O homem e o mar — Atafona de dentro do Atlântico

Nadinho 1
Sobre as águas azuis do oceano, o “Paleta de Ouro” recebe visita (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Atafona vista do Atlântico (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Atafona vista do mar barrento já próximo da foz (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

O pescador se chamava Nadinho. Alto, ombros largos, alourado, pele clara curtida de sol, era um muxuango descrito por Alberto Lamego em “O homem e a restinga”. Levava os genes de corsários holandeses e ingleses que, em passado remoto, teriam encalhado próximos à foz do rio Paraíba do Sul.

No vingar desse sangue europeu setentrional pelas gerações, mesmo misturado ao de portugueses, negros e índios, a Ilha da Convivência passaria a ser também conhecida como “Ilha dos Olhos Azuis”. Foi nela que Nadinho nasceu e aos 10 anos aprendeu a pescar com o pai, Arnaldo — que lhe deu nome, repetido depois no neto, e ofício.

Às 4 da manhã, na escuridão do inverno antes do sábado nascer, o pescador levava passageiro ao navegar mais uma vez pela foz do Paraíba rumo ao Atlântico, na lida à qual se acostumou com menos companhia:

— Só eu e Deus! E quem está com Deus, não está sozinho!

Nadinho conduzia com segurança a roda do leme do “Paleta de Ouro”, dentro da cabine do barco de madeira de 11,2 metros, homônimo a um barco antigo do pai — como o filho era deste. O passageiro, atrás da cabine, olhava sobre esta e a proa para o oceano enegrecido de noite. Sentia na face o vento frio e úmido, enquanto aferia a linha do horizonte pelas luzes dos barcos saídos antes.

Com mar muito mexido a partir da pororoca — gerúndio em tupi do verbo estrondar — na boca da foz, as ondas grandes eram literalmente surfadas, uma a uma, com habilidade, pelo condutor do barco. Com um passado de intimidade com Iemanjá, o passageiro foi salgado no presente pela onda que lhe molhou a face e a máquina fotográfica pendurada ao pescoço.

Sentou-se na entrada da cabine e abriu o casaco impermeável para expor a malha de algodão da blusa. Enquanto limpava com ela a câmera, seus olhos agora voltados à popa fotografavam as aparições do dorso negro das grandes ondas deixadas para trás. Eram desveladas por instantes no contraste com as luzes do continente, que se distanciavam lentamente no mesmo sentido.

Após uma hora e 10 minutos surfando ondas, chegaram num ponto para pesca de peroá (Balistes capriscus) conhecido de Nadinho, como se fosse qualquer outro lugar de terra em Atafona. Jogou a âncora de 20 kg, cuja corda revelou a profundidade de 10 metros.

Antes do dia nascer, lançadas da popa, já estavam nas águas ainda escuras três linhas de nylon 0,100 mm, cada uma com doze anzóis, seis de cada lado. Espetados neles eram intercalados metades de siris, como engodo para atrair os peroás, e camarões, aos quais os peixes morderiam para iniciar uma luta de vida e morte contra a fisga trespassada à própria boca.

Nos dois cantos extremos da popa, iam linhas cujas boias de garrafa pet, pela forma e função, lembravam os barris arpoados ao aterrorizante grande peixe do filme “Tubarão” (1975), de Steven Spielberg. Do lado direito do “Paleta de Ouro”, na altura da porta traseira da sua cabine, ia mais uma linha de fundo.

Quando o sol nasceu, parido pelo mesmo horizonte em que pescador e seu passageiro balançavam como crianças impotentes no berço, se deram a ver, algumas centenas de metros adiante, dois grandes cargueiros dos mares do mundo. Ancorados, esperavam a vez para se abastecerem de minério de ferro no Porto do Açu.

 

(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Algumas centenas de metros adiante, após as aves marinhas, os cargueiros do mundo (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Com o dia, vieram os primeiros peroás negros, embora apresentem cor cinza. O pescador explica que, embora ele próprio goste mais do sabor da carne destes, não são tão valorizados quanto os azuis e geralmente mais graúdos peroás do leste.

A maioria dos peixes era puxada do mar pela linha com boia da esquerda:

— Nunca que vou entender isso. Como pode com a linha do lado da outra, uma pegar tanto peixe e a outra não? — questionou Nadinho.

— Vai ver os peroás gostam mais de guaraná Tobi do que de Coca-Cola! — brincou o passageiro, em referência ao rótulo que ainda sobrevivia na garrafa pet verde da sortuda linha canhota, em contraste com a similar de plástico transparente e tampa vermelha, sinalizando como boia o azar da direita.

 

(Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Linha sortuda da esquerda com cinco peroás fisgados de vez (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Enquanto os peroás eram fisgados, às vezes cinco na mesma linha, o passageiro não pôde deixar de notar o constrangedor contraste entre sua própria movimentação dentro do barco e a do pescador. Enquanto o primeiro só conseguia caminhar, ao balanço das ondas, se apoiando com as mãos, Nadinho o fazia com tanta naturalidade dos passos, equilíbrio do tronco e liberdade dos punhos, que lembrava um pugilista de maturidade técnica dentro do ringue.

Embora os peróas compusessem a grande maioria do pescado que foi enchendo as caixas de frigorífico, dois baiacus arara (Lagocephalus laevigatus) também foram capturados. Um deles após cortar a tal linha esquerda e arrancar com suas poderosas mandíbulas o lombo de um xarelete (Caranx hippos) fisgado ao anzol.

