Diferente de Édipo, Caio tem reagido com elegância às deselegâncias do pai

Já havia escrito desde o sábado (30) o artigo que iria publicar (aqui) na Folha da Manhã do útimo domingo (31) — mesmo espaço que, em dias de mais sorte, era preenchido pelos textos de Aluysio Barbosa, o Bom.

Mas desde que este “Opiniões” foi buscado pelo próprio ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN), no início da semana passada, para ser o primeiro a divulgar (aqui) questionamentos públicos ao seu filho Caio, candidato a prefeito pelo PDT, que a analogia dessa nova novela política goitacá foi se montando naturalmente na cabeça, por seus vários pontos semelhantes com a clássica tragédia grega “Édipo Rei”, de Sófocles (497 a.C./406 a.C.).

Nessa colagem natural entre leituras passadas, inevitável se juntar também Sigmund Freud (1856/1939), a partir dos conceitos da psiquiatria que buscou fundamentar na dramaturgia de Sófocles.

Posto para fora em escrita, na própria manhã de domingo, o que se montara na cabeça durante todo o correr da semana anterior gerou um artigo inicialmente feito só para o blog, onde alcançou uma popularidade inesperada, a partir da viralização do seu link na democracia irrefreáel das redes sociais.

Talvez por usar elementos da cultura universal para tocar em temas delicados, não só políticos, mas familiares, o texto alcançou repercussão também entre quem milita na grande mídia do Rio, onde ganhou (aqui) analogias com a popular teledramaturgia brasileira.

Não por outro motivo, intitulado “Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos”, o artigo feito inicialmente apenas para o blog foi republicado hoje (02), na edição impressa da Folha.

 

Página 3 da edição de hoje (02) da Folha da Manhã
Página 3 da edição de hoje (02) da Folha da Manhã

 

Mas diferente de Édipo, o filho da peça que se arrepende do ato cometido mesmo sem dolo contra o pai, Caio tem reagido com extrema elegância, na vida real, às deselegâncias públicas vindas de Arnaldo.

Como bem ressaltou o jornalista político Saulo Pessanha, logo na nota de abertura da sua coluna “Painel Político”, publicada ontem na Folha (01) e corretamente intitulada “Sem ódio”:

— Otimista, Caio mando o recado: “Serei prefeito, continuarei sendo um bom filho, e terei o compromisso de resgatar todo o legado de Arnaldo Vianna”

 

Saulo 01-08-16
Página 3 da edição de ontem (01) da Folha da Manhã

 

0

Da agresão a Letícia Sabatella e do valor das fontes

Por que, mesmo na democracia irrefreável das redes sociais, é fundamental saber o valor das fontes, antes de aceitarmos passivamente a narrativa. Pois, mesmo no mundo da informação instantânea, é muito bom saber primeiro da notícia por alguém que pensa:

 

Ricardo Rangel 1

 

0

Nildo e Papinha ensaiam aliança, Rogério tira Pros de Caio, enquanto PT espera

Ponto final

 

 

Segunda-feira agitada

Com o prazo final para convenção até sexta-feira (05), a semana ontem começou agitada nas últimas articulações para as eleições de 2 outubro, daqui a exatos dois meses. Primeiro, foi (aqui) o fato de dois prefeitáveis, o vereador Nildo Cardoso (DEM) e o suplente de deputado estadual Papinha (PP), anunciarem as convenções de seus partidos para o mesmo dia, local e horário: às 15h de amanhã, dia 3, na Câmara Municipal de Campos. Depois, foi (aqui) a notícia de que o Pros, até então contabilizado na aliança do candidato a prefeito Caio Vianna (PDT), migrou à pré-candidatura a prefeito de Rogério Matoso (PPL).

 

Nildo e Papinha

Embora não confirmem, até porque ambos andaram conversando em separado com o vereador Rafael Diniz, candidato a prefeito do PPS ainda sem vice, o fato é que tudo indica que Nildo e Papinha devem formalizar uma aliança. Ainda que até às 15h de amanhã muita coisa possa acontecer — como tem acontecido —, o que se imagina é uma chapa com o vereador como candidato a prefeito e o suplente de deputado, como vice.

 

Pros de Caio a Matoso

Já o apoio do Pros a Matoso, se for consumado, pode fazer com que Caio perca não um só partido, mas dois. Também na noite de ontem, a executiva municipal do PT fez sua última reunião antes da convenção de amanhã. E vai para ela dividida em dois caminhos: bancar Hélio Anomal como candidato a prefeito, ou apoiar a candidatura de Caio, pelo aliado histórico PDT, na majoritária. Ocorre, para apoiar o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna, o PT contava justamente em fazer uma aliança na proporcional com o Pros, mais o PMN de Alessandra Faez. Muito embora, conste que este partido já estivesse prometido por Caio ao PSC do vereador Genásio.

