Sociólogo e professor da Uenf, Roberto Dutra é o convidado do Folha no Ar desta quarta (21), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a rixa entre Garotinhos e Bacellar na política goitacá, e a indefinição da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos.
Roberto também dará sua projeção à eleição de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador e a governador do RJ. Por fim, ele analisará a eleição ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Ex-prefeito de Campos e ex-presidente da Câmara Municipal, Nelson Nahim (MDB) é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Irmão do ex-governador Anthony Garotinho (União), ele analisará a rixa entre Garotinhos e Bacellar, e a indefinição da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos.
Nahim também dará sua projeção à eleição de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador e a governador do RJ. Por fim, ele analisará a eleição ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Favorito em todas as pesquisas deste ano eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra nas últimas duas semanas antes das urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 13 dias, aumentando sua vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na pesquisa semanal do instituto FSB Pesquisa, contratada pelo banco de investimentos BTG — fundado pelo ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes —, Lula cresceu 3 pontos na consulta estimulada ao 1º turno dentro dos últimos sete dias, passando de 41% aos atuais 44% das intenções de voto. É um crescimento fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Bolsonaro se manteve com os mesmos 35% que tinha em 12 de setembro e, hoje, está 9 pontos atrás (eram 6 pontos) do seu principal oponente. Como, dentro da margem de erro, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu de 9% para 7%, e a senadora Simone Tebet (MDB) caiu de 7% para 5%, parece que a campanha pelo “voto útil” ao petista ainda no 1º turno vem surtindo efeito.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ESPONTÂNEA E DEFINIÇÃO DO VOTO — Na consulta espontânea da BTG/FSB, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, Lula também cresceu os mesmos 3 pontos. Passou de 39% a 42% de intenções de voto, enquanto Bolsonaro cresceu 1 ponto, de 33% a 34%. Feita de sexta (16) a domingo (18) e divulgada hoje, com 2.000 eleitores ouvidos por telefone, a pesquisa deu o petista com 47% dos votos válidos — para vencer a eleição em turno único, é necessário o mínimo de 50% + 1 dos votos válidos — contra 37% do capitão. Para 81% dos brasileiros, o voto a presidente já está definido, sem chance de mudar até a urna. Alta, a definição do voto sobe a 86% entre os eleitores de Lula, e a 90% entre os eleitores de Bolsonaro.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
2º TURNO E REJEIÇÃO — Na projeção ao 2º turno, marcado para 30 de outubro, Lula hoje bateria Bolsonaro por 52% a 39%. A diferença de 13 pontos se manteve da pesquisa da última segunda, que deu o ex-presidente batendo o atual no turno final por 51% a 38%. Fundamental à definição do 2º turno, a rejeição continua liderada pelo capitão, com 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 45% do petista. Favorável a este, a diferença atual de 10 pontos no índice negativo cresceu 1 ponto, dentro da margem de erro. Há uma semana, Bolsonaro tinha 56% de rejeição, contra 47% de Lula, 9 pontos de diferença.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ONDE LULA CRESCEU? — O crescimento de Lula fora da margem de erro, no quadro geral, se operou em algumas fatias do eleitorado. Entre as BTG/FSB de 12 a 19 de setembro, o voto dos jovens entre 16 a 24 anos foi onde ele mais cresceu: 15 pontos (de 38% a 53%) em uma semana. Mas o ex-presidente também ganhou 4 pontos (de 45% a 49%) no voto das mulheres, 6 pontos (de 26% a 32%) no voto dos evangélicos, 11 pontos (de 46% a 57%) no voto dos sem religião, 8 pontos (de 48% a 56%) no voto do eleitor entre 1 a 2 salários mínimos, 6 pontos (de 25% a 31%) no voto do eleitor acima dos 5 salários mínimos, 6 pontos (de 56% a 62%) na região Nordeste, 5 pontos (de 34% a 39%) na região Sudeste, e 6 pontos (de 41% a 47%) no voto das capitais. Em todas essas faixas, Bolsonaro caiu ou ficou estagnado.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Tanto na pesquisa estimulada quanto na espontânea, Lula oscilou acima da margem de erro de 2 pontos. Na espontânea, o ex-presidente foi de 39% para 42%, enquanto, na estimulada, subiu de 41% para 44%. Bolsonaro oscilou de 33% para 34% na espontânea e manteve os mesmos 35% na estimulada. Com isso, Lula alcançou 47% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro manteve os 37% da segunda passada. Num eventual 2º turno, Lula oscilou de 51% para 52% e Bolsonaro, de 38% para 39%. A oscilação das intenções dentro da margem acompanha as variações da rejeição: de 56% para 55%, no caso do atual presidente, e de 47% para 45%, no caso do ex. O cenário, portanto, é de estabilidade, mas com a sinalização da possibilidade de crescimento das intenções de Lula nesta reta final, que poderão culminar numa vitória ainda em 1º turno”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Quando Aluysio me pediu para escrever este artigo, logo pensei que diante da beligerância latente desta eleição eu só teria a perder em me expor publicamente. Por outro lado, penso que, como cidadão, tenho também o direito e até o dever de me manifestar de uma forma respeitosa e democrática.
Profissionalmente, o que me afeta diretamente no atual governo é o fato do Brasil ser hoje visto como pária mundial. Ou seja, deixamos de ser um país referência para sermos um país marginal, onde os investidores internacionais não têm confiança para investir. O atual governo fechou portas em todo o mundo, dos EUA a China, passando pela Europa e América Latina. Isso é péssimo para quem tem negócios com outros países. Na minha área de negócios, a prova cabal do que falo foram os fracassados leilões de blocos de exploração de óleo e gás realizados pela ANP durante o governo Bolsonaro em 2019 e 2021. Sendo que no primeiro nenhuma operadora apresentou sequer uma oferta.
Obviamente que isso se deve à total falta de credibilidade internacional deste governo. Cujas causas são a instabilidade política, derivada dos frequentes ataques à democracia, e as políticas ambientais que vão na contramão do que hoje se considera as melhores práticas de governança internacionais conhecida pela sigla ESG (“Enviromental, Social and Governance”, ou “Ambiental, Social e Governança”).
Não há como negar que o atual presidente provou, em menos de 4 anos, ser um poço de contradições, banalizando a mentira e os descalabros cometidos. Senão vejamos: Se diz cristão, mas prega o ódio e o armamento da população. Se diz a favor da vida, mas defende a ditadura, a tortura e debocha, imitando alguém com falta de ar, das centenas de milhares de brasileiros que morreram de covid. Se diz defensor da liberdade, mas ataca jornalistas e fala em extirpar e metralhar os opositores. Se diz contra a corrupção, mas se uniu ao que há de mais podre na política, que é o Centrão de Ciro Nogueira e Artur Lira. Aparelhou a PF para que as rachadinhas da família e a relação com o Queiroz não fossem investigadas. É contra a corrupção, mas não consegue explicar os 51 imóveis comprados com dinheiro vivo pela família. Tudo isso sem falar nos vários escândalos de corrupção no seu governo, nos ministérios da Educação, do Meio Ambiente e da Saúde.
Na minha opinião, a eleição será decidida pela rejeição. A depender das pesquisas até o momento Bolsonaro tem entre 50 e 56% de rejeição, enquanto Lula tem entre 35 e 40%. A discussão é se a fatura será liquidada no primeiro ou no segundo turno.
