Carla Machado pode ou não vir a prefeita de Campos?

 

Carla Machado, Rodrigo Bacellar, Wladimir Garotinho, Robson Maciel Júnior, Priscila Marins, Victor Queiroz, João Paulo Granja, José Paes Neto e Gabriel Rangel (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Carla pode ou não vir a prefeita de Campos?

Prefeita de São João da Barra quatro vezes, incluindo sua reeleição em 2020, para renunciar e se eleger deputada estadual em 2022, Carla Machado (PP) pode ou não ser candidata a prefeita de Campos em 2024? Como a coluna adiantou (confira aqui) na última terça, essa possibilidade vem sendo articulada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado campista Rodrigo Bacellar (União). Ele demanda um ou mais nomes com densidade eleitoral para enfrentar o favoritismo do prefeito Wladimir Garotinho (PP) em todas as pesquisas (confira aqui). Que, a 11 meses da urna, apontam à possibilidade de reeleição em turno único.

 

Robson Maciel Júnior

Na disputa de espaço às eleições de Campos em 2024, a possibilidade de Carla concorrer a prefeita foi endossada (confira aqui) pelo procurador-geral da Alerj, o advogado campista Robson Maciel Júnior. No entender dele, como a ex-prefeita de SJB renunciou ao mandato antes do término, para se candidatar e se eleger a deputada, o caso dela seria diferente do que é lembrado no Supremo Tribunal Federal (STF) como impedimento à candidatura seguida a prefeita de Campos em 2024. “Tudo dependerá da interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, como os casos são diferentes, a revisão legal permite a possibilidade”, ensejou o procurador.

 

Maioria acha que não

No bordão do ex-árbitro de futebol Arnaldo Cezar Coelho: “a regra é clara”. Mas, como nos campos políticos, não existe o VAR, a definição da Justiça Eleitoral será sempre subjetiva, por depender de interpretação. O que valerá será o juízo do ministro do TSE que julgar o caso de Carla, se ele lá chegar. Antes disso, a coluna buscou a opinião de outros juristas campistas com experiência em direito eleitoral, como Robson. Entre eles não houve consenso, o que mostra como a questão pode ser complexa, mesmo aos especialistas. Mas a maioria opinou pela impossibilidade de a ex-prefeita reeleita de SJB se candidatar em 2024 a prefeita de Campos.

 

Priscila Marins

“Com respeito às opiniões diferentes, não vejo viabilidade para a deputada disputar a eleição a prefeita de Campos. Estaríamos diante da tese de prefeito itinerante. Que foi fixada no Recurso Extraordinário (RE) 637485, que estabelece a interpretação do artigo 14, § 5º, da Constituição. Neste caso, uma candidata que foi eleita prefeita e reeleita em um município, e posteriormente renunciou ao cargo, concorrendo e sendo eleita como deputada estadual, estaria sujeita à restrição de não poder se candidatar a uma terceira eleição subsequente para o cargo de prefeita, mesmo que seja em um município diferente”, frisou a advogada Priscila Marins.

 

Victor Queiroz

“A Constituição, nos parágrafos 5º e 6º do artigo 14, estabelece a possibilidade de eleição a prefeito, de modo consecutivo, apenas duas vezes. Pela criatividade dos políticos brasileiros, surgiu a figura do ‘prefeito itinerante’. Que, tendo sido reeleito, muda o domicílio eleitoral para concorrer a prefeito em outro município. Desde 2008, o TSE entende a inadmissibilidade do ‘prefeito itinerante’, mesmo com a desincompatibilização do mandato. Esse entendimento foi confirmado pelo STF no julgamento do RE 637.485, em 2012. As normas e a interpretação que têm sido dadas pelo TSE e pelo STF são essas”, salientou Victor Queiroz, promotor de Justiça.