Após limpar o baiacu arara, separando sua parte comestível da cabeça e vísceras, Nadinho exibe na mão esquerda a glândula venenosa de cor verde que, se cortada, envenena a carne do peixe (Foto : Aluysio Abreu Barbosa)

Por experiência própria, o passageiro já sabia que aquela espécie de baiacu era não só comestível, desde que corretamente limpo, como delicioso. Conhecimento que Nadinho acresceu da malandragem de pescador:

— Tem dono de peixaria que compra baiacu e vende em posta, dizendo ser garoupa (Epinephelus marginatus), porque têm a mesma carne branca. A nós, não conseguem enganar. Mas para quem não conhece direito…

Entre um peroá e outro, sobrou espaço para o pescador falar sobre sua experiência com outro tipo de vida marinha. Do peixe mais temido do mar, disse que nunca cruzou com um tubarão branco (Carcharodon carcharias), personagem do filme de Spielberg.

Mas, com malhão (rede de malha larga, para prender peixes maiores), já pescou outras espécies de tubarão bastante agressivas, como o cabeça chata (Carcharhinus leucas), responsável pelo maior número de ataques a seres humanos no litoral brasileiro, e o tigre ou tintureira (Galeocerdo cuvier).

Da última espécie, lembra já ter pescado um tubarão tigre que deu 198 kg depois de limpo:

— Mas foi até difícil de vender, porque o tintureira não tem a carne boa — ressalvou, ao esclarecer que a maior parte do cação vendido em Atafona vem daquele que ele e os demais pescadores chamam de “torce torce” (pelo hábito de rodar sobre seu eixo quando capturado, como todo tubarão), também conhecido como caçonete (Mustelus norrisi).

Nadinho cabine
Com a mão na roda do leme e o corpo para fora da cabine, Nadinho conduz o “Paleta de Ouro” na reentrada pela foz do Paraíba (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Uma história violenta com tubarões foi vivida não por Nadinho, mas por um primo que é seu vizinho no Pontal de Atafona, para onde se mudou ao sair da Convivência, há quase 30 anos:

— Uns 10 anos depois, meu primo, o Genilto estava recolhendo uma rede mijuada (ancorada). Um cação marimbondo (Lamna nasus, conhecido como marracho), que eles já tinham recolhido, estava no chão do barco. Quando ele cruzou na frente, o cação deu o bote e arrancou a barriga da perna dele. Quando abriram o bicho, acharam o pedaço da perna dentro do seu bucho. E Genilto ficou com aquela roda pra dentro da perna.

Já com o maior de todos os peixes, o encontro foi pacífico. Apesar de atingir até 20 metros e 13 toneladas, o dócil tubarão baleia (Rhincodon typus) se alimenta só de plâncton (microorganismos) e outros invertebrados, que filtra na água com sua boca imensa, enquanto nada lentamente:

Nadinho limpa alguns dos peroás maiores ainda dentro do barco (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Nadinho limpa alguns dos peroás maiores ainda dentro do barco (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

— Estava no “Paleta de Ouro”, mais dois companheiros, pescando de caída (rede para peixes que fica flutuando ao sabor da corrente marinha), no mar de Quissamã. Ele era um pouco maior que o barco (11,2 m). Devia ter uns 12 metros. Nadava devagar, com as costas todas pintadas de branco (característica do dorso do animal). Um amigo encostou nele com o bicheiro (haste com um anzol grande na ponta, usado para ajudar a trazer os peixes ao barcos) e ele afundou.

Foi também no seu próprio barco que Nadinho encontrou os maiores seres do mar, as baleias de verdade, mamíferos, não peixes, que costumam aparecer no litoral de Atafona nos meses invernais de junho e julho. Um desses encontros, poderia ser narrado nas páginas de “Moby Dick” (1851), clássico romance de Herman Melville (1819/91):

— Estava com mais dois companheiros, pescando de malhão. De repente uma baleia se embolou na rede e começou a puxá-la, arrastando o “Paleta de Ouro” com se fosse um barco de papel. Durou cinco minutos, mas foi muita tensão. Acho que elas nem sabem a força que têm. Aí, quando íamos cortar a corda da rede, para nos soltar, a baleia pocou ela.

Entre histórias do mar, seus homens e outros seres, três caixas de frigorífico foram cheias, cada uma com 25 kg de pescado. Vendida por R$ 3 o quilo para os frigoríficos, chegam ao consumidor final, nas peixarias de Atafona, a R$ 9; ou R$ 10, no Mercado de Campos. R$ 225 pelas três caixas de peixe, menos R$ 100 do diesel e das iscas, dão um lucro líquido como o mar — mas bem menor — de R$ 125.

 

Cara-ventos de Gargaú nascem na parte direita da proa (Foto; Aluysio Abreu Barbosa)
Cara-ventos de Gargaú florescem entre céu e mar, à direita da proa (Foto; Aluysio Abreu Barbosa)

 

Foi o que deu, até por volta das 14h, quando os peroás pararam de bater, mesmo na linha sortuda da esquerda, da boia verde de guaraná Tobi. Após Nadinho recolher linhas e âncora, com mar bem mais calmo, o retorno durou 40 minutos. Cada segundo deles na proa, a ver nascerem e crescerem lentamente no horizonte os cata-ventos da usina eólica de Gargaú, à direita, e Atafona, à esquerda, com suas ruínas e casuarinas.

Num cenário tão íntimo ao pescador, o passageiro viu pela primeira vez a foz do Paraíba e seu litoral de dentro do Atlântico. Era fisgada para desaguar a vida inteira.

