Ipec: Castro e Freixo em empate técnico, com 2º turno no escuro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) seguem em empate técnico na corrida ao Palácio Guanabara. Na consulta estimulada ao 1º turno da pesquisa Ipec (antigo Ibope) divulgada na noite de ontem (15) e feita entre sexta (12) e domingo (14), Castro apareceu com 21% das intenções de voto, seguido por Freixo, com 17%. Na margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, os dois estão empatados tecnicamente. Depois dos dois, vieram o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), com 5%; o ex-governador Wilson Witzel (PMB), com 4%; os professores Cyro Garcia (PSTU), Eduardo Serra (PCB) e Juliete Pantoja (UP), com 3% cada; o deputado federal Paulo Ganime (Novo), o metalúrgico Luiz Eugênio (PCO) e o ex-deputado federal Milton Temer (Psol), com 1% cada.

Na Ipec anterior ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, divulgada em 21 de julho, Castro e Freixo também estavam tecnicamente empatados na consulta estimulada ao 1º turno. Em menos de um mês, houve pouca variação. O governador tinha 20% e passou a 21%, enquanto o deputado cresceu um pouco mais, passando de 14% a 17%.  A diferença entre os dois, que era de 6 pontos, diminuiu aos atuais 4 pontos. Mas, diferente de julho, a Ipec de agosto não divulgou simulação de 2º turno a governador, o que compromete a credibilidade da pesquisa. Embora tenha participado dela, o ex-governador e ex-juiz federal Wilson Witzel sofreu impeachment no ano passado e, segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), está inelegível por cinco anos. Por sua vez, o Psol de Milton Temer desistiu de candidatura própria a governador, para apoiar Freixo.

 

(infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— Na disputa a governador mais acirrada do país, a pesquisa do Ipec divulgada ontem, a 48 dias do primeiro turno, mostra empate técnico entre Cláudio Castro, com 21% das intenções de voto, e Marcelo Freixo (PSB), que reduziu a diferença numérica de 6 pontos para 4 pontos, apresentando agora 17% das intenções dos eleitores na pesquisa estimulada, quando os nomes de todos os candidatos são apresentados. O empate técnico levaria, neste momento, a eleição para governador do Rio de Janeiro para o segundo turno. No levantamento anterior, de 21 de julho, Castro apresentava 20% e Freixo 14%. No levantamento espontâneo, considerado mais consolidado, quando os eleitores respondem livremente, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, a intenção de voto de Cláudio Castro (11%) é maior que o dobro da intenção de Marcelo Freixo (5%) — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

BTG/FSB: Lula no 1º ou 2º turno, sem crescimento de Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Após o crescimento significativo nas intenções de votos da classe média para o presidente Jair Bolsonaro (PL) na semana passada, por conta da percepção de redução dos preços dos combustíveis, a nova pesquisa BTG/FSB feita entre sexta (12) e domingo (14) demonstra estabilidade, e divulgada hoje, a exatos 48 dias das urnas de 2 de outubro, demonstra estabilidade na corrida presidencial. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na liderança isolada. Na última semana, ele ganhou 4 pontos na consulta estimulada ao 1º turno, passando de 41% a 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro manteve seus 34%. A diferença de 7 pontos entre os dois, em uma semana cresceu a 11 pontos.

Com os 8% do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), os 2% da senadora Simone Tebet (MDB), mais os 2% de todos os oito demais presidenciáveis somados, a soma de votos válidos de todos no 1º turno seria 46%, contra os 45% de Lula. O que, na margem de erro, reacende a possibilidade estatística de o petista vencer a eleição em turno único. Na projeção do 2º turno de 30 de outubro, ele também aumentou a vantagem ao capitão, a quem bateria por 53% a 38%. A diferença atual de 15 pontos, há uma semana, era de 12 pontos. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos para mais ou menos. Índice considerado fundamental para a definição do 2º turno, Bolsonaro segue liderando a rejeição, na qual aumentou 1 ponto, de 53% aos atuais 54% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. Lula caiu um ponto na rejeição, que se mantém alta, passando de 45% a 44%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE

— A exatos 48 dias para 2 de outubro, a pesquisa do Instituto FSB, encomendada pelo Banco BTG Pactual, é a primeira pesquisa por telefone a apontar a possibilidade de vitória de Lula no 1º turno, nesta reta final de campanha. A projeção resulta do crescimento de 4 pontos percentuais na intenção de voto do petista desde o último levantamento, realizado uma semana atrás. Bolsonaro manteve a mesma pontuação registrada no levantamento de 8 de agosto. Na pesquisa estimulada, Lula subiu de 41% para 45%, enquanto Bolsonaro manteve os mesmos 34%. No eventual 2º turno, Lula venceria Bolsonaro por 53% a 38%. A vantagem do petista ampliou de 12 pontos para 15 pontos, em relação a uma semana atrás, quando a pesquisa BTG/FSB apontou a vitória do ex-presidente por 51% a 39%. Já a diferença da rejeição entre os dois principais candidatos oscilou dentro da margem de erro, de 8 pontos para 10 pontos. Uma semana atrás, 53% dos eleitores ouvidos afirmaram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, contra 45% de Lula. Hoje, 54% dos eleitores entrevistados manifestaram rejeição à Bolsonaro, que subiu 1 ponto, enquanto 44% dos eleitores ouvidos rejeitam Lula, que caiu 1 ponto — analisou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatísticas do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Voto da classe média

Duas análises cruzadas com a economia trazem curiosidades, relativas a preço de combustíveis e recebimento do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, sobre a nova BTG/FSB. Na comparação entre as duas pesquisas anteriores do mesmo instituto, divulgadas em 25 de julho e na última segunda, 8 de agosto, Lula caiu de 39% a 30% de intenções de voto na faixa de 2 a 5 salários mínimos, em que Bolsonaro cresceu de 36% a 42%. Mas, na comparação com a BTG/FSB divulgada hoje, o petista voltou a crescer fora da margem de erro, de 30% a 38% entre esses eleitores de classe média, enquanto Bolsonaro caiu dentro da margem de erro, de 42% a 40% das intenções de voto.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Essas alterações no voto da classe média teriam se dado por conta da sensação de queda dos preços nos combustíveis atribuída ao governo Bolsonaro, que foi registrada na semana anterior, mas que teria se esgotado. “O efeito positivo que o preço dos combustíveis poderia ter na intenção de voto de Bolsonaro em grande parte já se realizou: o percentual dos que perceberam a baixa no valor das bombas ficou estável em quase 2/3 do eleitorado (64%)”, explicou o relatório da nova BTG/FSB. Após subir de 54% a 63%, entre as pesquisas de 25 de julho e 8 de agosto, os eleitores que perceberam os preços dos combustíveis um pouco ou muito menores se manteve estável dentro da margem de erro, aos 64% atuais.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Auxílio Brasil muda eleição?