 

João Paulo Granja

“No artigo 14, § 5º, da Constituição, só é possível a qualquer cidadão disputar dois mandatos consecutivos no Poder Executivo. Esse dispositivo teve abrangência ampliada pelo STF e TSE, ao considerarem que os mandatos em municípios vizinhos contam. Por este entendimento, a ex-prefeita Carla Machado estaria impedida de disputar a Prefeitura de Campos, pois foi eleita como prefeita de SJB nas duas últimas eleições, mesmo tendo renunciado para disputar as eleições de 2022, quando se elegeu deputada estadual. O TSE já analisou hipóteses similares e manteve o mesmo entendimento em todas”, ressaltou o advogado João Paulo Granja.

 

José Paes Neto

“A Constituição não trata especificamente da impossibilidade de um terceiro mandato consecutivo de prefeito em município vizinho. A vedação ao chamado ‘prefeito itinerante’ se deu por construção jurisprudencial do TSE e do STF, que fixou tese pela proibição da segunda reeleição, mesmo em município diverso. Contudo, o segundo mandato de prefeita Carla Machado foi interrompido com a sua renúncia para disputar o cargo de deputada estadual, ao qual foi eleita. É razoável a interpretação de que no caso em questão não restaria caracterizado o terceiro mandato consecutivo”, ponderou, como Robson, o advogado José Paes Neto.

 

Gabriel Rangel

“Na interpretação do artigo 14, §5º da Constituição, pelo STF, no Recurso Extraordinário 637.485, e pelo TSE, no Recurso Especial Eleitoral 32.507, a deputada Carla Machado está inelegível ao próximo pleito de prefeito de Campos. Em 2012, ao julgar o leading case ‘prefeito Itinerante’, o STF manteve o entendimento do TSE, ratificado em 2023, no Recurso Ordinário 060083352. Que estendeu o efeito a quem exerceu dois mandatos consecutivos de prefeito, mesmo em município diverso. Ademais, o STF fixou que ‘as decisões do TSE que, no curso do pleito eleitoral ou logo após o seu encerramento, impliquem mudança de jurisprudência não têm aplicabilidade imediata’”, reforçou Gabriel Rangel, procurador de Campos.

 

Publicado hoje, na Folha da Manhã.

 

Da guerra à ética na política goitacá no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Bispo diocesano de Campos, o uruguaio Dom Roberto Ferrería Paz é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar desta sexta (27), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará, sob a ética do cristianismo, a nova guerra entre muçulmanos e judeus na Terra Santa das três grandes religiões monoteístas.

Dom Roberto também analisará o Brasil de Lula, o Uruguai do conservador Luis Alberto Lacalle Pou e o segundo turno presidencial da Argentina, que se consumará no dia 19, entre o peronista Sergio Massa e o anarcocapitalista Javier Milei. Por fim, ele falará da falta de decoro da política goitacá (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e do Encontro Diocesano (confira aqui) que promoverá no dia 25, entre os prefeitáveis de Campos às eleições de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 11 meses.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Rio refém da milícia e Segurança no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Policial federal e especialista em Segurança Pública, Roberto Uchôa é o convidado do Folha no Ar desta quinta (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã. Ele analisará as causas e consequências dos ataques da milícia à Zona Oeste da cidade do Rio na segunda (23), quando incendiaram (confira aqui) um trem e 35 ônibus, após a morte de um criminoso.

Uchôa também falará da proposta de Federalização da Segurança Pública no país. E do papel que cabe à União, aos estados e municípios no setor. Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Wladimir pede cargos dos indicados pela oposição

 

Wladimir pediu cargos indicados pelos vereadores de oposição nas secretarias de Turismo e Qualificação e Emprego, que eram comandadas por Hans Muylaert e Robinho Pedala (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“Diga a verdade, nada melhor do que ela. Estávamos dentro de uma pacificação que foi desfeita e anunciada da tribuna pelo presidente da Câmara (Marquinho Bacellar, SD). Tive a hombridade e humildade de chamar todos vocês para comunicar o que eu faria, mesmo podendo fazer só pelo DO. Agradeci pelos serviços prestados e lamentei como o fato se deu. Não tenho do que reclamar pessoalmente de ninguém”. Foi o que disse o prefeito Wladimir Garotinho (PP), na tarde de ontem (24), aos indicados pelos vereadores de oposição nas secretarias de Turismo e Qualificação e Emprego, para comunicar o desligamento dos cargos.