 

O impossível e o difícil

Como nem Anomal, nem a executiva estadual petista conseguiram atrair nenhuma outra legenda para apoiar o partido em Campos, e com as opções ficando cada vez mais limitadas, se lançar uma candidatura a prefeito prórpia e sem chance real, o PT se condena a não eleger também nenhum vereador. E tem pré-candidatos com potencial, como os professores Odisséia Carvalho e Alexandre Lourenço, além do advogado Alexis Sardinha. Numa aliança majoritária com Caio, se coligando na proporcional com Pros e PMN, o impossível se tornaria apenas difícil. E qual eleição não é?

 

Com Pros, PT olha Rogério

Bem verdade que, se conseguir segurar o Pros, sem passar o papelão de Arnaldo — que anunciou (aqui) o apoio ao deputado estadual Geraldo Pudim à Prefeitura, para perder o controle do seu PEN (aqui) logo depois —, Rogério pode também passar a ser uma opção ao próprio PT. Na verdade, o ex-vereador, assim como Caio e Rafael, foram os únicos prefeitáveis que os petistas locais aceitaram sabatinar e cogitar apoiar. Mantido o Pros, Matoso teria ainda o PC do B, com a professora Odete Rocha em pré-candidatura de expressão a vereadora. E ela já condicionou (aqui) a aliança proporcional com o PT ao apoio deste na majoritária a Rogério.

 

“Nas mãos de Deus”

O maior problema para Rogério segurar o Pros é que o deputado estadual João Peixoto (PSDC), aliado de Caio, já estava ciente do movimento do presidente municipal do partido, Robinho Pitangueira. E o contato de Peixoto é direto com o presidente estadual do Pros, o deputado federal Felipe Bornier. Filho do prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PMDB), Felipe pediu a João, e conseguiu, o apoio do PSDC ao Pros em municípios da populosa Baixada Fluminense. Indagado sobre essa possibilidade ontem, logo após fechar o apoio a Matoso, Pitangueira disse: “Entrego nas mãos de Deus!”.

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

0

Ocinei Trindade — A tocha, a loucura, as eleições e o complexo de Isaura

Ocinei 02-08-16

 

 

Por que apagar a tocha olímpica? Por que não aproveitar o fogo sagrado e incendiar todos os canaviais restantes de Campos e cercar a cidade em fornalha eterna, e assim, virarmos todos o pó dos deuses? Por que acreditar em todos os candidatos à Prefeitura de Campos depois de nomes vulgares e alianças tão suspeitas e mal-ajambradas (para vereador nem comento)? Por que sentir inveja dos Estados Unidos se eles têm candidatos a presidente da República tão ruins e tragicômicos como os nossos? Por que não ingressar no Estado Islâmico se todos nós de algum modo estamos aterrorizados ou aterrorizando alguém ou alguma coisa? Por que não admitir que somos escravizados e escravizantes e que nossa descendência de Isaura, a escrava heroína, não passa de um delírio literário? Falar mal de Campos ou do Brasil é uma coisa ridícula e muito feia. Admito minha ridicularidade. Ruim ser bosta. Basta ser.

Coisa de maluco sair por aí falando coisas toscas e se expondo. Deveriam censurar. Calar a voz de todos. Menos dos tiranos e déspotas, pensam os descendentes de Leôncio. Me identifico mais com Isaura, a vítima oprimida (embora tenho, e todos nós temos, algum traço do carrasco também). Em trecho de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (não confundir com Bernardo Guimarães), um personagem diz: “O que mais penso, testo e explico: todo mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece, principalmente, de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura. No geral. Isso é que é salvação da alma”. Tem dias que baixa um jagunço sanguinário na gente que nem se sabe como vem e nem como vai. Uma pirofagia atroz dá em nós campistas. Nossos políticos órfãos ou exterminadores da nação dos goytacazes são altamente pirofágicos ou incendiários, legítimos representantes de seu povo que não sabe viver sem fuligem preta e fogo. É uma espécie de neve do inferno. Pode ser de Dante, de dantes e de sempre. Somos assim, grafou Esdras Pereira.

Falar mal de político pode ser motivo de enforcamento ou fogueira canavieira. Por isso resolvi falar bem deles neste parágrafo. Defendo Angela Merkel no governo. Qual governo? De Campos, ora, ora. Loucura, né. A Dilma quis ser Angela. O Temer também quer ser, já que não dá para ser Abraham Lincoln. Lula quer ser Papa Francisco II. Já Garotinho, talvez, queria ser Zeus, haja vista a chama sagrada vinda de Olímpia passeando pelas ruas da cidade. Rosinha não precisa querer ser ninguém. Já basta ser a primeira em tudo. Linda a nossa ex-governadora.

Quem disse que a Grécia também não é aqui? Falidos já estamos e estamos quase falando grego, pois a gente não se entende. Até Pudim e Arnaldo são aliados agora. Até Chicão e Mauro são candidatos a prefeito. Até tu, Caio, quer cair dentro da arena platônica com aval de Lupi e do PDT? Tragédia e fim dos tempos. Brizola deve estar ardendo em brasas e fúria no túmulo. Parece uma coisa russa também essas campanhas políticas daqui. Tipo assim, Vladimir Putin que não deixa de governar, mesmo quando não é eleito, não larga o osso que ferve dentro do samovar. Por isso que defendo a Angela Merkel. Talvez, alguém me sentencie: “vá para a Alemanha, caramba, suma daqui”. Mas se Maomé não vai à montanha, a Alemanha não pode vir para Campos ou Brasil? Não foi justo o placar de 7 a 1? Um pouco de rigor e austeridade não fazem mal quando existe vontade da boa e justa política (se é que isto existe).