Entre as duas últimas pesquisas BTG/FSB, de 8 de agosto e a de hoje, também não registraram alteração significativa a partir do novo Auxílio Brasil de R$ 600,00, que começou a ser pago a partir da última terça (9). Entre os eleitores que recebem o benefício, Lula até cresceu sua liderança, passando de 53% a 61% das intenções de voto na última semana, período em que Bolsonaro tinha e manteve 24%. Já entre os eleitores que não recebem, mas que moram com alguém recebe que recebe o Auxílio Brasil, Lula caiu de 62% a 53% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro subiu de 20% a 28%. Ou seja, as alterações entre os afetados direta e indiretamente pelo benefício federal praticamente anulam uma a outra.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como essa comparação das duas últimas BTG/FSB nacionais sobre o Auxílio Brasil é diferente das alterações a favor de Bolsonaro registradas nas pesquisas Genial/Quaest de quinta (11) no estado de São Paulo, e de sexta (12), no estado de Minas Gerais, dois maiores colégios eleitorais do país, novas pesquisas são necessárias. Demanda que é reforçada no próprio relatório da BTG/FSB de hoje:

— O governo começou o ciclo de pagamento da primeira parcela dos R$600,00 na última terça-feira, dia 9. O calendário de pagamento segue até o dia 22. Por enquanto, a diferença de Lula sobre Bolsonaro entre quem recebe o benefício continua bastante confortável. Só nas próximas semanas será possível ver se haverá mudança nesse segmento — concluiu Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa.

 

“Cinco % de remanejamento é chantagear o governo”

 

“Cinco % (de remanejamento ao Executivo no Orçamento de Campos) é querer colocar uma situação, desculpe a franqueza, de chantagear o governo”. Apesar de admitir estar atuando como “bombeiro” para distensionar a disputa entre Garotinhos e Bacellar, foi o que disse na manhã de ontem, em entrevista ao Folha no Ar, o vice-prefeito Frederico Paes (MDB). A crítica foi à tentativa da oposição na Câmara Municipal de reduzir o remanejamento orçamentário do prefeito Wladimir Garotinho, atualmente de 30%. Ele também negou a eleição de Marquinho Bacellar (SD) a presidente do Legislativo goitacá, em 15 de fevereiro, depois anulada pela atual Mesa Diretora, o que acirrou muito a disputa entre os dois grupos políticos. Frederico também cobrou a apuração do caso Ceperj, em que nomes de 10, dos 13 vereadores, são citados por ter assessores e parentes recebendo dinheiro público estadual na boca do caixa, chamando o caso de “Rachalão” — mistura de rachadinha com Mensalão. Em relação a outubro, projetou eleições de Anthony Garotinho (União) a deputado federal e de Rodrigo Bacellar a estadual, com boas votações. Crê que Clarissa Garotinho (União) pode surpreender ao Senado e que, mais que Marcelo Freixo (PSB), Rodrigo Neves (PDT) pode dar trabalho ao governador Cláudio Castro (PL) num eventual segundo turno. A presidente, questionou pesquisas e apostou numa “economia bombando” em favor da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Frederico Paes no Folha no Ar de ontem (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

Garotinhos x Bacellar – Eu sempre atuei, na minha vida pessoal e profissional, de forma a buscar o equilíbrio. Essa relação política da família Bacellar com o grupo Garotinho, acho que não faz bem ao nosso município, deveria ficar apenas nas divergências de ideias e atuação na política. Quando isso passa para o campo pessoal, aí a gente vê o que aconteceu e acontece, isso é muito ruim. E aqui eu não faço nenhum tipo de crítica a A, B ou C, mas você deixa de raciocinar para a cidade e as pessoas para se defender ou atacar as pessoas. Que benefício isso traz para a população? Zero. Que benefício isso traz para a política local ou para reivindicações e necessidades do município ou da região? Nada, muito pelo contrário. Eu cito aqui um exemplo muito clássico, que é o Nordeste. Eles brigam lá e brigam muito, brigam feio mesmo, no facão, mas quando vai para Brasília… Eu via isso, como presidente da Asflucan. Eu via inimigos políticos, entre aspas, de mãos dadas reivindicando as coisas para aquela região. Eu falei: “Esses caras não são inimigos?”. Não, ali eles são amigos. Então, acho que Campos e região pecam muito por isso. A divergência deveria ser no campo da política, no campo das ideias, e deixar a questão pessoal de lado.

Papel de “bombeiro” – Você falou que eu atuei como bombeiro, e é verdade. Conversei com o deputado Rodrigo Bacellar, conversei com o Wladimir, busquei ali um entendimento, sempre em benefício do município de Campos. Mas a situação a falta de confiança de um grupo no outro é muito grande. Isso eu afirmo aqui e fica registrado que é péssimo para a nossa cidade, é péssimo para a nossa região. E é uma oportunidade ímpar que nós temos hoje, o deputado Rodrigo Bacellar com uma força junto ao Governo do Estado muito forte. Ele foi secretário de Governo, um dos cargos mais importantes dentro de uma composição do estado. Nós temos o prefeito Wladimir com uma força incrível, não só no estado, mas no Brasil. Eu acompanho Wladimir em Brasília, vejo a capacidade e o respeito que as pessoas têm. Então, essa briga política é muito ruim para a nossa região, muito ruim. Mas, como a esperança é sempre a última que morre, quem sabe um dia a gente consegue.

Encontro com Cláudio Castro – Falei para o governador há uns 15 dias (no Rio, em 1º de agosto), quando estive com ele: o Wladimir está saindo muito forte disso tudo (após a retirada da pré-candidatura do pai, Anthony Garotinho, na convenção estadual do União em 31 de julho, para apoiar a reeleição de Castro). Nós estivemos lá com o governador Cláudio Castro: eu, Wladimir e Washington Reis, que é candidato a vice-governador. Eu acompanhei o quanto Wladimir sofreu nesse período, porque a família dele não queria apoiar Castro. O Garotinho se lançou o governador, e o Wladimir com um sentimento honesto de gratidão ao que o governador fez por Campos, porque, quando nós assumimos a Prefeitura, pegamos terra arrasada, não tinha dinheiro nem para pagar salário, nem para pagar a conta de luz do mês, e quem nos socorreu foi o Governo do Estado. Isso tem que ser dito e reafirmado. Quem ajudou ao início do governo foi o governador Cláudio Castro, que estendeu a mão. E eu digo que nós não fomos de pires na mão, fomos de prato fundo, porque não tinha dinheiro para nada. Nós achamos R$ 3 milhões na Prefeitura. Com R$ 3 milhões, você não paga nada. Depois, claro que a arrecadação melhorou, royalty melhorou, arrecadação própria melhorou, mas foi depois. E Wladimir honrou isso, por isso ele sofreu, porque gratidão é inegociável. Imagina: seu pai é candidato a governador, e você está apoiando outra pessoa ou quer apoiar outra pessoa. Então, ele sofreu muito. E segurou firme. Mas pedi ao governador que também honrasse com o Wladimir essa capacidade que ele teve de resistir e segurar firme o apoio ao governador. Tanto é que toda a campanha do governador no Norte Fluminense vai ser do Wladimir e do Welberth (Rezende, Cidadania), prefeito de Macaé.