 

Nadinho Atafona 1
No caminho de volta, Atafona nasce à esquerda do horizonte (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

 

Página 5 da edição de hoje (14) da Folha
Página 5 da edição de hoje (14) da Folha

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

0

Fabio Bottrel — Quando Acordei no Mundo das Ideias de Platão

 

Sugestão para escutar enquanto lê: Noturno, Op.9 No.2 – Frédéric Chopin

 

 

 

 

Bottrel 14-08-16

 

 

Quando acordei tudo o que pude ver foi luz, um enorme clarão ofuscou meus olhos e a dúvida se estava cego ofuscou a minha mente, sentia águas calmas com sons de paz acariciando a minha pele por todo o corpo, percebi estar parcialmente imerso, pela textura dos dois ambientes. Metade do meu corpo era acariciado por vento e a outra metade repousava em água, apoiado sobre areia macia com pequenas pedras que não machucavam. O único som a entrar nos meus ouvidos eram as minúsculas ondas da água rasa com a correnteza a levando embora, talvez pelo meu ouvido estar imerso não conseguia escutar nenhum som afora o rio. O ar chegando no meu pulmão é tão puro quanto um mundo verde, inspirei fundo para sentir todo aquele sabor de ar primata. A temperatura tanto da água quanto do clima estava agradável como uma noite de sonhos tranquilos, senti tecidos encostando no meu corpo e notei que estava vestido com algo largo.

Aos poucos minha visão voltou, se é que posso chamar de minha, não sei onde estou e nem o que me pertence. As cores lentamente tomaram forma como uma obra pontilista, houve um fade verde de folhas, fotossínteses azuis. Aos poucos o pontilhismo tornou-se impressionista e os pontos se embaçaram, mas se unificaram, as formas ainda disformes tornaram-se pinceladas de tinta a óleo em tela grossa. Aos poucos as tintas foram se tornando imagens e fixando na fotografia do mundo que eu via: árvores com espessos galhos e folhas, formando uma mata fechada bem delineada em dois lados separados por um rio, onde eu estava imerso. A sensação era tão boa que eu não queria me levantar, nem mesmo me mexer.

Percebi longos fios de cabelos brancos levitando ao meu lado com o vento suave, girei a cabeça um pouco para a esquerda e vi um senhor de cabelos e barba grisalhos olhando para mim, vestia uma manta branca grande e seu aspecto medieval transpassava uma sabedoria milenar. Seu rosto tinha uma fisionomia agradável e não saberia responder se ele estava rindo, seus gestos e olhares eram tão discretos e calmos que aparentavam tudo e ao mesmo tempo nada.

– Olá, Vicente.

– Como sabe meu nome?

– Eu sei de tudo.

Sua voz era doce e grave, aparentava ter me analisado ou estava me esperando acordar por completo para proferir seu cumprimento, havia um esforço da minha mente para não entrar em curto-circuito, tudo estava muito confuso para mim e esse encontro me deixou ainda mais. Quem era o homem que me olhava como se soubesse cada detalhe do meu corpo e vida, como sabe meu nome, de onde me conhece e que história é essa de saber de tudo? Será que a morte, algo tão trágico e violento para nós em vida se transforma em algo tão calmo e maduro?

– Onde estou?

– Descobrirá por si mesmo… onde acha que deveria estar?

Era angustiante ele não responder minhas questões, o meu maior desejo naquele momento era um pouco de norte, levantei das águas rasas e sentei, olhei para o meu corpo envolto na mesma manta branca que o homem ao lado vestia. Será ele um morto, tal como eu? Um morto antigo talvez, com tempo suficiente para amadurecer na morte como precisamos para amadurecer na vida. A manta molhada rapidamente secou-se e me impressionei, somente a parte de baixo que continuou imersa no rio estava molhada, tal como minhas pernas. Ali, percebi, as leis naturais a reger aquele mundo não eram as mesmas leis que regem a Terra.

Continuava a pensar na pergunta do homem ao lado, “Onde acha que deveria estar?”, mas a minha cabeça estava um caos. Será que digo – devo estar onde os humanos de cada cultura acham que deveriam estar? Céu, inferno, purgatório, reencarnando, transformando, energizando etc. Tudo o que eu via não se assemelhava a nada do que a minha cultura me permitiu conhecer em vida, por isso não conseguia distinguir, a não ser que o ser ao meu lado fosse divino.

– Por que não responde as minhas perguntas?

– Você deseja que eu te dê respostas ou te torne a resposta?

Cada frase proferida por ele me demandava um tempo de reflexão.

-Acostume-se, Vicente, a única resposta da vida é a morte. E aqui você é a própria pergunta e sua própria resposta.

– Então… estou morto?

– Você acabou de nascer.

Não entendi o seu discurso e ele percebeu, formulou uma explicativa breve:

– Não se nasce para viver, se vive para nascer.

– Quem é você? – Perguntei.

Aquele homem estava confundindo a minha mente ainda mais com toda essa filosofia estranha de vida e morte, com toda a tranquilidade ele desviou o olhar de mim e olhou para o céu sem sol. Eu não entendia como havia tanta luz se não havia sol, a claridade aparentava vir de todos os cantos e logo reparei não ter sombras também, somente o som da natureza sem nenhum animal ou indício de um. Era estranho, pois em toda mata fechada havia uma orquestra de cantos dos pássaros e animais que nela habitam. Naquela, só havia luz.

Todos os meus pensamentos divagantes e toda a minha atenção ao ambiente fora cortada abruptamente quando o homem ao lado proferiu suas palavras:

– Eu sou você.

 

Trecho do livro Platônico quando Vicente acorda no Mundo das Ideias, lançado ontem na IX Bienal do Livro de Campos.

 

Sobremesa musical, após a degustar o texto: La Vieen Rose – letra de Edith Piaf interpretada por Cynthia M.

 

 

0

Nova pesquisa sobre sucessão de Rosinha na Folha deste domingo

iNovo

 

 

Amanhã a Folha trará a segunda pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde que foram oficializados em convenção os seis candidatos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) — em ordem alfabética: Caio Vianna (PDT), Dr. Chicão (PR), Geraldo Pudim (PMDB), Nildo Cardoso (DEM), Rafael Diniz (PPS) e Rogério Matoso (PPL).