Não foi por acaso que a partir da pesquisa Ipec divulgada na última segunda feira, dia 12, na qual Lula aumentava sua vantagem no primeiro turno, que Bolsonaro mudou radicalmente seu comportamento. Passou a falar em respeitar o resultado das urnas e entregar a faixa, em caso de derrota — como se estivesse fazendo algum favor! Uma espécie de versão Jairzinho paz e amor. Acho pouco provável que em 15 dias ele consiga alterar a imagem pública de tosco, rude e agressivo que construiu durante todos seus mais de 30 anos de vida pública, inclusive e principalmente como presidente da República.
A ver vamos… Parece-me que Lula, com a sua reconhecida habilidade política, está se cercando das mais diferentes correntes políticas, inclusive ex-opositores como Geraldo Alckmin e Marina Silva, para governar o país e isolar o bolsonarismo. No entanto, tirar o poder paralelo do Centrão é um objetivo que me parece crucial para o próximo presidente e o futuro do país. Hoje, com o absurdo Orçamento Secreto que nos foi entalado por Artur Lira, o país passou a ter, de fato, um regime de governo semipresidencialista. Onde quem executa o orçamento é o Congresso e não o presidente da República. Mais um descalabro permitido no governo Bolsonaro.
Preocupa-me também como o novo presidente vai encontrar o país. Após o derrame de dinheiro público da chamada PEC kamikaze, ao custo de R$ 41,3 bilhões, aprovada há apenas três meses para tentar ganhar a eleição, em outro descalabro deste governo. Que há muito tempo transformou o tal teto de gastos em piso. Essa conta vai chegar! E terá que ser cobrada em 2023, na forma de controle da inflação, do dólar, do rebote da queda forjada da gasolina — também com efeito eleitoreiro, a partir da intervenção na Petrobras —, dos juros que já estão altíssimos, da compensação aos estados dos impostos que foram obrigados a renunciar pelo Congresso comprado Orçamento Secreto. A bomba relógio está armada! Isso para não falar no desmonte que ocorreu, principalmente, na educação pública e nos órgãos fiscalizadores ambientais. Que, como disse acima, é condição sine qua non para a reintegração do Brasil ao mercado internacional. Não vai ser tarefa fácil!
Seja como for, o que mais espero e desejo é que esse clima péssimo de beligerância que está levando inclusive a absurdas mortes por diferenças políticas seja amenizado e o país volte a ser de todos os brasileiros. Onde todos remem para o mesmo lado.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) queria ganhar a eleição em turno único, o presidente Jair Bolsonaro (PL) queria ultrapassar Lula nas pesquisas antes do 1º turno, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) queria chegar aos dois dígitos de intenção de voto, e a ex-senadora Simone Tebet (MDB) queria ultrapassar Ciro. Hoje, a exatos 15 dias das urnas de 2 de outubro, as cinco principais pesquisas eleitorais da semana indicam que essas pretensões, dos quatro principais candidatos a presidente da República, terão dificuldade de ser alcançadas nos três domingos que ainda separam o Brasil do 1º turno.
VOO DE BEIJA FLOR – Em resumo da ópera deste ano eleitoral segundo todas as pesquisas, Lula bateu desde janeiro no seu teto de intenções de voto, na casa dos mesmos 40 e poucos % que manteve de lá para cá, sem nunca subir ou cair muito. Na boa imagem do jornalista Ocatvio Guedes, da Globo News, a evolução do petista lembra o voo do beija flor, estático no ar.
CRESCIMENTOS DE BOLSONARO – Bolsonaro teve três crescimentos claros durante o ano. O primeiro entre abril e maio, quando herdou naturalmente os votos de centro-direita das desistências do seu ex-ministro Sergio Moro (União) e do ex-governador paulista João Doria (PSDB). Depois, entre o final de julho e o início de agosto, sobretudo nos votos dos evangélicos, por conta dos ataques de toada neopentecostal ao PT; e da classe média baixa, com renda familiar mensal entre 2 a 5 salários mínimos, por conta da redução a fórceps do preço dos combustíveis. E, o terceiro e último, a partir da sua superexposição na captura do bicentenário da Independência do Brasil, no 7 de setembro travestido em atos de campanha em Brasília e no Rio de Janeiro.
TORCIDAS – Às tias do WhatsApp, por incapacidade, preguiça ou má fé, esses três movimentos de crescimento do seu “mito”, claros em todas as pesquisas, simplesmente inexistiram. Seriam só a readequação dos números, na reta final da campanha, à torcida bolsonarista. Tanto quanto alguns lulopetistas, na sua própria torcida pela “alma viva mais honesta neste país”, retorcem desonestamente os dados das pesquisas para tentar ignorar qualquer avanço de Bolsonaro.
VOOS DE POMBO E DE GALINHA – No mundo real, Ciro e Tebet tiveram alguma ascensão nas intenções de voto a partir das suas boas atuações nas sabatinas no Jornal Nacional e no debate da Band, ambos na última semana de agosto. Em outras imagens análogas do jornalista Octavio Guedes, o voo de Bolsonaro nas pesquisas seria o do pombo, por barulhento, atabalhoado, lento e construído em soluços no espaço. Que também parece ter batido em seu teto. Enquanto os voos de Ciro e Tebet, por curtos em alcance e teto, lembram o da galinha.
PESQUISAS DA SEMANA – A semana começou com duas pesquisas na segunda (12). De manhã, primeiro veio a BTG/FSB, feita entre sexta (9) e domingo (11), com 2.000 eleitores ouvidos por telefone. Na noite do mesmo dia, veio a Ipec (antigo Ibope), feita também entre sexta e domingo, com 2.512 eleitores ouvidos presencialmente. Na quarta (14), vieram outras duas pesquisas: a Genial/Quaest, feita entre sábado (10) e terça (13), com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente; e a PoderData, feita entre domingo e terça, com 3.500 eleitores ouvidos por telefone. Finalmente, na noite de quinta (15), veio a sempre aguardada Datafolha, feita entre terça e a própria quinta, com 5.926 eleitores ouvidos presencialmente.
7 DE SETEMBRO x ELIZABETH II – Todas essas cinco pesquisas da semana tiveram margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E foram todas feitas depois do 7 de setembro, cuja repercussão na mídia e nas redes sociais foi sufocada, como todos os demais assuntos mundo afora, pela comoção com a morte da rainha da Inglaterra Elizabeth II, aos 96 anos, em 8 de setembro. Prova disso é que o próprio Bolsonaro vai deixar o Brasil e sua campanha para acompanhar o funeral da monarca britânica, nesta segunda (19), em Londres. Onde pode ter mais dificuldade para transformar o evento oficial em ato eleitoral.