A secretaria do Turismo tinha à frente psicólogo Hans Muylaert. Apesar de chegar ao governo incialmente pela Emahb, como indicação do vereador Nildo Cardoso, ele assumiu o Turismo como indicação de Marquinho e seu irmão, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj. Também deixarão os cargos na pasta a subsecretária Isabela Barreto, o chefe de gabinete Fabiano Gomes e o advogado Daniel Matos. Eles eram indicados, respectivamente, pelos edis Dandinho Rio Preto (PSD), Igor Franco (SD) e Raphael Thuin (PTB).

A secretaria de Trabalho e Renda era comandada por Robson da Silva Barboza, o Robinho Pedala. Indicação do vereador Helinho Nahim (Agir), ele já teria pedido exoneração do cargo há uma semana.

De saída do Turismo, Hans lembrou o que conseguiu fazer como secretário enquanto durou a pacificação entre Garotinhos e Bacellar:

— Foi um grande reconhecimento retornar no momento de criação da secretaria de Turismo. Em apenas seis meses, pudemos desenvolver projetos significativo para o desenvolvimento econômico e social. Realizamos a captação de recursos para implantação de equipamentos turísticos importante para nossa região turística Costa Doce. Facilitamos o processo de organização de eventos a partir do decreto do Nada a Opor Único, recuperação da via de acesso a APA do Itaoca, construção da nova sede do turismo no Cais da Lapa, parte do projeto de revitalização do centro histórico. Retomamos as tratativas com a Marinha para utilização do espaço em Farol de São Thomé. E, junto ao Sesc, retomamos a parceria e melhor implantação e produção dos eventos no verão. Iniciamos o ordenamento de Lagoa de Cima, visando não só o verão, mas uma política de uso continuo e definitivo. Conduzimos de maneira técnica e política as ações na secretaria. Fizemos bastante, com a condição que nos foi dada. Sabemos que há muito ainda a fazer, mas estávamos no caminho certo.

 

Carla a prefeita de Campos em 2024? “Depende do TSE”

 

Deputada Carla Machado e o procurador-geral da Alerj, o jurista campista Robson Maciel Júnior, em cerimônia no Legislativo fluminense (Foto: Alerj)

 

Após renunciar ao segundo mandato consecutivo de prefeita de São João da Barra, para se eleger deputada estadual pelo PT em 2020, Carla Machado pode ou não ser candidata a prefeita de Campos em 2024? Hoje, a coluna Ponto Final, da Folha da Manhã, aventou (confira aqui) que uma tese jurídica favorável à possibilidade teria sido elaborada pelo procurador-geral da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o campista Robson Maciel Júnior. Ele descartou qualquer envolvimento no caso. No entanto, opinou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderia, no caso de Carla, revisar o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que veda a candidatura seguida a prefeito antes reeleito em município limítrofe.

No entender de Robson, como Carla renunciou ao mandato de prefeita de SJB antes do término, para se candidatar e se eleger deputada estadual, o caso dela difere do que é lembrado no STF como impedimento à candidatura a prefeita de Campos no próximo ano. E abriria espaço para sua revisão legal no TSE. O procurador-geral da Alerj ressalvou que é apenas sua opinião técnica. E não tem nenhuma ligação com a eventual articulação do presidente da Assembleia, o deputado campista Rodrigo Bacellar (União), de uma opção de oposição à tentativa natural de reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP).

— Tudo dependerá da interpretação do TSE. Mas, como os casos são diferentes, a revisão legal permite a possibilidade. Mas, que fique claro: não assinei nenhuma petição, não assumi nenhuma representação em processo nesse caso. Sou procurador-geral da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. E, em função do meu cargo, respondo diariamente a denominações políticas de todo o estado do Rio. Mas sempre tecnicamente, não politicamente — ressalvou o procurador campista do Legislativo fluminense.