Encomendada pela Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), a pesquisa foi feita pelo instituto iNovo, fundado em Niterói por dois cientistas políticos da Universidade Federal Fluminense (UFF). E ouviu 700 pessoas das sete zonas eleitorais de Campos, nos dias 7 e 8 de agosto, para achar um quadro geral semelhante ao aferido pelo instituto Pro4 — cuja pesquisa, feita em 6 de agosto, foi encomendada e divulgada pela Folha.

A pesquisa do iNovo apresentou, no entanto, duas bruscas diferenças com o Pro4. Quer saber quais foram?

Então leia amanhã (14) na edição da Folha da Manhã.

 

0

Melhora do governo Rosinha puxa Chicão, mas maioria ainda quer mudanças

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Como era de se esperar, o expressivo crescimento da candidatura de Dr. Chicão a prefeito, comparadas as duas últimas pesquisas do instituto Pro4 feitas em junho (8 a 10) e 6 agosto, se deve à melhora da imagem do governo no qual é vice. Nos últimos dois meses, se Chicão ganhou 9,2 pontos ao passar de 8,4% nas intenções de votos para aos atuais 17,6%, este último percentual ainda ficou bem abaixo (11,1 pontos) dos 28,7% que responderam “sim” à pergunta: “O melhor é votar no candidato apoiado pela prefeita Rosinha, porque o trabalho dela precisa de continuidade?”.

Se esse índice positivo ao governo subiu (em junho, eram 24,3% os queriam sua continuidade), diminuíram os que responderam afirmativamente à indagação contrária: “O melhor é votar em outro candidato para que ele faça as mudanças que Campos precisa?”. Dos 70,8% de junho, foram 62,7% os que agora se manifestaram pela mudança — ainda uma maioria destacada dos campistas, mas que decresceu 8,1 pontos percentuais, número próximo ao conquistado por Chicão em intenções de voto, no mesmo período. Nele, aumentou a dúvida: os 4,4% que não souberam ou quiseram responder dois meses atrás, agora são 8,5% dos campistas.

Apesar do crescimento também destacado de Geraldo Pudim (PMDB), mais que dobrando os 5% na pesquisa de junho, para os atuais 11,1%, uma outra consulta estimulada feita em desdobramento aos que optaram pela mudança para Campos, revela que se trata de uma maioria com dois candidatos preferidos para encarná-la. Desses 62,7% que desejam mudar, 20,3% acham que Rafael Diniz (PPS) é o melhor nome para fazê-lo, em empate técnico com Caio Vianna (PDT), escolhido por outros 18,1% — a margem de erro da pesquisa é de 3,9 pontos percentuais para mais ou menos. Pudim vem em terceiro (9,7%), seguido de Chicão (5,2%). Mesmo governista, ele ficou à frente de Nildo Cardoso (DEM, 4,5%) e Rogério Matoso (PPL, 2,7%).

Ainda mal avaliado pela maioria, o governo começou a recuperar popularidade, aparentemente após o empréstimo de R$ 367 milhões da terceira “venda do futuro”, tomado (aqui) com a Caixa Econômica em 11 de maio deste ano, para ser pago até 2026. Se, em junho, 62,4% desaprovavam a maneira como a prefeita Rosinha vem administrando Campos, esse número em agosto baixou 52,1% — diferença percentual de 10,3 pontos, também bem próxima ao aumento de Chicão nas intenções de voto. A aprovação ao governo, no entanto, subiu pouco: de 33,9% para os atuais 36,3%. Foi um crescimento menor do que os que não souberam ou quiseram responder: dos 3,7% de dois meses atrás, aos 11,6% de agosto.

A diferença entre os percentuais das pesquisas de junho e agosto também se aproximam à do crescimento das intenções de voto de Chicão (9,2 pontos) no período, quando se trata das respostas às perguntas: “Você confia ou não confia na prefeita Rosinha?”. Evidenciando a melhora na imagem desgastada do governo, os 23,5% que há dois meses disseram confiar, hoje já são 31,8% — diferença de 8,3 pontos. Com números distintos, mas diferença semelhante entre eles, a coisa se repete na diminuição dos que não confiam na prefeita: os 73,2% de junho caíram para os atuais 60,2% — redução de 13 pontos percentuais.

 

 

Página 3 de hoje (12) da Folha
Página 3 de hoje (12) da Folha

 

 

Publicado na edição de hoje (12) da Folha da Manhã

 

0

Por que Chicão cresceu e deve crescer mais, mas sem levar em turno único

Ponto final

 

 

Governo puxou Chicão

Nos últimos dois meses, o governo Rosinha Garotinho (PR) conseguiu melhorou sua imagem, bastante desgastada no segundo mandato. E isso puxou o crescimento de seu vice, Dr. Chicão (PR), nas intenções de voto pela sucessão da prefeita. Essa é a conclusão inequívoca da análise da segunda parte da pesquisa Pro4 — feita em 6 de agosto e publicada na página anterior desta edição — com os dados análogos colhidos pelo mesmo instituto entre 8 a 10 de junho. Ambas as consultas foram encomendadas pela Folha da Manhã e realizadas com 620 campistas das sete zonas eleitorais do município.

 

Relembrando

Ontem, na publicação da primeira parte da pesquisa pela Folha, foi revelada (aqui) a liderança que Chicão assumiu na corrida à Prefeitura, tanto na espontânea (4,8%), quanto na estimulada (17,6%) — nesta, empatado dentro da margem de erro (3,9% para mais ou menos) com Caio Vianna (PDT, 13,7%), Rafael Diniz (PPS, 13,2%) e Geraldo Pudim (PMDB, 11,1%). E na comparação com os números de junho, antes da definição (e redução) das candidaturas, o crescimento de Chicão foi o maior entre os seis que ficaram: 9,2 pontos percentuais a mais que os 8,4% que teve em junho.

