Vereador e vice-líder do governo na Câmara de Campos, Juninho Virgílio (União) é o convidado do Folha no Ar desta terça (18), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre sua proposta (confira aqui) para aquisição e uso de armas de fogo, em serviço, pela Guarda Civil Municipal.
Juninho também falará da relação entre Legislativo e Executivo, da pacificação entre Garotinhos e Bacellar e sua consequência na montagem das nominatas para o próximo ano. Por fim, tentará projetar as eleições de 6 de outubro de 2024, daqui a menos de 15 meses, a prefeito e vereador de Campos.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Ícaro brinda à vida no Cafe Internationaal, na Amterdã de 2 de janeiro de 2023 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Gratidão nos 24 anos de vida de Ícaro
Nasci em Niterói, fui criado em Campos e, desde a primeira infância, desenvolvi pertencimento com a praia sanjoanense de Atafona, na foz do rio Paraíba do Sul. Lá cheguei a morar por cerca de 10 anos, na primeira fase da idade madura, em tempos pré-Porto do Açu, com uma BR 356 bem menos movimentada. Embora seja defensor intransigente da taba goitacá em meu ofício de jornalista, vivendo há 34 anos de contar suas histórias e levantar suas bandeiras, particularmente costumava afirmar: “a melhor coisa de Campos é ser perto de Atafona”.
Em Campos, escrevo na tarde de sexta, após passar a manhã na cozinha. Sempre acompanhado por Rosemary Freitas, minha secretária do lar há 21 anos e segunda mãe, foi um dia puxado de trabalho a quatro mãos nos preparativos culinários para hoje, sábado de 15 de julho. Quando meu filho único, Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, completaria 24 anos de vida. Que será celebrada com churrasco e cerveja entre familiares, amigos e colegas de trabalho dos seus quatro últimos e intensos anos como jornalista.
No início da tarde de quinta (13), acompanhei a mãe de Ícaro, a jornalista Dora Paula Paes. Ela colocou o nome dele pelos dois meses da sua precoce morte física, em missa ao meio dia na Catedral. Que, numa dessas coincidências que não há, foi também rezada pelos 101 anos da minha avó materna, dona Maria da Penha Abreu, bisa de Carô e cria da Baixada da Égua de coronéis e lobisomens. O círculo, mesmo alheio à nossa vontade, como na “Roda Viva” de Chico, parecia se completar antes de iniciar a próxima volta sobre nós, nossos vivos e mortos.
Saí da Catedral com Dora para almoçarmos. Da meia luz do interior da igreja ao sol forte sobre a Praça do Santíssimo Salvador, pensei na minha outra avó, Myrthes Barbosa. Morta aos 107 anos em 2015, na Niterói que tomou como lar na terceira idade, a mãe do meu pai carregou até o fim uma lucidez fora de qualquer curva. Enquanto dobrava com a mãe do meu filho a curva do Boulevard, afastando-nos da praça matriz de Campos, lembrei que foi lá, no prédio da Lyra de Apolo, que Myrthes foi dada à luz em 1907. E que essa é a história de Ícaro também.
Na conversa com Dora durante o almoço, comentamos mais uma vez como o afeto e a solidariedade de Campos em torno da perda do nosso filho, era algo que nem ela, eu ou Ícaro poderíamos dimensionar. E que, só um sabendo do vazio inescrutável que o outro igualmente sentia, como esse carinho da tribo, se não cura, era lenitivo à mais indizível das dores para uma mãe e um pai. Depois de cozinhar com Rosemary para celebrar hoje a vida do meu filho com os que o amaram, dentro dos quais ele vive, sentei diante do computador para agradecer.
O exemplo de vida de Ícaro, tão marcante a tantos em apenas 23 anos, me leciona. Tentar adaptar suas virtudes humanas é mantê-lo vivo em mim. Humildade no lugar da soberba, assertividade, orgulho e enganosa autossuficiência, é um exercício diário. E tão difícil quanto necessário. Já fiz várias críticas a Campos e ao que julgo ser o campista médio. São a mesma cidade e cidadão que, como já tinham feito com meu pai, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa, morto em 2012, aos 76 anos, agora abraçaram também meu único filho.