 

Rodrigo Bacellar articula Carla Machado a prefeita de Campos

 

Carla Machado, Rodrigo Bacellar, Caio Vianna, Bruno Calil, Wladimir Garotinho, Jefferson Azevedo, Filippe Poubel e Rodrigo Amorim, quando quebrou em 2018 a placa da vereadora carioca do Psol Marielle Franco, executada a tiros naquele ano (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Carla quer, mas pode ser candidata a prefeita?

Deputada estadual e ex-prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PT) quer ser candidata a prefeita de Campos em 2024? Quer! E pode? Por entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a terceira candidatura a prefeito consecutiva em município limítrofe, não! Mas há uma tese jurídica que começa a ecoar no PT fluminense: a última candidatura de Carla foi a deputada estadual, em 2022, na qual se elegeu. Não sua reeleição de prefeita em 2020. De onde passa a contar? Como qualquer definição jurídica, depende de interpretação.

 

Articulação de Rodrigo Bacellar

A tese jurídica que poderia abrir espaço para Carla disputar a eleição de 2022 a prefeita de Campos, na qual seu nome é sondado desde 2016, teria sido elaborada por Robson Maciel Júnior. Advogado conceituado de Campos, com larga experiência em direito eleitoral e público, ele é procurador-geral da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O que revela o grande articulador dessa eventual candidatura de Carla a prefeita: o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).

 

Procura-se candidato

Na última eleição a prefeito de Campos, em 2020, Rodrigo ainda não era secretário estadual de Governo de Cláudio Castro (PL). Com quem, como relator do impeachment do ex-governador Wilson Witzel (PSC) na Alerj, teve fatura aberta. Mas o deputado viveu três anos atrás um dilema que, para 2024, seria resolvido com Carla. Porque em 2020 Rodrigo apoiou e rompeu com Caio Vianna (hoje, PSD), depois aventou lançar um juiz e dois outros médicos ao cargo, antes de finalmente vir com Dr. Bruno Calil (hoje, MDB).

 

Demanda do 3º ao 2º turno

A quem acompanhou a eleição a prefeito de 2020 pela objetividade fria dos números das pesquisas, confirmados nas urnas do primeiro e segundo turnos, é fato aritmético: Wladimir Garotinho (hoje, PP) só não se elegeu prefeito em turno único, por conta da alavanca no canto que Rodrigo engatou na campanha de Bruno Calil. E o fez terceiro colocado na disputa, acima dos dois dígitos: 13,17% dos votos válidos. Ficou atrás dos 42,94% de Wladimir e dos 27,71% de Caio, que disputaram um segundo turno duríssimo vencido pelo primeiro.

 

Perguntas de 2020 a 2024

Se, só como simples deputado estadual, Rodrigo levou ao segundo turno a eleição a prefeito de Campos em 2020, com um candidato até então cotado apenas a vereador, o que poderia fazer em 2024? Como presidente de uma Alerj cada vez mais empoderada e com uma candidata com a densidade eleitoral de Carla? Poderia repetir o seu feito no pleito majoritário de Campos em 2020? E forçar também o segundo turno em 2024? Que todas as pesquisas, até aqui, indicam ser hoje desnecessário para reeleger Wladimir prefeito?

 

Nova pesquisa e a questão PT

Como o grupo dos Bacellar fez recentemente uma nova pesquisa quantitativa a prefeito de Campos em 2024, mas não a divulgou, tudo indica que Wladimir se mantém franco favorito, a pouco mais de 11 meses da urna. Se puder ser candidata, para que Carla tivesse mais chance, os articuladores dos Bacellar entendem que ela não deveria concorrer pelo PT. Por conta dos 63,14% dos votos válidos do campista a Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial de 2022. Mas, interessado em sua bancada na Alerj, o PT liberaria Carla para sair do partido?

 

Como ficaria Jefferson?