 

Crescimento é fato

Se dúvida havia sobre esse crescimento expressivo de Chicão, ela se desvanece na sua confirmação por cruzamentos entre outros dados aferidos pelo Pro 4 entre junho e agosto. Por exemplo, aqueles que neste período responderam “sim” à pergunta “O melhor é votar em outro candidato para que ele faça as mudanças que Campos precisa?”, sofreram redução de 70,8% para 62,7% — ainda uma maioria destacada dos campistas, mas que decresceu 8,1 pontos percentuais.

 

Mais exemplos

Outros exemplos? Se, em junho, 62,4% desaprovavam a maneira como a prefeita Rosinha vinha administrando Campos, o número em agosto baixou a 52,1% — diferença percentual de 10,3. Com números distintos, mas bem próximos na diferença, pode se comparar quem disse confiar na prefeita: os 23,5% de dois meses atrás, hoje são 31,8% — 8,3 pontos. A mesma coisa na diminuição dos que disseram não confiar na prefeita: os 73,2% de junho caíram para os atuais 60,2% — diferença de 13 pontos percentuais.

 

Marco zero: 28,7%

Não é preciso entender de estatística, nem de margem de erro em pesquisa, para perceber que, num universo de 100%, 9,2 pontos percentuais de crescimento na intenção de voto de um candidato governista correspondem na média aos 8,1, aos 10,3, aos 8,3 e aos 13 pontos, respectivamente, de melhora na imagem do seu governo. Foi suficiente para dar a liderança a Chicão. Se o governo continuar a melhorar, seu candidato pode até ampliar a vantagem, já que os campistas que querem a continuidade do primeiro hoje são 28,7% — 11,1 pontos acima do que deveria ser, pela lógica, o “marco zero” das intenções de voto de Chicão.

 

Milagre eleitoral?

Todavia, mesmo que migrem para Chicão todos os 27,3% de indecisos que, na consulta estimulada, não souberam ou quiseram fazer nenhuma opção entre os seis candidatos a prefeito postos, isso não bastaria para que o atual líder vencesse em turno único — aposta na qual o governo parece empilhar todas as suas fichas. Ainda que, miraculosamente, ocorresse essa alta improbabilidade matemática e eleitoral, excetuados os 10% que disseram preferir votar branco ou nulo, Chicão não ultrapassaria os 49,9% dos votos válidos no primeiro turno.

 

Rejeição

Não custa lembrar de novo que, embora tenham diminuído, ainda são 62,7% — ou mais de seis entre cada 10 — os campistas que querem “votar em outro candidato para que ele faça as mudanças que Campos precisa”. E ainda que Chicão consiga a proeza de pontuar entre estes com 5,2%, a preferência acima da margem de erro para encarnar a mudança são os jovens Rafael (20,3%) e Caio (18,1%). No caso de segundo turno, ambos têm taxas de rejeição (respectivamente, 3,2% e 5,3%) bem inferiores aos 17,4% que Chicão também herdou do governo, no índice negativo em que só fica atrás — por motivos bem parecidos — de Pudim.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

0

Pesquisa Pro4 — Por que Chicão cresceu e deve crescer ainda mais?

Pro4 logo

 

Quer saber como a segunda parte da pesquisa do instituto Pro4 prova o crescimento da candidatura a prefeito de Dr. Chicão e o atrela à melhora do governo Rosinha Garotinho (PR) nos últimos dois meses? Ou por que esse crescimento nas intenções de voto ainda deve subir pelo menos mais de 10 pontos percentuais, mesmo que seja improvável a vitória governista em turno único?

Então leia amanhã (12) a edição da Folha da Manhã.

 

0

Ranulfo analisa pesquisa: “cidade está diante de candidaturas de bom nível”

Além das tentativas de interpretação feitas aqui, na coluna “Ponto Final” de hoje, outras leituras lúcidas foram realizadas sobre a última pesquisa Pro4 à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Mesmo a partir só dos dados preliminares resumidos aqui, na madrugada de hoje, como chamada à matéria completa, só publicada aqui no final da manhã neste blog, foi o caso da análise do economista Ranulfo Vidigal, aqui, na democracia irrefreável das redes sociais.

Confira abaixo sua transcrição:

 

Pro4 logo

 

DEU NA FOLHA DA MANHÃ.

Segundo a pesquisa do instituto Pro-4, feita em de 6 de agosto, ouvindo 620 pessoas das sete zonas eleitorais do município, o candidato a prefeito governista Dr. Chicão (PR) passou a liderar a corrida à sucessão na cidade do açúcar e do petróleo, tanto na consulta espontânea (4,8%), quanto na estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ele ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT, 13,7%), Rafael Diniz (PPS, 13,2%) e Geraldo Pudim (PMDB, 11,1%).

Ainda segundo o Blog do Aluysio, quem também registrou um expressivo aumento nas intenções de voto foi o deputado estadual Geraldo Pudim, que encostou no grupo da frente ao crescer 6,1 pontos percentuais entre as estimuladas de junho e agosto – evidenciando sua aliança com o médico Arnaldo Vianna..

Começa na próxima semana a campanha eleitoral no rádio e na televisão, onde o candidato do PR terá um bom tempo de exposição, seguido de perto pelo candidato do PDT, vindo na sequência o candidato do PMDB, e do DEM e com pouco tempo de exposição na televisão o candidato do PPS. O debate vai ser acirrado e não dá para afirmar, sequer, qual deles vai para o segundo turno. Dado que a proporção espontânea da escolha é ainda muito baixa, mas uma coisa é inegável, a cidade está diante de candidaturas de muito bom nível — todas capazes de enfrentar a carência de recursos e a estagnação econômica que vão predominar em 2017, com um Orçamento 600 milhões menor, em relação aos 2,2 bilhões estimados para 2016. Muitas paixões e interesses estarão em jogo nos próximos 45 dias.Vida que segue.