Como pai ou filho, devo a Campos e ao campista mais do que poderei pagar. Darei minha última respiração antes de esquecer disso. Hoje, quando celebraremos a vida do meu doce príncipe, só me resta dizer a você: muito obrigado! “Do coração do meu coração”!
Wladimir Garotinho e Marquinho Bacellar em meio aos fieis e eleitores reunidos no domingo pelos 46 anos da Igreja Universal do Reino de Deus (Foto: Divulgação)
Unidos na fé
A celebração pelos 46 anos da Igreja Universal promoveu um encontro de políticos em Campos. Que, no último domingo (9), deixaram as diferenças de lado para prestigiar o dublê de vereador e pastor Anderson de Matos (Republicanos), líder da oposição na Câmara. O prefeito Wladimir Garotinho (PP) assistiu ao culto ao lado do presidente do Legislativo, Marquinho Bacellar (SD). Ambos postaram fotos também com outros vereadores e parabenizaram a Universal. “Que Deus continue usando essa importante congregação para evangelizar. A palavra que mais me marcou no dia de hoje foi sobre sacrifício”, disse Wladimir.
Comentários
A postagem do prefeito tem 140 comentários, entre eles o de Anderson: “Receber presença do senhor celebrando os 46 anos de existência da Igreja Universal é de grande relevância para o nosso município. Muito obrigado por sua presença, prefeito”. O agradecido líder da oposição segue no Republicanos, partido que Wladimir garante já ter fechado apoio à sua reeleição. Mais discreto na publicação, Marquinho postou as fotos só no story: “Prestigiando o meu amigo Anderson de Matos nos 46 anos da Universal, que exerce um papel muito importante para nossa cidade, com trabalho social, evangelizando e confortando nossos munícipes”.
William Passos, Frederico Monteiro, Jefferson Manhães de Azevedo, Caio Vianna, Thiago Rangel e Sérgio Mendes (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Wladimir com os Bacellar
“É bastante possível com uma aliança com os Bacellar. Torna isso provável na medida em que não exista uma alternativa forte. Num cenário em que Wladimir não enfrente nenhum candidato com potencial que o ameace, a tendência é realmente que ele seja reeleito com uma votação expressiva. Se os grupos (Garotinhos e Bacellar) se unirem na próxima eleição, o cálculo do Wladimir está correto: ele deve, sim se reeleger”. No Folha no Ar da última quinta (6), foi o que o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística pelo IBGE, projetou sobre a eleição a prefeito de Campos em 6 de outubro de 2024, daqui a 14 meses.
Outros atores
No Folha no Ar do dia seguinte, na sexta (7), uma análise em sentido contrário foi feita pelo campista Frederico Monteiro, secretário parlamentar da Câmara dos Deputados em Brasília. “Eu projeto uma eleição (a prefeito de Campos em 2024) com dois turnos. Porque acho que os atores agora vão começar a surgir, a formar essa frente de oposição. Hoje, esses atores estão muito focados nas suas respectivas funções. Caio (Vianna, PSD), com o mandato dele de deputado federal. Jefferson (Manhães de Azevedo, PT) está focado na questão da reitoria (do IFF). Thiago Rangel (sem partido) está focado no seu mandato de deputado estadual. E por aí vai”.
Crias do IFF
Cria do IFF, onde se graduou em engenharia elétrica, Frederico entrou na política no governo Rafael Diniz (Cidadania), passando de 2020 a 2022 pela gestão Eduardo Paes (PSD) na cidade do Rio de Janeiro, antes de ir para Brasília, onde assessora os deputados federais Daniel Soranz (PSD/RJ) e Caio Vianna. William também é cria do IFF. Geógrafo, reforçou a compreensão da ciência humana também pelos números, em sua especialização doutoral como estatístico na grande escola do IBGE. Como colaborador da Folha, ele fez um trabalho tecnicamente irretocável na análise das pesquisas a presidente, governador e senador, no pleito de 2022.