Tentativa da oposição de reduzir remanejamento do Orçamento de 30% a 5% – Isso aí, pelo Bom Senso Futebol Clube, não pode acontecer. Vamos lá: 30% é muito? Vamos colocar para 20%, 25%, o que for. Agora, tem que entender: o orçamento é uma projeção. “Ah, eu sou oposição porque tenho raiva do Frederico e do Wladimir”. Pelo amor de Deus! Imagina você iniciar o ano planejando gastar R$ 20 mil. Por alguma coisa, esse gasto vai para R$ 15 mil ou para R$ 25 mil. Ou seja, você vai ficar engessado naquilo ali? Cinco % não é nada. Cinco % é querer colocar uma situação, desculpe a franqueza, de chantagear o governo. Colocar um remanejamento desse é querer estar com a faca no pescoço de qualquer governo, seja municipal, estadual ou federal. A oposição sabe que não é possível trabalhar dessa forma. Então, há de se haver, repito, um bom senso. “Ah, não concordamos com 30%. Vamos baixar para 20%, 25%, 15%”. É negociar. Agora, ficar querendo botar a guilhotina ali, para, a hora que lhe convier, apertar o que a gente chama de garrote na roça, sufocar o boi? E a população está vendo isso. A gente vê que o governo Wladimir teve tantos avanços na área da Saúde, Educação; tem gargalos ainda no transporte que vamos melhorar. A população vê aonde a gente quer ir. A oposição verdadeira tem que criticar os erros. É muito bom, por exemplo, na área da Saúde, quando a gente vê crítica construtiva: “Está com um problema lá na UBS tal, está com um problema ali, está com um problema aqui”. Isso faz com que a gente avance. A crítica é boa. Quando a gente vê a crítica boa, faz com que você procure melhorar. Quando está tudo bem, todo mundo elogiando, você acaba se acomodando. Então, a oposição para criticar é importante, para a gente ouvir, escutar. Mas, a oposição só para ser oposição, não. E a população está enxergando quem está simplesmente criticando por criticar, quem está fazendo oposição para ter algum benefício próprio.

Eleição de Marquinho Bacellar presidente da Câmara anulada – Não foi eleito. Inclusive, saiu ontem (quinta) à noite um parecer do Ministério Público Estadual, que está lá no Tribunal, sendo julgado, favorável à anulação da eleição. Mas é fato que o vereador Nildo Cardoso (União) não votou. Isso é fato. Tem a posição dele, mas não votou. Então, isso é incontestável, tanto é que ganhou em Campos; no Rio de Janeiro agora já teve uma liminar favorável, dizendo que a eleição realmente foi anulada; teve agora um parecer ontem à noite, do Ministério Público dizendo que a eleição foi anulada. Por mais que se fala que a gente sabia que Nildo Cardoso ia votar em fulano ou beltrano, o fato real, todo mundo sabe, é que ele não votou. Portanto, a eleição está anulada e vai ter outra eleição na hora certa, até dia 31 de dezembro, porque tem que ter este ano.

Caso Ceperj – Precisa ser apurado se alguns desses cargos eram meramente de indicação ou deveriam ter passado por processo seletivo. Não vamos ficar de hipocrisia. Indicação, se tem cargo ali que pode ser indicado, é claro, isso faz parte da política mundial, no Brasil mais ainda: você vai indicar pessoas de sua confiança. Se é cargo de processo seletivo, precisa apurar. Acredito que o Ministério Público vai apurar se não houve processo de seleção. Agora, pior do que isso é o funcionário ou a pessoa não trabalhar. Pessoas “fantasmas” são pessoas que recebiam, a grande mídia nacional está dando nomes, e não trabalhavam. Mais grave, muito grave, é se a pessoa recebeu sem trabalhar. Eu ando muito no meio do povo, a Coagro tem 3 mil funcionários. Eu gosto de conversar com as pessoas, gosto de ouvir. E ouvi de gente que recebia R$ 1 mil e me perguntou: “Doutor, o senhor tem um advogado bom para me indicar?”. Humilde, pobre. Ficava com R$ 500 e devolvia o resto. Então, isso me deixou muito assustado. Eu ouvi isso de uma pessoa, desesperada. Falei: “Calma. Você vai ter que falar a verdade. O Ministério Público deve te chamar, você chega lá e fala o que aconteceu”. Então, isso é muito preocupante na medida do tamanho em que isso está se avolumando. Ao contrário do que muita gente está falando, a grande mídia nacional, a Globo, o UOL não está com informação de denúncia de político, não. Pegou um fio ali, uma denúncia de ex-funcionário; até próprio funcionário do Bradesco denunciou esses saques na boca do caixa. E foi puxando o fio. Essa imprensa investigativa não vai parar, porque são fatos graves, precisam ser apurados. O Ministério Público está em cima. Independente de qualquer situação, deve haver apuração, até para eximir de culpa aqueles que trabalharam. Então, não dá para ficar também generalizando, pegar uma lista e falar que é porque fulano é parente de beltrano, ligado ao vereador ou deputado tal. Se for comprovado que houve rachadinha, Rachalão como já estão chamando, o que leva isso? Qual é o raciocínio? Está na grande mídia: pessoas ganhando R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil, R$ 150 mil, sacando na boca do caixa. O que leva? É a certeza da impunidade? Não dá para entender.

Vereadores citados no Ceperj cobram RPAs – Como não sou de fugir de assunto, a questão de RPA, acho que, não sei se vai dar tempo ainda no governo Wladimir ou se no próximo governo, de Wladimir ou de quem quer que seja, vai caminhar para uma solução definitiva. Qual é a solução definitiva? Ou contratação, que está na lei, de empresas terceirizadas para prestar o serviço, porteiros, faxineiros, diversos cargos que a Prefeitura precisa. Se essa contratação deve ser feita de outra forma, se tem que passar por um processo diferente. Isso tem que ser feito. Ponto. Agora, eles estão trabalhando. São pessoas que estão lá no postinho médico, estão lá na escola, varrendo, limpando, abrindo, acendendo a luz, apagando a luz na hora que sai. Pessoas humildes que estão trabalhando. E sempre teve. O governo Rafael teve, o governo da Rosinha teve, o do Arnaldo Vianna teve, Mocaiber. E agora tem no nosso governo também. Nosso querido professor Wainer tem feito um trabalho de projetos e evolução para que se dê uma solução definitiva na questão do RPA. Essa solução não é barata, porque envolve toda uma questão de contratação. As empresas que forem ser contratadas têm que ter lucro. Existe uma solução para isso. Não é fácil, não é rápida, mas vai acontecer.

Eleição a deputado federal e estadual – Dei uma entrevista aqui, no início do ano, em que falei da questão do voto no representante regional. Mantenho essa afirmação. Nós temos que eleger o maior número possível de deputados que se identificam com a nossa região. Pode não ser de Campos, mas que representa a gente. Faço um apelo à população que votem nos deputados estaduais e federais da nossa região. Não podemos votar em gente que só vem aqui de quatro em quatro anos e não sabe o problema da dona Maria, do seu José lá de Tocos. Falando em capacidade de votos: o Garotinho, se ele não sair de casa, se não fizer campanha, vai fazer mais de 100 mil votos. Pode escrever. Ele tem o eleitorado dele, tem um grupo; é um político que não é só de Campos. Estive lá na Baixada (Fluminense) com nosso querido Washington Reis e fiquei impressionado em como o Garotinho é querido lá. E a Baixada tem milhões de pessoas. Não estou aqui pedindo votos para A, B ou C. Estou pedindo votos, sim, para os deputados, seja lá qual for, da região. O Garotinho vai ser, provavelmente, o candidato a deputado federal mais votado do estado do Rio. O Rodrigo Bacellar, como candidato a deputado estadual, deve também ter também muito voto. Acho que Campos deve fazer três deputados estaduais e um ou dois federais. Muita gente perguntou se eu viria. Estou muito feliz em ajudar o Wladimir na Saúde e na Agricultura.