Até os Bacellar investirem na possibilidade de Carla, o reitor do IFF, professor Jefferson Azevedo, era o provável candidato do PT a prefeito de Campos. Agora, ele talvez só venha se ela puder e também o fizer por outra legenda. Já houve conversa entre Carla e a estadual do PV, aliado do PT na Federação que elegeu Lula presidente. Articuladores dos Bacellar também já especularam que as chances de Jefferson numa Campos bolsonarista seriam maiores fora do PT. Mas, diferente de Carla, o reitor do IFF não mudaria de partido para tentar ser prefeito.

 

Da esquerda à extrema-direita

Mesmo que Carla possa ser candidata e consiga concorrer fora do PT, deixando este para Jefferson, o esforço dos Bacellar não se resume à esquerda. No objetivo de pulverizar os votos a prefeito para tentar diminuir a grande vantagem de Wladimir nas intenções de voto nestes 11 meses que os separam da urna, uma candidatura de extrema-direita também está na estratégia. Neste sentido, uma nota na mídia carioca tentou até lançar a prefeito de Campos o deputado estadual bolsonarista Filippe Poubel (PL). Que é político de Maricá.

 

Governo Wladimir deve explicação

Lançado como blefe a quem conheça algo da política goitacá, ou saiba que Maricá não é SJB, Poubel esteve em Campos na sexta (20). Veio com os colegas Rodrigo Amorim (PTB) e Alan Lopes (PL), todos aliados de Bacellar na Alerj. Armaram um circo patético, no jogo de cartas marcadas com a oposição local. Só trouxeram um ás na manga: buscaram no Hospital Geral de Guarus (HGG) um médico, residente na Bahia, que “empresta o nome para outra pessoa trabalhar”. Não deve mudar a aprovação de Wladimir. Mas seu governo deve explicações.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Atualizado às 10h15 para correção de informação.

 

Legado, Wladimir, Bacellar e eleição no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogado, presidente da Câmara Júnior e da Juventude do PDT em Campos, além de assessor da secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, Alonso Barbosa é o entrevistado do Folha no Ar desta quarta (25), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará do legado político do seu pai, o ex-vereador Renato Barbosa (PT), morto em 23 de setembro de 2009, e da sua atual gestão na Câmara Júnior de Campos.

Alonso também analisará o governo Wladimir Garotinho (PP), que integra, o ruidoso fim da pacificação com os Bacellar (confira aqui e aqui) e os limites éticos do decoro (confira aqui) na política goitacá. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui), ele tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos, em 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 11 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Canudos ao Brasil em Campos no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Palco da maior guerra civil da História do Brasil, o passado e o presente de Canudos, no sertão da Bahia, para o país. Este será o tema do Folha no Ar desta terça (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Com três canudenses: a educadora Elane Santos, o poeta José Américo Amorim e o guia Paullo de Régis, nascido e criado no Parque Estadual de Canudos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Dilema da guerra sem santos sob o mesmo Deus de Abraão

 

 

Mesmo que o novo conflito entre judeus e palestinos na Terra Santa escale, levando ao envolvimento direto de países vizinhos como Líbano e Irã, é impossível Israel perder a guerra. Mesmo que o conflito não ultrapasse o território da Palestina na Faixa de Gaza, é impossível Israel vencer a guerra. Parece um dilema shakespeariano. É, na precisão integral do termo, uma tragédia.

DESDE 1947 — Aparentemente contraditórias, essas duas certezas militares são complementares. Resumem-se na mesma condição terrorista do grupo palestino Hamas contra a população civil israelense e das ações do estado de Israel contra a população civil palestina. Sem poupar mulheres e crianças em seus crimes de guerra, refletem o dilema que se arrasta desde 1947. Quando a ONU presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha criou os estados da Palestina e de Israel.

TERRORISMO DO HAMAS E ISRAEL — Antes de retroagir na História, a que está sendo contada desde os ataques terroristas do Hamas a israelenses do último dia 7. Respondidos com o terrorismo de estado da Israel que já mantinha 2,3 milhões de palestinos no campo de concentração a céu aberto da Faixa de Gaza, de apenas 365 km2. Nos quais passaram a ser confinados desde o dia 8. Sem direito à saída, ou à entrada de água, comida, remédios e energia elétrica. Mas com bombardeio diário.