A louca Dilma ia revolucionar na nova era Merkel tupi-guarani-goitacá estocando vento e saudando a mandioca, e matando de raiva Marina Silva e os outros ambientalistas com a solução definitiva para a crise energética. O louco Temer poderia escrever cartas melhores para a presidente. O Lula louco poderia fazer uma coalizão mais bem-sucedida para ser primeiro-ministro da Merkel. Até lá, quem sabe, o juiz Sérgio Moro chegue à presidência da ONU e o louco Donald Trump se torne o novo Nero ou Napoleão do milênio. Trump sabe incendiar tão bem quanto Garotinho (ambos são fogo, competentes comunicadores, mais que carismáticos,  legendários como Rasputin). Tudo bem, se não tem a amiga louca da Angela Merkel, pode servir a louca genial Angela Rô Rô para assumir o governo municipal, quem sabe. Fogo temos sobrando. Garotinhos também abundam e se reproduzem, graçazadeus. Viva a nova monarquia republicana do melado (chuvisco dá muito trabalho e está caríssimo, tempos de crise, poupemos)! Imperialistas: ser ou não ser? Eis a questão.

A história confirma as necessidades do povo que vez por outra carece de um rei ou de um messias. Não vou botar os judeus e nem Jesus nessa prosa, pois sabemos o que aconteceu. Mataram-no com aval romano. Líderes políticos com grandes chances de revolução e transformação também são eliminados mundo afora. Kennedy, Luther King, Malcom X, Gandhi, Allende, Jango, Chico Mendes (inexplicavelmente, Fidel Castro sobreviveu)… Garotinho também já foi messiânico e inspirador depois do período Zezé Barbosa, associado ao coronelismo e ao método “antigo de governar” em tempos de ditadura militar. Depois de Garotinho, o que temos de melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista e de voto)?  Haja tocha para acender o fogo dos adversários que querem eliminá-lo e vice-versa! Acho ele muito odiado e invejado, apesar de admirado. Quem tem medo de Virginia Woolf e de Anthony Matheus? Salvem a poesia e a tragédia greco-moura, por favor. Parece jogo de xadrez ou novelinha das seis dos anos 1970, mas a escravidão nos persegue. Somos reféns de um jeito ou de outro, a abolição foi e é uma farsa.

Afinal, Isaura e seus filhos todos, quem irá nos libertar das garras do mal? Por que Sergio Moro e seus pares não desembarcam de suas naves poderosas por todo município, estado do Rio de Janeiro e Brasil depois que Joaquim Barbosa saiu de cena, ninguém sabe, ninguém viu? Chicotearam as melhores esperanças e nos fazem sangrar banhados em mediocridade, mentiras e falácias (Trump e Hillary não ficam atrás). Por que mentimos tanto? Aliás, por que mentimos tanto para nós mesmos quando votamos ou quando nos envolvemos com alguém se dizendo por amor? Aliás, os políticos dizem que nos amam e nós dizemos o mesmo para eles. Por que não amar a música de Dorival Caymmi que introduz com o lerê, lerê, lerê e nos associa à escravidão diária? Somos assim, grafou Esdras. Ah, o Brasil e os brasileiros! Quanta malandragem e espertezas !!!

Eu quero botar fogo na pasmaceira enlouquecidamente, purificar os corações corrompidos e cruéis. Não sei se quero votar em descendentes de Isaura arruinados como o Solar dos Ayrizes, local onde ela teria vivido. Não sei se quero me comprometer mais do que já estamos todos nós, cúmplices de arruinamentos disfarçados de melhorias pagas por milhões e bilhões visivelmente superfaturados (embora não sei se poderemos mais roubar dinheiro público como antes no futuro próximo, pois fontes andam secando, assim como os nossos rios, lagoas e nascentes).

Dilapidamos o máximo que podemos para nos satisfazer sem pensar no próximo, no amigo e no futuro. Aliás, vendemos nosso futuro e nossa alma para o demônio e nem nos importamos com isto. Lembro em uma das eleições mais acirradas de Campos, na década passada, escrevi um texto para o extinto Monitor Campista utilizando os números das siglas dos partidos, comparando-os com as cartas do tarô, promovendo um jogo de trocadilhos. O número 12 (PDT) era a carta do Enforcado, já o número 15 (PMDB) era a carta do Diabo. Atualmente, o número 22 (PR) estaria associado à carta do Louco. O número 45 (PSDB) é a carta da Regeneração. Já o 13 do PT é o número da carta da Morte. Ou seja, todos sabem jogar muito bem. E nós eleitores sabemos?