Senado – O Romário (PL) é político dele mesmo, não tem grupo político. Ele fez algumas coisas, mas a gente precisa de renovada nesse segmento. Senador é um cargo muito importante, com um poder de trazer benefícios para o estado e para a região muito forte. Eu acho, sinceramente, que a Clarissa (União) pode surpreender, principalmente se Bolsonaro der um apoio mais forte. O André Ceciliano (PT) é um bom nome, mas acho que está ainda patinando. E o (Alessandro) Molon (PSB) está dividindo a esquerda. A sua candidatura, acho que beneficia a Clarissa. Enfim, acho que pode ter uma surpresa grande aí na frente.

Governador – A preocupação do Castro deveria ser com Rodrigo Neves (PDT). Eu faço um desafio: nós vamos sair daqui, vamos caminhar, sair daqui pelo Centro, vamos caminhar no Mercado Municipal, no Centro da cidade e vamos perguntar: quem é Freixo? Não tem voto. Vamos caminhar na Baixada, como eu faço com Washington Reis. Não tem voto. Eu não sei de onde vêm esses votos do Freixo que estão na pesquisa. É na Zona Sul do Rio de Janeiro? Já o Rodrigo Neves, ele pode crescer. Aí, sim, se tiver um segundo turno entre Castro e Neves, acho que vai dar um trabalho. Se for com Freixo, o segundo turno é pule de 10 (para Castro).

Presidente – Muita gente fala: “Ah, as pesquisas estão erradas”, às vezes na emoção, no coração. Eu acho que as pesquisas, não é que elas estejam tendenciosas ou equivocadas. Eu acho que a pesquisa está, agora (com o crescimento do presidente Jair Bolsonaro), começando a mostrar uma realidade. Acho que os dois candidatos que se apresentam, apesar da posição distinta, têm muita coisa em comum. Quem falar que Bolsonaro, por exemplo, não apoia o social, e o que está sendo feito (com o novo Auxílio Brasil)? Quem falar que o Lula tem apoio de banqueiro, os bancos estão mostrando aí que estão com Lula. Nós não temos alternativas. O Ciro Gomes (PDT) não se mostrou ainda um candidato viável. Nem a da (Simone) Tebet, que é do meu partido, MDB. É lamentável que a gente não tenha uma opção viável eleitoralmente. Então, você vai ter que escolher. Vai ser um plebiscito: concordo com isso, discordo daquilo.

“Economia bombando” – Eu acho que não é só o fato de você dar dinheiro a quem precisa. É o fato de a economia do país estar bombando. Nós saímos de uma pandemia, tivemos uma recessão violenta pela parada da produção mundial, e ainda veio a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que impactou no preço do petróleo a nível mundial. Então, por mais que se tenha uma resistência, é fato que a economia brasileira está tendo uma reação forte, e isso é muito importante para nós. Independente de posição, o desemprego está diminuindo, as indústrias estão crescendo, a agricultura está crescendo no país, geração de emprego. A popularidade vai subindo, e a rejeição, diminuindo. Então, aí vem essa injeção de recursos agora, que, por mais que se fale em quem vai pagar essa conta, esse dinheiro vai para o comércio. A pessoa que tem direito a receber esse auxílio emergencial vai pegar o dinheirinho dele e comprar comida, roupa, remédio. Agora, sinceramente, eu acho que, na legislação eleitoral, deveria ser proibido. Isso tem que ser feito antes (do ano eleitoral). É uma opinião.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

Confira abaixo, em dois blocos, a íntegra da entrevista do vice-prefeito Frederico Paes ao Folha no Ar da manhã de ontem:

 

 

 

Lula, Bolsonaro, defesa da democracia e pesquisas da semana

 

Lula, Bolsonaro, a defesa da democracia e como ela joga nas pesquisas

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

A semana foi marcada pelos atos em defesa da democracia no Brasil, diante das ameaças reincidentes de golpe do presidente Jair Bolsonaro (PL)? Sim, foi. Lembraram as belas olas (“ondas”) humanas que se desenvolvem desde a Copa do Mundo do México de 1986, quando se presta mais atenção ao que se passa nas arquibancadas. A quem presta mais atenção ao que se passa dentro do campo, e à alteração do placar, marcaram mais três pesquisas presidenciais da mesma semana. Uma foi nacional, duas circunscritas aos dois maiores colégios eleitorais do país.

Divulgada na segunda (8) e feita da sexta (5) ao domingo (7) anteriores, a primeira pesquisa foi a nacional do instituto FSB, contratada pelo banco de investimentos BTG Pactual. Que, comparada com a pesquisa BTG/FSB anterior, divulgada em 25 de julho, revelou que o capitão tirou quase metade da vantagem do petista. Na consulta estimulada ao 1º turno de 2 de outubro, daqui a exatos 50 dias, Lula tinha 44% de intenções de voto e caiu a 41%. Bolsonaro tinha 31% e subiu a 35%. A diferença entre os dois era de 13 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu quase metade para 7 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A tirada de diferença de Bolsonaro para Lula foi fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, tanto na BTG/FSB de 25 de julho, quanto na de 8 de agosto. E não se deu só sobre a projeção para as urnas do 1º turno. Em 25 de julho, na projeção ao 2º turno de 30 de outubro, Lula venceria Bolsonaro por 54% a 36% das intenções de voto. Já em 8 de agosto, Lula continuaria vencendo a disputa final, mas por 51% a 39%. A diferença no 2º turno cada vez mais provável entre o petista e o capitão era de 18 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu um terço para 12 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Fundamental à definição do 2º turno, a rejeição também veio com diferença bem menor entre Bolsonaro e Lula. Na BTG/FSB de 25 de julho, o capitão apareceu com 58% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum, contra 42% do petista. Pelo mesmo instituto, em 8 de agosto Bolsonaro reduziu a rejeição em 6 pontos, aos atuais 52%; enquanto Lula subiu a sua em 3 pontos, aos 45% de hoje. A diferença no índice negativo entre os dois era de 16 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu na exata metade para 8 pontos. Com a rejeição de ambos próxima aos 50%, qualquer resultado no 2º turno passa a ser aritmeticamente possível.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O contraste entre as BTG/FSB de 25 de julho e 8 de agosto mostrou de onde saíram as intenções de voto perdidas por Lula e achadas por Bolsonaro. Houve estabilidade entre os eleitores com renda familiar até 1 salário mínimo, de 1 até 2 mínimos e de mais de 5 mínimos. A alteração não se deu no voto dos pobres e ricos, mas da classe média. Entre os que ganham de 2 até 5 mínimos, Bolsonaro passou dos 36% de intenções de voto a 42%; enquanto Lula caiu de 39% aos 30% de hoje. O motivo? O preço dos combustíveis, que 44% dos brasileiros já achavam um pouco menores em 25 de julho. Mas, em apenas 14 dias, chegaram a 50%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A segunda pesquisa da semana foi a Genial/Quaest no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com seus 34,6 milhões de brasileiros aptos a votar. Feita entre a sexta e a segunda anteriores, foi divulgada na mesma quinta (11) e sobre o mesmo estado em que se deu o lançamento da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito” na Faculdade de Direito da USP. E o retrato da democracia entre os paulistas foi o empate técnico, na margem de erro de 2,4 pontos. Na consulta estimulada ao 1º turno: 37% a Lula, contra 35% a Bolsonaro. Entre julho e agosto, o petista manteve o que já tinha, enquanto o capitão cresceu 3 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A pesquisa paulista foi finalizada na véspera da terça (9) em que começou a ser pago o Auxílio Brasil anabolizado de R$ 600,00 a 20,2 milhões de brasileiros pobres. É custeado com os 41,2 bilhões da PEC Kamikaze, rasgando a legislação eleitoral que proibia incremento de programa social em ano eleitoral. Aprovada no Congresso com o apoio do PT e da oposição, é uma Chequinho em escala nacional. Que, a título de matar a fome do pobre, mas só até 31 de dezembro, se destina a comprar o voto do eleitor com o qual Lula tem sua maior vantagem sobre Bolsonaro.