POR QUE ISRAEL NÃO PODE PERDER? — Por que Israel não pode perder a guerra que declarou contra o Hamas, mesmo que ela escale pelo Oriente Médio? Porque os israelenses têm as mais poderosas forças armadas da região. E seu próprio arsenal nuclear. A esta condição, só um país islâmico do mundo pode se nivelar: o Paquistão, na Ásia Meridional. Está aí o exemplo cordato do Japão, nestes 78 anos após o bombardeio atômico dos EUA a Hiroshima e Nagasaki em 1945, para dirimir qualquer dúvida.

POR QUE ISRAEL NÃO PODE GANHAR? — Por que Israel não pode ganhar a guerra que declarou contra o Hamas, mesmo que ela se restrinja à Faixa de Gaza? Porque, mesmo que consiga invadir e ocupar militarmente aquela região da Palestina, que abandonou desde 2005, o tempo sempre favorece a resistência local em sua guerra de guerrilha, de espera. Estão aí os exemplos radicalizados do Iraque e do Afeganistão, após as recentes ocupação e retirada dos EUA, para dirimirem quaisquer dúvidas.

 

Pacientes que sobreviveram ao bombardeio do Hospital Batista Al-Ahly Arab, incluindo crianças palestinas, chegam transferidas ao hospital Al-Shifa, também na cidade de Gaza (Foto: Anadolu/Reuters)

 

HOSPITAL BOMBARDEADO EM GAZA — Como a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza pode escalar? Após o bombardeio na terça (13) contra o Hospital Batista (cristão) Al-Ahly Arab, na cidade de Gaza, os muçulmanos se levantaram desde quarta (14). Em protestos na Cisjordânia, outra área da Palestina na Terra Santa. Cujo governo caberia à Autoridade Nacional Palestina (ANP), de origem laica, opositora do Hamas e seu fundamentalismo religioso. A ANP aceita o estado de Israel. O Hamas, não.

FUNDAMENTALISMO JUDEU NA CISJORDÂNIA PALESTINA — A despeito da tolerância religiosa e política da ANP, a Cisjordânia já sofre ocupação militar de Israel. Cujo primeiro-ministro conservador, Benjamin Netanyahu, foi liberado pelo então presidente de extrema-direita dos EUA, Donald Trump, para instalar colônias ilegais de fundamentalistas judeus no território palestino. Netanyahu se aliou à extrema-direita religiosa do seu país para tentar controlar a Suprema Corte. E evitar ser preso por crimes de corrupção.

PROTESTO NA EMBAIXADA DOS EUA NO LÍBANO — Além dos protestos na Cisjordânia palestina, ocupada por colonos da extrema-direita religiosa israelense, os protestos pelo bombardeio no hospital cristão em Gaza também ocorreram na quarta, diante da embaixada dos EUA em Beirute, capital do Líbano. Onde, na fronteira sul daquele país de população muçulmana e cristã com o norte de Israel, os conflitos seguem ainda em banho-maria com outro grupo terrorista e fundamentalista islâmico, o Hezbollah.

O PODER DO HEZBOLLAH — Financiado pelo Irã, o Hezbollah é muito mais poderoso que o Hamas. Se este tem entre 20 e 40 mil militantes armados, aquele conta com cerca de 100 mil, testados na Guerra Civil da Síria, além de 150 mil mísseis apontados a Israel. Onde são capazes de derrubar prédios na capital, Tel Aviv, como os israelenses fazem há 13 dias na Faixa de Gaza. Foi essa capacidade militar do Hezbollah que expulsou Israel do Líbano em 2006.

O QUE ESPERA ISRAEL POR TERRA EM GAZA — Enquanto o mundo espera a invasão israelense por terra à Faixa de Gaza, o Hezbollah talvez seja o espectador mais ansioso. Se o avanço for freado pelas mortes de mais civis palestinos e dos cerca de 200 reféns capturados em Israel pelo Hamas, além do seu maior conhecimento do território e dos 500 km de túneis subterrâneos que ali escavou — o metrô de Londres tem “só” 406 km —, o grupo libanês seria estimulado a abrir uma segunda frente de batalha.