Jefferson por William
Com origem em Rafael e atualidade em Caio na assessoria política, Frederico nunca escondeu sua orientação antigarotista, desde quando foi blogueiro do Folha1. Íntimo dos números, William levanta em grupos de debate a bandeira econômica do nacional-desenvolvimentismo, historicamente ligada à esquerda. Sua advertência sobre o pleito a prefeito de 2024, contudo, foi para o PT de Campos. “Entendo que Wladimir está correto quando disse que a eventual candidatura do Jefferson pode ser queimar cartucho antes da hora. É muito mais fácil disputar contra o dono da máquina no segundo mandato, do que numa tentativa de reeleição”.
Jefferson por Frederico
Com o olhar de Brasília sobre Campos, Frederico também trouxe sugestões ao reitor do IFF e sua provável candidatura a prefeito em 2024. “Para esse jogo ir ao segundo turno, talvez Jefferson tenha que sair do PT. Os números provam que o PT tem uma resistência forte em Campos. Jefferson deveria sair do PT, mantê-lo no bloco, e ir a um partido de centro-esquerda, como o PSB. Acho que o PT tem que focar mais na sua candidatura proporcional, onde traz um bom nome, que é o Gilberto (Gomes). Esse jogo vai começar a dar liga a partir daí, dos movimentos do Jefferson, do Caio, do Thiago Rangel, do próprio Sérgio Mendes (Cidadania)”.
“Provavelmente no 1º turno”
William foi bem mais comedido na sua projeção de segundo turno à eleição a prefeito de Campos em 2024. “Por tudo que existe por trás de uma eleição, estrutura partidária, recursos, a gente precisa entender que o candidato é só a ponta de uma cadeia. Neste momento, quem tem mais possibilidade de disputar de maneira viável uma vitória eleitoral, no caso de Campos, são os Garotinhos e os Bacellar. Uma vez que exista essa pacificação, uma vez que Wladimir se lance candidato em aliança com os Bacellar, é muito difícil, neste momento, apontar um cenário que não seja a reeleição do prefeito. Muito provavelmente no primeiro turno”.
Secretário parlamentar da Câmara de Deputados em Brasília, o campista Frederico Monteiro fechará a semana do Folha no Ar nesta sexta (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará sobre suas experiências nos governos Rafael Diniz (Cidadania), em Campos; Eduardo Paes (PSD), na cidade do Rio; e agora na Câmara Federal, na capital da República.
Frederico também analisará os governos Lula (PT), Cláudio Castro (PL) e Wladimir Garotinho (PP), bem como a relação de cada um com seu respectivo Legislativo. Por fim, falará da assessoria que presta aos mandatos de deputado federal de Caio Vianna (PSD) e Daniel Soranz (PSD). E tentará projetar as eleições a prefeito e vereador de Campos, em 6 de outubro de 2024.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A Prefeitura fará uma reforma administrativa? Foi o que afirmou na manhã de hoje Angelo Rafael, secretário de Governo do prefeito Wladimir Garotinho (PP), ao programa Folha no Ar. Ela viria após o recesso de Legislativo para acomodar em novos cargos do Executivo vereadores do grupo dos Bacellar. Um fonte deste, no entanto, ressalvou ao blog que conversas individuais se dão entre alguns edis e o governo, mas não uma movimentação do grupo.
— A reforma administrativa vai acontecer. É natural que você, tendo novos aliados; não vamos ser hipócritas aqui; é lógico que esses novos aliados terão espaço no grupo. Isso é lógico em qualquer administração pública — disse Angelo hoje ao microfone do Folha no Ar.
Com a acomodação de vereadores da antiga oposição em seu grupo político, Wladimir daria capilaridade à pacificação com os Bacellar. Que, se durar até o pleito de 6 de outubro de 2024, ampliará o favoritismo do prefeito em sua tentativa natural de reeleição. O aumento de 10% dado por ele ao servidor municipal, que o blog antecipou (confira aqui) desde 20 de junho, teria sido também para evitar resistência da categoria à criação de novos cargos.