1º TURNO – Do lado de cá do Equador e do oceano Atlântico, Lula continua liderando fora da margem de erro, com Bolsonaro também isolado no 2º lugar, todas as consultas estimuladas ao 1º turno. Por 41% a 35% na BTG/FSB, por 46% a 31% na Ipec, por 42% a 34% na Genial/Quaest, por 43% a 37% na PoderData, e por 45% a 33% na Datafolha. Em outras palavras e números, a 15 dias da urna, o petista hoje tem uma vantagem entre 6 (na BTG/FSB e PoderData) a 15 pontos (na Ipec) sobre o capitão.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
2º TURNO – Na projeção ao 2º turno de 30 de outubro, Lula também bateria Bolsonaro fora da margem de erro em todas as simulações. Por 51% a 38% na BTG/FSB, por 53% a 36% na Ipec, por 48% a 40% na Genial/Quaest, por 51% a 42% na PoderData, e por 54% a 38% na Datafolha. Só a Ipec manteve acesa a esperança lulopetista de definição em turno único, na margem de erro de 51% dos votos válidos. No 2º turno cada vez mais provável, daqui a 43 dias, o petista tem hoje uma vantagem entre 8 (na Genial/Quaest) a 17 pontos (na Ipec) sobre o capitão.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
REJEIÇÃO – Considerado fundamental para a definição do 2º turno, o índice negativo da rejeição é liderado fora da margem de erro por Bolsonaro em todas as pesquisas. Por 56% a 47% de Lula na BTG/FSB, por 50% a 35% na Ipec, por 52% a 47% na Genial/Quaest, por 50% a 41% na PoderData, e por 53% a 38% na Datafolha. A diferença entre os brasileiros que não votariam de maneira nenhuma em um dos dois líderes das pesquisas vai de 5 (na Genial/Quaest) a 15 pontos (na Ipec e Datafolha) desfavoráveis ao capitão.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
TENDÊNCIA? – Na comparação com as pesquisas da semana anterior de cada instituto, os números ao 1º turno revelam diminuição da vantagem de Lula sobre Bolsonaro na BTG/FSB (de 12 a 6 pontos) e na Genial/Quaest (de 12 a 8 pontos), crescimento dessa vantagem na Ipec (de 13 a 15 pontos) e Datafolha (de 11 a 12 pontos), e estabilidade da diferença na PoderData (em 6 pontos). Na mesma comparação, as projeções ao 2º turno revelam redução da vantagem de Lula a Bolsonaro na Genial/Quaest (de 12 a 8 pontos) e na PoderData (de 12 a 9 pontos), crescimento dessa vantagem na Ipec (de 16 a 17 pontos) e na Datafolha (de 14 a 16 pontos), e de estabilidade da diferença na BTG/FSB (em 6 pontos). Qual é, então, a tendência?
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ARTILHARIA PESADA – Na evolução dos sete dias anteriores entre as duas últimas pesquisas de cada instituto, impossível saber qual é hoje a tendência real ou a que prevalecerá nos próximos 15 dias ao 1º turno. E, tanto mais, 28 dias depois ao 2º turno. Neste, como é a rejeição que definirá o vencedor final, os veículos do Grupo Globo têm batido muito na liderança de Bolsonaro no índice negativo. Como a campanha de reeleição do presidente também já começou a bater mais pesadamente em Lula, tentando aumentar sua rejeição, a liderança do capitão nela parece assumida.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
DATAFOLHA E IPEC x QUAEST – A Globo contrata e repercute as pesquisas Datafolha e Ipec, que registraram na semana a maior diferença de Bolsonaro a Lula na rejeição: os mesmos 15 pontos a mais do capitão. Já na BTG/FSB e na PoderData, feitas por telefone, o atual presidente tem os mesmos 9 pontos a mais do que o ex-presidente no índice negativo. Feita através de entrevistas presenciais como a Datafolha e a Ipec, a Genial/Quaest registrou nesta semana sua menor diferença de Bolsonaro para Lula na rejeição: 5 pontos. Ainda a 43 dias do 2º turno, é apenas 1 ponto a mais que o limite da margem de erro.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “A Datafolha de quinta permite a comparação entre as três pesquisas que aplicam entrevistas presenciais individuais face a face, metodologia de captação de intenção de votos com maior precisão, dentre as disponíveis. No Datafolha, Lula mantém os 45% de intenção de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Na Ipec, divulgada segunda, o ex-presidente foi a 46%, enquanto na Quaest de ontem registrou 42%. Bolsonaro, no Datafolha, oscilou para 33%, enquanto na Ipec foi a 31% e na Quaest, seu melhor desempenho, foi a 34%. Assim, em conjunto, é possível afirmar que enquanto o Datafolha e o Ipec apontam para uma maior estabilidade do cenário eleitoral, com uma folga mais favorável a Lula, a Quaest indica um cenário mais apertado e menos desfavorável a Bolsonaro. Nos votos válidos, a Datafolha, ao contrário da pesquisa da semana passada, confirma cenário de 2º turno, ao apontar 48% destes votos para Lula, que poderia ir para 50% no limite da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Para que uma eleição seja decidida no 1º turno, são necessários 50% mais um voto dentre os votos válidos, que excluem brancos e nulos”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Desde o polêmico 7 de setembro que capturou em atos de campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) encurtou ou aumentou sua desvantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 18 dias? Feitas após os 200 anos da Independência do Brasil, as pesquisas Datafolha de sexta (9) e BTG/FSB de segunda (12) indicaram que a diferença entre os dois líderes da corrida encurtou. Só a Ipec (antigo Ibope) de segunda deu que a vantagem de Lula aumentou. O que foi desmentido pela Genial/Quaest feita de sábado (10) a ontem (13) e divulgada hoje (14). Na série histórica das suas pesquisas, desde julho de 2021, Lula chegou à sua menor vantagem sobre Bolsonaro: apenas 8 pontos, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Na consulta induzida ao 1º turno, no espaço de uma semana, o petista caiu de 44% aos atuais 42% das intenções de voto, enquanto o capitão permaneceu estável com os mesmos 34%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Na projeção para o 2º turno de 30 de outubro indicado em todas as últimas pesquisas, em dúvida apenas na Ipec, Lula também continuaria batendo Bolsonaro na Genial/Quaest, por 48% a 40%. No espaço de uma semana, o petista perdeu 2 pontos dos 51% que tinha, enquanto o capitão somou 1 ponto aos 39% anteriores. A diferença atual de 8 pontos entre os dois no 2º turno, exatamente a mesma do 1º turno, é também a menor já registrada na série histórica de mais de um ano das pesquisas. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição do atual presidente e do ex também alcançou a menor diferença já registrada até aqui pela Genial/Quaest. Nos últimos sete dias, Bolsonaro caiu de 53% aos atuais 52% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula cresceu no índice negativo fora da margem de erro, de 44% aos 47% de hoje. Fora minimamente do limite da margem de erro, a diferença na rejeição do capitão ao petista hoje é de apenas 5 pontos. Se as rejeições dos dois se igualarem, qualquer resultado ao 2º turno passa a ser aritmeticamente possível.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE
— A divulgação da Quaest de hoje permite a comparação dela com a Ipec de segunda, duas pesquisas de intenção de voto que aplicam exatamente a mesma metodologia: entrevistas individuais face a face realizadas em domicílios sorteados. Na Ipec de ontem, a diferença entre Lula e Bolsonaro na pesquisa estimulada era de 15 pontos (46% a 31%), enquanto na Quaest de hoje caiu para 8 pontos (42% a 34%), uma diferença significativa e fora da margem de erro de 2 pontos. A divergência mais significativa, porém, está na pesquisa espontânea. Nela, a diferença de 14 pontos em favor de Lula na Ipec de segunda (44% a 30%) cai para apenas 4 pontos na Quaest de hoje (33% a 29%), ou seja, de acordo com a margem de erro, Lula e Bolsonaro poderiam estar numericamente empatados na pesquisa espontânea. Com a divulgação da Datafolha na próxima sexta, que também aplica entrevistas presenciais individuais face a face, porém realizadas na rua, em vez de nos domicílios, será possível a comparação dos resultados das três principais pesquisas que trabalham com aquela que é considerada a metodologia de captação de intenção de votos com maior precisão — observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Da Datafolha de sexta à Ipec (antigo Ibope) de segunda, passando pela BTG/FSB do mesmo dia, as últimas três pesquisas presidenciais revelam perspectivas distintas à urna de 2 de outubro, daqui a exatos 18 dias. A Datafolha e a BTG/FSB indicaram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) capitalizou seu sequestro do 7 de setembro e encurtou sua diferença para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do 1º turno, rumo a um disputado 2º turno. Já a Ipec indicou que quem cresceu foi Lula, que hoje teria 51% dos votos válidos. A possibilidade matemática de definir a eleição em turno único deve acelerar a campanha petista pelo “voto útil” sobre os eleitores do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e da senadora Simone Tebet (MDB).