E para não dizer que não falei de coisa boa, assistam quando puderem, a entrevista da cantora Olivia Byington ao jornalista Roberto D´Ávila na Globonews ou Internet. Ela é mãe de quatro filhos, um deles vítima da síndrome de Apert, doença rara e degenerativa da cabeça e rosto. Ela acabou de escrever um livro comovente e divide a dor e a coragem de enfrentar o preconceito e a discriminação. Um exemplo de amor e humanidade que deve servir a todos nós loucos e irresponsáveis, políticos ardilosos, religiosos ardentes ou não. Não deixem a chama da vida e do respeito apagar. Não sou contra os políticos (ao contrário), nem a Tocha Olímpica em Campos, nem contra as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Não vejo a hora de assistir a abertura e as competições dos deuses. É uma das coisas mais lindas que inventaram (apesar de ficar triste com a corrupção, mentiras, obras superfaturadas, truques e dopings desleais que roubam o pódio dos verdadeiros atletas, vencedores e heróis).  Viver livremente é bom, mas é fogo.

 

0

Contabilizado para Caio Vianna, Pros vai para Rogério Matoso

Robinho Pitangueira e Rogério Matoso contra Caio Vianna e João Peixoto pelo Pros (arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Robinho Pitangueira e Rogério Matoso contra Caio Vianna e João Peixoto pelo Pros (arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como antecipado (aqui) na postagem abaixo, prometem ser tensos esses próximos dias, no fechamento do prazo das convenções e alianças partidárias para a eleição de outubro. Contabilizado na aliança pela candidatura de Caio Vianna (PDT) a prefeito, o Pros do presidente municipal Robinho Pitangueira fechou aliança na majoritária e proporcional com o PPL e o PC do B. Aliados, o primeiro tem Rogério Matoso como pré-candidato a prefeito, enquanto os comunistas tem em Odete Rocha sua principal pré-candidatura a vereadora.

Aliado de Caio, o deputado estadual João Peixoto (PSDC) deve tentar reverter por cima o movimento municipal do Pros. Seu contato direto é com o próprio presidente estadual do partido, o deputado federal Felipe Bornier. Filho do prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier, Felipe teve e recebeu de Peixoto o apoio do PSDC ao Pros em municípis da Baixada Fluminense.

 

Leia a íntregra dos fatos na edição impressa de amanhã (02) da Folha da Manhã

 

0

Nildo e Papinha marcam covenções no mesmo dia, hora e local

Nildo e Papinha fazem concenções do DEM e PP no mesmo dia, hora e local (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Nildo e Papinha fazem concenções do DEM e PP no mesmo dia, hora e local (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Dia 3, às 15h da próxima quarta-feira, na Câmara Municipal de Campos. No mesmo dia, hora e local estão marcadas as convenções de dois pré-candidatos a prefeito: o vereador Nildo Cardoso (DEM) e o suplente de deputado estadual Papinha (PP). Os dois ainda não admitem a coligação, até porque ambos também mantêm conversas em separado com o vereador Rafael Diniz, lançado candidato a prefeito ontem pelo PPS, mas ainda sem vice.

Prometem ser tensos estes primeiro dias da semana, no fechamento do prazo para as convenções.

 

Leia a íntregra dos fatos na edição impressa de amanhã (02) da Folha da Manhã

 

0

Sucupira de Odorico e Grotas de Afrânio se encontram em Campos

Ainda na noite de ontem, algumas horas depois de ter postado aqui, no final da manhã o artigo “Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos”, o economista e analista político Ranulfo Vidigal me marcou na democracia irrefreável das redes sociais, numa sua postagem (aqui). Nela, o também economista e analista político Wilson Diniz, articulista do jornal carioca “O Dia”, fez algumas considerações sobre meu texto, baseado em Sófocles (497 a.C/406 a.C.) e Freud (1856/1939), estendendo a dramaturgia do primeiro a Sucupira de Dias Gomes (1922/99) e, sobretudo, a Grotas de Benedito Ruy Barbosa — fenômenos de popularidade da TV brasileira na série “O bem amado” (1980/84) e na atual novela “Velho Chico”.

Não sem algum constrangimento, por sua grande generosidade, segue abaixo o texto de Wilson Diniz:

 

 

Coronéis Odorico e Afrânio, imortalizados na TV brasileira, pelos atores Paulo Gracindo (1911/95) e Antônio Fagundes (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Coronéis Odorico e Afrânio, imortalizados na TV brasileira pelos atores Paulo Gracindo (1911/95) e Antônio Fagundes (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Wilson Diniz, economista, analista político e articulista de “O Dia”
Wilson Diniz, economista, analista político e articulista de “O Dia”

Wilson Diniz comenta a coluna da Folha da Manhã 

 

O artigo do editor da Folha, “Só Freud explica”, deve ter surpreendido a classe política de Campos pela erudição como foi abordado.

Tenho dúvidas, se uma classe política tão decadente das oligarquias mereça a abordagem que foi dada no artigo.

Se merecem a abordagem do tema, tenho certeza que a maioria não conhece Freud e muito menos entendeu a abordagem.