Confira no vídeo abaixo o que o secretário de Governo de Wladimir, Angelo Rafael, falou ao Folha no Ar sobre a reforma administrativa:
Geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE, William Passos é o convidado do Folha no Ar desta quinta (6), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará os retratos de Campos dos Goytacazes, sua região, Estado do Rio e Brasil (confira aqui e aqui) a partir do novo Censo do IBGE, relativo a 2022.
Por fim, com base na pesquisa GPP em Campos de março deste ano de 2023 (confira aqui, aqui e aqui), mas também nas movimentações e fatos políticos recentes da política goitacá (confira aqui), William tentará projetar as eleições muncipais a vereador e prefeito em 6 de outubro de 2024.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Entre Homero e Vladimir Maiakóvski, os 49 mortos no massacre de 2016 numa boate LGBTQIA+ de Orlando (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Arthur Soffiati, professor, historiador, escritor e membro da Academia Campista de Letras
Um poeta universal num recanto do mundo
Por Arthur Soffiati
Ainda hoje, vigora a concepção de que existem lugares mais centrais do que outros nos países e no mundo, seja pelo prisma econômico, político e cultural. São Paulo seria mais central no Brasil por representar a locomotiva econômica e política do Brasil, além de ter atualizado a cultura nacional com a Semana de Arte Moderna. Paris já foi o centro cultural do mundo ocidental. Hoje, entende-se que é Nova Iorque. Mas a globalização está criando um mundo acêntrico. Esse é o lado bom dos meios de comunicação e das redes sociais. Quem partir em linha reta de Atafona, em direção a leste ou a oeste, chegará a Atafona. Partindo de qualquer outro lugar — Katmandu, por exemplo — retornará a Katmandu.
Assim, a pessoa é local e global ao mesmo tempo, podendo produzir cultura de qualidade como um grande artista que vive nos grandes centros. O famoso eixo Rio/São Paulo está se enfraquecendo, enquanto emergem novos centros de produção cultural, como Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, João Pessoa, Recife, Belém e Manaus, sem esquecer de outros lugares do Brasil e do mundo.
Aluysio Abreu Barbosa nasceu em Niterói, mas vive em Campos há 51 anos. Ele já andou pelo mundo completamente identificado com o passado, o presente e o futuro. Em outras palavras, ele sabe onde está pisando. Ele sabe também que Campos e Atafona fazem parte do mundo. Sente-se bem no Monte Sinai, na rua Carlos de Lacerda e no delta do Paraíba do Sul. O mundo lhe chega por todos os lados e lhe impregna os poros até o coração e a mente. Dali, sai em forma de reportagens, artigos e poemas.
Sua sensibilidade poética aflorou no início da década de 1990. Desde o princípio, ele mostrou a que veio, como ilustrando o antigo ditado popular: “espinho que pinica de pequeno já traz ponta”. O amor erótico inspirou muitos de seus poemas. Embora um poema dedicado à amada (o/e) tenha alvo identificável, acima de tudo ele só se afirmará situando-se no reino da poesia. Camões e Shakespeare, grandes poetas e até hoje capazes de nos sensibilizar profundamente, escreveram lindos poemas às mulheres amadas e à pulsão erótica. Poderíamos dizer que os primeiros poemas de Aluysio se inspiraram em suas paixões, mas o estado de poesia está presente de forma inequívoca. O que vem a ser este estado? Vem a ser a sensibilidade com que se vê e se sente o mundo. É o estado de poesia que anima os grandes poetas.
Aluysio vai se abrindo ao longo dos anos ao sentimento do mundo. Ele frequenta, e muito, os grandes poetas. Escrever poesia não é empilhar versos. Não é traduzir uma topada em palavras. A arte da poesia não vem só do coração, mas também da mente. Sobretudo, vem da consciência que o poeta desenvolve em se compreender e em se posicionar. Leitor privilegiado dos poetas gregos e de Fernando Pessoa, Aluysio Abreu foi construindo sua posição como poeta ao encontrar progressivamente o seu lugar de fala poética. Hoje, ele está no centro de uma roda formada por Gregório de Matos, Castro Alves, Augusto dos Anjos, João Cabral de Melo Neto, Dante Milano e Manoel de Barros. Ele tem consciência do espaço em que se move.