 

0

Pro4: Chicão lidera sucessão de Rosinha na espontânea e estimulada

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Quem duvidava da força da máquina ou do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), que repense suas certezas. A exatos 52 dias das urnas de 2 de outubro, o candidato governista Dr. Chicão (PR) assumiu a liderança na corrida à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR). Na nova pesquisa do instituto Pro4, com 620 eleitores das sete zonas eleitorais do município, encomendada pela Folha da Manhã e realizada em 6 de agosto (último sábado), Chicão liderou tanto a consulta espontânea (4,8%), quanto a estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT), que bateu 13,7%; Rafael Diniz (PPS), com 13,2%; e Geraldo Pudim, com 11,1%. Atrás, apareceram Nildo Cardoso (DEM), com 4,2%; e Rogério Matoso (PPL), com 2,9%.

Após a definição da candidatura governista em 27 de julho, Chicão parece ter sido alavancado pela força de uma máquina municipal que ganhou gás com o empréstimo (aqui) de R$ 367 milhões da terceira “venda do futuro”, a ser pago até 2026. Mesmo sendo o mais popular entre os então pré-candidatos rosáceos, na consulta estimulada anterior, feita (aqui) entre 8 e 10 de junho, o vice-prefeito ficou apenas com 8,4%, em quarto lugar na corrida a prefeito. Embora aquele cenário tivesse como possíveis candidatos os vereadores Tadeu Tô Contigo (PRB), que desistiu (aqui) apesar da segunda posição com 13,4%; e Mauro Silva (PSDB), que bateu 1,9% e virou vice na chapa de Chicão; o crescimento deste nos últimos dois meses foi o maior entre os seis candidatos que de fato disputarão a Prefeitura: 9,2 pontos percentuais.

Mas se a força da máquina se faz representar no crescimento de quase dois dígitos inteiros de Chicão, quem também cresceu substancialmente foi Geraldo Pudim, passando dos 5% da pesquisa Pro4 anterior para 11,1%, na mais recente. A evolução de 6,1 pontos percentuais evidencia a popularidade e capacidade de transferência do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), que no final de julho deu (aqui, aqui e aqui) seu apoio à candidatura do deputado estadual do PMDB a prefeito de Campos. E, ao fazê-lo (aqui) com críticas abertas à candidatura de Caio Vianna, Arnaldo parece ter prejudicado seu único filho, que passou da liderança anterior de 15,2% para a segunda posição, com seus atuais 13,7% — pequena queda de 1,5 ponto percentual.

Quem ganhou quase a mesma coisa que Caio perdeu foi o vereador Rafael Diniz. Nos últimos dois meses, ele passou dos 11,3% de junho para os atuais 13,2%, num acréscimo de 1,9 ponto percentual. Crescimento igual ou muito semelhante ao que também apresentaram o vereador Nildo Cardoso, de 2,3% para 4,2% (idêntico 1,9 ponto percentual); e o ex-vereador Rogério Matoso, que passou de 1,1% a 2,9% (1,8 ponto percentual).

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mas se a consulta estimulada das intenções de voto revela quem subiu e caiu nos últimos dois meses de pré-campanha, a espontânea desnuda o muito que ainda há em aberto na cabeça de um eleitor a pouco mais de 50 dias de escolher seu próximo governante: 79,7% — ou oito entre cada 10 campistas — ainda não sabem responder em quem votarão (68,1%), ou afirmam que irão fazê-lo em branco ou nulo (11,6%).

Diante desse quadro de indefinição, um dado importante para avaliar as possibilidades de crescimento é a rejeição dos candidatos. Pudim continua liderando com sobras o índice negativo, com 28,1%, seguido de Chicão (17,4%), Nildo (5,5%), Caio (5,3%), Rogério (3,9%) e Rafael (3,2%). Para 8,9% dos campistas, a rejeição é a todos.

 

Página 2 da edição de hoje (11) da Folha
Página 2 da edição de hoje (11) da Folha

 

Publicado hoje (11) na Folha da Manhã

 

0

Chicão na frente — Largada oposta à que oposição esperava ter

Ponto final

Máquina e Arnaldo

Como dito logo na abertura da matéria da página 2, a nova pesquisa Pro4, feita em 6 de agosto e encomendada pela Folha da Manhã, ouvindo 620 eleitores das sete zonas eleitorais do município, reforça no contraste com a consulta anterior do mesmo instituto, realizada (aqui) entre 8 e 10 de junho, o que todo campista sabia há muito tempo: a força da máquina municipal e a do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) são protagonistas no eleitorado goitacá. Não por outro motivo, os candidatos da primeira, Dr. Chicão (PR), e do segundo, Geraldo Pudim (PMDB), exibiram os dois maiores crescimentos de intenções de voto nos últimos dois meses.

 

Garotinho dá voto de Tadeu a Chicão

O maior crescimento foi o de Chicão. Entre junho e agosto, ele passou de 8,4% para 17,6%, num impressionante crescimento de quase dois dígitos inteiros: 9,2 pontos percentuais. Isso mostra que o secretário municipal de governo Anthony Garotinho fez (aqui) uma jogada de mestre, primeiro ao colar sua imagem na TV (aqui e aqui) à do vereador e então pré-candidato a prefeito Tadeu Tô Contigo (PRB), que depois seria obrigado a desistir (aqui) da pretensão pelo senador Marcelo Crivella (PRB), em troca do apoio do PR na sua disputa à Prefeitura do Rio. Como era de se esperar, pelo perfil do eleitorado de Tadeu, sua mais generosa fatia coube ao candidato da máquina.