Campos é dominada por oligarquias comparadas a do Nordeste há 30 anos.

Esta eleição com a oposição dividida, é mais um blefe do jogo para manter os mesmo personagens da política local para continuar segregando a população menos esclarecida de baixa renda e de escolaridade com políticas populistas em estilo do modelo venezuelano.

A pergunta que se faz: qual as propostas inovadoras da oposição, que sempre foi cúmplice do poder durante tantos anos?

Campos em termos políticos, assemelha-se nos últimos tempos a Sucupira como foi governado por Odorico e a Grotas, duas obras de ficção, mas que réplica do coronel Afrânio.

Falta em Campos dois filhos rebeldes do coronel. Miguel e Martins para romper com o domínio do pai e devolver as do coronel conquistadas pela força.

A Câmara de Grotas, quem sabe é uma réplica da de Campos, onde o prefeito tem pleno domínio.

Os tempos mudaram, até Grotas, onde o coronel vai perdendo o poder político e da família ficando na solidão.

A cooperativa de Grotas foi uma forma de Santos — personagem — e seu irmão vereador darem os primeiros passos para quebrar o poder do coronel.

A pergunta que se faz: será que em Campos existe uma cooperativa com as mesmas propostas. Tenho dúvida.

Também se pergunta se o personagem, o deputado Carlos Eduardo, tem réplica na cidade campista.

Terminando, o artigo do editor é digno de ser postado em qualquer jornal de renome nacional. Parabéns, Aluysio.

 

0

Em qualquer lado do Equador, conselho bilionário de valia

Já disse algumas vezes, mas não custa repetir: dos que militam em mídia impressa e virtual, o jornalista Elio Gaspari é, para mim, o maior entre os viventes desta terra de Vera Cruz.

Antes que este domingo se acabe, para você, leitor, que a cada eleição confere seu voto sem olhar bem na cara de quem confia para representá-lo, este “Opiniões” pede licença para reproduzir abaixo o teste prévio proposto na coluna de hoje pelo decano jornalista.

Em qualquer lado do Equador, é conselho bilionário de valia:

 

Candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, “Jair Bolsonaro” acima do Equador (foto: reprodução)
Candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, “Jair Bolsonaro” acima do Equador (foto: reprodução)

 

TESTE DE BLOOMBERG

O bilionário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, flechou Donald Trump em seu discurso na Convenção do Partido Democrata: “Eu reconheço um vigarista quando o vejo”.

O teste de Bloomberg deveria ser incorporado por todos os eleitores de todos os países, em todas as eleições.

 

0

Só Freud explica — Tragédia grega na novela política de Campos

Édipo

 

 

Em 20 de julho, com base em um debate travado na democracia irrefreável das redes sociais, dias antes (aqui), entre o advogado Gustavo Alejandro Oviedo e o sociólogo George Gomes Coutinho, comparei (aqui) as escolas de pensamento os filósofos gregos Platão (428/348 a.C.) e Aristóteles (384/322 a.C.) com as movimentações políticas dos jovens pré-candidatos a prefeito Rafael Diniz (PPS) e Caio Vianna (PDT).

Quem não estava na cidade, como é o caso do blogueiro Christiano Abreu Barbosa, se mostrou (aqui) tão assustado quanto quem estava e até agora não entendeu a deselegância pública do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PEN) para com seu próprio filho. E este “Opiniões” se sente à vontade para tratar do assunto, pois foi aqui que Arnaldo, naquele mesmo dia 20, reafirmou sua pré-candidatura a prefeito, mesmo sabendo tratar-se de impossibilidade jurídica, e disse publicamente que o filho carecia de experiência para começar na política se lançando a prefeito.

Também caberia a este blog ser o primeiro a noticiar aqui o encontro no Rio, no dia 25, entre Arnaldo e o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), para que o primeiro apoiasse a pré-candidatura a prefeito do segundo. A possibilidade foi confirmada (aqui) também ao “Opiniões”, pelo próprio Pudim, no dia 26, antes que ambos recebessem as “bençãos” dos caciques estaduais do PMDB, aqui, no dia 27.

Mas, em relação à deselegância paterna cometida com Caio, nada marcou mais que o discurso condescendente que Arnaldo usou (aqui) na convenção do PMDB, no dia 29, que lançou sua atual esposa, Edilene Silva (PEN), como vice, na chapa a prefeito encabeçada por Pudim:

— Caio é o maior tesouro que tenho e ninguém o ama mais do que eu. Porém, ele precisa estudar, amadurecer. Eu lutei muito para me formar. Já meu filho ouviu algumas pessoas e trancou a faculdade para entrar em uma aventura. Quando ele voltar ao estudos e concluir a faculdade, darei a ele meu apoio político. Mas nesse momento Pudim é o mais preparado.

A referência aos gregos antigos nessa nova novela da política goitacá é novamente óbvia. A partir da peça “Édipo Rei”, de Sófocles (497 a.C./406 a.C.), fica fácil identificar Laio (o pai), Édipo (o filho) e Jocasta (esposa de ambos), bem como até criar uma outra personagem feminina para completar o quadrado, numa sátira real e contemporânea da grande tragédia da Antiguidade: seria a… Castajó.