Ainda sem esse dinheiro chegar, a Genial/Quaest paulista de agosto trouxe dados reveladores quando comparada à de julho. Entre o eleitorado do estado que recebe o Auxílio Brasil, Lula ainda lidera isolado. Mas caiu 3 pontos: de 54% a 51% de intenções de voto. No mesmo período, Bolsonaro cresceu significativos 9 pontos: de 20% a 29% no voto dos pobres, eleitor mais majoritariamente lulista, em SP.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A terceira pesquisa da semana foi a Genial/Quaest no estado de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com seus 16,2 milhões de eleitores. Divulgada na sexta (12), foi feita do sábado (6) à terça (9) anteriores. Ou seja, mesmo que só no último dos seus quatro dias de campo, foi a primeira a pegar o primeiro dia de pagamento do novo Auxílio Brasil. Na consulta estimulada ao 1º turno, Lula ainda lidera fora da margem de erro de 2 pontos. Mas caiu 4 pontos de julho a agosto: de 46% a 42% de intenções de voto. Enquanto Bolsonaro cresceu 5 pontos, de 28% a 33%. A diferença entre os dois, que era de 18 pontos entre os mineiros, caiu na exata metade para 9 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O motivo? Entre as Genial/Quaest de julho e agosto, só entre o eleitorado de MG que recebe o Auxílio Brasil, Lula caiu 7 pontos, de 60% a 53% de intenções de voto. No mesmo período, Bolsonaro cresceu os mesmos significativos 9 pontos que ganhou entre os paulistas. E passou de 16% a 25% entre os mineiros que receberam o benefício federal, anabolizado de R$ 400,00 a R$ 600,00 com o apoio do PT e da oposição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Getúlio Vargas

Mais do que os novos eleitores majoritariamente lulistas que o capitão arregimentou só entre os mineiros, seu avanço total de quase dois dígitos no estado que melhor dá a média nacional é emblemático. O último presidente eleito do Brasil, perdendo em Minas Gerais, foi um tal de Getúlio Vargas. Como foi em 1950, quando bateu o brigadeiro Eduardo Gomes ainda em pleito de turno único, faz um tempinho.

A defesa da democracia é necessária. Mas não quando os contentes consigo mesmos, com suas olas da arquibancada, ignoram o placar alterado pelo jogo dentro do campo.

 

Missa de 1 ano e placa de Marcelo Lessa no MP que batiza

 

Placa de Marcelo Lessa, que batiza o prédio do MP de Campos, foi instalada hoje (Foto: Reprodução)

 

Hoje foi instalada no prédio do Ministério Público de Campos a placa de um dos promotores que mais marcou a instituição: Marcelo Lessa Bastos, falecido precocemente em 15 de agosto de 2021. Sua viúva Viviane e seus filhos Maria Fernanda e Gabriel convidam todos para a missa de 1 ano do seu falecimento. Será realizada às 11h da manhã deste domingo (14), na Capela do Censa, na rua Salvador Corrêa.

Marcelo passou a batizar o prédio do MP de Campos desde 24 de novembro do ano passado, como o blog noticiou no dia seguinte, a partir de resolução GPGJ nº 2.441 do procurador-geral do RJ, Luciano Oliveira Mattos de Souza. De quem é agora esperada a vinda, talvez ainda no final deste mês, para a inauguração oficial da placa.

 

Safra, Ceperj e urnas de outubro no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vice-prefeito de Campos e presidente da Coagro, Frederico Paes (MDB) é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (12), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a safra da Coagro, a expectativa de reabertura da usina Paraíso e o impacto de ambas na economia de Campos. Falará também sobre a disputa entre Garotinhos e Bacellar, a relação entre Executivo e Legislativo municipais e a crise do Ceperj.

Por fim, Frederico tentará projetar as urnas de outubro a deputado estadual e federal da região, senador, governador do RJ e presidente da República. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Números da democracia e Bolsonaro no eleitor de Lula

 

Na defesa da democracia, o vazio marcou mais presença hoje no auditório Cristina Bastos, do campus Campos/Centro do IFF (Foto: Genilson Pessanha/Folha da Manhã)

 

No final da manhã de hoje, o Sinasefe promoveu nos campi do IFF manifestações simultâneas com a Faculdade de Direito da USP. Cujo lançamento e leitura da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do estado democrático de direito” foi transmitido ao vivo. Nos campi do IFF de Quissamã e Cambuci, até que o evento teve público razoável. Mas no campus Campos/Centro, o maior do IFF, com seus cerca de 8 mil alunos e 700 servidores, compareceram ao audiório Cristina Bastos apenas 20 pessoas.

Também de São Paulo, outro ângulo da democracia foi retratado em pesquisa Genia/Quaest naquele estado, maior colégio eleitoral do país. Divulgada nesta quinta (11), foi feita entre as últimas sexta (5) e segunda (8), véspera da terça (9) em que começou a ser pago o Auxílio Brasil anabolizado de R$ 600,00 a 20,2 milhões de brasileiros pobres. Que é o eleitor com o qual o ex-presidente Lula (PT) tem a sua maior vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Realizada só na expectativa desse dinheiro chegar ao povo, a pesquisa de agosto trouxe dados reveladores quando comparada à mesma Genial/Quaest de julho. Apenas entre o eleitorado paulista que recebe o Auxílio Brasil, Lula ainda lidera isolado. Mas caiu 3 pontos, de 54% a 51% das intenções de voto. No mesmo período, Bolsonaro cresceu significativos 9 pontos. Passou de 20% a 29% no voto dos pobres do maior colégio eleitoral do país.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em todos os 34,6 milhões de eleitores paulistas, Lula e Bolsonaro estão tecnicamente empatados na margem de erro de 2,4 pontos da Genial/Quaest. Na consulta estimulada ao 1º turno, o petista ficou com 37% das intenções de voto, contra 35% do capitão. Mas isso foi antes do benefício de R$ 600,00 do governo Bolsonaro, aprovado no Congresso com o voto da oposição, entrar no bolso do eleitor majoritário de Lula. Até a véspera, só em São Paulo, o capitão já contabilizava mais 9 pontos, ou 3,1 milhões de novos votos entre os pobres.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

HIV, Covid e varíola dos macacos no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Assistente social e presidente da Associação Irmãos da Solidariedade, Fátima Castro é a convidada do Folha no Ar desta quinta, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ela falará sobre os 34 anos da Associação dedicada à proteção e tratamento dos soropositivos de HIV em Campos e região.