Histórico do 2º turno
Instituída no Brasil pela Constituição de 1988 e passando a valer a partir da eleição presidencial de 1989, a eleição em dois turnos existe para que o voto útil seja feito no 2º, dando a opção ao eleitor de votar no 1º no candidato com que mais se identifique. Entre os presidentes, apenas Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu ainda no 1º turno, em 1994 e 1998. E, segundo analistas, só o fez porque a eleição ainda era em cédulas de papel, muito mais fácil para anular o voto do que na urna eletrônica. O que diminuía o quantitativo necessário para se atingir o mínimo de 50% mais 1 dos votos válidos.
Lulanaro ou Bolsolula?
Se Lula precisou de dois turnos para se eleger e se reeleger presidente, em 2002 e 2006, a lógica não indica que teria mais facilidade em 2022. Sobretudo no enfrentamento de um presidente que tem “feito o diabo”, como Dilma Rousseff (PT) disse que faria em 2014, para tentar se reeleger. De extrema-direita, Bolsonaro é oposto no espectro ideológico à esquerda sindical de Lula. Mas, populares, os dois são muito similares no populismo de suas lideranças. E têm a mesma capacidade semiótica de falar a língua do frentista do posto, de maneira direta. Dispensam a tecla SAP necessária à tradução popular de oradores superiores, como FHC e Ciro.
Teatro do absurdo
Visíveis ao observador pragmático, essas similaridades passam longe dos apoiadores de Lula e Bolsonaro, que não têm eleitores, têm torcidas. De um lado, quem não aprendeu absolutamente nada com o apeamento do PT do poder e segue no maniqueísmo do “nós contra eles” que instalou no Brasil. Do outro, as tias de WhatsApp antes enrustidas, mas saídas do armário com a chegada do capitão ao poder como o empresário Cassio Joel Cenalli. Que viralizou nas redes sociais do país com um vídeo ameaçando não doar mais marmitas de comida à faxineira Ilza Ramos Rodrigues. Porque esta, após indagada, declarou voto em Lula.
Assassinatos políticos
Esse ódio político já custou a vida de dois apoiadores do PT, mortos por bolsonaristas neste ano eleitoral. Tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no Paraná, Marcelo Arruda foi morto a tiros em 9 de julho, na sua festa de aniversário, pelo policial bolsonarista Jorge Garanho, que invadiu o evento sem ser convidado. Na área rural do município de Confresa, no Mato Grosso, o trabalhador rural Benedito Cardoso dos Santos, eleitor de Lula, foi morto com 15 facadas e um golpe de machado no pescoço pelo colega Rafael Silva de Oliveira, eleitor de Bolsonaro, após uma discussão sobre política. Emblematicamente, foi na noite do 7 de setembro.
Os números do 1º turno
Da impossibilidade da razão, na humilhação de uma mulher humilde e em dois assassinatos políticos, à objetividade racional dos números, Lula lidera as consultas estimuladas do 1º turno sobre Bolsonaro. Por 45% a 34% (diferença de 11 pontos) na Datafolha, por 41% a 35% (6 pontos) na BTG/FSB e por 46% a 31% (15 pontos) na Ipec. As três pesquisas foram feitas após o 7 de setembro, com intenções de votos próximas, mas considerável diferença na distância entre o 1º e o 2º colocados. É, entretanto, na comparação com as pesquisas anteriores de cada instituto, configurando tendências, que se revelam as diferenças mais importantes.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Quem subiu ou caiu?
Entre as Datafolha de 1º e 9 de setembro, Lula ficou estável nos 45%, enquanto Bolsonaro cresceu dentro da margem de erro, de 32% a 34%. Entre as BTG/FSB de 5 e 12 de setembro, Lula caiu dentro da margem de erro, de 42% a 41%; oposto a Bolsonaro, que cresceu de 34% a 35%. Entre as Ipec de 5 e 12 de setembro, Lula cresceu dentro da margem de erro, de 44% a 46%, enquanto Bolsonaro se mostrou estável nos 31%. Cruzando as três pesquisas, feitas com metodologias diferentes, impossível saber quem está de fato subindo, caindo ou estável. Hoje, as novas pesquisas Genial/Quaest e PoderData poderão deixar isso mais claro.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Quem é o menos odiado?
Bolsonaro acertou ao modular seu discurso, por ora apenas subliminar no golpismo, para centrar fogo no PT e em Lula. Estes subestimaram o antipetismo. E aumentar essa rejeição é a única chance real do capitão para tentar vencer o 2º turno. Em que Lula o bateria por 53% a 39% na Datafolha, por 51% a 38% na BTG/FSB e por 53% a 36% na Ipec. O motivo? Bolsonaro tem 51% de rejeição na Datafolha, contra 39% de Lula; 56% contra 47% na BTG/FSB; e 50% contra 35% na Ipec. Sobre todas as outras eleições presidenciais no Brasil desde 1989, a de 2022 tem a singularidade de ser uma batalha entre rejeições. Na qual vencerá o menos odiado.
PÓS 7 DE SETEMBRO, 2º TURNO E REJEIÇÃO – O crescimento lento e gradual, mas consistente de Bolsonaro nas pesquisas, passou a ser registrado no final de julho e ganhou novo impulso na sua polêmica captura das comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, no 7 de setembro da última quarta. Na BTG/FSB de hoje, também cresceram dentro da margem de erro o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), de 8% a 9% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno; e a senadora Simone Tebet (MDB), de 6% aos 7% de hoje. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição continua sendo o maior problema do atual presidente. Que cresceu, na última semana, de 55% aos atuais 56% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. Lula também cresceu 1 ponto no índice negativo entre 5 e 12 de setembro, passando de 46% a 47% de rejeição.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
VOTO CONSOLIDADO – Com 81% dos brasileiros com seu voto a presidente já definido, número que chega a 86% entre os eleitores de Lula e a 89%, entre os eleitores de Bolsonaro, há muito pouco espaço para mudanças do quadro eleitoral. Mas, com o capitão sempre crescendo, a cada nova pesquisa, quase sempre dentro da margem de erro, a pergunta que fica é: qual é o seu teto? Na série de 13 pesquisas da BTG/FSB, Lula bateu no seu desde março, quando registrou 43% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, variando sempre, de lá para cá, entre 41% e 46%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
VOTO EVANGÉLICO – No pouco espaço que ainda resta, Bolsonaro continua crescendo em algumas fatias, como o eleitor evangélico, na qual batia Lula por 47% a 30% (17 pontos) na BTG/FSB de 5 de setembro. E agora o faz por 51% a 26% — ou 25 pontos de vantagem, 8 pontos a mais em apenas uma semana.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “Tanto no cenário estimulado quanto no espontâneo, os dois candidatos, quando oscilaram, o fizeram dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos. Destaca-se que, nas duas simulações, desde o início dos levantamentos do Instituto FSB Pesquisa, no final de março, Lula e Bolsonaro, com poucas interrupções, variaram sempre dentro da margem de erro. Na pesquisa divulgada em 21 de março, Lula aparecia com 43% e Bolsonaro com 29% das intenções de voto no cenário estimulado e com, respectivamente, 38% e 27% na simulação espontânea. No levantamento divulgado hoje, o ex-presidente apresenta 41% e o atual alcança 35% das intenções na pesquisa estimulada e, respectivamente, 39% e 33% na espontânea”, destacou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.