Considerada por Aristóteles, em sua “Poética”, como “a mais perfeita tragédia grega”, foi com base em “Édipo Rei” que o médico austríaco judeu Sigmund Freud (1856/1939), considerado o pai da psicanálise, criou o popular conceito “Complexo de Édipo”, em seu livro “A interpretação dos sonhos”, visando explicar relações de poder e desejo entre pai, mãe e filho.

Já em seu último livro, “Moisés e o monoteísmo”, Freud vai afirmar que “um filho é sempre seu pai, ou porque o confirma, ou porque o nega”. É a mesma obra na qual, rastreando a origem de Deus no animal que fomos antes de nos tornarmos homens, o autor ressalta que na sociedade patriarcal do primata que nos gerou, todos os jovens da tribo eram filhos do mesmo macho dominante. E quando algum desses machos jovens chegava a ameaçar sua liderança e monopólio de reprodução, o pai matava o filho, ou o castrava, ou o expulsava.

Da teoria da evolução do inglês Charles Darwin (1809/82) aplicada à teologia, (pré-)história, antropologia e psiquiatria, é bom lembrar que, na tragédia grega, todos os personagens principais acabam muito mal na peça.

 

0

Artigo do domingo — Dois meses para aprender a jogar sem a bola

 

Dois dos maiores meias da história do futebol e pilares do “tiki-taka”: Xavi e Iniesta (foto: reprodução)
Dois dos maiores meias da história do futebol e pilares do “tiki-taka”, a arte de manter a posse de bola para não cedê-la ao adversário: Xavi e Iniesta (foto: reprodução)

 

 

Sempre houve quem contestasse a grande Seleção Espanhola de futebol, sobretudo após o vexame da sua eliminação na primeira fase da Copa do Brasil em 2014. Os feitos daquele time, no entanto, são incontestes: única seleção nacional da história que ganhou em sequência duas Eurocopas (2008 e 2012), mais uma Copa do Mundo (2010) entre elas.

Quem criticava a Espanha o fazia por três motivos. O primeiro, único correto, era a sua falta de incisividade. O segundo, realçado pelo primeiro, era o predomínio considerado excessivo do toque de bola. O terceiro, sempre foi o mais humano possível, quando este se vê confrontado por algo que, criado por seu semelhante, lhe é superior: despeito!

Apelidado de “tiki-taka”, o futebol baseado na troca de passes curtos e movimentação, era uma influência tanto do futsal — esporte análogo no qual os espanhóis passaram a rivalizar com Brasil a partir dos anos 2000 — quanto do grande Barcelona treinado por Pep Guardiola (2008/12). E deste clube, onde foram ofuscados primeiro pelo brasileiro Ronaldinho Gaúcho, depois pelo argentino Lionel Messi, saíram os dois maiores jogadores dessa Espanha e meias de todos os tempos: Xavi Hernández e Andrés Iniesta.

Habilidosos, mas baixinhos, sobretudo para os padrões da Europa, como um time com jogadores assim poderia prevalecer no futebol mais físico do Velho Mundo? Como marcar adversários geralmente maiores e mais fortes? Como parar, por exemplo, atacantes hercúleos e tecnicamente soberbos, como o português Cristiano Ronaldo, de 1,85 e 80kg, ou o sueco Zlatan Ibrahimovic, de 1,95m e 95 kg?

Como Isaac Newton (1643/1727) ao desvendar o universo ao observar a queda de uma maçã, as questões aparentemente mais complexas têm soluções simples. Por maior, mais forte ou habilidoso que seja um jogador de futebol, nem que assim o sejam os outros 11 do time adversário, qualquer um deles só poderá jogar se tiver a bola.

Ocorre que, com seu “tiki-taka”, a bola era quase sempre da Espanha. Se era criticada por muitas vezes não usar essa posse de bola para agredir, para buscar o gol adversário, a crítica partia de quem não percebia que, sem a bola, os adversários dos espanhóis tampouco podiam fazê-lo.

Para quem imagina o estrago que o vereador Rafael Diniz (PPS) poderia fazer nessa eleição a prefeito se tivesse como aliado o PMDB, seu tempo de propaganda eleitoral, mais o apoio logístico de um Jorge Picciani, presidente do partido e da Alerj, talvez comece a entender porque o deputado estadual Geraldo Pudim, hoje candidato da legenda à sucessão de Rosinha Garotinho, tenha saído do PR sem maiores dificuldades. Mesmo que não jogue mais no time do antigo líder, Pudim, independente do dolo, continua segurando a bola para ele.

E o PT, dono (aqui) de um minuto da propaganda eleitoral de TV à tarde e à noite, mais oito spots de 30 segundos, todo dia dos 35 de campanha, entre 27 de agosto e 30 de setembro? Flertou com Rafael, piscou para Rogério Matoso (PPL) e já tinha até (aqui) pegado na mão de Caio Vianna (PDT). Mas bastou a conversa (aqui e aqui) do marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR) com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, para as executivas nacional e estadual do partido “recomendarem” a candidatura própria de Hélio Anomal. E sem nenhuma chance real a prefeito ou sequer apoio de outra legenda para eleger ao menos um vereador, ele já fala (aqui) até em intervenção num diretório municipal dividido entre tabelar com Caio, Rafael ou Rogério.