Erótico e épico, Aluysio afia sua sensibilidade poética dia a dia. Ao mesmo tempo, aprimora a forma. Não sabemos onde isso vai parar. Só prevemos um caminho cada vez mais promissor ao poeta atafonense-campista-brasileiro-mundial. Ele caminha como Gilgámesh, Ulisses e Severino. Gilgámesh viajava à procura da imortalidade. Não a atingiu, mas se tornou imortal na epopeia escrita pelas mãos de poetas anônimos. Ulisses viajou de volta ao lar e viveu muitas aventuras. Severino viajou do sertão ao litoral, registrando a miséria que encontrou na Caatinga, na Zona da Mata e nas cidades e manguezais. Aluysio viaja em Atafona e encontra a areia da praia, a água do Paraíba do Sul, rio que se estiola, as árvores litorâneas, uma capivara, pessoas e fantasmas. Uma grande caminhada pode permanecer ignorada ou se imortalizar em prosa e verso. Depende do caminhante, pois o caminho se faz ao caminhar, como escreveu Antonio Machado.
Mas o radar de Aluysio está também voltado para o mundo. Sua condição de jornalista capta imagens e sons que chegam de todos os lados. Vários deles chegam ao seu epicentro poético e se transformam em poemas. Distingo poesia de poema. Poesia é um estado de sensibilidade. Poema é a tradução dessa sensibilidade em forma de palavras e de figuras, pois o poema pode ser escrito com palavras ou figuras. As palavras podem formar figuras, como em Gilberto Mendonça Teles, ou as figuras podem ser lidas como palavras, como em Wlademir Dias-Pino. As palavras podem se transformar em pedra, água, peixe, ave, como em Manuel de Barros. As palavras podem se transformar em lâminas, como em João Cabral.
No poema “o horror”, tomando apenas um exemplo dentre muitos, Aluysio está em sintonia como o mundo: “o frio mudo entre as meias/finas do dia/dos namorados/grita lá fora no coito dos gatos//meus pés já não tocam o calor/das vidas calçadas por garras/a sangrar a noite de orlando//à caça do coito dos gatos/mulheres e homens gelados/e cento de pés sem função”. A centopeia morta é a multidão de pés dos homossexuais e outras pessoas mortas no massacre numa boate LGBT de Orlando, nos Estados Unidos de junho de 2016.
Aluysio está também atento às formas. Imortalizado por Dante na “Divina Comédia”, o terceto é uma forma difícil. Rimar o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o primeiro do terceto seguinte, formando um quarteto partido. Movimentando-se no universo modernista, Aluysio não se vale necessariamente da rima, o que não desvaloriza a forma “terceto”.
Os poemas que ilustram este texto mostram o Aluysio valendo-se da dificílima forma haicai, que poetas japoneses mais pintavam que escreviam. Notemos a sutiliza no emprego da palavra tempo em sentidos diferentes, o contraste entre Homero e Maikóvski e a oposição entre ruído e silêncio. Aluysio é uma cartola da qual ainda sairão mil coelhos.
Marlon Brando, na pele do coronel Walter E. Kurtz de “Apocalypse Now” (1979), filme de Francis Ford Coppola inspirado no romance “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, exclama em sua morte: “O horror! O horror!”
TRÊS POEMAS DE ALUYSIO ABREU BARBOSA(*):
o horror
o frio mudo entre as meias
finas do dia dos namorados
grita lá fora no coito dos gatos
meus pés já não tocam o calor
das vidas calçadas por garras
a sangrar a noite de orlando
à caça do coito dos gatos
mulheres e homens gelados
e cento de pés sem função
campos, 13/06/16
haicai para quintana
a leve brisa do tempo
com o tempo
verga o tronco da árvore
zênite
a aurora de homero
malhou meio dia
em maiakóvski
atafona, 04/02/07
(*)Poeta, jornalista e membro da Academia Campista de Letras
Transporte público de Campos, com ônibus e vans, é hoje o principal problema diário da maioria da população (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)
Sérgio Mansur, engenheiro civil e subsecretário de Mobilidade de Campos
Transporte público de Campos
Na última quarta (28), o Censo do IBGE contabilizou: nos últimos 13 anos, Campos dos Goytacazes ascendeu (confira aqui) ao 5º município fluminense mais populoso. Cresceu mais de 10 vezes além da média do Estado do Rio e hoje tem hoje 483.551 habitantes. À maioria deles, que vai e volta do trabalho e escola por transporte público, este talvez seja hoje o principal problema de Campos. Que tende a melhorar ainda neste ano de 2023. Quando os três novos terminais e a bilhetagem eletrônica passam a funcionar. Foi o que Sérgio Mansur, engenheiro civil e subsecretário de Mobilidade, projetou na manhã de ontem (4) ao Folha no Ar.