Como a morte da rainha Elizabeth II, na quinta (8), aos 96 anos, 70 anos dele ocupando o trono da Inglaterra, marcou seu país e o mundo que se acostumou a tê-la como referência? Para tentar entender o legado da mais longeva soberana britânica, que se transformou num ícone da cultura pop, a Folha entrevistou o economista William Pretyman, nascido e criado no Brasil, entre Campos e o Rio de Janeiro, mas também cidadão britânico. O empresário e pordutor rural é filho de um lorde inglês, que era primo de Elizabeth. Ele lembrou que Elizabeth assumiu o trono por acaso. Foi após o tio, o rei Eduardo VII, abdicar do trono para se casar com uma estadunidense divorciada. E do pai, o rei Jorge VI, morrer precocemente aos 57 anos. “O que a ajudou foi ela reunir qualidades ímpares, tendo ao longo do seu reinado se comportado de maneira conciliadora e equilibrada, colocando o bem de seu país antes de seu próprio bem-estar”, avaliou William. Ele vê o engajamento ambiental do novo rei Charles III como positivo. E criticou as “esquesitices” patriarcais da Inglaterra do seu pai: “Como o fato de nas famílias mais abastadas prevalecer o direito do filho mais velho à herança familiar”.
William Pretyman e a rainha Elizabeth II (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Folha da Manhã – Com a morte da rainha Elizabeth II, após 70 anos no trono, chegou ao fim uma era? O que fica e o que vai? Qual o legado dela e seu reinado à Inglaterra, à Grã-Bretanha e ao mundo?
William Pretyman – Sim, penso ter chegado ao fim uma longa era. Quando nasceu, Elizabeth era apenas a terceira na linha de sucessão: portanto acabou tendo que assumir ao trono sem nenhum preparo. O que a ajudou foi ela reunir qualidades ímpares, tendo ao longo do seu reinado se comportado de maneira conciliadora e equilibrada, colocando o bem de seu país antes de seu próprio bem-estar. Com a sua morte a monarquia inglesa se mantem como a mais importante e reverenciada das monarquias ainda existentes.
Folha – O que esperar de Charles, agora III, no trono da monarquia parlamentar ainda mais importante do mundo? Seu engajamento nas questões ambientais pode marcar seu reinado?
William – Sim, penso que sim. Charles, ao contrário de Elizabeth foi educado e preparado para assumir o trono, tendo em vários momentos da vida se frustrado com a longa espera, o que é justificável. Seu engajamento nas questões ambientais é tido como fator positivo no mundo conturbado no qual vivemos.
Folha – A Inglaterra foi marcada por três rainhas: Elizabeth I, na afirmação do país na Europa e da sua língua com Shakespeare; Vitória, no auge do poder do Império “onde o sol nunca se põe”; e, agora, por Elizabeth II. Como elas foram precursoras no empoderamento da mulher?
William – A Inglaterra, no aspecto de empoderamento da mulher, não chegou a ser propriamente inovadora, pois é um país que sempre valorizou a tradição. Portanto, ainda tem algumas esquesitices, como o fato de nas famílias mais abastadas prevalecer o direito do filho mais velho à herança familiar.
Folha – Elizabeth II assumiu o trono com 25 anos, em 1952, quando o primeiro-ministro era Winston Churchill. E morreu após dar posse à 14ª ocupante do cargo executivo durante seu reinado, Liz Truss. Como esse equilíbrio entre Estado e governo marcou o reinado dela?
William – A busca do equilíbrio entre Estado e governo foi um dos mais importantes legados deixado pela rainha. Ela foi soberana sem querer se impor. Ouvia atentamente quando surgiam crises e com sua sabedoria buscava sempre o melhor para o seu país.
Folha – Elizabeth II sempre foi tida como referência de devoção à vida pública, da primazia do Estado sobre a vida pessoal. Como ela inspirou e continuará a inspirar pessoas que ocupam posições de poder no mundo?
William – As pessoas que ocupam posições de poder no mundo costumam, por razões óbvias, ter uma visão de curto prazo. Durante seu longo reinado, por ter convivido com líderes de toda espécie de ideologia, a rainha pode transmitir a eles uma visão mais equilibrada.
Folha – Seu pai, Walter Frederick Pretyman, foi ordenado lorde por Elizabeth II. Como ela funcionou como elo entre gerações de nobres e plebeus, na Inglaterra, no mundo anglo-saxão e no que tem o inglês como sua segunda língua?
William – Meu pai, Walter Frederick Pretyman, foi ordenado com o título de “Sir” em 1972. Filho caçula de uma família que, para aristocrática, só faltava o título. Percebendo que nada herdaria, deixou a Inglaterra assim que se formou em Oxford. Meio por acaso veio parar no Brasil, onde vislumbrou oportunidades. Seu pai o ajudou a adquirir terras em Campos. Casou-se com Vera, uma paranaense e constituiu uma família, tendo casas em Campos e Rio. A rainha que por sinal era prima de meu pai, concedeu-lhe o título pela dedicação à comunidade britânica no Brasil.
Castro, Bolsonaro e Lula (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Frederico Paes, Engenheiro Agrônomo, vice-prefeito de Campos, produtor rural e presidente da Coagro
Voto e compromisso
Por Frederico Paes
Sempre, na minha vida pessoal, profissional e agora política, procurei me pautar de forma a procurar o equilíbrio. Esse caminho é o que eu entendo como capaz de construir resultados, não para pessoas ou grupos, mas para a coletividade.
Eu continuo afirmando que quando deixamos as questões pessoais de lado e partimos para discutir divergências e posturas políticas, as coisas ficam menos complexas e se tornam relevantes.
Na condição de vice-prefeito de Campos, eu posso dar testemunho da importância do papel do governador Cláudio Castro para o nosso município, de como ele tem sido fundamental para a gente construir, com parcerias em várias áreas como a Saúde e a Agricultura resultados em benefício da população.
O prefeito Wladimir Garotinho soube determinar o que queria, montar uma equipe fantástica, mas também soube procurar apoio, parcerias e buscar recursos. Fomos um dos primeiros municípios a solicitar, preparar e apresentar projetos na área de Saúde ao governo estadual. Isso viabilizou por exemplo a construção do novo HGG, com recursos do município e do estado, a partir do governador Cláudio Castro.
O governador Cláudio Castro tem dado demonstração de maturidade política ao estruturar um governo pensando não apenas na região metropolitana do Rio, mas também no interior. Com habilidade, diálogo, interlocução, Cláudio Castro tornou presente o governo do estado em todas as cidades e regiões fluminenses.
Ao mesmo tempo, o governador Cláudio Castro montou uma matriz sólida de apoiamentos políticos, com o prefeito Wladimir Garotinho, os ex-governadores Garotinho e sua esposa Rosinha e com o ex-prefeito de Caxias, Washington Reis (com sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, seria substituído ontem pelo deputado federal Vinicius Farah como vice na chapa de Castro).