E o PRB? Sem grande estrutura no município, tinha um pré-candidato de oposição a prefeito bem colocado nas pesquisas que, certamente, tiraria votos do governo — mais por sua atuação como popular apresentador de TV, que como político. Se o ex-aliado Tadeu Tô Contigo era o “bode na sala” para os rosáceos, teve de cara um sino amarrado ao pescoço pelo marido da prefeita, que usou os interesses comerciais da Rede Record para impor (aqui e aqui) sua participação pessoal no programa do adversário. Isso, enquanto o secretário fazia do deputado federal Índio da Costa (PSD) seu “bode na sala” da disputa à Prefeitura do Rio, com o senador Marcelo Crivella, figura de proa do mesmo PRB de Tadeu. Com a bola furada pelo chefe, apoiado no Rio pelo PR, o vereador “decidiu” (aqui) concorrer à reeleição em Campos.

E o PSDB? Bem, com os tucanos, pelo menos pode se dizer que o líder rosáceo reteve a bola para marcar um gol — sim, os espanhóis também faziam os seus. Além do quase um minuto de propaganda eleitoral de TV à tarde e à noite, mais seis spots de 30 segundos diários, o PSDB deu (aqui, aqui e aqui) o vice na chapa governista encabeçada por Dr. Chicão. E quem disser que a escolha de um vereador articulado e bem quisto como Mauro Silva não foi um gol, como a do próprio Chicão, em vez de ceder ao velho despeito humano, que observe as dificuldades dos demais em escalar vices por aí.

No livro “Herr Pep”, que fala sobre sua vitoriosa carreira como jogador e treinador, Pep Guardiola define o “tiki-taka”: “A posse de bola é apenas um método para ordenar a equipe e desmontar o time adversário”.

Depois de quase uma década de domínio, alguns dos principais jogadores da Espanha e do Barcelona sentiram o peso da idade e seus adversários na Europa e no mundo aprenderam como superar um estilo de jogo que parecia imbatível. Em Campos, após 27 anos de hegemonia de quem é governo e ainda parece saber jogar para continuar a sê-lo, restou à oposição dois meses para aprender a jogar sem a bola.

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

0

Com “utilidade” do câncer e reeleição, se Meirelles não acertar a economia…

Horizonte de Campos no pôr do sol de 09/07/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Horizonte de Campos no pôr do sol de 09/07/15 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Após o presidente interino Michel Temer (PMDB) dizer ontem (30) no Rio que o câncer foi “útil” (aqui) ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e de ter sua pré-candidatura à reeleição ao Palácio do Planalto em 2018, que sempre negou, lançada (aqui) pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), nada indica que o governo federal tenha evoluído política ou dialeticamente com o afastamento de Dilma Rousseff — cada vez mais distante também do PT e que terá seu impeachment julgado em definitivo (aqui) entre 29 de agosto e 2 de setembro.

A esperança é que o ministro da Fazenda Henrique Meirelles (PSD) acerte o descalabro econômico no qual pegou o Brasil, reeditando o sucesso alcançado, em condições bem mais favoráveis, quando foi presidente do Banco Central (BC) nos dois governos Lula — sobretudo no primeiro. Caso contrário, caro leitor goitacá, mire o Imbé no horizonte, trace sua reta e invista no ditado: “Corra para as montanhas!”

 

0

Não deixe de formar sua visão do Programa “Escola Sem Partido”

pink floyd teacherNão tenho opinião ainda formada sobre o Programa “Escola Sem Partido”. Mas, sobretudo como pai, não posso deixar de constatar (e me preocupar) que grande parte dos professores usem as salas de aula como “madrassas” (escolas islâmicas que alfabetizam pelo fundamentalismo religioso) para disseminação de política partidária e do chamado “politicamente correto”. Levado em consideração que essa política partidária, no mais das vezes, é simpática ao lulopetismo apeado do poder após saquear e quebrar o Brasil, e que o “politicamente correto” tende a ser tão fascista em seu patrulhamento quanto aqueles que gosta de apontar como tais, a preocupação é necessária.

Como em qualquer debate mais polarizado, a democracia irrefreável das redes sociais pode muitas vezes confundir. Mas também ajuda a quem sabe buscar fontes que desçam além da superfície sobre a qual flutua nervosamente a maioria. E, como em qualquer ágora que se preze, é no contraste entre pontos de vista distintos, mas dialeticamente fundamentados, que temos as chances mais generosas de alongar e conferir nitidez à nossa própria visão.