Fátima também falará do mundo do surgimento do HIV, no final dos anos 1970, à explosão da doença nos anos 1980, até a pandemia da Covid-19 e o surgimento mais recente da varíola dos macacos, com dois casos confirmados em Campos e que tem transmissão também pelo contato sexual.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

“Escândalo da Ceperj é misto de rachadinha com Mensalão”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Matheus Berriel e Ícaro Abreu Barbosa

 

“O Ceperj parece um misto de rachadinha e Mensalão”. Foi assim que o estrategista político Orlando Thomé Cordeiro definiu o escândalo que explodiu no governo do RJ. E que, segundo o Ministério Público, gerou mais de R$ 220 milhões em saques na boca do caixa por funcionários fantasmas, com os nomes citados de 10 dos 13 vereadores de oposição de Campos, além do deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL). Orlando foi o entrevistado da manhã de ontem no Folha no Ar, quando analisou a política goitacá, dividida entre Garotinhos e Bacellar. E apostou que seus dois líderes, o ex-governador Anthony Garotinho (União) e Rodrigo, serão, respectivamente, o deputado federal e o estadual mais votados da região. Na eleição a senador, ele analisou o favoritismo de Romário (PL) nas pesquisas, assim como de Cláudio Castro (PL) e Marcelo Freixo (PSB) a governador. Mas, para ele, o adversário mais difícil de ser batido por Castro no segundo turno seria Rodrigo Neves (PDT), ex-prefeito de Niterói. Projetou também o segundo turno na eleição presidencial. E, mesmo reconhecendo a recuperação de Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas, acredita na vitória final de Lula (PT), numa batalha entre rejeições.

 

Orlando Thomé Cordeiro

 

Política de Campos entre Garotinhos e Bacellar – Para quem é de fora da região e não acompanha, a figura de (Rodrigo) Bacellar é uma figura que não existia. O Garotinho já tinha, nos últimos 20 anos, se projetado regional e nacionalmente. Então, quando se falava de política de Campos para nós, aqui da Região Metropolitana e para fora do estado do Rio, a associação imediata era com o Garotinho. A ascensão dos Bacellar, por intermédio da sua figura mais proeminente hoje politicamente, que é o Rodrigo Bacellar, constitui uma novidade. De um lado, o Garotinho conseguiu construir a sua imagem a partir da sua competência como radialista. Garotinho, em que pesem todas as acusações e problemas que teve em seus governos e da sua esposa, é uma figura que mantém um capital político e eleitoral considerável. Tanto assim que foi objeto, neste ano, como em anos anteriores também, de todas as formas de cerceamento à sua tentativa de se candidatar ao Governo do Estado, patrocinadas pelo Bacellar e pelo governador Cláudio Castro. Porque seria ele, Castro, o maior prejudicado eleitoralmente. Garotinho é um fenômeno indiscutível, que tem um traço popular e populista. Populista na forma de governar, e popular na sua capacidade de comunicação.  Já o Rodrigo Bacellar nos parece um pouco ter outro estilo: o estilo da articulação Assembleia Legislativa, onde ele está como deputado; na articulação no governo. Ele conseguiu ascender junto aos seus pares no processo de impeachment do Witzel, e isso o colocou com projeção na mídia. Mas, em termos da disputa local entre os dois, eu acompanho por conta do WhatsApp, das notícias, da Folha da Manhã, ela é muito presente na disputa na Câmara de Vereadores.

Pacificação? – Eu não diria nem pacificação. Com o enquadramento do Garotinho, que, como ele mesmo disse, foi impedido de se candidatar (a governador) pelo partido (União) e a declarar apoio ao Cláudio Castro no primeiro turno, isso deu uma amenizada. Mas é só aquela calmaria que vem antes da tempestade. Conhecendo o temperamento do próprio Anthony Garotinho, tenho a impressão de que vai ter troco. Isso não vai ficar barato, não. Mesmo não sendo nessa eleição, vai ter troco mais para frente. Até porque, o Garotinho, mesmo com todos esses conflitos, essas contradições e as brigas até no interior da própria família. Agora tem uma situação que é a Clarissa tentando se viabilizar como a candidata do Bolsonaro (ao Senado), enquanto o candidato do partido do Bolsonaro oficial é o Romário. Eu acho que esse recuo do Garotinho também tem a ver com a preservação do mandato do filho como prefeito (de Campos) e da possível eleição, da disputa eleitoral da filha.

Abraço de Castro a Garotinho – O amor é lindo, o que estraga é só a falsidade (risos).

Remanejamento do orçamento e composição da Mesa Diretora na Câmara de Campos – Cada vez mais, os legislativos têm procurado tomar para si o protagonismo da quase totalidade do orçamento. Então, quando se fala de remanejamento, é a margem que o Poder Executivo procura negociar para poder justamente fazer isso: administrar os recursos orçamentares segundo as demandas que vão surgindo ao longo do exercício anual. E quando você reduz para 5%, como eu não sabia que São João da Barra já tinha aprovado isso, a margem de manobra do Executivo é próxima de zero. Literalmente, não tem o que fazer. Até porque, boa parte do orçamento federal, estadual e municipal é composta pelas chamadas despesas obrigatórias. A relação do Executivo de Campos com a Câmara Municipal sempre conflituosa. É uma cidade que, mesmo sendo do interior, tem um peso político, um orçamento robusto, uma liderança regional. Acho que essa articulação que envolveu o Wladimir, o recuo do Anthony Garotinho, a aproximação com o Cláudio, pode ter tido como uma das contrapartidas a resolução desse impasse na Câmara de Campos. Mas, pelo que acompanhei, não necessariamente o Rodrigo Bacellar vai cumprir esse acordo, se é que ele aconteceu.

Escândalo do Ceperj – Isso surgiu há aproximadamente pouco menos de um mês, graças a uma ação jornalística investigativa de um grande jornalista, a quem mando aqui o meu abraço, que é o Ruben Berta, de quem gosto muito. Hoje está trabalhando no Grupo UOL. A partir daí, com a sucessão de denúncias que estavam ainda restritas à apuração dele e depois acompanhadas por um outro jornalista, Igor Mello, a Rede Globo de Televisão repercutiu o assunto. O Ministério Público entrou com poderes legais para fazer isso e surgiram mais informações. Foi a partir da investigação do Ministério Público que surgiu a lista dos beneficiados e do volume de dinheiro alocado para esse tipo de trabalho. Lembrando que a primeira denúncia do Ruben Berta falava do número de pessoas: tem 18 mil cargos secretos no Ceperj. É aquela história: você puxa um rabo de lagartixa e vem um jacaré. Então, o jacaré está vindo. No debate de domingo, na Band, o governador foi pouco espremido em relação a isso e acabou saindo pela tangente. O que o governo fez? O governo, depois da pressão, criou uma comissão interna, exonerou o presidente do Ceperj. Mas parece que integrantes da comissão nomeada para apurar, no passado, já receberam dinheiro na boca do caixa. Não nesse do Ceperj, mas em outras ocasiões. E o vice-presidente da comissão teria sido indicado pelo deputado (estadual) Rodrigo Amorim (PTB), aquele que quebrou a placa da Marielle em ato absolutamente absurdo, antidemocrático, desumano. E esse vice-presidente indicado teria comprado uma Mercedes usada por R$ 169 mil, mas quem pagou a operação comercial à agência que vendeu a Mercedes é um dirigente do Instituto Fair Play, que, por acaso, é um dos institutos contratados pelo Ceperj para fazer um dos programas, com recursos vultuosos. Então, acho que isso ainda vai fazer o governo sangrar. Porém, já me antecipando, sangrar não significa que será suficiente para ser derrotado. Mas, que vai sangrar, vai.

