da ex-governador Rosinha Garotinho (sem partido) concorrer a prefeita em São João da Barra. Por fim, ele analisará o governo Wladimir e, com base nas pesquisas, tentará projetar as eleições municipais de 6 de outubro, daqui a pouco mais de 6 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook, no Instagram e no YouTube.

 

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Elio Gaspari — Por que Lula perde aprovação nas pesquisas?

 

Já disse e escrevi mais de uma vez que considero Elio Gaspari o maior jornalista brasileiro entre os vivos. Mais que qualquer historiador, não se conhece as entranhas da última ditadura militar do Brasil (1964/1985) sem acesso à exaustiva pesquisa reproduzida em seus cinco livros sobre o tema.

Além da vasta cultura e informação, tem requinte de romancista, sem ser afetada ao leitor médio. E não faz favor a nenhum político. Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em seus dois governos, era tratado ironicamente de “FFHH”. Como Lula, nos 13 primeiros anos do PT no poder, era o “Nosso Guia”.

Ao último e novamente presidente, Gaspari acendeu hoje a luz amarela. A partir da queda brusca de aprovação popular do agora “Lula 3.0” nas recentes pesquisas Quaest e Ipec.

Deveria servir de alerta aos petistas capazes de enxergar a realidade para além da passação de pano. Como poderia ser bússola aos bolsonaristas que pretendem ser levados a sério fora da “caverna das sombras” da sua bolha.

 

(Arte: André Mello)

 

 

Elio Gaspari, jornalista e escritor

O lulopetismo tem um problema: Lula 3.0

Por Elio Gaspari

 

As pesquisas do Ipec e da Quaest revelaram que entre agosto e março a aprovação do desempenho de Lula caiu enquanto a reprovação cresceu. As duas linhas se aproximaram, e o resultado confirmou a pesquisa do Ipec de dezembro, que mostrava a boca do jacaré aberta: 50% dos entrevistados não confiavam nele, contra 48% que confiavam. A diferença cabia na margem de erro. Em março, não cabe mais: 51% não confiam, contra 45% que confiam.

Alguma coisa está funcionando mal no governo de Lula 3.0. Não se pode dizer que seja a economia. Anda-se de lado, mas anda-se. Também não é a política, pois em mais de um ano de governo, aprovou-se a reforma tributária e levou-se o andor sem escândalos. Lula restabeleceu a relação civilizada com governadores filiados a partidos da oposição e enfrentou uma crise militar com um desempenho capaz de causar inveja ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a Nelson Jobim, seu ministro da Defesa. Para quem já teve um presidente que falava em “meu Exército” e anunciava que não compraria a vacina adquirida pelo governador paulista João Doria, isso não é pouca coisa.

Num país ainda dividido, seria razoável que algum mau juízo persistisse, mas não precisava crescer. Uma possível explicação para esse crescimento está no próprio Lula. Ele foi o motor da vitória eleitoral, mas há um ano despreza o arco democrático que o elegeu, supondo que foi uma frente de políticos. A diferença entre o arco e a frente pode ser fulanizada: o ex-ministro Pedro Malan esteve no arco, mas não está na frente.

Afora esse enguiço, Lula tem verdadeira paixão por duas cascas de banana. Uma é a falecida Operação Lava Jato, coisa de 10 anos atrás. Outra são as encrencas internacionais, uma logo ali, na Venezuela; outra, a milhares de quilômetros, na Faixa de Gaza. Sua insistência, em ambos os casos, aliena parte do eleitorado que teve ou poderá vir a ter. As bandeiras de Israel na campanha presidencial de Bolsonaro eram presepada. Já as que foram levadas para a Avenida Paulista há duas semanas, tinham real significado.

A República de Curitiba foi primitiva, onipotente e parcial, isso está entendido. Contudo, a Lava Jato detonou roubalheiras documentadas e confessadas. Quando Lula fala dos seus defeitos e esquece o que houve de virtuoso, prega para convertidos, sejam eles petistas ou empreiteiros, mas agride parte do eleitorado, que não aprova o que soa como uma indulgência com os corruptos.

As duas cascas de banana pouco têm a ver com o desempenho do governo. São inutilidades a serviço de uma espécie de autoglorificação presente no Lula 3.0.

Nos dois governos anteriores, Lula foi um presidente que mostrava interesse em dar certo. Afinal, como ele mesmo dizia, um ex-operário tinha chegado à Presidência, não tinha o dinheiro de errar. O terceiro Lula comporta-se de outra forma. Não mostra a humildade de quem quer acertar porque está convencido de estar certo, a respeito de seja lá o que for, da oposição venezuelana, à importância do governo americano na exposição das roubalheiras ocorridas na Petrobras.

Num juízo sereno, a reprovação do governo de Lula não deveria ter crescido, pois nada ocorreu de reprovável, salvo o congelamento de expectativas que eram apenas expectativas. Talvez Lula não tenha percebido, mas como profeta, está maltratando o eleitorado.

 

Publicado aqui em O Globo.

 

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