Novos terminais e bilhetagem
“Campos se caracteriza por uma extensão territorial muito grande. Daqui a Santo Eduardo, são quase 70 km. E nós temos que atender a essa população. Nesse sistema de transporte que temos, a alimentação é feita por veículos menores. A partir de certo ponto, o passageiro vai para um veículo maior. Hoje, estão sendo edificadas três estações terminais de alto padrão (Donana, Travessão e Ururaí). Ele vai ser fiscalizado através do sistema de bilhetagem e monitoramento por GPS. A expectativa é que até o final do ano as estações estejam concluídas. E o sistema de bilhetagem eletrônica, implementado”, disse ontem Mansur à Folha FM 98,3.
Mobilidade x estacionamento
Se deu prazo ao início da resolução do problema no transporte público de Campos, Mansur atacou outro dilema na mobilidade urbana da cidade. “As pessoas têm que entender que as ruas foram feitas para circulação, mobilidade. Para isso, nós vamos ter que sacrificar o estacionamento. Um exemplo clássico é a rua Conselheiro Otaviano, com concentração de estabelecimentos de saúde. Tem oito metros (de largura), com uma faixa de estacionamento e duas de rolamento. E a faixa de rolamento da direita está sempre ocupada por veículos. Se nós não tivermos êxito na fiscalização, a solução vai ser proibir o estacionamento na rua”, prometeu.
Entrada e saída de escolas
Além dos estabelecimentos de saúde concentrados na Conselheiro Otaviano, outra queixa constante da mobilidade urbana em Campos fica por conta da entrada e saída de crianças e adolescentes das escolas, em várias ruas da cidade. Cobrado pelos ouvintes da Folha FM sobre o problema, o secretário de Mobilidade respondeu: “em relação às escolas, nosso secretário, o Cláudio Valadares, desde o início do semestre, vem insistindo num sistema novo de acesso, que seriam os corredores escolares. Em frente à escola, vai ser proibido estacionamento, para ser usado para embarque e desembarque”.
Acessibilidade das calçadas
Outro problema do município é a acessibilidade. Enquanto vários estabelecimentos comerciais da área central de Campos são fiscalizados com rigor na questão do acesso aos deficientes físicos, estes correm risco diário nas calçadas desniveladas e muitas vezes mal conservadas pelos proprietários dos imóveis, em quase todas as ruas e avenidas da cidade. “Esse é um assunto de extrema importância. Eu entendo que poder público (municipal) deveria assumir a tarefa de construir as calçadas nos logradouros de maior circulação de pedestres. Mas, para isso, falta uma reestruturação orçamentária”, admitiu Mansur ao Folha no Ar.
Professor Helinho Coelho
Missa de 7º dia de Helinho
A família do professor, escritor, historiador, advogado, músico, membro da Academia Campista de Letras (ACL) e ex-vereador de Campos, Hélio de Freitas Coelho, o Helinho, convida para sua missa de 7º dia. Será celebrada às 19h desta quinta (6), na Igreja da Paróquia Santa Teresinha. Helinho faleceu na quinta (29), aos 75 anos. Sua perda foi lamentada (confira aqui) no meio político, acadêmico, advocatício e cultural do município. Seu corpo foi sepultado na sexta (30), no Caju, após ser velado na Câmara de Campos. Que, na sessão de ontem, aprovou por unanimidade voto de profundo pesar pela morte, proposto pelo edil Juninho Virgílio (União).