 

Pudim cresce, mas rejeição…

Quem também cresceu muito, mas menos, foi Pudim. Após ter recebido no final de julho (aqui, aqui e aqui) o apoio de Arnaldo, de quem foi vice-prefeito e depois figadal adversário, o deputado estadual passou 5% para 11,1% — evolução de 6,1 pontos percentuais na sua conhecida pretensão de ser prefeito. O problema do candidato do PMDB é que, apesar da subida substancial nas intenções de voto, ele continua liderando por larga margem o índice negativo da rejeição. E o fato de 28,1% dos campistas não votarem de jeito nenhum em Pudim a prefeito, dão teto ao seu crescimento e chances reais num eventual segundo turno.

 

Único a perder

Mas se ajudou a Pudim, Arnaldo parece ter causado danos à candidatura majoritária do seu único filho, cuja maturidade ao cargo questionou (aqui) publicamente. Entre todos os seis que ficaram na briga pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) — no contraste com a pesquisa induzida de junho, entre 11 pré-candidatos —, Caio Vianna foi o único que não herdou intenção de voto de ninguém e o único a perder. Ainda assim, dentro da margem de erro, seus atuais 13,7% mantiveram o jovem pedetista em empate técnico tanto com o governista Chicão, a quem cedeu a liderança, quanto com os oposicionistas Rafael Diniz (PPS), com 13,2%, e Pudim.

 

Ânimo e desânimo

Além do pequeno aumento de 1,9 ponto percentual na consulta estimulada, entre os 11,3% de junho e os 13,2% de intenção de voto atuais, Rafael pode também comemorar a expressiva segunda colocação na espontânea (4,5%) e a menor rejeição (3,2%) entre todos os seis candidatos. Parece um cenário mais animador do que o de Nildo Cardoso (DEM) e Rogério Matoso (PPL) que também registraram pequeno crescimento na estimulada, mas correm descolados do bloco da frente. Como desanimador para toda a oposição é o fato de que Chicão liderou também na espontânea, com 4,8%.

 

Oposto à oposição

Ainda falta definir a posição do PT — e seu cobiçado (aqui) tempo de propaganda — no pleito municipal, embora o indicativo seja (aqui) de que o partido vai manter o resultado da sua convenção municipal e apoiar Caio. Se conseguir, será a segunda derrota dessa pré-campanha estendida que o filho de Arnaldo terá imposto a Garotinho, após vencer (aqui) a queda de braço com este pelo apoio do PSB. Mas começar os 35 dias de uma campanha curta, entre 27 de agosto e 30 de setembro, com Chicão liderando já na estimulada e na espontânea, é um cenário oposto ao que a oposição esperava encontrar no tiro de largada.

Publicado na edição de hoje (11) da Folha da Manhã

0

Chicão cresce e lidera sucessão de Rosinha na estimulada e espontânea

Pro4 logo

 

 

Segundo a pesquisa do instituto Pro4, feita em de 6 de agosto, ouvindo  620 pessoas das sete zonas eleitorais do município, o candidato a prefeito governista Dr. Chicão (PR) passou a liderar a corrida à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), tanto na consulta espontânea (4,8%), quanto na estimulada (17,6%). Nesta, dentro da margem de erro de 3,9% para mais ou menos, ele ficou em empate técnico com Caio Vianna (PDT, 13,7%), Rafael Diniz (PPS, 13,2%) e Geraldo Pudim (PMDB, 11,1%).

Em comparação com a consulta estimulada anterior do Pro4, realizada (aqui) entre 8 e 10 de junho, o crescimento de Chicão nos últimos dois meses foi de 9,2 pontos percentuais, quase dois dígitos inteiros. Quem também registrou um expressivo aumento nas intenções de voto foi Pudim, que encostou no grupo da frente ao crescer 6,1 pontos percentuais entre as estimuladas de junho e agosto.

 

Leia a reportagem completa, com vários outros dados da pesquisa, na edição (11) da Folha da Manhã, daqui a pouco na banca e na casa do assinante 

 

0

Sucessão de Rosinha — Última pesquisa na Folha desta quinta

Pro4 logo

 

Nas corrida pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), dois candidatos apresentaram consistentes crescimentos nas intenções de voto. Quer saber quem são?

Então leia a edição de amanhã (11) da Folha da Manhã, que divulgará os resultados da última pesquisa do instituto Pro4, encomendada pela Folha e realizada no último dia 6, com 620 eleitores, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número 01005/2016.

 

0

Guilherme Carvalhal — Cemitérios

Colaborador quinzenal do blog às quintas-feiras, em rodízio com a Paula Vigneron, o escritor e jornalista itaperunense Guilherme Carvalhal pede para avisar que, no próxima sábado (13), ele estará na Bienal do Livro de Campos, no estande da Associação de Imprensa Campista (AIC), às 19h, no evento “Autor com cachaça”. Coicindência ou não, a primeira convidada do mesmo evento, na abertura da Bienal do último sábado (6), foi a Paula:

— É uma excelente iniciativa, que ajuda a divulgar os escritores de Campos e da região! — ressaltou a também escritora e jornalista.

Abaixo, enquanto Carvalhal não desce o rio Muriaé em sua afluência com o Paraíba do Sul, segue seu conto:

 

Carvalhal 10-08-16

 

 

Assusta aos frequentadores o constante estalar de ossos enterrados. Há um regurgitar subterrâneo inexplicável, capaz de causar as mais distintas teorias. Dizem originar-se dos mortos com assuntos não resolvidos do nosso lado e seu movimentar significa uma necessidade de se justificarem ou de acertarem as contas. Outros afirmam se tratar da inveja, de passivamente testemunharem a satisfação dos vivos com os comensais materiais e eles, eternamente soterrados na penúria e na escuridão, gritavam amargurados por uma existência à qual não mais pertenciam.