COMO PODE ESCALAR AO LÍBANO E IRÃ — Se, depois do maior assassinato coletivo de judeus desde o Holocausto pela Alemanha Nazista na II Guerra Mundial (1939/1945), Israel tiver sua capital bombardeada com a capacidade que o Hezbollah possui, difícil imaginar uma resposta que não fosse ainda mais avassaladora sobre o sul do Líbano, ou todo o país vizinho. O que, se acontecer, poderia instar o Irã a reagir em apoio ao grupo que abertamente patrocina.

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

CAMINHO DO IRÃ A ISRAEL — Diferente do Líbano, o Irã não tem fronteira com Israel. Mas tem com o Iraque, cuja passagem foi aberta desastrosamente nos crimes de guerra dos EUA. E, já na fronteira israelense, os iranianos talvez também tivessem passagem aberta com a Síria. Cujo ditador, Bashar al-Assad, só sobreviveu à sua sangrenta Guerra Civil com o apoio do Irã, do Hezbollah e, sobretudo, da Rússia. Contra seus opositores sírios apoiados pelos EUA e Israel.

COMO PODE ESCALAR AOS EUA E RÚSSIA —  Se o Irã entrasse em apoio ao Hezbollah, numa eventual escalada do conflito, difícil crer que a reação israelense ao regime dos aiatolás se desse sem os EUA. Como, se os iranianos alcançassem Israel pelo corredor do Iraque e da Síria, e esta sofresse represália, difícil crer que Vladimir Putin assistisse passivamente a uma agressão ao seu maior aliado no Oriente Médio. Cujo governante bancou em Damasco, capital síria, na vitória militar da Rússia sobre os EUA.

SEM SANTOS, COM 5.437 MORTES — Entre o que pode acontecer, o já acontecido custou, até o início da noite de ontem, 5.437 vidas humanas. Cerca de 1,3 mil israelenses, nos crimes de guerra do Hamas. Mais que o triplo, 4.137 eram palestinas, nos crimes de guerra de Israel. Diferente dos cristãos católicos, os judeus e os muçulmanos não creem em santos. Que não existem em nenhum dos lados envolvidos nessa nova guerra na Terra Santa aos crentes do mesmo Deus de Abraão.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Capitu de Arlete Sendra retorna ao palco do Teatro de Bolso

 

Liana Velasco como a Capitu de Machado de Assis reinterpretada por Arle Sendra (Foto: Patrícia Bueno/Divulgação)

 

Sérgio Arruda de Moura, Professor de Letras da Uenf, escritor e membro da Academia Campista de Letrasn(ACL)

Capitu e Arlete Sendra retornam aos palcos

Por Sérgio Arruda de Moura

 

A mais famosa personagem da ficção brasileira está de volta aos palcos. E mais uma vez pelas mãos e imaginação da escritora e dramaturga Arlete Sendra, da Academia Campista de Letras, no palco do Teatro de Bolso Procópio Ferreira, até domingo, sempre às 20h.

Em tom confessional e memorialístico, Capitu em exílio na Suíça com o filho Ezequiel, mergulha no universo das cartas que escreve para Bentinho e se despe por inteiro no conflito abafado e suposto, subentendido nas entrelinhas de Dom Casmurro, este que é o mais famoso romance da literatura brasileira, escrito por um homem, Machado de Assis, e protagonizado por outro, o Bentinho, que também é o narrador.