Rodrigo e Marquinho Bacellar reuniram parlamentos municipais da região no estadual da Alerj (Foto: Divulgação)
Os Bacellar no Parlamento
Representantes das câmaras municipais do Parlamento Inter-regional do Norte e Noroeste Fluminense foram recebidos ontem (4) na Alerj (confira aqui) pelo presidente Rodrigo Bacellar (PL). A visita foi liderada por seu irmão, Marquinho Bacellar (SD), presidente da Câmara de Campos e também do Parlamento. “Seguimos estreitando a relação da Alerj com os representantes dos municípios, garantindo um diálogo cada vez mais próximo para acolher e entender as principais demandas e necessidades de cada uma das cidades que compõem o nosso estado. Juntos e com muito trabalho, seguiremos avançando. Vamos em frente”, pregou Rodrigo.
Semana Espírita do NF
O 21º Conselho de Unificação Espírita do Norte e Noroeste Fluminense promove, entre os dias 15 e 27 deste mês, a Semana Espírita. Com o tema “Espiritismo em ação: como viver nos tempos atuais”, serão sete rodas de conversa, uma por dia, sempre a partir das 15h, com vários palestrantes. A participação é gratuita e pode se dar tanto de maneira virtual, quanto presencial. Neste caso, podem ser procurados em Campos os grupos espíritas Francisco de Assis (dia 15), Joana D’arc e Maria de Nazaré (17), Luiz de Gonzaga (20), Maria Franc (22) e Lar de Débora (23). Nos locais serão vendidas camisas, cuja renda será doada à caridade.
Secretário de Governo da gestão Wladimir Garotinho (PP), Angelo Rafael (sem partido) é o convidado do Folha no Ar desta quarta, ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a pacificação entre Garotinhos e Bacellar e a relação entre Executivo e Legislativo de Campos.
Em relação às eleições à Câmara Municipal em 6 de outubro de 2024, Angelo falará da acomodação dos novos aliados com os vereadores da base e os secretários que querem ser candidatos. Por fim, ele avaliará o governo Wladimir e a eleição a prefeito do próximo ano, daqui a 15 meses.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Professor, escritor, advogado, historiador, músico e ex-vereador Helinho Coelho
A família do professor, escritor, historiador, advogado, músico, membro da Academia Campista de Letras (ACL) e ex-vereador de Campos, Hélio de Freitas Coelho, o Helinho, convida para sua missa de 7º dia. Que será celebrada às 19h desta quinta, dia 6, na Igreja da Paróquia Santa Teresinha. Fica na rua Artur Nogueira, nº 190, Parque Corrientes.
Helinho faleceu na manhã da última quinta (29), aos 75 anos. Sua perda gerou comoção. E foi lamentada (confira aqui) por várias personalidades e instituições relevantes do meio político, acadêmico, advocatício e cultural do município. Após ser velado na Câmara Municipal de Campos, seu corpo foi sepultado na sexta (30), no Cemitério do Caju.
Engenheiro civil e subsecretário de Mobilidade de Campos, Sérgio Mansur é o convidado do Folha no Ar desta terça (3), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele falará da questão da mobilidade urbana e (confira aqui) do transporte público de Campos. Esta última, alvo de críticas (confira aqui) rebatidas com projeto (confira aqui) pelo próprio prefeito Wladimir Garotinho (PP).
Por fim, Mansur avaliará o governo municipal que integra como quadro técnico e tentará projetar as eleições municipais de Campos em 6 de outubro de 2024. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Quem somos, enquanto Brasil, Estado do Rio de Janeiro, Norte Fluminense e Campos dos Goytacazes? Nas ligações entre essas esferas, qual o nosso tamanho e importância? São perguntas cujas respostas estavam defasadas há 13 anos. Mas que foram atualizadas com a divulgação na última quarta-feira (28) do Censo Demográfico do IBGE, relativo a 2022. A partir dele, é possível constatar que, de 2010 a 2022, a população campista aumentou 4,2%. E hoje se compõe de 483.551 indivíduos humanos. O número é mais de 10 vezes superior à média do Estado do Rio, que cresceu apenas 0,4% nos mesmos 12 anos anteriores.