Os números indicam que a solidez desse projeto pode encaminhar a definição de um resultado ainda em primeiro turno: Cláudio Castro chegou a 47% e dentro da margem de erro, pode ir a 50% no Ipec. Eu penso que é sobre isso: o quanto a presença de uma gestão pode gerar a compreensão de um projeto político pela sociedade. Eu dei uma entrevista à Folha da Manhã no início do ano e falei da importância do voto no representante com compromisso regional.
Nós temos que eleger o maior número possível de candidatos que se identifiquem com a nossa região. Não precisam ser de Campos, mas têm que ter o compromisso testado, comprovado, com a nossa região. Não é possível votar em candidato que aparece só de 4 em 4 anos, de 2 em 2 anos.
Não vejo compromisso com Campos de outro candidato a governador que não seja o Cláudio Castro. Esses outros candidatos não sabem dos problemas da Dona Maria, do Seu José, de Tocos, de Travessão. Para a essas eleições, além de governador, nós temos bons candidatos nessa condição, temos que eleger deputados com esse compromisso, tanto deputados federais com deputados estaduais. Deputados que se comprometam com nossa região. É preciso que conheçam os nossos problemas e que apresentem ações.
Esse raciocínio, para mim, é determinante e pode representar sucesso e fracasso para algumas candidaturas. Eu acho que Clarissa pode surpreender na corrida ao Senado, principalmente em uma base que não é mensurada, porque as pesquisas estariam fundamentadas em estratificação de 2010, conforme ouvi de um especialista do Rio. Ela pode surpreender principalmente se Bolsonaro der um apoio mais forte. Clarissa está em segundo lugar, tem 8%, tem crescido nas pesquisas, pode herdar votos de Daniel Silveira, que teve a candidatura indeferida.
Eu sou uma pessoa que ando no meio do povo, e o que acontece é exatamente isso: a rua mostra uma realidade em que a vitória do Lula em primeiro turno não é possível mais nesse momento. Eu acho que os dois candidatos que se apresentam, apesar das posições distintas, têm muita coisa em comum. Quem falar que o Bolsonaro não apoia o social, é só ver o que foi feito na pandemia, o Auxílio Brasil, o apoio aos empreendedores. Como Lula tem votos declarados de vários banqueiros. Hoje não temos um terceiro nome, não há alternativas. O Ciro Gomes não se mostrou ainda um candidato viável e o Brasil precisava de mais alternativas. Hoje, vivemos um momento difícil com a polarização, com posições radicais. Se você fala uma coisa, tem sempre um reflexo acirrado, positivo ou negativo, contra a favor, de posições radicais. O centro, como centro-esquerda ou centro-direita, são sempre os melhores caminhos e eu não vejo hoje candidaturas colocadas viáveis nessas posições.
Então, eu acho que essa será uma eleição para presidente plebiscitária. Eu reconheço avanços no governo Bolsonaro, que apoiou Campos com pagamentos de recursos federais em áreas importantes como a Saúde, o Desenvolvimento Humano. E vejo, como uma pessoa do setor produtivo, muitas conquistas. Não se trata de distribuir recursos apenas, fazer programas de transferência de renda, mas também do desempenho da economia do Brasil, que está bombando. Nosso crescimento é superior ao de países da Europa, com reação forte, com redução do desemprego, com o crescimento da indústria, da agricultura.
Na comparação anual, a alta do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 3,2%, segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no início do mês. Com esse resultado no segundo trimestre, o Brasil ocupa o 7º lugar dentro de um ranking de 26 países, segundo levantamento elaborado pela agência de classificação de risco Austin Rating.
Então, vejo que esse desempenho da economia brasileira, em quadro de pós-pandemia, de guerra da Ucrânia, aliado aos programas de inclusão social, geram uma matriz capaz de mover a decisão do voto pelo Bolsonaro, independentemente das divergências de natureza ideológica, política.
O que eu desejo, seja qual for a escolha da população, é que ela se dê de forma consciente, com análise das propostas e realizações, e acima de tudo, o respeito ao voto, à democracia, gere a verdadeira transformação de nossa sociedade.
Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira e Matheus Berriel
“O que a gente pode dizer é que esse 7 de setembro, esse bicentenário, infelizmente, vai passar para a História como um episódio triste da trajetória da vida nacional, porque ele foi usado para fins eleitoreiros”. Foi o que disse na manhã de ontem, em entrevista ao Folha no Ar, o general da reserva da reserva do Exército Francisco de Brito Filho, que chegou a integrar o governo Jair Bolsonaro (PL) em seu início, como integrou, ainda na ativa e em função militar, o governo Lula (PT). Ele lamentou o descaso com o presidente de Portugal, Rebelo de Souza, no palanque de Brasília para comemoração do bicentenário da Independência do Brasil. E, no “comício eleitoral” do Rio de Janeiro, constatou “a situação muito difícil” do comando das Forças Armadas. “Cujo silêncio está sendo interpretado por muitos como conivência”, alertou. “Nenhuma força armada, de qualquer país, tem o direito de deixar a sua sociedade apreensiva; de deixar que o governante utilize de mensagens veladas, usando a imagem da Força para fins eleitoreiros”, comentou o general. Que chamou a atenção dos civis à necessidade de se impor limites legais para que candidatos militares voltem à sua Força, em caso de insucesso nas urnas, “como se nada tivesse acontecido”.
General da reserva do Exército Francisco de Brito Filho, ex-comandante do contingente brasileiro no Haiti, ex-comandante da Força de Pacificação no Complexo da Maré-RJ, ex-instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (Eceme) e ex-comandante e ex-chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Nordeste
Seis mil militares no governo Bolsonaro – A questão dos 6 mil cargos militares, que dá uma impressão, um impacto muito forte nessa percepção de militarização do governo, nós temos que também dar um desconto. Por quê? Eu, como militar da ativa, já participei do governo Lula, integrando o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Mas, ocupando um cargo de natureza militar, dentro dos gabinetes de segurança institucional. Existem outros cargos também de natureza militar, que estão computados dentro desses 6 mil. Isso aí, logo no início do governo (Bolsonaro), foi um assunto muito questionado também, e o próprio TCU se manifestou no sentido de verificar se haveriam também um possível desvio de finalidade. Foram identificados alguns. Mas, bem menos de 6 mil. De qualquer forma, que sejam 200, já é uma coisa altamente indesejável, porque esses 200 militares, que vestem farda, deviam estar ocupando cargos de natureza militar, de preferência na estrutura militar de Defesa, e não cargos civis. De qualquer maneira, o TCU identificou isso, mas não conseguiu identificar nenhuma ilegalidade. Foi aí que derivou, inclusive, uma iniciativa louvável da deputada (federal) Perpétua Almeida (PCdoB/AC), no sentido de propor uma PEC que iria restringir essa participação dos militares fora desses limites legais constitucionais. Então, infelizmente, ela levou quase um ano para colher as assinaturas necessárias, e aí essa PEC, depois de feita essa coleta, já está encaminhada ao presidente da Câmara, mas não foi ainda colocada na pauta. Percebam que é uma coisa sensível. Houve a manifestação do poder político, do poder civil, sobre essa anomalia, mas ainda não apresentou nenhum resultado.