Rodrigo Bacellar vai sangrar também? – Não tenho dúvida de que vai sobrar para ele. Esse esquema me parece um misto de rachadinha, que já foi escândalo lá atrás, e Mensalão. Por que um misto? Porque ele tem no Poder Executivo o centro da distribuição do dinheiro, via Ceperj, e tem como favorecidos parlamentares e seus indicados, apadrinhados na base do governo. Então, quem foi o grande articulador do governo Cláudio Castro? Foi Rodrigo Bacellar. Aliás, é um governo que tem no seu núcleo de articulação dois Rodrigos: o Rodrigo Bacellar e o Rodrigo Abel. O Rodrigo Abel fica mais nos bastidores. Tem também um terceiro Rodrigo, que ajuda informalmente, que é o Bethlem. E um candidato que está disputando com ele (Cláudio Castro) também se chama Rodrigo, que é o Neves. Ou seja, nós estamos vivendo uma certa inflação de Rodrigos na disputa do Estado do Rio de Janeiro. Mas, eu acho que isso pode chegar no Rodrigo Bacellar, sim. Eu não conheço o Rodrigo Bacellar pessoalmente, o conheço como figura pública. O vi despontar na época impeachment do Witzel. Conversei com alguns pares, alguns parlamentares que são de minha relação pessoal, perguntando exatamente quem é essa figura, de onde surgiu, como ele é. Muita gente elogia a capacidade de articulação dele. Então, ele é um cara que tem essa virtude, essa competência. Mas, não nos esqueçamos de que a principal figura de articulação do governo Lula, na época do Mensalão, caiu, que foi o Zé Dirceu (PT). Independente do juízo de valor sobre as ações dele, indiscutivelmente tem uma competência de articulação, de análise política. E, mesmo assim, foi sacrificado. Não acho que vai ser caso de perda de mandato, nada disso, mas deve chegar ao Rodrigo Bacellar, sim.

Garotinho a federal e Bacellar a estadual como os prováveis mais votados da região – Se a gente pegar as últimas eleições gerais, Campos e região sempre conseguiram eleger representantes. Sempre. Nunca deixaram de ter. Norte tem em termos de número de eleitores, de força política, ela é limitada. Então, acho que esse conjunto enorme de candidaturas, seja para federal, seja para estadual, no frigir dos ovos, tende a se concentrar em dois federais, dois estaduais. Não se concentrar em termos de acordo entre eles, mas de resultado final da eleição. É complicado. Até o voto cair na urna, é um trabalho danado. Como dizia Tancredo Neves: “político teve voto, não tem voto, poderá ter”. É óbvio o potencial eleitoral do Garotinho para federal, do Rodrigo Bacellar para estadual, do próprio Bruno Dauaire (União), que será o candidato apoiado pelo Wladimir para estadual. O peso da máquina numa eleição como essa, ainda mais no interior do estado, tem relevância. Eu acho que elege dois federais e elege de dois a três estaduais. Falo Campos, mas é Campos região. Não sei qual é o potencial eleitoral para uma eleição legislativa, por exemplo, da Carla Machado (PT). Disputou uma a estadual e não se elegeu. Em relação ao Garotinho, em particular, eu tenho a impressão de que o Garotinho talvez tenha hoje mais votos para deputado federal na Baixada Fluminense, aqui na Região Metropolitana do Rio, do que na própria região de Campos. A liderança de Garotinho naquela região é viva até hoje. Se pegar as pesquisas de quando ele ainda estava como pré-candidato a governador, ele sempre batia ali nos dois dígitos, perto de 10%, muito por conta da Região Metropolitana e da Zona Oeste do Rio. Então, eu acho que o Garotinho tende a ser o candidato a federal mais votado da região, na minha opinião. Pensando na eleição dos estaduais, acho que, na região, o Rodrigo Bacellar vai ser o mais votado. E, na minha opinião, ele disputa entre os mais votados das 70 vagas. Acho que ele vai vir com muita força nessa eleição para estadual.

Liderança de Romário nas pesquisas a senador – O Romário é um fenômeno político interessante, peculiar. Ele foge muitas vezes a percepção dos analistas políticos. Aquela participação desastrosa na disputa para governador do Rio marcou muito a imagem de um sujeito despreparado, incompetente. O Romário é um fenômeno eleitoral tanto pelo passado dele como jogador de futebol quanto, vamos dizer assim, pela língua solta… apesar dele ter língua presa. Ele fala as coisas e ele não tem nenhum compromisso com coerência. Já deu pancada no Bolsonaro, hoje apoia o Bolsonaro, já deu pancada no Eduardo Paes, já apoiou Eduardo Paes. Mas ele tem um trabalho parlamentar que viabiliza muitas emendas parlamentares e ele se tornou uma figura relevante, reconhecida no apoio às pessoas com deficiência. Causa em que atua até por conta da filha dele. Não me surpreende que o Romário esteja na frente nas pesquisas; é um voto popular e que não tem nada a ver com, vamos dizer assim, narrativa política ou com questão ideológica. É uma figura mítica, é um ídolo. Agora, ele está reeleito? Eu o considero favorito. Mas acho que é possível que surja algum nome para enfrentá-lo.

Eleição a governador – Bom, a eleição para governo do Rio de Janeiro apesar das pesquisas estimuladas apontarem hoje uma disputa concentrada em Castro e Freixo, Freixo e Castro, está longe de estar resolvida. A grande maioria da população não tem candidato a governador, podemos considerar que há um grau de desconhecimento alto. O indicador na minha opinião mais importante para colocar na mesa é o que as pesquisas indicam como percentual de rejeição, no qual Freixo é campeão. Então esse é o esse é o grande problema para ele. Ele está fazendo uma um esforço desde que saiu do Psol e foi para o PSB. Trouxe o César Maia (PSDB) para ser vice, trouxe figuras importantes como Armínio Fraga (ex-presidente do Banco central no governo Fernando Henrique) para apoiá-lo, na perspectiva de ser uma alternativa mais ao centro. Com uma visão progressista, não radical. A questão é, mesmo considerando o esforço, a imagem do Freixo ainda está muito associada à época de Psol. O Cláudio Castro com a máquina, a não ser que se descubra um escândalo muito maior do que esse do Ceperj, está no segundo turno. A disputa é o seguinte: quem vai para o segundo turno com ele? Freixo, que hoje é o favorito a ocupar essa posição, ou Rodrigo Neves? Se o Freixo for para o segundo turno contra Cláudio Castro, as chances de vitória do Castro aumentam. Se o Rodrigo Neves for para o segundo turno, as chances de vitória do Castro diminuem.