Tenho discordâncias tanto do poeta, dramaturgo e professor campista Adriano Moura, quanto do diretor de operações da Conspiração Filmes, o carioca Ricardo Rangel. Do primeiro, divirjo do reducionismo maniqueísta escola x políticos, da presunção dos professores como casta a ser unicamente considerada no debate sobre educação e, sobretudo, de que a pedagogia crítica de Paulo Freire (1921/97), em oposição satírica ao ator Alexandre Frota, tenha guiado o “politicamente correto” das salas de aula brasileiras à “verdade” contra a qual não se poderia admitir nenhum “retrocesso” — numa didática semelhante à das madrassas sem aspas.

Já com o segundo, concordo se tratar de genocídio cultural a censura a Monteiro Lobato (1882/1948). Bem como a retirada das grades curriculares do estudo das antigas Grécia e Roma, berços da nossa civilização, aos quais o próprio Lobato se preocupou em introduzir tão bem às crianças. Mas vejo uma contradição clara dessas próprias posições com a posterior classificação como “barbaridade” — derivação de como os gregos e depois romanos chamariam aqueles não permeados por sua cultura — da inserção do ensino de filosofia no ensino médio dos adolescentes brasileiros.

Mas essa é só a minha visão sobre as de Adriano (aqui) e de Ricardo (aqui). Para que você, leitor, possa formar a sua própria, leia a transcrição de ambas abaixo, não sem deixar de conferir aqui, por conta própria, o anteprojeto da Lei Federal nº 9.394, de diretrizes e bases da educação nacional, mais conhecido como “Programa Escola Sem Partido”:

 

 

Adriano Moura (perfil do Facebook)
Adriano Moura (perfil do Facebook)

O “Escola Sem Partido” é um movimento tão desonesto que o próprio nome tem a intenção de levar o cidadão ao erro. Quem olha o título imagina uma escola sem partido político (PSDB, PMDB, PT, PV, PSC, etc). Mas sabemos que não se trata disso. O que o movimento propõe é que a escola volte a ser o que era há décadas : um local onde racismo, homofobia, misoginia, corrupção e desigualdades sociais não eram temas discutidos. A educação no Brasil vive um momento perigoso, pois todo mundo virou especialista no assunto, como já era em futebol. De repente, Paulo Freire se transformou num “doutrinador” perigoso e Alexandre Frota num exemplo pedagógico. A quem interessa esse projeto? Aos políticos que se elegem com mentiras e corrupção, e por isso temem uma escola que forma pensamento crítico. Se nós professores tivéssemos de fato todo esse poder “doutrinador” de que falam, não haveria bancada evangélica, nem católica, nem da bala , nem do boi no Congresso. Infelizmente ainda não temos tanta influência assim na sociedade. O “Escola Sem Partido” é, como o sucateamento das instituições públicas de ensino, mais uma forma de impedir que sejamos um país de verdades, já que verdades não interessam aos que se elegem a custa de mentira e corrupção. Que BBB seja apenas o programa televisivo (ou nem isso), e que o Congresso não seja o covil do Boi, Bala, Bíblia.

 

 

Ricardo Rangel (perfil do Facebook)
Ricardo Rangel (perfil do Facebook)

Acredito que a doutrinação nas escolas é um problema grave, que se revela em cartilhas de alfabetização que adotam excrescências como “nós pega o peixe”; na censura a Monteiro Lobato; na retirada de Grécia e Roma do currículo; na inserção de sociologia e filosofia no ensino médio e tantas outras barbaridades. Basta conversar com qualquer universitário, especialmente de humanas, para constatar que a agenda politicamente correta é imposta a nossos jovens.

O politicamente correto é preconceituoso, tem parti-pris, compromete uma análise honesta e isenta da realidade, embota o pensamento e inviabiliza o verdadeiro conhecimento. É um suicídio intelectual. O cerne da proposta que consta do Programa Escola Sem Partido é perfeitamente razoável e diz o óbvio: o professor não tem o direito de doutrinar.

Dito isso, não acredito que o programa seja a salvação do ensino nacional. Para garantir a que suas prescrições sejam respeitadas, o programa teria que prever sanções disciplinares a quem se desviasse das regras estipuladas — e isso é não apenas impossível como indesejável.

É impossível porque para aplicar sanções, seria necessária uma norma objetiva que determinasse onde acaba a apresentação honesta de ideias e onde começa a doutrinação, e essa é uma questão subjetiva. É indesejável porque correríamos o risco de criar uma gestão do ensino policialesca, que mataria a circulação de ideias — o problema que queremos corrigir é justamente que hoje elas não circulam muito —, e faria que o tiro saísse pela culatra (aliás, as críticas intelectualmente honestas ao programa estão relacionadas a esse risco).

Posso estar sendo ingênuo, mas não vejo no Programa Escola Sem Partido as intenções malévolas que se lhe atribuem: acho até que o próprio programa é um tanto ingênuo ao supor que se possa eliminar a doutrinação por meio de uma lei.

Vejo o PESP mais como uma declaração de princípios e um alerta aos educadores e aos governos de que boa parte da sociedade discorda do que está ocorrendo em nossas escolas. Se o programa provocar, como está provocando, um debate sobre que tipo de ensino queremos para nossos filhos, já terá cumprido um papel muito importante.

 

0