Muitos cientistas tentaram encontrar uma solução para esse fenômeno. Puseram imensos e potentes estetoscópios ligados a um computador para captar a origem sonora e pouca coisa tal instrumento revelou. Utilizaram de sonares e demais mecanismo de mensuração, sem nada de estranho apontar. Um grupo chegou com uma escavadeira querendo ir a fundo na solução do mistério, mas os moradores bloquearam sua entrada, preservando o sossego de seus finados.

À parte o efeito assustador do fenômeno, muitos encontraram algum divertimento e lidavam com plena naturalidade. Havia quem ali sentasse a apreciasse os ruídos ósseos à maneira como se ouvia piar de passarinho. Uma professora de música começou a percorrer batendo com sua baqueta por diversos pontos, querendo adestrar os restos mortais em ritmo uníssono e arranjar a primeira orquestra póstuma da história. Ela também chegou a transcrever as notas em partitura, ansiosa por reproduzir a legítima música fúnebre.

O mais curioso estava nos entes dos cadáveres. Esses, não se sabe se por misticismo ou por alienação mental, afirmavam compreender perfeitamente as mensagens transmitidas por um modelo semelhante ao código morse. Captavam o barulho e redigiam seus textos, acumulando mensagens a garranchos em seus armários.

Um certo clima de saudosismo se perpetuava. Os mortos nem pareciam assim tão mortos. Um senhor me confessou sua sensação e essa reflete o contexto geral. Afirma ele que, se os mortos de fato tocam música, é para promover uma imensa e alegre festa em seu reino.

 

* * * * * * * * * * * * * * ** * * * * * * * * * * * * * * * * * * ** * * *

 

O projeto arquitetônico de João Venceslau visava a meta da total igualdade. Os croquis rabiscados estabeleciam plena uniformidade nas distâncias. De qualquer portão se poderia chegar a qualquer lápide com igual gasto de tempo. Pela mesma lógica, não havia diferença alguma na incidência de sol e chuva, estipuladas as posições objetivando a total simetria.

No fim das contas, o traçado ficou tortuoso. O mosaico de curvas para atrasar a chegada aos túmulos fisicamente próximos gerava reclamações. A equidade se deu por uma via pouco lógica, sendo todos identicamente afastados. Do pó ao pó, reverberava o autor da ideia, pois se após a morte cessavam as diferenças, cabia aos vivos zelar pela autenticidade dos desígnios divinos.

A perfeição desse propósito levou a um total planejamento dos velórios e dos cortejos. Autorizavam enterros apenas se houvesse exatamente 100 pessoas na cerimônia, nem mais nem menos. As famílias dos que excedessem esse total deveriam selecionar os mais distantes e proibi-los de comparecer. As daqueles cuja vida não promovesse o alento dos demais precisariam sair à cata de pessoas até obter a cota mínima. Nos casos de mendigos e pessoas sem parente, a municipalidade contratava carpideiras para dignificar o sepultamento.

Ao longo do tempo notou-se uma insistente assimetria nas visitações. Alguns defuntos arrastavam multidões a chorar, enquanto outros eternizavam-se na solidão. A disparidade feriu aos propósitos e o arquiteto pôs-se a pensar, não satisfeito em assistir à geniosidade das pessoas maculando seu tão trabalhoso esquema. Chegou a contratar mais carpideiras para atender aos isolados e calculou uma média de visitações, limitando as visitas mais volumosas. Perpetuaram-se as discrepâncias, já que diante de alguns túmulos caíam lágrimas sinceras e em outros secas gotas forçadas. O arquiteto se entristeceu e trancou-se em seu quarto por constatar que seus esforços em padronizar a estrutura  jamais alcançariam o comportamento humano.

 

* * * * * * * * * * * * * * ** * * * * * * * * * * * * * * * * * * ** * * *

 

Uma estranha convergência extraplanar se testemunha nesse local. Para se entender, é preciso  começar pelas estrutura arquitetônica. A parte térrea é composta por uma espécie de mausoléu com paginação romana. Uma estrutura normal, rodeada de arbustos e begônias. Há uma entrada larga em dupla porta marmórea e em seu interior uma escada descente.

Nos níveis inferiores ocorre o mistério. Há um complexo labirinto de entradas e saídas muitíssimo bem sinalizado por placas visíveis graças a uma luz azulada existente em todos os compartimentos sem origem especificada. À medida em que se desce se descortinam informes diversos, como um setor dos atingidos da bomba de Hiroshima ou das vítima incineradas no Hindenburg. Emersos de diversos espaços geográficos, de povoados vietnamitas, bolivianos, eslovenos, quenianos e quaisquer outros locais, se faziam presentes. Os esgares dos combalidos na peste negra, nos navios negreiros e pelas tropas de Gengis Khan assomavam pelos cantos e globalizavam o luto.

Não havia um final para aquele complexo. Por mais que se perambulasse, mais novidades apareciam e mais o visitante se perdia na quantidade infinita de residentes. Explicavam aquele local como una zona de convergência de todos os falecidos do mundo. Cada pessoa morta em qualquer local e em qualquer época ali repousava. Assim, pessoas de longínquos recantos que não puderam por força maior enterrar seus entes ali compareciam atrás de alguma proximidade. Consequentemente, pelas galerias ecoavam conversas em muitos idiomas e se prestavam homenagens das mais diversas religiões.

Por mais reconfortante que seja a possibilidade de dar um destino digno aos mortos desaparecidos, reinava ali uma lamúria multiétnica, oriunda de cada ponto cardinal e chegavam preces em tons de saudade e desespero. O vórtice de melancolia tornava esse o lugar mais triste no planeta.

 

0