Recuperação de Bolsonaro na pesquisa BTG/FSB – A grande maioria que declara voto em Bolsonaro o faz não porque seja bolsonarista raiz, mas porque não quer a volta do PT e do Lula. E uma parte considerável dos apoiadores de Lula não é formado por lulopetistas, mas por gente que quer tirar o Bolsonaro, que é um grande risco para a democracia mesmo. Então no primeiro turno nós já vamos ter uma eleição polarizada pela rejeição e não pelo apoio das ideias. Mas o Bolsonaro é competitivo. Ele é competitivo, mas não é o favorito. Eu acho que mesmo essa recuperação tende a não ser suficiente para lhe garantir a vitória no segundo turno. E aquele sonho de uma noite de verão que muita gente falava “uau, vamos votar no Lula para ganhar no primeiro turno” não vai se não vai se concretizar. O Lula, mesmo quando estava no auge da popularidade do governo, foi para o segundo turno. Quando ele lançou a Dilma (PT), em 2010, teve segundo turno. Até porque ao contrário do que muitos petistas querem desconhecer, a rejeição ao PT e ao Lula não acabou. Com tudo isso, eu acho que Bolsonaro não ganha essa eleição. Porque boa parte do eleitor que não vota no Lula no primeiro turno, no segundo turno entre Bolsonaro e um cachorro, vota no cachorro.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

Onde e como Bolsonaro encurtou a diferença para Lula

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula cai, Bolsonaro cresce

Sempre questionadas pelos bolsonaristas, por registrarem em todo o ano de 2022 a liderança de Lula (PT) à corrida presidencial de outubro, as pesquisas passaram a ser a esperança real de Jair Bolsonaro (PL). Na segunda (8), foi divulgada a nova BTG/FSB, feita de sexta (5) a domingo (7). Que, comparada com a pesquisa do mesmo instituto, divulgada em 25 de julho, revelou que o capitão tirou quase metade da vantagem do petista. Na consulta estimulada ao 1º turno, Lula tinha 44% de intenções de voto e caiu a 41%. Bolsonaro tinha 31% e subiu a 35%. A diferença entre os dois era de 13 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu para 7 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No 2º turno

A tirada de diferença de Bolsonaro para Lula está fora da margem de erro. Que foi de 2 pontos para mais ou menos, das duas últimas pesquisas BTG/FSB, de 25 de julho e 8 de agosto. E não se deu só sobre a projeção para as urnas do 1º turno de 2 de outubro, daqui a 53 dias. Em 25 de julho, na projeção ao 2º turno marcado para 30 de outubro, Lula venceria Bolsonaro por 54% a 36% das intenções de voto. Já na BTG/FSB divulgada em 8 de agosto, Lula continuaria vencendo a disputa final, mas por 51% a 39%. A diferença no 2º turno cada vez mais provável entre o petista e o capitão era de 18 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu para 12 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na rejeição

Fundamental para a definição do 2º turno, a rejeição também veio com diferença menor entre Bolsonaro e Lula. Nas pesquisas BTG/FSB de 25 de julho, o capitão apareceu com 58% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum, contra 42% do petista. Pelo mesmo instituto, em 8 de agosto Bolsonaro reduziu a rejeição em 6 pontos, aos atuais 52%; enquanto Lula subiu a sua em três pontos, aos 45% de hoje. A diferença no índice negativo entre os dois era de 16 pontos. E, em apenas 14 dias, caiu pela metade: 8 pontos. Com a rejeição de ambos próxima aos 50%, qualquer resultado no 2º turno passa a ser aritmeticamente possível.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Por que crer na BTG/FSB?

Lula ainda é o favorito para as eleições presidenciais de outubro. Mas a possibilidade de vencer no 1º turno, retratada em várias pesquisas de junho, parece cada vez mais distante. Como os bolsonaristas que questionam as pesquisas, os lulopetistas podem lembrar que o banco de investimentos BTG Pactual, contratante do instituto FSB Pesquisa, teve entre seus fundadores Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro. Mas a verdade é que a BTG/FSB divulgada em 13 de junho também chegou a projetar a possibilidade de Lula liquidar a fatura em turno único. E, se projetou o que era a tendência de antes, também o faz agora.

 

Classe média migra voto

O contraste entre as BTG/FSB de 25 de julho e 8 de agosto mostrou de onde saíram as intenções de voto perdidas por Lula e achadas por Bolsonaro. Houve estabilidade entre os eleitores com renda familiar até 1 salário mínimo, de 1 até 2 mínimos e de mais de 5 mínimos. A alteração não se deu no voto dos pobres e ricos, mas da classe média. Entre os que ganham de 2 até 5 mínimos, Bolsonaro passou dos 36% de intenções de voto a 42%; enquanto Lula caiu de 39% aos 30% de hoje. O motivo? O preço dos combustíveis, que 44% dos brasileiros já achavam um pouco menores em 25 de julho. Mas, em apenas 14 dias, chegaram a 50%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O voto dos pobres

Essa migração de votos da classe média ainda precisa ser comprovada por outras pesquisas. Mas se a diminuição no preço do combustível provocou alteração eleitoral até 8 de agosto, é sobre quem não tem carro que o impacto pode ser ainda maior. Ontem, 9 de agosto, começou a ser pago o Auxílio Brasil anabolizado de R$ 600 a 20,2 milhões de brasileiros pobres. Mais o Auxílio Gás também anabolizado de R$ 110 a 5,6 milhões de famílias igualmente pobres. E é entre os pobres que Lula tem sua maior vantagem de intenções de voto sobre Bolsonaro. São as pesquisas feitas a partir de ontem que dirão o que será a eleição presidencial de outubro.

 

Auxílio Bolsonaro

Ninguém mais que Bolsonaro crê em pesquisas. Ele e seu coordenador político de campanha, ministro da Casa Civil e presidente do PP, Ciro Nogueira, certamente comemoraram a BTG/FSB de segunda. Nogueira chegou a projetar em maio uma virada de Bolsonaro sobre Lula nas pesquisas em junho, com a PEC dos Precatórios. Em que a União deu beiço nas dívidas para subir o Auxílio Brasil de R$ 170 a R$ 400. Mas, no lugar da virada, as pesquisas de junho deram a vitória de Lula no 1º turno. Nogueira reagiu com a PEC Kamikaze. Que rasgou a legislação eleitoral e furou o teto orçamentário para passar o Auxílio Brasil de R$ 400 a R$ 600.

 

Culpa no cartório

Lula também está atento às pesquisas e à BTG/FSB de segunda, que registrou sua perda de votos na classe média. Também preocupado com o que o Auxílio Brasil ainda pode causar no eleitor pobre, o petista disse ontem, em encontro na Fiesp: “Depois de três meses, há de se perguntar se o povo aceitará pacificamente a retirada de um benefício que está recebendo por causa das eleições”. Ele está certo, pois os benefícios só vão até 31 de dezembro. Se depois disso o país convulsionar e continuar governado por Bolsonaro, será por conta também do PT e da oposição. Que votaram a favor da PEC Kamikaze no Senado e na Câmara de Deputados.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Economia de Campos e nas urnas no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Economista e professor da Uenf, Alcimar Ribeiro é o convidado desta quarta (10) no Folha no Ar, ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará as perspectivas econômicas de Campos, São João da Barra, Norte Fluminense e Estado do Rio. Falará também da relação economia/eleição nas urnas de outubro a presidente da República.

Por fim, Alcimar analisará a situação econômica global com a Guerra da Ucrânia e a crise entre EUA e China por conta da república insular e separatista de Taiwan. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Eleição a governador e presidente no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Estrategista político e articulista do Correio Braziliense, Orlando Thomé Cordeiro é o entrevistado do Folha no Ar desta terça (9), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Da perspectiva da cidade do Rio, ele dará o olhar de fora sobre a política goitacá, na disputa entre Garotinhos e Bacellar. Também tentará projetar as eleições a deputado federal e estadual, senador e governador do RJ.

Por fim, com base nas últimas pesquisas eleitorais, Orlando tentará projetar a eleição a presidente da República, polarizada entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.