Militares ministros ganhando acima do teto constitucional – É preciso verificar com alto nível de detalhamento a verdadeira ocorrência desse valor acima de teto. Eu falo isso até por conta dessa minha experiência que tive no início do governo (Bolsonaro), junto ao Inep, que é uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, mais conhecida pela elaboração do Enem, mas é um instituto sensacional, que oferece outros produtos de importância muito relevante tanto para a educação quanto para a sociedade como um todo. Eu vivi essa experiência, a questão do teto. Eu tinha os meus vencimentos de militar da reserva e, ao receber os vencimentos referentes ao cargo de confiança, eu já havia ali uma preocupação muito grande da Casa Civil no sentido de que, uma vez atingido o teto, teria que ser reduzido o excedente do meu do meu contracheque. No meu caso, isso não chegou a se verificar. No cargo que eu assumi, os vencimentos referentes àquele cargo não extrapolavam esse teto. Mas eu vi colegas que viam os seus vencimentos referentes ao cargo de confiança serem reduzidos, justamente para não furar o teto. Então, eu vejo que pode ter ocorrido por alguma falha na administração, mas há uma postura de respeito a essa regra do teto no que se refere aos vencimentos dos militares que acabaram ocupando cargos de confiança no governo Bolsonaro.
Atos do 7 de setembro – O que a gente pode dizer é que esse 7 de setembro, esse bicentenário, infelizmente, vai passar para a História como um episódio triste da trajetória da vida nacional, porque ele foi usado para fins eleitoreiros. Agora, para poder fazer uma análise um pouco mais profunda, o nosso chefe de governo esteve presente em duas cidades: a capital federal, onde não poderia deixar de comparecer, e no Rio de Janeiro, que até trouxe uma consequência realmente muito triste e indesejável para a população do Rio de Janeiro, que ficou privada do desfile tradicional cívico-militar, não só dos militares, mas das escolas, que se realizava anualmente na avenida Presidente Vargas. Mas, dentro desse cenário negativo, há ainda que se destacar que houve alguns exemplos positivos. Vamos pegar primeiro o evento de Brasília: a ausência do chefe do Poder Judiciário e dos dois líderes do Poder Legislativo no palanque foi uma mensagem muito importante, que fortalece o nosso estado democrático de direito. Um outro aspecto muito negativo, em Brasília, foi a maneira como foi recebido e tratado o presidente de Portugal (Rebelo de Souza), que deixou o seu país, atravessou o oceano para prestigiar a antiga colônia, e foi tratado com total desprezo, descaso, desrespeito no palanque oficial pelo nosso presidente, que preferiu fiar ombreado por outras pessoas, outros atores, deixando de lado ali o único chefe de Estado.
No Rio de Janeiro – Vamos passar aqui para o Rio de Janeiro, onde o chefe de governo realizou um comício eleitoral. A participação das Forças Armadas nesses dois eventos, em Brasília, foi protocolar. No Rio de Janeiro é que eu entendo que o comando do Exército e das Forças Armadas foram colocados numa situação muito crítica, muito difícil, porque, de qualquer maneira, eles se subordinam ao chefe do Executivo, que é o comandante supremo das Forças Armadas, e não poderia deixar de participar de alguma maneira do evento, mesmo sabendo que o local escolhido e as condições que foram colocadas tinham um viés eleitoreiro explícito. Só havia duas posturas a adotar: ou se recusar a participar, de uma maneira taxativa, ou participar com a maior discrição possível. É lógico que, numa recusa taxativa de participar, iria se instalar uma crise num momento em que nós estamos precisando de estabilidade, às vésperas de uma eleição que promete ser bastante acalorada.
Uso das Forças Armadas – É lógico que existem militares da reserva que aderiram ao governo e se identificam como tal. O que precisa ser preservado é justamente essa politização das Forças Armadas, de que o militar fardado, que detém o monopólio do uso da força, está ali ombreando com projetos político-partidários do chefe de governo. E, por mais discreta que tenha sido essa participação, essa mensagem de alguma forma chegou à sociedade. E aqui eu não vou fazer uma crítica, mas vou fazer um comentário: nenhuma força armada, de qualquer país, tem o direito de deixar a sua sociedade apreensiva; de deixar que o governante utilize de mensagens veladas, usando a imagem da Força para fins eleitoreiros. E aí é que vem o meu comentário: eu acho que a estratégia do silêncio adotada pelas Forças Armadas está passando uma mensagem de coesão, está passando uma mensagem de disciplina, mas, de qualquer maneira, esse silêncio está sendo interpretado por muitos como conivência. Isso é muito ruim para as Forças Armadas. E aí é que eu digo que já está mais do que na hora de que essa estratégia de silêncio seja flexibilizada, para que a gente possa trazer tranquilidade para a sociedade. Nenhuma força armada tem o direito de deixar a sociedade apreensiva, a sociedade à qual ela serve. Ela tem obrigação de vir a público e desfazer qualquer mal-entendido. Ela tem que vir declarar oficialmente e desfazer mensagens veladas, desfazer essa falsa impressão de politização das Forças Armadas, que, infelizmente, é explorada pelo governante com fins políticos, partidários e eleitoreiros. Porque da mesma forma que ele faz junto ao eleitorado evangélico, ele está usando o mesmo artifício com as Forças Armadas.
Candidaturas de militares – O que nós temos que verificar é que as ideias defendidas pelo atual governo, autoritárias ou de extrema direita, elas, dentro do jogo democrático, conquistaram muitos corações e mentes. Ou seja, nós temos um segmento da sociedade, que não é desprezível, que realmente concorda com aquelas ideias mais autoritárias que estão sendo apresentadas por esse governo. E os militares da reserva também, como qualquer cidadão, podem mostrar adesão, simpatia a essas ideias mais radicais. A única maneira de tirar esses atores de cena é pelo voto. Não tem outro instrumento que, dentro do jogo democrático, tenha mais poder do que isso. Tem outro detalhe ainda, que é uma anomalia e que a mídia não costuma focalizar: o militar da ativa, no momento, com o arcabouço legal existente agora, ele pode se candidatar estando na ativa. Ele é afastado das Forças no momento em que apresenta o seu registro para as eleições. Então, é uma coisa praticamente simultânea. Ele se filia a um partido e lança a sua candidatura, e aí vem o que eu acho uma anomalia: se ele perde a eleição, ele retorna à Força. Isso não pode acontecer, porque, da mesma forma como o general Pazuello perdeu a sua neutralidade, esse militar que concorre a um cargo político, se filia a um partido, não pode simplesmente retornar a curso como se nada tivesse acontecido. Então, eu vejo que ainda há algum aperfeiçoamento a se introduzir nesse arcabouço legal, no sentido impedir a politização das Forças Armadas.
Forças Armadas no pleito – Faço parte de uma instituição que foi a minha vida. Saí de Fortaleza com 15 anos e deixei a farda com 55. São 40 anos de serviço. É uma instituição que tem bons líderes; que tem uma história que, se não foi apenas de sucesso, há um comprometimento das lideranças no sentido de reconhecer isso e de aprender com isso. E é isso que eu espero e tenho a convicção de que a sociedade pode esperar uma postura constitucional durante as eleições, respeitosa aos resultados das eleições, e que, após virada essa página, nós consigamos continuar trilhando esse caminho de aproximação com todos os segmentos da sociedade, porque essa é a razão de ser das Forças Armadas do país.
Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã
Confira abaixo, em vídeo, a íntegra da entrevista do general Francisco de Brito Filho ao Folha no Ar da manhã de ontem:
Hoje, faltam exatos 22 dias para a urna de 2 de outubro. E a semana trouxe quatro novas pesquisas presidenciais. Divulgada só na noite de ontem, depois do fechamento desta edição, a nova Datafolha não entrou neste balanço da corrida. Mas, quaisquer que tenham sido seus números, eles serão contestados pelos eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo colocado, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todas as pesquisas, o capitão usou a comemoração os 200 anos de Independência do Brasil, em Brasília, no 7 de Setembro de quarta, para promover ato de campanha e soprar aos seus apoiadores o que se convencionou chamar nos EUA de “apito de cachorro” (mensagem com significado só ao subgrupo alvo). “Aqui não tem a ‘mentirosa’ Datafolha, aqui é o nosso ‘datapovo’”, pregou o presidente. “Dá para acreditar em pesquisa encomendada pela Globo?”, questionam em resposta seus eleitores. Surdos à lógica mais elementar: as pesquisas presidenciais semanais do Instituto FSB Pesquisa, contratadas pelo banco de investimentos BTG Pactual, fundado por Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro, revelam o mesmo quadro geral.
PESQUISAS DA SEMANA – Como nas últimas semanas, esta foi aberta na manhã de segunda (5) pela pesquisa FSB, contratada pelo BTG fundado por Guedes. Foi feita entre a sexta (2) e o domingo (4) anteriores, com 2.000 eleitores ouvidos por telefone. Na mesma segunda, à noite, saiu a Ipec (antigo Ibope). Contratada pela Globo, foi feita também entre sexta e domingo, mas com 2.512 eleitores entrevistados presencialmente, metodologia sempre mais confiável. Na quarta, dia 7 de setembro, saiu a pesquisa do Quaest Pesquisa e Consultoria. Contratada pela Genial Investimentos, foi feita da quinta (1º) ao domingo anteriores, com 2.000 eleitores também ouvidos presencialmente. Todas as três pesquisas da semana têm margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.
1º TURNO – Na consulta estimulada ao 1º turno, na comparação entre as BTG/FSB de 29 de agosto e 5 de setembro, Lula caiu de 43% a 42% das intenções de voto, Bolsonaro caiu de 36% a 34%, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu de 9% a 8% e só a senadora Simone Tebet (MDB) cresceu, de 4% a 6%. Entre as Ipec de 29 de agosto e 5 de setembro, Lula se manteve com 44%, Bolsonaro caiu de 31% a 32%, Ciro subiu de 7% a 8%, assim como Tebet cresceu, de 3% a 4%. Entre as Genial/Quaest de 31 de agosto e 7 de setembro, Lula se manteve com 44%, Bolsonaro cresceu de 32% a 34%, Ciro caiu de 8% a 7% e Tebet cresceu, de 3% a 4%.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“GLOBOLIXO” OU “POSTO IPIRANGA” – Seja a contratante a “Globolixo”, ou o banco fundado pelo “Posto Ipiranga” de Bolsonaro na economia, todas as pesquisas da semana revelaram a estabilidade da liderança de Lula, entre 43% e 44% das intenções de voto. Assim como a sua vantagem de 8 a 10 pontos para o atual presidente. Também dentro da margem de erro, as três pesquisas registraram movimentos discretos de queda de Ciro e de crescimento de Tebet.
2º TURNO – Nas projeções do 2º turno de 30 de outubro, Lula bateria Bolsonaro em todas. Na BTG/FSB, por 53% a 40%, diferença de 13 pontos que era a mesma da semana passada (52% a 39%). Na Ipec, o petista bateria o capitão no turno final por 52% a 36%, diferença de 16 pontos que cresceu dos 13 pontos (50% a 37%) da semana passada. Na Genial/Quaest, o ex-presidente bateria o atual em 30 de outubro por 51% a 39%, diferença de 12 pontos que diminuiu dos 14 pontos (51% a 37%) da semana passada. De 12 a 16 pontos, a vantagem atual de Lula sobre Bolsonaro no 2º turno variou nas três pesquisas no limite da margem de erro.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
REJEIÇÃO – Índice fundamental à definição do 2º turno, a rejeição segue liderada por Bolsonaro. Na BTG/FSB, ele tinha e manteve os 55% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula subiu a sua a 46% (tinha 45% na semana passada). Na Ipec, o capitão cresceu a sua rejeição para 49% (tinha 47% na semana passada), enquanto o petista tinha e manteve 36%. Na Genial/Quaest, o presidente diminuiu sua rejeição para 53% (tinha 55% da semana passada), enquanto o ex tinha e manteve 44%. De 9 a 13 pontos, a diferença entre os dois na rejeição também variou no limite da margem de erro entre as três pesquisas.
SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS – Nas faixas das pesquisas, as diferenças, no entanto, se revelam por vezes bem maiores. Considerado fundamental na definição da eleição presidencial, a região Sudeste concentra a maior densidade eleitoral do país, com 42,6% dos brasileiros aptos a votar no próximo mês. Mas as pesquisas apresentam estatísticas bem diferentes entre os dois líderes
NO SUDESTE – Na BTG/FSB, Bolsonaro manteve sua liderança no limite da margem de erro no Sudeste, hoje de 38% contra 34% de Lula. Era de 39% a 35% na BTG/FSB da semana anterior, com a mesma diferença de 4 pontos, no limite da margem de erro. Na Ipec, quem hoje lidera na região é o petista, por 41% contra 30% do capitão. A diferença de 11 pontos, fora da margem de erro, era de 6 pontos na Ipec da semana anterior: 39% do ex-presidente contra 36% do atual. Já na Genial/Quaest se deu um movimento emblemático. Pela primeira vez na sua série, Bolsonaro virou numericamente sobre Lula no Sudeste, ainda que na margem de erro: 39% a 37%. O presidente inverteu quase de maneira exata os 36% a 39% desfavoráveis da Genial/Quaest da semana passada.
RESUMO DA ÓPERA – Em resumo, no Sudeste que concentra quase metade dos eleitores brasileiros, Bolsonaro está estável na liderança dentro da margem de erro sobre Lula, segundo a BTG/FSB. Já na Ipec, quem lidera fora da margem de erro e ampliando sua vantagem, é Lula. E na Genial/Quaest divulgada no 7 de setembro em que o Brasil discutia a captura da data por Bolsonaro e sua autoclassificação freudiana de “imbrochável”, ele virava dentro da margem de erro uma vantagem no Sudeste que, até então, era de Lula.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
QUADRO GERAL x SUDESTE – A quatro domingos da urna de 2 de outubro, a BTG/FSB, a Ipec e a Genial/Quaest trazem os mesmos resultados gerais, com números iguais ou muito próximos: vantagem fora da margem de erro de Lula sobre Bolsonaro, nas projeções de 1º e 2º turno, e na rejeição. Mas divergem quanto à liderança da corrida presidencial na região Sudeste, onde todos os analistas afirmam que deve ser definido o presidente da República a partir de 2023.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE
ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “O fato dos principais institutos de pesquisa eleitoral serem afiliados à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), de seus estatísticos serem credenciados pelos Conselhos Regionais de Estatística (Conres) e das principais empresas de pesquisa estarem em atividade há anos, atestam o reconhecimento do mercado e dos órgãos de fiscalização a confiabilidade e a veracidade das pesquisas. As pesquisas eleitorais buscam ‘fotografar’ a intenção dos eleitores na data das entrevistas, não o resultado das urnas. Por se tratarem de ‘opinião’, as intenções dos eleitores podem mudar até o momento da votação. Mas a experiência das pesquisas eleitorais acompanha os 33 anos da redemocratização brasileira, com novos ajustes a cada nova eleição, reduzem a distância entre o que os eleitores respondem nas entrevistas e a decisão do voto, quando estão diante da urna”, explicou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.