É da voz calada desta personagem chamada de enigmática que o texto de Arlete Sendra sai em busca. O artifício do texto é engenhoso. A autora Arlete Sendra, cuja presença no palco é sugerida na cena inicial da peça, é também a pesquisadora que encontrou uma caixa repleta de cartas de uma certa Capitolina Santiago, sugerindo mesmo que o próprio romance Dom Casmurro teria nascido a partir delas…

A encenação busca elementos cênicos estruturantes, pensados criteriosamente pelo seu encenador, o incansável Fernando Rossi. Esses elementos são uma caixa, onde Capitu guardou sua correspondência, e três focos de luz distribuídos no palco, representando os três personagens que, de tão fundamentais, se presentificam por ausência: Bentinho, Escobar e Ezequiel. Outro ponto de alta relevância nesta composição são as cartas, espalhadas por toda parte, intensificadas por uma chuva delas em momento apoteótico da cena — a carta este elemento tão dinamizador da ficção do século XIX. Lembremos que o tom do texto é confessional e memorialístico, e esses elementos cênicos se juntam num quadro a partir do magnetismo da persona Capitu, que existiu no seu drama de personagem sintetizada em praticamente apenas dois adjetivos: oblíqua e dissimulada. Parece que Arlete Sendra não precisou mais do que isso para (re)compor sua Capitu, mais uma vez.

Esta revanche que o texto proporciona, por assim dizer, é uma oportunidade para a sempre necessária retomada da discussão sobre o feminino, na vida e na literatura. Não esperemos que Capitu se explique, por estar sozinha em seu exílio na Suíça, mas faz uma revisão crítica de si em tons de memória, distanciada que se encontra dos fatos já vividos.

Bentinho e Escobar, além de sua casa, o Rio de Janeiro e o seu país, mas principalmente esses dois homens a constroem como personagem dividida — como se autoavalia — entre a devoção e o desejo, entre o corpo (centrada em um) e a alma (centrada no outro), entre suas convicções e a responsabilidade que divide com o marido na ruptura de seu casamento. Amar um e desejar outro parece estar no centro de uma luta que a cobriu de enigmas.

A enigmática Capitu, pois, vivida intensamente em cores melancólicas pela atriz Liana Velasco, finalmente tem a sua chance de defesa, mas não só: tem a chance de escrever a sua própria história, como Bentinho fez. Como assim, defesa? Sim, Capitu ao longo do tempo, desde a publicação de Dom Casmurro em 1900 tornou-se o pivô de um enigma não literário, mas moral, que a todo custo incita imaginações um tanto fora da caixa das regras da ficção.

Liana Velasco interpreta então a sua Capitu entregue a uma vida já vivida, de forma comovente, ainda que não piedosa, o que não seria o caso para uma personagem forte. Entrega-se à cena sozinha, contracenando com papeis, livros, focos de luz, num bailado que nos faz, espectadores, nos reencontrarmos com a nossa Capitu.

Fernando Rossi, por sua vez, toma decisões com resultados muito sutis, que dependerão da equipe técnica, enfim, dos recursos de luz e som. Enfim, um espetáculo que engrandece a cena teatral da cidade, neste quase sagrado solo que é o Procópio Ferreira.

 

Capa da Folha Dois de hoje

 

Prefeito de Macaé fecha semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) fecha a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã desta sexta (20), na Folha FM 98,3. Ele avaliará os governos estadual Cláudio Castro (PL) e Lula (PT). E apontará o que considera os principais erros e acertos da própria gestão à frente de Macaé, com o maior orçamento entre os municípios do Norte Fluminense.

Por fim, Welberth tentará projetar as eleições macaenses a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 11 meses. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Verador de oposição Bruno Vianna no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador de oposição em Campos e cogitado como prefeitável em 2024, Bruno Vianna (PSD) é o convidado do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h desta quinta (19), na Folha FM 98,3. Ele falará sobre o fim da pacificação entre Garotinhos e Bacellar, decretado (confira aqui) no último dia 11, e os cargos de vereadores no Executivo na contabilidade das bancadas no Legislativo goitacá.

Bruno também falará (confira aqui a correlação dos temas) da CPI de Educação, em meio a questionamentos, da desordem urbana de Campos e da audiência pública sobre o tema nesta sexta (20), com reforço bolsonarista da Alerj na Câmara Municipal. Por fim, com base nas pesquisas (confira aqui) e nos bastidores, o jovem vereador tentará projetar as nominatas e as eleições a prefeito e vereador de 6 de outubro de 2024, daqui a pouco mais de 11 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.