Campos maior que Niterói e Belford Roxo
A partir do novo Censo, foi possível também constatar que Campos hoje tem a 5ª população do Estado do Rio. Maior que dos municípios de Niterói e Belford Roxo, que perderam população. A projeção de que Campos ultrapassaria Niterói demograficamente foi antecipada na Folha há 21 meses, com exclusividade, pelo geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística pelo IBGE. Em 17 em setembro de 2021 (confira aqui), ele disse: “a região da Bacia de Campos, com destaque ao município de Campos, deve ultrapassar a população de Niterói em 2023. Esse crescimento demográfico reflete o fortalecimento econômico da região”.
Grande Rio diminui
Após ter sua previsão cumprida nesta semana pelo mesmo IBGE em que fez sua especialização doutoral em estatística, William voltou a falar com a Folha sobre a atualização dos números do novo Censo. “Em 12 anos, a população fluminense cresceu apenas 0,4%. O que significa, em números absolutos, 64.595 novos residentes. Mas 27 municípios do Estado do Rio perderam população entre 2010 e 2022. Com destaque à cidade do Rio de Janeiro, que diminuiu 109.023 habitantes. Das 22 cidades da Região Metropolitana do Grande Rio, 9 perderam população, incluindo Niterói e Belford Roxo, ultrapassadas por Campos”, analisou o geógrafo.
Região da Bacia de Campos
Também analista estatístico do Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj/Uenf), coordenado pelo professor Alcimar Ribeiro, William destacou que “das 20 cidades com a maior perda percentual de população no Brasil, 6 ficam no Estado do Rio: São Gonçalo, Nilópolis, Petrópolis, Duque de Caxias, Barra Mansa e São João de Meriti. Neste cenário, Campos viu a sua população crescer 10,5 vezes mais que os 0,4% da média do Estado. O que confirma a inserção da concentração urbana de Campos e São João da Barra e do que chamo de Região da Bacia de Campos no processo de metropolização do interior fluminense”.
Passo seguinte: qualidade de vida
Dentro do que chama de Região da Bacia de Campos, o geógrafo explicou que “ela faz parte Megarregião Rio de Janeiro/São Paulo, conforme apontei na minha tese de doutorado, defendida em março deste ano no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ). Apesar da desaceleração em relação ao período 2000-2010, Campos continua crescendo acima da média do Estado e atraindo população. O que é um importante indicativo de dinamismo econômico”. William concluiu com a cobrança: “O passo seguinte é ampliar a qualidade de vida dessa população”.
Cenário de Wladimir
Na edição de quarta (27), esta coluna fez uma análise dos objetivos e desafios dos nomes que se cogitam à disputa da Prefeitura de Campos, em 6 de outubro de 2024. Que, por sua vez, foi analisada por Angelo Rafael, secretário de Governo do prefeito Wladimir Garotinho (PP), candidato natural à reeleição. “O pior cenário em 2024 para Wladimir seria a oposição dividida em duas ou três candidaturas com densidade eleitoral. Por outro lado, a maior dificuldade dos seus adversários será a boa avaliação do governo de Campos. O favoritismo do prefeito deve ser ampliado com o reajuste salarial de 10% aos servidores do município”, projetou Angelo.
Posse no Sindipetro-NF
O Sindipetro-NF realiza, a partir do meio dia deste domingo (2), a posse da diretoria 2023/2026 da entidade. O evento será na Sede Praia do Cepe (Clube dos Empregados da Petrobras Macaé), em Cavaleiros, Macaé. A nova diretoria tem à frente o coordenador-geral reeleito, Tezeu Bezerra. “Temos um desafio no novo governo Lula para a Bacia de Campos. Estamos com o campo de Marlim saindo de plataformas próprias e entrando nas afretadas (de outras empresas contratadas). Mas há 10 novos campos de petróleo arrematados pela Petrobras, ainda sem previsão de início de produção. Temos que trazer mais plataformas”, pregou Tezeu.